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Pesar do Papa Francisco pela morte do cardeal Jean-Louis Tauran

O cardeal Jean-Louis Tauran era Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo inter-religioso e Camerlengo da Santa Igreja Romana. Anunciou ao mundo a eleição de Francisco. Tinha 75 anos.

Faleceu, na tarde desta quinta-feira (05/7), em Connecticut, EUA, com a idade de 75 anos, o Cardeal Jean-Louis Tauran, Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo inter-religioso e Camerlengo da Santa Igreja Romana, acometido por muito tempo pela doença de Parkinson.

Em 13 de março de 2013, o Cardeal Tauran, Protodiácono da Santa Igreja, anunciou ao mundo a eleição do Papa Francisco, com a célebre frase “Habemus Papam”.

Num telegrama enviado, nesta sexta-feira (06/07), à irmã do cardeal Tauran, senhora Geneviève Dubert, o Papa Francisco manifesta seu pesar pela morte do purpurado, recordando a sua fidelidade e o amor pela Igreja.

“O cardeal Jean-Louis Tauran, que confio à misericórdia de Deus, marcou profundamente a vida da Igreja universal. Entrou no serviço diplomático da Santa Sé e exerceu com competência, entre outros, o cargo de secretário das Relações com os Estados. Nomeado pelo Papa Bento XVI presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, foi um conselheiro ouvido e apreciado, de modo particular, graças às relações de confiança e estima que soube estabelecer com o mundo muçulmano”, destaca Francisco no texto.

“Por causa de seu espírito de serviço e seu amor pela Igreja eu o nomeei Camerlengo da Santa Igreja Romana. Mantenho uma lembrança comovente deste homem de profunda fé que corajosamente serviu a Igreja de Cristo até o fim, não obstante o peso da doença. Que o Senhor acolha o seu servo na paz e na alegria que nunca terminam”!

O Papa conclui o telegrama, abençoando toda a família do cardeal Tauran, o Colégio Cardinalício, todas as pessoas próximas ao purpurado falecido, os pastores e fiéis da Arquidiocese de Bordeaux, e todas as pessoas que participarão de suas exéquias.

Biografia

Jean-Louis Tauran nasceu em Bordeaux em 5 de abril de 1943. Estudou na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, no Instituto Católico de Toulouse e na Pontifícia Academia Eclesiástica de Roma.

Foi ordenado sacerdote em 20 de setembro de 1969, em Bordeaux, onde foi pároco. Prestou serviço diplomático junto à Santa Sé em 1975; foi Secretário da Nunciatura na República Dominicana (1975-1978), Secretário da Nunciatura no Líbano (1979-1983); participou de missões especiais no Haiti (1984) e em Beirute e Damasco (1986); foi membro da delegação da Santa Sé na Conferência sobre Segurança e Cooperação Europeia, na Conferência sobre o Desarmamento, em Estocolmo, Suécia, e no Fórum Cultural em Budapeste, Hungria.

Ao ser nomeado arcebispo foi Secretário da Secretaria de Estado para as Relações com os Estados (1990) e Secretário da Congregação para os Bispos.

O Cardeal Tauran foi criado Cardeal no Consistório de 2003; Arquivista e Bibliotecário da Santa Igreja Romana (2003- 2007); participou, como representante do Papa, na inauguração do novo Museu do Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém, em 2005.

O Cardeal Jean-Louis Tauran tomou parte da X Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (2005), e da XII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (2008).

Foi Enviado especial do Papa na conclusão do Ano Paulino (2009), na Turquia; participou da II Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos (2009), e da II Assembleia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos (2010); recebeu o Doutorado honoris causa no Instituto Católico de Paris.

Confirmado pelo Papa Bento XVI como Cardeal protodiácono no Consistório de 2011 e confirmado, por cinco anos, como Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso.

Como Cardeal-protodiácono, anunciou ao mundo a eleição do novo Papa, Jorge Maria Bergoglio, após o Conclave de 2013; impôs o pálio sagrado sobre o Papa Francisco, no início do seu ministério petrino, em 19 de março de 2013.

Em junho de 2013, o Santo Padre o nomeou membro da Pontifícia Comissão do Instituto para as Obras de Religião (Banco do Vaticano) e confirmado como membro da Congregação para os Bispos em 16 de dezembro de 2013.

Em 20 de dezembro de 2014, o Papa Francisco confirmou o Cardeal Jean-Louis Tauran como Camerlengo da Santa Igreja Romana.

Com a morte do Cardeal Jean-Louis Tauran o Colégio Cardinalício fica composto de 225 Cardeais, dos quais 124 eleitores (em un eventual Conclave) e 101 não eleitores.

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A dignidade do trabalho

Francisco sempre coloca sua voz em defesa dos trabalhadores e de sua dignidade. No nosso mundo globalizado tudo está sendo redefinido, começando pelo conceito de trabalho.

No último dia 29 de junho, Solenidade de São Pedro e São Paulo, o Papa Francisco, durante a sua homilia na Santa Missa celebrada na Praça São Pedro com os novos cardeais (14) criados no dia anterior e com 30 arcebispos que receberam o Pálio Sagrado, advertiu todos nós, membros da Igreja, para a tentação de mantermos sempre “uma distância” do sofrimento dos outros.

“Não são poucas as vezes que sentimos a tentação de sermos cristãos mantendo distância prudente das chagas do Senhor. Jesus toca a miséria humana, convidando-nos a estar com ele a tocar a carne sofredora dos outros”, disse.

Francisco assinalou que “confessar a fé com nossos lábios e com nossos corações requer identificar os segredos do maligno” no mundo. Mas também “aprender a discernir e descobrir aqueles abrigos pessoais ou comunitários que nos mantêm distantes do nó da tempestade humana” e que impedem “entrar em contato com a existência concreta dos outros”.

O Evangelho é a inspiração de Francisco

A verdadeira inspiração de Francisco é o Evangelho e é a partir desta perspectiva que Francisco olha para os problemas sociais de hoje, para as vítimas da cultura do desperdício, como os jovens e os idosos, os migrantes, os desempregados.

E sobre esse último tema – desemprego – nos dias passados foi a apresentado o livro “O trabalho é dignidade”, publicado pela Editora italiana Ediesse e realizado por Giacomo Costa e Paolo Foglizzo. Um livro onde os dois autores fazem uma coletânea e comentam os pronunciamentos mais significativos do Papa Francisco sobre o tema do trabalho.

Voltando à homilia de Francisco na Solenidade dos Santos Pedro e Paulo onde ele toca a tecla de sentirmos a tentação, como cristãos, de manter distância prudente das feridas de Cristo, de tocar a miséria humana,  nos aproximamos do grande tema que está no coração do Papa, a dignidade do trabalho, que há muitos homens e mulheres causa sofrimento.

A voz de quem não tem voz

Francisco sempre coloca sua voz em defesa dos trabalhadores e de sua dignidade. No nosso mundo globalizado tudo está sendo redefinido, começando pelo conceito de trabalho, que para o Papa, precisamente, é um fator de dignidade.

Muitas vezes o trabalho é interpretado unicamente como uma necessidade econômica, portanto, como uma ferramenta para obter uma renda que então permita consumir. Francisco lembra que o trabalho é muito mais. O trabalho é, acima de tudo, um âmbito em que a pessoa pode se tornar mais pessoa. A pessoa experimenta a sua criatividade, experimenta os laços que a unem aos outros. É por isso que o trabalho é uma experiência humana fundamental e é por isso que o Papa diz: “atenção, não podemos imaginar resolver o problema simplesmente garantindo uma renda também àqueles que não trabalham, porque faltaria a eles uma parte fundamental da experiência humana”.

A falta de trabalho é um nó na existência do homem e da mulher. O mal das nossas sociedades é tanto a exploração dos recursos quanto a exploração das pessoas. É a “cultura do desperdício” sobre a qual o Papa insiste, propondo, em oposição a ela, a globalização da solidariedade.

Diálogo, conceito essencial

Segundo um dos autores do livro sobre o Papa e o trabalho, “estamos no mundo da indústria 4.0, estamos no mundo da globalização: precisamos entender novamente o que significa justiça, bem-estar, trabalho digno”. Para fazer isso, e esta é a lição do Papa,  precisamos que todos digam como as coisas são vistas do seu ponto de vista, precisamos do ponto de vista de todos.

Francisco quando fala do trabalho fala com os trabalhadores, mas também com empresários e proprietários de empresas. Não teme o confronto porque pensa que, assumindo as responsabilidades, é possível alcançar um bem maior. Neste universo o fio condutor para buscar uma solução aos dilemas é o diálogo. Para Francisco o diálogo é um conceito essencial.

Silvonei José – Vatican News

Angelus: a falta de fé é um obstáculo à graça de Deus

Na alocução que precedeu a oração mariana do Angelus no domingo, 08 de julho, o Papa Francisco falou do “escândalo da encarnação”.

Devemos nos esforçar para abrir o coração e a mente, para acolher a realidade divina que vem ao nosso encontro: este foi o convite que o Papa Francisco fez este domingo (08/07) ao rezar com os fiéis e peregrinos na Praça S. Pedro a oração do Angelus.

Um profeta só não é estimado em sua pátria

Em sua alocução, o Pontífice comentou o Evangelho do dia, em que Jesus volta a Nazaré e começa a ensinar na sinagoga.

Desde que havia ido embora e iniciado a pregar nos povoados e nos vilarejos das redondezas, não tinha mais regressado à sua pátria. Portanto, toda a cidadezinha se reuniu para ouvir Jesus.

Mas aquilo que se anunciava um sucesso, se transformou numa “clamorosa rejeição”, a ponto que Jesus não pôde realizar nenhum milagre, mas somente curar alguns doentes.

Jesus utiliza uma expressão que se tornou proverbial: “Um profeta só não é estimado em sua pátria”.

Escândalo da encarnação

O Papa explica essa transformação dos habitantes de Nazaré porque eles fazem uma comparação entre a humilde origem de Jesus e as suas capacidades atuais: de um carpinteiro semestudos, se torna um pregador melhor que os escribas. E ao invés de se abrirem à realidade, se escandalizam.

“ É o escândalo da encarnação: o evento desconcertante de um Deus feito carne, que pensa com a mente de um homem, trabalha e atua com as mãos de um homem, ama com coração de homem, um Deus que fadiga, come e dorme como um de nós. ”

O Filho de Deus, prosseguiu o Papa, inverte todo esquema humano: não são os discípulos que lavam os pés ao Senhor, mas é o Senhor que lava os pés aos discípulos. “Este é um motivo de escândalo e de incredulidade em todas as épocas, inclusive hoje.”

Ter fé

A inversão provocada por Jesus implica aos seus discípulos de ontem e de hoje analisar a vida pessoal e comunitária. O Senhor nos convida a assumir uma atitude de escuta humilde e de espera dócil, porque a graça de Deus com frequência se apresenta a nós de maneira surpreendente, que não corresponde às nossas expectativas. E citou como exemplo Madre Teresa de Calcutá, que “revolucionou a caridade na Igreja”.

“ Deus não se conforma aos preconceitos. Devemos nos esforçar para abrir o coração e a mente, para acolher a realidade divina que vem ao nosso encontro. Trata-se de ter fé: a falta de fé é um obstáculo à graça de Deus. ”

Muitos batizados, afirma Francisco, vivem como se Cristo não existisse: repetem-se os gestos e os sinais da fé, mas a eles não corresponde uma real adesão à pessoa de Jesus e ao seu Evangelho.

Vida coerente

Ao invés, todo cristão é chamado a aprofundar esta pertença fundamental, buscando testemunhá-la com uma conduta de vida coerente, cujo fio condutor é a caridade.

“Peçamos ao Senhor, por intercessão da Virgem Maria, que dissolva a dureza dos corações e a limitação da mente, para que estejamos abertos à sua graça, à sua verdade e à sua missão de bondade e de misericórdia, que é endereçada a todos, sem qualquer exclusão.”

Bianca Fraccalvieri – Vatican News 

Papa: o cristão reza pelo seu inimigo e o ama

“A oração mafiosa é: ‘Você me paga’. A oração cristã é: ‘Senhor, dê-lhe a sua bênção e ensine-me a amá-lo’. Pensemos num inimigo: todos temos um. Pensemos nele. Rezemos por ele. Peçamos ao Senhor a graça de amá-lo”, disse o Papa na homilia.

O perdão, a oração e o amor por que quem nos quer destruir, pelo nosso inimigo. Assim foi a homilia do Papa Francisco na missa celebrada na capela da Casa Santa Marta esta terça-feira (19/06).

Comentando o trecho proposto pela Leitura do dia, extraído do Evangelho de Mateus, o Papa admitiu a dificuldade humana em seguir o modelo do nosso Pai celeste e propôs novamente o desafio do cristão, isto é, de pedir ao Senhor a “graça” de saber “abençoar os nossos inimigos” e nos comprometer a amá-los.

