Arquivo da categoria: Doutrina Social da Igreja

Lançado o DOCAT – A Doutrina Social da Igreja para os Jovens.

Dando continuidade ao projeto do YOUCAT, finalmente chega às livrarias brasileiras o “DOCAT – como agir” o livro apresenta a Doutrina Social da Igreja numa linguagem jovem e bem dinâmica. Esta obra conta com o prefácio do Papa Francisco que manifesta o sonho de ter 1 milhão de jovens que leiam e estudem a Doutrina Social da Igreja, mais do que isso convida-os a ser Doutrina Social em movimento.

O DOCAT foi lançado na Jornada Mundial da Juventude em Cracóvia, Polônia em julho deste ano. Assim como o Papa Bento XVI presenteou os jovens na Jornada de 2011 em Madrid com o YOUCAT, o Papa Francisco na JMJ 2016, também quis brindar a juventude com algo marcante. No início, o presente foi o “DOCAT App”, um gesto que foi o ponto de partida para uma campanha juvenil em escala global: “Faça parte do sonho do Papa”, um sonho em que os jovens serão a Doutrina Social em ação.

No prefácio, o Papa Francisco desafia todos os jovens a entrarem no mundo da política e a lutar pela justiça e pela dignidade humana, sobretudo dos mais pobres. “Um cristão que não seja revolucionário neste tempo, não é cristão”, diz o Papa.

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O QUE É O DOCAT?‬

O DOCAT é uma tradução acessível da Doutrina Social da Igreja Católica, o material foi desenvolvido com base em importantes documentos da Igreja desde Leão XIII até o atual pontificado do Papa Francisco, ele mesmo no prefácio, nos diz que “com a força do Evangelho, podemos mudar realmente o mundo”. O sonho do Papa é que esta mudança aconteça pelas mãos dos jovens. “Eu espero que um milhão de jovens, mais ainda, que uma geração inteira seja, para os seus contemporâneos, uma Doutrina Social em movimento”, diz Francisco.

O ‘DOCAT – o que fazer’ está dividido em 12 capítulos, responde a 328 questões sobre temas como família, paz, política, economia, vida como um dom. Com a aprovação oficial da Igreja Católica por meio da Congregação da Doutrina da Fé e do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, hoje é considerado pelo Vaticano a melhor ferramenta para quem deseja conhecer com facilidade e rapidez a Doutrina Social da Igreja, ou para quem tem a missão de ensiná-la aos outros. Para o missionário e responsável pelo YOUCAT Center Brasil, Jerônimo Lauricio, o melhor caminho para aproximar os jovens é “ser paciente e lançar as sementes da DSI com a mesma honestidade e ousadia que o Papa fez conosco na Vigília da JMJ em Cracóvia, ao nos dizer que ‘o mundo de hoje nos pede para ser protagonistas da história, porque a vida é bela desde que a queiramos viver, desde que queiramos deixar uma marca que determine a nossa história e a história de muitos outros’, é esse convite que todos nós precisamos semear com palavras e atitudes concretas no coração desses jovens”.

‬‬‬FERRAMENTA DE EVANGELIZAÇÃO

Essa nova ferramenta de formação e evangelização como o YOUCAT está baseada em perguntas e respostas, para que o jovem compreenda e possa colocar as reflexões em prática. O DOCAT, seguindo os passos e propostas da Nova Evangelização, pretende recordar aos jovens que sua principal tarefa enquanto cristãos em todo o mundo é também encher de ‎Fé, Esperança e ‎Caridade os espaços que aos poucos foram instrumentalizados, esvaziados de sentido e dignidade. A obra foi elaborada por renomados especialistas em Doutrina Social, e contou com a participação de jovens de alguns países.

Pe. Toninho, Assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB, destaca que “a Pastoral Juvenil é a primeira responsável pela evangelização da juventude. O DOCAT é parte dessa missão da evangelização da juventude. Sendo a Pastoral Juvenil a primeira responsável por essa evangelização na Igreja do Brasil, acolhe e abre espaço para que Associação Youcat Brasil possa contribuir nessa grande missão”.

Para o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude, Dom Vilson Basso, “assim como o Papa Francisco quer um milhão de jovens, queremos uma geração inteira que mude a si mesmo, que mude esse planeta pela força do amor e da solidariedade sendo sal da terra e luz do mundo. Queremos que o DOCAT anime a juventude do Brasil a fazer a sua parte por um mundo melhor”.

COMO ESTUDAR?  NA PRÁTICA  – ACESSE O MAPA 

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Fonte: Jovens Conectados – Conheça e saiba mais sobre DOCAT

Foto capa/ Reprodução: Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização

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Doutrina Social da Igreja não é ideologia

A Doutrina Social da Igreja difere das ideologias, porque faz reflexão sobre a própria realidade do homem. A Doutrina Social da Igreja difere radicalmente das ideologias, porque pretende ser o resultado de uma reflexão sobre a própria realidade do homem e da sociedade. Por não ser uma ideologia, ela [Doutrina Social da Igreja] não se apresenta como uma panaceia, ou seja, como um remédio universal para todos os males sociais, com soluções prontas e acabadas para todos os problemas coletivos, tal como se dá com as ideologias já citadas do liberalismo e do socialismo. Os ideólogos liberais e socialistas, por exemplo, acham que as mesmas medidas sociais são capazes de solucionar os problemas tanto dos Estados Unidos como os da Zâmbia, tanto os do Brasil como os da Noruega entre outros. Não compreendem que países diferentes, dotados de características culturais e geográficas diferentes, têm problemas diferentes e reclamam, por isso mesmo, soluções diferentes.

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A relação da DSI com Aristóteles

Na verdade, falta às ideologias modernas a distinção entre essência e acidentes, fato que não ocorre com a Doutrina Social da Igreja, tendo em vista que esta bebeu da filosofia de Aristóteles. Considerado o príncipe eterno dos verdadeiros filósofos, esse grande pensador compreendeu que todos os seres existentes são uma realização concreta e individual de uma essência ou natureza abstrata e universal. A natureza ou essência predica-se identicamente de todos os entes que a possuem – Aristóteles não é mais homem do que Sócrates, da mesma forma que Duque não é menos cão que Rintintim.

Um ser humano não difere de outro pela natureza, mas pelos acidentes: altura, sexo, idade, local de nascimento, cor da pele, profissão, classe social, grau de instrução entre outros. Todos esses são acidentes do ser humano, sem que isso implique alteração ou diminuição de sua invariável natureza. Assim, se por um lado a natureza faz com que determinado ser seja algo – um homem, um cão, um gato, uma planta, um mineral – os acidentes preenchem de concretude aquela essência que, em si mesma, é um esquema abstrato de possibilidades. Assim, cada indivíduo é um universal concreto – a realização concreta e particular de uma essência universal.

Ora, a Doutrina Social da Igreja trabalha no plano da essência, no plano do universal e não desce aos detalhes dos acidentes. Desse modo, essa doutrina, em vez de oferecer um modelo de sociedade em seus mínimos detalhes, vem propor princípios universais, exigências mínimas e fundamentais, válidas para qualquer espécie de sociedade, independente de cultura ou momento histórico, sem impor nenhum regime político ou social específico. Com efeito, ensinou o Concílio Vaticano II: «A Igreja não está ligada, por força da sua missão e natureza, a nenhuma forma particular de cultura ou sistema político, econômico ou social» (Constituição pastoral Gaudium et Spes, 42). Entretanto, pelo fato de a Doutrina Social da Igreja não impor nenhum regime político específico, não podemos concluir que ela seja compatível com qualquer forma de organização da sociedade.

A Igreja nunca cessou de denunciar os erros das ideologias modernas, como o liberalismo e o socialismo. Consta do Catecismo da Igreja Católica (CIC): «A diversidade dos regimes políticos é moralmente admissível, contanto que concorram para o bem legítimo da comunidade que os adota. Os regimes cuja natureza é contrária à lei natural, à ordem pública e os direitos fundamentais das pessoas não podem realizar o bem comum das nações às quais são impostos» (CIC, 1901).

Exigências da Doutrina Social

O que se quer deixar claro é que as exigências da Doutrina Social da Igreja são de caráter moral e não de caráter técnico. Essa doutrina limita-se a enunciar as exigências universais que não podem ser transgredidas por nenhuma sociedade, sendo que as decisões de caráter técnico e específico devem ser tomadas para satisfazer, da melhor maneira, as exigências de ordem moral, segundo as circunstâncias concretas de cada povo. É aqui que cabe um papel importantíssimo aos leigos: a nós compete a aplicação concreta da Doutrina Social da Igreja, traduzindo os princípios morais que o magistério enuncia em soluções técnicas e políticas. Efetivamente, assim ensinou o Papa Paulo VI: «Os leigos devem assumir como tarefa própria a renovação da ordem temporal. Se o papel da hierarquia consiste em ensinar e interpretar autenticamente os princípios morais que se hão de seguir nesse domínio, pertence aos leigos, por suas livres iniciativas, e sem esperar passivamente ordens e diretrizes, imbuir de espírito cristão a mentalidade e os costumes, as leis e as estruturas da sua sociedade» (Encíclica Populorum Progressio, n. 81).

Rodrigo R. Pedroso é advogado graduado pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (FD/USP), mestrando em Filosofia política pela FFLCH/USP e procurador da Universidade de São Paulo. Críticas, dúvidas e sugestões podem ser enviadas para o correio eletrônico rpedroso01@terra.com.br.

Adaptação Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização