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Vaticano: Papa vai criar 5 novos cardeais

O Papa anunciou neste domingo que criará novos cinco cardeais “que representam a universalidade da Igreja” em um Consistório marcado para o próximo dia 28 de junho.

Os futuros cardeais provêm da Espanha, Suécia, Laos, El Salvador e Mali:

São eles:

Dom Jean Zerbo, Arcebispo de Bamako, no Mali

Dom Juan Jose Omella, Arcebispo de Barcelona, na Espanha

Dom Anders Arborelius, Bispo de Estocolmo, Suécia

Dom Louis-Marie Ling Mangkhanekhoun, Bispo e Vigário apostólico de Paksé, Laos

Dom Gregório Rosa Cháves, Bispo auxiliar da Arquidiocese de San Salvador, El Salvador

Missa

No dia 29 de junho, Solenidade de São Pedro e Paulo, o Papa concelebrará com os novos cardeais a Santa Missa.

Por Radio Vaticano 

Portal Terra de Santa Cruz 

Dom Hélder Câmara é declarado “Servo de Deus” pela Santa Sé

Aval do Vaticano para abertura do processo de canonização foi enviado ao arcebispo local; primeira reunião para andamento do processo será em 3 de maio. Conhecido como o “Dom da paz”, o ex-arcebispo de Olinda e Recife, Dom Hélder Câmara, recebeu o título de “Servo de Deus”. A Congregação para a Causa dos Santos emitiu o parecer favorável autorizando o início do processo de beatificação e canonização do religioso. O aval da Santa Sé foi comunicado por meio de carta do presidente da Congregação, Cardeal Angelo Amato, menos de dez dias depois que o responsável pelo dicastério confirmou o recebimento do pedido de abertura do processo de Dom Helder, no dia 16 de fevereiro. Contudo, a correspondência só chegou à arquidiocese nesta segunda-feira, 6.

O atual arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, atendeu a imprensa nesta quarta-feira, 8, para explicar como será o andamento do processo daqui para frente. Ele leu o comunicado oficial, traduzido do latim para o português.

Confira como funciona o processo de beatificação/canonização:  A etapa seguinte consiste em reconhecer as “virtudes heróicas” do ex-arcebispo que há 50 anos desembarcou no Estado. Para isso, uma comissão jurídica será nomeada por dom Fernando Saburido, informou a assessoria de comunicação da arquidiocese.

O tribunal, como é chamado o grupo de trabalho, será formado por cinco membros: juiz delegado e promotor de justiça (ambos canonistas), notário, notário adjunto e cursor. A primeira sessão de atividades da comissão será no próximo dia 3 de maio, durante Missa presidida pelo arcebispo, às 9h, na Igreja Catedral Sé de Olinda. Na ocasião haverá a nomeação oficial e o juramento dos escolhidos.

Dom Fernando comentou que, caso a resposta da Santa Sé fosse positiva, autorizando o processo, a arquidiocese estaria preparada para dar andamento a essa que é uma questão de interesse geral.

“Todo mundo está muito motivado, esse é um assunto que realmente interessa muito, basta ver a repercussão que teve essa notícia aqui em Olinda e Recife. Todo mundo torce muito para que de fato chegue essa autorização e possamos, então, iniciar o processo aqui na arquidiocese”.

Dom Hélder Câmara, declarado "Servo de Deus" pela Santa Sé / Foto: Arquivo
Dom Hélder Câmara, declarado “Servo de Deus” pela Santa Sé / Foto: Arquivo

Cardeal Amato enviou carta confirmando que recebeu pedido de beatificação de Dom Hélder; segundo arcebispo, retorno foi acolhido como “sinal muito positivo”

Dom Fernando Saburido, arcebispo de Olinda e Recife / Foto: Arquidiocese de Olinda e Recife

“Um sinal muito positivo”, é a definição do arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, sobre o retorno dado pelo Vaticano que diz respeito à beatificação de Dom Hélder Câmara. A arquidiocese recebeu uma carta informando que o Vaticano recebeu o pedido de abertura do processo de beatificação e aguarda o posicionamento dos dicastérios para dar um parecer. Dom Fernando contou que já havia se encontrado pessoalmente com o prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, Cardeal Angelo Amato, no início desse ano, quando o cardeal esteve no Rio de Janeiro. “Ele disse que estava muito feliz com essa iniciativa e que faria o que fosse possível para poder encaminhar isso o mais rápido possível”.

A carta informa o recebimento do pedido por parte do Vaticano, que aguarda o parecer de todos os dicastérios – alguns já responderam – para dar o retorno final que possibilite o início da fase arquidiocesana do processo.

Caso a resposta seja positiva, a arquidiocese estará preparada para dar andamento; inclusive, Dom Fernando comenta que essa é uma questão de interesse geral. “Todo mundo está muito motivado, esse é um assunto que realmente interessa muito, basta ver a repercussão que teve essa notícia aqui em Olinda e Recife. Todo mundo torce muito para que de fato chegue essa autorização e possamos, então, iniciar o processo aqui na arquidiocese”.

O que motivou o pedido de beatificação?

A fama de santidade de Dom Hélder Câmara foi o fator que motivou a arquidiocese a fazer o pedido de abertura do processo de beatificação ao Vaticano. O arcebispo local destacou que Dom Hélder foi um homem de muita oração e ação, um profeta corajoso que enfrentou muitas dificuldades, sobretudo com a repressão militar.

“Uma pessoa muito humana, muito disponível aos pobres de uma maneira especial. Tudo isso contribui para que nós tenhamos o interesse de encaminhar esse processo”, declarou.

Dom Fernando acrescentou ainda que Dom Hélder foi uma pessoa de grande influência na vida do Brasil. Um exemplo foi sua contribuição para a criação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB. Além disso, em âmbito internacional, Dom Hélder contribuiu, mesmo que indiretamente, para o andamento do Concílio Vaticano II.

“Tudo isso contribuiu para que ele se projetasse internacionalmente, de modo que é um homem reconhecido como uma grande liderança do país, uma grande personalidade do século XX, como é identificado por muitos”.

Fonte:Arquidiocese de Olinda e Recife – Jéssica Marçal(Portal Canção Nova)

Vaticano: Papa agradece viagem a Fátima

O Papa agradeceu hoje no Vaticano a todos os que viveram com ele a peregrinação a Fátima, a 12 e 13 de maio, recordando em particular o “silêncio” da oração e a canonização de Francisco e Jacinta Marto.

“Ontem [sábado] à tarde regressei da peregrinação a Fátima – vamos saudar Nossa Senhora de Fátima – e a nossa oração mariana de hoje assume um significado particular, carregado de memória e de profecia, porque olha para a história com os olhos da fé”, disse, provocando uma salva de palmas de milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.

Antes da tradicional recitação da oração do Regina Coeli, que no tempo pascal substitui o ângelus, Francisco passou em revista os vários momentos das mais de 23 horas que acabou de passar em território português.

Em Fátima, sublinhou o Papa, há um “rio” de oração que “corre há 100 anos” para pedir a proteção da Virgem Maria sobre o mundo.

“Agradeço ao Senhor por me te dado a oportunidade de deslocar-me aos pés da Virgem Maria como peregrino de esperança e de paz”, declarou.

O Papa elogiou o “silêncio orante de todos os peregrinos” que o acompanharam desde o início, no seu recolhimento, diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima na Capelinha das Aparições.

“Criou-se um clima de recolhimento e contemplativo, no qual se viveram vários momentos de oração”, referiu.

Francisco deixou uma referência à presença de “muitos doentes”, que considerou “protagonistas da vida litúrgica e pastoral de Fátima, como de qualquer santuário mariano”.

O Papa agradeceu “de coração”, pela sua viagem, “aos bispos, o bispo de Leiria-Fátima, às autoridades do Estado, o presidente da República, e a todos os que ofereceram a sua colaboração”.

Este sábado, ao deixar Portugal, Francisco enviou uma mensagem a Marcelo Rebelo de Sousa, na qual manifestava “profunda gratidão” ao povo português pelo seu “caloroso acolhimento e hospitalidade” e deixava votos de “paz e alegria” para o país.

Já o presidente da República Portuguesa, após a partida do Papa, enviou ao pontífice a seguinte mensagem: “Portugal agradece a inesquecível peregrinação de Vossa Santidade a Fátima”.

Por Radio Vaticano 

Portal Terra de Santa Cruz

A íntegra da homilia de Francisco na canonização dos pequenos pastores no centenário de Fátima

Confira abaixo a íntegra da homilia pronunciada pelo Papa na canonização dos pequenos Francisco e Jacinta Marto, na manhã de sábado, 13 de maio, em Fátima:

«Apareceu no Céu (…) uma mulher revestida de sol»: atesta o vidente de Patmos no Apocalipse (12, 1), anotando ainda que ela «estava para ser mãe». Depois ouvimos, no Evangelho, Jesus dizer ao discípulo: «Eis a tua Mãe» (Jo 19, 26-27). Temos Mãe! Uma «Senhora tão bonita»: comentavam entre si os videntes de Fátima a caminho de casa, naquele abençoado dia treze de maio de há cem anos atrás. E, à noite, a Jacinta não se conteve e desvendou o segredo à mãe: «Hoje vi Nossa Senhora». Tinham visto a Mãe do Céu. Pela esteira que seguiam os seus olhos, se alongou o olhar de muitos, mas… estes não A viram. A Virgem Mãe não veio aqui, para que A víssemos; para isso teremos a eternidade inteira, naturalmente se formos para o Céu.

Mas Ela, antevendo e advertindo-nos para o risco do Inferno onde leva a vida – tantas vezes proposta e imposta – sem-Deus e profanando Deus nas suas criaturas, veio lembrar-nos a Luz de Deus que nos habita e cobre, pois, como ouvíamos na Primeira Leitura, «o filho foi levado para junto de Deus» (Ap 12, 5). E, no dizer de Lúcia, os três privilegiados ficavam dentro da Luz de Deus que irradiava de Nossa Senhora. Envolvia-os no manto de Luz que Deus Lhe dera. No crer e sentir de muitos peregrinos, se não mesmo de todos, Fátima é sobretudo este manto de Luz que nos cobre, aqui como em qualquer outro lugar da Terra quando nos refugiamos sob a proteção da Virgem Mãe para Lhe pedir, como ensina a Salve Rainha, «mostrai-nos Jesus».

Queridos peregrinos, temos Mãe. Agarrados a Ela como filhos, vivamos da esperança que assenta em Jesus, pois, como ouvíamos na Segunda Leitura, «aqueles que recebem com abundância a graça e o dom da justiça reinarão na vida por meio de um só, Jesus Cristo» (Rm 5, 17). Quando Jesus subiu ao Céu, levou para junto do Pai celeste a humanidade – a nossa humanidade – que tinha assumido no seio da Virgem Mãe, e nunca mais a largará. Como uma âncora, fundeemos a nossa esperança nessa humanidade colocada nos Céus à direita do Pai (cf. Ef 2, 6). Seja esta esperança a alavanca da vida de todos nós! Uma esperança que nos sustente sempre, até ao último respiro.

Com esta esperança, nos congregamos aqui para agradecer as bênçãos sem conta que o Céu concedeu nestes cem anos, passados sob o referido manto de Luz que Nossa Senhora, a partir deste esperançoso Portugal, estendeu sobre os quatro cantos da Terra. Como exemplo, temos diante dos olhos São Francisco Marto e Santa Jacinta, a quem a Virgem Maria introduziu no mar imenso da Luz de Deus e aí os levou a adorá-Lo. Daqui lhes vinha a força para superar contrariedades e sofrimentos. A presença divina tornou-se constante nas suas vidas, como se manifesta claramente na súplica instante pelos pecadores e no desejo permanente de estar junto a «Jesus Escondido» no Sacrário.

Nas suas Memórias (III, n. 6), a Irmã Lúcia dá a palavra à Jacinta que beneficiara duma visão: «Não vês tanta estrada, tantos caminhos e campos cheios de gente, a chorar com fome, e não tem nada para comer? E o Santo Padre numa Igreja, diante do Imaculado Coração de Maria, a rezar? E tanta gente a rezar com ele?» Irmãos e irmãs, obrigado por me acompanhardes! Não podia deixar de vir aqui venerar a Virgem Mãe e confiar-lhe os seus filhos e filhas. Sob o seu manto, não se perdem; dos seus braços, virá a esperança e a paz que necessitam e que suplico para todos os meus irmãos no Batismo e em humanidade, de modo especial para os doentes e pessoas com deficiência, os presos e desempregados, os pobres e abandonados. Queridos irmãos, rezamos a Deus com a esperança de que nos escutem os homens; e dirigimo-nos aos homens com a certeza de que nos vale Deus.

Pois Ele criou-nos como uma esperança para os outros, uma esperança real e realizável segundo o estado de vida de cada um. Ao «pedir» e «exigir» o cumprimento dos nossos deveres de estado (carta da Irmã Lúcia, 28/II/1943), o Céu desencadeia aqui uma verdadeira mobilização geral contra esta indiferença que nos gela o coração e agrava a miopia do olhar. Não queiramos ser uma esperança abortada! A vida só pode sobreviver graças à generosidade de outra vida. «Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto» (Jo 12, 24): disse e fez o Senhor, que sempre nos precede. Quando passamos através dalguma cruz, Ele já passou antes. Assim, não subimos à cruz para encontrar Jesus; mas foi Ele que Se humilhou e desceu até à cruz para nos encontrar a nós e, em nós, vencer as trevas do mal e trazer-nos para a Luz.

Sob a proteção de Maria, sejamos, no mundo, sentinelas da madrugada que sabem contemplar o verdadeiro rosto de Jesus Salvador, aquele que brilha na Páscoa, e descobrir novamente o rosto jovem e belo da Igreja, que brilha quando é missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor.

Por Rádio Vaticano

Reprodução: Portal Terra de Santa Cruz

Papa Francisco: caridade e bondade, estilo cristão

Não resistir ao Espírito Santo, mas acolher a Palavra com docilidade: è a exortação do Papa Francisco na homilia pronunciada na manhã de terça-feira (09/05) na Casa Santa Marta. Bondade, paz e domínio de si são frutos daqueles que acolhem a Palavra, a conhecem e têm familiaridade com ela. Antes de iniciar, o Papa ofereceu a missa às irmãs da Casa Santa Marta, “que celebram o dia de sua fundadora, Santa Luisa de Marillac”.

Depois de refletir nos últimos dias sobre a resistência do Espírito Santo, as Leituras do dia falam de um comportamento contrário, característico dos cristãos, que é “a docilidade ao Espírito Santo”. E esta atitude foi o fulcro da homilia do Papa.

Depois do martírio de Estêvão, começou uma grande perseguição em Jerusalém. Somente os Apóstolos permaneceram, enquanto os ‘crentes’, os ‘leigos’, se dispersaram em Chipre, na Fenícia e em Antioquia, anunciando a Palavra apenas aos judeus. Mas em Antioquia, alguns começaram a anunciar Jesus Cristo também aos gregos, ‘pagãos’, porque sentiam que o Espírito Santo os impulsionava a fazer isto. “Foram dóceis”, explicou Francisco.

O Apóstolo Tiago, em sua carta, exorta a “acolher com docilidade a Palavra”. É preciso ser abertos e não “rígidos”. O primeiro passo no caminho da docilidade è, portanto, “acolher a Palavra”, ou seja, abrir o coração. O segundo é “conhecer a Palavra”, conhecer Jesus, que diz: “As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem”. Conhecem porque são dóceis ao Espírito.

E depois existe o terceiro passo: a “familiaridade com a Palavra”:

“Levar sempre conosco a Palavra; lê-la, abrir o coração à Palavra e ao Espírito, que è quem nos faz entender a Palavra. E o fruto de receber a Palavra, de conhecê-la, de levá-la conosco, desta familiaridade com a Palavra, è grande… o comportamento de uma pessoa que age assim é de bondade, benevolência, alegria, paz, domínio de si, mansidão”.

Este é o estilo que dá a docilidade ao Espírito, prossegue Francisco:

“Mas eu devo receber o Espírito que me traz a Palavra com docilidade, e essa docilidade, não resistir ao Espírito vai me levar a este modo de vida, a este modo de agir. Receber com docilidade a Palavra, conhecer a Palavra e pedir ao Espírito Santo a graça de torná-la conhecida e, em seguida, dar espaço, para que esta semente germine e cresça nas atitudes de bondade, benignidade, benevolência, paz, caridade, domínio de si: tudo isso faz parte do estilo cristão”.

Na Primeira Leitura se narra que, quando em Jerusalém chega a notícia de que pessoas provenientes de Chipre e Cirene proclamavam a Palavra aos gentios em Antioquia, se assustaram um pouco e enviaram para lá Barnabé, perguntando-se – observou o Papa – como era possível que se pregasse a Palavra aos não circuncisos e como era possível que quem pregava não eram os Apóstolos, mas “essas pessoas que nós não conhecemos”. E “é bonito”, disse o Papa que quando Barnabé chegou a Antioquia e viu “a graça de Deus”, se alegra e exorta-os a “permanecerem com o coração resoluto, fiel ao Senhor”, porque ele era um homem “cheio do Espírito Santo”:

“Há o Espírito que nos guia para não cometermos erros, a aceitar com docilidade o Espírito, conhecer o Espírito na Palavra e viver segundo o Espírito. E isso é o oposto às resistências que Estevão criticava aos líderes, aos doutores da Lei: ‘Vocês sempre resistiram ao Espírito Santo’. Resistimos ao Espírito, fazemos resistência a Ele? Ou o acolhemos? Com docilidade: essa é a palavra de Tiago. ‘Acolher com docilidade’. Resistência contra docilidade. Vamos pedir essa graça”.

E o Papa conclui observando, “um pouco fora da homilia”, que “foi precisamente na cidade de Antioquia, onde nos foi dado o sobrenome”. Em Antioquia, na verdade, pela primeira vez os discípulos foram chamados cristãos. (CM-SP)

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização 

Papa: não resistir ao Espírito Santo, acolher surpresas de Deus

O Papa Francisco celebrou a missa matutina, nesta segunda-feira (08/05), na Casa Santa Marta. Em sua homilia, ressaltou que o “Espírito Santo movimenta a Igreja e faz a comunidade cristã se mover”.

Segundo o Santo Padre, esta verdade nós a encontramos em particular na primeira leitura do dia extraída dos Atos dos Apóstolos.

O Espírito Santo realiza milagres, coisas novas e “alguns certamente tinham medo dessa novidade da Igreja”:

“O Espírito é o dom de Deus, desse Deus, nosso Pai, que sempre nos surpreende. O Deus das surpresas. Por que? Porque é um Deus vivo, um Deus que habita em nós, um Deus que move o nosso coração, um Deus que está na Igreja, caminha conosco e neste caminhar nos surpreende sempre. Assim como Ele teve a criatividade de criar o mundo, o Deus que nos surpreende tem a criatividade de criar coisas novas todos os dias.”

Isso pode criar “dificuldade” como acontece a Pedro que foi contestado pelos outros discípulos quando souberam que “também os pagãos tinham acolhido a Palavra de Deus”. Para eles, Pedro tinha exagerado e o repreenderam porque, segundo eles, era um “escândalo”. E disseram a Pedro: “Você, pedra da Igreja! Para aonde quer nos levar?”

Pedro fala de sua visão, “um sinal de Deus” que lhe faz “tomar uma decisão corajosa”. “Pedro, reiterou o Papa, “é capaz de acolher a novidade de Deus”. Diante de muitas surpresas do Senhor, “os Apóstolos devem se reunir, discutir e chegar a um acordo” para dar “o passo adiante que o Senhor deseja”:

“Sempre, desde os tempos dos profetas até hoje, existe o pecado de resistir ao Espírito Santo: a resistência ao Espírito. Este é o pecado repreendido por Estevão aos membros do Sinédrio: ‘Vocês e seus pais resistiram sempre ao Espírito Santo’. A resistência ao Espírito Santo. Não. Sempre foi feito assim e deve ser feito assim. Não venha com essas novidades, Pedro! Fique tranquilo. Tome um ansiolítico para acalmar os nervos. Fique tranquilo! É o fechar-se para a voz de Deus. O Senhor, no Salmo, fala ao seu povo: ‘Não endureça o seu coração como os seus pais.” 

O Senhor, afirmou o Papa referindo-se ao Evangelho do dia sobre o Bom Pastor, nos pede sempre para não endurecer o nosso coração. “O que o Senhor deseja é que existam outros povos”, outros rebanhos, “mas haverá um só rebanho e um só pastor”. Os que eram julgados pagãos, condenados, quando aceitavam a fé eram considerados “fiéis de segunda categoria: ninguém dizia, mas de fato era assim”:

“O fechamento, a resistência ao Espírito Santo, aquela frase que fecha sempre, que bloqueia a pessoa: sempre foi feito assim. Isso mata. Isso mata a liberdade, mata a alegria, mata a fidelidade ao Espírito Santo que sempre age na frente fazendo a Igreja progredir. Mas, como eu posso saber se algo é do Espírito Santo ou da mundanidade, do espírito do mundo, ou do espírito do diabo? Como posso? E preciso pedir a graça do discernimento. O instrumento que o Espírito nos dá é o discernimento. Discernir, em todo caso, como se deve fazer. Foi o que fizeram os Apóstolos: se reuniram, falaram e viram qual era o caminho do Espírito Santo. Ao contrário, os que não tinham esse dom ou não tinham rezado pedindo esse dom, permaneceram fechados e inertes.” 

Nós cristãos devemos entre as muitas novidades “saber discernir, discernir uma coisa da outra, discernir qual é a novidade, o vinho novo que vem de Deus, qual é a novidade que vem do espírito do mundo e qual é a novidade que vem do diabo”.

“A fé nunca muda. A fé é a mesma, porém, em movimento, cresce e se expande”. Recordando um monge dos primeiros séculos, São Vicente de Lerino, o Papa sublinhou que “as verdades da Igreja vão adiante: se consolidam com os anos, se desenvolvem com o tempo, se aprofundam com a idade, para que sejam mais fortes com o tempo, com os anos, se expandam com o tempo e sejam mais elevadas com a idade da Igreja”.

“Peçamos ao Senhor a graça do discernimento para não errar o caminho e não cair na inércia, na rigidez e no fechamento do coração”, concluiu o Papa.

Por Radio Vaticano 

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização 

Papa Francisco: não aos rígidos de vida dupla, na Igreja é necessária a mansidão

Também hoje, na Igreja, existem pessoas que usam a rigidez para encobrir os próprios pecados. Esta foi a advertência que o Papa Francisco fez na homilia da missa celebrada esta sexta-feira (05/05) na capela da Casa Santa Marta.

Comentando a Primeira Leitura, extraída dos Atos dos Apóstolos, o Pontífice falou sobre a figura de São Paulo que, de rígido perseguidor, se tornou manso e paciente anunciador do Evangelho.

“A primeira vez que aparece o nome de Saulo – observou Francisco – é na lapidação de Estevão”. Saulo era um “jovem, rígido, idealista” e estava “convencido” da rigidez da Lei.

Não aos rígidos de vida dupla

Era rígido, comentou o Papa, mas “era honesto”. Ao invés, Jesus “teve que condenar os rígidos que não eram honestos”:

“São os rígidos de vida dupla: se mostram belos, honestos, mas quando ninguém os vê, fazem coisas feias. Ao invés, este jovem era honesto: acreditava nisso. Quando falo disso, penso em muitos jovens que caíram na tentação da rigidez, hoje, na Igreja. Alguns são honestos, são bons, devemos rezar para que o Senhor os ajude a crescer no caminho da mansidão”.

Francisco prosseguiu dizendo que outras pessoas “usa a rigidez para encobrir as fraquezas, pecados, doenças de personalidade e usam a rigidez” para se afirmar sobre os outros. O Papa observou que Saulo, crescido nesta rigidez, não pode tolerar aquela que para ele é uma heresia e, assim, começa a perseguir os cristãos. “Pelo menos – comenta o Pontífice com amargura – deixava as crianças vivas: hoje, nem isso”.

Saulo então vai a Damasco para capturar os cristãos e conduzi-los prisioneiros a Jerusalém. E no caminho há o encontro “com outro homem que fala com uma linguagem de mansidão: ‘Saulo, Saulo, por que me persegues?’”.

De perseguidor, São Paulo se torna evangelizador

A criança, disse, “o rapaz rígido, que se fez homem rígido – mas honesto! – se fez criança e se deixou conduzir para onde o Senhor o chamou. A força da mansidão do Senhor”. Saulo se torna então Paulo, anuncia o Senhor até o fim e sofre por Ele:

“E assim, este homem da própria experiência prega aos outros, de uma parte a outra: perseguido, com muitos problemas, inclusive na Igreja, também teve que sofrer com o fato que os próprios cristãos brigassem entre si. Mas ele, que tinha perseguido o Senhor com o zelo da Lei, dirá aos cristãos: ‘Com o mesmo que se afastaram do Senhor, pecaram, com a mente, com o corpo, com tudo, com os mesmos membros agora sejam perfeitos, deem glória a Deus’”.

Que os rígidos sigam o caminho da mansidão de Jesus

“Existe o diálogo entre a suficiência, a rigidez e a mansidão”, disse o Papa. “O diálogo entre um homem honesto e Jesus que lhe fala com doçura”. E assim, destacou, “começa a história deste homem que conhecemos ainda jovem, na lapidação de Estevão, e que acabará traído por um cristão”. Para alguns, a vida de São Paulo “é uma falência”, assim como aquela de Jesus:

“Este é o caminho do cristão: ir avante pelos vestígios que Jesus deixou, vestígios da pregação, do sofrimento, da Cruz, da ressurreição. Peçamos a Saulo, hoje, de modo especial pelos rígidos que existem na Igreja; pelos rígidos-honestos como ele, que têm zelo, mas erram. E pelos rígidos hipócritas, os de vida dupla, aqueles aos quais Jesus dizia: ‘Façam o que dizem, mas não o que fazem’. Hoje, rezemos pelos rígidos”.

Por Radio Vaticano 

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Igreja terá cinco novos beatos. Entre os veneráveis o Cardeal Van Thuân

O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta quinta-feira (04/05), no Vaticano, o Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, ao qual autorizou a promulgação de  decretos relativos a quatro milagres, um martírio e as virtudes heroicas de sete Servos de Deus, dentre os quais o Cardeal vietnamita Francisco Xavier Nguyên Van Thuân.

Milagres

Com o reconhecimento dos quatro milagres serão beatificados os seguintes veneráveis:

Francesco Solano Casey, sacerdote professo da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, nascido em 25 de novembro de 1870 e morto em 31 de julho de 1957;

Maria da Conceição, no século Adelaide de Batz de Trenquelléon, fundadora das Filhas de Maria Imaculada, nascida em 10 de junho de 1789 e morta em 10 de janeiro de 1828;

Chiara Fey, fundadora do Instituto das Servas do Pobre Menino Jesus, nascida em 11 de abril de 1815 e falecida em 8 de maio de 1894;

e Caterina de Maria, no século Giuseppa Saturnina Rodríguez, fundadora da Congregação das Servas do Sacratíssimo Coração de Jesus, nascida em 27 de novembro 1823 e morta em 5 de abril de 1896.

Martírio 

Também será beatificado o Servo de Deus Luciano Botovasoa, leigo e pai de família, da Terceira Ordem de São Francisco, morto por ódio à fé em Vohipeno, Madagascar, em 17 de abril de 1947, para salvar os habitantes de sua aldeia durante uma insurreição.

Virtudes heroicas

Entre os novos veneráveis Servos de Deus, aos quais foram reconhecidas as virtudes heroicas, estão:

Elia dalla Costa, Cardeal da Santa Romana Igreja, Arcebispo de Florença, nascido em 14 de maio de 1872 e falecido em 22 de dezembro de 1961;

Francisco Xavier Nguyên Van Thuân, Cardeal da Santa Romana Igreja, nascido em 17 de abril de 1928 e morto em 16 de setembro de 2002. Van Thuân foi criado cardeal por São João Paulo II, depois de transcorrer vários anos nas prisões do Vietnã.

Giovanna Meneghini, fundadora da Congregação das Irmãs Ursulinas do Sagrado Coração de Maria, nascida em 23 de maio de 1868 e falecida em 2 março de 1918;

Vincenza Cusmano, primeira superiora geral da Congregação das Pobres Servas, nascida em 6 de janeiro de 1826 e morta em 2 de fevereiro de 1894;

Alessandro Nottegar, leigo, pai de família, fundador da Comunidade Regina Pacis; nascido em 30 de outubro de 1943 e falecido em 19 de setembro de 1986;

Edvige Carboni, leiga, nascida em 2 de maio de 1880 e morta em 17 de fevereiro de 1952;

e Maria Guadalupe Ortiz de Landázuri y Fernández de Heredia, leiga, da Prelazia da Santa Cruz e Opus Dei; nascida em 12 de dezembro de 1916 e morta em 16 de julho de 1975.

Por Radio Vaticano 

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Criada a Sociedade Ratzinger do Brasil para estudar o pensamento do Papa Emérito

Criada durante a 55ª. Assembleia Geral da CNBB, a Sociedade Ratzinger do Brasil (SRB) tem como finalidade traduzir a “Joseph Ratzinger Opera Omnia” e divulga-la; promover atividades de estudo e pesquisa sobre a obra de Joseph Ratzinger – Papa Bento XVI, obras a respeito do seu pensamento e sobre temas por ele tratados; Realizar congressos, seminários, e cursos de atualização teológica; organizar encontros periódicos de caráter regional, nacional e internacional; realizar trabalhos interdisciplinares com outras sociedade e instituições teológicas congêneres; publicar obras científicas e de divulgação sobre a teologia de Joseph Ratzinger – Papa Bento XVI, se seu Magistério Pontifício.

Os membros fundadores podem admitir a entrada de novos sócios mediante as condições do Estatuto Social da Sociedade. O interesse no estudo do pensamento de Joseph Ratzinger, naturalmente, é uma das condições básicas. A sede da Sociedade se localiza no Setor de Grandes Áreas Nortes, Quadra 601, Módulos E/F, em Brasília (DF).

O Conselho Diretor da Sociedade ficou constituído com os seguintes membros: Cardeal Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo (SP); dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre (RS); Cardeal Raymundo Damasceno, arcebispo emérito de Aparecida (SP); Cardeal Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro (RJ); dom Murilo Sebastião Krieger, Primaz do Brasil e arcebispo de Salvador (BA) e dom Pedro Carlos Cipollini, bispo de Santo André (SP).

Para a presidência do Comitê Científico da Sociedade foi eleito o cardeal Sergio da Rocha, arcebispo de Brasília (DF) e presidente da CNBB. Para esse mesmo comitê foi eleito na função de secretário Monsenhor Luiz Catelan Ferreira, subsecretário de Pastoral da CNBB e assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé.

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Fundação vaticana
No Vaticano, há uma instituição semelhante, a Fundação Joseph Ratzinger – Papa Bento XVI. Presidida pelo Pe. Federico Lombardi, ex porta-voz do Papa Francisco, e tem como conselheiros o responsável pela Prefeitura Apostólica do Vaticano e secretário particular do Papa Emérito, o arcebispo Georg Gänswein; o padre salvatoriano Stephan Otto Horn, ex aluno e assistente universitário de Joseph Ratzinger na Alemanha e responsável pela sua obra; e o padre salesiano, diretor da Libreria Editrice Vaticana, Giuseppe Costa.

Papa Francisco com a RCC em seu Jubileu de Ouro – 50 anos de Evangelização

Carismáticos de todo o mundo celebrarão seu Jubileu de Ouro em Roma, de 31 de maio a 4 de junho .

A Renovação Carismática Católica (RCC) estará celebrando seu Jubileu de Ouro em Roma, dentro de um mês. O movimento nasceu em fevereiro de 1967, durante um retiro de estudantes na Universidade Duquesne, em Pittsburgh, Pensilvânia, e difundiu-se pelos cinco continentes.

As comemorações terão início na manhã da quarta-feira, 31 de maio, na Audiência Geral com o Papa Francisco e se concluirão no Domingo de Pentecostes, dia 4 de junho, com a celebração na Praça São Pedro, presidida pelo Pontífice, que também estará presente na grande Vigília programada para o ‘Circo Massimo’ (próximo ao Coliseu), na noite de sábado.

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O programa destes dias será intenso, com encontros, simpósios, laboratórios e celebrações em várias basílicas e igrejas romanas. Testemunhas dos primeiros anos da Renovação estarão presentes, assim como expoentes mundiais da RCC e da Fraternidade Católica. Por desejo do próprio Pontífice, o encontro que reunirá carismáticos provenientes de todo o mundo, terá a presença também de expoentes do mundo evangélico e pentecostal.

“O Papa Francisco nos pediu para pensar em um Jubileu que fosse o mais inclusivo possível”, enfatizou a Presidente da RCC internacional, Michelle Moran. “Além dos encontros com o Pontífice, a programação prevê alguns momentos específicos que irão refletir as peculiaridades da Renovação Carismática. Cada evento será fruto da colaboração entre as diversas realidades, porque o Papa dá uma grande importância ao tema da unidade e membros de outras Igrejas estarão conosco”, explicou Moran.

“Precisamente do Papa Francisco partiu em 2014 o convite para esta grande festa e estamos ansiosos em celebrar este nosso Jubileu”, declarou à Agência Ansa o brasileiro Gilberto Barbosa, Presidente da Catholic Fraternity. “Somos um dom para a Igreja, mas também enfrentamos muitas dificuldades (…). O Papa disse que nestes cinquenta anos muitas coisas mudaram na Igreja. E isto graças também à contribuição da Renovação Carismática”.

Segundo algumas estimativas, existem hoje no mundo mais de 120 milhões de carismáticos católicos. De fato, aquele histórico retiro em 1967 não ficou restrito à Universidade de Duquesne. A experiência daquela “nova efusão do Espírito” vivida por aqueles estudantes, difundiu-se nas paróquias e outras realidades pelo mundo afora.

Por Radio Vaticano 

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Na Catequese, Papa afirma que viagem ao Egito foi “sinal de paz”

Francisco comentou cada etapa de sua viagem ao Egito, realizada no último final de semana

O Papa Francisco disse na Catequese desta quarta-feira, 3, no Vaticano, que a sua recente viagem ao Egito foi um “sinal de paz”, agradecendo pelo acolhimento da população, das autoridades civis e religiosas do país.

Diante de 20 mil fiéis reunidos na Praça de São Pedro, o Pontífice recordou as etapas principais de sua viagem ao Egito, realizada no último final de semana. Sobre o lema “O Papa da paz no Egito da paz”, Francisco destacou que a visita ao país foi um final de paz para toda aquela região, que infelizmente sofre por causa dos conflitos e do terrorismo.

Na Universidade de Al-Azhar, a presença de Francisco teve duas finalidades: o diálogo entre cristãos e muçulmanos ao encontrar o Grande Imã e, ao mesmo tempo, a promoção da paz no mundo ao participar da Conferência Internacional.

“Neste contexto, ofereci uma reflexão que valorizou a história do Egito como terra de civilização e terra de alianças. Para toda a humanidade, o Egito é sinônimo de antiga civilização, de tesouros da arte e do conhecimento; e isso nos recorda que a paz se constrói mediante a educação, a formação da sabedoria, de um humanismo que compreende como parte integrante a dimensão religiosa, a relação com Deus. A paz se constrói também partindo da aliança entre Deus e o homem, fundamento da aliança entre todos os homens, baseada no Decálogo escrito no Sinai, mas muito mais profundamente no coração de cada homem de todos os tempos e lugares, lei que se resume nos dois mandamentos de amor a Deus e ao próximo.”

Com o Presidente da República do Egito, emergiu o papel do país na região médio-oriental, que lhe confere uma tarefa peculiar no caminho rumo a uma paz estável e duradoura, que se apoia não no direito da força, mas na força do direito.

Ecumenismo

Já com o Patriarca dos coptas ortodoxos, Papa Tawadros II, foi vivido um momento de forte comunhão. “Renovamos o compromisso, assinando também uma Declaração Comum, de caminhar juntos e nos comprometer a não repetir o Batismo ministrado nas respectivas Igrejas. Juntos, rezamos pelos mártires dos recentes atentados que atingiram tragicamente aquela venerável Igreja; e o sangue deles fecundou este encontro ecumênico, do qual participou também o Patriarca de Constantinopla Bartolomeu, meu querido irmão.”

A Igreja no Egito

O segundo dia da viagem foi dedicado aos fiéis católicos, com a Missa celebrada no estádio da Aeronáutica militar, em que o Papa os exortou a reviver a experiência dos discípulos de Emáus, isto é, de encontrar sempre em Cristo a alegria da fé e o ardor da esperança.

O último momento foi com os sacerdotes, os religiosos e as religiosas e os seminaristas, no Seminário Maior. “Há muitos seminaristas, e isso é uma consolação”, disse o Papa.

“Nesta comunidade de homens e mulheres que escolheram doar a vida a Cristo, vi a beleza da Igreja no Egito, e rezei por todos os cristãos no Oriente Médio, para que sejam sal e luz naquelas terras.”

Egito: sinal de esperança

O Egito, disse ainda o Papa, foi sinal de esperança, refúgio e ajuda. “Quando aquela parte do mundo tinha fome, Jacó com seus filhos foram para lá. Depois, quando Jesus foi perseguido, também foi lá. Por isso, contar para vocês esta viagem entra no caminho de falar da esperança. Para nós, o Egito tem aquele sinal de esperança, seja para a história, seja para o presente.”

Francisco concluiu pedindo a intercessão da Sagrada Família, que migrou para as margens do Nilo, para que abençoe e proteja sempre o povo egípcio e o guie no caminho da prosperidade, da fraternidade e da paz.

Após a catequese, o Papa saudou os numerosos grupos presentes na Praça, de modo especial os brasileiros oriundos da família Esperança, da Federação Brasileira de Academias de Medicina, e os fiéis de Ribeirão Preto, Londrina e Caratinga.

Por Rádio Vaticano

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Papa Francisco: “Como Abraão, esperar contra toda esperança”

A catequese proferida pelo Papa na audiência geral desta quarta-feira (29/03) foi inspirada no episódio narrado por Paulo na Carta aos Romanos. Segundo Francisco, este trecho é um ‘grande dom’, porque mostra Abraão como ‘pai da esperança’ e preanuncia a Ressurreição: a vida nova que vence o mal e até a morte.

“Abraão não vacilou na fé, apesar de ver o seu físico desvigorado por sua idade e considerando o útero de Sara já incapaz de conceber”, diz o trecho lido em várias línguas aos 13 mil fiéis presentes na Praça São Pedro.

O Apóstolo nos ensina que somos chamados a viver esta experiência, a ‘esperar contra toda esperança’; a acreditar no Deus que salva, que chama à vida e nos tira do desespero e da morte. “Que aquele hino a Deus, que liberta e regenera, se torne profecia para nós”, disse o Papa, prosseguindo:

“Deus ‘ressuscitou dos mortos a Jesus’ para que nós também possamos passar Nele da morte à vida. Pode-se bem dizer que Abraão  se tornou ‘pai de muitos povos’, porque resplandece como o anúncio de uma nova humanidade, resgatada por Cristo do pecado e conduzida para sempre ao abraço do amor de Deus”.

 

A esperança cristã vai além da esperança humana

Paulo nos ajuda a compreender a íntima relação entre fé e esperança. A esperança cristã não se baseia em raciocínios, previsões e garantias humanas; ela se manifesta quando não há mais nada em que esperar, exatamente como o fez Abraão ante sua morte iminente e a esterilidade de Sara, sua esposa. Era o fim para eles… não podiam ter filhos… mas Abraão acreditou, teve esperança”.

A grande esperança se fundamenta na fé e precisamente por isso é capaz de ir além de qualquer esperança. Não se baseia em nossa palavra, mas na Palavra de Deus, explicou Francisco à multidão.

“E é neste sentido que somos chamados a seguir o exemplo de Abraão, que mesmo diante da evidencia de uma realidade que o levaria à morte, confia em Deus, plenamente convencido de que Ele tem poder para cumprir o que prometeu”.

Improvisando, a pergunta aos fiéis

Dirigindo-se à Praça, o Papa perguntou aos fiéis: “Estamos convencidos realmente de que Deus nos quer bem? Que ele pode cumprir o que prometeu? Qual seria o seu preço? Abrir o coração! A força de Deus ensinará o que é a esperança. Este é o único preço: abrir o coração á fé… e Ele fará o resto!”.

“Eis, portanto, o paradoxo e ao mesmo tempo, o elemento mais forte, mais elevado, da nossa esperança! Ela é fundada em uma promessa que do ponto de vista humano parece ser incerta e imprevisível, mas que se manifesta até mesmo diante da morte, quando quem a promete é o Deus da Ressurreição e da vida”.

Firmes na esperança

“Queridos irmãos e irmãs, peçamos ao Senhor a graça de permanecer firmes não apenas em nossas seguranças, em nossas capacidades, mas na esperança que brota da promessa de Deus. Assim, a nossa vida terá uma nova luz, na certeza de que Aquele que ressuscitou o seu Filho ressuscitará a nós também, tornando-nos uma só coisa com Ele, junto de todos os nossos irmãos na fé”.

O Papa encerrou o encontro concedendo a bênção aos fiéis

Por radio vaticano

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O Papa Francisco não disse que é preferível ser ateu do que cristão hipócrita – Confira a homilia de Francisco e vejam a verdade!

Hoje, fomos inundados por uma avalanche de noticias: O Papa declarou que é melhor ser ateu do que católico hipócrita. Me impressionei com a incisão das palavras do pontífice. Palavras certeiras mas que poderiam induzir a uma complacência com o ateísmo. Poderia justificar-se o ateísmo tendo em vista da má vida dos fiéis? Eis a pergunta que a grande imprensa quis incutir na mente dos leitores.– A frase tem sentido, avisa o desavisado. Sim, se bem compreendida, tem sentido. No entanto, sou impelido a ressaltar: Não se trata da frase ser correta ou errada, mas ser exatamente o que foi dito… me perdoem os informais, mas eu costumo exigir dos redatores que o conteúdo que está entre aspas seja exatamente o que foi dito. Senão fica parecendo que qualquer um senta numa redação e escreve o que lhe convém. Nós sabemos que é assim, mas não façam de uma forma que a brincadeira passe a ser constrangedora.Tendo em vista a credibilidade da grande mídia, preferi esperar a publicação da homilia pela Santa Sé. Fingi estar surpreso enquanto Surpresa: A palavra ‘ateu’ aparece apenas simplesmente uma vez na homilia e, olhem que coisa surpreendente: Não tinha o sentido laicista que a grande mídia divulgou. O Papa disse:

“Quantas vezes já ouvimos na rua ou em outros locais alguém dizer: “Para ser católico como aquele é melhor ser ateu!” É isto o escândalo, que destrói, que manda abaixo.”

Por Renato Aquino – Fides Press


Leia a homilia completa

Papa Francisco

Meditação da manhã na capela da
Casa de Santa Marta

Não adiar a conversão – Quinta-feira, fevereiro 23, 2017

O “escândalo” daqueles que professam o cristão e, em seguida, mostra a sua verdadeira face com uma vida que não é cristão em tudo; e o contra-testemunho daqueles que “usos” e “destruir” a vida dos outros, fingindo ser um bom católico. Isto tem-se centrado na missa celebrada quinta-feira, fevereiro 23 em Santa Marta Papa Francisco, que, comentando sobre as duras palavras usadas por Jesus no Evangelho, chamado à conversão os protagonistas de certos “vida dupla”.

A homilia do Papa foi inspirado no Salmo 1, que afirma: “Feliz é o homem que não entra no conselho dos ímpios, não permanecem na vida dos pecadores, nem se assenta na companhia de arrogante, mas na lei do Senhor encontra a sua alegria. Sua lei medita de dia e de noite “. Escritura, explicou Francis, refere-se ao homem que tem “a sua força” no Senhor “, que se sente pequeno, que sabe que sem o Senhor não pode fazer nada.” Ele é “o bendito do Senhor.”

Mais tarde, ele acrescentou, o salmo também propõe a “oposição entre aqueles que seguem a lei do Senhor, e aqueles arrogante, mal”. É o mesmo conflito que se encontra no Evangelho do dia (Marcos, 9, 41-50). Mesmo naquela canção, “Não são boas e não são ruins.” Por trás das palavras de Jesus é percebido, “a figura destes justos que se sentir pequeno, mas a sua confiança está no Senhor.” Um passo, observou o Papa, em que “quatro vezes” retorna a palavra “escândalo”. E em usá-lo ao Senhor “, ele era muito forte”, tanto que ele diz: “Ai de fazer com que um destes pequeninos. Problemas. ” Na verdade, o Pontífice explicou, “O escândalo, pois o Senhor, é a destruição.” Jesus aconselha: “É melhor para destruir a si mesmo que destruir os outros. Cortou a mão, cortar o pé, tirar o olho, jogado ao mar. Mas, para não escandalizar os mais pequenos, que os justos, aqueles que confiam no Senhor, que você simplesmente crer no Senhor. “

Neste ponto, o Pontífice perguntou: “Mas o que é o escândalo?”. A resposta toca a vida concreta de cada pessoa: “O escândalo dizer uma coisa e fazer outra; É a vida de casal. ” Um exemplo? “Estou muito católica, eu sempre ir à missa, eu pertenço a essa associação e outro; mas minha vida não é cristão, eu não pagar o direito de meus funcionários, eu explorar as pessoas estão sujas no negócio, eu faço a lavagem de dinheiro. ” Esta é uma “vida dupla”. Infelizmente, ele considerou o Papa, “muitos católicos são assim, e estes escandalizado.”

palavras claras que trazem todos para a vida diária: “Quantas vezes já ouvimos”, acrescentou Francis “, no bairro e em outro lugar:” Mas para ser um católico assim, melhor ser um ateu “. Isso é o que o escândalo “, que” destrói “, que” bate “. E “isso acontece todos os dias: basta assistir ao noticiário ou assistir ao noticiário. Nos jornais há tantos escândalos, e até lá a grande publicidade dos escândalos. E com os escândalos que ele é destruído. “

Uma outra explicação das suas palavras, o Papa disse um fato recentemente a respeito de “uma importante empresa”, que estava “à beira da falência.” Porque, segundo ele, as autoridades queriam evitar o direito de greve, mas ele não faria bem “, eles tentaram entrar em contato com o gerente da empresa. E onde estava ele, enquanto “a empresa estava falhando,” e as pessoas “não receberam o salário do seu trabalho”? O executivo, que também afirmou ser “um homem católico, muito católico”, que estava “em uma praia no Oriente Médio” para fazer “férias de inverno”. O fato, acrescentou o Papa, “não saiu nos jornais”, mas “as pessoas o conheciam.” Estes “são os escândalos, a vida dupla”. E Jesus para aqueles que se comportam assim diz: “Nessas pequenas, essas pobres pessoas que crêem em mim, não arruiná-los com a sua vida dupla.”

Parafraseando outra passagem do Evangelho, o Papa imaginado o momento em que aqueles que dão escândalo vai bater na porta do Céu “, estou, Senhor!” – “Sim, você não se lembra? Fui à igreja, eu estava perto, eu pertencia a essa associação, eu faço isso … não se lembra de todas as ofertas que eu fiz? “-” Sim, eu me lembro. As ofertas, os que eu lembre-se: todo sujo. Todos roubado dos pobres. Eu não sei você. “

O problema, explicou o Papa, decorre de uma atitude que é encontrado bem descrito na sua primeira leitura do dia (Siraque, 5, 1-10): “Não confie em suas riquezas, e não de dizer” basta para mim “» . E ainda: “Não siga sua inclinação e força, satisfazendo os desejos do teu coração.” A vida dupla, isto é, “se trata de seguir as paixões do coração, os pecados mortais que são as feridas do pecado original”. Quem dá escândalo, disse Francis, siga estas paixões, mesmo se o couro. Escritura adverte essas pessoas que, embora reconhecendo o seu erro, contam com o fato de que “o Senhor é paciente, vai esquecer ….” Ele convida todos a “não adiar a conversão.”

Uma chamada reiterada pelo Papa a todos os cristãos: “Para cada um de nós, vai fazer bem hoje a pensar se há algo vida dupla em nós, para aparecer justo para olhar bons crentes, bons católicos, mas de baixo para fazer um ‘ outra coisa. ” É de entender se a atitude é daqueles que dizem: “Mas, sim, o Senhor vai me perdoar então tudo, mas eu ainda …” e, embora consciente de seus erros, repetiu: “Sim, isso não é bom, eu I irá converter, mas não hoje, amanhã. ” Um exame de consciência, que deve levar à conversão do coração, da consciência de que “o escândalo destrói.”


© Direitos de autor – Libreria Editrice Vaticana

Expliquem-nos, dona imprensa, qual foi a mandinga que foi feita para o Papa declarar isso? Será que é difícil para a imprensa ler por completo a homilia do Santo Padre? Tem mesmo que distorcer as palavras ditas pelo Papa? – Se quiserem contestar essa matéria a veja aqui ->  SITE DO VATICANO – HOMILIA DO PAPA FRANCISCO 23/02/2017
Por Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização 

Mensagem do Papa Francisco para Quaresma 2017: A Palavra é um dom. O outro é um dom

Amados irmãos e irmãs!

A Quaresma é um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte. E este tempo não cessa de nos dirigir um forte convite à conversão: o cristão é chamado a voltar para Deus «de todo o coração» (Jl 2, 12), não se contentando com uma vida medíocre, mas crescendo na amizade do Senhor. Jesus é o amigo fiel que nunca nos abandona, pois, mesmo quando pecamos, espera pacientemente pelo nosso regresso a Ele e, com esta espera, manifesta a sua vontade de perdão (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).

A Quaresma é o momento favorável para intensificarmos a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola. Na base de tudo isto, porém, está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo. Aqui queria deter-me, em particular, na parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31). Deixemo-nos inspirar por esta página tão significativa, que nos dá a chave para compreender como temos de agir para alcançarmos a verdadeira felicidade e a vida eterna, incitando-nos a uma sincera conversão.

1. O outro é um dom

A parábola inicia com a apresentação dos dois personagens principais, mas quem aparece descrito de forma mais detalhada é o pobre: encontra-se numa condição desesperada e sem forças para se solevar, jaz à porta do rico na esperança de comer as migalhas que caem da mesa dele, tem o corpo coberto de chagas, que os cães vêm lamber (cf. vv. 20-21). Enfim, o quadro é sombrio, com o homem degradado e humilhado.

A cena revela-se ainda mais dramática, quando se considera que o pobre se chama Lázaro, um nome muito promissor pois significa, literalmente, «Deus ajuda». Não se trata duma pessoa anónima; antes, tem traços muito concretos e aparece como um indivíduo a quem podemos atribuir uma história pessoal. Enquanto Lázaro é como que invisível para o rico, a nossos olhos aparece como um ser conhecido e quase de família, torna-se um rosto; e, como tal, é um dom, uma riqueza inestimável, um ser querido, amado, recordado por Deus, apesar da sua condição concreta ser a duma escória humana (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).

Lázaro ensina-nos que o outro é um dom. A justa relação com as pessoas consiste em reconhecer, com gratidão, o seu valor. O próprio pobre à porta do rico não é um empecilho fastidioso, mas um apelo a converter-se e mudar de vida. O primeiro convite que nos faz esta parábola é o de abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, seja ela o nosso vizinho ou o pobre desconhecido. A Quaresma é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo. Cada um de nós encontra-o no próprio caminho. Cada vida que se cruza connosco é um dom e merece aceitação, respeito, amor. A Palavra de Deus ajuda-nos a abrir os olhos para acolher a vida e amá-la, sobretudo quando é frágil. Mas, para se poder fazer isto, é necessário tomar a sério também aquilo que o Evangelho nos revela a propósito do homem rico.

2. O pecado cega-nos

A parábola põe em evidência, sem piedade, as contradições em que vive o rico (cf. v. 19). Este personagem, ao contrário do pobre Lázaro, não tem um nome, é qualificado apenas como «rico». A sua opulência manifesta-se nas roupas, de um luxo exagerado, que usa. De facto, a púrpura era muito apreciada, mais do que a prata e o ouro, e por isso se reservava para os deuses (cf. Jr 10, 9) e os reis (cf. Jz 8, 26). O linho fino era um linho especial que ajudava a conferir à posição da pessoa um caráter quase sagrado. Assim, a riqueza deste homem é excessiva, inclusive porque exibida habitualmente: «Fazia todos os dias esplêndidos banquetes» (v. 19). Entrevê-se nele, dramaticamente, a corrupção do pecado, que se realiza em três momentos sucessivos: o amor ao dinheiro, a vaidade e a soberba (cf. Homilia na Santa Missa, 20 de setembro de 2013).

O apóstolo Paulo diz que «a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro» (1 Tm 6, 10). Esta é o motivo principal da corrupção e uma fonte de invejas, contendas e suspeitas. O dinheiro pode chegar a dominar-nos até ao ponto de se tornar um ídolo tirânico (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 55). Em vez de instrumento ao nosso dispor para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, o dinheiro pode-nos subjugar, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço ao amor e dificulta a paz.

Depois, a parábola mostra-nos que a ganância do rico fá-lo vaidoso. A sua personalidade vive de aparências, fazendo ver aos outros aquilo que se pode permitir. Mas a aparência serve de máscara para o seu vazio interior. A sua vida está prisioneira da exterioridade, da dimensão mais superficial e efémera da existência (cf. ibid., 62).

O degrau mais baixo desta deterioração moral é a soberba. O homem veste-se como se fosse um rei, simula a posição dum deus, esquecendo-se que é um simples mortal. Para o homem corrompido pelo amor das riquezas, nada mais existe além do próprio eu e, por isso, as pessoas que o rodeiam não caiem sob a alçada do seu olhar. Assim o fruto do apego ao dinheiro é uma espécie de cegueira: o rico não vê o pobre esfomeado, chagado e prostrado na sua humilhação.

Olhando para esta figura, compreende-se por que motivo o Evangelho é tão claro ao condenar o amor ao dinheiro: «Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Mt 6, 24).

3. A Palavra é um dom

O Evangelho do homem rico e do pobre Lázaro ajuda a prepararmo-nos bem para a Páscoa que se aproxima. A liturgia de Quarta-Feira de Cinzas convida-nos a viver uma experiência semelhante à que faz de forma tão dramática o rico. Quando impõe as cinzas sobre a cabeça, o sacerdote repete estas palavras: «Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás de voltar». De facto, tanto o rico como o pobre morrem, e a parte principal da parábola desenrola-se no Além. Dum momento para o outro, os dois personagens descobrem que nós «nada trouxemos ao mundo e nada podemos levar dele» (1 Tm 6, 7).

Também o nosso olhar se abre para o Além, onde o rico tece um longo diálogo com Abraão, a quem trata por «pai» (Lc 16, 24.27), dando mostras de fazer parte do povo de Deus. Este detalhe torna ainda mais contraditória a sua vida, porque até agora nada se disse da sua relação com Deus. Com efeito, na sua vida, não havia lugar para Deus, sendo ele mesmo o seu único deus.

Só no meio dos tormentos do Além é que o rico reconhece Lázaro e queria que o pobre aliviasse os seus sofrimentos com um pouco de água. Os gestos solicitados a Lázaro são semelhantes aos que o rico poderia ter feito, mas nunca fez. Abraão, porém, explica-lhe: «Recebeste os teus bens na vida, enquanto Lázaro recebeu somente males. Agora, ele é consolado, enquanto tu és atormentado» (v. 25). No Além, restabelece-se uma certa equidade, e os males da vida são contrabalançados pelo bem.

Mas a parábola continua, apresentando uma mensagem para todos os cristãos. De facto o rico, que ainda tem irmãos vivos, pede a Abraão que mande Lázaro avisá-los; mas Abraão respondeu: «Têm Moisés e os Profetas; que os oiçam» (v. 29). E, à sucessiva objeção do rico, acrescenta: «Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão-pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos» (v. 31).

Deste modo se patenteia o verdadeiro problema do rico: a raiz dos seus males é não dar ouvidos à Palavra de Deus; isto levou-o a deixar de amar a Deus e, consequentemente, a desprezar o próximo. A Palavra de Deus é uma força viva, capaz de suscitar a conversão no coração dos homens e orientar de novo a pessoa para Deus. Fechar o coração ao dom de Deus que fala, tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão.

Amados irmãos e irmãs, a Quaresma é o tempo favorável para nos renovarmos, encontrando Cristo vivo na sua Palavra, nos Sacramentos e no próximo. O Senhor – que, nos quarenta dias passados no deserto, venceu as ciladas do Tentador – indica-nos o caminho a seguir. Que o Espírito Santo nos guie na realização dum verdadeiro caminho de conversão, para redescobrirmos o dom da Palavra de Deus, sermos purificados do pecado que nos cega e servirmos Cristo presente nos irmãos necessitados. Encorajo todos os fiéis a expressar esta renovação espiritual, inclusive participando nas Campanhas de Quaresma que muitos organismos eclesiais, em várias partes do mundo, promovem para fazer crescer a cultura do encontro na única família humana. Rezemos uns pelos outros para que, participando na vitória de Cristo, saibamos abrir as nossas portas ao frágil e ao pobre. Então poderemos viver e testemunhar em plenitude a alegria da Páscoa.

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FRANCISCO

Por Radio Vaticana

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Papa Francisco: “Não tenhamos medo de encontrar o olhar de Jesus sobre nós”

As leituras do dia nesta 4ª semana no Tempo Comum inspiraram o Papa Francisco na homilia da missa matutina de terça-feira (31/01), na Casa Santa Marta.

Dirigindo-se aos participantes, o Pontífice iniciou recordando que a Carta aos Hebreus nos exorta a correr na fé com “perseverança, mantendo o olhar fixo em Jesus”. Já no 5º capítulo Evangelho de Marcos, “é Jesus que nos olha e percebe que estamos ali. Ele nos está próximo, está sempre no meio da multidão”, explicou o Papa.

“Não está com os guardas que fazem escolta, para que ninguém o toque. Não, não! Ele fica ali, comprimido entre as pessoas. E toda vez que Jesus saia, tinha mais gente. Especialistas de estatísticas poderiam até ter noticiado: “Cai a popularidade do Rabí Jesus”… Mas ele procurava outra coisa: procurava as pessoas. E as pessoas o procuravam. O povo tinha os olhos presos Nele e Ele tinha os olhos presos nas pessoas. “Sim, sim, no povo, na multidão”, “Não, não, em cada um!” É esta a peculiaridade do olhar de Jesus. Jesus não massifica as pessoas; Ele olha para cada um”.

Pequenas alegrias

O Evangelho de Marcos narra dois milagres: Jesus cura uma mulher que tem hemorragias há 12 anos e que, no  meio da multidão, consegue tocar sua roupa. Ele percebe que foi tocado e depois, ressuscita a filha de 12 anos de Jairo, um dos chefes da Sinagoga. Ele observa que a menina está faminta e diz aos pais que lhe deem de comer:

“O olhar de Jesus passa do grande ao pequeno. Assim olha Jesus: olha para nós, todos, mas vê cada um de nós. Olha os nossos grandes problemas, percebe as nossas grandes alegrias e vê também as nossas pequenas coisas… porque está perto. Jesus não se assusta com as grandes coisas e leva em conta também as pequenas. Assim olha Jesus”.

Se corrermos “com perseverança, mantendo fixo o olhar em Jesus” – afirma o Papa Francisco – acontecerá conosco o que aconteceu com as pessoas depois da ressurreição da filha de Jairo, que ficaram todas admiradas:

“Vou, vejo Jesus, caminho avante, fixo o olhar em Jesus e o que vejo? Que Ele tem o olhar sobre mim! E isto me faz sentir um grande estupor: é a surpresa do encontro com Jesus. Mas não tenhamos medo! Não tenhamos medo, assim como não o teve aquela senhora que foi tocar o manto de Jesus. Não tenhamos medo! Corramos neste caminho, com o olhar sempre fixo em Jesus. E teremos esta bela surpresa, que nos encherá de estupor. O próprio Jesus com os olhos fixos em mim”.

Por Radio Vaticano

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