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O Rito de Ordenação Presbiteral

O sacramento da Ordem é constituído por três graus: episcopal, presbiteral e diaconal. Cada qual possui um rito de ordenação próprio, porém o comum entre eles é a imposição das mãos e a prece de ordenação.

O segundo grau do ministério da Ordem é o presbiteral, denominado também por sacerdotal. Segundo o Pontifical Romano, a ordenação presbiteral é constituída por seis partes: eleição do candidato; homilia; propósito do eleito; ladainha; imposição das mãos e prece de ordenação; unção das mãos e entrega da patena e do cálice.

Como as demais ordenações, a sacerdotal é realizada dentro da Eucaristia. Logo após a Liturgia da Palavra, dá-se início ao Rito de Ordenação Presbiteral.

Eleição do Candidato

O diácono chama o ordenando, com as seguintes palavras: “Queira aproximar-se o que vai ser ordenado presbítero”. E, em pé, o candidato coloca-se diante do bispo, como sinal de prontidão, dizendo: “Presente”. Em seguida, um presbítero, designado para tal, pede ao bispo para que ordene este irmão para a função de presbítero. O bispo, então, interroga se o candidato é digno deste ministério. O presbítero responde, que após ter averiguado junto ao povo de Deus e ouvido os responsáveis, com convicção declara ser testemunha de que este candidato foi considerado digno. Tendo esta resposta, o ordenante diz: “Com o auxílio de Deus e de Jesus Cristo, nosso Salvador, escolhemos este nosso irmão para a Ordem do Presbiterado”. E todos dizem: “Graças a Deus”.

Homilia

Dando sequência, o bispo, brevemente, fala ao povo de Deus sobre este momento forte na vida da comunidade; bem como sobre o sacramento da Ordem Sacerdotal. E, dirige-se ao ordenando, admoestando e animando-o acerca deste ministério para o qual será ordenado.

Propósito do Eleito

Após a homilia, o eleito, em pé, responde às seguintes interrogações feitas pelo bispo:

– Queres, pois, desempenhar sempre a missão de sacerdote no grau de presbítero, como fiel colaborador da Ordem episcopal, apascentando o rebanho do Senhor, sob a direção do Espírito Santo?

– Queres, com dignidade e sabedoria, desempenhar o ministério da palavra, proclamando o Evangelho e ensinando a fé católica?

– Queres celebrar com devoção e fidelidade os ministérios de Cristo, sobretudo pelo sacrifício eucarístico e o sacramento da reconciliação, para o louvor de Deus e santificação do povo cristão, segundo a tradição da Igreja?

– Queres implorar conosco a misericórdia de Deus em favor do povo a ti confiado, sendo fielmente assíduo ao dever da oração?

– Queres unir-te cada vez mais ao Cristo, sumo Sacerdote, que se entregou ao Pai por nós, e ser com ele consagrado a Deus para salvação da humanidade?

O ordenando, ao responder “Quero”, afirma publicamente o propósito de aceitar esses encargos. Em seguida, o eleito ajoelhado põe suas mãos postas entre as do Bispo, e, esse interroga: “Prometes respeito e obediência ao Bispo diocesano e ao teu legítimo superior?”; Eleito: “Prometo”; Sendo assim, o bispo conclui dizendo: “Deus, que te inspirou este bom propósito, te conduza sempre mais à perfeição”.

Ladainha

O Bispo convida o povo a rogar a Deus Pai que derrame com largueza a sua graça sobre este seu servo, que ele escolheu para o cargo de presbítero. O eleito prosta-se, como sinal de sua total entrega a Deus. E, durante a ladainha, segundo o n.155 do Pontifical Romano, se for domingo e no tempo pascal, os demais permanecem de pé; no entanto, nos outros dias, de joelhos.

Terminada a ladainha, o bispo, de mãos estendidas reza:

“Ouvi-nos, Senhor, nosso Deus, e derramai sobre este vosso servo a bênção do Espírito Santo e a força da graça sacerdotal, a fim de que acompanheis com a riqueza de vossos dons o que apresentamos à vossa solicitude para ser consagrado. Por Cristo, nosso Senhor”.

Imposição das mãos e Prece de Ordenação

Esta parte decorrente é tida como aquela que, no silêncio do coração, o bispo e todos os presbíteros presentes pedem a Deus pelo ordenando. Esse, estando de joelhos, em silêncio, o bispo impõe as mãos sobre sua cabeça, seguido pelos presbíteros.

Depois do longo silêncio, o bispo reza ou canta a oração da ordenação, na qual são citadas as principais tarefas do sacerdote. Nessa oração é lembrada a relação dos setenta mais velhos com Moisés. O sacerdote é descrito principalmente como colaborador do bispo, instrutor da fé e divulgador da palavra de Deus. O pedido mais importante é colocado pelo bispo nas palavras: “Dê a seus servidores a virtude sacerdotal. Renove neles o espírito de santidade. Faça, ó Deus, com que eles se atenham ao ofício que receberam da sua mão; que a vida deles seja para todos estímulo e fio condutor. Abençoe, santifique e ordene os servidores pelo Senhor”. A oração transpira o espírito da Primeira Carta de Timóteo. Nela é dito que o encarregado do ministério deve manter o bem que lhe foi confiado, deve passar adiante fielmente o tesouro que recebeu na mensagem de Jesus, nosso Salvador. Já naquela época, o autor da Carta de Timóteo precisava exortar os encarregados pelos ministérios a viver de acordo com seu serviço. Aquele que é ordenado sacerdote reflete algo sagrado que oferece aos outros. (GRÜN, A. 2007, p. 33-34).

Unção das mãos e entrega do pão e do vinho

A última parte do Rito de Ordenação apresenta alguns símbolos, ricos em significado e que indicam o ministério sacerdotal da Ordem.

Terminada a Prece de Ordenação, o eleito, com o auxílio de um ou dois presbíteros, é revestido com a estola sacerdotal e a casula. Em seguida, de joelhos, a palma das mãos do ordenado é ungida pelo bispo com o óleo do santo Crisma. Segue-se a seguinte oração: “Nosso Senhor Jesus Cristo, a quem o Pai ungiu com o Espírito Santo, e revestiu de poder, te guarde para a santificação do povo fiel e para oferecer a Deus o santo Sacrifício”.

Logo após, o bispo amarra as mãos do ordenado, e, onde for costume, é desamarrada por quem receberá a primeira bênção sacerdotal.

Em seguida, os fiéis trazem o pão na patena, e o vinho e a água no cálice, para a celebração da Missa. O diácono os recebe e entrega ao bispo, que os entrega ao Ordenado, ajoelhado diante de si, dizendo: “Recebe a oferenda do povo para apresentá-la a Deus. Toma consciência do que vais fazer e põe em prática o que vais celebrar, conformando tua vida ao mistério da cruz do Senhor”.

Por fim, como sinal alegre de acolhimento ao neo-sacerdote, o bispo e o colégio dos presbíteros presentes o abraçam. Segue, então, a liturgia eucarística, onde o ordenado exerce, pela primeira vez, o seu ministério, concelebrando-a com o bispo e os outros membros do presbitério.

Ao término da celebração, o bispo estende suas mãos sobre o ordenado e sobre o povo dizendo:

“Deus, pastor e guia da Igreja, te guarde constantemente com sua graça para cumprirdes com fidelidade os deveres de presbítero. Amém.

Ele te faça no mundo servo e testemunha da verdade e do amor de Deus e ministro fiel da reconciliação. Amém.

Ele te faça verdadeiro pastor que leve ao seu povo o Pão vivo e a Palavra de vida, para que cresça na unidade do Corpo de Cristo. Amém.

E a todos vós aqui reunidos, abençoe-vos Deus todo-poderoso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém”.

Referências:

CATTANEO, E. O sacramento da Ordem. Tradução de Silva Debetto C. Reis. São Paulo: Edições Loyola, 2008. GRÜN, A. Ordem: vida sacerdotal. Tradução de Inês Antônia Lohbauer. São Paulo: Edições Loyola, 2006. HOUSSIAU, A. O sentido teológico do novo ritual das Ordenações. In: O sacerdote: fé e constatação. A. Deschamps (org.). Tradução de J. J. Queiroz. São Paulo: Edições Paulinas, 1976. [p. 109-124]  Pontifical Romano. 2ª reimp. São Paulo: Paulus, 2004.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização 

Fotos: Reprodução Google e Radio Vaticano 

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Na confissão, vivenciamos a misericórdia

O milagre da misericórdia de Deus se manifesta na confissão

Jesus em diversas passagens do Diário de Santa Faustina nos fala do Sacramento da Confissão como uma experiência da Misericórdia de Deus. São suas estas palavras: ‘diz às almas onde devem procurar consolos, isto é, no tribunal da misericórdia onde continuo a realizar os meus maiores prodígios que se renovam sem cessar. Para obtê-los não é necessário empreender longas peregrinações, nem realizar exteriormente grandes cerimônias, mas basta aproximar-se com fé dos pés do meu representante e confessar-lhe a própria miséria.

O milagre da misericórdia de Deus se manifestará em toda a plenitude. Ainda que a alma esteja em decomposição como um cadáver e ainda que humanamente já não haja possibilidade de restauração, e tudo já esteja perdido, Deus não vê as coisas desta maneira. O milagre da misericórdia de Deus fará ressurgir aquela alma para uma vida plena’. (D. 1448)

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A miséria da alma encontra a misericórdia de Deus

Jesus nos diz que a confissão é o sacramento do consolo e da ressurreição, pois faz a alma renascer para a vida da graça, e ainda nos diz que não existem pecados que não possam ser perdoados pela Misericórdia de Deus. Para aqueles que não se confessam com o sacerdote dizendo que se confessam diretamente com Deus, pois o Padre é apenas um homem como outro qualquer, basta ler em João 20,23-25: Jesus encontrando-se no meio dos apóstolos disse-lhes: ‘Recebei o Espírito Santo. Os pecados que vocês perdoarem serão perdoados, os pecados que vocês não perdoarem, não serão perdoados’. (citação livre).

Não existe confissão direta com Deus. Jesus, mesmo no Diário, responde: Quando te aproximas da santa confissão, deves saber que sou eu mesmo quem espera por ti no confessionário, oculto-me apenas na pessoa do sacerdote, mas eu mesmo atuo na alma. Aí, a miséria da alma se encontra com o Deus de misericórdia.

Dessa fonte de misericórdia, as graças são colhidas apenas com o vaso da confiança. Se a confiança delas for grande, a minha generosidade não terá limites. As torrentes da minha graça inundam as almas humildes. Os orgulhosos sempre estão na pobreza e miséria, quando a minha graça se afasta deles para as almas humildes. (D. 1602)

Então Jesus diz: Sou eu mesmo quem espera por ti no confessionário, apenas escondo-me na pessoa do sacerdote. É Jesus quem confessa, é Jesus quem ouve o penitente, é Jesus escondido na pessoa do sacerdote que absolve os pecados. Enfim, nós sabemos que para aproveitarmos bem das graças do sacramento da confissão, precisamos nos aproximar do Cristo com um coração perfeitamente contrito.

Três oportunidades para tirar proveito da confissão

Santa Faustina no número 133 do Diário, quer recomendar três coisas a alma que deseje buscar a santidade e tirar proveito da confissão.

Em primeiro lugar, total sinceridade e franqueza. O mais santo e sábio confessor não consegue derramar à força na alma aquilo que deseja, se a alma não for sincera.

Segundo: humildade. A alma não tira o devido proveito da confissão se não é humilde. O orgulho mantém a alma nas trevas.

Terceiro: obediência. A alma desobediente não obterá nenhuma vitória, ainda que o próprio nosso senhor a ouvisse diretamente em confissão. Deus cumula generosamente a alma, mas somente se ela for obediente.

Por Pe Antonio Aguiar – Blog Canção Nova 

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz – A Serviço da Evangelização