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O tempo da quaresma segundo o Diretório da Liturgia

Na próxima quarta-feira(01/03), iniciaremos o período da Quaresma. O tempo da Quaresma vai da Quarta-feira de Cinzas até a Missa da Ceia do Senhor. É o tempo para preparar a celebração da Páscoa. “Tanto na liturgia quanto na catequese esclareça-se melhor a dupla índole do tempo quaresmal que, principalmente pela lembrança ou preparação do Batismo e pela penitência, fazendo os fiéis ouvirem com mais frequência a Palavra de Deus e entregarem-se à oração, os dispõe à celebração do mistério pascal” (SC, nº 109).

Quaresma é a designação do período de quarenta dias que antecedem a principal celebração do cristianismo: a Páscoa, a ressurreição de Jesus Cristo, que é comemorada no domingo e praticada desde o século IV

Anotações:

1. Durante este tempo, é proibido ornar o altar com flores; o toque de instrumentos musicais só é permitido para sustentar o canto. Excetuam-se o Domingo Laetare (4º Domingo da Quaresma), bem como as solenidades e festas.

2. A cor do tempo é roxa. No Domingo Laetare, pode-se usar cor-de-rosa (IGMR, n.308f).

3. Em todas as Missas e Ofícios (onde se encontrar), omite-se o Aleluia.

4. Nas solenidades e festas somente, como ainda em celebrações especiais, diz-se o Te Deum e o Glória.

5. As memórias obrigatórias que ocorrem neste tempo podem ser celebradas como memórias facultativas (cf. Anotações Gerais 2.4). Não são permitidas missas votivas.

6. Na celebração do Matrimônio, seja dentro ou fora da Missa, deve-se sempre dar a bênção nupcial; mas admoestem-se os esposos que se abstenham de demasiada pompa.

Notas para a Quarta-feira de Cinzas:

1. Dia de jejum e abstinência.

2. Na Missa, depois do Evangelho e da homilia, se benzem e impõem as cinzas feitas de ramos de oliveira ou outras árvores, bentos no Domingo de Ramos do ano anterior. O ato penitencial se omite.

3. A bênção e imposição das cinzas também podem ser feitas sem Missa; neste caso, oportunamente, precede uma Liturgia da Palavra, aproveitando o canto de Entrada, a Coleta e as leituras da Missa com seus cantos; depois da homilia, são bentas as cinzas e impostas, e o rito termina com a oração dos fiéis.

Fonte: Diretório da Liturgia 2017, CNBB, p.65-66

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização 

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Você é madrinha ou padrinho? Sabe o que isso significa?

É sempre um presente maravilhoso ser convidado a apadrinhar alguém, pois este é um serviço de amor. Mas será que temos claro o que isso realmente significa?

Apresentamos, a seguir, 7 ideias sobre a missão que você tem como padrinho/madrinha:

1. Sua vida é seu currículo

Seu testemunho de vida é fundamental para iluminar a vida do seu afilhado em seu caminho cristão.

2. Dê o melhor presente

O melhor presente que você pode dar para o seu afilhado não é algo material no aniversário ou no Natal, e sim um acompanhamento sincero da sua vida espiritual e da sua relação com Jesus.

3. Você não é um pai/mãe substituto(a)

Faz parte da sua missão acompanhar também os pais do seu afilhado, fazer parte dessa família espiritual unida pela fé.

4. Compartilhe o que você tem de melhor

Os padrinhos compartilham sua fé; portanto é preciso alimentá-la e fazê-la crescer, estar preparados para responder às dúvidas do afilhado e acompanhá-lo em seus momentos de escuridão, iluminados especialmente pela Palavra de Deus.

5. Pratique o que você ensina

Os padrinhos são chamados a ser assíduos em sua paróquia, comprometidos com sua fé e com a vida da Igreja, especialmente no que diz respeito à vivência dos sacramentos.

6. Mantenha-se próximo

Procure criar um laço afetivo real com seu afilhado e sua família, compartilhando o tempo juntos, conhecendo seu processo e seu desenvolvimento como pessoa e como cristão.

7. Assuma sua responsabilidade plenamente

O batismo abre as portas do céu ao batizado, que se torna parte da Igreja, filho de Deus e com vocação à vida eterna. Quem aceita ser padrinho ou madrinha o faz de forma permanente, como demonstração de amor, mas também como um serviço a Deus, acompanhando esse novo cristão em seu desenvolvimento e amadurecimento.

Quem aceita este desafio e esta responsabilidade o faz para sempre, pois a condição de filho de Deus é eterna; portanto sua tarefa de amor, companhia, cuidado e orientação não acaba quando seu afilhado se torna adulto, mas continua durante a vida inteira.

Fonte: Aleteia

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Por que voltamos a cair em pecados já confessados?

Quando Jesus entrou na casa de Zaqueu não chegou como quem fosse arrancar frutos, mas como quem cuida e cura a árvore com amor.

Por que cometemos uma e outra vez os mesmos pecados, apesar de termos confessado? Por que costuma ser tão difícil a conversão? Primeiro, porque ela é uma graça de Deus; segundo, porque a conversão não é uma meta, mas um caminho; terceiro, porque a utilizamos de forma errada.

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A compreensão geral que se costuma dar à palavra conversão nos remete à correção que damos a nossa vida e que nos lava a deixar de fazer o mal para se agarrar ao bem. Mas isso, que parece tão fácil de falar, na prática é um exercício cujos resultados nem sempre são os esperados.

Partamos do fato de que a conversão não aponta simplesmente a buscar o cessar dos pecados, que neste caso chamarei de “frutos da árvore”, mas pretende alcançar o fim do Pecado.

Utilizei o termo Pecado com P maiúscula para que compreendamos que os pecados (essas ações cotidianas que deterioram nossa relação com Deus e que nos levam a ferir sua lei) são a expressão de uma realidade interior que danificou a estrutura da personalidade, passando pelas emoções, os afetos, o intelecto, a vontade e a liberdade e que impulsiona o homem a que pouco a pouco se afasta do plano de Deus, para fazer de si mesmo o arquiteto de seu destino, que é o que atrevo chamar de O PECADO.

Desta maneira, quando pretendemos iniciar um caminho seguro de conversão, nossa ações tendem só a corrigir ou sanar os sintomas de uma realidade que está deteriorada em nossa estrutura. Quando arrancamos de uma árvore frutos de má qualidade, mas não fazemos nada para corrigir a enfermidade da planta, o resultado da ação é que continuaremos colhendo frutos de má qualidade.

Por isso costuma acontecer que na confissão, quando fazemos o exame de consciência, permanecemos nos próprios atos, sem ir à raiz que os gerou. Assim o que fazemos é simplesmente uma poda. Confissão após confissão, repetimos uma e outra vez os mesmos pecados que são produzidos por uma árvore que não pode gerar outra coisa diferente porque há um problema que a afeta por dentro.

A ação curativa e redentora de Cristo no sacramento não vai só ao ato de arrancar os fruto ruins, mas vai sanar a origem do mal. Para isso é necessário que nós reconheçamos o que é que gera uma e outra vez as mesmas ações. Toda ação tem sua origem em uma atitude e “os pecados” têm sua gênese no “Pecado”.

Jesus vem para destruir o “Pecado” do mundo que se apodera dos indivíduos na forma de pecados. Não é estranho então toparmos com quem confessa os pecados, quer dizer, quem coloca perante o confessor os frutos de uma vida que vem lastimada e inclinada ao mal há tempos, mas não ventila à luz da Graça de Deus a raiz que lhes deu vida. Se os sacerdotes e os penitentes ficarem arrancando os maus frutos, o Inimigo voltará a regar uma estrutura que novamente brotará.

Perante Jesus não basta expor os pecados, mas também o mais íntimo de nossa consciência e nossa vontade rebelde que só quer fazer o que lhe agrada. A teimosia do nosso coração e o endeusamento que fazemos de nós mesmo nos fazem esquecer que dependemos do Absoluto que é Deus, para tentar dar vida a nós mesmos, quando o que nos damos é só morte.

A proposta diante desta realidade é que o exame de consciência aponte para a análise da origem de todos esses males que cometemos para assim poder buscar em Cristo a cura de toda enfermidade e não só o analgésico para os sintomas.

A exposição perante o Senhor da vontade rebelde fará que Ele não apenas arranque os maus frutos, mas que se inicie um processo de restituição da planta inteira.

Quando Jesus entrou na casa de Zaqueu não chegou como quem fosse arrancar frutos, mas como quem cuida e cura a árvore com amor. Os frutos ruins de Zaqueu caíram diante da contundência do amor de Jesus.

Fonte: ALETEIA

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

Ator de Star Wars conta sua história de conversão à Igreja Católica

Alec Guinness ficou mundialmente conhecido por interpretar Ben Kenobi em “Guerra nas Estrelas”. O que poucos sabem é que o ator britânico era católico, não só de nome, mas por convicção.

 

Alec Guinness († 2000) é considerado um dos melhores atores do século XX, conhecido por sua habilidade em interpretar um amplo leque de personagens. Sua atuação como Hamlet no teatro de Londres foi largamente aclamada e ele granjeou sucesso internacional em seus filmes.

Em 1957, Guinness ganhou da academia um prêmio de melhor ator por sua performance em “A Ponte do Rio Kwai”. Dois anos mais tarde, ele foi condecorado com o título de cavaleiro da Ordem do Império Britânico pela Rainha Elizabeth II. Em 1962, fez o Príncipe Faiçal, em “Lawrence da Arábia” e, em 1977, ficou famoso por interpretar o personagem Ben Kenobi, em “Guerra nas Estrelas”.

Mesmo assim, em sua autobiografia Blessings in Disguise (Akadine Pr, 2001), Guinness quase dá maior destaque a sua conversão à Igreja Católica que ao sucesso de sua carreira artística.

Eis a história de sua conversão fora do comum.

Alec Guinness nasceu em Londres, em 1914, de Agnes Cuffe, uma mãe solteira que cuidou dele de maneira desordenada. Ela recusou-se a divulgar a identidade do seu pai e ele nunca descobriu por que o nome Guinness aparecia em sua certidão de nascimento. Aos seis anos de idade, frequentemente a criança era deixada sozinha por várias horas seguidas. Sua mãe entrou em um breve relacionamento com um homem brutal que era odiado e temido pelo jovem Alec. Ele só veio a livrar-se da miséria da pobreza e da negligência quando mandado à escola. Na adolescência, Guinness descobriu o encantamento pelo teatro.

Com 16 anos, ele foi confirmado na fé anglicana. Secretamente, porém, declarava-se ateu. “Certos acontecimentos ou palavras do Novo Testamento – ele escreveu – me moviam, de tempos em tempos, a algo próximo da fé, e eu, mesmo sendo um ignorante em teologia, mantinha um constante interesse por assuntos religiosos. Na maioria das vezes, porém, tudo cedia ao meu cinismo de adolescente.”

Esse “constante interesse por assuntos religiosos” levou o jovem Guinness a participar de cultos presbiterianos por um tempo, mas o entusiasmo não durou. Ele escreve em sua autobiografia nunca ter sequer passado pela sua mente a possibilidade de entrar em uma igreja católica. Sua “tolerância em relação aos católicos se limitava a uma visão simpática, mas condescendente”.

Guinness deixou a escola aos 18 e começou a trabalhar como redator para uma agência de publicidade. Já não pensava muito sobre religião, acreditando que tudo não passava de “um monte de lixo, um esquema maligno do establishment para manter o trabalhador em seu devido lugar”. Flertou com o comunismo, divulgando literatura marxista-leninista, participou de reuniões dosquakers, investigou o budismo e chegou a envolver-se com a tarologia.

Como a carreira de redator fracassasse, ele voltou ao teatro, realizando um sonho que tinha desde a infância. O sucesso não demorou chegar.

Enquanto interpretava Hamlet no Old Vic de Londres, um padre anglicano foi ter com ele no vestiário. O clérigo reclamou que Guinness não estava fazendo direito o sinal da cruz na peça. O encontro fez despertar novamente o seu interesse pelo Cristianismo.

Em uma noite terrível durante a Segunda Guerra Mundial, quando Londres estava sob um ataque da força aérea alemã (Deutsche Luftwaffe), Guinness refugiou-se no vicariato do reverendo Cyril Tomkinson. Ele estava preocupado com sua mulher e o filho pequeno, que se encontravam em um chalé alugado, na cidade de Stratford-upon-Avon. Entre um copo e outro de vinho, o padre anglicano deu a Guinness uma cópia de “Introdução à Vida Devota”, de São Francisco de Sales, e advertiu-o a sempre fazer uma genuflexão diante do altar. Guinness não fazia ideia do que fosse a tal “presença real”, mas, com bombas explodindo ao seu redor, aquele não parecia o momento apropriado para uma conversa do tipo.

Guinness voltou à fé anglicana e frequentemente andava de bicicleta nas manhãs escuras de inverno para receber a comunhão em uma igreja do interior. Sua amizade com Tomkinson diminuiu o seu anticlericalismo, mas não a sua aversão à Igreja de Roma. Foi preciso o Padre Brown para iniciar esse processo.

 

Padre Brown é um ordinário e brilhante personagem criado pelo escritor católico G. K. Chesterton. Uma das mais memoráveis interpretações de Guinness nos cinemas foi a desse humilde clérigo e detetive (Father Brown, de 1954). O filme estava sendo gravado em um remoto vilarejo da França. Uma noite, Guinness, ainda de hábito, estava em seu caminho de volta para os seus aposentos. Um garotinho, confundindo-o com um padre de verdade, segurou a sua mão e confiantemente fez-lhe companhia.

Aquele episódio aparentemente insignificante marcou profundamente Guinness. “Seguindo meu caminho – ele diz –, refleti que uma Igreja que conseguia inspirar tal confiança em uma criança, tornando padres tão facilmente acessíveis, mesmo quando desconhecidos, não poderia ser tão astuciosa ou assustadora como tantas vezes se pintava. Meus preconceitos de longa data começaram a ser abalados.”

Pouco tempo depois, o filho de Guinness, Matthew, de 11 anos, foi acometido por poliomielite e ficou paralisado da cintura para baixo. O futuro do garoto parecia incerto e, no final do trabalho diário no filme, Guinness começou a passar em uma pequena igreja católica no caminho para casa. Ele decidiu arriscar uma barganha com Deus: se Ele curasse o seu filho, Guinness não se oporia a que o filho se fizesse católico.

Felizmente, Matthew foi completamente curado e Guinness e sua esposa matricularam-no em uma escola jesuíta. Com 15 anos, ele anunciou que queria tornar-se católico. Mantendo a sua parte da promessa, o pai prontamente concordou com a decisão de Matthew.

Mas Deus queria muito mais. Guinness começou a estudar a religião católica. Teve longas conversas com um padre católico. Fez um retiro em um mosteiro trapista. Chegou inclusive a assistir Missa com a atriz Grace Kelly, enquanto trabalhava em um filme em Los Angeles. As doutrinas das indulgências e da infalibilidade papal seguraram-no por um tempo, mas, um dia, ele finalmente cedeu. “Não houve nenhuma turbulência emocional, nenhuma grande intuição, nenhum interesse adequado por questões teológicas; apenas um senso de história e de proporção das coisas.”

Guinness foi recebido na Igreja Católica pelo bispo de Portsmouth, e enquanto estava no Sri Lanka gravando “A Ponte do Rio Kwai”, foi surpreendido pela conversão de sua esposa. Como geralmente acontece com novos convertidos, ele experimentou períodos de profunda paz, alternados com deleites físicos. Ele relatava como, certa vez, começou a correr feito um louco para visitar o Santíssimo Sacramento em uma pequena igreja anônima. Refletindo sobre esse episódio, ele escreve: “Se a religião significava alguma coisa, era que o homem todo – mente e corpo igualmente – tem o dever de adorar. Senti uma certa segurança quando descobri que o bom, brilhante e agudamente sensato Ronald Knox já se tinha flagrado a si mesmo correndo, em várias ocasiões, para visitar o Santíssimo Sacramento.”

Sir Alec Guinness morreu em 2000, com 86 anos, agradecido ao Padre Brown, de Chesterton, que o conduziu pela mão até a Igreja, e grato pela recuperação de seu filho, que terminou fechando um negócio altamente proveitoso para o ator: a vida da graça, prelúdio da eternidade.

Fonte: Catholic Culture – 

Tradução e adaptação: Portal Terra de Santa Cruz