Arquivo da categoria: Espiritualidade Humana

Usemos a espada do discernimento para eliminar o mal

Temos de ter a prudência do Espírito e usar a espada para não permitirmos que a força do mal predomine naquilo que nós estamos fazendo

“Não penseis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas sim a espada” (Mateus 10, 34).

As palavras do Mestre Jesus, ao cair em nosso coração, num primeiro momento, podem até causar certa estranheza, pois Ele é o príncipe da paz. Mas quando Ele diz que não veio trazer a paz, não se refere à paz que nós conhecemos, fruto do Espírito Santo, que é tão necessária para a nossa alma.

Há uma certa ilusão, um certo engano em relação à paz. Algumas pessoas acham que ter paz é estar tudo OK, estar tudo muito bem, não se preocupar com nada, deixar a vida andar do jeito que está. Essas pessoas não entram em conflito com ninguém nem deixam as coisas acontecerem.

Pense, chega alguém para fazer algo errado na sua casa e você diz: “Não entrarei em conflito com ele”. É óbvio que você vai se levantar para proteger sua casa, sua família, pois está entrando coisas erradas na sua casa. Você não pode ficar de braços cruzados dizendo: “Eu sou da paz”, isso não é ser da paz, pelo contrário, isso é entregar-se a um espírito muito errado e perverso do conformismo com as coisas erradas.

O Senhor diz que Ele não veio trazer essa paz, esse lema de “paz e amor” que usam por aí: “Eu quero viver a paz e o amor com todo mundo”. Temos que viver a paz uns com os outros, temos de amar uns aos outros, mas isso não significa aceitar tudo que é errado, não quer dizer que eu vá abraçar tudo o que vem do outro, só para ficar tudo bem. Mesmo na casa em que nós vivemos, se você vive numa casa onde o irmão, o filho, o pai, a mãe trazem algo que não vai edificar, que não será para o bem daquela casa, é preciso usar a espada do Espírito.

Usar a espada do Espírito não é criar guerra, conflito, brigar uns com os outros. Não é essa espada! A espada do Espírito é a espada do discernimento.

Você pega uma manga, mas um pedaço dela está estragado, você pega a espada e corta, joga aquela parte estragada fora, porque se não ela vai estragar toda a manga, isso vale para outros frutos. Precisamos logo cortar, porque, se demorarmos, o mal cresce e estraga tudo.

Muitas coisas estragaram em nossa casa, na nossa família, na nossa sociedade, na igreja em que estamos, porque não usamos a espada do discernimento, da sabedoria, da prudência para eliminar aquilo que não convém, que não vai edificar, aquilo que não é do Espírito que traz a verdadeira paz.

No mundo, há muitas coisas que são ervas daninhas, que crescem e depois fazem mal; temos de cortá-las, senão estragam toda a plantação. Por isso o Senhor está nos dizendo que não podemos ficar na passividade, aquela que aceita tudo e está em conforme com tudo.

Temos de ter a prudência do Espírito e usarmos a espada para não permitirmos que a força do mal predomine naquilo que nós estamos fazendo. É essa graça, essa divisão, essa separação que Jesus veio fazer no meio de nós. Ele quer que façamos essa divisão, para que, assim, possamos viver a paz e o amor no meio de nós.

Deus abençoe você!

Por Padre Roger Araújo – Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Foto/Reprodução: Portal Terra de Santa Cruz

Que a nossa fé esteja viva no Cristo vivo e ressuscitado, porque Ele traz vida plena a nós

“Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais” (João 11, 25-26).

 Hoje, neste domingo da Quaresma, estamos acompanhando a ressurreição de Lázaro. É Jesus quem chega à casa de Lázaro, Marta e Maria, Seus amigos de Betânia, e fica muito entristecido com a morte do Seu amigo Lázaro.

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Não podemos negar que a morte causa tristeza em nós, causa uma dor profunda no nosso coração; afinal de contas, não nascemos para a morte, mas para a vida.

A morte, por mais fé que tenhamos, provoca uma inquietação no nosso coração, provoca dor e tristeza, mexe profundamente conosco. Tratando-se de entes queridos, pessoas tão queridas para nós, sabemos quantas marcas temos no coração por todas as vezes que tivemos que lidar com a morte de pessoas amigas e queridas.

Não temos nem cabeça para pensar na nossa própria morte, por mais que saibamos que é a realidade mais certa da vida, mas é uma realidade que não gostamos de encarar, ainda que saibamos que, no tempo certo, precisaremos encará-la.

O que Jesus faz hoje? Primeiro, uma grande catequese sobre o sentido da vida, mas não só a vida terrena como também a vida eterna, uma grande catequese que nos ensina que a morte não tem a palavra final.

A palavra eterna sobre a morte é a vida em Jesus, Ele é Senhor sobre a morte. Ele é o Senhor da morte e não o Senhor que dá a morte, é o Senhor que vence a morte, que está acima dela, porque, Ele é a ressurreição. “Eu sou a ressurreição e a vida!”. Por isso, todo aquele que crê e acredita n’Ele não está na morte.

O que Ele faz, hoje, ao ressuscitar Lázaro, é uma demonstração, uma antecipação, uma forma de nos explicar aquilo que acontecerá conosco de forma mais plena.

Jesus diz a Lázaro: “Lázaro, vem para fora!”. Lázaro veio para fora, voltou para a vida, mas ele vai morrer novamente, porque ainda não ressuscitou glorioso, ele voltou à vida.

Como alguém volta à vida? Acontece quando uma pessoa está internada, em coma, praticamente morta, e nós vemos tantos milagres acontecendo! Hoje, estamos testemunhando um grande milagre: o milagre de Lázaro ressuscitando.

Lázaro morre, mas hoje ressuscita ou ressurge, porque a ressurreição definitiva é a de Cristo, que logo iremos contemplar. Tudo isso é para nós uma catequese da vida, catequese da ressurreição, uma grande lição para nós e para o nosso coração, de que a morte não tem a palavra final na nossa vida e nosso coração.

Não deixe a morte ter a última palavra na sua vida, não deixe a morte trazer sentimentos de tristeza, de dúvida e inquietação, nem perturbar a sua fé. Que a nossa fé esteja viva no Cristo vivo e ressuscitado, porque Ele traz vida plena em nós, porque Ele é a ressurreição e a vida!

Deus abençoe você!

Por Padre Roger Araújo – Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização

Tiremos de nosso coração os sentimentos injustos

Não podemos permitir que cresça em nós sentimentos injustos e de vingança, ressentimentos contra a pessoa do outro.

“Armemos ciladas ao justo, porque sua presença nos incomoda: ele se opõe ao nosso modo de agir, repreende em nós as transgressões da lei e nos reprova as faltas contra a nossa disciplina” (Sb 2, 12).

A leitura do Livro da Sabedoria é para nós uma aplicação daquilo que está acontecendo com Jesus no contexto do Evangelho de hoje. Os ímpios estão dizendo em raciocínios falsos e malditos: “Armemos ciladas ao justo!”.

O grande, verdadeiro e único justo da humanidade é Jesus! Ele é justo, porque nenhuma injustiça entrou n’Ele, a injustiça do pecado não fez parte da sua vida, mas, nos dias de Sua vida terrestre, os injustos, os ímpios tramaram contra Ele, contra Sua vida. Eles tramaram tirar a vida de Jesus por inveja, por ciúmes, por se oporem a quem faz o bem.

Deixe-me dizer: são sentimentos terríveis, mortais, carnais, diabólicos, os quais, muitas vezes, tomam conta do coração de cada um de nós.

Quantas vezes, sem perceber ou até percebendo, desejamos mal, falamos mal ou queremos mal ao outro, porque todo querer mal ao outro é injusto. “Mas foi o outro quem me fez algo de errado!”. Isso não justifica tramarmos contra ninguém, não justifica deixarmos os nossos pensamentos correrem soltos, desejando que algo de mau, que algo de trágico aconteça, que o outro pague por aquilo que cometeu.

Jesus já pagou por todos aqueles que cometeram ou não cometeram mal. O justo já sofreu por todos os injustos, já sofreu para que fosse reparada toda injustiça da humanidade.

Não podemos permitir que cresça em nós sentimentos injustos, sentimentos de vingança, de ressentimentos e mágoa, sentimentos maus contra a pessoa do outro. O que eles faziam, muitas vezes, eram tramoias, armar situações, porque queriam pegar Jesus.

Desarmemos o nosso coração, tiremos de nós todos aqueles sentimentos que alimentamos. “Eu ainda vou me acertar com ele! Eu ainda vou pegá-lo na hora certa e dizer um monte de coisa a ele!”. Isso é veneno, isso é mal para a nossa mentalidade e para o nosso próprio caráter. Foram os homens que alimentaram esses sentimentos, armaram contra o justo Jesus, para levá-Lo à morte.

Não levemos ninguém à morte, não levemos a nossa própria alma à morte; não alimentemos em nós os sentimentos injustos, insanos, depravados ou maldosos contra quem quer que seja.

Se quisermos nos purificar do mal, se quisermos que a nossa penitência seja agradável a Deus, permitamos que Ele purifique o nosso coração da maldade, do sentimento do desejo de querer mal seja lá a quem for.

Deus abençoe você!

Por Padre Roger – Canção Nova

Reprodução: Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização

Como lidar com situações de dúvidas, desânimo e cansaço na caminhada vocacional?

Ninguém nasce pronto. A vida e a maturidade afetiva, eclesial e consequentemente vocacional vão sendo construídas aos poucos. As diferentes experiências vividas servem como estruturas basilares para o aperfeiçoamento. Todo vocacionado e formando para vida religiosa consagrada ou sacerdotal passa por crises; é bom que seja assim. Crise, que tem origem na palavra latina crisis, significa o momento de decisão e mudança; deriva do verbo grego krino (separar, julgar).

Na história de medicina essa palavra era usada para o momento crítico e definitivo do paciente tanto para a cura quanto para morte.

“A crise é o tempo de mudança, decisiva e difícil, mas de profundo amadurecimento vocacional, até a chegada da próxima”.

Na caminhada vocacional a crise, se torna evidente, mais por causa de suas consequências (dúvida, desânimo, medo, etc), do que por ela mesma. É a grande oportunidade que o vocacionado tem para estabelecer critérios para a tomada de decisão e estabelecer novas metas. É fundamental passar pela dor da crise para poder firmar e fundamentar as próprias convicções de forma assertiva e racional; ela provoca angústia, mas alarga o coração. A crise é o tempo de mudança, decisiva e difícil, mas de profundo amadurecimento vocacional, até a chegada da próxima.

Algumas atitudes, durante o processo vocacional e também como religiosos(as) consagrados(as) e na vida sacerdotal, podem intensificar sentimentos que impedem uma caminhada mais sólida e fiel. Destaco, brevemente, dois:

Consagrado egoísta: Ninguém se torna religioso(a) ou sacerdote para viver em função própria; é triste fazer exclusivamente aquilo que lhe agrada, tornar-se indiferente ao projeto da congregação que abraçou, perder o senso de vida fraterna, esquecer-se das causas do povo a que serve.

Quando se vive só para si, perde-se o sentimento de altruísmo, de ser para outro, próprio da vida religiosa e sacerdotal e cai na acomodação.

Consagrado workholic: No extremo oposto está a pessoa que só pensa no seu trabalho, nas suas atividades paroquiais, reuniões, celebrações, visitas, projetos, etc. Esquece de cultivar a vida de oração e fraterna e se perde no fazer. O esgotamento físico e espiritual não tarda em aparecer. (síndrome de Bornout).

Num encontro com seminaristas e canditados à vida religiosa consagrada, o Papa Franciscodeixou uma recomendação para os momentos de crise: “Sejam positivos, cultivem a vida espiritual e, ao mesmo tempo, sejam capazes de encontrar as pessoas, especialmente as desprezadas e desfavorecidas. Não tenham medo de sair e caminhar contracorrente. Sejam contemplativos e missionários. Rezem”…

Escrito por Frei Jeâ Paulo Andrade, Ofm. A12.com

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização