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Presidente Português destaca “papel crucial das Misericórdias”

Marcelo Rebelo de Sousa presidiu à sessão solene comemorativa dos 500 anos da Santa Casa da Misericórdia de Bragança

O Presidente da República reafirmou em Bragança “o papel na história de Portugal das misericórdias e, mais recentemente, das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS)”.

O chefe de Estado Português falava na cerimônia comemorativa dos 500 anos da Santa Casa da Misericórdia de Bragança que decorreu no passado dia 8 de julho naquela cidade do nordeste transmontano.

Uma sessão que contou com a participação do bispo de Bragança-Miranda, D. José Cordeiro; do presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel de Lemos; e do presidente da Câmara Municipal de Bragança, Hernâni Dias.

“É preciso conhecer essa história para compreender quão precária é a ilusão de se poder dispensar instituições, que são seculares, que têm passado, mas têm também presente e futuro. E, algumas vezes, a falta de conhecimento histórico de um ou outro responsável levou a que se concebesse a sociedade portuguesa sem conhecer a história das misericórdias”, alertou Marcelo Rebelo de Sousa.

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou o papel das misericórdias e das IPSS nos tempos de crise e questionou: “se não tivessem existido as instituições da chamada economia social quais teriam sido as consequências?”.

Explicar o papel das misericórdias e das IPSS é uma das lutas que o chefe de Estado entende necessária travar associada a outra, que é conseguir que os vários “portugais” sejam menos diferentes entre si”.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, “as misericórdias cumprem aí uma missão fundamental”, assim como as IPSS, contribuindo, na rede que estabelecem, “para esta sensibilidade nacional”.

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Pesar do Papa Francisco pela morte do cardeal Jean-Louis Tauran

O cardeal Jean-Louis Tauran era Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo inter-religioso e Camerlengo da Santa Igreja Romana. Anunciou ao mundo a eleição de Francisco. Tinha 75 anos.

Faleceu, na tarde desta quinta-feira (05/7), em Connecticut, EUA, com a idade de 75 anos, o Cardeal Jean-Louis Tauran, Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo inter-religioso e Camerlengo da Santa Igreja Romana, acometido por muito tempo pela doença de Parkinson.

Em 13 de março de 2013, o Cardeal Tauran, Protodiácono da Santa Igreja, anunciou ao mundo a eleição do Papa Francisco, com a célebre frase “Habemus Papam”.

Num telegrama enviado, nesta sexta-feira (06/07), à irmã do cardeal Tauran, senhora Geneviève Dubert, o Papa Francisco manifesta seu pesar pela morte do purpurado, recordando a sua fidelidade e o amor pela Igreja.

“O cardeal Jean-Louis Tauran, que confio à misericórdia de Deus, marcou profundamente a vida da Igreja universal. Entrou no serviço diplomático da Santa Sé e exerceu com competência, entre outros, o cargo de secretário das Relações com os Estados. Nomeado pelo Papa Bento XVI presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, foi um conselheiro ouvido e apreciado, de modo particular, graças às relações de confiança e estima que soube estabelecer com o mundo muçulmano”, destaca Francisco no texto.

“Por causa de seu espírito de serviço e seu amor pela Igreja eu o nomeei Camerlengo da Santa Igreja Romana. Mantenho uma lembrança comovente deste homem de profunda fé que corajosamente serviu a Igreja de Cristo até o fim, não obstante o peso da doença. Que o Senhor acolha o seu servo na paz e na alegria que nunca terminam”!

O Papa conclui o telegrama, abençoando toda a família do cardeal Tauran, o Colégio Cardinalício, todas as pessoas próximas ao purpurado falecido, os pastores e fiéis da Arquidiocese de Bordeaux, e todas as pessoas que participarão de suas exéquias.

Biografia

Jean-Louis Tauran nasceu em Bordeaux em 5 de abril de 1943. Estudou na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, no Instituto Católico de Toulouse e na Pontifícia Academia Eclesiástica de Roma.

Foi ordenado sacerdote em 20 de setembro de 1969, em Bordeaux, onde foi pároco. Prestou serviço diplomático junto à Santa Sé em 1975; foi Secretário da Nunciatura na República Dominicana (1975-1978), Secretário da Nunciatura no Líbano (1979-1983); participou de missões especiais no Haiti (1984) e em Beirute e Damasco (1986); foi membro da delegação da Santa Sé na Conferência sobre Segurança e Cooperação Europeia, na Conferência sobre o Desarmamento, em Estocolmo, Suécia, e no Fórum Cultural em Budapeste, Hungria.

Ao ser nomeado arcebispo foi Secretário da Secretaria de Estado para as Relações com os Estados (1990) e Secretário da Congregação para os Bispos.

O Cardeal Tauran foi criado Cardeal no Consistório de 2003; Arquivista e Bibliotecário da Santa Igreja Romana (2003- 2007); participou, como representante do Papa, na inauguração do novo Museu do Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém, em 2005.

O Cardeal Jean-Louis Tauran tomou parte da X Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (2005), e da XII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (2008).

Foi Enviado especial do Papa na conclusão do Ano Paulino (2009), na Turquia; participou da II Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos (2009), e da II Assembleia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos (2010); recebeu o Doutorado honoris causa no Instituto Católico de Paris.

Confirmado pelo Papa Bento XVI como Cardeal protodiácono no Consistório de 2011 e confirmado, por cinco anos, como Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso.

Como Cardeal-protodiácono, anunciou ao mundo a eleição do novo Papa, Jorge Maria Bergoglio, após o Conclave de 2013; impôs o pálio sagrado sobre o Papa Francisco, no início do seu ministério petrino, em 19 de março de 2013.

Em junho de 2013, o Santo Padre o nomeou membro da Pontifícia Comissão do Instituto para as Obras de Religião (Banco do Vaticano) e confirmado como membro da Congregação para os Bispos em 16 de dezembro de 2013.

Em 20 de dezembro de 2014, o Papa Francisco confirmou o Cardeal Jean-Louis Tauran como Camerlengo da Santa Igreja Romana.

Com a morte do Cardeal Jean-Louis Tauran o Colégio Cardinalício fica composto de 225 Cardeais, dos quais 124 eleitores (em un eventual Conclave) e 101 não eleitores.

Angelus: a falta de fé é um obstáculo à graça de Deus

Na alocução que precedeu a oração mariana do Angelus no domingo, 08 de julho, o Papa Francisco falou do “escândalo da encarnação”.

Devemos nos esforçar para abrir o coração e a mente, para acolher a realidade divina que vem ao nosso encontro: este foi o convite que o Papa Francisco fez este domingo (08/07) ao rezar com os fiéis e peregrinos na Praça S. Pedro a oração do Angelus.

Um profeta só não é estimado em sua pátria

Em sua alocução, o Pontífice comentou o Evangelho do dia, em que Jesus volta a Nazaré e começa a ensinar na sinagoga.

Desde que havia ido embora e iniciado a pregar nos povoados e nos vilarejos das redondezas, não tinha mais regressado à sua pátria. Portanto, toda a cidadezinha se reuniu para ouvir Jesus.

Mas aquilo que se anunciava um sucesso, se transformou numa “clamorosa rejeição”, a ponto que Jesus não pôde realizar nenhum milagre, mas somente curar alguns doentes.

Jesus utiliza uma expressão que se tornou proverbial: “Um profeta só não é estimado em sua pátria”.

Escândalo da encarnação

O Papa explica essa transformação dos habitantes de Nazaré porque eles fazem uma comparação entre a humilde origem de Jesus e as suas capacidades atuais: de um carpinteiro semestudos, se torna um pregador melhor que os escribas. E ao invés de se abrirem à realidade, se escandalizam.

“ É o escândalo da encarnação: o evento desconcertante de um Deus feito carne, que pensa com a mente de um homem, trabalha e atua com as mãos de um homem, ama com coração de homem, um Deus que fadiga, come e dorme como um de nós. ”

O Filho de Deus, prosseguiu o Papa, inverte todo esquema humano: não são os discípulos que lavam os pés ao Senhor, mas é o Senhor que lava os pés aos discípulos. “Este é um motivo de escândalo e de incredulidade em todas as épocas, inclusive hoje.”

Ter fé

A inversão provocada por Jesus implica aos seus discípulos de ontem e de hoje analisar a vida pessoal e comunitária. O Senhor nos convida a assumir uma atitude de escuta humilde e de espera dócil, porque a graça de Deus com frequência se apresenta a nós de maneira surpreendente, que não corresponde às nossas expectativas. E citou como exemplo Madre Teresa de Calcutá, que “revolucionou a caridade na Igreja”.

“ Deus não se conforma aos preconceitos. Devemos nos esforçar para abrir o coração e a mente, para acolher a realidade divina que vem ao nosso encontro. Trata-se de ter fé: a falta de fé é um obstáculo à graça de Deus. ”

Muitos batizados, afirma Francisco, vivem como se Cristo não existisse: repetem-se os gestos e os sinais da fé, mas a eles não corresponde uma real adesão à pessoa de Jesus e ao seu Evangelho.

Vida coerente

Ao invés, todo cristão é chamado a aprofundar esta pertença fundamental, buscando testemunhá-la com uma conduta de vida coerente, cujo fio condutor é a caridade.

“Peçamos ao Senhor, por intercessão da Virgem Maria, que dissolva a dureza dos corações e a limitação da mente, para que estejamos abertos à sua graça, à sua verdade e à sua missão de bondade e de misericórdia, que é endereçada a todos, sem qualquer exclusão.”

Bianca Fraccalvieri – Vatican News 

Papa: o cristão reza pelo seu inimigo e o ama

“A oração mafiosa é: ‘Você me paga’. A oração cristã é: ‘Senhor, dê-lhe a sua bênção e ensine-me a amá-lo’. Pensemos num inimigo: todos temos um. Pensemos nele. Rezemos por ele. Peçamos ao Senhor a graça de amá-lo”, disse o Papa na homilia.

O perdão, a oração e o amor por que quem nos quer destruir, pelo nosso inimigo. Assim foi a homilia do Papa Francisco na missa celebrada na capela da Casa Santa Marta esta terça-feira (19/06).

Comentando o trecho proposto pela Leitura do dia, extraído do Evangelho de Mateus, o Papa admitiu a dificuldade humana em seguir o modelo do nosso Pai celeste e propôs novamente o desafio do cristão, isto é, de pedir ao Senhor a “graça” de saber “abençoar os nossos inimigos” e nos comprometer a amá-los.

Perdoar para ser perdoados

“Nós sabemos que devemos perdoar os nossos inimigos”, afirmou o Papa, nós dizemos isso todos os dias no Pai-Nosso. Pedimos perdão assim como nós perdoamos: é uma condição…”, embora não seja fácil. Assim como “rezar pelos outros”, por aqueles que nos dão problemas, que nos colocam à prova: também isto é difícil, mas o fazemos. Ou pelo menos muitas vezes conseguimos fazê-lo “:

Mas rezar por aqueles que querem me destruir, os inimigos, para que Deus os abençoe: isso é realmente difícil de entender. Pensemos no século passado, os pobres cristãos russos que somente pelo fato de serem cristãos eram enviados para a Sibéria para morrer de frio: e eles deveriam rezar pelo governante carrasco que os enviava ali? Mas como é possível? E muitos o fizeram: rezaram. Pensemos em Auschwitz e em outros campos de concentração: eles deveriam rezar por este ditador que queria a raça pura e matava sem escrúpulo, e rezar para que Deus os abençoasse! E muitos fizeram isso.

Aprender com a lógica de Jesus e dos mártires

É a difícil lógica de Jesus, que no Evangelho está contida na oração e na justificação daqueles que “o mataram” na cruz: “perdoa-os Pai, porque não sabem o que fazem”. Jesus pede perdão para eles, recordou o Papa, assim como fez como Santo Estevão no momento do martírio:

Mas quanta distância, uma infinita distância entre nós que muitas vezes não perdoamos pequenas coisas, e isso que nos pede o Senhor e de qual sempre nos deu exemplo: perdoar aqueles que tentam nos destruir. Nas famílias, às vezes, é muito difícil perdoarem-se os cônjuges depois de alguma briga, ou perdoar a sogra também: não é fácil. O filho pedir perdão ao pai é difícil. Mas perdoar os que o estão matando, que querem eliminá-lo … Não somente perdoar: rezar por eles, para que Deus os proteja! E mais: amá-los. Somente a palavra de Jesus pode explicar isso. Eu não consigo ir além.

Pedir a graça de ser perfeito como o Pai

Portanto, destacou Francisco, é a graça de pedir para entender algo deste mistério cristão e ser perfeitos como o Pai, que dá todos os seus bens aos bons e aos maus. O Papa concluiu afirmando que nos fará bem pensar nos nossos inimigos, pois todos nós temos algum:

Hoje, nos fará bem pensar num inimigo – creio que todos nós temos um -, alguém que nos fez mal ou que nos quer fazer mal ou tenta nos prejudicar: pensar nesta pessoa. A oração mafiosa é: “Você me paga”. A oração cristã é: “Senhor, dê-lhe a sua bênção e ensine-me a amá-lo”. Pensemos num inimigo: todos temos um. Pensemos nele. Rezemos por ele. Peçamos ao Senhor a graça de amá-lo.

Gabriella Ceraso – Vatican News

MENSAGEM DOS BISPOS DO REGIONAL LESTE 2 DA CNBB SOBRE AS ELEIÇÕES DE 2018

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Papa: permanecer confiantes quando a esperança parece naufragar

“Hoje o Senhor nos exorta a uma atitude de fé que supera nossos projetos, os nossos cálculos, as nossas previsões. É um convite para nos abrirmos com mais generosidade aos planos de Deus, tanto a nível pessoal como comunitário”, disse o Papa Francisco em sua reflexão.

No Angelus deste XI Domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco nos exortou à confiança e esperança:

“No Evangelho de hoje, Jesus fala à multidão do Reino de Deus e da dinâmica do seu crescimento, e faz isso contando duas breves parábolas.

Na primeira parábola o Reino de Deus é comparado ao crescimento misterioso da semente, que é jogada no chão e em seguida germina, cresce e produz a espiga, independentemente do cuidado do agricultor, que após a maturação, faz a colheita.

A mensagem que esta parábola nos dá é esta: por meio da pregação e a ação de Jesus, o Reino de Deus é anunciado, irrompe no campo do mundo e, como a semente, cresce e se desenvolve por si só, por força própria e segundo critérios humanamente não decifráveis.

Ele, em seu crescimento e brotação na história, não depende tanto da obra do homem, mas é acima de tudo expressão do poder e da bondade de Deus, da força do Espírito Santo que leva em frente a vida cristã no Povo de Deus.

Às vezes, a história, com seus acontecimentos e os seus protagonistas, parece ir na direção oposta ao plano do Pai celeste, que deseja para todos os seus filhos a justiça, a fraternidade, a paz. Mas nós somos chamados a viver esses períodos como estações de provação, de esperança e de espera vigilante da colheita.

De fato, ontem como hoje, o Reino de Deus cresce no mundo de maneira misteriosa, de maneira surpreendente, revelando o poder escondido da pequena semente, sua vitalidade vitoriosa. Dentro dos mistérios de acontecimentos pessoais e sociais que, por vezes, parecem marcar o naufrágio de esperança, devemos permanecer confiantes no agir humilde mas poderoso de Deus.

Por isto, nos momentos de escuridão e de dificuldades, nós não devemos nos abater, mas permanecer ancorados à fidelidade de Deus, em sua presença, que sempre salva. Recordem disto: Deus sempre salva, é o salvador.

Na segunda parábola (veja os versículos 30-32), Jesus compara o Reino de Deus a um grãozinho de mostarda. É uma semente muito pequena, mas se desenvolve tanto que se torna a maior de todas as plantas do jardim: um crescimento surpreendente e imprevisível. Não é fácil para nós entrar nesta lógica da imprevisibilidade de Deus e aceitá-la em nossas vidas.

Mas hoje o Senhor nos exorta a uma atitude de fé que supera nossos projetos, os nossos cálculos, as nossas previsões. Deus é sempre o Deus das surpresas. O Senhor sempre nos surpreende. É um convite para nos abrirmos com mais generosidade aos planos de Deus, tanto a nível pessoal como comunitário. Em nossas comunidades é preciso dar atenção às pequenas e grandes oportunidades de bem que o Senhor nos dá, deixando-nos envolver em sua dinâmica de amor, de acolhida e de misericórdia para com todos.

A autenticidade da missão da Igreja não é dada pelo sucesso ou pela gratificação dos resultados, mas pelo ir em frente com a coragem da confiança e o humilde abandono em Deus. Ir em frente na confissão de Jesus e com a força do Espírito Santo. É a consciência de ser instrumentos pequenos e fracos, que nas mãos de Deus e com a sua graça podem realizar grandes obras, fazendo progredir o seu Reino que é “justiça, paz e alegria no Espírito Santo”.

Que a Virgem Maria nos ajude a ser simples, a ser atentos, para colaborar com a nossa fé e com o nosso trabalho no crescimento do Reino de Deus nos corações e na história”.

Vatican News

Portal Terra de Santa Cruz 

Sagrado Coração: hoje é a festa do amor de Deus, diz o Papa

No dia em que a Igreja celebra a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, o Papa Francisco iniciou a sua homilia na Casa Santa Marta afirmando que se poderia dizer que hoje é a festa do amor de Deus.

“Não somos nós que amamos Deus, mas é Ele que “nos amou por primeiro, Ele é o primeiro a amar”, disse o Papa. Uma verdade que os profetas explicavam com o símbolo da flor de amêndoa, o primeiro a florescer na primavera. “Deus é assim: sempre por primeiro. Ele nos espera por primeiro, nos ama por primeiro, nos ajuda por primeiro”.

Mas não é fácil entender o amor de Deus. De fato, Paulo, na segunda Leitura do dia, fala de ‘impenetráveis riquezas de Cristo’, de um mistério escondido.

É um amor que não se pode entender. O amor de Cristo que supera todo conhecimento. Supera tudo. Tão grande é o amor de Deus. E um poeta dizia que era como “o mar, sem margens, sem fundo …”: mas um mar sem limites. E este é o amor que nós devemos entender, o amor que nós recebemos.

Na história da salvação, o Senhor nos revelou o seu amor, “foi um grande pedagogo”, disse o Papa e, relendo as palavras do profeta Oséias, explica que não o revelou através da potência: “Não. Vamos ouvir: ‘Eu ensinei meu povo a dar os primeiros passos, tomei-o em meus braços, eu cuidava dele’. Tomar nos braços, próximo: como um pai”.

Como Deus manifesta o amor? Com as grandes coisas? Não: se rebaixa, se rebaixa, se rebaixa com esses gestos de ternura, de bondade. Faz-se pequeno. Aproxima-Se. E com esta proximidade, com este rebaixamento, Ele nos faz entender a grandeza do amor. O grande deve ser entendido por meio do pequeno.

Por último, Deus envia o seu Filho, mas “o envia em carne” e o Filho “humilhou a si mesmo” até a morte. Este é o mistério do amor de Deus: a grandeza maior expressa na menor das pequenezas. Para Francisco, assim se pode entender também o percurso cristão.

Quando Jesus nos quer ensinar como deve ser a atitude cristã, nos diz poucas coisas, nos faz ver aquele famoso protocolo sobre o qual todos nós seremos julgados (Mateus 25). E o que diz? Não diz: “Eu creio que Deus seja assim. Entendi o amor de Deus”. Não, não… Eu fiz o amor de Deus em pequenas coisas. Dei de comer ao faminto, dei de beber ao sedento, visitei o doente, o detento. As obras de misericórdia são justamente a estrada do amor que Jesus nos ensina em continuidade com este amor de Deus, grande! Com este amor sem limites, que se aniquilou, se humilhou em Jesus Cristo; e nós devemos expressá-lo assim.

Portanto, concluiu o Papa, não são necessários grandes discursos sobre o amor, mas homens e mulheres “que saibam fazer essas pequenas coisas por Jesus, para o Pai”. As obras de misericórdia “são a continuidade deste amor, que se rebaixa, chega a nós e nós o levamos avante”.

Adriana Masotti – Vatican News 

Economia, instrumento de serviço

O que mais de um século atrás foi tristemente previsto, tornou-se realidade hoje: o lucro do capital coloca fortemente em risco, e corre o risco de suplantar, a renda do trabalho.

Muitos o definiram um verdadeiro Vademecum para a finança ética o documento realizado com a aprovação do Santo Padre pela Congregação para a Doutrina da Fé em colaboração com o Dicastério que se ocupa do Desenvolvimento Humano Integral publicado nesta semana.

Com o título “Oeconomicae pecuniariae quaestiones. Considerações para um discernimento ético sobre alguns aspectos do atual sistema econômico-financeiro”, o Vaticano sai em campo na tentativa de propor e restituir ética à economia e à finança. O documento, como está escrito, pretende dar uma contribuição ao diálogo.

O que mais de um século atrás foi tristemente previsto, tornou-se realidade hoje: o lucro do capital coloca fortemente em risco, e corre o risco de suplantar, a renda do trabalho, comumente confinada às margens dos principais interesses do sistema econômico. Isto proporciona o fato de que o trabalho, – lê-se no documento – com a sua dignidade, não somente se torne uma realidade sempre mais em risco, mas perca também a sua qualidade de “bem” para o homem, transformando-se em um mero meio de troca ao interno de relações sociais tornadas assimétricas.

Os excluídos são “sobras”

Exatamente nesta inversão de ordem entre os meios e os fins, em que o trabalho se torna de um bem em “instrumento” e em que o dinheiro se torna de um meio em um “fim”, encontra um fértil terreno aquela inconsciente e amoral “cultura do descarto” que excluiu grandes massas da população, privando-as de um trabalho digno e tornando-as “sem perspectivas e sem vias de saída”: “não se trata mais simplesmente do fenômeno de exploração e opressão, mas de uma realidade nova”: com a exclusão, fere-se, na própria raiz, a pertença à sociedade onde se vive, pois quem vive nas favelas, na periferia ou sem poder já não está nela, mas fora. Os excluídos não são “explorados”, mas resíduos, “sobras”.

O bem-estar não é só questão de PIB, Produto Interno Bruto, destaca o documento. Nenhum lucro é legítimo quando falta o horizonte da promoção integral do pessoa humana, do destino universal dos bens e da opção preferencial pelos pobres. Todo progresso do sistema econômico – lê-se no texto – não pode se
considerar tal, se medido apenas com parâmetros de quantidade e quantidade e de eficácia na produção de lucro, mas também deve basear-se na qualidade de vida que produz e da extensão social do bem-estar que espalha. Um bem-estar que não pode ser limitado ao aspecto material.

O bem-estar deve ser avaliado com critérios mais amplos da produção interna bruta de um país (PIB), tendo em conta, em vez disso, também outros parâmetros, como a segurança, a saúde, o crescimento do ‘capital humano’, a qualidade da vida social e do trabalho”.

Parâmetros humanizadores

“O lucro deve sempre ser perseguido, mas nunca” a qualquer custo, nem como o referente totalizante da ação econômica, destaca o documento. Daí a importância de “parâmetros humanizadores” capazes de estabelecer um círculo virtuoso entre lucro e solidariedade que, graças ao livre agir do homem, pode desencadear todas as potencialidades positivas do mercados.

O documento também analisa a história recente do tecido econômico mundial. “A recente crise financeira – é enfatizado -, poderia ser uma oportunidade para desenvolver uma nova economia mais atenta aos princípios éticos e para uma nova regulamentação da atividade financeira, neutralizando os aspectos predatórios e especulativos e valorizando os serviços à economia real”. Apesar dos esforços positivos em vários níveis, não houve “uma reação que tenha levado a repensar os critérios obsoletos que continuam a governar o mundo”.

Um fenômeno inaceitável “é lucrar explorando a própria posição dominante com a injusta desvantagem de outras pessoas ou enriquecer-se gerando danos ou perturbações ao bem-estar coletivo”. E esta prática é particularmente deplorável, do ponto de vista moral, quando a mera intenção de ganhar por parte de poucos através do risco de uma especulação visando provocar reduções artificiais nos preços dos títulos da dívida pública, e não se preocupa em afetar negativamente ou agravar a situação econômica de países inteiros.

O dinheiro deve servir

Em um contexto marcado por profundas desigualdades é necessário repensar os modelos econômicos. É tempo de seguir com uma recuperação do que é autenticamente humano, “ampliar os horizontes da mente e do coração, para reconhecer com lealdade o que vem das exigências da verdade e do bem”. Está cada vez mais claro que “o egoísmo no final não paga e faz com que todos paguem um preço alto demais”. A economia não deve ser vista como um instrumento de poder, mas de serviço: “o dinheiro deve servir e não governar”.

Silvonei José – Cidade do Vaticano

Portal Terra de Santa Cruz 

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Paulo VI e Dom Romero serão santos em outubro

O Papa Francisco presidirá a canonização na Praça São Pedro durante o Sínodo dedicado aos jovens, com a presença de bispos de todo o mundo. Na mesma cerimônia serão também canonizados outros 4 bem-aventurados.

Paolo VI e Dom Oscar Arnulfo Romero serão santos no dia 14 de outubro. O anúncio oficial foi comunicado na manhã deste sábado (19/05) pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

O Papa presidirá a canonização na Praça São Pedro durante o Sínodo dedicado aos jovens, com a presença de bispos de todo o mundo. Com Papa Giovanni Battista Montini e o arcebispo salvadorenho, serão também canonizados na mesma cerimônia os sacerdotes italianos Francesco SpinelliVincenzo Romano, a religiosa alemã Maria Caterina Kasper e a espanhola Nazaria Ignacia March Mesa.

Confira imagens da vida de Dom Romero

Francisco já havia autorizado a Congregação das Causas dos Santos a promulgar os Decretos de reconhecimento dos milagres, mas a data e o local foram revelados esta manhã, após o Papa ter presidido a hora média da liturgia das horas e o Consistório com os cardeais residentes e presentes em Roma.

Confira abaixo algumas imagens do Papa Montini

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Como o lucro pode andar junto com a moral cristã? O Vaticano explica

A Igreja Católica condena o lucro, o sistema capitalista? NÃO. A Igreja Católica defende que as atividades financeiras e empresariais devem ser reguladas, até certo ponto, pela autoridade política, para evitar o excesso de concentração de poder econômico e seus abusos? SIM.

De forma super resumida, o parágrafo acima apresenta o centro do conteúdo da Doutrina Social da Igreja (DSI). O conhecimento dessa doutrina é o melhor antídoto para os católicos simpáticos ao socialismo e também para os católicos que defendem que o mercado deve ser absolutamente livre de qualquer controle estatal e regulamentação.

A Doutrina Social da Igreja é sintetizada em um Compêndio. Para facilitar ainda mais a vida da galera, hoje, a Santa Sé divulgou um documento que destaca os principais pontos da DSI, e traz ainda uma análise atualizada sobre os agentes econômicos e financeiros que estão em voga.

Nós apresentamos a seguir um resumo do conteúdo desse documento, que foi publicado sob a liderança do Cardeal Ladaria, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Oeconomicae et pecuniariae quaestiones

Considerações para um discernimento ético sobre alguns aspectos do atual sistema econômico-financeiro

A primeira parte do documento esclarece que a espiritualidade católica deve se refletir de forma concreta “no amor social, civil e político”. E isso se realiza por meio de “ações que procuram construir um mundo melhor. O amor à sociedade e o compromisso pelo bem comum são uma forma eminente de caridade…”.

A Igreja reconhece que, com o desenvolvimento das atividades capitalistas, o bem-estar econômico global cresceu ao longo da segunda metade do século XX. Entretanto, isso não anula o fato de que “continua a ser ingente o número de pessoas que vivem em condições de extrema pobreza”.

Sendo assim, é urgente que as nações adotem “princípios éticos e para uma nova regulamentação da atividade financeira, neutralizando os aspectos predatórios e especulativos, e valorizando o serviço à economia real”.

Em outras palavras: é preciso distribuir melhor a grande quantidade de riqueza gerada.

TRÊS PRINCÍPIOS ESSENCIAIS

Três princípios cristãos são necessários para que o lucro seja moral e legítimo:

  • promoção integral da pessoa humana;
  • destinação universal dos bens;
  • opção preferencial pelos pobres.

Aplicando estes três princípios, é possível “libertar todas as potencialidades positivas dos mercados”, e “instaura-se um círculo virtuoso entre ganho e solidariedade”.

A IGREJA É A FAVOR DA LIVRE INICIATIVA

Se, por um lado, “Nenhuma atividade econômica pode sustentar-se longamente se não é vivida em um clima de uma sadia liberdade de iniciativa”, por outro lado, quando os donos do dinheiro gozam dessa liberdade de forma irrestrita, tendem quase sempre a prejudicar os mais fracos:

“….hoje é também evidente que a liberdade de que gozam os atores econômicos, se compreendida de modo absoluto e distante da sua intrínseca referência à verdade e ao bem, tende a gerar centros de supremacias e a inclinar na direção de formas de oligarquias que no final prejudicam a eficiência mesma do sistema econômico.”

Ao contrário do que defendem os liberais, a Igreja entende que os mercados não são capazes de regular-se por si mesmos, sem causar prejuízo à coletividade. É preciso que a autoridade política tenha o poder de intervir, de modo a combater e evitar o surgimento de “hegemonias capazes de influenciar unilateralmente não só os mercados, mas também os sistemas políticos e normativos”.

Dizer que o mercado é capaz de se regular sozinho, sem nenhuma intervenção estatal, é pura INGENUIDADE:

“A experiência dos últimos decênios mostrou com evidência, de uma parte, o quanto seja ingênua a confiança em uma presumida autossuficiência da capacidade funcional dos mercados, independente de qualquer ética, e de outra, a imperiosa necessidade de uma adequada regulação dos mesmos.”

O LUCRO NO MERCADO DE AÇÕES

A possibilidade de lucrar por meio do investimento no mercado de ações é algo bom, desde que se evite concentrar o financiamento em negociações “caracterizadas pelo mero intento especulativo”:

“Assim, também o financiamento do mundo empreendedor, consentindo às empresas de ter acesso ao dinheiro mediante o ingresso no mundo da livre contratação da bolsa, é por si mesmo positivo. Este fenômeno, todavia, corre o risco hoje de acentuar também uma ideia ruim de financiamento da economia, fazendo sim que a riqueza virtual, concentrando-se sobretudo em transações caracterizadas pelo mero intento especulativo e em negociações de alta frequência (high frequency trading), atraia a si excessivas quantidade de capitais, subtraindo-os em tal modo dos circuitos virtuosos da economia real.”

A FUNÇÃO SOCIAL DO CRÉDITO

O crédito é um mecanismo positivo, especialmente quando favorece a “mobilização dos capitais com o objetivo de gerar uma circularidade virtuosa de riqueza”.

“Neste âmbito, parece claro que aplicar taxas de juros excessivamente elevadas, não sustentáveis pelos sujeitos que tomaram os créditos, representa uma operação não somente ilegítima eticamente, mas também disfuncional à saúde do sistema econômico.”

O mal não reside no lucro, mas sim no lucro que é criado sobre o prejuízo alheio:

“O fenômeno inaceitável sob o ponto de vista ético não é o simples ganhar, mas o aproveitar-se de uma assimetria para a própria vantagem, criando notáveis ganhos a dano de outros; é lucrar desfrutando da própria posição dominante com injusta desvantagem do outro ou enriquecer-se gerando dano ou perturbando o bem-estar coletivo.”

Por fim, na terceira parte do documento são analisados os atuais instrumentos econômico-financeiros – e isso é uma atualização muito interessante da DSI! O texto oferece “concretas e específicas orientações éticas” para os profissionais que atuam dos mercados financeiros e na gestão empresarial.

Aí vem um monte de termos específicos dessas áreas, que a grande maioria dos católicos não vai entender e vai ficar boiando: compliance, offshore, credit default swap etc. Não esquenta: o essencial para os fiéis em geral está nas partes I e II documento.

Você pode ler o documento completo no site do Vaticanohttp://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20180106_oeconomicae-et-pecuniariae_po.html

Artigo retirado do excelente e credenciado site O CATEQUISTA  O Catequista

 

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