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Quaresma e Campanha da Fraternidade por Dom Pedro Cunha Cruz – Bispo da Campanha/MG

          O tempo da quaresma como renovação da vida cristã, nos convida a reencontrar o nosso verdadeiro rosto cristão através da oração e caridade, a fim de modelarmos nossa imagem de Cristo; deste modo é que poderemos viver uma comunhão, mas profunda nos seus mistérios d morte e ressurreição. É tempo de nós percorrermos o itinerário batismal da penitência e conversão. Tempo liturgicamente forte de mudança de vida, que nos insere ainda mais nos Mistérios de Cristo. Por isso, este tempo é de alegria, pois iniciamos nossa caminhada rumo à páscoa de nosso salvador Jesus Cristo. Os quarenta dias que percorreremos é um tempo de graça e de bênção, marcado pela escuta da palavra de Deus; da reconciliação com Deus e com os irmãos. Tempo de oração, jejum, partilha e gestos solidários, de direcionamentos a misericórdia de Deus aos mais necessitados.

             A campanha da fraternidade se insere exatamente neste tempo quaresmal, pois visa gerar para os fiéis e a sociedade uma conversão pessoal, comunitária e social. A campanha da fraternidade deste ano de 2017 tem como tema: “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”. “E como lema: Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15). Entendemos que a conversão quaresmal é , ao mesmo tempo, um voltar-se para Deus, para o próximo e para a vida da criação que nos cerca. A conversão e a adesão à vida de fé em Jesus Cristo implicam uma nova postura diante da realidade em que se encontra a vida nos diversos biomas brasileiros. Neste sentido, a igreja com esta proposta quer conscientizar a todos no cuidado da criação. Ela tem consciência que sua missão de evangelizar inclui e prioriza a defesa da vida como Dom de Deus.

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        Um bioma é um conjunto de vida (animal e vegetal). É formado por todos os seres vivos de uma determinada região 9cf. (Texto-base da CF2017, p.14). São espaços de vida que geram mais vida. A qualidade da vida humana depende, sobretudo, destes biomas. A destruição dele é também a destruição da vida humana. Evangelizar é também priorizar a defesa e a promoção da vida como dom de Deus; e esta será sempre a missão da igreja no mundo. Ela quer que tomemos consciência de sua existência e da necessidade de preservá-lo; que contemplamos a obra da criação e cuidemos da beleza e riqueza de nossa casa comum.

          Sem sombra de dúvida, a campanha da fraternidade deste ano se insere na encíclica do papa Francisco “Laudato Si”, onde sobressai a proposta ecológica integral do Papa ao entrelaçar todas as dimensões do ser humano com a natureza. Cabe ainda dizer que a natureza criada nos fala de Deus, é um dom de Deus, da qual nós seres humanos somos parte integrante, mas também seus zeladores e cultivadores. Promovendo o cuidado com a natureza para que todas as pessoas tenham mais vida, o Papa propõe a conversão ecológica ao dizer: “A crise ecológica é um apelo a uma profunda conversão interior… uma conversão ecológica, que comporta deixar emergir, nas relações com o mundo que nos rodeiam, todas as consequências do encontro com Jesus” (LS 217).

        Por fim, o objetivo da igreja com o referido tema da Campanha da Fraternidade é o de chamar a atenção para os desafios e problemas ecológicos, suas causas e possíveis caminhos de superação, sempre à luz da fé. Afinal a criação e os biomas brasileiros são dons de Deus dados a nós que ocupamos o centro de sua obra criada. Ter consciência da riqueza da biodiversidade que abrange nosso território brasileiro não nos basta; é importante empenharmos todos os seguimentos cristãos e os homens de boa vontade na preservação e defesa das riquezas naturais para o bem-estar de nosso estimado povo brasileiro.

Uma santa Quaresma a todos

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Dom Pedro Cunha Cruz – Bispo Diocesano da Campanha-MG

Por Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização 

Série Biomas Brasileiros: Conheça o Bioma Pampa – CF2017

BIOMA PAMPA: LOCALIZAÇÃO

O bioma pampa está presente, no Brasil, somente no Rio Grande do Sul, ocupando 63% do território do Estado. Ele constitui os pampas sul-americanos, que se estendem pelo Uruguai e pela Argentina e, internacionalmente, são classificados de Estepe. O pampa é marcado por clima chuvoso, sem período seco regular e com frentes polares e temperaturas negativas no inverno.

Esse bioma é bastante influenciado pelo clima subtropical e pela formação do relevo, que é constituído principalmente por planícies. Em virtude do clima frio e seco, a vegetação não consegue desenvolver-se, sendo constituída principalmente por gramíneas, como capim-barba-de-bode, capim-gordura, capim-mimoso etc.

Esse tipo de paisagem apresenta dois tipos bem definidos:

1-Campos Limpos – Ocorrem quando a vegetação não apresenta arbustos, ganhando uma paisagem mais homogênea, sem diferenças muito grandes entre uma parte e outra.

2-Campos sujos – Ocorrem quando há uma maior presença desses arbustos, que se misturam à paisagem.

CARACTERÍSTICAS NATURAIS – biodiversidade

A vegetação predominante do pampa é constituída de ervas e arbustos, recobrindo um relevo nivelado levemente ondulado. Formações florestais não são comuns nesse bioma e, quando ocorrem, são do tipo floresta ombrófila densa (árvores altas) e floresta estacional decidual (com árvores que perdem as folhas no período de seca).

As estimativas indicam valores em torno de três mil espécies de plantas. A fauna é expressiva, com quase 500 espécies de aves. Também ocorrem mais de 100 espécies de mamíferos. O vento é uma das características marcantes do cenário dos pampas.

A progressiva introdução e expansão das monoculturas e das pastagens com espécies exóticas têm levado a uma rápida degradação e descaracterização das paisagens naturais do bioma Pampa. Estimativas de perda de habitat dão conta de que em 2002 restavam 41,32% e em 2008 restavam apenas 36,03% da vegetação nativa do Bioma Pampa.

OS POVOS ORIGINÁRIOS E A CULTURA – sociodiversidade

Os primeiros europeus a ocupar o Rio Grande do Sul foram os jesuítas espanhóis vindos do Paraguai que fugindo dos bandeirantes paulistas se estabeleceram na parte noroeste do estado trazendo indígenas e gado bovino. Esse gado recém-chegado era criado solto. Não havia nenhum rigor ou cuidado especial já que muito bem adaptado o gado crescia livre alimentando-se de vastas pastagens.

No século XVIII os negros chegam ao Rio Grande do Sul, participando das lavouras de trigo, nas charqueadas e nas estâncias de criação, assim como a ocupação da região da campanha pelos portugueses devido ao tratado de Madri.

A partir do século XIX iniciou-se o cercamento dos campos, provocando importantes mudanças no modo de vida do gaúcho. Surgem as fazendas, o que muda as relações familiares. Também o caráter principal da subsistência cede lugar à fazenda com função comercial.

A mulher tem assumido seu papel na conservação do Pampa. Em épocas passadas elas eram responsáveis pelas lidas domésticas, alimentação da família e cuidado com os filhos. As mulheres dos peões além de trabalharem em suas casas também trabalhavam na casa dos patrões e muitas ainda na agricultura para autoconsumo.

Atualmente, muitas mulheres rurais nos Pampas são responsáveis e mantenedoras da economia doméstica, organizando-se em cooperativas, lidando com a pecuária de leite, artesanato, etc. Também muitas delas são conhecedoras das ervas medicinais e dos processos de curas naturais auxiliando na preservação dos recursos naturais.

A ovinocultura, tanto pelo uso da carne como da lã, ainda é a mais forte tradição da região Pampa, mas sua principal atividade continua sendo a criação do gado bovino. O chimarrão, o churrasco, a música de fronteira, são riquezas que permanecem mesmo em tempos da industria cultural.

A BELEZA, AS FRAGILIDADES E OS DESAFIOS DO BIOMA PAMPA

Esse bioma é bastante influenciado pelo clima subtropical e pela formação do relevo, que é constituído principalmente por planícies. Em virtude do clima frio e seco, a vegetação não consegue desenvolver-se, sendo constituída principalmente por gramíneas, como capim-barba-de-bode, capim-gordura, capim-mimoso etc. São exemplos de animais que vivem nesse bioma o veado, garça, lontras, capivaras e outros.

Entre os desafios e as fragilidades do bioma Pampa estão as iniciativas governamentais que contrariam a vocação natural da região para a pecuária e o turismo. Estas iniciativas incluem grandes plantios de pinus e eucaliptos que causam impactos ambientais, tais como: alteração dos recursos hídricos; interferência no regime dos ventos e de evaporação.

Outras preocupações que ameaçam o bioma Pampa são a ampliação da área de soja, trigo e arroz e a cultura da mamona para a elaboração de biocombustível. Há ainda a antiga e constante ameaça da mineração e queima de carvão mineral, o que aumenta a incidência e frequência de doenças pulmonares.

CONTEXTUALIZAÇÃO POLÍTICA

É no Pampa que existe a grande maioria dos latifúndios do Rio Grande do Sul que, além da criação de gado, apostam na monocultura de eucalipto, acácia e pinus. Estes monocultivos são denominados pelos Movimentos Sociais de “Deserto Verde”, exatamente porque são extremamente nocivos ao meio ambiente, prejudicando a fauna e a flora originais do Pampa.

É importante destacar que, apesar de ser região latifundiária, há muitas famílias de pequenos agricultores, indígenas, quilombolas.

CONTRIBUIÇÃO ECLESIAL

A Igreja está presente na região desde a primeira evangelização, mas com características muito próprias. Foi ali que os missionários jesuítas fundaram “As Missões dos Sete Povos”. Nos últimos anos, seja pela presença das Pastorais Sociais, das Semanas Sociais, das Campanhas da Fraternidade, das CEBs, muito se valoriza a agricultura familiar, os territórios das comunidades tradicionais e os remanescentes indígenas.

Texto Base CF2017

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização

Série Biomas Brasileiros: Conheça o Bioma Mata Atlântica – CF2017

BIOMA MATA ATLÂNTICA 

A Mata Atlântica abrangia  uma área equivalente a 1.315.460 quilômetros quadrados e estendia-se originalmente por 17 estados. Hoje restam 8,5% de remanescentes florestais. Atualmente, somados todos os fragmentos de floresta acima de 3 hectares, temos 12,5% da sua área original.

Desde o descobrimento do Brasil a Mata Atlântica vem sendo destruída. O pau-brasil, característico dela, foi o principal alvo da extração e exploração daqueles que colonizavam o Brasil.

Os relatos antigos falam de uma floresta aparentemente intocada, apesar de habitada por vários povos indígenas. Hoje a concentração urbana neste bioma abriga a maioria das capitais litorâneas e regiões metropolitanas. Nestas regiões o saneamento básico ainda é um sonho para muitos.

CARACTERÍSTICAS NATURIAS – biodiversidade

Seu principal tipo de vegetação é a floresta normalmente composta por árvores altas e relacionada a um clima quente e úmido. A Mata Atlântica já foi um dos mais ricos e variados conjuntos florestais pluviais da América do Sul, mas atualmente é reconhecida como o bioma brasileiro mais descaracterizado. Isso porque os primeiros episódios de colonização no Brasil e os ciclos de desenvolvimento do país levaram o homem a ocupar e destruir parte desse espaço.

Vivem na Mata Atlântica mais de 220 mil espécies de plantas, sendo 8 mil endêmicas (que existe somente em uma determinada área ou região geográfica); 270 espécies conhecidas de mamíferos; 992 espécies de aves; 197 répteis; 372 anfíbios; 350 peixes.

A pressão sobre a Mata Atlântica é histórica e ao longo do tempo muda de aspecto e aumenta em intensidade. Começa com a extração do pau-brasil, passa por vários ciclos econômicos de cana de açucar, café, ouro, fumo. A devastação total da araucária ocorreu a partir do século XX com a intensa exploração da agricultura e agropecuária, assim como a expansão urbana desordenada.

OS POVOS ORIGINÁRIOS E A CULTURA – sociodiversidade

Originalmente, os povos Tamoio, Temininó, Tupiniquim, Caetés, Tabajara, Potiguar, Pataxó e Guarani ocupavam esse imenso território litorâneo. Foram eles os primeiros a sofrerem com a chegada dos colonizadores. Os brancos além de espelhar doenças, usaram os índios como escravos e soldados nas guerras.

Hoje, milhares de comunidades tradicionais pesqueiras dependem dos manguezais para sua reprodução física e cultural. Para as comunidades pesqueiras o manguezal não é apenas um lugar que se retira o sustento, mas é espécie de lugar sagrado. Há um rito de profundo respeito às águas, a lama, ao cheiro, a fauna e flora existentes nos manguezais de modo que se institui uma linguagem própria e uma cosmovisão específica da criação.

Entre as interferências no processo cultural do bioma Mata Atlântica estão as empresas nacionais e transnacionais. Elas investem na monocultura do eucalipto, o que provoca, em vários estados brasileiros, o “deserto verde”.

Outra situação preocupante  é que grande parte do que resta da Mata Atlântica está nas mãos de proprietários particulares, que precisam ser conscientizados sobre a necessidade da preservação do bioma Mata Atlântica.

A BELEZA, AS FRAGILIDADES

E OS DESAFIOS DO BIOMA MATA ATLÂNTICA

Das 633 espécies de animais ameaçados de extinção no Brasil, 383 ocorrem na Mata Atlântica. Junto a esta preocupação estão as grandes cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Porto Alegre e outras que padecem de desmoronamentos e a falta de saneamento básico. A concentração populacional na área urbana leva à ocupação em áreas de risco, de mananciais e encostas de morros. Os serviços de tratamento de esgoto, resíduos sólidos ainda são muito precários o que aumenta a degradação do ambiente. O maior problema deste e de outros biomas são as consequências de um modelo econômico que para gerar riqueza tem que concentrar pessoas e destruir o ambiente no qual se insere.

CONTEXTUALIZAÇÃO POLÍTICA

A ganância capitalista, conivência do poder público e falta de consciência ecológica tem provocado a degradação do meio ambiente e a expulsão de diversas comunidades. A ausência do saneamento básico é outra grave ameaça. Grande parte dos esgotos das residências de áreas urbanas e rurais é despejada diretamente nos rios, no mar e nos mangues.

A falta do comprometimento político em relação ao uso e ao cuidado da água tem gerado consequências sentidas pela população nestes últimos anos com a baixa do espelho d´água em muitos reservatórios (represas) e consequente racionamento do líquido da vida.

CONTRIBUIÇÃO ECLESIAL

Com a chegada dos primeiros missionários jesuítas, Padre Manoel da Nóbrega, José de Anchieta e outros, deu-se início ao processo de aldeamento, a construção de conventos e colégios. Também outras ordens religiosas e congregações deram a sua contribuição: os franciscanos, beneditinos, carmelitas e outros.

Não podemos deixar de lembrar também das pastorais sociais, com atuação nos diversos seguimentos da sociedade, defendendo a vida, nas várias instâncias em que ela é ameaçada pelo modelo econômico em desenvolvimento.

Texto Base – CF2017

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização 

Série Biomas Brasileiros: Conheça o Bioma Cerrado – CF2017

BIOMA Cerrado: LOCALIZAÇÃO

O Cerrado tem duas estações climáticas bem definidas: chuvosa e seca. O solo, de composição arenosa, é considerado o bioma brasileiro mais antigo. Sua vegetação é encontrada na região Centro-Oeste e também na região oeste de Minas Gerais e das regiões sul do Maranhão e do Piauí. Nesta área vivem 22 milhões de pessoas.

CARACTERÍSTICAS DO CERRADO

É no Cerrado que está a nascente das três maiores bacias da América do Sul (Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata), o que resulta em elevado potencial aquífero e grande biodiversidade. Esse bioma abriga mais de 6,5 mil espécies de plantas já catalogadas.

No Cerrado predominam formações da savana e clima tropical quente subúmido, com uma estação seca e uma chuvosa e temperatura média anual entre 22°C e 27°C.

Além dos planaltos, com extensas chapadas, existem nessas regiões florestas de galeria, conhecidas como mata ciliar e mata ribeirinha, ao longo do curso d’água e com folhagem persistente durante todo o ano; e a vereda, em vales encharcados e que é composta de agrupamentos da palmeira buriti sobre uma camada de gramíneas (estas são constituídas por plantas de diversas espécies, como gramas e bambus).

CERRADO – Caixa d´água do Brasil

Embora o Cerrado não produza água, ele acumula as águas das chuvas em seu subsolo poroso, principalmente as vindas dos “rios aéreos” amazônicos. Assim, os biomas Amazônico e Cerrado se unem perfeitamente para a produção e distribuição da água para o Brasil.

BIODIVERSIDADE

O conjunto de todos os seres vivos do bioma Cerrado representa 5% da fauna mundial. A alta diversidade de ambientes se reflete em uma elevada riqueza de espécies vegetais (23.000) e animais (320.000), sendo que 90.000 são de insetos. Entretanto há que se alertar que das 427 espécies listadas em risco de extinção, 132 estão no Cerrado.

OS POVOS ORIGINÁRIOS E A CULTURA – sociodiversidade

Os indígenas, primeiros habitantes do Cerrado, junto com os camponeses, constituem os grupos importantes no Cerrado. Denomina-se camponês aquele agricultor que possui autoidentidade reconhecida como povos e comunidades tradicionais. São eles os guardiões do patrimônio ecológico e cultural deste bioma.

BELEZA, FRAGILIDADES E DESAFIOS DO BIOMA CERRADO

É o bioma Cerrado que abastece a bacia do Rio São Francisco. Um bioma tão antigo mostra-se frágil em sua capacidade de resistência e regeneração. A mão humana pode extinguir rapidamente um dos biomas mais antigos da face da terra.

REALIDADE POLÍTICA E OS DESAFIOS DO CERRADO

Com o pretexto da defesa e preservação da Amazônia, avança sobre o Cerrado a ocupação desordenada em vista da exploração econômica, com a destruição da biodiversidade e ameaça à vida e à cultura dos povos originários e comunidades tradicionais. Amparados por decisões governamentais de caráter duvidoso, o agronegócio avança sobre o bioma cerrado, principalmente para exploração do solo e aproveitamento desordenado das águas no subsolo. O agronegócio produz amplo desmatamento, sequestram a terra dos povos e comunidades tradicionais, modificam a química do solo, além de alterar o regime das águas, trazendo grande prejuízo a todo o território brasileiro. O que é preocupante é que o Cerrado, uma vez destruído, não se reconstitui.

O cerrado é o ecossistema brasileiro que mais sofreu alteração com a ocupação humana. A atividade garimpeira, por exemplo, intensa na região, contaminou os rios de mercúrio e contribuiu para seu assoreamento. A mineração favoreceu o desgaste e a erosão dos solos. Nos últimos 30 anos, a pecuária extensiva, as monoculturas e a abertura de estradas destruíram boa parte do cerrado. Hoje, menos de 2% está protegido em parques ou reservas.

CONTRIBUIÇÃO ECLESIAL

A Igreja Católica está empenhada na aprovação da Proposta de Emenda Constitucional –PEC 115/150 -, que inclui o Cerrado e a Caatinga como Patrimônios Nacionais. Também produz material popular para ativar a consciência da preservação ambiental junto às comunidades.

Texto Base – CF2017

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização 

Série Biomas Brasileiros: Conheça o Bioma Caatinga – CF2017

BIOMA CAATINGA: LOCALIZAÇÃO

A Caatinga, cujo nome é de origem indígena e significa “mata clara e aberta”, encontra-se envolvida pelo clima semiárido entre a estreita faixa da Mata Atlântica e o Cerrado.  É um bioma exclusivamente brasileiro, que abrange territórios de 8 estados do Nordeste e o Norte de Minas Gerais, onde vivem 27 milhões de pessoas.

CARACTERÍSTICAS NATURAIS – Biodiversidade

A Caatinga apresenta uma grande riqueza de ambientes e espécies, que não é encontrada em nenhum outro bioma. A seca, a luminosidade e o calor característicos de áreas tropicais resultam numa vegetação de savana estépica, espinhosa e decidual (quando as folhas caem em determinada época). Há também áreas serranas, brejos e outros tipos de bolsão climático mais ameno.

Esse bioma está sujeito a dois períodos secos anuais: um de longo período de estiagem, seguido de chuvas intermitentes e um de seca curta seguido de chuvas torrenciais (que podem faltar durante anos). Dos ecossistemas originais da caatinga, 80% foram alterados, em especial por causa de desmatamentos e queimadas.

Com 70% do seu subsolo formado por rochas cristalinas, o bioma Caatinga tem poucas nascentes e rios perenes, portanto, poucos aquíferos. Com o que diz respeito à fauna, o bioma Caatinga abriga 178 espécies de mamíferos, 591 tipos de aves, 177 tipos de répteis, 79 espécies de anfíbios, 241 classes de peixes e 221 espécies de abelhas.

OS POVOS ORIGINÁRIOS E A CULTURA – sociodiversidade

Aproximadamente 40% da população do Bioma Caatinga ainda está no meio rural, sendo considerada a região mais ruralizada do Brasil. Entretanto, a ampliação dos centros urbanos médios e pequenos na Caatinga crescem, como em todas as regiões do Brasil e padecem dos mesmos problemas de saneamento, violência e outros males dos centros urbanos brasileiros.

A BELEZA, AS FRAGILIDADES E OS DESAFIOS DO BIOMA CAATINGA

A caatinga, por ser uma vegetação geralmente baixa, favorece a apicultura. É também  a vegetação baixa o melhor alimento para a criação de animais de pequeno e médio porte como cabras, ovelhas e outros adaptados ao clima semiárido.

Este bioma tem sido agredido pelas queimadas e pelo desmatamento para plantio de culturas que raramente se adaptam adequadamente como o caso do ciclo do algodão. Outras causas do desmatamento são o gado bovino solto nas caatingas e a geração de madeira para a indústria de gesso e para as carvoarias. O desmatamento gera a desertificação provocada pela economia irresponsável e predadora.

CONTEXTUALIZAÇÃO POLÍTICA

A partir da década de 90 do século passado foi abandonada a ideia de lutar contra a seca – característica do bioma caatinga – e passou-se a difundir a ideia de aprender a conviver com o semiárido. Esta mudança de ideia promoveu a captação da água da chuva para beber, da defesa dos territórios das comunidades tradicionais e indígenas, valorização da cultura local, dos saberes dos povos caatingueiros, do aproveitamento da energia solar, dos ventos e outros potenciais da região. Também se expandiu a rede de infraestrutura social, como energia elétrica, adutoras, telefonia, internet, etc. Contudo, há ainda a debilitada infraestrutura da saúde, violência no campo e a presença das drogas nas cidades interioranas. A insegurança no campo tem provocado a migração para as áreas urbanas. 

CONTRIBUIÇÃO ECLESIAL

As festas de São João, rodas de São Gonçalo, celebrações da Quaresma e Semana Santa são marcas da religiosidade popular da caatinga. Padre Ibiapina, um cearense, aproveitou-se desta religiosidade popular para implantar várias resoluções dos problemas do povo. Ainda no século XIX ele concretizou a captação da água das chuvas nas cisternas nas casas da Caridade, onde se acolhiam enfermos, mulheres grávidas e viajantes.

Seguiram os passos do religioso cearense o padre Cícero e muitos de seus discípulos que souberam acolher o povo liberto da escravidão e remanescentes indígenas, fundando comunidades como Caldeirão no Crato (CE) e Canudos (BA).

Atualmente se observa que a vida de fé das comunidades cristãs neste bioma é marcada pela piedade popular, que se caracteriza pela devoção e pelas romarias nos expressivos santuários da região, como Bom Jesus da Lapa (BA), Santuário Frei Damião (PB), Santuário de São Francisco, em Canindé (CE), etc. Não podemos deixar de citar que experiências da ação evangelizadora como a Campanha da Fraternidade e CEBs, surgiram na região Nordeste.

Biomas brasileiros CF 2017 texto base – resumo para estudo / Gênesis 2,15 

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização

Série Biomas Brasileiro: Conheça o Bioma Amazônia – CF2017

A Igreja Católica há algum tempo, tem sido voz profética a respeito da questão ecológica. Neste início do terceiro milênio, ter uma população de mais de 200 milhões de brasileiros, sendo mais de 160 milhões vivendo em cidades gera sérias preocupações. O impacto dessa concentração populacional sobre o meio ambiente produz problemas que põem em risco as riquezas dos biomas brasileiros.

À luz da fé, nos interrogaremos nas reflexões desta Campanha da Fraternidade de 2017 sobre o significado dos desafios apresentados pela situação atual dos biomas e dos povos que neles vivem. E abordaremos as principais iniciativas já existentes para a manutenção de nossa riqueza natural básica. Apontaremos propostas sobre o que podemos e devemos fazer em respeito à criação que Deus nos deu para cultivá-la e guardá-la.

Confira abaixo uma pequena formação sobre o Bioma Amazônia 

Bioma Amazônia: Localização

A Amazônia, maior bioma do Brasil, ocupa 61% do território nacional – formado pelos estados da região norte: Acre, Amapá, Amazonas, Pará e Roraima, Rondônia e Tocantins. A Lei n. 1806 de 1953 inseriu neste bioma os estados do Mato Grosso e Maranhão, criando a Amazônia Legal.

CARACTERÍSTICAS NATURAIS BIODIVERSIDADE

O bioma Amazônia é marcado pela maior hidrográfica de água doce do mundo, a bacia amazônica. Seu principal rio, o Amazonas, lança no Oceano Atlântico cerca de 175 milhões de litros d´água a cada segundo, levando nas águas materiais orgânicos e sedimentos que geram no oceano biodiversidade marinha, colaborando para a temperatura do planeta. Também há o rio aéreo (evapotranspiração) que leva água em forma de vapor pela região Centro-Oeste, Sul, Sudeste do Brasil.

A vegetação característica do bioma Amazônia é de árvores altas. Nas planícies que acompanham o Rio Amazonas e seus afluentes, encontram-se as matas de várzeas (periodicamente inundadas) e as matas de igapó (permanentemente inundadas). Estima-se que esse bioma abrigue mais da metade de todas as espécies vivas do Brasil.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE/2016) houve redução no processo de desmatamento da Amazônia, contudo, ainda continua e são mais de 700.000 quilômetros quadrados de desmatamento que continua a crescer. Nesta região vivem aproximadamente 24 milhões de pessoas, sendo que 80% delas nas áreas urbanas, sem saneamento básico e outras mazelas.

SOCIODIVERSIDADE DO BIOMA AMAZÔNIA

Há décadas os conflitos pelo território deste bioma geram mortes. Os conflitos e a violência contra os trabalhadores do campo se concentram de forma expressiva na Amazônia, para onde avança o capital tanto nacional como internacional. O manejo florestal passou a ser uma atividade na qual foram inúmeras as denúncias de trabalho escravo.

A expropriação privada de grandes áreas de terra continua sendo a principal causa de desmatamento. A pecuária é a principal atividade implantada nas áreas recentemente desmatadas. A construção de grandes hidrelétricas e atividades de mineração são responsáveis por boa parte dos danos ambientais e sociais nas comunidades.

CONTEXTUALIZAÇÃO POLÍTICA

O problema fundamental da Amazônia é o modelo de desenvolvimento adotado para a região. A disputa pelas riquezas faz com que a legislação flutue conforme os interesses das corporações econômicas que atuam na região.

A concentração urbana indica que a vida na floresta muitas vezes é inviabilizada para as populações originárias e tradicionais. Todas as lutas indígenas, de ribeirinhos, de quilombolas é sempre um passo a cada dia para manter seus territórios. Porém, mesmo contra a corrente do modelo, é graças a essas populações que ainda temos grande parte da floresta em pé.

CONTRIBUIÇÃO ECLESIAL

A Igreja Católica na Amazônia Legal vive e cresce no enraizamento na sabedoria tradicional e na piedade popular que durante séculos mantém viva a fé e a espiritualidade do povo da floresta. Diversos leigos, sacerdotes, religiosos (as) derramaram seu sangue em nome da dimensão sociotransformadora da fé, cuja defesa dessas populações e do meio ambiente foram seu principal esforço.

Biomas brasileiros CF 2017 (texto base) – resumo para estudo – Gênesis 2,15

PORTAL TERRA DE SANTA CRUZ – A SERVIÇO DA EVANGELIZAÇÃO 

Dom Pedro Cunha Cruz lança a CF2017 abrindo o tempo quaresmal na Diocese da Campanha

Fiéis lotaram a Catedral Diocesana de Santo Antônio em Campanha/MG na última quarta-feira 01 de março na Santa Eucaristia que marcou a abertura do tempo quaresmal e da Campanha da Fraternidade 2017 na diocese da Campanha com benção e imposição das Cinzas.

A santa missa foi celebrada por Vossa Excelência Reverendíssima Dom Pedro Cunha Cruz, bispo titular da Diocese da Campanha. Concelebrou a solene eucaristia, o Reverendíssimo Cônego Luzair Coelho de Abreu, chanceler do bispado da Campanha, pároco e Cura da Catedral de Santo Antônio e pelo Reverendo Padre Edson Pereira Oliveira, reitor do seminário propedêutico São Pio X e vigário paroquial. Esteve presente também o Senhor Diácono Wendel Rezende como toda comunidade paroquial.

Em sua homilia Dom Pedro destacou a conversão verdadeira para uma nova vida. O tempo da quaresma é quarenta dias que percorremos buscando a graça da conversão espiritual, comunitária e social. É um tempo marcado pela escuta da palavra de Deus; da reconciliação com Deus e com os irmãos. É o renovar d avida cristã. Destacou e explicou o sentido da imposição das cinzas e se alegrou em ver a quantidade de pessoas presentes na celebração como também nas outras que ocorreram no decorrer da última quarta-feira (Cinzas). Dom Pedro aproveita a ocasião para firmar um compromisso com fiéis, lançando um desafio a todos, pedindo-lhes que façam deste tempo quaresmal um bom e santo retiro espiritual e indicando o caminho para que possam bem viver este tempo; participando das celebrações dominicais, buscando a confissão e o perdão; um conhecimento e aprofundamento intenso na santa palavra de Deus através das liturgias de cada domingo da quaresma.

Destaque para Campanha da Fraternidade 2017 que se se insere exatamente neste tempo quaresmal, pois visa gerar para os fiéis e a sociedade uma conversão pessoal, comunitária e social. Neste sentido a igreja quer conscientizar a todos sobre o cuidado da criação, o cuidado com a casa comum através dos biomas brasileiros. A igreja tem consciência que a sua missão no processo de evangelização dos povos, inclui e prioriza a defesa da vida como dom e presente de Deus.

Veja a homilia completa de Dom Pedro no vídeo abaixo

Após a homilia, seguiu-se o rito de bênção e imposição das cinzas. As cinzas nos lembram de que, somos pó, do pó viemos, e pó voltará a ser, “convertei-vos e credes no evangelho” logo após seguiu-se o rito da celebração.

Ao final da santa missa, Dom Pedro leu a mensagem enviada pelo santo padre o Papa Francisco aos fiéis do Brasil por ocasião da Campanha da Fraternidade 2017, que este ano nos trás o tema: Fraternidade Biomas brasileiros e defesa da vida; e o lema: “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2, 15) por fim, com base na CF2017 o senhor Bispo faz um apelo para que defendamos o Circuito das águas presente em nossa região diocesana e o nosso solo rico em minérios abrangendo todo nosso estado de Minas Gerais.

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Por Bruno Henrique/ Gestor do Portal Terra de Santa Cruz