Perdoar para ser perdoados

“Nós sabemos que devemos perdoar os nossos inimigos”, afirmou o Papa, nós dizemos isso todos os dias no Pai-Nosso. Pedimos perdão assim como nós perdoamos: é uma condição…”, embora não seja fácil. Assim como “rezar pelos outros”, por aqueles que nos dão problemas, que nos colocam à prova: também isto é difícil, mas o fazemos. Ou pelo menos muitas vezes conseguimos fazê-lo “:

Mas rezar por aqueles que querem me destruir, os inimigos, para que Deus os abençoe: isso é realmente difícil de entender. Pensemos no século passado, os pobres cristãos russos que somente pelo fato de serem cristãos eram enviados para a Sibéria para morrer de frio: e eles deveriam rezar pelo governante carrasco que os enviava ali? Mas como é possível? E muitos o fizeram: rezaram. Pensemos em Auschwitz e em outros campos de concentração: eles deveriam rezar por este ditador que queria a raça pura e matava sem escrúpulo, e rezar para que Deus os abençoasse! E muitos fizeram isso.

Aprender com a lógica de Jesus e dos mártires

É a difícil lógica de Jesus, que no Evangelho está contida na oração e na justificação daqueles que “o mataram” na cruz: “perdoa-os Pai, porque não sabem o que fazem”. Jesus pede perdão para eles, recordou o Papa, assim como fez como Santo Estevão no momento do martírio:

Mas quanta distância, uma infinita distância entre nós que muitas vezes não perdoamos pequenas coisas, e isso que nos pede o Senhor e de qual sempre nos deu exemplo: perdoar aqueles que tentam nos destruir. Nas famílias, às vezes, é muito difícil perdoarem-se os cônjuges depois de alguma briga, ou perdoar a sogra também: não é fácil. O filho pedir perdão ao pai é difícil. Mas perdoar os que o estão matando, que querem eliminá-lo … Não somente perdoar: rezar por eles, para que Deus os proteja! E mais: amá-los. Somente a palavra de Jesus pode explicar isso. Eu não consigo ir além.

Pedir a graça de ser perfeito como o Pai

Portanto, destacou Francisco, é a graça de pedir para entender algo deste mistério cristão e ser perfeitos como o Pai, que dá todos os seus bens aos bons e aos maus. O Papa concluiu afirmando que nos fará bem pensar nos nossos inimigos, pois todos nós temos algum:

Hoje, nos fará bem pensar num inimigo – creio que todos nós temos um -, alguém que nos fez mal ou que nos quer fazer mal ou tenta nos prejudicar: pensar nesta pessoa. A oração mafiosa é: “Você me paga”. A oração cristã é: “Senhor, dê-lhe a sua bênção e ensine-me a amá-lo”. Pensemos num inimigo: todos temos um. Pensemos nele. Rezemos por ele. Peçamos ao Senhor a graça de amá-lo.

Gabriella Ceraso – Vatican News

Papa: permanecer confiantes quando a esperança parece naufragar

“Hoje o Senhor nos exorta a uma atitude de fé que supera nossos projetos, os nossos cálculos, as nossas previsões. É um convite para nos abrirmos com mais generosidade aos planos de Deus, tanto a nível pessoal como comunitário”, disse o Papa Francisco em sua reflexão.

No Angelus deste XI Domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco nos exortou à confiança e esperança:

“No Evangelho de hoje, Jesus fala à multidão do Reino de Deus e da dinâmica do seu crescimento, e faz isso contando duas breves parábolas.

Na primeira parábola o Reino de Deus é comparado ao crescimento misterioso da semente, que é jogada no chão e em seguida germina, cresce e produz a espiga, independentemente do cuidado do agricultor, que após a maturação, faz a colheita.

A mensagem que esta parábola nos dá é esta: por meio da pregação e a ação de Jesus, o Reino de Deus é anunciado, irrompe no campo do mundo e, como a semente, cresce e se desenvolve por si só, por força própria e segundo critérios humanamente não decifráveis.

Ele, em seu crescimento e brotação na história, não depende tanto da obra do homem, mas é acima de tudo expressão do poder e da bondade de Deus, da força do Espírito Santo que leva em frente a vida cristã no Povo de Deus.

Às vezes, a história, com seus acontecimentos e os seus protagonistas, parece ir na direção oposta ao plano do Pai celeste, que deseja para todos os seus filhos a justiça, a fraternidade, a paz. Mas nós somos chamados a viver esses períodos como estações de provação, de esperança e de espera vigilante da colheita.

De fato, ontem como hoje, o Reino de Deus cresce no mundo de maneira misteriosa, de maneira surpreendente, revelando o poder escondido da pequena semente, sua vitalidade vitoriosa. Dentro dos mistérios de acontecimentos pessoais e sociais que, por vezes, parecem marcar o naufrágio de esperança, devemos permanecer confiantes no agir humilde mas poderoso de Deus.

Por isto, nos momentos de escuridão e de dificuldades, nós não devemos nos abater, mas permanecer ancorados à fidelidade de Deus, em sua presença, que sempre salva. Recordem disto: Deus sempre salva, é o salvador.

Na segunda parábola (veja os versículos 30-32), Jesus compara o Reino de Deus a um grãozinho de mostarda. É uma semente muito pequena, mas se desenvolve tanto que se torna a maior de todas as plantas do jardim: um crescimento surpreendente e imprevisível. Não é fácil para nós entrar nesta lógica da imprevisibilidade de Deus e aceitá-la em nossas vidas.

Mas hoje o Senhor nos exorta a uma atitude de fé que supera nossos projetos, os nossos cálculos, as nossas previsões. Deus é sempre o Deus das surpresas. O Senhor sempre nos surpreende. É um convite para nos abrirmos com mais generosidade aos planos de Deus, tanto a nível pessoal como comunitário. Em nossas comunidades é preciso dar atenção às pequenas e grandes oportunidades de bem que o Senhor nos dá, deixando-nos envolver em sua dinâmica de amor, de acolhida e de misericórdia para com todos.

A autenticidade da missão da Igreja não é dada pelo sucesso ou pela gratificação dos resultados, mas pelo ir em frente com a coragem da confiança e o humilde abandono em Deus. Ir em frente na confissão de Jesus e com a força do Espírito Santo. É a consciência de ser instrumentos pequenos e fracos, que nas mãos de Deus e com a sua graça podem realizar grandes obras, fazendo progredir o seu Reino que é “justiça, paz e alegria no Espírito Santo”.

Que a Virgem Maria nos ajude a ser simples, a ser atentos, para colaborar com a nossa fé e com o nosso trabalho no crescimento do Reino de Deus nos corações e na história”.

Vatican News

Portal Terra de Santa Cruz 

Sagrado Coração: hoje é a festa do amor de Deus, diz o Papa

No dia em que a Igreja celebra a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, o Papa Francisco iniciou a sua homilia na Casa Santa Marta afirmando que se poderia dizer que hoje é a festa do amor de Deus.

“Não somos nós que amamos Deus, mas é Ele que “nos amou por primeiro, Ele é o primeiro a amar”, disse o Papa. Uma verdade que os profetas explicavam com o símbolo da flor de amêndoa, o primeiro a florescer na primavera. “Deus é assim: sempre por primeiro. Ele nos espera por primeiro, nos ama por primeiro, nos ajuda por primeiro”.

Mas não é fácil entender o amor de Deus. De fato, Paulo, na segunda Leitura do dia, fala de ‘impenetráveis riquezas de Cristo’, de um mistério escondido.

É um amor que não se pode entender. O amor de Cristo que supera todo conhecimento. Supera tudo. Tão grande é o amor de Deus. E um poeta dizia que era como “o mar, sem margens, sem fundo …”: mas um mar sem limites. E este é o amor que nós devemos entender, o amor que nós recebemos.

Na história da salvação, o Senhor nos revelou o seu amor, “foi um grande pedagogo”, disse o Papa e, relendo as palavras do profeta Oséias, explica que não o revelou através da potência: “Não. Vamos ouvir: ‘Eu ensinei meu povo a dar os primeiros passos, tomei-o em meus braços, eu cuidava dele’. Tomar nos braços, próximo: como um pai”.

Como Deus manifesta o amor? Com as grandes coisas? Não: se rebaixa, se rebaixa, se rebaixa com esses gestos de ternura, de bondade. Faz-se pequeno. Aproxima-Se. E com esta proximidade, com este rebaixamento, Ele nos faz entender a grandeza do amor. O grande deve ser entendido por meio do pequeno.

Por último, Deus envia o seu Filho, mas “o envia em carne” e o Filho “humilhou a si mesmo” até a morte. Este é o mistério do amor de Deus: a grandeza maior expressa na menor das pequenezas. Para Francisco, assim se pode entender também o percurso cristão.

Quando Jesus nos quer ensinar como deve ser a atitude cristã, nos diz poucas coisas, nos faz ver aquele famoso protocolo sobre o qual todos nós seremos julgados (Mateus 25). E o que diz? Não diz: “Eu creio que Deus seja assim. Entendi o amor de Deus”. Não, não… Eu fiz o amor de Deus em pequenas coisas. Dei de comer ao faminto, dei de beber ao sedento, visitei o doente, o detento. As obras de misericórdia são justamente a estrada do amor que Jesus nos ensina em continuidade com este amor de Deus, grande! Com este amor sem limites, que se aniquilou, se humilhou em Jesus Cristo; e nós devemos expressá-lo assim.

Portanto, concluiu o Papa, não são necessários grandes discursos sobre o amor, mas homens e mulheres “que saibam fazer essas pequenas coisas por Jesus, para o Pai”. As obras de misericórdia “são a continuidade deste amor, que se rebaixa, chega a nós e nós o levamos avante”.

Adriana Masotti – Vatican News 

Pentecostes: “Força do Espírito é um reconstituinte para a vida”

Em sua homilia, o Papa afirmou que “o Espírito lembra à Igreja que não obstante os seus séculos de história, é sempre uma jovem de vinte anos, a Noiva jovem por quem está perdidamente apaixonado o Senhor”.

A Basílica de São Pedro ficou lotada na manhã deste domingo (20/05) para a celebração da missa de Pentecostes, presidida pelo Papa Francisco. Cardeais, bispos e sacerdotes, usando paramentos vermelhos, concelebraram a liturgia com o Papa.

A homilia do Papa Francisco começou com a explicação da primeira leitura do dia, que narra a rajada de vento que veio do céu com um ruído e que encheu toda a casa em que os discípulos se encontravam: a vinda do Espírito Santo no Pentecostes é a força divina que muda o mundo.

Muda os corações

“Aqueles discípulos que antes viviam no medo, fechados em casa, mesmo depois da ressurreição do Mestre, são transformados pelo Espírito e – disse o Papa, desta vez mencionando o Evangelho do dia – «dão testemunho d’Ele»”.

“De hesitantes, tornam-se corajosos e, partindo de Jerusalém, lançam-se até aos confins do mundo. Medrosos quando Jesus estava entre eles, agora são ousados sem Ele, porque o Espírito mudou os seus corações”.

“ A experiência ensina que nenhuma tentativa terrena de mudar as coisas satisfaz plenamente o coração do homem ”

“A mudança do Espírito é diferente: não revoluciona a vida ao nosso redor, mas muda o nosso coração, transformando-o de pecador em perdoado”.

O Espírito como um reconstituinte de vida

A partir desta reflexão, o Papa sugeriu que quando precisarmos de uma verdadeira mudança, quando as nossas fraquezas nos oprimem, quando avançar é difícil e amar parece impossível, faria bem tomar diariamente este reconstituinte de vida: é Ele, a força de Deus.

Muda as vicissitudes

Prosseguindo a homilia, o Papa disse que depois dos corações, o Espírito, como o vento, sopra por todo o lado e chega às situações mais imprevistas.

“Como na família, quando nasce uma criança, esta complica os horários, faz perder o sono, mas traz uma alegria que renova a vida, impelindo-a para a frente, dilatando-a no amor, do mesmo modo o Espírito traz à Igreja um «sabor de infância»; realiza renascimentos contínuos. Reaviva o amor do começo”.

“ O Espírito lembra à Igreja que, não obstante os seus séculos de história, é sempre uma jovem de vinte anos, a Noiva jovem por quem está perdidamente apaixonado o Senhor ”

Gaza, nome que suscita dor

Citando o episódio dos Atos dos Apóstolos em que o diácono Filipe é impelido “por uma estrada deserta, de Jerusalém a Gaza”, o Papa acrescentou: “como este nome soa doloroso, hoje! Que o Espírito mude os corações e as vicissitudes e dê paz à Terra Santa!”.

Terminando, o Papa pediu que Espírito Santo, rajada de vento de Deus, sopre sobre nós: “Soprai nos nossos corações e fazei-nos respirar a ternura do Pai. Soprai sobre a Igreja e impeli-a até aos últimos confins; vinde, Espírito Santo, mudai-nos por dentro e renovai a face da terra”.

Informações: Vatican News 

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Os Papas em Fátima: um manto de luz sobre o mundo – 13 de maio, N. Sra. de Fátima

No dia 13 de maio, a Igreja celebra a Bem-aventurada Virgem Maria de Fátima. Nesta ocasião, recordamos as peregrinações dos Papas ao Santuário Português, com imagens de Francisco, Bento XVI, São João Paulo II e Paulo VI.

“A Santíssima Virgem de Fátima – escreve o Papa Francisco em um tweet – dirige o seu olhar sobre nós, sobre nossas famílias, sobre o nosso país, sobre o mundo”. Foi um dia “abençoado” aquele de 13 de maio de 1917: aos videntes de Fátima a Mãe do Céu apareceu pela primeira vez na Cova da Iria. Cem anos depois, Francisco recorda o evento na Solenidade da Bem-aventurada Virgem Maria de Fátima, celebrando no adro do Santuário mariano da cidade portuguesa a missa com a canonização de Francisco e Jacinta Marto, os dois pastorzinhos que com a prima Lúcia dos Santos assistiram às aparições da “Senhora tão linda”.

A bênção de Francisco
Diante de dezenas de milhares de peregrinos, que o Papa havia abençoado do alto chegando no dia anterior de helicóptero, Francisco lembra que a Maria e ao seu “manto de luz” podemos “nos apegar” para viver da “esperança que está em Jesus”. Uma esperança que se concretiza no abraço ao menino brasileiro  Lucas Maeda de Oliveira, que milagrosamente ficou curado, presente na celebração com a família. “Que cada um de nós se torne, com Maria, sinal e sacramento da misericórdia de Deus, que perdoa sempre, perdoa tudo”, dissera também na precedente bênção das velas.

Bento XVI e a missão profética
A tradicional bênção das velas também caracterizou a visita de Bento XVI em 2010 a Fátima, no décimo aniversário da beatificação de Francisco e Jacinta. Clara a mensagem de Joseph Ratzinger: “se iludiria quem pensasse que a missão profética de Fátima acabou”, sublinhou, porque “com a família humana pronta a sacrificar os seus laços mais sagrados sobre o altar de mesquinhos egoísmos de nação, raça, ideologia, grupo, individuo, veio do Céu a nossa Mãe Santíssima, oferecendo-se para transplantar nos corações daqueles que confiam, o amor de Deus que arde no seu coração”.

João Paulo II, o ataque e a salvação
Em vez disso, foram três as peregrinações de São João Paulo II ao santuário Português em 1982, em 1991 e em 2000. Do Papa Wojtyla é conhecida a vontade de conservar no Santuário de Fátima a bala, – depois colocada na coroa da imagem de Nossa Senhora -, que o atingiu no atentado de 13 de maio de 1981, na Praça de São Pedro, “que misteriosamente coincidiu – disse – com o aniversário da primeira aparição” naquela terra, reconhecendo na intercessão de Nossa Senora o motivo da sua salvação. E exortou a ler a mensagem da “Senhora”, à luz do “amor materno”. Sua “maternidade universal”, explicou ele em 1991, é “a âncora segura de salvação da humanidade inteira”, chamando Maria de “Mãe da confiança de todas as gerações humanas.” No ano 2000, na beatificação dos dois “pastorzinhos” Francisco e Jacinta, o pensamento de Karol Wojtyla foi para as muitas vítimas do século XX, aos horrores das duas “grandes guerras” e para aqueles de outros conflitos no mundo, “aos campos de concentração e extermínio, aos gulags, às limpezas étnicas e às perseguições, ao terrorismo, aos sequestros de pessoas, à droga, aos atentados contra os nascituros e contra a família”. A mensagem de Fátima – explicou – “é um chamado à conversão”.

O terceiro segredo
Depois confiou ao Cardeal Angelo Sodano, então Secretário de Estado do Vaticano, a leitura do terceiro segredo de Fátima, de acordo com a interpretação de Francisco e Jacinta confirmada pela Irmã Lúcia, que São João Paulo II encontrou várias vezes: o “bispo vestido de branco “que reza por todos os fiéis é – foi explicado – o Papa. “Também ele, caminhando com fadiga em direção da Cruz por entre os cadáveres daqueles que foram martirizados (bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e numerosos leigos) cai no chão como morto sob os disparos de arma de fogo”. Depois do atentado, portanto, ao Papa João Paulo II pareceu evidente que era “uma mão materna que guiou a trajetória da bala”, permitindo ao “Papa agonizante” de parar “no limiar da morte”. No entanto, em face às turbulências diárias, “ainda que os eventos referidos pela terceira parte do segredo de Fátima pareçam uma coisa do passado”, o chamado de Nossa Senhora “à conversão e à penitência” conserva – é evidenciado – uma “estimulante atualidade”.

Paulo VI, primeiro Papa em peregrinação a Fátima
Em 1967, o primeiro Papa a ir em peregrinação a Fátima foi Paulo VI, que dedicou a viagem ao tema da paz, no 50º aniversário das aparições e 25º da consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria. “O mundo está em perigo – disse Papa Montini – por isso Nós viemos aos pés da Rainha da Paz para lhe pedir como dom, que só Deus pode dar, a paz”. Um dom, especificou, “que precisa de uma livre aceitação e de uma livre colaboração”: a do homem.

Silvonei José, Giada Aquilino 

Santíssima Virgem, que nos montes de Fátima vos dignastes revelar aos três pastorinhos os tesouros de graças que podemos alcançar, rezando o santo rosário, ajudai-nos a apreciar sempre mais esta santa oração, a fim de que, meditando os mistérios da nossa redenção, alcancemos as graças que insistentemente vos pedimos (pedir a graça). Ó meu bom Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem. Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós.

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Papa aplaude as mães de todo o mundo

Francisco recordou também a Mãe do céu: “Rezemos pela nossa mãe celeste que hoje, 13 de maio, com o nome de Nossa Senhora de Fátima nos ajuda a prosseguir no nosso caminho” .

Por ocasião do Dia das Mães o Papa Francisco, na conclusão do Regina Coeli neste domingo (13/05), convidou os fiéis presentes na Praça São Pedro a “aplaudirem as mães”.

“Eu gostaria de cumprimentar todas as mães, agradecê-las pelo cuidado da família – disse Francisco. Recordo também as mães que nos olham do céu e continuam a nos cuidar com a oração. Rezemos pela nossa mãe celeste que hoje, 13 de maio, com o nome de Nossa Senhora de Fátima nos ajuda a prosseguir no nosso caminho “.

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Gaudete et Exsultate: Itinerário para combater o individualismo

Provincial dos combonianos portugueses destaca exortação apostólica do Papa Francisco e sublinha novos desafios da vida missionária.

“Como um convite para a santidade, do ponto de vista da perspetiva teológica do papa, é uma bomba impressionante que vem dizer que a santidade é a alegria, é a vida, é a festa”.

É a leitura que o padre José Vieira, provincial dos combonianos portugueses faz da nova exortação apostólica do Papa Francisco, “Gaudete et Exsultate, Alegrai-vos e exultai”

Combate ao individualismo globalizado

“Um itinerário principal para combatermos o individualismo globalizado”, diz em entrevista ao VATICAN NEWS o Presidente da Conferência dos Institutos Religiosos em Portugal, que considera que é preciso “ter uma visão critica sobre os aspetos negativos da globalização”.

“Um dos aspetos mais negativos que o papa fala muito, a meu ver, é o descartar de pessoas. A globalização faz das pessoas consumidores, mais do que construtores da própria vida”, diz o sacerdote que alerta para “o individualismo globalizado”.

Missão em dois sentidos

O padre José Vieira, com larga experiência missionária em África, destaca também a importância da missionação portuguesa nos países lusófonos, mas sublinha que “a Missão faz-se sempre em dois sentidos”.

“Se nós no passado íamos para anunciar o Evangelho, neste momento há um movimento contrário. Os africanos que foram evangelizados, estão-nos agora a evangelizar”, diz o sacerdote comboniano que lembra “as muitas paróquias já entregues a africanos” em Portugal.

“Ao aceitarmos africanas e africanos dentro dos Institutos, temos também de aceitar todos os valores, toda a experiência humana, toda a expressão de fé, que eles, como africanos e africanas, têm e que vão dar, digamos, uma expressão nova aos nossos próprios carismas”, sublinha o presidente da CIRP.

Domingos Pinto – Lisboa – Vatican News