Arquivo da categoria: São Pedro e São Paulo

Imagens São Pedro e São Paulo foram colocadas nos nichos do frontispício da Catedral Santo Antônio em Campanha-MG

Imagens São Pedro e São Paulo foram colocadas nos nichos do frontispício da Catedral Santo Antônio em Campanha-MG

As imagens de São Pedro e São Paulo doadas por Dom Diamantino Prata de Carvalho, bispo Diocesano da Santa Sé episcopal de Campanha-MG, foram fixadas nos nichos do frontispício da Catedral Diocesana de Santo Antônio de Pádua . As referidas imagens vieram de São João Del Rei – MG no ultimo dia 27 de Junho para Campanha- MG,  elas foram abençoadas solenemente por Dom Diamantino na solenidade de São Pedro e São Paulo celebrada pela igreja no último dia 28 de Junho em todo o mundo.

DSC_0015Lembramos que a Santa Sé Episcopal de Campanha, acolhe neste sábado, seu novo bispo Coadjutor Dom Pedro Cunha Cruz em uma missa solene a partir das 10h da manhã na Catedral Diocesana.

Os Paroquianos, padres e religiosos que vão vim para esse momento histórico na diocese, poderão conferir de perto a beleza das Imagens de São Pedro e São Paulo Apóstolos fixadas nos nichos do frontispício da Catedral .

A Catedral ficou mais bela do que já é .

São Pedro e São Paulo, rogai por nós!

Fotos

DSC_0011 DSC_0012 DSC_0013 DSC_0014


Por Equipe Portal Terra de Santa Cruz – Diocese da Campanha-MG

capablog

Paróquia Santo Antônio – Campanha-MG, recebe imagens de São Pedro e São Paulo Apóstolos .

Campanha-MG, recebe imagens de São Pedro e São Paulo Apóstolos .

Na noite do último sábado, dia 27, o Bispo Diocesano da Santa Sé Episcopal de Campanha-MG Dom Diamantino Prata de Carvalho, ofm celebrou a Santa Missa da Solenidade de São Pedro e São Paulo na Catedral de Santo Antônio.

D. Diamantino abençoou solenemente as imagens de São Pedro e São Paulo que vieram de São João Del Rei – MG para ser colocadas nos nichos do fronstispício da Catedral Santo Antônio quando terminar as obras externas e de paisagismo externo da Catedral Diocesana.

As Imagens de São Pedro e São Paulo. 

DSC_0019 DSC_0020

 

 

 

 

 

 

Dom Diamantino Prata de Carvalho, abençoando as Imagens. 

11666213_1029059347128446_1434857084383903209_n
Foto: www.facebook.com/paroquiasantoantonio.campanhamg
11703040_1029060250461689_2737747961547596726_n
Foto: www.facebook.com/paroquiasantoantonio.campanhamg

Por Bruno Henrique

2

 

 

Solenidade de São Pedro e São Paulo – A Igreja é a mesma ontem, hoje e sempre.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo Mateus – (Mt 16, 13-19)

 Naquele tempo, Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?”

Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”.

Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?”

Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”.

 Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus” 

— Palavra da Salvação.


são-pedro-e-são-pauloCelebrar a Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo significa lembrar, sobretudo, que a Igreja é apostólica. Para nós católicos, é uma realidade fácil de aceitar que a Igreja de hoje seja a mesma de dois mil anos atrás, exatamente a mesma fundada por Deus. Para os protestantes, porém, as igrejas, com “i” minúsculo, não passam de instituições frágeis fundadas pelos homens. Cristo mesmo não teria fundado nenhuma instituição visível, deixando aos Seus seguidores esse encargo. É por isso que, para os evangélicos, não é escândalo nenhum que alguém, ao discordar do pastor de sua igreja, decida fundar outra igreja. Igrejas, em sua concepção, são realmente como um “negócio”, um empreendimento que se começa e se acaba quando se bem entende.

Nós, ao contrário, cremos que a Igreja é um mistério instituído pelo próprio Senhor. Ela cresceu ao longo dos séculos como uma planta, com todas as suas dificuldades, mas tendo sempre a mesma vida divina dentro de si, graças à ação de seu Divino Fundador. Por isso, é possível dizer que a Igreja é a continuidade do corpo de Cristo na história.

Para entender como essa instituição – que aparentemente mudou tanto ao longo dos séculos – pode permanecer sendo a mesma Igreja Católica, fundada por Jesus Cristo (cf. Mt 16, 18), tomem-se como exemplo as nossas mães. Na sua juventude, as mulheres possuem uma aparência muito bonita, um corpo jovial e uma pele lisa e macia. Com o tempo, porém, a sua beleza física se esvai, o seu corpo vai decaindo e a sua pele começa a encher-se de rugas e estrias. Ainda que o seu aspecto exterior mude, porém, as mães permanecem as mesmas, conservam a sua identidade e os filhos continuam a amá-las ternamente. Quem quer que consiga perceber que, mesmo mudando as aparências, as pessoas não deixam de ser o que são, é capaz de compreender o conceito de substância. De fato, esse termo se refere a algo que não pode ser captado pelos sentidos, mas tão somente pela inteligência. O que a visão e os outros sentidos conseguem alcançar são apenas os acidentes das coisas. A sua substância, porém, o que lhes dá identidade, é algo invisível.

Assim acontece também com a Igreja. Hoje, quem vai ao Vaticano pode entrar em templos majestosos, como a Basílica de São Pedro, e o Papa Francisco, mesmo em sua humildade e despojamento, não ousa dispensar os seguranças de perto de si (afinal, ele, sendo o chefe visível da Igreja de Cristo, é muito visado pelos inimigos da fé). Nos primeiros anos da Igreja, porém, quem era São Pedro, senão um pescador pobre e analfabeto de Cafarnaum?

Diante dessas grandes diferenças de aparência na Igreja, os críticos dizem que não se trata da mesma instituição e que a verdadeira comunidade fundada por Cristo se perverteu no decorrer dos séculos. O erro desses detratores está em que se detêm apenas nos acidentes e realidades sensíveis da Igreja, ignorando que a sua substância, identidade e essência continuam as mesmas.

Foi a partir do filósofo alemão Friedrich Hegel († 1831) que os homens começaram a perder a noção de continuidade. Para esse pensador, a história seria uma “metamorfose ambulante”, com teses, antíteses e sínteses constantes e subsequentes, sem que a realidade tivesse uma substância e uma identidade. Influenciadas por esse pensamento, as pessoas começaram a viver sem raiz e sem tradição, sempre tentando “reinventar a roda” e criar novamente o que, no fundo, elas só precisavam aceitar da “democracia dos mortos” [1] e passar adiante.

A influência dessa filosofia na Igreja tem efeitos ainda piores do que nos assuntos puramente humanos. Quando se tenta subverter, além das verdades naturais, as próprias verdades reveladas por Deus, muito maiores são o caos e a confusão que se instalam. Quem entende, todavia, que a mudança dos acidentes não altera a substância das coisas, procura preservar a Igreja, os seus ensinamentos e tudo o mais que constitui a sua essência – e, quando intenta fazer alguma reforma, não é para destruí-la, senão para preservar-lhe a vida.

É inconcebível, portanto, que se queira reformar a Igreja quebrando a sua continuidade substancial. No tempo dos Apóstolos, é verdade, não havia Concílios Ecumênicos, Catecismos ou Congregação para a Doutrina da Fé. Em essência, porém, a fé dos primeiros cristãos deve ser a mesma que todos os católicos professam, em todos os lugares da terra e em todos os tempos (quod semper, quod ubique, quod ab omnibus). No decorrer da história, a Igreja pode ir tomando maior consciência de sua identidade e de sua doutrina, mas nada disso muda o que ela foi, é e sempre será.

Em sua Primeira Carta aos Coríntios, o Apóstolo dos gentios, ao transmitir as doutrinas da Eucaristia e daRessurreição de Cristo, diz duas vezes: “Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti” (11, 23); “De fato, eu vos transmiti, antes de tudo, o que eu mesmo tinha recebido” (15, 3). Apenas alguns anos após a ascensão de Cristo, já se dá a realidade da “tradição” (do latim tradere, que significa “entregar”): os discípulos de Cristo transmitem os Sacramentos e a Palavra, preocupando-se com serem fiéis ao que eles mesmos receberam. De fato, as expressões de São Paulo não são em vão: todos nós, como apóstolos de Cristo, devemos ser fiéis à mensagem que recebemos de nossos pais na fé. Afinal, sabemos – e cremos – que a palavra desses homens remonta ao próprio Senhor e, por isso, devem ser recebidas “não como palavra humana, mas como o que ela de fato é: palavra de Deus” (1 Ts 2, 13).

Ao celebrar São Pedro e São Paulo, essas duas colunas da Igreja, exultemos de alegria por pertencermos à “Igreja una, santa, católica e apostólica”; por pertencermos à única Igreja de Cristo, que, assim como seu Esposo, é a mesma ontem, hoje e sempre (cf. Hb 13, 8). Estejamos sempre dispostos a dar a nossa vida por essa mãe tão amorosa, a qual nos alimenta com a Palavra de Deus e com o próprio Senhor presente na Eucaristia.

Por Padre Paulo Ricardo – Sacerdote da Comunidade Canção Nova


 

2 

Os Apóstolos Pedro e Paulo e a Propagação da Igreja

são pedro e são pauloO Apóstolo São Pedro

Sabe-se que São Pedro foi por Jesus constituído fundamento visível da Igreja (cf. Mt 16,16-19; Jo 21,15-17). Os Atos dos Apóstolos mostram como este Apóstolo tomava a dianteira logo nos primeiros tempos da Igreja: no dia de Pentecostes (At 2,14-40), no pórtico de Salomão (At 3,12-26), diante do tribunal judeu (At 4,8-12), no caso de Ananias e Safira (At 5,1-11), ao receber o primeiro pagão, Cornélio, na Igreja (At 10,1-48), ao pregar na Samaria (At 9,32-43). No ano de 42, é aprisionado em Jerusalém e, uma vez solto, “retira-se para outro lugar” (At 12,17). Para onde terá ido? – Uma tradição em voga do século IV em diante refere que Pedro morou 25 anos em Roma, ou seja, de 42 a 67.

Quem a aceita, dirá que Pedro passou logo de Jerusalém para Roma. Acontece, porém, que Pedro é tido como fundador da sé episcopal de Antioquia na Síria; é certo que esteve presente ao concílio de Jerusalém em 49 (cf. At 15,7-11); pouco depois estava em Antioquia (cf. Gl 2,11-14). Estes dados levam a dizer que, se Pedro passou para Roma em 42, não permaneceu ininterruptamente nesta cidade.

É certo, porém, que S. Pedro pregou em Roma, exercendo a plenitude dos poderes apostólicos, e ali sofreu o martírio, provavelmente crucificado de cabeça para baixo no ano de 67. Esta tese está bem documentada pela tradição, como se depreende dos seguintes testemunhos:

Em 1Pd 5,13, o autor (S. Pedro) fala em nome dos cristãos da Babilônia, onde reside. Ora Babilônia é a Roma pagã do séc. I d.C. (cf.Ap 18,2)

S. Clemente de Roma, por volta de 96, em sua carta aos Coríntios, refere-se a Pedro e Paulo, que lutaram até a morte e deram testemunho diante dos poderosos; supõe que ambos tenham morrido em Roma (cf. cc. 5-6).

S. Inácio de Antioquia (? 107) escreve aos romanos nestes termos: “Eu não vos ordeno como Pedro e Paulo”. Visto que não existe carta de Pedro aos romanos, admite-se o relacionamento oral de Pedro com a comunidade.

Clemente de Alexandria (? 215) narra que S. Marcos, intérprete de Pedro, redigiu por escrito a pregação de Pedro a pedido de seus ouvintes romanos (cf. Eusébio, História Eclesiástica II 15; VI 14).

S. Irineu de Lião, por volta de 180-190, atribui a fundação da comunidade de Roma aos apóstolos Pedro e Paulo e apresenta um catálogo dos bispos de Roma desde Pedro até sua época (Contra as heresias  II 3,2-3). Em consequência, afirma que, para guardar a autêntica tradição apostólica, é preciso concordar com a doutrina da Igreja de Roma.

O presbítero romano Gaio, por cerca de 200, atesta que, ainda nos seus tempos, se podiam mostrar em Roma os troféus (tropaia), isto é, os túmulos dos dois Apóstolos: o de Pedro na colina do Vaticano, e o de Paulo na via Ostiense (Eusébio, II 25)

As escavações realizadas debaixo da basílica de S. Pedro confirmaram, em nosso século, tal tradição. Com efeito: verificou-se que a basílica foi construída pelo imperador Constantino em 324 por cima de um cemitério e sobre um terreno que corria em declínio de 11m de altura de Norte a Sul; isto exigiu a colocação de uma laje  sustentada por pilastras de 5m, 7m e 9m de altura, a fim se estabelecerem sobre tal laje os fundamentos do edifício, Ora uma construção em tais condições só pode ser explicada pelo fato de que Constantino e os cristãos tinham a certeza de estar construindo sobre o túmulo de São Pedro. Ademais os arqueólogos encontraram na camada mais profunda das escavações ossos de quase metade de um indivíduo só, robusto, de uns 60-70 anos de idade, muito mais provavelmente homem do que mulher; inscrições em grafito postas nas proximidades rezavam: “Pedro está aqui” ou “Salve, Apóstolo” ou “Cristo Pedro”.

Em 258 o Imperador Valeriano, perseguindo os cristãos, proibiu que estes se reunissem nos seus cemitérios dentro da cidade de Roma para celebrar a memória dos mártires. Em consequência, os cristãos levaram as relíquias de São Pedro para as catacumbas de São Sebastião na Via Ápia, e, uma vez passada a era das perseguições, as trouxeram de volta ao Vaticano.

O Apóstolo São Paulo

A São Paulo tocou um papel de importância enorme na história do Cristianismo nascente.

Judeu da Diáspora ou de Tarso (Cilícia), recebeu a cultura helênica vigente na sua pátria; aos 15 anos de idade foi enviado para Jerusalém, onde foi iniciado por Gamaliel nas Sagradas Escrituras e nas tradições rabínicas. Era autêntico fariseu, quando Cristo o chamou a trabalhar em prol de Evangelho por volta de ano 33 (cf. At 9, 19).

Realizou três grandes viagens missionárias em terras pagãs, fundando várias comunidades cristãs na Ásia Menor e na Grécia. São Paulo não impunha aos pagãos nem a circuncisão nem as obrigações da Lei de Moisés, mas concedia-lhes logo o Batismo depois de evangelizados. Ora isto causou sérias apreensões a uma facção de judeo-cristãos chamados “judaizantes”; queriam que os gentios abraçassem a Lei de Moisés e o Evangelho, como se este não bastasse. Levantaram, pois, certa celeuma contra Paulo.

A fim de resolver a questão, os Apóstolos que estavam em Jerusalém, se reuniram com Paulo e alguns discípulos no ano de 49, como refere S. Lucas em At 15: a assembleia houve por bem não impor aos gentios a Lei de Moisés, mas pediu que em Antioquia, na Síria e na Cilícia os étnico-cristãos1 observassem quatro cláusulas destinadas a garantir a paz das respectivas comunidades (que contavam numerosos judeo-cristãos): abster-se de carnes imoladas aos ídolos (idolotitos), de sangue, de carnes sufocadas (cujo sangue não tivesse sido eliminado) e de uniões ilegítimas. Essas cláusulas tinham caráter provisório, e visavam a não ferir a consciência dos judeo-cristãos2, que tinham horror aos ídolos, ao consumo de sangue e à fornicação.

Estava assim teoricamente resolvida a problemática levantada pelos judaizantes; na prática, porém, estes não se tranquilizaram e procuraram destruir a obra apostólica de S. Paulo, caluniando-o como impostor e oportunista; Paulo, diziam, queria facilitar o acesso dos pagãos ao Cristianismo para ganhar a simpatia dos mesmos, já que não tinha a autoridade dos outros Apóstolos; não acompanhara o Senhor Jesus, mas era discípulo dos Apóstolos; alegavam também que, se Paulo queria viver do trabalho de suas mãos e não da obra de evangelização (cf. 1Cor 9,15-18; 1Ts 2,9), ele o fazia por saber que não era Apóstolo como os demais e não tinha o direito de ser sustentado pelas comunidades dos fiéis. São Paulo sofreu horrivelmente por causa dessas falsas acusações (cf. 2Cor 11,21-32), mas não se abateu, pregando intrepidamente a liberdade dos cristãos frente à Lei de Moisés. E por que tanto insistiu nisto?

Eis a resposta paulina: Deus chamou Abraão gratuitamente ou sem méritos de Abraão, e prometeu-lhe a bênção do Messias; Abraão acreditou nesta Palavra do Senhor, e tornou-se justo ou amigo de Deus por causa da sua fé; é certo, porém, que esta fé não foi inerte, mas traduziu-se em obediência incondicional a todas as ordens do Senhor.

Ora o modelo de Abraão é válido para todos os homens, anteriores e posteriores a Cristo; ninguém é justificado ou feito amigo de Deus porque o mereça, mas porque Deus tem a iniciativa de perdoar os pecados de sua criatura; esta acredita no perdão de Deus e exprime sua fé em obras boas. – Sobre este pano de fundo a Lei de Moisés foi dada ao povo de Israel a título provisório e pedagógico: ela propunha preceitos santos, que o israelita não conseguia cumprir, vítima da desordem de pecado existente dentro de todo homem; assim a Lei tinha o papel de mostrar à criatura que ela por si só é incapaz de praticar o bem e de fazer obras meritórias; ela precisa da graça de Deus,… graça que o Messias devia trazer; desta maneira (dura e paradoxal) a Lei preparava Israel para receber o Salvador: aguçava a consciência do pecado, tirava qualquer ilusão de auto-suficiência e provocava o desejo do dom gratuito de Deus prometido a Abraão.

A intuição desta verdade ou do grande desígnio de Deus na história da salvação se deve ao gênio de São Paulo, que assim evitou que o Cristianismo se tornasse uma seita judaica, filiada à Lei de Moisés, e preservou a autenticidade cristã: a Lei de Moisés era um elemento meramente provisório e preparatório para Cristo.

Quanto ao fato de não querer viver do seu trabalho de evangelização, e de trabalhar com as mãos para ganhar seu pão, São Paulo o justificava, dizendo que evangelizar para ele não era meritório (como era meritório para os demais Apóstolos); Cristo o tinha de tal modo cativado que ele não podia deixar de pregar a Boa-Nova (“ai de mim, se eu não evangelizar!”, 1Cor 9,16); por isto devia fazer algo mais para oferecer ao Senhor Deus. – Ademais São Paulo fazia questão de dizer que não era discípulo dos Apóstolos, mas fora instruído e instituído diretamente por Deus (cf. Gl 1,1).

A expansão do Cristianismo nascente

Sem demora, a pregação do Evangelho ultrapassou os limites do país de Israel e entrou em território pagão.

Em Antioquia, capital da Síria, fundou-se uma comunidade muito próspera, que se tornou um centro de irradiação missionária para o mundo helenista. Foi lá que pela primeira vez os Galileus (At 1,11) ou Nazarenos (At 24,5) receberam o nome de cristãos (em grego, christianoi); cf. At 11,26.

Em Roma o Cristianismo deve ter-se originado por obra de judeus residentes naquela cidade que haviam peregrinado a Jerusalém por ocasião do primeiro Pentecostes cristão (cf. At 2,10); tendo abraçado a fé naquele dia, regressaram a Roma e lá transmitiram a Boa-Nova aos seus compatriotas da Diáspora. S. Pedro e S. Paulo devem ter encontrado a comunidade já estruturada quando chegaram a Roma. Tácito refere que Nero em 64 mandou executar uma multitudo ingens (enorme multidão) de cristãos.

O surto do Cristianismo na Gália é narrado através de histórias pouco seguras: os irmãos Lázaro, Marta e Maria terão ido para a Provença, e Lázaro haverá sido bispo de Marselha (cf. Lc 10, 38-42); Dionísio, convertido por S. Paulo no Areópago de Atenas (cf. At 17,34), terá sido o primeiro bispo de Paris… É certo, porém, que no século II havia comunidades  florescentes na Gália, fato testemunhado por S. Irineu, bispo de Lião (? 202).

Na Espanha é possível que tenha estado São Paulo, consoante o desejo alimentado pelo Apóstolo (cf. Rm 15,28). A notícia de que São Tiago Maior chegou à Espanha é pouco fidedigna, pois tal Apóstolo morreu no ano de 42 em Jerusalém (cf. At 12,3); só no século VII se encontram os primeiros testemunhos desta notícia.

Na Britânia (ou Inglaterra de hoje) supõe-se que o Cristianismo tenha penetrado por efeito do zelo missionário de cristãos da Ásia Menor. Tertuliano (? 222) falava da Britânia, que tinha “partes não penetradas pelos romanos, mas sujeitas a Cristo” (Adversus Judaeos 7).

Na Alemanha sabe-se que o Evangelho já tinha seguidores no séc.II, conforme S. Irineu (Adversus haereses I 10,2), mas não se pode dizer como se originou o Cristianismo naquele território.

A África norte-ocidental deve ter sido evangelizada por cristãos de Roma, visto que era grande o intercâmbio entre um continente e outro. No século III, Tertuliano podia dizer retoricamente que os cristãos constituíam a maioria das populações das cidades da região. Numerosas sedes episcopais (90) aí foram fundadas.

Quanto ao Egito, diz-se que São Marcos deu origem à sede episcopal de Alexandria – o que é duvidoso. É certo, porém, que toda a região foi rica em dioceses e colônias de monges nos séculos III/V.

Na Palestina a evangelização foi muito dificultada pelos judeus até 70. Neste ano os romanos venceram os israelitas rebeldes e os expulsaram da sua pátria. Em 130, o Imperador Adriano mandou reconstruir a cidade de Jerusalém arrasada em 70, dando-lhe o nome pagão de Aelia Capitolina, e dedicando o respectivo templo a Júpiter. O Calvário foi recoberto por um templo dedicado a Afrodite. Somente a partir do século III a comunidade étnico-cristã de Jerusalém começou a ter certa importância.

Na Índia, dizem escritos apócrifos que o Apóstolo São Tomé pregou o Evangelho, chegando até a costa de Malabar na parte sul-ocidental daquele país. Terá morrido como mártir sob o rei Misdai. Assim terão tido origem os cristãos de S. Tomé até hoje existentes. -Esta tradição não é inverosímil, pois havia intercâmbio comercial entre a Síria e a Índia. Todavia os melhores historiadores se mostram reservados. O Cristianismo talvez só tenha chegado à Índia no século III pela ação de viajantes persas e armenos.

Passagem e Morte de Pedro em Roma

Algumas vezes os protestantes, por não conseguirem desmentir o Primado de Pedro, dizem que Pedro nunca esteve em Roma e, por conseguinte, a Igreja de Roma não poderia ser a verdadeira Igreja de Cristo. Porém, não é o que dizem os primitivos cristãos…

Índicepedro “Lancemos os olhos sobre os excelentes apóstolos: Pedro foi para a glória que lhe era devida; e foi em razão da inveja e da discórdia que Paulo mostrou o preço da paciência: depois de ter ensinado a justiça ao mundo inteiro e ter atingido os confins do Ocidente, deu testemunho perante aqueles que governavam e, desta forma, deixou o mundo e foi para o lugar santo. A esses homens […] juntou-se grande multidão de eleitos que, em consequência da inveja, padeceram muitos ultrajes e torturas, deixando entre nós magnífico exemplo.” (Clemente de Roma, ano 96, Carta aos Coríntios, 5,3-7; 6,1).

“Não é como Pedro e Paulo que eu vos dou ordens; eles foram apóstolos, eu não sou senão um condenado” (Inácio de Antioquia, ano 107, Carta aos Romanos 4,3).

“Tendo vindo ambos a Corinto, os dois apóstolos Pedro e Paulo nos formaram na doutrina evangélica. A seguir, indo para a Itália, eles vos transmitiram os mesmos ensinamentos e, por fim, sofreram o martírio simultaneamente” (Dionísio de Corinto, ano 170, extrato de uma de suas cartas aos Romanos conforme fragmento conservado na “História Eclesiástica” de Eusébio, II,25,8).

“Nós aqui em Roma temos algo melhor do que o túmulo de São Filipe. Possuímos os troféus dos apóstolos fundadores desta Igreja local. Vai à via Óstia e lá encontrareis o troféu de Paulo; vai ao Vaticano e lá vereis o troféu de Pedro” (Gaio, ano 199)

“Pedro, finalmente tendo ido para Roma, lá foi crucificado de cabeça para baixo” (Orígenes,+253, conforme fragmento conservado na “História Eclesiástica” de Eusébio, III,1).

Grafitos anônimos dos séculos II e III escritos sobre o túmulo de São Pedro localizado durante as escavações arqueológicas promovidas sob a Basílica do Vaticano nas décadas de 50 e 60 (do séc. XX):

“Pedro está aqui.” (=Petros Eni)
“Pedro, pede a Cristo Jesus pelas almas dos santos cristãos sepultados junto do teu corpo.”
“Salve, Apóstolo!”
“Cristo e Pedro”
“Viva em Cristo e em Pedro”
“Vitória a Cristo, a Maria e a Pedro”
Se Pedro não tivesse estado em Roma, a frase de Santo Inácio ficaria completamente sem sentido.

Prof. Felipe Aquino