Solenidade do Corpo e Sangue de Deus

Na Ceia, Jesus dá graças ao Pai, como autor da vida, de todo dom. Ele o faz com seu sangue e seu corpo.

Padre César Augusto dos Santos – Cidade do Vaticano

A solenidade do Corpo e Sangue de Cristo nos leva à tomada de consciência da grandiosidade da amizade selada entre Deus e o Homem.

No passado, nos diz a primeira leitura tirada do livro do Êxodo, a aliança entre Javé e o Povo de Israel se dava através da aspersão do sangue de animais. Metade era aspergida sobre o altar, símbolo de Deus e a outra metade sobre o povo. Isso deveria se repetir sempre a cada ano.

No Evangelho, Jesus diz que ele está realizando a nova e eterna aliança, através do derramamento de seu sangue. Jesus a realizou na Ceia e no Calvário.

Na Ceia, Jesus dá graças ao Pai, como autor da vida, de todo dom. Ele o faz com seu sangue e seu corpo.

A segunda leitura, da Carta aos Hebreus, nos diz que esse gesto de Jesus é muito superior ao antigo por vários motivos:

– quem o oferece não é um sacerdote qualquer, mas Jesus;

– como não tem pecado, ele não o oferece por si, mas por todos os homens. No ritual antigo, o sacrifício era oferecido apenas em favor de um povo;

– enquanto o sacerdote da antiga aliança deveria atravessar o véu do templo para oferecer o sacrifício, Jesus atravessou uma tenda não feita por mãos humanas, não pertencendo a esta criação;

– também o sangue usado por Jesus se difere do usado pelos demais sacerdotes. Esses usavam o sangue de animais. Jesus usou o próprio sangue e com ele nos obteve a libertação definitiva.

Podemos transformar esse gesto tão grandioso de Jesus, realizado na Santa Ceia e concretizado na Cruz, em um mero ato de piedade ou na celebração da vida, celebração de dar graças, em Eucaristia. Tudo dependerá de nosso modo de vivenciar a missa.

Vamos a ela como mera devoção e para o cumprimento do preceito dominical e também por uma questão social ou quando nos dirigimos à sua celebração é para participar do gesto eucarístico de Jesus?

Vamos à missa para tomarmos em nossas mãos o pão e o vinho, os dons que recebemos do Pai, agradecer e nos entregarmos ao serviço de muitos como fez Jesus?

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O dia que me disseram que Senhor dos Anéis era do capeta

Eram os velhos tempos de Orkut. Não lembro se a comunidade era sobre Tolkien, Senhor dos Anéis, cristianismo ou literatura.

Na época, eu com meus doze anos, li em uma discussão algo mais ou menos assim: “Mas Senhor dos Anéis e Crônicas de Nárnia são coisas ocultistas! TEM MAGIA! Bruxaria!”

Foi o suficiente para deixar o coração do menino, que ia à missa todo domingo, bastante aflito. “Caramba, eu gosto de coisa do capeta?”

E lá fui eu pesquisar no Google. Que foi outra burrice. A internet é um perigo.

Devo ter jogado algo como “Senhor dos anéis é do diabo?”, e lá pelas tantas estava lendo um texto que dava as definições dos seres da Terra-Média, do tipo: “anão: ser da mitologia nórdica que vive embaixo da terra, demônio”; “elfo: ser da mitologia celta que vivem bosques e pratica travessuras com os transeuntes, demônio da floresta”.

Provavelmente era um site ligado à Universal, mas menino de doze anos confere as fontes?

Pessoal, não vamos cair nesse erro. Tem que ser muito tapado para ver qualquer coisa anticristã nessas obras.

As Crônicas de Nárnia são profundamente alegóricas: Aslam é Jesus em forma de leão (morre para salvar um traidor e ressuscita). Ele literalmente DIZ ISSO, quando fala para as crianças: “no seu mundo tenho outro nome”. A coisa era tão na cara que Tolkien, autor de Senhor dos Anéis, brigou com C.S. Lewis, autor de Nárnia, alegando que ele forçava muito a barra.

É a obra de um dos maiores apologetas cristãos do século XX. Lewis escreveu mais defesa da fé cristã do que ficção (leiam Cristianismo Puro e Simples, Os Quatro Amores, A Abolição do Homem…). Só bobeou por ser anglicano (mas eu creio que hoje é católico, no Céu).

E o autor do Senhor dos Anéis não é para menos. Tolkien, de fato, não era um apologeta do cristianismo. Não ficava escrevendo sobre a defesa da fé cristã. Mas o homem viveu seu catolicismo. Foi a amizade dele que trouxe C.S. Lewis para o cristianismo, para início de conversa.

Tolkien foi criado por um sacerdote oratoriano, Padre Francis Morgan, pois perdeu os pais cedo. Teve quatro filhos, um deles sacerdote. Catolicíssimo, suas cartas valem a leitura para qualquer cristão, e se não foi beatificado, sua vida é no mínimo muito exemplar.

O Senhor dos Anéis não se propõe a ser alegórico. Tolkien só quis contar uma história. Mas, assim como já vimos com Flannery O’Connor, tudo o que saía da sua mente era reflexo de uma vida católica e a partir de uma perspectiva católica.

Por isso vemos, em Aragorn, a figura de um rei aguardado, que retorna para restaurar um reino (e que cura pelas mãos; e que é desprezado no início; e cuja vinda era aguardada… tá bom, a coisa beirava o alegórico). Vemos em Frodo uma figura que está disposta a dar a vida pela salvação de muitos. Vemos até mesmo, na data que Tolkien escolheu para a derrota de Sauron, um forte sinal – 25 de março, quando lembramos a Encarnação do Verbo no seio de Maria.

Então, não vamos cair em puritanismo (que aliás, é heresia). Há magia em histórias fantásticas. Mas antes de jogar na fogueira (esse hábito de países puritanos, alheio ao catolicismo) se pergunte o que é a magia ali? Onde está o bem? Onde está o mal?

O próprio Tolkien reconhece que a fantasia pode ser usada para o mal, em seu ensaio “Sobre Histórias de Fadas”:

“É claro que a Fantasia pode ser levada ao excesso. Pode ser malfeita. Pode ser empregada para maus usos. Pode até mesmo iludir as mentes das quais surgiu. Mas de que coisa humana neste mundo decaído isso não é verdade?”

Pode ser usado para propagar ocultismo? Claro que pode. Mas isso até as novelas podem (e o espiritismo cresceu muito no Brasil graças a elas).

Mas, como disse Chesterton, que muito influenciou Tolkien: “o bebê conhece intimamente o dragão desde que começa a imaginar. O que o conto lhe dá é um São Jorge para matá-lo”. Magia, fantasia, e mesmo a ficção mais trevosa e hardcore podem ser usados para nos levar ao heroísmo, à virtude, e a conhecer um pouco de Deus, o maior dos autores.

Longe de nós, puritanismo! Examinai tudo e ficai com o que é bom (e voltai aqui para mais dicas e recomendações).

Artigo retirado do excelente e credenciado site O CATEQUISTA  O Catequista

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Reflexão para a Solenidade da Santíssima Trindade

A Igreja celebra este Domingo a Santíssima Trindade. “Trindade é crer na Cruz, instrumento da nossa salvação”.

Na primeira leitura temos o comentário do livro do Deuteronômio sobre a sabedoria de Deus, sua onipotência e sua bondade em escolher Israel como seu povo e a resposta que Israel deverá dar ao Senhor, através da observância dos seus mandamentos e assim ser feliz, juntamente com seus filhos.

Anúncio do Evangelho (Mt 28,16-20)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 16os onze discípulos foram para a Galileia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado.

17Quando viram Jesus, prostraram-se diante dele. Ainda assim alguns duvidaram. 18Então Jesus aproximou-se e falou: “Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. 19Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, 20e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

No Evangelho, esse mesmo Deus reúne seus discípulos e os envia a toda a terra para batizar todos os povos e  pregar sua doutrina, seus mandamentos, prometendo estar sempre com eles, todos os dias, até à consumação dos tempos.

Na segunda leitura, São Paulo diz aos Romanos que o Espírito Santo nos conduz, pois somos filhos de Deus, herdeiros de Cristo.

Deus, apesar de sua onipotência e onisciência, confia ao Homem a tarefa de continuar a missão de Jesus. O Senhor ama a Comunidade dos Cristãos e quer que ela visibilize a presença de Cristo no meio dos homens. Mas, Ele quer que a Igreja batize seus fiéis, em seu nome, e ainda em seu nome os instrua. Será a Comunidade a vincular o fiel ao Senhor e dar-lhe a missão de instaurar o Reino de Justiça, Paz e Amor, transmitindo a todos os ensinamentos do Mestre.

Através da Igreja, Jesus Cristo permanecerá ao lado dos homens e continuará sendo o Emanuel, Deus Conosco. Por isso, a Igreja deverá evitar, conscientemente, toda e qualquer atitude de distinção de pessoas. Ela é a família de Deus. Portanto, a sua atitude com todos deverá ser de acolhida, de integração.

O modo de sermos Igreja, de acolhermos as pessoas, sejam elas quem for, marcará a autenticidade da nossa fé em Deus. Com esta acolhida veremos se o nosso Deus é o Pai de Jesus ou algum ídolo.

Fé em Deus e aceitação do outro, assim como ele é, expressam nossa adoração e serviço Àquele que não se envergonhou de ser um de nós e viver e morrer entre nós pecadores.

Crer na Trindade é crer que a Cruz, instrumento da nossa salvação, é feita por duas madeiras: amar a Deus e amar ao próximo. A haste, fincada na terra e apontando para o céu, é o amor e o serviço a Deus. A trave, sustentada pela haste, é o abraço amoroso e de serviço ao próximo. Nessa união de amor e de serviço a Deus e ao próximo, encontramos Jesus, Deus conosco, Deus Encarnado e nossa Salvação.

Padre César Augusto dos Santos SJ 

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Economia, instrumento de serviço

O que mais de um século atrás foi tristemente previsto, tornou-se realidade hoje: o lucro do capital coloca fortemente em risco, e corre o risco de suplantar, a renda do trabalho.

Muitos o definiram um verdadeiro Vademecum para a finança ética o documento realizado com a aprovação do Santo Padre pela Congregação para a Doutrina da Fé em colaboração com o Dicastério que se ocupa do Desenvolvimento Humano Integral publicado nesta semana.

Com o título “Oeconomicae pecuniariae quaestiones. Considerações para um discernimento ético sobre alguns aspectos do atual sistema econômico-financeiro”, o Vaticano sai em campo na tentativa de propor e restituir ética à economia e à finança. O documento, como está escrito, pretende dar uma contribuição ao diálogo.

O que mais de um século atrás foi tristemente previsto, tornou-se realidade hoje: o lucro do capital coloca fortemente em risco, e corre o risco de suplantar, a renda do trabalho, comumente confinada às margens dos principais interesses do sistema econômico. Isto proporciona o fato de que o trabalho, – lê-se no documento – com a sua dignidade, não somente se torne uma realidade sempre mais em risco, mas perca também a sua qualidade de “bem” para o homem, transformando-se em um mero meio de troca ao interno de relações sociais tornadas assimétricas.

Os excluídos são “sobras”

Exatamente nesta inversão de ordem entre os meios e os fins, em que o trabalho se torna de um bem em “instrumento” e em que o dinheiro se torna de um meio em um “fim”, encontra um fértil terreno aquela inconsciente e amoral “cultura do descarto” que excluiu grandes massas da população, privando-as de um trabalho digno e tornando-as “sem perspectivas e sem vias de saída”: “não se trata mais simplesmente do fenômeno de exploração e opressão, mas de uma realidade nova”: com a exclusão, fere-se, na própria raiz, a pertença à sociedade onde se vive, pois quem vive nas favelas, na periferia ou sem poder já não está nela, mas fora. Os excluídos não são “explorados”, mas resíduos, “sobras”.

O bem-estar não é só questão de PIB, Produto Interno Bruto, destaca o documento. Nenhum lucro é legítimo quando falta o horizonte da promoção integral do pessoa humana, do destino universal dos bens e da opção preferencial pelos pobres. Todo progresso do sistema econômico – lê-se no texto – não pode se
considerar tal, se medido apenas com parâmetros de quantidade e quantidade e de eficácia na produção de lucro, mas também deve basear-se na qualidade de vida que produz e da extensão social do bem-estar que espalha. Um bem-estar que não pode ser limitado ao aspecto material.

O bem-estar deve ser avaliado com critérios mais amplos da produção interna bruta de um país (PIB), tendo em conta, em vez disso, também outros parâmetros, como a segurança, a saúde, o crescimento do ‘capital humano’, a qualidade da vida social e do trabalho”.

Parâmetros humanizadores

“O lucro deve sempre ser perseguido, mas nunca” a qualquer custo, nem como o referente totalizante da ação econômica, destaca o documento. Daí a importância de “parâmetros humanizadores” capazes de estabelecer um círculo virtuoso entre lucro e solidariedade que, graças ao livre agir do homem, pode desencadear todas as potencialidades positivas do mercados.

O documento também analisa a história recente do tecido econômico mundial. “A recente crise financeira – é enfatizado -, poderia ser uma oportunidade para desenvolver uma nova economia mais atenta aos princípios éticos e para uma nova regulamentação da atividade financeira, neutralizando os aspectos predatórios e especulativos e valorizando os serviços à economia real”. Apesar dos esforços positivos em vários níveis, não houve “uma reação que tenha levado a repensar os critérios obsoletos que continuam a governar o mundo”.

Um fenômeno inaceitável “é lucrar explorando a própria posição dominante com a injusta desvantagem de outras pessoas ou enriquecer-se gerando danos ou perturbações ao bem-estar coletivo”. E esta prática é particularmente deplorável, do ponto de vista moral, quando a mera intenção de ganhar por parte de poucos através do risco de uma especulação visando provocar reduções artificiais nos preços dos títulos da dívida pública, e não se preocupa em afetar negativamente ou agravar a situação econômica de países inteiros.

O dinheiro deve servir

Em um contexto marcado por profundas desigualdades é necessário repensar os modelos econômicos. É tempo de seguir com uma recuperação do que é autenticamente humano, “ampliar os horizontes da mente e do coração, para reconhecer com lealdade o que vem das exigências da verdade e do bem”. Está cada vez mais claro que “o egoísmo no final não paga e faz com que todos paguem um preço alto demais”. A economia não deve ser vista como um instrumento de poder, mas de serviço: “o dinheiro deve servir e não governar”.

Silvonei José – Cidade do Vaticano

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Cinderela X Merida – A força feminina que reside na humildade, não na rebeldia

Reparem no modelo de mulher que vem dominando os comerciais de TV: insolente, impaciente, grossa, sempre quer ficar por cima da carne seca e, acima de tudo, não perde a oportunidade de ridicularizar e o seu marido/namorado como um completo idiota. Acham que tô exagerando? Então deem uma olhada nesses dois breves vídeos abaixo.

O fato desse tipo de propaganda não causar asco e rejeição da maioria da sociedade sinaliza que achamos esse comportamento feminino, no mínimo, aceitável. E assim, às vezes sem perceber, as meninas e mulheres cristãs absorvem e imitam esse modelo promovido pela mídia. E deixam de cultivar a delicadeza, a humildade e a capacidade de silenciar e de se resignar, como se essas fossem coisas de mulher derrotada e fraca, que não luta pela sua felicidade.

Não creio que seja obrigatório ser doce e gentil o tempo todo – rodar a baiana de vez em quando pode ser necessário. Porém, é desolador ver uma geração de jovens incapazes de cultivar a virtude da mansidão, da qual Jesus e Nossa Senhora nos deram tão grande exemplo.

A mansidão é vista como fraqueza pelas mulheres de hoje. Paradoxalmente, foi com mansidão que a Virgem Maria convenceu Seu Filho salvar as Bodas de Caná de um ruidoso fracasso, pela falta de vinho. Sua força estava na doçura.

“Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra!” (Mateus 5,5)

No cenário atual, “Cinderela”, o novo filme da Disney, é tão fantástico que chega ao ponto de chocar – e muito positivamente. Antes de falecer, a mãe de Cinderela adverte a filha de que, na vida, ela deverá passar por provações. Então, é muito superficial dizer que os contos de fadas prometem uma vida para sempre feliz e perfeita: na verdade, a cruz está sempre lá.

A mãe reforça que a força da menina está em sua BONDADE. Na bondade reside grande PODER. E assim, a ela deveria sempre manter a CORAGEM e a GENTILEZA. Cinderela foi sempre obediente a esses conselhos maternos, mesmo diante das injustiças de sua madrasta e de suas “irmãs”.

Os menos atentos dirão que Cinderela é submissa demais. Na verdade, ela é humilde na medida certa, e está bem longe de ser burra ou manipulável. Na hora crucial, Cinderela soube dizer “não” aos abusos da madrasta. Também teve ousadia para contestar o modo de agir e pensar do príncipe, e o levou a ter uma nova visão sobre a vida.

Por falar no príncipe, este se opõe a seu pai, que deseja para ele um vantajoso casamento arranjado. Porém, o príncipe em momento algum falta ao respeito por seu pai. Bem diferente disso, pondera que seu pai sempre deseja o melhor para ele. É interessante comparar o modo como o príncipe de Cinderela enfrenta esse dilema com a reação da princesa de outro filme da Disney – Merida:

– Você é um monstro, isso é o que você é! Nunca serei como você. Eu prefiro morrer a ser como você! – diz Merida à mãe, recusando-se a casar com um dos pretendentes dos diversos clãs aliados.

“Valente” é o nome do filme da princesa Merida. De fato, ela atira flechas muito bem, é uma ágil e intrépida alpinista… e só. Porém, que valentia há em dar piti diante das contrariedades, ignorar completamente o seu papel na sociedade (como se não fizesse parte de um “todo”) e, de quebra, ainda se meter com bruxaria e fazer uma macumba para a própria mãe?

Valente ou menina tola? Merida é incapaz de deter seus instintos, não refreia a língua, coloca sua vontade acima de tudo e de todos, é irresponsável, imprudente e arrogante. Pra piorar, seguindo a mesma ideia dos comerciais que mostramos, o filme “Valente” mostra os homens como um bando de retardados. O trecho abaixo resume esse espírito:

Sim, Merida aprendeu algumas lições. Aprendeu a valorizar a tradição de sua família e se arrependeu de ter feito mandinga pra sua pobre mãe. Mas seus graves erros saíram muito, muito barato. O filme passa a mensagem que vale a pena sair chutando o balde quando o mundo é injusto, e as pessoas não te compreendem. Se as coisas não estão legais pra você, rebele-se, pise em todo o mundo. No fim, tudo dá certo! Eis a lição de “Valente”.

Já Cinderela mostra uma moça verdadeiramente “valente”, que não se destrambelha diante dos sofrimentos injustos, sabe calar, sabe perdoar, é capaz de se sacrificar. É claro que existem meninas e mulheres de todos os jeitos e temperamentos, e isso é muito bom. Não se trata se seguir uma determinada etiqueta, e sim refletir sobre a força feminina que brota da doçura. Cinderela é certamente uma personagem inspiradora, nesse sentido.

Ficamos devendo um post sobre o filme em si. Vale muito a pena… em tempos de tanto destrambelhamento, chega a ser emocionante ver um filme que conserva os valores tradicionais.

Artigo retirado do excelente e credenciado site O CATEQUISTA  O Catequista

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Reflexão para o Domingo de Pentecostes

Ele deseja fazer-nos compreender que o Espírito que conduziu Jesus para sua missão de salvar a Humanidade é o mesmo que agora conduz a Igreja, comunidade dos seguidores de Jesus, na continuidade da mesma missão.

O autor do Evangelho deste domingo, João Evangelista, nos diz que a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos se deu no dia de Páscoa.

Ele deseja fazer-nos compreender que o Espírito que conduziu Jesus para sua missão de salvar a Humanidade é o mesmo que agora conduz a Igreja, comunidade dos seguidores de Jesus, na continuidade da mesma missão. A Igreja torna presente, na História, o Cristo Redentor.

Anúncio do Evangelho (Jo 20,19-23)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.

— Glória a vós, Senhor.

19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. 20Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor.

21Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. 22E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”.

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

Quando os discípulos, à tarde do primeiro dia da semana, estão reunidos o Senhor aparece no meio deles e lhes comunica a paz. Mostra-lhes os sinais de seus sofrimentos para lhes dizer que, apesar de seu aspecto glorioso, a memória da paixão não poderá ser deixada de lado, que a glória veio através da cruz.

Estamos no primeiro dia da semana, não nos esqueçamos. Exatamente com esse sentido do novo, do novo pós pascal, isto é, do novo eterno, que não caduca, que não envelhece, Jesus faz a nova criação soprando o Espírito sobre seus seguidores. É uma referência à criação do homem, relatada no cap. 2º, vers. 7 do Gênesis, quando diz que Deus insuflou em suas narinas o hálito de vida e o homem passou a viver. No relato desse fato na tarde pascal, temos a criação da Comunidade Cristã.

A missão é dada logo em seguida: perdoar os pecados e até retê-los, se for o caso. Pecado é aquilo que impede a realização do projeto do Pai, que é a felicidade do ser humano. Ora, perdoar os pecados significa lutar para que os planos de Deus cheguem à sua concretização e, evidentemente, devolvendo àquele que está arrependido de suas ações contrárias a esse plano, a reconciliação.

Pelo batismo e pela crisma fazemos parte dessa comunidade que deve continuar a missão redentora de Jesus. Que honra!

Que nossas ações, seja na família, no trabalho ou no meio dos amigos, colaborem com a alegria e felicidade daqueles que nos cercam. Assim estaremos dando glória a Deus, pois a glória de Deus é a felicidade do homem.

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Paulo VI e Dom Romero serão santos em outubro

O Papa Francisco presidirá a canonização na Praça São Pedro durante o Sínodo dedicado aos jovens, com a presença de bispos de todo o mundo. Na mesma cerimônia serão também canonizados outros 4 bem-aventurados.

Paolo VI e Dom Oscar Arnulfo Romero serão santos no dia 14 de outubro. O anúncio oficial foi comunicado na manhã deste sábado (19/05) pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

O Papa presidirá a canonização na Praça São Pedro durante o Sínodo dedicado aos jovens, com a presença de bispos de todo o mundo. Com Papa Giovanni Battista Montini e o arcebispo salvadorenho, serão também canonizados na mesma cerimônia os sacerdotes italianos Francesco SpinelliVincenzo Romano, a religiosa alemã Maria Caterina Kasper e a espanhola Nazaria Ignacia March Mesa.

Confira imagens da vida de Dom Romero

Francisco já havia autorizado a Congregação das Causas dos Santos a promulgar os Decretos de reconhecimento dos milagres, mas a data e o local foram revelados esta manhã, após o Papa ter presidido a hora média da liturgia das horas e o Consistório com os cardeais residentes e presentes em Roma.

Confira abaixo algumas imagens do Papa Montini

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Pentecostes: “Força do Espírito é um reconstituinte para a vida”

Em sua homilia, o Papa afirmou que “o Espírito lembra à Igreja que não obstante os seus séculos de história, é sempre uma jovem de vinte anos, a Noiva jovem por quem está perdidamente apaixonado o Senhor”.

A Basílica de São Pedro ficou lotada na manhã deste domingo (20/05) para a celebração da missa de Pentecostes, presidida pelo Papa Francisco. Cardeais, bispos e sacerdotes, usando paramentos vermelhos, concelebraram a liturgia com o Papa.

A homilia do Papa Francisco começou com a explicação da primeira leitura do dia, que narra a rajada de vento que veio do céu com um ruído e que encheu toda a casa em que os discípulos se encontravam: a vinda do Espírito Santo no Pentecostes é a força divina que muda o mundo.

Muda os corações

“Aqueles discípulos que antes viviam no medo, fechados em casa, mesmo depois da ressurreição do Mestre, são transformados pelo Espírito e – disse o Papa, desta vez mencionando o Evangelho do dia – «dão testemunho d’Ele»”.

“De hesitantes, tornam-se corajosos e, partindo de Jerusalém, lançam-se até aos confins do mundo. Medrosos quando Jesus estava entre eles, agora são ousados sem Ele, porque o Espírito mudou os seus corações”.

“ A experiência ensina que nenhuma tentativa terrena de mudar as coisas satisfaz plenamente o coração do homem ”

“A mudança do Espírito é diferente: não revoluciona a vida ao nosso redor, mas muda o nosso coração, transformando-o de pecador em perdoado”.

O Espírito como um reconstituinte de vida

A partir desta reflexão, o Papa sugeriu que quando precisarmos de uma verdadeira mudança, quando as nossas fraquezas nos oprimem, quando avançar é difícil e amar parece impossível, faria bem tomar diariamente este reconstituinte de vida: é Ele, a força de Deus.

Muda as vicissitudes

Prosseguindo a homilia, o Papa disse que depois dos corações, o Espírito, como o vento, sopra por todo o lado e chega às situações mais imprevistas.

“Como na família, quando nasce uma criança, esta complica os horários, faz perder o sono, mas traz uma alegria que renova a vida, impelindo-a para a frente, dilatando-a no amor, do mesmo modo o Espírito traz à Igreja um «sabor de infância»; realiza renascimentos contínuos. Reaviva o amor do começo”.

“ O Espírito lembra à Igreja que, não obstante os seus séculos de história, é sempre uma jovem de vinte anos, a Noiva jovem por quem está perdidamente apaixonado o Senhor ”

Gaza, nome que suscita dor

Citando o episódio dos Atos dos Apóstolos em que o diácono Filipe é impelido “por uma estrada deserta, de Jerusalém a Gaza”, o Papa acrescentou: “como este nome soa doloroso, hoje! Que o Espírito mude os corações e as vicissitudes e dê paz à Terra Santa!”.

Terminando, o Papa pediu que Espírito Santo, rajada de vento de Deus, sopre sobre nós: “Soprai nos nossos corações e fazei-nos respirar a ternura do Pai. Soprai sobre a Igreja e impeli-a até aos últimos confins; vinde, Espírito Santo, mudai-nos por dentro e renovai a face da terra”.

Informações: Vatican News 

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Catelivros – E se a sua vocação fosse escrever?

Você! Você mesmo!

Você conhece Flannery O’Connor? Ela venceu muitos obstáculos e se tornou uma escritora incrível. E um dos fatores do seu sucesso foi encarar o dom de escrever como uma verdadeira vocação. E você? Já pensou que esse pode ser o seu chamado também?

É impressionante a quantidade de gente que trabalha ou estuda sem fazer o que gosta, querendo apenas “ganhar dinheiro” (e isso é bem discutível, porque hoje nada dá dinheiro…). Muitos além de não encherem o porquinho de dinheiro, acabam enchendo a gaveta com montes de contos autorais. Mas encaram a escrita como hobby, não como trabalho ou vocação…

Se você é um desses, talvez não entenda como “Jogos Vorazes” vendeu tanto e “Dragões de Éter” ganhou uma nova edição. E mais! Talvez esteja certo de que as trinta páginas que você conseguiu escrever poderiam ser um livro muito melhor do que esses.

Se você é assim ou conhece alguém assim, dê uma olhada nesse trecho da carta que São João Paulo II escreveu aos artistas:

“Quem tiver notado em si mesmo esta espécie de centelha divina que é a vocação artística — de poeta, escritor, pintor, escultor, arquiteto, músico, ator… —, adverte ao mesmo tempo a obrigação de não desperdiçar este talento, mas de o desenvolver para colocá-lo ao serviço do próximo e de toda a humanidade”.

Olhe bem o que esse Papa santo coloca como uma obrigação: não desperdiçar esse talento! Você lembra como Nosso Senhor disse que seria tratado o servo que enterrasse o talento? Pois é. Nada legal. Escritor católico, se você tem vocação, trate ela com seriedade!

E como o exemplo arrasta mais do que as palavras, eu vou contar uma história. A história de uma católica que encarou a escrita como vocação.

Era uma vez uma jovem norte-americana que, com muito esforço e dedicação, deixou sua casa na zona rural para se dedicar ao seu sonho: escrever.

Ela foi aprovada em uma escola literária de prestígio, após concluir um mestrado em belas artes, e foi para NY. Lá, conviveu com os grandes escritores da época, em um ambiente de efervescência cultural, e foi tratada como uma igual.

Além disso, revisava seu primeiro romance, com vistas à publicação. Que alegria!

Mas tudo isso mudou quando ela passou mal e foi diagnosticada com lúpus. A doença incurável que matou seu pai, dez anos antes.

De uma hora para outra, tudo desabou.

Por muito menos, não poucos jogam tudo para o alto e se revoltam ou se entregam à depressão. Seria razoável supor que a jovem abandonou sua carreira.

Mas essa é a história de Flannery O’Connor, uma das maiores escritoras do século XX. E ela era profundamente católica.

Flannery abraçou sua cruz e seguiu o Cristo. Retornou a fazenda de sua mãe (e seus 44 pavões. Sim, bastante exótico) e, naquele retiro interiorano, longe das grandes mentes da cidade, viveu uma rotina de religiosa. Mas de religiosa escritora.

Começava seus dias cedo, com a missa. Depois de um café da manhã simples, escrevia sem parar por três horas, diariamente. Após o almoço, recebia visitantes, respondia correspondência, lia (e um escritor deve sempre estar lendo alguma coisa), e… alimentava os pavões (todo mundo precisa contribuir com a fazenda da família). Após a janta, ela lia um pouco mais, fazia suas orações da noite e meditava questões da Suma Teológica (sim, a de Santo Tomás!), até às 21h.

E no outro dia, tudo de novo. Foi sua rotina ao longo dos 14 anos em que combateu o lúpus. Morreu cedo, aos 39, e muitos dizem que só não ficou entre os grandes nomes da literatura universal por ter nos deixado em tão pouco tempo.

Nesse tempo, levou a sério as palavras de São João Paulo II:

“A vocação diferente de cada artista, ao mesmo tempo que determina o âmbito do seu serviço, indica também as tarefas que deve assumir, o trabalho duro a que tem de sujeitar-se, a responsabilidade que deve enfrentar”.

Vendo a vida de uma escritora piedosa, você até pode até ter se animado para continuar aquele livro que você enrola há 5 anos para dar continuidade, mas talvez esteja pensando: “Daniel, eu não sei escrever histórias bíblicas e vidas de santos. Só gosto de falar de dragão, vampiro e cabeça decepada. Não seria um bom escritor católico”.

Primeiramente: tamo junto!

Em segundo lugar: o exemplo de Flannery O’Connor é ótimo justamente por isso. Ela, como Tolkien, Chesterton e tantos outros escritores católicos, estava interessada em ser uma boa escritora, e não em escrever contos piedosos (o que é justo e necessário, mas não era a vocação dela).

Ela queria escrever boas histórias que atingissem ao público, e seus dois romances e mais de 80 contos ficaram famosos pelo uso do grotesco e do violento. E não há nada de errado nisso, pois são histórias que, indiretamente (e por vezes, explicitamente) mostram um mundo marcado pelo pecado que necessita da misericórdia divina.

Se você alimenta sua alma com a Palavra e os sacramentos, medita os mistérios da fé e busca dar testemunho, necessariamente sua arte vai refletir isso. Ainda que fale de apocalipse zumbi, máfia ou impérios intergalácticos.

Uma vez perguntaram a Flannery porque ela escrevia. Sua resposta? “Porque sou boa nisso”.

Ela não estava se exibindo. Estava mostrando um catolicismo consciente que reconhece que todos os dons vêm de Deus. Precisamos usar isso para a maior glória Dele.

Não enterremos nossos talentos.

Artigo retirado do excelente e credenciado site O CATEQUISTA  O Catequista

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Como o lucro pode andar junto com a moral cristã? O Vaticano explica

A Igreja Católica condena o lucro, o sistema capitalista? NÃO. A Igreja Católica defende que as atividades financeiras e empresariais devem ser reguladas, até certo ponto, pela autoridade política, para evitar o excesso de concentração de poder econômico e seus abusos? SIM.

De forma super resumida, o parágrafo acima apresenta o centro do conteúdo da Doutrina Social da Igreja (DSI). O conhecimento dessa doutrina é o melhor antídoto para os católicos simpáticos ao socialismo e também para os católicos que defendem que o mercado deve ser absolutamente livre de qualquer controle estatal e regulamentação.

A Doutrina Social da Igreja é sintetizada em um Compêndio. Para facilitar ainda mais a vida da galera, hoje, a Santa Sé divulgou um documento que destaca os principais pontos da DSI, e traz ainda uma análise atualizada sobre os agentes econômicos e financeiros que estão em voga.

Nós apresentamos a seguir um resumo do conteúdo desse documento, que foi publicado sob a liderança do Cardeal Ladaria, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Oeconomicae et pecuniariae quaestiones

Considerações para um discernimento ético sobre alguns aspectos do atual sistema econômico-financeiro

A primeira parte do documento esclarece que a espiritualidade católica deve se refletir de forma concreta “no amor social, civil e político”. E isso se realiza por meio de “ações que procuram construir um mundo melhor. O amor à sociedade e o compromisso pelo bem comum são uma forma eminente de caridade…”.

A Igreja reconhece que, com o desenvolvimento das atividades capitalistas, o bem-estar econômico global cresceu ao longo da segunda metade do século XX. Entretanto, isso não anula o fato de que “continua a ser ingente o número de pessoas que vivem em condições de extrema pobreza”.

Sendo assim, é urgente que as nações adotem “princípios éticos e para uma nova regulamentação da atividade financeira, neutralizando os aspectos predatórios e especulativos, e valorizando o serviço à economia real”.

Em outras palavras: é preciso distribuir melhor a grande quantidade de riqueza gerada.

TRÊS PRINCÍPIOS ESSENCIAIS

Três princípios cristãos são necessários para que o lucro seja moral e legítimo:

  • promoção integral da pessoa humana;
  • destinação universal dos bens;
  • opção preferencial pelos pobres.

Aplicando estes três princípios, é possível “libertar todas as potencialidades positivas dos mercados”, e “instaura-se um círculo virtuoso entre ganho e solidariedade”.

A IGREJA É A FAVOR DA LIVRE INICIATIVA

Se, por um lado, “Nenhuma atividade econômica pode sustentar-se longamente se não é vivida em um clima de uma sadia liberdade de iniciativa”, por outro lado, quando os donos do dinheiro gozam dessa liberdade de forma irrestrita, tendem quase sempre a prejudicar os mais fracos:

“….hoje é também evidente que a liberdade de que gozam os atores econômicos, se compreendida de modo absoluto e distante da sua intrínseca referência à verdade e ao bem, tende a gerar centros de supremacias e a inclinar na direção de formas de oligarquias que no final prejudicam a eficiência mesma do sistema econômico.”

Ao contrário do que defendem os liberais, a Igreja entende que os mercados não são capazes de regular-se por si mesmos, sem causar prejuízo à coletividade. É preciso que a autoridade política tenha o poder de intervir, de modo a combater e evitar o surgimento de “hegemonias capazes de influenciar unilateralmente não só os mercados, mas também os sistemas políticos e normativos”.

Dizer que o mercado é capaz de se regular sozinho, sem nenhuma intervenção estatal, é pura INGENUIDADE:

“A experiência dos últimos decênios mostrou com evidência, de uma parte, o quanto seja ingênua a confiança em uma presumida autossuficiência da capacidade funcional dos mercados, independente de qualquer ética, e de outra, a imperiosa necessidade de uma adequada regulação dos mesmos.”

O LUCRO NO MERCADO DE AÇÕES

A possibilidade de lucrar por meio do investimento no mercado de ações é algo bom, desde que se evite concentrar o financiamento em negociações “caracterizadas pelo mero intento especulativo”:

“Assim, também o financiamento do mundo empreendedor, consentindo às empresas de ter acesso ao dinheiro mediante o ingresso no mundo da livre contratação da bolsa, é por si mesmo positivo. Este fenômeno, todavia, corre o risco hoje de acentuar também uma ideia ruim de financiamento da economia, fazendo sim que a riqueza virtual, concentrando-se sobretudo em transações caracterizadas pelo mero intento especulativo e em negociações de alta frequência (high frequency trading), atraia a si excessivas quantidade de capitais, subtraindo-os em tal modo dos circuitos virtuosos da economia real.”

A FUNÇÃO SOCIAL DO CRÉDITO

O crédito é um mecanismo positivo, especialmente quando favorece a “mobilização dos capitais com o objetivo de gerar uma circularidade virtuosa de riqueza”.

“Neste âmbito, parece claro que aplicar taxas de juros excessivamente elevadas, não sustentáveis pelos sujeitos que tomaram os créditos, representa uma operação não somente ilegítima eticamente, mas também disfuncional à saúde do sistema econômico.”

O mal não reside no lucro, mas sim no lucro que é criado sobre o prejuízo alheio:

“O fenômeno inaceitável sob o ponto de vista ético não é o simples ganhar, mas o aproveitar-se de uma assimetria para a própria vantagem, criando notáveis ganhos a dano de outros; é lucrar desfrutando da própria posição dominante com injusta desvantagem do outro ou enriquecer-se gerando dano ou perturbando o bem-estar coletivo.”

Por fim, na terceira parte do documento são analisados os atuais instrumentos econômico-financeiros – e isso é uma atualização muito interessante da DSI! O texto oferece “concretas e específicas orientações éticas” para os profissionais que atuam dos mercados financeiros e na gestão empresarial.

Aí vem um monte de termos específicos dessas áreas, que a grande maioria dos católicos não vai entender e vai ficar boiando: compliance, offshore, credit default swap etc. Não esquenta: o essencial para os fiéis em geral está nas partes I e II documento.

Você pode ler o documento completo no site do Vaticanohttp://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20180106_oeconomicae-et-pecuniariae_po.html

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