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Sagrado Coração: hoje é a festa do amor de Deus, diz o Papa

No dia em que a Igreja celebra a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, o Papa Francisco iniciou a sua homilia na Casa Santa Marta afirmando que se poderia dizer que hoje é a festa do amor de Deus.

“Não somos nós que amamos Deus, mas é Ele que “nos amou por primeiro, Ele é o primeiro a amar”, disse o Papa. Uma verdade que os profetas explicavam com o símbolo da flor de amêndoa, o primeiro a florescer na primavera. “Deus é assim: sempre por primeiro. Ele nos espera por primeiro, nos ama por primeiro, nos ajuda por primeiro”.

Mas não é fácil entender o amor de Deus. De fato, Paulo, na segunda Leitura do dia, fala de ‘impenetráveis riquezas de Cristo’, de um mistério escondido.

É um amor que não se pode entender. O amor de Cristo que supera todo conhecimento. Supera tudo. Tão grande é o amor de Deus. E um poeta dizia que era como “o mar, sem margens, sem fundo …”: mas um mar sem limites. E este é o amor que nós devemos entender, o amor que nós recebemos.

Na história da salvação, o Senhor nos revelou o seu amor, “foi um grande pedagogo”, disse o Papa e, relendo as palavras do profeta Oséias, explica que não o revelou através da potência: “Não. Vamos ouvir: ‘Eu ensinei meu povo a dar os primeiros passos, tomei-o em meus braços, eu cuidava dele’. Tomar nos braços, próximo: como um pai”.

Como Deus manifesta o amor? Com as grandes coisas? Não: se rebaixa, se rebaixa, se rebaixa com esses gestos de ternura, de bondade. Faz-se pequeno. Aproxima-Se. E com esta proximidade, com este rebaixamento, Ele nos faz entender a grandeza do amor. O grande deve ser entendido por meio do pequeno.

Por último, Deus envia o seu Filho, mas “o envia em carne” e o Filho “humilhou a si mesmo” até a morte. Este é o mistério do amor de Deus: a grandeza maior expressa na menor das pequenezas. Para Francisco, assim se pode entender também o percurso cristão.

Quando Jesus nos quer ensinar como deve ser a atitude cristã, nos diz poucas coisas, nos faz ver aquele famoso protocolo sobre o qual todos nós seremos julgados (Mateus 25). E o que diz? Não diz: “Eu creio que Deus seja assim. Entendi o amor de Deus”. Não, não… Eu fiz o amor de Deus em pequenas coisas. Dei de comer ao faminto, dei de beber ao sedento, visitei o doente, o detento. As obras de misericórdia são justamente a estrada do amor que Jesus nos ensina em continuidade com este amor de Deus, grande! Com este amor sem limites, que se aniquilou, se humilhou em Jesus Cristo; e nós devemos expressá-lo assim.

Portanto, concluiu o Papa, não são necessários grandes discursos sobre o amor, mas homens e mulheres “que saibam fazer essas pequenas coisas por Jesus, para o Pai”. As obras de misericórdia “são a continuidade deste amor, que se rebaixa, chega a nós e nós o levamos avante”.

Adriana Masotti – Vatican News 

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Tempo Comum: o domingo, dia do Senhor e alegria dos cristãos.

Não tenhais medo de dar vosso tempo a Cristo!» Este conselho de São João Paulo II se refere principalmente ao domingo, dia de descanso em família e dia de adorar a Deus. Novo editorial da série sobre o ano litúrgico.

O domingo é um dia especial da semana. Tira-nos da rotina do dia a dia, que, às vezes, faz com que as jornadas se apresentem bem parecidas. Durante o domingo podemos realizar atividades muito diferentes. No entanto, há algo decisivo neste dia. Ele é um dom de Deus para que possamos relacionar-nos com Ele, para celebrar com Ele o acontecimento que nos introduziu numa nova vida: a Sua ressurreição.

São João Paulo II nos convidou a redescobrir o domingo como um tempo especial para Deus: «Não tenhais medo de dar vosso tempo a Cristo! Sim, abramos nosso tempo a Cristo para que Ele possa iluminá-lo e dirigi-lo. É Ele quem conhece o segredo do tempo e o segredo da eternidade, e nos entrega “seu dia” como um dom sempre novo de seu amor.

Com razão, este dia pode ser chamado de «Páscoa da semana. Sua celebração dá relevo aos outros seis dias. O domingo é o fundamento e o núcleo de todo o ano litúrgico.
Por isso, os Romanos Pontífices sempre insistiram na importância de cuidar sua celebração: «todos os domingos vamos à Missa, porque é precisamente o dia da ressurreição do Senhor. Por isso o domingo é tão importante para nós.

Santificado pela Eucaristia

Desde o início do cristianismo, o domingo recebe um significado especial: «A Igreja, por uma tradição apostólica, que tem sua origem no mesmo dia da Ressurreição de Cristo, celebra o mistério pascal a cada oito dias, no dia que é chamado com razão o “dia do Senhor” ou domingo.

É um dia em que o Senhor fala especialmente a seu Povo: «num domingo, fui arrebatado em êxtase, e ouvi, por trás de mim, uma voz forte como de trombeta, diz o vidente do Apocalipse. É um dia em que os cristãos se reúnem «para a fração do pão, segundo recolhe o livro dos Atos dos Apóstolos, referindo-se à comunidade de Trôade. Celebrando juntos a Eucaristia, os fieis se uniam à Paixão salvadora de Cristo e cumpriam aquele mandato de conservar este memorial, que entregariam às sucessivas gerações de cristãos como um precioso tesouro: «Ego enim accepi a Domino, quod et tradidi vobis… Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: na noite em que ia ser entregue, o Senhor Jesus tomou o pão», dizia São Paulo aos de Corinto: «de fato, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que ele venha.

A carta apologética de São Justino mártir ao imperador romano, a meados do século II, nos mostra a perspectiva ampla que o domingo foi adquirindo nas consciências: «reunimo-nos todos no dia do Sol, não só porque foi o primeiro dia em que Deus, transformando as trevas e a matéria, criou o mundo, mas também porque neste mesmo dia Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos. Estas duas maravilhosas obras divinas formam como um único retábulo em que Cristo ressuscitado ocupa o lugar central, pois Ele é o princípio da renovação de todas as coisas. Por isso, a Igreja pede a Deus na Vigília Pascal que «o mundo todo veja e reconheça que se levanta o que estava caído, que o velho se torna novo e tudo volta à integridade primitiva por aquele que é princípio de todas as coisas, Cristo, nosso Senhor.

A celebração do domingo tem um tom festivo, porque Jesus Cristo venceu o pecado, e quer vencer o pecado em nós, quebrar as correntes que nos afastam Dele, que nos encerram no egoísmo e na solidão. Desta forma, unimo-nos à exclamação jubilosa que a Igreja propõe para este dia na Liturgia das horas: «Hæc est dies, quam fecit Dominus: exsultemus et lætemur in ea Este é o dia que o Senhor fez. Exultemo-nos e alegremo-nos Nele!Experimentamos o júbilo de saber que, pelo batismo, somos membros de Cristo que, na sua glorificação, nos une ao Pai, apresentando-lhe nossas petições e desejos de melhora.

Esta alegria do encontro com o Senhor que nos salva não é individualista: celebramo-la sempre unidos a toda a Igreja. Durante a Missa do domingo reforçamos a unidade com os outros membros da nossa comunidade cristã, e nos tornamos «um só corpo e um só Espírito como uma só é a esperança da vocação a que fostes chamados. Um Senhor, uma fé, um batismo. Um Deus, Pai de todos, que atua acima de todos, por todos e em todos. Por isso, «a assembleia dominical é um lugar privilegiado de unidade, de modo especial para as famílias, que «vivem uma das manifestações mais qualificadas de sua identidade e de seu “ministério” de “igrejas domésticas”, quando os pais participam com seus filhos na única mesa da Palavra e do Pão da Vida. Que maravilhoso quadro contemplamos a cada domingo, quando nas paróquias e diferentes lugares de culto reúnem-se as famílias cristãs – pai, mãe, filhos, inclusive os avós – para adorar juntos ao Senhor e crescer na fé acompanhados!

Ser mais ricos nas palavras de Deus

O caráter festivo da celebração dominical reflete-se em alguns elementos litúrgicos, como a segunda leitura antes do Evangelho, a homilia, a profissão de fé, e – exceto nos domingos de Advento e Quaresma – o Glória. Como é óbvio, nesta Missa se aconselha de modo particular o canto, que reflete o júbilo da Igreja diante da ressurreição de Jesus. A Liturgia da Palavra possui uma grande riqueza. Nela, a proclamação do Evangelho é central. Assim, durante o tempo comum e ao longo de três ciclos anuais, a Igreja nos propõe uma seleção ordenada de passagens evangélicas, na que percorremos a vida do Senhor. Antes, recordamos a história de nossos irmãos mais velhos na fé com a primeira leitura do Antigo Testamento durante o tempo comum, que está relacionada com o Evangelho, «para assim manifestar a unidade dos dois Testamentos. A segunda leitura, também ao longo de três anos, percorre as cartas de São Paulo e de São Tiago e nos faz compreender, como os primeiros cristãos viviam a novidade que Jesus veio nos trazer.

Em conjunto, a Igreja nos oferece como boa Mãe um abundante alimento espiritual da Palavra de Deus, que solicita de cada pessoa uma resposta de oração durante a Missa, e, depois, a acolhida serena na vida. «Penso que todos podemos melhorar um pouco neste aspecto, diz o Papa: converter-nos todos em melhores ouvintes da Palavra de Deus, para ser menos ricos de nossas palavras e mais ricos de Suas Palavras. Para ajudar-nos a assimilar este alimento, cada domingo o sacerdote pronuncia uma homilia em que explica, à luz do mistério pascal, o significado das leituras do dia, especialmente do Evangelho: uma cena da vida de Jesus, seu diálogo com os homens, seus ensinamentos redentores. Deste modo, a homilia leva-nos a participar com intensidade na Liturgia Eucarística, e a compreender que o que celebramos se projeta além do final da Missa, para transformar a nossa vida diária: o trabalho, o estudo, a família…

Mais do que um preceito: uma necessidade cristã

A Santa Missa é uma necessidade para o cristão. Como poderíamos prescindir dela, se, como ensina o Concílio Vaticano II, «todas as vezes que se renova sobre o altar o sacrifício da cruz em que “Cristo nossa Páscoa, foi imolado” (1 Cor 5, 7), efetiva-se a obra da nossa redenção? Quoties sacrificium crucis, quo “Pascha nostrum immolatus est Christus” in altari celebratur, opus nostrae redemptionis exercetur»: a eficácia santificadora da Missa não se limita ao tempo que dura a sua celebração, mas se estende a todos os nossos pensamentos, palavras ou ações, de maneira que é «o centro e raiz da vida espiritual do cristão. São Jose maria também comenta: Talvez nos tenhamos perguntado algumas vezes como podemos corresponder a tanto amor de Deus; talvez nesses momentos tenhamos desejado ver claramente exposto um programa de vida cristã. A solução é fácil e está ao alcance de todos os fiéis: participar amorosamente da Santa Missa, aprender na Missa a ganhar intimidade com Deus, porque neste Sacrifício se encerra tudo o que o Senhor quer de nós.

«Sine Dominico non possumus: não podemos viver sem a ceia do Senhor», diziam os antigos mártires de Abitíni. A Igreja concretizou esta necessidade no preceito de participar da Missa aos domingos e outras festas de preceito. Desta forma, vivemos o mandamento incluído no Decálogo: “Lembra-te do sábado para santificá-lo. Durante seis dias trabalharás e cumprirás todas as tuas tarefas; porém o sétimo é dia de descanso em honra do Senhor, teu Deus. Os cristãos levam esse preceito à plenitude ao celebrar o domingo, dia da ressurreição de Jesus.

O repouso dos domingos

O domingo é um dia para ser santificado em honra a Deus. Dirigimos o olhar a nosso Criador, repousando do trabalho habitual, como nos ensina a Bíblia: «Pois em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles existe, mas no sétimo dia descansou. Portanto, o Senhor abençoou o sétimo dia e o santificou».

Ainda que, o fato de se ter um dia livre na semana possa ser justificado por razões meramente humanas, como um bem para a pessoa, a família e toda a sociedade, não podemos esquecer que o mandamento divino chega mais longe: «O repouso divino do sétimo dia não alude a um Deus inativo, mas sublinha a plenitude do que fora realizado, como que a exprimir a paragem de Deus diante da obra «muito boa» (Gen 1,31) saída das suas mãos, para lançar sobre ela um olhar repleto de jubilosa complacência.

A própria revelação no Antigo Testamente acrescenta outro motivo da santificação do sétimo dia: «Lembra-te de que foste escravo no Egito e que o Senhor, o teu Deus, te tirou de lá com mão poderosa e com braço forte. Por isso o Senhor, o teu Deus, te ordenou que guardes o dia de sábado.

A ressurreição gloriosa de Cristo é o cumprimento perfeito das promessas do Antigo Testamento. Com ela, a história da salvação, iniciada com os começos do gênero humano, chegou ao seu ponto culminante. Os primeiros cristãos passaram a celebrar o dia da semana em que Jesus Cristo ressuscitou como o dia de festa semanal santificado em honra do Senhor.

A libertação prodigiosa dos israelitas é uma figura do que Jesus Cristo faz com sua Igreja por meio do mistério pascal: livra-nos do pecado, ajuda-nos a vencer nossas más inclinações. Por isso, podemos dizer que o domingo é um dia especial para viver a liberdade dos filhos de Deus: uma liberdade que nos leva a adorar o Pai e a viver a fraternidade cristã começando por aqueles que estão mais próximos de nós.

«Graças ao descanso dominical, as preocupações e afazeres quotidianos podem reencontrar a sua justa dimensão: as coisas materiais, pelas quais nos afadigamos, dão lugar aos valores do espírito; as pessoas com quem vivemos, recuperam, no encontro e diálogo mais tranquilo, a sua verdadeira fisionomia.Não se trata de não fazer nada ou somente atividades sem utilidade, ao contrário: «A instituição do Dia do Senhor contribui para que todos gozem do tempo de descanso e lazer suficiente, que lhes permita cultivar a vida familiar, cultural, social e religiosa. É um dia para dedicar especialmente à família o tempo e a atenção que talvez não consigamos prestar-lhes suficientemente nos outros dias da semana.

Em síntese, o domingo não é um dia reservado para si mesmo, para concentrar-se nos próprios gostos e interesses. «Da Missa dominical parte uma onda de caridade destinada a estender-se a toda a vida dos fiéis, começando por animar o próprio modo de viver o resto do domingo. Se este é dia de alegria, é preciso que o cristão mostre, com as suas atitudes concretas, que não se pode ser feliz “sozinho”. Ele olha ao seu redor, para individuar as pessoas que possam ter necessidade da sua solidariedade».A Missa dos domingos é uma força que nos move a sair de nós mesmos, porque a Eucaristia é o sacramento da caridade, do amor de Deus e do próximo por Deus. Entende-se assim como no primeiro dia da semana São Josemaria experimentava uma particular vibração trinitária: “No domingo – dizia – é bom louvar a Trindade: glória ao Pai, glória ao Filho, glória ao Espírito Santo. Eu costumo acrescentar: e glória a Santa Maria. E… é uma coisa infantil, mas não me importa nada: também a São José».

Carlos Ayxelà

São João Paulo II, Carta Apostólica Dies Domini, 31-V-1998, n. 7.

São João Paulo II, Carta Apostólica Novo millenio ineunte, 6-I-2001, n. 35.

Concílio Vaticano II, Constituição Sacrosanctum Concilium, n. 106.

Francisco, Audiência, 5 de fevereiro de 2014.

Sacrosanctum Concilium, n. 106.

Apoc. 1, 10.

At. 20,7

1 Cor 11,23.27.

 Apologia I, 67,7.

Missal Romano, Vigília Pascal, oração depois da 7a leitura.

Salmo 117 (118), 24.

Ef 4, 4-6

Dies Domini, 36.

 Ibidem.

 Introdução ao Lecionário da Missa, n. 106.

Francisco, Discurso, 4-X-2013.

Concílio Vaticano II, Constituição dogmática, Lumen gentium n. 3.

São Josemaria, É Cristo que passa, n. 87.

É Cristo que passa, n. 88.

Cfr. Dies Domini, 46.

Cfr. Código de Direito Canônico, can. 1247.

 Ex 20, 8-10.

Ex 20, 11.

Dies Domini, 11.

Deut. 5,15.

Dies Domini, n.67

Catecismo da Igreja Católica, 2184

Dies Domini, n.72.

São Josemaria, Anotações de uma reunião familiar, 29-V-1974.

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Solenidade do Corpo e Sangue de Deus

Na Ceia, Jesus dá graças ao Pai, como autor da vida, de todo dom. Ele o faz com seu sangue e seu corpo.

Padre César Augusto dos Santos – Cidade do Vaticano

A solenidade do Corpo e Sangue de Cristo nos leva à tomada de consciência da grandiosidade da amizade selada entre Deus e o Homem.

No passado, nos diz a primeira leitura tirada do livro do Êxodo, a aliança entre Javé e o Povo de Israel se dava através da aspersão do sangue de animais. Metade era aspergida sobre o altar, símbolo de Deus e a outra metade sobre o povo. Isso deveria se repetir sempre a cada ano.

No Evangelho, Jesus diz que ele está realizando a nova e eterna aliança, através do derramamento de seu sangue. Jesus a realizou na Ceia e no Calvário.

Na Ceia, Jesus dá graças ao Pai, como autor da vida, de todo dom. Ele o faz com seu sangue e seu corpo.

A segunda leitura, da Carta aos Hebreus, nos diz que esse gesto de Jesus é muito superior ao antigo por vários motivos:

– quem o oferece não é um sacerdote qualquer, mas Jesus;

– como não tem pecado, ele não o oferece por si, mas por todos os homens. No ritual antigo, o sacrifício era oferecido apenas em favor de um povo;

– enquanto o sacerdote da antiga aliança deveria atravessar o véu do templo para oferecer o sacrifício, Jesus atravessou uma tenda não feita por mãos humanas, não pertencendo a esta criação;

– também o sangue usado por Jesus se difere do usado pelos demais sacerdotes. Esses usavam o sangue de animais. Jesus usou o próprio sangue e com ele nos obteve a libertação definitiva.

Podemos transformar esse gesto tão grandioso de Jesus, realizado na Santa Ceia e concretizado na Cruz, em um mero ato de piedade ou na celebração da vida, celebração de dar graças, em Eucaristia. Tudo dependerá de nosso modo de vivenciar a missa.

Vamos a ela como mera devoção e para o cumprimento do preceito dominical e também por uma questão social ou quando nos dirigimos à sua celebração é para participar do gesto eucarístico de Jesus?

Vamos à missa para tomarmos em nossas mãos o pão e o vinho, os dons que recebemos do Pai, agradecer e nos entregarmos ao serviço de muitos como fez Jesus?

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Solenidade de Cristo Rei do Universo – reflexão

O Evangelho da solenidade deste domingo é o das bênçãos e das maldições que estão em Mateus, trecho também conhecido como Juízo Final. O texto celebra a vitória da justiça ocorrida na ressurreição de Jesus e no momento em que o Senhor é declarado rei para sempre. A justiça, a verdade e a paz serão eternas.

Depois de uma vida sobre a terra, depois do anúncio feito por Jesus de que Deus é nosso Pai e de que todos os habitantes da terra são irmãos, – depois do Mestre ter anunciado a vocação de fraternidade e de ter promulgado as bem-aventuranças, depois do Senhor ter lavado os pés dos discípulos, depois do Redentor ter morrido na cruz e resuscitado, depois do Ressuscitado ter feito o envio de seus apóstolos a anunciarem o Evangelho, pregarem a conversão e o batismo, – todos aqueles que responderam sim aos apelos amorosos de Deus, apesar das diversas dificuldades, serão acolhidos na Casa do Pai.

Como podemos apreender da atitude de Jesus, o Homem por excelência, o que conta para ser acolhido na felicidade eterna é e será sempre nossa atitude não apenas de soldariedade, mas de fraternidade, ou seja, um passo a mais no relacionamento com o outro.

Ele não é apenas alguém com quem divido o pão, o teto e os sentimentos, mas é alguém que tenho como da mesma família, da mesma origem, a quem estou unido por laços de afeto.

No Livro de Ezequiel, 1ª leitura de hoje, Deus se apresenta como o Pastor, aquele que procura a ovelha perdida, reconduz a extraviada, cura a ferida, fortalece a doente e alimenta todas.

Esse discurso é dirigido aos judeus que estão procurando se recuperar da destruição feita pelo poder babilônico e esse mesmo povo se encontra agora oprimido também por judeus mais espertos que não têm escrúpulos de explorar seus compatriotas. Esse discurso é o alento de Deus ao pobres e aos oprimidos.

No Evangelho, Mateus nos diz que as obras de misericórdia são a resposta que Deus espera de nós em meio a uma situação de desgraças e infelicidades. É com pessoas que as praticam que o Senhor se identifica.

O amor a Deus está intimamente ligado ao amor ao próximo. A verdadeira religião leva ao outro.

A vida de alguém será considerada bem sucedida não pelos filhos que tenha gerado, nem pelos títulos acadêmicos que possa ter obtido, e muito menos pela riqueza que possuir.

Uma vida realizada será assim considerada por Deus se a pessoa lutou por um mundo justo e fraterno, se empregou seu tempo, seus conhecimentos, sua saúde para eliminar situações em que seus irmãos se sentiam marginalizados e se não foram nem cúmplices e nem coniventes com as opressões.

Cristo é  Rei e Senhor porque na luta contra o mal venceu a tentação do acúmulo, da abundância e do prestígio».

(Reflexão do Padre Cesar Augusto dos Santos para a Solenidade de Cristo Rei)

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Novo estudo revela que o Santo Sudário tem o sangue de uma vítima de tortura

Segundo ACI (17/07/17), um grupo de cientistas comprovaram que o Santo Sudário de Turim (Itália) mostra sinais de segunda de uma vítima de tortura e desmente os argumentos de que o manto que envolveu o corpo de Jesus Cristo foi pintado.

A pesquisa, que confirma as hipóteses de investigações anteriores, como a do bioquímico Alan Adler nos anos 1990, foi feita pelo Istituto Officina dei Materiali em Triesti e pelo Instituto de Cristalografia de Bari, ambos sob o Conselho Nacional de Pesquisa da Itália, assim como o Departamento de Engenharia Industrial da Universidade de Pádua.

O estudo foi publicado no dia 30 de junho pela revista científica PlosOne, com o nome “New Biological Evidence from Atomic Resolution Studies on the Turin Shroud” (Nova evidência biológica dos estudos de resolução no Santo Sudário de Turim) e foi baseado em provas experimentais de estudos de resolução atômica e estudos médicos recentes sobre pacientes que sofrera vários atos de trauma e tortura.

“As partículas muito pequenas aderidas às fibras do linho do sudário registraram um cenário de grande sofrimento, cuja vítima estava envolvida no pano funerário”, disse Elvio Carlino, chefe da pesquisa e especialista do Instituto de Cristalografia.

Estas partículas, chamadas “nanopartículas”, tinham uma “estrutura, tamanho e distribuição peculiares”, precisou e seguida Giuliu Fanti, professor da Universidade de Pádua.

AS nanopartículas não são típicas do sangue de uma pessoa saudável. Pelo contrário, mostram altos níveis de substâncias chamadas creatina e ferritina, que se encontram em pacientes que sofrem múltiplos traumas fortes, como a tortura.

“Portanto, a presença dessas nanopartículas biológicas encontradas durante nossos experimentos apontam a uma morte violenta para o homem envolvido no Santo Sudário”, acrescentou Fanti. As descobertas contradizem as afirmações de que o manto é um objeto pintado; declarações que são comuns entre os que sugerem que é uma falsificação medieval. As características dessas partículas “não podem ser artefatos feitos ao longo dos séculos no tecido do Santo Sudário”, disse Fanti.

Entre as relíquias mais conhecidas que se acredita que estejam ligadas à Paixão de Jesus Cristo, o Santo Sudário de Turim foi venerado durante séculos pelos cristãos como o pano funerário de Jesus. Também foi objeto de intensos estudos científicos para comprovar sua autenticidade e suas origens.

O Santo Sudário é um fino tecido de 463 centímetros de comprimento por 113 de largura, que tem uma imagem fraca manchada de um homem brutalmente torturado e crucificado. A imagem se torna clara em uma foto negativa. O estudo das partículas foi feito na nanoescala, que vai de 1 a 100 nanômetros. Um nanômetro é a bilionésima parte de um metro.

“Essas descobertas só poderiam ser reveladas pelos métodos recentemente desenvolvidos no campo da microscopia eletrônica”, disse Carlino e acrescentou que a pesquisa marcou o primeiro estudo das “propriedades a nanoescala de uma fibra não poluída extraída do Santo Sudário de Turim”.

Embora a Igreja não tenha uma postura oficial sobre sua autenticidade, o Santo Sudário se encontra atualmente na Catedral de São João Batista de Turim. Em sua visita em 21 de junho de 2015 ao templo, o Papa Francisco rezou diante dele.

 

Fonte: http://www.acidigital.com/noticias/novo-estudo-revela-que-o-santo-sudario-tem-o-sangue-de-uma-vitima-de-tortura-24549/  

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Indulgência Plenária na Festa da Divina Misericórdia

Saiba por que a Igreja celebra, neste domingo, a festa da Divina Misericórdia e aprenda como lucrar a indulgência plenária nessa celebração.

A devoção à Divina Misericórdia, de acordo com as revelações de Nosso Senhor a Santa Faustina Kowalska, é um grande dom concedido à Igreja Católica no terceiro milênio. Essa expressão de piedade foi de tal modo reconhecida e aprovada pela Igreja que, em 2000, o Papa São João Paulo II — conterrâneo de Santa Faustina — instituiu para a Igreja universal a festa da Divina Misericórdia, a ser celebrada todos os anos, na Oitava da Páscoa.

Mas por que instituir essa festa justamente no segundo domingo do Tempo Pascal?

Além do pedido expresso de Jesus Misericordioso [1], uma das razões pode ser encontrada no fato de que, nesse dia, a liturgia católica relembra com particular intensidade dois grandes instrumentos da divina misericórdia para a salvação humana: os sacramentos do Batismo e da Penitência. Esses dois sacramentos são chamados também de “sacramentos de mortos”, porque foram “instituídos principalmente para restituir a vida da graça às almas mortas pelo pecado” [2]: o Batismo, como a porta pela qual todos temos de passar; e a Confissão, como uma “segunda tábua de salvação” [3], pois é por ela que são restituídos à graça os que voltaram a cair depois de terem sido batizados.

De fato, este domingo da Oitava da Páscoa era chamado, desde os primeiros tempos da Igreja, deDominica in albis. A expressão latina significa “em vestes brancas” e faz referência ao fato de que, durante essa celebração, os neófitos que foram batizados na Vigília Pascal pela primeira vez aparecem com suas vestes alvas, simbolizando a brancura da alma purificada do pecado. Também neste domingo, o Evangelho proclama a instituição do sacramento da Penitência, quando Nosso Senhor Ressuscitado se põe no meio dos discípulos e, soprando sobre eles, diz: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos.” (Jo 20, 22-23)

Para fazer com que vivêssemos mais intensamente esta celebração, o Papa São João Paulo II estabeleceu, em 2002, através de um decreto com “vigor perpétuo”, que este Domingo da Divina Misericórdia fosse enriquecido com a Indulgência Plenária, entre outras razões, para que os fiéis pudessem ” alimentar uma caridade crescente para com Deus e o próximo“. Os termos da concessão são os seguintes:

Concede-se a Indulgência plenária nas habituais condições (Confissão sacramental, Comunhão eucarística e orações segundo a intenção do Sumo Pontífice) ao fiel que no segundo Domingo de Páscoa, ou seja, da “Misericórdia Divina”, em qualquer igreja ou oratório, com o espírito desapegado completamente da afeição a qualquer pecado, também venial, participe nas práticas de piedade em honra da Divina Misericórdia, ou pelo menos recite, na presença do Santíssimo Sacramento da Eucaristia, publicamente exposto ou guardado no Tabernáculo, o Pai-Nosso e o Credo, juntamente com uma invocação piedosa ao Senhor Jesus Misericordioso (por ex., “Ó Jesus Misericordioso, confio em Ti”).

Concede-se a Indulgência parcial ao fiel que, pelo menos com o coração contrito, eleve ao Senhor Jesus Misericordioso uma das invocações piedosas legitimamente aprovadas.

Também aos homens do mar, que realizam o seu dever na grande extensão do mar; aos numerosos irmãos, que os desastres da guerra, as vicissitudes políticas, a inclemência dos lugares e outras causas do género, afastaram da pátria; aos enfermos e a quantos os assistem e a todos os que, por uma justa causa, não podem abandonar a casa ou desempenham uma actividade que não pode ser adiada em benefício da comunidade, poderão obter a Indulgência plenária no Domingo da Divina Misericórdia, se com total detestação de qualquer pecado, como foi dito acima, e com a intenção de observar, logo que seja possível, as três habituais condições, recitem, diante de uma piedosa imagem de Nosso Senhor Jesus Misericordioso, o Pai-Nosso e o Credo, acrescentando uma invocação piedosa ao Senhor Jesus Misericordioso (por ex., “Ó Jesus Misericordioso, Confio em Ti”).

Se nem sequer isto pode ser feito, naquele mesmo dia poderão obter a Indulgência plenária todos os que se unirem com a intenção de espírito aos que praticam de maneira ordinária a obra prescrita para a Indulgência e oferecem a Deus Misericordioso uma oração e juntamente com os sofrimentos das suas enfermidades e os incómodos da própria vida, tendo também eles o propósito de cumprir logo que seja possível as três condições prescritas para a aquisição da Indulgência plenária.

Aproveitemos essa concessão da Igreja, por ocasião da festa da Divina Misericórdia, para fortalecermos o nosso amor a Cristo, vivendo a vida da graça, e mantermos “o espírito desapegado completamente da afeição a qualquer pecado”, pois só assim poderemos receber de Deus as indulgências que Ele, misericordiosíssimo, sempre nos quer conceder.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização

Túmulo de Jesus restaurado é apresentado na Igreja do Santo Sepulcro

O túmulo onde estaria enterrado Jesus Cristo segundo a tradição cristã foi apresentado nesta quarta-feira (22) durante uma cerimônia na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, após uma restauração que durou nove meses.  As obras de restauração começaram em maio de 2016 para reformar a pequena capela em mármore e devolver sua cor original. Ela foi desmontada completamente e reconstruída à imagem e semelhança do que era.

Dignitários religiosos de distintas confissões cristãs participaram da cerimônia desta quarta, quando o pequeno templo foi exibido sem a estrutura metálica que antes dificultava a visão.

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“Não é apenas uma doação feita à Terra Santa, é uma doação para o mundo inteiro”, afirmou o patriarca greco-ortodoxo Teófilo III de Jerusalém ante os convidados, entre os quais o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras.

“Antes o monumento estava completamente negro” devido à fumaça das velas dos peregrinos, explicou a restauradora-chefe Antonia Moropoulou. “Hoje recuperou sua verdadeira cor, a cor da esperança”, acrescentou.

As obras viveram em outubro um momento histórico, quando a lápide de mármore, que cobre o túmulo, foi retirada durante três dias. A última vez que homens puderam ter acesso ao coração do lugar mais sagrado do cristianismo foi em 1810, por ocasião de obras de restauração realizadas após um incêndio.

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Nos anos 1960 e 1990 foram remodeladas várias partes da igreja, situada no setor antigo de Jerusalém, perto de dois lugares santos do judaísmo e do islã: o Muro das Lamentações e a Esplanada das Mesquitas. Mas não se tocou na capela.

Desta vez, ao longo de nove meses, o túmulo foi desmontado, limpo e restaurado praticamente em sua totalidade, incluindo as colunas e as cúpulas do edifício e seu interior. Foi aberta, inclusive, uma janela para que os peregrinos possam admirar a lápide do antigo túmulo.

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Desavenças

As obras custaram 3,4 milhões de euros, financiados pelas três principais confissões cristãs do Santo Sepulcro (greco-ortodoxos, franciscanos, armênios), assim como doadores públicos e privados. Samuel Aghoyan, o superior da Igreja armênia, está satisfeito que a capela tenha o aspecto de uma construção nova.

Segundo a tradição cristã, o corpo de Jesus Cristo foi depositado em um leito funerário entalhado em uma rocha depois de sua crucificação pelas mãos dos romanos no ano 30 ou 33. Os cristãos acreditam que ele ressuscitou e afirmam que as mulheres que chegaram três dias depois de sua morte para ungir o falecido não encontraram o corpo.

Alguns cristãos acreditam que Jesus foi enterrado no chamado túmulo do jardim, situado fora da muralha do setor antigo de Jerusalém. Mas, segundo Antonia Moropoulou, as obras permitiram demonstrar que o túmulo de Jesus se encontra na igreja do Santo Sepulcro.

Agora há outros projetos para reforçar a estrutura da capela e restaurar o chão da igreja, explica Samuel Aghoyan. O custo seria de seis milhões de dólares.

Para que estas obras possam ser realizadas, os greco-ortodoxos, a Igreja armênia e a católica, que custodiam o lugar, devem superar as divergências que no passado forçaram um adiamento do projeto.

Fonte:http://catholicus.org.br

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz

O Canto das Kalendas – O Anúncio do Natal – Forma Ordinária

Na forma extraordinária, se canta após a hora de Prima, que foi suprimida na forma ordinária, restando, então, para o rito moderno, a opção de se usar as Kalendas combinadas com a Missa ou como cerimônia à parte.

O Papa João Paulo II fazia cantar as Kalendas no início da Missa. Bento XVI manteve o costume, mas mudou nas últimas Missas para antes da celebração, o que é também possível, dado que, em sentido estrito, as Kalendas são parte do Martirológio Romano.

É uma boa tradição litúrgica para se colocar em prática em nossas Missas.

Eis o texto, e vídeo em português e latim, para a forma ordinária:

Vinte e Cinco de Dezembro. Décima-nona Lua.

Tendo transcorrido muitos séculos desde a criação do mundo,

Quando no princípio Deus tinha criado o céu e a terra e tinha feito o Homem à sua imagem;

E muitos séculos de quando, depois do dilúvio, o Altíssimo tinha feito resplandecer o arco-íris, sinal da Aliança e da Paz;

Vinte e um séculos depois da partida de Abraão, nosso pai na fé, de Ur dos Caldeus;

Treze séculos depois da saída de Israel do Egito, sob a guia de Moisés;

Cerca de mil anos depois da unção de David como rei de Israel;

Na sexagésima quinta semana, segundo a profecia de Daniel;

Na época da centésima nonagésima quarta Olimpíada;

No ano setecentos e cinqüenta e dois da fundação da cidade de Roma;

No quadragésimo segundo ano do Império de César Otaviano Augusto;

Quando em todo o mundo reinava a paz, Jesus Cristo, Deus Eterno e Filho do Eterno Pai, querendo santificar o mundo com a sua vinda, tendo sido concebido por obra do Espírito Santo, tendo transcorrido nove meses, (aqui eleva-se a voz, e todos se ajoelham) nasce em Belém da Judeia da Virgem Maria, feito homem:

Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo a natureza humana.

R. Graças a Deus.

Fonte: Salvem a Liturgia

Foto/Adaptação/Vídeo: Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus – Jesus manso e humilde de coração, fazei nosso coração semelhante ao vosso .

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
(Lc
15, 3-7)

Naquele tempo, Jesus contou-lhes esta parábola: “Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la? Quando a encontra, coloca-a nos ombros com alegria, e, chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos, e diz: ‘Alegrai-vos comigo! Encontrei a minha ovelha que estava perdida!’ Eu vos digo: Assim haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão”.

Celebrar a solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus é tributar ao Senhor um culto de adoração que manifeste, com especiais homenagens e ternas práticas de reparação, toda a nossa gratidão pelo mistério de amor que Ele, por meio de sua amantíssima Redenção, dignou-se manifestar-nos. É, pois, com um coração de carne, unido hipostaticamente à sua divina pessoa, que o Verbo humanado simboliza, numa imagem natural e expressiva, a caridade transbordante que Deus tem para conosco. Ao Filho eterno do Pai, com efeito, não bastou amar a humanidade com um amor unicamente espiritual; amando-nos mais do que poderíamos imaginar, o Redentor do gênero humano, ao fazer-se semelhante a nós segundo a carne, amou-nos com um amor também sensível e afetivo, como convinha a uma natureza humana íntegra e perfeitíssima, cujos sentimentos não poderiam jamais se contrapor à infinita caridade que a Divindade tem por nós.

Índice desse divino amor — ao mesmo tempo espiritual e sensível —, o Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo é, nos dizeres do Papa Pio XII, uma como que “mística escada” pela qual nos é dado subir “ao amplexo ‘de Deus nosso Salvador'” (Haurietis Aquas, 28; cf. Tt 3, 4). Prova concreta e inequívoca de que fomos amados por primeiro (cf. 1Jo 4, 19), o coração do Senhor, chagado pelos nossos muitos pecados, pode hoje levar-nos a um maior comprometimento com a vida de santidade. Ao meditarmos neste dia de festa como somos queridos por Deus, muitíssimo mais do que um filho pode ser querido por sua mãe, peçamos ao Pai de misericórdias a graça de amarmos com verdadeira e “louca” paixão o seu Filho unigênito. Queiramos conhecê-lO mais nas páginas do Evangelho e nos momentos de oração; façamos, além disso, o propósito de O imitarmos de mais perto, mantendo sempre sob olhos os exemplos de virtude e amor que Ele, a fim de instruir-nos e dar-nos um caminho seguro à perfeição na caridade, quis prodigalizar-nos.

Recorramos, por fim, àquela que, sendo mãe dos membros de Cristo, é um dom preciosíssimo do mesmo Sacratíssimo Coração. Genitora espiritual de toda a família cristã, a Virgem Santíssima por certo se alegrará em ouvir, especialmente hoje, as nossas súplicas por seus auxílios; imploremos-lhe, pois, a alegria de amar a Deus com generosidade e audácia, colocando por inteiro o nosso pobre e miserável coração em cada pequeno ato de caridade que, com a ajuda da graça, formos capazes de produzir.

Por Pe.Paulo Ricardo – padrepauloricardo.org

Adaptação/Foto: Portal Terra de Santa Cruz 

A crucificação de Jesus na visão de um médico

O doutor Pierre Barbet, cirurgião do Hospital de São José, em Paris, é quem fez, até agora, o estudo médico mais completo da paixão de Cristo, conforme se deduz do Santo Sudário (Cf. La Passione di N. S. Gesu Cristo secondo el chirurgo, L. I. C. E. Torino). Leia seu relato:

“Sou um cirurgião, e dou aulas há algum tempo. Por treze anos vivi em companhia de cadáveres e durante a minha carreira estudei anatomia a fundo.

Posso, portanto escrever sem presunção a respeito de morte como aquela.

A crucificação de Jesus na visão de um médico

Jesus entrou em agonia no Getsêmani e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra. O único evangelista que relata o fato é um médico, Lucas. E o faz com a precisão de um clínico. O suar sangue, ou “hematidrose”, é um fenômeno raríssimo. É produzido em condições excepcionais: para provocá-lo é necessário uma fraqueza física, acompanhada de um abatimento moral violento causado por uma profunda emoção, por um grande medo. O terror, o susto, a angústia terrível de sentir-se carregando todos os pecados dos homens devem ter esmagado Jesus.

Tal tensão extrema produz o rompimento das finíssimas veias capilares que estão sob as glândulas sudoríparas, o sangue se mistura ao suor e se concentra sobre a pele, e então escorre por todo o corpo até a terra. Conhecemos a farsa do processo preparado pelo Sinédrio hebraico, o envio de Jesus a Pilatos e o desempate entre o procurador romano e Herodes. Pilatos cede, e então ordena a flagelação de Jesus. Os soldados despojam Jesus e o prendem pelo pulso a uma coluna do pátio. A flagelação se efetua com tiras de couro múltiplas sobre as quais são fixadas bolinhas de chumbo e de pequenos ossos. Os carrascos devem ter sido dois, um de cada lado, e de diferente estatura. Golpeiam com chibatadas a pele, já alterada por milhões de microscópicas hemorragias do suor de sangue. A pele se dilacera e se rompe; o sangue espirra. A cada golpe Jesus reage em um sobressalto de dor. As forças se esvaem; um suor frio lhe impregna a fronte, a cabeça gira em uma vertigem de náusea, calafrios lhe correm ao longo das costas. Se não estivesse preso no alto pelos pulsos, cairia em uma poça de sangue. Depois o escárnio da coroação. Com longos espinhos, mais duros que os de acácia, os algozes entrelaçam uma espécie de capacete e o aplicam sobre a cabeça. Os espinhos penetram no couro cabeludo fazendo-o sangrar (os cirurgiões sabem o quanto sangra o couro cabeludo).

Pilatos, depois de ter mostrado aquele homem dilacerado à multidão feroz, o entrega para ser crucificado. Colocam sobre os ombros de Jesus o grande braço horizontal da Cruz; pesa uns cinqüenta quilos. A estaca vertical já está plantada sobre o Calvário. Jesus caminha com os pés descalços pelas ruas de terreno irregular, cheia de pedregulhos. Os soldados o puxam com as cordas. O percurso é de cerca de 600 metros. Jesus, fatigado, arrasta um pé após o outro, freqüentemente cai sobre os joelhos. E os ombros de Jesus estão cobertos de chagas.

Quando ele cai por terra, a viga lhe escapa, escorrega, e lhe esfola o dorso. Sobre o Calvário tem início a crucificação. Os carrascos despojam o condenado, mas a sua túnica está colada nas chagas e tirá-la produz dor atroz. Quem já tirou uma atadura de gaze de uma grande ferida percebe do que se trata. Cada fio de tecido adere à carne viva: ao levarem a túnica, se laceram as terminações nervosas postas em descoberto pelas chagas. Os carrascos dão um puxão violento. Há um risco de toda aquela dor provocar uma síncope, mas ainda não é o fim. O sangue começa a escorrer.

Jesus é deitado de costas, as suas chagas se incrustam de pé e pedregulhos.

Depositam-no sobre o braço horizontal da cruz. Os algozes tomam as medidas.

Com uma broca, é feito um furo na madeira para facilitar a penetração dos pregos. Os carrascos pegam um prego (um longo prego pontudo e quadrado), apoiam-no sobre o pulso de Jesus, com um golpe certeiro de martelo o plantam e o rebatem sobre a madeira. Jesus deve ter contraído o rosto assustadoramente. O nervo mediano foi lesado. Pode-se imaginar aquilo que Jesus deve ter provado; uma dor lancinante, agudíssima, que se difundiu pelos dedos, e espalhou-se pelos ombros, atingindo o cérebro. A dor mais insuportável que um homem pode provar, ou seja, aquela produzida pela lesão dos grandes troncos nervosos: provoca uma síncope e faz perder a consciência. Em Jesus não. O nervo é destruído só em parte: a lesão do tronco nervoso permanece em contato com o prego: quando o corpo for suspenso na cruz, o nervo se esticará fortemente como uma corda de violino esticada sobre a cravelha. A cada solavanco, a cada movimento, vibrará despertando dores dilacerantes.

Um suplício que durará três horas. O carrasco e seu ajudante empunham a extremidade da trava; elevam Jesus, colocando-o primeiro sentado e depois em pé; consequentemente fazendo-o tombar para trás, o encostam-se à estaca vertical.
Depois rapidamente encaixam o braço horizontal da cruz sobre a estaca vertical. Os ombros da vítima esfregam dolorosamente sobre a madeira áspera. A ponta cortante da grande coroa de espinhos penetram o crânio.

A cabeça de Jesus inclina-se para frente, uma vez que o diâmetro da coroa o impede de apoiar-se na madeira. Cada vez que o mártir levanta a cabeça, recomeçam pontadas agudas de dor. Pregam-lhe os pés. Ao meio-dia Jesus tem sede. Não bebeu desde a tarde anterior. Seu corpo é uma máscara de sangue. A boca está semiaberta e o lábio inferior começa a pender. A garganta, seca, lhe queima, mas ele não pode engolir. Tem sede. Um soldado lhe estende sobre a ponta de uma vara, uma esponja embebida em bebida ácida, em uso entre os militares. Tudo aquilo é uma tortura atroz. Um estranho fenômeno se produz no corpo de Jesus. Os músculos dos braços se enrijecem em uma contração que vai se acentuando: os deltóides, os bíceps esticados e levantados, os dedos, se curvam. É como acontece a alguém ferido de tétano. A isto que os médicos chamam tetania, quando os sintomas se generalizam: os músculos do abdômen se enrijecem em ondas imóveis, em seguida aqueles entre as costelas, os do pescoço, e os respiratórios. A respiração se faz, pouco a pouco mais curta. O ar entra com um sibilo, mas não consegue mais sair. Jesus respira com o ápice dos pulmões. Tem sede de ar: como um asmático em plena crise, seu rosto pálido pouco a pouco se torna vermelho, depois se transforma num violeta purpúreo e enfim em cianítico. Jesus é envolvido pela asfixia.

Os pulmões cheios de ar não podem mais se esvaziar. A fronte está impregnada de suor, os olhos saem fora de órbita.Mas o que acontece? Lentamente com um esforço sobre-humano, Jesus toma um ponto de apoio sobre o prego dos pés. Esforça-se a pequenos golpes, se eleva aliviando a tração dos braços. Os músculos do tórax se distendem. A respiração torna-se mais ampla e profunda, os pulmões se esvaziam e o rosto recupera a palidez inicial. Por que este esforço? Porque Jesus quer falar: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”. Logo em seguida o corpo começa afrouxar-se de novo, e a asfixia recomeça. Foram transmitidas sete frases pronunciadas por ele na cruz: cada vez que quer falar, deverá levar-se tendo como apoio o prego dos pés. Inimaginável! Atraídas pelo sangue que ainda escorre e pelo coagulado, enxames de moscas zunem ao redor do seu corpo, mas ele não pode enxotá-las. Pouco depois o céu escurece, o sol se esconde: de repente a temperatura diminui. Logo serão três da tarde, depois de uma tortura que dura três horas.

Todas as suas dores, a sede, as câimbras, a asfixia, o latejar dos nervos medianos, lhe arrancam um lamento: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?”. Jesus grita: “Tudo está consumado!”. Em seguida num grande brado diz: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. E morre. Em meu lugar e no seu.”

Dr. Barbet, médico francês.

Fonte: http://www.padrerodrigomaria.com.br

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz