Arquivo da categoria: Catolicismo

Você conhece a Doutrina da Igreja Católica ?

A doutrina católica, fundamentalmente, baseia-se no Texto-Sagrado que contém a Palavra de Deus, a verdade revelada, sendo também formada pela sagrada tradição do magistério infalível da Santa Igreja .

A Tradição e as Sagradas Escrituras formam uma unidade para os católicos; possuem a mesma origem, comungam os mesmos objetivos e integram o mesmo depósito da fé. A Igreja Católica lança mão, portanto, dessas duas dimensões da verdade revelada: a autoridade da Bíblia e a autoridade do magistério dos apóstolos e de seus sucessores, sob a proteção e a orientação do Espírito Santo. O Catecismo da Igreja (1992) cita a Constituição Dogmática Dei Verbum, que ensina :

(95) “A Tradição, a Escritura, e o Magistério da Igreja, segundo o plano prudente de Deus, estão unidos e ligados, de modo que nenhum deles pode subsistir sem os outros; os três, cada um segundo seu caráter, e sob a ação do único Espírito Santo, contribuem eficazmente para a salvação das almas” (10,3).”

A Verdade é oferecida por Deus através das Escrituras e interpretada pelo magistério à luz da Tradição. O magistério eclesiástico conserva e difunde a Revelação, decidindo em nome da Igreja, por determinação e sob a assistência de Cristo , na Pessoa do Espírito Santo Paráclito.

O sagrado magistério expressa-se, fundamentalmente, nos documentos dos concílios ecumênicos e nas decisões e pronunciamentos papais.

A doutrina católica consiste, pois, dos dogmas de fé, da condenação das heresias e da missão de ensinar e de santificar da Igreja, para a salvação das almas e para a maior glória de Deus.

São elementos fundamentais da doutrina católica: o Credo Niceno-Constantinopolitano (325-381), o governo da Igreja, sua hierarquia, a instituição do papado, o colégio episcopal, seus tribunais, seus concílios, as conferências episcopais, bem como a doutrina sobre os santíssimos sacramentos (do batismo, da penitência, da eucaristia, da crisma, da ordem, do matrimônio e da unção dos enfermos ), que transmitem a graça divina necessária para a santificação dos homens e do mundo ; mediante os quais a Igreja realiza a sua missão .

As fontes documentais mais relevantes da doutrina católica são, pois: o Catecismo , o Código de Direito Canônico ,os documentos papais ( Encíclicas, Constituições Apostólicas, Constituições Dogmáticas, Decretos, Bulas e Exortações Apostólicas), os documentos conciliares, os documentos das autoridades eclesiásticas, e os textos dos santos e doutores da Igreja, devidamente aprovados .

A Doutrina da Igreja Católica, em síntese, é o conjunto de verdades reveladas por Deus e confirmadas pelo magistério solene da Igreja, bem como o conjunto de definições não dogmáticas. São verdades sobre a ordem natural, sobre o homem, sobre a Igreja e sobre Deus, que devem ser reverenciadas pelos fiéis como expressão de respeito pela sagrada hierarquia, tanto em seu magistério solene quanto em seu magistério ordinário.

A Igreja reconhece como absolutamente legítimo, o direito e o dever, o poder, enfim, do magistério eclesiástico de enriquecer a doutrina em seu conjunto, sempre de forma coerente, sem qualquer negação dos dogmas afirmados pelo Papa em pronunciamentos ” ex-cathedra ” ou pelo Colégio Episcopal em reuniões do seu magistério solene , sob a assistência permanente do Espírito Santo ; o Espírito de Verdade , que orienta e conduz a Igreja.

A doutrina da Igreja pode ser enriquecida em matérias dogmáticas e não dogmáticas (Cfr. Encíclica Mirari Vos , Papa Gregório XVI ). No caso das matérias dogmáticas , cabe menção aos fatos ligados a dogmas , mas que ainda não receberam essa definição formal. A Igreja não cria dogmas, os dogmas são revelados por Deus e confirmados pela Igreja ; os dogmas existem objetivamente . Contudo , alguns dogmas podem não estar , plenamente, identificados pelo entendimento humano, até um determinado momento do processo de desenvolvimento da doutrina, por isso a necessidade de alguma elaboração filosófica por parte do magistério eclesiástico.

A Revelação cristã fechou-se com a ascensão de Cristo ; não haverá, portanto, nenhuma nova revelação até a Parusia. Diz o Catecismo: “Cristo, o Filho de Deus feito homem, é a Palavra única, perfeita e insuperável do Pai. Nele o Pai disse tudo, e não haverá outra palavra senão esta” (CIC 65). Por essa razão “já não há que esperar nenhuma nova revelação pública antes da gloriosa manifestação” de Cristo no final dos tempos (cf. Dei Verbum 4).

A doutrina católica possui subdivisões que são aplicações da doutrina a aspectos diferentes e complexos da realidade que envolve a vida do homem no mundo. A doutrina moral, a doutrina social, a doutrina sobre os sacramentos, a doutrina missionária formam dimensões especificas da doutrina da Santa Igreja, em harmonia e coerência, com o todo .

Tratamos, pois , em nosso apostolado , de questões eclesiásticas, teológicas , questões afetas à liturgia , ao estudo das Sagradas Escrituras, ao diálogo ecumênico e aos males sociais do nosso tempo, que também afetam a Igreja .

Nosso Senhor Jesus Cristo disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai, a não ser por mim” ( Jo14,6 ); conhecer a doutrina da Igreja é conhecer as verdades de Cristo, e, assim, amá-lo mais perfeita e intensamente .

Para igualmente exercermos a nossa missão de levar a Palavra de Deus aos mais distantes povos, em conformidade com as palavras do Mestre: “Ide… e ensinai a todas as nações” (Mt 28, 19), necessitamos conhecer sempre mais e melhor a doutrina da Igreja .

Trata-se de uma obrigação exigida de todos os cristãos: conhecer a mensagem evangélica, para que possamos pregar a Palavra que redime e salva, a todos os homens. Insere-se, portanto , plenamente , nos desígnios de Cristo para os seus discípulos e para todos os membros da sua Igreja , o estudo e o ensino sistemático da doutrina católica , em seu conjunto .

Cada batizado possui um sacerdócio e o exerce pelo engrandecimento da Igreja, pelo crescimento na justiça, na graça e na caridade, de toda a comunhão de almas santas que a constituem.

Proclamou o Concílio Vaticano II: “A única Igreja de Cristo(…) é aquela que nosso Salvador, depois da sua Ressurreição, entregou a Pedro para apascentar (Jo 21,17) e confiou a ele e aos demais apóstolos para propagá-la e regê-la (Mt 28,l8ss), levantando-a para sempre como coluna da verdade (1Tm 3,15). Esta Igreja(…) subsiste na Igreja Católica governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele” (Lumen Gentium 8).

Fonte: A FÉ EXPLICA

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CVII: A importância das duas espécies eucarísticas – parte II

No nosso espaço Memória Histórica – 50 anos do Concílio Vaticano, vamos continuar a falar sobre a reforma litúrgica trazida pelo evento conciliar.

No programa passado deste nosso espaço, trouxemos a primeira parte da reflexão sobre a importância das duas espécies eucarísticas, onde foi sublinhado que o Missal Romano, no número 240 da Introdução, afirma que “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies”, observando porém no número 241, que “mesmo recebendo somente numa espécie, recebemos integralmente o Corpo e o Sangue de Cristo”.

Padre Gerson Schmidt, incardinado na Arquidiocese de Porto Alegre, dá continuidade esta quarta-feira á reflexão sobre o mesmo tema. Vamos ouvir:

“Na oportunidade anterior, falamos da importância da utilização dos sinais das duas espécies eucarísticas – o Pão e o Vinho, transformados em Corpo e Sangue do Senhor, como uma das orientações da Sacrosanctum Concilium. Apontamos 10 itens da Reforma na Liturgia. Continuamos a aprofundar esse terceiro ponto – as duas espécies eucarísticas.

Comentamos que na introdução do Missal Romano, reformulado a partir do Concilio Vaticano II, apresenta diversos pontos, e o número 240, da introdução, fala com título em vermelho: comunhão sob as duas espécies. Diz assim o texto que “a comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob essa firma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no reino do Pai”.

Portanto, as novas orientações feitas a partir da constituição dogmática Sacrosanctum Concilium, incentivam a utilização das duas espécies eucarísticas. Há um outro aspecto que gostaríamos de frisar, a respeito da hóstia, como é hoje normalmente confeccionada. O número 283, da introdução do Missal Romano, diz assim: “A verdade do sinal exige que a matéria da Celebração eucarística pareça realmente um alimento. Convém, portanto, que, embora ázimo e com forma tradicional, seja o pão eucarístico de tal modo preparado que o sacerdote, na missa com o povo, possa de fato partir a hóstia em diversas partes e distribuí-la ao menos a alguns fiéis”.

Portanto, a matéria a ser consagrada pareça realmente um alimento. A questão é que nem sempre a hóstia parece um pão, e aí se perde o sacramento como um sinal sensível, palpável e que se exprima “de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor” (Introdução Missal Romano, 240).

Por razões pastorais, diz o Missal, se fazem as hóstias pequenas e que, na prática, permitem uma distribuição mais ágil e para assembleias mais numerosas. Porém, sabemos que nada impede que, em assembleias pequenas se possa consagrar o vinho e distribui-lo a todos e consagrar a matéria do Pão em forma de pão ázimo, como foi a primeira eucaristia realizada na última ceia.

Já existe uma prática comum em muitas de nossas comunidades de distribuir também o Sangue do Senhor, por intinção, ou seja, quando se mergulha a hóstia consagrada no cálice, embebendo-a com o Sangue – e distribuindo aos fiéis. Porém, se questiona muito essa forma, pois Cristo disse: “Tomai e bebei”. Supõe-se que seja beber do cálice. Não disse: “tomai e molhai em meu sangue”. Em todo o caso, essa iniciativa já é uma busca de permitir aos fiéis que tomem também o Sangue de alguma forma. Mas ainda não expressa de forma mais clara e real a ceia, da forma que Cristo fez”.

Por Radio Vaticana

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Reforma litúrgica: A importância das duas espécies Eucarísticas

No nosso espaço Memória Histórica – 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos continuar a tratar no programa de hoje sobre a reforma litúrgica trazida pelo Concílio.

A reforma litúrgica trazida pelo Concílio Vaticano II, através da Constituição Sacrosanctum Concilium, provocou mudanças profundas na liturgia. Temos abordado alguns aspectos neste nosso espaço. No último programa, falamos sobre o uso da língua vernácula, isto é, falada em cada nação, visto que até então, a celebração era toda em latim.

Na edição de hoje, Padre Gerson Schmidt nos traz a primeira parte da reflexão “A importância das duas espécies Eucarísticas”:

“Na reforma LITÚRGICA do Concilio Vaticano II, percebemos 10 aspectos de renovação, a partir da constituição dogmática Sacrossanctum Concilium. Já abordamos o valor da Assembleia litúrgica e o uso da língua vernácula, a língua mãe de cada país. Hoje falaremos da importância da utilização dos sinais das duas espécies eucarísticas – o Pão e o Vinho, transformados em Corpo e Sangue do Senhor (SC 55 – Missal Romano 240, 241, 14, 283).

Jesus, na última ceia, utilizou não simplesmente o pão, mas também o vinho, como sinais de sua presença pela consagração que operou, transformando as matérias de Pão e Vinho em Corpo e Sangue do Senhor. Ao decorrer do tempo, a Igreja, para ser mais prático e fácil a distribuição do sacramento para grandes públicos, reduziu o sinal tão simplesmente para distribuição da hóstia, que nem mais se parece pão, e também não conseguindo distribuir o Sangue de Cristo, que na última ceia, todos os apóstolos presentes beberam igualmente.

Na renovação da liturgia, o número 55 da Sacrossanctum Concilium aponta para essa reutilização da Comunhão sob as duas espécies. O texto conciliar reza assim: “Recomenda-se muito vivamente aquela mais perfeita participação na missa, pela qual os fiéis, depois da comunhão do sacerdote, recebem do mesmo sacrifício o corpo do Senhor. A comunhão sob as duas espécies, firmes os princípios dogmáticos estabelecidos pelo Concílio de Trento, pode ser permitida, quer aos clérigos e religiosos, quer aos leigos, nos casos a serem determinados pela Santa Sé e a critério do bispo, como aos neo-sacerdotes na missa de sua ordenação, aos professos na missa de sua profissão religiosa, aos neófitos na missa que se segue ao batismo”(SC, 55).

Na introdução do Missal Romano, reformulado a partir do Concilio Vaticano II, apresenta diversos pontos, que aqui nesse espaço queremos destacar, a respeito das espécies eucarísticas. No número 240, da introdução, fala com título em vermelho: comunhão sob as duas espécies.

Diz assim o texto: “A comunhão realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal quando sob as duas espécies. Sob essa firma se manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete escatológico no reino do Pai”.

A nota ao pé da página do Missal romano referenda a Instrução Eucharisticum mysterium, de 25 de maio de 1967, documento datado justamente no encerramento do Concilio.

O Missal Romano, no número 241, lembra que, mesmo recebendo somente numa espécie, recebemos integralmente o Corpo e o Sangue de Cristo. Diz assim: “Aqueles que recebem uma só espécie, não ficam privados de nenhuma graça necessária à salvação”.

Por Radio Vaticano

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CVII: a reforma litúrgica e o uso da Língua Vernácula

No nosso espaço Memória Histórica – 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos continuar a tratar no programa de hoje sobre a reforma litúrgica trazida pelo evento conciliar.

Neste nosso espaço Memória Histórica, temos refletido sobre os 10 aspectos da renovação litúrgica trazida pelo Concílio Vaticano II. No programa passado, o Padre Gerson Schmidt, que tem nos acompanhado neste percurso, nos trouxe o tema “Povo sacerdotal que celebra”, destacando que “o Concílio desloca o centro celebrativo – não é o sacerdote o foco. Há uma descentralização eclesial, outrora acentuando demasiadamente o sacerdote que ofertava o sacrifício.  De uma liturgia centralizada na pessoa do “sacerdote celebrante” (que na liturgia não é único que celebra) se volta agora a ação litúrgica para a assembleia do “povo sacerdotal””.

No programa de hoje, o sacerdote incardinado na Arquidiocese de Porto Alegre nos fala sobre outro aspecto importante da reforma litúrgica: “O uso da Língua Vernácula”:

“Mencionamos aqui nesse espaço que na reforma LITÚRGICA do Concilio Vaticano II, percebemos 10 aspectos de renovação, a partir da constituição dogmática Sacrossanctum Concilium, que aqui enumeramos. Fizemos uma explicação detalhada do primeiro aspecto:  O valor da Assembleia Litúrgica.  Hoje queremos entrar num segundo ponto: o uso da Língua Vernácula (SC 36; 63).

Todos nós conhecemos os contos infantis mais variados. Quem não conheceu a história do Lobo mau? Mas, se eu aqui contasse a história do lobo mau em chinês, poucos entenderiam. Na mesma forma se deu na liturgia, quando se rezava tão somente em Latim, que já não era mais a língua fluente, como um dia era usual no Império Romano. O Concilio Vaticano II permitiu o uso da Lingua vernácula, a língua mãe de cada nação para ser utilizada na liturgia. Esse foi de fato um avanço singular, muito importante.

Importante aqui relembrar, sobretudo aos mais jovens, de que a missa era celebrada em latim, de costas ao povo, e a maioria das pessoas assistiam a missa, sem entender nada da Liturgia, não sabendo responder as respostas do rito, cabendo esse diálogo da missa tão somente ao coroinha ou sacristão. A maioria do povo, enquanto o padre celebrava, rezava o terço ou suas orações particulares, prestando mais atenção tão somente quando se tocava a campainha ou sineta litúrgica na hora da consagração. A permissão do uso da língua vernácula pela constituição Sacrossanctum Concilium, já trouxe a possibilidade dessa participação mais ativa e consciente, a renovação dos ritos, aclamações e cantos.

O número 36 da SC afirma assim, depois de falar da Língua oficial Latina na Liturgia: “Dado, porém, que não raramente o uso da língua vernácula pode ser muito útil para o povo, seja na missa, seja na administração dos sacramentos, seja em outras partes da liturgia, dê-se-lhe um lugar mais amplo, especialmente nas leituras e admoestações, em algumas orações e cânticos, segundo as normas estabelecidas para cada caso nos capítulos seguintes.

O Parágrafo 03, desse número 36 diz que cabe à competente autoridade eclesiástica territorial – bispo local – os bispos das regiões limítrofes da mesma língua, decidir acerca do uso e extensão da língua vernácula. Tais decisões deverão ser aprovadas ou confirmadas pela Sé Apostólica. No número 63, da SC afirma assim: “Estes rituais – com as adaptações da língua vernácula – serão usados nas respectivas regiões depois de aprovados pela Sé Apostólica.

Na elaboração destes Rituais, ou nestas coleções especiais de ritos, não se omita nenhuma das normas propostas no Ritual Romano para cada rito, quer sejam de caráter pastoral, quer digam respeito às rubricas, quer tenham especial importância social”.

Percebemos que a orientação da SC é bem módica, possibilitando a língua vernácula tão somente em algumas partes. Mas que, na realidade, transcorridos os 50 anos de Concílio, todo o Rito Romano está traduzido na língua mãe de cada país, facilitando a compreensão e participação dos fieis leigos, que é um dos pontos também da renovação litúrgica”.

Por Rádio Vaticano 

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Sacrosanctum Concilium: Povo sacerdotal que celebra

No nosso espaço Memória Histórica, 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos continuar a tratar na edição de hoje sobre a reforma litúrgica trazida pelo evento conciliar.

“O Concílio desloca o centro. De uma liturgia centralizada na pessoa do “sacerdote celebrante” para a assembleia do “povo sacerdotal””. Este foi um dos aspectos levantados pelo Padre Gerson Schmidt no programa passado, ao comentar o tema “Assembleia Litúrgica na Sacrosancrum Concilium”.

Neste nossos espaço, temos refletido sobre 10 aspectos da renovação litúrgica trazida com o Concílio Vaticano II. Na edição de hoje, o sacerdote incardinado na Arquidiocese de Porto Alegre nos fala sobre o tema “Povo sacerdotal que celebra¹”:

“A compreensão da Sacrosanctum Concilium não é de um povo qualquer que está na missa ou na liturgia apático, sem sentido, aéreo ou apenas como um mero espectador, que não entende nada do que está ali acontecendo. A visão da SC é de um povo sacerdotal, um povo que celebra em comunidade aquilo que de mais genuíno tem para celebrar: o mistério pascal em suas vidas.

O Concílio resgata a liturgia como ação do povo sacerdotal, numa feliz referência a Primeira Carta de São Pedro, que diz:  “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pd 2,9). Assim, o povo é convocado e congregado para a escuta da Palavra e a renovação da aliança com o Senhor, tão desejado por Deus ao Povo Eleito (cf. Dt 4,10; 10,4.9; Ex 19-24).

A resposta ao convite de Deus, que se traduz em adesão e participação, constitui a assembleia do povo sacerdotal. Jesus Cristo, o sumo sacerdote, reúne seu povo, a quem, pelo batismo, torna apto para participar de seu sacerdócio. “Fez do novo povo um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai”, conforme o livro do Apocalipse (cf. Ap 1,6; 5,9-10).

O Concílio desloca o centro celebrativo – não é o sacerdote o foco. Há uma descentralização eclesial, outrora acentuando demasiadamente o sacerdote que ofertava o sacrifício.  De uma liturgia centralizada na pessoa do “sacerdote celebrante” (que na liturgia não é único que celebra) se volta agora a ação litúrgica para a assembleia do “povo sacerdotal”. Como diz na Sacrosanctum Concilium, número 33: “As orações dirigidas a Deus pelo sacerdote que preside à comunidade na pessoa de Cristo são rezadas em nome de todo o povo santo e de todos os que estão presentes” (SC 33). Já não se fala do “sacerdote que celebra” e dos fiéis que assistem. Não se usa mais o verbo assistir à Missa.

O verbo pós-conciliar é “participar”, “celebrar”. Todos os membros da assembleia devem estar envolvidos na ação celebrativa e pela ação celebrativa. “Para isso, a Igreja procura, solícita e cuidadosa, que os cristãos não assistam a este mistério de fé como estranhos ou espectadores mudos” (SC 48), como se estivessem num espetáculo ou num teatro, fora da ação celebrativa. Em vista da ação eminentemente eclesial, o Concílio declara: “É desejo ardente da mãe Igreja que todos os fiéis cheguem àquela plena, consciente e ativa participação na celebração litúrgica que a própria natureza da liturgia exige e à qual o povo cristão, ‘raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido’ (1Pd 2,9), tem direito e obrigação, por força do batismo” (SC 14).

A liturgia, por um lado, é “obra de Cristo e da Igreja, seu corpo” (SC 7). Por outro lado, também é ação do “povo santo reunido e ordenado sob a direção dos bispos” (SC 26), portanto, orientado por um magistério eclesial que garanta a genuinidade e sacralidade do mistério eucarístico. Portanto, não está centrada a liturgia no sacerdote, mas na assembleia litúrgica, no povo, como sujeito da celebração”.

Reflexões inspiradas em Frei Faustino Paludo, OFMcap, Publicado na Revista Vida Pastoral em Maio-Junho de 2003 (24-27), intitulado “O povo celebrante: sujeito da celebração”.

Por Radio Vaticano 

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Você conhece a profecia da Igreja sobre o Anticristo e a perseguição final aos cristãos?

O Catecismo da Igreja Católica descreve a chamada Grande Tribulação na qual se manifestará o mistério do mal sob a impostura religiosa do Anticristo, algo que terá que acontecer necessariamente antes da Segunda Vinda de Jesus. Apesar de não fazer nenhuma demonstração detalhista de tempo, circunstâncias e pessoas, a doutrina da Igreja nos dá os princípios a partir da Revelação e da tradição apostólica para julgar os sinais dos tempos afim de não cairmos no grande engano satânico deste tempo. Portanto, devemos “orar e vigiar para não cairmos em tentação” na agonia final do mundo e da Igreja.

