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Reflexão dominical: “Aceitar os mandamentos de Jesus”

VI Domingo da Páscoa: “Se alguém aceitar os meu mandamentos… esse realmente me ama” 

No Evangelho de hoje, tirado do capítulo 14 de João, temos as derradeiras palavras de Jesus aos seus discípulos. Ele nos aponta o comportamento a ser seguido, o caminho que nos leva a vida. Ele nos coloca sob a tutela do Espirito do Amor, nosso Advogado e que nos trará ao coração tudo aquilo que Ele nos ensinou.

Agir de acordo com o que agrada ao amigo é estar em verdadeira comunhão com ele! Isso se torna realidade quando esse amigo é Cristo Jesus!

O critério para saber se os cristãos são verdadeiros discípulos de Jesus é a capacidade de um recíproco compromisso pessoal, um indispensável amor mútuo na comunidade e fora dela.

Quando o discípulo ama verdadeiramente, ele faz Deus estar presente. Todo e qualquer sinal de amor é manifestação de Deus.

Temos, como as estrelas, variações na intensidade do brilho. Do mesmo modo, quanto mais nosso amor aos outros for semelhante ao de Deus por nós, mais seremos portadores de seu amor ao mundo. Seremos a epifania de Deus neste mundo.

Na antiga aliança, vemos Deus se manifestar em sinais; hoje, na aliança nova e eterna, o Pai se manifesta ao mundo no cristão que ama Jesus e, por consequência, ama seus irmãos.

Para manifestar o amor de Deus no mundo, para ser sinal de sua presença amorosa, o cristão deverá estar preparado para lutar contra o mal. Essa preparação é feita através da acolhida do Espírito Santo. Será Ele quem dará aos discípulos a força para enfrentar e vencer o Mal. O Mundo verá que o amor de Deus e da Comunidade é mais forte que a morte.

De acordo com o versículo 19, “…o mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis.” A sociedade pecadora matou Jesus, mas ele ressuscitou e se manifesta através das ações de seus discípulos porque esses vivem no Espírito.

Na segunda leitura, tirada da Primeira Carta de Pedro, cap.3,18, nos ensina a norma do comportamento cristão: “…Cristo morreu, uma vez por todas, por causa dos pecados; o Justo, pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus. Sofreu a morte, na sua existência humana, mas recebeu nova vida pelo Espírito”. Do comportamento de Jesus, do Justo morrer pelo injusto, nasceu a vida nova. Deus não sente prazer no sofrimento humano, contudo em sua economia da salvação sabe valorizá-lo. Dele, do sofrimento, nasce o desejo de liberdade e vida. Da aceitação da morte por causa da justiça e do Reino surge a vida definitiva, a passagem deste mundo caduco para o Reino da Justiça e da Paz»!

(Reflexão do Padre Cesar Augusto dos Santos para o VI Domingo da Páscoa)

Por Radio Vaticano 

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55ª Assembleia Geral da CNBB estuda temas atuais e busca qualificar a “iniciação cristã”

Episcopado brasileiro aprofunda o tema “Iniciação à Vida Cristã” na 55ª Assembleia Geral da CNBB

O Anuário Pontifício 2017 e o AnuariumStatisticumEcclesiae 2015, do Departamento Central de Estatística da Igreja do Vaticano, indica que o Brasil ocupa o primeiro lugar no conjunto de dez países do mundo com maior consistência de católicos batizados, com 172,2 milhões de católicos. Ficando à frente de países como o México, com 110,9 milhões, Filipinas com 83,6 milhões, Estados Unidos da América (72,3), entre outros. O número de católicos brasileiros representa 26,4% de católicos no continente americano.

Apesar desses dados e estatísticas que demonstram que o Brasil continua sendo o país com o maior número de católicos no mundo, bispos do Brasil se preocupam com a qualidade da atuação e com o compromisso dos cristãos ao eleger a “Iniciação à vida cristã” como tema central da 55ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que acontece de 26 de abril a 5 de maio, no Centro Padre Vitor Coelho de Almeida, em Aparecida (SP).

Conforme o documento nº 43 do CELAM: “Entende-se como iniciação à vida cristã o processo pelo qual uma pessoa é introduzida no mistério de Jesus Cristo e na vida da Igreja, através da Palavra de Deus e da mediação sacramental e litúrgica, que acompanhe as mudanças de atitudes fundamentais de ser e existir com os outros e com o mundo, em uma nova identidade como pessoa cristã que testemunha o evangelho inserido em uma comunidade eclesial viva e testemunhal.”

Uma comissão especialmente presidida pelo arcebispo de Curitiba, dom José Antônio Peruzzo, foi designada para produzir o texto que será apreciado e acrescido pelos bispos do Brasil. A proposta é que o texto, após aprovação do episcopado, seja publicado como um documento da CNBB.

Além do tema central, os bispos brasileiros também aprofundarão temas da atualidade da conjuntura política brasileira e a conjuntura eclesial após os 10 anos da Conferência de Aparecida. No sábado e no domingo, haverá o retiro dos bispos.

300 anos de Aparição

A CNBB, em comemoração aos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, nas águas do rio Paraíba do Sul, instituiu o Ano Nacional Mariano, que teve início dia 12 de outubro de 2016, concluindo-se aos 11 de outubro de 2017, para celebrar, fazer memória e agradecer.

Em sintonia com o Ano Nacional Mariano, várias atividades serão realizadas para marcar os 300 anos da imagem de Aparecida e também os 100 anos das aparições de Nossa Senhora de Fátima ao longo da 55ª Assembleia dos Bispos do Brasil.

A missa do sábado dia 29 de abril, às 7h30, será dedicada à nossa Senhora, com entronização da imagem, cantos e homilia especial. À noite, às 20h, encerrando o Retiro dos Bispos, acontece a peregrinação, procissão e celebração Mariana. Uma Sessão Mariana a ser realizada, dia 04 de abril, às 18h, encerra as comemorações durante a 55ª Assembleia dos Bispos do Brasil.

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Serviço:  55ª Assembleia dos Bispos do Brasil
Tema: Iniciação à Vida Cristã
Data: 26 de abril a 5 de maio de 2017
Local: Centro Pe. Vítor Coelho de Almeida do Santuário Nacional de Aparecida (SP)
Contato: Padre Rafael Vieira
Fone: (61) 98136-1595 e WhatsApp: (61) 99948-2772
E-mail: imprensa@cnbb.org.br 

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Dom Leomar: “a grande preocupação é formar discípulos e não adeptos do cristianismo”

A entrevista coletiva desta quinta-feira, dia 27 de abril, segundo dia da 55ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), recebeu o bispo auxiliar de Porto Alegre (RS), dom Leomar Antônio Brustolin, que falou aos jornalistas do tema central do encontro do episcopado. Para o bispo, a questão da iniciação à vida cristã é abordada porque, no fundo, está a preocupação da Igreja no Brasil com a transmissão da fé às novas gerações.

“A grande preocupação é em formar discípulos e não apenas adeptos do cristianismo”, afirmou dom Leomar Brustolin. O bispo contou que a Igreja vive em um momento muito importante que – desde a realização da V Conferência do Episcopado Latino-americano, há dez anos, aqui em Aparecida – se desenvolve a formação de “discípulos missionários”. E é da Conferência de Aparecida que surge uma parte da motivação para a reflexão dos bispos nesses dias, assim como da exortação apostólica do papa Francisco Evangelii Gaudium.

A reflexão do tema também revela uma preocupação com a preparação para os chamados sacramentos de iniciação cristã: o Batismo, a Primeira Eucaristia e o Crisma, quando, de acordo com dom Leomar, muitos entram na catequese, passam um período na Igreja, mas não se vinculam à comunidade. “É preciso então avaliar, analisar que caminhos precisamos retomar. E quando falamos retomar é porque se busca uma fonte muito importante: a iniciação à vida cristã como os primeiros cristãos anunciavam e preparavam aqueles que queriam seguir o caminho – assim se chamava o cristianismo nas origens”, contou.

Outra inspiração para a reflexão do tema central da Assembleia é o Ritual de Iniciação Cristã de Adultos (Rica). O Ritual de Iniciação à Vida Cristã de Adultos (Rica) é destinado à iniciação de adultos na vida cristã. O Documento da Santa Sé, publicado em 1972 a pedido do Concílio Vaticano II e reeditado no Brasil em 2001, descreve os ritos do catecumenato (processo progressivo de desenvolvimento da fé) e retoma a unidade dos sacramentos da iniciação cristã: o Batismo, a Eucaristia e a Crisma.

Dom Leomar explicou o processo de iniciação que começou a ser aprofundado a partir da publicação do Rica: “A partir de 1972, se aprofunda aquele processo que é feito de um primeiro anúncio, chamado querigma; depois do catecumenato, que é um aprofundamento; o período chamado purificação e iluminação, que é justamente conhecer um pouco mais o encontro com o mistério; e depois mistagogia, que é um período sucessivo, mais relativo a deixar-se conduzir e educar-se pelo mistério”.

Tudo isso pode soar como uma linguagem muito técnica para os catequistas no cotidiano, mas dom Leomar ressaltou que “a missão dos bispos é traduzir essa linguagem de forma muito acessível, concreta e pastoral”.

Conversão Pastoral

O uso da linguagem direta e acessível tem em vista uma mudança de prática, uma “renovação paroquial”, ressaltou dom Leomar. “Eu falo renovação paroquial porque alguém poderia pensar que o tema dessa assembleia seria apenas uma reforma da catequese. Não é! Na verdade, é uma conversão pastoral de toda a comunidade para acolher, inserir e comprometer os novos cristãos”, destacou.

Dom Leomar ainda lembrou do documento 100 da CNBB “Comunidades de comunidades: uma nova paróquia – a conversão pastoral da paróquia” deve ser retomado: “Não podemos ter uma nova iniciação, uma nova proposta catequética se nós também não renovarmos a comunidade. Porque precisamos vincular essas pessoas – crianças, jovens, adultos – neste contexto”.

O texto está estruturado em três partes: o ver, “aprender da história e da realidade”; iluminar, “discernir como Igreja” e o agir, “propondo caminhos”. Algumas sugestões são apresentadas, como nova catequese de preparação matrimonial, o reforço do bispo como o “grande mistagogo, o pedagogo do mistério” e uma reflexão para mudança na ordem dos sacramentos.

Foto: Maurício Sant’ana

Por CNBB

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A história milagrosa de como morreu o último apóstolo de Cristo

Dos 12 apóstolos chamados por Jesus, 10 deles morreram como mártires. Judas, o traidor, tirou a própria vida. Mas o último apóstolo a morrer, João, encontrou um destino muito diferente. Vivendo quase até o final do século I, ele morreu de causas naturais – e foi por causa de um milagre surpreendente.

A tradição diz que João foi o autor do último livro do Novo Testamento, Apocalipse, como também três cartas e o Evangelho que tem seu nome. Neste último, ele é descrito como “o discípulo que Jesus amava” e é recebe de Jesus na cruz a missão de cuidar da Virgem Maria. Acredita-se que ele tenha sido o mais jovem dos apóstolos. Isso explica parcialmente porque os estudiosos pensam que ele viveu um longo caminho até chegar aos 95 anos.

Mas se Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, Tomé foi morto por lança, Judas Tadeu com flechadas (apenas para enumerar como alguns dos Apóstolos morreram) – como João escapou de um destino semelhante por tanto tempo?

A resposta: as autoridades tentaram matar João de uma maneira horrível, mas Deus não deixou.

A história conta que, após a Assunção da Bem Aventura Virgem Maria, João foi preso pelas autoridades e levado para Roma, onde foi condenado à morte.

O método de execução prescrito? Sendo mergulhado em óleo quente fervente na frente de uma multidão de espectadores no Coliseu.

O fogo foi aceso embaixo da panela, o óleo estava fervendo, e João foi trazido para fora. Guardas o apanharam e então forçosamente o mergulharam no líquido escaldante.

Foi quando algo incrível aconteceu. Em vez de ver um homem ser brutalmente fervido até a morte, a multidão testemunhou um milagre: João ficou no óleo completamente ileso!

Algumas versões da história dizem que muitos ou mesmo todos os espectadores se converteram por causa do que viram. O governante romano, furioso e envergonhado por não poder matar João , decidiu, em vez disso, bani-lo para a pequena ilha grega de Patmos.

Mas Deus redimiu até mesmo o desterro de João: foi lá em Patmos que recebeu a visão que transcreveu no livro do Apocalipse.

Em algum momento, João foi capaz de deixar Patmos e viajar de volta para Éfeso, onde morreu de causas naturais. Dado tudo o que tinha acontecido, viver quase cem anos foi realmente algo milagroso.


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Catequese: A hora de levantar vôo

“Eles, imediatamente deixaram as redes e o seguiram” (Mt 4,20)

Mudanças são a essência e o sabor da vida. O ser humano é um ser de mudança; só é humano quem vive em “estado de mudança”. A mudança é o elemento que traz energia, variedade, surpresa, côr e vida à vida. Trata-se de um “hábito do coração”: descobrir, examinar, purificar e substituir os hábitos inertes, os esquemas mentais fechados, as condutas petrificadas, os projetos sem horizontes…

É saudável questionar-se, abrir-se e aventurar-se a ver as coisas de maneira diferente e a responder às circunstâncias com espontaneidade nova.

Deus não nos deu um espírito de timidez, de medo, de fuga, de acomodação… mas de audácia, de criatividade, de luta, de participação… Movidos por sua força, vemos a possibilidade de questionar toda nossa atitude conformista, sacudir nossas convicções, ampliar nossos horizontes e animar nossa vida.

Toda mudança implica sair de nós mesmos, de nosso estreito mundo, de nossas práticas arcaicas, daquilo que nos protege e nos esteriliza para que possamos avançar  em direção às novas fronteiras do espaço sem limites, que nos espera aberto e acolhedor.

Ser seguidor de Jesus, portanto, consiste em colocar-nos nos seus “passos”, com suficiente visão da realidade para ir adiante, e com bastante disponibilidade para mudar de caminho quando o sopro do Espírito assim nos sugerir.

O texto do evangelho de hoje nos situa diante de um denominador comum que é a mudança. O próprio Jesus vive um momento de mudança radical: rompe com sua família, com seu ambiente, afasta-se da estrutura religiosa centrada na Lei e no Templo e opta por deslocar-se para a margem social e religiosa de seu tempo (Galiléia e terra de Zabulon). Sua mudança de vida desencadeia um processo de mudanças nas pessoas, de maneira especial no grupo dos primeiros seguidores.

O olhar e o chamado de Jesus ativam um movimento na vida dos primeiros discípulos: deixam seu estreito mar e seu rotineiro trabalho para fazer caminho com o Mestre. Tudo começou às margens do mar da Galiléia… Jesus caminha e, ao passar ao longo do mar, viu aqueles homens que estavam retornando da pesca e entra no espaço vital deles. Exatamente ali, naquela vida tão normal, acontece algo novo. Jesus os chama do mar, os faz descer da barca e os convida a segui-Lo, para mergulhá-los no Seu mar, para fazê-los subir noutra barca, para atraí-los a uma vida diferente.

O seguimento só se realiza quando alguém se deixa conduzir para águas profundas num novo mar. Partindo do lugar e das coisas que representam as esperanças, as dificuldades, as decepções, os sucessos, as derrotas daqueles homens pescadores, Jesus pronuncia sua Palavra mobilizadora: “Segui-me e farei de vós pescadores de homens”, ou seja, compartilhar Sua mesma missão, “pescar” o que há de mais humano e nobre nas pessoas, ajudá-las a viver com sentido, tirando-as do mar da desumanização.

E Jesus tem a capacidade de extrair o maior bem possível do outro, de garimpar a autêntica qualidade humana de cada um, sem necessidade de dar-lhe lições ou arrastá-lo com argumentos racionais. “Eles deixaram as redes e o seguiram”: seguir Jesus é uma libertação. Na realidade, o que eles deixam não são só redes, mas tudo aquilo que aprisiona, enreda e que impede a vida ter uma dimensão maior.

Tocados pelo dinamismo de Sua voz e de sua Palavra, os pescadores se dão conta d’Aquele que estava passando: eles já tinham sido vistos, conhecidos, amados, escolhidos. Aquela Palavra que vibra forte, abre os olhos, a mente e o coração daqueles homens rudes do lago. Sentem-se chamados pelo nome, conseguem compreender melhor a si mesmos e redescobrem um sentido novo, um significado inimaginável para a própria existência. Eles descobrem o quão estreito era o seu mar cotidiano e entram no dinamismo da vida de Jesus, deslocando-se para o vasto oceano do Reino.

A experiência do encontro com a pessoa de Jesus, seu olhar compassivo e terno, a proposta ousada e desafiante que Ele nos faz… despertam dinamismos profundos e desejos nobres em nosso interior, sacodem nossa rotina e ampliam nosso atrofiado olhar.

Ao “fixar seu olhar” em cada um de nós, chamando-nos pelo nome, seremos movidos a assumir opções mais radicais e integrais pelo Reino, segundo o modo de ser, de viver e de fazer do próprio Jesus.

São grandes os riscos de se viver em horizontes tão estreitos. Tal estreiteza aprisiona a solidariedade e dá margem à indiferença, à insensibilidade social, à falta de compromisso com as mudanças que se fazem urgentes. O próprio lugar se torna uma couraça e o sentido do serviço some do horizonte inspirador de tudo aquilo que se faz. Ampliar os espaços do coração implica agilidade, flexibilidade, criatividade, solidariedade e abertura às mudanças e às novas descobertas.

Vivemos um tempo caracterizado por constantes mudanças e pelo movimento. No entanto, de uma maneira dissimulada, percebemos a presença de uma paralisia que perpassa nossa condição humana. E paralisia é o que ocorre quando algo que deveria mover-se e fluir, não se move, nem flui. Esse “algo” são processos, projetos, relações, aspirações, causas… E é essa mudança verdadeira que, quando não ocorre, nos faz sentir estancados, angustiados e sem brilho, embora aparentemente as coisas parecem andar bem.

Uma pergunta que normalmente costuma protagonizar nossas conversações com amigos e parentes é: “por quê você vai mudar?” Aumenta a curiosidade quando alguém que gosta muito do que está fazendo, sobretudo no campo profissional, decide mudar: “é verdade que você vai deixar? A gente percebia você tão feliz!”

Acontece que, às vezes, não há nada “mau” com o que estamos fazendo, mas sem entender muito bem por quê, há algo dentro de nós que nos impulsiona a sair, a ir além de nós mesmos, a levantar novo vôo. Alguém poderia nos perguntar: “Mas, se estava bem, para quê complicar-se ao começar algo novo?”.

A resposta que damos nunca poderá ser totalmente racional. Porque disso se trata: toda mudança nos leva a desatar nossa essência, isso que somos na verdade e que clama por sair.

O certo é que avançar supõe fazer opções, renunciar à comodidade do conhecido e dar lugar à mudança. Mas mudar nos dá medo e o medo, às vezes, paralisa. Temos medo de nossas próprias capacidades; tememos nossas máximas possibilidades; assusta-nos chegar a ser aquilo que vislumbramos em nossos melhores momentos. No entanto,  não podemos ser “bonsais” de nós mesmos”, atrofiando nossos recursos internos e tirando o brilho de nossa vida.

Desprender-nos do antigo e dar lugar ao novo implica um processo sempre enriquecedor mas também doloroso. Muitas vezes, para escapar do sofrimento, preferimos evitar os riscos em vez de assumir o fato de que, para dar à luz algo novo, necessariamente devemos tomar a decisão de soltar o que nos mantém ancorados no nosso estreito mar e não nos permite singrar os vastos oceanos.

Texto bíblico:  Mt 4,12-23

Na oração: No fundo do seu coração cheio de velhas barcas, redes inúteis, mar estreito… é aí que o Senhor passa… e com sua Palavra provocante o acorda para uma ousadia maior. Compete a você dar-lhe acolhida.

– Seguir o Desconhecido do lago significa aceitar a vida como sacramento do encontro, onde ressoa a Palavra d’Aquele que passa, vê, conhece, ama, chama pelo nome… Aos poucos você vai intuindo que a vida não é questão de certezas, mas de busca e de desejos, de caminhar com Aquele que o chama para ficar com Ele e com Ele constituir a grande comunidade de servidores.

Por Pe. Adroaldo Palaoro sj 

Fonte:http://www.catequesehoje.org.br/

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz.

Papa Francisco: Coragem, a luz de Jesus vence as trevas mais obscuras!

“Existem luzes intermitentes, que vão e vem, como as pequenas satisfações na vida, mas duram pouco e não deixam a paz que buscamos”

Cabe a nós escolher qual estrela seguir. Mas saindo de nossa acomodação e buscando a luz de Jesus, encontraremos a alegria verdadeira. Na Solenidade da Epifania, o Papa Francisco rezou o Angelus com cerca de 35 mil, convidando a todos “a não ter medo desta luz e abrir-se ao Senhor”. A sensação térmica na Praça São Pedro era abaixo de zero.

“O símbolo desta luz que resplandece no mundo e quer iluminar a vida de cada um – disse o Papa no início de sua reflexão – é a estrela que guiou os Magos a Belém”. Eles a viram despontar no horizonte e “decidiram segui-la, deixaram-se guiar pela estrela de Jesus”, “uma luz estável, uma luz gentil, que não se apaga, porque não é deste mundo, vem do céu, e resplandece no coração”:

“Também na nossa vida existem diversas estrelas, luzes que brilham e orientam. Cabe a nós escolher quais seguir. Por exemplo, existem luzes intermitentes, que vão e vem, como as pequenas satisfações na vida: ainda que boas, não são suficientes, porque duram pouco e não deixam a paz que buscamos. Existem depois as luzes deslumbrantes do dinheiro e do sucesso, que prometem tudo e logo: são sedutoras, com a sua força cegam e fazem passar dos sonhos de glória à escuridão mais densa”.

A luz verdadeira – reiterou o Papa – é o próprio Jesus, “ele é a nossa luz, uma luz que não ilude, mas acompanha e dá uma alegria única. Esta luz é para todos e chama a cada um: Levanta-te, reveste-te de luz”. Uma luz – a de Jesus – à qual somos chamados a seguir no início de cada novo dia, “entre as tantas estrelas cadentes no mundo (…). Seguindo-a, teremos a alegria, como acontece aos Reis Magos, que ao ver a estrela experimentaram uma alegria grandíssima, porque onde está Deus, ali há alegria”:

“Quem encontrou Jesus, experimentou a alegria da luz que ilumina as trevas e conhece esta luz que ilumina e irradia. Gostaria, com muito respeito, convidar a todos a não ter medo desta luz e abrir-se ao Senhor. Sobretudo gostaria de dizer a quem perdeu a força, está cansado, a quem, sobrecarregado pelas obscuridades da vida, perdeu o ânimo: levanta-te, coragem, a luz de Jesus sabe vencer as trevas mais obscuras, levanta-te, coragem”.

Para encontrar esta luz – recomendou o Papa –  devemos seguir o exemplo dos Magos, que o Evangelho descreve como “sempre em movimento”, “sair de si e buscar, não ficar fechado olhando o que acontece ao redor, mas arriscar a própria vida”:

“A vida cristã é um caminho contínuo, feito de esperança e feito de busca; um caminho que, como o dos Magos, prossegue também quando a estrela desaparece momentaneamente da vista. Neste caminho existem também insídias que devem ser evitadas: as conversas superficiais e mundanas, que freiam o passo; os caprichos paralisantes do egoísmo; o pessimismo, que aprisiona a esperança”.

“Não basta saber que Deus nasceu, se não se faz com Ele Natal no coração”, alertou Francisco. Os Magos fizeram isto, prostraram-se e o adoraram. “Não olharam para ele somente, não fizeram somente uma oração circunstancial e foram embora, mas o adoraram, “entraram em comunhão pessoal de amor com Jesus. Depois, deram a ele ouro, incenso e mirra, isto é, os bens mais preciosos”.

Neste sentido, o Papa exorta a aprendermos dos Magos a não dedicar a Jesus somente os “retalhos de tempo e algum pensamento de vez em quando, pois assim não teremos a sua luz”, mas devemos sim, “nos colocam a caminho, revestindo-nos de luz seguindo a estrela de Jesus e adorar o Senhor com todo nosso ser”.

Ao final do Angelus o Santo Padre, ao saudar os grupos presentes na Praça São Pedro, felicitou as comunidades eclesiais do Oriente, que seguem o calendário Juliano e que celebram o Natal neste sábado, 7 de janeiro: “Em espírito de jubilosa fraternidade, faço votos de que o no nascimento do Senhor Jesus os preencha de luz e de paz”.

Por Rádio Vaticana

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização

Qual o significado do anel de tucum usado por muitos religiosos?

Historicamente falando, o Anel de Tucum nasce no tempo do Império do Brasil. Enquanto a realeza usava joias de metais e ouro, os escravos e índios, sem acesso a esses materiais, criaram o Anel do Tucum. Tucum é uma Palmeira comum na Amazônia. Fizeram, então, desse objeto rústico um símbolo de amizade entre si, pactos matrimoniais e, também, de resistência na luta por libertação. Desse modo, o anel de Tucum era um símbolo cuja linguagem, só eles conheciam. Um símbolo secreto da amizade deles e de suas lutas cotidianas.

Mais tarde, os cristãos passam a ter no Anel de Tucum um símbolo de e compromisso. Especialmente com a Teologia da Libertação, nos anos 60, quando o apelo às causas dos mais pobres e abandonados começa a crescer, não só no Brasil como também em nossa América Latina. Tivemos, portanto, nesse período um grupo grande de pessoas dedicadas à luta dos mais fracos, o que rendeu muitos testemunhos e martírios.

“Anel de Tucum é sinal da aliança com a causa indígena e com as causas populares. Quem carrega esse anel significa que assumiu essas causas. E, as suas consequências”.

Dom Pedro Casaldáliga é um exponente que nos retrata essas lutas. Esse ilustre Bispo Profeta, num Filme sobre o Anel de Tucum, nos apresenta o significado do anel com essas palavras: “Anel de Tucum é sinal da aliança com a causa indígena e com as causas populares. Quem carrega esse anel significa que assumiu essas causas. E, as suas consequências”. Dizendo isto, lança o convite: “Você toparia levar um anel? Topa?”.

As causas de ontem se encontram com as causas de hoje. Nossas lutas mudaram de cenários e nomes e os pobres ainda continuam excluídos e oprimidos. Por isso, o anel de Tucum quer simbolizar uma fé engajada, um compromisso com os pobres, com os sem voz e os sem vez, um compromisso com a VIDA!

Jesus nos revela que Deus está ao lado dos pobres e quer promover sua dignidade, no rosto do pobre encontramos o rosto de Deus. “Na verdade vos digo: toda vez que fizestes isso a um desses mais pequenos dentre meus irmãos foi a mim que o fizestes!” (Mt 25, 40).

Portanto, se nos comprometemos às causas dos preferidos de Deus é com Ele que nos comprometemos!

Escrito por Pe. Lucas Emanuel,C.Ss.R – A12.com

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da evangelização

ESPECIAL JMJ: Começam as catequeses da Jornada, um diálogo aberto com Dom Orani João Tempesta

Os peregrinos brasileiros se concentraram na paróquia de Brata Alberta, há cerca de 10 km do centro de Cracóvia, onde o Cardeal Orani João Tempesta conduziu a primeira catequese e, português na manhã desta quarta-feira, (27/07)

 “É uma jornada de Ano Santo que, portanto, deve marcar de maneira especial essa peregrinação da juventude no Ano Santo. E o fato de no Ano Santo vir ao lugar onde foi divulgado o tema da misericórdia, embora esse seja um tema desde o Antigo Testamento, e que será inclusive o tema da catequese de hoje. Um Ano Santo na terra de Santa Faustina e, além disso, nas terras de São João Paulo II. Momento em que o Papa Francisco vem, quando o mundo está num tempo de tanta violência e intolerância, dizer da importância de viver essa misericórdia. E levar a juventude de hoje para que viva cada vez mais sua fé e faça a experiência da misericórdia. O jovem que a experimenta e depois passa aos outros na sua linguagem: este é o segredo”, disse Dom Orani.
Ana Silvia Lima estava presente e fez uma das perguntas quando Dom Orani convidou os jovens para um diálogo aberto. Ela perguntou sobre como deveria viver esta que é sua primeira jornada.

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“Ele pediu para eu possa viver essa jornada respeitando meu próximo nas filas, sendo paciente nas locomoções, e viver a misericórdia”.

Diversidade e paz

“Acima de tudo, precisamos respeitar o próximo que tem outra religião, porque no olhar dele nós também podemos encontrar Deus que é único”.

Vera Lucia Assunção de Oliveira, de Fortaleza (CE), ainda estava emocionada após a missa de abertura.

“Peço a Deus que me dê sempre essa juventude de espírito. É isso que nós precisamos, de união. Eu fiquei muito emocionada e com muita esperança e pedindo a Deus que essas pessoas que querem a morte se transformem, que pensem como pessoas humanas, porque nós não precisamos ser mortos por ninguém, porque a morte vem naturalmente. Nós precisamos antes de mais respeitar a vida, que é um dom de Deus e ninguém pode tirar”.

As informações são de Rafael Belincanta, direto de Cracóvia, para a Radio Vaticano

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz – Boa Nova Web Radio – A Serviço da Evangelização

Papa Francisco: rezar por quem não tem compaixão

O Papa Francisco recebeu na manhã desta quarta-feira (06/07), na Sala Paulo VI, 200 peregrinos da diocese de Lyon, na França.

Acompanhados por seu Arcebispo, Card. Philippe Barbarin, os peregrinos representam pessoas que vivem em condições de precariedade. De fato, são franceses desempregados, que vivem nas ruas ou doentes.

“Qualquer que seja a condição de vocês, a sua história ou o peso que carregam”, disse o Papa, “é Jesus que nos une. Sejam bem-vindos, sua presença é importante para mim.”

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Jesus, prosseguiu, viveu a mesma condição desses peregrinos: foi desprezado pelos homens, esquecido, alguém que não contava nada. “Quando sentirem tudo isso, não se esqueçam que Jesus viveu a mesma experiência. Esta é a prova de que vocês são preciosos e estão no coração da Igreja. Jesus sempre deu prioridade a pessoas como vocês.”

Francisco agradeceu aos acompanhantes da peregrinação, fiéis à intuição do Padre José Wresinski, que partia da experiência vivida e não de teorias abstratas. “As teorias abstratas nos levam às ideologias e as ideologias nos levam a negar que Deus se fez Carne, um de nós! Porque a vida compartilhada com os pobres nos transforma e nos converte. Pensem bem nisto, eh! E o Ano da Misericórdia é a ocasião para redescobrir e viver esta dimensão de solidariedade, de fraternidade, de ajuda e de apoio recíproco.”

Aos peregrinos, o Pontífice fez um pedido, para que preservem a coragem em meio às angústias, e a alegria da esperança. “Nós acreditamos num Deus que repara todas as injustiças, que consola todas as penas e sabe recompensar os que mantêm a confiança Nele. À espera deste dia de paz e de luz, a contribuição de vocês é essencial para a Igreja e para o mundo.”

Mas Francisco foi além e fez um pedido mais radical: “Eu lhes confio a missão de rezar pelos culpados de sua pobreza, para que se convertam! Rezar por tantos ricos que vestem púrpura e escarlate e fazem festa com grandes banquetes, sem perceber que à porta deles há tantos Lázaros desejosos de matar a fome com as sobras de suas refeições. Rezem também pelos sacerdotes, pelos levitas que – ao verem aquele homem meio morto – passam olhando para o outro lado, porque não têm compaixão. A todas essas pessoas, desejem o bem e peçam a Jesus que as convertam. E lhes garanto que, se fizerem isso, haverá grande alegria na Igreja, no coração de vocês e também na amada França”.

O encontro na Sala Paulo VI foi uma exceção neste mês de julho, em que há uma pausa nas atividades públicas do Papa. A audiência foi marcada por cantos, leituras e testemunhos, em que Francisco teve a oportunidade de ouvir as histórias de alguns dos peregrinos franceses.

Fonte: Vatican Radio

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz – Boa Nova Web Radio – A Serviço da Evangelização

Catequese do Papa na audiência jubilar: “Misericórdia e conversão”

O Santo Padre recebeu, na manhã deste sábado (18/6), na Praça São Pedro, milhares de peregrinos e fiéis, provenientes de diversas partes da Itália e do mundo, para a audiência jubilar. Em sua catequese o Papa refletiu sobre a passagem evangélica onde diz que “depois da sua ressurreição, Jesus apareceu diversas vezes aos discípulos, antes de ser elevado à glória do Pai”. Em uma destas aparições, o Senhor indica o conteúdo fundamental da pregação que os apóstolos deveriam oferecer ao mundo, que o Papa assim classificou:
“Podemos sintetizá-la em duas palavras: ‘conversão’ e ‘perdão dos pecados’. São dois aspectos que classificam a misericórdia de Deus, que, com amor, cuida de nós”.

Hoje, porém, em sua catequese, o Santo Padre explicou apenas a primeira palavra: “conversão”, que está presente em toda a Bíblia, de modo particular na pregação dos profetas, que convidavam, continuamente, o povo a “voltar para Deus”, para pedir-lhe perdão e mudar seu estilo de vida:
“Converter-se, segundo os profetas, significa mudar de direção e dirigir-se novamente ao Senhor, na certeza de que ele nos ama e o seu amor é sempre fiel”.

De fato, conversão foi a primeira palavra da pregação de Jesus: “Convertam-se e acreditem no Evangelho”. Com este anúncio, disse Francisco, Jesus se apresenta ao povo, pedindo que acolha a sua palavra, como última e definitiva que o Pai dirige à humanidade.

Em relação à pregação dos profetas, Jesus insiste ainda mais sobre a dimensão interior da conversão, com a qual toda a pessoa é envolvida, coração e mente, para se tornar criatura nova. E o Papa ponderou:

“Quando Jesus convida à conversão, não o faz para julgar as pessoas, mas a partir da proximidade, da partilha da condição humana e, portanto, da estrada, da casa, da mesa. A misericórdia com os que tinham necessidade de mudar de vida acontecia com a sua presença amável, envolvendo cada um na sua história de salvação”.

Com este seu comportamento, Jesus tocava a profundidade do coração das pessoas, que se sentiam atraídas pelo amor de Deus e impelidas a mudar de vida. Aqui Francisco citou algumas conversões, como a de Mateus e Zaqueu, que aconteceram precisamente assim, porque se sentiram amados por Jesus e, por meio dele, pelo Pai. E o Papa insistiu:

“A verdadeira conversão, insistiu o Papa, acontece quando acolhemos o dom da graça e o claro sinal da sua autenticidade é quando percebemos das necessidades dos irmãos e nos sentimos prontos a ir ao seu encontro”.

O Santo Padre concluiu a sua catequese desta audiência jubilar dizendo: “Quantas vezes sentimos a exigência de uma mudança que envolve toda a nossa vida!” Por isso, exortou os fiéis a seguir este convite do Senhor sem obstinação, porque somente abrindo-nos à sua misericórdia podemos encontrar verdadeira vida e verdadeira alegria.

Após a sua catequese, Francisco passou a cumprimentar os diversos grupos de peregrinos presentes na Praça São Pedro. Eis a sua saudação que fez aos presentes de  língua portuguesa:

“Queridos peregrinos de língua portuguesa, sejam bem vindos! Saúdo a todos convidando-os a pedir ao Senhor uma fé grande para verem a realidade com o olhar de Deus e uma grande caridade para se aproximarem das pessoas com coração misericordioso. Confiem em Deus, como a Virgem Maria! Sobre vocês e suas famílias, desça a bênção do Senhor”.

Assim, o Papa concedeu a todos a sua Bênção Apostólica.

Por Rádio Vaticano

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

Solenidade de Pentecostes segundo o Catecismo da Igreja Católica.

Pentecostes dia da efusão do Espírito Santo

O fogo. Enquanto a água significa o nascimento e a fecundidade da Vida dada no Espírito Santo o fogo simboliza a energia transformadora dos atos do Espírito Santo O profeta Elias, que “surgiu como um fogo cuja palavra queimava como uma tocha” (Eclo 48,1), por sua oração atrai o fogo do céu sobre o sacrifício do monte Carmelo, figura do fogo do Espírito Santo que transforma o que toca. João Batista, que caminha diante do Senhor com o espírito e o poder de Elias” (Lc 1,17), anuncia o Cristo como aquele que “batizará com o Espírito Santo e com o fogo” (Lc 3,16), esse Espírito do qual Jesus dirá “Vim trazer fogo à terra, e quanto desejaria que já estivesse acesso (Lc 12,49). É sob a forma de línguas “que se diriam de fogo” o Espírito Santo pousa sobre os discípulos na manhã de Pentecostes e os enche de Si. A tradição espiritual manterá este simbolismo do fogo como um dos mais expressivos da ação do Espírito Santo Não extingais o Espírito” (1Ts 5,19).

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§731 No dia de Pentecostes (no fim das sete semanas pascais), a Páscoa de Cristo se realiza na efusão do Espírito Santo, que é manifestado, dado e comunicado como Pessoa Divina: de sua plenitude, Cristo, Senhor, derrama em profusão o Espírito.

§1287 Ora, esta plenitude do Espírito não devia ser apenas a do Messias; devia ser comunicada a todo o povo messiânico. Por várias vezes Cristo prometeu esta efusão do Espírito, promessa que realizou primeiramente no dia da Páscoa. e em seguida, de maneira mais marcante, no dia de Pentecostes. Repletos do Espírito Santo, os Apóstolos começam a proclamar “as maravilhas de Deus” (At 2,11), e Pedro começa a declarar que esta efusão do Espírito é o sinal dos tempos messiânicos. Os que então creram na pregação apostólica e que se fizeram batizar também receberam o dom do Espírito Santo

§2623 NO TEMPO DA IGREJA

No dia de Pentecostes, o Espírito da promessa foi derramado sobre os discípulos, “reunidos no mesmo lugar” (At 2,1), esperando-o, “todos unânimes, perseverando na oração” (At 1,14). O Espírito, que ensina a Igreja e lhe recorda tudo o que Jesus disse, vai também formá-la para a vida de oração.

P.37.2 Pentecostes dia da manifestação pública de Jesus

§767 “Terminada a obra que o Pai havia confiado ao Filho para realizará na terra, foi enviado o Espírito Santo no dia de Pentecostes para santificar a Igreja permanentemente.” Foi então que “a Igreja se manifestou publicamente diante da multidão e começou a difusão do Evangelho com a pregação”. Por ser “convocação” de todos os homens para a salvação, a Igreja é, por sua própria natureza, missionária enviada por Cristo a todos os povos para fazer deles discípulos.

§1076 A ECONOMIA SACRAMENTAL No dia de Pentecostes, pela efusão do Espírito Santo, a Igreja é manifestada ao mundo. O dom do Espírito inaugura um tempo novo na “dispensação do mistério”: o tempo da Igreja, durante o qual Cristo manifesta, toma presente e comunica sua obra de salvação pela liturgia de sua Igreja, “até que ele venha” (1 Cor 11,26). Durante este tempo da Igreja, Cristo vive e age em sua Igreja e com ela de forma nova, própria deste tempo novo. Age pelos sacramentos; é isto que a Tradição comum do Oriente e do Ocidente chama de “economia sacramental”; esta consiste na comunicação (ou “dispensação”) dos frutos do Mistério Pascal de Cristo na celebração da liturgia “sacramental” da Igreja. Por isso, importa ilustrar primeiro esta “dispensação sacramental” (Capítulo I). Assim aparecerão com mais clareza a natureza e os aspectos essenciais da celebração litúrgica (Capítulo II.).

P.37.3 Pentecostes dia da plena revelação da Trindade

§732 Nesse dia é revelada plenamente a Santíssima Trindade. A partir desse dia, o Reino anunciado por Cristo está aberto aos que crêem nele; na humildade da carne e na fé, eles participam já da comunhão da Santíssima Trindade. Por sua vinda e ela não cessa, o Espírito Santo faz o mundo entrar nos “últimos tempos”, o tempo da Igreja, o Reino já recebido em herança, mas ainda não consumado:

Vimos a verdadeira Luz, recebemos o Espírito celeste, encontramos a verdadeira fé: adoramos a Trindade indivisível, pois foi ela quem nos salvou.

Referências : www.franciscanos.org.br

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

CATEQUESE: A Igreja, uma mãe verdadeiramente catequizadora/ Por Vinícius T. Amaral

Existe uma grandeza no ensinamento da fé católica que se caracteriza singular e necessária em um mundo marcado por sua falta de referências éticas, morais e religiosas. A igreja é “Mater et Magistra”, Mãe e Mestra (MM, 1961), e por se caracterizar como tal sempre permitiu a nós, seus filhos, um embasamento fidedigno para a fé e a vivencia em comunidade. Por isso, a palavra eminente neste contexto é “Catequese”, algo que vem do alto (Katà) como ato de fazer ecoar (Echeò-Ekòs). A realidade é que ainda muitos católicos, permanecem ainda sem instrução e conhecimento da fé que professam, por erros durante o processo (permanente) de catequização,  isto é percebido pelo discurso vago e lacunar dos que não se abrem para o ensinamento da Igreja, assumindo uma fé insólita, buscando religiões e igrejas adequadas às suas vontades.

Os contemporâneos de Jesus puderam experimentar de uma catequese em que o “ver” se destacava pela simples e rica convivência com o Senhor e seu testemunho. O Testemunho e a palavra de Jesus possibilitavam a conversão e a aceitação da verdade revelada. Esta, sempre foi procurada pelos mais instruídos, agora, é revelada em Jesus Cristo, protagonista do projeto de amor e de felicidade plena para aqueles que “ouvem sua palavra e a colocam em prática” (Tg 1, 22). A verdade desta catequese é o fundamento da doutrina, o ensinamento da Igreja nasce das palavras do Cristo, o seu testemunho, sua vida, paixão e morte, instituem a Igreja como fiel seguidora da palavra.

É deste modo que aos poucos, tendo concretizado o mistério salvífico, surgem as primeiras comunidades cristãs, sendo por sua vez, catequizadas. Entre o século I a V(d.C), se vive a busca de uma identidade no meio de um mundo pagão, a catequese teria como objetivo despertar para o seguimento de Jesus, como processo de conversão. Os cristãos se reuniam para perceber os dramas dos mais necessitados, para viver a fraternidade, celebrar a liturgia pela partilha do pão e da palavra. Aqui, se deve notar que ser cristão é uma identidade perfeita para aqueles que querem continuar a missão de Jesus, ganhando a vida eterna e a felicidade neste seguimento.

O catecumenato, se ascende como necessário a formação dos cristãos, preparando os candidatos para a vivência em comunidade, escuta e partilha. Contudo, dever-se-ia preparar o cristão para as dificuldades do tempo vigente, para a perseguição e não aceitação da religião cristã, introduzindo-o cada vez mais na fé e no mistério de Cristo, realizando um tempo de santificação e conversão. Ganhar a vida pela morte, testemunhá-lo com a força do seu testemunho e não a física. Afinal, a tentação do cristianismo se caracterizava pela promessa de vida eterna.

No tempo da escolástica, na Idade Média (V-XVI d.C), como a religião cristã fora imposta como oficial, todos deveriam aceita-la, o que gera a “cristandade”. Das catacumbas, para os grandes templos e grandes produções literárias. A catequese se torna extremamente necessária, grandes pastores-catequistas se destacam para a defesa da doutrina contra as heresias. A sociedade é animada pela religião cristã, estabelecendo uma aliança entre o poder religioso e civil. Num contexto social cristão de arte, como escultura, pintura, arquitetura, a criança batizada experimentava em toda sua vida os ensinamentos da religião.  A catequese como educação da fé, se realiza por meio de uma simbiose.

Com o advento da Idade Moderna e o desligamento de alguns membros, surge o protestantismo, e a catequese se vê obrigada à busca da identidade católica face às críticas do desligamento. Valorizou-se mais a identidade pessoal, não tanto comunitária como outrora. Com a forte influência da imprensa e do iluminismo aumentou-se a preocupação com a clareza e exatidão das formulações doutrinais. Assim, da família e da Igreja, a catequese se instaura no ambiente escolar como ensino obrigatório. De tal modo o catecismo se torna um referencial de segurança sobre a fé, a catequese é marcada como sumamente doutrinária.

A partir do Sagrado Concílio Vaticano II, a catequese adquire uma outra perspectiva. É deste modo que, como “Mater et Magistra”, a Igreja procura apontar os caminhos para a verdade da fé que é Jesus Cristo, mudam-se os meios, os veículos, mas permanece a identidade e o núcleo de um ensinamento íntegro: o seguimento fiel a pessoa de Cristo, o conhecimento da verdade, tendo como consequência a felicidade total daqueles que a conhecem. “A Catequese está intimamente ligada a toda a vida da Igreja. Dependem essencialmente dela não só a expansão geográfica e o crescimento numérico mas também, e muito mais ainda, o crescimento interior da Igreja e a sua conformidade com o desígnio de Deus”.(CT 13). Um novo rosto é dado aos meios de formação da Igreja adequado aos nossos tempos. Segundo o documento “Catequese Renovada” (1983) o ensinamento catequético deve se pautar em um “ (…) processo de educação comunitária, permanente, progressiva, ordenada, orgânica, sistemática da fé. Sua finalidade é a naturalidade da fé, num compromisso pessoal e comunitário de libertação integral, que deve acontecer já aqui e culminar no reino definitivo” (CR, 318).

Não se trata de esquecer o catecismo, mas pelo contrário, de afirma-lo de modo a fazer da doutrina partícipe do cotidiano pessoal e genuíno do cristão católico. A riqueza que a Mãe Igreja propõe aos seus filhos durante a história, não deve ser motivo de condenação ou revolta, mas carece de ser desfrutada de modo a nos tornar pessoas melhores, indivíduos inseridos no corpo social que se caracterizam “sal da terra e luz do mundo” (Mt 5, 13-14), católicos autênticos formados pela verdade do Evangelho ensinado através da Igreja.

A catequese destes tempos, adota por sua vez, o “ver, julgar e agir”, palavras que possuem um significado particular na vida não só do catequista e catequizando, mas do cristão. Perceber a realidade que nos cerca, julgá-la com os olhos do Senhor, e agir de forma a promover o crescimento comum. A formação catequética atual deve libertar a mente do medo de testemunhar e viver como Cristo viveu, deve transformar-nos como filhos. Só assim, poderemos participar de uma sociedade laica e não laicista, olha-la com a perspectiva clínica da fé, e realizar nosso compromisso de sermos profetas. Deste modo, não esqueça que  “No coração da Catequese, encontramos essencialmente uma pessoa : a de Jesus de Nazaré, Filho Único do Pai(…), que sofreu e morreu por nós e que agora, ressuscitado, vive conosco para sempre. (…) Catequizar (…)é revelar, na pessoa de Cristo, todo o desígnio eterno de Deus. É procurar compreender o significado dos gestos e das palavras de Cristo e dos sinais por Ele realizados”. (São João Paulo II,CT 5). 

Em uma realidade pontuada pela falta de referências ou por múltiplas pseudo – referências, onde não se forma a pessoa e sim instrui o sujeito manipulando-o, sejamos protagonistas da verdade evangélica, ousados no anúncio da palavra, crentes na doutrina que professamos. Verdadeiros e coerentes em nossos discursos, formadores de opiniões e não defensores do absolutismo de nossas crenças.  Inteligentes por sermos formados por uma mãe que é mestra naquilo que cremos: a pessoa de Jesus.

Campanha-MG, abril de 2016, Ano da Misericórdia.

Por Vinícius T. Amaral, graduado em Filosofia pela Academia Vicentina do Paraná (FAVI)

As Palavras de Jesus são luz para nossa vida

Nossa alma, nosso coração e todo o nosso ser precisam, todos os dias, das palavras de vida que vêm do coração de Jesus.

Em verdade, em verdade vos digo, quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, possui a vida eterna. Não será condenado, pois já passou da morte para a vida” (João 5,24)

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Nós queremos a vida! Não queremos permanecer na morte nem viver no abismo eterno. Pelo contrário, queremos a vida em Deus, a vida eterna! Queremos que essa vida resplandeça, esteja em nós e que a vivamos no Senhor.

O que é preciso para possuirmos a vida? O que é preciso fazermos para qualificarmos nossa vida e darmos sentido a ela?

É a nós que Jesus diz: “Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, possui a vida eterna” (João 5,24).

Primeiro, é preciso ouvir a Palavra, dedicar-se a ela. Quando não ouvimos as palavras de Deus, ficamos apenas com as palavras do mundo, ficamos com nossos conhecimentos e teorias, com nossa ciência e com o que ouvimos dizer desse ou daquele. No entanto, precisamos ouvir Jesus, deixar que Suas palavras sejam vida para nossa vida.

A quem iremos, Senhor? Somente Deus tem palavras de vida eterna! E porque as palavras d’Ele são de vida, é que precisamos delas. Por isso, dedique-se a ouvi-Lo, ponha seus ouvidos e seu coração para, todos os dias, escutar a Palavra da vida.

Assim como a vida precisa do alimento, do cuidado diário, nossa alma, coração e todo nosso ser precisam, todos os dias, das palavras de vida que vêm do coração de Jesus! Mas não basta apenas ouvi-Lo, é preciso crer, demonstrar fé, confiança e dar créditos às palavras do Senhor.

A fé é um dom divino, uma graça que vem de Deus, por isso é preciso pedir ao Senhor esse dom sublime e tão necessário para crescermos na intimidade com Ele. Não basta crer no Senhor, é preciso ter plena confiança e fé que Suas Palavras são luz para nossa vida.

Suplicamos ao coração de Jesus, para que, nesta caminhada quaresmal, Ele nos dê a graça de ouvirmos Sua Palavra, crermos nela, para que passemos a ver a vida de acordo com Sua vontade!

Deus abençoe você!

Por Padre Roger Araújo – Canção Nova

Foto e Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz

OS RITOS E ENTREGAS NA CATEQUESE DE INICIAÇÃO A VIDA CRISTÃ

Texto formativo bem interessante para quem quer começar a trabalhar com o processo catecumenal…

Outro dia estávamos comentando em nosso grupo a respeito do Rito de Entrega da Oração do Senhor – Pai Nosso. E ali surgiram algumas questões quando comentei que estes ritos carecem de preparação e cuidado tendo em vista que não são meros “ritualismos” para deixar a missa mais bonita.

Na verdade estes ritos de entregas tem sido inspirados pelo RICA – Ritual da Iniciação Cristã de Adultos, livro litúrgico que orienta as diferentes etapas do catecumenato (iniciação cristã de adultos em nossa Igreja), aprovado pela Sagrada Congregação para o Culto Divino em 1973. No Brasil ele teve uma nova edição aprovada em 2001 pela CNBB, que trouxe algumas mudanças na disposição gráfica e inclusão de algumas normas exigidas pelo Código de Direito Canônico, textos bíblicos aprovados pela Sé Apostólica e também algumas observações sobre a Iniciação cristã que constavam apenas no Ritual de Batismo de Crianças.

Apesar de sua “extraordinária riqueza litúrgica e preciosa fonte pastoral”, ele ainda permanece desconhecido da maioria dos agentes de pastoral ligados à catequese de adultos e a catequese de crianças. Observamos, já no prefácio do livro o Decreto de 1972, da Sagrada Congregação para o Culto Divino, que restaura “o catecumenato dos adultos dividido em várias etapas, de modo que o tempo do catecumenato, destinado a conveniente formação, pudesse ser santificado pelos sagrados ritos celebrados sucessivamente.” No entanto, o que podemos observar na maioria das Igrejas particulares é que ainda se faz a catequese de adultos nos moldes “doutrinais” e com o único objetivo se fazer a “regularização” da situação sacramental (objetivando principalmente o matrimônio) daqueles que procuram as paróquias. Ou seja, faz-se um catequese baseada quase que exclusivamente no Catecismo sem levar em conta, de fato, a INICIAÇÃO CRISTÃ destas pessoas.

Com o pedido de restauração do Catecumenato para os adultos, nossa Igreja se viu diante da necessidade premente de reestabelecer a catequese como era nos primeiros tempos da nossa Igreja, ou seja, adotar a IVC – Iniciação a Vida Cristã inspirada no processo catecumenal. E a catequese que fazemos, com crianças, jovens e adolescentes, “tomou a frente” de toda ação pastoral necessária, adotando em seus planejamentos algumas ações da catequese catecumenal de adultos, adaptando celebrações, ritos e entregas do catecumenato à catequese de nossas crianças e jovens. Em muitas paróquias encontramos na catequese das crianças características da IVC sem que o resto da paróquia sequer tenha conhecimento do que seria um processo de IVC catecumenal, que, em sua base, deveria envolver TODA A COMUNIDADE, pastorais, movimentos, grupos, lideranças.

Mas, o que a primeira vista, parece um equívoco, tem se mostrado uma verdadeira ação do Espírito Santo no sentido de que, com a implantação dos ritos e celebrações de inspiração catecumenal, nossa catequese tem se tornado mais litúrgica e mistagógica. Temos celebrado mais, orado mais e dado mais valor aos símbolos da nossa fé.

Só que, aqui faço um alerta: não tomemos os RITOS e ENTREGAS como modismo e meras celebrações mais bonitas e “interessantes”. São ações que tem o objetivo de enriquecer nosso espírito e trazer de volta todo o “mistério” da nossa fé.

Observemos por exemplo o seguinte: o RICA prevê durante o processo de Iniciação, ritos e a entrega de alguns símbolos, feitos durante a celebração com a comunidade. O primeiro deles é o RITO DE ACOLHIDA dos novos catecúmenos (adaptando-se  a nossa realidade: aos novos catequizandos em preparação ao sacramento da Eucaristia), onde, durante a celebração se faz a entrega da PALAVRA (Bíblia), base de todo o ensinamento catequético.

No entanto, pude observar em alguns manuais e orientações pastorais que esta acolhida e entrega tem sido feita no início da catequese… correto! Mas, da catequese para a CRISMA? Ora, por mais que o processo de IVC catecumenal esteja sendo iniciado naquele momento na paróquia, não dá pra esquecer que estes jovens JÁ ESTÃO NA PARÓQUIA DESDE A CATEQUESE DE EUCARISTIA! E que aos 13, 14, 15 anos já tem uma Bíblia ou já a manusearam muito nos anos de preparação anterior! Correto esta entrega e acolhida, se o jovem está COMEÇANDO naquele momento a catequese e não recebeu nenhuma preparação anterior e ainda não fez a Eucaristia. Ora, se estamos “acolhendo” neste momento e só agora entregando a Palavra aos jovens, que podem até já ter participado da catequese de eucaristia, estaremos NEGANDO tudo aquilo que nossa Igreja já fez. Que esta catequese anterior tenha sido equivocada e não tenha levado a verdadeira conversão, não quer dizer que tenhamos que fazer o Ritual de Acolhida, como se a pessoa estivesse entrando pela primeira vez na Igreja, para começar uma catequese frutuosa no aspecto “Evangelização”.

Com relação as duas outras entregas de símbolos previstos no RICA. Sim, são somente DUAS! Entrega do Símbolo (Credo) e Entrega da Oração do Senhor (Pai Nosso), conforme preceitua os itens 125 a 187 e 188 a 192  (pgs 91 e 104), ambas são feitas durante a etapa (no catecumenato)  de Purificação e Iluminação, ou seja, próximas ao sacramento, podendo ser feitas na etapa anterior (catequese) a critério pastoral. E não são entregues apressadamente NUMA ÚNICA CELEBRAÇÃO!  O RICA prevê que se faça os ritos de “escrutínio” (que são três), sendo entregue o Símbolo (Creio) depois do primeiro escrutínio e a Oração do Senhor depois do terceiro.

Só para esclarecer: Os “escrutínios” se realizam por meio dos “exorcismos”, são sobretudo, ESPIRITUAIS. São expressões que traduzem, na verdade, “orações”, “súplicas” e “bênçãos”. O que se procura por eles é purificar os espíritos e os corações, fortalecer contra as tentações, orientar os propósitos e estimular as vontades, para que os catecúmenos se unam mais estreitamente a Cristo e reavivem seu desejo de amara a Deus (cf. RICA, item 154). São realizados nos 3º, 4º e 5º domingo da Quaresma. A critério pastoral podem ser feitos em outros domingos da Quaresma. Não tenho conhecimento de que alguma Diocese ou paróquia tenha reestabelecido os escrutínios em seu processo de catequese catecumenal. Por aí se vê o quanto estamos perdendo ao se ignorar esta parte do processo.

Mas, enfim, se não fazemos os escrutínios e não conseguimos fazer a etapa de Purificação e Iluminação na Quaresma, podemos colocar os ritos e entregas em outra época conveniente à paróquia. Mas, preceder (SEMPRE!) a entrega do Símbolo e da Oração do Senhor, de uma catequese a respeito, tanto para os catequizandos quanto para os pais/responsáveis. Nossos iniciandos na fé PRECISAM saber e entender o significado profundo de se receber o Símbolo da nossa Fé apostólica e da Oração que Jesus nos ensinou. Durante a celebração (missa), não se explica nada, nem se faz “catequese”. Aliás, se um símbolo precisar de explicação é porque ele não simboliza aquilo que queremos. A união da Catequese e da Liturgia passa pelo profundo respeito que se deve ter por ambas as ações. A catequese ensina e orienta, a Liturgia celebra.

E aqui entra um outro assunto que são as demais entregas que é costume se fazer em alguns lugares, durante a missa da catequese: “Mandamento do Amor”, “Mandamentos do Senhor”, “Bem-Aventuranças” e outras invenções catequéticas. Sim, são “invenções” da catequese, não estão disciplinadas pelo RICA e, portanto, não passaram pelo crivo da Sé Apostólica. Nada contra que se faça. Cada paróquia, junto com o pároco, equipe de liturgia e equipe de catequese podem fazê-las. No entanto, fogem totalmente do aspecto litúrgico da missa. Pior ainda se forem feitas sem uma catequese anterior a respeito, sem que a comunidade entenda o que se está fazendo e misturado com os ritos do catecumenato.  Estas pequenas celebrações são maravilhosas se forem feitas NA CATEQUESE, como “celebração catequética” após cada término de assunto, revestidos de sentido mistagógico, contemplativo e orante.

E devemos pensar também, que tudo que fazemos e “inventamos” precisa ser visto com um profundo respeito pela comunidade e assembleia. A missa tem seus ritos próprios, sua condução normal. Dura em média uma a uma hora e meia. Nesta missa temos crianças que, por natureza, são impacientes e inquietas. Pense-se então que, qualquer coisa que leve a uma missa prolongada além do normal, vai gerar insatisfação e inconveniência para os pais. “Ah! Que cristãos são esses que não tem tempo para Deus?” E aí queremos usar o tempo da missa para fazer a catequese que não conseguimos fazer no lugar e hora dela…

Vamos pensar sempre que, vivemos numa mudança de época e não numa época de mudanças onde as pessoas tem que se adequar a Igreja. A Igreja é que tem que se adequar aos novos tempos. E, infelizmente para nós e Deus, o tempo é de pressa.

 

Angela Rocha/Catequista

RICA – Ritual da Iniciação Cristã de Adultos.  Você encontra nas livrarias católicas, na Paulinas, na Paulus, nas Edições CNBB e outras.

 

CATEQUISTAS EM FORMAÇÃO

Fonte:http://www.catequistasemformacao.com/

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz

Catequese do Papa: sinais que caracterizam o Ano da Misericórdia

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

brasão do Papa FranciscoDomingo passado foi aberta a Porta Santa na Catedral de Roma, a Basílica de São João Latrão, e se abriu a Porta da Misericórdia na Catedral em todas as dioceses do mundo, também nos santuários e nas igrejas indicadas pelos bispos. O Jubileu é em todo o mundo, não somente em Roma. Quis que este sinal da Porta Santa fosse presente em cada Igreja particular, para que o Jubileu da Misericórdia possa se tornar uma experiência partilhada por cada pessoa. O Ano Santo, deste modo, tomou o caminho em toda a Igreja e é celebrado em todas as dioceses, como em Roma. Também, a primeira Porta Santa foi aberta justamente no coração da África. E Roma, bem, é o sinal visível da comunhão universal. Possa essa comunhão eclesial se tornar sempre mais intensa, para que a Igreja seja no mundo o sinal vivo do amor e da misericórdia do Pai.

Também a data de 8 de dezembro quis destacar essa exigência, relacionando, a 50 anos de distância, o início do Jubileu com a conclusão do Concílio Ecumênico Vaticano II. De fato, o Concílio contemplou e apresentou a Igreja à luz do mistério da comunhão. Espalhada em todo o mundo e articulada em tantas Igrejas particulares é, porém, sempre e somente a única Igreja de Jesus Cristo, aquela que Ele quis e pela qual ofereceu a Si mesmo. A Igreja “una” que vive da comunhão própria de Deus.

Este mistério de comunhão, que torna a Igreja sinal do amor do Pai, cresce e amadurece no nosso coração, quando o amor, que reconhecemos na Cruz de Cristo e no qual nos imergimos, nos faz amar como nós mesmos somos amados por Ele. Trata-se de um Amor sem fim, que tem a face do perdão e da misericórdia.

Porém a misericórdia e o perdão não devem permanecer belas palavras, mas realizar-se na vida cotidiana. Amar e perdoar são os sinais concretos e visíveis de que a fé transformou os nossos corações e nos permite exprimir em nós a vida própria de Deus. Amar e perdoar como Deus ama e perdoa. Este é um programa de vida que não pode conhecer interrupções ou exceções, mas nos leva a ir sempre além sem nunca nos cansarmos, com a certeza de sermos sustentados pela presença paterna de Deus.

Este grande sinal da vida cristã se transforma depois em tantos outros sinais que são característicos do Jubileu. Penso em quantos atravessaram uma das Portas Santas, que neste Ano são verdadeiras Portas da Misericórdia. A Porta indica o próprio Jesus que disse: “Eu sou a porta: se alguém entra através de mim, será salvo; entrarás e sairás e encontrarás pastagem” (Jo 10, 9). Atravessar a Porta Santa é o sinal da nossa confiança no Senhor Jesus que não veio para julgar, mas para salvar (cfr Jo 12, 47). Estejam atentos para que não haja alguém um pouco ligeiro ou muito espertalhão que diga a vocês que se deve pagar: não! A salvação não se paga. A salvação não se compra. A Porta é Jesus, e Jesus é grátis! Ele mesmo fala daqueles que faz entrar não como se deve e, simplesmente, diz que são ladrões e bandidos. Então estejam atentos: a salvação é gratuita. Atravessar a Porta Santa é sinal de uma conversão do nosso coração. Quando atravessamos aquela Porta é bom recordar que devemos ter escancarada também a porta do nosso coração. Eu estou diante da Porta Santa e peço: “Senhor, ajude-me a escancarar a porta do meu coração!”. Não teria muita eficácia o Ano Santo se a porta do nosso coração não deixasse passar Cristo que nos leva a ir rumo aos outros, para levá-Lo e levar o seu amor. Portanto, como a Porta Santa permanece aberta, porque é o sinal do acolhimento que o próprio Deus nos reserva, assim também a nossa porta, aquela do coração, esteja sempre escancarada para não excluir ninguém. Nem mesmo aquele ou aquela que me incomoda: ninguém.

Um sinal importante do Jubileu é também a Confissão. Aproximar-se do sacramento com o qual somos reconciliados com Deus equivale a fazer experiência direta da sua misericórdia. É encontrar o Pai que perdoa: Deus perdoa tudo. Deus nos compreende mesmo nos nossos limites, nos compreende também nas nossas contradições. Não somente, Ele com o seu amor nos diz que justamente quando reconhecemos os nossos pecados nos é ainda mais próximo e nos encoraja a olhar adiante. Diz mais: que quando reconhecemos os nossos pecados e pedimos perdão, há festa no Céu. Jesus faz festa: esta é a Sua misericórdia: não desanimemos. Adiante, adiante com isso!

Quantas vezes ouvi dizer: “Padre, não consigo perdoar o vizinho, o companheiro de trabalho, a vizinha, a sogra, a cunhada”. Todos ouvimos isso: “Não consigo perdoar”. Mas como se pode pedir a Deus para nos perdoar se depois nós não somos capazes de perdão? E perdoar é uma coisa grande, ainda não é fácil, perdoar, porque o nosso coração é pobre e só com as suas forças não pode fazê-lo. Se, porém, nos abrimos para acolher a misericórdia de Deus para nós, por nossa vez nos tornamos capazes de perdão. Tantas vezes ouvi dizer: “Mas, aquela pessoa eu nem podia ver: eu a odiava. Mas um dia, me aproximei do Senhor e lhe pedi perdão pelos meus pecados e também perdoei aquela pessoa”. Essas são coisas de todos os dias. E temos próxima a nós essa possibilidade.

Portanto, coragem! Vivamos o Jubileu começando com estes sinais que comportam uma grande força de amor. O Senhor nos acompanhará para nos conduzir a fazer experiência de outros sinais importantes para a nossa vida. Coragem e adiante!

Fonte: Rádio Vaticana/Boletim da Santa Sé 

Adaptação : Portal Terra de Santa Cruz