Arquivo da categoria: Assembleia Geral dos Bispos do Brasil

“Nós somos hoje o que vocês serão amanhã”, diz dom Luiz Soares ao episcopado brasileiro

Dom Luiz Soares Vieira fez uma declaração em nome dos bispos eméritos, ancorada na experiência de misericórdia, vivida de maneira particular no contexto dos bispos que deixaram as suas obrigações administrativas e pastorais nas dioceses, por limite de idade, conforme prevê o Código de Direito Canônico. “A misericórdia vivida ao longo do exercício do ministério episcopal ganhou mais expressão no exercício da pastoral, à qual continuam servindo sempre que solicitados”, lembrou.

Uma frase marcante ao episcopado durante sua exposição gerou uma salva de palmas ao emérito, que foi vice-presidente da CNBB entre 2007 e 2011. “Nós somos hoje o que vocês serão amanhã!”, exclamou dom Luiz.

Ao final, pediu que o episcopado ajude os bispos eméritos a superarem as limitações e mágoas, a fim de poderem gozar desta nova fase de forma serena e livre.

Os bispos eméritos ainda terão uma reunião dentro desta Assembleia da CNBB e estão com outra agendada para agosto, dentro das atividades do XVII Congresso Eucarístico Nacional, que acontecerá em Belém (PA).

Entre outras atividades a Comissão lançou o informativo “Marcas no Caminho”, publicado pelas Edições CNBB “com testemunhos de vidas consagradas a Deus, à Igreja e ao povo, de bispos que já tinham passado o governo de suas dioceses a sucessores e que irradiam a alegria do dever cumprido”.

O bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, recordou a existência de um fundo do Auxílio Fraterno, que tem sido utilizado para dar apoio aos bispos eméritos

Fonte: CNBB – Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

54ª AG: Amoris Laetitia /Por Cardeal Orani João Tempesta

Após a publicação da Exortação Apostólica do Papa Francisco, sobre o Amor na Família, o cardeal Orani João Tempesta divulgou seu artigo “Amoris Laetitia”. Confira na integra.

Acaba de ser publicada a aguardada Exortação pós-sinodal sobre a Família, do Papa Francisco, que tem por título “A alegria do amor” (Amoris Laetitia). É um documento longo que cita muito o parecer dos Padres Sinodais. Os cardeais e o casal que apresentaram o documento na sala de imprensa do Vaticano foram unânimes em falar da alegria em ler esse documento e a importância de acolhe-lo com carinho.

São 325 parágrafos distribuídos em nove partes assim discriminadas: À luz da Palavra; A realidade e os desafios da família; Olhar fixo em Jesus: A vocação da família; O amor no matrimônio; O amor que se torna fecundo; Algumas perspectivas familiares; Reforçar a educação dos filhos; Acompanhar, discernir e integrar a familiaridade e espiritualidade conjugal e familiar. Encerra-se com uma Oração à Sagrada Família.

Seu conteúdo é assim sintetizado pelo Papa: “No desenvolvimento do texto, começarei por uma abertura inspirada na Sagrada Escritura, que lhe dê o tom adequado. A partir disso, considerarei a situação atual das famílias, para manter os pés no chão. Depois lembrarei alguns elementos essenciais da doutrina da Igreja sobre o matrimônio e a família, seguindo-se os dois capítulos centrais, dedicados ao amor. Em seguida destacarei alguns caminhos pastorais que nos levem a construir famílias sólidas e fecundas segundo o plano de Deus, e dedicarei um capítulo à educação dos filhos. Depois deter-me-ei em um convite à misericórdia e ao discernimento pastoral perante situações que não correspondem plenamente ao que o Senhor nos propõe; e, finalmente, traçarei breves linhas de espiritualidade familiar” (n. 6).

O Documento tem, pois, início lembrando que, não obstante as crises pelas quais passa a família, enquanto instituição querida por Deus, o desejo de perpetuá-la permanece vivo nas novas gerações, conforme observaram os Padres Sinodais e, por isso, é preciso se debruçar sobre a família com seus valores e desafios nos nossos dias sob o prisma moral, doutrinal, espiritual e pastoral. Isto tudo, sem negar o Magistério da Igreja, dá lugar à pluralidade de interpretações de uma mesma doutrina em diversos locais diferentes à luz da Misericórdia de Deus, cujo Ano Extraordinário estamos vivendo (n. 1-8).

Passa o Papa a lembrar que a Sagrada Escritura está repleta de histórias de famílias com suas alegrias, belezas e dificuldades, sem que essa instituição esmoreça. Muito aparece também a expressão “Tu e tua esposa”, ou seja, o homem e a mulher (por exemplo, Mt 19,9 que remete a Gn 2,24 e 1,27) a terem seus filhos e filhas como brotos de oliveira ao redor de tua mesa (cf. Sl 128/127,3); as primeiras comunidades cristãs se reúnem em casas, local da convivência familiar por excelência. É, no entanto, também na família que ocorrem experiências dolorosas de brigas, doenças e mortes, mas, no fim dos tempos, Deus enxugará nossas lágrimas e não haverá mais morte ou dor (cf. Ap 21,4). Dentro da mesma família com suas dificuldades, estão também dois pontos importantes do convívio material e espiritual: o trabalho e o carinho do abraço, que é responsabilidade de todos (cf. n. 9-30).

Entra o documento em seu terceiro capítulo nos desafios vividos hoje pela família à luz da realidade em que estamos – com suas mudanças antropológicas e culturais – e não a partir apenas de uma discussão abstrata. Há de se oferecer como remédios à família como mero lugar de passagem e de individualismo, o convívio e a reciprocidade em todas as áreas. Também não centrar o matrimônio na procriação, mas na união (aspecto unitivo), na preparação aos jovens casais para o matrimônio sob o olhar exigente, porém, ao mesmo tempo, compassivo de Jesus, a educação para se evitar o descarte (relaciona-se e separa-se com facilidade ímpar), o medo do compromisso com o futuro parece dizer aos jovens: “viva a vida não assuma compromissos familiares”, a pornografia faz mal, pois distorce o verdadeiro amor, a queda das natalidades ameaça certos países ou povos na economia e na própria identidade, há enfraquecimento da prática religiosa, falta de habitação digna, filhos nascidos de relações transitórias, abuso sexual de crianças, famílias migrantes ou com membros deficientes, idosos ou que vivem na miséria chocam nossos tempos. Assome-se a isso a falta de educação, a dependência química, a poligamia, o menosprezo ainda existente à mulher, a ideologia de gênero a negar a identidade sexual: não haveria mais homem ou mulher, mas apenas um ser humano neutro. Apesar de tudo isso, demos graças a Deus pelas famílias que vivem no amor verdadeiro e fiel (cf. n. 31-57).

Ante todos esses desafios, não se pode deixar de lado o querigma. Neste ponto, o Papa recolhe uma síntese da doutrina da Igreja sobre o matrimônio e a família. Também cita várias contribuições prestadas pelos Padres sinodais nas suas considerações acerca da luz que a fé nos oferece. Ainda hoje, no Senhor, temos o nosso compromisso de viver e transmitir o Evangelho da família. Ele nasceu e viveu na família de Nazaré e restaurou o plano primeiro do Matrimônio, conforme sonhado por Deus para todos. Passa, a seguir, o Papa à doutrina do Concílio Ecumênico Vaticano II, de Paulo VI e de João Paulo II sobre a Família para, depois, entrar no sacramento em si: nele o próprio casal é ministro e não o sacerdote. Em meio a essa beleza dos ensinamentos bíblicos e eclesiais, não faltam os desafios, especialmente na geração e educação dos filhos. Nisso as famílias que permanecem sempre fiéis à Igreja dão grande testemunho aos demais irmãos e irmãs na fé (cf. n. 58-88).

Penetrando na essência do Matrimônio, diz-se que ele deve “aperfeiçoar o amor dos cônjuges”, para isso são apresentadas alguns pontos essenciais extraídos da Carta de Paulo aos Coríntios (13,4-7): paciência, atitude de serviço, cura da inveja, combater o orgulho e a arrogância, ser amável, desprender-se de si mesmo, não guardar violência interior, perdoar, alegrar-se com os outros; desculpar-se, confiar, esperar, suportar-se, bem como crescer na caridade conjugal tendo tudo em comum, valorizando a alegria e a beleza da vida a dois que leva a se casar por um amor que se manifesta e cresce a cada dia, dialoga, se apaixona, navega pelas fantasias lícitas, sente alegria nos filhos, vive a dimensão erótica do amor conjugal, combate a violência e a manipulação e não menospreza, ao lado do casamento santo, a vida una e indivisa da virgindade e do celibato nem deixa que o amor se transforme com o passar dos anos em que as aparências físicas não são as mesmas: o amor não cria rugas como o corpo (cf. n. 89-164).

Francisco entra, após tratar mais do aspecto unitivo, no aspecto fecundo do Matrimônio. Fala da transmissão e geração da vida. Diz o Papa: “Se uma criança chega ao mundo em circunstâncias não desejadas, os pais ou os outros membros da família devem fazer todo o possível para aceitá-la como dom de Deus e assumir a responsabilidade de acolhê-la com magnanimidade e carinho” (n.166).

A Igreja louva as famílias numerosas, mas pede responsabilidade na geração dos filhos a fim de que não se coloque no mundo uma criança que passará graves necessidades. Pede ainda a valorização da gravidez com o amor da mãe e do pai àquela criança, bem como exorta ao que se chama de “paternidade alargada”, ou seja, ser pai ou mãe não é apenas um fato biológico, mas do coração. Daí, as adoções, as ajudas à sociedade em geral, o cuidado com os abandonados e frágeis. A Eucaristia exige compromisso com o irmão. É preciso também que a família tenha um coração grande em que caibam todos: filhos, irmãos e idosos (os avós), além de se viver a família alargada, ou seja, a união entre os familiares em geral: tios, primos de vários graus, cunhados etc. (cf. n. 165-198).

Isso posto, o Papa entra em alguns pontos pastorais sem anular as realidades locais nas quais essas pastorais ocorrerão. Dentre os pontos estão: o anúncio do Evangelho da família, como célula-mãe da sociedade, a formação seminarística e laical com vistas ao apreço familiar em suas alegrias e agruras, a valorização pelas Igrejas locais dos “Cursos de preparação para o Matrimônio”, bem como a digna organização da celebração do Sacramento com leituras bíblicas próprias e insistência de que aquele é um compromisso a durar a vida inteira e não apenas naquele momento de tensão e luzes, filmagens, convidados etc.

Importa ainda uma pastoral específica para acompanhar os casais jovens em seus desafios e alegrias a fim de perceberem que a Igreja se interessa por eles e por suas famílias, especialmente o estar juntos para rezar e conviver, inclusive com outras famílias próximas do mesmo bairro, prédio ou condomínio. Fortalecida por essas “vitaminas”, as famílias conseguem resistir melhor aos problemas inerentes à natureza humana e ao próprio compromisso assumido a gerar feridas que perduram por muitos anos e podem levar ao fim de um casamento. A Igreja, contudo, não deve deixar de acompanhar aquele casal, mesmo após o divórcio, não importando por quais circunstâncias ele tenha ocorrido, fazendo-o sentir que não está excomungado e incentivando-o a reatar o relacionamento ou a averiguar junto às instâncias competentes se seu matrimônio não foi nulo, embora nunca devam deixar de pensar nos filhos a serem educados. Chama a atenção os denominados matrimônios mistos e com disparidade de culto, bem como entre pessoas não batizadas ou famílias monoparentais (geralmente a mãe cuida do filho). Todos os casos devem ser bem avaliados por seus bispos, ainda que a união entre pessoas do mesmo sexo não possa ser, jamais, equiparada a casamento, não obstante as pressões internacionais. Ofereça ainda a Igreja sua presença às famílias enlutadas, ajudando-as a superarem este momento difícil, mas que é inerente à vida (cf. n. 199-258).

Entra o Documento na Educação dos Filhos reforçando que os pais devem acompanhá-los, especialmente com base ética para toda a vida dentro da liberdade que cabe a cada ser humano, embora com sanções quando necessário e um realismo autêntico no modo de se viver em família com sadio equilíbrio, favorecendo o bom desenvolvimento da criança ou adolescente, inclusive com uma educação sexual cristã que não seja mera informação biológica ou a defesa única do chamado “sexo seguro”, mas, sim, formação ética com escala de valores humanos. A educação para a fé é também um dos grandes compromissos familiares a começar, evidentemente, em casa e completar-se na comunidade (cf. n. 259-290).

Chega-se ao acompanhamento das fragilidades das famílias e aqui o Papa lembra que “Os Padres sinodais afirmaram que, embora a Igreja reconheça que toda a ruptura do vínculo matrimonial ‘é contra a vontade de Deus, está consciente também da fragilidade de muitos dos seus filhos’” (n. 291). Há, portanto, como em um hospital de campanha, lugar para atender a todos dentro da gradualidade pastoral. Assim, uma união civil já não é mera convivência, a escolha da união civil, às vezes apenas se dá não por resistência à doutrina, mas por razões ocasionais ou locais, outros optam pela mera convivência por medo do futuro incerto (desemprego, salário não fixo etc.). Todos devem ser acolhidos misericordiosamente pela Igreja e nela podem ensinar pontos da doutrina aos demais, salvo se ostentam publicamente algo contrário aos seus ensinamentos (cf. n. 297).

Devem, então, ser recatequisadas e atuar em outras tarefas pastorais que não seja a catequese. Aos divorciados, em vários graus e casos – há os que têm certeza de que seu primeiro matrimônio foi nulo e está no segundo, há os que têm no segundo casamento filhos para cuidar e há também aqueles que, há pouco se divorciaram e já estão em nova união. Cada caso requer sabedoria dos Pastores no discernimento ponto a ponto. Via de regra, todos hão de ser integrados à Igreja, sem que haja uma norma geral do Sínodo para isso, pois cada caso é um caso. No entanto, os padres, sem deixar a fidelidade à Igreja, devem ser dóceis à voz do Espírito Santo ante esses casais com suas realidades diversas.

Ao mesmo tempo em que importa às consciências se adaptarem às normas da Igreja, é preciso notar que nem todas as consciências são objetivamente culpadas pelo modo de vida que levam destoante da Igreja. Importa se guiar por normas gerais sem se esquecer dos casos particulares, mas não fazer também dos casos particulares junções semelhantes para daí tirar regras. Cairíamos numa casuística sem fim (n. 304). Deve-se aplicar a caridade pastoral, capaz de não abandonar a doutrina da Teologia Moral, mas também não se esquecer da misericórdia gratuita do Senhor para com cada um de nós (n. 310-311). Doutrina e misericórdia, portanto, não se opõem, mas se completam (cf. n. 291-312).

Por fim, o Papa chega a um importante capítulo dedicado à Espiritualidade conjugal e familiar. Destaca Francisco, à luz do Concílio Vaticano II, que a Santíssima Trindade habita não só em cada pessoa, mas também na família, de modo que a vida familiar bem vivida é caminho de santificação (n. 316), na oração comum e diária, ainda que breve, entre os cônjuges e com os filhos à luz do Cristo Ressuscitado a fim de que na própria realidade familiar resplandeça a luz pascal. Esse ponto alto da oração na vida matrimonial é a Eucaristia, a nova e eterna aliança a lembrar ao casal o compromisso de vida de um para com o outro até que a morte os separe. Desse modo, uma testemunha Deus ao outro e são como que pastores da fé a seus filhos e filhas. Todos colocados sob a proteção da Sagrada Família de Nazaré (cf. n. 313-325).

Por Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

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Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

“A Igreja não pode permanecer indiferente às dores de seu povo”, afirma dom Itamar Vian

 

A missa foi concelebrada pelo arcebispo emérito de Manaus (AM), dom Luiz Soares Vieira, e pelo bispo emérito de Palmares (PE), dom Genival Saraiva.  A celebração é parte da programação da 54ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que ocorre em Aparecida, de 6 a 15 de abril.

Ao comentar o Evangelho de João, sobre a multiplicação dos pães,  dom Itamar disse que “Jesus, acolhendo e alimentando as multidões, revela o rosto misericordioso do Pai”.  Porém, ao citar o exemplo de Felipe, que sugeriu dispersar o povo e que cada um procurasse arranjar comida nos povoados vizinhas, lembrou que a mentalidade dos discípulos ainda se perpetua nos tempos atuais. “Diante de tanta dor e sofrimento, de tanta corrupção e falta de ética, da fome e da injustiça social, podemos nos sentir impotente para encontrar as soluções necessárias”, afirmou ao lembrar que no mundo há cerca de um bilhão de pessoas que passam fome.

Ao abordar os Atos dos Apóstolos, recordou que os discípulos sofriam perseguições dos judeus por causa do nome de Jesus. “Isso era motivo de alegria para eles. As injúrias sofridas eram a certeza da autenticidade da Palavra anunciada, mesmo que contrariasse o interesse dos poderosos. Gamaliel, mestre da lei, intercede por eles e deixa um ensinamento que ainda hoje nos dá a certeza da confirmação da obra de Deus na vida da nossa Igreja: se este projeto é de origem humana será destruído. Mas, se vem de Deus, vós não conseguireis eliminá-lo”, alertou.

Conforme dom Itamar, “a Igreja, comprovadamente, ‘vem de Deus” e continua sendo por Ele assistida”. Recordou que hoje, como no passado, ainda há muitas perseguições. “Sofremos pela nossa opção preferencial pelos pobres, na defesa da vida e dignidade para nosso povo, por exigir saneamento básico, por defender um mundo que seja uma Casa Comum para todos. Diante dos sofrimentos e perseguições, façamos como os discípulos: não cessavam de ensinar e anunciar o evangelho de Jesus Cristo”, exortou.

Bispos eméritos

Ao final da sua homilia, dom Itamar explicou o significado do ‘ser’ bispo emérito. Segundo ele, o bispo emérito, ao deixar a administração ou o governo pastoral, ingressa na condição de “avô” da diocese. “Ser bispo emérito é ingressar na tranquilidade da vida. Sua função é mais livre, sem a responsabilidade de resolver problemas administrativos e disciplinares”, disse. Porém ressaltou que isto não significa viver na ociosidade, dado que os bispos eméritos continuam atuando de muitas maneiras como nas paróquias, no atendimento às confissões, proferindo palestras, visitando os doentes, orientando retiros e tantas outras atividades compatíveis com a idade do bispo.

“Nós, bispos eméritos, alimentamos os fiéis com o pão de que necessitam, de esperança em sua caminhada, de escuta em sua solidão, de conforto em sua angústia, de solidariedade em seu abandono, de justiça em sua exploração, de alegria em seu êxito, de formação em sua carência, de graça sacramental em sua espiritualidade”, acrescentou.

A Missa foi dedicada aos bispos eméritos .

Com informações de http://www.cnbb.org.br/

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

54ª AG: Coletiva de Imprensa do dia 8 de abril de 2016

O arcebispo emérito de São Paulo (SP), cardeal Cláudio Hummes; o bispo de Caxias (MA), dom Vilson Basso; e o bispo de Osasco (SP), dom João Bosco Barbosa, apresentarão aos jornalistas os temas abordados no terceiro dia da 54ª Assembleia Geral (AG) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Entre os assuntos estão a 1ª Romaria Nacional da Juventude, que acontecerá dias 9 e 10 de abril, nas dependências do Santuário Nacional; a Missão da Igreja na Amazônia e a nova exortação apostólica do papa Francisco, “Amoris Leatitia” (Alegria do Amor).

Fonte: http://www.a12.com/cnbb

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz

54ª AG CNBB: Coletiva de Imprensa com Dom Orlando e Dom Joaquim

Nesta quinta-feira, 07 de abril, Dom Orlando Brandes, e o bispo Dom Joaquim Giovani Mol, apresentarão aos jornalistas um aprofundamento do tema central da AG, “Cristão leigos e leigas na Igreja e na sociedade. Sal da Terra e luz do mundo” e aspectos da análise de conjuntura político-social e eclesial.

A 54ª Assembleia Geral da CNBB iniciou na quarta-feira, 6, e prosseguirá até o dia 15 de abril. Cerca de 320 bispos estão presentes.

Acompanhe nossa cobertura http://www.portalterradesantacruz.com.br

Fontes: A12.com e Santuário Nacional via e-mail.

O valor da assembleia dos bispos na Igreja antiga e no momento atual

Muitas reuniões de bispos se realizaram na Igreja antiga procurando sempre debater questões da região, da vida em geral do povo de Deus e fazer encaminhamentos, dar soluções para as problemáticas surgidas. Como bispos, estamos no momento atual em Asembleia geral da CNBB vivendo a graça de Deus, pela comunhão eclesial e pela fraternidade. Essa acontece uma vez ao ano reunindo bispos das diversas partes da Igreja no Brasil, juntamente com assessores, assessoras, leigos e leigas, povo de Deus. São dias maravilhosos de conhecimento, de cordialidade entre os sucessores dos apóstolos, em unidade também com o Papa, de vida no Espírito Santo e com o Pastor dos Pastores, Jesus Cristo. Analisemos um pouco essa prática na Igreja antiga.

1. O valor da unidade da Igreja com a unidade dos bispos 

Na Igreja antiga, o fortalecimento da Igreja dependia da unidade dos bispos que era refletida junto ao povo de Deus. Tudo era expresso na consagração de um bispo no qual participavam os bispos vizinhos. O Concílio de Nicéia, cânon 04, realizado em 325 afirmava que em uma consagração episcopal fossem presentes pelo menos três bispos, sendo um costume em vigor até hoje. O Concílio também insistia para que todos os bispos da Província estivessem presentes na consagração do eleito ou pelo menos tivesse um consenso escrito dos ausentes. O livro: A Tradição Apostólica de Hipólito de Roma falava que os bispos presentes imponham as mãos sobre o eleito, permanecendo imóvel o presbyterium, os presbíteros, de modo que só os bispos punham as mãos sobre aquele que ficaria bispo.

Desde o fim do II século os bispos das províncias ou dioceses começaram a encontrar-se em reuniões (synodoi, sínodos, concílios regionais) para questões que diziam respeito a toda a Igreja. Cipriano afirmava que os escritos dos mártires que circulavam entre as igrejas garantiam a paz geral na Igreja de Cristo Jesus. Outros escritos falavam da unidade da Igreja na antiguidade cristã, pois diziam respeito à disciplina e à própria vida eclesial. Dessa forma aconteciam as Assembleias dos Bispos para debater questões das Igrejas e dar encaminhamentos às mesmas. Alguns acontecimentos extraordinários como o aparecimento dos montanistas, a controvérsia sobre a festa de Páscoa, o tratamento dos lapsis, a controvérsia do batismo dos heréticos deram o inicio a esta pratica que resultou em uma instituição significativa à unidade na diversidade da Igreja sobre a base dos bispos.

Na medida na qual cada bispo vinha considerado como sucessor dos apóstolos, os bispos participantes eram equiparados nos direitos de governar e reger o povo de Deus de modo que o serviço episcopal era único e cada um participava na sua integridade.

2. As famosas “Cartas de Comunhão” 

Inácio de Antioquia afirmava algo importante aos Esmirniotas, que onde estivesse um bispo ali estaria uma Igreja local. As diferentes igrejas não existiam justapostas entre elas, porque não havia uma organização como na atualidade, com os seus regionais, nacional, mesmo porque o Império romano era dividido em Províncias. Nós podemos dizer que havia unidade em certo sentido como hoje com o sucessor do apóstolo Pedro, o bispo de Roma. A palavra Koinonia, aludia ao conceito de unidade, manifestada essencialmente pela comunhão eucarística de modo que além dos vínculos amigáveis entre os bispos, haviam também documentos de caráter epistolar, as cartas de comunhão. para acreditar a comunhão entre as igrejas como também para garantir a comunhão aos cristãos, leigas e leigos que se transferiam de uma igreja para outra.

A Igreja de Roma ganhava sempre mais considerações nas cartas de comunhão entre as Igrejas. Tertuliano falava da plena comunhão existente entre a Igreja romana e as igrejas africanas ao falar da pertença da pessoa na mesma fé à uma mesma sociedade. Cipriano informou ao bispo de Roma, Cornélio, a respeito dos bispos que viviam a doutrina da Igreja e do Senhor, para assim Roma enviar as cartas de comunhão. O Concílio de Antioquia, realizado em 268 comunicou ao bispo de Roma, Dionísio, e também ao bispo Máximo de Alexandria  que o sucessor de Paulo de Samosata era Domno de modo que só eles poderiam receber as cartas de comunhão das grandes sedes. Esses testemunhos evidenciam como na comunhão as igrejas apostólicas, e sobretudo aquela de Roma, fossem por muito tempo, uma clara referência para outras igrejas porque a comunhão, a communio possuía duas vertentes, a sacramental e a jurídica. Uma igreja que estava em comunhão com a Igreja de Roma, o era também com toda a igreja católica, com todas as outras igrejas.

3. A prática eclesial em Ireneu de Lião e em Tertuliano 

Ireneu de Lião traz noticias a respeito da Igreja que a entendia em duas formas: a Igreja em geral, constituída por cristãos, unidos pela comunhão de fé de tradições e as Igrejas locais. Diante da corrente gnóstica que dissolvia a fé, Ireneu fez apelo à tradição da Igreja, daquela dos apóstolos, transmitida aos sucessores que esses estabeleceram como cabeças das Igrejas locais e constituíam a corrente de transmissão da tradição autêntica. Esses se tornaram os bispos de outrora.

Ireneu também deu uma atenção à Igreja de Roma na transmissão da fé vinda dos apóstolos. Diante dos gnósticos que se diziam a Igreja verdadeira, afirmou o bispo de Lião que entre as Igrejas particulares, existe uma por excelência que a torna porta voz de todas as outras, sendo a Igreja de Roma, fundada pelos apóstolos Pedro e Paulo, de modo que o seu sucessor continua a obra apostólica unindo as tradições de outras igrejas.

Tertuliano deu notícias em relação às reuniões dos cristãos desenvolvidas em Cartago, sendo essas de dois tipos: cultuais e caritativas. As cultuais compreendiam uma oração comum dos fiéis, leituras da Sagrada Escritura, discursos de exortação e de advertência sobre a ordem interna da comunidade e uma coleta para os necessitados. As reuniões caritativas eram comidas de caridade, acompanhados por cantos religiosos. Tanto as primeiras reuniões como as segundas eram presididas pelos dirigentes da comunidade, sendo bispos e presbíteros.

Conclusão : As assembleias dos bispos na antiguidade possibilitaram a unidade na Igreja diante dos desafios que eram dados nas comunidades. Diversas questões surgiam na vida cristã, católica, de modo que a Igreja dava respostas ao povo de Deus. As assembleias dos bispos aludem à vida do povo de Deus e a nossa vida com Deus Uno e Trino.

Por  Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá (PA)

54ª Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – Santuário Nacional 

Portal Terra de Santa Cruz 

Em missa, núncio apostólico no Brasil acolhe novos bispos da CNBB

Na abertura da missa, dom Giovanni D´Aniello acolheu os novos bispos nomeados no período de maio de 2015 a março de 2016 e desejou paz no ministério episcopal à serviço da Igreja.

Durante a homilia, o bispo meditou sobre o Evangelho de João, capítulo 3, que trata do amor de Deus pela humanidade. Dom Giovanni explicou que o Pai confiou a Jesus e à Igreja a missão de anunciar o amor e a misericórdia aos povos.

“Deus se inclina na nossa condição. É a grandeza da misericórdia de Deus que vem ao nosso encontro. Ele é o Pai que envia seu Filho para nos lembrar que não estamos sós, mas temos a proteção de um Deus que nos Ama. Ele foi até a cruz para nos resgatar”, refletiu.

Proclamar a misericórdia

Ao recordar a passagem de Atos dos Apóstolos, capítulo 5, versículo 27, o núncio destacou o compromisso dos discípulos, que a exemplo de Jesus, também são chamados a anunciar o amor e a misericórdia.

“Ainda que enfrentemos dificuldades, não podemos desanimar. Assim como os apóstolos, precisamos permanecer firmes no chamado que Deus faz a cada um de nós”, disse o bispo.

No contexto do Ano da Misericórdia, convocado pelo papa Francisco, explicou que é o Espírito Santo que doa a fé, sendo Ele o verdadeiro dom da fé. Dom Giovanni convidou os novos bispos a serem testemunhas do amor e da misericórdia do Pai em suas dioceses, levando ao povo de Deus a mensagem de esperança e paz.

“O amor para iluminar as mentes e os corações, para purificar as nossas intenções. Que Deus nos dê o Espírito da verdade, o paráclito. Que Maria Santíssima, Nossa Senhora Aparecida, nos acompanhe nesses dias e apresente a Jesus as nossas dificuldades. Que Deus nos abençoe”, concluiu dom Giovanni.

Bispos nomeados 2015-2016

Dom Adilson Pedro Busin, C.S., bispo auxiliar de Porto Alegre (RS);

Dom José Albuquerque de Araújo, bispo auxiliar de Manaus (AM);

Dom Henrique Aparecido de Lima, bispo de Dourados (MS);

Dom Frei João Muniz Alvez, OFM, bispo da Prelazia de Xingu (PA);

Dom Paulo Bosi Dal’Bó, bispo de São Mateus (ES);

Dom Zenildo Luiz Pereira da Silva, C.SS.R, bispo coadjutor da Prelazia de Borba (AM);

Dom Nélio Domingos Zortea, bispo de Jataí (GO);

Dom Aparecido Donizete de Souza, bispo Auxiliar de Porto Alegre (RS);

Dom José Reginaldo Andrietta, bispo de Jales (SP);

Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa, bispo de Garanhuns (PE);

Dom Ricardo Hoepers, bispo de Rio Grande (RS);

Dom Frei Carlos Alberto Breis Pereira, OFM, bispo coadjutor de Juazeiro (BA)

Mons. Luiz Carlos Dias, nomeado bispo auxiliar de São Paulo (SP)

Cobertura da 54ªAG no Portal Terra de Santa Cruz direto do Santuário Nacional 

Acompanhe a Assembleia Geral  Email: Informações direto do imprensa@cnbb.org.br  para o portalterradesantacruz@gmail.com 

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