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Fazer-se pequeno para ouvir a voz do Senhor, diz Papa Francisco

Para ouvir a voz do Senhor, é preciso se fazer pequeno. Foi o que o Papa Francisco recordou na homilia da missa da manhã na Casa Santa Marta, celebrando o Sagrado Coração de Jesus.

O Senhor nos escolheu, ele se “misturou conosco no caminho da vida” e nos deu “Seu Filho, e a vida de Seu Filho, por amor nosso”. Referindo-se a primeira leitura de hoje tirado do Deuteronômio, onde Moisés diz que Deus nos escolheu para sermos seu povo entre todos os povos da terra, Francisco explica como se louva a Deus porque “no coração de Jesus dá-nos a graça de celebrar com alegria os grandes mistérios da nossa salvação, de Seu amor por nós”, celebrando, isto é “a nossa fé”. Em particular, o Papa se detém sobre duas palavras contidas no texto: escolher e pequenez. Em relação à primeira, disse ele, não fomos nós a “escolhê-Lo”, mas é Deus que se fez “nosso prisioneiro”:

“Ele se prendeu à nossa vida, não pode se distanciar”. Jogou forte! Ele permanece fiel nessa atitude. Fomos escolhidos por amor e esta é a nossa identidade. ‘Eu escolhi esta religião, eu escolhi …’ Não, você não escolheu. É Ele que escolheu você, chamou você e se prendeu. E esta é a nossa fé. Se não acreditamos nisso, não entendemos a mensagem de Cristo, não entendemos o Evangelho”.

Para a segunda palavra, pequenez, recorda como Moisés especifique que o Senhor escolheu o povo de Israel, porque é “o menor de todos os povos”:

“Ele se apaixonou pela nossa pequenez e por isso ele nos escolheu. E ele escolhe os pequenos: não os grandes, os pequenos. E Ele se revela aos pequenos: ‘Escondestes essas coisas aos grandes e poderosos e as revelastes aos pequeninos!’ Ele se revela aos pequenos: se você quer entender algo do mistério de Jesus, abaixe-se: faça-se pequeno. Reconheça que você não é nada. E não só escolhe e se revela aos pequenos, mas chama os pequenos: ‘Vinde a mim, todos vós que estais cansados e sobrecarregados: Eu vos aliviarei’. Vós que sois os mais pequenos – pelos sofrimentos, cansaço … Ele escolhe os pequenos, se revela aos pequenos e chama os pequenos. Mas os grande Ele não os chama? O Seu coração está aberto, mas a voz os grande não conseguem ouvi-la porque eles estão cheios de si mesmos. Para ouvir a voz de Deus, é preciso se fazer pequeno”.

Assim, então, se chega ao mistério do coração de Cristo, que não é – como “alguém diz”, recorda Francisco- uma “imagem pequena” para os devotos: o coração traspassado de Cristo é “o coração da revelação, o coração da nossa fé, porque ele se fez pequeno, ele escolheu este caminho”. O de humilhar-se e aniquilar-se “até a morte” na cruz: é – disse o Papa – “uma escolha para a pequenez, para que a glória de Deus possa se manifestar”. Do corpo de Cristo traspassado pela lança do soldado “saiu sangue e água”, recorda Francisco, e “este é o mistério de Cristo”, na celebração de hoje, de um “coração que ama, que escolhe, que é fiel” e “se une a nós, se revela aos pequenos, chama os pequenos, e se faz pequeno”:

“Cremos em Deus, sim; sim, também em Jesus, sim … ‘Jesus é Deus?’ – ‘Sim’. Mas o mistério é este. Esta é a manifestação, esta é a glória de Deus. Fidelidade ao escolher, no prender-se e pequenez também por si mesmo: tornar-se pequeno, aniquilar-se. O problema da fé é o núcleo da nossa vida: podemos ser muito, muito virtuosos, mas sem ou pouca fé; devemos começar a partir daqui, a partir do mistério de Jesus Cristo que nos salvou com a sua fidelidade”.

A oração final é para que o Senhor nos conceda a graça de celebrar no coração de Jesus Cristo, “os grandes gestos, as grandes obras de salvação, as grandes obras de redenção”.

Informações: Rádio Vaticano

Reprodução: Portal Terra de Santa Cruz

Papa Francisco: um padre deve ter paixão, discernimento e denúncia

Um pastor deve ser apaixonado, deve saber discernir e deve saber também denunciar o mal. Foi o que disse o Papa Francisco na missa celebrada na manhã de quinta-feira (22/06) na Casa Santa Marta.
Em sua homilia, o Pontífice se inspirou na Primeira Leitura, extraída da Carta de São Paulo aos Coríntios, para falar de três características de um pastor.
A primeira qualidade, indicou ele, é ser um pastor “apaixonado”, a ponto de dizer à sua gente, ao seu povo: ‘Sinto por vós um amor ciumento semelhante ao amor divino”. É “divinamente ciumento”, comentou o Papa.Uma paixão, portanto, que se torna quase “loucura”, “insensatez” pelo seu povo. “E isso – acrescentou – é aquela característica que nós chamamos de zelo apostólico: não se pode ser um verdadeiro pastor sem este fogo por dentro”.
Já a segunda característica do sacerdote é “um homem que sabe discernir”:
“Sabe que na vida tem a sedução. O pai da mentira é um sedutor. O pastor, não. O pastor ama. Ama. Ao invés, a serpente, o pai da mentira, é um sedutor. É um sedutor que tenta afastar da fidelidade, porque aquele ciúme divino de Paulo era para levar o povo a um único esposo, para manter o povo na fidelidade ao seu esposo. Na história da salvação, nas Escrituras muitas vezes encontramos o afastamento de Deus, as infidelidades ao Senhor, a idolatria, como se fossem uma infidelidade matrimonial”.

A segunda característica, portanto, é que saiba discernir: “discernir onde existem perigos, onde estão as graças… onde está a verdadeira estrada”. Isso “significa que o pastor sempre acompanha as ovelhas: momentos belos e também nos momentos difíceis, inclusive nos momentos da sedução, com a paciência os leva ao redil”. Já a terceira característica é a “capacidade de denunciar”:

“Um apóstolo não pode ser um ingênuo: ‘Ah, está tudo bem, vamos para frente, ok?, está tudo bem … Façamos uma festa, todos … tudo se pode …’. Porque há a fidelidade ao único esposo, a Jesus Cristo, a defender. E ele sabe condenar: aquela concretude, dizer ‘isso não’, como os pais dizem ao filho quando começa a engatinhar e vai na tomada para colocar o dedo: ‘Não, isso não! É perigoso!’. Mas me veem à mente tantas vezes aquele ‘tuca nen’ (não toque em nada) que os meus pais e avós me diziam naqueles momentos em que havia um perigo”.

