Advento

Latim ad-venio, chegar.

Conforme o uso atual [1910], o Advento é um tempo litúrgico que começa no Domingo mais próximo à festa de Santo André Apóstolo (30 de Novembro) e abarca quatro Domingos. O primeiro Domingo pode ser adiantado até 27 de Novembro, e então o Advento tem vinte e oito dias, ou atrasar-se até o dia 3 de Dezembro, tendo somente vinte e um dias.

Com o Advento começa o ano eclesiástico nas Igrejas ocidentais. Durante este tempo, os fiéis são exortados a se prepararam dignamente para celebrar o aniversário da vinda do Senhor ao mundo como a encarnação do Deus de amor, de maneira que suas almas sejam moradas adequadas ao Redentor que vem através da Sagrada Comunhão e da graça, e em conseqüência estejam preparadas para sua vinda final como juiz, na mortee no fim do mundo.

Simbolismo

A Igreja prepara a Liturgia neste tempo para alcançar este fim. Na oração oficial, o Breviário, no Invitatório das Matinas, chama a seus ministros a adorar “ao Rei que vem, ao Senhor que se aproxima”, “ao Senhor que está próximo”, “ao que amanhã contemplareis sua glória”. Como Primeira Leitura do Ofício de Leitura introduz capítulos do profeta Isaías, que falam em termos depreciativos da gratidão da casa de Israel, o filho escolhido que abandonou e esqueceu seu Pai; que anunciam o Varão de Dores ferido pelos pecados de seu povo; que descrevem fielmente a paixão e morte do Redentor que vem e sua glória final; que anunciam a congregação dos Gentis em torno ao Monte Santo. As Segundas Leituras do Ofício de Leitura em três Domingos são tomadas da oitava homilia do Papa São Leão (440-461) sobre o jejum e a esmola, como preparação para a vinda do Senhor, e em um dos Domingos (o segundo) do comentário de São Jerônimo sobre Isaías 11,1, cujo texto ele interpreta referido a Santa Maria Virgem como “a renovação do tronco de Jessé”. Nos hinos do tempo encontramos louvores à vinda de Cristo como Redentor, o Criador do universo, combinados com súplicas ao juiz do mundo que vem para proteger-nos do inimigo. Similares idéias são expressadas nos últimos sete dias anteriores à Vigília de Natal nas antífonas do Magnificat. Nelas, a Igreja pede à Sabedoria Divina que nos mostre o caminho da salvação; à Chave de Davi que nos livre do cativeiro; ao Sol que nasce do alto que venha a iluminar nossas trevas e sombras de morte etc. Nas Missas é mostrada a intenção da Igreja na escolha das Epístolas e Evangelhos. Nas Epístolas é exortado ao fiel que, dada a proximidade do Redentor, deixe as atividades das trevas e se vista com as armas da luz; que se conduza como em pleno dia, com dignidade, e vestido do Senhor Jesus Cristo; mostra como as nações são chamadas a louvar o nome do Senhor; convida a estar alegres na proximidade do Senhor, de maneira que a paz de Deus, que ultrapassa todo juízo, custodie os corações e pensamentos em Cristo Jesus; exorte a não julgar, a deixar que venha o Senhor, que manifestará os segredos escondidos nos corações. Nos Evangelhos, a Igreja fala do Senhor, que vem em sua glória; dAquele no qual e através do qual as profecias são cumpridas; do Guia Eterno em meio aos Judeus; da voz no deserto, “Preparai o caminho do Senhor”. A Igreja em sua Liturgia nos devolve no espírito ao tempo anterior à encarnação do Filho de Deus, como se ainda não tivesse ocorrido. OCardeal Wiseman disse:

Estamos não somente exortados a tirar proveito do bendito acontecimento, como também a suspirar diariamente como nossos antigos pais, “Gotejai, ó céus, lá do alto, derramem as nuvens a justiça, abra-se a terra e brote a salvação”. As Coletas nos três dos quatro Domingos deste tempo começam com as palavras, “Senhor, mostra teu poder e vem” – como se o temor a nossas iniqüidades previsse seu nascimento.

Duração e Ritual

Todos os dias de Advento devem ser celebrados no Ofício e Missa do Domingo ou Festa correspondente, ou ao menos deve ser feita uma Comemoração dos mesmos, independentemente do grau da festa celebrada. No Ofício Divino o Te Deum, jubiloso hino de louvor e ação de graças, se omite; na Missa o Glória in excelsis não se diz. O Alleluia, entretanto, se mantém. Durante este tempo não pode ser feita a solenização do matrimonio (Missa e Bênção Nupcial); incluindo na proibição a festa da Epifania. O celebrante e os ministros consagrados usam vestes violeta. O diácono e subdiácono na Missa, no lugar das túnicas usadas normalmente, levam casulas com pregas. O subdiácono a tira durante a leitura da Epístola, e o diácono a muda por outra, ou por uma estola mais larga, posta sobre o ombro esquerdo entre o canto do Evangelho e a Comunhão. Faz-se uma exceção no terceiro Domingo (Domingo Gaudete), no qual as vestes podem ser rosa, ou de um violeta enriquecido; os ministros consagrados podem neste Domingo vestir túnicas, que também podem ser usadas na Vigília do Natal, ainda que fosse no quarto Domingo de Advento. O Papa Inocêncio III (1198-1216) estabeleceu o negro como a cor a ser usada durante o Advento, mas o violeta já estava em uso ao final do século treze. Binterim diz que havia também uma lei pela qual as pinturas deviam ser cobertas durante o Advento. As flores e as relíquias de Santos não deviam ser colocadas sobre os altares durante o Ofício e as Missas deste tempo, exceto no terceiro Domingo; e a mesma proibição e exceção existia relacionada com o uso do órgão. A idéia popular de que as quatro semanas de Advento simbolizam os quatro mil anos de trevas nas quais o mundo estava envolvido antes da vinda de Cristo não encontra confirmação na Liturgia.

Origem Histórica

Não pode ser determinada com exatidão quando foi pela primeira vez introduzida na Igreja a celebração do Advento. A preparação para a festa de Natal não deve ser anterior à existência da própria festa, e desta não encontramos evidência antes do final do século quarto quando, de acordo com Duchesne [Christian Worship (London, 1904), 260], era celebrada em toda a Igreja, por alguns no dia 25 de Dezembro, por outros em 6 de Janeiro. De tal preparação lemos nas Atas de um sínodo de Zaragoza em 380, cujo quarto cânon prescreve que desde dezessete de Dezembro até a festa da Epifania ninguém devesse permitir a ausência da igreja. Temos duas homilias de São Máximo, Bispo de Turim (415-466), intituladas “In Adventu Domini”, mas não fazem referência a nenhum tempo especial. O título pode ser a adição de um copista. Existem algumas homilias, provavelmente a maior parte de São Cesáreo, Bispo de Arles (502-542), nas quais encontramos menção de uma preparação antes do Natal; todavia, a julgar pelo contexto, não parece que exista nenhuma lei geral sobre a matéria. Um sínodo desenvolvido (581) em Macon, na Gália, em seu nono cânon, ordena que desde o dia onze de Novembro até o Natal o Sacrifício seja oferecido de acordo ao rito Quaresmal nas Segundas, Quartas e Sextas-feiras da semana. O Sacramentário Gelasiano anota cinco domingos para o tempo; estes cinco eram reduzidos a quatro pelo Papa São Gregório VII (1073-85). A coleção de homilias de São Gregório o Grande (590-604) começa com um sermão para o segundo Domingo de Advento. No ano 650, o Advento era celebrado na Espanha com cinco Domingos. Vários sínodos fizeram cânones sobre os jejuns a observar durante este tempo, alguns começavam no dia onze de Novembro, outros no quinze, e outros com o equinócio de outono. Outros sínodos proibiam a celebração do matrimônio. Na Igreja Grega não encontramos documentos sobre a observância do Advento até o século oitavo. São Teodoro o Estudita (m. 826), que falou das festas e jejuns celebrados comumente pelos Gregos, não faz menção deste tempo. No século oitavo encontramos que, desde o dia 15 de Novembro até o Natal, é observado não como uma celebração litúrgica, mas como um tempo de jejum e abstinência que, de acordo com Goar, foi posteriormente reduzido a sete dias. Mas um concílio dos Rutenianos (1720) ordenava o jejum de acordo com a velha regra desde o quinze de Novembro. Esta é a regra ao menos para alguns dos Gregos. De maneira similar, os ritos Ambrosiano e Moçárabe não têm liturgia especial para o Advento, mas somente o jejum.

Esquema do Advento

Começa com as vésperas do domingo mais próximo ao 30 de novembro e termina antes das vésperas do Natal. Os domingos deste tempo se chamam 1º, 2º, 3º, e 4º do Advento. Os dias 16 a 24 de dezembro (Novena de Natal) tendem a preparar mais especificamente as festas do Natal.

O tempo do Advento tem uma duração de quatro semanas. Este ano, começa no domingo 01 de dezembro, e se prolonga até a tarde do dia 24 de dezembro, em que começa propriamente o Tempo de Natal. Podemos distinguir dois períodos. No primeiro deles, que se estende desde o primeiro domingo do Advento até o dia 16 de dezembro, aparece com maior relevo o aspecto escatológico e nos é orientado à espera da vinda gloriosa de Cristo. As leituras da Missa convidam a viver a esperança na vinda do Senhor em todos os seus aspectos: sua vinda ao fim dos tempos, sua vinda agora, cada dia, e sua vinda há dois mil anos.

No segundo período, que abarca desde 17 até 24 de dezembro, inclusive, se orienta mais diretamente à preparação do Natal. Somos convidados a viver com mais alegria, porque estamos próximos do cumprimento do que Deus prometera. Os evangelhos destes dias nos preparam diretamente para o nascimento de Jesus. Com a intenção de fazer sensível esta dupla preparação de espera, a liturgia suprime durante o Advento uma série de elementos festivos. Desta forma, na Missa já não rezamos o Glória. Se reduz a música com instrumentos, os enfeites festivos, as vestes são de cor roxa, o decorado da Igreja é mais sóbrio, etc. Todas estas coisas são uma maneira de expressar tangivelmente que, enquanto dura nosso peregrinar, nos falta alo para que nosso gozo seja completo. E quem espera, é porque lhe falta algo. Quando o Senhor se fizer presente no meio do seu povo, haverá chegado a Igreja à sua festa completa, significada pela Solenidade do Natal.

Temos quatro semanas nas quais de domingo a domingo vamos nos preparando para a vinda do Senhor. A primeira das semanas do Advento está centralizada na vinda do Senhor ao final dos tempos. A liturgia nos convida a estar em vela, mantendo uma especial atitude de conversão. A segunda semana nos convida, por meio do Batista a “preparar os caminhos do Senhor”; isso é, a manter uma atitude de permanente conversão. Jesus segue chamando-nos, pois a conversão é um caminho que se percorre durante toda a vida. A terceira semana preanuncia já a alegria messiânica, pois já está cada vez mais próximo o dia da vinda do Senhor. Finalmente, a quarta semana nos fala do advento do Filho de Deus ao mundo. Maria é figura central, e sua espera é modelo e estímulo da nossa espera.

Quanto às leituras das Missas dominicais, as primeiras leituras são tomadas de Isaías e dos demais profetas que anunciam a Reconciliação de Deus e, a vinda do Messías. Nos três primeiros domingos se recolhem as grandes esperanças de Israel e no quarto, as promessas mais diretas do nascimento de Deus. Os salmos responsoriais cantam a salvação de Deus que vem; são orações pedindo sua vinda e sua graça. As segundas leituras são textos de São Paulo ou das demais cartas apostólicas, que exortam a viver em espera da vinda do Senhor.

A cor dos parâmentos do altar e as vestes do sacerdote é o roxo, igual à da Quaresma, que simboliza austeridade e penitencia. São quatro os temas que se apresentam durante o Advento:

I Domingo

A vigilância na espera da vinda do Senhor. Durante esta primeira semana as leituras bíblicas e a prédica são um convite com as palavras do Evangelho: “Velem e estejam preparados, pois não sabem quando chegará o momento”. É importante que, como uma família, tenhamos um propósito que nos permita avançar no caminho ao Natal; por exemplo, revisando nossas relações familiares. Como resultado deveremos buscar o perdão de quem ofendemos e dá-lo a quem nos tem ofendido para começar o Advento vivendo em um ambiente de harmonia e amor familiar. Desde então, isto deverá ser extensivo também aos demais grupos de pessoas com as quais nos relacionamos diariamente, como o colégio, o trabalho, os vizinhos, etc. Esta semana, em família da mesma forma que em cada comunidade paroquial, acenderemos a primeira vela da Coroa do Advento, de cor roxa, como sinal de vigilância e desejo de conversão.

II Domingo

A conversão, nota predominante da predica de João Batista. Durante a segunda semana, a liturgia nos convida a refletir com a exortação do profeta João Batista: “Preparem o caminho, Jesus chega”. Qual poderia ser a melhor maneira de preparar esse caminho que busca a reconciliação com Deus? Na semana anterior nos reconciliamos com as pessoas que nos rodeiam; como seguinte passo, a Igreja nos convida a acudir ao Sacramento da Reconciliação (Confissão) que nos devolve a amizade com Deus que havíamos perdido pelo pecado. Acenderemos a segunda vela roxa da Coroa do Advento, como sinal do processo de conversão que estamos vivendo.
Durante esta semana poderíamos buscar nas diferentes igrejas mais próximas, os horários de confissões disponíveis, para quando cheguar o Natal, estejamos bem preparados interiormente, unindo-nos a Jesus e aos irmãos na Eucaristia.

III Domingo

O testemunho, que Maria, a Mãe do Senhor, vive, servindo e ajudando ao próximo. Na sexta-feira anterior a esse Domingo é a Festa da Virgem de Guadalupe, e precisamente a liturgia do Advento nos convida a recordar a figura de Maria, que se prepara para ser a Mãe de Jesus e que além disso está disposta a ajudar e a servir a todos os que necessitam. O evangelho nos relata a visita da Virgem à sua prima Isabel e nos convida a repetir como ela: “quem sou eu para que a mãe do meu Senhor venha a visitar-me?
Sabemos que Maria está sempre acompanhando os seus filhos na Igreja, pelo que nos dispomos a viver esta terceira semana do Advento, meditando sobre o papel que a Virgem Maria desempenhou. Propomos que fomentar a devoção à Maria, rezando o Terço em família. Acendemos como sinal de esperança gozosa a terceira vela, de cor rosa, da Coroa do Advento.

IV Domingo

O anúncio do nascimento de Jesus feito a José e a Maria. As leituras bíblicas e a prédica, dirigem seu olhar à disposição da Virgem Maria, diante do anúncio do nascimento do Filho dela e nos convidam a “aprender de Maria e aceitar a Cristo que é a Luz do Mundo”. Como já está tão próximo o Natal, nos reconciliamos com Deus e com nossos irmãos; agora nos resta somente esperar a grande festa. Como família devemos viver a harmonia, a fraternidade e a alegria que esta próxima celebração representa. Todos os preparativos para a festa deverão viver-se neste ambiente, com o firme propósito de aceitar a Jesus nos corações, as famílias e as comunidades. Acenderemos a quarta vela da Coroa do Advento, de cor roxa.

Aqui, uma seleção de relatos para compartilhar em família durante o tempo de Advento: (Retirada do site ACI DIGITAL)

O SONHO DA VIRGEM MARIA

José, ontem à noite tive um sonho muito estranho, como um pesadelo. A verdade é que não o entendo. Tratava-se de uma festa de aniversário de nosso Filho.

A família esteve se preparando por semanas decorando sua casa. Apressavam-se de loja em loja comprando todos os tipos de presentes. Parece que toda a cidade estava no mesmo porque todas as lojas estavam abarrotadas. Mas achei algo muito estranho: nenhum dos presentes era para nosso Filho.

Envolveram os presentes em papéis muito lindos e colocaram fitas e laços muito belos. Então os puseram sob uma árvore. Se, uma árvore, José, aí mesmo dentro de sua casa. Também decoraram a árvore; os ramos estavam cheios de bolas coloridas e ornamentos brilhantes. Havia uma figura no topo da árvore. Parecia um anjinho. Estava lindo.

Por fim, o dia do aniversário de nosso Filho chegou. Todos riam e pareciam estar muito felizes com os presentes que davam e recebiam. Mas veja José, não deram nada a nosso Filho. Eu acredito que nem sequer o conheciam. Em nenhum momento mencionaram seu nome. Não lhe parece estranho, José, que as pessoas tenham tanto trabalho para celebrar o aniversário de alguém que nem sequer conhecem? Parecia-me que Jesus se sentiria como um intruso se tivesse assistido a sua própria festa de aniversário.

Tudo estava precioso, José, e todo mundo estava tão feliz, mas tudo ficou nas aparências, no gosto dos presentes. Dava-me vontade de chorar, pois essa família não conhecia Jesus. Que tristeza tão grande para Jesus – não ser convidado a Sua própria festa!

Estou tão contente de que tudo era um sonho, José. Que terrível se esse sonho fosse realidade!

O MELHOR PRESENTE DE NATAL

Em 1994, dois americanos responderam a um convite do Departamento de Educação Russa, para ensinar moral e ética (apoiado em princípios bíblicos) nas escolas públicas. Foram convidados para ensinar nas prisões, negócios, corpos de bombeiro e polícia, e em um imenso orfanato. Cerca de 100 meninos e meninas que tinham sido abandonados, abusados, e deixados aos cuidados de um programa do governo, estavam neste orfanato. Eles relatam esta historia em suas próprias palavras.

Aproximavam-se os dias de festas Natalinas, 1994, tempo para que nossos órfãos escutassem pela primeira vez, a história tradicional de Natal. Contamos como Maria e José chegaram a Belém. Não encontraram albergue na estalagem e o casal foi a um estábulo, onde nasceu o menino Jesus e foi posto em um presépio.

Durante o relato da história, os meninos e os trabalhadores do orfanato estavam assombrados enquanto escutavam. Alguns estavam sentados ao lado de seus tamboretes, tratando de captar cada palavra. Terminando a história, demos aos meninos três pequenos pedaços de cartolina para que construíssem um presépio. A cada menino demos um pedaço de papel quadrado cortados de uns guardanapos amarelos, que eu havia trazido comigo pois não haviam guardanapos de cores na cidade.

Seguindo as instruções, os meninos rasgaram o papel e colocaram as tiras com muito cuidado no presépio. Pequenos pedaços de quadros de flanela, cortados de uma velha camisola de dormir que tinha descartado uma senhora Americana ao ir-se da Rússia, foi usado para a manta do bebê. Um bebê tipo boneca foi talhado de uma felpa cor canela que havíamos trazido dos Estados Unidos.

Os órfãos estavam ocupados montando seus presépios, enquanto eu caminhava entre eles para ver se necessitavam ajuda. Parecia ir tudo bem até que chegue a uma das mesas onde estava sentado o pequeno Misha. Parecia ter uns 6 anos e já tinha terminado seu projeto. Quando olhei no presépio deste pequeno, surpreendeu-me ver não um, mas dois bebês no presépio. Em seguida chamei o tradutor para que lhe perguntasse ao menino porque haviam dois bebês no presépio. Cruzando seus braços e olhando a seu presépio já terminado, começou a repetir a história muito seriamente.

Para ser um menino tão pequeno que só tinha escutado a história de Natal uma vez, contou o relato com exatidão… até chegar à parte onde Maria coloca o bebê no presépio. Então Misha começou a acrescentar. Inventou seu próprio fim da história dizendo, ” e quando Maria colocou o bebê no presépio, Jesus me olhou e me perguntou se eu tinha um lugar onde ir. Eu lhe disse, “não tenho mamãe e não tenho papai, assim não tenho onde ficar. Então Jesus me disse que eu podia ficar com Ele. Mas lhe disse que não podia porque não tinha presente para lhe dar como tinham feito outros. Mas tinha tantos desejos de ficar com Jesus, que pensei que poderia lhe dar de presente. Pensei que se o pudesse lhe manter quente, isso fora um bom presente.

Perguntei ao Jesus, ” Se te mantiver quente, seria isso um bom presente?”E Jesus me disse, “Se me mantiver quente, esse seria o melhor presente que me tenham dado”.Assim que me meti no presépio, e então Jesus me olhou e me disse que me poderia ficar com O… para sempre”. Enquanto o pequeno Misha termina sua história, seus olhos se transbordavam de lágrimas que lhes salpicavam por suas bochechas. Pondo sua mão sobre seu rosto baixou sua cabeça para a mesa e seus ombros se estremeciam enquanto soluçava e soluçava. Ele pequeno órfão tinha encontrado alguém que nunca o abandonaria ou o abusasse, alguém que se manteria com ele… PARA SEMPRE. Graças a Misha aprendi que o que conta, não é o que alguém tem em sua vida, se não, a quem alguém tem em sua vida. Não acredito que o ocorrido a Misha fosse imaginação. Acredito que Jesus seriamente lhe convidou a estar junto A ELE PARA SEMPRE. Jesus faz esse convite a todos, mas para escutá-lo terá que ter coração de criança.

Autor Desconhecido, traduzido e modificado pela equipe SCTJM

TRÊS ÁRVORES SONHAM

Era uma vez, no cume de uma montanha, três pequenas árvores amigas que sonhavam grande sobre o que o futuro proporcionaria para elas.

A primeira arvorezinha olhou para as estrelas e disse: “Eu quero guardar tesouros. Quero estar repleta de ouro e ser cheia de pedras preciosas. Eu serei o baú de tesouros, mas formoso do mundo”.

A segunda arvorezinha observou um pequeno arroio em seu caminho por volta do mar e disse: “Eu quero viajar através de mares imensos e levar a reis poderosos sobre mi. Eu serei o navio mas importante do mundo”. A terceira arvorezinha olhou para o vale e viu homens curvados de tantos infortúnios, fruto de seus pecados e disse: “Eu não quero jamais deixar o topo da montanha. Quero crescer tão alto que quando as pessoas do povoado se detenha para me olhar, levantarão seu olhar ao céu e pensarão em Deus. Eu serei a árvore, mas alta do mundo”.Os anos passaram. Choveu, brilhou o sol e as pequenas árvores se converteram em majestosos cedros. Um dia, três lenhadores subiram ao cume da montanha. O primeiro lenhador olhou à primeira árvore e disse: “Que árvore tão formosa!”, E com o arremesso de seu brilhante machado a primeira árvore caiu. “Agora me deverão converter em um baú formoso, vou conter tesouros maravilhosos”, disse a primeira árvore.

Outro lenhador olhou a segunda árvore e disse: “Esta árvore é muito forte, é perfeita para mim!”. E com o arremesso de seu brilhante machado, a segunda árvore caiu. “Agora deverei navegar mares imensos”, pensou a segunda árvore, “Deverei ser o navio, mas importante para os reis, mas capitalistas da terra”.

A terceira árvore sentiu seu coração afundar-se de pena quando o último lenhador se fixou nela. A árvore se parou direito e alto, apontando ao céu. Mas o lenhador nem sequer olhou para cima, e disse: “Qualquer árvore me servirá para o que procuro!”. E com o arremesso de seu brilhante machado, a terceira árvore caiu.

A primeira árvore se emocionou quando o lenhador a levou a oficina, mas logo veio a tristeza. O carpinteiro o converteu em um mero presépio para alimentar as bestas. Aquela árvore formosa não foi preenchida com ouro, nem conteve pedras preciosas. Foi apenas usada para pôr o pasto.

A segunda árvore sorriu quando o lenhador o levou perto de um estaleiro. Mas não estava junto ao mar mas sim a um lago. Não haviam por ali reis a não ser pobres pescadores. Em lugar de converter-se no grande navio de seus sonhos, fizeram dela uma simples barcaça de pesca, muito pequena e débil para navegar no oceano. Ali ficou no lago com os pobres pescadores que nada de importância têm para a história.

Passou o tempo. Uma noite, brilhou sobre a primeira árvore a luz de uma estrela dourada. Uma jovem pôs a seu filho recém-nascido naquele humilde presépio. “Eu queria lhe haver construído um formoso berço”, disse-lhe seu marido… A mãe lhe apertou a mão e sorriu enquanto a luz da estrela iluminava o menino que agradavelmente dormia sobre a palha e a rudimentar madeira do presépio. “O presépio é formoso” disse ela e, de repente, a primeira árvore compreendeu que continha o maior tesouro do universo.

Passaram os anos e uma tarde, um gentil mestre de um povo vizinho subiu com uns poucos seguidores a bordo do velho barco de pesca. O mestre, esgotado, ficou dormindo enquanto a segunda árvore navegava tranqüilamente sobre o lago. De repente, uma impressionante e aterradora tormenta se abateu sobre eles. A segunda árvore se encheu de temor, pois as ondas eram muito fortes para o pobre barco em que se converteu. Apesar de seus melhores esforços, faltavam-lhe as forças para levar a seus tripulantes seguros à borda. Naufragava!. Que grande pena, pois não servia nem para um lago!. Sentia-se um verdadeiro fracasso. Assim pensava quando o mestre, sereno, levanta-se e, elevando sua mão deu uma ordem: “calma”. Imediatamente, a tormenta lhe obedeceu e deu lugar a um remanso de paz. De repente a segunda árvore, convertida no barco de Pedro, soube que levava a bordo o rei do céu, terra e mares.

A terceira árvore foi convertida em lenhos e por muitos anos foram esquecidos como escombros em um escuro armazém militar. Que triste jazia naquela penúria inútil, que longe parecia seu sonho de juventude! De repente uma sexta-feira na manhã, alguns homens violentos tomaram bruscamente esses madeiros. A terceira árvore se horrorizou ao ser forçada sobre as costas de um inocente que tinha sido golpeado sem misericórdia.

Aquele pobre réu o carregou, doloroso, pelas ruas ante o olhar de todos. Ao fim chegaram a uma colina fora da cidade e ali lhe cravaram mãos e pés. Fico pendurado sobre os madeiros da terceira árvore e, sem queixar-se, apenas rezava a seu Pai enquanto seu sangue se derramava sobre os madeiros. A terceira árvore se sentiu envergonhado, pois não só se sentia uma fracassada, sentia-se além cúmplice daquele crime ignominioso. Sentia-se tão vil como aqueles blasfemos diante da vítima elevada. Mas no domingo na manhã, quando ao brilhar o sol, a terra se estremeceu sob suas madeiras, a terceira árvore compreendeu que algo muito maior havia ocorrido. De repente tudo tinha mudado.

Seus lenhos banhados em sangue agora refulgiam como o sol. Encheu-se de felicidade e soube que era a árvore, mas valiosa que tinha existido ou existirá jamais, pois aquele homem era o rei de reis e se valeu dela para salvar o mundo! A cruz era trono de glória para o rei vitorioso. Cada vez que as pessoas pensem nele recordarão que a vida tem sentido, que são amadas, que o amor triunfa sobre o mal. Por todo mundo e por todos os tempos milhares de árvores o imitarão, convertendo-se em cruzes que pendurarão no lugar, mas digno das Igrejas e lares. Assim todos pensarão no amor de Deus e, de uma maneira misteriosa, chegou a tornar-se realidade seu sonho. A terceira árvore se converteu no, mas alto do mundo, e ao olhá-lo todos pensarão em Deus.

A coroa de Advento

Origem: A Coroa de Advento tem a sua origem em uma tradição pagã européia. No inverno, se acendiam algumas velas que representavam ao “fogo do deus sol” com a esperança de que a sua luz e o seu calor voltasse. Os primeiros missionários aproveitaram esta tradição para evangelizar as pessoas. Partíam de seus próprios costumes para ensenhar-lhes a fé. Assim, a coroa está formada por uma grande quantidade de símbolos:

A forma circular: O círculo não tem princípio, nem fim. É sinal do amor de Deus que é eterno, sem princípio e nem fim, e também do nosso amor a Deus e ao próximo que nunca se debe terminar. Além disso, o círculo dá uma idéia de “elo”, de união entre Deus e as pessoas, como uma grande “Alianza”.

As ramas verdes: Verde é a cor da esperança e da vida. Deus quer que esperemos a sua graça, o seu perdão misericordioso e a glória da vida eterna no final de nossa vida. Bênçãos que nos foram derramadas pelo Señor Jesús, em sua primeira vinda entre nós, e que agora, com esperança renovada, aguardamos a sua consumação, na sua segunda e definitiva volta.

As quatro velas: As quatro velas da coroa simbolizam, cada uma delas, uma das quatro semanas do Advento. No inicio, vemos nossa coroa sem luz e sem brilho. Nos recorda a experiencia de escuridão do pecado. A medida em que se vai aproximando o natal, vamos ao passo das semanas do Advento, acendendo uma a uma as quatro velas representando assim a chegada, em meio de nós, do Señor Jesús, luz do mundo, quem dissipa toda escuridão, trazendo aos nossos corações a reconciliação tão esperada.

Nos domingos de Advento, é de costume que as famílias e as comunidades católicas se reunam em torno à coroa para rezar. A liturgia de coroa, como é conhecida esta oração em torno a coroa, se realiza de um modo muito simples. Todos se colocam em volta da coroa; se acende a vela que corresponde a semana em questão, acompanhando, se possível, com um canto. Logo se lêe uma passagem da Bíblia, própria do tempo do Adevento e se fazem algumas meditações. Se recomenda também levar a coroa para ser abençada pelo sacerdote.

Sugestões:

a) Se recomenda fazer a coroa de Adevento em família, aproveitando a ocasião para ensinar as crianças o sentido e o significado de tal símbolo de natal.

b) A coroa deverá estar em um lugar privilegiado da casa, de preferência onde seja facilmente visível a todos, recordando assim a vinda cada vez mais próxima do Senhor Jesus e a importancia de preparar-se bem para este momento.

c) É conveniênte fixar um horário para se fazer a liturgia da coroa de Advento de manera tal que seja uma ocasião familiar e ordenada, com a participação consciente de todos.

d) Se recomenda repartir as funções de cada membro da família durante a liturgia. Um pode ser o que acende a vela, outro o que lê a passagem bíblica, outro que faz algumas preces, outro que faz algum comentario… em fim, a idéia é que todos possam participar e que seja uma ocasião de encontro familiar.

Ideia para viver o Advento



Primeira liturgia semanal com a coroa de Advento

INDICAÇÕES

A coroa sem nenhuma vela acesa. Criar um ambiente recolhido, com pouca luz. É recomendável colocar uma imagem da Virgem ao lado da coroa, com uma vela a seus pés. Desta vela se pode tirar a chama para acender a primeira vela da coroa.

TODOS: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

MONITOR: Nosso auxílio é o nome do Senhor.

TODOS: Que fez o céu a terra.

MONITOR: Começamos um novo ano litúrgico com o tempo de Advento, tempo de preparação e espera. Acender, semana após semana, as quatro velas desta coroa deve ser um reflexo de nossa gradual preparação para receber o Senhor Jesus no Natal. As luzes das velas nos recordam que Ele é a Luz do mundo que veio a dissipar as trevas. A cor verde da coroa simboliza a vida e a esperança que Ele veio trazer.

LEITOR: Leitura tirada do livro do profeta Isaías: “Levante-se, Jerusalém! Brilhe, pois chegou a sua luz, a glória de Javé brilha sobre você.   2 Sim, a treva cobre a terra, névoas espessas envolvem os povos, mas sobre você brilha Javé, e sua glória a ilumina.”

MONITOR: Quem dirige a oração, com as mãos juntas, diz:

Recolhemo-nos uns instantes em silêncio, e inclinando nossas cabeças, vamos pedir que o Senhor abençoe esta coroa de Advento.

Oremos.

A terra, Senhor, alegra-se nestes dias,
e sua Igreja transborda de gozo
diante de seu Filho, o Senhor Jesus,
que se mora como luz esplendorosa,
para iluminar aos que jazem nas trevas,
da ignorância, da dor e do pecado.
Esperançoso em sua vinda,
seu povo preparou esta coroa
com o Ramos do bosque e a adornou com luzes.
Agora, que iremos começar
o tempo de preparação
para a vinda de seu Filho,
te pedimos, Senhor,
que, enquanto se acrescenta cada dia
o esplendor desta coroa, com novas luzes,
nos ilumine
com o esplendor daquele que,
por ser a Luz do mundo,
iluminará todas as escuridões.
Pedimos isso por Ele mesmo
que vive e reina pelos séculos dos séculos.

TODOS: Amém.

MONITOR: vamos acender agora a primeira vela de nossa coroa enquanto cantamos ANUNCIAMOS (ou outro canto apropriado).

(Uma pessoa acenda a primeira vela enquanto se entoa um canto de Advento, por exemplo)

ANUNCIAMOS

1. Anunciamos o tempo do Advento
com a primeira chama ardendo;
está perto o tempo da salvação,
preparemos a vinda do Senhor.

CANTAI ALEGRES, COM GRANDE AMOR,
JÁ ESTA PERTO O SENHOR.

TODOS: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Segunda liturgia semanal com a coroa de Advento

INDICAÇÕES

A coroa ao inciar a liturgia deve estar com a primeira vela acesa. Criar um ambiente recolhido, com pouca luz. É recomendável colocar uma imagem da Virgem ao lado da coroa, com uma vela a seus pés. Desta vela se pode tirar a chama para acender a primeira vela da coroa.

TODOS: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

MONITOR: Vamos acender a segunda vela de nossa coroa. O Senhor está cada vez mais próximo de nós e devemos nos preparar dignamente para recebê-lo em nossos corações. Façamos um momento de silêncio para elevar nossa oração ao Senhor.

LEITOR: Leitura tirada do Evangelho segundo São Lucas:

“Fazia quinze anos que Tibério era imperador de Roma. Pôncio Pilatos era governador da Judéia; Herodes governava a Galiléia; seu irmão Filipe, a Ituréia e a Traconítide; e Lisânias, a Abilene. Anás e Caifás eram sumos sacerdotes. Foi nesse tempo que Deus enviou a sua palavra a João, filho de Zacarias, no deserto. E João percorria toda a região do rio Jordão, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados, conforme está escrito no livro do profeta Isaías: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparem o caminho do Senhor, endireitem suas estradas. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão aplainadas; as estradas curvas ficarão retas, e os caminhos esburacados serão nivelados. E todo homem verá a salvação de Deus.””.

MONITOR: Devemos preparar o caminho do Senhor e isto nos exige estarmos preparados interiormente para a vinda do Senhor Jesus, para que o recebamos com um coração reconciliado, cada vez mais convertido e transformado, capaz de amar e entregar-se a outros. Façamos um compromisso concreto para esta semana que ajude a estarmos cada vez melhores para sua vinda. (Deixa-se um momento de silêncio)

MONITOR: Enquanto acendemos a segunda vela de nossa coroa cantemos: ANUNCIAMOS (ou outro canto apropriado).

(Uma pessoa acende a segunda vela enquanto se entoa o canto, de ser possível durante a segunda estrofe)

ANUNCIAMOS

1. Anunciamos o tempo do Advento
com a primeira chama ardendo;
está perto o tempo da salvação,
preparemos a vinda do Senhor.

CANTAI ALEGRES, COM GRANDE AMOR,
JÁ ESTA PERTO O SENHOR.

2. Anunciamos o tempo do Advento
com a segunda chama ardendo;
o belo exemplo Cristo nos deu:
viver unidos no amor.

MONITOR: Elevemos agora nossas petições a Deus Pai e respondamos a cada uma dela: VEM SENHOR JESUS.

LEITOR: Pedimos, Pai, por nossa Santa Igreja Católica que se prepara para a vinda de seu Filho, para que sempre tenhamos fixos os olhos naquele que nos traz a reconciliação.

VEM SENHOR JESUS

Rogamos pela paz no mundo, para que neste tempo de Advento se viva com maior intensidade o amor e a solidariedade.

VEM SENHOR JESUS

Pedimos, Pai, por cada um de nós, para que façamos esforços para caminhar ao encontro do Senhor Jesus, que é a “Luz do Mundo”.

VEM SENHOR JESUS

Rogamos também por nossa família, para que a exemplo da família do Nazaré vivamos o amor mútuo e nos preparemos para a vinda de seu Filho.

VEM SENHOR JESUS

Pedimos que Santa Maria alente nossos passos neste Advento, e seja Ela quem nos ensine a crescer em confiança e esperança na vinda do Reconciliador.

VEM SENHOR JESUS (podem-se acrescentar outras petições)

MONITOR: Vamos a nossa Mãe para que nos obtenha abundantes graças que nos ajudem em nossa preparação, assim como Ela, para receber ao Senhor Jesus. Rezemos junto uma Ave Maria. Terminemos este momento de oração cantando

AGUARDANDO O SENHOR

1. Sofre o mundo em meio ao pecado,
mergulhado na escuridão.
Vem, Senhor, vem salvar teu povo,
criar um mundo novo pela reconciliação.

COM MARIA ESPERAMOS,
AGUARDAMOS O SENHOR,
PREPARANDO OS NOSSOS CORAÇÕES
COM ORAÇÕES E MUITO AMOR.
VEM, SENHOR JESUS, VEM SEM DEMORA,
QUE É CHEGADA A HORA DA SALVAÇÃO.
E NESTE NATAL, TRAZ-NOS TUA LUZ,
QUE NOS CONDUZ PELA RECONCILIAÇÃO.

2. E o jugo que pesa em nossos ombros,
em escombros será transformado,
porque Deus Menino nascerá
e a todos livrará das trevas do pecado.

3. Já será completa a alegria
de Maria e de todos os cristãos:
o Senhor virá neste Natal,
livrar de todo o mal, chamar à conversão.

MONITOR: Mãe da Esperança…

TODOS: Rogai por nós.

TODOS: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Terceira liturgia semanal com a coroa de Advento

INDICAÇÕES

A coroa ao inciar a liturgia devem estar acesas a primeira e a segunda vela da coroa. Criar um ambiente recolhido, com pouca luz. É recomendável colocar uma imagem da Virgem ao lado da coroa, com uma vela a seus pés. Desta vela se pode tirar a chama para acender a terceira vela da coroa.

TODOS: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

MONITOR: Já estamos na terceira semana do Advento: aumenta nossa alegria e nosso jubilo pela vinda do Senhor Jesus, que está cada vez mais próximo de nós. Comecemos nossa oração cantando VEM LOGO SENHOR (ou outro canto apropriado).

VEM LOGO, SENHOR

1. Ó pastor da casa de Israel,
traz a teu Povo a almejada Salvação.
Verbo Eterno da boca de Deus Pai,
foste anunciado por lábios de profetas.

VEM LOGO, SENHOR, VEM Ó SALVADOR! (2x)
VEM SENHOR JESUS, VEM LIBERTADOR.
CÉUS, CHOVEI VOSSA JUSTIÇA,
ABRE-TE TERRA E FAZ SURGIR O SALVADOR! (2x)

2. É o brado dos povos que se eleva,
Filho de Davi as nações te esperam.
Nós queremos a vinda de teu Reino,
vem nos libertar do pecado e da miséria.

3. Emanuel, Salvador das nações,
Tu és esperança do povo peregrino.
Sol nascente, esplendor és da justiça,
Tu nos salvarás com teu braço poderoso.

4. Esperança de uma Santa Virgem.
Vê aquela jovem que logo será Mãe:
silenciosa espera o Salvador,
vem aí a hora da Reconciliação.

MONITOR: vamos acender a terceira vela de nossa coroa de Advento. O Senhor está mais próximo de nós e nos ilumina cada vez mais. Abramos nosso coração, que muitas vezes está em trevas, à luz admirável de seu amor.

LEITOR: Leitura tirada do Evangelho segundo São Lucas:

10 As multidões perguntavam a João: “O que é que devemos fazer?” 11 Ele respondia: “Quem tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem. E quem tiver comida, faça a mesma coisa.”

12 Alguns cobradores de impostos também foram para ser batizados, e perguntaram: “Mestre, o que devemos fazer?”

13 João respondeu: “Não cobrem nada além da taxa estabelecida.” 14 Alguns soldados também perguntaram: “E nós, o que devemos fazer?” Ele respondeu: “Não maltratem ninguém; não façam acusações falsas, e fiquem contentes com o salário de vocês.”

15 O povo estava esperando o Messias. E todos perguntavam a si mesmos se João não seria o Messias.

16 Por isso, João declarou a todos: “Eu batizo vocês com água. Mas vai chegar alguém mais forte do que eu. E eu não sou digno nem sequer de desamarrar a correia das sandálias dele. Ele é quem batizará vocês com o Espírito Santo e com fogo.  16 Ele terá na mão uma pá; vai limpar sua eira, e recolher o trigo no seu celeiro; mas a palha ele vai queimar no fogo que não se apaga.”

18 João anunciava a Boa Notícia ao povo de muitos outros modos. “.

MONITOR: vamos acender a terceira vela de nossa coroa. Cantemos ANUNCIAMOS (ou outro canto apropriado)

ANUNCIAMOS

1. Anunciamos o tempo do Advento
com a primeira chama ardendo;
está perto o tempo da salvação,
preparemos a vinda do Senhor.

CANTAI ALEGRES, COM GRANDE AMOR,
JÁ ESTA PERTO O SENHOR.

2. Anunciamos o tempo do Advento
com a segunda chama ardendo;
o belo exemplo Cristo nos deu:
viver unidos no amor.

3. Anunciamos o tempo do Advento
com a terceira chama ardendo;
o mundo imerso na escuridão
receberá a luz do Senhor.

MONITOR: Recorramos agora a Santa Maria, que colaborando com o Plano do Pai permitiu que a luz do Senhor ilumine à humanidade, e peçamos que siga intercedendo por nós neste tempo de preparação. Rezemos juntos a oração.

Brilhante Lua da Nova Evangelização, que com teu fulgor iluminas a noite pela que tantos perambulam sem rumo no mundo da “cultura de morte”, ilumina o caminhar do homem com a luz do Senhor Jesus, que como ninguém sabes refletir. Amém.

MONITOR: Terminemos nossa oração cantando

(ou outro canto apropriado)

A VINDA DA RECONCILIAÇÃO

1. Havia a Mulher Prometida
desde o pecado original,
que esmagaria a serpente,
trazendo a Reconciliação.

ESSA MULHER DISSE O SEU “SIM”
E DESSE “SIM” NASCEU O AMOR.
“FAÇA-SE EM MIM O PLANO DE DEUS,
EU SOU A SERVA DO SENHOR”.

2. Seu coração reconciliado
com muito amor e oração,
pôde lhe dar a liberdade
de assumir sua missão.

E RENOVAR SEMPRE O SEU “SIM”
CONFIANTE NAS PROMESSAS
QUE FORAM FEITAS POR DEUS PAI
PRA CONFIRMAR A FÉ DOS HOMENS.

3. Foi numa pobre manjedoura
onde nasceu o Cristo Rei,
trazendo exemplo de humildade
pra toda a humanidade,

NOS ENSINANDO A VIVER
INTENSAMENTE O AMOR,
O AMOR QUE É VERDADE
E QUE NOS TRAZ A SANTIDADE. (2x)

TODOS: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Quarta liturgia semanal com a coroa de Advento

INDICAÇÕES

A coroa ao inciar a liturgia devem estar acesas as anteriores vela da coroa. Criar um ambiente recolhido, com pouca luz. É recomendável colocar uma imagem da Virgem ao lado da coroa, com uma vela a seus pés. Desta vela se pode tirar a chama para acender a terceira vela da coroa.

Todos: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Monitor: Alegremo-nos porque o Senhor está perto de nós e vem trazer a reconciliação. Acenderemos a quarta e última vela de nossa coroa. Que este símbolo nos recorde a proximidade da vinda do Senhor Jesus, que vem a nos trazer alegria e esperança. Iniciemos a oração desta semana cantando

(ou outro canto apropriado)

A OBRA DA RECONCILIAÇÃO

1. Quando chegou a plenitude dos tempos,
Deus enviou o Seu Filho ao mundo,
nascido de Maria, a Mulher.
Com seu “Sim” generoso, Santa Maria,
a humanidade inteira acolhia
a obra da Reconciliação.

EIS QUE ACABAM-SE AS TREVAS, BRILHA A LUZ,
VEM SENHOR JESUS, CHEGA AO FIM A ESPERA,
LIVRA TEU POVO DA ESCURIDÃO.
ENTÃO SE CUMPRE O QUE NOS FOI PROMETIDO
POR SEU AMOR, QUE É INFINITO,
NOS VEIO HOJE A SALVAÇÃO.

2. A promessa nos feita já foi cumprida,
o homem não está mais sozinho,
veio ao mundo a fonte da Vida.
Como Santa Maria, o “Sim” vou dizer,
para que nessa Noite grandiosa,
em meu coração Cristo possa nascer.

LEITOR: Leitura tirada do Evangelho segundo São Lucas:

“39 Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, às pressas, a uma cidade da Judéia. 40 Entrou na casa de Zacarias, e saudou Isabel.  41 Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança se agitou no seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.  42 Com um grande grito exclamou: “Você é bendita entre as mulheres, e é bendito o fruto do seu ventre! 43 Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha me visitar? 44 Logo que a sua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança saltou de alegria no meu ventre. 45 Bem-aventurada aquela que acreditou, porque vai acontecer o que o Senhor lhe prometeu.” 46 Então Maria disse: “Minha alma proclama a grandeza do Senhor, 47 meu espírito se alegra em Deus, meu salvador, 48 porque olhou para a humilhação de sua serva. Doravante todas as gerações me felicitarão,”.

MONITOR: A presença do Senhor Jesus entre nos enche de gozo e alegria. É a Mãe quem o faz  próximo, quem permite que essa Luz chegue a nós e ilumine nossa vida. Em companhia da Santa Maria acendamos a última vela de nossa coroa de Advento enquanto cantamos ANUNCIAMOS (ou outro canto apropriado).

(Uma pessoa acende a quarta vela enquanto se entoa o canto, de ser possível durante a quarta estrofe)

ANUNCIAMOS

1. Anunciamos o tempo do Advento
com a primeira chama ardendo;
está perto o tempo da salvação,
preparemos a vinda do Senhor.

CANTAI ALEGRES, COM GRANDE AMOR,
JÁ ESTA PERTO O SENHOR.

2. Anunciamos o tempo do Advento
com a segunda chama ardendo;
o belo exemplo Cristo nos deu:
viver unidos no amor.

3. Anunciamos o tempo do Advento
com a terceira chama ardendo;
o mundo imerso na escuridão
receberá a luz do Senhor.

4. Anunciamos o tempo do Advento
olhai a quarta chama ardendo;
está por nascer o Senhor Jesus,
é o momento da conversão.

(Podem-se fazer alguma petições indo à intercessão da Virgem Maria respondendo depois de cada pedidos: POR INTERCESSÃO DE SUA MÃE, ESCUTA-NOS SENHOR.)

MONITOR: Oremos.

Pai misericordioso, que quis que seu Filho se encarnasse no seio da Santa Maria Virgem, escuta nossas súplicas e nos conceda sua graça para que saibamos acolher ao Senhor Jesus, seu Filho, que contigo vive e reina na unidade do Espírito Santo e é Deus pelos séculos dos séculos.

TODOS: Amém.

TODOS: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém

MAIS CELEBRAÇÕES COM A COROA DE ADVENTO

a) Celebração da Coroa de Advento seguindo a História da Salvação.

Primeiro Domingo de Advento
A promessa de salvação.

Para começar:
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Apagam-se as luzes e se lê a seguinte explicação apoiada na Gênese, capítulo 3:

Adão e Eva se deixaram enganar pelo demônio ao pensar que podiam saber mais que Deus e fazer o que Ele tinha proibido. Assim começou o pecado no mundo e tudo se tornou escuridão para o homem, pois o pecado nos afasta de Deus. Mas Deus prometeu enviar um Salvador.

Vela:
acende-se a primeira vela, que é a vela do arrependimento. A cor da vela nos recorda que é um tempo de penitência, de conversão.

Oração:
Que esta coroa nos ajude a preparar os corações de cada membro desta família para sua chegada no dia de Natal.
Pedimo-lhe isso, Senhor.

Para terminar:
Damos graças, Senhor, por nos enviar seu Filho para nos salvar e lhe pedimos ajuda para preparar nosso coração para a vinda de Cristo.
Amém.

Cantar:
pode-se concluir com uma canção que todos conheçam. Sugere-se

AGUARDANDO O SENHOR

1. Sofre o mundo em meio ao pecado,
mergulhado na escuridão.
Vem, Senhor, vem salvar teu povo,
criar um mundo novo pela reconciliação.

COM MARIA ESPERAMOS,
AGUARDAMOS O SENHOR,
PREPARANDO OS NOSSOS CORAÇÕES
COM ORAÇÕES E MUITO AMOR.
VEM, SENHOR JESUS, VEM SEM DEMORA,
QUE É CHEGADA A HORA DA SALVAÇÃO.
E NESTE NATAL, TRAZ-NOS TUA LUZ,
QUE NOS CONDUZ PELA RECONCILIAÇÃO.

2. E o jugo que pesa em nossos ombros,
em escombros será transformado,
porque Deus Menino nascerá
e a todos livrará das trevas do pecado.

3. Já será completa a alegria
de Maria e de todos os cristãos:
o Senhor virá neste Natal,

livrar de todo o mal, chamar à conversão.

 

Segundo Domingo de Advento
A aliança com o Noé.

Para começar:
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Acende-se a vela do domingo anterior, recordando que existia um pouco de luz pela promessa do Salvador a pesar do pecado do Adão e Eva. Apagam-se as luzes e se lê a seguinte explicação apoiada na Gênese, capítulo 7 e 8:

Na história do Noé, vê-se como o pecado foi se estendendo no mundo e os homens cada vez mais se esqueciam de seu amor e mandamentos. O arca do Noé nos recorda o desejo de Deus de salvar os homens. O arco íris é o símbolo que nos recorda o amor de Deus para os homens.

Vela:
acende-se a segunda vela, que é a vela da promessa de Natal, da promessa da vinda do Salvador.

Oração:
Pedimos que ajude que não nos afastemos
de Ti pelas coisas materiais, as pressas, os presentes. Pedimos nos ajude a viver próximos a Ti nestes dias e sempre.

Reflexão:
Fazer algumas pergunta relacionadas com a leitura da Gênese do Arca do Noé:
Na família o que está nos afastando de Ti nestes momentos? A que estamos dando maior importância em nossa vida?

Propósitos:
depois da reflexão anterior, cada membro da família pode compartilhar quais são seus propósitos para melhorar na semana.

Para terminar:
Damos graças Senhor por nos mandar
a seu Filho a nos salvar e pedimos ajuda
para preparar nosso coração para sua vinda.
Amém.

Cantar:

VEM SENHOR QUE TE ESPERAMOS

1. Quando o mundo dormia entre as trevas,
por Teu amor quiseste ajudá-lo.
E trouxeste  vindo a esta terra
essa vida que pode salvá-lo.
Amadurece a história em promessas
e os homens esperam teu regresso.
No silêncio prepara-se a espera,
mas o amor não suporta o silêncio.

VEM SENHOR QUE TE ESPERAMOS
ACOLHE NOSSA ORAÇÃO.
VEM E ESCUTA NOSSO CANTO
QUE ESPERA JESUS LIBERTADOR.

2. Com Maria a Igreja te aguarda
com anseio de Esposa e de Mãe,
e reúne seus filhos fiéis
para juntos então esperarmos.
Quando vieres, Senhor, em tua glória,
que possamos sair a teu encontro,
e a teu lado vivamos para sempre,
dando graças ao Pai em seu Reino.

 

Terceiro Domingo de Advento:
Os Mandamentos

Para começar:
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Acendem-se as duas velas dos domingos anteriores recordando como a luz foi retornando para o homem com a promessa de salvação e com a aliança do Noé. Apagam-se as luzes e se lê a seguinte explicação apoiada no livro do Êxodo:

Moisés foi escolhido por Deus para libertar a seu povo da escravidão no Egito. Este é um símbolo da libertação do pecado pela vinda de Jesus ao mundo. Mais adiante, Deus dá os dez mandamentos a Moisés no monte Sinai, com os quais nos mostra o caminho para a salvação e se abre uma luz na vida dos homens.

Vela:
acende-se a terceira vela, que representa ao amor de Jesus pelos homens.

Oração:
Pedimos Senhor nos ajude a cumprir
com seus mandamentos para poder nos aproximar
de Ti durante toda nossa vida.

Reflexão:
Fazer algumas pergunta relacionadas com a leitura anterior:
Na família: como estamos cumprindo os mandamentos de Deus? Que mandamento está custando mais trabalho para cumprir?

Propósitos:
depois da reflexão anterior, cada membro da família pode compartilhar quais são seus propósitos para melhorar esta semana.

Para terminar:
Damos graças Senhor por nos deixar um caminho
a seguir com seus mandamentos
e pedimos que nos ajude a cumpri-los
para preparar nosso coração para sua vinda. Amém.

Cantar:

VEM, SENHOR, VEM NOS SALVAR

VEM, SENHOR, VEM NOS SALVAR,
VEM SEM DEMORA RECONCILIAR.

1. Senhor vem salvar teu Povo das trevas, da escuridão;
só Tu és nossa esperança que traz reconciliação.

2. Contigo o deserto é fértil, a terra se abre em flor;
da rocha brota água viva, da Virgem nasce o amor.

3. Deus marcha à nossa frente, é força, caminho e luz;
nós, junto à Virgem Santa, queremos ver a Jesus.

 

Quarto Domingo de Advento
A Anunciação

Para começar:
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Acendem-se as três velas dos domingos anteriores recordando como se foi fazendo a luz para os homens na promessa de salvação, na aliança com o Noé e a aliança com o Moisés. Apagam-se as luzes e se lê a seguinte explicação apoiada na passagem da anunciação de São Lucas 1, 26-38:
Com a mensagem que o anjo leva a Maria se faz realidade a promessa de salvação aos homens. Graças a seu “sim” puderam levar acontecer os planos de Deus para o mundo.

Vela:
acende-se a quarta vela que representa a chegada de Cristo aos corações.

Oração:
Senhor, pedimos que nos ajude a estar
sempre dispostos a dar um “sim”
ao que nos peça em nossas vidas.

Reflexão:
Fazer algumas pergunta relacionadas com a leitura anterior:
Como cumprimos com o que Deus nos manda em nossas vidas? Que tanto aceitamos a vontade de Deus em nossas vidas?
Estamos dispostos a dar um sim ao que Deus nos peça?

Propósitos:
depois da reflexão anterior, cada membro da família pode dizer quais são seus propósitos para melhorar na semana.

Para terminar:
Damos graças, Senhor, por ter enviado
seu Filho a nos salvar e
por nos dar uma Mãe no Céu.
Amém.

Cantar: A OBRA DA RECONCILIAÇÃO

1. Quando chegou a plenitude dos tempos,
Deus enviou o Seu Filho ao mundo,
nascido de Maria, a Mulher.
Com seu “Sim” generoso, Santa Maria,
a humanidade inteira acolhia
a obra da Reconciliação.

EIS QUE ACABAM-SE AS TREVAS, BRILHA A LUZ,
VEM SENHOR JESUS, CHEGA AO FIM A ESPERA,
LIVRA TEU POVO DA ESCURIDÃO.
ENTÃO SE CUMPRE O QUE NOS FOI PROMETIDO
POR SEU AMOR, QUE É INFINITO,
NOS VEIO HOJE A SALVAÇÃO.

2. A promessa nos feita já foi cumprida,
o homem não está mais sozinho,
veio ao mundo a fonte da Vida.
Como Santa Maria, o “Sim” vou dizer,
para que nessa Noite grandiosa,
em meu coração Cristo possa nascer.

B) Celebração da Coroa de Advento analisando a presença do Jesus Cristo e seus ensinamentos na vida familiar.

Primeiro Domingo de Advento
O amor familiar.

Para começar:
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Apagam-se as luzes e se lê o texto da 1a carta de São João:
amemo-nos uns aos outros, já que o amor é de Deus. E tudo o que ama nasceu que Deus e conhece deus. Nisto se manifestou o amor que Deus nos tem: em que Deus enviou a seu Filho único. A Deus ninguém o viu nunca, mas se nos amamos os uns aos outros, Deus permanece em nós.

-Esta é palavra de Deus.
-Glória a Vós Senhor.

Oração:
Que esta coroa nos ajude a preparar os corações de cada membro desta família para sua chegada no dia de Natal.

Vela:
Acender a primeira vela recordando que significa penitência, conversão de coração.

Para refletir:
Fazer a seguinte pergunta: Como amamos este ano em nossa família? O que deseje responder em alto, pode fazê-lo.

Propósitos:
Depois da reflexão anterior, cada membro da família dirá quais serão seus propósitos para melhorar e fará um compromisso para cumpri-los durante a semana.

Oração:
Deus Pai, obrigado por nos dar uma família. Pedimos que, agora que começa o advento, em nossa família possamos demonstrar o amor que temos e vivamos cada dia mais unidos. Pedimos que encha nosso lar de seu amor divino. Pedimos isso por Jesus Cristo nosso Senhor. Amém.

Para terminar:
Todos os membros da família dão as mãos e rezam juntos Pai Nosso. Acendem-se as luzes e se canta uma canção.

Para cantar: VEM, SENHOR, VEM NOS SALVAR

VEM, SENHOR, VEM NOS SALVAR,
VEM SEM DEMORA RECONCILIAR.

1. Senhor vem salvar teu Povo das trevas, da escuridão;
só Tu és nossa esperança que traz reconciliação.

2. Contigo o deserto é fértil, a terra se abre em flor;
da rocha brota água viva, da Virgem nasce o amor.

3. Deus marcha à nossa frente, é força, caminho e luz;
nós, junto à Virgem Santa, queremos ver a Jesus.

Segundo domingo de advento
O serviço na família.