Seguem-se os parágrafos do Catecismo que expõe a matéria profética. Leia e aprofunde:

673. A partir da ascensão, a vinda de Cristo na glória está iminente (630) mesmo que não nos «pertença saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade» (Act 1, 7) (631). Este advento escatológico pode realizar-se a qualquer momento (632), ainda que esteja «retido», ele e a provação final que o há-de preceder (633).

674. A vinda do Messias glorioso está pendente, a todo o momento da história (634), do seu reconhecimento por «todo o Israel» (635), do qual «uma parte se endureceu» (636) na «incredulidade» (Rm 11, 20) em relação a Jesus. E Pedro quem diz aos judeus de Jerusalém, após o Pentecostes: «Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que os pecados vos sejam perdoados. Assim, o Senhor fará que venham os tempos de alívio e vos mandará o Messias Jesus, que de antemão vos foi destinado. O céu tem de O conservar até à altura da restauração universal, que Deus anunciou pela boca dos seus santos profetas de outrora» (Act 3, 19-21). E Paulo faz-se eco destas palavras: «Se da sua rejeição resultou a reconciliação do mundo, o que será a sua reintegração senão uma ressurreição de entre os mortos?» (Rm 11, 15). A entrada da totalidade dos judeus (637) na salvação messiânica, a seguir à «conversão total dos pagãos» (638), dará ao povo de Deus ocasião de «realizar a plenitude de Cristo» (Ef 4, 13), na qual «Deus será tudo em todos» (1 Cor 15, 2).

675. Antes da vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma prova final, que abalará a fé de numerosos crentes (639). A perseguição, que acompanha a sua peregrinação na Terra (640), porá a descoberto o «mistério da iniquidade», sob a forma duma impostura religiosa, que trará aos homens uma solução aparente para os seus problemas, à custa da apostasia da verdade. A suprema impostura religiosa é a do Anticristo, isto é, dum pseudo-messianismo em que o homem se glorifica a si mesmo, substituindo-se a Deus e ao Messias Encarnado (641).

676. Esta impostura anticrística já se esboça no mundo, sempre que se pretende realizar na história a esperança messiânica, que não pode consumar-se senão para além dela, através do juízo escatológico. A Igreja rejeitou esta falsificação do Reino futuro, mesmo na sua forma mitigada, sob o nome de milenarismo (642), e principalmente sob a forma política dum messianismo secularizado, «intrinsecamente perverso» (643).

677. A Igreja não entrará na glória do Reino senão através dessa última Páscoa, em que seguirá o Senhor na sua morte e ressurreição (644). O Reino não se consumará, pois, por um triunfo histórico da Igreja (645) segundo um progresso ascendente, mas por uma vitória de Deus sobre o último desencadear do mal (646), que fará descer do céu a sua Esposa (647). O triunfo de Deus sobre a revolta do mal tomará a forma de Juízo final (648), após o último abalo cósmico deste mundo passageiro (649).

Autoria/ edição: Pe. Augusto Bezerra

Fonte: http://augustobezerra.wordpress.com

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Sacrosanctum Concilium: O valor da Assembleia Litúrgica II

No nosso espaço Memória Histórica, 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos continuar a tratar na edição de hoje sobre a reforma litúrgica trazida pelo evento conciliar.

Na reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, é possível distinguir claramente 10 aspectos de renovação a partir da Constituição Sacrosanctum Concilium. Neste espaço Memória Histórica, vamos abordar um a um destes aspectos. Na edição de hoje, damos continuidade ao tema iniciado no programa passado, “O valor da Assembleia Litúrgica”. Padre Gerson Schmidt:

“No programa anterior falamos do valor da assembleia Litúrgica, como um dos 10 aspectos da renovação da liturgia proposta pela Sacrosanctum Concilium.

Hoje continuamos a aprofundar esse primeiro aspecto do VALOR DA ASSEMBLÉIA LITÚRGICA. Apontamos o número 1140 – do Catecismo da Igreja Católica, onde diz que “É toda a comunidade, o corpo de Cristo unido à sua Cabeça, que celebra.

“As ações litúrgicas não são ações privadas, mas celebrações da Igreja, que é o ‘sacramento da unidade’, isto é, o povo santo, unido e ordenado sob a direção dos Bispos. Por isso, estas celebrações pertencem a todo o corpo da Igreja, influem sobre ele e o manifestam”(CIC, 1140). Não podemos, portanto, privatizar a liturgia, mas olhar a Eucaristia dentro da visão de que a assembleia litúrgica é um corpo orante, onde todos os membros celebram e atuam a seu modo. Tudo parte da visão das imagens da Lumen Gentium de que a Igreja é o Corpo Místico de Cristo ou Povo de Deus que caminha.

Não vamos a missa para simplesmente cumprir individualmente um preceito dominical, mas nos encontrar e celebrar com a comunidade a que pertencemos como membros participativos de uma Igreja (Ecclesia – assembleia dos convocados pela Palavra).

No número 1141, do Catecismo da Igreja Católica continua a expressar a importância da Assembleia Litúrgica, dizendo assim: “A assembleia que celebra é a comunidade dos batizados, os quais, “pela regeneração e unção do Espírito Santo, são consagrados para serem casa espiritual e sacerdócio santo e para poderem oferecer um sacrifício espiritual toda atividade humana do cristão”.

Este “sacerdócio comum” é o de Cristo, único sacerdote, participado por todos os seus membros: A mãe Igreja deseja ardentemente que todos os fiéis sejam levados àquela plena, consciente e ativa participação nas celebrações litúrgicas que a própria natureza da liturgia exige e à qual, por força do batismo, o povo cristão, “geração escolhida, sacerdócio régio, gente santa, povo de conquista” (1 Pd 2,9), tem direito e obrigação”. Dessa participação ativa da assembleia litúrgica, como direito e obrigação, falaremos ainda mais adiante.

As diretrizes mais importantes que a Sacrosanctum Concilium dá para a reforma da liturgia estão em relação com as deficiências mais notáveis existentes na vida litúrgica dos cristãos: a desconexão com a Palavra de Deus e a perda do sentido comunitário. Por culpa destes fatores, a religiosidade de muitos católicos tinha perdido contato com a fonte genuína, que é sempre a Palavra de Deus como expressão de sua vontade e de seu desígnio de salvação, e se havia refugiado num individualismo egocêntrico e de horizontes muito limitados.

A Igreja deseja agora reformar a liturgia nesta dupla direção: abrir com maior abundância os tesouros da Palavra de Deus e destacar com mais intensidade e eficácia o aspecto comunitário das ações litúrgicas, buscando resgatar a todo o custo a participação plena, ativa e fecunda dos fiéis nas celebrações[1].

As estruturas das novas construções dos templos, a partir do Concilio, já contemplam uma visão mais comunitária, com o estilo das construções em forma mais oval e arredondada, permitindo a todos visualizarem e participarem melhor do Mistério Pascal celebrado. Seria um contrassenso fazer hoje as igrejas-templos como antigamente, de forma mais vertical e clerical. Há uma nova mentalidade, fruto da eclesiologia de comunhão e participação”.

Por Pe. Antonio Élcio de Souza / Pe. José Humberto Motta – Faculdade Católica de Filosofia e Teologia da Arquidiocese de Ribeirão Preto, in: https://arquidioceserp.org.br/cearp/edicoes/1/1440703136.pdf

Por Radio Vaticano

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz

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SÉRIE – A DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA – Capítulo 1 – Transformar a sociedade com a força do Evangelho

Apresentamos neste primeiro capítulo em áudio-vídeo um resumo sobre o que é a doutrina social da Igreja. Neste capítulo vamos ver que a DSI trata-se de um desafio grande da Igreja que tem como objetivo transformar a sociedade com a força do Evangelho.

A função da doutrina social é o anúncio de uma visão global do homem e da humanidade e a denúncia do pecado de injustiça e de violência que de vários modos atravessa a sociedade.

Ao anunciar o Evangelho à sociedade em seu ordenamento político, econômico, jurídico e cultural, a Igreja quer atualizar no curso da história a mensagem de Jesus Cristo. Ela busca colaborar na construção do bem comum, iluminando as relações sociais com a luz do Evangelho.

A expressão “doutrina social” remonta a Pio XI (Carta encicl. Quadragesimo anno, 1931). Designa o corpus doutrinal referente à sociedade desenvolvido na Igreja a partir da encíclica Rerum novarum (1891), de Leão XIII. Em 2004, foi publicado o Compêndio de Doutrina Social da Igreja, organizado pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz, que apresenta de forma sistemática o conteúdo da doutrina social da Igreja produzido até aquela ocasião. A partir daí, este se tornou o documento de referência obrigatório para quem deseja aprofundar-se neste campo.

Veja o áudio/vídeo – Capítulo 1 

 

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O culto da Igreja primitiva – COMO SERIA O CULTO que os verdadeiros cristãos devem prestar a Deus?

Com o crescimento de centenas de seitas ditas “cristãs” no Brasil, vemos a soberba de muitos que afirmam que o culto que eles prestam é o único verdadeiro, pois seria o mesmo culto que os primeiros cristãos tributavam a Deus, – tudo supostamente confirmado, como de costume, pela Bíblia Sagrada. – Será? Seria verdadeiro o argumento dos que se intitulam, a si mesmos, “evangélicos”? Muitos dentre estes também afirmam que a Missa católica é uma “invenção” humana, que Deus não ouve nem aceita, e que, é claro (e só para nãovariar), não teria “base bíblica” . Alguns chegam ao extremo de dizer que se trata de um sacrifício paganizado.

Para descobrir a verdade dos fatos, analisemos brevemente, juntos, a História da Igreja, para descobrir que tipo de culto e quais ritos os primeiros cristãos prestavam a Deus. – Pelo testemunho bíblico, sabemos que a Igreja primitiva seguia a doutrina e a sagrada Tradição dos Apóstolos, observando o Mandamento direto do Senhor: “Fazei isto em memória de mim. Todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciareis a minha morte, e confessareis a minha ressurreição” (1 Cor 11,26).

Adverte também Jesus no Evangelho segundo S. João “Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos” (Jo 6, 53).

Na Comunhão do Pão e na oração perseveravam os primeiros cristãos após a Ressurreição do Cristo, que formavam o corpo da Igreja primitiva (conf. At 2, 42), já celebrando os santos Mistérios Sacramentais. Sabemos que no inicio do século II usavam a Disciplina do Arcano, com os Mistérios sendo celebrados secretamente para que não se paganizassem e se mantivessem vivos e puros no seio da Igreja. O serviço litúrgico era realizado em casas de membros da comunidade ou em lugares ocultos, como porões e catacumbas, devido à perseguição romana: nos tempos primitivos, muitos Apóstolos ministraram a Liturgia em suas casas, edificações conhecidas comoDomus Eclesiae, que mais tarde viriam a se tornar Domus Dei, isto é, edifícios construídos exclusivamente para o culto cristão.

No primeiro dia depois do sábado, o “Dia do Senhor” (Ap 1,10), quando S. Paulo diz para partir o Pão (At 20,7), os cristãos cultuavam a Deus mais frequentemente. Faziam a leitura dos Profetas e das Epístolas, as cartas dos Apóstolos às primeiras comunidades da Igreja, suas primeiras paróquias e dioceses. Essas leituras eram explicadas e meditadas em grupo: tratava-se da homilia, do latim, que deriva do grego ὁμιλία e quer dizer discurso, instrução ou conversa, e se traduz numa pregação em estilo simples e quase coloquial do Evangelho e das leituras do dia. Vejamos o que dizem os Pais Apostólicos da Igreja, em registros dos séculos I e II dC:

“No chamado ‘Dia do Sol’ (domingo – sun-day), todos os fiéis das vilas e do campo se reúnem num mesmo lugar: em todas as oblações que fazemos, bendizemos e louvamos o Criador de todas as coisas, por Jesus Cristo, seu Filho, e pelo Espírito Santo”.
(S. Justino Mártir, nascido em 103 dC, filósofo pagão convertido, tornado sacerdote e martirizado, contemporâneo de Simeão, – que ouviu Nosso Senhor Jesus Cristo, – e de Sto. Inácio, Clemente, – companheiro do Apóstolo Paulo, – de Potino e de Irineu, discípulos de Policarpo)

Sobre a reunião dos primeiros cristãos para culto, ele mesmo descreve:

“Lêem-se os escritos dos profetas e os comentários dos apóstolos. Concluídas as leituras, o sacerdote faz um discurso em que instrui e exorta o povo a imitar tão belos exemplos. Em seguida, nos erguemos, recitamos várias orações, e oferecemos pão, vinho e água. O sacerdote pronuncia claramente várias orações e ações de graças, que são acompanhadas pelo povo, com a aclamação Amem! Distribuem-se os dons oferecidos, comunga-se desta oferenda, sobre a qual pronunciara-se a ação de graças, e os diáconos levam esta Comunhão aos ausentes. Os que possuem bens e riquezas dão uma esmola, conforme sua vontade, que é coletada e levada ao sacerdote que, com ela, socorre órfãos, viúvas, prisioneiros e forasteiros, pois ele é o encarregado de aliviar todas as necessidades. Celebramos nossas reuniões no ‘Dia do Sol’, porque ele é o primeiro dia da criação em que Deus separou a luz das trevas, e em que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos”.

Capela de Santo Ananias – Damasco (Síria), construída no século 1 dC, é exemplo de uma das primeiras casas de culto cristão. Mais que uma reunião de irmãos para louvar a Deus e ler a Bíblia, o centro do culto era a Eucaristia

Outro atestado é o de Sto. Inácio de Antioquia, (†110) terceiro bispo de Antioquia, sucessor de S, Pedro e de Evódio, contemporâneo dos Apóstolos quando criança, que declarou ter visto Nosso Senhor ressuscitado; ele conheceu pessoalmente S. Paulo e S. João Evangelista. Sob o imperador Trajano, foi preso e conduzido a Roma, onde morreu devorado por leões, no Coliseu. A caminho de Roma, escreveu cartas às comunidades da Igreja em Éfeso, Magnésia, Trales, Filadélfia, Esmirna e ao bispo São Policarpo de Esmirna. Apresenta alguns detalhes sobre a oblação da Eucaristia, na sua primeira carta aos cristãos de Esmirna. Nesta, ficou registrada por escrito, pela primeira vez (ao menos num documento que tenha chegado ao nosso conhecimento), a expressão “Igreja Católica”.

“Abstêm-se eles da Eucaristia e da oração, por que não reconhecem que a Eucaristia é Carne de nosso Salvador Jesus Cristo, Carne que padeceu por nos­sos pecados e que o Pai, em Sua Bondade, ressuscitou.”
(Epístola aos Esmirnenses: Cap. VII; Santo Inácio de Antioquia)

Sto. Ireneu de Lião, (130-202) eminente teólogo ocidental, confirma-nos o Sacrifício que era prestado pelos primeiros cristãos figurado no Sacrifício de Cristo. Em outra obra ele ressalta a importância e a transubstanciação na Eucaristia:

“(Nosso Senhor) nos ensinou também que há um novo Sacrifício da Nova Aliança, Sacrifício que a Igreja recebeu dos Apóstolos, e que se oferece em todos os lugares da Terra ao Deus que se nos dá em Alimento como Primícia dos favores que Ele nos concede no Novo Testamento. Já o havia prefigurado Malaquias. (…) O que equivale dizer, com toda a clareza, que o povo primeiramente eleito não havia mais de oferecer sacrifícios, senão que em todo lugar se ofereceria um Sacrifício puro, e que seu Nome seria glorificado entre as nações.”
(Adversus Haereses)

Outro Registro é o Didaqué (leia na íntegra aqui), catecismo cristão escrito por volta do ano 120 aD, antes do Evangelho segundo João e de outros livros no Novo Testamento da Bíblia, um dos mais antigos registros do cristianismo. Este também trata do culto cristão e da celebração dos primeiros crentes após transcrever regras a respeito da celebração da Eucaristia. Diz:

“Que ninguém coma nem beba da Eucaristia sem antes ter sido batizado em nome do Senhor, pois sobre isso o Senhor disse: ‘Não dêem as coisas santas aos cães'”.
(Didaqué, Cap. IX, Nº 5)

Também diz sobre a reunião dos crentes:

“Reúnam-se no Dia do Senhor para partir o Pão e agradecer, após ter confessado seus pecados, para que o Sacrifício seja puro.”
(Didaqué, Cap. XIV, nº 1)

O que têm em comum estes testemunhos do I e do II séculos? Por meio deles podemos observar que os primeiros cristãos perseveravam na Comunhão e na Celebração Eucarística, e todos comprovam a Liturgia católica como única herdeira da liturgia dos primeiros cristãos em suas reuniões, que no mínimo a partir do séc. III passou a ser conhecida pelo termo “Missa”, que procede do latim “mitere”, e significa “enviar”. Missa é o particípio que adquire sentido de substantivo: “missão”.

E como ficam os cultos daqueles alegados “cristãos” que atacam a santa Missa, e que não passam de simples reuniões para a leitura da Bíblia, – com a sua inevitável interpretação particular, que as próprias Escrituras condenam (2Pd 1,20), – canto de louvores e orações espontâneas? Como visto, estes sim, são totalmente carentes de embasamento histórico e bíblico!

Inscrição do sepulcro de uma mulher cristã da Igreja primitiva (séc. 6): “Aqui, descansa em paz Maxima, serva de Cristo, que viveu cerca de 25 anos (…) quando o senador Flavio Probus era o jovem cônsul. Ela morava com o marido há sete anos e seis meses. Foi amigável, fiel em tudo, bondosa e prudente.” Antes do início do texto, a cruz demonstra que se tratava de uma cristã. Hoje, algumas “igrejas” chegam a afirmar que a cruz não é símbolo cristão…

Fontes e referência bibliográfica:
• STONE, Darwell. A History of the Doctrine of the Holy Eucharist, Oregon: Aeterna Press, vol.s 1/2, 2014.
• CECHINATO, Luiz. A Missa Parte por Parte, São Paulo: Vozes, 1991.
• PRADO, Alexandre de Castro. Considerações Sobre A Missa No Séc. II segundo S. Justino, São Paulo: USP, 2011.
www.ofielcatolico.com.br 

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25 anos do Catecismo: Um dos redatores compartilha uma história inédita de sua criação

Este ano completa 25 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica (CIC) e, por esta razão, o Grupo ACI conversou com o Cardeal Estanislao Karlic, um dos poucos escolhidos para a elaboração deste documento importante.

O Cardeal Karlic, Arcebispo Emérito do Paraná (Argentina), de 91 anos, confessou que ficou surpreso em 1986, quando foi convidado a ajudar em um “excelente trabalho” que vários bispos propuseram e que “São João Paulo II aceitou imediatamente”.

“Excelente pelo que é, atrever-se a fazer neste tempo, neste século, depois de séculos, um Catecismo que inclui, reúne uma visão completa, orgânica e ordenada para o mundo de hoje. É um excelente trabalho que, depois de séculos foi feito com a graça de Deus”, disse o Cardeal, que recebeu a notícia para se unir à comissão de redação do novo CIC quando já havia sido eleito Arcebispo do Paraná.

Sobre o tempo que demorou para escrever o importante trabalho, o Purpurado recordou os aproximadamente 7 anos de esforço para terminar a sua primeira edição, que logo depois foi publicada em 11 de outubro de 1992, originalmente em francês.

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“Foi um excelente trabalho, pois teve a participação de toda a Igreja. Não chegamos a completar 7 anos de trabalho e já foi concluído. Mas algo maravilhoso é que acabou sendo escrito em francês, mas foi necessário esperar para prepará-lo para a edição típica de outros anos. Entretanto, foi entregue em 7 de dezembro de 1992 com tradução em italiano e castelhano. Logo depois de ser entregue nesta redação, foi feita a edição típica para ser escrita em latim”, indicou.

Além disso, o Cardeal Karlic recordou que, naquele momento, o Papa São João Paulo II não pediu esta missão a nenhum Cardeal, mas deu “esta honra” aos bispos e arcebispos que constituíram a comissão de redação. Alguns deles, alguns anos depois, foram criados cardeais.

“Não posso deixar de recordar as pessoas com as quais trabalhamos ombro a ombro, em uma parte do Catecismo: o Cardeal Jorge Medina Estévez, do Chile, com quem me tornei mais amigos e disfrutamos as maravilhas de fazer esta síntese da doutrina católica”, recordou.

O Purpurado contou que os funcionários do CIC “tiveram belos encontros duas ou três vezes por ano”, nos quais “expressaram todas as suas opiniões”.

“O Cardeal Joseph Ratzinger (atual Papa Emérito, Bento XVI) liderou os trabalhos com muita sabedoria e, deste modo, chegamos com a visita ordinária do Papa em cada reunião para que pudéssemos ser testemunhas fiéis da doutrina católica”, sublinhou.

Nesse sentido, o Cardeal disse que era “muito importante o trabalho em conjunto, de propor realmente o que era a doutrina católica, e não simplesmente o que poderia ser uma escola dentro da teologia da Igreja”.

“Era necessário ser estrito para propor somente o que poderia ser o Magistério ordinário da Igreja. Esse esforço ajudou a viver em uma disciplina muito sincera e muito bonita. O Catecismo contém a doutrina católica que pertence ao Magistério ordinário do Papa, como queria São João Paulo II”.

Finalmente, o Cardeal Karlic assinalou que “era lindo escutar o Papa quando, no final do nosso trabalho, nos dizia a sua breve mensagem e saudava pessoalmente cada um de nós, dando-nos um terço a fim de encorajar-nos neste trabalho que deveria durar alguns séculos”.

Por ACIDITAL

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