Documento Lumem Gentium – “Luz dos povos”

Na verdade a LUZ DOS POVOS é CRISTO JESUS e a Igreja se torna portadora dessa luz para toda a humanidade. Este documento desenvolve as linhas de reflexão sobre a Igreja Católica no mundo, ou seja, LUMEM GENTIUM é um documento eclesiológico.

E o que a Igreja afirmou sobre si mesma no Vaticano II? A Igreja reafirmou sua natureza divina e humana, relacionando-a com a única que foi constituída e organizada pelo Cristo. Também destacou que a Igreja é um sacramento – sinal – de Cristo no mundo e que por ela deseja-se a unidade de todo gênero humano. Mas o Concílio também afirmou que cabe a Igreja Católica a busca pela unidade entre todos os cristãos, inclusive de outras igrejas, e o diálogo com o mundo moderno.

“Esta é a única Igreja de Cristo, que no Credo confessamos ser una, santa, católica e apostólica; depois da ressurreição, o nosso Salvador entregou-a a Pedro para que a apascentasse (Jo. 21,17), confiando também a ele e aos demais Apóstolos a sua difusão e governo. Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como sociedade, é na Igreja católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em união com ele, que se encontra, embora, fora da sua comunidade, se encontrem muitos elementos de santificação e de verdade, os quais, por serem dons pertencentes à Igreja de Cristo, impelem para a unidade católica (LG 8)”.

Outra novidade que encontramos no LUMEN GENTIUM é a ideia de Igreja POVO DE DEUS, que substituiu a ideia tradicional de IGREJA HIERARQUIA. Esta foi talvez a maior inovação deste documento. Todo o povo de Deus tem função profética, sacerdotal e régia; leigos e ordenados têm funções diferentes, mas igual dignidade.

“O sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial ou hierárquico, embora se diferenciem essencialmente e não apenas em grau, ordenam-se mutuamente um ao outro; pois um e outro participam, a seu modo, do único sacerdócio de Cristo. Com efeito, o sacerdote ministerial, pelo seu poder sagrado, forma e conduz o povo sacerdotal, realiza o sacrifício eucarístico fazendo as vezes de Cristo e oferece-o a Deus em nome de todo o povo; os fiéis, por sua parte, concorrem para a oblação da Eucaristia em virtude do seu sacerdócio real, que eles exercem na recepção dos sacramentos, na oração e ação de graças, no testemunho da santidade de vida, na abnegação e na caridade operosa (LG 10)”.

Este documento ainda mostra como deve ser a relação a da Igreja com cristãos de outras denominações – lançando bases para o ecumenismo na Igreja Católica – e com os povos e culturas que não acreditam no Cristo. Sobre os não cristãos o documento assim expressa: “Com efeito, aqueles que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo, e a Sua Igreja, procuram, contudo, a Deus com coração sincero, e se esforçam, sob o influxo da graça, por cumprir a Sua vontade, manifestada pelo ditame da consciência, também eles podem alcançar a salvação eterna. Tudo o que de bom e verdadeiro neles há, é considerado pela Igreja como preparação para receberem o Evangelho, dado por Aquele que ilumina todos os homens, para que possuam finalmente a vida (LG 16)”.

Outro esclarecimento que a LG faz é a relação do Papa com os bispos, reafirmando o primado do sucessor de Pedro, mas esclarecendo que entre os bispos deve haver uma colegialidade responsável. Aos bispos reafirma-se a tarefa de ensinar, santificar e governar. Segue-se a orientação para os presbíteros (padres), colaboradores diretos dos bispos na condução das igrejas locais (dioceses) e dos diáconos, reafirmando a Ordem como o sacramento com três degraus distintos.

Sobre os leigos o documento afirma que “por vocação própria, compete aos leigos procurar o Reino de Deus tratando das realidades temporais e ordenando-as segundo Deus. Vivem no mundo, isto é, em toda e qualquer ocupação e atividade terrena, e nas condições ordinárias da vida familiar e social, com as quais é como que tecida a sua existência. São chamados por Deus para que, aí, exercendo o seu próprio ofício, guiados pelo espírito evangélico, concorram para a santificação do mundo a partir de dentro, como o fermento, e deste modo manifestem Cristo aos outros, antes de mais pelo testemunho da própria vida, pela irradiação da sua fé, esperança e caridade (LG 31)”.

Outros assuntos, que serão mais esclarecidos em outros documentos, compõe os capítulos finais da Lumem Gentium, como a vocação do cristão à santidade, questões litúrgicas da devoção aos santos e a presença corredentora de Maria, mãe de Jesus e mãe da Igreja, na vida de nossa fé. Certamente o documento da LUZ DOS POVOS é um dos mais bonitos e audazes do Concílio e trouxe consequências enormes para a vida da Igreja Católica no mundo.

Pe. Evaldo César de Souza, C.Ss.R 

Fonte: http://www.a12.com

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