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Festa da Divina Misericórdia e sua essência

No ano de 1931, pela primeira vez Nosso Senhor falou sobre a instituição da Festa da
Misericórdia à Santa Faustina – na mesma ocasião em que pediu que fosse pintada a
Imagem da Misericórdia: “Eu desejo que haja a Festa da Misericórdia. Quero que essa imagem, que pintarás com o pincel, seja abençoada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa, e esse Domingo deve ser a Festa da Misericórdia” (Diário de Santa Faustina, 49).

Por que no domingo após a Páscoa?

Entre todas as formas de Devoção à Divina Misericórdia, reveladas por Jesus à Santa Faustina, a Festa da Misericórdia merece uma observação mais atenta da nossa parte. No Diário da santa o tema aparece em 37 números.

A escolha do primeiro domingo depois da Páscoa para se celebrar a Festa da Misericórdia tem um amplo sentido teológico. Mostra a estreita união que existe entre o mistério Pascal da Redenção e o mistério da Misericórdia de Deus. Esta união é ainda sublinhada pela Novena à Divina Misericórdia, com o Terço da Misericórdia, começando na sexta-feira santa.

A instituição da Festa em toda a Igreja

No dia 30 de abril de 2000, na Praça de São Pedro, em Roma, o Papa João Paulo II canonizou Santa Faustina Kowaslka e instituiu solenemente a Festa da Misericórdia em toda a Igreja. Na homilia daquela celebração, à qual acorreram milhares de pessoas, o Papa declarou: “É importante, então, que acolhamos inteiramente a mensagem que nos vem da palavra de Deus neste segundo domingo de Páscoa, que de agora em diante, na Igreja inteira, tomará o nome de domingo da Divina Misericórdia. Nas diversas leituras, a liturgia parece traçar o caminho da misericórdia que, enquanto reconstrói a relação de cada um com Deus, suscita também entre os homens novas relações de solidariedade fraterna”. E disse, ainda: “Quantas almas já foram consoladas pela invocação Jesus, eu confio em Vós, que a providência sugeriu através da Irmã Faustina! Este simples ato de abandono a Jesus dissipa as nuvens mais densas e faz chegar um raio de luz à vida de cada um”.

São João Paulo II, portanto, recebeu de Deus a graça de ter sido escolhido como instrumento para a realização do desejo profundo de Jesus, a instituição da Festa da Misericórdia. Hoje, quando celebramos aqui na terra a solenidade da Misericórdia Divina, juntamos nossas vozes à voz de Santa Faustina e de Karol Wojtyla, já participantes da glória eterna, para proclamar: “Misericórdia Divina, eu confio em Vós”.

Uma Festa de todos os dias

A Festa da Misericórdia não se resume apenas àquele dia (primeiro domingo após a Páscoa) para, de modo especial, louvar a Deus no mistério da Misericórdia. Esta Festa constitui um tempo de graça para toda a humanidade. “Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores” (Diário, 699). “As almas se perdem, apesar da minha amarga Paixão. Estou lhes dando a última tábua de salvação, isto é, a Festa da minha misericórdia. Se não venerarem a minha misericórdia, perecerão por toda a eternidade” (Diário, 965).

A grandeza dessa Festa só pode ser avaliada pelas extraordinárias promessas que Nosso Senhor atribuiu a ela: “…alcançará perdão total das faltas e dos castigos aquele que, nesse dia, se aproximar da Fonte da Vida” (Diário, 300). “Neste dia, estão abertas as entranhas da minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da minha misericórdia. (…) Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate” (Diário, 699).

Como alcançar as promessas de Jesus?

Para aproveitar destes grandes dons, que Jesus promete com a celebração da Festa da Misericórdia, é preciso cumprir as condições da devoção à Misericórdia Divina: confiança na bondade de Deus, o amor ativo para com o próximo e encontrar-se em estado de graça santificante (após a confissão) dignamente recebendo a Sagrada Comunhão.

“Nenhuma alma terá justificação — esclareceu Nosso Senhor — enquanto não se dirigir, com confiança, à minha misericórdia. (…) Nesse dia, os sacerdotes devem falar às almas desta minha grande e insondável misericórdia” (Diário, 570).

Por: Pe. Ednilson de Jesus, MIC

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização

Publicada a Carta Apostólica do Papa Francisco “Misericordia et misera” após o fim do Jubileu.

O Vaticano divulgou a carta do Papa Francisco “Misericordia et misera”, mediante a qual quer recordar que a misericórdia é uma das atitudes próprias do cristão e convida a vivê-la tão intensamente quanto durante o Jubileu.

“A misericórdia não se pode reduzir a um parêntese na vida da Igreja, mas constitui a sua própria existência, que torna visível e palpável a verdade profunda do Evangelho. Tudo se revela na misericórdia; tudo se compendia no amor misericordioso do Pai”, disse o Pontífice.

CONFIRA O TEXTO COMPLETO ABAIXO

MISERICORDIA ET MISERA DO SANTO PADRE  FRANCISCO

NO TERMO DO JUBILEU EXTRAORDINÁRIO DA MISERICÓRDIA

FRANCISCO a quantos lerem esta Carta Apostólica misericórdia e paz!

MISERICÓRDIA E MÍSERA (misericordia et misera) são as duas palavras que Santo Agostinho utiliza para descrever o encontro de Jesus com a adúltera (cf. Jo 8, 1-11). Não podia encontrar expressão mais bela e coerente do que esta, para fazer compreender o mistério do amor de Deus quando vem ao encontro do pecador: «Ficaram apenas eles dois: a mísera e a misericórdia». Quanta piedade e justiça divina nesta narração! O seu ensinamento, ao mesmo tempo que ilumina a conclusão do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, indica o caminho que somos chamados a percorrer no futuro.

1. Esta página do Evangelho pode, com justa razão, ser considerada como ícone de tudo o que celebramos no Ano Santo, um tempo rico em misericórdia, a qual pede para continuar a ser celebrada e vivida nas nossas comunidades. Com efeito, a misericórdia não se pode reduzir a um parêntese na vida da Igreja, mas constitui a sua própria existência, que torna visível e palpável a verdade profunda do Evangelho. Tudo se revela na misericórdia; tudo se compendia no amor misericordioso do Pai.

Encontraram-se uma mulher e Jesus: ela, adúltera e – segundo a Lei – julgada passível de lapidação; Ele que, com a sua pregação e o dom total de Si mesmo que O levará até à cruz, reconduziu a lei mosaica ao seu intento originário genuíno. No centro, não temos a lei e a justiça legal, mas o amor de Deus, que sabe ler no coração de cada pessoa incluindo o seu desejo mais oculto e que deve ter a primazia sobre tudo. Entretanto, nesta narração evangélica, não se encontram o pecado e o juízo em abstrato, mas uma pecadora e o Salvador. Jesus fixou nos olhos aquela mulher e leu no seu coração: lá encontrou o desejo de ser compreendida, perdoada e libertada. A miséria do pecado foi revestida pela misericórdia do amor. Da parte de Jesus, nenhum juízo que não estivesse repassado de piedade e compaixão pela condição da pecadora. A quem pretendia julgá-la e condená-la à morte, Jesus responde com um longo silêncio, cujo intuito é deixar emergir a voz de Deus tanto na consciência da mulher como nas dos seus acusadores. Estes deixam cair as pedras das mãos e vão-se embora um a um (cf. Jo 8, 9). E, depois daquele silêncio, Jesus diz: «Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou? (…) Também Eu não te condeno. Vai e de agora em diante não tornes a pecar» (8, 10.11). Desta forma, ajuda-a a olhar para o futuro com esperança, pronta a recomeçar a sua vida; a partir de agora, se quiser, poderá «proceder no amor» (Ef 5, 2). Depois que se revestiu da misericórdia, embora permaneça a condição de fraqueza por causa do pecado, tal condição é dominada pelo amor que consente de olhar mais além e viver de maneira diferente.

2. Aliás Jesus ensinara-o claramente quando, em casa dum fariseu que O convidara para almoçar, se aproximou d’Ele uma mulher conhecida por todos como pecadora (cf. Lc 7, 36-50). Esta ungira com perfume os pés de Jesus, banhara-os com as suas lágrimas e enxugara-os com os seus cabelos (cf. 7, 37-38). À reação escandalizada do fariseu, Jesus retorquiu: «São perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas àquele a quem pouco se perdoa, pouco ama» (7, 47).

O perdão é o sinal mais visível do amor do Pai, que Jesus quis revelar em toda a sua vida. Não há página do Evangelho que possa ser subtraída a este imperativo do amor que chega até ao perdão. Até nos últimos momentos da sua existência terrena, ao ser pregado na cruz, Jesus tem palavras de perdão: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem» (Lc 23, 34).

Nada que um pecador arrependido coloque diante da misericórdia de Deus pode ficar sem o abraço do seu perdão. É por este motivo que nenhum de nós pode pôr condições à misericórdia; esta permanece sempre um ato de gratuidade do Pai celeste, um amor incondicional e não merecido. Por isso, não podemos correr o risco de nos opor à plena liberdade do amor com que Deus entra na vida de cada pessoa.

A misericórdia é esta ação concreta do amor que, perdoando, transforma e muda a vida. É assim que se manifesta o seu mistério divino. Deus é misericordioso (cf. Ex 34, 6), a sua misericórdia é eterna (cf. Sal 136/135), de geração em geração abraça cada pessoa que confia n’Ele e transforma-a, dando-lhe a sua própria vida.

3. Quanta alegria brotou no coração destas duas mulheres: a adúltera e a pecadora! O perdão fê-las sentirem-se, finalmente, livres e felizes como nunca antes. As lágrimas da vergonha e do sofrimento transformaram-se no sorriso de quem sabe que é amado. A misericórdia suscita alegria, porque o coração se abre à esperança duma vida nova. A alegria do perdão é indescritível, mas transparece em nós sempre que a experimentamos. Na sua origem, está o amor com que Deus vem ao nosso encontro, rompendo o círculo de egoísmo que nos envolve, para fazer também de nós instrumentos de misericórdia.

Como são significativas, também para nós, estas palavras antigas que guiavam os primeiros cristãos: «Reveste-te de alegria, que é sempre agradável a Deus e por Ele bem acolhida. Todo o homem alegre trabalha bem, pensa bem e despreza a tristeza. (…) Viverão em Deus todas as pessoas que afastam a tristeza e se revestem de toda a alegria». Experimentar a misericórdia dá alegria; não no-la deixemos roubar pelas várias aflições e preocupações. Que ela permaneça bem enraizada no nosso coração e sempre nos faça olhar com serenidade a vida do dia a dia.

