Arquivo da categoria: Espiritualidade Humana

Que a nossa fé esteja viva no Cristo vivo e ressuscitado, porque Ele traz vida plena a nós

“Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais” (João 11, 25-26).

 Hoje, neste domingo da Quaresma, estamos acompanhando a ressurreição de Lázaro. É Jesus quem chega à casa de Lázaro, Marta e Maria, Seus amigos de Betânia, e fica muito entristecido com a morte do Seu amigo Lázaro.

download

Não podemos negar que a morte causa tristeza em nós, causa uma dor profunda no nosso coração; afinal de contas, não nascemos para a morte, mas para a vida.

A morte, por mais fé que tenhamos, provoca uma inquietação no nosso coração, provoca dor e tristeza, mexe profundamente conosco. Tratando-se de entes queridos, pessoas tão queridas para nós, sabemos quantas marcas temos no coração por todas as vezes que tivemos que lidar com a morte de pessoas amigas e queridas.

Não temos nem cabeça para pensar na nossa própria morte, por mais que saibamos que é a realidade mais certa da vida, mas é uma realidade que não gostamos de encarar, ainda que saibamos que, no tempo certo, precisaremos encará-la.

O que Jesus faz hoje? Primeiro, uma grande catequese sobre o sentido da vida, mas não só a vida terrena como também a vida eterna, uma grande catequese que nos ensina que a morte não tem a palavra final.

A palavra eterna sobre a morte é a vida em Jesus, Ele é Senhor sobre a morte. Ele é o Senhor da morte e não o Senhor que dá a morte, é o Senhor que vence a morte, que está acima dela, porque, Ele é a ressurreição. “Eu sou a ressurreição e a vida!”. Por isso, todo aquele que crê e acredita n’Ele não está na morte.

O que Ele faz, hoje, ao ressuscitar Lázaro, é uma demonstração, uma antecipação, uma forma de nos explicar aquilo que acontecerá conosco de forma mais plena.

Jesus diz a Lázaro: “Lázaro, vem para fora!”. Lázaro veio para fora, voltou para a vida, mas ele vai morrer novamente, porque ainda não ressuscitou glorioso, ele voltou à vida.

Como alguém volta à vida? Acontece quando uma pessoa está internada, em coma, praticamente morta, e nós vemos tantos milagres acontecendo! Hoje, estamos testemunhando um grande milagre: o milagre de Lázaro ressuscitando.

Lázaro morre, mas hoje ressuscita ou ressurge, porque a ressurreição definitiva é a de Cristo, que logo iremos contemplar. Tudo isso é para nós uma catequese da vida, catequese da ressurreição, uma grande lição para nós e para o nosso coração, de que a morte não tem a palavra final na nossa vida e nosso coração.

Não deixe a morte ter a última palavra na sua vida, não deixe a morte trazer sentimentos de tristeza, de dúvida e inquietação, nem perturbar a sua fé. Que a nossa fé esteja viva no Cristo vivo e ressuscitado, porque Ele traz vida plena em nós, porque Ele é a ressurreição e a vida!

Deus abençoe você!

Por Padre Roger Araújo – Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização

Tiremos de nosso coração os sentimentos injustos

Não podemos permitir que cresça em nós sentimentos injustos e de vingança, ressentimentos contra a pessoa do outro.

“Armemos ciladas ao justo, porque sua presença nos incomoda: ele se opõe ao nosso modo de agir, repreende em nós as transgressões da lei e nos reprova as faltas contra a nossa disciplina” (Sb 2, 12).

A leitura do Livro da Sabedoria é para nós uma aplicação daquilo que está acontecendo com Jesus no contexto do Evangelho de hoje. Os ímpios estão dizendo em raciocínios falsos e malditos: “Armemos ciladas ao justo!”.

O grande, verdadeiro e único justo da humanidade é Jesus! Ele é justo, porque nenhuma injustiça entrou n’Ele, a injustiça do pecado não fez parte da sua vida, mas, nos dias de Sua vida terrestre, os injustos, os ímpios tramaram contra Ele, contra Sua vida. Eles tramaram tirar a vida de Jesus por inveja, por ciúmes, por se oporem a quem faz o bem.

Deixe-me dizer: são sentimentos terríveis, mortais, carnais, diabólicos, os quais, muitas vezes, tomam conta do coração de cada um de nós.

Quantas vezes, sem perceber ou até percebendo, desejamos mal, falamos mal ou queremos mal ao outro, porque todo querer mal ao outro é injusto. “Mas foi o outro quem me fez algo de errado!”. Isso não justifica tramarmos contra ninguém, não justifica deixarmos os nossos pensamentos correrem soltos, desejando que algo de mau, que algo de trágico aconteça, que o outro pague por aquilo que cometeu.

Jesus já pagou por todos aqueles que cometeram ou não cometeram mal. O justo já sofreu por todos os injustos, já sofreu para que fosse reparada toda injustiça da humanidade.

Não podemos permitir que cresça em nós sentimentos injustos, sentimentos de vingança, de ressentimentos e mágoa, sentimentos maus contra a pessoa do outro. O que eles faziam, muitas vezes, eram tramoias, armar situações, porque queriam pegar Jesus.

Desarmemos o nosso coração, tiremos de nós todos aqueles sentimentos que alimentamos. “Eu ainda vou me acertar com ele! Eu ainda vou pegá-lo na hora certa e dizer um monte de coisa a ele!”. Isso é veneno, isso é mal para a nossa mentalidade e para o nosso próprio caráter. Foram os homens que alimentaram esses sentimentos, armaram contra o justo Jesus, para levá-Lo à morte.

Não levemos ninguém à morte, não levemos a nossa própria alma à morte; não alimentemos em nós os sentimentos injustos, insanos, depravados ou maldosos contra quem quer que seja.

Se quisermos nos purificar do mal, se quisermos que a nossa penitência seja agradável a Deus, permitamos que Ele purifique o nosso coração da maldade, do sentimento do desejo de querer mal seja lá a quem for.

Deus abençoe você!

Por Padre Roger – Canção Nova

Reprodução: Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização

Como lidar com situações de dúvidas, desânimo e cansaço na caminhada vocacional?

Ninguém nasce pronto. A vida e a maturidade afetiva, eclesial e consequentemente vocacional vão sendo construídas aos poucos. As diferentes experiências vividas servem como estruturas basilares para o aperfeiçoamento. Todo vocacionado e formando para vida religiosa consagrada ou sacerdotal passa por crises; é bom que seja assim. Crise, que tem origem na palavra latina crisis, significa o momento de decisão e mudança; deriva do verbo grego krino (separar, julgar).

Na história de medicina essa palavra era usada para o momento crítico e definitivo do paciente tanto para a cura quanto para morte.

“A crise é o tempo de mudança, decisiva e difícil, mas de profundo amadurecimento vocacional, até a chegada da próxima”.

Na caminhada vocacional a crise, se torna evidente, mais por causa de suas consequências (dúvida, desânimo, medo, etc), do que por ela mesma. É a grande oportunidade que o vocacionado tem para estabelecer critérios para a tomada de decisão e estabelecer novas metas. É fundamental passar pela dor da crise para poder firmar e fundamentar as próprias convicções de forma assertiva e racional; ela provoca angústia, mas alarga o coração. A crise é o tempo de mudança, decisiva e difícil, mas de profundo amadurecimento vocacional, até a chegada da próxima.

Algumas atitudes, durante o processo vocacional e também como religiosos(as) consagrados(as) e na vida sacerdotal, podem intensificar sentimentos que impedem uma caminhada mais sólida e fiel. Destaco, brevemente, dois:

Consagrado egoísta: Ninguém se torna religioso(a) ou sacerdote para viver em função própria; é triste fazer exclusivamente aquilo que lhe agrada, tornar-se indiferente ao projeto da congregação que abraçou, perder o senso de vida fraterna, esquecer-se das causas do povo a que serve.

Quando se vive só para si, perde-se o sentimento de altruísmo, de ser para outro, próprio da vida religiosa e sacerdotal e cai na acomodação.

Consagrado workholic: No extremo oposto está a pessoa que só pensa no seu trabalho, nas suas atividades paroquiais, reuniões, celebrações, visitas, projetos, etc. Esquece de cultivar a vida de oração e fraterna e se perde no fazer. O esgotamento físico e espiritual não tarda em aparecer. (síndrome de Bornout).

Num encontro com seminaristas e canditados à vida religiosa consagrada, o Papa Franciscodeixou uma recomendação para os momentos de crise: “Sejam positivos, cultivem a vida espiritual e, ao mesmo tempo, sejam capazes de encontrar as pessoas, especialmente as desprezadas e desfavorecidas. Não tenham medo de sair e caminhar contracorrente. Sejam contemplativos e missionários. Rezem”…

Escrito por Frei Jeâ Paulo Andrade, Ofm. A12.com

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização 

FINADOS: Para a fé cristã, a morte é travessia para a comunhão plena

Ao celebrar o “Dia de Finados”, todas as culturas e religiões, cada uma à sua maneira, intuíram o que não se pode dizer, ou o que só pode ser dito com muito recato: que a morte é passagem, travessia, nascimento; que nela entramos no processo definitivo de libertação, de transformação, de acesso à Plenitude da Vida, à Comunhão dos santos, à Santidade de Deus…

Toda expressão de vida flui para a morte. E o ser humano é o único animal que sabe que vai morrer.  No entanto, inventa toda sorte de artifícios para não assumir este destino que lhe é insuportável. Mesmo estando frente à morte dos outros, pensa ainda poder escapar desta decisiva hora.

Esta é a realidade dura de aceitar nestes tempos pós-modernos: a incapacidade cultural de abordar os limites, perdas, fracassos, mortes… Vivemos uma cultura na qual a dor e a morte são expulsas da experiência humana. A morte é distante e virtual: procuramos negá-la, escondê-la, dissimulá-la. É algo feio, de mau gosto, algo a ser eliminado da vida cotidiana. Vivemos como se tivéssemos que ser imortais. Quando ela está perto, nós nos afastamos dela, ou então, ela é afastada para locais específicos.

No entanto, a vida marcada pelo medo da morte é uma vida “em terra de sombras”, que contradiz nossa vocação cristã de ser filhos(as) do dia e da luz.

O medo da morte impede viver adequadamente o presente. Mais grave ainda, o medo da morte pode chegar a escravizar-nos e angustiar-nos a ponto de impedir-nos viver a vida com sentido, qualidade e prazer. Ela nos golpeia em dimensões muito sensíveis e frágeis de nossa experiência humana.

A negação da morte sempre cobra um preço – nossa vida interior se trava, nossa visão se encolhe, nossa razão se esconde, nossos sonhos se atrofiam…  No final, o auto-engano toma conta de nós.

Todos morremos, mas há mortes e mortes. Na cultura da “pós-modernidade líquida” a morte se apresenta como termo, ruptura e aniquilação. Somente os que não viveram seriamente, os que esbanjaram sua vida em caprichos e superficialidades, os que semearam dor e morte ao seu redor, os que asfixiaram a vida e não se importaram com os outros, tem medo de morrer.

Os que aceitaram sua vida e se atreveram a vivê-la seriamente, os que a viveram como dom que se entrega, aceitam sua morte e a esperam de modo sereno e livre, como o descanso devido depois de uma jornada trabalhosa e fecunda. Assim como uma missão cumprida devidamente dá alegria ao sonho, uma vida bem vivida dá alegria à morte. Porque a vida valeu a pena, também vale a pena morrer.

A experiência cristã nos revela que, como criaturas, somos mortais e dotados de liberdade; é por isso que nós nos interrogamos sobre o sentido da vida; somos capazes de viver a vida como um projeto expansivo e inspirador e que podemos transformar a morte no último e supremo ato de nosso viver.

E a morte só pode ter um sentido e significado se a vida também os tiver; quando alguém sabe “para quê e para quem vive”, realizando sua original missão, pode morrer em paz. Aqueles que vivem intensamente enfrentam com grande serenidade seu envelhecimento e a proximidade da morte, vendo nela mais uma etapa no processo normal de seu amadurecimento e de sua realização.

Aquele(a) que é conscientes de ter vivido por alguma causa, de ter levado uma vida plena, pode dar sentido e significado espontâneos ao último ato de sua existência, a morte. É o modo como alguém vive que qualifica a morte. Há mortes que, para além da inevitável dor que causam aos familiares e amigos, provocam paz, agradecimento, vontade de viver seriamente, de se levantar da superficialidade e da mediocridade.

Para a fé cristã, a morte é travessia para a comunhão plena. Último passo. Por isso, não pode ser escondida; antes, preparada. A fé desvela a morte como momento em que a pessoa se abre para dimensões nunca antes imaginadas. Assim ela nos dá maior responsabilidade diante da nossa própria vida. 

Diante da memória dos entes queridos que já fizeram a “travessia pascal”, a morte se transforma em “boa notícia”, pois eles(elas) se atreveram a viver como Jesus viveu. Viveram para dar vida e morreram para defendê-la. Viveram a vida como entrega e sua morte foi uma conseqüência lógica de seu modo de viver. Levaram a existência até os limites de suas possibilidades e fizeram dela uma semente permanente de vida. A lembrança da vida e da morte dessas pessoas continua semeando vontade de viver com autenticidade. Elas derrotaram a morte.

De fato, o modo de viver de Jesus recebeu o sim definitivo de Deus e nos mostra que a vida entregue para dar vida é o caminho para derrotar a morte e continuar vivendo. No acontecimento infinitamente doloroso da morte de Jesus se revela e se promete o sentido último do viver e do morrer humano.

“Recordar” (visitar de novo com o coração) aqueles(as) que estão no coração de Deus é abrir-se para a vida, não somente para aquela vida plena do mundo futuro, mas também para uma mais profunda qualidade desta vida presente.

Nesse sentido, afirmar a ressurreição não é consolo ilusório, nem evasão do compromisso com a história e com a vida. É decisão firme de continuar o projeto de Jesus, de defender a vida onde quer que esteja ameaçada, de arriscar-se pelos mais fracos e excluídos para que tenham vida, de viver dando morte à morte, curando feridas, levantando corações, semeando esperanças…

A ressurreição nos faz compreender que a travessia por este mundo não consiste em outra coisa senão no tempo da gestação concedido a cada um de nós para que, dentro desse imenso ventre cósmico, possamos aprender a viver de amor e contemplar a obra d’Aquele que é Fonte e Destino final da vida.

A vida e a morte não são, portanto, inimigas que se destroem; elas são amigas, irmãs inseparáveis.

Morre-se ao longo da vida. Este é o caminho normal de morrer.

A vida é o lento amadurecer da morte. Morre-se na vida, durante a vida, na medida em que a morte é fruto maduro das opções de toda a vida. As decisões fazem e farão a nossa morte. A morte nos ronda e nós rondamos a morte. “Começamos a morrer no dia em que nascemos”.

A experiência cristã nos revela o caminho de uma morte preparada ao longo da vida, porque a entende em relação com a vida e a vida em relação com a morte. Viver sem morrer é viver menos; tira a seriedade da vida (L. Boff).

Só assumida em liberdade e ativamente, a morte se humaniza. Na fé, cristianiza-se.

Por isso, celebrar “Finados” nos faz reingressar na vida de uma maneira mais rica e apaixonada; ao mesmo tempo, aumenta a consciência de que esta vida, nossa única vida, deve ser vivida intensa e plenamente.

Essa abordagem da morte leva a um compromisso maior para com a vida, saboreando a preciosidade de cada momento e o simples prazer de existir.

Alguém já teve a ousadia de afirmar que a morte é mais universal que a vida; todos morrem, mas nem todos vivem, porque incapazes de reinventar a vida no seu dia-a-dia. Uma vida pensada sem “mortes” perde-se, no final, na total irresponsabilidade. E viver significa esvaziar-se do ego para deixar transparecer o que há de divino em seu interior. O grão de trigo que não morre, apodrece, e não multiplica as mil possibilidades latentes em seu interior.

O “depois da vida” é um grande encontro onde seremos perguntados: “o quanto você viveu sua vida?”

Texto bíblico:  Jo 6,37-40

Na oração: re-visitar e entrar em comunhão com aquelas pessoas que “morreram de tanto viver”; “encantadas” no coração de Deus elas continuam sendo inspiração e referência para poder assumir a vida com mais paixão.

Por Pe. Adroaldo Palaoro sj – Itaici-SP (Catequese hoje)

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização 

Deus retira todo medo de nosso coração

Os medos são verdadeiros fantasmas que nos assustam, que tiram nossa paz interior e nos deixam viver em falsas seguranças na vida

Por que tendes tanto medo, homens fracos na fé? Então, levantando-se, ameaçou os ventos e o mar, e fez-se uma grande calmaria” (Mateus 8, 26).

Jesus está nos mostrando, hoje, diante desse acontecimento, no mar onde Seus discípulos da barca começaram a ficar apavorados, que o medo é uma grande tempestade que vai nos apavorar durante a nossa vida. As crianças têm medo, os jovens têm medo, nós adultos também temos medos.

imagens blog 1 861.jpg

Os medos são verdadeiros fantasmas que nos assustam, que tiram nossa paz interior e nos deixam viver falsas seguranças na vida, quando, na verdade, a fé é o remédio de que precisamos, a cada dia, para vencer a tempestade do medo.

Ninguém vive sem ter medo, mas não podemos viver a partir dele. Existem medos que tomam conta de nós, apavoram a nossa vida, tiram nossa paz interior e não nos deixam ir para frente. Existem medos que são verdadeiros monstros dentro de nós e que, muitas vezes, são alimentamos por nós; e deixamos que cresçam e nos apavorem.

Não podemos seguir Jesus por causa de nossos medos; precisamos segui-Lo e n’Ele vencer os medos que há em nós, a cada dia ter a coragem de enfrentar esses monstros e deixá-los no lugar deles.

Como vamos fazer isso? Não fazemos, mas permitimos que Deus faça, permitimos que Ele vença, a cada dia, os nossos medos. Se podemos entender fé como entrega, não existe maior entrega do que dar a Deus nossas inseguranças e incertezas.

Isso não significa que quem segue Deus vai saber de tudo, vai ter segurança em tudo. Não! Mas tem convicção de onde colocou o seu coração e sua confiança!

Hoje, Jesus quer acalmar aquilo que dentro de nós está agitado. A Palavra de Deus vem ao nosso encontro para trazer calmaria às agitações que cresceram dentro de nós, às inseguranças que gritam dentro do nosso coração, aos medos e fantasmas que andam perturbando a nossa mente e alma.

Que a paz do coração de Deus acalme todos os medos do nosso coração!

Deus abençoe você!

Por Pe. Roger Araújo – Comunidade Canção Nova 

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz

 

A Mística da Tríplice conexão: a Fonte, o Caminho, a Respiração

“Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia: é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro”.

(Papa Francisco – Misericordiae Vultus n.2)

Jesus nos revelou quem é Deus e quem é o ser humano. Tal revelação encheu nosso coração de profunda gratidão. Por isso, o que importa verdadeiramente não é satisfazer uma curiosidade especulativa sobre a essência do Deus Trindade, mas acolher esta Boa Notícia: Deus é Pai-Mãe (Fonte), que deixou transparecer Seu rosto misericordioso no Filho (Caminho) em quem somos filhos pela força e alento de seu Espírito (Sopro) presente e atuante em tudo e em todos.

Cerezo BarredoO mais urgente neste momento para o cristianismo, não é explicar melhor o dogma da Trindade, e menos ainda, uma nova doutrina sobre Deus Trino.  O decisivo aqui é a busca de um encontro vivo com Deus, comunhão de pessoas. Não se trata de demonstrar a existência da luz, mas de abrir os olhos para ver melhor.

A festa da Trindade nos mobiliza para uma nova maneira de viver e de nos relacionar com o Deus de Je-sus,  cuja presença preenche o cosmos, irrompe na vida, habita decididamente no interior de cada pessoa e é vivido em comunidade.

A Trindade “desvela” a maneira de ser de Deus, como Amor que se expande, em si e fora de si, de uma maneira “redentora”, inserindo-se na história da humanidade. Deus é Amor e só amor.

Isto é a essência do Evangelho. Esta é a melhor notícia que devemos acolher. É também o fundamento de nossa confiança em Deus.

É a partir do Amor trinitário, circulante e expansivo, que podemos compreender melhor o ser humano, criado à imagem da Trindade: ele é tanto mais pessoa quanto mais se assemelha às pessoas divinas.

Deus não é estático, nem sequer em seu próprio interior. No mais profundo de seu ser, Deus é relação, é comunhão de maneira permanente e dinâmica. E a comunhão entre pessoas é sustentada pelo Amor. Precisamente o amor é o que une as pessoas. O amor cria unidade e a unidade mais forte é a que brota do amor. Nesta linha se compreende o Deus cristão: um só Deus em comunhão de pessoas. Por isso, temos com Deus uma relação personalizada: somos filhos do Pai, irmãos do Filho, amigos do Espírito.

“Trindade” é um conceito abstrato que corre o risco de afastar a presença divina para as alturas dos dogmas, doutrinas e especulações racionais, desprovidas de calor e vida. Em vez do “Mistério da Santíssima Trindade”, o importante para o cristão é a experiência histórica e  vital do encontro com a atividade vivificadora da Fonte da Vida, no percurso do Caminho do Amor e respirando o Sopro da Esperança, que tudo pacifica, alenta e reconcilia.

 “Pai-Abba” é uma palavra-chave, que remete à origem radical, Vida da vida. Traduz-se como Pai e Mãe, mas quer dizer mais que pai e mais que mãe.

“Filho” é palavra-chave para referir-se ao sentido da vida de Jesus, rosto visível da Misericórdia de Deus, imagem, presença real e proximidade encarnada de Abba: filiação sem limite e fraternidade sem fronteiras.

“Espírito” é palavra-chave, que expressa a riqueza da presença vivificadora do Deus em todos e em tudo,  no rio imprevisível da história e na intimidade inefável de cada vida pessoal.

Diante da presença e da ação do Deus Trinitário, afogam-se as palavras, desfalecem as imagens e morrem as especulações. Só nos restam o silêncio, a adoração e a contemplação.

Aqui temos de retornar à simplicidade da linguagem evangélica e utilizar a parábola, a alegoria, o exemplo simples, como fazia Jesus. Como a Trindade é o mistério que liga e religa tudo, que deixa transbordar seu Amor criativo no coração de toda a humanidade e no universo inteiro, podemos usar uma imagem que hoje faz parte do nosso cotidiano: a “conexão”.

Nós entendemos muito bem o que significa “estar conectados”. A “desconexão” nos priva da energia disponível e de tantas relações que são possíveis. Quando nos deslocamos de um lugar a outro buscamos espaços de “cobertura” ou de conexão. Às vezes, requer-se para isso, conhecer a “senha”; em outros casos são oferecidas redes abertas. Conectados, descobrimos que não estamos sozinhos, que é possível entrar em um espaço instigante de informação, relação e intercâmbio.

Podemos usar esta imagem para falar da “tríplice conexão” na vida cristã, como centro e sentido de nossa existência. Aqui se trata, nada mais e nada menos, da “conexão” com as três Pessoas da Santíssima Trindade. Sem esta “conexão trinitária” nossa vida perde a ligação com a Fonte, extravia-se do Caminho do Amor e se asfixia sem a Respiração da Esperança.

Na vida espiritual, a conexão trinitária nos liberta da solidão vazia, do enclausuramento em nosso ego, do narcisismo. Graças a esta grande Conexão vital nos descobrimos no Todo, num contexto de transbordamento de vida em todas as direções: vida expansiva, aberta e profundamente religada com todas as demais expressões de vida. A “tríplice Conexão” nos faz entrar em sintonia com todos e com tudo e mantém interconectados todos os fios da vida. O amor circulante no interior da Trindade se expande e se faz visível na grande rede de vida da criação. Quão decisivo é descobrir a misteriosa relação trinitária na qual estamos inseridos!

Não podemos nós, que cremos na comunhão das Pessoas divinas, estabelecer que tal tipo de conexão trinitária se converta em realidade?

Precisamos de ousadia para estabelecer conexões que em lugar de rupturas e quebras interiores, nos dinamizem muito mais do que podemos imaginar. E não basta uma conexão; só na “tríplice conexão” se encontra a reanimação, a revitalização, a possibilidade de uma vida plenificada e com sentido.

Ninguém poderá se encontrar só com o Filho ou só com o Pai, ou só com o Espírito Santo. Nossa relação será sempre com o Deus Uno e Trino. Urge tomar consciência de que quando falamos de qualquer uma das três pessoas relacionando-se conosco, estamos falando de Deus. Nem o Pai só cria, nem o Filho só salva, nem o Espírito Santo santifica por sua conta. Tudo é sempre “obra” do Deus Uno e Trino.

Que a festa da Trindade ajude a nos descobrir envolvidos nessa corrente de Vida: nascendo de Deus Pai-Mãe, sendo configurados à imagem do Filho, escutando a melodia do Espírito que desvela constantemente nossa identidade. Estamos continuamente renascendo da Fonte da qual procede tudo o que existe; no Caminho do Filho nossa vida se torna uma grande “travessia” e no Sopro do Espírito, emerge do nosso interior uma criatividade surpreendente e mobilizadora.

Se somos filhos e filhas da Trindade, se cremos de verdade nisso, como não descobrir as “pegadas” da Trindade em nós? Também nós somos Fonte geradora de vida, Caminho aberto ao infinito e Sopro criativo. A “conexão” com a Trindade potencia nossa vida, energiza nosso ser, desperta nossos dinamismos interiores para participarmos do mesmo Amor circulante e expansivo do Deus Uno e Trino, iluminando toda nossa existência.

Texto bíblico:  Jo 16,12-15

Na oração: A conexão com a Trindade é permanente, ininterrupta, inserindo-nos na grande corrente de Vida e de Amor que perpassa toda a Criação, religando tudo e conduzindo tudo para a plenitude: o retorno ao interior da própria Trindade.

– que possibilidades criadoras há em mim que ainda não tive oportunidade de desenvolver?

– como viver conectado com o Todo para que tudo tenha eco em mim?

Por Pe. Adroaldo Palaoro sj

Fonte: http://www.catequesehoje.org.br/

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

O homem, o sacerdócio e o matrimônio.

As noivas se vestem de branco, como a Igreja.

As noivas se vestem de renda, como a Igreja.

As noivas se enfeitam, como a Igreja.
As noivas ficam lindas no dia de seu casamento e arrancam suspiros de seu noivo, como a Igreja.
O noivo é um homem sortudo. Tem diante de si a mais linda das mulheres da face da terra. A mais amada. A mais desejada. Ao olhá-la avançar pelo corredor da Igreja um pensamento lhe passa de relance: “és minha, toda minha, a minha amada”. Chesterton dissera: “Ser fiel a uma única mulher é um preço pequeno demais se comparado a grandiosidade de ter uma mulher”. Certamente é o que se passa na cabeça daquele noivo ao pé do altar esperando ansiosamente sua noiva que, em breve, se tornará sua mulher. Ao final da cerimônia, um beijo sela a união para sempre. Ao início da ação litúrgica um beijo marca também o indelével sinal, o indelével vínculo esponsal do sacerdote com o seu Senhor.
Assim como os noivos caminham para o altar para celebrar a sua união em Deus, também o sacerdote se dirige para o altar para consumar-se. Um só é o homem que se dá, que se entrega, que se doa inteiro. No matrimônio e no sacerdócio o homem há que ser viril e ter coração indiviso. Não haverá de amar mais nada e ninguém mais que sua esposa ou que a Igreja. O homem que se dá inteiro no sacerdócio e no matrimônio há que ser fiel, protetor da casa e da família, das ovelhas e do rebanho do Senhor. Haverá que amar o seu Senhor e Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, com todo o seu entendimento. À diferença do homem casado, o sacerdote amará assim a Deus e o casado amará assim sua esposa e sua família.
O sacerdote que sobe ao altar para celebrar o sacrifício primeiro lhe venera com uma solene vênia, como o esposo venera sua esposa beijando-lhe as mãos. Depois o beija. Ali se dá a entrega de um homem, o holocausto de uma vida. Aquele beijo ao altar é o beijo da fidelidade e do amor, da responsalidade e do sacrifício. Ao beijar o altar o sacerdote diz em seu coração: “Eu sou do meu amado e meu amado é meu” (Ct 6,3), sou todo Dele, para Ele, pela salvação dos homens. O dobrar-se sobre o altar para beijá-lo significa a auto imolação de um homem que – configurado a Cristo Sumo e Eterno Sacerdote – é Cabeça da Igreja, vítima do holocausto, sacrifício pela salvação do mundo. Do mesmo modo que nosso Senhor beijou o madeiro que traria a salvação dos homens, o sacerdote oscula o altar onde ele mesmo se sacrifica pela salvação da humanidade.  O Corpo que se consagra por entre seus dedos é o de Cristo e o seu; o sangue que se derrama em favor de muitos é o de Cristo e o seu.
Como não admirar tamanha capacidade nos homens de amar além de si mesmos? Ambas as vocações são grandes e nobres. Um homem que não saiba amar não pode ser esposo, pai, nem sacerdote. Que todos os esposos beijem suas esposas com a reverência de um sacerdote. Que todo sacerdote ame seu sacerdócio com um amor esponsal.
Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

O segredo para a felicidade está na humildade de coração

O segredo está na humildade de coração, na simplicidade de vida, no serviço e na doação ao outro

O servo não está acima do seu senhor e o mensageiro não é maior que aquele que o enviou” (João 13,16).

Essa verdade do coração de Deus para nós vem depois daquele acontecimento sublime, quando Cristo, na Última Ceia, lavou os pés de Seus discípulos e disse que o servo, o mensageiro, não está acima do Senhor, não está acima d’Aquele que O enviou. Mas o Senhor se fez servo, fez aquele trabalho que era próprio de um servo e está nos dizendo onde este encontra o sentido para sua vida, onde encontra o segredo para a felicidade.

O segredo está na humildade de coração, na simplicidade de vida, no serviço e na doação ao outro. A humildade é uma virtude tão necessária em todas as etapas e situações na vida de cada um de nós, mas não nos deixemos enganar nem nos iludir. A forma com que muitos de nós fomos formados não é a mesma da humildade, mas sim a forma da competição, do orgulho, da vaidade, da soberba, de sermos melhores, mais importantes e de querermos nos sobressair mais que os outros.

A forma com que, muitas vezes, somos formados é de nos preocuparmos com nossas coisas, com o “meu” em primeiro lugar. O “meu pirão”, a “minha farinha”, aquilo que precisamos; depois, se sobrar tempo, se sobrar algo, damos para o outro. O egoísta não consegue ser humilde e o egoísmo nos incha, inflama-nos de orgulho e prepotência.

Amados irmãos e irmãs, se queremos ser felizes, devemos olhar sempre para o nosso coração e nos lembrar da cena que não deve sair de nossas mentes, onde Cristo se faz servo e lava os pés de Seus discípulos.

Ninguém é melhor nem mais importante, ninguém tem o sangue e estrela maior do que ninguém. Somos servos uns dos outros! O lava-pés não é uma encenação ou um teatro da Quinta-feira Santa, mas o nosso modo de ser seguidores de Cristo é o segredo da espiritualidade, da mística cristã; a espiritualidade do serviço, do desprendimento, da humilhação e da humildade.

Se alguém quer ser o primeiro, que seja servo. Se alguém quer se fazer o maior, que se faça menor, que se dê mais, que se debruce mais e faça tudo sem esperar nada em troca. Assim, estaremos aprendendo com o Mestre e ficaremos menos insatisfeitos, cobraremos menos o outro e o nosso coração encontrará a paz na humildade.

Deus abençoe você!

Por Padre Roger Araújo – Comunidade Canção Nova

Adaptação: Portal Terra de Santa Cru

Os enganos que o demônio usa para que deixemos o caminho da virtude

O engano do qual se serve o demônio para nos atacar se manifesta quando seguimos o caminho da virtude com retidão. Ele consiste em diversos bons desejos que provocam em nós a queda da virtude para o vício.

Por exemplo: uma pessoa doente suporta a sua enfermidade com grande valentia. O que fará o astuto inimigo, sabendo que ela poderá dessa forma alcançar a virtude da paciência? Sugerirá à pessoa enferma muitas boas ações que ela poderia realizar se estivesse em situação diversa, e fará o possível para convencê-la de que serviria melhor a Deus e seria mais útil a si mesma e aos demais se tivesse saúde. Esse desejo vai crescendo a tal ponto que põe em desassossego a pessoa que não consegue realizar o que quer. E quanto mais cresce o desejo, mais cresce a inquietação, da qual o inimigo se aproveita para conduzi-la pouco a pouco à impaciência e à rebeldia contra a doença, não por esta mesma, mas pelo impedimento de realizar as boas obras às quais tanto aspirava, buscando um bem maior.

Tendo-a conduzido a esse ponto, é fácil ao diabo fazer com que a pessoa se esqueça da sua principal obrigação (servir a Deus) para buscar somente os meios de se livrar da doença.

Ao ver que isso não acontece, ela se inquieta de tal maneira que perde totalmente a paciência; e então, sem se dar conta, perde a virtude que praticava e cai no vício contrário.

A maneira de se opor a esse engano é não alimentar bons desejos que não possam ser realizados no momento, evitando assim a inquietação de não os poder realizar. Para isso, com humildade, paciência e resignação, convence-te de que teus desejos não teriam o efeito esperado, pois és mais fraca e incapaz do que imaginas. Ou então pensa que Deus, por algum desígnio oculto ou devido aos teus pecados, não deseja que realizes essa boa obra, mas sim que te humilhes e te rebaixes, aceitando com paciência a Sua vontade (1Pd 5,6).

Do mesmo modo, se o teu diretor espiritual ou qualquer outra causa te impedem de praticar alguma devoção do teu gosto, especialmente receber a comunhão, não te deixes abater e nem te inquietes no desejo dela, mas, despojando-te de toda vontade própria, entrega-te à vontade do Senhor, dizendo contigo:

“Se a divina providência não visse em mim ingratidão e pecado, eu não estaria agora impedida de receber a Eucaristia. Já que o Senhor me revela desta maneira a minha indignidade, seja Ele para sempre bendito e louvado. Confio plenamente em tua bondade, meu Deus, e creio firmemente que por este modo não desejas senão que me incline à tua vontade e te obedeça em tudo, abrindo meu coração para que nele entres espiritualmente e o consoles, fortalecendo-o contra os inimigos que pretendem afastar-me de Ti. Que se cumpra tudo o que é agradável aos Teus olhos. Que a Tua vontade seja agora e para sempre o meu alimento e sustento, meu Criador e Redentor. Só esta graça Te peço, meu divino Amor, que minha alma seja purificada e limpa de qualquer coisa que te possa desagradar, que esteja sempre adornada de virtudes e preparada para a tua vinda, bem como para tudo o que quiseres pedir a esta tua indigna criatura”.

Se observares estes princípios, podes estar certa de que, sempre que não te for possível realizar algum bom propósito, seja por alguma deficiência da tua natureza, seja pela ação do demônio que te quer afastar do caminho da virtude, seja porque o próprio Deus quer provar dessa forma a tua resignação à Sua vontade, será justamente nessa resignação que realizarás a vontade divina. Precisamente nisso consiste a verdadeira devoção e o serviço que Ele espera de nós.

A fim de que nunca percas a paciência nas provações, venham de onde vierem, quero advertir-te que, mesmo usando dos meios lícitos que Deus concede aos Seus servos, não o faças com a intenção de ver-te livre das provações, mas apenas por que Deus o quer. Pois não sabemos se é Sua vontade livrar-nos das provações. Se assim não fizeres, facilmente cairás na impaciência ao ver que as coisas não sucedem segundo a tua expectativa, ou tua paciência será defeituosa, pouco agradável a Deus e de pouco mérito.

Finalmente, previno-te sobre um engano muito sutil do nosso amor-próprio, que é muito hábil em dissimular e até defender, em certas ocasiões, os nossos defeitos. Um exemplo é quando um doente se impacienta com a sua enfermidade e tenta justificar essa  impaciência alegando para ela uma causa justa. Ele dirá que a sua impaciência não se deve à enfermidade, mas ao remorso por ser ele mesmo o seu causador, ou pelo incômodo que causa aos que cuidam dele, ou por outros danos que podem advir dessa doença.

O mesmo se dá com o ambicioso, que, perturbado por não haver obtido a dignidade que desejava, não atribui essa perturbação à sua própria soberba e vaidade, mas a outras razões que, entretanto, em nada o preocupam quando não estão em jogo os seus interesses. Como o enfermo, que tanto se compadece dos que se ocupam dele, mas não sofre igualmente quando essas mesmas pessoas se dedicam a outros doentes.

É um sinal evidente de que a raiz de suas lamentações não está nas razões alegadas, mas unicamente no fato de terem seus desejos contrariados. Para não caíres nesse erro,  procura suportar sempre com paciência e humildade o sofrimento e a dor, venham de onde vierem.

D. Lorenzo Scupoli

Retirado do livro: “O Combate Espiritual”

 POR PROF. FELIPE AQUINO 

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz

Os demônios creem e estremecem diante da presença real de Jesus na Eucaristia

“Entendi no mesmo instante que alguma pobre alma atormentada pelo demônio tinha se visto diante de Cristo na Eucaristia”, conta um padre.

A priest holds eucharist - pt

Alguns anos atrás, eu escrevi sobre uma experiência incomum que tive ao celebrar a santa missa: uma pessoa, atormentada pela possessão demoníaca, saiu correndo para fora da igreja no momento da consagração. Voltarei a falar deste caso um pouco mais adiante.

Tenho pensado neste fato desde que um grupo satânico da cidade de Oklahoma (EUA) roubou uma hóstia consagrada de uma paróquia e anunciou que a profanaria durante uma “missa negra”. O arcebispo de Oklahoma, dom Paul Coakley, entrou com uma ação judicial para impedir o sacrilégio e exigir que o grupo devolvesse a propriedade roubada da Igreja. Dom Coakley ressaltou, no processo, que a hóstia seria profanada dos modos mais vis imagináveis, como oferenda feita em sacrifício a Satanás.

O porta-voz do grupo satânico, Adam Daniels, declarou: “Toda a base da ‘missa’ [satânica] é que nós pegamos a hóstia consagrada e fazemos uma ‘bênção’ ou oferta a Satanás. Nós fazemos todos os ritos que normalmente abençoam um sacrifício, que é, obviamente, a hóstia corpo de Cristo. Então nós, ou o diabo, a reconsagramos…”.

À luz do processo judicial, o grupo devolveu à Igreja a hóstia consagrada que tinha roubado. Graças a Deus.

Mas você notou o que o porta-voz satânico atestou sobre a Eucaristia? Ao falar do que seria oferecido em sacrifício, ele disse: “…que é, obviamente, a hóstia corpo de Cristo”.

Por mais grave e triste que seja este caso (e não é o primeiro), esses satanistas explicitamente consideram que a Eucaristia católica É o Corpo de Cristo. Pelo que eu sei, nunca houve tentativas de satanistas de roubar e profanar uma hóstia metodista, ou episcopaliana, ou batista, ou luterana, etc. É a hóstia católica o que eles procuram. E nós temos uma afirmação da própria escritura que garante: “Até os demônios creem e estremecem” (Tiago 2,19).

Em outra passagem, a escritura nos fala de um homem que vagava em meio aos túmulos e era atormentado por um demônio. Quando viu Jesus, ainda de longe, correu até Ele e o adorou (Marcos 5,6). O evangelho de Lucas cita outros demônios que saíam de muitos corpos possuídos e gritavam: “Tu és o Filho de Deus!”. Mas Jesus os repreendia e não os deixava falar, porque sabiam que Ele era o Cristo (Lc 4,41-42).

De fato, como pode ser atestado por muitos que já testemunharamexorcismos, há um poder maravilhoso na água benta, nas relíquias, na cruz do exorcista, na estola do sacerdote e em outros objetos sagrados que afugentam os demônios. Mesmo assim, muitos católicos e não católicos minusvaloram esses sacramentais (assim como os próprios sacramentos) e os utilizam de qualquer jeito, com pouca frequência ou sem frequência alguma. Há muita gente, inclusive católicos, que os consideram pouco importantes. Mas os demônios não! Vergonhosamente, os demônios, às vezes, manifestam mais fé (ainda que cheia de medo) que os crentes que deveriam reverenciar os sacramentos e os sacramentais com fé amorosa. Mesmo o satanista de Oklahoma reconhece que Jesus está realmente presente na Eucaristia. É por isso que ele procura uma hóstia consagrada, ainda que para fins tão nefastos e perversos.

Tudo isso me leva de volta ao caso real que eu descrevi já faz um bom tempo. Apresento a seguir alguns trechos do que escrevi há quase quinze anos, quando eu estava na paróquia de Santa Maria Antiga [Old St. Mary, na capital norte-americana] celebrando a missa em latim na forma extraordinária. Era uma missa solene. Não seria diferente da maioria dos domingos, mas algo muito impressionante estava prestes a acontecer.

Como vocês devem saber, a antiga missa em latim era celebrada “ad orientem”, ou seja, voltada em direção ao oriente litúrgico. Sacerdote e fiéis ficavam todos de frente para a mesma direção, o que significa que o celebrante permanecia, na prática, de costas para as pessoas. Ao chegar a hora da consagração, o sacerdote se inclinava com os antebraços sobre o altar, segurando a hóstia entre os dedos.

Por Pe. Charles Pope

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz

 

A Misericórdia e a Justiça em Deus/ Por Prof. Felipe Aquino

O amor e a misericórdia em Deus são dois atributos que se completam!

São João disse que “Deus é amor” (1 Jo 4,8). Penso que o amor e a misericórdia em Deus são dois atributos que se completam. Todas as obras de Deus trazem estas duas marcas. Toda a Criação é obra desse amor e dessa misericórdia. São Tomás diz que “aberta a Mão de Deus pela chave do amor, as criaturas surgiram”. Toda a Criação é bela, seja mineral, vegetal ou animal; e tudo foi feito para o homem. “O homem é a única criatura que Deus quis por si mesma” (GS, 24). Tudo o mais foi feito para nós, o Cosmo, as trilhões de estrelas como o Sol, os pássaros do céu, as flores, os animais, os peixes… dão glória a Deus quando servem ao homem e lhe servem de alimento. (CIC, §2417). Tudo é fruto da misericórdia divina: “Os Céus e a Terra proclamam a Vossa glória!”

Mas Deus é também Justiça. Sem a Justiça divina a Sua misericórdia fica esvaziada, sem sentido. A justiça é a garantia da santidade, e Deus é “Três vezes Santo”, como disse o Papa Paulo VI. A justiça atua por força da santidade. Por que um pai corrige um filho, lhe dá um castigo, corta a mesada, o passeio, a internet, etc.? Porque o filho não está vivendo corretamente. Não está obedecendo a justiça. Quando a sociedade pune o criminoso, o corrupto, o estuprador, etc., o faz para corrigir, para levar o homem à correção, à santidade.

Ora, Deus é Perfeito, Santo, por isso não pode deixar passar o erro humano sem punir, sem corrigir, pois isso contrariaria a Sua Santidade. É como que um dever e um direito de Deus nos punir quando pecamos. Primeiro porque o pecado ofende a Majestade Infinita de Deus; e, segundo, porque a Sua santidade exige a nossa santidade; pois sem ela “não podemos ver a Deus” (Hb 12,14). Por isso Deus exerce a Justiça. Após a morte “importa que todos nós compareçamos diante do tribunal de Cristo. Ali cada um receberá o que mereceu, conforme o bem ou o mal que tiver feito enquanto estava no corpo” (2 Cor5,10). E no final da história Ele “virá para julgar os vivos e os mortos” (Credo). Mas a misericórdia divina ainda nos dá outra oportunidade de chegar à santidade após a morte: o Purgatório. E as indulgências parciais e plenárias aliviam essas penas. Ela não são de graça; são decorrentes dos méritos de Cristo, da Virgem Maria e dos santos. Nada é de graça, tudo é dom da misericórdia. Alguém paga pela satisfação da Justiça divina.

O que é então a misericórdia de Deus?

É o cumprimento da Sua Justiça, quando pecamos; mas, satisfeita com o auxílio do próprio Deus, já que não podemos satisfazê-la por nós mesmos. Como assim? Vejamos:

Deus criou o homem e a mulher por amor, e os colocou em Sua intimidade, desfrutando da perfeição humana, nos estados de justiça e de santidade. Isto é, harmonia perfeita consigo mesmo, com a mulher, com a natureza e com Deus. Era o Paraíso, a felicidade plena, sem sofrimento e sem morte. Mas o homem ofendeu barbaramente a Deus. Preferiu ouvir a voz da antiga Serpente, Satanás, do que ouvir a voz de Deus. Disse NÃO! a Deus, desconfiou do amor de Deus, tentado pelo Mal.

Então, foi expulso do Paraíso; perdeu os dons préter naturais, a graça, a imortalidade, e teve, então, de tirar da terra o pão de cada dia com o suor do seu rosto. A mulher passou a dar a luz na dor, a natureza se rebelou, porque era propriedade do homem. Os animais e a natureza se desorientaram. A morte entrou na história humana. Somente quando o Reino messiânico for estabelecido totalmente é que os terremotos não mais existirão, e “o lobo será hospede do cordeiro, a pantera se deitará com o cabrito, o touro e o leão comerão juntos… a criança de peito brincará junto à toca da víbora. Não se fará mal em todo o monte santo” (Is 11,6-9).

 

A humanidade toda nascida de Adão estava condenada, por causa da ofensa a Deus, a viver a frustração, longe da felicidade do Criador; estava destinada ao inferno: se deixou levar pelo demônio, agora passaria a viver com ele para sempre. Isto é o efeito da Justiça divina, puniu o homem; não poderia ser diferente.

O Salmista fala inúmeras vezes que o reino de Deus se mantém pelo direito e pela justiça, não pela força:

“Deus ama a justiça e o direito, da bondade do Senhor está cheia a terra” (Sl 32, 5). “Como a luz, fará brilhar a tua justiça; e como o sol do meio-dia, o teu direito” (Sl 36, 6).

Ora, como foi o homem quem ofendeu a Deus – uma ofensa que tem magnitude infinita porque a Majestade de Deus é infinita – então, um homem deveria fazer essa reparação à Justiça divina ferida. Mas não havia um homem capaz disso, pois todos estavam envolvidos no pecado de Adão. O Catecismo diz que ainda que o homem mais santo morresse na cruz, seu sacrifício seria insuficiente para reparar a ofensa à Majestade Infinita de Deus. Era preciso que um homem, que também fosse Deus, fizesse a oblação de sua vida. Então, o Verbo, no seio do Pai, se ofereceu para se fazer homem, assumir a natureza humana, e então poder morrer, oferecendo o valor Infinito de Sua oblação para reparar a ofensa da humanidade. Foi este aniquilamento do Verbo humanado que mostra toda a misericórdia divina.

A Carta aos Hebreus explica isso: “Eis por que, ao entrar no mundo, Cristo diz: Não quiseste sacrifício nem oblação, mas me formaste um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam. Então eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade (Sl 39,7ss)… Eis que venho para fazer a tua vontade. Assim, aboliu o antigo regime e estabeleceu uma nova economia. Foi em virtude desta vontade de Deus que temos sido santificados uma vez para sempre, pela oblação do corpo de Jesus Cristo… Cristo ofereceu pelos pecados um único sacrifício e logo em seguida tomou lugar para sempre à direita de Deus.” (Hebreus 10,5-12).

Não foi o Pai quem impôs o sacrifício da Cruz a Seu Filho único; foi o Filho, que por amor a nós e por misericórdia, se compadeceu de nossa miséria e Se ofereceu para ser imolado em nosso lugar. O pecado do homem exige a sua morte, porque Deus é quem lhe dá a vida.

Aqui está o apogeu da Misericórdia de Deus: o Verbo se fez carne, a Misericórdia se fez homem, para nos salvar da morte eterna, quando nenhum homem poderia ser nosso salvador. Ele veio como o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29, 1 Pe 1,18; Jo 3,16; Hb 9,26; Cl 1,13; Gl 1,4; Gl 3,13). Foi imolado por nós, por você e por mim (cf. Gal 2,20).

E Cristo pagou um preço indizível, inenarrável. Nasceu como o “pobre dos pobres”, não teve uma maternidade, uma parteira, nem mesmo um berço. Esvaziou-se completamente de tudo (cf. Fil 2, 9ss), fez-se escravo e morreu numa cruz. Seu corpo foi todo flagelado, Sua Cabeça perfurada por mais de setenta espinhos. Sua agonia no Horto das Oliveiras foi tão horrível que o Sangue verteu do seu corpo misturado com o suor frio. Tudo que um homem podia sofrer, Ele sofreu, para que seu sacrifício humano pleno, completo, garantisse à humanidade a Redenção plena. “Tudo está consumado, Pai!”. Bebi todo o cálice da Redenção da humanidade! Isto é a misericórdia divina. Satisfez a justiça divina o que não podíamos satisfazer. “Deus amou a tal ponto o mundo que deu o Seu Filho único para que todo que Nele crer tenha a vida eterna” (Jo 3,16). A humanidade foi salva pela misericórdia divina, que não anulou a Justiça divina, mas a cumpriu em nosso lugar. Misericórdia é sofrer no lugar do outro, para que ele viva.

Logo que ressuscitou, no domingo, Jesus apareceu aos Apóstolos e instituiu o Sacramento da Confissão, para o perdão dos pecados, cujo perdão Ele tinha então conquistado. “Assim como o Pai me enviou, Eu envio a vós, a quem perdoardes os pecados, eles serão perdoados… “ (João 20,22). A humanidade tinha agora o perdão à sua disposição; basta crer e ser batizado e será salvo. Se pecar, buscar a Confissão. É a grande obra da misericórdia divina. Quando o sacerdote absolve o pecador, é o Sangue de Cristo que lava a sua alma. É o exercício da misericórdia. Agora só se perde quem quiser, quem desprezar a divina e eterna misericórdia. É o que Jesus disse a Santa Faustina Kowalska. Com a Sua morte ele nos deu vida e abriu para a humanidade um Mar de misericórdia. Jesus disse à Santa que é preciso beber neste Mar com o vaso da Confiança.

Mas, tem mais, como Ele sabia que o pecado original adoeceu e enfraqueceu a nossa natureza, então, Ele quis ficar pessoalmente conosco, para ser o “remédio e o sustento” de nossa vida. Então, se aniquilou, se fez Pão e Vinho, para ser comido e bebido, e poder estar em nossa alma. Excesso de misericórdia! Está hoje em todos os Sacrários da Terra, oculto, prisioneiro, aniquilado, até o fim do mundo, para nosso sustento. Não há problema que não possa ser resolvido ali a Seus pés. Este é o maior de todos os Seus milagres. E ainda nos deixou a Igreja, os Sacramentos, a Sua Palavra, a oração litúrgica, a Sua Mãe para ser nossa mãe espiritual, para que possamos voltar para o Paraíso do qual fomos excluídos pelo pecado.

Como pagar a Jesus tanto amor, tanta misericórdia?

São João da Cruz disse que “amor só se paga com amor”. Ele disse na Santa Ceia aos Apóstolos: “Se me amais guardareis os Meus Mandamentos” (Jo 14,15). Amá-lo é viver como Ele quer, como a Sua Igreja nos ensina, e buscar em primeiro lugar o Reino de Deus. Trabalhar pelas salvação das almas, pois há mais alegria no Céu por um pecador que se converte do que pelos justos. Assim como Ele deu sua vida por nós, dar a nossa pelos irmãos, ensinou São Pedro.

Que a mesma misericórdia divina se compadeça de nós e nos ajude a dar a Deus uma resposta de amor. Que nossa vida seja um hino de louvor à Sua Majestade e à Sua Misericórdia. Aproveitemos este ano de 2016 em que as suas comportas estão mais abertas. “Ó Sangue e água que jorrastes do Coração de Jesus como fonte de misericórdia, eu confio em vós!”

Escrito por Prof. Felipe Aquino | Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

As 7 respostas para 7 objeções sobre o terço/saiba o que responder.

Repetir as orações do terço equivale a repetir a alguém que você o ama.

É interessante constatar como cada vez mais pessoas rezam o terço, e não somente as católicas: também membros de outras confissões religiosas estão descobrindo a riqueza desta oração. E muitos devem sua conversão ao santo rosário.

No entanto, também existem os que não o rezam porque têm objeções. Então, aproveitando o mês de outubro, que é o mês dorosário, vale a pena responder a algumas dessas objeções:

1. O terço não está na Bíblia

Claro que está! Certamente, não como o conhecemos hoje, mas todas as orações do terço e os mistérios que meditamos têm sua origem na Bíblia. Não foi por acaso que o Papa João Paulo II chamou o terço de “compêndio do Evangelho”.

2. Onde a Bíblia diz que devemos rezar o terço?

A esta pergunta podemos responder com outra: onde a Bíblia diz que devemos fazer só o que a Bíblia diz? Desde sua origem, a comunidade cristã se guiou pela Sagrada Escritura, mas também pelos ensinamentos dos apóstolos (como pede a Bíblia).

E se você quer cumprir o que a Bíblia diz, lembre-se de que a Bíblia pede para meditar sobre a Palavra de Deus, orar e interceder uns pelos outros. E o terço é isso!

Não nos esqueçamos de que Maria disse que todas as gerações a chamariam de bem-aventurada. Como cumpre esta promessa deMaria quem não reza a Ela?

3. Maria foi uma mulher como todas, morreu e não ouve nossas orações

Consideremos estas 4 afirmações (irrefutáveis, dado que são bíblicas):

Maria foi escolhida por Deus para ser a Mãe do seu Filho. Isso a torna superior a todas as mulheres.

– No Antigo Testamento, vemos a grande importância dada à mãe de um rei e seu poder de interceder por alguém diante de seu filho.

– O Senhor, que nos mandou honrar nossa mãe, sem dúvida honrou a sua. Como? Libertando-a da corrupção do pecado e da morte.

– Jesus disse que Deus não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque todos vivem para Ele.

Estas afirmações permitem concluir que Maria, como Mãe do Filho de Deus, Mãe do Rei, está no céu, junto a Jesus, e Ele atende sua intercessão por nós.

4. O terço dá mais importância a Maria que a Jesus

Tudo no terço nos faz olhar para Jesus. Rezamos o Pai-Nosso, que Jesus nos ensinou. Nas Ave-Marias, nós o proclamamos “Bentito” e pedimos à sua Mãe que rogue por nós. Além disso, todos os mistérios estão relacionados à sua vida.

5. O terço é uma oração repetitiva, como as que Jesus condena

Jesus não condenou a repetitividade, mas o vazio das preces. Ele mesmo justificou um publicano que pedia perdão repetitivamente. Repetir as orações no terço equivale a repetir a alguém que você o ama, e não se cansa de dizer nem ouvir isso. A sequência de Ave-Marias acalma a alma e permite contemplar cada mistério.

6. É complicado rezar o terço

É fácil rezar o terço e é fácil aprender a rezá-lo. Há uma verdadeira abundância de folhetos explicativos e pessoas que boa vontade que podem lhe ensinar.

7. Rezar o terço é chato

Chato é rezar mecanicamente, pensando em outra coisa e esperando acabar logo. Se você aproveitar cada mistério para contemplar a cena e sobretudo para relacioná-la com o que você está vivendo, conversando sobre isso com Maria, então rezar oterço será fascinante, sempre atual, e você gostará mais dele, porque o renova constantemente.

Fonte :  (Artigo publicado originalmente por Desde la Fe)

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

Qual a diferença entre corpo, alma e espírito? Você, católico, saberia explicar isso se alguém lhe perguntasse?

 

No Novo Testamento a distinção entre corpo, alma e espírito aparece somente uma única vez. São Paulo assim diz na I Carta aos Tessalonicenses: “Que o próprio Deus da paz vos santifique inteiramente, e que todo o vosso ser – o espírito, alma e o corpo – seja guardado irrepreensível para a vinda do Senhor Jesus Cristo! (5,23). O Catecismo, por sua vez, explica essa passagem:

Por vezes ocorre que a alma aparece distinta do espírito. Assim, São Paulo ora para que nosso “ser inteiro, o espírito, a alma e o corpo”, seja guardado irrepreensível na Vinda do Senhor. A Igreja ensina que esta distinção não introduz uma dualidade na alma. “Espírito” significa que o homem está ordenado desde a sua criação para o seu fim sobrenatural, e que sua alma é capaz de ser elevada gratuitamente à comunhão com Deus. (367)

WEB-Prayer-Vigil-Sam-Javanrouh - pt
Sam-Javanrouho

Atualmente existe uma tendência dos teólogos em dizer que o ser humano não possui alma, pois isto seria uma visão dualista, platônica e que não corresponderia ao pensamento bíblico, judeu. Nada mais equivocado.

No Antigo Testamento, durante muito tempo não se falou em “ressurreição dos corpos”. pelo contrário, cria-se que a pessoa vivia no “sheol”, eram “refrains”, cuja existência era sombria, até mesmo umbrátil.

Aos poucos, Deus foi revelando que aquelas “sombras” na verdade continuavam tendo personalidade e que os bons eram abençoados e os maus punidos. A ideia de que ao término de sua vida a pessoa era recompensada – embora ainda não se falasse em ressurreição – estava bem clara no Antigo Testamento como um segundo passo, já na época dos Profetas.

O terceiro passo começar a surgir. Após a morte, no fim dos tempos, o corpo e alma irão se unir e haverá a ressurreição dos mortos. Logo após vem o Novo Testamento.

Nosso Senhor Jesus Cristo diz ao Bom Ladrão na Cruz: “Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso”(Lc 23,3). Ora, o “hoje” a que Ele se refere só pode dizer respeito à alma do Bom Ladrão, pois o corpo, evidentemente, seria sepultado, assim como o corpo de Jesus também o foi.

No Novo Testamento quando uma pessoa morre existe uma punição eterna ou uma recompensa eterna e no final dos tempos haverá também a ressurreição dos mortos. É uma distinção clara entre o corpo e a alma.

O Catecismo ensina que o corpo e a alma são uma só natureza humana, não são duas naturezas que se unem, mas uma só realidade e, com a ruptura dessa realidade única chamada morte, algo terrível acontece, algo que não estava nos planos de Deus. Mesmo assim o homem é corpo e alma, material e espiritual respectivamente.

Por que, então, São Paulo fala de “corpo, alma e espírito”? Recordando que a Igreja ensina com toda clareza que não são duas almas, mas corpo e alma. Existe, contudo, na única alma humana, o lugar onde Deus habita. Trata-se do “espírito”, ou seja, uma realidade sobrenatural que existe nos homens.

Assim, aqueles que são filhos de Deus batizados – corpo e alma – pelo fato de serem templo de Deus, possuem um “lugar” onde Deus habita. É possível dizer também que o lugar onde Deus habitaenquanto Espírito Santo é que o se chama de “espírito”.

A alma como um todo é responsável por diversas coisas: inteligência, vontade, fantasias, etc., mas nem tudo isso é o lugar onde Deus habita. Este é lugar mais profundo do homem, onde ele é ele mesmo de tal forma que não é mais ele e sim Deus. “Interior intimo meo”, como definiu Santo Agostinho.

O ser humano não foi abandonado a si mesmo, natureza pura. Dentro de sua natureza existe uma outra natureza, o sobrenatural, a presença de Deus. A natureza agraciada por Deus (nos pagãos é a graça de Cristo). Mas os batizados possuem uma consistência ainda maior, pois podem e devem reconhecer que são filhos de Deus, templos do Espírito Santo.

Por Padre Paulo Ricardo – A Resposta Católica

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

O que nosso anjo da guarda faz depois da nossa morte?

A missão do seu anjo da guarda não termina quando você morre – e é maravilhoso descobrir o que ele ainda vai fazer por você depois disso

O Catecismo da Igreja Católica, referindo-se aos santos anjos, ensina no número 336 que, “desde o início até a morte, a vida humana está cercada de sua custódia e intercessão”.

anjo-da-guarda

A partir disso, conclui-se que a pessoa conta com a proteção e guarda do seu anjo mesmo no momento da sua morte. Ou seja, os anjos não nos acompanham somente nesta vida, mas sua ação se prolonga até nossa morte, nossa passagem para a vida eterna.

Para entender a relação que une os anjos às pessoas no momento de sua passagem à outra ida, é preciso compreender que os anjos foram “enviados para todos aqueles que hão de herdar a salvação” (cf. Hb 1, 14). Ou seja, a principal missão do anjo da guarda é a salvação do ser humano, é fazer que a pessoa entre na vida de união com Deus. E, nesta missão, encontra-se a assistência que o anjo dá às almas no momento em que se apresentam diante de Deus.

Os Padres da Igreja destacam a especial missão dos anjos de assistir as almas na hora da morte e protegê-las dos últimos ataques dos demônios.

São Luís Gonzaga (1568-1591) ensina que, no momento em que a alma abandona o corpo, esta é acompanhada e consolada pelo seu anjo da guarda para que se apresente com confiança diante do tribunal de Deus.

Segundo o santo, o anjo apresenta os méritos de Cristo, para que neles se apoie a alma no momento do seu juízo particular; e, uma vez pronunciada a sentença pelo Divino Juiz, se a alma é enviada ao purgatório, esta recebe a visita frequente do seu anjo da guarda, que a conforta e consola, levando-lhe as orações que foram feitas por ela e garantindo-lhe sua futura libertação.

A missão dos anjos da guarda continua até levar a alma à união dom Deus.  No entanto, é necessário levar em consideração que, depois da morte, nos espera um juízo particular, no qual a alma, diante de Deus, pode escolher entre abrir-se ao amor de Deus ou rejeitar definitivamente seu amor e seu perdão, renunciando assim, para sempre, à comunhão alegre com ele (cf. João Paulo II, audiência geral de 4 de agosto de 1999).

Se a alma decide entrar em comunhão com Deus, seu anjo se unirá a ela para louvar eternamente o Deus Uno e Trino.

Se a alma precisa passar pelo purgatório, seu anjo intercederá por ela diante do trono de Deus e buscar ajuda entre os homens na terra para levar orações ao seu protegido, ajudando-o a sair do purgatório o quanto antes.

As almas que decidem rejeitar definitivamente o amor e o perdão de Deus, também rejeitam a amizade eterna do seu anjo da guarda. Neste terrível evento, o anjo louva a justiça e santidade divinas.

Em qualquer um dos três possíveis cenários (céu, purgatório ou inferno), o santo anjo sempre se alegrará com o juízo de Deus, pois ele se une de maneira perfeita e total à vontade divina.

Nunca nos esqueçamos de que nós podemos nos unir aos anjos dos nossos entes queridos já falecidos, para que eles levem nossas orações diante do trono de Deus, para que o Senhor manifeste sua misericórdia.

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

Espiritualidade Humana: SOU TRIGO DE DEUS!

“Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora para o Filho do Homem ser glorificado. Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á; mas quem odeia a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém me quer servir, siga-me; e, onde eu estiver, estará ali também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará.”

67760_Papel-de-Parede-Trigo-de-Verao_1920x1200.jpg

O pão da eucaristia é feito de trigo, mas esse trigo antes de tornar farinha tem sua história. O terreno é preparado para receber sua semente, é ele plantado, vieram sol, chuvas, passaram dias e noites e ele permaneceu ali, calado sem escolha. Quando chega a hora da colheita ele passa por um processo, numa máquina ou manualmente. Depois esse trigo é triturado, moído até virar pó.

O que para nós é a Eucaristia? É ela a ação de graças a Deus, é ela a atualização do sacrifício de Cristo. Não teria semelhança entre o processo do trigo com a redenção de Jesus? Nosso Deus é inteligente, ele fala por imagens e por fatos concretos da vida cotidiana. Somente prestemos atenção no início desse versículo acima, Jesus fala de sua hora, a hora de sua morte e logo em seguida ele fala do trigo, coincidência? Não! Plano de Deus.

Ninguém hoje quer ser trigo, mesmo ele sendo usado às vezes em belas decorações, ninguém quer ser um, porque não iria sentir-se realizado, pois não é esse o seu fim.

Somos materialistas demais, a carne que é a chefe da nossa vida, e ela foge de sofrimento, sendo esse necessário para nossa santificação e maturação. Certa vez encontrei esse pensamento em um texto: “Ficaríamos atordoados com as respostas positivas de recém-mamães, se perguntássemos a elas sobre suas lembranças do sofrimento do parto em suas vidas. Elas se lembrariam do sofrimento, claro. Mas ao contemplarem suas pequenas crias, num piscar de olhos, o sofrimento se transformaria em recompensa.Uma namorada, sofrida pela distância de seu grande amor, não hesitaria em responder que sua saudade é um sofrimento. Mas que o encontro futuro, daria uma satisfação maior do que qualquer dissabor do passado. O sofrimento se transformou aqui, em esperança.

As mulheres, que todos os domingos precisam visitar seus maridos em uma penitenciária, passam por muito sofrimento e muita angústia. Mas, cada passo, dentro do complexo penitenciário, tem a alegria do reencontro, da liberdade. O sofrimento faz lançarmos olhares para um futuro que ainda não é real. O sofrimento tem dois lados. O lado negativo quando eu falo “ai, ai, mais um dia” e o lado positivo, “que bom, menos um dia”. O olhar que eu tenho sobre meu sofrimento define o tipo de dor que terei. O sofrimento está grudado ao ser humano. Ninguém foge do sofrer. O máximo que se consegue é adiá-lo por algum tempo. Mas todos nós, cristãos ou não, passaremos por este “fogo de provação” chamado sofrimento. E é por ser parte de minha vida que ele é uma importante via para minha salvação. Ele é uma presença misteriosa e santificante de Deus e também desenvolvimento da maturidade humana. Por isso que, um bom evangelizador é aquele que comunica seu sofrer com Cristo de maneira madura e verdadeira.”

Bonito não é!? Mas não é simplesmente uma carta de amor, que mexe somente com os nossos sentimentos, isso é vida. E sabemos que grandes homens passaram por sofrimentos terríveis por isso o são grandes homens.

Exemplo mais profundo, misterioso e redentor do sofrimento foi o que passou nosso Senhor Jesus Cristo, diz a canção: “Se não houver a luta como pode haver vitória, foi o Senhor que ensinou que é pelo Calvário que se chega à glória”.

Não basta a gente dizer que Jesus já pagou por tudo, e de fato pagou está escrito: “por alto preço fostes comprados” temos que fazer valer, pense, por exemplo, Jesus passou por tudo e quem sou eu para não passar.

Somos convidados várias vezes a práticas de sofrimento, por exemplo, ao jejum: “Quando jejuares, perfuma a tua cabeça e lava o teu rosto”, “Quanto a esta espécie de demônio, só se pode expulsar à força de oração e de jejum” e mais, “Em seguida, Jesus disse a seus discípulos: Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, recobrá-la-á”.

Não tem como fugirmos do sofrimento, então faça dele sua ajuda necessária para a salvação e crescimento humano e espiritual.  Use dessa arma poderosa para ‘combater o bom combate da fé’, São Paulo em uma de suas peregrinações afirmou: ‘o sofrimento que passo hoje não tem proporção com a glória futura que irei receber’ viu Ele no sofrimento a sua própria redenção e salvação.

Coloquemo-nos nas mãos de Deus como trigos ou como pessoas que ao menos estão se preparando para ser estraçalhado pelo sofrimento para sermos agraciados com a glória do céu.

Sofra, mas sofra um sofrimento redentor e realizador algo que a carne não explica, mas a alma pula de alegria porque damos acesso para agir em nós.

As grandes manifestações de Deus existiram em pessoas que se colocaram como trigos, foram humilhadas, esmurradas, flageladas e até crucificadas, veja se esse homem entendeu o que é o sofrimento: “Tertuliano, grande teólogo, chegou a dizer: “O sangue dos mártires é semente de novos cristãos”. (Confissões). Houve quem se atemorizasse e cedesse no momento da perseguição, pois nem todos receberam a graça e a força para enfrentar o martírio.”

Para encerrar esse meu pensamento repito o que escrevi acima: “se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto.”

Senhor me dê a graça ao menos de um martírio incruento.

Por/ Helder Filho. – Leia mais: http://www.afecatolica.com

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz