Arquivo da categoria: Vaticano

Papa Francisco: “Como Abraão, esperar contra toda esperança”

A catequese proferida pelo Papa na audiência geral desta quarta-feira (29/03) foi inspirada no episódio narrado por Paulo na Carta aos Romanos. Segundo Francisco, este trecho é um ‘grande dom’, porque mostra Abraão como ‘pai da esperança’ e preanuncia a Ressurreição: a vida nova que vence o mal e até a morte.

“Abraão não vacilou na fé, apesar de ver o seu físico desvigorado por sua idade e considerando o útero de Sara já incapaz de conceber”, diz o trecho lido em várias línguas aos 13 mil fiéis presentes na Praça São Pedro.

O Apóstolo nos ensina que somos chamados a viver esta experiência, a ‘esperar contra toda esperança’; a acreditar no Deus que salva, que chama à vida e nos tira do desespero e da morte. “Que aquele hino a Deus, que liberta e regenera, se torne profecia para nós”, disse o Papa, prosseguindo:

“Deus ‘ressuscitou dos mortos a Jesus’ para que nós também possamos passar Nele da morte à vida. Pode-se bem dizer que Abraão  se tornou ‘pai de muitos povos’, porque resplandece como o anúncio de uma nova humanidade, resgatada por Cristo do pecado e conduzida para sempre ao abraço do amor de Deus”.

 

A esperança cristã vai além da esperança humana

Paulo nos ajuda a compreender a íntima relação entre fé e esperança. A esperança cristã não se baseia em raciocínios, previsões e garantias humanas; ela se manifesta quando não há mais nada em que esperar, exatamente como o fez Abraão ante sua morte iminente e a esterilidade de Sara, sua esposa. Era o fim para eles… não podiam ter filhos… mas Abraão acreditou, teve esperança”.

A grande esperança se fundamenta na fé e precisamente por isso é capaz de ir além de qualquer esperança. Não se baseia em nossa palavra, mas na Palavra de Deus, explicou Francisco à multidão.

“E é neste sentido que somos chamados a seguir o exemplo de Abraão, que mesmo diante da evidencia de uma realidade que o levaria à morte, confia em Deus, plenamente convencido de que Ele tem poder para cumprir o que prometeu”.

Improvisando, a pergunta aos fiéis

Dirigindo-se à Praça, o Papa perguntou aos fiéis: “Estamos convencidos realmente de que Deus nos quer bem? Que ele pode cumprir o que prometeu? Qual seria o seu preço? Abrir o coração! A força de Deus ensinará o que é a esperança. Este é o único preço: abrir o coração á fé… e Ele fará o resto!”.

“Eis, portanto, o paradoxo e ao mesmo tempo, o elemento mais forte, mais elevado, da nossa esperança! Ela é fundada em uma promessa que do ponto de vista humano parece ser incerta e imprevisível, mas que se manifesta até mesmo diante da morte, quando quem a promete é o Deus da Ressurreição e da vida”.

Firmes na esperança

“Queridos irmãos e irmãs, peçamos ao Senhor a graça de permanecer firmes não apenas em nossas seguranças, em nossas capacidades, mas na esperança que brota da promessa de Deus. Assim, a nossa vida terá uma nova luz, na certeza de que Aquele que ressuscitou o seu Filho ressuscitará a nós também, tornando-nos uma só coisa com Ele, junto de todos os nossos irmãos na fé”.

O Papa encerrou o encontro concedendo a bênção aos fiéis

Por radio vaticano

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da evangelização 

O Papa Francisco não disse que é preferível ser ateu do que cristão hipócrita – Confira a homilia de Francisco e vejam a verdade!

Hoje, fomos inundados por uma avalanche de noticias: O Papa declarou que é melhor ser ateu do que católico hipócrita. Me impressionei com a incisão das palavras do pontífice. Palavras certeiras mas que poderiam induzir a uma complacência com o ateísmo. Poderia justificar-se o ateísmo tendo em vista da má vida dos fiéis? Eis a pergunta que a grande imprensa quis incutir na mente dos leitores.– A frase tem sentido, avisa o desavisado. Sim, se bem compreendida, tem sentido. No entanto, sou impelido a ressaltar: Não se trata da frase ser correta ou errada, mas ser exatamente o que foi dito… me perdoem os informais, mas eu costumo exigir dos redatores que o conteúdo que está entre aspas seja exatamente o que foi dito. Senão fica parecendo que qualquer um senta numa redação e escreve o que lhe convém. Nós sabemos que é assim, mas não façam de uma forma que a brincadeira passe a ser constrangedora.Tendo em vista a credibilidade da grande mídia, preferi esperar a publicação da homilia pela Santa Sé. Fingi estar surpreso enquanto Surpresa: A palavra ‘ateu’ aparece apenas simplesmente uma vez na homilia e, olhem que coisa surpreendente: Não tinha o sentido laicista que a grande mídia divulgou. O Papa disse:

“Quantas vezes já ouvimos na rua ou em outros locais alguém dizer: “Para ser católico como aquele é melhor ser ateu!” É isto o escândalo, que destrói, que manda abaixo.”

Por Renato Aquino – Fides Press


Leia a homilia completa

Papa Francisco

Meditação da manhã na capela da
Casa de Santa Marta

Não adiar a conversão – Quinta-feira, fevereiro 23, 2017

O “escândalo” daqueles que professam o cristão e, em seguida, mostra a sua verdadeira face com uma vida que não é cristão em tudo; e o contra-testemunho daqueles que “usos” e “destruir” a vida dos outros, fingindo ser um bom católico. Isto tem-se centrado na missa celebrada quinta-feira, fevereiro 23 em Santa Marta Papa Francisco, que, comentando sobre as duras palavras usadas por Jesus no Evangelho, chamado à conversão os protagonistas de certos “vida dupla”.

A homilia do Papa foi inspirado no Salmo 1, que afirma: “Feliz é o homem que não entra no conselho dos ímpios, não permanecem na vida dos pecadores, nem se assenta na companhia de arrogante, mas na lei do Senhor encontra a sua alegria. Sua lei medita de dia e de noite “. Escritura, explicou Francis, refere-se ao homem que tem “a sua força” no Senhor “, que se sente pequeno, que sabe que sem o Senhor não pode fazer nada.” Ele é “o bendito do Senhor.”

Mais tarde, ele acrescentou, o salmo também propõe a “oposição entre aqueles que seguem a lei do Senhor, e aqueles arrogante, mal”. É o mesmo conflito que se encontra no Evangelho do dia (Marcos, 9, 41-50). Mesmo naquela canção, “Não são boas e não são ruins.” Por trás das palavras de Jesus é percebido, “a figura destes justos que se sentir pequeno, mas a sua confiança está no Senhor.” Um passo, observou o Papa, em que “quatro vezes” retorna a palavra “escândalo”. E em usá-lo ao Senhor “, ele era muito forte”, tanto que ele diz: “Ai de fazer com que um destes pequeninos. Problemas. ” Na verdade, o Pontífice explicou, “O escândalo, pois o Senhor, é a destruição.” Jesus aconselha: “É melhor para destruir a si mesmo que destruir os outros. Cortou a mão, cortar o pé, tirar o olho, jogado ao mar. Mas, para não escandalizar os mais pequenos, que os justos, aqueles que confiam no Senhor, que você simplesmente crer no Senhor. “

Neste ponto, o Pontífice perguntou: “Mas o que é o escândalo?”. A resposta toca a vida concreta de cada pessoa: “O escândalo dizer uma coisa e fazer outra; É a vida de casal. ” Um exemplo? “Estou muito católica, eu sempre ir à missa, eu pertenço a essa associação e outro; mas minha vida não é cristão, eu não pagar o direito de meus funcionários, eu explorar as pessoas estão sujas no negócio, eu faço a lavagem de dinheiro. ” Esta é uma “vida dupla”. Infelizmente, ele considerou o Papa, “muitos católicos são assim, e estes escandalizado.”

palavras claras que trazem todos para a vida diária: “Quantas vezes já ouvimos”, acrescentou Francis “, no bairro e em outro lugar:” Mas para ser um católico assim, melhor ser um ateu “. Isso é o que o escândalo “, que” destrói “, que” bate “. E “isso acontece todos os dias: basta assistir ao noticiário ou assistir ao noticiário. Nos jornais há tantos escândalos, e até lá a grande publicidade dos escândalos. E com os escândalos que ele é destruído. “

Uma outra explicação das suas palavras, o Papa disse um fato recentemente a respeito de “uma importante empresa”, que estava “à beira da falência.” Porque, segundo ele, as autoridades queriam evitar o direito de greve, mas ele não faria bem “, eles tentaram entrar em contato com o gerente da empresa. E onde estava ele, enquanto “a empresa estava falhando,” e as pessoas “não receberam o salário do seu trabalho”? O executivo, que também afirmou ser “um homem católico, muito católico”, que estava “em uma praia no Oriente Médio” para fazer “férias de inverno”. O fato, acrescentou o Papa, “não saiu nos jornais”, mas “as pessoas o conheciam.” Estes “são os escândalos, a vida dupla”. E Jesus para aqueles que se comportam assim diz: “Nessas pequenas, essas pobres pessoas que crêem em mim, não arruiná-los com a sua vida dupla.”

Parafraseando outra passagem do Evangelho, o Papa imaginado o momento em que aqueles que dão escândalo vai bater na porta do Céu “, estou, Senhor!” – “Sim, você não se lembra? Fui à igreja, eu estava perto, eu pertencia a essa associação, eu faço isso … não se lembra de todas as ofertas que eu fiz? “-” Sim, eu me lembro. As ofertas, os que eu lembre-se: todo sujo. Todos roubado dos pobres. Eu não sei você. “

O problema, explicou o Papa, decorre de uma atitude que é encontrado bem descrito na sua primeira leitura do dia (Siraque, 5, 1-10): “Não confie em suas riquezas, e não de dizer” basta para mim “» . E ainda: “Não siga sua inclinação e força, satisfazendo os desejos do teu coração.” A vida dupla, isto é, “se trata de seguir as paixões do coração, os pecados mortais que são as feridas do pecado original”. Quem dá escândalo, disse Francis, siga estas paixões, mesmo se o couro. Escritura adverte essas pessoas que, embora reconhecendo o seu erro, contam com o fato de que “o Senhor é paciente, vai esquecer ….” Ele convida todos a “não adiar a conversão.”

Uma chamada reiterada pelo Papa a todos os cristãos: “Para cada um de nós, vai fazer bem hoje a pensar se há algo vida dupla em nós, para aparecer justo para olhar bons crentes, bons católicos, mas de baixo para fazer um ‘ outra coisa. ” É de entender se a atitude é daqueles que dizem: “Mas, sim, o Senhor vai me perdoar então tudo, mas eu ainda …” e, embora consciente de seus erros, repetiu: “Sim, isso não é bom, eu I irá converter, mas não hoje, amanhã. ” Um exame de consciência, que deve levar à conversão do coração, da consciência de que “o escândalo destrói.”


© Direitos de autor – Libreria Editrice Vaticana

Expliquem-nos, dona imprensa, qual foi a mandinga que foi feita para o Papa declarar isso? Será que é difícil para a imprensa ler por completo a homilia do Santo Padre? Tem mesmo que distorcer as palavras ditas pelo Papa? – Se quiserem contestar essa matéria a veja aqui ->  SITE DO VATICANO – HOMILIA DO PAPA FRANCISCO 23/02/2017
Por Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização 

Mensagem do Papa Francisco para Quaresma 2017: A Palavra é um dom. O outro é um dom

Amados irmãos e irmãs!

A Quaresma é um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte. E este tempo não cessa de nos dirigir um forte convite à conversão: o cristão é chamado a voltar para Deus «de todo o coração» (Jl 2, 12), não se contentando com uma vida medíocre, mas crescendo na amizade do Senhor. Jesus é o amigo fiel que nunca nos abandona, pois, mesmo quando pecamos, espera pacientemente pelo nosso regresso a Ele e, com esta espera, manifesta a sua vontade de perdão (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).

A Quaresma é o momento favorável para intensificarmos a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola. Na base de tudo isto, porém, está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo. Aqui queria deter-me, em particular, na parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31). Deixemo-nos inspirar por esta página tão significativa, que nos dá a chave para compreender como temos de agir para alcançarmos a verdadeira felicidade e a vida eterna, incitando-nos a uma sincera conversão.

1. O outro é um dom

A parábola inicia com a apresentação dos dois personagens principais, mas quem aparece descrito de forma mais detalhada é o pobre: encontra-se numa condição desesperada e sem forças para se solevar, jaz à porta do rico na esperança de comer as migalhas que caem da mesa dele, tem o corpo coberto de chagas, que os cães vêm lamber (cf. vv. 20-21). Enfim, o quadro é sombrio, com o homem degradado e humilhado.

A cena revela-se ainda mais dramática, quando se considera que o pobre se chama Lázaro, um nome muito promissor pois significa, literalmente, «Deus ajuda». Não se trata duma pessoa anónima; antes, tem traços muito concretos e aparece como um indivíduo a quem podemos atribuir uma história pessoal. Enquanto Lázaro é como que invisível para o rico, a nossos olhos aparece como um ser conhecido e quase de família, torna-se um rosto; e, como tal, é um dom, uma riqueza inestimável, um ser querido, amado, recordado por Deus, apesar da sua condição concreta ser a duma escória humana (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).

Lázaro ensina-nos que o outro é um dom. A justa relação com as pessoas consiste em reconhecer, com gratidão, o seu valor. O próprio pobre à porta do rico não é um empecilho fastidioso, mas um apelo a converter-se e mudar de vida. O primeiro convite que nos faz esta parábola é o de abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, seja ela o nosso vizinho ou o pobre desconhecido. A Quaresma é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo. Cada um de nós encontra-o no próprio caminho. Cada vida que se cruza connosco é um dom e merece aceitação, respeito, amor. A Palavra de Deus ajuda-nos a abrir os olhos para acolher a vida e amá-la, sobretudo quando é frágil. Mas, para se poder fazer isto, é necessário tomar a sério também aquilo que o Evangelho nos revela a propósito do homem rico.

2. O pecado cega-nos

A parábola põe em evidência, sem piedade, as contradições em que vive o rico (cf. v. 19). Este personagem, ao contrário do pobre Lázaro, não tem um nome, é qualificado apenas como «rico». A sua opulência manifesta-se nas roupas, de um luxo exagerado, que usa. De facto, a púrpura era muito apreciada, mais do que a prata e o ouro, e por isso se reservava para os deuses (cf. Jr 10, 9) e os reis (cf. Jz 8, 26). O linho fino era um linho especial que ajudava a conferir à posição da pessoa um caráter quase sagrado. Assim, a riqueza deste homem é excessiva, inclusive porque exibida habitualmente: «Fazia todos os dias esplêndidos banquetes» (v. 19). Entrevê-se nele, dramaticamente, a corrupção do pecado, que se realiza em três momentos sucessivos: o amor ao dinheiro, a vaidade e a soberba (cf. Homilia na Santa Missa, 20 de setembro de 2013).

O apóstolo Paulo diz que «a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro» (1 Tm 6, 10). Esta é o motivo principal da corrupção e uma fonte de invejas, contendas e suspeitas. O dinheiro pode chegar a dominar-nos até ao ponto de se tornar um ídolo tirânico (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 55). Em vez de instrumento ao nosso dispor para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, o dinheiro pode-nos subjugar, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço ao amor e dificulta a paz.

Depois, a parábola mostra-nos que a ganância do rico fá-lo vaidoso. A sua personalidade vive de aparências, fazendo ver aos outros aquilo que se pode permitir. Mas a aparência serve de máscara para o seu vazio interior. A sua vida está prisioneira da exterioridade, da dimensão mais superficial e efémera da existência (cf. ibid., 62).

O degrau mais baixo desta deterioração moral é a soberba. O homem veste-se como se fosse um rei, simula a posição dum deus, esquecendo-se que é um simples mortal. Para o homem corrompido pelo amor das riquezas, nada mais existe além do próprio eu e, por isso, as pessoas que o rodeiam não caiem sob a alçada do seu olhar. Assim o fruto do apego ao dinheiro é uma espécie de cegueira: o rico não vê o pobre esfomeado, chagado e prostrado na sua humilhação.

Olhando para esta figura, compreende-se por que motivo o Evangelho é tão claro ao condenar o amor ao dinheiro: «Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Mt 6, 24).

3. A Palavra é um dom

O Evangelho do homem rico e do pobre Lázaro ajuda a prepararmo-nos bem para a Páscoa que se aproxima. A liturgia de Quarta-Feira de Cinzas convida-nos a viver uma experiência semelhante à que faz de forma tão dramática o rico. Quando impõe as cinzas sobre a cabeça, o sacerdote repete estas palavras: «Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás de voltar». De facto, tanto o rico como o pobre morrem, e a parte principal da parábola desenrola-se no Além. Dum momento para o outro, os dois personagens descobrem que nós «nada trouxemos ao mundo e nada podemos levar dele» (1 Tm 6, 7).

Também o nosso olhar se abre para o Além, onde o rico tece um longo diálogo com Abraão, a quem trata por «pai» (Lc 16, 24.27), dando mostras de fazer parte do povo de Deus. Este detalhe torna ainda mais contraditória a sua vida, porque até agora nada se disse da sua relação com Deus. Com efeito, na sua vida, não havia lugar para Deus, sendo ele mesmo o seu único deus.

Só no meio dos tormentos do Além é que o rico reconhece Lázaro e queria que o pobre aliviasse os seus sofrimentos com um pouco de água. Os gestos solicitados a Lázaro são semelhantes aos que o rico poderia ter feito, mas nunca fez. Abraão, porém, explica-lhe: «Recebeste os teus bens na vida, enquanto Lázaro recebeu somente males. Agora, ele é consolado, enquanto tu és atormentado» (v. 25). No Além, restabelece-se uma certa equidade, e os males da vida são contrabalançados pelo bem.

Mas a parábola continua, apresentando uma mensagem para todos os cristãos. De facto o rico, que ainda tem irmãos vivos, pede a Abraão que mande Lázaro avisá-los; mas Abraão respondeu: «Têm Moisés e os Profetas; que os oiçam» (v. 29). E, à sucessiva objeção do rico, acrescenta: «Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão-pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos» (v. 31).

Deste modo se patenteia o verdadeiro problema do rico: a raiz dos seus males é não dar ouvidos à Palavra de Deus; isto levou-o a deixar de amar a Deus e, consequentemente, a desprezar o próximo. A Palavra de Deus é uma força viva, capaz de suscitar a conversão no coração dos homens e orientar de novo a pessoa para Deus. Fechar o coração ao dom de Deus que fala, tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão.

Amados irmãos e irmãs, a Quaresma é o tempo favorável para nos renovarmos, encontrando Cristo vivo na sua Palavra, nos Sacramentos e no próximo. O Senhor – que, nos quarenta dias passados no deserto, venceu as ciladas do Tentador – indica-nos o caminho a seguir. Que o Espírito Santo nos guie na realização dum verdadeiro caminho de conversão, para redescobrirmos o dom da Palavra de Deus, sermos purificados do pecado que nos cega e servirmos Cristo presente nos irmãos necessitados. Encorajo todos os fiéis a expressar esta renovação espiritual, inclusive participando nas Campanhas de Quaresma que muitos organismos eclesiais, em várias partes do mundo, promovem para fazer crescer a cultura do encontro na única família humana. Rezemos uns pelos outros para que, participando na vitória de Cristo, saibamos abrir as nossas portas ao frágil e ao pobre. Então poderemos viver e testemunhar em plenitude a alegria da Páscoa.

1879754_articolo

FRANCISCO

Por Radio Vaticana

Portal Terra de Santa Cruz-A serviço da Evangelização

Papa Francisco: “Não tenhamos medo de encontrar o olhar de Jesus sobre nós”

As leituras do dia nesta 4ª semana no Tempo Comum inspiraram o Papa Francisco na homilia da missa matutina de terça-feira (31/01), na Casa Santa Marta.

Dirigindo-se aos participantes, o Pontífice iniciou recordando que a Carta aos Hebreus nos exorta a correr na fé com “perseverança, mantendo o olhar fixo em Jesus”. Já no 5º capítulo Evangelho de Marcos, “é Jesus que nos olha e percebe que estamos ali. Ele nos está próximo, está sempre no meio da multidão”, explicou o Papa.

“Não está com os guardas que fazem escolta, para que ninguém o toque. Não, não! Ele fica ali, comprimido entre as pessoas. E toda vez que Jesus saia, tinha mais gente. Especialistas de estatísticas poderiam até ter noticiado: “Cai a popularidade do Rabí Jesus”… Mas ele procurava outra coisa: procurava as pessoas. E as pessoas o procuravam. O povo tinha os olhos presos Nele e Ele tinha os olhos presos nas pessoas. “Sim, sim, no povo, na multidão”, “Não, não, em cada um!” É esta a peculiaridade do olhar de Jesus. Jesus não massifica as pessoas; Ele olha para cada um”.

Pequenas alegrias

O Evangelho de Marcos narra dois milagres: Jesus cura uma mulher que tem hemorragias há 12 anos e que, no  meio da multidão, consegue tocar sua roupa. Ele percebe que foi tocado e depois, ressuscita a filha de 12 anos de Jairo, um dos chefes da Sinagoga. Ele observa que a menina está faminta e diz aos pais que lhe deem de comer:

“O olhar de Jesus passa do grande ao pequeno. Assim olha Jesus: olha para nós, todos, mas vê cada um de nós. Olha os nossos grandes problemas, percebe as nossas grandes alegrias e vê também as nossas pequenas coisas… porque está perto. Jesus não se assusta com as grandes coisas e leva em conta também as pequenas. Assim olha Jesus”.

Se corrermos “com perseverança, mantendo fixo o olhar em Jesus” – afirma o Papa Francisco – acontecerá conosco o que aconteceu com as pessoas depois da ressurreição da filha de Jairo, que ficaram todas admiradas:

“Vou, vejo Jesus, caminho avante, fixo o olhar em Jesus e o que vejo? Que Ele tem o olhar sobre mim! E isto me faz sentir um grande estupor: é a surpresa do encontro com Jesus. Mas não tenhamos medo! Não tenhamos medo, assim como não o teve aquela senhora que foi tocar o manto de Jesus. Não tenhamos medo! Corramos neste caminho, com o olhar sempre fixo em Jesus. E teremos esta bela surpresa, que nos encherá de estupor. O próprio Jesus com os olhos fixos em mim”.

Por Radio Vaticano

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização 

Papa Francisco: ser cristão é ser corajoso, não covarde

A Carta aos Hebreus proposta pela liturgia do dia – afirmou o Papa – exorta a viver a vida cristã com três pontos de referência: o passado, o presente e o futuro. Antes de tudo, nos convida a fazer memória, porque “a vida cristã não começa hoje: continua hoje”. Fazer memória é “recordar tudo”: as coisas boas e menos boas, é colocar a minha história “diante de Deus”, sem cobri-la  ou escondê-la:

 

 

“Irmãos, evoquem na memória aqueles primeiros dias’: os dias do entusiasmo, de ir avante na fé, quando se começou a viver a fé, as tribulações sofridas … Não se entende a vida cristã, inclusive a vida espiritual de todos os dias, sem memória. Não somente não se entende: não se pode viver de modo cristão sem memória. A memória da salvação de Deus na minha vida, a memória dos problemas na minha vida; mas como o Senhor me salvou desses problemas? A memoria é uma graça: uma graça a ser pedida. ‘Senhor, que não esqueça o teu passo na minha vida, que não esqueça os bons momentos, inclusive os maus; as alegrias e as cruzes’. Mas o cristão é um homem de memória”.

Depois, o autor da Carta nos faz entender que “estamos em caminho a espera de algo”, a espera de “chegar a um ponto: um encontro; encontro o Senhor”. “E nos exorta a viver por fé”:

“A esperança: olhar para o futuro. Assim como não se pode viver uma vida cristã sem a memória dos passos feitos, não se pode viver uma vida cristã sem olhar para o futuro com esperança… para o encontro com o Senhor. E ele diz uma bela frase: ‘Ainda bem pouco …’. Eh, a vida é um sopro, eh? Passa. Quando se é jovem, se pensa que temos tanto tempo pela frente, mas depois a vida nos ensina que aquela frase que todos dizemos: ‘Mas como passa o tempo! Eu o conheci quando era criança, e agora está casando! Como passa o tempo!’. Logo chega. Mas a esperança de encontrá-lo é uma vida em tensão, entre a memória e a esperança, o passado e o futuro”.

Por fim, a Carta convida a viver o presente, “muitas vezes doloroso e triste”, com “coragem e paciência”: isto é, com franqueza, sem vergonha, e suportando as vicissitudes da vida. Somos pecadores – explicou o Papa – “todos somos. Quem antes e quem depois… se quiserem, podemos fazer a lista depois, mas todos somos pecadores. Todos. Mas prossigamos com coragem e com paciência. Não fiquemos ali, parados, porque isso não nos fará crescer”. Por fim, o autor da Carta aos Hebreus exorta a não cometer o pecado que não nos deixa ter memória, esperança, coragem e paciência: a covardia. “É um pecado que não deixa ir para frente por medo”, enquanto Jesus diz: “Não tenham medo”. Covardes são “os que vão sempre para trás, que protegem demasiado a si mesmos, que têm medo de tudo”:

“‘Não arrisque, por favor, não…prudência…’ Os mandamentos todos, todos… Sim, é verdade, mas isso também paralisa, faz esquecer as muitas graças recebidas, tira a memória, tira a esperança porque não deixa ir. E o presente de um cristão, de uma cristã assim é como quando alguém está na rua e começa a chover de repente e o vestido não é bom e o tecido encurta… Almas pequenas … esta é a covardia: este é o pecado contra a memória, a coragem, a paciência e a esperança. Que o Senhor nos faça crescer na memória, nos faça crescer na esperança, nos dê todos os dias coragem e paciência e nos liberte daquilo que é a covardia, ter medo de tudo… Almas pequenas para preservar-se. E Jesus diz: ‘Quem quer preservar a própria vida, a perde’”.

Por Radio Vaticano

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização

Papa Francisco no Angelus: converter-se não é mudar de roupa mas de atitude

“Nós, cristãos de hoje, temos a alegria de proclamar e testemunhar a nossa fé, porque houve aquele primeiro anúncio, porque houve aqueles homens humildes e corajosos que responderam generosamente ao chamado de Jesus”. Foi o que disse o Papa Francisco na sua alocução que precedeu a oração mariana do Angelus na Praça de São Pedro neste domingo, na qual ele comentou a passagem do Evangelho sobre o início da pregação de Jesus na Galileia e o chamado dos apóstolos.

“O Evangelho deste domingo narra o início da pregação de Jesus na Galileia. Ele deixa Nazaré, um vilarejo nas montanhas, e se estabelece em Cafarnaum, um importante centro à margem do lago, habitado principalmente por pagãos, o ponto de cruzamento entre o Mediterrâneo e o interior da Mesopotâmia. Esta escolha significa que os destinatários de sua pregação não são apenas seus compatriotas, mas todos aqueles que chegam à cosmopolita “Galileia das nações”.

Vista da capital Jerusalém, aquela terra – continuou Francisco – é geograficamente periférica e religiosamente impura, por causa da mistura com aqueles que não pertenciam a Israel. Da Galileia não se esperavam certamente grandes coisas para a história da salvação. No entanto, dali se espalha a “luz” sobre a qual refletimos nos domingos passados: a luz de Cristo.

A mensagem de Jesus espelha a de Batista, anunciando o “reino dos céus”. Este reino não comporta o estabelecimento de um novo poder político, mas o cumprimento da aliança entre Deus e seu povo, que vai inaugurar uma época de paz e justiça. Para realizar este pacto de aliança com Deus,  – afirmou o Papa – cada um é chamado a converter-se, transformando sua maneira de pensar e de viver. Não se trata de mudar as roupas, mas as atitudes!

“O que diferencia Jesus de João Batista – destacou o Papa – é o estio, o método. Jesus escolhe ser profeta itinerante. Ele não espera as pessoas, mas se move ao encontro delas”.

As primeiras saídas missionárias de Jesus ocorrem ao longo do lago da Galileia, em contato com a multidão, especialmente com os pescadores. Alí Jesus não só proclama a vinda do reino de Deus, mas procura os companheiros para associar à sua missão de salvação. Neste mesmo lugar encontra dois pares de irmãos: Simão e André, Tiago e João; Ele os chama dizendo: “Sigam-me, eu vos farei pescadores de homens”. O chamado os alcança no auge de suas atividades diárias: o Senhor se revela a nós não de modo extraordinário ou sensacional, mas na quotidianidade de nossas vidas. A resposta dos quatro pescadores é imediata e pronta: “No mesmo instante eles deixaram as suas redes e o seguiram”.

“Nós, os cristãos de hoje, temos a alegria de proclamar e testemunhar a nossa fé porque houve aquele primeiro anúncio, porque houve aqueles homens humildes e corajosos que responderam generosamente ao chamado de Jesus”.

“Às margens do lago, em uma terra impensável, nasceu a primeira comunidade de discípulos de Cristo. A consciência destes princípios inspire em nós o desejo de levar a palavra, o amor e a ternura de Jesus em todos os contextos, até mesmo ao mais impermeável e resistente. Todos os espaços da vida humana são terreno onde lançar as sementes do Evangelho, para dar frutos de salvação”.

Francisco concluiu pedindo que a Virgem Maria nos ajude com a sua intercessão materna a responder com alegria ao chamado de Jesus e nos coloque a serviço do Reino de Deus.

Em seguida concedeu a todos a sua Benção Apostólica. (SP)

Por Radio Vaticano

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização 

Papa Francisco: a vida cristã é uma luta contra as tentações

“A vida cristã é uma luta. Deixemo-nos atrair por Jesus”, foi o que disse o Papa Francisco na missa celebrada na Casa Santa Marta, na manhã desta quinta-feira (19/01).

O Pontífice se deteve na passagem do Evangelho do dia que fala sobre a grande multidão que seguia Jesus com entusiasmo e que vinha de todos os lugares. “Por que vinha essa multidão?”, perguntou o Papa. O Evangelho nos diz que havia “doentes que queriam ser curados”. Mas havia também pessoas que gostavam de “ouvir Jesus, porque falava não como os seus doutores, mas com autoridade” e “isso tocava o coração”. Essa multidão “vinha espontaneamente. Não era levada de ônibus, como vemos muitas vezes quando se organizam manifestações e muitos devem verificar a presença para não perder o trabalho”.

O Pai atrai as pessoas a Jesus

Essas pessoas iam porque sentiam alguma coisa a ponto de Jesus pedir um barco e ir um pouco distante da margem:

“Esta multidão ia até Jesus? Sim! Precisava? Sim! Alguns eram curiosos, mas esses eram os céticos, a minoria. Esta multidão era atraída pelo Pai: era o Pai que atraia as pessoas a Jesus a tal ponto que Jesus não ficava indiferente, como um mestre estático que dizia as suas palavras e depois lavava as mãos. Não! Esta multidão tocava o coração de Jesus. O Evangelho nos diz: Jesus se comoveu, porque via essas pessoas como ovelhas sem pastor. O Pai, através do Espírito Santo, atraia as pessoas a Jesus.”

O Papa disse que não sãos os argumentos que movem as pessoas, não são “os assuntos apologéticos”. “Não”, frisou, “é necessário que o Pai nos atraia a Jesus”.

A vida cristã é uma luta contra as tentações

Por outro lado, é “curioso” que este trecho do Evangelho de Marcos, que “fala de Jesus, da multidão, do entusiasmo” e do amor do Senhor, acabe com os espíritos impuros, que quando O viam, gritavam: “Tu és o Filho de Deus!”:

“Esta é a verdade; esta é a realidade que cada um de nós sente quando Jesus se aproxima. Os espíritos impuros tentam impedi-lo, nos fazem guerra. ‘Mas, Padre, eu sou muito católico; sempre vou à missa… Mas jamais, jamais tenho essas tentações. Graças a Deus!’ – ‘Não! Reze, porque você está no caminho errado!’. Uma vida cristã sem tentações não é cristã: é ideológica, é gnóstica, mas não é cristã. Quando o Pai atrai as pessoas a Jesus, há outro que atrai de modo contrário e provoca a guerra interior! E por isso Paulo fala da vida cristã como uma luta: uma luta de todos os dias. Uma luta!”

Uma luta, retomou, “para vencer, para destruir o império de satanás, o império do mal”. E por isso, disse, “Jesus veio para destruir, para destruir satanás! Para destruir a sua influência nos nossos corações”. O Pai, retomou, “atrai as pessoas a Jesus”, enquanto “o espírito do mal tenta destruir, sempre!”.

Estamos lutando contra o mal?

A vida cristã, disse ainda o Papa, “é uma luta assim: ou você se deixa atrair por Jesus, para o Padre, ou pode dizer ‘eu fico tranquilo, em paz’”. Se quiser ir avante, “é preciso lutar!”, exortou o Papa. Sentir o coração que luta, para que Jesus vença”:

“Pensemos em como está o nosso coração: eu sinto esta luta no meu coração? Entre a comodidade ou o serviço aos outros, entre o divertir-me um pouco ou rezar e adorar o Pai, entre uma coisa e outra, sinto a luta? A vontade de fazer o bem ou algo me detém, me torna ascético? Eu acredito que a minha vida comova o coração de Jesus? Se eu não acredito nisto, devo rezar muito para acreditar, para que me seja concedida esta graça. Que cada um de nós busque no seu coração como está esta situação ali. E peçamos ao Senhor para sermos cristãos que saibam discernir o que acontece no próprio coração e escolher bem o caminho pelo qual o Pai nos atrai a Jesus”.

Por Rádio Vaticano 

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização