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Lutero, o urubu que se achava o “cisne” da suposta profecia de Huss

Há um fenômeno interessante no meio protestante: eles minimizam a importância da Sagrada Tradição, mas botam a mão no fogo por todo tipo de supostas profecias originadas em seu meio.

Uma das “prufissias” mais caras aos filhos de Lutero e Calvino é a que conta que, diante da estaca em que seria queimado na fogueira, o herege Jan Huss teria dito: “Hoje vocês assarão um ganso (o nome “Huss” significa “ganso”), mas daqui a cem anos Deus enviará um cisne que vocês não conseguirão assar”. E o tal cisne seria Martinho Lutero – um bebum roliço que em nada se assemelhava a tão graciosa criatura, nem no corpo, nem no espírito.

Lutero, na verdade, poderia muito bem ser comparado a outra ave: o urubu. Ele se alimentou da doutrina podre de seus predecessores Wiclyfe e Jan Huss, como um urubu se alimenta da carniça.

Alguns protestantes ficaram pistola com uma postagem nossa fanpage em que afirmamos que essa história não passa de MITO. Na pretensão de nos refutarem, os afoitos vieram com uma suposta “fonte primária”: uma carta de Poggio o Papista, um católico ilustre que teria sido testemunha ocular da morte de Huss.

Só tem um problema com essa “fonte primária” de Poggio: ELA É FALSA. O Dr. Matthew Spinka, historiador respeitável, em um artigo publicado no site de da Universidade de Cambridge, explica:

This delightfull story is unfortunalely a none too clever forgery.”

Tradução: “Essa história deliciosa, infelizmente, é uma falsificação não muito inteligente.”

Outra forte evidência contra a tal “prufissia” do cisne: Peter de Mladoňovice, que tinha Huss como mestre, não cita em nenhum momento esse blá blá blá de cisne. Peter foi testemunha ocular de sua morte, e a descreveu em detalhes.

O nosso leitor Thiago Cruz também descobriu que um PASTOR PRESBITERIANO do século XIX, David Schley Schaff, escreveu um livro explicando os motivos do porquê a carta de Poggius sobre a morte de Huss é uma falsificação. Esta informação está no “appendix II” do livro “John Huss: his life, teachings and death, after five hundred years”. Este livro está disponível gratuitamente na internet (veja aqui).

Para enterrar a questão de vez com uma pá de cal, apresento a seguir uma investigação brilhante e minuciosa do meu amigo Rodrigo Figueiroa (que NÃO é católico).

A “PROFECIA DE HUSS” INVESTIGADA

Por: Rodrigo Figueiroa

A história é que Poggius Bracciolini, secretário do anti-papa João XXIII, teria escrito duas cartas para seu amigo Leonhard Nikolai onde relatava os últimos dias de prisão de Jan Huss, o herege. Poggius teria ido visitar Huss na esperança de que ele se redimisse. Na segunda Carta, Poggius cita a “profecia do cisne”.

Mas acontece que essas cartas não existem no original e só aparecem numa tradução muito tardiamente – em alemão, em 1840. Eu então procurei saber de onde poderia ter surgido essa história de cisne e o que, de fato, Huss disse – se é que disse algo. E, afinal, o que Lutero sabia disso?

Lutero acreditava que a profecia do cisne se referia a ele, mas ele diz:

São John Huss profetizou sobre mim quando ele escreveu de sua prisão em Bohemia, “eles assarão um ganso agora, mas depois de cem anos ouvirão um cisne cantar, e terão que suportá-lo”. (Commentary on the Alleged Imperial Edict, 1531)

Opa… Escreveu da prisão?! Isso significa que a versão que Lutero conhecia da profecia é DIFERENTE da versão contada pelo “testemunho” do papista Poggius o Florentino, que diz que Huss profetizou durante sua execução, e não da prisão.

Isso também difere do “testemunho” de John Foxe citado muitas vezes em 1500s, que fala da profecia na execução, e também menciona um cisne. O depoimento de Foxe de que o brasão de Lutero tinha um cisne é questionável; não existe nenhuma representação contemporânea.

O fato é que Lutero nasceu em Eisleban, onde o brasão mostra um par de asas brancas. Daí a dizer que é um cisne é meio forçado. John Foxe, aliás, não é testemunha nenhuma; ele é um martirologista puritano que reuniu histórias de mártires da Reforma.

O que temos de Huss são cartas de prisão, como Lutero diz. Nas cartas Huss realmente fazia muitas analogias a si mesmo com o trocadilho “ganso”: diz que o ganso estava preso na rede, mas que um dia “outros pássaros, que pela Palavra de Deus e por suas vidas voarão para lugares mais altos, vão despedaçar suas redes” (Carta de Huss de Outubro de 1412). Huss fala de outros futuros reformadores e os compara com pássaros, mas não um cisne especificamente.

E há uma carta escrita por um companheiro de Huss informando os fiéis sobre a situação de seu líder, que conclui o seguinte:

Escrito em Constance no sábado antes de Martinmas. O Ganso ainda não está cozido, e não tem medo de ser cozido, porque este ano a véspera de St. Martin cai no sábado, quando os gansos não são comidos! (John Cardinalis, 10 de novembro de 1414)

Isso é intrigante, porque mostra que Huss e seus amigos já estavam pensando em termos de “o ganso sendo cozido”, assim como dito mais tarde na profecia. Então essas analogias já existiam em correspondência.

O dito testemunho de fonte primária não é nada primário – a menos que alguém apresente o manuscrito original da carta de Poggius para Leonhard Nikolais em italiano ou latim. Porque a única fonte que temos destas cartas são as traduções para alemão e inglês feitas por uma suposta Beda von Berchem em 1930. Isso significa que durante a época de Lutero, a sua fonte para a profecia NÃO era o testemunho de Poggius.

Beda von Berchem usou duas cartas de Poggius e escreveu o livro “O Julgamento de Huss, por Fra. Poggius, o Papista”. Na suposta carta, Poggius diz que no momento em que a fogueira foi acesa, Huss teria dito:

Então ele cantou em verso, com uma voz exultante, como o salmista no trigésimo primeiro salmo, lendo de um papel em suas mãos:

Em ti, ó Senhor, eu ponho minha confiança,
Inclina o teu ouvido para mim.

Com essas orações cristãs, Hus chegou à fogueira, olhando sem medo. Ele subiu em cima dela, depois que dois ajudantes do carrasco rasgaram suas roupas dele e o vestiram em uma camisa encharcada de piche. (…) Os carrascos agarraram cordas umedecidas, amarraram as mãos e os pés da vítima para trás à estaca, espremeram lã encharcada de óleo entre seus membros e a estaca e esvaziaram tanto óleo sobre sua cabeça que escorreram de sua barba e ouviram sua oração: “Senhor Zebaoth! Tome este pecado deles!”.

Ludewig subiu e rezou com fervor para que Hus renunciasse, para que pudesse ser poupado de uma morte nas chamas. Mas Hus respondeu: “Hoje você vai assar um ganso magro, mas daqui a cem anos você ouvirá um cisne cantar, a quem você deixará livre e nenhuma armadilha ou rede o pegará para você.”

Bem, acontece que sabemos da boca do próprio Lutero que ele conhecia a profecia como dita através das CARTAS DE HUSS NA PRISÃO, e não do testemunho de outras pessoas. Inclusive porque essa passagem profética NÃO ESTÁ nos autos do julgamento, e não é mencionada por uma testemunha ocular da época, cujas cartas – essas sim – eram conhecidas na época de Lutero: Peter de Mladonovic:

Relatório de testemunha ocular do site do evento 
Como foi executado Jan Hus 
Peter de Mladonovic: desenrolar da paixão do mestre Jan Hus

Peter de Mladonovice (falecido em 1451), um escritor de primeira escolta de Hus Sir Jan de Chlum para Constance e lá ele aprendeu todos os detalhes do julgamento e execução de Hus. De suas primeiras notas foi logo criado a intenção de relatar todos os detalhes do amado Mestre, e assim compôs as relações em latim. Jan Hus que por seu alcance, e importância equivalente, pertence dentro da crônica. O próprio autor a chamou de “história”. No total, todo o trabalho tem cinco partes. O mais importante é a terceira e quinta parte, na qual a narração de Peter atinge um alto nível de crônica.

A quinta seção tornou-se de alguma forma independente e foi usada durante o culto nas feriados de Hus como Evangelho (cartas de Hus de Constança, em seguida, substituiu a epístola), primeiro em latim, mas muito em breve em checo. A tradução dessa parte, feita também por Peter (talvez já em 1417-1420) Tornou-se amplamente difundida em cópia e depois na impressão e tornou-se para o utrakvist tcheco uma espécie de contrapartida equivalente à narração bíblica sobre a crucificação de Cristo. A amostra aqui está mostrando a última rota de Huss da catedral do bispo, onde ele foi julgado por heresia, condenado pelo conselho e queimado na fogueira, morrendo heroicamente em 6 de julho de 1415 . Ele está sendo introduzido a partir da tradução do original em latim para o inglês (NY Columbia University Library…):

. . . mas antes disso eles colocaram em sua cabeça uma coroa de papel para a difamação, dizendo-lhe entre outras coisas: “Nós entregamos a sua alma ao diabo!” E ele, unindo as mãos e levantando os olhos para o céu, disse: “E eu entrego ao mais misericordioso Senhor Jesus Cristo por causa de mim, um miserável infeliz, tem uma coroa de espinhos muito mais pesada e dura. Sendo inocente, ele foi considerado merecedor da mais vergonhosa morte.Portanto, eu, um infeliz miserável e pecador, humildemente suportarei esta coroa muito mais leve, ainda que vilificante para o Seu nome e verdade “.

A coroa de papel era redonda de quase dezoito polegadas de altura, e nela foram mostrados três diabos horríveis prestes a apoderar-se de uma alma e a rasgar entre si com garras. A inscrição na coroa descrevendo sua culpa dizia: “Este é um heresiarca”.

Então o rei disse ao duque Ludwig, o filho do falecido Clem da Baviera, que então estava diante dele em suas vestes, segurando a esfera de ouro com a cruz em suas mãos: “Vá recebê-lo!” E o filho do dito Clem recebeu o Mestre, entregando-o nas mãos dos executores para ser levado à morte.

Quando foi coroado, ele foi então conduzido da referida igreja; eles estavam queimando seus livros naquela hora no cemitério da igreja. Quando, de passagem, ele viu, sorriu a esse ato. A caminho, na verdade, ele exortou os que estavam ao redor ou seguiu-o para não acreditar que ele morreria por causa de erros falsamente atribuídos a ele e deposto pelo falso testemunho de seus principais inimigos. De fato, quase todos os habitantes daquela cidade, carregando armas, o acompanharam até a morte.

E tendo chegado ao local da execução, ele, dobrando o joelho e esticando as mãos e voltando os olhos para o céu, cantou com devoção os salmos e particularmente: “Tem piedade de mim, Deus” e “Em Ti, Senhor, Eu confiei, “repetindo o verso” em Tuas mãos, Senhor “. Seus próprios amigos, que estavam ali, ouviram-no orando alegremente e com um semblante alegre.

O local da execução era entre os jardins de um certo prado, como se fosse de Constança em direção à fortaleza de Gottlieben, entre os portões e os fossos dos subúrbios da dita cidade. Alguns dos leigos que estavam em pé disseram: “Não sabemos o que ou como ele agiu e falou anteriormente, mas agora, na verdade, vemos e ouvimos que ele ora e fala com palavras sagradas”. E outros disseram: “Certamente seria bom que ele tivesse um confessor para ser ouvido”. Mas um certo padre em um terno verde com um forro de seda vermelho, sentado em um cavalo, disse: “Ele não deve ser ouvido, nem um confessor ser dado a ele, pois ele é um herege”.

Mas o padre John, enquanto ainda estava na prisão, confessara a um certo médico, um monge, e fora gentilmente ouvido e absolvido por ele, como ele mesmo declarou em uma das cartas a seus [amigos] da prisão. Quando ele estava orando, a coroa ofensiva já mencionada, pintada com três demônios, caiu de sua cabeça. Quando ele percebeu, ele sorriu. Alguns dos soldados contratados disseram: “Coloque-o novamente para que ele possa ser queimado junto com os demônios, seus senhores, a quem ele serviu na terra”.

E levantando-se à ordem do carrasco do lugar onde ele estava orando, ele disse em voz alta e clara, para que seus [amigos] pudessem claramente ouvi-lo: “Senhor Jesus Cristo, estou disposto a suportar com paciência e humildade esta morte terrível, ignominiosa e cruel para o Teu Evangelho e para a pregação do Mundo Tímido “. Então eles decidiram levá-lo entre os espectadores. Ele insistiu e implorou a eles que não acreditassem que, de qualquer forma, ele pregasse, pregasse ou ensinasse os artigos com os quais ele foi acusado por falsas testemunhas.

Depois de ter sido despojado de sua roupa, ele foi amarrado a uma estaca com cordas, as mãos amarradas às costas. E quando ele foi virado para o leste, alguns dos espectadores disseram: “que ele não fique em sintonia com o leste, porque ele é um herege; mas vire-o para o oeste”. Então isso foi feito.

Quando ele estava amarrado ao pescoço com uma corrente de fuligem, ele olhou para ele e, sorrindo, disse aos carrascos: “O Senhor Jesus Cristo, meu Redentor e Salvador, estava preso por uma corrente mais dura e pesada. E eu, um miserável desgraçado, não me envergonho de suportar ser ligado para o seu nome por este “. A estaca era como um espesso poste de meio pé de espessura, eles afiavam uma ponta dela e a fixavam no chão daquele prado. Eles colocam dois feixes de madeira sob a alimentação do Mestre. Quando amarrado a essa estaca, ele ainda estava com os sapatos e um grilhão nos pés. De fato, os ditos feixes de madeira, intercalados com palha, estavam empilhados ao redor de seu corpo, de modo que alcançassem seu queixo. Pois a madeira equivalia a dois vagões – ou cargas de carga.

Antes de ser aceso, o marechal imperial, Hoppe de Poppenheim, aproximou-se dele junto com o filho do falecido Clem, como foi dito, exortando-o a salvar sua vida por renunciar e retratar sua antiga pregação e ensino. Mas ele, olhando para o céu, respondeu em voz alta: “Deus é minha testemunha”, exclamou ele, “que as coisas que são falsamente atribuídas a mim e das quais as falsas testemunhas me acusaram, eu nunca ensinei ou preguei. Mas que a intenção principal da minha pregação e de todos os meus outros atos ou escritos era unicamente que eu poderia afastar os homens do pecado. ”E nessa verdade do Evangelho que eu escrevi, ensinei e preguei está de acordo com as declarações e exposições do doutores santos, estou disposto a morrer de bom grado hoje “.

E ouvindo isso, o dito marechal com o filho de Clem imediatamente bateu palmas e recuou.

Quando os carrascos acenderam imediatamente [o fogo], o Mestre imediatamente começou a cantar em voz alta, a princípio “Cristo, Filho do Deus, tem misericórdia de nós”, e em segundo lugar, Cristo, Tu filho do Deus, tem misericórdia de mim “, e em terceiro lugar,” Tu que és nascido de Maria, a Virgem “. E quando ele começou a cantar pela terceira vez, o vento soprou a chama em seu rosto. E assim orando dentro de si e movendo seu lábios e a cabeça, ele expirou no Senhor. Enquanto ele estava em silêncio, ele parecia se mover antes de realmente morrer por mais ou menos tempo que alguém pode rapidamente recitar “Pai Nosso” dois ou no máximo três vezes.

Quando a madeira desses feixes e cordas foi consumada, mas os restos do corpo ainda estavam nas correntes, penduradas pelo pescoço, os carrascos puxaram o corpo carbonizado junto com a estaca até o chão e os queimaram ainda mais, adicionando madeira de o terceiro vagão para o fogo. E andando por aí, eles quebraram os ossos com bastões para que eles fossem incinerados mais rapidamente.

E encontrando a cabeça, eles a partiram em pedaços com os porretes e novamente a jogaram no fogo. E quando eles encontraram seu coração entre os intestinos, eles afiaram um porrete como um espeto, e, empalando-o em sua extremidade, eles tomaram um cuidado especial para assá-lo e consumi-lo, perfurando-o com lanças até que finalmente toda a massa se transformou em cinzas.

E, por ordem do dito Clem e seu marechal, os carrascos jogaram a roupa no fogo junto com os sapatos, dizendo “Para que os tchecos não a considerassem como relíquias; nós lhe pagaremos por isso”. O que eles fizeram. Então eles carregaram todas as cinzas em uma carroça e jogaram no rio Reno fluindo nas proximidades.”

– Peter de Mladonovic, Paixão de Mestre Jan Huss, 1415 (Poslany sboru kostnickemu proti upaleni mistra Jana Husa)

Peter de Mladonovic, um fiel seguidor de Huss, descreve em detalhes a execução de seu mestre, e no mesmo momento citado por Poggius, quando o príncipe Ludowig se aproxima da fogueira e pede que Huss se arrependa. O discípulo anota as palavras do mestre, mas veja: NÃO CITA NENHUMA PROFECIA.

Por que os autos do julgamento e um seguidor empenhado em posterizar as últimas palavras de seu mestre não citam a profecia, e um funcionário católico de Roma cita quase um panegírico cheio de elogios em relação a um herege?

Por que ninguem usa a carta de Poggius como testemunho antes de sua tardia publicação em ingles e alemão?

Por que Lutero não sabe nada da profecia na execução, e sim a cita tendo origem em cartas de prisão?

Tudo indica forja e interpolação tardia. Do contrário, Peter de Mladonovic teria citado a profecia, a parte mais importante da execução, um fechamento épico! Mas não cita. Apenas essa tal Beda Von Berchem, que traduziu as cartas em 1930 para on inglês, cita tal coisa. E procurando sobre ela, vi que seus únicos trabalhos são papéis em 1936 sobre “A Reabilitação do Exército Sérvio em 1916”.

Não é por causa de Poggius que Lutero acreditou na profecia, nem por causa dele que vemos Lutero associado com cisnes. Foi o Historiador John Foxe, o mesmo que fez a associação do Brasão de Lutero com um cisne, que também relatou que Huss teria profetizado um cisne:

Quando as lápides foram empilhadas até o pescoço, o duque da Baviera foi tão discreto a ponto de desejar que ele fosse abjurado. “Não, (disse Huss;) eu nunca preguei nenhuma doutrina de tendência maligna; e o que ensinei com os meus lábios agora selo com o meu sangue. Ele então disse ao carrasco:“ Agora você vai queimar um ganso, (Huss significando ganso na língua boêmia 🙂 mas em um século você terá um Cisne que você não pode assar nem ferver.”

Foxe NÃO FOI testemunha do evento. O que temos aqui é que alguém, tardiamente, transformou Poggius em uma testemunha A PARTIR da descrição de Foxe; outra testemunha do evento, muito mais interessada e revelada anteriormente, não menciona profecia nenhuma!

Sem as cartas originais de Poggius, é bem possível supor que ele tenha sido mesmo testemunha dos eventos, mas as evidências de uma interpolação são muito grandes, não apenas por ser uma tradução tardia como destoa dos testemunhos anteriores, e se harmoniza com os de um historiador lutherano que não presenciou os eventos.

O que temos de fato sobre Huss e “profecias de pássaros”, são suas cartas da prisão, mas ele não cita nenhum pássaro em específico, tanto que a profecia citada por Lutero aparece sob outras formas, com outros tipos de ave.

O que fez Lutero se associar com Huss e suas profecias foi, na realidade, um sonho na noite anterior a 31 de outubro de 1517: o eleitor Frederico da Saxônia teve um sonho que foi registrado por seu irmão, o duque João. O sonho, em suma, é sobre um monge que escreveu na porta da igreja de Wittenberg com uma pena tão grande que chegava a Roma. Quanto mais as autoridades tentavam quebrar a pena, mais forte ela se tornava. Quando perguntado sobre como a pena ficava tão forte, o monge respondeu: “A pena pertencia a um velho ganso da Boêmia, com cem anos de idade.” Na mesma manhã, ele compartilhou seu sonho, e Martin Luther estava postando suas teses.

Lutero já se considerava um “seguidor” de Huss, e por isso nada de extraordinário que as pessoas tenham sonhado esta associação, prevendo que naquele dia o monge faria suas teses públicas. Mas a parte do “cisne” vem totalmente do próprio Lutero, que se coloca entre as muitas aves citadas nas cartas de Huss.

Por que Lutero se via como um cisne? Minha opinião é que isso tenha a ver sim com o famoso “sonho de Sócrates” e o cisne de Platão, um tema poético e bem conhecido. Mas fora minha opinião, vemos que Foxe já fazia a associação com as asas brancas no brasão de Lutero, apesar das asas não serem especificamente de um cisne, e foi Foxe quem colocou um cisne na boca de Huss.

Por incentivo do próprio Lutero, que se dizia o cisne profetizado de Huss, muitas imagens de Lutero ao lado de um cisne começaram a ser feitas.

Então eu mantenho: NÃO TEMOS TESTEMUNHOS PRIMÁRIOS QUE AFIRMEM QUE HUSS PROFETIZOU UM CISNE. O que temos é uma publicação tardia que DIZ ser um testemunho contemporâneo. Aqui temos todas as cartas de Jan Huss na prisão, e apesar dele fazer analogias com gansos e futuras aves não especificadas como mencionei acima, ele não cita nenhum cisne. Este site tcheco (veja aqui) mostra as cartas. Deve-se notar que nenhuma das cartas de Hus sobreviveu no original; são apenas descrições ou descrições de cópias que datam do século XVI.

Outra fonte que foi misturada às cartas de Huss e deram corpo à “profecia” de Foxe foi que numa carta datada de 5 de março de 1415, que Huss escreveu a John de Chlum, ele quer interpretar esse sonho:

Eu pensei que eles queriam destruir todas as pinturas de Cristo em Belém e de fato as destruíram. Eu me levantei no dia seguinte e vi muitos pintores, que faziam as fotos mais bonitas e maiores, e eu olhei para eles com alegria e os pintores disseram ao povo abundante: “Que os bispos e sacerdotes venham e os destruam!” Quando aconteceu, muitas pessoas se alegraram em Belém e eu com elas, e acordei imaginando que estava sorrindo.

Na carta seguinte a Peter de Mladoňovice, Huss menciona a interpretação do sonho acima mencionado, que ele recebeu de seus amigos quando ele escreve:

… a vida de Cristo, que eu atraí em Belém por sua palavra no coração dos homens, e que destruiriam em Belém, , para que não apareça nas capelas e Belém (proibição do Papa Alexandre de 20 de dezembro de 1409 ) , então que Belém deve ser comparada com a terra (decreto sobre a destruição da capela de 1412) que a vida de Cristo retratará melhor muitos pregadores melhores do que eu , para a alegria de um povo que ama a vida de Cristo – e eu me regozijarei nela … quando crescer, isto é, quando ressuscitar dos mortos ” . (Uma Mensagem do Mestre Jan Hus em Constança por Petra de Mladoňovice, publicado pela Charles University em 1965)

Ou seja, não tem nenhuma profecia. O tempo todo nas cartas ele fica falando que novos pregadores melhores que ele viriam.

E de onde Foxe tirou o cisne que quis tanto associar com Lutero, para dar suporte ao próprio Lutero se associando com o cisne de Huss? Jan Agricola, o precursor dos restauradores do mestre John Hus, foi em 1525 leu o manuscrito em latim sobre a execução de Huss por Peter de Mladoňovice que já vimos, na biblioteca do médico Paul Rockenbach. Ele então escreveu nos versos da tragédia Jan Hus. Um verso, em seguida, lê:

Você inocentemente cometeu uma peça traiçoeira, 
quando você assou os pobres gansos. 
Seu grito era repugnante para você. 
Eu te digo outros dias: 
De dia e de dia, 
Digo-te a voz dos profetas. 
O cisne branco será novamente ouvido 
uma música que o mundo todo ouvirá.

Lutero se achava um cisne e se colocou entre as muitas “aves” que Huss cita em suas cartas na prisão, que são a única fonte da qual Lutero conhece qualquer “profecia” de Huss. Variadas aves eram imaginadas – Ogden Kraut em “95 teses” (Genola, UT: Pioneer Publishers, 1975) menciona uma ÁGUIA. Foxe pegou a “profecia poema” de Jan Agrícola e colocou na boca de Huss, porque citava o Cisne de Lutero. Séculos depois, alguém publicando as cartas de Poggius o Florentino coloca a mesma profecia de Foxe na boca de um testemunho de um inimigo de Huss. O problema é que o mais leal seguidor de Huss, que registrou fielmente seus dizeres, não menciona nada a respeito. Porém esse testemunho, que é o mais importante e revelado mais antecipadamente, é ignorado. Isso mais do que prova que não teve profecia nenhuma.

E mais: um documento postado no site de Cambridge, da American Society Church History, diz que as Cartas de Poggius sobre a morte de Huss, traduzidas por Beda von Berchem, são falsas:

Uma forja não muito esperta. Consiste de duas cartas, supostamente escritas pelo humanista Poggio Bracciolini, um dos secretários da Cúria Romana no Concílio de Constancia, a um amigo. Elas realmente são um romanceamento histórico, uma diabrete contra o Papado. A verdadeira intenção de enganar está no titulo: o livro afirma ser a primeira tradução em ingles do original alemão publicado em 1523 e duas vezes reimpresso. A autenticidade desta obra é questionável desde que a primeira edição em Alemã é de fato de 1840.

Poggius Bracciolini, um prolífico escritor de cartas e colecionador de livros, tem muitas cartas sobreviventes no original, mas – adivinha! -, essa não se pode encontrar em lugar nenhum.

A dita profecia é uma montagem em cima de “disse que disse” não corroborado pela testemunha mais legítima, o hussita Peter de Mladoňovice; e o dito “testemunho de Poggius” é altamente suspeito, sem validade, em um texto que o autor começa a mentir já no título!

Artigo retirado do excelente e credenciado site O CATEQUISTA  O Catequista

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O dia que me disseram que Senhor dos Anéis era do capeta

Eram os velhos tempos de Orkut. Não lembro se a comunidade era sobre Tolkien, Senhor dos Anéis, cristianismo ou literatura.

Na época, eu com meus doze anos, li em uma discussão algo mais ou menos assim: “Mas Senhor dos Anéis e Crônicas de Nárnia são coisas ocultistas! TEM MAGIA! Bruxaria!”

Foi o suficiente para deixar o coração do menino, que ia à missa todo domingo, bastante aflito. “Caramba, eu gosto de coisa do capeta?”

E lá fui eu pesquisar no Google. Que foi outra burrice. A internet é um perigo.

Devo ter jogado algo como “Senhor dos anéis é do diabo?”, e lá pelas tantas estava lendo um texto que dava as definições dos seres da Terra-Média, do tipo: “anão: ser da mitologia nórdica que vive embaixo da terra, demônio”; “elfo: ser da mitologia celta que vivem bosques e pratica travessuras com os transeuntes, demônio da floresta”.

Provavelmente era um site ligado à Universal, mas menino de doze anos confere as fontes?

Pessoal, não vamos cair nesse erro. Tem que ser muito tapado para ver qualquer coisa anticristã nessas obras.

As Crônicas de Nárnia são profundamente alegóricas: Aslam é Jesus em forma de leão (morre para salvar um traidor e ressuscita). Ele literalmente DIZ ISSO, quando fala para as crianças: “no seu mundo tenho outro nome”. A coisa era tão na cara que Tolkien, autor de Senhor dos Anéis, brigou com C.S. Lewis, autor de Nárnia, alegando que ele forçava muito a barra.

É a obra de um dos maiores apologetas cristãos do século XX. Lewis escreveu mais defesa da fé cristã do que ficção (leiam Cristianismo Puro e Simples, Os Quatro Amores, A Abolição do Homem…). Só bobeou por ser anglicano (mas eu creio que hoje é católico, no Céu).

E o autor do Senhor dos Anéis não é para menos. Tolkien, de fato, não era um apologeta do cristianismo. Não ficava escrevendo sobre a defesa da fé cristã. Mas o homem viveu seu catolicismo. Foi a amizade dele que trouxe C.S. Lewis para o cristianismo, para início de conversa.

Tolkien foi criado por um sacerdote oratoriano, Padre Francis Morgan, pois perdeu os pais cedo. Teve quatro filhos, um deles sacerdote. Catolicíssimo, suas cartas valem a leitura para qualquer cristão, e se não foi beatificado, sua vida é no mínimo muito exemplar.

O Senhor dos Anéis não se propõe a ser alegórico. Tolkien só quis contar uma história. Mas, assim como já vimos com Flannery O’Connor, tudo o que saía da sua mente era reflexo de uma vida católica e a partir de uma perspectiva católica.

Por isso vemos, em Aragorn, a figura de um rei aguardado, que retorna para restaurar um reino (e que cura pelas mãos; e que é desprezado no início; e cuja vinda era aguardada… tá bom, a coisa beirava o alegórico). Vemos em Frodo uma figura que está disposta a dar a vida pela salvação de muitos. Vemos até mesmo, na data que Tolkien escolheu para a derrota de Sauron, um forte sinal – 25 de março, quando lembramos a Encarnação do Verbo no seio de Maria.

Então, não vamos cair em puritanismo (que aliás, é heresia). Há magia em histórias fantásticas. Mas antes de jogar na fogueira (esse hábito de países puritanos, alheio ao catolicismo) se pergunte o que é a magia ali? Onde está o bem? Onde está o mal?

O próprio Tolkien reconhece que a fantasia pode ser usada para o mal, em seu ensaio “Sobre Histórias de Fadas”:

“É claro que a Fantasia pode ser levada ao excesso. Pode ser malfeita. Pode ser empregada para maus usos. Pode até mesmo iludir as mentes das quais surgiu. Mas de que coisa humana neste mundo decaído isso não é verdade?”

Pode ser usado para propagar ocultismo? Claro que pode. Mas isso até as novelas podem (e o espiritismo cresceu muito no Brasil graças a elas).

Mas, como disse Chesterton, que muito influenciou Tolkien: “o bebê conhece intimamente o dragão desde que começa a imaginar. O que o conto lhe dá é um São Jorge para matá-lo”. Magia, fantasia, e mesmo a ficção mais trevosa e hardcore podem ser usados para nos levar ao heroísmo, à virtude, e a conhecer um pouco de Deus, o maior dos autores.

Longe de nós, puritanismo! Examinai tudo e ficai com o que é bom (e voltai aqui para mais dicas e recomendações).

Artigo retirado do excelente e credenciado site O CATEQUISTA  O Catequista

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Papa Francisco: José é exemplo de homem que assume a paternidade e o mistério de Deus

O Papa Francisco começou a semana celebrando a missa na Capela da Casa Santa Marta. O Papa inspirou sua homilia no trecho do Evangelho de Mateus para ressaltar que José assumiu para si a responsabilidade da paternidade de Jesus.

Nos problemas, nas angústias, nas obscuridades, aprendamos com São José, que sabe “como caminhar na escuridão”, que sabe “como se ouve a voz de Deus”, “como se vai avante em silêncio.

Palavras do Papa Francisco na missa desta manhã na Casa Santa Marta, comentando o Evangelho do dia, extraído do Evangelho de Mateus, em que se explica que Jesus nascerá de Maria, esposa de José, filho de Davi.

José acreditou e obedeceu

O Pontífice falou da emoção de José, quando começaram as ser visíveis os sinais da gravidez de Maria: fala das dúvidas daquele homem, da sua dor, do seu sofrimento, enquanto todos a sua volta começavam a murmurar, “os fofoqueiros da cidade”.

Ele “não sabia”, mas sabia que Maria era “uma mulher de Deus”: decidiu assim “deixá-la em silêncio”, não acusando-a “publicamente”, até que que o Senhor interviesse, com um anjo no sonho, que lhe explicou que a criança “nela gerada” vinha do Espírito Santo. E assim “acreditou e obedeceu”.

José lutava dentro; naquela luta, a voz de Deus: “Mas levante-te – aquele levante-te’, muitas vezes, no início de uma missão, na Bíblia: ‘Levanta-te!’ – pegue Maria, leve para a sua casa. Assuma a situação: pegue pela mão e vai em frente”. José não foi ter com os amigos para se confortar, não foi ao psiquiatra para que interpretasse o sonho… não: acreditou. Foi avante. Assumiu a situação. Mas o que José tinha que assumir? Qual era a situação? De duas coisas. Da paternidade e do mistério.

Assumiu a paternidade

José, acrescentou o Papa, teve então que assumir a paternidade. E isso já se intuía na “genealogia de Jesus”, em que se explica como “se pensava que fosse o filho de José”:

Ele assumiu uma paternidade que não era sua: ela [vinha] do Pai. E levou avante a paternidade com aquilo que significa: não só apoiar Maria e a criança, mas também fazê-lo crescer, ensinar-lhe a profissão, acompanha-lo à maturidade de homem. “Assuma a paternidade que não é tua, é de Deus”. E isso sem dizer uma palavra. No Evangelho, não tem uma só palavra dita sobre José. O homem do silêncio, da obediência silenciosa.

Assumiu o mistério de reconduzir o povo a Deus

É também o homem que “assumiu” o mistério: como explicado na primeira Leitura, é o mistério de “reconduzir o povo a Deus”, o mistério “da re-Criação” que, como diz a Liturgia, é “mais maravilhosa do que a Criação”.

José assume este mistério e ajuda: com o seu silêncio, com o seu trabalho até o momento que Deus o chama para si. Deste homem que assumiu a paternidade e do mistério, se diz que [é] sombra do Pai: a sombra de Deus Pai. E se Jesus homem aprendeu a dizer “papai”, “pai”, ao seu Pai que conhecia como Deus, aprendeu isso da vida, do testemunho de José: o homem que custodia, o homem que faz crescer, o homem que leva avante toda paternidade e todo mistério, mas não pega nada para si.

Este, concluiu Francisco, é o “grande José”, do qual Deus precisava para levar avante “o mistério de re-conduzir o povo rumo à nova Criação”.

 

Por Vatican News 

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Série: A Doutrina Social da Igreja Capítulo 3 – A integração entre subsidiariedade e solidariedade

A subsidiariedade não prega formas de centralização, de burocratização, de assistencialismo, de presença injustificada e excessiva do Estado e do aparato público, pois considera que tirar a responsabilidade da sociedade provoca a perda de energias humanas e o aumento exagerado do setor estatal.

De forma positiva, indica a necessidade de se dar suporte às pessoas, famílias, associações, iniciativas privadas, promovendo “uma adequada responsabilização do cidadão no seu ‘ser parte’ ativa da realidade política e social do País” (CDSI 187).

Solidariedade

A solidariedade não é um simples sentimento de compaixão pelos males sofridos por tantas pessoas próximas ou distantes. É a determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem de todos e de cada um, porque “todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos” (Sollicitudo rei socialis, 38).

A solidariedade se apresenta sob dois aspectos complementares: o de princípio social – ordenador das instituições – e o de virtude moral – responsabilidade pessoal com o próximo (CDSI, 193).

A solidariedade se manifesta antes de tudo na distribuição dos bens e na remuneração do trabalho. O ensinamento social católico defende que os problemas socioeconômicos “só podem ser resolvidos com o auxílio da solidariedade: solidariedade dos pobres entre si, dos ricos e dos pobres, dos trabalhadores entre si, dos empregadores e dos empregados na empresa, solidariedade entra as nações e entre os povos” (CIC, 1940).

A integração entre subsidiariedade e solidariedade

Na aplicação da doutrina social da Igreja, os princípios da subsidiariedade e solidariedade sempre devem ser vistos e aplicados em conjunto, pois “o princípio de subsidiariedade há-de ser mantido estritamente ligado com o princípio de solidariedade e vice-versa, porque, se a subsidiariedade sem a solidariedade decai no particularismo social, a solidariedade sem a subsidiariedade decai no assistencialismo que humilha o sujeito necessitado” (Bento XVI, Carta encicl. Caritas in veritate, 58).

O ensinamento social católico tem o valor de um instrumento de evangelização. Anuncia e atualiza a mensagem de Jesus Cristo em campos fundamentais da vida do homem. Grandes temas da doutrina social são: a família, o trabalho, a vida econômica, a política, a comunidade internacional, a proteção do meio ambiente e a promoção da paz.

Família

A Igreja considera a família “como a primeira sociedade natural, titular de direitos próprios e originários, e a põe no centro da vida social”. Ela é “a célula primeira e vital da sociedade”, fundamento da vida das pessoas e base de todo ordenamento social (CDSI, 211).

A família tem o seu fundamento na livre vontade dos cônjuges de se unirem em matrimônio. Ela é um ambiente de vida, de doação recíproca do homem e da mulher, e de bem para as crianças. É comunidade natural na qual se experimenta a sociabilidade humana. Contribui “de modo único e insubstituível para o bem da sociedade” (CDSI, 213).

Trabalho

O trabalho humano tem uma dupla dimensão. Em sentido objetivo, é “o conjunto de atividades, recursos, instrumentos e técnicas de que o homem se serve para produzir”. Em sentido subjetivo, é “o agir do homem enquanto ser dinâmico, capaz de realizar as várias ações que pertencem ao processo do trabalho e que correspondem à sua vocação pessoal” (CDSI, 270).

O trabalho é um dever do homem. Mas nunca deve ser considerado simples mercadoria ou elemento impessoal da organização produtiva. O trabalho é expressão essencial da pessoa, sendo a própria pessoa o parâmetro da dignidade do trabalho (CDSI, 271).

Economia

O objeto da economia “é a formação da riqueza e o seu incremento progressivo, em termos não apenas quantitativos, mas qualitativos”. Tudo isso “é moralmente correto se orientado para o desenvolvimento global e solidário do homem e da sociedade em que ele vive e atua” (CDSI, 334).

O ensinamento social católico considera a liberdade da pessoa no campo econômico como um valor fundamental, reconhece a justa função do lucro, harmonizada com a capacidade da empresa de servir à sociedade. Defende o livre mercado, prega que o Estado assuma o princípio da subsidiariedade, valoriza a co-presença de ação pública e privada, defende a obtenção de um desenvolvimento integral e solidário para a humanidade.

Referências: ALETEIA: Prof. Dr. Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)

Foto/Vídeo/Produção: Portal Terra de Santa Cruz 

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ADVENTO: Entenda o significado e a origem!

Todos os grandes eventos exigem uma preparação. Por isso, a Igreja instituiu, na Liturgia, um período que antecede o Natal: o Advento que, ao longo da história da Igreja, tomou diversas formas.

Receber uma visita é uma arte que uma dona de casa exercita com freqüência. E quando o visitante é ilustre, os preparativos são mais exigentes. Imagine o leitor que numa Missa de domingo seu pároco anunciasse a visita pastoral do bispo diocesano, acrescida de uma particularidade: um dos paroquianos seria escolhido à sorte para receber o prelado em sua casa, para almoçar, após a Missa.

Certamente, durante alguns dias, tudo no lar da família eleita se voltaria para a preparação de tão honrosa visita. A seleção do menu, para o almoço, o que melhorar na decoração do lar, que roupas usar nessa ocasião única. Na véspera, uma arrumação geral na casa seria de praxe, de modo a ficar tudo eximiamente ordenado, na expectativa do grande dia.

Essa preparação que normalmente se faz, na vida social, para receber um visitante de importância, também é conveniente fazer-se no campo sobrenatural. É o que ocorre, no ciclo litúrgico, em relação às grandes festividades, como por exemplo o Natal. A Santa Igreja, em sua sabedoria multissecular, instituiu um período de preparação, com a finalidade de compenetrar todas as almas cristãs da importância desse acontecimento e proporcionar-lhes os meios de se purificarem para celebrar essa solenidade dignamente. Esse período é chamado de Advento.

Significado do termo Advento – adventus, em latim – significa vinda, chegada. É uma palavra de origem profana que designava a vinda anual da divindade pagã, ao templo, para visitar seus adoradores. Acreditava-se que o deus cuja estátua era ali cultuada permanecia em meio a eles durante a solenidade. Na linguagem corrente, significava também a primeira visita oficial de um personagem importante, ao assumir um alto cargo. Assim, umas moedas de Corinto perpetuam a lembrança do adventus augusti, e um cronista da época qualifica de adventus divi o dia da chegada do Imperador Constantino. Nas obras cristãs dos primeiros tempos da Igreja, especialmente na Vulgata, adventus se transformou no termo clássico para designar a vinda de Cristo à terra, ou seja, a Encarnação, inaugurando a era messiânica e, depois, sua vinda gloriosa no fim dos tempos.

Surgimento do Advento cristão

Os primeiros traços da existência de um período de preparação para o Natal aparecem no século V, quando São Perpétuo, Bispo de Tours, estabeleceu um jejum de três dias, antes do nascimento do Senhor. É também do final desse século a “Quaresma de São Martinho”, que consistia num jejum de 40 dias, começando no dia seguinte à festa de São Martinho.

São Gregório Magno (590- 604) foi o primeiro Papa a redigir um ofício para o Advento, e o Sacramentário Gregoriano é o mais antigo em prover missas próprias para os domingos desse tempo litúrgico.

No século IX, a duração do Advento reduziu-se a quatro semanas, como se lê numa carta do Papa São Nicolau I (858-867) aos búlgaros. E no século XII o jejum havia sido já substituído por uma simples abstinência.

Apesar do caráter penitencial do jejum ou abstinência, a intenção dos papas, na alta Idade Média, era produzir nos fiéis uma grande expectativa pela vinda do Salvador, orientando-os para o seu retorno glorioso no fim dos tempos. Daí o fato de tantos mosaicos representarem vazio o trono do Cristo Pantocrator. O velho vocábulo pagão adventus se entende também no sentido bíblico e escatológico de “parusia”.

O Advento nas Igrejas do Oriente

Nos diversos ritos orientais, o ciclo de preparação para o grande dia do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo formou-se com uma característica acentuadamente ascética, sem abranger toda a amplitude de espera messiânica que caracteriza o Advento na liturgia romana.

Na liturgia bizantina destaca-se, no domingo anterior ao Natal, a comemoração de todos os patriarcas, desde Adão até José, esposo Cristo Rei.jpgda Santíssima Virgem Maria. No rito siríaco, as semanas que precedem o Natal chamam-se “semanas das anunciações”. Elas evocam o anúncio feito a Zacarias, a Anunciação do Anjo a Maria, seguida da Visitação, o nascimento de João Batista e o anúncio a José.

O Advento na Igreja Latina

É na liturgia romana que o Advento toma o seu sentido mais amplo. Muito diferente do menino pobre e indefeso da gruta de Belém,nos aparece Cristo, no primeiro domingo, cheio de glória e esplendor, poder e majestade, rodeado de seus Anjos, para julgar os vivos e os mortos e proclamar o seu Reino eterno, após os acontecimentos que antecederão esse triunfo: “Haverá sinais no Sol, na Lua e nas estrelas; e, na Terra, angústia entre as nações aterradas com o bramido e a agitação do mar” (Lc 21, 25). “Vigiai, pois, em todo o tempo e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de vos apresentar de pé diante do Filho do Homem” (Lc 21, 36). É a recomendação do Salvador.

Como ficar de pé diante do Filho do Homem? A nós cabe corar de vergonha, como diz a Escritura. A Igreja assim nos convida à penitência e à conversão e nos coloca, no segundo domingo, diante da grandiosa figura de São João Batista, cuja mensagem ajuda a ressaltar o caráter penitencial do Advento.

Com a alegria de quem se sente perdoado, o terceiro domingo se inicia com a seguinte proclamação: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto”. É o domingo Gaudete. Estando já próxima a chegada do Homem- Deus, a Igreja pede que “a bondade do Senhor seja conhecida de todos os homens”. Os paramentos são cor-de-rosa.

No quarto domingo, Maria, a estrela da manhã, anuncia a chegada do verdadeiro Sol de Justiça, para iluminar todos os homens. Quem, melhor do que Ela, para nos conduzir a Jesus? A Santíssima Virgem, nossa doce advogada, reconcilia os pecadores com Deus, ameniza nossas dores e santifica nossas alegrias. É Maria a mais sublime preparação para o Natal.

Coroa do Advento

Ela é tão simples quanto bonita: um círculo feito de ramos verdes, geralmente de ciprestes ou cedros. Nele coloca-se uma fita vermelha longa que, ao mesmo tempo enfeita e mantém presos à haste circular os ramos. Quatro velas de cores variadas completam essa bela guirlanda que, nos países cristãos, orna e marca há séculos a época do advento. A esta guirlanda dá-se o nome de Coroa do Advento.

Um antigo costume piedoso

Nos domingos de Advento, existe o piedoso costume de as famílias e as comunidades católicas se reunirem em torno de uma coroa para rezar. A “liturgia da coroa”, como é conhecida esta oração, realiza-se de um modo muito simples. Todos os participantes da oração colocam-se em torno daquela guirlanda enfeitada e a cerimônia tem início, Em cada uma das quatro semanas do advento acende-se uma nova vela, até que todas sejam acesas.

O acender das velas é sempre acompanhado com um canto. Logo em seguida, lê-se uma passagem das Sagradas Escrituras que seja própria para o tempo do Advento e é feita uma pequena meditação. Depois disso é que são realizadas algumas orações e são feitos alguns louvores para encerrar a cerimônia. Geralmente a guirlanda da coroa, bem como as velas são bentas por um sacerdote.

Origem

A Coroa de Advento tem sua origem na Europa. No inverno, seus ainda bárbaros habitantes acendiam algumas velas que representavam a luz do Sol. Assim, eles afirmavam a esperança que tinham de que a luz e o calor do astro-rei voltaria a brilhar sobre eles e aquecê-los. Com o desejo de evangelizar aquelas almas, os primeiros missionários católicos que lá chegaram quiseram, a partir doscostumes dos da terra, ensinar-lhes a Fé e conduzi-los para Jesus Cristo. Foi assim que, criaram a “coroa do advento”, carregada de símbolos, ensinamentos e lições de vida.

A forma circular

O círculo não tem princípio, nem fim. É interpretado como sinal do amor de Deus que é eterno, não tendo princípio e nem fim. O círculo simboliza também o amor do homem a Deus e ao próximo que nunca deve se acabar, chegar ao fim. O círculo ainda traz a ideia de um “elo” de união que liga Deus e as pessoas, como uma grande “Aliança”.

Ramos verdes 

Verde é a cor que representa a esperança, a vida. Deus quer que esperemos a sua graça, o seu perdão misericordioso e a glória da vida eterna no final de nossa vida terrena. Os ramos verdes lembram as bênçãos que sobre os homens foram derramadas por Nosso Senhor Jesus Cristo, em sua primeira vinda entre nós e que, agora, com uma esperança renovada, aguardamos a sua consumação, na segunda e definitiva volta dEle.

Quatro velas

O advento tem quatro semanas, cada vela colocada na coroa simboliza uma dessas quatro semanas. No início a Coroa está sem luz, sem brilho, sem vida: ela lembra a experiencia de escuridão do pecado.

À medida em que nos aproximamos do Natal, a cada semana do Advento, uma nova vela vai sendo acesa, representando a aproximação da chegada até nós Daquele que é a Luz do mundo, Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é quem dissipa toda escuridão, é quem traz aos nossos corações a reconciliação tão esperada entre nós e Deus e, por amor a Ele, a “paz na Terra entre os homens de boa vontade”.

Com esse tempo de preparação, quer a Igreja ensinar-nos que a vida neste vale de lágrimas é um imenso advento e, se vivermos bem, isto é, de acordo com a Lei de Deus, Jesus Cristo será nossa recompensa e nos reservará no Céu um belo lugar, como está escrito: “Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou, tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que O amam” (1Cor 2, 9).

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(Fontes: Pe. Mauro Sérgio da Silva Isabel, EP; Revista Arautos do Evangelho, Dez/2006, n. 60, p. 18-19/ – http://www.acidigital.com)

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Saiba como preparar o presépio por etapas na sua casa e a importância do mesmo explicada pelo Papa Francisco

Esquecido (de propósito) pela mídia, ele é muito mais importante do que a árvore de Natal. Resgate o seu riquíssimo significado e prepare-o!

árvore ornamentada é um símbolo natalino acolhido há séculos pelo cristianismo. São Bonifácio, provavelmente, foi o primeiro santo católico a usar a árvore nesse contexto, ainda no século VIII. Em seu trabalho de catequese junto aos druidas, que adoravam árvores de carvalho como símbolos da divindade, São Bonifácio começou a usar outra árvore, o abeto, porque a sua forma triangular ajuda a simbolizar a Santíssima Trindade e porque os seus ramos verdes apontam para o céu.