Numa cultura frequentemente dominada pela tecnologia, parecem multiplicar-se as formas de tristeza e solidão em que caem as pessoas, incluindo muitos jovens. Com efeito, o futuro parece estar refém da incerteza, que não permite ter estabilidade. É assim que muitas vezes surgem sentimentos de melancolia, tristeza e tédio, que podem, pouco a pouco, levar ao desespero. Há necessidade de testemunhas de esperança e de alegria verdadeira, para expulsar as quimeras que prometem uma felicidade fácil com paraísos artificiais. O vazio profundo de tanta gente pode ser preenchido pela esperança que trazemos no coração e pela alegria que brota dela. Há tanta necessidade de reconhecer a alegria que se revela no coração tocado pela misericórdia! Por isso guardemos como um tesouro estas palavras do Apóstolo: «Alegrai-vos sempre no Senhor!» (Flp 4, 4; cf. 1 Ts 5, 16).

4. Celebramos um Ano intenso, durante o qual nos foi concedida, em abundância, a graça da misericórdia. Como um vento impetuoso e salutar, a bondade e a misericórdia do Senhor derramaram-se sobre o mundo inteiro. E perante este olhar amoroso de Deus, que se fixou de maneira tão prolongada sobre cada um de nós, não se pode ficar indiferente, porque muda a vida.

Antes de mais nada, sentimos necessidade de agradecer ao Senhor, dizendo-Lhe: «Vós abençoastes a vossa terra (…). Perdoastes as culpas do vosso povo» (Sal 85/84, 2.3). Foi mesmo assim: Deus esmagou as nossas culpas e lançou ao fundo do mar os nossos pecados (cf. Miq 7, 19); já não Se lembra deles, lançou-os para trás de Si (cf. Is 38, 17); como o Oriente está afastado do Ocidente, assim os nossos pecados estão longe d’Ele (cf. Sal 103/102, 12).

Neste Ano Santo, a Igreja pôde colocar-se à escuta e experimentou com grande intensidade a presença e proximidade do Pai, que, por obra do Espírito Santo, lhe tornou mais evidente o dom e o mandato de Jesus Cristo relativo ao perdão. Foi realmente uma nova visita do Senhor ao meio de nós. Sentimos o seu sopro vital efundir-se sobre a Igreja, enquanto, mais uma vez, as suas palavras indicavam a missão: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos» (Jo 20, 22-23).

5. Agora, concluído este Jubileu, é tempo de olhar para diante e compreender como se pode continuar, com fidelidade, alegria e entusiasmo, a experimentar a riqueza da misericórdia divina. As nossas comunidades serão capazes de permanecer vivas e dinâmicas na obra da nova evangelização na medida em que a «conversão pastoral», que estamos chamados a viver, for plasmada dia após dia pela força renovadora da misericórdia. Não limitemos a sua ação; não entristeçamos o Espírito que indica sempre novas sendas a percorrer para levar a todos o Evangelho da salvação.

Em primeiro lugar, somos chamados a celebrar a misericórdia. Quanta riqueza está presente na oração da Igreja, quando invoca a Deus como Pai misericordioso! Na liturgia, não só se evoca repetidamente a misericórdia, mas é realmente recebida e vivida. Desde o início até ao fim da Celebração Eucarística, a misericórdia reaparece várias vezes no diálogo entre a assembleia orante e o coração do Pai, que rejubila quando pode derramar o seu amor misericordioso. Logo na altura do pedido inicial de perdão com a invocação «Senhor, tende piedade de nós», somos tranquilizados: «Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna». É com esta confiança que a comunidade se reúne na presença do Senhor, especialmente no dia semanal que recorda a ressurreição. Muitas orações ditas «coletas» procuram recordar-nos o grande dom da misericórdia. No tempo da Quaresma, por exemplo, rezamos com estas palavras: «Deus, Pai de misericórdia e fonte de toda a bondade, que nos fizestes encontrar no jejum, na oração e no amor fraterno os remédios do pecado, olhai benigno para a confissão da nossa humildade, de modo que, abatidos pela consciência da culpa, sejamos confortados pela vossa misericórdia». Mais adiante, somos introduzidos na Oração Eucarística pelo Prefácio que proclama: «Na vossa infinita misericórdia, de tal modo amastes o mundo que nos enviastes Jesus Cristo, nosso Salvador, em tudo semelhante ao homem, menos no pecado». Aliás a própria Oração IV é um hino à misericórdia de Deus: «Na vossa misericórdia, a todos socorrestes, para que todos aqueles que Vos procuram Vos encontrem». «Tende misericórdia de nós, Senhor»: é a súplica premente que o sacerdote faz na Oração Eucarística para implorar a participação na vida eterna. Depois do Pai-Nosso, o sacerdote prolonga a oração invocando a paz e a libertação do pecado, «ajudados pela vossa misericórdia» e, antes da saudação da paz que os participantes trocam entre si como expressão de fraternidade e amor mútuo à luz do perdão recebido, o celebrante reza de novo: «Não olheis aos nossos pecados, mas à fé da vossa Igreja». Através destas palavras, pedimos com humilde confiança o dom da unidade e da paz para a Santa Mãe Igreja. Assim a celebração da misericórdia divina culmina no Sacrifício Eucarístico, memorial do mistério pascal de Cristo, do qual brota a salvação para todo o ser humano, a história e o mundo inteiro. Em suma, cada momento da Celebração Eucarística faz referimento à misericórdia de Deus.

Mas, em toda a vida sacramental, é-nos dada com abundância a misericórdia. Realmente é significativo que a Igreja tenha querido fazer explicitamente apelo à misericórdia na fórmula dos dois sacramentos chamados «de cura»: a Reconciliação e a Unção dos Enfermos. Assim reza a fórmula da absolvição: «Deus, Pai de misericórdia, que, pela morte e ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e infundiu o Espírito para a remissão dos pecados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz»; e ao ungir a pessoa doente: «Por esta santa Unção e pela sua piíssima misericórdia, o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo». Deste modo, a referência à misericórdia na oração da Igreja, longe de ser apenas parenética, é altamente realizadora, ou seja, enquanto a invocamos com fé, é-nos concedida; enquanto a confessamos viva e real, efetivamente transforma-nos. Este é um conteúdo fundamental da nossa fé, que devemos conservar em toda a sua originalidade: ainda antes e acima da revelação do pecado, temos a revelação do amor com que Deus criou o mundo e os seres humanos. O amor é o primeiro ato com que Deus Se deu a conhecer e vem ao nosso encontro. Por isso mantenhamos o coração aberto à confiança de ser amados por Deus. O seu amor sempre nos precede, acompanha e permanece conosco, não obstante o nosso pecado.

6. Neste contexto, assume significado particular também a escuta da Palavra de Deus. Cada domingo, a Palavra de Deus é proclamada na comunidade cristã, para que o Dia do Senhor seja iluminado pela luz que dimana do mistério pascal. Na Celebração Eucarística, é como se assistíssemos a um verdadeiro diálogo entre Deus e o seu povo. Com efeito, na proclamação das Leituras bíblicas, repassa-se a história da nossa salvação através da obra incessante de misericórdia que é anunciada. Deus fala-nos ainda hoje como a amigos, «convive» conosco oferecendo-nos a sua companhia e mostrando-nos a senda da vida. A sua Palavra faz-se intérprete dos nossos pedidos e preocupações e, simultaneamente, resposta fecunda para podermos experimentar concretamente a sua proximidade. Quão grande importância adquire a homilia, onde «a verdade anda de mãos dadas com a beleza e o bem», para fazer vibrar o coração dos crentes perante a grandeza da misericórdia! Recomendo vivamente a preparação da homilia e o cuidado na sua proclamação. Será tanto mais frutuosa quanto mais o sacerdote tiver experimentado em si mesmo a bondade misericordiosa do Senhor. Comunicar a certeza de que Deus nos ama não é um exercício de retórica, mas condição de credibilidade do próprio sacerdócio. Por conseguinte, viver a misericórdia é a via mestra para fazê-la tornar-se um verdadeiro anúncio de consolação e conversão na vida pastoral. A homilia, como também a catequese, precisam de ser sempre sustentadas por este coração pulsante da vida cristã.

7. A Bíblia é a grande narração que relata as maravilhas da misericórdia de Deus. Nela, cada página está imbuída do amor do Pai, que, desde a criação, quis imprimir no universo os sinais de seu amor. O Espírito Santo, através das palavras dos profetas e dos escritos sapienciais, moldou a história de Israel no reconhecimento da ternura e proximidade de Deus, não obstante a infidelidade do povo. A vida de Jesus e a sua pregação marcam, de forma determinante, a história da comunidade cristã, que compreendeu a sua missão com base no mandato que Cristo lhe confiou de ser instrumento permanente da sua misericórdia e do seu perdão (cf. Jo 20, 23). Através da Sagrada Escritura, mantida viva pela fé da Igreja, o Senhor continua a falar à sua Esposa, indicando-lhe as sendas a percorrer para que o Evangelho da salvação chegue a todos. É meu vivo desejo que a Palavra de Deus seja cada vez mais celebrada, conhecida e difundida, para que se possa, através dela, compreender melhor o mistério de amor que dimana daquela fonte de misericórdia. Claramente no-lo recorda o Apóstolo: «Toda a Escritura é inspirada por Deus e adequada para ensinar, refutar, corrigir e educar na justiça» (2 Tm 3, 16).

Seria conveniente que cada comunidade pudesse, num domingo do Ano Litúrgico, renovar o compromisso em prol da difusão, conhecimento e aprofundamento da Sagrada Escritura: um domingo dedicado inteiramente à Palavra de Deus, para compreender a riqueza inesgotável que provém daquele diálogo constante de Deus com o seu povo. Não há de faltar a criatividade para enriquecer o momento com iniciativas que estimulem os crentes a ser instrumentos vivos de transmissão da Palavra. Entre tais iniciativas, conta-se certamente uma difusão mais ampla da lectio divina, para que, através da leitura orante do texto sagrado, a vida espiritual encontre apoio e crescimento. A lectio divina sobre os temas da misericórdia consentirá de verificar a grande fecundidade que deriva do texto sagrado, lido à luz de toda a tradição espiritual da Igreja, que leva necessariamente a gestos e obras concretas de caridade.

8. A celebração da misericórdia tem lugar, duma forma muito particular, no sacramento da Reconciliação. Este é o momento em que sentimos o abraço do Pai, que vem ao nosso encontro para nos restituir a graça de voltarmos a ser seus filhos. Nós somos pecadores e carregamos conosco o peso da contradição entre o que quereríamos fazer e aquilo que, ao invés, acabamos concretamente por fazer (cf. Rm 7, 14-21); mas a graça sempre nos precede e assume o rosto da misericórdia que se torna eficaz na reconciliação e no perdão. Deus faz-nos compreender o seu amor imenso precisamente à vista da nossa realidade de pecadores. A graça é mais forte, e supera qualquer possível resistência, porque o amor tudo vence (cf. 1 Cor 13, 7).

No sacramento do Perdão, Deus mostra o caminho da conversão a Ele e convida a experimentar de novo a sua proximidade. É um perdão que pode ser obtido, começando antes de mais nada a viver a caridade. Assim no-lo recorda o apóstolo Pedro, quando escreve que «o amor cobre a multidão dos pecados» (1 Ped 4, 8). Só Deus perdoa os pecados, mas também nos pede que estejamos prontos a perdoar aos outros, como Ele perdoa a nós: «Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido» (Mt 6, 12). Como é triste quando ficamos fechados em nós mesmos, incapazes de perdoar! Prevalecem o ressentimento, a ira, a vingança, tornando a vida infeliz e frustrando o jubiloso compromisso pela misericórdia.

9. Uma experiência de graça que a Igreja viveu, com tanta eficácia, no Ano Jubilar foi, certamente, o serviço dos Missionários da Misericórdia. A sua ação pastoral pretendeu tornar evidente que Deus não põe qualquer barreira a quantos O procuram de coração arrependido, mas vai ao encontro de todos como um Pai. Recebi muitos testemunhos de alegria pelo renovado encontro com o Senhor no sacramento da Confissão. Não percamos a oportunidade de viver a fé, inclusive como experiência da reconciliação. «Reconciliai-vos com Deus» (2 Cor 5, 20): é o convite que ainda hoje dirige o Apóstolo a cada crente para lhe fazer descobrir a força do amor que o torna uma «nova criação» (2 Cor 5, 17).

Quero expressar a minha gratidão a todos os Missionários da Misericórdia pelo valioso serviço oferecido para tornar eficaz a graça do perdão. Mas este ministério extraordinário não termina com o encerramento da Porta Santa. De facto desejo que permaneça ainda, até novas ordens, como sinal concreto de que a graça do Jubileu continua a ser viva e eficaz nas várias partes do mundo. Será responsabilidade do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização seguir, neste período, os Missionários da Misericórdia, como expressão direta da minha solicitude e proximidade e encontrar as formas mais coerentes para o exercício deste precioso ministério.

10. Aos sacerdotes, renovo o convite para se prepararem com grande cuidado para o ministério da Confissão, que é uma verdadeira missão sacerdotal. Agradeço-vos vivamente pelo vosso serviço e peço-vos para serdes acolhedores com todos, testemunhas da ternura paterna não obstante a gravidade do pecado, solícitos em ajudar a refletir sobre o mal cometido, claros ao apresentar os princípios morais, disponíveis para acompanhar os fiéis no caminho penitencial respeitando com paciência o seu passo, clarividentes no discernimento de cada um dos casos, generosos na concessão do perdão de Deus. Como Jesus, perante a adúltera, optou por permanecer em silêncio para a salvar da condenação à morte, assim também o sacerdote no confessionário seja magnânimo de coração, ciente de que cada penitente lhe recorda a sua própria condição pessoal: pecador mas ministro da misericórdia.

11. Gostaria que todos nós meditássemos as palavras do Apóstolo, escritas no final da sua vida, quando confessa a Timóteo ser o primeiro dos pecadores, mas «justamente por isso alcancei misericórdia» (1 Tm 1, 16). As suas palavras têm uma força que irrompe também em nós levando-nos a refletir sobre a nossa existência vendo em ação a misericórdia de Deus na mudança, conversão e transformação do nosso coração: «Dou graças Àquele que me conforta, Cristo Jesus Nosso Senhor, por me ter considerado digno de confiança, pondo-me ao seu serviço, a mim que antes fora blasfemo, perseguidor e violento. Mas alcancei misericórdia» (1 Tm 1, 12-13).

Por isso lembremos, com paixão pastoral sempre renovada, as palavras do Apóstolo: «Tudo isto vem de Deus, que nos reconciliou consigo por meio de Cristo e nos confiou o ministério da reconciliação» (2 Cor 5, 18). Nós, primeiro, fomos perdoados, tendo em vista este ministério; tornamo-nos testemunhas em primeira mão da universalidade do perdão. Não há lei nem preceito que possa impedir a Deus de reabraçar o filho que regressa a Ele reconhecendo que errou, mas decidido a começar de novo. Deter-se apenas na lei equivale a invalidar a fé e a misericórdia divina. Há um valor preparatório na lei (cf. Gal 3, 24), cujo fim é o amor (cf. 1 Tm 1, 5). Mas o cristão é chamado a viver a novidade do Evangelho, «a lei do Espírito que dá vida em Cristo Jesus» (Rm 8, 2). Mesmo nos casos mais complexos, onde se é tentado a fazer prevalecer uma justiça que deriva apenas das normas, deve-se crer na força que brota da graça divina.

Nós, confessores, temos experiência de muitas conversões que ocorrem diante dos nossos olhos. Sintamos, portanto, a responsabilidade de gestos e palavras que possam chegar ao fundo do coração do penitente, para que descubra a proximidade e a ternura do Pai que perdoa. Não invalidemos estes momentos com comportamentos que possam contradizer a experiência da misericórdia que se procura; mas, antes, ajudemos a iluminar o espaço da consciência pessoal com o amor infinito de Deus (cf. 1 Jo 3, 20).

O sacramento da Reconciliação precisa de voltar a ter o seu lugar central na vida cristã; para isso requerem-se sacerdotes que ponham a sua vida ao serviço do «ministério da reconciliação» (2 Cor 5, 18), de tal modo que a ninguém sinceramente arrependido seja impedido de aceder ao amor do Pai que espera o seu regresso e, ao mesmo tempo, a todos seja oferecida a possibilidade de experimentar a força libertadora do perdão.

Uma ocasião propícia pode ser a celebração da iniciativa 24 horas para o Senhor nas proximidades do IV domingo da Quaresma, que goza já de amplo consenso nas dioceses e continua a ser um forte apelo pastoral para viver intensamente o sacramento da Confissão.

12. Em virtude desta exigência, para que nenhum obstáculo exista entre o pedido de reconciliação e o perdão de Deus, concedo a partir de agora a todos os sacerdotes, em virtude do seu ministério, a faculdade de absolver a todas as pessoas que incorreram no pecado do aborto. Aquilo que eu concedera de forma limitada ao período jubilar fica agora alargado no tempo, não obstante qualquer disposição em contrário. Quero reiterar com todas as minhas forças que o aborto é um grave pecado, porque põe fim a uma vida inocente; mas, com igual força, posso e devo afirmar que não existe algum pecado que a misericórdia de Deus não possa alcançar e destruir, quando encontra um coração arrependido que pede para se reconciliar com o Pai. Portanto, cada sacerdote faça-se guia, apoio e conforto no acompanhamento dos penitentes neste caminho de especial reconciliação.

No Ano do Jubileu, aos fiéis que por variados motivos frequentam as igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade de São Pio X, tinha-lhes concedido receber válida e licitamente a absolvição sacramental dos seus pecados. Para o bem pastoral destes fiéis e confiando na boa vontade dos seus sacerdotes para que se possa recuperar, com a ajuda de Deus, a plena comunhão na Igreja Católica, estabeleço por minha própria decisão de estender esta faculdade para além do período jubilar, até novas disposições sobre o assunto, a fim de que a ninguém falte jamais o sinal sacramental da reconciliação através do perdão da Igreja.

13. A misericórdia possui também o rosto da consolação. «Consolai, consolai o meu povo» (Is 40, 1): são as palavras sinceras que o profeta faz ouvir ainda hoje, para que possa chegar uma palavra de esperança a quantos estão no sofrimento e na aflição. Nunca deixemos que nos roubem a esperança que provém da fé no Senhor ressuscitado. É verdade que muitas vezes somos sujeitos a dura prova, mas não deve jamais esmorecer a certeza de que o Senhor nos ama. A sua misericórdia expressa-se também na proximidade, no carinho e no apoio que muitos irmãos e irmãs podem oferecer quando sobrevêm os dias da tristeza e da aflição. Enxugar as lágrimas é uma ação concreta que rompe o círculo de solidão onde muitas vezes se fica encerrado.

Todos precisamos de consolação, porque ninguém está imune do sofrimento, da tribulação e da incompreensão. Quanta dor pode causar uma palavra maldosa, fruto da inveja, do ciúme e da ira! Quanto sofrimento provoca a experiência da traição, da violência e do abandono! Quanta amargura perante a morte das pessoas queridas! E, todavia, Deus nunca está longe quando se vivem estes dramas. Uma palavra que anima, um abraço que te faz sentir compreendido, uma carícia que deixa perceber o amor, uma oração que permite ser mais forte… são todas expressões da proximidade de Deus através da consolação oferecida pelos irmãos.

Às vezes, poderá ser de grande ajuda também o silêncio; porque em certas ocasiões não há palavras para responder às perguntas de quem sofre. Mas, à falta da palavra, pode suprir a compaixão de quem está presente, próximo, ama e estende a mão. Não é verdade que o silêncio seja um ato de rendição; pelo contrário, é um momento de força e de amor. O próprio silêncio pertence à nossa linguagem de consolação, porque se transforma num gesto concreto de partilha e participação no sofrimento do irmão.

14. Num momento particular como o nosso que, entre muitas crises, regista também a da família, é importante fazer chegar uma palavra de força consoladora às nossas famílias. O dom do matrimónio é uma grande vocação, que se há de viver, com a graça de Cristo, no amor generoso, fiel e paciente. A beleza da família permanece inalterada, apesar de tantas sombras e propostas alternativas: «a alegria do amor que se vive nas famílias é também o júbilo da Igreja». A senda da vida que leva um homem e uma mulher a encontrarem-se, amarem-se e prometerem reciprocamente, diante de Deus, uma fidelidade para sempre, é muitas vezes interrompida pelo sofrimento, a traição e a solidão. A alegria pelo dom dos filhos não está imune das preocupações sentidas pelos pais com o seu crescimento e formação, com um futuro digno de ser vivido intensamente.

A graça do sacramento do Matrimónio não só fortalece a família, para que seja o lugar privilegiado onde se vive a misericórdia, mas também compromete a comunidade cristã e toda a atividade pastoral para pôr em realce o grande valor propositivo da família. Por isso, este Ano Jubilar não pode perder de vista a complexidade da realidade familiar atual. A experiência da misericórdia torna-nos capazes de encarar todas as dificuldades humanas com a atitude do amor de Deus, que não Se cansa de acolher e acompanhar.

Não podemos esquecer que cada um traz consigo a riqueza e o peso da sua própria história, que nos distingue de qualquer outra pessoa. A nossa vida, com as suas alegrias e os seus sofrimentos, é algo único e irrepetível que se desenrola sob o olhar misericordioso de Deus. Isto requer, sobretudo por parte do sacerdote, um discernimento espiritual atento, profundo e clarividente, para que toda a pessoa sem exceção, em qualquer situação que viva, possa sentir-se concretamente acolhida por Deus, participar ativamente na vida da comunidade e estar inserida naquele Povo de Deus que incansavelmente caminha para a plenitude do reino de Deus, reino de justiça, de amor, de perdão e de misericórdia.

15. Reveste-se de particular importância o momento da morte. A Igreja viveu sempre esta dramática passagem à luz da ressurreição de Jesus Cristo, que abriu a estrada para a certeza da vida futura. Temos aqui um grande desafio a abraçar, sobretudo na cultura contemporânea que, muitas vezes, tende a banalizar a morte até reduzi-la a simples ficção ou a ocultá-la. Ao contrário, a morte há de ser enfrentada e preparada como uma passagem que, embora dolorosa e inevitável, é cheia de sentido: o ato extremo de amor para com as pessoas que se deixam e para com Deus a cujo encontro se vai. Em todas as religiões, o momento da morte – como aliás o do nascimento – é acompanhado por uma presença religiosa. Nós vivemos a experiência das exéquias como uma oração cheia de esperança para a alma da pessoa falecida e para dar consolação àqueles que sofrem a separação da pessoa amada.

Estou convencido de que há necessidade, na pastoral animada por uma fé viva, de tornar palpável como os sinais litúrgicos e as nossas orações são expressão da misericórdia do Senhor. É Ele próprio que oferece palavras de esperança, porque nada nem ninguém poderá separar-nos jamais do seu amor (cf. Rm 8, 35.38-39). A partilha deste momento pelo sacerdote é um acompanhamento importante, porque lhe permite viver a proximidade à comunidade cristã no momento de fraqueza, solidão, incerteza e pranto.

16. Termina o Jubileu e fecha-se a Porta Santa. Mas a porta da misericórdia do nosso coração permanece sempre aberta de par em par. Aprendemos que Deus Se inclina sobre nós (cf. Os 11, 4), para que também nós possamos imitá-Lo inclinando-nos sobre os irmãos. A saudade que muitos sentem de regressar à casa do Pai, que aguarda a sua chegada, é suscitada também por testemunhas sinceras e generosas da ternura divina. A Porta Santa, que cruzamos neste Ano Jubilar, introduziu-nos no caminho da caridade, que somos chamados a percorrer todos os dias com fidelidade e alegria. É a estrada da misericórdia que torna possível encontrar tantos irmãos e irmãs que estendem a mão para que alguém a possa agarrar a fim de caminharem juntos.

Querer estar perto de Cristo exige fazer-se próximo dos irmãos, porque nada é mais agradável ao Pai do que um sinal concreto de misericórdia. Por sua própria natureza, a misericórdia torna-se visível e palpável numa ação concreta e dinâmica. Uma vez que se experimentou a misericórdia em toda a sua verdade, nunca mais se volta atrás: cresce continuamente e transforma a vida. É, na verdade, uma nova criação que faz um coração novo, capaz de amar plenamente, e purifica os olhos para reconhecerem as necessidades mais ocultas. Como são verdadeiras as palavras com que a Igreja reza na Vigília Pascal, depois da leitura da narração da criação: «Senhor nosso Deus, que de modo admirável criastes o homem e de modo mais admirável o redimistes…»!

A misericórdia renova e redime, porque é o encontro de dois corações: o de Deus que vem ao encontro do coração do homem. Este inflama-se e o primeiro cura-o: o coração de pedra fica transformado em coração de carne (cf. Ez 36, 26), capaz de amar, não obstante o seu pecado. Nisto se nota que somos verdadeiramente uma «nova criação» (Gal 6, 15): sou amado, logo existo; estou perdoado, por conseguinte renasço para uma vida nova; fui «misericordiado» e, consequentemente, feito instrumento da misericórdia.

17. Durante o Ano Santo, especialmente nas «sextas-feiras da misericórdia», pude verificar concretamente a grande quantidade de bem que existe no mundo. Com frequência, não é conhecido porque se realiza diariamente de forma discreta e silenciosa. Embora não façam notícia, existem muitos sinais concretos de bondade e ternura para com os mais humildes e indefesos, os que vivem mais sozinhos e abandonados. Há verdadeiros protagonistas da caridade, que não deixam faltar a solidariedade aos mais pobres e infelizes. Agradecemos ao Senhor por estes dons preciosos, que convidam a descobrir a alegria de aproximar-se da humanidade ferida. Com gratidão, penso nos inúmeros voluntários que diariamente dedicam o seu tempo a manifestar a presença e proximidade de Deus com a sua entrega. O seu serviço é uma genuína obra de misericórdia, que ajuda muitas pessoas a aproximar-se da Igreja.

18. É a hora de dar espaço à imaginação a propósito da misericórdia para dar vida a muitas obras novas, fruto da graça. A Igreja precisa de narrar hoje aqueles «muitos outros sinais» que Jesus realizou e que «não estão escritos» (Jo 20, 30), de modo que sejam expressão eloquente da fecundidade do amor de Cristo e da comunidade que vive d’Ele. Já se passaram mais de dois mil anos, e todavia as obras de misericórdia continuam a tornar visível a bondade de Deus.

Ainda hoje populações inteiras padecem a fome e a sede, sendo grande a preocupação suscitada pelas imagens de crianças que não têm nada para se alimentar. Multidões de pessoas continuam a emigrar dum país para outro à procura de alimento, trabalho, casa e paz. A doença, nas suas várias formas, é um motivo permanente de aflição que requer ajuda, consolação e apoio. Os estabelecimentos prisionais são lugares onde muitas vezes, à pena restritiva da liberdade, se juntam transtornos por vezes graves devido às condições desumanas de vida. O analfabetismo ainda é muito difuso, impedindo aos meninos e meninas de se formarem, expondo-os a novas formas de escravidão. A cultura do individualismo exacerbado, sobretudo no Ocidente, leva a perder o sentido de solidariedade e responsabilidade para com os outros. O próprio Deus continua a ser hoje um desconhecido para muitos; isto constitui a maior pobreza e o maior obstáculo para o reconhecimento da dignidade inviolável da vida humana.

Em suma, as obras de misericórdia corporal e espiritual constituem até aos nossos dias a verificação da grande e positiva incidência da misericórdia como valor social. Com efeito, esta impele a arregaçar as mangas para restituir dignidade a milhões de pessoas que são nossos irmãos e irmãs, chamados conosco a construir uma «cidade fiável».

19. Muitos sinais concretos de misericórdia foram realizados durante este Ano Santo. Comunidades, famílias e indivíduos crentes redescobriram a alegria da partilha e a beleza da solidariedade. Mas não basta. O mundo continua a gerar novas formas de pobreza espiritual e material, que comprometem a dignidade das pessoas. É por isso que a Igreja deve permanecer vigilante e pronta para individuar novas obras de misericórdia e implementá-las com generosidade e entusiasmo.

Assim, ponhamos todo o esforço em dar formas concretas à caridade e, ao mesmo tempo, entender melhor as obras de misericórdia. Com efeito, esta possui um efeito inclusivo pelo que tende a difundir-se como uma nódoa de azeite e não conhece limites. E, neste sentido, somos chamados a dar um novo rosto às obras de misericórdia que conhecemos desde sempre. De facto a misericórdia extravasa; vai sempre mais além, é fecunda. É como o fermento que faz levedar a massa (cf. Mt 13, 33), e como o grão de mostarda que se transforma numa árvore (cf. Lc 13, 19).

A título de exemplo, basta pensar na obra de misericórdia corporal vestir quem está nu (cf. Mt 25, 36.38.43.44). A mesma nos reconduz aos primórdios, ao jardim do Éden, quando Adão e Eva descobriram que estavam nus e, ouvindo aproximar-Se o Senhor, tiveram vergonha e esconderam-se (cf. Gn 3, 7-8). Sabemos que o Senhor castigou-os; no entanto, Ele «fez a Adão e à sua mulher túnicas de peles e vestiu-os» (Gn 3, 21). A vergonha é superada e a dignidade restituída.

Fixemos o olhar também em Jesus no Gólgota. Na cruz, o Filho de Deus está nu; a sua túnica foi sorteada e levada pelos soldados (cf. Jo 19, 23-24); Ele não tem mais nada. Na cruz, manifesta-se ao máximo a partilha de Jesus com as pessoas que perderam a dignidade, por terem sido privadas do necessário. Assim como a Igreja é chamada a ser a «túnica de Cristo» para revestir o seu Senhor, assim também ela se comprometeu a tornar-se solidária com os nus da terra a fim de recuperarem a dignidade de que foram despojados. Assim as palavras de Jesus – «estava nu e destes-me que vestir» (Mt 25, 36) – obrigam-nos a não desviar o olhar das novas formas de pobreza e marginalização que impedem às pessoas de viverem com dignidade.

Não ter trabalho nem receber um salário justo, não poder ter uma casa ou uma terra onde habitar, ser discriminados pela fé, a raça, a posição social… estas e muitas outras são condições que atentam contra a dignidade da pessoa; frente a elas, a ação misericordiosa dos cristãos responde, antes de mais nada, com a vigilância e a solidariedade. Hoje são tantas as situações em que podemos restituir dignidade às pessoas, consentindo-lhes uma vida humana. Basta pensar em tantos meninos e meninas que sofrem violências de vários tipos, que lhes roubam a alegria da vida. Os seus rostos tristes e desorientados permanecem impressos na minha mente; pedem a nossa ajuda para serem libertados da escravidão do mundo contemporâneo. Estas crianças são os jovens de amanhã; como estamos a prepará-las para viverem com dignidade e responsabilidade? Com que esperança podem elas enfrentar o seu presente e o seu futuro?

O caráter social da misericórdia exige que não permaneçamos inertes mas afugentemos a indiferença e a hipocrisia para que os planos e os projetos não fiquem letra morta. Que o Espírito Santo nos ajude a estar sempre prontos a prestar de forma efetiva e desinteressada a nossa contribuição, para que a justiça e uma vida digna não permaneçam meras palavras de circunstância, mas sejam o compromisso concreto de quem pretende testemunhar a presença do Reino de Deus.

20. Somos chamados a fazer crescer uma cultura de misericórdia, com base na redescoberta do encontro com os outros: uma cultura na qual ninguém olhe para o outro com indiferença, nem vire a cara quando vê o sofrimento dos irmãos. As obras de misericórdia são «artesanais»: nenhuma delas é cópia da outra; as nossas mãos podem moldá-las de mil modos e, embora seja único o Deus que as inspira e única a «matéria» de que são feitas, ou seja, a própria misericórdia, cada uma adquire uma forma distinta.

Com efeito, as obras de misericórdia, tocam toda a vida duma pessoa. Por isso, temos possibilidade de criar uma verdadeira revolução cultural precisamente a partir da simplicidade de gestos que podem alcançar o corpo e o espírito, isto é, a vida das pessoas. É um compromisso que a comunidade cristã pode assumir, na certeza de que a Palavra do Senhor não cessa de a chamar para sair da indiferença e do individualismo em que somos tentados a fechar-nos levando uma existência cómoda e sem problemas. «Os pobres, sempre os tendes convosco» (Jo 12, 8): disse Jesus aos seus discípulos. Não há desculpa que possa justificar a incúria, quando sabemos que Ele Se identificou com cada um deles.

A cultura da misericórdia forma-se na oração assídua, na abertura dócil à ação do Espírito, na familiaridade com a vida dos Santos e na solidariedade concreta para com os pobres. É um convite premente para não se equivocar onde é determinante comprometer-se. A tentação de se limitar a fazer a «teoria da misericórdia» é superada na medida em que esta se faz vida diária de participação e partilha. Aliás, nunca devemos esquecer as palavras com que o apóstolo Paulo – ao contar o encontro depois da sua conversão com Pedro, Tiago e João – põe em realce um aspeto essencial da sua missão e de toda a vida cristã: «Só nos disseram que nos devíamos lembrar dos pobres – o que procurei fazer com o maior empenho» (Gal 2, 10). Não podemos esquecer-nos dos pobres: trata-se dum convite hoje mais atual do que nunca, que se impõe pela sua evidência evangélica.

21. Que a experiência do Jubileu imprima em nós estas palavras do apóstolo Pedro: outrora «não tínheis alcançado misericórdia e agora alcançastes misericórdia» (1 Ped 2, 10). Não guardemos ciosamente só para nós tudo o que recebemos; saibamos partilhá-lo com os irmãos atribulados, para que sejam sustentados pela força da misericórdia do Pai. As nossas comunidades abram-se para alcançar a todas as pessoas que vivem no seu território, para que chegue a todas a carícia de Deus através do testemunho dos crentes.

Este é o tempo da misericórdia. Cada dia da nossa caminhada é marcado pela presença de Deus, que guia os nossos passos com a força da graça que o Espírito infunde no coração para o plasmar e torná-lo capaz de amar. É o tempo da misericórdia para todos e cada um, para que ninguém possa pensar que é alheio à proximidade de Deus e à força da sua ternura. É o tempo da misericórdia para que quantos se sentem fracos e indefesos, afastados e sozinhos possam individuar a presença de irmãos e irmãs que os sustentam nas suas necessidades. É o tempo da misericórdia para que os pobres sintam pousado sobre si o olhar respeitoso mas atento daqueles que, vencida a indiferença, descobrem o essencial da vida. É o tempo da misericórdia para que cada pecador não se canse de pedir perdão e sentir a mão do Pai, que sempre acolhe e abraça.

À luz do «Jubileu das Pessoas Excluídas Socialmente», celebrado quando já se iam fechando as Portas da Misericórdia em todas as catedrais e santuários do mundo, intuí que, como mais um sinal concreto deste Ano Santo extraordinário, se deve celebrar em toda a Igreja, na ocorrência do XXXIII Domingo do Tempo Comum, o Dia Mundial dos Pobres. Será a mais digna preparação para bem viver a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, que Se identificou com os mais pequenos e os pobres e nos há de julgar sobre as obras de misericórdia (cf. Mt 25, 31-46). Será um Dia que vai ajudar as comunidades e cada batizado a refletir como a pobreza está no âmago do Evangelho e tomar consciência de que não poderá haver justiça nem paz social enquanto Lázaro jazer à porta da nossa casa (cf. Lc 16, 19-21). Além disso este Dia constituirá uma forma genuína de nova evangelização (cf. Mt 11, 5), procurando renovar o rosto da Igreja na sua perene ação de conversão pastoral para ser testemunha da misericórdia.

22. Sobre nós permanecem pousados os olhos misericordiosos da Santa Mãe de Deus. Ela é a primeira que abre a procissão e nos acompanha no testemunho do amor. A Mãe da Misericórdia reúne a todos sob a proteção do seu manto, como A quis frequentemente representar a arte. Confiemos na sua ajuda materna e sigamos a indicação perene que nos dá de olhar para Jesus, rosto radiante da misericórdia de Deus.

Dado em Roma, junto de São Pedro, em 20 de novembro – Solenidade de Cristo Rei – do Ano do Senhor de 2016, quarto do meu pontificado.

FRANCISCOFRANCISCO

Última audiência Jubilar: “Inclusão, aspecto importante da misericórdia”

Na manhã deste sábado (12/11), o Santo Padre encontrou, na Praça São Pedro, cerca de 30 mil fiéis e peregrinos, de diversas partes do mundo, para a última audiência Jubilar deste Ano Santo da Misericórdia, que se concluirá no próximo dia 20, festa de Cristo Rei.

Durante as audiências Jubilares, neste Ano Santo extraordinário da Misericórdia, o Papa Francisco encontrou cerca de 450 mil pessoas, provenientes da Itália e de outros países.

Aspecto importante da misericórdia

Em sua catequese desta última audiência Jubilar, o Papa refletiu sobre um aspecto importante da misericórdia: a inclusão. E explicou:

“Deus, de fato, no seu desígnio de amor, não quis excluir ninguém, pelo contrário, incluir todos. Por exemplo, através do Batismo, nos tornou seus filhos, em Cristo, membros do seu Corpo que é a Igreja. Nós, cristãos, somos convidados a usar o mesmo critério”.

O critério da misericórdia, continuou Francisco, é aquele modo e estilo de agir, com os quais tentamos incluir os outros na nossa vida, evitando de fechar-nos em nós mesmos e nas nossas seguranças egoístas. E citando o Evangelho de hoje, onde Jesus faz um convite realmente universal “Vinde a mim, vós todos que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”, o Papa afirmou:

O apelo de Jesus

“Ninguém está excluído deste apelo, porque a missão de Jesus é a de revelar a todas as pessoas o amor do Pai. Cabe a nós abrir o coração, confiar em Jesus e acolher esta mensagem de amor, que nos faz penetrar no mistério da salvação”.

Este aspecto da misericórdia, a “inclusão”, manifesta-se quando alargamos os braços para acolher os outros, sem excluí-los e sem julgá-los segundo a sua condição social, língua, raça, cultura, religião. Diante de nós, há somente uma pessoa para amar, como Deus a ama. E o Papa ponderou:

“Quantas pessoas cansadas e sobrecarregadas encontramos também em nossos dias: nas ruas, nos ambientes  públicos, nos ambulatórios médicos… O olhar de Jesus paira sobre cada um desses rostos, também mediante os nossos olhos. Mas, como está o nosso coração? É misericordioso? O nosso modo de pensar e agir é inclusivo?

Uma grande obra de inclusão

A estas perguntas, o Papa respondeu dizendo que “o Evangelho nos convida a reconhecer na história da humanidade o desígnio de uma grande obra de inclusão; esta, respeitando plenamente a liberdade de cada pessoa, de cada comunidade e cada povo, exorta todos a formar uma família de irmãos e irmãs, na justiça, na solidariedade e na paz, e a fazer parte da Igreja, Corpo de Cristo. E recordando que Jesus nos convida a ir a Ele para encontrar descanso, o Santo Padre disse:

“Os seus braços alargados sobre a Cruz demonstram que ninguém está excluído do seu amor, da sua misericórdia, do seu perdão. Todos nós temos necessidade de ser perdoados por Deus. Por isso, não excluamos ninguém, Pelo contrário, com humildade e simplicidade sejamos instrumentos da ‘misericórdia inclusiva’ do Pai. A Santa Igreja prolonga, no mundo, o grande abraço de Cristo, morto e ressuscitado!

Francisco concluiu sua catequese nesta última Audiência Jubilar comparando a colunata da Praça São Pedro com um grande abraço, dizendo: “Deixemo-nos envolver neste movimento de inclusão dos outros, sendo testemunhas da misericórdia, com a qual Deus acolheu e acolhe cada um de nós”.

Após a sua catequese, o Papa passou a saudar os peregrinos, presentes na Praça São Pedro. Falando em italiano, cumprimentou e agradeceu, entre outros, todos aqueles que trabalharam para o bom andamento deste Ano Santo da Misericórdia, de modo especial os voluntários:

“Saúdo, com particular afeto, os voluntários do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, provenientes de diversas Nações, e os agradeço pelo precioso serviço que prestaram aos peregrinos, para que pudessem viver bem esta experiência de fede. Admirei muito a sua dedicação, paciência e entusiasmo”.

Por fim, após ter saudado também os fiéis do Movimento Shalom, dirigiu a seguinte saudação aos presentes de língua portuguesa:

“Queridos peregrinos de língua portuguesa, de coração vos saúdo a todos, desejando-vos que possais experimentar nesta peregrinação jubilar a força do Evangelho da misericórdia que transforma, que faz entrar no coração de Deus, que nos torna capazes de perdoar e olhar o mundo com mais bondade. Que Deus vos abençoe a vós e às vossas famílias”.

Francisco concluiu sua última Audiência Jubilar, concedendo a todos a sua Bênção Apostólica. (MT)

Por Radio Vaticano 

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização 

Jornada da Misericórdia – Forania Nossa Senhora das Fontes Campanha-MG

Jornada da Misericórdia – Forania Nossa Senhora das Fontes Campanha-MG

No ultimo domingo 30/10, aconteceu na Catedral Diocesana da Campanha, a “Jornada da Misericórdia” com a presença do Apostolado da Oração e MESC (Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão) das paróquias que compõem a Forania Nossa Senhora das Fontes. Essa foi a última jornada de cinco já realizadas com as outras foranias da diocese da Campanha.

A jornada tem como objetivo, a peregrinação a Porta Santa, a Santa Eucaristia e a meditação sobre o Sacramento da Misericórdia. Estiveram presentes cerca de 600 pessoas, todos do Apostolado da Oração e MESC.

O evento começou por volta das 13h da tarde com acolhida das caravanas de cada paróquia da Forania Nossa Senhora das Fontes. Foi realizada uma meditação sobre a “Misericórdia de Deus, como projeto de Vida”, a passagem pela Porta Santa e a Hora Santa com adoração ao Santíssimo Sacramento conduzida pelo Reverendíssimo Pe. Carlos Ribeiro Natali, assessor diocesano do MESC, Pároco na Paróquia São Sebastião – Passa Quatro/MG e pelo Diácono Jean Steferson, assessor diocesano do Apostolado da Oração, diácono em transição na Paróquia Nossa Senhora das Dores – Boa Esperança/MG.

As 16h, o evento se encerrou com a Santa Missa presidida por Vossa Excelência Reverendíssima Dom Pedro Cunha Cruz, bispo diocesano da Campanha. Concelebrou esta Santa Eucaristia o Reverendíssimo Cônego Pe. Luzair Coelho de Abreu, Chanceler do bispado, pároco e cura da Catedral de Santo Antônio, bem como o Reverendo Pe. Carlos Ribeiro N. e o Diácono Jean S.

Após a Santa Missa todos se dirigiram ao Centro Comunitário Santo Antônio (FHUADÃO) para uma confraternização .

Escrito por Bruno Henrique Santos, gestor do Portal Terra de Santa Cruz – Campanha-MG

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PORTAL TERRA DE SANTA CRUZ – A SERVIÇO DA EVANGELIZAÇÃO

A TEOLOGIA DA MISERICÓRDIA – PADRE FÁBIO DE MELO

Eu pensava que havia me capacitado para ser padre, mas descobri que havia uma Teologia maior do que eu havia estudado, uma que sempre esteve ao meu alcance, uma fé viva, testemunhada. O primeiro livro que lancei foi na cidade de Formigas e minha mãe foi. Chegando em casa, minha mãe me disse: “meu Deus, como posso ter um filho tão inteligente assim”?! E ali disse a ela que tudo o que eu sabia de Deus havia aprendido com ela. Não há nada que aprendi com Deus que não tenha sido pela senhora, mãe.

Eu pensava que havia me capacitado para ser padre, mas descobri que havia uma Teologia maior do que eu havia estudado, uma que sempre esteve ao meu alcance, uma fé viva, testemunhada. O primeiro livro que lancei foi na cidade de Formigas e minha mãe foi. Chegando em casa, minha mãe me disse: “meu Deus, como posso ter um filho tão inteligente assim”?! E ali disse a ela que tudo o que eu sabia de Deus havia aprendido com ela. Não há nada que aprendi com Deus que não tenha sido pela senhora, mãe.
A Festa da Misericórdia não pode ser compreendida pelos livros de Teologia, quem nos ensina é a mãe, o pai, não adianta escutar que Deus é amor, é misericórdia, é perdão. É para aqueles que tiveram a experiência, como eu, que tive a minha mãe me sustentando. Nasci em uma casa simples e bem pobre e um dia quebrei uma xícara em casa, estávamos eu e minha irmã em casa. Minha irmã olhou para mim e disse: “Bem feito! Você vai ver quando minha mãe chegar”. Quando ouvi que minha mãe que estava chegando e minha irmã gritando: “é agora”, eu corri e escondi debaixo da cama.
Minha mãe me ensina, porque ela luta para não ter ressentimentos, mágoas. Minha mãe é o lugar onde a misericórdia de Deus acontece. Seja lugar da misericórdia para as pessoas. Não adianta seus filhos terem a Catequese do que é misericórdia, eles precisam da experiência com a misericórdia. Seja lugar da misericórdia.

Conhecer a misericórdia

A primeira renúncia para conhecer a misericórdia é a das mágoas e ressentimentos. Porque nada adianta saber a doutrina.
Viver a mágoa é colocar na sala da sua vida, no seu coração, um defunto. É preciso jogar fora o defunto do ódio, senão, ele ocupa o centro da sua vida.

O terço da misericórdia

Toda vez que nos aproximamos da misericórdia, ela precisa repercutir na nossa vida. Cada vez que você reza o terço é a oportunidade de lavar suas mazelas. Rezar o terço da misericórdia não é dever, mas é o direito de ser menos egoísta, de ser mais curado.

Como escolher alguém para casar

Ontem fui celebrar um casamento e disse que neste mundo estamos acostumados a receber o que foi feito para todo mundo. Você vai comprar uma blusa tem M, G e GG. Desde a Revolução Industrial passou-se a produzir em série. Às vezes também amamos assim, de forma generalizada. Quando for escolher alguém, você precisa escolher alguém configurado a Jesus, aquele que te olha na fraqueza e te levanta. Não importa que seja bonito ou não. A falta de conversão compromete a educação dos nossos filhos. Seu filho precisa olhar para você e aprender sobre o amor de Deus. Misericórdia aprendemos em casa, no colo do pai e da mãe. Quando um pai negocia obediência com seu filho, é porque sua autoridade afetiva foi embora faz tempo

Servir na igreja

Como vou dar testemunho se não sou capaz de renunciar um cargo na igreja, porque sou vaidoso e gosto de mandar em tudo. Como dar testemunho da misericórdia, ou convencer o outro do cristianismo, se sou um cavalo nos meus relacionamentos, dentro da Igreja? Olha o exemplo de Bento XVI, ele teve a coragem de renunciar. Tenha a coragem de renunciar para ser mais humano, mais misericórdia. O ateísmo cresce com a nossa hipocrisia, a nossa falta de testemunho. Não adianta repetir a devoção da misericórdia, é preciso uma fé viva, uma fé nova.

Compromisso

Agradeça a Deus porque você tem o Papa que é pura misericórdia, ele sabe que o que o salva não é o fato de ser papa, mas o que ele vive. O que nos salva é o que no íntimo do nosso coração está sendo construído. Não queira ser juiz de ninguém, leve consigo a leveza de quem vive clamando a misericórdia de Deus. O que vai nos salvar no último dia é o quanto nós amamos misericordiosamente quem passou na nossa vida. Olhe para você, olhe para sua vida, tem ódio? Ressentimentos? Renuncie, porque isso lhe pesa e lhe faz mal, mas hoje você tem a oportunidade de tirar isso de você. Fale para Jesus que você confia nele.
Assista na Integra a Palestra de Pe. Fábio de Melo na Canção nova no Domingo da Festa da Misericórdia 2016
https://www.youtube.com/watch?v=vMX8yxBN4Rk
JESUS EU CONFIO EM VÓS
Portal Terra de Santa Cruz.

FESTA DA MISERICÓRDIA: Fiéis participam da Hora da Misericórdia em Campanha(MG)

A hora da Misericórdia neste domingo 03 de Abril. aconteceu na Igreja Nossa Senhora das Dores. O Evento organizado pelos Apóstolos Eucarísticos da Divina Misericórdia da Paróquia Santo Antônio Campanha(MG), contou com a presença do querido Pe. Aylton Marcos, vigário paroquial da Paróquia Nossa Senhora dos Remédios Caxambu(MG). Animou este lindo momento a Banda Trilhos do Céu de Três Corações. (Contrate a Banda Trilhos do Céu para seu evento)

Foi uma tarde de oração e adoração de honras a Misericórdia do Senhor. Abaixo você encontra uma breve síntese do que é e como se deu a Hora da Misericórdia no mundo e sua importância.

A história da Igreja está repleta de homens e mulheres que procuravam viver intensamente os mistérios da vida de Jesus. Dentre elas, modernamente se destaca Santa Faustina Kowalska (+1938), que foi associada pelo próprio Jesus ao seu mistério pascal como raramente se encontra na hagiografia cristã (outros exemplos seriam o de S. Gema Galgani, S. Padre Pio etc.).

Ele deixou claro que a meditação sobre a sua Paixão é uma fonte inesgotável de bênçãos para o indivíduo: “Concedo as graças mais abundantes às almas que meditam piedosamente sobre a Minha Paixão” (D 737).

Deste modo, a hora da sua entrega por nós na cruz – 3 horas da tarde – foi-se tornando um elemento distintivo na espiritualidade da santa polonesa e assim no movimento que, sem saber, estava-se iniciando.

Ao longo de 4 anos (1935-1938) o próprio Jesus lhe foi instruindo a respeito desta hora sagrada:
Jesus disse a Santa Faustina
“Às três horas da tarde, implora à Minha misericórdia especialmente pelos pecadores e, ao menos por um breve tempo, reflete sobre a Minha Paixão, especialmente sobre o abandono em que Me encontrei no momento da agonia. Esta é a Hora de grande misericórdia para o Mundo inteiro. Permitirei que penetres na Minha tristeza mortal. Nessa hora nada negarei à alma que Me pedir pela Minha Paixão…” (D 1320).

Ainda, tempos antes da morte de Santa Faustina Jesus completou suas promessas relacionadas a Hora da Misericórdia.

“Lembro-te, Minha filha, que todas as vezes que ouvires o bater do relógio, às três horas da tarde, deves mergulhar toda na Minha misericórdia, adorando-A e glorificando-A. Implora a onipotência dela em favor do Mundo inteiro e especialmente dos pobres pecadores, porque nesse momento foi largamente aberta para toda a alma. Nessa hora, conseguirás tudo para ti e para os outros. Nessa hora, realizou-se a graça para todo o Mundo: a misericórdia venceu a justiça. Minha filha, procura rezar, nessa hora, a Via-sacra, na medida em que te permitirem os teus deveres, e se não puderes fazer a Via-sacra, entra, ao menos por um momento na capela e adora o Meu Coração, que está cheio de misericórdia no Santíssimo Sacramento. Se não puderes sequer ir à capela, recolhe-te em oração onde estiveres, ainda que seja por um breve momento. Exijo honra à Minha misericórdia de toda criatura, mas de ti em primeiro lugar, porque te dei a conhecer mais profundamente esse mistério” (D 1572).

Assim nós Apóstolos de Cristo neste novo tempo, continuamos a fazer aquilo que Jesus pediu e ordenou a Santa Faustina, render culto a Vossa Misericórdia .

Em todo momento e lugar podemos prestar honra à divina misericórdia, mas Jesus nos propõe fazermos memória da sua entrega suprema às 3 horas da tarde.

Portanto, caro irmão e irmã, onde quer que esteja (programe o seu relógio para disparar também às 15h!), una-se a nós neste momento de adoração, ação de graças, reparação e súplica à divina misericórdia, com confiança na sua imensa generosidade para conosco!

Confira o Vídeo da Adoração ao Santíssimo um momento marcante nesta tarde da Misericórdia.

Vejam algumas Fotos

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Texto: Bruno Henrique/Gestor do Portal Terra de Santa Cruz e Coordenador dos Apóstolos Eucarísticos da Divina Misericórdia 

DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA

O tempo Pascal nos trás uma imensa alegria, pois vivemos a Ressurreição de nosso Mestre e Senhor Jesus Cristo. Ele, depois de sua ressurreição, continuou a ensinar seus Apóstolos e nos deixou ensinamentos perenes, que edificaram a Igreja nestes milênios. Um destes ensinamentos é quando Ele visita seus discípulos que estavam reunidos logo após sua morte e adentra a sala, mesmo estando elas com as portas trancadas. Sopra sobre eles o Espírito Santo e deixa a nós a essência de seu coração: a Misericórdia. Diz a eles claramente: “a paz esteja convosco. Como o Pai me enviou também vos envio”. E depois de soprar sobre eles o Espírito Santo diz: “recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhe serão retidos” (Jo 20, 21-23)

Isto aconteceu uma semana depois de Sua Ressurreição. Pois bem, estava Instituído o Sacramento da Penitência, que é o Sacramento do Perdão, que é o Sacramento da Misericórdia. Vejam que a Igreja entendeu perfeitamente a ordem e passou então a ministrar o perdão para aqueles que assim desejam e confessam seus pecados.

Entretanto Jesus quis mais. Ele desejou que este domingo, após a Ressurreição, se tornasse o Domingo da Divina Misericórdia. Manifestou este desejo faz até pouco tempo, para uma jovem Freira Polaca, que viveu o mesmo que o Mestre: apenas 33 anos. Ela morreu em 1938 com fama de Santidade e foi elevada aos altares no ano 2000 pelo Papa João Paulo II, que instituiu neste mesmo ano a Festa da Divina Misericórdia.

Estamos falando de Santa Faustina, que é considerada a “Apóstola” ou “Secretaria da Divina Misericórdia” e teve do próprio Jesus a revelação de que desejava que fosse instituída esta Festa e mais ainda, qual pintura deveria retratar seu coração misericordioso. Logicamente aqui é um texto resumido, mas com certeza vale a pena conhecer um pouco mais desta grande Santa de nossos tempos atuais.

É sempre bom termos um pouco do conhecimento da história desta Festa, mas o mais importante é que queremos que todos reflitam sobre o que é misericórdia.

A expressão misericórdia tem origem latina, é formada pela junção de miserere (ter compaixão), e cordis (coração). “Ter compaixão do coração”, significa ter capacidade de sentir aquilo que a outra pessoa sente, aproximar seus sentimentos dos sentimentos de alguém, ser solidário com as pessoas.

Imaginem que é exatamente isto que deseja nosso Deus e Salvador: sentindo as nossas misérias, nos perdoa de coração.

A Festa da Divina Misericórdia tem neste ano uma relevância ainda maior, pois estamos bem no centro do ano Jubilar da Misericórdia, que nos agracia com as Indulgencias Plenárias, através do Sacramento da Confissão, da Eucaristia e da Oração nas intenções do Santo Padre o Papa Francisco, adentrando logicamente uma das Portas Santas da Misericórdia.

Portanto, o Senhor, que sempre tem a iniciativa de nos perdoar, deseja mais do nunca derramar sua misericórdia sobre toda a humanidade.

Aproveite e se aproprie deste desejo ardente do Coração de Jesus, mas lembre-se do que Ele mesmo nos ensinou: a medida que somos perdoados, devemos perdoar. Lembram-se do que pedimos e rezamos a todo momento: “Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Por isso cuidado: É o tempo do perdão, mas não apenas pedir, mas sobretudo dar o perdão!

Reflitamos então:

  • Até que ponto tenho exercitado o pedir e dar perdão?
  • Ainda tenho rancores, ressentimentos em meu coração? Será que não está na hora da cura?
  • Será que esta cura não está relacionado a experimentarmos a misericórdia, mas no pedir, mas sim no dar?
  • Estou neste ano dedicando um tempo a mais para além de mim, oferecer as indulgências, para as almas necessitadas?

Que tenhamos todos um excelente domingo,   mergulhados no coração misericordioso de nosso Senhor e exclamando com toda a confiança: “Jesus, eu Confio em Vós”.

Fonte: http://www.uniaodefamilias.com.br

Adaptação Portal Terra de Santa Cruz 

Bento XVI e a misericórdia no centro da atual história cristã

Cidade do Vaticano (RV) – Um livro com participação do Papa emérito Bento XVI, organizado pelo jesuíta Daniele Libanori, chega às bancas com o título “Per mezzo della fede. Dottrina della giustificazione ed esperienza di Dio nella predicazione della Chiesa” (Através da fé. Doutrina da justificação e experiência de Deus na evangelização da Igreja). “Para mim é um sinal dos tempos o fato que a ideia da misericórdia de Deus seja sempre mais central e dominante”, afirma Bento XVI que fala de Francisco na obra.

Francisco e Bento XVI – ANSA

http://media02.radiovaticana.va/audio/audio2/mp3/00521960.mp3

O livro traz a publicação de manifestações feitas num convênio teológico promovido em outubro de 2015 em Roma. Numa entrevista proposta na obra, o Papa emérito cita a santa polonesa Faustina Kowalska (1905-1938), que das suas visões refletem “o desejo da bondade divina que é exatamente do homem do hoje”. Bento XVI também faz referência a São João Paulo II que canonizou a sua conterrânea e publicou uma encíclica sobre o tema: “Deus, rico de misericórdia” (1980).

Papa Francisco e a misericórdia

O Papa emérito explica no livro que o seu sucessor, Papa Francisco, se encontra “de acordo com essa linha (que põe a misericórdia ao centro da mensagem cristã). A sua prática pastoral se expressa sobre o fato que ele nos fala continuamente da misericórdia de Deus”.

E Bento XVI conclui: “os homens de hoje sabem de ter necessidade da misericórdia de Deus e da sua delicadeza. Na dureza do mundo tecnicista, no qual os sentimentos não contam mais nada, aumenta a espera por um amor divino que venha doado gratuitamente. Parece-me que no tema da misericórdia divina se expresse em um modo novo aquilo que significa a justificação pela fé”.

Por Rádio Vaticana  – Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

É o momento das “24 horas para o Senhor”

Nesta sexta-feira, 4, e sábado, 5 de março, acontecerá a terceira edição das 24 horas para o Senhor, a ‘maratona penitencial’ concebida pelo Papa Francisco e promovida pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização. A iniciativa, à qual aderiram centenas de dioceses de de todo o mundo, propõe igrejas abertas também durante a noite, com a exposição permanente do Santíssimo Sacramento e sacerdotes disponíveis para confessar.

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Foi durante a celebração penitencial da edição anterior das 24 horas, no dia 13 de março de 2015, segundo aniversário do começo do seu pontificado, que o Papa Francisco anunciou a convocação do Jubileu extraordinário da Misericórdia.

Na Bula de proclamação Misericordiae vultus, em seguida, o Santo Padre escreve: “A iniciativa 24 horas para o Senhor, a ser celebrada na sexta-feira e sábado antes do quarto domingo da Quaresma, deve aumentar nas Dioceses. Muitas pessoas estão se aproximando do sacramento da Reconciliação e entre elas muitos jovens, que em tal experiência reencontram muitas vezes o cmainho para voltar ao Senhor, para viver um momento de intensa oração e redescobrir o sentido da própria vida”.

Por sua parte, o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, mons. Rino Fisichella, recordou que “a misericórdia não se reduz ao sacramento da reconciliação, ela tem um horizonte muito mais amplo, que compromete cada um de nós a tornar-nos instrumentos de misericórdia para o próximo”.

A celebração penitencial vai começar hoje (Sexta-feira) às 17, na Basílica de São Pedro, presidida pelo Papa Francisco, que, como nas edições anteriores, confessará alguns penitentes.

Em seguida, a partir das 21h, será possível aproximar-se do sacramento da penitência e participar da adoração eucarística em três igrejas do centro de Roma: Nossa Senhora do Sagrado Coração (Piazza Navona), Santa Maria in Trastevere (Piazza di Santa Maria in Trastevere ) e Sagrados Estigmas de São Francisco (Largo Argentina).

Sábado, 5 de março, a Igreja de Nossa Senhora do Sagrado Coração permanecerá aberta até às 16h, com sacerdotes disponíveis para confessar.

As 24 horas para o Senhor serão concluídas com a Santa Missa de agradecimento celebrada por mons Fisichella, na igreja de Santo Spirito in Sassia, o Santuário dedicado à Misericórdia Divina.

Fonte: Zenit

Portal Terra de Santa Cruz

JUBILEU: 04 e 05 de março: 24 horas para o Senhor – Ano da Misericórdia

Nos dias 04 e 05 de março, dentro do período da Quaresma, a Igreja realiza novamente a iniciativa “24 horas para o Senhor”. Em todo o mundo, igrejas abrirão as suas portas pelo período de um dia para que os fiéis possam procurar o sacramento da reconciliação.

A atividade é motivada pelo próprio Papa Francisco. Em sua Mensagem para a Quaresma de 2016, ele destacou esse período como propício à conversão e aproximação da misericórdia divina.

“Na Bula de proclamação do Jubileu, fiz o convite para que ‘a Quaresma deste Ano Jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a misericórdia de Deus’. Com o apelo à escuta da Palavra de Deus e à iniciativa ’24 horas para o Senhor’, quis sublinhar a primazia da escuta orante da Palavra, especialmente a palavra profética. Com efeito, a misericórdia de Deus é um anúncio ao mundo; mas cada cristão é chamado a fazer pessoalmente experiência de tal anúncio”.

No Vaticano, o Papa irá presidir celebração penitencial na Basílica de São Pedro, às 17h (hora local), na sexta-feira 4 de março, dando início à iniciativa mundialmente.

Com a vivência do Jubileu da misericórdia, a iniciativa ganha contornos específicos. Conforme anunciado pelo Papa, durante todo o Ano Santo extraordinário qualquer sacerdote vai poder absolver o pecado do aborto, uma faculdade atualmente concedida aos bispos. E os Missionários da Misericórdia (alguns sacerdotes que receberam uma incumbência especial do Papa) poderão absolver os chamados “pecados reservados à Santa Sé”, que segundo o Direito Canônico são cinco: a profanação das espécies consagradas, a violência física contra o Papa, a ordenação episcopal sem o mandato pontifício, a tentativa de absolvição do cúmplice em um pecado contra o sexto mandamento (não cometer adultério) e a violação direta do segredo da confissão.

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Na Diocese da Campanha(MG) assim como em todo o mundo, as paróquias estarão em oração nas 24 horas para o Senhor com Adoração ao Santíssimo e confissões a todo momento . Olhe a Programação de sua Paróquia .

Portal Terra de Santa Cruz

A Misericórdia e a Justiça em Deus/ Por Prof. Felipe Aquino

O amor e a misericórdia em Deus são dois atributos que se completam!

São João disse que “Deus é amor” (1 Jo 4,8). Penso que o amor e a misericórdia em Deus são dois atributos que se completam. Todas as obras de Deus trazem estas duas marcas. Toda a Criação é obra desse amor e dessa misericórdia. São Tomás diz que “aberta a Mão de Deus pela chave do amor, as criaturas surgiram”. Toda a Criação é bela, seja mineral, vegetal ou animal; e tudo foi feito para o homem. “O homem é a única criatura que Deus quis por si mesma” (GS, 24). Tudo o mais foi feito para nós, o Cosmo, as trilhões de estrelas como o Sol, os pássaros do céu, as flores, os animais, os peixes… dão glória a Deus quando servem ao homem e lhe servem de alimento. (CIC, §2417). Tudo é fruto da misericórdia divina: “Os Céus e a Terra proclamam a Vossa glória!”

Mas Deus é também Justiça. Sem a Justiça divina a Sua misericórdia fica esvaziada, sem sentido. A justiça é a garantia da santidade, e Deus é “Três vezes Santo”, como disse o Papa Paulo VI. A justiça atua por força da santidade. Por que um pai corrige um filho, lhe dá um castigo, corta a mesada, o passeio, a internet, etc.? Porque o filho não está vivendo corretamente. Não está obedecendo a justiça. Quando a sociedade pune o criminoso, o corrupto, o estuprador, etc., o faz para corrigir, para levar o homem à correção, à santidade.

Ora, Deus é Perfeito, Santo, por isso não pode deixar passar o erro humano sem punir, sem corrigir, pois isso contrariaria a Sua Santidade. É como que um dever e um direito de Deus nos punir quando pecamos. Primeiro porque o pecado ofende a Majestade Infinita de Deus; e, segundo, porque a Sua santidade exige a nossa santidade; pois sem ela “não podemos ver a Deus” (Hb 12,14). Por isso Deus exerce a Justiça. Após a morte “importa que todos nós compareçamos diante do tribunal de Cristo. Ali cada um receberá o que mereceu, conforme o bem ou o mal que tiver feito enquanto estava no corpo” (2 Cor5,10). E no final da história Ele “virá para julgar os vivos e os mortos” (Credo). Mas a misericórdia divina ainda nos dá outra oportunidade de chegar à santidade após a morte: o Purgatório. E as indulgências parciais e plenárias aliviam essas penas. Ela não são de graça; são decorrentes dos méritos de Cristo, da Virgem Maria e dos santos. Nada é de graça, tudo é dom da misericórdia. Alguém paga pela satisfação da Justiça divina.

O que é então a misericórdia de Deus?

É o cumprimento da Sua Justiça, quando pecamos; mas, satisfeita com o auxílio do próprio Deus, já que não podemos satisfazê-la por nós mesmos. Como assim? Vejamos:

Deus criou o homem e a mulher por amor, e os colocou em Sua intimidade, desfrutando da perfeição humana, nos estados de justiça e de santidade. Isto é, harmonia perfeita consigo mesmo, com a mulher, com a natureza e com Deus. Era o Paraíso, a felicidade plena, sem sofrimento e sem morte. Mas o homem ofendeu barbaramente a Deus. Preferiu ouvir a voz da antiga Serpente, Satanás, do que ouvir a voz de Deus. Disse NÃO! a Deus, desconfiou do amor de Deus, tentado pelo Mal.

Então, foi expulso do Paraíso; perdeu os dons préter naturais, a graça, a imortalidade, e teve, então, de tirar da terra o pão de cada dia com o suor do seu rosto. A mulher passou a dar a luz na dor, a natureza se rebelou, porque era propriedade do homem. Os animais e a natureza se desorientaram. A morte entrou na história humana. Somente quando o Reino messiânico for estabelecido totalmente é que os terremotos não mais existirão, e “o lobo será hospede do cordeiro, a pantera se deitará com o cabrito, o touro e o leão comerão juntos… a criança de peito brincará junto à toca da víbora. Não se fará mal em todo o monte santo” (Is 11,6-9).

 

A humanidade toda nascida de Adão estava condenada, por causa da ofensa a Deus, a viver a frustração, longe da felicidade do Criador; estava destinada ao inferno: se deixou levar pelo demônio, agora passaria a viver com ele para sempre. Isto é o efeito da Justiça divina, puniu o homem; não poderia ser diferente.

O Salmista fala inúmeras vezes que o reino de Deus se mantém pelo direito e pela justiça, não pela força:

“Deus ama a justiça e o direito, da bondade do Senhor está cheia a terra” (Sl 32, 5). “Como a luz, fará brilhar a tua justiça; e como o sol do meio-dia, o teu direito” (Sl 36, 6).

Ora, como foi o homem quem ofendeu a Deus – uma ofensa que tem magnitude infinita porque a Majestade de Deus é infinita – então, um homem deveria fazer essa reparação à Justiça divina ferida. Mas não havia um homem capaz disso, pois todos estavam envolvidos no pecado de Adão. O Catecismo diz que ainda que o homem mais santo morresse na cruz, seu sacrifício seria insuficiente para reparar a ofensa à Majestade Infinita de Deus. Era preciso que um homem, que também fosse Deus, fizesse a oblação de sua vida. Então, o Verbo, no seio do Pai, se ofereceu para se fazer homem, assumir a natureza humana, e então poder morrer, oferecendo o valor Infinito de Sua oblação para reparar a ofensa da humanidade. Foi este aniquilamento do Verbo humanado que mostra toda a misericórdia divina.

A Carta aos Hebreus explica isso: “Eis por que, ao entrar no mundo, Cristo diz: Não quiseste sacrifício nem oblação, mas me formaste um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam. Então eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade (Sl 39,7ss)… Eis que venho para fazer a tua vontade. Assim, aboliu o antigo regime e estabeleceu uma nova economia. Foi em virtude desta vontade de Deus que temos sido santificados uma vez para sempre, pela oblação do corpo de Jesus Cristo… Cristo ofereceu pelos pecados um único sacrifício e logo em seguida tomou lugar para sempre à direita de Deus.” (Hebreus 10,5-12).

Não foi o Pai quem impôs o sacrifício da Cruz a Seu Filho único; foi o Filho, que por amor a nós e por misericórdia, se compadeceu de nossa miséria e Se ofereceu para ser imolado em nosso lugar. O pecado do homem exige a sua morte, porque Deus é quem lhe dá a vida.

Aqui está o apogeu da Misericórdia de Deus: o Verbo se fez carne, a Misericórdia se fez homem, para nos salvar da morte eterna, quando nenhum homem poderia ser nosso salvador. Ele veio como o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29, 1 Pe 1,18; Jo 3,16; Hb 9,26; Cl 1,13; Gl 1,4; Gl 3,13). Foi imolado por nós, por você e por mim (cf. Gal 2,20).

E Cristo pagou um preço indizível, inenarrável. Nasceu como o “pobre dos pobres”, não teve uma maternidade, uma parteira, nem mesmo um berço. Esvaziou-se completamente de tudo (cf. Fil 2, 9ss), fez-se escravo e morreu numa cruz. Seu corpo foi todo flagelado, Sua Cabeça perfurada por mais de setenta espinhos. Sua agonia no Horto das Oliveiras foi tão horrível que o Sangue verteu do seu corpo misturado com o suor frio. Tudo que um homem podia sofrer, Ele sofreu, para que seu sacrifício humano pleno, completo, garantisse à humanidade a Redenção plena. “Tudo está consumado, Pai!”. Bebi todo o cálice da Redenção da humanidade! Isto é a misericórdia divina. Satisfez a justiça divina o que não podíamos satisfazer. “Deus amou a tal ponto o mundo que deu o Seu Filho único para que todo que Nele crer tenha a vida eterna” (Jo 3,16). A humanidade foi salva pela misericórdia divina, que não anulou a Justiça divina, mas a cumpriu em nosso lugar. Misericórdia é sofrer no lugar do outro, para que ele viva.

Logo que ressuscitou, no domingo, Jesus apareceu aos Apóstolos e instituiu o Sacramento da Confissão, para o perdão dos pecados, cujo perdão Ele tinha então conquistado. “Assim como o Pai me enviou, Eu envio a vós, a quem perdoardes os pecados, eles serão perdoados… “ (João 20,22). A humanidade tinha agora o perdão à sua disposição; basta crer e ser batizado e será salvo. Se pecar, buscar a Confissão. É a grande obra da misericórdia divina. Quando o sacerdote absolve o pecador, é o Sangue de Cristo que lava a sua alma. É o exercício da misericórdia. Agora só se perde quem quiser, quem desprezar a divina e eterna misericórdia. É o que Jesus disse a Santa Faustina Kowalska. Com a Sua morte ele nos deu vida e abriu para a humanidade um Mar de misericórdia. Jesus disse à Santa que é preciso beber neste Mar com o vaso da Confiança.

Mas, tem mais, como Ele sabia que o pecado original adoeceu e enfraqueceu a nossa natureza, então, Ele quis ficar pessoalmente conosco, para ser o “remédio e o sustento” de nossa vida. Então, se aniquilou, se fez Pão e Vinho, para ser comido e bebido, e poder estar em nossa alma. Excesso de misericórdia! Está hoje em todos os Sacrários da Terra, oculto, prisioneiro, aniquilado, até o fim do mundo, para nosso sustento. Não há problema que não possa ser resolvido ali a Seus pés. Este é o maior de todos os Seus milagres. E ainda nos deixou a Igreja, os Sacramentos, a Sua Palavra, a oração litúrgica, a Sua Mãe para ser nossa mãe espiritual, para que possamos voltar para o Paraíso do qual fomos excluídos pelo pecado.

Como pagar a Jesus tanto amor, tanta misericórdia?

São João da Cruz disse que “amor só se paga com amor”. Ele disse na Santa Ceia aos Apóstolos: “Se me amais guardareis os Meus Mandamentos” (Jo 14,15). Amá-lo é viver como Ele quer, como a Sua Igreja nos ensina, e buscar em primeiro lugar o Reino de Deus. Trabalhar pelas salvação das almas, pois há mais alegria no Céu por um pecador que se converte do que pelos justos. Assim como Ele deu sua vida por nós, dar a nossa pelos irmãos, ensinou São Pedro.

Que a mesma misericórdia divina se compadeça de nós e nos ajude a dar a Deus uma resposta de amor. Que nossa vida seja um hino de louvor à Sua Majestade e à Sua Misericórdia. Aproveitemos este ano de 2016 em que as suas comportas estão mais abertas. “Ó Sangue e água que jorrastes do Coração de Jesus como fonte de misericórdia, eu confio em vós!”

Escrito por Prof. Felipe Aquino | Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz