Posição da CNBB em favor da Vida e contra o Aborto

A Comissão de Constituição e Justiça, da Câmara Federal, aprovou, recentemente, ainda que por margem mínima, o Projeto de Lei nº 20-A(1991), que “dispõe sobre a obrigatoriedade de atendimento dos casos de aborto, previstos no Código Penal, pelo Sistema Único de Saúde”. Trata-se do Art. 128 do Código Penal de 1940, que estabelece a despenalização do aborto em casos de estupro ou grave risco de vida para a gestante e que este projeto pretende regulamentar.

A Igreja no Brasil, em seguimento de Jesus Cristo, que veio para que tenhamos vida e a tenhamos em abundância (cf. Jo 10,10), dá, mais uma vez, através desta declaração, seu testemunho em favor da vida humana, desde sua concepção até seu desfecho natural, baseada nas graves palavras da Bíblia: “Não matarás”.

Ao mesmo tempo, ela compartilha as angústias, tristezas e sofrimentos de todos, principalmente dos pobres e dos que mais sofrem. Ela é solidária com a gestante em risco de vida ou vítima de estupro. Oferece o perdão de Jesus Cristo aos que fraquejaram, tantas vezes opressos por circunstâncias adversas e procuram se reerguer. Propõe e quer contribuir para que haja sempre novos modos e instituições de defesa, apoio, proteção e assistência às gestantes traumatizadas e aos nascituros em perigo. São formas de misericórdia cristã.

Esta misericórdia se plenifica na verdade. Pois, o aborto direto e provocado, inclusive nos casos alegados neste Projeto de Lei, é sempre um atentado grave e inaceitável contra o direito fundamental à vida. “É a morte deliberada e direta, independentemente da forma como venha realizada, de um ser humano”. “A percepção da gravidade do aborto vai se obscurecendo progressivamente em muitas consciências. A aceitação do aborto na mentalidade, nos costumes e na própria lei, é sinal eloqüente de uma perigosíssima crise do sentido moral”. Esta problemática abre vasto campo para o diálogo e o anúncio da parte dos católicos no seio de uma sociedade que hoje é pluralista. Contudo, quaisquer razões, “por mais graves e dramáticas que sejam, nunca podem justificar a supressão deliberada de um ser inocente” (João Paulo II, O Evangelho da Vida, nº 58).

Às vezes, insinua-se que a Igreja defende a vida do nascituro em prejuízo do direito da mãe. Na verdade, ela defende e procura salvar integralmente a ambos.

Além do mais, no caso de estupro, o ser humano concebido é totalmente inocente e indefeso. Como puni-lo com a morte?

Parecer de jurista ilustre indica a inconstitucionalidade do mencionado Art. 128 do Código Penal, uma vez que o Art. 5º da Constituição Federal considera a vida como o valor mais importante a ser protegido pelo Estado.

Preocupam-nos ainda outros projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional, que agridem a vida e a família.

Por essas razões, nós, Bispos do Conselho Permanente da CNBB, reunidos em Brasília, de 26 a 29 de agosto, com a presente declaração fazemos veemente apelo, em nome do Episcopado Nacional, aos Legisladores de nosso País, para que se oponham a estes Projetos de Lei e procurem, ao contrário, reforçar a proteção à família e o apoio à vida, desde sua concepção até seu desfecho natural.

Às nossas Comunidades, aos profissionais de saúde e a todas as pessoas de boa vontade, fazemos um apelo premente para que o compromisso com a vida, ameaçada em tantos aspectos, seja a razão de nossas atitudes. Para isto, precisamos de gestos significativos que nos levem a dar assistência às gestantes angustiadas, vítimas de violência ou em risco de vida, bem como amparo aos nascituros e nascidos que são abandonados ou rejeitados. Ao mesmo tempo, façam chegar aos Parlamentares seu apelo contra os referidos projetos de lei.

Que Deus nos ilumine e fortifique na promoção da vida e da esperança!

Brasília-DF, 29 de agosto de 1997

Aspectos Políticos do Aborto no Brasil

Prof. Humberto L. Vieira
Presidente da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família

1. Considerações iniciais

Nos últimos anos a partir da década de setenta começaram a aparecer as discussões sobre a legalização do aborto e, mais recentemente, vários projetos de leis foram apresentados no Congresso Nacional para legalização da ‘interrupção da gravidez’. Projetos correlatos como legalização da esterilização, da educação sexual obrigatória, da união civil de pessoas do mesmo sexo etc também foram e estão sendo motivos de discussão no Congresso Nacional.

Atualmente tramitam na Câmara dos Deputados 9 projetos para legalização do aborto nas diversas situações, desde para as crianças com má formação fetal até o aborto a pedido em qualquer caso e um projeto de legalização da união civil de pessoas do mesmo sexo (casamento “gay”). Mas o que motivou essa enxurrada de projetos antivida e antifamília? Quem são seus autores? Que interesses movem essas tomadas de iniciativas contrárias à vida? Que partidos se destacam na apresentação e na aprovação desses projetos nas várias comissões técnicas do Legislativo?

É o que vamos analisar em seguida.

2. Aspectos Políticos

Para compreendermos os mecanismos e estratégias estabelecidas para a legalização do aborto, da esterilização, do casamento “gay”, da obrigatoriedade da educação sexual nas escolas etc é necessário conhecer um documento “Confidencial” produzido pelo Conselho de Segurança dos Estados Unidos, liberado em 1989. Esse documento foi intitulado de“Implicações do Crescimento da População Mundial para a Segurança e os Interesses Externos dos EE. UU”, classificado como NSSM 200, também conhecido por “Relatório Kissinger” por ter sido assinado pelo Sr. Henry Kissinger, quando Secretário de Estado. Esse documento foi enviado a todas as embaixadas norte-americanas do mundo por aquele Secretário de Estado.

2.1 – Relatório Kissinger

O NSSM 200 (National Study Memorandum – NSSM 200) argumentava que o crescimento da população mundial, notadamente dos países em desenvolvimento, colocava em perigo o acesso dos EUA aos minerais e, portanto, ameaçava a segurança política e econômica americana. A solução aventada foi o controle em massa da população, notadamente nos países que representavam maiores ameaças – países chaves . Esses países relacionados naquele documento são 13 entre os quais o Brasil.

Vejamos algumas citações desse relatório (o n° da página de cada citação aparece entre parênteses)

“A localização de reservas conhecidas de minérios de alta qualidade e principalmente de minerais favorece a crescente dependência de importação dos países menos desenvolvidos para todas as regiões industrializadas. Os problemas reais com o abastecimento de minerais está na dependência, não da suficiência física básica, mas nas questões políticas de acesso, pesquisa tempo de exploração de divisão de benefícios entre produtores, consumidores e governos onde se localizam aquelas reservas. (37)

“As ações governamentais, os conflitos trabalhistas, as sabotagens e os distúrbios civis põem em risco a tranquila exploração das matérias-primas necessárias. Ainda que a pressão popular obviamente não seja o único fator envolvido, esses tipos de transtornos são mais difíceis de acontecer sob condições de baixo ou nenhum crescimento populacional.” (37-38)

“Deve-se dar prioridade no programa geral de assistência às políticas seletivas de desenvolvimento nos setores que ofereçam a maior perspectiva de motivar mais as pessoas a querer famílias menores” (17).

“A economia dos EUA exigirá, cada vez mais, grandes quantidades de minerais do exterior, principalmente dos países menos desenvolvidos. Esse fato dá aos EUA mais interesse na estabilidade política, econômica e social dos países fornecedores. Sempre que se diminui a pressão da população através da redução da taxa de natalidade aumenta-se a perspectiva de tal estabilidade, uma política de população se torna importante para o suprimento de recursos e para os interesses econômicos dos Estados Unidos” (43).

“Há também o perigo de que alguns líderes dos países menos desenvolvidos vejam as pressões dos países desenvolvidos na questão do planejamento familiar como forma de imperialismo econômico e racial; isso bem poderia gerar um sério protesto.” (Página 106)

“É vital que o esforço para desenvolver e fortalecer o envolvimento de lideres dos países menos desenvolvidos não seja visto por eles como uma política dos países industrializados para se utilizar de recursos e reduzir o poder de seus países ou para manter reserva de recursos para os países “ricos””. (Página 114)

“Os EUA podem ajudar a diminuir as acusações de um movimento imperialista, por trás de seu apoio aos programas populacionais, declarando reiteradamente que tal apoio vem da preocupação com:

a) o direito de cada casal determinar livremente e de maneira responsável o número e o espaçamento de seus filhos e o direito de eles terem informações, educação e meios para realizar isso; e

b) o desenvolvimento social e econômico fundamental dos países pobres” (115)

“Desenvolver um compromisso político e popular mundial na área de controle de população é de importância vital para uma estratégia eficiente. Isso exige que líderes importantes dos países menos desenvolvidos se envolvam com apoio e compromisso. Isso só ocorrerá se eles virem claramente o impacto negativo do crescimento populacional sem controle e acreditarem que é possível lidar com essa questão mediante ações governamentais. Os EUA devem incentivar os líderes dos países menos desenvolvidos a assumirem a liderança no avanço do planejamento familiar”. (18).

“Finalmente, o fornecimento integrado de planejamento familiar e serviços de saúde de forma ampla ajudaria os EUA a se defenderem da acusação ideológica de que os EUA estão mais interessados em conter a população nos países menos desenvolvidos do que em seu futuro e bem-estar. Embora se possa argumentar, e com eficiência, que a limitação populacional seja um dos fatores críticos para melhorar o potencial para desenvolvimento e as chances para o bem-estar, devemos reconhecer que os que argumentam em termos ideológicos frisam o fato de que a contribuição dos EUA para os programas de desenvolvimento e os programas de saúde está constantemente diminuindo, ao passo que o financiamento de programas de controle de população tem aumentado consideravelmente. Embora sejam apresentados muitos argumentos para explicar essas tendências, o fato é que elas têm sido uma responsabilidade ideológica para os EUA em seu crucial relacionamento com as nações menos desenvolvidas” (177).

“Talvez haja a necessidade de lançar programas obrigatórios e precisamos considerar essas possibilidades já” (118).

“O alimento seria considerado como instrumento de poder nacional? Seremos obrigados a escolher a quem dar assistência? Devem os programas populacionais ser usados como critério para tal assistência?

– Estão os EUA prontos para aceitar o racionamento de alimentos como meio de ajudar as pessoas que não podem ou não querem controlar seu crescimento populacional? (119-20)

Nossas estratégias de assistência para esses países devem considerar suas capacidades para financiar ações necessárias de controle de população”(127).

“É claro que a disponibilidade de serviços de contraceptivos e informações não são a resposta completa para os problemas do crescimento populacional. Em vista da importância de fatores sócio-econômicos que determinam o tamanho desejado de família, estratégias de assistência completa devem cada vez mais se concentrar em políticas seletivas que contribuirão para a diminuição populacional e outros objetivos (108).

“- dar mínimos níveis de educação, principalmente para as mulheres;

– ter como prioridade educar e ensinar sistematicamente a próxima geração adesejar famílias menos numerosas.” (111)

”Alguns experimentos controversos, mas admiravelmente bem-sucedidos, [foram feitos] na Índia, em que incentivos financeiros juntamente com outros dispositivos de motivação foram usados para convencer multidões de homens a aceitar a vasectomia” (138).

“Algo mais do que só os serviços de planejamento familiar será necessário para motivar outros casais a querer famílias menores e todos os casais a querer níveis de substituição essenciais ao progresso e crescimento de seus países” (58).

“A grande necessidade é convencer as massas da população que e para o seu beneficio individual e nacional ter, em media, só 3 ou então dois filhos… o foco óbvio da atenção deve ser mudar as atitudes da próxima geração” (158).

“A AID deve incentivar e responder aos pedidos de assistência, em expandir a educação básica e em introduzir o planejamento familiar no currículo.”(144)

“Muito pouca atenção é dada para a educação da população ou para a educação sexual nas escolas e na maior parte dos países nenhuma atenção e dada a essas questões nas primeiras séries, que são o conseguem alcançar 2/3 a 3/4 das crianças. (157)

“Nota especial: Embora os órgãos que estão participando desse estudo não tenham recomendações específicas para propor com relação ao aborto, acredita-se que as questões seguintes são importantes e devem ser consideradas no contexto de uma estratégia global de população:

1. Práticas mundiais de aborto

Certos fatos sobre o aborto precisam ser entendidos:

nenhum país já reduziu o crescimento de sua população sem recorrer ao aborto” (182)

Quanto aos meios e métodos de controle de população propõe o documento incentivar as práticas de a) anticoncepcionais orais; b) dispositivos intra-uterinos; c) melhores métodos de prever a ovulação; esterilização de homens e mulheres “tem recebido ampla aceitação em várias regiões onde um método simples, rápido e seguro é prontamente disponível”; d) anticoncepcionais injetáveis; e) meios leuteolíticos e auto-progesterona, métodos não clínicos (cremes, espumas, preservativo) (pág. 172)

Mais trechos do NSSM 200 podem ser encontrados em:www.providafamilia.org, site “Controle de População”.

2.3 – Recursos financeiros para os programas de população:

Para viabilizar as propostas, segundo as diretrizes do NSSM 200, os países ricos (países do Norte) investem diretamente, através de organizações internacionais ou através de ONGs (Fundações, Institutos etc) vários milhões de dólares para os chamados “Projetos de População”.

Esses projetos com respectivos recursos financeiros para todos os países do Terceiro Mundo, são publicados pelo Fundo de População da ONU (FNUAP). Bilhões de dólares são destinados a esses programas em todo o mundo.

Para o Brasil nos últimos cinco anos do programa foram destinados mais de 840 milhões de dólares para os mais variados programas de controle de população desde a treinamento de pessoal de saúde à aquisição e distribuição de contraceptivos, à esterilização de homens e mulheres e para mudança da legislação brasileira no sentido de legalizar as práticas contraceptivas e o aborto.

Vejamos, particularmente, os recursos destinados à mudança da legislação objeto deste nosso estudo.

Recursos internacionais para alteração da legislação que permita o controle de população e o aborto

Programas

Doador

ValorUS$

Planejamento familiar e a Assembléia Constituinte Brasileira. Monitorar e onde necessário dar assistência ao desenvolvimento do tema planejamento familiar no texto da constituição brasileira

THE PATHFINDER FUND

112.755

Programa de informação e de educação para políticos do Hemisfério Ocidental (1994)

FUNDO DE POPULAÇÃO DA ONU – FNUAP

354.000

Promover o papel parlamentar na América Latina e no Caribe em Questões ICPD(1994) e promover políticas de população

FUNDO DE POPULAÇÃO DA ONU – FNUAP

119.000

Programa de informação e educação para políticos do Hemisfério Ocidental (1994) inclusive acesso ao planejamento familiar, à saúde materno infantil e cessão de poder à mulher

FUNDO DE POPULAÇÃO DA ONU – FNUAP

109.000

Programa de informação e educação para políticos do Hemisfério Ocidental – Implementação da Conferência do Cairo Executor Grupo Interparlamentar de População e Desenvolvimento. Orçamento para 1996

FUNDO DE POPULAÇÃO DA ONU – FNUAP

199.000

Promover o papel dos parlamentares nos assuntos da Conferência do Cairo. O principal objetivo do projeto é promover coerência entre políticas de população e desenvolvimento sustentável, fortalecer a colaboração entre parlamentares do Hemisfério Ocidental e criar interesse para os assuntos de direitos reprodutivos da mulher e meio-ambiente. Executor Grupo Parlamentar Inrter-americano de População e Desenvolvimento. Orçamento para 1994-96

FUNDO DE POPULAÇÃO DA ONU – FNUAP

118.000

Apoio a um programa dirigido a formadores de política e ao público em geral – Entidade executora CFÊMEA(*) (1994-1996)

FUNDAÇÃO MAC ARTHUR

300.000

Sistema de informação para o Congresso. O projeto torna disponível recentes informações sobre iniciativas legais de textos de propostas legislativas, votação, perfil de parlamentares. Executor CFÊMEA (1996)

FUNDO DE POPULAÇÃO DA ONU – FNUAP

140.000

Para monitoração política e programa de educação pública sobre direitos da mulher. Entidade Executora: CFÊMEA (1994)

FUNDAÇÃO FORD

50.000

Programa de informação, educação e comunicação para políticos (1994/1995. Entidade Executora: Centro Feminista de Pesquisa e Informação

FUNDO DE POPULAÇÃO DA ONU – FNUAP

109.000

Apoio ao movimento de direito reprodutivo e saúde das mulheres para defender uma política de mudança com ênfase sobre a lei do aborto, prática e qualidade de cuidados de saúde reprodutiva no Brasil, Chile, Peru e na Grande Região (1995/1996)

GENERAL SERVICE FOUNDATION

35.000

Sistema de informação para o Congresso. O projeto torna disponível informações atualizadas sobre iniciativas legais de textos de proposições legislativas, votação, perfil de parlamentares e outras informações como instrumento para promover mobilização social para assuntos de igualdade e equidade de gênero. Duração do projeto: 1995-97

FUNDO DE POPULAÇÃO DA ONU – FNUAP

210.000

Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFÊMEA) monitoração e educação política dos direitos das mulheres. Duração: 1994-98

Fundação Ford

323.000

Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFÊMEA). Treinamento e coordenação entre ONGs de mulheres da Argentina Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru e América Central 1996-98.

Fundação Ford

62.000

Nos anos recentes, especialmente desde que a USAID retirou seu apoio, FPIA ampliou seu campo de ação procurando trabalhar com grupos e pessoas em projetos relacionados ao aborto. Doações foram feitas para agências no Zaire, Congo, Kênia, Irlanda, Austrália, Bangladesh, México, Brasil, Peru, Equador, Bolívia e Nicarágua para estabelecer serviços de aborto seguro, fornecendo referência e aconselhamento sobre aborto, defendendo “direitos reprodutivos”, e legalmente contestando leis restritivas ao aborto.

Fontes:
Inventory of Population Projects in Developing Countries Around the World (1991/93/95). Publicação do Fundo de População da ONU (FNUAP)
FPIA – Family Planning International Assistance, website: http://www.ppfa.org/ppfa/fpia_what_done.html
(*) CFÊMEA – Centro Feminista de Estudos e Assessoria. Entidade feminista que faz “lobby” pró-aborto no Congresso Nacional

>PROJETOS DA FUNDAÇÃO McARTHUR PARA O BRASIL 2000

Executor

Projeto

Apoio

Débora Diniz RodriguesBrasília – DF
debdiniz@zaz.com.br

Bioética, Direitos Sexuais e Reprodutivos: uma inserção do tema no Congresso Nacional Brasileiro

US$18,000 em 1 ano

CFEMEA – Centro Feminista de Estudos e Assessoria Brasília – DF
www.cfemea.org.br
cfemea@cfemea.org.br

Direitos da Mulher na Lei e na Vida

US$ 210,000 em 3 anos

Fundação Carlos Chagas – São Paulo – SP
www.fcc.org.br
fcc@fcc.org.br

Programa de bolsas individuais para projetos relativos a Direitos Reprodutivos visando aperfeiçoar a capacidade de liderança para intervenção na esfera pública, em parceria com SOS Corpo.

US$ 720,000 em 4 anos

IPAS – International Projects Assistance Services – Rio de Janeiro – RJ
www.ipas.org

Programa de treinamento para profissionais de saúde aborto seguro

US$ 210,000 em 3 anos

Fonte: Fundação MacArthurmacfound@macfound.org.br

Além desses recursos outros são alocados à nível global para os Grupos Parlamentares nos diversos países onde existe um Legislativo. Na América Latina há o GPI – Grupo Parlamentar Interamericano que é constituído pelos Grupos Parlamentares de Estudo de População e Desenvolvimento – GPEPD dos países da região.

Foram alocados aos GPEPDs entre outros os seguintes recursos:

Programa

Órgão Executor

Orçamento UNFPA

Programa Informativo e Educacional para políticos do Hemisfério Ocidental (1994).

Grupo Parlamentar Inter-Americano Sobre População e Desenvolvimento

até 1995: USD$183.000

O objetivo do projeto é o de aumentar a compreensão dos parlamentares sobre as questões apresentadas na ICPD de 1994, a fim de ajudá-los a representar um papel pró-ativo nas atividades preparatórias, e realçar a participação parlamentar na Conferência e aumentar o conhecimento dos jornalistas sobre a ICPD.

Promover o papel Parlamentar da América Latina e do Caribe em Questões ICPD (1994).

Grupo Parlamentar Interamericano Sobre População

USD$119.000.

Os objetivos principais do projeto são os de melhorar a qualidade de vida no Hemisfério Ocidental, promovendo políticas populacionais e sustentáveis coerentes, para fortalecer colaboração entre parlamentares do Hemisfério Ocidental, e despertar conscientização sobre a necessidade de alcançar um equilíbrio entre a utilização de recursos e a proteção do meio ambiente.

Programa informativo e educacional para políticos no Hemisfério Ocidental (1994).

Grupo Parlamentar Interamericano Sobre População e Desenvolvimento (GPI).

USD$109.300

O objetivo do projeto é o de encorajar a promulgação e a implementação da legislação nacional adequada para população e o desenvolvimento, inclusive o acesso ao planejamento familiar, à saúde maternal e infantil, cessão de poder à mulher, e a proteção das crianças e do meio ambiente.

Além desses recursos existem os chamados “Projetos Guarda-Chuva” com centenas de milhares de dólares para atender a vários programas não especificados ou para reforçar o orçamento de projetos cujos recursos demonstraram ser insuficientes.

O CFÊMEA exerce um forte lobby no Congresso Nacional no sentido de apresentar projetos, coloca-los em pauta de votação, realiza seminários, workshops, encontros etc, além de assessorar parlamentares na elaboração de projetos, apresentação de emendas e pronunciamentos. Além do CFÊMEA outras organizações feministas trabalham para a modificação da legislação brasileira no sentido de atender às propostas dos grupos de controle de população.

Com todos esses recursos e programas alguns objetivos já foram conseguidos e outros estão a caminho como veremos mais adiante.

Conseguiram incluir planejamento da Constituição Federal embora esse assunto não seja matéria constitucional. O Art. 226 da C. F. estabelece:

“§ 7° – Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos par o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas

Observe-se que o texto constitucional guarda coerência com o proposto no Relatório Kissinger:

a) o direito de cada casal determinar livremente e de maneira responsável o número e o espaçamento de seus filhos e o direito de eles terem informações, educação e meios para realizar isso;

Também já conseguiram a aprovar a lei sobre planejamento familiar (Lei n° 9.263/96 ) incluindo a esterilização como um de seus métodos.

