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Balanço final da 36ª Assembleia Ordinária do Celam realizada em El Salvador

Da última Entrevista Coletiva da 36a. Assembleia do Celam participaram: Monsenhor Juan Espinoza, Secretário Geral do Celam; Padre Francisco Nino, Sub-Secretário do Celam; dom Jorge Solórzano, Secretário-Geral da Conferência Episcopal da Nicarágua; e dom Alfonso Gerardo Miranda, Secretário-Geral da Conferência Episcopal do México. Eles deram suas impressões gerais vivida durante estes dias da Assembleia.

Monsenhor Juan Espinoza disse: “Os dois primeiros dias nós trabalhamos as questões promovidas pelo Celam, tivemos a exposição dos relatórios pastorais dos sete departamentos: educação e cultura, vocação e ministérios e todas as questões de trabalho social. Além disso, uma síntese do trabalho realizado em dois anos e estes relatórios foram aprovados. Também presidente da Conferência fez um relatório muito abrangente”. Ele acrescentou que “convivência foi uma muito significativa com o povo de Deus desde o primeiro dia na Paróquia da Imaculada Conceição; depois, ontem na Catedral, foi um dia especial, os membros do Celam se encontraram com os bispos do Canadá e dos Estados Unidos e comemoram o 20º aniversário do Sínodo da América e refletiram sobre a migração para acompanhar nossos irmãos migrantes “. Monsenhor Espinoza enfatizou ainda que “esta manhã [sexta-feira, 12 de maio], foi comemorado o 10º aniversário da Conferência de Aparecida. A conclusão é de um relançamento do que já está previsto em Aparecida”.

Padre Francisco disse que “a experiência da Igreja Católica é a de comunhão. O Celam busca criar um espaço de comunhão para os bispos discernirem o que Deus está chamando-os nas diversas comunidades que vivem nestas terras América Latina e Caribe. Na verdade, estamos em uma reunião pastoral onde os sucessores dos apóstolos se reúnem para discernir o que Deus está pedindo a Igreja latino-americana”.

Dom Jorge Solórzano: “75 anos atrás, os bispos da América Central fizeram uma reunião para discutir a nossa situação econômica, política, social e, especialmente, para compartilhar nossos desafios em situações sociais. E juntos temos enfrentado nossos problemas. É uma força que estamos sempre juntos”. Ele também observou que “o nosso Beato [dom Oscar Romero] fazia parte do SEDAC e Celam; pedimos Monsenhor Romero sua intercessão para continuar a trabalhar com nossos povos da América Central “.

Dom Alfonso Gerardo Miranda lembrou a mensagem Núncio Apostólico na terça-feira, 9 de maio, na qual se fez menção a dom Romero: “o que tocamos dá-nos a sensação de sentir Oscar Romero respirar”. O Núncio Apostólico de El Salvador disse ainda que quer fazer uma moção para que dom Romero seja proclamado Doutor da Igreja Universal. Ele concluiu sobre esta questão dizendo que “Romero mostrou-nos o caminho a seguir, para que o cristão seja o que acredita, o que vive, o que professa.”

No final da Entrevista, Monsenhor Miranda disse que o “importante é que todos nós nos reconheçamos como irmãos e juntos possamos sair dessas situações que nos afetam. Todos os problemas não podem ser resolvidos apenas com a força de um país, mas creio que precisamos da força de todos os países juntos para seguirmos adiante .” E ele pediu para que “a Virgem nos mantenha unidos para construirmos o Reino de seu filho.”

Para terminar , Monsenhor Juan Espinoza informou que a 37a. Assembleia Geral Ordinária será de 13 a 17 de maio  de 2019, em Honduras.

Fonte: Comunicacion Celam

Portal Terra de Santa Cruz

 

Reunião do CELAM: construir uma Igreja para os pobres.

Imagem relacionadaO Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM), inicia esta segunda-feira (08/05) uma reunião ordinária de cinco dias em San Salvador, inspirada na ideia de construir uma Igreja para os pobres, pela qual Dom Óscar Arnulfo Romero ofereceu sua vida.

“Ele (Romero) foi movido e se converteu também em contato com o pobre, e agora poder celebrá-lo nesta Assembleia com esta dimensão (em favor dos pobres) tem um significado muito especial”, destacou o Bispo colombiano Juan Espinoza, Secretário Geral do CELAM.

Acompanhado pelo Arcebispo de San Salvador, Dom José Luis Escobar, Dom Espinoza informou que participam do encontro delegados das 22 Conferências Episcopais latino-americanas, além do Canadá e Estados Unidos.

“Este ano temos como ênfase em todo o trabalho do CELAM promover uma Igreja pobre para os pobres”, sublinhou o prelado colombiano.

Dom Romero – chamado de “a voz dos sem voz” por lutar e defender uma Igreja com a “opção preferencial pelos pobres – foi assassinado em 1980 pelo regime que comandada El Salvador.

Na quinta-feira, todos os sacerdotes de El Salvador e Bispos do CELAM oficiaram uma Missa na Catedral de San Salvador, para celebrar antecipadamente o centenário do natalício do venerado pastor.

O CELAM, instituído em 1955, conta com 1.500 bispos e sua missão, além de promover a comunhão, é oferecer um espaço de reflexão sobre a realidade da Igreja latino-americana.

Por radiovaticana

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Papa aos bispos do CELAM: “Despojar-se dos filtros clericais”

Gostaria de poder visitar o Santuário de Aparecida”: com estas palavras, o Papa se dirige aos bispos de toda a América Latina, reunidos na Assembleia do CELAM, Conselho Episcopal Latino-americano em São Salvador, El Salvador, de 9 a 12 de maio.

A mensagem de Francisco é inteiramente inspirada na Padroeira do Brasil,da qual este ano se celebram 300 anos do achado, nas águas do Rio Paraíba (SP).

Definindo Aparecida como “uma escola de discipulado”, o Papa releva três aspectos daquele acontecimento, começando pelos pescadores que encontraram a imagem:

“Um grupo de homens que sabiam enfrentar as incertezas do rio, que viviam na insegurança de não ter o que levar para seus filhos. Conheciam a ambivalência entre a generosidade do rio e a agressividade de suas ondas e a inclemência de um dos pecados mais graves que castiga nosso continente: a corrupção. A corrupção, como um câncer, está corroendo a vida cotidiana dos povos”.

O segundo aspecto é a Mãe. “No relato de Aparecida, a encontramos suja de lama no rio. Ali ela esperava seus filhos, em meio a suas lutas e anseios. Maria estava ali, onde os homens tentam ganhar suas vidas”.

E enfim, o Papa ressalta o encontro. Depois de restaurá-la e limpá-la, os pescadores a levaram para casa, um lar aonde os moradores da região iam encontrá-la. “Esta presença se fez comunidade, Igreja. As redes não se encheram de peixes, se transformaram em comunidade”.

Hoje, 300 anos depois, como filhos, somos chamados a escutar e aprender o que aquele acontecimento continua a nos dizer:

“Aparecida não traz receitas mas chaves, critérios, pequenas grandes certezas para iluminar e sobretudo, acender o desejo de nos despojar de todo o desnecessário e voltar às raízes, ao essencial, à atitude que fez de nosso continente a terra da esperança. Aparecida renova nossa esperança em meio a tantas inclemências”, frisa o Papa.

Em seguida, Francisco convida os bispos latino-americanos a aprender a escutar e conhecer o Povo de Deus, dando-lhe a importância e o lugar merecidos.

“Isto significa despojar-nos de nossos preconceitos, racionalismos e esquemas funcionalistas para conhecer como o Espírito atua no coração deste homens e mulheres. Como temos a aprender da fé desta gente; a fé de mães e avós que não têm medo de se sujar, pois sabem que o mundo está cheio de injustiças, onde a impunidade da corrupção continua cobrando vidas e desestabilizando cidades”.

A partir daí, segue a exortação do Papa: “Não tenhamos medo de arriscar e nos comprometermos com os ‘sujos’… isto não é heroicidade… nem ser kamikazes… Somente deixando de ser auto-referenciais seremos capazes de nos re-centrarmos Naquele que é fonte de Vida e Plenitude”.

Concluindo, Francisco lembrou a passagem da exortação Evangelii Gaudium:

“Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos. Se alguma coisa nos deve santamente inquietar e preocupar a nossa consciência é que haja tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida. Mais do que o temor de falhar, espero que nos mova o medo de nos encerrarmos nas estruturas que nos dão uma falsa protecção, nas normas que nos transformam em juízes implacáveis, nos hábitos em que nos sentimos tranquilos, enquanto lá fora há uma multidão faminta e Jesus repete-nos sem cessar: ‘Dai-lhes vós mesmos de comer’” (Mc 6, 37).

Na conclusão, o Papa Francisco lembra. “Na medida em que nos envolvermos com a vida de nosso povo fiel e sentirmos a profundidade de suas feridas, podemos ver, sem filtros clericais, o rosto de Deus”.

Por Rádio Vaticano 

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