Quando as árvores de Natal começaram a se popularizar, houve preocupação com o caráter pagão da sua origem, mas as devidas contextualizações fizeram dela um símbolo arraigado com segurança na fé cristã. Aliás, o simbolismo da árvore é riquíssimo em nossa tradição: nossos primeiros pais foram orientados por Deus a não comerem dos frutos de uma das árvores do Éden; Cristo pagou o preço altíssimo da nossa redenção crucificado em um tronco de árvore; os ramos verdes e as luzes que decoram a árvore natalina evocam o Cristo como a Luz Eterna que vem a um mundo envolto em escuridão… Apesar dos fortes matizes comerciais que a foram descaracterizando principalmente desde o século passado, a árvore de Natal é um símbolo válido para a vinda de Cristo ao mundo – mas é preciso que este simbolismo fique claro para as famílias católicas que a decoram nesta época.

No entanto, mesmo com essa validação contextual, a árvore de Natal não é, de forma alguma, o principal símbolo visual do Nascimento de Jesus.

O principal símbolo visual do Natal é o presépio!

Foi São Francisco de Assis quem montou em Greccio, na Itália, no já longínquo ano de 1223, o primeiro presépio da história.

E foi um presépio vivo, com moradores da pequena localidade representando o Menino Jesus na manjedoura, Nossa Senhora, São José, os Reis Magos, os pastores e os anjos. Os animais também eram reais: o boi, o burrico, as ovelhas…

Não demorou para que esta piedosa iniciativa se espalhasse, transformando-se em costume natalino e dando origem aos presépios esculpidos, que se popularizaram nas igrejas por volta do século XVI, graças ao trabalho evangelizador dos padres jesuítas.

Existem tradições cheias de significado em torno à própria montagem do presépio, que vai sendo preparado por etapas. Confira algumas dessas tradições:

Como preparar o presépio em etapas significativas

  • Primeiro vão sendo colocados os animais, os pastores, a manjedoura, o cenário em geral – mas sem as figuras dos protagonistas Jesus, Maria e José, nem os anjos, nem a estrela, nem os três reis.
  • Há famílias que só colocam no presépio as imagens da Santíssima Virgem Maria e de São José na tarde do dia 24, mas ainda sem o Menino Jesus.
  • A manjedoura permanece vazia até a meia-noite, quando, simbolizando o Nascimento do Filho de Deus, a imagem do Menino é finalmente ali colocada!
  • Com o Menino Deus, também são colocados os anjos, que evocam o cântico “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade”, mencionado nas Escrituras.
  • Juntamente com os anjos, é colocada no topo do presépio a estrela que guiou os três reis do Oriente até Belém para venerarem o Salvador: Gaspar, Melchior e Baltazar. Esses três reis representam todos os povos da terra e são figurados com as suas exóticas montarias: camelos ou mesmo elefantes.
  • Há quem comece a posicionar os três reis no presépio somente a partir do dia 25: inicialmente, eles estão longe da gruta, ainda a caminho, e vão sendo aproximados um pouco mais a cada dia até chegarem junto ao Menino na festa da Epifania, em 6 de janeiro.

Verdadeira catequese doméstica

O presépio, afinal de contas, não é um simples adorno: é uma belíssima forma visual de manifestarmos a nossa fé e a nossa oração, durante a espera e a celebração pela chegada do Salvador. Essa tradição envolve um processo, um crescimento, uma participação dinâmica da família na história mais bela de todos os tempos. É uma verdadeira catequese doméstica, especialmente para as crianças!

Resistência à secularização forçada

O influxo da secularização forçada, que desvirtuou completamente o sentido da árvore de Natal (e do próprio Natal), tem muito mais dificuldade em apagar o simbolismo explícito que está presente no presépio, já que, nele, a referência ao Salvador é direta e óbvia.

É por isso que o presépio foi sendo simplesmente “ignorado”, deixado de lado para ser aos poucos esquecido – em não poucos casos, é tratado como coisa “cafona”, de “mau gosto”… ou pior: há casos, em plena Europa “democrática” do nosso século XXI, de prefeituras que chegaram a proibir o presépio em áreas visíveis ao público a fim de não “ofender” os seguidores de outras religiões…

Seria uma pena que as famílias católicas também se deixassem levar pelo “esquecimento” do presépio.

E na sua casa, católico, tem lugar para o presépio este ano?

Papa Francisco explica por que é importante o presépio em casa no Advento e no Natal

Durante a Audiência Geral da última quarta-feira(22/11), o Papa Francisco explicou a importância de ter o presépio em casa, além da necessidade de contemplar cada um de seus elementos no tempo do Advento e no Natal, porque também nele podemos encontrar uma fonte de esperança.

“Nas casas dos cristãos, durante o tempo do Advento, é preparado o presépio, segundo a tradição que remonta a São Francisco de Assis. Na sua simplicidade, o presépio transmite a esperança”, assinalou o Papa

“Antes de tudo, notamos o lugar em que nasceu Jesus: Belém. Pequena aldeia da Judeia onde mil anos antes tinha nascido Davi, pequeno pastor eleito por Deus como rei de Israel”.

O Pontífice recordou que Belém não era uma capital “e, por isso, é preferida da providência divina que ama agir através dos pequenos e dos humildes”. “Naquele lugar nasce o ‘filho de Davi’ tão esperado, Jesus, no qual a esperança de Deus e a esperança do homem se encontram”.

Depois, “olhamos para Maria, Mãe da esperança”. Francisco sublinhou que Maria, com seu “sim”, abriu a “Deus a porta do nosso mundo: o seu coração de jovem estava cheio de esperança, animada pela fé. E assim, Deus a escolheu e ela acreditou na sua Palavra”.

Francisco também sublinhou a importância da presença de São José: “Ao lado de Maria está José, descendente de Jessé e de Davi. Também ele acreditou na palavra do anjo e, olhando Jesus na manjedoura, medica que aquele Menino vem do Espírito Santo e que o próprio Deus ordenou chamá-lo ‘Jesus’. Naquele nome está a esperança para cada homem, porque através daquele filho de mulher, Deus salvará a humanidade da morte e do pecado”.

Do mesmo modo, destacou que “naquele presépio também estão os pastores, que representam os humildes e os pobres que esperavam o Messias, o conforto de Israel e a redenção de Jerusalém. Naquele Menino, eles veem a realização das promessas e esperam que a salvação de Deus chegue finalmente para cada um deles”.

Por último, destacou que “o coro dos anjos anuncia do alto o grande desígnio que esse Menino realiza: ‘glória a Deus no mais alto do céu e, sobre a terra, paz aos homens que Ele ama’. A esperança cristã se exprime no louvor e no agradecimento a Deus, que inaugurou seu Reino de amor, de justiça e de paz”.

O Papa Francisco ensinou que o Nascimento do Messias marca “o momento no qual a esperança entrou no mundo, com a encarnação do Filho de Deus”.

O Bispo de Roma recordou as profecias de Isaías: “Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho e a ele será dado o nome de Emanuel” e também, “Um rebento brotará do tronco de Jessé, e de suas raízes um renovo frutificará”.

“Nestes dois trechos se transmite o sentido do Natal: Deus realiza a promessa, fazendo-se homem. Não abandona o seu povo; aproxima-se até despir-se da sua divindade. Assim, Deus demonstra a sua fidelidade e inaugura um Reino novo, que doa uma nova esperança à humanidade: a vida eterna”.

Francisco indicou que, “quando se fala de esperança, frequentemente se refere àquilo que não está no poder do homem e que não é visível. De fato, o que esperamos vai além das nossas forças e do nosso olhar. Mas, o Natal de Cristo, inaugurando a redenção, nos fala de uma esperança diferente, uma esperança confiável, visível e compreensível, porque fundada em Deus”.

Esta esperança, explicou o Pontífice, “entra no mundo e nos doa a força de caminhar com Ele em direção da plenitude da vida; nos dá a força de estar de maneira nova no presente, apesar de fatigoso”.

Para o cristão, portanto, “a esperança significa a certeza de estar em caminho com Cristo em direção ao Pai, que nos espera. Esta esperança, que o Menino de Belém nos doa, oferece uma meta, um destino bom no presente, a salvação da humanidade, a santidade de quem confia em Deus misericordioso. São Paulo resume isto com esta expressão: ‘Na esperança fomos salvos”

Fontes: http://www.acidigital.com – https://pt.aleteia.org – Rádio Vaticano

Foto/Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz

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Audiência: missa não é espetáculo para foto, é o encontro com Cristo diz Papa Francisco

A Praça S. Pedro acolheu milhares de fiéis para a Audiência Geral desta quarta-feira ensolarada de outono (08/11) no Vaticano. Após saudar os peregrinos de papamóvel, ao se dirigir a eles o Papa Francisco anunciou um novo ciclo de catequeses depois concluir na semana passada a série sobre a esperança.

A partir de agora, o tema será dedicado ao “coração” da Igreja, isto é, a Eucaristia. Para Francisco, é fundamental que os cristãos compreendam bem o valor e o significado da missa, para viver sempre mais plenamente a relação com Deus.

“Não podemos esquecer o grande número de cristãos que, no mundo inteiro, em 2000 anos de história, resistiram até a morte para defender a Eucaristia; e quantos, ainda hoje, arriscam a vida para participar da missa dominical.”

De fato, Jesus diz aos seus discípulos: “Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. (João 6,53-54)”

O Papa então manifestou o desejo de dedicar as próximas catequeses para responder a algumas perguntas importantes sobre a Eucaristia e a Missa, para redescobrir, ou descobrir, como a fé resplende o amor de Deus através deste mistério.

Francisco citou o Concílio Vaticano II, que promoveu uma adequada renovação da Liturgia para conduzir os cristãos a compreenderem a grandeza da fé e a beleza do encontro com Cristo. Um tema central que os padres conciliares destacaram foi a formação litúrgica dos fiéis, indispensável para uma verdadeira renovação.

“E esta é justamente a finalidade do clico de catequeses que hoje iniciamos: crescer no conhecimento do grande dom que Deus nos doou na Eucaristia.”

A Eucaristia, explicou o Papa, é um acontecimento “maravilhoso”, no qual Jesus Cristo, nossa vida, se faz presente. “Participar da missa é viver outra vez a paixão e a morte redentora do Senhor. É uma teofania: o Senhor se faz presente no altar para ser oferecido ao Pai para a salvação do mundo.

“O Senhor está ali conosco, presente. Mas muitas vezes, nós vamos lá, conversamos enquanto o sacerdote celebra a eucaristia, mas não celebramos com ele. Mas é o Senhor. Se hoje viesse aqui o presidente da República, ou uma pessoa muito importante, certamente todos ficaríamos perto dele para saudá-lo. Quando vamos à missa, ali está o Senhor. Mas estamos distraídos. Mas, padre, as missas são chatas. A missa não, os sacerdotes! Então eles devem se converter.”

O Pontífice fez algumas perguntas às quais pretende responder como, por exemplo: por que se faz o sinal da cruz e o ato penitencial no início da missa? “Vocês já viram como as crianças fazem o sinal da cruz? Não se sabe bem o que é, se é um desenho… É importante ensinar as crianças a fazerem o sinal da cruz, pois assim tem início a missa, a vida, o dia.”

E as leituras, qual o seu significado? Ou por que, a um certo ponto, o sacerdote diz ‘corações ao alto? “Ele não diz celulares ao alto para tirar foto! Não! Fico triste quando celebro e vejo muitos fiéis com os celulares ao alto. Não só os fiéis, mas também sacerdotes e até bispos. A missa não é espetáculo, é ir ao encontro da paixão e ressurreição do Senhor. Lembrem-se: chega de celulares.”

“Através dessas catequeses, concluiu o Papa, gostaria de redescobrir com vocês a beleza que se esconde na celebração eucarística e que, quando desvelada, dá pleno sentido à vida de cada um de nós. Que Nossa Senhora nos acompanhe nesta nova etapa do percurso.”

Por Radio Vaticano

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Entenda a missão e o papel do leigo na Igreja

O Concílio Vaticano II resgatou, de maneira iluminada, o papel do leigo na Igreja; por isso, hoje, graças a Deus, homens e mulheres leigos, jovens e até crianças fazem um trabalho maravilhoso de evangelização. Em nosso Continente, onde há uma enorme falta de sacerdotes, o leigo pode e deve dar a sua grande contribuição à Igreja na missão de salvar almas. O nosso Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz que “todo leigo, em virtude dos dons que lhe foram conferidos, é, ao mesmo tempo, testemunha e instrumento vivo da própria missão da Igreja ‘pela medida do dom de Cristo’” (Ef 4,7) [CIC§913].

Cada leigo deve repetir com São Paulo: “Ai de mim se eu não evangelizar” (1Cor 9,16). Certa vez, falando aos bispos do Brasil em uma de suas visitas “ad limina, Papa João Paulo II disse a eles: ““O fiel leigo, na sua própria vida cristã e em sua atuação na Igreja, não é um mero auxiliar do bispo ou do padre. O batismo lhe dá direito e, portanto, também o dever de realizar em sua existência a ação sacerdotal de Cristo. Daí a justa autonomia do fiel leigo naquilo que lhe é próprio: em qualquer estado ou condição de vida, cada pessoa na sociedade, independentemente da sua raça e cultura, tem o lugar que lhe é devido e é chamada ‘a exercer a missão que Deus confiou à Igreja, para esta realizar no mundo’ (Código de Direito Canônico, 204).””

São Paulo nos lembra: ““Vós sois o Corpo de Cristo, e cada um de vós é um dos seus membros”” (1Cor 12,27).

“A área específica do leigo é o apostolado no mundo secular, inserido nas realidades temporais, na escola, na indústria, na economia, política, artes, música etc, participando, como cristão, das atividades do seu estado de vida e trabalho social” ( “Christifideles laici”, 17). O mundo é o campo de trabalho do leigo. Por outro lado, o Concílio Vaticano II ensinou que o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial ou hierárquico, embora se diferenciem essencialmente e não apenas por grau, ordenam-se mutuamente um ao outro; pois um e outro participam, cada um a seu modo, do único sacerdócio de Cristo” (LG,10).

Os leigos complementam a ação dos clérigos

Assim, o leigo faz e complementa a ação do sacerdote; ele não ministra os sacramentos, não o substitui, mas prepara os irmãos para isso. Mas, para que o leigo cumpra bem a sua missão, ele precisa conhecer bem a Igreja que Jesus instituiu e nos deixou com a Sua doutrina. Muitas vezes, há erros e desvios graves, porque alguns leigos querem prescindir da Igreja hierárquica como se essa não fosse da vontade de Jesus. O entusiasmo pelo novo pode ser danoso se a hierarquia e o Magistério da Igreja não forem respeitados.

A estrutura hierárquica da Igreja foi estabelecida por Cristo, como seu fundamento e não se confunde com outras formas de governo: monarquia, oligarquia, democracia etc. A Igreja está muito além desses paradigmas sociais, porque ela “não nasceu do povo”, mas de Deus, de Jesus Cristo, ela veio do céu e não da terra. Somente vindo do céu ela pode salvar a terra. Uma igreja que nascesse da terra não teria esse poder. A autoridade da verdadeira Igreja não é fundada na vontade popular, mas na vontade de Deus.

Nós leigos queremos a Igreja conforme Jesus a instituiu e a organizou, e não segundo o parecer e a vontade dos homens. Toda doutrina que destoa do que vem do Senhor – por meio do Magistério – deve ser abandonada e corrigida. Às vezes, fala-se perigosamente de “Uma Igreja, povo de Deus”, sem uma autêntica hierarquia; esta é uma igreja falsa. A nossa segurança é estar em comunhão com o Magistério, obedecer às diretrizes do Papa, a quem Cristo confiou a Sua Igreja: “Sobre ti edificarei a minha Igreja…” (Mt 16,17). “Pedro (…) apascenta minhas ovelhas” (Jo 21,17).

Leigos precisam estudar e conhecer a doutrina da Igreja

Por outro lado, o leigo precisa conhecer a doutrina que Cristo ensinou à Igreja e que está, de modo especial, muito bem sintetizada no Catecismo da Igreja Católica. O Papa Bento XVI disse a um grupo de bispos ucranianos que: “A formação de um laicado que saiba dar a razão da sua fé é mais necessária que nunca em nossos tempos e representa um dos objetivos pastorais que terá que se perseguir com empenho” (acidigital.com – Vaticano – 27 set 07). Uma vez que o trabalho do leigo cresce hoje na Igreja, assim também a sua formação precisa ser cada vez mais esmerada. Ele não pode ensinar o que quer, mas o que a Igreja ensina.

Para ser firme no cumprimento de sua missão de batizado e missionário, o leigo precisa ter uma vida espiritual sadia. O Papa João Paulo II disse um dia que: “”A eficácia do trabalho apostólico do fiel leigo está intimamente associada à sua base espiritual, à sua vida de oração pessoal e comunitária, à frequência na recepção dos sacramentos, sobretudo a Eucaristia e a Penitência e à sua reta formação doutrinária”. O leigo que não reza, não se confessa, não comunga, não lê e não medita a Palavra de Deus, não tem perseverança na missão, e como acontece com muitos sacerdotes também, acaba sendo afastado dela.

Mais do que nunca, a Igreja precisa dos leigos no campo de batalha do mundo, pois, hoje, ela é magoada, ofendida, perseguida e tida por muitos como a culpada de todos os males. Escândalos e blasfêmias se repetem a cada dia. Uma escala de valores pagã tenta insistentemente substituir a civilização cristã por uma cultura de morte (aborto, eutanásia, destruição de embriões, contracepção, prática homossexual…); e Deus vai sendo eliminado na sociedade como se fosse um mal, e a religião católica vai sendo atacada por um laicismo agressivo anticristão.

É hora de saber quem é verdadeiramente cristão, quem ama a Deus de verdade, a Jesus Cristo e a Sua Igreja.

Por Professor Felipe Aquino

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Série Laudato Si, chega em seu último capítulo – confira! “Mudar de Rumo”

A série LAUDATO SI’ é uma adaptação radiofônica da ideia central que transpassa a encíclica do Papa Francisco: as mudanças climáticas estão arruinando a Mãe Terra e suas terríveis consequências prejudicam todos os seres vivos, especialmente os homens e mulheres empobrecidos por um sistema que já não se sustenta.

A ficção literária é que Francisco de Assis, que cantou ao irmão Sol e à irmã Água e que falava com as criaturas de Deus, tem agora a oportunidade de conversar com o Ar, os Peixes e os Pássaros, e também com o Ouro, o Milho Transgênico e a Chuva Ácida e com tantas criaturas que são cada vez mais afetadas pela irresponsabilidade dos seres humanos e suas empresas depredadoras do ambiente.

São 20 programas de uns 10 minutos cada um. Todos têm o mesmo objetivo: criar consciência sobre a indispensável cidadania ecológica. Sobre a urgência de mudar de rumo e superar o estilo de vida consumista, a cultura do descarte, um modelo de civilização tecnocrática, mercantilizada e ambiciosa que não é sustentável.

LAUDATO SI – LOUVADO SEJAS – ÚLTIMO CAPÍTULO

Diz o Papa Francisco em sua encíclica Laudato Si, Louvado Sejas:
As previsões catastróficas já não se podem olhar com desprezo e ironia. Às próximas gerações, poderíamos deixar demasiadas ruínas, desertos e lixo. O ritmo de consumo, desperdício e alteração do meio ambiente superou de tal maneira as possibilidades do planeta, que o estilo de vida atual – por ser insustentável– só pode desembocar em catástrofes, como aliás já está a acontecer periodicamente em várias regiões… A esperança convida-nos a reconhecer que sempre há uma saída, sempre podemos mudar de rumo, sempre podemos fazer alguma coisa para resolver os problemas. (Laudato Si, 161, 61)
E disse o Papa Francisco no Encontro com os Movimentos Populares na Bolívia:
Terra, teto e trabalho para todos nossos irmãos e nossas irmãs. Já disse e repito: são direitos sagrados. Vale a pena, vale a pena lutar por eles. Que o clamor dos excluídos se ouça na América Latina e em toda a terra.
PERGUNTAS PARA O DEBATE
1- Você é otimista ou pessimista sobre o futuro da Terra?
2- Você está de acordo com isso de que “Deus proverá”? Por que sim ou por que não?
3- Podemos ser cristãos sem ter consciência ambiental? O que significa cidadania ecológica?

 

 

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O culto da Igreja primitiva – COMO SERIA O CULTO que os verdadeiros cristãos devem prestar a Deus?

Com o crescimento de centenas de seitas ditas “cristãs” no Brasil, vemos a soberba de muitos que afirmam que o culto que eles prestam é o único verdadeiro, pois seria o mesmo culto que os primeiros cristãos tributavam a Deus, – tudo supostamente confirmado, como de costume, pela Bíblia Sagrada. – Será? Seria verdadeiro o argumento dos que se intitulam, a si mesmos, “evangélicos”? Muitos dentre estes também afirmam que a Missa católica é uma “invenção” humana, que Deus não ouve nem aceita, e que, é claro (e só para nãovariar), não teria “base bíblica” . Alguns chegam ao extremo de dizer que se trata de um sacrifício paganizado.

Para descobrir a verdade dos fatos, analisemos brevemente, juntos, a História da Igreja, para descobrir que tipo de culto e quais ritos os primeiros cristãos prestavam a Deus. – Pelo testemunho bíblico, sabemos que a Igreja primitiva seguia a doutrina e a sagrada Tradição dos Apóstolos, observando o Mandamento direto do Senhor: “Fazei isto em memória de mim. Todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciareis a minha morte, e confessareis a minha ressurreição” (1 Cor 11,26).

Adverte também Jesus no Evangelho segundo S. João “Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos” (Jo 6, 53).

Na Comunhão do Pão e na oração perseveravam os primeiros cristãos após a Ressurreição do Cristo, que formavam o corpo da Igreja primitiva (conf. At 2, 42), já celebrando os santos Mistérios Sacramentais. Sabemos que no inicio do século II usavam a Disciplina do Arcano, com os Mistérios sendo celebrados secretamente para que não se paganizassem e se mantivessem vivos e puros no seio da Igreja. O serviço litúrgico era realizado em casas de membros da comunidade ou em lugares ocultos, como porões e catacumbas, devido à perseguição romana: nos tempos primitivos, muitos Apóstolos ministraram a Liturgia em suas casas, edificações conhecidas comoDomus Eclesiae, que mais tarde viriam a se tornar Domus Dei, isto é, edifícios construídos exclusivamente para o culto cristão.

No primeiro dia depois do sábado, o “Dia do Senhor” (Ap 1,10), quando S. Paulo diz para partir o Pão (At 20,7), os cristãos cultuavam a Deus mais frequentemente. Faziam a leitura dos Profetas e das Epístolas, as cartas dos Apóstolos às primeiras comunidades da Igreja, suas primeiras paróquias e dioceses. Essas leituras eram explicadas e meditadas em grupo: tratava-se da homilia, do latim, que deriva do grego ὁμιλία e quer dizer discurso, instrução ou conversa, e se traduz numa pregação em estilo simples e quase coloquial do Evangelho e das leituras do dia. Vejamos o que dizem os Pais Apostólicos da Igreja, em registros dos séculos I e II dC:

“No chamado ‘Dia do Sol’ (domingo – sun-day), todos os fiéis das vilas e do campo se reúnem num mesmo lugar: em todas as oblações que fazemos, bendizemos e louvamos o Criador de todas as coisas, por Jesus Cristo, seu Filho, e pelo Espírito Santo”.
(S. Justino Mártir, nascido em 103 dC, filósofo pagão convertido, tornado sacerdote e martirizado, contemporâneo de Simeão, – que ouviu Nosso Senhor Jesus Cristo, – e de Sto. Inácio, Clemente, – companheiro do Apóstolo Paulo, – de Potino e de Irineu, discípulos de Policarpo)

Sobre a reunião dos primeiros cristãos para culto, ele mesmo descreve:

“Lêem-se os escritos dos profetas e os comentários dos apóstolos. Concluídas as leituras, o sacerdote faz um discurso em que instrui e exorta o povo a imitar tão belos exemplos. Em seguida, nos erguemos, recitamos várias orações, e oferecemos pão, vinho e água. O sacerdote pronuncia claramente várias orações e ações de graças, que são acompanhadas pelo povo, com a aclamação Amem! Distribuem-se os dons oferecidos, comunga-se desta oferenda, sobre a qual pronunciara-se a ação de graças, e os diáconos levam esta Comunhão aos ausentes. Os que possuem bens e riquezas dão uma esmola, conforme sua vontade, que é coletada e levada ao sacerdote que, com ela, socorre órfãos, viúvas, prisioneiros e forasteiros, pois ele é o encarregado de aliviar todas as necessidades. Celebramos nossas reuniões no ‘Dia do Sol’, porque ele é o primeiro dia da criação em que Deus separou a luz das trevas, e em que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos”.

Capela de Santo Ananias – Damasco (Síria), construída no século 1 dC, é exemplo de uma das primeiras casas de culto cristão. Mais que uma reunião de irmãos para louvar a Deus e ler a Bíblia, o centro do culto era a Eucaristia

Outro atestado é o de Sto. Inácio de Antioquia, (†110) terceiro bispo de Antioquia, sucessor de S, Pedro e de Evódio, contemporâneo dos Apóstolos quando criança, que declarou ter visto Nosso Senhor ressuscitado; ele conheceu pessoalmente S. Paulo e S. João Evangelista. Sob o imperador Trajano, foi preso e conduzido a Roma, onde morreu devorado por leões, no Coliseu. A caminho de Roma, escreveu cartas às comunidades da Igreja em Éfeso, Magnésia, Trales, Filadélfia, Esmirna e ao bispo São Policarpo de Esmirna. Apresenta alguns detalhes sobre a oblação da Eucaristia, na sua primeira carta aos cristãos de Esmirna. Nesta, ficou registrada por escrito, pela primeira vez (ao menos num documento que tenha chegado ao nosso conhecimento), a expressão “Igreja Católica”.

“Abstêm-se eles da Eucaristia e da oração, por que não reconhecem que a Eucaristia é Carne de nosso Salvador Jesus Cristo, Carne que padeceu por nos­sos pecados e que o Pai, em Sua Bondade, ressuscitou.”
(Epístola aos Esmirnenses: Cap. VII; Santo Inácio de Antioquia)

Sto. Ireneu de Lião, (130-202) eminente teólogo ocidental, confirma-nos o Sacrifício que era prestado pelos primeiros cristãos figurado no Sacrifício de Cristo. Em outra obra ele ressalta a importância e a transubstanciação na Eucaristia:

“(Nosso Senhor) nos ensinou também que há um novo Sacrifício da Nova Aliança, Sacrifício que a Igreja recebeu dos Apóstolos, e que se oferece em todos os lugares da Terra ao Deus que se nos dá em Alimento como Primícia dos favores que Ele nos concede no Novo Testamento. Já o havia prefigurado Malaquias. (…) O que equivale dizer, com toda a clareza, que o povo primeiramente eleito não havia mais de oferecer sacrifícios, senão que em todo lugar se ofereceria um Sacrifício puro, e que seu Nome seria glorificado entre as nações.”
(Adversus Haereses)

Outro Registro é o Didaqué (leia na íntegra aqui), catecismo cristão escrito por volta do ano 120 aD, antes do Evangelho segundo João e de outros livros no Novo Testamento da Bíblia, um dos mais antigos registros do cristianismo. Este também trata do culto cristão e da celebração dos primeiros crentes após transcrever regras a respeito da celebração da Eucaristia. Diz:

“Que ninguém coma nem beba da Eucaristia sem antes ter sido batizado em nome do Senhor, pois sobre isso o Senhor disse: ‘Não dêem as coisas santas aos cães'”.
(Didaqué, Cap. IX, Nº 5)

Também diz sobre a reunião dos crentes:

“Reúnam-se no Dia do Senhor para partir o Pão e agradecer, após ter confessado seus pecados, para que o Sacrifício seja puro.”
(Didaqué, Cap. XIV, nº 1)

O que têm em comum estes testemunhos do I e do II séculos? Por meio deles podemos observar que os primeiros cristãos perseveravam na Comunhão e na Celebração Eucarística, e todos comprovam a Liturgia católica como única herdeira da liturgia dos primeiros cristãos em suas reuniões, que no mínimo a partir do séc. III passou a ser conhecida pelo termo “Missa”, que procede do latim “mitere”, e significa “enviar”. Missa é o particípio que adquire sentido de substantivo: “missão”.

E como ficam os cultos daqueles alegados “cristãos” que atacam a santa Missa, e que não passam de simples reuniões para a leitura da Bíblia, – com a sua inevitável interpretação particular, que as próprias Escrituras condenam (2Pd 1,20), – canto de louvores e orações espontâneas? Como visto, estes sim, são totalmente carentes de embasamento histórico e bíblico!

Inscrição do sepulcro de uma mulher cristã da Igreja primitiva (séc. 6): “Aqui, descansa em paz Maxima, serva de Cristo, que viveu cerca de 25 anos (…) quando o senador Flavio Probus era o jovem cônsul. Ela morava com o marido há sete anos e seis meses. Foi amigável, fiel em tudo, bondosa e prudente.” Antes do início do texto, a cruz demonstra que se tratava de uma cristã. Hoje, algumas “igrejas” chegam a afirmar que a cruz não é símbolo cristão…

Fontes e referência bibliográfica:
• STONE, Darwell. A History of the Doctrine of the Holy Eucharist, Oregon: Aeterna Press, vol.s 1/2, 2014.
• CECHINATO, Luiz. A Missa Parte por Parte, São Paulo: Vozes, 1991.
• PRADO, Alexandre de Castro. Considerações Sobre A Missa No Séc. II segundo S. Justino, São Paulo: USP, 2011.
www.ofielcatolico.com.br 

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