Outras providências para ajustar a legislação do país às diretrizes do Relatório Kissinger encontram-se em andamento no Congresso Nacional. Vejamos abaixo que partidos políticos estão empenhados nesse propósito.

2. Ação Parlamentar

O trabalho parlamentar é essencialmente: apresentar proposições (projetos, emendas etc); discutir e votar projetos de lei; fazer pronunciamentos; discutir e aprovar protocolos internacionais. Esse trabalho deve refletir a vontade dos que elegeram os deputados e senadores, isto é, do programa político do partido ou plataforma apresentada por ocasião das eleições.

O trabalho parlamentar é exercido essencialmente nas Comissões Técnicas (Família e Seguridade Social, Constituição e Justiça, Educação etc) e no Plenário. Os projetos de lei são encaminhados inicialmente para as Comissões Técnicas e depois de discutidos e votados nessas comissões são encaminhados ao Plenário. Os projetos discutidos e aprovados na Câmara são enviados ao Senado para discussão e aprovação pelas suas comissões técnicas e pelo Plenário e vice-versa, isto é, os iniciados no Senado são aí discutidos e aprovados e posteriormente enviados à Câmara. Caso haja modificação em uma das Casas do Congresso Nacional o projeto e enviado à Casa onde teve origem, para nova discussão e votação.

O trabalho do lobby é feito individualmente com o parlamentar e principalmente nas comissões técnicas e no plenário. Embora esse trabalho não seja regulamentado no Brasil pessoas e grupos mantêm-se nas dependências do Congresso Nacional procurando influenciar as decisões dos parlamentares e a votação dos projetos de lei. Torna-se, assim, uma atividade aceita por todos.

Para uma análise do trabalho parlamentar no que se refere ao aborto, esterilização e planejamento familiar vejamos os projetos de lei atualmente em tramitação no Congresso Nacional, quem os apresenta e como são votados.

Projetos de Lei em tramitação no Congresso Nacional de interesse da vida e da família

Obs: Os projetos estão relacionados na ordem de apresentação.

Atualizada até 20.08.2001

Ano

PL No.

Autor

Part./UF

Ementa

Última Ação

2001

PL 04917

Deputado Givaldo Carimbão

PSB/AL

Inclui inciso no artigo primeiro da lei 8072, de 25 de julho de 1990, tipificando como hediondo o crime de aborto e altera os artigos 124, 125 e 126 do código penal brasileiro, e dá outras providências.

Mesa Diretora

1999

PL 00947

Deputado Severino Cavalcanti

PPB/PE

Institui o Dia do Nascituro em 25 de março

Comissão de Seguridade
Social e Família – CSSF

1999

PL 00605

Deputado Professor Luizinho

PT/SP

Dispõe sobre a obrigatoriedade dos servidores das delegacias de polícia a informarem às vítimas de estupro sobre o direito de aborto legal.

Aprovado na CD e encaminhado ao SF (CAS)

1999

PL 00066

Deputada Iara Bernardi

PT/SP

Dispõe sobre a criação de programa de orientação sexual de prevenção da DST/AIDS e do uso abusivo de drogas e da outras providências.

Aprovado pelas Comissões da CD.

1999

PL 00343

Deputado Chico Da Princesa

PSDB/PR

Institui a semana de prevenção do aborto e dá outras providências.

Comissão de Seguridade Social e Família em 30.11.99.

1999

PEC 00067

Deputado Marcos Rolim e outros

PT/RS

Altera os artigos 3o e 7oda Constituição Federal incluindo a expressão “orientação sexual”.

Aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Redação, em 13.06.00.

1999

PLS 90/99

Senador Lúcio Alcântara

PSDB/CE

Dispõe sobre a fecundação artificial

Comissão de Assunto Sociais – SF

1998

PL 04703

Deputado Francisco Silva

Sec.
Estado
PPB/RJ

Acrescenta o inciso VIII e o parágrafo 1o ao art. 1o da Lei no8.072 de 25 de julho de 1990, a prática do aborto como crime hediondo.

Anexado ao PL 1135/91 em 10/09/1998.

1998

PDL 00737

Deputado Severino Cavalcanti

PPB/PE

Susta norma técnica expedida pelo Ministério da Saúde

Mesa Diretora

1997

PL 02929

Deputado Wigberto Tartuce

PTB/DF

Permite às mulheres estupradas por parentes a interrupção da gravidez.

Anexado ao PL 1135/91 em 22/04/1997.

1997

PL 02855

Deputado Confúcio Moura

PMDB/RO

Dispõe sobre a utilização de técnicas de reprodução humana assistida e da outras providências.

Despachado para a CCJR e CFSSF em 10.04.01.

1997

PL 2811

Deputado Salvador Zimbaldi

PSDB/SP

Proíbe experiências e clonagem de animais e seres humanos

Com. de Ciência Tecnologia e Informática

1997

PL 2822

Deputado Severino Cavalcanti

PPB/PE

Define como ação criminosa a utilização de qualquer técnica destinada a reproduzir o mesmo biotipo humano

Anexado ao PL 2811/97

1996

PEC 00424

Deputado Serafim Venzon e outros

PDT/SC

Acrescenta incisos VIII e IX ao artigo 208 da CF (Incluindo dentre os deveres do Estado com a educação, a garantia do ensino da disciplina: Educação Sexual e DSTs, AIDS no currículo escolar do ensino fundamental, na rede pública e particular de educação, em todo o país, alterando a nova CF.

Desarquivado Mesa Diretora em 11.03.1999

1996

PL 01956

Deputada Marta Suplicy

PT/SP

Autoriza a interrupção da gravidez quando o produto da concepção não apresenta condições de sobrevida em decorrência de malformação incompatível com a vida ou de doença degenerativa incurável.

Anexado ao PL 1135/91 em 05/11/1996.

1995

PL 00176

Deputado José Genoíno

PT/SP

Dispõe sobre a opção da interrupção da gravidez.

Anexado ao PL 1135/91 em 27/03/1999.

1995

PL 1151

Deputada Marta Suplicy

PT/SP

Disciplina a união civil de pessoas do mesmo sexo

Na pauta do Plenário da Câmara dos Deputados
Ordem do dia: 28.05.01

1993

PL 03638

Deputado Luiz Moreira

PFL/BA

Institui normas para a utilização de técnicas de reprodução assistida (Incluindo as questões relativas a fertilização in vitro inseminação artificial e barriga de aluguel – gestação de substituição ou doação temporária do útero.

Comissão de Constituição e justiça e redação em 14.09.99 – Relator: Dep. Marcelo Deda

1992

PL 03280

Deputado Luiz Moreira

PFL/BA

Autoriza a interrupção da gravidez até a vigésima Quarta semana nos casos previstos na presente lei (Quando o feto for portador de graves e irreversíveis anomalias físicas ou mentais e precedida de indicação médica).

Anexado ao PL 1135/91 em 03.04.95.

1991

PL 00020

Deputado Eduardo Jorge e Sandra Starling

PT/SP
(PT/MG)

Dispõe sobre a obrigatoriedade de atendimento dos casos de aborto previsto no código penal, pelo SUS.

Retirado de pauta em 06/12/1997.

1991

PL 01135

Deputado Eduardo Jorge

PT/SP

Suprime o artigo 124 do código penal brasileiro o qual caracteriza crime o aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento.

Em tramitação na
Comissão de Seguridade
Social e Família –05/05/1999

1991

PL 01174

Deputado Eduardo Jorge e Sandra Starling

PT/SP
(PT/MG)

Dispõe sobre autorização do aborto quando a gravidez representar riscos de vida e saúde física ou psíquica da gestante; se constatada no nascituro enfermidade grave e hereditária ou de gravidez resultante de estupro.

Anexado ao PL 1135/1991 em22.08.1999

1991

PL 02023

Deputado Eduardo Jorge

PT/SP

Permite a prática do aborto, nos termos do artigo 128, inciso I, do código penal, em caso se comprove que a mulher esta contaminada pelo vírus HIV.

Retirado pelo autor em 30/06/1999.

PL = Projeto de Lei da Câmara –
PLS = Projeto de Lei do Senado
CCJR/CD = Comissão de Constituição e Justiça e Redação da Câmara dos Deputados

CSSF/CD = Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados
Fonte: Secretaria das Comissões Técnicas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal

Vejamos a que partidos pertencem os parlamentares que apresentaram tais projetos:

Natureza do Projeto

PT

PTB

PFL

PMDB

PSDB

PPB

PDT

PSB

TOTAL

Aborto

7

1

1

9

Disciplina a união civil de pessoas do mesmo sexo

1

1

orientação e educação sexual

2

1

3

Reprodução assistida

1

1

1

3

Projetos de defesa da vida
(dia do nascituro, proíbe clonagem, revogação da NT do MS, aborto crime hediondo)

2

4

1

7

Observe-se que dos 9 projetos de aborto, o PT apresentou 7 e dos demais projetos de interesse dos grupos de controle de população (educação e orientação sexual) o PT apresentou 2 enquanto o PDT apresentou 1. E o único projeto de União Civil de pessoas do mesmo sexo foi apresentado pelo PT.

Se observarmos a votação desses projetos nas comissões técnicas veremos que os integrantes do PT votam fechados pela aprovação dos projetos antivida. O mesmo se passa com os demais partidos de esquerda (PcdoB, PCB (hojePPS) e Partido Verde).

Enquanto isso esses partidos não apresentaram um único projeto em defesa da vida e da família e votam sistematicamente contra a aprovação desses projetos apresentados por parlamentares de outros partidos.

Acredita-se que muitos dos parlamentares desconhecem o Relatório Kissinger e esses projetos são sugeridos por grupos lobbistas. Alguns, de boa fé, apresentam projetos de educação sexual e orientação sexual, mas desconhecem o conteúdo desses programas sugeridos por grupos antivida e antifamília. Atendem, assim, as sugestões de grupos feministas apoiados com recursos de fundações e instituições internacionais.

3. Intransigência dos Partidos de Esquerda

Um partido político que se preza tem um programa, é estruturado e seus membros seguem a orientação do partido. Nas democracias os partidos funcionam todo o tempo e não somente nas vésperas de eleições. O funcionamento dos partidos entre uma eleição e outra tem o objetivo de formar seus quadros e a juventude que um dia venha a participar do partido. Além disso, divulga o partido seu programa para que os eleitores possam escolher votar neste partido. Esse princípio exige a fidelidade partidária. Divulgado o programa, o parlamentar eleito deverá seguir o programa do partido sob pena de exclusão. E o cidadão vota no partido porque sabe qual seu programa e como exercerá o mandato o candidato eleito. Assim funciona uma verdadeira democracia. A troca de partidos e a ‘banca de negociações” para cooptar o parlamentar eleito não só enfraquece a democracia como é ocasião de corrupção.

No Brasil um dos poucos partidos que se aproxima do ideal partidário é o Partido dos Trabalhadores, o PT. Partido organizado, seus membros não ‘pulam’ de partidos e seguem rigorosamente a orientação partidária de acordo com seus líderes. Esta coerência é observada mesmo quando o parlamentar tem opinião pessoal contrária à de seus líderes. Sem nenhuma dúvida é um ponto forte desse partido.

Embora não esteja explícito no programa do partido a luta pela legalização do aborto, da união civil entre pessoas do mesmo sexo, da esterilização e do uso de contraceptivos, seus lideres interpretam os ‘direitos do cidadão’, os ‘direitos da mulher’ e da liberdade individual como uma das metas do partido.

Pelo menos o direito à livre “orientação sexual” é explicitamente defendido pelo PT:

“O PT defende intransigentemente o respeito aos Direitos Humanos para garantir a extensão da cidadania a todos os brasileiros.

Isso exige combater preconceitos relacionados com raça, gênero, orientação sexual, faixa etária, condição física ou mental” (Resoluções do II Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, Belo Horizonte (MG), 24 a 28 de novembro de 1999, n.º 25)

“Defesa dos Direitos Humanos com combate a todas as formas de discriminação e preconceitos relacionados à raça, gênero, orientação sexual, faixa etária e condição física ou mental, bem como todas as formas de violência. Estabelecimento de políticas públicas que promovam condições reais de igualdade” (idem, n.º 54).

“É necessário reforçar essas estruturas setoriais temáticas de militância e ampliar para outros setores como: jornalistas, professores universitários,homossexuais e artistas, para só citar algumas das dezenas de afinidades que podem constituir-se em novos espaços de militância. Essa estrutura não concorre mas complementa a atual” (idem, n.º 67).

Por isso o PT não admite que seus integrantes votem contra a orientação de seus líderes. As concessões são feitas desde que o voto do parlamentar não altere o resultado final decidido pelas lideranças do partido.

Vejamos alguns fatos.

a)Em Goiânia ,em 1997 havia um clima político favorável à revogação de uma lei municipal que favorecia o aborto .(lei 7488/95) O primeiro vereador que se apresentou para revogá-la era do PT (Djalma Cotinguiba Araújo) mas recebeu uma pressão tão violenta de seus correligionários, que RETIROU O PROJETO DE PAUTA. Aquilo a que um político mais aspira (a popularidade) foi sacrificada em favor da pressão do Partido. O projeto para revogar a tal lei coube a um outro vereador (do PMDB, Iram Saraiva Júnior, autor do PL 96/97) que conseguiu sua aprovação facilmente.

b) Em 1996 tramitava na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados o PL 20/91 que, a título de regulamentar os abortos nos casos de estupro e risco de vida da mãe, abria a possibilidade de aborto em qualquer situação a pedido da gestante. Nos casos de estupro o aborto seria realizado mediante uma simples declaração da mulher de que fora estuprada e que seu filho era fruto de estupro. Designado relator, o deputado Hélio Bicudo, PT/SP, apresentou um substitutivo pelo qual o Estado assumiria as crianças geradas de um estupro. Hélio Bicudo foi substituído na relatoria pela deputada Zulaiê Cobra. Quando da votação (20.08.1997) Hélio Bicudo, presente na decisiva sessão que aprovaria o PL 20/91 na Comissão de Constituição, Justiça e Redação, fez um grande discurso em defesa da vida. No entanto, na hora da votação, quando seu nome foi chamado para votação nominal, não estava presente. Era membro substituto daquela Comissão e os titulares estavam presentes. Entretanto, ausentando-se o membro permanente foi chamado um outro deputado do PT (no caso Marta Suplicy), também suplente, para votar. Como a votação empatou (23 x 23 votos) a Relatora deputada Zulaiê Cobra, do PSDB, desempatou pela aprovação do projeto. Teria o deputado Hélio Bicudo se ausentado porque era suplente e os titulares estavam presentes, ou foi “aconselhado “ a se ausentar para que outro seu companheiro de partido, favorável ao aborto, desse seu voto a favor do projeto? Por que o deputado Helio Bicudo foi substituído pela Deputada Zulaiê Cobra, na Relatoria do PL 20/91? Fica a interrogação.

Para melhor entendermos o que se passou, vejamos como funciona uma comissão técnica (na Câmara ou no Senado). A composição da comissão é feita por partidos. Cada partido indica seus membros e igual número de suplentes (parlamentares do mesmo partido). Quando da apreciação de um projeto, votam os membros permanentes do partido. Na ausência do membro permanente, é chamado o suplente do mesmo partido. No caso em estudo, os membros permanentes estavam presentes; então os substitutos não votariam. Até o momento do discurso contrário ao projeto, feito pelo deputado Hélio Bicudo, os membros permanentes do PT estavam presentes. Depois do discurso, veio a votação. Nesse momento o deputado Hélio Bicudo se ausentou. O mesmo aconteceu com um outro membro (que possivelmente votaria contra ao projeto). Foi chamado a votar um suplente que empatou a votação. Fica no ar a pergunta: teria o deputado Hélio Bicudo se ausentado porque imaginou que, como suplente, não teria chance de dar seu voto? Por que não ficou para ver o resultado da votação já que fez um pronunciamento contrário à aprovação? Porque em vez de colocar um suplente favorável ao aborto (ou fiel ao partido) não foi chamado o deputado Hélio Bicudo? Seria tudo isso uma manobra das lideranças?

c)No Senado, o projeto de lei que quer obrigar os delegados de polícia a informar às vítimas de estupro onde podem conseguir o ‘aborto legal’ (Projeto de Lei da Câmara n.º 18/2001) deveria ser relatado na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) pela senadora Marina Silva, do PT do Acre. No entanto, como esta senadora é contra o aborto – e isso feria os interesses do Partido – ela renunciou à relatoria. Foi indicada para relatar o projeto uma sua correligionária, deputada Heloísa Helena (PT/AL). Também esta, depois de sofrer muita pressão, desistiu da relatoria, que passou a ser ocupada pelo senador Sebastião Rocha (PDT/AP). O projeto, então, aguarda parecer e votação. Ninguém queria ser relator do Projeto, que no Senado, estava sofrendo críticas de toda a parte do Brasil. Convém lembrar que a situação dos senadores petistas não é nada cômoda.

d)O PT deixa que seus membros votem contra o aborto, mas com uma condição: que não atrapalhem a aprovação do projeto. Permitir que um petista fosse relator de um projeto e emitisse um parecer contra o aborto seria permitir algo que iria influenciar decisivamente na derrota do projeto. É exatamente isso que está acontecendo com o Projeto de Lei 947/99, que estabelece o dia 25 de março como o “Dia do nascituro” de autoria do Deputado Severino Cavalcanti, PPB/PE

Esse projeto está na Comissão de Seguridade Social e Família, da Câmara dos Deputados e pretende instituir o Dia do Nascituro, a ser festejado no dia 25 de março de cada ano. A relatora na referida comissão é a deputada Ângela Guadagnin (PT/SP). Como integrante do Movimento Pró-Vida, em sua diocese (São José dos Campos – SP), esta deputada se manifestou favorável, em seu relatório, à aprovação do projeto. O projeto entrou em pauta várias vezes mas a deputada Ângela Guadagnin não compareceu à sessão para apresentar seu relatório. Enquanto isso, a deputada Ana Corso (PT/RS) pediu vistas do projeto na última reunião e deverá apresentará voto em separado manifestando-se contrária à proposta. Que teria havido? Por que a deputada Ângela Guadagnin, católica e defensora da vida, não apresentou seu parecer favorável à aprovação do projeto, apesar de ter tido a oportunidade de fazê-lo em mais de uma reunião da Comissão? Agora com um voto contrário de uma correligionária fala-se que o projeto entrará em votação. Afinal, de fevereiro ate junho (mês do recesso) houve bastante tempo para que a relatora apresentasse seu parecer.

Nenhum membro do PT até hoje (em qualquer nível: federal, estadual ou municipal!) ousou apresentar um projeto de lei que proíba o aborto ou que desestimule sua prática. Nenhum parlamentar desse partido apresentou projeto para fortalecimento da família. Pelo contrário, a então deputada Marta Suplicy apresentou um projeto de “casamento gay”. Acontece em raras ocasiões um voto favorável à vida dado por um parlamentar do PT, mas desde que seu voto não interfira no resultado esperado pela sua liderança.

O que ocorre como PT também ocorre com os demais partidos de esquerda. Em verdade o PCB (atual PPS), PCdoB. e Partido Verde votam com o PT. Seus integrantes são favoráveis a legalização do aborto.

4 – Conclusão

Coincidentemente ou não, os partidos de esquerda seguem as diretrizes traçadas pelo Relatório Kissinger. As centenas de dólares investidos no lobby para mudança da legislação brasileira apesar de não ter conseguido até agora a legalização do aborto, não foram de todo perdidos. Afinal já conseguiram legalizar a esterilização e os métodos contraceptivos, muitos deles abortivos. Não se pode afirmar que alguns parlamentares dos partidos de esquerda estejam obtendo vantagens com suas atitudes antivida. Seria leviano uma afirmação nesse sentido. No entanto, não é leviano afirmar que há dentro do Congresso um grupo de parlamentares (cuja existência é demonstrada em documentos oficiais da ONU), chamado GPEPD (Grupo Parlamentar de Estudos de População e Desenvolvimento) que recebe apoio do Exterior para legislar contra o Brasil, em matéria de controle demográfico. Quem serão seus integrantes? Serão os membros dos partido de esquerda, que, por coincidência ou não, defendem propostas idênticas às do Relatório Kissinger? Ou serão outros? Só uma CPI, com quebra de sigilo bancário, poderia sequenciar os recursos destinados ao “lobby” no Congresso Nacional e ao GPEPD e tirar conclusões.

Abortistas nós encontramos em todos os partidos, de direita ou de esquerda. A diferença é que enquanto os outros partidos de direita têm abortistas, ospartidos de esquerda são abortistas. É possível pertencer a um partido qualquer e, simultaneamente lutar até as últimas conseqüências pela aprovação de um projeto contra o aborto. No entanto, isso é totalmente impossível nos partidos de esquerda, que sobrepõem suas diretrizes inclusive à consciência de seus membros. É possível que isso aconteça porque os partidos de direita não têm uma estrutura partidária rígida e disciplinada como os partidos de esquerda.

Os fatos acima demonstram que o PT, como os demais partidos de esquerda, estão empenhados na alteração da legislação brasileira para legalização do aborto e demais procedimentos de que trata o Relatório Kissinger.

Para que o cidadão possa exercer bem sua cidadania, dando seu voto nas próximas eleições a candidatos que realmente defendem nossos interesses, necessário de faz chegar essas informações a todo o País.

FONTE: Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Famíliawww.providafamilia.org.br

Aborto

O que é o Aborto

DEFINIÇÃO: O aborto é a morte de uma criança no ventre de sua mãe produzida durante qualquer momento da etapa que vai desde a fecundação (união do óvulo com o espermatozóide) até o momento prévio ao nascimento.

Fala-se de aborto espontâneo quando a morte é produto de alguma anomalia ou disfunção não prevista nem desejada pela mãe; e de aborto provocado (que é o que costuma ser entendido quando se fala simplesmente de aborto) quando a morte do bebê é procurada de qualquer maneira: doméstica, química ou cirúrgica.

Os defensores do aborto procuraram encobrir sua natureza criminal mediante a terminologia confusa ou evasiva, ocultando o assassinato com jargão “interrupção voluntária da gravidez” ou sob conceitos como “direito de decidir” ou “direito à saúde reprodutiva”. Nenhum destes artifícios da linguagem, entretanto, podem ocultar o fato de que o aborto é um infanticídio.

aborto

BISPO DIOCESANO

Dom Frei Diamantino Prata de Carvalho, OFM

Nascido aos 20 de novembro de 1940, em Manteigas, Portugal, filho de Antônio Leitão Carvalho e Maria da Conceição Prata Direito, fez seus estudos iniciais em Manteigas e na Guarda, em Portugal; depois em Garnstock, na Bélgica e em Agudos/SP. Cursou Filosofia e Teologia no Instituto Teológico Franciscano, em Petrópolis/RJ. Licenciou-se em letras (Português – Francês) pela Universidade Católica Petrópolis-RJ e CETESP e especializou-se em Pastoral da Comunicação Social no Studio Paolino Internazionale della Comunicazione Sociale , em Roma.

Exerceu, antes do episcopado, as funções de Professor no Seminário em Agudos (1973-1977); Vigário Paroquial no Rio de Janeiro, RJ e em Curitiba, PR; Pároco em Ipanema, no Rio de Janeiro, RJ e São Lourenço, MG; Reitor do Santuário de Nossa Senhora da Penha em Vila Velha, ES; Professor de Moral em Vitória, ES (Centro de Estudos Eclesiásticos) e em Curitiba, PR (Studium Theologicum); Membro do Conselho Presbiteral (Campanha, MG e Rio de Janeiro, RJ), Coordenador Diocesano de Pastoral (Campanha, MG) e Coordenador de Setor no Rio de Janeiro.Emitiu os votos religiosos na Ordem dos Frades Menores em 20 de dezembro de 1967. Foi ordenado presbítero em 10 de dezembro de 1972, no Rio de Janeiro, RJ. Foi nomeado Bispo pelo Santo Padre João Paulo II, em 25 de março de 1998, sendo ordenado em Campanha, MG, aos 02 de maio de 1998, quando tomou posse como Sexto Bispo Diocesano da Campanha.
Seu lema episcopal é: “Servir com alegria”.

Brasão de Dom Diamantino
Dom Frei Diamantino Prata de Carvalho, OFM
Dom Diamantino /Celebração do Domingo de Ramos
Dom Diamantino /Celebração do Domingo de Ramos

 

 

 

 

Dom Frei Diamantino Prata de Carvalho, OFM
Dom Frei Diamantino Prata de Carvalho, OFM

A Catedral

  • Em 21 de janeiro de 1787, foi benta a pedra fundamental pelo pároco Pe. Bernardo da Silva Lobo.
  • Foi construída pelos escravos e levou 35 anos para ser terminada.
  • O arquiteto Francisco de Lima de São João Del Rei supervisionou todos os trabalhos.
  • A igreja foi benta, com muitas festas, pelo Pe. José de Souza Lima, em 31 de março de 1822.
  • As torres foram construídas em 1871.
  • Medidas: Comprimento: 75m; largura: 25m; altura: 36m; nave central: 17m; espessura das paredes: 1m80. As paredes são de taipa.
  • Em 1900, foi reformada interiormente pelos jesuítas, para as festas de fim do século.
  • Em 19 de setembro de 1909, data da sagração episcopal de Monsenhor João de Almeida Ferrão, 1º bispo da Diocese da Campanha, a Matriz tornou-se Catedral.
  • Em 1925, Dom Ferrão reformou-a externamente modificando o “estilo” e deu um novo aspecto às fachadas e às torres.
  • Em 1937 e 38, Dom Inocêncio (2º bispo), manda cercar a catedral com uma grade de ferro.
  • Em 1948, Mons. João Rabello de Mesquita realizou a reforma interna, alterando a nave central, retirando alguns altares, revestindo o piso de mármore e construindo a cripta para sepultura dos bispos campanhenses.
  • Em 1964, Pe. José Hugo Goulart, sendo bispo Dom Othon Motta, elevou o ponto do telhado; preparou o local para o futuro salão paroquial.
  • De 22 de agosto de 1966 a 10 de outubro de 1967. Pe. Fuhad Lage realiza a reforma externa da catedral, reveste as torres com chapas de alumínio, constrói passeios e jardins ao redor da igreja.
  • Em 28 de abril de 1970, inauguração do salão paroquial e salas anexas para os diversos serviços comunitários.
  • Em 1974: inauguração do novo altar para o culto, pintura geral interna da igreja, restauração completa do forro, bancada nova de imbuia e novos genuflexórios para a capela.
  • Em 1979, novo telhado, reforma das escadarias das torres, do assoalho e do teto do coro da Catedral.
  • Em 2013 iniciou-se a troca do telhado e reforma dos forros, mais em 2014 foi necessário executar uma reforma(restauração) geral na Igreja recebendo nova pintura exterior e interior, novo forro, novo coro, altares totalmente recuperado, novas portas, cortinas, iluminação, nova aparelhagem de som e fiação, paisagística nova revestida em pedra são thomé, a Igreja foi reaberta para realização do culto sagrado no dia 25 de março de 2015 com a posse do atual cura Pe.Luizar Coelho de Abreu.
  • Em 2015 a Catedral permanece em reforma nas áreas externas.
  • Entre 1737 a 1742, a igreja foi construída, nela se despendendo nove mil oitavas de ouro, pela Irmandade do Santíssimo Sacramento. Não era esse templo de pequenas dimensões, pois havia no seu interior 93 sepulturas e estava situado pouco abaixo da atual Catedral, na parte em que a Praça Dom Ferrão se larga, nas imediações dos jardins e das estátuas do Mininistro Alfredo Valladão e do cientista e sábio Vital Brazil Mineiro da Campanha. Durou relativamente pouco essa nossa primeira Igreja Matriz, pois em 1800, já tinha aspecto de ruínas. Em seu adro existia uma cruz, ao pé da qual foi enterrado, sem nenhuma pompa e no hábito do seu Padre São Francisco, de que era terceiro, por sua última vontade manifestada em testamento que fez antes de falecer em 20 de dezembro de 1748, o grande bandeirante Capitão-mor João de Toledo Piza e Castelhanos.
    Entre 1737 a 1742, a igreja foi construída, nela se despendendo nove mil oitavas de ouro, pela Irmandade do Santíssimo Sacramento. Não era esse templo de pequenas dimensões, pois havia no seu interior 93 sepulturas e estava situado pouco abaixo da atual Catedral, na parte em que a Praça Dom Ferrão se larga, nas imediações dos jardins e das estátuas do Mininistro Alfredo Valladão e do cientista e sábio Vital Brazil Mineiro da Campanha. Durou relativamente pouco essa nossa primeira Igreja Matriz, pois em 1800, já tinha aspecto de ruínas. Em seu adro existia uma cruz, ao pé da qual foi enterrado, sem nenhuma pompa e no hábito do seu Padre São Francisco, de que era terceiro, por sua última vontade manifestada em testamento que fez antes de falecer em 20 de dezembro de 1748, o grande bandeirante Capitão-mor João de Toledo Piza e Castelhanos. Acervo Fotográfico Paulino Araújo
    A primeira e antiga Matriz de Santo Antônio, a primeira igreja construída na Campanha, então Freguesia de Santo Antônio do Vale da Piedade da Campanha do Rio Verde, pela vontade e pela fé dos pioneiros e bandeirantes que habitaram estas ricas e aprazíveis terras, no limiar do séc. XVIII.
    A primeira e antiga Matriz de Santo Antônio, a primeira igreja construída na Campanha, então Freguesia de Santo Antônio do Vale da Piedade da Campanha do Rio Verde, pela vontade e pela fé dos pioneiros e bandeirantes que habitaram estas ricas e aprazíveis terras, no limiar do séc. XVIII.
    Várias reformas foram feitas ao decorrer dos anos. Em taipa, é o maior templo católico de Minas e um dos três maiores do Brasil.
    Várias reformas foram feitas ao decorrer dos anos. Em taipa, é o maior templo católico de Minas e um dos três maiores do Brasil.
    Catedral em época de Festa do Padroeiro Santo Antônio
    Catedral em época de Festa do Padroeiro Santo Antônio
    CATEDRAL - CAMPANHA-MG
    CATEDRAL – CAMPANHA-MG
    Interior da Catedral após restauração 2013/2015

    Fonte: Acervo da Diocese da Campanha


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A História da Diocese da Campanha – II parte

PADROEIRA

Description
Nossa Senhora do Carmo/ Padroeira da Diocese.

Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, ou simplesmente Nossa Senhora do Carmo, tão cara à piedade do povo cristão no mundo inteiro, e ligada de modo especial à vida da grande família religiosa carmelitana, é a padroeira da Diocese da Campanha.

A pedido do Bispo Diocesano, do Cabido e dos fiéis, foi proclamada Patrona Principal da Diocese, em 11 de Fevereiro de 1925.

O pensamento volta-se para a montanha sagrada, que no mundo bíblico é sempre considerada como símbolo de graça, de bênção e de beleza. Naquela montanha os carmelitas dedicaram à Virgem Mãe de Deus, “Flos Carmeli” (Flor do Carmelo), que possui a beleza de todas as virtudes, a sua primeira igreja, exprimindo assim a própria vontade de se confiarem completamente a Ela e de ligarem de modo indissolúvel o próprio serviço a Maria com o serviço em atenção a Cristo.

Os grandes místicos carmelitanos entenderam a experiência de Deus na própria vida como um “caminho de perfeição” (Santa Teresa de Jesus), como uma “subida ao Monte Carmelo” (São João da Cruz). Neste itinerário está presente Maria. Ela torna-se, enquanto Virgem Puríssima, modelo do contemplativo, sensível à escuta e meditação da Palavra de Deus e obediente à vontade do Pai, por meio de Cristo no     Espírito Santo. Por isso no Carmelo floresce uma vida de intensa comunhão e familiaridade com a Virgem Santa, como “maneira nova” de viver para Deus e de continuar aqui na terra o amor do Filho Jesus a Maria sua Mãe.

ESCRITO POR DIOCESE DA CAMPANHA ON 13 MAIO 2009.

 

A História da Diocese da Campanha I parte

ESCRITO POR PE. JOSÉ PROCÓPIO JÚNIOR ON 20 JUNHO 2009.

Popularmente - "A Cadeira do Bispo"
Cátedra do Bispo / Catedral de Santo Antônio – Campanha-MG
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Catedral de Santo Antônio / Diocese da Campanha-MG

A Diocese da Campanha foi criada pelo papa São Pio X, a oito de setembro de 1907, pelo decreto pontifício “Spirituali fidelium bonum” (O bem espiritual dos fiéis) e teve como primeiro administrador, o bispo de Pouso Alegre, Dom João Batista Corrêa Nery.  Ao longo de todo o período imperial (1822 – 1889), por causa do regime de padroado e, consequentemente, a união entre a Igreja e o Estado, foram poucas as dioceses erigidas no extenso território brasileiro. Neste período foram criadas somente três novas dioceses no Brasil: Porto Alegre/RS (1848), Fortaleza/CE e Diamantina/MG (1854).

Com a proclamação da República, veio a separação entre a Igreja e o Estado, mediante o decreto 119-A, redigido e apresentado ao governo provisório por Rui Barbosa, em 7 de janeiro de 1890. Este decreto extinguiu o regime de padroado e garantiu a liberdade religiosa no Brasil. Apesar de o novo governo ser de espírito laicista, essa separação deu maior liberdade interna à Igreja, fazendo com que ela buscasse melhor organização. Assim sendo, a partir da referida data, muitas dioceses serão erigidas dentro do território nacional. Dentre essas, destaca-se a Diocese da Campanha.

Foi neste contexto de mudanças políticas e sociais que nasceu, no sul de Minas, um movimento pela criação de uma diocese sulmineira. O sul de Minas, até então, tinha seu território dividido entre duas dioceses: a leste e nordeste do rio Sapucaí, ficava a Diocese de Mariana/MG; a oeste, noroeste e sul do mesmo rio, a diocese de São Paulo/SP.

No ano de 1891, Bernardo Saturnino da Veiga, proprietário do jornal “O Monitor Sul Mineiro“, com sede em Campanha, expede uma circular aos padres do Sul de Minas e lhes lembra a inadiável necessidade de se pedir a criação de um Bispado com sede em Campanha, o que iria premiar toda a região. Depois de muitas dificuldades políticas e econômicas, o anseio de criação de um bispado sulmineiro, com sede em Campanha, acomodou-se.

No ano de 1897, contudo, agita-se com mais veemência a idéia da criação de uma diocese no Sul de Minas. Agora, duas cidades ambicionavam o título de “sede diocesana”: Campanha e Pouso Alegre.

O movimento campanhense foi liderado pelo Vigário Cônego José Teófilo Moinhos de Vilhena, e o de Pouso Alegre pelo Padre José Paulino de Andrade. Houve representações de ambas as cidades ao Internúncio e ao Bispo de São Paulo, Dom Joaquim Arcoverde. Os pousoalegrenses foram mais felizes: tiveram também o apoio de Silviano Brandão, mais tarde Vice-Presidente da República. Sendo assim, a 4 de agosto de 1900, criada a Diocese de Pouso Alegre, pelo decreto pontifício “Régio latissime potens”, de SS. Leão XIII.

Mesmo com a criação da Diocese de Pouso Alegre, a idéia da criação de um bispado campanhense não esfriou. Em 1903, após uma representação de campanhenses ilustres seguir, por recomendação de D. Joaquim Arcoverde, à autoridade eclesiástica, o núncio apostólico no Brasil D. Júlio Tonti visita a cidade da Campanha, reavivando as esperanças de criação de mais uma diocese no sul de Minas.

De 1904 até 1907 muitos trabalharam pela causa da criação da Diocese da Campanha. Dentre os líderes destacam-se o próprio bispo de Pouso Alegre, D. João Batista Corrêa Nery, que não se opôs ao movimento de criação de outra diocese no sul de Minas; Monsenhor João de Almeida Ferrão, campanhense e vigário geral da diocese de Pouso Alegre; o diplomata brasileiro em Roma, Joaquim Nabuco; os padres José Maria Natuzzi e Miguel Martins e os deputados Joaquim Leonel de Rezende e Gabriel Valadão.

Em 1907, quando Campanha tornou-se Diocese, Minas Gerais tinha como Sedes Diocesanas só Mariana, Diamantina, Pouso Alegre, Montes Claros e Uberaba. São posteriores a ela: Araçuaí (1913), Caratinga (1915) e Luz (1918). Belo Horizonte terá seu Bispado só em 1921, e Juiz de Fora, em 1924.

Enfim, depois de muito trabalho foi criada a Diocese da Campanha, desmembrada da Diocese de Pouso Alegre. Doravante, agregaram-se à Campanha as paróquias que, antes de 1900, pertenciam à Diocese de Mariana. O Sul de Minas contava, assim, com duas dioceses no fim da primeira década do século XX.

FONTES: LEFORT, José do Patrocínio. A Diocese da Campanha. Imprensa oficial de Minas Gerais, BH, 1993.  MATOS, Henrique Cristiano José. Nossa História. 500 anos da Presença da Igreja Católica no Brasil, Tomo 2. Ed Paulinas, SP, 2002.

 

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