Para começar: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Acende-se a vela do domingo anterior, apagam-se as luzes e se lê o Evangelho de são Marcos 10, 43.45:
Não tem que ser assim entre vós; antes, se algum de vós quer ser grande, seja seu servidor; e o que de vós queira ser o primeiro, seja servo de todos, pois tampouco o Filho do homem veio para ser servido, mas sim para servir e dar sua vida em resgate por muitos.
-Palavra de Deus.
-Glória a Vós, Senhor.

Vela:
acende-se a segunda vela de Advento.

Para refletir:
Aguardar alguns minutos em silêncio e fazer a seguinte pergunta: Em nosso lar como nos ajudamos uns aos outros diariamente? Cada membro da família, se o desejar, pode responder em voz alta a pergunta.

Propósitos:
depois da reflexão anterior, cada um dirá qual será seu propósito a ser cumprido na semana.

Para orar:
Pai, que nos deste uma família em que todos nos ajudamos e somos felizes, pedimos que abençoe nossos trabalhos e tarefas de todos os dias para que cumpramos com mais vontade e alegria a tarefa que nos toca realizar cada um dos membros desta família em nosso lar. Amém.

Para terminar:
Todos os membros da família dão as mãos e rezam juntos um Pai Nosso. Acendem-se as luzes e se canta uma canção.

Para cantar:
Cantar a canção

EIS AQUI QUE VENHO LOGO

1. Eis aqui que venho logo e comigo a recompensa,
para dar a cada um segundo as obras.
Eu sou o alfa e o omega, o primeiro e o último,
o primeiro e o último, o princípio e o fim.

BEM-AVENTURADOS OS QUE LAVAM SUAS TÚNICAS
PARA TER O DIREITO A ARVORE DA VIDA. (2x)

2. Eu sou a raiz e a linhagem de Davi,
Estrela da alvorada.

Terceiro domingo de advento
Ser melhor em família.

Para começar:
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Acendem-se as duas velas dos domingos anteriores, apagam-se as luzes e se lê a leitura do Evangelho segundo São Mateus 5, 13-16:

Vós sois o sal da terra; mas se o sal se desvirtua, com o que a salgará? Para nada aproveita, a não ser para atirá-la e que a pisem os homens.
Vós sois a luz do mundo. Não pode ocultar uma cidade assentada sobre um monte, nem se acende uma vela e a esconde, mas sim sobre o castiçal, para que ilumine a quantos estejam na casa. Assim tem que brilhar sua luz ante os homens, para que, vendo nossas boas obras, glorifiquem a seu Pai, que está nos céus.

-Esta é palavra de Deus.
-Gloria a Vós, Senhor.

Vela:
acende-se a terceira vela de Advento.

Para refletir:
depois da leitura anterior, guardam-se uns minutos em silêncio e se faz a seguinte pergunta: o que faço eu para que minha família seja melhor? Cada membro da família pode responder em voz alta se deseja.

Propósitos:
Cada membro da família pode dizer qual é seu propósito durante a semana e se comprometerá em cumpri-lo.

Para orar:
Pai, em nossa família crescemos e aprendemos a sermos melhores, pedimos hoje que nos ajude a ser uma família cristã e ser um bom exemplo para os que nos rodeiam, Pedimos forças para melhorar ou trocar o que for necessário de nós para que nossa família seja melhor cada dia. Amém.

Para terminar:
Todos os membros da família dão as mãos e rezam juntos Pai Nosso. Acendem-se as luzes e se canta uma canção.

Para cantar: VEM LOGO, SENHOR

1. Ó pastor da casa de Israel,
traz a teu Povo a almejada Salvação.
Verbo Eterno da boca de Deus Pai,
foste anunciado por lábios de profetas.

VEM LOGO, SENHOR, VEM Ó SALVADOR! (2x)
VEM SENHOR JESUS, VEM LIBERTADOR.
CÉUS, CHOVEI VOSSA JUSTIÇA,
ABRE-TE TERRA E FAZ SURGIR O SALVADOR! (2x)

2. É o brado dos povos que se eleva,
Filho de Davi as nações te esperam.
Nós queremos a vinda de teu Reino,
vem nos libertar do pecado e da miséria.

3. Emanuel, Salvador das nações,
Tu és esperança do povo peregrino.
Sol nascente, esplendor és da justiça,
Tu nos salvarás com teu braço poderoso.

4. Esperança de uma Santa Virgem.
Vê aquela jovem que logo será Mãe:
silenciosa espera o Salvador,
vem aí a hora da Reconciliação.

Quarto domingo de advento
A presença de Deus em nossa família

Para começar:
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Acendem-se as três velas dos domingos anteriores e se lê a leitura do Evangelho segundo São Mateus 7, 24-25:
Aquele, pois, que escuta minhas palavras e as põe por obra, será o varão prudente, que edifica sua casa sobre rocha. Caiu a chuva, vieram as correntes, sopraram os ventos e deram sobre a casa; mas não caiu, porque estava fundada sobre rocha.
-Esta é palavra de Deus.
-Glorifica a Ti Senhor Jesus.

Vela:
Acender a última vela do Advento.

Para refletir:
Guardar uns minutos em silêncio e fazer a seguinte pergunta: De que maneira se manifestou a presença de Deus em nossa família durante o ano? Deixamos atuar ou lhe estorvamos? Cada um poderá responder se deseja.

Propósitos:
depois da leitura anterior, cada um dos membros da família, dirá qual é seu propósito para a semana e se comprometerá a cumpri-lo.

Para orar:
Pai, que nos deste uma família na qual lhe conhecemos e amamos, nos ajude a viver tendo-o sempre presente em nossas vidas. Pedimos que neste Natal nos dê de presente o ficar conosco em nossos corações e sentir que vive em nosso lar, em nossas famílias. Amém.

Para terminar:
Todos os membros da família dão as mãos para rezar juntos um Pai Nosso. Acendem-se as luzes e se canta uma canção.

Para cantar: VEM SENHOR QUE TE ESPERAMOS

1. Quando o mundo dormia entre as trevas,
por Teu amor quiseste ajudá-lo.
E trouxeste  vindo a esta terra
essa vida que pode salvá-lo.
Amadurece a história em promessas
e os homens esperam teu regresso.
No silêncio prepara-se a espera,
mas o amor não suporta o silêncio.

VEM SENHOR QUE TE ESPERAMOS
ACOLHE NOSSA ORAÇÃO.
VEM E ESCUTA NOSSO CANTO
QUE ESPERA JESUS LIBERTADOR.

2. Com Maria a Igreja te aguarda
com anseio de Esposa e de Mãe,
e reúne seus filhos fiéis
para juntos então esperarmos.
Quando vieres, Senhor, em tua glória,
que possamos sair a teu encontro,
e a teu lado vivamos para sempre,
dando graças ao Pai em seu Reino.


“PROCURANDO POUSADA PARA SANTA MARIA E SÃO JOSÉ”

«Aconteceu que por aqueles dias saiu um decreto do César Augusto ordenando que se recenseasse todo mundo. Este primeiro recenseamento teve lugar sendo governador de Síria Cirino. Foram todos se recensear, cada um a sua cidade. Subiu também José desde a Galiléia, da cidade do Nazaré, a Judéia, à cidade de David, que se chama Belém, por ser ele da casa e família de David, para recensear-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. E aconteceu que, enquanto eles estavam ali, cumpriram-se os dias de gestação, e deu a luz a seu filho primogênito, envolveu-lhe em panos e lhe deitou em um presépio, porque não tinham lugar no alojamento.» (Lc 2,1-7)

Sentido da liturgia

Esta liturgia rememora o momento em que Santa Maria e São José buscavam um lugar onde se alojar, pois tinha chegado a hora do parto. Nos momentos prévios ao Natal, a dinâmica da dor-alegria se faz particularmente presente nos pais de Jesus: dor por não achar pousada para receber embora seja com humano decoro ao Senhor dos senhores, e a alegria da hora próxima do Natal.

Trata-se, pois, de tomar consciência deste dinamismo presente na espera e no mistério do Natal e de vivê-lo em comunhão com Maria e com o José nestes dias prévios ao nascimento do Senhor Jesus e, deste modo, nos preparar para acolher ativamente a Palavra reconciliadora.

Materiais:

· Uma imagem da Santa Maria

· Uma imagem de São José

· Uma bíblia

· Algumas velas

· Lugar apropriado para colocar as imagens e as velas

· Textos desta liturgia

Indicações:

1. Esta liturgia se realiza na casa de uma família, qualquer dia próximo ao Natal.

2. Participam duas ou mais famílias: a(s) que pede(n) alojamento e a(s) que recebe(n) a Maria e José.

3. Preferentemente o pai e a mãe da família visitante levarão as imagens. Outros membros da família levarão cada um uma vela.

4. A família que vai alojar José e Maria em seu lar deve ter o lugar preparado onde porão as imagens, e os filhos terão velas apagadas que em seguida porão ao pé do nascimento.

5. A distribuição de diálogos deve fazer-se previamente.

6. É recomendável que a casa onde se realiza a liturgia tenha pouca iluminação.

Liturgia:

(Na porta da casa. Os filhos da família visitante levam velas acesas).

TODOS: O Pai, o Filho e o Espírito Santo sejam glorificados em todo tempo e lugar pela Imaculada Virgem Maria. Que assim seja. Amém.

MONITOR: Já está próxima a noite em que celebraremos o nascimento do Reconciliador. Queremos nos preparar para poder receber em nossos corações o Senhor Jesus. Iniciemos esta liturgia cantando: “Vem logo, Senhor” (ou outro canto apropriado).

VEM LOGO, SENHOR

1. Ó pastor da casa de Israel,
traz a teu Povo a almejada Salvação.
Verbo Eterno da boca de Deus Pai,
foste anunciado por lábios de profetas.

VEM LOGO, SENHOR, VEM Ó SALVADOR! (2x)
VEM SENHOR JESUS, VEM LIBERTADOR.
CÉUS, CHOVEI VOSSA JUSTIÇA,
ABRE-TE TERRA E FAZ SURGIR O SALVADOR! (2x)

2. É o brado dos povos que se eleva,
Filho de Davi as nações te esperam.
Nós queremos a vinda de teu Reino,
vem nos libertar do pecado e da miséria.

3. Emanuel, Salvador das nações,
Tu és esperança do povo peregrino.
Sol nascente, esplendor és da justiça,
Tu nos salvarás com teu braço poderoso.

4. Esperança de uma Santa Virgem.
Vê aquela jovem que logo será Mãe:
silenciosa espera o Salvador,
vem aí a hora da Reconciliação.

FAMÍLIA VISITANTE: Devemos pedir pousada para a que vai ser Mãe do Salvador e Reconciliador e para seu fiel marido José. Deus os premiará e os encherá de inumeráveis bênções.

FAMÍLIA QUE ACOLHE: Entrem bons peregrinos e recebam abrigo, não só nesta morada, mas também sobre tudo, em nosso coração.

FAMÍLIA VISITANTE: Recebam São José em seu lar e que ele os acompanhe neste tempo de espera e para sempre.

(O pai entrega a imagem de São José)

FAMÍLIA QUE ACOLHE: Acolhemos a São José em nosso lar e em nossos corações e nos comprometemos a viver de maneira especial neste tempo de advento a humildade, a paciência e a docilidade frente aos planos de Deus igual a ele.

FAMÍLIA VISITANTE:  Recebam a Santa Maria em sua casa, que Ela seja modelo de espera confiada e gozosa  e os cubra com seu manto protetor.

(A mãe entrega a imagem de Santa Maria)

FAMÍLIA QUE ACOLHE: Com o coração cheio de alegria por ter à Mãe do Salvador em nossa casa, nos comprometemos a nos preparar fervorosamente para a vinda do menino Jesus.

(Entram na casa e põem as imagens no lugar previamente preparado)

LEITURA (Jo 1, 9 – 12)

Leitura tirada do evangelho segundo São João:

“A Palavra era a luz verdadeira que ilumina a todo homem que vem a este mundo. No mundo estava e o mundo foi feito por ela, e o mundo não a conheceu. Veio a sua casa, e os seus não a receberam”.

(Breve momento de silêncio meditativo)

FAMÍLIA QUE ACOLHE: Sabendo que o Senhor Jesus é a Luz do mundo, mas que muitos não quiseram recebê-la, vocês filhos…, vão acender suas velas em sinal de que todos nós sim queremos acolher a luz que nos traz o Senhor.

(Os membros da família que acolhe, acompanhados do diálogo seguinte, acendem suas velas dos membros da família visitante)

MEMBRO DE FAMÍLIA VISITANTE: Toma esta luz, a luz do Natal que é Cristo. Deixa que ela afaste o frio e o medo de seu coração e te outorgue o ardor do amor.

MEMBRO DA FAMÍLIA QUE ACOLHE: Que a luz de Cristo brilhe em nosso coração e nos ajude a viver a fé, a esperança e o amor em nossas famílias.

MONITOR: Podemos elevar a Deus nossas intenções e súplicas.

(Podem-se fazer pedidos pela Igreja, pelo Santo Padre, pelo mundo, pelos mais pobres e necessitados, pelas famílias presente e por todas as famílias do mundo, por intenções particulares…)

MONITOR: Como comunidade de cristãos que somos, rezemos juntos a oração do Pai Nosso.

(Também se pode rezar o Ave Maria ou outra oração apropriada).

MONITOR: Terminemos esta liturgia cantando

(ou outra canção apropriada)

VEM SENHOR QUE TE ESPERAMOS

1. Quando o mundo dormia entre as trevas,
por Teu amor quiseste ajudá-lo.
E trouxeste vindo a esta terra
essa vida que pode salvá-lo.
Amadurece a história em promessas
e os homens esperam teu regresso.
No silêncio prepara-se a espera,
mas o amor não suporta o silêncio.

VEM SENHOR QUE TE ESPERAMOS
ACOLHE NOSSA ORAÇÃO.
VEM E ESCUTA NOSSO CANTO
QUE ESPERA JESUS LIBERTADOR.

2. Com Maria a Igreja te aguarda
com anseio de Esposa e de Mãe,
e reúne seus filhos fiéis
para juntos então esperarmos.
Quando vieres, Senhor, em tua glória,
que possamos sair a teu encontro,
e a teu lado vivamos para sempre,
dando graças ao Pai em seu Reino.

TODOS: O Pai, o Filho e o Espírito Santo sejam glorificados em todo tempo e lugar pela Imaculada Virgem Maria. Que assim seja. Amém


Teologia e Espiritualidade do Advento

À luz da liturgia da Igreja e de seus conteúdos podemos resumir algumas linhas do pensamento teológico e da vivência existencial deste tempo de graça.

1. Advento, tempo de Cristo: a dupla vinda

A teologia litúrgica do Advento se encaminha, nas duas linhas enunciadas pelo Calendário romano: a espera da Parusia, revivida com os textos messiânicos escatológicos do AT e a perspectiva de Natal que renova a memória de algumas destas promessas, já cumpridas, ainda que não definitivamente.

O tema da espera é vivido na Igreja com a mesma oração que ressoava na assembléia cristã primitiva: o Marana-tha (Vem Senhor) ou Maran-athá (o Senhor vem) dos textos de Paulo (1 Cor 16,22) e do Apocalipse (Ap 22,20), que se encontra também na Didaché e, hoje, em uma das aclamações da oração eucarística. Todo o Advento ressoa como um “Marana-thá” nas diferentes modulações que esta oração adquire nas preces da Igreja.

A palavra do Antigo Testamento convida a repetir na vida a espera dos justos que aguardavam o Messias; a certeza da vinda de Cristo na carne estimula a renovar a espera da última aparição gloriosa na qual as promessas messiânicas terão total cumprimento já que até hoje se cumpriram só parcialmente. O primeiro prefácio de Advento canta esplendidamente esta complexa, mas verdadeira realidade da vida cristã.

O tema da espera do Messias e a comemoração da preparação para este acontecimento salvífico atinge o auge nos dias que precedem o Natal. A Igreja se sente submersa na leitura profética dos oráculos messiânicos. Lembra-se de nossos Pais na Fé, patrísticos e profetas, escuta Isaías, recorda o pequeno núcleo dos anawim de Yahvé que está ali para esperá-lo: Zacarias, Isabel, João, José, Maria.

O Advento é, pois, como uma intensa e concreta celebração da longa espera na história da salvação, como o descobrimento do mistério de Cristo presente em cada página do AT, do Gênesis até os últimos livros Sapienciais. é viver a história passada voltada e orientada para o Cristo escondido no AT que sugere a leitura de nossa história como uma presença e uma espera de Cristo que vem.

Hoje na Igreja, Advento é como um redescobrir a centralidade de Cristo na história da salvação. Recordam-se seus títulos messiânicos através das leituras bíblicas e das antífonas: Messias, Libertador, Salvador, Esperado das nações, Anunciado pelos profetas… Em seus títulos e funções Cristo, revelado pelo Pai, se converte no personagem central, a chave do arco de uma história, da história da salvação.

2. Advento tempo por excelência de Maria, a Virgem da espera

É o tempo mariano por excelência do Ano litúrgico. Paulo VI expressa isso com toda autoridade na Marialis Cultus, nn. 3-4.

Historicamente a memória de Maria na liturgia surgiu com a leitura do Evangelho da Anunciação antes do Natal naquele que, com razão, foi chamado o domingo mariano prenatalício.

Hoje o Advento recupera plenamente este sentido com uma serie de elementos marianos da liturgia, que podemos sintetizar da seguinte maneira:

– Desde os primeiros dias do Advento há elementos que recordam a espera e a acolhida do mistério de Cristo por parte da Virgem de Nazaré.

– a solenidade da Imaculada Conceição se celebra como “preparação radical à vinda do Salvador e feliz principio da Igreja sem mancha nem ruga (“Marialis Cultus 3).

– dos dias 17 a 24 o protagonismo litúrgico da Virgem é muito característico nas leituras bíblicas, no terceiro prefácio de Advento que recorda a espera da Mãe, em algumas orações, como a do dia 20 de dezembro que nos traz um antigo texto do Rótulo de Ravena ou na oração sobre as oferendas do IV domingo que é uma epíclesis significativa que une o mistério eucarístico com o mistério de Natal em um paralelismo entre Maria e a Igreja na obra do único Espírito.

Em uma formosa síntese de títulos. I. Calabuig apresenta nestas pinceladas a figura da Virgem do Advento:

– é a “Cheia de graça”, a “bendita entre as mulheres”, a “Virgem”, a “Esposa de Jesus”, a “serva do Senhor”.

– é a mulher nova, a nova Eva que restabelece e recapitula no desígnio de Deus pela obediência da fé o mistério da salvação.

– é a Filha de Sião, a que representa o Antigo e o Novo Israel.

– é a Virgem do Fiat, a Virgem fecunda. É a Virgem da escuta e acolhe.

Em sua exemplaridade para a Igreja, Maria é plenamente a Virgem do Advento na dupla dimensão que a liturgia tem sempre em sua memória: presença e exemplaridade. Presença litúrgica na palavra e na oração, para uma memória grata dAquela que transformou a espera em presença, a promessa em dom. Memória de exemplaridade para uma Igreja que quer viver como Maria a nova presença de Cristo, com o Advento e o Natal no mundo de hoje.

Na feliz subordinação de Maria a Cristo e na necessária união com o mistério da Igreja, Advento é o tempo da Filha de Sião, Virgem da espera que no “Fiat” antecipa o Marana thá da Esposa; como Mãe do Verbo Encarnado, humanidade cúmplice de Deus, tornou possível seu ingresso definitivo, no mundo e na história do homem.

3. Advento, tempo da Igreja missionária e peregrina

A liturgia com seu realismo e seus conteúdos põe a Igreja em um tempo de características e expressões espirituais: a espera, a esperança, a oração pela salvação universal.

Preparando-nos para a festa de Natal, nós pensamos nos justos do AT que esperaram a primeira vinda do Messias. Lemos os oráculos de seus profetas, cantamos seus salmos e recitamos suas orações. Mas nós não fazemos isto pondo-nos em seu lugar como se o Messias ainda não tivesse vindo, mas para apreciar melhor o dom da salvação que nos trouxe. O Advento para nós é um tempo real. Podemos recitar com toda verdade a oração dos justos do AT e esperar o cumprimento das profecias porque estas ainda não se realizaram plenamente; se cumprirão com a segunda vinda do Senhor. Devemos esperar e preparar esta última vinda.

No realismo do Advento podemos recolher algumas atualizações que oferecem realismo à oração litúrgica e à participação da comunidade:

– a Igreja ora por um Advento pleno e definitivo, por uma vinda de Cristo para todos os povos da terra que ainda não conheceram o Messias ou não reconhecem ainda ao único Salvador.

– a Igreja recupera no Advento sua missão de anúncio do Messias a todas as gentes e a consciência de ser “reserva de esperança” para toda a humanidade, com a afirmação de que a salvação definitiva do mundo deve vir de Cristo com sua definitiva presença escatológica.

– Em um mundo marcado por guerras e contrastes, as experiências do povo de Israel e as esperas messiânicas, as imagens utópicas da paz e da concórdia, se tornam reais na história da Igreja de hoje que possui a atual “profecia” do Messias Libertador.

– na renovada consciência de que Deus não desdiz suas promessas -confirma-o o Natal!- a Igreja através do Advento renova sua missão escatológica para o mundo, exercita sua esperança, projeta a todos os homens um futuro messiânico do qual o Natal é primícia e confirmação preciosa.

À luz do mistério de Maria, a Virgem do Advento, a Igreja vive neste tempo litúrgico a experiência de ser agora “como uma Maria histórica” que possui e dá aos homens a presença e a graça do Salvador.

A espiritualidade do Advento resulta assim uma espiritualidade comprometida, um esforço feito pela comunidade para recuperar a consciência de ser Igreja para o mundo, reserva de esperança e de gozo. Mais ainda, de ser Igreja para Cristo, Esposa vigilante na oração e exultante no louvor do Senhor que vem.


Personagens do Advento

1.-A FIGURA DA ESPERA: ISAÍAS

A escolha das leituras do Advento tem nos colocado em frequente contato com Isaías.
Convém refletir um pouco sobre sua personalidade. Os textos evangélicos não dizem nada da personalidade do profeta Isaías, mas o citam. Podemos até mesmo dizer que, frequentemente, pode-se advinhá-lo presente no pensamento e até nas palavras de Cristo.

É o profeta por excelência do tempo da espera; está espantosamente perto, é entre os nossos, de hoje. Está presente por seu desejo de libertação, desejo do absoluto de Deus; o é na lógica bravura de toda sua vida que é luta e combate; o é até em sua arte literária, na qual nosso século volta a encontrar seu gosto pela imagem desnuda mas forte até a crueza.

É um desses violentos aos quais o Reino é prometido por Cristo.

Tudo deve ceder perante este visionário, emocionado pelo esplendor futuro do Reino de Deus inaugurado com a vinda de um Príncipe de paz e justiça. Encontramos em Isaías esse poder tranqüilo e inquebrantable do que está possuído pelo Espírito que anuncia, sem outra alternativa e como que pesando as coisas que diz o Senhor.

O profeta não é conhecido por outra coisa além de suas obras, mas estas são tão características que através delas podemos adivinhar e amar sua pessoa. Surpreendente proximidade desta grande figura do século VIII antes de Cristo, que sentimos no meio de nós, cotidianamente, dominando-nos desde sua altura espiritual.

Isaías viveu em uma época de esplendor e prosperidade. Rara vez os reinos de Judá e Samaria haviam conhecido tal otimismo e sua posição política lhes permite sonhos ambiciosos. Sua religiosidade atribui a Deus a fortuna política e a religião espera dele novos sucessos. Em meio deste frágil paraíso, Isaías vai erguer-se valorosamente e cumprir sua missao: mostrar a seu povo a ruína que o espera por sua negligência.Pertencente sem dúvida à aristocracia de Jerusalém, alimentado pela literatura de seus predecessores, principalmente Amós e Oséias, Isaías prevê como eles, inspirado por seu Deus, o que será a história de seu país. Superando a situação presente na qual se misturam covardias e compromissos, vê o castigo futuro que direcionará os caminhos tortuosos.Lodts escreve dos profetas: “Achando até mesmo reclamar uma volta atrás, exigiam um salto adiante. Estes reacionários eram, ao mesmo tempo, revolucionários”. Assim as coisas, Isaías foi arrebatado pelo Senhor “no ano da morte do rei Ozias”, por volta do ano 740, quando estava no templo, com os lábios purificados por uma brasa trazida por um serafim (Is 6, 113). A partir deste momento, Isaías já não se pertence. Não porque seja um simples instrumento passivo nas mãos de Yahvé; ao contrário, todo seu dinamismo vai ser colocado a serviço de seu Deus, convertendo-se em seu mensageiro. Mensageiro terrível que anuncia o despojo de Israel ao que só lhe restará um pequeno sopro de vida. O início da obra de Isaías, que originará a lenda do boi e do asno no presépio, marcam seu pensamento e seu papel. Yahvé é todo para Israel, mas Israel, mais estúpido que o boi que conhece seu dono, ignora seu Deus (Is 1, 2-3).

A Donzela dará à luz

Mas Isaías não se isolará no papel de pregador moralizante. E assim se torna para sempre o grande anunciador da Parusia, da vinda de Yahvé. Assim com Amós tinha se levantado contra a sede de dominação que avivava a brilhante situação de Judá e Samaria no século VIII, Isaías prediz os cataclismas que se desencadearão no dia de Yahvé (Is 2, 1-17). Esse dia será para Israel o dia do juízo.
Para Isaías, como mais tarde para São Paulo e São João, a vinda do Senhor traz consigo o triunfo da justiça. Por outro lado, os capítulos 7 al 11 vão nos descrever o Príncipe que governará na paz e na justiça (ls 7, 10-17).
É fundamental familiarizar-se com o duplo sentido do texto. Áquele que não entrar na realidade ambivalente que este comunica, será totalmente impossível compreender a Escritura, inclusive certas passagens do Evangelho, e viver plenamente a liturgia.
Com efeito, no evangelho do primeiro domingo de Advento sobre o fim do mundo e a Parusia, os dois significados do Advento deixam constância desse fenômeno propriamente bíblico no qual uma dupla realidade se significa por um mesmo e único acontecimento. O reino de Judá vai passar pela devastação e a ruína.
O nascimento de Emanuel, “Deus conosco”, reconfortará um reino dividido pelo cisma de dez tribos. O anúncio deste nascimento promete, pois, aos contemporâneos de Isaías e aos ouvinte de seu oráculo, a sobrevivência do reino, apesar do cisma e da devastação. Príncipe e profeta, esse menino salvará por si mesmo seu país.

A Idade de Ouro

Mas, por outro lado, a apresentação literária do oráculo e o modo como Isaías insiste no caráter libertador deste menino, cujo nascimento e juventude são dramáticos, fazem pressentir que o profeta vê neste menino a salvação do mundo. Isaías destaca em suas profecias ulteriores os traços característicos do Messias. Aqui se contenta em indicá-los e reserva para mais tarde tratá-los um a um e modelá-los. O profeta descreve deste modo a este rei justo: (Is. 11, 1-9).

Ezequias vai subir ao trono e este poema é escrito para ele. Mas, como um homem frágil pode reunir em si tão eminentes qualidades? Não vislumbra Isaías o Messias através de Ezequias?
A Igreja o entende assim e lê esta passagem, sobre a chegada do justo, no segundo domingo de Advento. No capítulo segundo de sua obra, vimos Isaías anunciando uma Parusia que ao mesmo tempo será um juízo. No capítulo 13, descreve a queda da Babilônia tomada por Ciro. E novamente, nos convida a superar este acontecimento histórico para ver a vinda de Yahvé em seu “dia”. A descrição dos cataclismas que se produzirão será tomada por Joel e voltaremos a encontrá-las no Apocalipse (Is 13, 9-ll).
Esta vinda de Yahvé esmagará àquele que quis igualar-se a Deus. O Apocalipse de João recorrerá a imagens parecidas para descrever a derrota do diabo (cap. 14).

Nos maitines do 4.° domingo de Advento, voltamos a encontrá-lo no momento em que descreve o advento de Yahvé: “A terra abrasada se tornará fresca, e o país árido em manancial de águas” (35, 7). É reconhecido o tema da maldição da criação no Gênesis. Mas Yahvé volta para reconstruir o mundo. Ao mesmo tempo, Isaías profetiza a ação curativa de Jesus que anuncia o Reino: “Os cegos vêem, os coxos andam”, sinal que João Batista toma deste poema de Isaías (35, 5-6).

Poderíamos sintetizar toda a obra do profeta reduzindo-a a dois objetivos:

· O primeiro, chegar à situação presente, histórica, e remediá-la lutando.
· O segundo, descrever um futuro messiânico mais distante, uma restauração do mundo.

Assim vemos Isaías como um enviado de seu Deus a quem viu cara a cara. O profeta não cessa de falar dele em cada linha de sua obra. E, contudo, em suas descrições se distingue por mostrar como Yahvé é o Santo e, portanto, o impenetrável, o separado, Aquele que não se deixa conhecer. Ou, melhor, o conhecer por suas obras que, antes de mais nada, é a justiça. Para restabelecê-la, Yahvé intervém continuamente na marcha do mundo.

2.-A FIGURA DA PREPARAÇÃO: JOÃO BATISTA

Isaías está presente em João Batista, como João Batista está presente naquele a quem preparou o caminho e que dirá dele: “Não surgiu entre os nascidos de mulher outro maior que João Batista”.

São Lucas nos conta com detalhe o anúncio do nascimento de João (Lc 1, 5-25).

Esta estranha entrada em cena de um ser que se tornará um dos mais importantees da realização dos planos divinos é muito do estilo do Antigo Testamento. Todos os seres vivos deviam ser destruídos pelo dilúvio, mas Noé e os seus foram salvos na arca. Isaac nasce de Sara, já em idade avançada para dar à luz. Davi, jovem e sem técnica de combate, derruba Golias.

Moisés, futuro guia do povo de Israel, é encontrado em uma cesta (designada em hebraico com a mesma palavra que arca) e salvo da morte. Desta maneira, Deus quer destacar que Ele mesmo toma a iniciativa da salvação de seu povo.

O anúncio do nascimento de João é solene. Realiza-se no marco litúrgico do templo.
Desde a designação do nome do menino, “João”, que significa “Yahvé é favorável”, tudo é concreta preparação divina do instrumento que o Senhor elegeu.
Sua chegada não passará despercebida e muitos se alegrarão com seu nascimento (Lc 1, 14); abster-se-á de vinho e bebidas embriagantes, será um menino consagrado e, como prescreve o livro dos Números (6, 1), não beberá vinho nem licor fermentado. João já sinal de sua vocação de asceta. O Espírito habita nele desde o seio de sua mãe. A sua vocação de asceta une-se à guia de seu povo (Lc 1, 17).
Precederá o Messias, papel que Malaquias (3, 23) atribuia a Elias. Sua circuncisão, fato característica, mostra também a eleição divina: ninguém em sua parentela tem o nome de João (Lc 1, 61), mas o Senhor quer que seja chamado assim mudando os costumes. O Senhor é quem o escolheu, é ele quem dirige tudo e guia seu povo.

Benedictus Deus Israelei

O nascimento de João é motivo de um admirável poema que, por sua vez, é ação de graças e descrição do futuro papel do menino. A Igreja canta esta poema todos os dias no final das Laudes reavivando sua ação de graças pela salvação que Deus lhe deu e em reconhecimento porque João continua mostrando-lhe “o caminho da paz”.

João Batista é sinal da irrupção de Deus em seu povo. O Senhor o visita, o livra, realiza a aliança que havia prometido.
O papel do precursor é muito precioso: prepara os caminhos do Senhor (Is 40, 3), dá a seu povo o “conhecimento da salvação.Todo o afã especulativo e contemplativo de Israel é conhecer a salvação, as maravilhas do desígnio de Deus sobre seu povo. O conhecimento dessa salvação provoca nele a ação de graças, a benção, a proclamação dos benefícios de Deus que se expressa no “Bendito seja el Senhor, Deus de Israel”.

Esta é a forma tradicional de oração de ação de graças que admira os desígnios de Deus. Com estes mesmos termos o servidor de Abraão bendiz a Yahvé (Gn 24, 26). Assim também se expressa Jetró, sogro de Moisés, reagindo ao admirável relato do que Yahvé havia feito para livrar Israel dos egípcios (Ex 18, 10). A salvação é a remissão dos pecados, obra da misericordiosa ternura de nosso Deus (Lc 1, 77-78).
João deverá, pois, anunciar um batismo no Espírito para remissião dos pecados. Mas este batismo não terá apenas esse efeito. Será iluminação. A misericordiosa ternura de Deus enviará o Messias que, segundo duas passagens de Isaías (9, 1 e 42, 7), retomadas por Cristo (Jo 8, 12), “iluminará os que jazem entre as trevas e sombra da morte” (Lc 1, 79).O papel de João, “preparar o caminho do Senhor”. Ele o sabe e designa a si mesmo, referindo-se a Isaías (40, 3), como a voz que clama no deserto: “Preparai o caminho do Senhor”. Mais positivamente ainda, deverá mostrar àquele que está no meio dos homens, mas que estes não o conhecem (Jo 1, 26) e a quem chama, quando o vê chegar: “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1, 29).João corresponde e quer corresponder ao que foi dito e previsto sobre ele. Deve dar testemunho da presença do Messias. O modo de chamá-lo indica que o l Messias representa para ele: é o “Cordeiro de Deus”.
O Levítico, no capítulo 14, descreve a imolação do cordeiro em expiação pela impureza legal. Ao ler esta passagem, João, o evangelista, pensa no servidor de Yahvé, descrito por Isaías no capítulo 53, que carrega sobre si os pecados de Israel. João Batista, ao mostrar a Cristo a seus discípulos, o vê como a verdadeira Páscoa que supera a do Êxodo (12, 1) e da qual o universo obterá a salvação.Toda a grandeza de João Batista vem de sua humildade e ocultamento: “É preciso que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3, 30).

Todos verão a salvação de Deus

O sentido exato de seu papel, sua vontade de ocultamento, fizeram do Batista uma figura sempre atual através dos séculos. Não se pode falar dele sem falar de Cristo, mas a Igreja não lembra nunca a vinda de Cristo sem lembrar do Precursor. O Precursor não está unido apenas à vinda de Cristo, mas também à sua obra, que anuncia: a redenção do mundo e sua reconstrução até a Parusia. Todos os anos a Igreja nos faz atual o testemunho de João e de sua atitude frente a sua mensagem. Deste modo, João está sempre presente durante a liturgia de Advento. Na realidade, seu exemplo deve permanecer constantemente diante dos olho das Igreja. A Igreja, e cada um de nós nela, tem com missão preparar os caminhos do Senhor, anunciar a Boa Notícia. Mas recebê-la exige a conversão. Entrar em contato com Cristo supõe o desprendimento de si mesmo. Sem esta ascese, Cristo pode estar no meio de nós sem ser reconhecido (Jo l, 26).

Como João, a Igreja e seus fiéis têm o dever que não cobrir a luz, mas de dar testemunho dela (Jo 1, 7). A esposa, a Igreja, deve ceder o posto ao Esposo. Ela é testemunho e deve ocultar-se diante daquele a quem testemunha. Papel difícil o estar presente no mundo, firmemente presente até o martírio. como João, sem impulsionar uma “instituição” em vez de impulsionar a pessoa de Cristo. Papel missionário sempre difícil o de anunciar a Boa Notícia e não uma raça, uma civilização, uma cultura ou um país: “É preciso que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3, 30). Anunciar a Boa Notícia e não uma determinada espiritualidade, uma determinada ordem religiosa, uma determinada ação católica especializada; como João, mostrar a seus próprios discípulos onde está para eles o “Cordeiro de Deus” e não cercá-los como se fôssemos nós a luz que vai iluminá-los.Esta deve ser uma lição sem presente e necessária, bem como a da ascese do deserto e a do recolhimento no amor para dar melhor testemunho.

A eloquência do silêncio no deserto é fundamental a todo verdadeiro e eficaz anúncio da Boa Notícia. Origens escreve em seu comentário sobre São Lucas (Lc 4): Quanto a mim, penso que o mistério de João realiza-se no mundo ainda hoje”. A Igreja, na realidade, continua o papel do Precursor; nos mostra Cristo, nos encaminha à vinda do Senhor.Durante o Advento, a grande figura do Batista apresenta-se viva para nós, homens do século XX, a caminho do dia de Cristo. O próprio Cristo, retomando o texto de Malaquias (3,1), fala-nos de João como “mensageiro” (4); João designa a si mesmo como tal. São Lucas descreve João como um pregador que chama à conversão absoluta e exige a renovação: “Que os vales se levantem, que montes e colinas se abaixem, que o torcido se endireite, e o escabroso se iguale. Será revelada a glória do Senhor e todos os homens a verão juntos”. Assim se expressava Isaías (40, 5-6) em um poema tomado por Lucas para mostrar a obra de João. Trata-se de uma renovação, de uma mudança, de uma conversão que reside, sobre tudo, em um esforço para voltar à caridade, ao amor aos demais (Lc 3, 10-14).
Lucas resume em uma frase toda a atividad de João:
“Anunciava ao povo a Boa Notícia” (Lc 3, 18).

Preparar os caminhos do Senhor, anunciar a Boa Notícia, é o papel de João e ele nos exorta a que nós desempenhemos.
Hoje, este papel não é mais simples nos tempos de João e incumbe a cada um de nós.

O martírio de João teve sua orgime na franca honestidade com que denunciou o pecado.
João Batista anunciou o Cordeiro de Deus. Foi o primeiro a chemar Cristo desta maneira.
Citemos aqui o belo Prefácio introduzido em nossa liturgia para a festa do martírio de São João Batista, que resume admiravelmente sua vida e seu papel:
“Porque ele saltou de alegria no ventre de sua mãe, ao chegar o Salvador dos homens, e seu nascimento foi motivo de alegria para muitos. Ele foi escolhido entre todos os profetas para mostrar às pessoas o Cordeiro que tira o pecado do mundo. Ele batizou no Jordão o autor do batismo, e a água viva tem desde então poder de salvação para os homens. E ele deu, por fim, seu sanguee como supremo testemunho do nome de Cristo”.

3. A FIGURA DA ESPERANÇA : VIRGEM MARIA

A primeira vinda do Senhor realizou-se graças a ela. E, por isso, todas as gerações a chamamos Bem-aventurada. Hoje, que preparamos, a cada ano, uma nova vinda, os olhos da Igreja se voltam a ela, para aprender, con estremecimento e humildade agradecida, como se espera e como se prepara a vinda do Emanuel: do Deus conosco. Mais ainda, para aprender também como se dá ao mundo o Salvador.

Sobre o papel da Virgem Maria na vinda do Senhor, a liturgia do Advento oferece duas sínteses, nos prefácios II e IV daquele tempo:

“…Cristo Senhor nosso, a quem todos os profetas anunciaram, a Virgem esperou com inefável amor de Mãe, João o proclamou já próximo e o apontou depois entre os homens. O próprio Senhor nos concede agora nos preparar com alegria para o Mistério de seu Nascimento, para encontrar-nos assim, quando ele chegar, velando em oração e cantando seu louvor”.

“Nós vos louvamos, nós vos bendizemos e vos glorificamos pelo Mistério da Virgem Mãe. Porque, se do antigo adversário nos veio a ruína, no sio da Filha de Sião germinou aquele que nos nutre com o pão celestial, e fez brotar para todo o gênero humano a salvação e a paz. A graça que Eva nos arrebatou nos foi devolvida em Maria. Nela, mãe de todos os homens, a maternidade, redimida do pecado e da morte, abre-se ao dom de uma vida nova. Assim, onde havia crescido o pecado, superabundou vossa misericórdia em Cristo nosso Salvador. Por isso nós, enquanto esperamos a vinda do Cristo, unidos aos anjos e aos santos, cantamos o hino louvor…”

A Virgem Imaculada foi e continua sendo a personagem dos personagens do Advento: da vinda do Senhor. Por isso, cada dia, durante o Advento, evoca-se, agradece, canta-se, glorifica-se e enaltece àquela que foi a aceitou livremente ser a mãe de nosso Salvador “o Messias, o Senhor” (Lc 2,11).

Três textos dos tantos que um é em honra à Bem-aventurada Mãe de Deus, em todo este Mistério preparado e realizado. São da solenidade de santa Maria Mãe de Deus:

“Que admirável troca! O Criador do gênero humano, tomando corpo e alma, nasce de uma virgem e, feito homem sem concurso de varão, nos dá parte em sua divindade” (antífona das primeiras Vésperas).

“A Mãe eu à luz o Rei, cujo nome é eterno; a que o gerou tem ao mesmo tempo a alegria da maternidade e a glória da virgindade: um prodígio tal jamais visto, não será visto novamente. Aleluia” (antífona de Laudes).

“Pelo grande amor que Deus tem para conosco, mandou-se seu próprio Filho em semelhança de carne de pecado: nascido de uma mulher, nascido sob a lei. Aleluia” (antífona do Magníficat primeiras Vésperas).

A partir da segunda parte do Advento, a preponderância da Mãe Imaculada é tão grande, que ela aparece como o centro do Mistério preparado e iniciado. Assim as leituras evangélicas do IV Domingo, nos três ciclos, estão dedicadas a Maria. E nas missas próprias dos dias 17 a 24, correspondentes às antífonas da O, tudo gira ao redor dela. E com razão.
“Os profetas anunciaram que o Salvador nasceria de Maria Virgem” (Tercia) – “O anjo Gabriel saudou Maria, dizendo: Ave, chia de graça, o Senhor está contigo, bendita és tu entre as mulheres” (Sexta) – “Maria disse: O que significa esta saudação? Fico perplexa perante estas palavras de que darei à luz um Rei sem perder minha virgindade” (Nona).

Nas vésperas do primeiro domingo de Advento, a antífona do Magnificat é tirada do evangelho da anunciação: “Não temas, Maria, porque encontraste graças diante de Deus. Conceberás em teu seio e darás á luz um filho”.

Na segunda-feira desta primeira semana, nas vésperas, a antífona do Magnificat será: “O anjo do Senhor anunciou a Maria e ela concebeu do Espírito Santo”.

Nas vésperas da quinta-feira se canta: “Bendita és tu entre as mulheres”. Nas vésperas do segundo domingo de Advento: “Ditosa tu, Maria, que creste, porque o que te foi dito o Senhor cumprirá”. Nas laudes da quarta-feira há uma leitura tirada do capítulo 7 de Isaías: “Vede: a Virgem concebeu e dará à luz um filho, lhe porá o nome Emmanuel…”. O responsório da sexta-feira depois da segunda leitura do ofício, é tirado do evangelho da anunciação em Lc 1, 26, etc… E poderíamos continuar com uma longa enumeração.

Esta enumeração interessa porque mostra como a presença da Virgem é constante nos Ofícios de Advento, bem como na memória da primeira vinda de seu Filho e na tensão de sua volta no fim dos tempos.

Embora o Natal seja para Maria a festa mais indicada de sua maternidade, o Advento, que prepara esta festa, é para ela um tempo de escolha e de particular preparação.


O tempo de Advento

Começo: O Advento é o começo do Ano Litúrgico e começa no domingo

Termo: Advento vem de adventus, vinda, chegada, próximo a 30 de novembro e termina em 24 de dezembro. Forma uma unidade com o Natal e a Epifanía.

Cor: A Liturgia neste tempo é o roxo.

Sentido: O sentido do Advento é avivar nos fiéis a espera do Senhor.

Duração: 4 semanas

Partes: pode-se falar de duas partes do Advento:

a) Do primeiro domingo ao dia 16 de dezembro, com marcado caráter escatológico, olhando à vinda do Senhor ao final dos tempos;

b) De 17 de dezembro a 24 de dezembro, é a chamada “Semana Santa” do Natal, e se orienta a preparar mais explicitamente a vinda de Jesus Cristo na história, o Natal.

Personagens: As leituras bíblicas deste tempo de Advento estão tomadas sobre tudo do profeta Isaías (primeira leitura), também se recorrem as passagens mais proféticas do Antigo Testamento destacando a chegada do Messias. Isaías, João Batista e Maria de Nazaré são os modelos de fiéis que a Iglesias oferece aos fiéis para preparar a vinda do Senhor Jesus.


O Advento: Tempo de Espera

Fonte: Dominicos.org

A palavra adventus significa vinda, advento. Provém do verbo «vir». É utilizada na linguagem pagã para indicar o adventus da divindade: sua vinda periódica e sua presença teofánica no recinto sagrado do templo. Neste sentido, a palavra adventus deve significar «retorno» e «aniversário». Também se utiliza a expressão para designar a entrada triunfal do imperador: Adventus divi. Na linguagem cristã primitiva, com a expressão adventus se faz referência à última vinda do Senhor, a sua volta gloriosa e definitiva. Mas em seguida, ao aparecer as festas de natal e epifanía, adventus serve para significar a vinda do Senhor na humildade de nossa carne. Deste modo a vinda do Senhor em Belém e sua última vinda se contemplam dentro de uma visão unitária, não como duas vindas distintas, mas sim como uma só e única vinda, desdobrada em etapas distintas. Mesmo que a expressão faça referência direta à vinda do Senhor, com a palavra adventus a liturgia se refere a um tempo de preparação que precede às festas de natal e epifanía. É curiosa a definição do advento que nos oferece no século IX Amalario de Metz: «Praeparatio adventus Domini». Neste texto o autor mantém o duplo sentido da palavra: vinda do Senhor e preparação à vinda do Senhor. Isto indica que o conteúdo da festa serviu para designar o tempo de preparação que a precede.

1. Ilustração histórica

A história deste período de tempo é singela. Parece fora de discussão a origem ocidental do advento. À medida que as festas de natal e epifanía foram cobrando, no marco do ano litúrgico, uma maior relevância, nessa mesma medida foi configurando-se como uma necessidade vital a existência de um breve período de preparação que evocasse, ao mesmo tempo, a larga espera messiânica. Terei que considerar também um certo mimetismo litúrgico que convidaria a plasmar aqui o que a quaresma é para páscoa. Mais ainda, a possível celebração do batismo vinculada por algumas Igrejas do ocidente a epifanía, especialmente na Gália e Espanha, motivaria também a instituição de um tempo de preparação catecumenal. Este último feito, expresso aqui como hipótese, explicaria por que o advento aparece primeiro na Gália e na Espanha não como preparação à solenidade de 25 de dezembro, mas sim como preparação à festa de epifanía.

A princípio nem sequer se chama advento. É um tempo de preparação à festa de epifanía que dura três semanas. Terá que anotar, entretanto, que desta primeira fase original não se encontra nenhum rastro nos livros litúrgicos mais antigos. Mais ainda, estas três semanas de preparação há que entendê-las no marco da piedade e da prática cristã, à margem de estruturas litúrgicas consolidadas e estáveis, bem como acompanhamento da comunidade que se preparava para o batismo, ou como reação contra os saturnais pagãos, que viviam precisamente durante esses dias. No final do século V começa a desenhar-se na Gália uma nova imagem do advento. Não se trata já de três semanas, mas sim de um longo período de quarenta dias que iniciava a partir do dia de São Martinho (15 de novembro) e se prolongava até o dia de natal. Tratava-se, pois, de uma verdadeira «quaresma de inverno» ou, como preferem outros, «quaresma de São Martinho». Na Espanha, a evolução do advento se orienta no mesmo sentido. Os livros litúrgicos, que refletem a liturgia espana do século VII, oferecem-nos um advento de trinta e nove dias. Começava o dia de São Acisclo (17 de novembro) e terminava no dia de natal’.

Apesar das evidentes afinidades entre a quaresma e este advento de quarenta dias, seria um engano interpretar ambos os períodos de tempo com o mesmo patrão. Em ambos os casos se tratam de um período de preparação. Mas no advento a prática penitencial do jejum não teve jamais a relevância que tem na quaresma. Advento, nesta segunda fase, devia ser um tempo consagrado a uma vida cristã mais intensa e mais consciente, com uma assistência mais assídua às celebrações litúrgicas que ofereciam um marco adequado à piedade cristã.

A instituição do advento não aparece em Roma até meados do século VI. Os primeiros testemunhos se encontram nos livros litúrgicos. Precisamente no Sacramentario Gelasiano. Em uma primeira fase o advento romano incluía seis domingos. Posteriormente, a partir de São Gregório Magno, ficará reduzido a quatro. E assim chegou a nós.

Originalmente, o advento romano aparece como uma preparação à festa de natal. Nesse sentido se expressam os textos litúrgicos mais antigos. A partir do século VII, entretanto, ao converter o natal em uma festa mais importante, em competindo inclusive com a festa da páscoa, o advento adquirirá uma dimensão e um enfoque novos. Mais que um período de preparação, polarizado no acontecimento natalício, o advento se perfilará como um «tempo de espera», como uma celebração solene da esperança cristã, aberta escatologicamente para o adventus último e definitivo do Senhor ao final dos tempos. O advento que hoje celebra a Igreja manteve esta dupla perspectiva.

2. Espírito e dimensão do advento hoje

Toda a mística da esperança cristã se resume e culmina no advento. Por outro lado, também é certo que a esperança do advento invade toda a vida do cristão, penetrando e envolvendo.

Terá que distinguir no advento uma dupla perspectiva: uma existencial e outra cultual ou litúrgica. Ambas as perspectivas não só não se opõem, mas também se complementam e enriquecem mutuamente. A espera cultual, que se consuma na celebração litúrgica da festa de natal, transforma-se em esperança escatológica projetada para a parusía final. A espera, em última instância, é única; porque a vinda do Senhor, aparentemente múltiplo e fracionada, também é única.

As primeiras semanas do advento sublinham o aspecto escatológico da espera abrindo-se para a parusía final; na última semana, a partir de 17 de dezembro, a liturgia do advento centra sua atenção em torno do acontecimento histórico do nascimento do Senhor, atualizado sacramentalmente na festa.

3. Advento e esperança escatológica

A liturgia do advento se abre com a monumental visão apocalíptica dos últimos tempos. Deste modo, o advento transborda os limites da pura experiência cultual e invade a vida inteira do cristão inundando-a em um clima de esperança escatológica. O brado do Batista: «Preparem os caminhos do Senhor», adquire uma perspectiva mais ampla e existencial, que se traduz em um constante convite à vigilância, porque o Senhor virá quando menos pensemos. Como as virgens da parábola, é necessário alimentar constantemente as lamparinas e estar em vela, porque o marido se apresentará de improviso. A vigilância se realiza em um clima de fidelidade, de espera ansiosa, de sacrifício. O brado do Apocalipse: «Vêem, Senhor, Jesus!», Recolhido também na Didajé, resume a atitude radical do cristão ante o retorno do Senhor.

Na medida em que nossa consciência de pecado é mais intensa e nossos limites e indigência se faz mais claro a nossos olhos, mais fervente é nossa esperança e mais ansioso se manifesta nosso desejo pela volta do Senhor. Só nele está a salvação. Só ele pode nos liberar de nossa própria miséria. Ao mesmo tempo, a segurança de sua vinda nos enche de alegria. Por isso a espera do advento, e em geral a esperança cristã, está carregada de alegria e de confiança.

4. Advento e compromisso histórico

O convite do Batista a preparar os caminhos do Senhor nos estimula a realizar uma espera ativa e eficaz. Não esperamos a parusía com os braços cruzados. É preciso pôr em jogo todos nossos modestos recursos para preparar a vinda do Senhor.

Os teólogos estão hoje de acordo em afirmar que o esforço humano por contribuir à construção de um mundo melhor, mais justo, mais pacífico, onde os homens vivam como irmãos e as riquezas da terra sejam distribuídas com justiça, este esforço —se afirma— é uma contribuição essencial para que o mundo vá maturando-se e preparando-se positivamente para sua transformação definitiva e total ao final dos tempos. Desta maneira, a «preparação dos caminhos do Senhor» se converte para o cristão em uma urgência constante de compromisso temporário, de dedicação positiva e eficaz à construção de um mundo novo. A espera escatológica e a iminência da parusía, em vez de ser motivo de fuga do mundo ou de alienação, devem nos estimular a um compromisso mais intenso e a uma integração maior no trabalho humano.

O advento nos faz desejar ardentemente o retorno de Cristo. Mas a visão de nosso mundo injusto, marcado brutalmente pelo ódio e a violência, revela-nos sua imaturidade para a parusia final. É enorme ainda o esforço que os fiéis devem desenvolver no mundo a fim de prepará-lo e maturá-lo para a parusía. Desejamos com ansiedade que o Senhor venha, mas tememos sua vinda porque o mundo ainda não está preparado para recebê-lo. O céu novo e a terra nova só nos aparecem em uma longínqua perspectiva.

5. O advento entre o acontecimento de Cristo e a parusía

A vinda de Cristo e sua presença no mundo é já um fato. Cristo segue presente na Igreja e no mundo, e prolongará sua presença até o final dos tempos. Por que, pois, esperar e ansiar sua vinda? Se Cristo estiver já presente em meio de nós, que sentido tem esperar sua vinda?

Esta reflexão nos situa frente a um tremendo paradoxo: a presença e a ausência de Cristo. Cristo, ao mesmo tempo, presente e ausente, possessão e herança, atualidade de graça e promessa. O advento nos situa, como dizem os teólogos, entre o «já» da encarnação e o «ainda não» da plenitude escatológica.

Cristo está, sim, presente em meio de nós; mas sua presença não é ainda total nem definitiva. Há muitos homens que não ouviram ainda a mensagem do evangelho, que não reconheceram a Jesus Cristo. O mundo não foi ainda reconciliado plenamente com o Pai. Em germe, sim, tudo foi reconciliado com Deus em Cristo, mas a graça da reconciliação não banha ainda todas as esferas do mundo e da história. É preciso seguir ansiando a vinda do Senhor. Sua vinda em plenitude. Até a reconciliação universal, ao final dos tempos, a esperança do advento seguirá tendo um sentido e poderemos seguir orando: «Venha a nós o Vosso reino».

O mesmo ocorre a nível pessoal. No mais profundo de nossa vida a luz de Cristo não se empossou ainda de nosso eu mais intimo; desse eu único e irrenunciável que só pertence a nós mesmos. Por isso, também desde nossa profundidade pessoal devemos seguir esperando a vinda plena do Senhor Jesus.

6. Atualização da vinda do Senhor e esperança

Nossa esperança, aberta deste modo para as metas da parusía final, durante os últimos dias de advento se centra de maneira especial na festa de natal. Nessa celebração, em efeito, concentra-se e atualiza, com relação ao mistério sacramental, a plenitude da vinda de Cristo: da vinda histórica, realizada já, da qual natal é memória, e da vinda última, da parusía, da qual natal é antecipação gozosa e escatológica.

Por isso nossa espera não é uma ficção provocada por qualquer sistema de auto-sugestão psicológica ou afetiva. Esperamos realmente a vinda do Senhor porque temos consciência da realidade indiscutível de sua vinda e de sua presença no marco da celebração cultual da festa. Com relação ao mistério cultual —ou seja, na fé— se atualizam o acontecimento histórico da vinda de Cristo e sua futura parusía, cuja realidade plena só acontecerá no final dos tempos.

Não só no natal; em cada missa, no «agora» de cada celebração eucarística, atualiza-se o mistério gozozo da vinda e da presença salvífica do Senhor entre nós. Nossa espera tem, pois, um sentido. A explosão de graça e de luz que acontece na festa de natal é como o ponto culminante da espera, onde esta se consuma e culmina plenamente.

7. O mistério de Cristo no tempo: até que ele venha

Mas a vinda de Cristo, efetuada na esfera do mistério cultual, não é plena nem definitiva. A provisão é uma de suas notas características. Só a parusía final terá caráter definitivo e total. Só então aparecerão o céu novo e a terra nova de que fala o Apocalipse. Até então é preciso repetir, reiterar uma e outra vez a experiência de sua vinda misteriosa. Assim este contínuo esperar e este contínuo experimentar, ano após ano, os efeitos de sua vinda e de sua presença irão amadurecendo a imagem de Cristo em nós.

A repetição cíclica da experiência cultual do advento e do natal, mais que a imagem de um movimento circular fechado em si mesmo, onde sempre se termina no ponto zero que constituiu o ponto de partida, sugere-nos a imagem do círculo em forma de espiral onde cada volta supõe um maior grau de elevação e de profundidade. Assim, cada ano nossa espera é mais intensa e mais ardente, e nossa experiência da vinda do Senhor mais profunda e mais definitiva. Deste modo, cada ano a celebração litúrgica do advento constitui para nós um verdadeiro acontecimento, novo e único.

8. Os modelos da espera messiânica

Durante o advento, a Igreja põe em nossos lábios as palavras ardentes, os brados de ansiedade dos grandes personagens que ao longo da história santa protagonizaram mais intensamente a esperança messiânica. Não se trata de arremedar artificialmente a atitude interior destes homens, como quem representa um personagem em uma peça de teatro. A espera continua. A salvação messiânica não é ainda uma realidade plena. Por isso, esses grandes homens seguem sendo hoje em dia como os porta-vozes em cujo brado de ansiedade se encarna todo o ardor da esperança humana.

O primeiro destes protagonistas é Isaías. Ninguém melhor que ele encarnou tão ao vivo o anseia impaciente do messianismo veterotestamentário à espera do rei Messias. Depois João Batista, o precursor, cujas palavras de convite à penitência, dirigidas também a nós, cobram uma vigorosa atualidade durante as semanas de advento. E, finalmente, Maria, a Mãe do Senhor. Nela culmina e adquire uma dimensão maravilhosa toda a esperança do messianismo hebreu.

A espera continua. Continuará até o final dos tempos. Até então, Isaías, João Batista e Maria seguirão sendo os grandes modelos da esperança, e em suas palavras seguirá expressando o clamor angustiante da Igreja e da humanidade inteira ansiosa pela redenção.

Por José Manuel Bernal Llorente

FONTE: www.enciclopediacatolica.com (em espanhol)

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