O Bom Pastor – disse ainda o Papa – sabe denunciar, “com nome e sobrenome”, como fazia São Paulo. Francisco então recordou sua recente visita às cidades italianas de Bozzolo e Barbiana, aos túmulos dos sacerdotes Pe. Milani e Pe. Mazzolari. De modo especial, recordou o que dizia Pe. Milani quando ensinava os jovens:

“I care. Mas o que significa? Explicaram-me que, com isso, ele queria dizer ‘eu me importo’. [Pe. Milani] ensina que as coisas deveriam ser levadas a sério, contra o slogan daquele tempo que [era] ‘eu não me importo’, mas disse em outra linguagem, que eu não ouso dizer aqui. E assim ensinava os jovens a irem avante. Cuide: cuide de sua vida e ‘isso não’!’”

Portanto, saber denunciar “o que vai contra a sua vida”. E muitas vezes, disse, “perdemos esta capacidade de condenar e queremos levar avante as ovelhas um pouco com aquela ‘bondade’ que não é ingênua”, mas faz mal. Aquela “bondade” para atrair a admiração ou o amor dos fiéis “deixando que façam”.

Resumindo: “O zelo apostólico de Paulo, apaixonado, zeloso, é a primeira característica. O homem que sabe discernir porque conhece a sedução e sabe que o diabo seduz é a segunda característica. E um homem com capacidade de condenar as coisas que fazem mal às suas ovelhas é a terceira caraterística”. O Papa então concluiu com uma oração “por todos os pastores da Igreja, para que São Paulo interceda diante do Senhor, para que todos nós pastores possamos ter essas três característica para servir o Senhor”.

 

Por Rádio Vaticano 
Portal Terra de Santa Cruz

Papa Francisco: “Um minuto pela paz”

Na conclusão da Audiência Geral de ontem, quarta-feira, o Papa Francisco recordou a iniciativa “Um minuto pela paz”, a ser realizada nesta quinta-feira, 8 de junho.
“Amanhã, às 13 horas, renova-se em diversos países a iniciativa “Um minuto pela paz”, isto é, um pequeno momento de oração na recorrência do encontro no Vaticano entre mim, o falecido Presidente israelense Peres e o Presidente palestino Abbas. Em nosso tempo, há tanta necessidade de rezar – cristãos, judeus e muçulmanos – pela paz”.A iniciativa se realizada em vários países.

Vamos rezar com o Papa este minuto em prol da paz…

Por Rádio Vaticano 

Portal Terra de Santa Cruz 

 

Homilia na Casa Santa Marta: um cristão jamais deve ser hipócrita – Papa Francisco

O Santo Padre celebrou uma Santa Missa, na manhã desta terça-feira (6/6), na Casa Santa Marta, onde reside no Vaticano, durante a qual fez sua habitual homilia.

Em sua reflexão, o Papa falou sobre a “hipocrisia” entre os doutores da Lei, que são hipócritas porque pensam uma coisa e dizem outra:

“A hipocrisia não era a linguagem de Jesus e tampouco deve ser a dos cristãos. Logo a sua linguagem deve ser verdadeira. Por isso, advertiu os fiéis para as tentações da hipocrisia e da adulação. Um cristão não pode ser hipócrita e um hipócrita não é cristão. O hipócrita é sempre um adulador, quem mais, quem menos”.

Com efeito, os Doutores da Lei procuravam adular Jesus. Por este motivo Jesus os chamava hipócritas. Os hipócritas sempre começam com a adulação e a adulação é não dizer a verdade, é exagerar e aumenta a vaidade.

Assim Francisco comentou o caso de uma padre, que conheceu há muito tempo, que “aceitava todas as adulações que lhe faziam”; tais adulações eram a sua fraqueza.

Jesus nos faz ver a realidade que é o contrário da hipocrisia e da ideologia. A adulação, frisou Francisco, começa com a má intenção.

Era o caso dos Doutores da Lei, que colocavam Jesus à prova, começando com a adulação e, depois, fazendo-lhe a pergunta: “É justo pagar a Cesar”? E o Papa respondeu:

“O hipócrita tem duas caras. Mas, Jesus conhecendo a sua hipocrisia, disse claramente: ‘Por que vocês me colocam à prova? Tragam-me uma moeda, quero vê-la’. Assim Jesus responde sempre aos hipócritas e responde concretamente à realidade das ideologias”.

A realidade é assim, bem diferente da hipocrisia ou da ideologia. Eles entregam a moeda a Jesus e Ele lhes responde com sabedoria, partindo da imagem de Cesar na moeda: “Dai a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”.

A seguir, Francisco refletiu sobre um terceiro aspecto: a linguagem da hipocrisia é a linguagem do engano; é a mesma linguagem da serpente com Eva. Começa-se com a adulação para depois destruir as pessoas, a ponto de “extirpar a personalidade e a alma de uma pessoa”. Logo, a hipocrisia mata as comunidades. Quando há hipócritas em uma comunidade ela corre um grande perigo, um perigo terrível.

Em sua homilia, Francisco exorta os fiéis a seguir os conselhos de Jesus: “Que seu modo de falar seja “sim, sim, não, não”. O supérfluo pertence ao maligno. Assim, afirmou com amargura, a hipocrisia mata a comunidade cristã e faz tanto mal à Igreja e adverte aqueles cristãos que têm este comportamento pecaminoso, que mata:

“O hipócrita é capaz de matar uma comunidade. Fala com docilidade, mas julga brutalmente as pessoas. O hipócrita é um homicida, pois começa com a adulação. No final, utiliza a mesma linguagem do diabo para destruir as comunidades”.

O Papa concluiu sua homilia convidando os presentes a pedir ao Senhor a graça “de jamais sermos hipócritas, mas que saibamos dizer a verdade. Se não pudermos dizê-la, calemos. O importante é nunca ser hipócritas”.

Com informações rádio Vaticano 

Portal Terra de Santa Cruz 

Papa: obra de misericórdia não é fazer algo para descarregar a consciência

As obras de misericórdia não sejam um dar esmolas para descarregar a consciência, mas um participar do sofrimento dos outros, mesmo a seu próprio risco e deixando-se incomodar. Foi o que disse o Papa na missa desta manhã de segunda-feira na Casa Santa Marta.

O ponto de partida da homilia do Papa Francisco foi a primeira leitura do Livro de Tobias. Os hebreus foram deportados para a Assíria: um homem justo, chamado Tobias, ajuda compatriotas pobres e – com o risco da própria vida – secretamente enterra os hebreus que são mortos impunemente. Tobias fica triste diante do sofrimento dos outros. Daqui a reflexão sobre 14 obras de misericórdia corporais e espirituais. Realizá-las – explica Francisco – não significa somente compartilhar o que se tem, mas compadecer:

“Isto é, sofrer com quem sofre. Uma obra de misericórdia não é fazer algo para descarregar a consciência: uma boa ação, assim estou mais tranquilo, tiro um peso das costas… Não! É também sofrer a dor dos outros. Compartilhar e compadecer: caminham juntos. É misericordioso aquele que sabe compartilhar e também se compadecer os problemas de outras pessoas. E aqui a pergunta: “Eu sei compartilhar? Eu sou generoso? Eu sou generosa? Mas também, quando vejo uma pessoa que está sofrendo, que está em dificuldade, também eu sofro? Sei colocar-me nos sapatos dos outros? Na situação de sofrimento?”.

Aos judeus era proibido enterrar seus compatriotas: eles mesmos poderiam ser mortos. Então Tobias corria perigo. Realizar obras de misericórdia – disse o Papa – não significa apenas partilhar e ter compaixão, mas também arriscar:

“Mas, muitas vezes se corre o risco. Pensemos aqui, em Roma. Em plena guerra: quantos  se arriscaram, começando por Pio XII, para esconder os hebreus, para que não fossem mortos, para que não fossem deportados. Eles arriscaram a sua pele! Mas era uma obra de misericórdia, salvar a vida daquelas pessoas! Arriscar”.

O Papa Francisco enfatiza dois outros aspectos. Quem faz obras de misericórdia pode ser ridicularizado por outros – como aconteceu com Tobias – porque é considerada uma pessoa que faz coisas loucas, em vez de estar tranquilo. E é alguém que se incomoda:

“Fazer obras de misericórdia é desconfortável. “Mas, eu tenho um amigo, um amigo doente, gostaria de visitá-lo, mas … não tenho vontade … prefiro descansar ou assistir TV … tranquilo…”. Fazer obras de misericórdia é sempre desconfortável. É inconveniente. Mas o Senhor sofreu a inconveniência por nós: foi para a cruz. Para nos dar misericórdia”.

Quem “é capaz de fazer uma obra de misericórdia” – disse o Papa – é “porque sabe que ele recebeu misericórdia antes; que foi o Senhor a conceder misericórdia a ele. E se nós fazemos essas coisas, é porque o Senhor teve misericórdia de nós. E pensemos aos nossos pecados, aos nossos erros e a como o Senhor nos perdoou; perdoou-nos tudo, teve esta misericórdia” e “nós façamos o mesmo com os nossos irmãos”. “As obras de misericórdia – concluiu Francisco – são as que tiram você do egoísmo e nos fazem imitar Jesus mais de perto”.

Informações: Rádio Vaticano 

Portal Terra de Santa Cruz 

Homilia do Papa Francisco na Missa de Pentecostes – texto integral

O Papa Francisco presidiu este domingo 4 de junho na Praça São Pedro a Santa Missa pela Solenidade de Pentecostes. Eis sua homilia na íntegra:

“Chega hoje ao seu termo o tempo de Páscoa, desde a Ressurreição de Jesus até ao Pentecostes: cinquenta dias caracterizados de modo especial pela presença do Espírito Santo. De fato, o Dom pascal por excelência é Ele: o Espírito criador, que não cessa de realizar coisas novas. As Leituras de hoje mostram-nos duas novidades: na primeira, o Espírito faz dos discípulos um povo novo; no Evangelho, cria nos discípulos um coração novo.

Um povo novo. No dia de Pentecostes o Espírito desceu do céu em «línguas, à maneira de fogo, que se iam dividindo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas» (At 2, 3-4). Com estas palavras, é descrita a ação do Espírito: primeiro, pousa sobre cada um e, depois, põe a todos em comunicação. A cada um dá um dom e reúne a todos na unidade. Por outras palavras, o mesmo Espírito cria a diversidade e a unidade e, assim, molda um povo novo, diversificado e unido: a Igreja universal. Em primeiro lugar, com fantasia e imprevisibilidade, cria a diversidade; com efeito, em cada época, faz florescer carismas novos e variados. Depois, o mesmo Espírito realiza a unidade: liga, reúne, recompõe a harmonia. «Com a sua presença e ação, congrega na unidade espíritos que, entre si, são distintos e separados» (CIRILO DE ALEXANDRIA, Comentário ao Evangelho de João, XI, 11). E desta forma temos a unidade verdadeira, a unidade segundo Deus, que não é uniformidade, mas unidade na diferença.

Para se conseguir isso, ajuda-nos o evitar duas tentações frequentes. A primeira é procurar a diversidade sem a unidade. Sucede quando se quer distinguir, quando se formam coligações e partidos, quando se obstina em posições excludentes, quando se fecha nos próprios particularismos, porventura considerando-se os melhores ou aqueles que têm sempre razão. Desta maneira escolhe-se a parte, não o todo, pertencer primeiro a isto ou àquilo e só depois à Igreja; tornam-se «adeptos» em vez de irmãos e irmãs no mesmo Espírito; cristãos «de direita ou de esquerda» antes de o ser de Jesus; inflexíveis guardiães do passado ou vanguardistas do futuro em vez de filhos humildes e agradecidos da Igreja. Assim, temos a diversidade sem a unidade. Por sua vez, a tentação oposta é procurar a unidade sem a diversidade. Mas, deste modo, a unidade torna-se uniformidade, obrigação de fazer tudo juntos e tudo igual, de pensar todos sempre do mesmo modo. Assim, a unidade acaba por ser homologação, e já não há liberdade. Ora, como diz São Paulo, «onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade» (2 Cor 3, 17).

Então a nossa oração ao Espírito Santo é pedir a graça de acolhermos a sua unidade, um olhar que, independentemente das preferências pessoais, abraça e ama a sua Igreja, a nossa Igreja; pedir a graça de nos preocuparmos com a unidade entre todos, de anular as murmurações que semeiam cizânia e as invejas que envenenam, porque ser homens e mulheres de Igreja significa ser homens e mulheres de comunhão; é pedir também um coração que sinta a Igreja como nossa Mãe e nossa casa: a casa acolhedora e aberta, onde se partilha a alegria multiforme do Espírito Santo.

E passemos agora à segunda novidade: um coração novo. Quando Jesus ressuscitado aparece pela primeira vez aos seus, diz-lhes: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados» (Jo 20, 22-23). Jesus não condenou os seus, que O abandonaram e renegaram durante a Paixão, mas dá-lhes o Espírito do perdão. O Espírito é o primeiro dom do Ressuscitado, tendo sido dado, antes de mais nada, para perdoar os pecados. Eis o início da Igreja, eis a cola que nos mantém unidos, o cimento que une os tijolos da casa: o perdão. Com efeito, o perdão é o dom elevado à potência infinita, é o amor maior, aquele que mantém unido não obstante tudo, que impede de soçobrar, que reforça e solidifica. O perdão liberta o coração e permite recomeçar: o perdão dá esperança; sem perdão, não se edifica a Igreja.

O Espírito do perdão, que tudo resolve na concórdia, impele-nos a recusar outros caminhos: os caminhos apressados de quem julga, os caminhos sem saída de quem fecha todas as portas, os caminhos de sentido único de quem critica os outros. Ao contrário, o Espírito exorta-nos a percorrer o caminho com duplo sentido do perdão recebido e dado, da misericórdia divina que se faz amor ao próximo, da caridade como «único critério segundo o qual tudo deve ser feito ou deixado de fazer, alterado ou não» (ISAAC DA ESTRELA, Discurso 31). Peçamos a graça de tornar o rosto da nossa Mãe Igreja cada vez mais belo, renovando-nos com o perdão e corrigindo-nos a nós mesmos: só então poderemos corrigir os outros na caridade.

Peçamos ao Espírito Santo, fogo de amor que arde na Igreja e dentro de nós, embora muitas vezes o cubramos com a cinza das nossas culpas: «Espírito de Deus, Senhor que estais no meu coração e no coração da Igreja, Vós que fazeis avançar a Igreja, moldando-a na diversidade, vinde! Precisamos de Vós, como de água, para viver: continuai a descer sobre nós e ensinai-nos a unidade, renovai os nossos corações e ensinai-nos a amar como Vós nos amais, a perdoar como Vós nos perdoais. Amém»”.

Com informações Rádio Vaticano 

Portal Terra de Santa Cruz

Papa: não transformar a fé em ideologia, anunciar Cristo nas perseguições

O Papa Francisco presidiu a missa matutina na capela da Casa Santa Marta, nesta quinta-feira (1º/06).

“A vida do apóstolo Paulo é uma vida sempre em movimento. Difícil imaginar Paulo tomando sol na praia, se repousando. É um homem que sempre estava em movimento”, disse o Pontífice.

O Papa se deteve na leitura do dia dos Atos dos Apóstolos para acentuar “três dimensões desta vida de Paulo em movimento, sempre a caminho”.

São Paulo, uma vida sempre em movimento para anunciar Cristo

A primeira “é a pregação, o anúncio”. “Paulo vai de um lugar para outro anunciar Cristo e quando não prega num lugar, trabalha:

“Mas o que ele mais faz é a pregação: quando é chamado a pregar e a anunciar Jesus Cristo, é uma paixão sua! Não fica sentado diante de uma escrivaninha, não. Ele sempre, sempre está em movimento. Sempre levando adiante o anúncio de Jesus Cristo. Tinha dentro de si um fogo, um zelo, um zelo apostólico que o impelia. Não voltava para trás. Sempre para frente. Esta é uma das dimensões que lhe traz problemas, realmente.”

Com o apoio do Espírito Santo é possível enfrentar as perseguições

A segunda dimensão desta vida de Paulo são “as dificuldades, mais claramente as perseguições”. Na Primeira Leitura de hoje lemos que todos estão unidos em acusá-lo. Paulo deve ser julgado, pois é considerado um perturbador:

“E o Espírito deu a Paulo um pouco de esperteza e ele sabia que não era um, que dentre eles existiam muitas lutas internas. Sabia que os saduceus não acreditavam na Ressurreição e que os fariseus acreditavam. Então, para sair daquele momento, disse em alta voz: ‘Irmãos, eu sou fariseu e filho de fariseus. Estou sendo julgado por causa da nossa esperança na ressurreição dos mortos.’ Quando disse isso armou-se um conflito entre fariseus e saduceus, pois os saduceus não acreditavam. E eles que pareciam unidos, se dividiram.”

“Eles eram os custódios da lei, os custódios da doutrina do Povo de Deus, os custódios da fé. Porém, acreditavam em coisas diferentes. Essas pessoas tinham perdido a Lei, tinham perdido a doutrina, tinham perdido a fé, pois a transformaram em ideologia”, e fizeram “o mesmo com a doutrina”.

A força de São Paulo é a oração, o encontro com o Senhor

São Paulo, portanto, recordou o Papa, “teve que lutar muito” sobre este assunto. A primeira dimensão da vida de Paulo, continuou Francisco, “é o anúncio, o zelo apostólico: levar Jesus Cristo”. “O segundo é: sofrer as perseguições, as lutas”, Enfim, a terceira dimensão: a oração. “Paulo – disse o Pontífice – tinha essa intimidade com o Senhor”:

“Ele vinha ao seu lado várias vezes. Uma vez ele diz que é levado quase até ao sétimo céu, na oração, e não sabia como dizer as coisas bonitas que tinha ouvido lá. Mas este lutador, este anunciador sem limite de horizonte, sempre mais, tinha aquela dimensão mística do encontro com Jesus. A força de Paulo era este encontro com o Senhor, que ele fazia na oração, como foi o primeiro encontro no caminho para Damasco, quando ele ia para perseguir os cristãos. Paulo é o homem que encontrou o Senhor, e não se esquece disso, e se deixa encontrar pelo Senhor e busca o Senhor para encontrá-lo. Homem de oração”.

Estas, afirmou o Papa, “são as três atitudes de Paulo que nos ensina esta passagem: o zelo apostólico para anunciar Jesus Cristo, a resistência – resistir às perseguições – e a oração: encontrar-se com o Senhor e deixar-se encontrar pelo Senhor”. E assim, disse, Paulo ia para frente “entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus”. “Que o Senhor nos dê a graça – concluiu o Papa – a todos nós batizados, a graça de aprender essas três atitudes na nossa vida cristã: anunciar Jesus Cristo, resistir” às perseguições “e às seduções que nos levam a nos distanciarmos de Jesus Cristo, e a graça do encontro com Jesus Cristo na oração”.

Por Radio Vaticano 

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização 

Papa aos religiosos: a vida cristã é movimento

Papa na Catedral de São Lourenço, em Gênova, com os religiosos. Após o encontro com o mundo do trabalho, o Santo Padre se transferiu de automóvel para a Catedral de São Lorenço, em Gênova, onde manteve um encontro com os Bispos da região italiana da Ligúria, como também com o Clero, os Seminaristas, os Religiosos, Religiosas, colaboradores leigos engajados na Cúria e Representantes de outras Confissões Religiosas.

Antes de iniciar seu diálogo com a Igreja da Ligúria, o Papa rezou pelos cristãos coptas assassinados no Egito na manhã de sexta-feira: “Rezemos pelos coptas egípcios assassinados, porque não quiseram renegar a sua fé”, disse Francisco.

Neste encontro, o Papa também respondeu às perguntas de quatro religiosos: três sacerdotes e uma religiosa.

“Se imitarmos o estilo de Jesus, faremos bem o nosso trabalho como pastores. Este é o crédito fundamental: o estilo de Jesus.  Como foi o estilo de Jesus como pastor? Jesus estava sempre em caminho. Os Evangelhos nos fazem ver Jesus sempre em caminho, no meio das pessoas, da multidão.”

Movimento

“Jesus nunca ficou parado e como todos aqueles que caminham, Jesus era exposto à dispersão, a ser fragmentado. Não devemos ter medo do movimento e da dispersão de nosso tempo. Mas o medo maior ao qual devemos pensar, que devemos imaginar é o de uma vida estática”, disse o Papa aos religiosos.

“De uma vida de sacerdote que tem tudo bem resolvido, tudo em ordem, estruturado, tudo está no próprio lugar, com os seus horários de abrir e fechar a  secretaria. Tenho medo do sacerdote estático. Tenho medo, também quando é estático na oração, eu rezo de tal hora a tal hora. Uma vida estruturada dessa maneira não é uma vida cristã.”

Abertura

O Papa disse que Jesus sempre foi um homem que estava nas ruas, um homem que caminhava, um homem aberto às surpresas de Deus. “O sacerdote que tem tudo planificado, tudo estruturado, geralmente é fechado para as surpresas de Deus e perde aquela alegria da surpresa do encontro.”

“O Pároco não pode ter um estilo de empresário. Deve estar com as pessoas, estar com o Pai. No encontro com o Pai e o encontro com os seus fiéis, se vive esta tensão: tudo deve ser vivido nesta chave do encontro”, sublinhou.

O Santo Padre disse que os sacerdotes devem se perguntar: “Sou um homem de encontro? Sou um homem do Tabernáculo? Sou um homem da rua? Sou um homem de ouvido, que sabe escutar? Jesus tinha uma consciência clara de que a sua vida era para os outros: para o Pai e para as pessoas, não para si mesmo. Ele se doava às pessoas, se doava ao Pai na oração. Ele viveu a sua vida em chave de missão: sou enviado pelo Pai para dizer estas coisas”.

Murmurações

É preciso deixar-se “olhar pelo Senhor” quando estamos diante do Tabernáculo, sem rezar “como um papagaio”. “Sem a relação com Deus e com o próximo nada tem sentido na vida de um sacerdote. Talvez fará carreira, mas o coração permanecerá vazio.”

O Santo Padre frisou ainda que as murmurações destroem a fraternidade sacerdotal e chamou a atenção para o risco da autossuficiência de ser um sacerdote Google ou Wikipédia que pretende saber tudo.

“O maior inimigo da fraternidade sacerdotal é este: a murmuração por causa da inveja, os ciúmes. Quanto mais formos fechados em nossos interesses, mais criticaremos os outros.”

Disponibilidade

O Papa disse ainda aos religiosos que é preciso ver o carisma “encarnado nos lugares concretos” para amar as pessoas concretas. Uma concretude que requer disponibilidade:

“A disponibilidade de ir aos locais onde há mais risco, onde mais precisa, para doar o carisma e inserir-se onde mais precisa. A palavra que uso muitas vezes é periferia, mas digo todas as periferias, não somente a pobreza: todas. Até mesmo a do pensamento.”

Por fim, o Papa abordou o tema da crise vocacional. Disse que existe uma crise que afeta toda a Igreja, todas as vocações, também o matrimônio. “É preciso perguntar ao Senhor o que fazer, o que mudar: Aprender dos problemas e buscar uma resposta.” Falou também sobre o estar atento aos fenômenos graves como o “tráfico de noviças”, “um escândalo”.

Testemunho

“Para aumentar as vocações é preciso investir no testemunho, testemunho da alegria e na maneira de viver”. Testemunhar o que Jesus fez. A mundanidade, o contratestemunho provocam certas crises vocacionais.”

Segundo o Papa, “é necessária uma conversão pastoral, uma conversão missionária. Convido todos a ler os trechos da Evangelii gaudium que fala sobre isso, sobre a necessidade de conversão missionária. Este é o testemunho que atrai vocações.  O testemunho é a chave para vencer a crise vocacional. Um testemunho que não precisa de palavras, mas que através do amor saiba atrair as pessoas”.

Por Radio Vaticano

Portal Terra de Santa Cruz

Vaticano: Papa vai criar 5 novos cardeais

O Papa anunciou neste domingo que criará novos cinco cardeais “que representam a universalidade da Igreja” em um Consistório marcado para o próximo dia 28 de junho.

Os futuros cardeais provêm da Espanha, Suécia, Laos, El Salvador e Mali:

São eles:

Dom Jean Zerbo, Arcebispo de Bamako, no Mali

Dom Juan Jose Omella, Arcebispo de Barcelona, na Espanha

Dom Anders Arborelius, Bispo de Estocolmo, Suécia

Dom Louis-Marie Ling Mangkhanekhoun, Bispo e Vigário apostólico de Paksé, Laos

Dom Gregório Rosa Cháves, Bispo auxiliar da Arquidiocese de San Salvador, El Salvador

Missa

No dia 29 de junho, Solenidade de São Pedro e Paulo, o Papa concelebrará com os novos cardeais a Santa Missa.

Por Radio Vaticano 

Portal Terra de Santa Cruz 

Vaticano: Papa agradece viagem a Fátima

O Papa agradeceu hoje no Vaticano a todos os que viveram com ele a peregrinação a Fátima, a 12 e 13 de maio, recordando em particular o “silêncio” da oração e a canonização de Francisco e Jacinta Marto.

“Ontem [sábado] à tarde regressei da peregrinação a Fátima – vamos saudar Nossa Senhora de Fátima – e a nossa oração mariana de hoje assume um significado particular, carregado de memória e de profecia, porque olha para a história com os olhos da fé”, disse, provocando uma salva de palmas de milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.

Antes da tradicional recitação da oração do Regina Coeli, que no tempo pascal substitui o ângelus, Francisco passou em revista os vários momentos das mais de 23 horas que acabou de passar em território português.

Em Fátima, sublinhou o Papa, há um “rio” de oração que “corre há 100 anos” para pedir a proteção da Virgem Maria sobre o mundo.

“Agradeço ao Senhor por me te dado a oportunidade de deslocar-me aos pés da Virgem Maria como peregrino de esperança e de paz”, declarou.

O Papa elogiou o “silêncio orante de todos os peregrinos” que o acompanharam desde o início, no seu recolhimento, diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima na Capelinha das Aparições.

“Criou-se um clima de recolhimento e contemplativo, no qual se viveram vários momentos de oração”, referiu.

Francisco deixou uma referência à presença de “muitos doentes”, que considerou “protagonistas da vida litúrgica e pastoral de Fátima, como de qualquer santuário mariano”.

O Papa agradeceu “de coração”, pela sua viagem, “aos bispos, o bispo de Leiria-Fátima, às autoridades do Estado, o presidente da República, e a todos os que ofereceram a sua colaboração”.

Este sábado, ao deixar Portugal, Francisco enviou uma mensagem a Marcelo Rebelo de Sousa, na qual manifestava “profunda gratidão” ao povo português pelo seu “caloroso acolhimento e hospitalidade” e deixava votos de “paz e alegria” para o país.

Já o presidente da República Portuguesa, após a partida do Papa, enviou ao pontífice a seguinte mensagem: “Portugal agradece a inesquecível peregrinação de Vossa Santidade a Fátima”.

Por Radio Vaticano 

Portal Terra de Santa Cruz

A íntegra da homilia de Francisco na canonização dos pequenos pastores no centenário de Fátima

Confira abaixo a íntegra da homilia pronunciada pelo Papa na canonização dos pequenos Francisco e Jacinta Marto, na manhã de sábado, 13 de maio, em Fátima:

«Apareceu no Céu (…) uma mulher revestida de sol»: atesta o vidente de Patmos no Apocalipse (12, 1), anotando ainda que ela «estava para ser mãe». Depois ouvimos, no Evangelho, Jesus dizer ao discípulo: «Eis a tua Mãe» (Jo 19, 26-27). Temos Mãe! Uma «Senhora tão bonita»: comentavam entre si os videntes de Fátima a caminho de casa, naquele abençoado dia treze de maio de há cem anos atrás. E, à noite, a Jacinta não se conteve e desvendou o segredo à mãe: «Hoje vi Nossa Senhora». Tinham visto a Mãe do Céu. Pela esteira que seguiam os seus olhos, se alongou o olhar de muitos, mas… estes não A viram. A Virgem Mãe não veio aqui, para que A víssemos; para isso teremos a eternidade inteira, naturalmente se formos para o Céu.

Mas Ela, antevendo e advertindo-nos para o risco do Inferno onde leva a vida – tantas vezes proposta e imposta – sem-Deus e profanando Deus nas suas criaturas, veio lembrar-nos a Luz de Deus que nos habita e cobre, pois, como ouvíamos na Primeira Leitura, «o filho foi levado para junto de Deus» (Ap 12, 5). E, no dizer de Lúcia, os três privilegiados ficavam dentro da Luz de Deus que irradiava de Nossa Senhora. Envolvia-os no manto de Luz que Deus Lhe dera. No crer e sentir de muitos peregrinos, se não mesmo de todos, Fátima é sobretudo este manto de Luz que nos cobre, aqui como em qualquer outro lugar da Terra quando nos refugiamos sob a proteção da Virgem Mãe para Lhe pedir, como ensina a Salve Rainha, «mostrai-nos Jesus».

Queridos peregrinos, temos Mãe. Agarrados a Ela como filhos, vivamos da esperança que assenta em Jesus, pois, como ouvíamos na Segunda Leitura, «aqueles que recebem com abundância a graça e o dom da justiça reinarão na vida por meio de um só, Jesus Cristo» (Rm 5, 17). Quando Jesus subiu ao Céu, levou para junto do Pai celeste a humanidade – a nossa humanidade – que tinha assumido no seio da Virgem Mãe, e nunca mais a largará. Como uma âncora, fundeemos a nossa esperança nessa humanidade colocada nos Céus à direita do Pai (cf. Ef 2, 6). Seja esta esperança a alavanca da vida de todos nós! Uma esperança que nos sustente sempre, até ao último respiro.

Com esta esperança, nos congregamos aqui para agradecer as bênçãos sem conta que o Céu concedeu nestes cem anos, passados sob o referido manto de Luz que Nossa Senhora, a partir deste esperançoso Portugal, estendeu sobre os quatro cantos da Terra. Como exemplo, temos diante dos olhos São Francisco Marto e Santa Jacinta, a quem a Virgem Maria introduziu no mar imenso da Luz de Deus e aí os levou a adorá-Lo. Daqui lhes vinha a força para superar contrariedades e sofrimentos. A presença divina tornou-se constante nas suas vidas, como se manifesta claramente na súplica instante pelos pecadores e no desejo permanente de estar junto a «Jesus Escondido» no Sacrário.

Nas suas Memórias (III, n. 6), a Irmã Lúcia dá a palavra à Jacinta que beneficiara duma visão: «Não vês tanta estrada, tantos caminhos e campos cheios de gente, a chorar com fome, e não tem nada para comer? E o Santo Padre numa Igreja, diante do Imaculado Coração de Maria, a rezar? E tanta gente a rezar com ele?» Irmãos e irmãs, obrigado por me acompanhardes! Não podia deixar de vir aqui venerar a Virgem Mãe e confiar-lhe os seus filhos e filhas. Sob o seu manto, não se perdem; dos seus braços, virá a esperança e a paz que necessitam e que suplico para todos os meus irmãos no Batismo e em humanidade, de modo especial para os doentes e pessoas com deficiência, os presos e desempregados, os pobres e abandonados. Queridos irmãos, rezamos a Deus com a esperança de que nos escutem os homens; e dirigimo-nos aos homens com a certeza de que nos vale Deus.

Pois Ele criou-nos como uma esperança para os outros, uma esperança real e realizável segundo o estado de vida de cada um. Ao «pedir» e «exigir» o cumprimento dos nossos deveres de estado (carta da Irmã Lúcia, 28/II/1943), o Céu desencadeia aqui uma verdadeira mobilização geral contra esta indiferença que nos gela o coração e agrava a miopia do olhar. Não queiramos ser uma esperança abortada! A vida só pode sobreviver graças à generosidade de outra vida. «Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto» (Jo 12, 24): disse e fez o Senhor, que sempre nos precede. Quando passamos através dalguma cruz, Ele já passou antes. Assim, não subimos à cruz para encontrar Jesus; mas foi Ele que Se humilhou e desceu até à cruz para nos encontrar a nós e, em nós, vencer as trevas do mal e trazer-nos para a Luz.

Sob a proteção de Maria, sejamos, no mundo, sentinelas da madrugada que sabem contemplar o verdadeiro rosto de Jesus Salvador, aquele que brilha na Páscoa, e descobrir novamente o rosto jovem e belo da Igreja, que brilha quando é missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor.

Por Rádio Vaticano

Reprodução: Portal Terra de Santa Cruz

Especial Centenário de Fátima: Papa Francisco deixa Santuário em festa no final de uma peregrinação inédita à Cova da Iria

O Papa Francisco deixou hoje o Santuário de Fátima em festa, depois da missa conclusiva da peregrinação de 12 e 13 de maio, que este ano coincidiu com a comemoração do Centenário das Aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria.

Durante este sábado, o Papa argentino presidiu à canonização dos pastorinhos Jacinta e Francisco Marto, dois dos videntes de Fátima e agora novos santos da Igreja Católica.

“Não podia deixar de vir aqui venerar a Virgem Mãe e confiar-lhe os seus filhos e filhas”, afirmou o Papa durante a homilia, em que pediu paz e esperança “para todos os seus irmãos no Batismo e em humanidade, de modo especial para os doentes e pessoas com deficiência, os presos e desempregados, os pobres e abandonados”.

Foto Arlindo Homem, Papa Francisco em Fátima

A visita do Papa a Portugal que teve como lema ‘Com Maria, peregrino na esperança e na paz’ e fica marcada pelo silêncio no recinto de oração, pelo encontro com doentes e com a decisão de fazer parte do percurso a pé até à Capelinha das Aparições, onde lembrou os “desterrados” da sociedade, propôs uma revolução da “ternura” e desafiou a rejeitar uma religião baseada na superficialidade.

Nessa celebração da noite de sexta-feira, o Papa argentino frisou que Maria não pode ser uma “santinha a quem se recorre para obter favores a baixo preço”.

“Se queremos ser cristãos, devemos ser marianos; isto é, devemos reconhecer a relação essencial, vital e providencial que une Nossa Senhora a Jesus e que nos abre o caminho que leva a Ele”, apontou.

Outro marco da “peregrinação” do Papa ao Santuário de Fátima foi a ‘Procissão do Adeus’.

No final da despedida de Nossa Senhora de Fátima, Francisco saiu em papamóvel pelo meio do recinto de oração, para alegria e emoção de centenas de milhares de pessoas que acenaram para o Papa, de lenços e bandeiras no ar, transformando o espaço num mar de cores, das várias nacionalidades.

A visita do Papa Francisco à Cova da Iria entra agora na sua parte final, primeiro com um almoço com os bispos portugueses, na Casa Nossa Senhora do Carmo, onde o Papa argentino esteve alojado estes dias.

O episcopado português que deixou o recinto em grupo, juntamente com o núncio apostólico (representante da Santa Sé) em Portugal, D. Rino Passigato, distribuindo sorrisos pela multidão, muitos interagindo com grupos das suas respetivas dioceses, de norte a sul do país.

A cerimónia de despedida de Francisco está marcada para a Base Aérea de Monte Real, ponto que marcou também o início da visita do Papa argentino ao Santuário de Fátima.

Depois dos procedimentos protocolares, às 14h45, o voo papal irá seguir às 15h00 em direção ao Aeroporto de Roma/Ciampino.

A chegada do Papa a Roma está prevista para as 19h05 locais, menos uma hora em Fátima.

Infor: Agência Ecclesia

Reprodução: Portal Terra de Santa Cruz

Especial Centenário de Fátima: Papa proclamou santos Francisco e Jacinta Marto

O Papa Francisco proclamou hoje como santos os pastorinhos Francisco e Jacinta Marto, pelas 10h26, no início da Missa da peregrinação do 13 de maio em Fátima, uma celebração inédita em território português.

Francisco proferiu a fórmula de canonização, em português: “Em honra da Santíssima Trindade, para exaltação da fé católica e incremento da vida cristã, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e Nossa, depois de termos longamente refletido, implorado várias vezes o auxílio divino e ouvido o parecer de muitos Irmãos nossos no Episcopado, declaramos e definimos como Santos os Beatos Francisco Marto e Jacinta Marto e inscrevemo-los no Catálogo dos Santos, estabelecendo que, em toda a Igreja, sejam devotamente honrados entre os Santos. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.

O momento foi sublinhado com duas salvas de palmas pelas centenas de milhares de pessoas presentes no recinto de oração da Cova da Iria.

Foto Lusa, Papa Francisco em Fátima

A procissão de entrada incluiu o andor com a imagem de Nossa Senhora e os dois relicários em forma de candeias com as relíquias de Francisco e Jacinta, transportados pela postuladora da Causa da Canonização dos dois Pastorinhos, irmã Ângela Coelho, e pelo assessor da Postulação, Pedro Valinho Gomes, ladeados por cerca de 20 crianças e jovens, com idades compreendidas entre os 9 e os 16 anos.

Antes da ladainha dos santos, com referências a várias figuras portuguesas, o bispo de Leiria-Fátima pediu formalmente ao Papa que os dois pastorinhos sejam inscritos no “catálogo dos santos” e apresentou uma breve biografia de ambos.

A assembleia cantou o Hino dos Pastorinhos, cuja festa litúrgica se celebra a 20 de fevereiro, data da morte de Santa Jacinta Marto.

D. António Marto e a postuladora da causa agradeceram depois ao Papa: “Santo Padre, em nome da Santa Igreja, agradeço ardentemente a proclamação feita por Vossa Santidade e peço humildemente se digne ordenar que seja redigida a Carta Apostólica relativa à Canonização efetuada”.

A decisão faz com que o culto aos novos santos tenham um âmbito universal, na Igreja Católica.

Homilia lembra sofrimentos da humanidade e pede mobilização contra indiferença

O Papa Francisco disse que, a sua presença em Fátima para a celebração do 13 de maio foi sempre inquestionável, apelando a uma mobilização contra a “indiferença”.

“Irmãos e irmãs, obrigado por me acompanhardes! Não podia deixar de vir aqui venerar a Virgem Mãe e confiar-lhe os seus filhos e filhas”, disse, na homilia da Missa a que presidiu esta manhã, no altar do recinto de oração na Cova da Iria.

Perante centenas de milhares de pessoas, que o têm acompanhado desde a sua chegada, na sexta-feira, o Papa quis deixar uma mensagem de esperança e de paz aos que mais sofrem.

“Suplico [a paz e a esperança] para todos os meus irmãos no Batismo e em humanidade, de modo especial para os doentes e pessoas com deficiência, os presos e desempregados, os pobres e abandonados”, declarou, na terceira intervenção em solo português.

Francisco afirmou que em Fátima se dá uma “verdadeira mobilização geral” contra a “indiferença” que gela o coração humana e “agrava a miopia do olhar”.

“Não queiramos ser uma esperança abortada”, prosseguiu.

A homilia da Missa conclusiva da peregrinação internacional aniversária do 13 de maio abordou depois o tema do sofrimento, referindo aos peregrinos que o próprio Jesus “se humilhou e desceu até à cruz”.

“Sob a proteção de Maria, sejamos, no mundo, sentinelas da madrugada que sabem contemplar o verdadeiro rosto de Jesus Salvador, aquele que brilha na Páscoa, e descobrir novamente o rosto jovem e belo da Igreja, que brilha quando é missionária, acolhedora, livre, fiel, pobre de meios e rica no amor”, apelou.

O Papa Francisco está a realizar a sua primeira visita a Portugal, no contexto do centenário das aparições e da canonização dos pastorinhos Francisco e Jacinta Marto.

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A Missa prosseguiu depois com o canto do Glória. Após a homilia do Papa, os peregrinos vão rezar para que os direitos das crianças sejam respeitados.

VEJA A SANTA MISSA COMPLETA NO VÍDEO ABAIXO

“Por todas as crianças e suas famílias, para que a exemplo dos santos Francisco e Jacinta os inspire a descobrir o sentido da vida e o valor da oração e da penitência, e para que vejam os seus direitos respeitados sempre”, refere a intenção de oração que vai ser proclamada em inglês.

A oração dos fiéis será rezada em várias línguas, recordando os governantes e a necessidade de um mundo “mais fraterno”, os doentes, os migrantes e refugiados.

Depois da Comunhão, o Papa vai saudar e abençoar os doentes com o Santíssimo Sacramento. D. António Marto vai dirigir um discurso de agradecimento do Papa, no final da Missa.

Por Portal Terra de Santa Cruz

Referências e fotos: Agência Ecclesia Portugal 

Especial Centenário de Fátima: Papa abraçou criança curada por intercessão dos Santos Francisco e Jacinta Marto durante canonização

O Papa Francisco abraçou hoje em Fátima a criança brasileira curada por intercessão dos pastorinhos Francisco e Jacinta Marto, canonizados esta manhã na Cova da Iria.

O pequeno Lucas subiu ao altar de mãos dadas com a sua mãe e com a irmã Ângela Coelho, a responsável pelo processo que levou à proclamação dos dois mais jovens videntes de Fátima como santos.

A criança, a sua irmã e os seus pais participaram no cortejo de apresentação dos dons, na Missa conclusiva da peregrinação aniversária internacional do 13 de maio.

Quando tinha cinco anos, Lucas estava a brincar com a irmã Eduarda e caiu de uma janela com 6 metros e meio de altura e, ao bater com a cabeça no chão, fez um “traumatismo craniano muito grave, com perda de tecido cerebral”, lembrou João Batista, pai das crianças, num encontro com jornalistas, esta semana.

Os pais da criança curada por intercessão dos pastorinhos disseram em Fátima que Lucas foi salvo dois dias após as irmãs do Carmelo de Campo Mourão, no Brasil, rezarem a Francisco e Jacinta Marto, e afirmaram “imensa alegria” por ser este o milagre da canonização.

Após ter feito um traumatismo craniano grave, no dia 3 de março de 2013, os prognósticos dos médicos indicavam baixas possibilidades de sobrevivência e, se sobrevivesse, “teria uma recuperação muito demorada ficando certamente com graves deficiências cognitivas ou mesmo em estado vegetativo”, referiu o pai da criança do Brasil.

João Batista disse que Lucas “está completamente bem, sem nenhum sintoma ou sequela” e é agora o que “era antes do acidente”, na “sua inteligência, seu caráter, é tudo igual”.

A cura representou a etapa final no processo de canonização de Francisco e Jacinta Marto, que começou há mais de meio século, já após a trasladação dos restos mortais de Francisco e Jacinta Marto para a Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

A 30 de abril de 1952, D. José Alves Correia da Silva, bispo de Leiria, procedeu à abertura dos dois processos diocesanos sobre a vida, virtudes e fama de santidade de Francisco e de Jacinta, que contou com 140 sessões e 52 testemunhos.

Esta fase diocesana só seria encerrada em 1979, seguindo então para o Vaticano, onde em 1989 o Papa João Paulo II assinou o decreto de heroicidade das virtudes do Francisco e da Jacinta.

As duas crianças, as mais novas dos videntes de Fátima, tornam-se neste 13 de maio os mais jovens santos não-mártires na história da Igreja Católica, 17 anos após a sua beatificação, também na Cova da Iria.

Foto Arlindo Homem, Papa saúda criança curada pela intercessão dos pastorinhos

Foto Arlindo Homem, Papa saúda criança curada pela intercessão dos pastorinhos

Infor: Agência Ecclesia 

Reprodução: Portal Terra de Santa Cruz

Especial Centenário de Fátima: Papa apresenta Fátima como manto de Luz sobre a humanidade.

O Papa Francisco afirmou hoje em Fátima que as aparições de 1917 na Cova da Iria foram um “manto de luz” sobre a humanidade, com uma mensagem de esperança.

“No crer e sentir de muitos peregrinos, se não mesmo de todos, Fátima é sobretudo este manto de Luz que nos cobre, aqui como em qualquer outro lugar da Terra quando nos refugiamos sob a proteção da Virgem Mãe”, realçou, na homilia da Missa a que presidiu no Santuário, perante centenas de milhares de pessoas.

Na Missa conclusiva da peregrinação internacional do 13 de maio, a primeira do centenário das aparições, o Papa quis agradecer “as bênçãos sem conta que o Céu concedeu nestes cem anos, passados sob o referido manto de Luz que Nossa Senhora, a partir deste esperançoso Portugal, estendeu sobre os quatro cantos da Terra”.

Francisco retomou um tema que tem marcado as suas intervenções, apresentando a Virgem Maria como “Mãe”.

“Uma «Senhora tão bonita»: comentavam entre si os videntes de Fátima a caminho de casa, naquele abençoado dia 13 de maio de há cem anos atrás”, declarou.

Segundo o Papa, a mensagem de Fátima quer alertar “para o risco do Inferno” para onde leva a vida “sem-Deus e profanando Deus nas suas criaturas”.

“Queridos peregrinos, temos Mãe. Temos Mãe! Agarrados a Ela como filhos, vivamos da esperança que assenta em Jesus”, apelou, provocando uma salva de palmas da assembleia.

Francisco apresentou o exemplo dos recém-canonizados São Francisco Marto e Santa Jacinta, “a quem a Virgem Maria introduziu no mar imenso da Luz de Deus e aí os levou a adorá-lo”.

“Daqui lhes vinha a força para superar contrariedades e sofrimentos”, acrescentou.

O Papa falou numa “presença divina” constante na vida dos novos santos, que se manifestou “na súplica instante pelos pecadores e no desejo permanente de estar junto a «Jesus Escondido» no Sacrário”.

O Papa Francisco está a realizar a sua primeira visita a Portugal, no contexto do centenário das aparições e da canonização dos pastorinhos Francisco e Jacinta Marto.

Infor: Agência Ecclesia

Reprodução: Portal Terra de Santa Cruz