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A história milagrosa de como morreu o último apóstolo de Cristo

Dos 12 apóstolos chamados por Jesus, 10 deles morreram como mártires. Judas, o traidor, tirou a própria vida. Mas o último apóstolo a morrer, João, encontrou um destino muito diferente. Vivendo quase até o final do século I, ele morreu de causas naturais – e foi por causa de um milagre surpreendente.

A tradição diz que João foi o autor do último livro do Novo Testamento, Apocalipse, como também três cartas e o Evangelho que tem seu nome. Neste último, ele é descrito como “o discípulo que Jesus amava” e é recebe de Jesus na cruz a missão de cuidar da Virgem Maria. Acredita-se que ele tenha sido o mais jovem dos apóstolos. Isso explica parcialmente porque os estudiosos pensam que ele viveu um longo caminho até chegar aos 95 anos.

Mas se Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, Tomé foi morto por lança, Judas Tadeu com flechadas (apenas para enumerar como alguns dos Apóstolos morreram) – como João escapou de um destino semelhante por tanto tempo?

A resposta: as autoridades tentaram matar João de uma maneira horrível, mas Deus não deixou.

A história conta que, após a Assunção da Bem Aventura Virgem Maria, João foi preso pelas autoridades e levado para Roma, onde foi condenado à morte.

O método de execução prescrito? Sendo mergulhado em óleo quente fervente na frente de uma multidão de espectadores no Coliseu.

O fogo foi aceso embaixo da panela, o óleo estava fervendo, e João foi trazido para fora. Guardas o apanharam e então forçosamente o mergulharam no líquido escaldante.

Foi quando algo incrível aconteceu. Em vez de ver um homem ser brutalmente fervido até a morte, a multidão testemunhou um milagre: João ficou no óleo completamente ileso!

Algumas versões da história dizem que muitos ou mesmo todos os espectadores se converteram por causa do que viram. O governante romano, furioso e envergonhado por não poder matar João , decidiu, em vez disso, bani-lo para a pequena ilha grega de Patmos.

Mas Deus redimiu até mesmo o desterro de João: foi lá em Patmos que recebeu a visão que transcreveu no livro do Apocalipse.

Em algum momento, João foi capaz de deixar Patmos e viajar de volta para Éfeso, onde morreu de causas naturais. Dado tudo o que tinha acontecido, viver quase cem anos foi realmente algo milagroso.


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Pio XII apoiou planos para derrubar o regime nazista, revela novo livro

O apoio secreto do Papa Pio XII a tentativas de derrocar o ditador nazista Adolf Hitler é o tema de um novo livro, que aborda documentos de guerra e entrevistas com o agente de inteligência americana que os escreveu. O título do livro (tradução livre) é “A Igreja dos Espiões: A guerra secreta do Papa contra Hitler”, do historiador Mark Riebling.

“Este livro é a verdade –o melhor que pude expô-la após vários anos de investigação– sobre as operações secretas do Papa na Segunda guerra mundial”.

A principal premissa do livro, explicou Riebling, “é que Pio decidiu resistir a Hitler com uma ação encoberta em vez de protestar abertamente. Como resultado, envolveu-se em três diferentes complôs dos dissidentes alemães para eliminar Hitler”.

“Pensei que esta ideia –que a Igreja esteja envolvida em operações secretas durante os anos mais sangrentos da história, na parte mais controvertida de sua história recente– não era só uma nota ao pé de página, era algo que valia a pena investigar”, disse.

No final da década de 1990, o debate sobre Pio XII e se ele fez o suficiente para combater os nazistas alcançou o ponto mais alto com a publicação do livro profundamente controvertido chamado “O Papa de Hitler”, do jornalista britânico John Cornwell.

Esse texto foi muito crítico com Pio XII, acusando-o de sustentar um silêncio culpado –ou até mesmo cúmplice– durante o auge do nazismo, quando na verdade ajudou a salvar a mais de 800 mil judeus neste período.

“Até os maiores críticos da Igreja na época nazista, ao menos os principais deles, admitem que Pio XII odiava Hitler e trabalhou secretamente para derrocá-lo”, disse Riebling. Durante sua investigação para um livro prévio, sobre a “guerra secreta entre o FBI e a CIA”, o historiador descobriu documentos de guerra que relacionavam o Papa Pio XII com tentativas de derrocar Hitler.

“Havia ao menos dez documentos implicando Pio XII e seus conselheiros mais próximos em não só um, mas três complôs para eliminar a Hitler –que se estendem de 1939 até 1944.

De acordo com Riebling, seu livro não denuncia que o Papa “tentou matar Hitler”. As ações do Papa foram mais sutis.

“Pio se converte em uma peça chave nas conspirações para eliminar um governante que é uma sorte de anticristo, porque as boas pessoas pedem sua ajuda, e ele procura em sua consciência, e aceita converter-se em um intermediário para os conspiradores –um tipo de agente estrangeiro–, e portanto se converte em um cúmplice de seus complôs”.

Pio XII teve conexões com três complôs contra Hitler. O primeiro, de outubro de 1939 a maio de 1940, envolveu a conspiradores militares alemães. De fins de 1941 à a primavera de 1943, uma série de complôs que envolveram a jesuítas alemães culminaram em uma bomba plantada no avião de Hitler que não explodiu.

O terceiro complô envolveu jesuítas alemães e também o coronel militar alemão Claus von Stauffenberg. Embora o coronel tenha colocado com sucesso uma bomba perto do ditador nazista, não conseguiu matar Hitler. Os sacerdotes tiveram que escapar depois do atentado fracassado.

Em um ponto, Hitler planejou invadir o Vaticano, sequestrar ao Papa e levá-lo a Alemanha. O líder nazista Heinrich Himmler “queria realizar uma execução pública do Santo Padre para a inauguração de um novo estádio de futebol”, disse Riebling.

“Pio se deu conta destes planos, através de seus agentes papais secretos; e, em minha opinião, isso influenciou a decisão do Santo Padre de envolver-se com a resistência anti-nazista”.

“Sabendo o que sei sobre Pio XII, e havendo-o investigado durante muitos anos, acredito que ele queria ser santo. Queria que o povo da Alemanha fosse santo”, acrescentou.

“Quando ele escutava que um sacerdote foi detido por rezar pelos judeus e enviado a um campo de concentração, dizia ‘quisera que todos fizessem o mesmo”. Esta frase, jamais foi dita em público, reconheceu o historiador, mas deixou por escrito em uma carta secreta aos bispos alemães.

Fonte: ACI Digital 

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

A posição da Igreja sobre o Capitalismo e o Socialismo por Papa Pio XI.

Com frequência os católicos perguntam-se qual a posição da Igreja frente ao capitalismo e ao socialismo. Uma vez que as respostas costumam ser diferentes entre si e até confusas, resolvi elaborar este pequeno artigo explicando e resumindo o ensinamento da doutrina social da Igreja sobre o assunto.

Papa Pio XI
O sistema capitalista
Primeiramente, é necessário definir o que é o capitalismo e o socialismo. Vamos começar pelo capitalismo. Na doutrina social da Igreja, capitalismo é “aquele sistema econômico no qual o trabalho e o capital conjuntamente necessários para a produção são providenciados por pessoas diferentes”. A definição encontra-se na encíclica Quadragesimo Anno (1931) do Papa Pio XI. Significa dizer que este sistema caracteriza-se por uma relação em que, de um lado, há os empregados – que contribuem com seu trabalho em troca de um salário – e, de outro, os capitalistas – que são os donos do empreendimento ou negócio.
Empregados e capitalistas não são definidos, dessa forma, por serem uns pobres e outros ricos. Um gerente numa empresa, por exemplo, pode receber um salário alto e viver confortavelmente; assim como um pequeno empreendedor pode ter uma margem de lucro baixa e enfrentar problemas econômicos. O que define os dois grupos é a relação entre eles: um é dono do capital e fica com os lucros do empreendimento, enquanto o outro vende seu trabalho.
A primeira pergunta, então, é: existe algo de errado com este arranjo?  A resposta de Pio XI é categórica: o capitalismo não é, em si mesmo, condenável. Ele ensina:

Foi esta espécie de economia que Leão XIII procurou com todas as veras regular segundo as normas da justiça; donde se segue que de per si não é condenável.

O capitalismo torna-se condenável, segundo Pio XI, somente quando viola normas de justiça, ou seja, quando os trabalhadores tem seus direitos violados, desprezando-se a dignidade humana e a função social da economia.

Na mesma linha é o ensinamento do Papa João Paulo II na encíclica Centesimus Annus (1991). Perguntando-se se devemos propor o capitalismo como modelo aos países “que procuram a estrada do verdadeiro progresso econômico e civil”, ele responde desta forma:

A resposta apresenta-se obviamente complexa. Se por «capitalismo» se indica um sistema econômico que reconhece o papel fundamental e positivo da empresa, do mercado, da propriedade privada e da consequente responsabilidade pelos meios de produção, da livre criatividade humana no sector da economia, a resposta é certamente positiva, embora talvez fosse mais apropriado falar de «economia de empresa», ou de «economia de mercado», ou simplesmente de «economia livre». Mas se por «capitalismo» se entende um sistema onde a liberdade no sector da economia não está enquadrada num sólido contexto jurídico que a coloque ao serviço da liberdade humana integral e a considere como uma particular dimensão desta liberdade, cujo centro seja ético e religioso, então a resposta é sem dúvida negativa.

“Economia de empresa”, “economia de mercado” ou “economia livre”, portanto, são termos que designam um modelo aceitável e legítimo para a doutrina social da Igreja. Na mesma encíclica, o Papa reconhece que “o livre mercado parece ser o instrumento mais eficaz para dinamizar os recursos e corresponder eficazmente às necessidades”.

Mas João Paulo II também alerta: a Igreja não tem modelos a propor. Não defende o capitalismo. Tal como tem sido praticado, o capitalismo possui muitos elementos negativos. Falaremos mais disto no final do artigo.

O sistema socialista

Foi visto que a Igreja vê o capitalismo como, em si (desde que limitado por uma ordem justa), legítimo. O mesmo não pode ser dito do socialismo. Este consiste na pregação de uma luta de classes (dos trabalhadores contra os capitalistas) e na abolição da propriedade privada. Seu objetivo é, segundo Friedrich Engels, “concentrar cada vez mais nas mãos do Estado todo o capital, toda a agricultura, toda a indústria, todo o transporte, toda a troca” (Princípios do Comunismo). Desse modo, o Estado poderia distribuir de forma mais justa os bens e serviços.

Sobre a luta de classes, Leão XIII ensina (Rerum Novarum, 9):

O erro capital na questão presente é crer que as duas classes são inimigas natas uma da outra, como se a natureza tivesse armado os ricos e os pobres para se combaterem mutuamente num duelo obstinado. Isto é uma aberração tal, que é necessário colocar a verdade numa doutrina contrariamente oposta […]. Na sociedade, as duas classes estão destinadas pela natureza a unirem-se harmoniosamente e a conservarem-se mutuamente em perfeito equilíbrio. Elas têm imperiosa necessidade uma da outra: não pode haver capital sem trabalho, nem trabalho sem capital.

Em suma: não luta, mas concórdia de classes.

A Igreja reconhece o direito à propriedade, inclusive sobre os meios de produção. Na realidade, o ideal da Igreja é que haja o maior número possível de proprietários na sociedade. Diz Leão XIII: “A lei, portanto, deve favorecer a propriedade, e de modo tal que cresça tanto quanto possível o número de proprietários” (Rerum Novarum, n. 28). Em outras palavras, é preciso combater a concentração das riquezas, seja nas mãos de capitalistas ou de burocratas.

E em sua encíclica Quadragesimo Anno, o Papa Pio XI ensina de forma categórica:

[O socialismo] funda-se numa própria concepção da sociedade humana, diametralmente oposta à verdadeira doutrina católica. Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista.

Mas ele também nota que, já no seu tempo, os socialistas estavam dividindo-se em dois grupos: os socialistas revolucionários e os moderados (ou reformistas). Sobre este segundo grupo, Pio XI lamenta que “em geral não renegam a luta de classes nem a abolição da propriedade, apenas as mitigam”. O Papa também diz:

Quem quer ser apóstolo entre os socialistas, é preciso que professe franca e lealmente toda a verdade cristã, e que de nenhum modo feche os olhos ao erro. Esforcem-se antes, se querem ser verdadeiros arautos do Evangelho, por mostrar aos socialistas, que as suas reclamações, na parte que tem de justas, se defendem muito mais vigorosamente com os princípios da fé e se promovem muito mais eficazmente com as forças da caridade.

Nem todas as reivindicações dos socialistas são injustas. Só para citar um exemplo, Pio XI reconhece que “certos gêneros de bens sejam reservados ao Estado, quando o poderio que trazem consigo é tal, que, sem perigo do mesmo Estado, não pode deixar-se em mãos dos particulares”. Também ensina que a livre concorrência deve estar “contida dentro de justos e razoáveis limites” e “mais ainda o poderio econômico deve estar efetivamente sujeito à autoridade pública, em tudo o que é da sua alçada”. Estes e outros pontos importantes são reforçados e explicados em todas as encíclicas citadas.

Vale lembrar que, quando se trata do socialismo materialista e ateu, Pio XI diz que “é intrinsecamente perverso e não se pode admitir em campo nenhum a colaboração com ele, da parte de quem quer que deseje salvar a civilização cristã” (Divinis Redemptoris).

A questão principal

A grande questão em torno dos diversos sistemas econômicos, para a Igreja, não é simplesmente material. Em sua obra Comunismo e a Consciência do Ocidente, o Arcebispo Fulton Sheen diz:

A Igreja concorda com alguns dos protestos do comunismo. De fato, existe uma crítica bem melhor da ordem econômica existente… nas duas encíclicas de Leão XIII e Pio XI do que em todos os escritos de Marx. Mas as reformas do comunismo estão erradas, porque são inspiradas nos próprios erros que combatem. O comunismo começa com o erro liberal e capitalista de que o homem é econômico e, em vez de corrigir isto, meramente o intensifica até que o homem torna-se um robô em uma vasta máquina econômica. Eles [liberais e comunistas] concordam na base materialista da civilização; eles discordam apenas sobre quem deve controlar essa base, os capitalistas ou os burocratas.

Isto quer dizer que a proposta da Igreja transcende os erros do liberalismo e do socialismo materialista. Em primeiro lugar, é preciso reconhecer que o homem não é puramente econômico e a salvação da civilização não está na economia. Conforme João Paulo II ensina:

É na resposta ao apelo de Deus… que o homem toma consciência da sua dignidade transcendente. Cada homem deve dar esta resposta, na qual se encontra o clímax da sua humanidade, e nenhum mecanismo social ou sujeito colectivo o pode substituir. A negação de Deus priva a pessoa do seu fundamento e consequentemente induz a reorganizar a ordem social, prescindido da dignidade e responsabilidade da pessoa.

(…)

[A Igreja] opõe-se à colectivização pelo Estado dos meios de produção, que reduziria cada cidadão a uma «peça» na engrenagem da máquina do Estado. Igualmente critica uma concepção do Estado que deixe totalmente a esfera da economia fora do seu campo de interesse e de acção.

O que a Igreja ensina é, em primeiro lugar, que a sociedade deve organizar-se reconhecendo o Criador e a importância da família.  Além disso, fornece direções essenciais para uma economia justa. Mas essas direções não cabem todas neste artigo, por isso recomendo a leitura integral das encíclicas.

Por fim, alguns importantes intelectuais católicos propõem um terceiro sistema – nem capitalista, nem socialista – como uma alternativa que melhor encaixa-se na doutrina social da Igreja: o distributismo.

Estes são os principais documentos da Igreja sobre questões econômicas e sociais:

Rerum Novarum de Leão XIII, sobre a condição dos operários (1891).

Quadragesimo Anno de Pio XI, sobre a restauração e aperfeiçoamento da ordem social em conformidade com a lei evangélica (1931).

Divinis Redemptoris de Pio XI, sobre o comunismo ateu (1937).

Centesimus Annus de João Paulo II (1991).


O Tempo das Catacumbas

As catacumbas são cemitérios gigantescos, subterrâneos, onde gerações de cristãos enterraram seus mortos. As mais importantes estão em Roma, mas as encon
tramos também em Nápoles, Siracusa, na África, Egito e Ásia Menor. As mais antigas de Roma são as grutas vaticanas, do século I, Comodila, Domitila, Giovani, Panfilo, São Sebastião, Santa Priscila, Santa Domitila, Santos Marcelino e Pedro, Santa Sabrina e São Calisto. Os cristãos preferiam sepultar os seus mortos ao invés de incinerá-los como faziam os romanos, pois a tradição bíblica nunca falou em cremação, embora esta seja hoje permitida pela Igreja, desde que não seja para desafiar a fé na ressurreição (cf. CIC §2301).

Para livrar-se da perseguição os cristãos haviam convertido as catacumbas em intrincados labirintos. Mas este recurso não lhes salvou do ódio dos pagãos, encurralando-os e matando-os como se fossem bestas ferozes. De modo especial isso ocorreu no século III.catacumbaas

Flávia Domitila, sobrinha do imperador Vespasiano (69-79), convertida, entregou o terreno de uma de suas casas de campo para a sepultura dos seus parentes cristãos e demais fiéis. A lei romana considerava sagrado o lugar de um cemitério. Esses cemitérios cristãos cresceram tanto que tinham um administrador. No ano 217 um desses se tornou o Papa Calisto I (217-223), cujo nome ficou ligado a uma dessas regiões. Essa Roma subterrânea é imensa; algumas delas têm cinco andares e a mais profunda chega a 25 metros abaixo da superfície. O total de seu comprimento é algo em torno de mil quilômetros. A de Santa Sabrina, que não é a mais extensa, tinha 16.500 metros quadrados de superfície e 1600 metros de comprimento, com 7736 túmulos (Rops, Vol. I, p. 200).

Os cadáveres se depositavam em nichos construídos nas paredes dos corredores, alguns tão estreitos que só permitiam passar uma pessoa. Mas existiam lugares onde se alargavam formando pequenas criptas e ali se celebrava a Santa Missa. Ali, na escuridão daqueles lugares, esperava a Igreja, orando e sofrendo com paciência, que chegasse a hora de brilhar a luz do sol.

Nelas se encontram muitas figuras religiosas pintadas, o que mostra que os primeiros cristãos nunca rejeitaram as imagens. Encontramos a mais antiga imagem da Virgem Maria nas catacumbas de Priscila, em Roma. Pode-se ver claramente a representação do mistério central da nossa fé, a Encarnação: “Ali se vê a figura de um homem que aponta para uma estrela, situada acima da Virgem com o Menino, um profeta, provavelmente Balaão a anunciar que um astro procedente de Jacó se torna chefe” (Nm 24,17) (Catecismo da Igreja, Ed. Loyola, pp. 19-20).

Pode-se conhecer muito da história do Cristianismo nascente pela imensa quantidade de documentos arqueológicos encontrados nas catacumbas: diversos textos, cartas de bispos e santos, obras místicas, etc., que podem ser vistos no livro de Fabrizio Mancinelli.

De 117 a 138, reinou Adriano, que construiu o seu famoso mausoléu, hoje chamado de Castelo de Sant´Angelo próximo do Vaticano. A princípio Adriano mostrou certa tolerância com os cristãos, até que em 133 os romanos travaram três anos de guerra contra os judeus na Terra Santa e Adriano mandou profanar ali os lugares sagrados, tanto dos judeus como dos cristãos, sem que estes tivessem participado das revoltas contra o Império. Ele implantou o paganismo na Terra Santa e construiu sobre os lugares santos do Cristianismo, templos aos deuses romanos. A Palestina foi transformada na província romana Aelia Capitolina e a entrada em Jerusalém foi proibida a judeus e cristãos. O templo de Salomão foi transformado em templo de Júpiter; o Gólgota (Calvário) foi todo coberto para desaparecer, e sobre o túmulo de Jesus foi construído um templo a Vênus. Isto fez com que Santa Helena, no século IV, pudesse encontrar exatamente os lugares sagrados. Do mal Deus sabe preparar o bem.

Infelizmente os cristãos foram erroneamente identificados com os judeus, piores inimigos dos romanos; e a perseguição recomeçou, com muitos mártires. Em sua perseguição morreram os Papas Sisto I (115-125) e Telésforo (125-136).

De 138 a 161 reinou Antonino Pio e a perseguição continuou. O Liber Pontificalis e o Martirológio Romano afirmam que o Papa Santo Higino (136-140) sofreu o martírio no dia 11 de janeiro de 140 durante esta perseguição e foi sepultado junto ao corpo de São Pedro no Vaticano. O Martirológio diz ainda que foram mártires sete filhos da senhora Felicidade:

“Em Roma [festeja-se] a paixão dos santos sete irmãos mártires, isto é Januário, Félix, Filipe, Silvano, Alexandre, Vidal e Marcial no tempo do imperador Antonino, quando era prefeito da cidade Públio. Entre esses, Januário, após ter sido açoitado com varas e padecido no cárcere, foi morto com flagelos chumbados; Félix e Filipe foram mortos a cacete, Silvano foi jogado num precipício; Alexandre, Vidal e Marcial foram punidos com sentença capital” (Sgarbossa, 1996, p. 216).

De 161 a 180 reinou o filósofo estoico Marco Aurélio, que perseguiu os cristãos; foram martirizados São Justino (†165) o senador Apolônio, os Papas Aniceto (155-166), Sotero (166-175) e São Policarpo de Esmirna, que foi discípulo de São João em Éfeso. Em 172 o bispo Melitão de Sardes, na Lídia, escreveu uma Apologia a Marco Aurélio, mostrando que um bom entendimento entre o Estado e a Igreja seria bom para ambos. Também, em 177, Atenágoras de Atenas escreveu ao mesmo imperador e a seu filho Cômodo a respeito dos cristãos.

No ano de 177 um furor popular anticristão estourou em Lião, na Gália, em uma festa. Cerca de cinquenta cristãos, depois de torturados foram jogados às feras por serem “ateus”; não cultuavam os deuses. Em 180 seis cristãos de Cílio, no norte da África foram condenados à morte pelo procônsul Saturnino. O relato deste martírio é o primeiro texto cristão em língua latina.

De 180 a 192, reinou Cômodo, filho de Marco Aurélio; houve também mártires. No entanto, uma das mulheres de Cômodo, Márcia, tinha simpatia pelo Cristianismo e conseguiu que seu esposo diminuísse a perseguição aos cristãos. Muitos cristãos foram livres do exílio, da prisão e trabalhos forçados que estavam sofrendo. Embora o Cristianismo tenha sido considerado ilegal, a perseguição diminuiu e a Igreja pôde descansar durante um tempo. Mas a perseguição voltaria pesada no século III.

De 193 a 211, reinou Septímio Severo, que baixou um decreto contra os cristãos e judeus, e proibiu as conversões ao Cristianismo. Foram martirizados: Santa Perpétua e Santa Felicidade, em Cartago; Clemente de Alexandria e os Papas Vitor I (189-199) e Zeferino (199-217).

Tertuliano (†220) em 197, escreveu o seu Apologeticum aos governantes do Império, onde ataca as violações do direito nos processos contra os cristãos: falta de advogado, torturas usadas, condenação apenas por causa do nome de cristãos, enquanto os filósofos pagãos podiam negar impunemente a existência dos deuses. Ele escreveu que: “Pendemos da cruz, somos devorados pelas chamas, a espada abre nossas gargantas e as bestas ferozes se lançam contra nós” (Apologeticum 31; cf. 12,50). E fazia esta observação aos pagãos, falando dos cristãos: “Vede como se amam mutuamente e como estão prontos a morrer um pelo outro!” (Idem 39). São Justino (†165), escreveu:

“Cortam-nos a cabeça, crucificam-nos, expõem-nos às feras, atormentam-nos com cadeias, com o fogo, com os suplícios mais terríveis” (Diálogo com Trifão 110, p. 278).

Clemente de Alexandria (†215), escreveu:

“Diariamente vemos com os nossos olhos correr torrentes de sangue de mártires queimados vivos, crucificados ou decapitados” (Stromata II).

Em Roma, a morte dos condenados era para o povo um espetáculo. Dizia o poeta Prudêncio que “a dor de alguns é o prazer de todos” (Contra symmachum II, 11,26).

O Cristianismo era perseguido também pelos escritores pagãos como Celso, platônico, que no ano 178 atacava a fé cristã em suas obras; foi refutado por Orígenes em 245.

FONTE: História da Igreja – Idade Antiga / Escrito por Prof. Felipe Aquino / Cação Nova

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz


 

“A Missa é ação trinitária, não humana”

Não é estranho que muitos cristãos – pausados e até solenes na vida social (não têm pressa), nas suas pouco ativas atuações profissionais, à mesa e no descanso (também não têm pressa) – se sintam apressados e apressem o Sacerdote na sua ânsia de encurtar, de abreviar o tempo dedicado ao Santíssimo Sacrifício do Altar? (Caminho, 530)

A Missa – insisto – é ação divina, trinitária, não humana. O sacerdote que celebra está a serviço dos desígnios do Senhor, emprestando-lhe seu corpo e sua voz. Não atua, porém, em nome próprio, mas in persona et in nomine Christi, na Pessoa de Cristo e em nome de Cristo.


O amor da Trindade pelos homens faz com que, da presença de Cristo na Eucaristia, nasçam para a Igreja e para a humanidade todas as graças. Este é o sacrifício profetizado por Malaquias: Desde o nascer do sol até o ocaso, é grande meu nome entre os povos; e em todo o lugar se oferece ao meu nome um sacrifício fumegante e uma oblação pura. É o Sacrifício de Cristo, oferecido ao Pai com a cooperação do Espírito Santo: oblação de valor infinito, que eterniza em nós a Redenção que os sacrifícios da Antiga Lei não podiam alcançar. (É Cristo que passa, 86)

Fonte: Paraclitos 


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Os Apóstolos Pedro e Paulo e a Propagação da Igreja

O Apóstolo São Pedro

Sabe-se que São Pedro foi por Jesus constituído fundamento visível da Igreja (cf. Mt 16,16-19; Jo 21,15-17). Os Atos dos Apóstolos mostram como este Apóstolo tomava a dianteira logo nos primeiros tempos da Igreja: no dia de Pentecostes (At 2,14-40), no pórtico de Salomão (At 3,12-26), diante do tribunal judeu (At 4,8-12), no caso de Ananias e Safira (At 5,1-11), ao receber o primeiro pagão, Cornélio, na Igreja (At 10,1-48), ao pregar na Samaria (At 9,32-43). No ano de 42, é aprisionado em Jerusalém e, uma vez solto, “retira-se para outro lugar” (At 12,17). Para onde terá ido? – Uma tradição em voga do século IV em diante refere que Pedro morou 25 anos em Roma, ou seja, de 42 a 67.

Quem a aceita, dirá que Pedro passou logo de Jerusalém para Roma. Acontece, porém, que Pedro é tido como fundador da sé episcopal de Antioquia na Síria; é certo que esteve presente ao concílio de Jerusalém em 49 (cf. At 15,7-11); pouco depois estava em Antioquia (cf. Gl 2,11-14). Estes dados levam a dizer que, se Pedro passou para Roma em 42, não permaneceu ininterruptamente nesta cidade.

É certo, porém, que S. Pedro pregou em Roma, exercendo a plenitude dos poderes apostólicos, e ali sofreu o martírio, provavelmente crucificado de cabeça para baixo no ano de 67. Esta tese está bem documentada pela tradição, como se depreende dos seguintes testemunhos:

Em 1Pd 5,13, o autor (S. Pedro) fala em nome dos cristãos da Babilônia, onde reside. Ora Babilônia é a Roma pagã do séc. I d.C. (cf.Ap 18,2)

S. Clemente de Roma, por volta de 96, em sua carta aos Coríntios, refere-se a Pedro e Paulo, que lutaram até a morte e deram testemunho diante dos poderosos; supõe que ambos tenham morrido em Roma (cf. cc. 5-6).

S. Inácio de Antioquia (? 107) escreve aos romanos nestes termos: “Eu não vos ordeno como Pedro e Paulo”. Visto que não existe carta de Pedro aos romanos, admite-se o relacionamento oral de Pedro com a comunidade.

Clemente de Alexandria (? 215) narra que S. Marcos, intérprete de Pedro, redigiu por escrito a pregação de Pedro a pedido de seus ouvintes romanos (cf. Eusébio, História Eclesiástica II 15; VI 14).

S. Irineu de Lião, por volta de 180-190, atribui a fundação da comunidade de Roma aos apóstolos Pedro e Paulo e apresenta um catálogo dos bispos de Roma desde Pedro até sua época (Contra as heresias  II 3,2-3). Em consequência, afirma que, para guardar a autêntica tradição apostólica, é preciso concordar com a doutrina da Igreja de Roma.

O presbítero romano Gaio, por cerca de 200, atesta que, ainda nos seus tempos, se podiam mostrar em Roma os troféus (tropaia), isto é, os túmulos dos dois Apóstolos: o de Pedro na colina do Vaticano, e o de Paulo na via Ostiense (Eusébio, II 25)

As escavações realizadas debaixo da basílica de S. Pedro confirmaram, em nosso século, tal tradição. Com efeito: verificou-se que a basílica foi construída pelo imperador Constantino em 324 por cima de um cemitério e sobre um terreno que corria em declínio de 11m de altura de Norte a Sul; isto exigiu a colocação de uma laje  sustentada por pilastras de 5m, 7m e 9m de altura, a fim se estabelecerem sobre tal laje os fundamentos do edifício, Ora uma construção em tais condições só pode ser explicada pelo fato de que Constantino e os cristãos tinham a certeza de estar construindo sobre o túmulo de São Pedro. Ademais os arqueólogos encontraram na camada mais profunda das escavações ossos de quase metade de um indivíduo só, robusto, de uns 60-70 anos de idade, muito mais provavelmente homem do que mulher; inscrições em grafito postas nas proximidades rezavam: “Pedro está aqui” ou “Salve, Apóstolo” ou “Cristo Pedro”.

 

Em 258 o Imperador Valeriano, perseguindo os cristãos, proibiu que estes se reunissem nos seus cemitérios dentro da cidade de Roma para celebrar a memória dos mártires. Em consequência, os cristãos levaram as relíquias de São Pedro para as catacumbas de São Sebastião na Via Ápia, e, uma vez passada a era das perseguições, as trouxeram de volta ao Vaticano.

O Apóstolo São Paulo

A São Paulo tocou um papel de importância enorme na história do Cristianismo nascente.

Judeu da Diáspora ou de Tarso (Cilícia), recebeu a cultura helênica vigente na sua pátria; aos 15 anos de idade foi enviado para Jerusalém, onde foi iniciado por Gamaliel nas Sagradas Escrituras e nas tradições rabínicas. Era autêntico fariseu, quando Cristo o chamou a trabalhar em prol de Evangelho por volta de ano 33 (cf. At 9, 19).

Realizou três grandes viagens missionárias em terras pagãs, fundando várias comunidades cristãs na Ásia Menor e na Grécia. São Paulo não impunha aos pagãos nem a circuncisão nem as obrigações da Lei de Moisés, mas concedia-lhes logo o Batismo depois de evangelizados. Ora isto causou sérias apreensões a uma facção de judeo-cristãos chamados “judaizantes”; queriam que os gentios abraçassem a Lei de Moisés e o Evangelho, como se este não bastasse. Levantaram, pois, certa celeuma contra Paulo.

A fim de resolver a questão, os Apóstolos que estavam em Jerusalém, se reuniram com Paulo e alguns discípulos no ano de 49, como refere S. Lucas em At 15: a assembleia houve por bem não impor aos gentios a Lei de Moisés, mas pediu que em Antioquia, na Síria e na Cilícia os étnico-cristãos1 observassem quatro cláusulas destinadas a garantir a paz das respectivas comunidades (que contavam numerosos judeo-cristãos): abster-se de carnes imoladas aos ídolos (idolotitos), de sangue, de carnes sufocadas (cujo sangue não tivesse sido eliminado) e de uniões ilegítimas. Essas cláusulas tinham caráter provisório, e visavam a não ferir a consciência dos judeo-cristãos2, que tinham horror aos ídolos, ao consumo de sangue e à fornicação.

Estava assim teoricamente resolvida a problemática levantada pelos judaizantes; na prática, porém, estes não se tranquilizaram e procuraram destruir a obra apostólica de S. Paulo, caluniando-o como impostor e oportunista; Paulo, diziam, queria facilitar o acesso dos pagãos ao Cristianismo para ganhar a simpatia dos mesmos, já que não tinha a autoridade dos outros Apóstolos; não acompanhara o Senhor Jesus, mas era discípulo dos Apóstolos; alegavam também que, se Paulo queria viver do trabalho de suas mãos e não da obra de evangelização (cf. 1Cor 9,15-18; 1Ts 2,9), ele o fazia por saber que não era Apóstolo como os demais e não tinha o direito de ser sustentado pelas comunidades dos fiéis. São Paulo sofreu horrivelmente por causa dessas falsas acusações (cf. 2Cor 11,21-32), mas não se abateu, pregando intrepidamente a liberdade dos cristãos frente à Lei de Moisés. E por que tanto insistiu nisto?

Eis a resposta paulina: Deus chamou Abraão gratuitamente ou sem méritos de Abraão, e prometeu-lhe a bênção do Messias; Abraão acreditou nesta Palavra do Senhor, e tornou-se justo ou amigo de Deus por causa da sua fé; é certo, porém, que esta fé não foi inerte, mas traduziu-se em obediência incondicional a todas as ordens do Senhor.

Ora o modelo de Abraão é válido para todos os homens, anteriores e posteriores a Cristo; ninguém é justificado ou feito amigo de Deus porque o mereça, mas porque Deus tem a iniciativa de perdoar os pecados de sua criatura; esta acredita no perdão de Deus e exprime sua fé em obras boas. – Sobre este pano de fundo a Lei de Moisés foi dada ao povo de Israel a título provisório e pedagógico: ela propunha preceitos santos, que o israelita não conseguia cumprir, vítima da desordem de pecado existente dentro de todo homem; assim a Lei tinha o papel de mostrar à criatura que ela por si só é incapaz de praticar o bem e de fazer obras meritórias; ela precisa da graça de Deus,… graça que o Messias devia trazer; desta maneira (dura e paradoxal) a Lei preparava Israel para receber o Salvador: aguçava a consciência do pecado, tirava qualquer ilusão de auto-suficiência e provocava o desejo do dom gratuito de Deus prometido a Abraão.

A intuição desta verdade ou do grande desígnio de Deus na história da salvação se deve ao gênio de São Paulo, que assim evitou que o Cristianismo se tornasse uma seita judaica, filiada à Lei de Moisés, e preservou a autenticidade cristã: a Lei de Moisés era um elemento meramente provisório e preparatório para Cristo.

Quanto ao fato de não querer viver do seu trabalho de evangelização, e de trabalhar com as mãos para ganhar seu pão, São Paulo o justificava, dizendo que evangelizar para ele não era meritório (como era meritório para os demais Apóstolos); Cristo o tinha de tal modo cativado que ele não podia deixar de pregar a Boa-Nova (“ai de mim, se eu não evangelizar!”, 1Cor 9,16); por isto devia fazer algo mais para oferecer ao Senhor Deus. – Ademais São Paulo fazia questão de dizer que não era discípulo dos Apóstolos, mas fora instruído e instituído diretamente por Deus (cf. Gl 1,1).

A expansão do Cristianismo nascente

Sem demora, a pregação do Evangelho ultrapassou os limites do país de Israel e entrou em território pagão.

Em Antioquia, capital da Síria, fundou-se uma comunidade muito próspera, que se tornou um centro de irradiação missionária para o mundo helenista. Foi lá que pela primeira vez os Galileus (At 1,11) ou Nazarenos (At 24,5) receberam o nome de cristãos (em grego, christianoi); cf. At 11,26.

Em Roma o Cristianismo deve ter-se originado por obra de judeus residentes naquela cidade que haviam peregrinado a Jerusalém por ocasião do primeiro Pentecostes cristão (cf. At 2,10); tendo abraçado a fé naquele dia, regressaram a Roma e lá transmitiram a Boa-Nova aos seus compatriotas da Diáspora. S. Pedro e S. Paulo devem ter encontrado a comunidade já estruturada quando chegaram a Roma. Tácito refere que Nero em 64 mandou executar uma multitudo ingens (enorme multidão) de cristãos.

O surto do Cristianismo na Gália é narrado através de histórias pouco seguras: os irmãos Lázaro, Marta e Maria terão ido para a Provença, e Lázaro haverá sido bispo de Marselha (cf. Lc 10, 38-42); Dionísio, convertido por S. Paulo no Areópago de Atenas (cf. At 17,34), terá sido o primeiro bispo de Paris… É certo, porém, que no século II havia comunidades  florescentes na Gália, fato testemunhado por S. Irineu, bispo de Lião (? 202).

Na Espanha é possível que tenha estado São Paulo, consoante o desejo alimentado pelo Apóstolo (cf. Rm 15,28). A notícia de que São Tiago Maior chegou à Espanha é pouco fidedigna, pois tal Apóstolo morreu no ano de 42 em Jerusalém (cf. At 12,3); só no século VII se encontram os primeiros testemunhos desta notícia.

Na Britânia (ou Inglaterra de hoje) supõe-se que o Cristianismo tenha penetrado por efeito do zelo missionário de cristãos da Ásia Menor. Tertuliano (? 222) falava da Britânia, que tinha “partes não penetradas pelos romanos, mas sujeitas a Cristo” (Adversus Judaeos 7).

Na Alemanha sabe-se que o Evangelho já tinha seguidores no séc.II, conforme S. Irineu (Adversus haereses I 10,2), mas não se pode dizer como se originou o Cristianismo naquele território.

A África norte-ocidental deve ter sido evangelizada por cristãos de Roma, visto que era grande o intercâmbio entre um continente e outro. No século III, Tertuliano podia dizer retoricamente que os cristãos constituíam a maioria das populações das cidades da região. Numerosas sedes episcopais (90) aí foram fundadas.

Quanto ao Egito, diz-se que São Marcos deu origem à sede episcopal de Alexandria – o que é duvidoso. É certo, porém, que toda a região foi rica em dioceses e colônias de monges nos séculos III/V.

Na Palestina a evangelização foi muito dificultada pelos judeus até 70. Neste ano os romanos venceram os israelitas rebeldes e os expulsaram da sua pátria. Em 130, o Imperador Adriano mandou reconstruir a cidade de Jerusalém arrasada em 70, dando-lhe o nome pagão de Aelia Capitolina, e dedicando o respectivo templo a Júpiter. O Calvário foi recoberto por um templo dedicado a Afrodite. Somente a partir do século III a comunidade étnico-cristã de Jerusalém começou a ter certa importância.

Na Índia, dizem escritos apócrifos que o Apóstolo São Tomé pregou o Evangelho, chegando até a costa de Malabar na parte sul-ocidental daquele país. Terá morrido como mártir sob o rei Misdai. Assim terão tido origem os cristãos de S. Tomé até hoje existentes. -Esta tradição não é inverosímil, pois havia intercâmbio comercial entre a Síria e a Índia. Todavia os melhores historiadores se mostram reservados. O Cristianismo talvez só tenha chegado à Índia no século III pela ação de viajantes persas e armenos.

Por Professor Felipe Aquino – Editora Cléofas


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Origem e Significado de Corpus Christi.

Corpus Christi a Festa do Corpo e Sangue de nosso senhor Jesus Cristo  .

A festa do Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV no dia 8 de Setembro de 1264.

A procissão de Corpus Christi lembra a caminhada do povo de Deus, peregrino, em busca da Terra Prometida. O Antigo Testamento diz que o povo peregrino foi alimentado com maná, no deserto. Com a instituição da eucaristia o povo é alimentado com o próprio corpo de Cristo.

Corpus Christi é uma festa  que tem por objetivo celebrar o mistério da eucaristia, o sacramento do corpo e do sangue de Jesus Cristo.

A festa de Corpus Christi acontece sempre 60 dias depois do Domingo de Páscoa ou na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade, em alusão à quinta-feira santa quando Jesus instituiu o sacramento da eucaristia.

Corpus Christi não é feriado nacional, tendo sido classificado pelo governo federal como ponto facultativo. Isso significa que a entidade patronal é que define se os funcionários trabalham ou não nesse dia, não sendo obrigados a dar-lhes o dia de folga.

Durante esta festa são celebradas missas festivas e as ruas são enfeitadas para a passagem da procissão onde é conduzido geralmente pelo Bispo, ou pelo pároco da Igreja, o Santíssimo Sacramento que é acompanhada por multidões de fiéis em cada cidade brasileira.

A tradição de enfeitar as ruas começou em Minas Gerais, como você caro leitor pode ver nas fotos abaixo da Cidade de Campanha-MG a  Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo do ano de 2014. A procissão pelas vias públicas, é uma recomendação do Código de Direito Canônico que determina ao Bispo Diocesano que tome as providências para que ocorra toda a celebração, para testemunhar a adoração e veneração para com a Santíssima Eucaristia.

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Dom Diamantino Prata de Carvalho, Bispo Diocesano de Campanha-MG / Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo Foto: Apóstolos Eucarísticos da Divina Misericórdia / Campanha – MG
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Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo – Foto: Apóstolos Eucarísticos da Divina Misericórdia / Campanha – MG
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Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo – Foto: Apóstolos Eucarísticos da Divina Misericórdia / Campanha – MG
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Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo – Foto: Apóstolos Eucarísticos da Divina Misericórdia / Campanha – MG

 

Eucaristia é o reconhecimento, ação de graças, em grego, é uma celebração da Igreja Católica, para lembrar da morte e ressurreição de Jesus Cristo, é também chamada de comunhão.

Para receber a eucaristia, é necessário fazer a catequese, que são encontros onde as pessoas aprendem sobre Deus, a Bíblia, uma reflexão sobre o catolicismo. Após a catequese, aí sim o indivíduo está preparado para fazer a primeira comunhão, que geralmente é feita com 7 anos de idade, o que não impede que outras pessoas se convertam ao catolicismo, e façam depois. A eucaristia é um dos sete sacramentos, que é quando as pessoas recebem a hóstia, o símbolo do corpo de Cristo em cada um que faz a comunhão.

A eucaristia é o próprio sacrifício do corpo e do sangue de Jesus, é o banquete de Deus, onde ele reparte o pão e o vinho, representado pela hóstia, e relembrando o momento que Jesus o fez, com seus apóstos, e cada indivíduo tem o direito de fazer a comunhão. Antes da comunhão, as pessoas têm que estar livres dos seus pecados, fazendo a confissão para um padre.

O significado da eucaristia é receber a hóstia como o corpo de Cristo que ele ofereceu na cruz, e o vinho é seu sangue derramado para remissão da humanidade. No catolicismo, a transubstanciação ocorre durante a eucaristia, ou seja, existe uma mudança de substância, e o pão se transforma no corpo de Cristo e o vinho no sangue de Cristo.

Em algumas religiões como o Protestantismo, a eucaristia é mais conhecida como Santa Ceia, onde as pessoas que acreditam em Jesus como Senhor e Salvador comem o pão e bebem o vinho para lembrar do sacrifício feito na cruz. É costume a Santa Ceia ser celebrada no primeiro domingo de cada mês.

Eucaristia na Bíblia

Segundo os textos no Novo Testamento, eucaristia é o rito cultual (sacramento e sacrifício) instituído por Jesus Cristo na última ceia no qual Ele mesmo se oferece a Deus e se comunga o Seu corpo e sangue em que se converteram substancialmente as espécies pão e vinho. Neste rito sacramental comemora-se a paixão e morte de Jesus.

No Novo Testamento este rito era realizado no contexto de uma refeição comunitária (ágape), mas cedo se converteu num rito independente unido à pregação do evangelho. A Eucaristia apresenta analogia com a refeição pascal dos Judeus, devido ao fato de a última ceia ter sido celebrada segundo o rito judaico da Páscoa.

A dupla afirmação “isto é o meu corpo” e “isto é o meu sangue” e a separação dos elementos da vida (corpo e sangue representados no pão e vinho) simbolizam e atualizam (de acordo com Marcos 14:24) a morte de Cristo como vítima: o corpo que é imolado e o sangue que é derramado, em clara referência ao sacrifício do Calvário.

Em Inácio de Antioquia (no ano 110), o rito recebe pela primeira vez o nome Eucaristia e afirma-se como o centro do culto que os cristãos praticam juntamente com a leitura de textos sagrados.

Por Equipe Portal Terra de Santa Cruz – a Fé Católica. (†).


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A profecia de Ratzinger – COMO SERÁ A IGREJA DO FUTURO?

“A mim parece seguro que à Igreja a aguardam tempos muito difíceis. A sua verdadeira crise apenas começou.”

O futuro da Igreja pode vir e virá também hoje só da força daqueles que têm raízes profundas e vivem da plenitude pura da sua fé. O futuro não virá daqueles que só dão receitas. Não virá daqueles que só se adaptam ao instante atual. Não virá daqueles que só criticam os demais e se tomam a si mesmos como medida infalível. Tampouco virá daqueles que escolhem só o caminho mais cômodo, daqueles que evitam a paixão da fé e declaram falso e superado, tirania e legalismo, tudo o que é exigente para o ser humano, o que lhe causa dor e o obriga a renunciar a si mesmo.

Digamos de forma positiva: o futuro da Igreja, também nesta ocasião, como sempre, ficará marcado de novo com o selo dos santos. E, portanto, por seres humanos que percebem mais que as frases que são precisamente modernas. Por aqueles que podem ver mais que os outros, porque a sua vida abarca espaços mais amplos. A gratuitidade que liberta as pessoas alcança-se só na paciência das pequenas renúncias cotidianas a si mesmo. […]

Que significa isso para a nossa pergunta? Significa que as grandes palavras daqueles que nos profetizam uma Igreja sem Deus e sem fé são palavras vãs. Não necessitamos de uma Igreja que celebre o culto da ação em «orações» políticas. É completamente supérflua e por isso desaparecerá por si mesma.

Permanecerá a Igreja de Jesus Cristo, a Igreja que crê no Deus que se fez ser humano e que nos promete a vida mais além da morte. Da mesma maneira, o sacerdote que só seja um funcionário social pode ser substituído por psicoterapeutas e outros especialistas. Mas continuará sendo ainda necessário o sacerdote que não é especialista, que não fica à margem quando aconselha no exercício do seu ministério, mas sim que em nome de Deus se põe à disposição dos demais e se entrega a eles nas suas tristezas, suas alegrias, sua esperança e sua angústia.

“O futuro da Igreja, também nesta ocasião, como sempre, ficará marcado de novo com o selo dos santos”

Demos um passo mais. Também nesta ocasião, da crise de hoje surgirá amanhã uma Igreja que terá perdido muito. Se fará pequena, terá de começar tudo desde o princípio. Já não poderá encher muitos dos edifícios construídos numa conjuntura mais favorável. Perderá adeptos e com eles muitos dos seus privilégios na sociedade. Apresentar-se-á, de um modo muito mais intenso que até agora, como a comunidade da livre vontade, a que só se pode aceder por meio de uma decisão.

Como pequena comunidade, reclamará com muita mais força a iniciativa de cada um dos seus membros. Certamente, conhecerá também novas formas ministeriais e ordenará sacerdotes cristãos provados que continuem exercendo a sua profissão: em muitas comunidades menores e em grupos sociais homogêneos a pastoral exercer-se-á normalmente desse modo.

Junto a essas formas continuará sendo indispensável o sacerdote dedicado por inteiro ao exercício do ministério como até agora. Mas nessas mudanças que se podem supor, a Igreja encontrará de novo e com toda a determinação o que é essencial para ela, o que sempre foi o seu centro: a fé no Deus trinitário, em Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, a ajuda do Espírito que durará até o fim. A Igreja reconhecerá de novo na fé e na oração o seu verdadeiro centro e experimentará novamente os sacramentos como celebração e não como um problema de estrutura litúrgica.

Será uma Igreja interiorizada, que não suspira pelo seu mandato político e não flerta com a esquerda nem com a direita. Resultar-lhe-á muito difícil. Com efeito, o processo da cristalização e a clarificação custar-lhe-á também muitas forças preciosas, a fará pobre, a converterá numa Igreja dos pequenos.

O processo resultará ainda mais difícil, porque haverá que eliminar tanto a estreiteza de visões sectárias como a voluntariedade entusiasmada. Pode-se prever que tudo isto requererá tempo. O processo será longo e laborioso, tal como também foi muito longo o caminho que levou dos falsos progressismos, em vésperas da revolução francesa (quando também entre os bispos estava na moda ridiculizar os dogmas e talvez inclusive dar a entender que nem sequer a existência de Deus era de modo algum segura) até à renovação do século XIX.

Mas depois da prova destas divisões surgirá, de uma Igreja interiorizada e simplificada, uma grande força. Porque os seres humanos serão indescritivelmente solitários num mundo plenamente planificado. Experimentarão, quando Deus tiver desaparecido totalmente para eles, a sua absoluta e horrível pobreza. E então descobrirão a pequena comunidade dos crentes como algo totalmente novo. Como uma esperança importante para eles, como uma resposta que sempre procuraram às apalpadelas.

A mim parece seguro que à Igreja a aguardam tempos muito difíceis. A sua verdadeira crise apenas começou todavia. Há que contar com fortes sacudidas. Mas eu estou também totalmente seguro do que permanecerá no final: não a Igreja do culto político, que fracassou já em Gobel, mas sim a Igreja da fé. Certamente, já não será nunca mais a força dominante na sociedade na medida em que o era até há pouco tempo. Mas florescerá de novo e se fará visível aos seres humanos como a pátria que lhes dá vida e esperança para além da morte.

Por Joseph Ratzinger,
Glaube und Zukunft, 1970

*Este texto foi extraído de cinco homilias radiofônicas, proferidas, em 1969, pelo professor de teologia Joseph Ratzinger. Essas mensagens foram publicadas em livro sob o título de “Fé e Futuro”. 


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Uma história que não é contada nas escolas

“Bem mais do que o povo hoje tem consciência, a Igreja Católica moldou o tipo de civilização em que vivemos e o tipo de pessoas que somos. Embora os livros textos típicos das faculdades não digam isto, a Igreja Católica foi a indispensável construtora da Civilização Ocidental”. Dr. Thomas Woods

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Infelizmente muitos estudantes secundários e universitários têm uma visão deformada a respeito da Igreja Católica, sua vida e sua História. Isto tem muito a ver com a imagem errada que muitos professores, de várias disciplinas, especialmente História, lhes passam. Isto gera nos estudantes uma aversão à Igreja desde os bancos escolares. Também a mídia, muitas vezes, cujos elementos foram formados nas mesmas universidades, é a causa de uma visão negativa e deturpada da Igreja. Há uma má vontade explícita contra a Igreja.

O livro “Código da Vinci”, e depois o filme de mesmo nome, bem como inúmeras matérias fantasiosas sobre a Igreja, sem provas históricas ou científicas, aumentaram em todo o mundo, ainda mais, esta visão de que a Igreja Católica é uma Instituição corrupta, perversa, que inventou a divindade de Cristo, e que sobre este mito criou uma Instituição poderosa e dominadora, e que a custa de sangue sempre se impôs ao mundo.

Nada mais errado e perverso. Mas, mesmo assim, as últimas pesquisas de opinião pública mostram que a Igreja está entre as primeiras instituições que têm a confiança do povo.

É hora de os jovens estudantes, especialmente os católicos, conhecerem o outro lado dessa “História” que é mal contada nas escolas. Hoje é lhes mostrado apenas as “sombras” da vida da Igreja, mas há uma má vontade imensa que encobre as “luzes” brilhantes de sua História de 2000 anos. Uma bem montada propaganda laicista no mundo anti-Igreja Católica, envenena os jovens e os joga contra a Igreja.

Foi a Igreja quem salvou e quem moldou a nossa rica Civilização Ocidental da qual nos orgulhamos, onde se preza a liberdade, os direitos humanos, o respeito pela mulher e por cada pessoa. Sem o trabalho lento e paciente da Igreja durante cerca de dez séculos, após a queda do Império Romano e a ameaça dos bárbaros, o Ocidente não seria o mesmo.

Foi esta civilização moderna, gerada no bojo do Cristianismo que nos deu o milagre das ciências modernas, a saudável economia de livre mercado, a segurança das leis, a caridade como uma virtude, o esplendor da Arte e da Música, uma filosofia assentada na razão, a agricultura, a arquitetura, as universidades, as Catedrais e muitos outros dons que nos fazem reconhecer em nossa Civilização a mais bela e poderosa civilização da História. E a responsável por tudo isto foi a Igreja Católica, diz o historiador americano Dr. Thomas Woods, PhD de Harvard, nos EUA. Ele afirma que:

“Bem mais do que o povo hoje tem consciência, a Igreja Católica moldou o tipo de civilização em que vivemos e o tipo de pessoas que somos. Embora os livros textos típicos das faculdades não digam isto, a Igreja Católica foi a indispensável construtora da Civilização Ocidental. A Igreja Católica não só eliminou os costumes repugnantes do mundo antigo, como o infanticídio e os combates de  gladiadores, mas, depois da queda de Roma, ela restaurou e construiu a civilização”. [Woods, 2005, p. 7]

Em sua obra o Dr. Thomas apresenta muitas referências de historiadores atuais que confirmam o trabalho da Igreja na construção da Civilização Ocidental; algumas dessas citações estão citadas em nossa Bibliografia no final deste livro para quem desejar se aprofundar no assunto. Como não tenho acesso a todas elas, fiz uso de várias de suas citações referenciadas na Bibliografia.

Foi a Igreja quem humanizou o Ocidente insistindo na sociabilidade de cada pessoa humana. Mas infelizmente tudo isto é silenciado pelos que não gostam da Igreja; por isso, é essencial recuperar esta verdade intencionalmente escondida e abafada.

Há hoje no mundo um anti-Catolicismo espalhado pela mídia e pelas universidades. É dito aos jovens, mentirosamente, que a História da Igreja é uma história de ignorância, repressão, atraso e estagnação, quando a realidade é exatamente o contrário, como têm mostrado muitos historiadores modernos, e como veremos neste livro.

Na verdade a Igreja soube aproveitar o que há de bom na civilização grega e romana, não as desprezou, e soube com os valores cristãos moldar a nossa Civilização.

É preciso saber distinguir entre a “Pessoa” da Igreja, fundada por Cristo, divina, santa, e as “pessoas” da Igreja que são seus filhos, santos e pecadores. Muito se exagera, por exemplo, sobre a Inquisição e as Cruzadas; e se quer analisá-las fora do contexto da época. Isto é um absurdo histórico; ninguém pode entender um fato fora do seu contexto moral, social, psicológico, religioso, etc., da época. Um texto retirado do contexto se torna pretexto; e neste caso para se atacar, denegrir e tentar destruir a Igreja Católica, como se ela fosse vencível neste mundo.

A maioria das pessoas reconhece a influência da Igreja na música, na arte e na arquitetura, mas a influência da Igreja foi  muito maior do que se pensa e se conhece. Muitos, mal informados, pensam que centenas de anos antes da época do Renascimento (século XVI), a Idade Média, foi um tempo de ignorância e repressão intelectual, sem brilho, como se fosse um tempo negro onde se imperou somente a superstição e a magia, como se em nome de Jesus Cristo, a ciência e o progresso fossem banidos. Nada mais errado. A Idade média cristã foi, na verdade, um tempo de grande desenvolvimento religioso, cultural e artístico, como veremos.

Nossa Civilização tem uma enorme dívida com a Igreja pelo sistema universitário, pelo trabalho de caridade realizado, pelo advento da lei internacional, o desenvolvimento das ciências, das artes, da música, do direito, da economia e muito mais. A Igreja Católica salvou e construiu a Civilização Ocidental. Com muita rapidez os críticos da Igreja Católica levantam e expõem os erros dos seus filhos em todos os tempos, mas, solertemente escondem as grandes realizações da Igreja em prol da humanidade.

O Dr. Thomas Woods mostra que nos últimos quinze anos, muitos historiadores e pesquisadores como  A.C. Crombie, David Lindberg, Edward Grant, Stanley Jaki, Thomas Goldstein, J. L. Heilbron, Rodney Stark, Alvin Schmidt, Robert Phillips, Kenneth Pennington, Daniel Rops, Joseph Needhem, Charles Montalembert, Joseph Mac Donnell, Phillip Hughes, David Knowles, William Lecky, Harold Broad, Michel Davies, Jean Gimpel e muitos outros, mostraram a grande contribuição da Igreja para o desenvolvimento de nossa atual Civilização.

Por exemplo, a contribuição da Igreja para o desenvolvimento da ciência foi enorme; muitos cientistas foram padres. Pe. Nicholas Steno, é considerado o “pai da geologia”. O “pai da egiptologia” foi o padre Athanasius Keicher. A primeira pessoa a medir a taxa de aceleração de um corpo em queda livre foi o Pe. Giambattista Riccioli. Pe Rober Boscovitch é considerado o pai da moderna teoria atômica. Os jesuítas se dedicavam ao estudo dos terremotos tal que a sismologia veio a ser conhecida como a “ciência Jesuítica”. Trinta e cinco crateras da lua foram nomeadas por cientistas e matemáticos jesuítas.

J. L. Heilbron (1999), da Universidade da Califórnia em Berkeley, disse que:

“A Igreja Católica Romana deu mais suporte financeiro e social ao estudo da astronomia por mais de seis séculos do que qualquer outra instituição”. Woods afirma que “o verdadeiro papel da Igreja no desenvolvimento da ciência moderna permanece um dos mais bem guardados segredos da história moderna” [p. 5].

Foram os monges da Igreja que preservaram a herança literária do mundo Antigo após a queda de Roma diante dos bárbaros em 476.

Reginald Grégoire (1985) afirma que os monges deram “a toda a Europa… uma rede de fábricas, centros de criação de gado, centros de educação, fervor espiritual,… uma avançada civilização emergiu da onda caótica dos bárbaros”. Ele afirma que: “Sem dúvida alguma São Bento (o mais importante arquiteto do monarquismo ocidental) foi o Pai da Europa. Os Beneditinos e seus filhos foram os Pais da civilização Europeia”.

O desenvolvimento do conceito de “lei internacional” é atribuída aos pensadores dos séc. XVII e XVIII, mas na verdade surgiu no séc. XVI nas universidades espanholas católicas e foi o Padre Francisco de Vitória, professor, quem ganhou o título de “pai da lei internacional”. A lei ocidental é uma dádiva da Igreja; a lei canônica foi o primeiro sistema legal na Europa, o que deu início ao primeiro corpo coerente de leis.

Segundo Harold Berman (1974), “foi a Igreja que primeiro ensinou ao homem ocidental um sistema moderno de lei. A Igreja primeiro ensinou que conflitos, estatutos, casos, e doutrina podem ser reconciliadas por análises e sínteses”. A formulação dos direitos, que surgiu da civilização ocidental, não veio de John Looke e Thomas Jefferson, mas muito antes, das leis canônicas da Igreja Católica.

Alguns historiadores de economia antiga afirmam que a moderna economia, surgiu com Adam Smith e outros teóricos da economia do séc. XVIII, mas estudos recentes estão mostrando a importância do pensamento econômico dos Escolásticos da Igreja, particularmente os teólogos católicos espanhóis e séc. XV e XVI. O grande economista Joseph Schumpeter considera que esses pensadores católicos foram os fundadores da ciência econômica moderna.

Woods cita Lecky, um historiador do séc. XIX, crítico contra a Igreja, que admitiu que, tanto no campo espiritual como no compromisso da Igreja com os pobres, foi feito algo novo no mundo ocidental e que representou um grande crescimento em relação à Antiguidade.

Assim, a Igreja berçou a Civilização Ocidental em todos os seus campos: arte, filosofia, física, matemática, música, arquitetura, direito, economia, moral, ciência, letras, línguas, etc…

Para se ter ideia da importância da Civilização Ocidental, construída pela Igreja Católica, basta ver, por exemplo, a noticia de 29 janeiro de 2007, publicada pela EFE que diz:  “Intocáveis da Índia poderão entrar em templos”. Ela diz que os “dalit”, conhecidos como “intocáveis”, pessoas excluídas da sociedade indiana por estar fora do sistema de castas, poderão finalmente entrar em um templo de Orissa (leste da Índia) pela mesma porta que o resto da população, após 300 anos de proibição, conforme informou o jornal “Hindustan Times”.

Infelizmente hoje o homem ocidental se afasta de Deus e da Igreja, perigosamente, colocando em risco a própria civilização. O Papa Bento XVI assim definiu a situação do mundo hoje:

“[…] no mundo ocidental de hoje vivemos uma nova onda de iluminismo drástico, ou laicismo, como se queira chamá-lo. Tornou-se mais difícil ter fé, pois o mundo no qual estamos é completamente feito por nós mesmos, e nele Deus, por assim dizer, já não comparece diretamente. Não se bebe mais diretamente da fonte, mas sim do recipiente em que a água nos é oferecida. Os homens reconstruíram o mundo por si mesmos, e tornou-se mais difícil encontrar Deus neste mundo” (Entrevista em Castel Gandolfo, 5 de agosto de 2006 ).

Devemos conhecer ao menos um pouco do trabalho maravilhoso da Igreja para salvar e construir a nossa rica Civilização Ocidental. Isto custou o sangue, o suor e as lágrimas de muitos filhos da Igreja. Se muitos deles não estiveram a altura do lugar que ocuparam, a grande maioria soube amar a Jesus Cristo e a Sua Igreja.

cpa_uma_hist_ria_que_n_o___contada Prof. Felipe Aquino

(Retirado do livro: “ Uma história que não é contada”- Ed. Cléofas)

 

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