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Papa Francisco: omissão e indiferença, o grande pecado contra os pobres

A omissão é também o grande pecado contra os pobres. Esta assume um nome preciso: indiferença. É dizer: “Não me diz respeito, não é problema meu, é culpa da sociedade”. É também indignar-se com o mal mas sem fazer nada.

Foi o que disse com incisividade o Santo Padre na missa deste Domingo, 1º Dia Mundial dos Pobres, celebrada na Basílica de São Pedro com a participação de 4 mil pessoas entre pobres e necessitados, acompanhados por associações de voluntários provenientes não somente de Roma e da região do Lácio, mas também de várias dioceses do mundo.

Instituído pelo Papa Francisco na conclusão do Ano Santo extraordinário da Misericórdia, este Dia quer ser sinal concreto do Ano Jubilar, que se celebra no XXXIII Domingo do Tempo Comum.

Tendo partido do Evangelho dominical, que nos traz a parábola dos talentos, o Pontífice afirmou-nos que somos destinatários dos talentos de Deus, “cada qual conforme a sua capacidade”. E Deus, aos olhos de Quem nenhum filho pode ser descartado, confia uma missão a cada um.

“Vemos, na parábola, que a cada servo são dados talentos para os multiplicar. Mas enquanto os dois primeiros realizam a missão, o terceiro servo não faz render os talentos; restitui apenas o que recebera”, recordou o Papa ilustrando a parábola contida na página do Evangelho pouco antes proclamado.

Em que o terceiro servo desagradou ao Senhor? – perguntou Francisco. “Diria, numa palavra (talvez caída um pouco em desuso mas muito atual), a omissão. O seu mal foi o de não fazer o bem,” disse o Papa ressaltando que “muitas vezes também nos parece não ter feito nada de mal e com isso nos contentamos, presumindo que somos bons e justos”.

“Assim, porém – continuou – corremos o risco de nos comportar como o servo mau: também ele não fez nada de mal, não estragou o talento, aliás, guardou-o bem na terra. Mas, não fazer nada de mal, não basta.”

“O servo mau, uma vez recebido o talento do Senhor que gosta de partilhar e multiplicar os dons, guardou-o zelosamente, contentou-se com salvaguardá-lo; ora, não é fiel a Deus quem se preocupa apenas em conservar, em manter os tesouros do passado, mas, como diz a parábola, aquele que junta novos talentos é que é verdadeiramente ‘fiel’, porque tem a mesma mentalidade de Deus e não fica imóvel: arrisca por amor, joga a vida pelos outros, não aceita deixar tudo como está. Descuida só uma coisa: o próprio interesse. Esta é a única omissão justa”, explicou Francisco.

“E a omissão é também o grande pecado contra os pobres. Aqui assume um nome preciso: indiferença. Esta é dizer: ‘Não me diz respeito, não é problema meu, é culpa da sociedade’. É passar ao largo quando o irmão está em necessidade, é mudar de canal, logo que um problema sério nos indispõe, é também indignar-se com o mal mas sem fazer nada. Deus, porém, não nos perguntará se sentimos justa indignação, mas se fizemos o bem.”

Como podemos então, concretamente, agradar a Deus? – perguntou novamente Francisco.

Quando se quer agradar a uma pessoa querida, por exemplo dando-lhe uma prenda, lembrou o Papa, “é preciso primeiro conhecer os seus gostos, para evitar que a prenda seja mais do agrado de quem a dá do que da pessoa que a recebe”.

Quando queremos oferecer algo ao Senhor, os seus gostos encontramo-los no Evangelho. Logo a seguir ao texto que ouvimos, Ele diz: “Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes” (Mt 25, 40), prosseguiu.

“Estes irmãos mais pequeninos, seus prediletos, são o faminto e o doente, o forasteiro e o recluso, o pobre e o abandonado, o doente sem ajuda e o necessitado descartado. Nos seus rostos, podemos imaginar impresso o rosto d’Ele; nos seus lábios, mesmo se fechados pela dor, as palavras d’Ele: ‘Este é o meu corpo’ (Mt 26, 26).”

“No pobre, Jesus bate à porta do nosso coração e, sedento, pede-nos amor. Quando vencemos a indiferença e, em nome de Jesus, nos gastamos pelos seus irmãos mais pequeninos, somos seus amigos bons e fiéis, com quem Ele gosta de Se demorar”, acrescentou.

“Deus tem em grande apreço, Ele aprecia o comportamento que ouvimos na primeira Leitura: o da ‘mulher forte’ que ‘estende os braços ao infeliz, e abre a mão ao indigente’. Esta é a verdadeira fortaleza: não punhos cerrados e braços cruzados, mas mãos operosas e estendidas aos pobres, à carne ferida do Senhor”, disse ainda.

Nos pobres manifesta-se a presença de Jesus, que, sendo rico, se fez pobre, lembrou o Santo Padre.

“Por isso neles, na sua fragilidade, há uma ‘força salvífica’. E, se aos olhos do mundo têm pouco valor, são eles que nos abrem o caminho para o Céu, são o nosso ‘passaporte para o paraíso’. Para nós, é um dever evangélico cuidar deles, que são a nossa verdadeira riqueza; e fazê-lo não só dando pão, mas também repartindo com eles o pão da Palavra, do qual são os destinatários mais naturais. Amar o pobre significa lutar contra todas as pobrezas, espirituais e materiais.”

E isso nos fará bem: aproximar-nos de quem é mais pobre do que nós, tocará a nossa vida. Lembrar-nos-á aquilo que conta verdadeiramente: amar a Deus e ao próximo. Só isto dura para sempre, tudo o resto passa; por isso, o que investimos em amor permanece, o resto desaparece.

“Hoje podemos perguntar-nos: ‘Para mim, o que conta na vida? Onde invisto?’ Na riqueza que passa, da qual o mundo nunca se sacia, ou na riqueza de Deus, que dá a vida eterna? Diante de nós, está esta escolha: viver para ter na terra ou dar para ganhar o Céu. Com efeito, para o Céu, não vale o que se tem, mas o que se dá, e ‘quem amontoa para si não é rico em relação a Deus’. Então não busquemos o supérfluo para nós, mas o bem para os outros, e nada de precioso nos faltará”, concluiu o Pontífice.

Ao término da missa, 1.500 pobres e necessitados serão acolhidos na Sala Paulo VI, no Vaticano, para almoçar com o Papa Francisco.

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Série – Doutrina Social da Igreja – Capítulo 2- O Bem comum e a Subsidiariedade.

Os direitos humanos, o bem comum, a vida social, o desenvolvimento, a justiça, a família, o trabalho, a economia, a política, a comunidade internacional, o meio ambiente, a paz. Todos esses são campos sobre os quais a Igreja dirige a sua reflexão no contexto da doutrina social.

Todo homem é um ser aberto à relação com os outros na sociedade. Para assegurar o seu bem pessoal e familiar, cada pessoa é chamada a realizar-se plenamente, promovendo o desenvolvimento e o bem da própria sociedade. Assim, a pessoa é o centro do ensinamento social católico. Qualquer conteúdo da doutrina social encontra seu fundamento na dignidade da pessoa humana. Outros princípios básicos do ensinamento social são: o bem comum, a subsidiariedade e a solidariedade.

A Dignidade da pessoa humana

A Igreja não pensa em primeiro lugar no Estado, no partido ou no grupo étnico. Pensa na pessoa como ser único e irrepetível, criado à imagem de Deus. Uma sociedade só será justa se souber respeitar a dignidade de cada pessoa. Portanto, a ordem social e o progresso devem ordenar-se segundo o bem das pessoas, pois a organização das coisas deve subordinar-se à ordem das pessoas e não o contrário (Gaudium et spes, 26).

O respeito à dignidade humana passa necessariamente por considerar o próximo como outro eu, sem excetuar ninguém. A vida do outro deve ser levada em consideração, assim como os meios necessários para mantê-la dignamente. Assim, o conteúdo da doutrina social é universal, pois considera a dignidade de cada pessoa como inalienável, única e necessária para construir o bem de todos.

O Bem comum

O bem comum é o “conjunto das condições da vida social que permitem, tanto aos grupos como a cada membro, alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição” (GS, 26). Não se trata de simples soma dos bens particulares de cada sujeito. É um bem indivisível, porque somente juntos se pode alcançá-lo, aumenta-lo e conservá-lo (CDSI, 164).

Para se colocar autenticamente ao serviço do ser humano, a sociedade deve colocar como meta o bem comum, enquanto bem de todos os homens e do homem todo (CIC, 1912).

O bem comum refere-se, por exemplo, a serviços essenciais ao ser humano: acesso a alimentação, habitação, trabalho, educação, cultura, transporte, saúde, informação, liberdade. Implica também o empenho pela paz, a organização dos poderes do Estado, um sólido ordenamento jurídico, a proteção do meio ambiente.

A Subsidiariedade

O princípio da subsidiariedade indica que, na sociedade, as instituições e organismos de ordem superior devem se colocar em atitude de ajuda (‘subsidium’) – e, portanto, de apoio, promoção e incremento – em relação às menores (CDSI, 186). Por nível superior se entende aquelas que são mais gerais (por exemplo, o governo federal em relação aos governos regionais e estes em relação aos municipais) e os organismos estatais em relação às organizações não-governamentais. É importante notar que o princípio da subsidiariedade inverte a lógica dos governos muito centralizadores e assistencialistas. Para estes governos, o Estado deve organizar e controlar os serviços sociais e as organizações não governamentais apenas o ajudam nesta tarefa. Pelo princípio da subsidiariedade, as pessoas, ao se organizarem, devem procurar, a partir de sua história, de seus valores e princípios, as melhores soluções para seus problemas e o Estado deve ajuda-las a viabilizar estas soluções na busca do bem comum.

O objetivo fundamental deste princípio é garantir o protagonismo da pessoa na sua vida pessoal e social. Ele protege as pessoas dos abusos das instâncias sociais superiores – por exemplo, do Estado – e solicita que as instâncias superiores ajudem os indivíduos e grupos intermediários a desempenhar suas próprias funções (CDSI, 187).

Texto: Aleteia –  Prof. Dr. Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)

Vídeo/Áudio/Imagem: Portal Terra de Santa Cruz 

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Ano do Laicato vai estimular protagonismo dos Cristãos leigos – conheça o Hino Oficial

A Igreja no Brasil vai celebrar, no período de 26 de novembro de 2017, Solenidade de Cristo Rei, à 25 de novembro de 2018, o “Ano do Laicato”. Na segunda reunião ordinária do Conselho Permanente deste ano, realizada de 20 a 22 de junho, foi apresentado o projeto preparado pela Comissão Episcopal Especial para o Ano do Laicato e em breve as Dioceses e Prelazias receberão as orientações metodológicas de como se preparar e celebrar em suas comunidades.

O tema escolhido para animar a mística do Ano do Laicato foi: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na ‘Igreja em saída’, a serviço do Reino” e o lema: “Sal da Terra e Luz do Mundo”, Mt 5,13-14. Segundo o bispo de Caçador (SC), dom Severino Clasen, presidente da Comissão Episcopal Especial para o Ano do Laicato, pretende-se trabalhar a mística do apaixonamento e seguimento a Jesus Cristo. “Isto leva o cristão leigo a tornar-se, de fato, um missionário na família e no trabalho, onde estiver vivendo”, disse o bispo.

Segundo a presidente do Conselho Nacional do Laicato no Brasil e integrante da Comissão, Marilza Lopes Schuina, as Dioceses receberão uma proposta a partir da qual, recomenda, tenham toda a liberdade para usar a criatividade ao planejar e vivenciar as ações locais.

O Ano do Laicato terá como objetivo geral: “Como Igreja, Povo de Deus, celebrar a presença e a organização dos cristãos leigos e leigas no Brasil; aprofundar a sua identidade, vocação, espiritualidade e missão; e testemunhar Jesus Cristo e seu Reino na sociedade”.

Documento nº 105

Ano do Laicato vai estimular protagonismo dos Cristãos leigos
Pretende ainda: “Dinamizar o estudo e a prática do documento 105: ‘Cristãos leigos e leigas na Igreja e na Sociedade’ e demais documentos do Magistério, em especial do Papa Francisco, sobre o Laicato; e estimular a presença e a atuação dos cristãos leigos e leigas, ‘verdadeiros sujeitos eclesiais’ (DAp, n. 497a), como “sal, luz e fermento” na Igreja e na Sociedade.

A Comissão Episcopal Especial para o Ano do Laicato organizou as atividades em quatro eixos: 1) Eventos; 2) Comunicação, catequese e celebração; 3) Seminários temáticos nos Regionais; e 4) Publicações.

Segundo o presidente da comissão, dom Severino, espera-se que este ano traga um legado para a Igreja missionária autêntica, com maior entusiasmo dos cristãos leigos e leigas na vida eclesial e também na busca da transformação da sociedade. “Eu acredito que se conseguirmos estimular a participação e presença efetiva dos cristãos leigos na sociedade provocando que aconteça a justiça e a paz, será um grande legado”, disse o bispo.

CONHEÇA O HINO OFICIAL PARA O ANO DO LAICATO

Edições CNBB disponibiliza Roteiro de  Celebração da Abertura do Ano Nacional do Laicato

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CNBB manifesta “apreensão e indignação” com a política brasileira

Por meio de nota, divulgada nesta quinta-feira, 26, a presidência da CNBB manifestou mais uma vez sua apreensão e indignação com a grave realidade político-social vivida pelo país, que afeta tanto a população quanto as instituições brasileiras. No texto, a entidade repudia a falta de ética que se instalou nas instituições públicas, empresas, grupos sociais e na atuação de inúmeros políticos que, “traindo a missão para a qual foram eleitos, jogam a atividade política no descrédito”.

A Conferência criticou também a apatia e o desinteresse pela política, que cresce cada dia mais no meio da população brasileira, inclusive nos movimentos sociais. Apesar de tudo, a entidade diz que é preciso vencer a tentação do desânimo, pois só uma reação do povo, consciente e organizado, no exercício de sua cidadania é capaz de purificar a política e a esperança dos cidadãos que “parecem não mais acreditar na força transformadora e renovadora do voto”.

Confira, abaixo, a nota na íntegra:

Nota da CNBB sobre o atual momento político

“Aprendei a fazer o bem, buscai o que é correto, defendei o direito do oprimido” (Is 1,17)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, através de seu Conselho Permanente, reunido em Brasília de 24 a 26 de outubro de 2017, manifesta, mais uma vez, sua apreensão e indignação com a grave realidade político-social vivida pelo País, afetando tanto a população quanto as instituições brasileiras.

Repudiamos a falta de ética, que há décadas, se instalou e continua instalada em instituições públicas, empresas, grupos sociais e na atuação de inúmeros políticos que, traindo a missão para a qual foram eleitos, jogam a atividade política no descrédito. A barganha na liberação de emendas parlamentares pelo Governo é uma afronta aos brasileiros. A retirada de indispensáveis recursos da saúde, da educação, dos programas sociais consolidados, do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), do Programa de Cisternas no Nordeste, aprofunda o drama da pobreza de milhões de pessoas. O divórcio entre o mundo político e a sociedade brasileira é grave.

A apatia, o desencanto e o desinteresse pela política, que vemos crescer dia a dia no meio da população brasileira, inclusive nos movimentos sociais, têm sua raiz mais profunda em práticas políticas que comprometem a busca do bem comum, privilegiando interesses particulares. Tais práticas ferem a política e a esperança dos cidadãos que parecem não mais acreditar na força transformadora e renovadora do voto. É grave tirar a esperança de um povo. Urge ficar atentos, pois, situações como esta abrem espaço para salvadores da pátria, radicalismos e fundamentalismos que aumentam a crise e o sofrimento, especialmente dos mais pobres, além de ameaçar a democracia no País.

Apesar de tudo, é preciso vencer a tentação do desânimo. Só uma reação do povo, consciente e organizado, no exercício de sua cidadania, é capaz de purificar a política, banindo de seu meio aqueles que seguem o caminho da corrupção e do desprezo pelo bem comum. Incentivamos a população a ser protagonista das mudanças de que o Brasil precisa, manifestando-se, de forma pacífica, sempre que seus direitos e conquistas forem ameaçados.

Chamados a “esperar contra toda esperança” (Rm 4,18) e certos de que Deus não nos abandona, contamos com a atuação dos políticos que honram seu mandato, buscando o bem comum.

Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, anime e encoraje seus filhos e filhas no compromisso de construir um País justo, solidário e fraterno.

Brasília, 26 de outubro de 2017


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SÉRIE – A DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA – Capítulo 1 – Transformar a sociedade com a força do Evangelho

Apresentamos neste primeiro capítulo em áudio-vídeo um resumo sobre o que é a doutrina social da Igreja. Neste capítulo vamos ver que a DSI trata-se de um desafio grande da Igreja que tem como objetivo transformar a sociedade com a força do Evangelho.

A função da doutrina social é o anúncio de uma visão global do homem e da humanidade e a denúncia do pecado de injustiça e de violência que de vários modos atravessa a sociedade.

Ao anunciar o Evangelho à sociedade em seu ordenamento político, econômico, jurídico e cultural, a Igreja quer atualizar no curso da história a mensagem de Jesus Cristo. Ela busca colaborar na construção do bem comum, iluminando as relações sociais com a luz do Evangelho.

A expressão “doutrina social” remonta a Pio XI (Carta encicl. Quadragesimo anno, 1931). Designa o corpus doutrinal referente à sociedade desenvolvido na Igreja a partir da encíclica Rerum novarum (1891), de Leão XIII. Em 2004, foi publicado o Compêndio de Doutrina Social da Igreja, organizado pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz, que apresenta de forma sistemática o conteúdo da doutrina social da Igreja produzido até aquela ocasião. A partir daí, este se tornou o documento de referência obrigatório para quem deseja aprofundar-se neste campo.

Veja o áudio/vídeo – Capítulo 1 

 

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Papa convida 2 mil moradores de rua, refugiados e ciganos ao circo

‘Faz bem à alma’, disse Papa Francisco ao receber artistas circenses. Programação teve ainda atendimento médico e distribuição de lanches.

Missionários acompanham moradores de rua, refugiados e ciganos durante espetáculo do Rony Roller Circus, em Roma, na quinta (14) (Foto: AFP Photo/Tiziana Fabi)Missionários acompanham moradores de rua, refugiados e ciganos durante espetáculo do Rony Roller Circus, em Roma, na quinta (14) (Foto: AFP Photo/Tiziana Fabi)

O Papa Francisco convidou nesta quinta-feira (14) ao circo de Roma dois mil moradores de rua, refugiados, grupo de presos e uma multidão de crianças ciganas a uma tarde dedicada à arte e à magia do circo.

O convite papal ao Ronny Roller Circus foi feito através da Esmolaria Apostólica do Vaticano, que organizou o traslado dos convidados do pontífice, que estiveram acompanhados de voluntários e equipes de médicos e enfermeiros.

“Isto faz bem à alma. Precisamos de beleza”, afirmou Francisco no ano passado, ao receber em uma audiência especial os artistas de circo.

A tarde de circo deveria servir como um “alívio aos nossos irmãos mais pobres para que possam superar as provas e dificuldades da vida que com frequência nos parecem insuperáveis”, explicou, em um comunicado, a entidade vaticana encarregada das obras de caridade do papa.

Freiras se divertem durante espetáculo do Rony Roller Circus, em Roma, na quinta (14) (Foto: AFP Photo/Tiziana Fabi)Freiras se divertem durante espetáculo do Rony Roller Circus, em Roma, na quinta (14) (Foto: AFP Photo/Tiziana Fabi)

Um serviço médico móvel foi instalado em frente à enorme tenda para atender consultas e um lanche foi oferecido ao final do espetáculo.

Segundo o site Vatican Insider, a frota de ônibus da Santa Sé, usados normalmente para transportar os prelados, foi usada para levar os espectadores.

“Foi uma grande emoção para nós”, confessou a dona do circo, Daniela Vassallo, à Rádio Vaticano, após lembrar que, como os indigentes, a gente do circo também costuma ser marginalizada pela sociedade.

“Sabemos que são pessoas às quais podemos falar, que recebem a mensagem. Entram hesitantes e vão embora com um sorriso” comentou.

Fonte: g1.com

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

Sociedade: A chave para combater a indiferença

Cidade do Vaticano (RV) – No último dia 1º de janeiro, celebramos o Dia Mundial da Paz, que fora instituído pelo Papa Paulo VI em 1967 e celebrado pela primeira vez em 1968. Já naquela ocasião, o Papa Paulo VI na sua primeira mensagem desejava que a cada ano, esta celebração se repetisse, como augúrio e promessa, no início do calendário que mede e traça o caminho da vida humana no tempo, “que seja a Paz, com o seu justo e benéfico equilíbrio, a dominar o processar-se da história no futuro”.

Um mendigo pedindo esmola 

Assim, todos os anos, o Santo Padre propõe um tema específico para o Dia Mundial da Paz. Para este ano, Francisco escolheu como tema “Vence a indiferença e conquista a paz”; um convite a todos para promover uma cultura de solidariedade e misericórdia, a fim de se vencer a indiferença que ameaça a paz.

Um dos aspectos da mensagem diz respeito à “paz ameaçada pela indiferença globalizada”.

A Mensagem reafirma que a indiferença superou o âmbito individual produzindo o fenômeno que Francisco define “globalização da indiferença”. No texto delineiam-se algumas formas de indiferença, com aquela para com Deus da qual brota a indiferença para com o próximo e a criação.

Neste âmbito da indiferença, chamou-me a atenção nos dias passados uma notícia alarmante sobre a realidade na Etiópia: são mais de 10 milhões de etíopes ameaçados pela penúria, provocada por uma grave seca. 10 milhões de pessoas que na indiferença de muitos são somente números, estatística de pobreza.

A Igreja local, num comunicado chama a atenção do mundo, dos católicos e dos homens e mulheres de boa vontade para ajudar a enfrentar essa emergência, para salvar vidas humanas. Eis então o momento para romper a globalização da indiferença e olhar com mais atenção para as grandes periferias de povos deserdados que sobrevivem muitas vezes com as migalhas que caem das mesas dos afortunados.

A indiferença para com o próximo – filha da indiferença para com Deus – assume as feições da inércia e da apatia. Feições, – disse Francisco – que alimentam a persistência de situações de injustiça e grave desequilíbrio social, as quais podem, por sua vez, levar a conflitos ou de qualquer modo gerar um clima de descontentamento que ameaça desembocar, mais cedo ou mais tarde, em violências e insegurança.

Quando as populações veem negados os seus direitos elementares, como o alimento, a água, os cuidados de saúde ou o trabalho, sentem-se tentadas a obtê-los pela força.

Por isso, a indiferença e consequente desinteresse, constituem uma grave falta ao dever que cada pessoa tem de contribuir para o bem comum, especialmente para a paz, que é um dos bens mais preciosos da humanidade.

Não é somente a indiferença que está no centro da Mensagem de Francisco, mas também a esperança na capacidade do homem – com a graça de Deus – de superar o mal, de não se abandonar à resignação e à indiferença, contribuindo assim à paz com Deus, com o próximo e com a criação.

Para preservar esta esperança, o Pontífice sublinha que também nós somos chamados a fazer do amor, da compaixão e da misericórdia um verdadeiro compromisso de vida, respondendo sempre ao apelo do Senhor para “sermos misericordiosos como o nosso Pai”.

Francisco deseja sacudir as nossas consciências. Algo que tem feito desde o início do seu Pontificado. E o tema da indiferença veio já a tona nos primeiros encontros fora do Vaticano. Recordamos a sua histórica visita a Lampedusa, o “porto do Eldorado” para muitos imigrantes, onde ele levantou a sua voz para falar da “globalização da indiferença”. É evidente também a ligação com a Mensagem para a Quaresma do ano passado: “enquanto eu estou relativamente bem e cômodo, esqueço-me daqueles que não estão bem”. A verdadeira indiferença.

Esse comportamento egoísta ganhou dimensão mundial e constitui para nós que somos cristãos um problema que devemos enfrentar. A misericórdia é a verdadeira chave para combater a indiferença.

Por Silvonei José/Rádio Vaticana

Adaptação Portal Terra de Santa Cruz

 

Nova Iorque: um bebê é abandonado na manjedoura do presépio de uma paróquia.

É um recém-nascido, ainda com o cordão umbilical!

mãozinha de bebê

“Um milagre de vida na Paróquia do Divino Menino Jesus. Hoje, ao meio-dia, nosso sacristão ouviu um bebê chorando no presépio vazio que estava sendo preparado para o Natal. Quando foi ver, encontrou um bebê recém-nascido, ainda com o cordão umbilical. O bebê está bem e saudável, pesa 2,358 kg e mede 43 cm. Reze por ele e pela sua mãe, quem quer que ela seja”.

Foi com este post no Facebook que o bispo auxiliar do Brooklyn,dom Octavio Cisneros, anunciou o encontro do recém-nascido. Entre as suas missões pastorais está a de atender esta paróquia de Richmond Hill, no Queens: tanto a paróquia quanto toda a região ficou comovida com a notícia, que assombrou “adicionalmente” as pessoas porque o bebê foi deixado justo na manjedoura vazia do presépio, a mesma que, dentro de menos de um mês, receberá simbolicamente o Menino Jesus.

A polícia de Nova Iorque está tentando localizar a mãe. As leis dos Estados Unidos, no entanto, não punem os pais que, de modo anônimo, deixam seus filhos “indesejados” em “lugares seguros” (que, normalmente, são hospitais).

O objetivo agora é encontrar um casal que possa adotar o pequeno sobrevivente.

Dia Nacional de Ação de Graças “Feliz é a nação cujo Deus é o SENHOR, e o povo ao qual escolheu para sua herança.” (Salmos 33 : 12)

Origem do Dia de Ação de Graças

As primeiras comemorações do Dia de Ação de Graças na Nova Inglaterra eram festividades de gratidão a Deus, em agradecimento às boas colheitas anuais. Por esta razão, o Dia de Ação de Graças é festejado nos Estados Unidos no outono, após a colheita ter sido recolhida.O primeiro deles foi celebrado em Plymouth, Massachusetts, pelos colonos que fundaram a vila em 1619. Após péssimas colheitas e um inverno rigoroso, os colonos tiveram uma boa colheita de milho no verão de 1621. Por ordem do governador da vila, em homenagem ao progresso desta em relação a anos anteriores, uma festividade foi marcada no início do outono de 1621. Os homens de Plymouth mataram patos e perus. Outras comidas que fizeram parte do cardápio eram peixes e milho. Cerca de 90 índios também atenderam a festividade. Todos comiam ao ar livre, em grandes mesas.Porém, por muitos anos, o Dia de Ação de Graças não foi instituído como feriado nacional, sendo observado como tal em apenas certos Estados americanos como Nova Iorque, Massachusetts e Virgínia. Em 1863, o então presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln, declarou que a última quinta-feira do mês de novembro seria o dia nacional de Ação de Graças.Mas em 1939, o presidente Franklin Delano Roosevelt instituiu que esse dia seria celebrado na terceira semana de novembro, com o intuito de ajudar o comércio, aumentando o tempo disponível para propagandas e compras antes do Natal (À época, era considerado inapropriado fazer propagandas de produtos à venda antes do Dia de Ação de Graças). Como a declaração de Roosevelt não era mandatória, 23 Estados adotaram a medida instituída por Roosevelt, e 22 não o fizeram, com o restante tomando ambas a quinta-feira da terceira e da quarta semana de novembro como Dia de Ação de Graças. O Congresso americano, para resolver este impasse, instituiu então que o Dia de Ação de Graças seria comemorado definitivamente na quinta-feira da quarta semana de novembro, e que seria um feriado nacional.

Dia de Ação de Graças no Brasil

 O Dia Nacional de ação de Graças é uma data oficial intituída com aprovação da lei 781 de 17 agosto de 1949; segundo relatos a criação desta data foi motivada pela declaração do Embaixador brasileiro nos Estados Unidos Joaquim Nabuco logo após ele ter participado de uma cerimônia religiosa em Washington em 1909, na ocasião o Embaixador ficou muito impressionado com aquele momento de adoração do povo americano diante a Deus e em tom profético ele disse, “quisera que toda a humanidade se unisse em mesmo dia, para um universal agradecimento a Deus”, Joaquim Nabuco faleceu em janeiro de 1910 e não teve a oportunidade de ver a nação brasileira unida em reconhecimento ao infinito amor de Deus, mas as suas palavras não foram esquecidas e em 1949 nas homenagens do centenário do seu nascimento o Presidente Gaspar Dutra aprovou a lei que instituía o dia nacional de ação de graças, em 1965 o presidente Castelo Branco assinou o decreto que regulamentava como os órgãos público deveriam proceder em relação a data, no ano seguinte o Presidente Castelo Branco sancionou a lei 5.110, esta nova lei fez uma pequena mudança em relação ao calendário do dia de ação de graças, passando suas comemorações da última quinta-feira do mês de novembro para a quinta-feira da 4ª semana também do mês novembro, além do governo federal principal responsável pela comemoração do dia de ação de graças na capital brasileira, atualmente já existem vários seguimentos da sociedade brasileira que adotaram esta data em seus calendários a exemplo de várias igrejas evangélicos e escolas de ensino de língua inglesa.

Tanto nos Estados Unidos quanto no Canadá, o Dia de Ação Graças é uma data em que geralmente as pessoas utilizam o tempo livre para ficar com a família, fazendo grandes reuniões e jantares familiares. Muitas pessoas dedicam seu tempo para pensamentos religiosos, serviços nas igrejas e orações. O Dia de Ação de Graças é celebrado também com grandes desfiles e, nos Estados Unidos, com a realização de jogos de futebol americano. O principal prato típico do Dia de Ação de Graças geralmente é peru, o que dá ao Dia de Ação de Graça o nome de “Dia do Peru”(turkey day)
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A posição da Igreja sobre o Capitalismo e o Socialismo por Papa Pio XI.

Com frequência os católicos perguntam-se qual a posição da Igreja frente ao capitalismo e ao socialismo. Uma vez que as respostas costumam ser diferentes entre si e até confusas, resolvi elaborar este pequeno artigo explicando e resumindo o ensinamento da doutrina social da Igreja sobre o assunto.

Papa Pio XI
O sistema capitalista
Primeiramente, é necessário definir o que é o capitalismo e o socialismo. Vamos começar pelo capitalismo. Na doutrina social da Igreja, capitalismo é “aquele sistema econômico no qual o trabalho e o capital conjuntamente necessários para a produção são providenciados por pessoas diferentes”. A definição encontra-se na encíclica Quadragesimo Anno (1931) do Papa Pio XI. Significa dizer que este sistema caracteriza-se por uma relação em que, de um lado, há os empregados – que contribuem com seu trabalho em troca de um salário – e, de outro, os capitalistas – que são os donos do empreendimento ou negócio.
Empregados e capitalistas não são definidos, dessa forma, por serem uns pobres e outros ricos. Um gerente numa empresa, por exemplo, pode receber um salário alto e viver confortavelmente; assim como um pequeno empreendedor pode ter uma margem de lucro baixa e enfrentar problemas econômicos. O que define os dois grupos é a relação entre eles: um é dono do capital e fica com os lucros do empreendimento, enquanto o outro vende seu trabalho.
A primeira pergunta, então, é: existe algo de errado com este arranjo?  A resposta de Pio XI é categórica: o capitalismo não é, em si mesmo, condenável. Ele ensina:

Foi esta espécie de economia que Leão XIII procurou com todas as veras regular segundo as normas da justiça; donde se segue que de per si não é condenável.

O capitalismo torna-se condenável, segundo Pio XI, somente quando viola normas de justiça, ou seja, quando os trabalhadores tem seus direitos violados, desprezando-se a dignidade humana e a função social da economia.

Na mesma linha é o ensinamento do Papa João Paulo II na encíclica Centesimus Annus (1991). Perguntando-se se devemos propor o capitalismo como modelo aos países “que procuram a estrada do verdadeiro progresso econômico e civil”, ele responde desta forma:

A resposta apresenta-se obviamente complexa. Se por «capitalismo» se indica um sistema econômico que reconhece o papel fundamental e positivo da empresa, do mercado, da propriedade privada e da consequente responsabilidade pelos meios de produção, da livre criatividade humana no sector da economia, a resposta é certamente positiva, embora talvez fosse mais apropriado falar de «economia de empresa», ou de «economia de mercado», ou simplesmente de «economia livre». Mas se por «capitalismo» se entende um sistema onde a liberdade no sector da economia não está enquadrada num sólido contexto jurídico que a coloque ao serviço da liberdade humana integral e a considere como uma particular dimensão desta liberdade, cujo centro seja ético e religioso, então a resposta é sem dúvida negativa.

“Economia de empresa”, “economia de mercado” ou “economia livre”, portanto, são termos que designam um modelo aceitável e legítimo para a doutrina social da Igreja. Na mesma encíclica, o Papa reconhece que “o livre mercado parece ser o instrumento mais eficaz para dinamizar os recursos e corresponder eficazmente às necessidades”.

Mas João Paulo II também alerta: a Igreja não tem modelos a propor. Não defende o capitalismo. Tal como tem sido praticado, o capitalismo possui muitos elementos negativos. Falaremos mais disto no final do artigo.

O sistema socialista

Foi visto que a Igreja vê o capitalismo como, em si (desde que limitado por uma ordem justa), legítimo. O mesmo não pode ser dito do socialismo. Este consiste na pregação de uma luta de classes (dos trabalhadores contra os capitalistas) e na abolição da propriedade privada. Seu objetivo é, segundo Friedrich Engels, “concentrar cada vez mais nas mãos do Estado todo o capital, toda a agricultura, toda a indústria, todo o transporte, toda a troca” (Princípios do Comunismo). Desse modo, o Estado poderia distribuir de forma mais justa os bens e serviços.

Sobre a luta de classes, Leão XIII ensina (Rerum Novarum, 9):

O erro capital na questão presente é crer que as duas classes são inimigas natas uma da outra, como se a natureza tivesse armado os ricos e os pobres para se combaterem mutuamente num duelo obstinado. Isto é uma aberração tal, que é necessário colocar a verdade numa doutrina contrariamente oposta […]. Na sociedade, as duas classes estão destinadas pela natureza a unirem-se harmoniosamente e a conservarem-se mutuamente em perfeito equilíbrio. Elas têm imperiosa necessidade uma da outra: não pode haver capital sem trabalho, nem trabalho sem capital.

Em suma: não luta, mas concórdia de classes.

A Igreja reconhece o direito à propriedade, inclusive sobre os meios de produção. Na realidade, o ideal da Igreja é que haja o maior número possível de proprietários na sociedade. Diz Leão XIII: “A lei, portanto, deve favorecer a propriedade, e de modo tal que cresça tanto quanto possível o número de proprietários” (Rerum Novarum, n. 28). Em outras palavras, é preciso combater a concentração das riquezas, seja nas mãos de capitalistas ou de burocratas.

E em sua encíclica Quadragesimo Anno, o Papa Pio XI ensina de forma categórica:

[O socialismo] funda-se numa própria concepção da sociedade humana, diametralmente oposta à verdadeira doutrina católica. Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista.

Mas ele também nota que, já no seu tempo, os socialistas estavam dividindo-se em dois grupos: os socialistas revolucionários e os moderados (ou reformistas). Sobre este segundo grupo, Pio XI lamenta que “em geral não renegam a luta de classes nem a abolição da propriedade, apenas as mitigam”. O Papa também diz:

Quem quer ser apóstolo entre os socialistas, é preciso que professe franca e lealmente toda a verdade cristã, e que de nenhum modo feche os olhos ao erro. Esforcem-se antes, se querem ser verdadeiros arautos do Evangelho, por mostrar aos socialistas, que as suas reclamações, na parte que tem de justas, se defendem muito mais vigorosamente com os princípios da fé e se promovem muito mais eficazmente com as forças da caridade.

Nem todas as reivindicações dos socialistas são injustas. Só para citar um exemplo, Pio XI reconhece que “certos gêneros de bens sejam reservados ao Estado, quando o poderio que trazem consigo é tal, que, sem perigo do mesmo Estado, não pode deixar-se em mãos dos particulares”. Também ensina que a livre concorrência deve estar “contida dentro de justos e razoáveis limites” e “mais ainda o poderio econômico deve estar efetivamente sujeito à autoridade pública, em tudo o que é da sua alçada”. Estes e outros pontos importantes são reforçados e explicados em todas as encíclicas citadas.

Vale lembrar que, quando se trata do socialismo materialista e ateu, Pio XI diz que “é intrinsecamente perverso e não se pode admitir em campo nenhum a colaboração com ele, da parte de quem quer que deseje salvar a civilização cristã” (Divinis Redemptoris).

A questão principal

A grande questão em torno dos diversos sistemas econômicos, para a Igreja, não é simplesmente material. Em sua obra Comunismo e a Consciência do Ocidente, o Arcebispo Fulton Sheen diz:

A Igreja concorda com alguns dos protestos do comunismo. De fato, existe uma crítica bem melhor da ordem econômica existente… nas duas encíclicas de Leão XIII e Pio XI do que em todos os escritos de Marx. Mas as reformas do comunismo estão erradas, porque são inspiradas nos próprios erros que combatem. O comunismo começa com o erro liberal e capitalista de que o homem é econômico e, em vez de corrigir isto, meramente o intensifica até que o homem torna-se um robô em uma vasta máquina econômica. Eles [liberais e comunistas] concordam na base materialista da civilização; eles discordam apenas sobre quem deve controlar essa base, os capitalistas ou os burocratas.

Isto quer dizer que a proposta da Igreja transcende os erros do liberalismo e do socialismo materialista. Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que o homem não é puramente econômico e a salvação da civilização não está na economia. Conforme João Paulo II ensina:

É na resposta ao apelo de Deus… que o homem toma consciência da sua dignidade transcendente. Cada homem deve dar esta resposta, na qual se encontra o clímax da sua humanidade, e nenhum mecanismo social ou sujeito colectivo o pode substituir. A negação de Deus priva a pessoa do seu fundamento e consequentemente induz a reorganizar a ordem social, prescindido da dignidade e responsabilidade da pessoa.

(…)

[A Igreja] opõe-se à colectivização pelo Estado dos meios de produção, que reduziria cada cidadão a uma «peça» na engrenagem da máquina do Estado. Igualmente critica uma concepção do Estado que deixe totalmente a esfera da economia fora do seu campo de interesse e de acção.

O que a Igreja ensina é, em primeiro lugar, que a sociedade deve organizar-se reconhecendo o Criador e a importância da família.  Além disso, fornece direções essenciais para uma economia justa. Mas essas direções não cabem todas neste artigo, por isso recomendo a leitura integral das encíclicas.

Por fim, alguns importantes intelectuais católicos propõem um terceiro sistema – nem capitalista, nem socialista – como uma alternativa que melhor encaixa-se na doutrina social da Igreja: o distributismo.

Estes são os principais documentos da Igreja sobre questões econômicas e sociais:

Rerum Novarum de Leão XIII, sobre a condição dos operários (1891).

Quadragesimo Anno de Pio XI, sobre a restauração e aperfeiçoamento da ordem social em conformidade com a lei evangélica (1931).

Divinis Redemptoris de Pio XI, sobre o comunismo ateu (1937).

Centesimus Annus de João Paulo II (1991).