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10 anos da Visita de Bento XVI – Jovem, lembra o que o Papa disse a você no Pacaembu?

Você pode não se recordar, mas o Papa Bento XVI durante a passagem pelo Brasil deixou uma mensagem muito latente para a juventude. Depois de 10 anos, as palavras do Santo Padre no Pacaembu, no encontro com 40 mil jovens de todo o país, ainda se fazem atuais. Talvez você não fosse jovem ainda naquela época ou não lembra ao certo o que foi dito pelo Papa. Então, recordamos alguns dos trechos desse momento singular para a juventude no Brasil.

Nas primeiras palavras, Bento já começou a conquistar os jovens. Ele disse que havia desejado ardentemente encontrar-se com a juventude na primeira viagem à América Latina. “Ontem pela tarde, ao sobrevoar o território brasileiro, pensava já neste nosso encontro no Estádio do Pacaembu, com o desejo de dar um grande abraço bem brasileiro a todos vós”. Depois dessas palavras, não tinha como não amar o Santo Padre.

Mas ele não disse só isso, não! Ele fez o apelo aos jovens para que não desperdiçassem a juventude e que não tentassem fugir dela. E pediu para que vivamos intensamente, nos consagrando aos elevados ideais da fé e da solidariedade humana.

“Vós, jovens, não sois apenas o futuro da Igreja e da humanidade, como uma espécie de fuga do presente. Pelo contrário: vós sois o presente jovem da Igreja e da humanidade. Sois seu rosto jovem. A Igreja precisa de vós, como jovens, para manifestar ao mundo o rosto de Jesus Cristo, que se desenha na comunidade cristã. Sem o rosto jovem a Igreja se apresentaria desfigurada”.

Por último, ele nos lembrou de que Cristo nos chama para sermos santos e que Ele quer andar conosco, para animar com nosso espírito os passos do Brasil neste início do terceiro milênio da era cristã. Ele encerrou pedindo que Senhora Aparecida nos conduzisse, com seu auxílio materno e nos acompanhasse ao longo da vida.

Uma década depois, vemos o quão atual são as palavras de Bento. E, depois dessas palavras fica o questionamento: O que estamos fazendo para ser essa juventude que o Santo Padre tanto almejou?

Allan Ribeiro – Jovens de Maria

Foto: Sérgio Andrade/Governo do Estado de São Paulo

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Criada a Sociedade Ratzinger do Brasil para estudar o pensamento do Papa Emérito

Criada durante a 55ª. Assembleia Geral da CNBB, a Sociedade Ratzinger do Brasil (SRB) tem como finalidade traduzir a “Joseph Ratzinger Opera Omnia” e divulga-la; promover atividades de estudo e pesquisa sobre a obra de Joseph Ratzinger – Papa Bento XVI, obras a respeito do seu pensamento e sobre temas por ele tratados; Realizar congressos, seminários, e cursos de atualização teológica; organizar encontros periódicos de caráter regional, nacional e internacional; realizar trabalhos interdisciplinares com outras sociedade e instituições teológicas congêneres; publicar obras científicas e de divulgação sobre a teologia de Joseph Ratzinger – Papa Bento XVI, se seu Magistério Pontifício.

Os membros fundadores podem admitir a entrada de novos sócios mediante as condições do Estatuto Social da Sociedade. O interesse no estudo do pensamento de Joseph Ratzinger, naturalmente, é uma das condições básicas. A sede da Sociedade se localiza no Setor de Grandes Áreas Nortes, Quadra 601, Módulos E/F, em Brasília (DF).

O Conselho Diretor da Sociedade ficou constituído com os seguintes membros: Cardeal Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo (SP); dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre (RS); Cardeal Raymundo Damasceno, arcebispo emérito de Aparecida (SP); Cardeal Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro (RJ); dom Murilo Sebastião Krieger, Primaz do Brasil e arcebispo de Salvador (BA) e dom Pedro Carlos Cipollini, bispo de Santo André (SP).

Para a presidência do Comitê Científico da Sociedade foi eleito o cardeal Sergio da Rocha, arcebispo de Brasília (DF) e presidente da CNBB. Para esse mesmo comitê foi eleito na função de secretário Monsenhor Luiz Catelan Ferreira, subsecretário de Pastoral da CNBB e assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé.

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Fundação vaticana
No Vaticano, há uma instituição semelhante, a Fundação Joseph Ratzinger – Papa Bento XVI. Presidida pelo Pe. Federico Lombardi, ex porta-voz do Papa Francisco, e tem como conselheiros o responsável pela Prefeitura Apostólica do Vaticano e secretário particular do Papa Emérito, o arcebispo Georg Gänswein; o padre salvatoriano Stephan Otto Horn, ex aluno e assistente universitário de Joseph Ratzinger na Alemanha e responsável pela sua obra; e o padre salesiano, diretor da Libreria Editrice Vaticana, Giuseppe Costa.

NATAL DO SENHOR: Papa visita Bento XVI para felicitações de Natal

O Papa Francisco foi até o Mosteiro Mater Ecclesia nos Jardins Vaticanos na tarde desta sexta-feira (23/12), para levar pessoalmente as suas felicitações de Natal a Bento XVI.

“O gesto é parte da simplicidade da relação entre o Santo Padre e o Papa Emérito”, lê-se numa comunicação interna da Rádio Vaticano.

Encontros públicos

O primeiro – histórico – foi o encontro em Castel Gandolfo, no dia 23 de março de 2013, quando Bento XVI e Francisco rezaram juntos por alguns momentos.

Depois disso, em 5 de julho de 2013, Bento XVI apareceu novamente ao lado de Francisco durante a inauguração de um monumento a São Miguel, nos Jardins Vaticanos.

Em 22 de fevereiro de 2014, durante o consistório para a criação de novos cardeais, a Basílica Vaticana teve pela primeira vez na história a presença de dois papas.

Ratzinger voltaria a encontrar o público – e Bergoglio – em 27 de abril de 2014, quando da canonização de São João Paulo II e São João XXIII, na Praça São Pedro.

Dois meses mais tarde, em 28 de setembro, a convite de Francisco, Bento XVI voltou à Praça São Pedro, onde participou do encontro com a terceira idade. O Papa emérito aparecera bem disposto, apesar de caminhar muito devagar e com a ajuda de uma bengala.

Sempre a convite do Papa Francisco, Bento XVI esteve novamente na Praça São Pedro em 19 de outubro de 2014, quando concelebrou o rito de beatificação do Papa Paulo VI.

Em 2015, Bento XVI voltou à Basílica de São Pedro, onde participou do consistório no qual Francisco criou 20 novos cardeais em 14 de fevereiro.

No final de 2015, Bento XVI passou a Porta Santa da Misericórdia da Basílica de São Pedro, aberta pelo Papa Francisco para o Jubileu, em 8 de dezembro.

Em 20 de novembro de 2016, Francisco foi até o Mosterio Mater Ecclesia, onde foi recebido pelo Papa emérito junto com os novos cardeais criados no Consistório do mesmo dia.

 

 

Por Rádio Vaticano 

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São Francisco, “Vai, e repara minha Igreja, que está em ruínas”

“Nasceu para o mundo um sol”: com estas palavras, na “Divina Comédia” (Paraíso, Canto XI), o máximo poeta italiano Dante Alighieri alude ao nascimento de Francisco, no final de 1181 ou início de 1182, em Assis. Pertencente a uma família rica – seu pai era comerciante de tecidos –, Francisco transcorreu uma adolescência e uma juventude despreocupadas, cultivando os ideais de cavalaria da época. Aos 20 anos, fez parte de uma campanha militar e foi preso. Ficou doente e foi libertado. Após sua volta a Assis, começou nele um lento processo de conversão espiritual, que o levou a abandonar gradualmente o estilo de vida mundano que havia levado até então. A este período correspondem os célebres episódios do encontro com o leproso, a quem Francisco, descendo do cavalo, deu o beijo da paz, e da mensagem do Crucificado na pequena igreja de São Damião.

Em três ocasiões, o Cristo na cruz adquiriu vida e lhe disse: “Vai, Francisco, e repara minha Igreja, que está em ruínas”. Este simples acontecimento da palavra do Senhor ouvida na igreja de São Damião esconde um simbolismo profundo. Imediatamente, São Francisco foi chamado a reparar esta pequena igreja, mas o estado ruinoso deste edifício era o símbolo da situação dramática e inquietante da própria Igreja nessa época, com uma fé superficial que não forma e não transforma a vida, com um clero pouco zeloso, com o esfriamento do amor; uma destruição interior da Igreja que comportou também uma decomposição da unidade, com o nascimento de movimentos hereges. Contudo, nessa Igreja em ruínas, o Crucifixo está no centro e fala: convida à renovação, chama Francisco a um trabalho manual para reparar concretamente a pequena igreja de São Damião, símbolo do chamado mais profundo a renovar a própria Igreja de Cristo, com sua radicalidade de fé e com seu entusiasmo de amor por Cristo.

Este acontecimento, ocorrido provavelmente em 1205, faz pensar em outro acontecimento similar, ocorrido em 1207: o sonho do Papa Inocêncio III. Este viu em sonhos que a Basílica de São João de Latrão, a igreja mãe de todas as igrejas, estava desmoronando e que um religioso pequeno e insignificante a escorava com os ombros, para que não caísse. É interessante notar, por um lado, que não é o Papa quem ajuda para que a Igreja não caia, mas um religioso pequeno e insignificante, que o Papa reconhece em Francisco quando este o visita. Inocêncio III era um papa poderoso, de grande cultura teológica, como também de grande poder político e, no entanto, não é ele quem renova a Igreja, e sim um pequeno e insignificante religioso: é São Francisco, chamado por Deus. Por outro lado, no entanto, é importante observar que São Francisco não renova a Igreja sem ou contra o Papa, mas em comunhão com ele. As duas realidades estão juntas: o Sucessor de Pedro, os bispos, a Igreja fundada sobre a sucessão dos apóstolos e o carisma novo que o Espírito Santo cria nesse momento para renovar a Igreja. Na comunhão se dá a verdadeira renovação.

Voltemos à vida de São Francisco. Dado que seu pai, Bernardone, reprovava sua grande generosidade com os pobres, Francisco, na frente do bispo de Assis, com um gesto simbólico, despojou-se de todas as suas roupas, pretendendo, assim, renunciar à herança paterna: como no momento da criação, Francisco não tinha nada, a não ser a vida dada por Deus, em cujas mãos se entregou. Depois, viveu como um eremita, até que, em 1208, houve outro acontecimento fundamental no itinerário da sua conversão. Escutando uma passagem do Evangelho de Mateus – o discurso de Jesus aos apóstolos enviados à missão –, Francisco se sentiu chamado a viver na pobreza e a dedicar-se à pregação. Outros companheiros se uniram a ele e, em 1209, ele se dirigiu a Roma, para submeter ao Papa Inocêncio III o projeto de uma nova forma de vida cristã. Recebeu um acolhimento paternal por parte daquele grande pontífice que, iluminado pelo Senhor, intuiu a origem divina do movimento suscitado por Francisco. O Pobrezinho de Assis havia compreendido que todo carisma dado pelo Espírito Santo deve ser colocado ao serviço do Corpo de Cristo, que é a Igreja; portanto, agiu sempre em comunhão plena com a autoridade eclesiástica. Na vida dos santos não há contraposição entre carisma profético e carisma de governo e, se houver alguma tensão, estes sabem esperar com paciência os tempos do Espírito Santo.

Na realidade, alguns historiadores do século XIX e também do século passado tentaram criar atrás do Francisco da tradição um “Francisco histórico”, assim como se tenta criar atrás do Jesus dos evangelhos um “Jesus histórico”. Este Francisco histórico não teria sido um homem de Igreja, mas um homem unido imediatamente só a Cristo, um homem que pretendia criar uma renovação do povo de Deus, sem formas canônicas e sem hierarquia. A verdade é que São Francisco teve realmente uma relação imediatíssima com Jesus e com a Palavra de Deus, à qual queria seguir sine glossa, assim como ela é, em toda a sua radicalidade e verdade. É verdade também que, inicialmente, ele não tinha a intenção de criar uma ordem com as formas canônicas necessárias, mas simplesmente, com a Palavra de Deus e com a presença do Senhor, queria renovar o povo de Deus, convocá-lo novamente à escuta da Palavra e à obediência a Cristo. Além disso, sabia que Cristo nunca é “meu”, e sim sempre “nosso”, que não posso ter Cristo sozinho e construir “eu”, contra a Igreja, contra sua vontade e seu ensinamento, mas somente na comunhão da Igreja constituída sobre a sucessão dos apóstolos se renova também a obediência à Palavra de Deus.

Também é verdade que ele não tinha a intenção de criar uma nova ordem, mas somente renovar o povo de Deus para o Senhor que vem. Porém, compreendeu, com sofrimento e com dor, que tudo deve ter sua ordem, que também o direito da Igreja é necessário para dar forma à renovação e, assim, realmente se inseriu de forma total, com o coração, na comunhão da Igreja, com o Papa e com os bispos. Ele sempre soube que o centro da Igreja é a Eucaristia, na qual o Corpo de Cristo e seu Sangue estão presentes. Através do sacerdócio, a Eucaristia é a Igreja. Onde o sacerdócio, Cristo e a comunhão da Igreja caminham juntos, somente aí habita também a Palavra de Deus. O verdadeiro Francisco histórico é o Francisco da Igreja e, precisamente dessa maneira, ele fala também a nós, os crentes, e aos crentes de outras confissões e religiões.

Francisco e seus frades, cada vez mais numerosos, estabeleceram-se na Porciúncula – ou igreja de Santa Maria dos Anjos –, lugar sagrado por excelência da espiritualidade franciscana. Também Clara, uma jovem mulher de Assis, de família nobre, entrou na escola de Francisco. Teve origem, assim, a Segunda Ordem Franciscana, a das Clarissas, outra experiência destinada a produzir frutos insignes de santidade na Igreja.

Também o sucessor de Inocêncio III, o Papa Honório III, com sua bula Cum dilecti, de 1218, apoiou o singular desenvolvimento dos primeiros Frades Menores, que iam abrindo suas missões em diversos países da Europa, inclusive em Marrocos. Em 1219, Francisco obteve autorização para dirigir-se ao Egito e falar com o sultão muçulmano Melek-el-Kâmel, para pregar também lá o Evangelho de Jesus. Eu gostaria de sublinhar este episódio da vida de São Francisco, que tem uma grande atualidade. Em uma época em que estava em curso um enfrentamento entre o cristianismo e o islã, Francisco, armado voluntariamente só com sua fé e sua mansidão pessoais, percorreu com eficácia o caminho do diálogo. As crônicas nos falam de um acolhimento benevolente e de uma cordial recepção do sultão. Este é um modelo que deve inspirar, ainda hoje, as relações entre cristãos e muçulmanos, para promover um diálogo na verdade, no respeito e na compreensão mútuos (cf. Nostra Aetate, 3). Parece então que Francisco esteve na Terra Santa em 1220, lançando assim uma semente, que deu muitos frutos: seus filhos espirituais, de fato, fizeram dos Lugares Santos onde Jesus viveu um âmbito privilegiado de sua missão. Penso, com gratidão, nos grandes méritos da Custódia Franciscana da Terra Santa.

Ao voltar à Itália, Francisco entregou o governo da Ordem ao seu vigário, Frei Pedro Cattani, enquanto o Papa confiou à proteção do cardeal Ugolino, o futuro Sumo Pontífice Gregório IX, a Ordem, que reunia cada vez mais adesões. Por sua vez, o fundador, dedicado completamente à pregação – que levava a cabo com grande êxito –, redigiu uma Regra, depois aprovada pelo Papa.

Em 1224, no eremitério de Verna, Francisco viu o Crucifixo em forma de um serafim e, do encontro com o serafim crucificado, recebeu os estigmas; converteu-se, assim, em um com Cristo: um dom, portanto, que exprime sua identificação com o Senhor.

A morte de Francisco – seu transitus – ocorreu na noite de 3 de outubro de 1226, na Porciúncula. Após ter abençoado seus filhos espirituais, morreu, deitado sobre a terra nua. Dois anos mais tarde, o Papa Gregório IX o inscreveu no elenco dos santos. Pouco tempo depois, erigiu-se em Assis uma grande basílica em sua honra, meta, ainda hoje, de muitíssimos peregrinos, que podem venerar o túmulo do santo e desfrutar da visão dos afrescos de Giotto, pintor que ilustrou de forma magnífica a vida de Francisco.

Já foi dito que Francisco representa um alter Christus; era verdadeiramente um ícone vivo de Cristo. Ele também foi chamado de “irmão de Jesus”. De fato, este era o seu ideal: ser como Jesus, contemplar o Cristo do Evangelho, amá-lo intensamente, imitar suas virtudes. Em particular, ele quis dar um valor fundamental à pobreza interior e exterior, ensinando-a também aos seus filhos espirituais. A primeira bem-aventurança do Sermão da Montanha – “Felizes os pobres, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5, 3) – encontrou uma luminosa realização na vida e nas palavras de São Francisco. Verdadeiramente, queridos amigos, os santos são os melhores intérpretes da Bíblia; estes, encarnando em sua vida a Palavra de Deus, tornam-na mais atraente que nunca, de forma que ela fala realmente conosco. O testemunho de Francisco, que amou a pobreza para seguir Cristo com dedicação e liberdade totais, continua sendo, também para nós, um convite a cultivar a pobreza interior para crescer na confiança em Deus, unindo também um estilo de vida sóbrio e um desapego dos bens materiais.

Em Francisco, o amor a Cristo se expressou de maneira especial na adoração ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia. Nas Fontes Franciscanas, lemos expressões comoventes, como esta: “Pasme o homem todo, estremeça a terra inteira, rejubile o céu em altas vozes quando, sobre o altar, estiver nas mãos do sacerdote o Cristo, Filho de Deus vivo! Ó grandeza maravilhosa, ó admirável condescendência! Ó humildade sublime, ó humilde sublimidade! O Senhor do universo, Deus e Filho de Deus, se humilha a ponto de se esconder, para nosso bem, na modesta aparência do pão” (Francisco de Assis, Escritos).

Neste Ano Sacerdotal, quero também recordar a recomendação dirigida por Francisco aos sacerdotes: “Ao celebrar a Missa, ofereçam o verdadeiro sacrifico do Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, pessoalmente puros, com disposição sincera, com reverência e com santa e pura intenção” (Francisco de Assis, Escritos). Francisco mostrava sempre um grande respeito pelos sacerdotes e recomendava respeitá-los sempre, inclusive no caso de que pessoalmente fossem pouco dignos. A motivação do seu profundo respeito era o fato de que eles receberam o dom de consagrar a Eucaristia. Queridos irmãos no sacerdócio, não nos esqueçamos jamais deste ensinamento: a santidade da Eucaristia nos pede que sejamos puros, que vivamos de maneira coerente com o Mistério que celebramos.

Do amor a Cristo nasce o amor às pessoas e também a todas as criaturas de Deus. Este é outro traço característico da espiritualidade de Francisco: o senso de fraternidade universal e de amor pela criação, que lhe inspirou o célebre “Cântico das criaturas”. É uma mensagem muito atual. Como recordei em minha recente encíclica, Caritas in veritate, só é sustentável um desenvolvimento que respeite a criação e que não danifique o meio ambiente (cf. N. 48-52), e na Mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano, sublinhei que também a constituição de uma paz sólida está unida ao respeito pela criação. Francisco nos recorda que na criação se manifesta a sabedoria e a benevolência do Criador. A natureza é entendida por ele precisamente como uma linguagem com a qual Deus fala conosco, através da qual a realidade divina se torna transparente e podemos falar de Deus e com Deus.

Queridos amigos: Francisco foi um grande santo e um homem alegre. Sua simplicidade, sua humildade, sua fé, seu amor a Cristo, sua bondade com cada homem e cada mulher o tornaram alegre em toda situação. De fato, entre a santidade e a alegria subsiste uma relação íntima e indissolúvel. Um escritor francês disse que no mundo só existe uma tristeza: a de não ser santos, isto é, a de não estar perto de Deus. Vendo o testemunho de Francisco, compreendemos que este é o segredo da verdadeira felicidade: ser santos, estar perto de Deus!

Que Nossa Senhora, ternamente amada por Francisco, obtenha esse dom para nós. Confiamo-nos a Ela com as palavras do próprio Pobrezinho de Assis: “Ó Maria, Virgem Santíssima, não há outra semelhante, nascida neste mundo, entre as mulheres; filha e serva do Rei altíssimo, o Pai celeste. Mãe de Jesus Cristo, nosso Senhor; esposa do Espírito Santo, rogai por nós (…) junto ao vosso santíssimo e dileto Filho, nosso Senhor e Mestre” (Francisco de Assis, Escritos).

Papa Emérito Bento XVI

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Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização 

“O papa emérito pensa na morte e se prepara para o encontro com Deus”

Monsenhor Georg Gaenswein fala do cotidiano de Bento XVI, que acaba de completar 88 anos.

“O papa emérito Bento XVI pensa na morte e se prepara para ela”. Afinal, é claro que um homem de 88 anos “pensa sobre isto”, declarou monsenhor Georg Gaenswein, prefeito da Casa Pontifícia e secretário particular do papa emérito, ao programa italiano de televisão A estrada dos milagres, da Rete 4.

“Conversamos sobre isso várias vezes, o papa e eu, embora ele seja muito discreto e reservado. É uma postura cristã… Porque preparar-se para a morte significa preparar-se para o encontro com Deus, que é um encontro decisivo”.

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LIVROS
Em entrevista ao jornal La Repubblica (16 de abril), monsenhor Georg falou também do cotidiano sereno de Bento XVI, que continua sendo um leitor fervoroso. “Ele gosta muito de teologia, mas também de biografias. Lê sobre temas relacionados à fé e à razão, mas também Balthasar em conexão com Rahner, De Lubac, enfim, os teólogos que conheceu na época do Concílio. Dos livros de história também ele gosta. Ele tem no mosteiro a grande biblioteca que mantinha antes no apartamento da Cidade Leonina e, depois, no palácio apostólico. Os livros estão todos na mesma posição”.

BENTO XVI NO DIA A DIA
A jornada do papa emérito começa às 7h45 com a missa na capela. “Normalmente eu concelebro”, diz o secretário. “Quando não posso, convido algum sacerdote amigo. Sempre estão presentes as Memores que moram no mosteiro e nos ajudam nos trabalhos de casa, como já faziam no palácio apostólico. A missa, assim como a oração que ele faz logo em seguida, é rezada lentamente, sem pressa”.

CAFÉ DA MANHÃ E CORRESPONDÊNCIA
O papa emérito Bento XVI é “muito ordenado e metódico”. Após rezar o breviário, ele toma o café da manhã e depois se dedica à correspondência privada, “que aumentou nos últimos tempos”. Três ou quatro vezes por semana, no final da manhã, ele recebe visitas.

ALMOÇO, DESCANSO E CAMINHADA
O almoço é às 13h30, conta o secretário particular, “e depois ele passeia um pouco pelo pequeno terraço do mosteiro”. Em seguida descansa e, por volta das 16h15, quando o tempo está bom, ele faz um passeio pelos jardins rezando o terço. Do mosteiro ele vai até a gruta de Lourdes, segue até a Torre de São João e retorna.

JANTAL, TELEJORNAL E ORAÇÃO
“Já lhe custa um pouco caminhar, porque, como ele mesmo diz, as pernas não são mais as mesmas. Ele costuma usar um andador, em vez de um bastão, porque se sente mais seguro e mais estável”. Depois da caminhada, ele volta a estudar e a ler. Às 19h30 é servido o jantar, depois do qual ele assinte ao telejornal Tg1, da RAI. Em seguida, Bento XVI se retira para a capela e reza as completas.

Escrito por GELSOMINO DEL GUERCIO – Vaticano/Aleteia 

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz – Boa Nova Web Radio – A serviço da evangelização

Papa Francisco: quero uma Igreja aberta e compreensiva

O Pontífice recebeu pela segunda vez em seu escritório na Casa Santa Marta o jornalista Joaquín Morales Solá, que conhece Bergoglio há 20 anos.

Na entrevista foram tratados temas que dizem quase exclusivamente à vida política, social e eclesial argentina. Mas não só. O encontro ocorreu em 28 de junho, dia em que se celebraram os 65 anos de sacerdócio do Papa emérito Bento XVI.

Bento XVI: revolucionário

“Um revolucionário”, o definiu Francisco. “A sua generosidade foi incomparável. A sua renúncia, que tornou evidentes todos os problemas da Igreja, não teve motivações pessoais. Foi um ato de governo. O seu último ato de governo”. Sobre as condições de saúde do Papa emérito, o Pontífice destacou: “Tem problemas para se locomover, mas a sua cabeça e a sua memória estão intactas, perfeitas”.

Nenhum problema com Macri. Não gosto de conflitos

Quanto ao relacionamento considerado “frio” com o Presidente argentino Mauricio Macri, o Papa respondeu: “Não tenho qualquer problema com o presidente Macri. Não gosto de conflitos. Macri me parece uma pessoa de boa família, uma pessoa nobre”. Recordou, depois, de ter tido alguma divergência com ele no passado, mas se tratou de “uma única vez, em Buenos Aires”, durante os seis anos em que Macri foi prefeito da cidade e Bergoglio, o Arcebispo. “Uma só vem em tanto tempo é uma média muito baixa”, destacou o Papa. Outros problemas, acrescentou, “foram discutidos e resolvidos em privado e este acordo de privacidade foi respeitado por ambos”. “Não tenho qualquer reprovação pessoal a fazer ao Presidente Macri”, reiterou.

Audiência com Hebe de Bonafini, líder das Mães da Plaza de Mayo

O Papa respondeu ainda a uma pergunta sobre a audiência concedida a Hebe de Bonafini, líder do ramo mais intransigente das Mães da Plaza de Mayo, que no passado criticou Bergoglio acusando-o, falsamente, de ter colaborado com o regime militar. A senhora depois adminitiu seu erro publicamente. A audiência concedida “foi um gesto de perdão” – explicou Francisco. “Ela me pediu perdão e eu não o neguei”, porque o perdão “não se nega a ninguém”. “É uma mulher que teve dois filhos assassinados. E eu meu inclino, me ajoelho diante de tamanho sofrimento. Não importa o que ela disse a meu respeito. E sei que disse coisas terríveis no passado”.

Sala de Imprensa vaticana, única porta-voz do Papa

Sobre as vozes que circulam na Argentina de que, no país, haveria um porta-voz diferente da Sala de Imprensa, Francisco explicou: “Não existem outros porta-vozes oficiais, nem na Argentina nem em outros países. Repito: a Sala de Imprensa do Vaticano é a única porta-voz do Papa”.

Scholas Occurrentes

Outra questão disse respeito às Scholas Occurrentes, a Fundação reconhecida pela Santa Sé que nasceu em Buenos Aires há mais de 15 anos, impulsionada pelo então Arcebispo Bergoglio, e que atua em prol da formação dos jovens. Recentemente, o Pontífice convidou os responsáveis pelo organismo a não aceitarem uma doação em dinheiro por parte do governo. Mas não se tratou de uma decisão “contra o governo de Macri”, destaca o Papa: “Esta interpretação é absolutamente errada. Não aludia de modo algum ao governo. Disse somente aos responsáveis das Scholas, com afeto, aquilo que poderia ajudá-los a evitar eventuais erros na gestão da Fundação”. “Continuo acreditando – explicou o Papa – que não temos o direito de pedir dinheiro ao governo argentino, que tem tantos problemas sociais por resolver”.

Quero uma Igreja aberta e compreensiva

Por fim, respondendo a uma pergunta sobre os “ultraconservadores da Igreja”, o Papa Francisco afirmou: “Eles fazem seu trabalho e eu, o meu. Eu desejo uma Igreja aberta, compreensiva, que acompanhe as famílias feridas. Eles dizem não a tudo. Eu continuo firme pela minha estrada, sem olhar para os lados. Não corto cabeças. Nunca gostei de fazer isso. Reitero: rejeito o conflito”.

Fonte:  Vatican Radio

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz – Boa Nova Web Rádio – A serviço da Evangelização.

65 anos de ordenação sacercotal de Ratzinger reunirá os dois Papas

Os 65 anos de ordenação sacerdotal de Joseph Ratzinger, em 29 de junho em 1951 em Frisinga, serão recordados com uma cerimônia solene na Sala Clementina do Palácio Apostólico em 28 de junho, na presença do Papa Francisco e do Papa emérito, a quem será presenteado um volume sobre o sacerdócio, realizado especialmente para a data.

Os 65 anos de ordenação sacerdotal de Joseph Ratzinger, em 29 de junho em 1951 em Frisinga, serão recordados com uma cerimônia solene na Sala Clementina do Palácio Apostólico em 28 de junho, na presença do Papa Francisco e do Papa emérito, a quem será presenteado um volume sobre o sacerdócio, realizado especialmente para a data.

Áudio http://media02.radiovaticana.va/audio/audio2/mp3/00535066.mp3 

A citação paulina “Não é nossa intenção dominar a fé que vocês têm, mas colaborar para que vocês tenham alegria” (2 Cor 1,24) acompanhou, há 65 anos, a ordenação sacerdotal de Joseph Ratzinger, recebida no domo de Frisinga pelas mãos do Cardeal Arcebispo de Munique Michael von Faulhaber.

“Éramos mais de quarenta candidatos. Quando éramos chamados respondíamos Adsum (estou aqui) – escreve o próprio Ratzinger em sua autobiografia. Era um esplêndido dia de verão, inesquecível, como o momento mais importante da minha vida”.

“Não se deve ser supersticioso, mas no momento em que o idoso Arcebispo impõe as mãos sobre mim, um passarinho – talvez uma cotovia – voou do Altar Mor da Catedral e entoou um pequeno canto jubiloso; para mim foi como se uma voz do alto me dissesse: “Está bem assim, estás no caminho correto”, recorda Ratzinger.

Junto com ele, era ordenado sacerdote também o seu irmão maior Georg. “No dia da primeira Missa, a nossa Igreja paroquial de Santo Oswaldo estava iluminada com todo o seu esplendor, e a alegria que a enchia era quase palpável, envolvendo a todos na ação sacra, na forma muito viva de uma “participação ativa”, que não tinha necessidade de uma particular ação exterior”, observa o Papa emérito.

Fomos convidados a levar em todas as casas a bênção da primeira Missa e fomos recebidos em todos os lugares, até mesmo por pessoas totalmente desconhecidas, com uma cordialidade que até então eu não teria sequer imaginado. Experimentei assim, muito diretamente, quão grandes expectativas os homens têm em relação ao Padre, o quanto aguardam a sua bênção, que vem da força do Sacramento. Não se tratava da minha pessoa ou do meu irmão: o que poderia significar por si mesmo dois jovens como nós, para tantas pessoas que encontrávamos? Eles viam em nós pessoas a quem Cristo havia confiado uma missão, para trazer a sua presença entre os homens”.

O sacerdócio não é “simplesmente” “profissão””, mas Sacramento: Deus se serve de um pobre homem, a fim de estar, por meio dele, presente entre os homens e de agir em seu favor”, afirmava Bento XVI em 11 de junho de 2010, na homilia de conclusão do Ano Sacerdotal, por ele convocado no 150º aniversário da morte de João Maria Vianney, Santo Padroeiro de todos os párocos do mundo.

Ao tema do sacerdócio é dedicado o volume XII da Opera Omnia, de Joseph Ratzinger, intitulada “Anunciadores da Palavra e servidores da vossa alegria”, que recolhe mais de 80 textos sobre o ministério eclesiástico.

O livro, cujo subtítulo é “Teologia e Espiritualidade do Sacramento da Ordem”, contém estudos teológico-científicos, meditações sobre espiritualidade sacerdotal e homilias sobre o serviço episcopal, sacerdotal e diaconal, fruto da atividade do teólogo, bispo e Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Joseph Ratzinger, cobrindo um lapso período de quase meio século, de 1954 a 2002.

Fonte: Rádio Vaticano

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

Livro conta detalhes do pontificado de Bento XVI

O Papa Emérito Bento XVI teve um pontificado breve, mas cheio de desafios e superações. Enfrentou crises, dirigiu com amor a Igreja e entrou para a história ao renunciar ao ministério petrino. Em Roma foi lançado um livro que conta os detalhes do pontificado de Ratzinger.

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Reportagem de Lízia Costa e Paulo Pereira – TV Canção Nova .

Portal Terra de Santa Cruz 

 

Francisco visita Bento XVI durante a Semana Santa

Cidade do Vaticano (RV) – Uma visita estritamente particular com o intuito de levar pessoalmente suas felicitações de Páscoa ao Papa emérito. Assim Francisco foi ao mosteiro Mater Ecclesia, nos Jardins do Vaticano, onde Bento XVI vive desde a sua renúncia.

Durante a Semana Santa – cita a agência Ansa – o Papa emérito presidiu a Liturgia da Paixão e também alguns rituais pascais. Joseph Ratzinger completará 89 no próximo dia 16 de abril.

Apesar de privada, a visita marcou o reencontro entre Francisco e Bento XVI após a abertura da Porta Santa da Basílica de São Pedro, em 8 de dezembro.

Francisco abraça o Papa emérito na abertura da Porta Santa – ANSA

Encontros públicos
O primeiro – histórico – foi o encontro em Castel Gandolfo, no dia 23 de março de 2013, quando Bento XVI e Francisco rezaram juntos por alguns momentos.

Depois disso, em 5 de julho de 2013, Bento XVI apareceu novamente ao lado de Francisco durante a inauguração de um monumento a São Miguel, nos Jardins Vaticanos.

Em 22 de fevereiro de 2014, durante o consistório para a criação de novos cardeais, a Basílica Vaticana teve pela primeira vez na história a presença de dois papas.

Ratzinger voltaria a encontrar o público – e Bergoglio – em 27 de abril de 2014, quando da canonização de São João Paulo II e São João XXIII, na Praça São Pedro.

Dois meses mais tarde, em 28 de setembro, a convite de Francisco, Bento XVI voltou à Praça São Pedro, onde participou do encontro com a terceira idade. O Papa emérito aparecera bem disposto, apesar de caminhar muito devagar e com a ajuda de uma bengala.

Sempre a convite do Papa Francisco, Bento XVI esteve novamente na Praça São Pedro em 19 de outubro de 2014, quando concelebrou o rito de beatificação do Papa Paulo VI.

Em 2015, Bento XVI voltou à Basílica de São Pedro, onde participou do consistório no qual Francisco criou 20 novos cardeais em 14 de fevereiro.

No final de 2015, Bento XVI passou a Porta Santa da Misericórdia da Basílica de São Pedro, aberta pelo Papa Francisco para o Jubileu, em 8 de dezembro.

Notícias de Bento XVI

A Fundação Joseph Ratzinger mantém um site atualizado com informações acerca das atividades do Papa emérito.

A Rádio Vaticano mantém uma seção especial dedicada às notícias sobre Bento XVI. (ansa/rb)

Por Rádio Vaticana 

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

Bento XVI e a misericórdia no centro da atual história cristã

Cidade do Vaticano (RV) – Um livro com participação do Papa emérito Bento XVI, organizado pelo jesuíta Daniele Libanori, chega às bancas com o título “Per mezzo della fede. Dottrina della giustificazione ed esperienza di Dio nella predicazione della Chiesa” (Através da fé. Doutrina da justificação e experiência de Deus na evangelização da Igreja). “Para mim é um sinal dos tempos o fato que a ideia da misericórdia de Deus seja sempre mais central e dominante”, afirma Bento XVI que fala de Francisco na obra.

Francisco e Bento XVI – ANSA

http://media02.radiovaticana.va/audio/audio2/mp3/00521960.mp3

O livro traz a publicação de manifestações feitas num convênio teológico promovido em outubro de 2015 em Roma. Numa entrevista proposta na obra, o Papa emérito cita a santa polonesa Faustina Kowalska (1905-1938), que das suas visões refletem “o desejo da bondade divina que é exatamente do homem do hoje”. Bento XVI também faz referência a São João Paulo II que canonizou a sua conterrânea e publicou uma encíclica sobre o tema: “Deus, rico de misericórdia” (1980).

Papa Francisco e a misericórdia

O Papa emérito explica no livro que o seu sucessor, Papa Francisco, se encontra “de acordo com essa linha (que põe a misericórdia ao centro da mensagem cristã). A sua prática pastoral se expressa sobre o fato que ele nos fala continuamente da misericórdia de Deus”.

E Bento XVI conclui: “os homens de hoje sabem de ter necessidade da misericórdia de Deus e da sua delicadeza. Na dureza do mundo tecnicista, no qual os sentimentos não contam mais nada, aumenta a espera por um amor divino que venha doado gratuitamente. Parece-me que no tema da misericórdia divina se expresse em um modo novo aquilo que significa a justificação pela fé”.

Por Rádio Vaticana  – Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

Em rara aparição pública, Bento XVI defende preservação da ‘música litúrgica’

O discurso do Papa Emérito reafirma a importância da hermenêutica da continuidade para uma autêntica compreensão do Vaticano II

 

É um costume antigo dos Papas passar o período de férias em Castel Gandolfo, uma pequena província da cidade de Roma. Embora não seja mais o pontífice reinante, Bento XVI ainda possui o privilégio de descansar no local. Nas duas últimas semanas, o Papa Emérito esteve hospedado na residência de verão dos pontífices, de onde saiu de sua reclusão para uma rara aparição pública. O motivo: Bento XVI foi condecorado com dois doutorados honoris causa pela Pontifícia Universidade João Paulo II de Cracóvia e pela Academia de Música de Cracóvia, graças à sua contribuição para a música sacra.

Desde que renunciou ao ministério petrino, em 28 de fevereiro de 2013, Bento XVI não pronunciava mais aulas abertas. A ocasião, no entanto, deu-nos a chance de mais uma vez ouvir as orientações do Papa teólogo. Em seu discurso sobre a relação entre liturgia e música, o Papa Emérito lembrou a tensão pós-conciliar entre o grupo que desejava aplicar as determinações da ConstituiçãoSacrosanctum Concilium e o Movimento Litúrgico, o qual defendia uma simplificação da Missa. Bento XVI enfatizou que o Concílio pedia para que se guardasse e se desenvolvesse “com diligência o patrimônio da música sacra”, não o contrário [1].

Outro ponto importante apontado pelo Papa Emérito, em sua aula, foi a natureza transcendental da música litúrgica:

Eu mesmo cresci em Salzburgo marcado pela grande tradição desta cidade. É certo que aquelas Missas dominicais acompanhadas pelo coral e pela orquestra foram uma parte integral de nossa experiência de fé na celebração da liturgia.Indelevelmente marcado em minha memória, por exemplo, é como, quando as primeiras notas da Missa de Coroação de Mozart tocaram, o Céu abriu-se virtualmente e a presença do Senhor foi experimentada muito profundamente.

Importantes historiadores atribuem à Igreja Católica um papel fundamental no desenvolvimento da música. Bento XVI ressaltou esse papel, afirmando a singularidade do ocidente cristão em relação aos demais ambientes culturais: “De Palestrina a Bach, de Handel até Mozart, Beethoven e Bruckner. A música ocidental é algo único; não existe nenhum equivalente em outras culturas”. “E isto”, refletiu o pontífice, “deveria fazer-nos pensar”.

O Papa ainda insistiu na força que a música litúrgica tem para levar o homem a um verdadeiro encontro com o divino:

Para mim, esta música demonstra a verdade do cristianismo. Onde quer que uma resposta é desenvolvida, houve um encontro com a verdade, com o verdadeiro criador do mundo. Portanto, a grande música sagrada é uma realidade de lugar teológico e de permanente significado para a fé de toda a cristandade, mesmo que não seja necessário executá-la sempre e em todo lugar. Por outro lado, é também claro que ela não pode desaparecer da liturgia e que sua presença pode ser uma maneira totalmente especial de participação na sagrada celebração, no mistério da fé.

Com esse discurso, o Papa Bento retomou um tema muito caro ao seu pontificado: a interpretação do Concílio Vaticano II como um acontecimento na linha da grande Tradição da Igreja, não como uma ruptura com o passado. A isso Bento XVI chamou de hermenêutica da continuidade.

Fonte: ChurchMilitant.com 

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

Magistério de Bento XVI chega ao Facebook

Após ser o primeiro Pontífice a fazer publicações no Twitter, o Papa Emérito Bento XVI chega ao Facebook por meio da Fundação Vaticana Joseph Ratzinger – Bento XVI. A página da instituição foi inaugurada na quinta-feira (14/1) e pretende divulgar o Magistério de Ratzinger ao longo dos anos.
A ideia partiu do presidente da fundação, Padre Giuseppe Antonio Scotti, para manter um contato mais próximo entre o Papa Emérito e os fiéis que apreciam o trabalho de Bento XVI na Igreja. Por meio da página no Facebook, gerenciada pelo vaticanista Luca Caruso, a Fundação Vaticana quer aproximar o público dessas atividades, principalmente quando Ratzinger esteve à frente da Congregação para a Doutrina da Fé e durante os oito anos de Pontificado.

Bento XVI publica primeiro tuíte, em dezembro de 2012 – AFP

15/01/2016 10:09
Na primeira publicação, a página da fundação traz um foto de Bento XVI junto com o Papa Francisco em um evento realizado na Praça São Pedro. A instituição nasceu em março de 2010 com a tarefa de promover o conhecimento e o estudo da teologia.

Desde a criação da conta oficial do Pontífice no Twitter, agora sob comando do Papa Francisco, dados revelam que a iniciativa se tornou um sucesso na divulgação de mensagens na rede social. Com nove contas em diversos idiomas, na semana passada, os números de seguidores no microblog já tinha ultrapassado a marca dos 26 milhões. Em língua portuguesa, mais de 1,8 milhão de pessoas seguem o Papa Francisco. (PS)

Por Rádio Vaticana 

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz

Bento XVI X Francisco – Eles não são tão diferentes quanto parecem.

Um antagonismo criado pela mídia.

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A simplicidade e a humildade serão, de fato, características marcantes do pontificado do papa Francisco. Praticamente toda reportagem faz questão de ressaltar esses pontos, que são, realmente, elogiáveis. No entanto, a maior parte dos relatos da imprensa também faz questão de estabelecer um antagonismo entre Francisco e seu antecessor, Bento XVI. Não basta saber que o anel do novo papa é de prata, banhado a ouro; é preciso citar o de Ratzinger, feito de ouro maciço. Elogia-se o papa que mantém a cruz peitoral de ferro dos seus tempos de bispo, ao mesmo tempo em que se lembra que Bento XVI usava cruzes de ouro. A impressão é de que se pretende levar o leitor a pensar “esse, sim, é um bom papa, não é como o anterior”, como se um conclave fosse um concurso de simpatia.

O mote começa a beirar o exagero quando cerimônias como a do início do pontificado são elogiadas por sua “simplicidade” em contraposição às liturgias de Bento XVI. Na verdade, a missa em quase nada foi diferente do que teria sido se o papa anterior a tivesse celebrado. É verdade que o novo pontífice não parece demonstrar o mesmo interesse pela liturgia que tinha Bento XVI, mas é preciso levar em consideração que Ratzinger jamais viu nas vestes litúrgicas um instrumento de ostentação e autopromoção. Sua visão da beleza como elemento apologético está bem documentada em sua obra. E, simplicidade por simplicidade, Bento sempre fez questão de usar adereços litúrgicos – cada um deles carregado de simbologia, ou seja, não se trata de mero enfeite – já usados por outros papas e pertencentes ao Vaticano, com custo zero.

Francisco se sente muito à vontade entre a multidão, mas é até injusto comparar um pontífice com décadas de experiência pastoral com um acadêmico introvertido que fez praticamente toda a sua carreira eclesiástica em universidades e na Cúria Romana. E, mesmo assim, Bento nunca fugiu dos fiéis ou nunca se mostrou avesso ao contato com as pessoas. O “abraço coletivo” que ganhou dos dependentes de drogas na Fazenda Esperança, em Guaratinguetá (SP), é um dos momentos mais tocantes de sua visita ao Brasil, em 2007.

A julgar pelas repetidas menções que faz a seu “amado predecessor”, muito provavelmente o próprio papa Francisco rejeitaria comparações de estilo com a intenção de diminuir Bento XVI ou fazê-lo parecer fútil com suas cruzes douradas e sapatos vermelhos. Mas é difícil imaginar que os elogios ao papa simples e humilde vão continuar quando ele começar a se pronunciar sobre os tais “temas polêmicos” a respeito dos quais a imprensa sempre espera, em vão, por mudanças. Aí se perceberá que Bento XVI e Francisco não são tão diferentes quanto parecem.

Fonte: Gazeta do Povo – Por Marcio Antonio Campos


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Bento XVI: “O que um homem deve fazer para ter um coração puro? ”

O Papa Emérito Bento XVI explicou que a Palavra de Deus liberta os fiéis da falta de memória em um mundo que já nem sequer pensa n’Ele.

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Foto: Bento XVI / Crédito: Fundação Ratzinger

Assim indicou durante a homilia da Missa que presidiu no último domingo, 30 de agosto, no encontro anual com seus antigos alunos, conhecidos como os Ratzinger Schuelerkreis, na capela do Cemitério Teutônico, no Vaticano.

“A verdade, o amor e a bondade que vêm de Deus tornam o homem puro; e a verdade, o amor e a bondade encontramos através da Palavra, a qual nos liberta do ‘esquecimento’ em um mundo que já não pensa em Deus”, expressou o Papa Emérito.

Durante sua homilia, Bento XVI recordou que há três anos o grupo escutou a mesma passagem do Evangelho de São Marcos e que o Cardeal Christoph Schonborn lhes perguntou: “Não deveríamos ser purificados do exterior e não somente do interior? O mal provém exclusivamente do interior ou do exterior?”.

O Papa Emérito considerou esta pergunta muito interessante e decidiu respondê-la nesta homilia, indicando que a resposta está no Evangelho.

Em seguida, perguntou se o mal que ataca a Igreja provém do mundo e sugeriu: “Poderíamos dizer que podemos combater com uma limpeza exterior as doenças e epidemias que nos ameaçam”.

Do mesmo modo, assinalou que esta atitude é necessária para evitar a morte, mas também que esta é insuficiente porque “a epidemia do coração” é interior e esta doença “nos leva a corrupção e a outras imundícies, essas que levam os homens a pensar somente em si mesmo e não no bem”.

“O que torna um homem puro? Qual é a verdadeira força para a purificação? Como alcançamos a pureza do coração?”, perguntou Bento XVI.

“A Palavra de Deus vale muito mais que as palavras, pois através delas encontramos a Palavra de Deus e o próprio Deus. A Palavra é o mesmo Jesus Cristo, nós encontramos a Palavra nos que refletem a Deus, através daqueles que nos mostram seu rosto e sua simplicidade, sua ternura e sinceridade”, assegurou.

“Que o Senhor nos conceda sua ‘limpeza de coração’ através da Verdade, que vem de Deus: esta é a força da purificação”, concluiu.

Embora Bento XVI não estivesse presente durante o debate, ele está, em certo modo, “sempre presente entre nós, assim como estamos em seus passos, e porque ele é quem escolhe o tema de discussão para nossas reuniões anuais”, declarou o Pe. Stephan Horn, organizador dos encontros, ao grupo ACI. Horn acrescentou que o Papa Emérito “estava muito lúcido e falou um momento com cada um de nós”.

O tema de discussão entre os Schuelerkreis foi “falar sobre Deus no mundo contemporâneo”.

Os Schuelerkreis se encontraram este ano em Castel Gandolfo, a residência de verão dos Papas, nos dias 28 e 29 de agosto e foram dirigidos por Dom Toma Hali, sacerdote e filósofo tcheco que colaborou no diálogo com os não crentes. No dia 30, o grupo se dirigiu ao Vaticano para participar da Missa com Bento XVI.

Em declarações ao Grupo ACI, Dom Halik manifestou que estava “particularmente impressionado pelo ramo juvenil do Schuelerkreis: por meio deles vejo o espírito do jovem Ratzinger”.

Depois da Missa com o Bento XVI, houve uma cerimônia de inauguração da Sala Papa Bento. Anunciaram que o Colégio Teutônico inaugura em novembro uma biblioteca dedicada ao Supremo Pontífice Emérito, financiada pela Fundação Ratzinger.

O Papa Emérito se dirigiu a um grupo de 70 pessoas: seu antigo círculo de alunos, os Schuelerkreis, e um grupo de jovens estudantes que analisaram seu trabalho depois de sua consagração como Bispo.

Os Ratzinger Schuelerkreis se reúnem anualmente desde 1978, logo depois de que seu mentor foi nomeado Bispo, para discutir temas sobre teologia e avida da Igreja.

Joseph Ratzinger participou dos encontros com os Schuelerkreis até sua renúncia ao pontificado. Após sua renúncia, ele somente preside a Missa de clausura do encontro.

Fonte: www.acidigital.com


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Bento XVI faz seu primeiro discurso como Papa emérito e fala sobre a música.

Pela primeira vez desde que se tornou Papa emérito, em 28 de fevereiro de 2013, a voz de Bento XVI voltou a ser registrada oficialmente pela Rádio Vaticano, sábado dia 04 de julho 2015.

Bento XVI agradeceu, na Residência Pontifícia de Castel Gandolfo, ao Cardeal-arcebispo de Cracóvia, Dom Stanisław Dziwisz, que lhe conferiu dois títulos de Doutorado “honoris Causa” em nome dos reitores da Academia Musical de Cracóvia e da Pontifícia Universidade João Paulo II, instituída por Bento XVI em 19 de junho de 2009.

Esta condecoração, disse o Cardeal Dziwisz, “representa a gratidão destas duas instituições pela grande estima que Bento XVI sempre nutriu para com São João Paulo II. Em segundo lugar, pelo seu serviço Pontifício e pela grande herança da sua doutrina e benevolência”.

Papa emérito lembra São João Paulo II

Por sua vez, o Papa emérito expressou seu vivo apreço e reconhecimento pela Condecoração a ele conferida, que reforça  sua profunda ligação com a Polônia, pátria do grande santo João Paulo II, do qual foi íntimo colaboração por longos anos e sobre o qual disse: “Sem ele, o meu caminho espiritual e teológico nem pode ser imaginado. Com o seu exemplo vivo, ele nos ensinou que a alegria da grande música sacra pode caminhar de mãos dadas com a participação comum da sacra liturgia, como também a alegria solene e a simplicidade da humilde celebração da fé”.

A música para Bento XVI

Aqui, Bento XVI perguntou: “O que é, enfim, a música? De onde provém e para onde leva?” E respondeu focalizando três fontes da música: a experiência do amor, a experiência da tristeza e o encontro com o divino. A poesia, o canto e a música nasceram da dimensão do amor, de uma nova dimensão da vida e de um toque amoroso de Deus. E acrescentou: “A qualidade da música depende da pureza e da grandeza do encontro com o divino, com a experiência do amor e da dor. Quanto mais esta experiência for pura e verdadeira, tanto mais pura e grande será a música, que dela nasce e se desenvolve”.

Falando de sua experiência pessoal, o Papa emérito afirmou que “no âmbito das culturas e das religiões mais diferentes encontramos uma grande arquitetura, pinturas e esculturas, mas também uma grande música. Contudo, em nenhum outro âmbito cultural há uma grandeza musical que possa se comparada com aquela nascida no âmbito da fé.

Música e Igreja

A música ocidental, explicou Bento XVI, é uma coisa única e incomparável com outras culturas, e apresentou como exemplo, Bach, Händel, Mozart, Beethoven, Bruckner: “A música ocidental supera sobremaneira o âmbito religioso e eclesial. Todavia, ela encontra a sua fonte mais profunda na liturgia e no encontro com Deus. A resposta da grande e pura música ocidental desenvolveu-se no encontro com Deus, que, na liturgia, se torna presente em Jesus Cristo”.

Bento XVI concluiu seu pronunciamento dizendo que “as duas universidades, que lhe conferiram este Doutorado “honoris causa” representa uma contribuição essencial, para que o grande dom da música, que provém da tradição da fé, não se dissipe”.

Por Rádio Vaticana.


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