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Conclui-se a 56ª Assembleia Geral da CNBB: mensagem dos bispos

Concluiu-se-se nesta sexta-feira com a Santa Missa no Santuário Nacional de Aparecida a 56ª Assembleia Geral da CNBB depois de 10 dias de trabalhos. A celebração foi presidida pelo presidente da CNBB, arcebispo de Brasília, Cardeal Sérgio da Rocha.

No dia de ontem Dom Sergio da Rocha conversou com os jornalistas reunidos na Coletiva de Imprensa e pediu a dom Murilo Krieger, vice-presidente que lesse a mensagem da conferência ao povo de Deus. O documento registra a comunhão do episcopado brasileiro com o Papa Francisco e destaca a necessidade de promover o diálogo respeitoso para estimular a comunhão na fé em tempo de politização e polarizações nas redes sociais. A mensagem retoma a natureza e a missão da entidade na sociedade brasileira.

Confira, na sequência, a íntegra do documento que será enviado à todas as 277 circunscrições eclesiásticas do Brasil, incluindo arquidioceses, dioceses, prelazias, entre outras.

MENSAGEM DA CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL AO POVO DE DEUS

O que vimos e ouvimos nós vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo (1Jo 1,3)

Em comunhão com o Papa Francisco, nós, Bispos membros da CNBB, reunidos na 56ª Assembleia Geral, em Aparecida – SP, agradecemos a Deus pelos 65 anos da CNBB, dom de Deus para a Igreja e para a sociedade brasileira. Convidamos os membros de nossas comunidades e todas as pessoas de boa vontade a se associarem à reflexão que fazemos sobre nossa missão e assumirem conosco o compromisso de percorrer este caminho de comunhão e serviço.

Vivemos um tempo de politização e polarizações que geram polêmicas pelas redes sociais e atingem a CNBB. Queremos promover o diálogo respeitoso, que estimule e faça crescer a nossa comunhão na fé, pois, só permanecendo unidos em Cristo podemos experimentar a alegria de ser discípulos missionários.

A Igreja fundada por Cristo é mistério de comunhão: “povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (São Cipriano). Como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela (cf. Ef 5,25), assim devemos amá-la e por ela nos doar. Por isso, não é possível compreender a Igreja simplesmente a partir de categorias sociológicas, políticas e ideológicas, pois ela é, na história, o povo de Deus, o corpo de Cristo, e o templo do Espírito Santo.

Nós, Bispos da Igreja Católica, sucessores dos Apóstolos, estamos unidos entre nós por uma fraternidade sacramental e em comunhão com o sucessor de Pedro; isso nos constitui um colégio a serviço da Igreja (cf. Christus Dominus, 3). O nosso afeto colegial se concretiza também nas Conferências Episcopais, expressão da catolicidade e unidade da Igreja. O Concílio Vaticano II, na Lumen Gentium, 23, atribui o surgimento das Conferências à Divina Providência e, no decreto Christus Dominus, 37, determina que sejam estabelecidas em todos os países em que está presente a Igreja.

Em sua missão evangelizadora, a CNBB vem servindo à sociedade brasileira, pautando sua atuação pelo Evangelho e pelo Magistério, particularmente pela Doutrina Social da Igreja. “A fé age pela caridade” (Gl 5,6); por isso, a Igreja, a partir de Jesus Cristo, que revela o mistério do homem, promove o humanismo integral e solidário em defesa da vida, desde a concepção até o fim natural. Igualmente, a opção preferencial pelos pobres é uma marca distintiva da história desta Conferência. O Papa Bento XVI afirmou que “a opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica naquele Deus que se fez pobre por nós, para enriquecer-nos com a sua pobreza”. É a partir de Jesus Cristo que a Igreja se dedica aos pobres e marginalizados, pois neles ela toca a própria carne sofredora de Cristo, como exorta o Papa Francisco.

A CNBB não se identifica com nenhuma ideologia ou partido político. As ideologias levam a dois erros nocivos: por um lado, transformar o cristianismo numa espécie de ONG, sem levar em conta a graça e a união interior com Cristo; por outro, viver entregue ao intimismo, suspeitando do compromisso social dos outros e considerando-o superficial e mundano (cf. Gaudete et Exsultate, n. 100-101).

Ao assumir posicionamentos pastorais em questões sociais, econômicas e políticas, a CNBB o faz por exigência do Evangelho. A Igreja reivindica sempre a liberdade, a que tem direito, para pronunciar o seu juízo moral acerca das realidades sociais, sempre que os direitos fundamentais da pessoa, o bem comum ou a salvação humana o exigirem (cf. Gaudium et Spes, 76). Isso nos compromete profeticamente. Não podemos nos calar quando a vida é ameaçada, os direitos desrespeitados, a justiça corrompida e a violência instaurada. Se, por este motivo, formos perseguidos, nos configuraremos a Jesus Cristo, vivendo a bem-aventurança da perseguição (Mt 5,11).

A Conferência Episcopal, como instituição colegiada, não pode ser responsabilizada por palavras ou ações isoladas que não estejam em sintonia com a fé da Igreja, sua liturgia e doutrina social, mesmo quando realizadas por eclesiásticos.

Neste Ano Nacional do Laicato, conclamamos todos os fiéis a viverem a integralidade da fé, na comunhão eclesial, construindo uma sociedade impregnada dos valores do Reino de Deus. Para isso, a liberdade de expressão e o diálogo responsável são indispensáveis. Devem, porém, ser pautados pela verdade, fortaleza, prudência, reverência e amor “para com aqueles que, em razão do seu cargo, representam a pessoa de Cristo” (LG 37). “Para discernir a verdade, é preciso examinar aquilo que favorece a comunhão e promove o bem e aquilo que, ao invés, tende a isolar, dividir e contrapor” (Papa Francisco, Mensagem para o 52º dia Mundial das Comunicações de 2018).

Deste Santuário de Nossa Senhora Aparecida, invocamos, por sua materna intercessão, abundantes bênçãos divinas sobre todos.

Compartilhe, deixe sua opinião. Deus abençoe a todos!
Áudio: Silvonei José – Aparecida/ Vatican News

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O Ano do Laicato na Assembleia Geral em Aparecida

Sobre o tema e o lema do Ano a presidente do Conselho Nacional do Laicato no Brasil (CNBL), Marilza Lopes Schuina, apontou como eixo central deste ano o chamado do Papa Francisco para uma ‘Igreja em saída’.

Os leigos são os sujeitos e protagonistas do Ano do Laicato da Igreja Católicia no Brasil. Fazer com que os cristãos assumam de fato seus papéis de cristãos onde estão, na família, no trabalho, na comunicação, na educação, nas universidades, no poder público e na política, é o objetivo deste Ano, uma iniciativa da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato da CNBB.

Com o tema “Cristãos Leigos e Leigas, sujeitos na ‘Igreja em saída’, a serviço do Reino” e com o lema “Sal da Terra e Luz do Mundo”, o Ano foi pautado nos documentos 100 — sobre as comunidades —, 107 — sobre a iniciação da vida cristã – e 105 — sobre os leigos – da CNBB, sendo este último o de maior destaque.

“Atemo-nos bastante ao documento 105 da CNBB sobre os cristãos leigos e leigas na sociedade. (…) Enfatizamos a questão dos leigos como sujeitos e protagonistas seja na Igreja e na sociedade para que não sejam uma Igreja trancada em si, nos templos, mas sim uma Igreja que sai dos templos para iluminar e ser sal no mundo, como diz o próprio texto bíblico ‘sal da terra e luz do mundo’. É preciso brilhar mais, é preciso dar gosto ao mundo, é preciso levar a luz do evangelho onde os cristãos estão”, afirmou o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato da CNBB, Dom Frei Severino Clasen, bispo da diocese de Caçador (SC).

Ainda sobre tema e o lema, a presidente do Conselho Nacional do Laicato no Brasil (CNBL), Marilza Lopes Schuina, apontou como eixo central deste ano o chamado do Papa Francisco para uma ‘Igreja em saída’. “O tema quer nos chamar para isso – ‘Cristãos leigos e leigas para uma Igreja em saída, a serviço do reino’ – por uma perspectiva como sal da terra, luz do mundo, fermento na massa, para infundir uma inspiração de fé e de amor nos ambientes e nas realidades que os leigos e as leigas vivem”, afirmou.

Sobre o objetivo do Ano do Laicato, que seguirá até o dia 25 de novembro de 2018, Dom Severino enumerou três pontos: celebrar a presença e organização dos cristãos leigos e leigas no Brasil, aprofundar a identidade, vocação, espiritualidade e missão, e incentivar o testemunho de Jesus Cristo e Seu Reino na sociedade. “Já pensou se nós conseguirmos fazer isso acontecer na sociedade? Teremos um novo mundo, um novo gosto de se viver, um novo brilho, porque o evangelho será vivido no coração de todos os batizados”, comentou.

Desafios entre clero e laicato

“O maior desafio entre os sacerdotes e os leigos é entender que os sacerdotes têm uma missão e que os leigos têm as deles. (…) Não existem categorias superiores ou inferiores de cristãos – ‘o clero é superior e os leigos inferiores’, não existe isso”, afirmou Dom Severino.

O bispo enfatizou que é preciso superar a mentalidade de que “o padre está mais perto de Deus”, conceito de clericalismo fortemente combatido pelo Papa Francisco. “Pela graça do batismo, como diz São Paulo, nós nascemos leigos e nos fazemos padres e bispos, não nascemos padres e bispos. Nós fizemos nossa opção, não muda a categoria do batismo, o batismo é igual para todos, precisamos ter essa compreensão, todos somos iguais diante de Deus”, afirmou.

Legados

Apesar de ter a duração de 364 dias, o Ano do Laicato pretende estender-se por meio de dois legados no âmbito social e eclesial. Segundo Dom Severino, no seguimento eclesial, planeja-se com este período de dedicação a realidade dos leigos e leigas do Brasil, a criação de programas, formação, ministérios coordenação e animação, de comunidades, pastorais e movimentos na dimensão ‘sal da terra e luz do mundo’. A cultura de valorização e síntese por parte de todo o clero e dos leigos e leigas de importantes documentos da Igreja católica também será incentivada.

No âmbito da sociedade, o bispo pontuou a promoção de mecanismos de participação popular para fortalecer o controle social, a gestão participativa nos conselhos de direito, nos grupos de acompanhamento legislativo, iniciativas populares, audiências, reverendos, plebiscitos, entre outros.

“Isso é função do leigo, é lá, (…) onde precisam colocar o fermento do evangelho em todas as atividades, porque se nós nos omitimos, os maus entram, e aí ficamos reclamando que o mundo está caótico, porque nós cristãos estamos ausentes. Então este é o legado que nós queremos, que haja esta participação, esta conscientização, que os leigos assumam ser sal da terra e luz do mundo no cotidiano”, suscitou.

Silvonei José – Aparecida

Áudio com a presidente do Conselho Nacional do Laicato no Brasil (CNBL), Marilza Lopes Schuina.

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55ª Assembleia da CNBB. Nota Oficial sobre o grave Momento Nacional.

O GRAVE MOMENTO NACIONAL

“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça” (Mt 6,33)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil–CNBB, por ocasião de sua 55ª Assembleia Geral, reunida em Aparecida-SP, de 26 de abril a 5 de maio de 2017, sente-se no dever de, mais uma vez, apresentar à sociedade brasileira suas reflexões e apreensões diante da delicada conjuntura política, econômica e social pela qual vem passando o Brasil. Não compete à Igreja apresentar soluções técnicas para os graves problemas vividos pelo País, mas oferecer ao povo brasileiro a luz do Evangelho para a edificação de “uma sociedade à medida do homem, da sua dignidade, da sua vocação” (Bento XVI – Caritas in Veritate, 9).

O que está acontecendo com o Brasil? Um País perplexo diante de agentes públicos e privados que ignoram a ética e abrem mão dos princípios morais, base indispensável de uma nação que se queira justa e fraterna. O desprezo da ética leva a uma relação promíscua entre interesses públicos e privados, razão primeira dos escândalos da corrupção. Urge, portanto, retomar o caminho da ética como condição indispensável para que o Brasil reconstrua seu tecido social. Só assim a sociedade terá condições de lutar contra seus males mais evidentes: violência contra a pessoa e a vida, contra a família, tráfico de drogas e outros negócios ilícitos, excessos no uso da força policial, corrupção, sonegação fiscal, malversação dos bens públicos, abuso do poder econômico e político, poder discricionário dos meios de comunicação social, crimes ambientais (cf. Documentos da CNBB 50– Ética, Pessoa e Sociedade – n. 130)

O Estado democrático de direito, reconquistado com intensa participação popular após o regime de exceção, corre riscos na medida em que crescem o descrédito e o desencanto com a política e com os Poderes da República cuja prática tem demonstrado enorme distanciamento das aspirações de grande parte da população. É preciso construir uma democracia verdadeiramente participativa. Dessa forma se poderá superar o fisiologismo político que leva a barganhas sem escrúpulos, com graves consequências para o bem do povo brasileiro.

É sempre mais necessária uma profunda reforma do sistema político brasileiro. Com o exercício desfigurado e desacreditado da política, vem a tentação de ignorar os políticos e os governantes, permitindo-lhes decidir os destinos do Brasil a seu bel prazer. Desconsiderar os partidos e desinteressar-se da política favorece a ascensão de “salvadores da pátria” e o surgimento de regimes autocráticos. Aos políticos não é lícito exercer a política de outra forma que não seja para a construção do bem comum. Daí, a necessidade de se abandonar a velha prática do “toma lá, dá cá” como moeda de troca para atender a interesses privados em prejuízo dos interesses públicos.

Intimamente unida à política, a economia globalizada tem sido um verdadeiro suplício para a maioria da população brasileira, uma vez que dá primazia ao mercado, em detrimento da pessoa humana e ao capital em detrimento do trabalho, quando deveria ser o contrário. Essa economia mata e revela que a raiz da crise é antropológica, por negar a primazia do ser humano sobre o capital (cf. Evangelii Gaudium, 53-57). Em nome da retomada do desenvolvimento, não é justo submeter o Estado ao mercado. Quando é o mercado que governa, o Estado torna-se fraco e acaba submetido a uma perversa lógica financista. Recorde-se, com o Papa Francisco, que “o dinheiro é para servir e não para governar” (Evangelii Gaudium 58).

O desenvolvimento social, critério de legitimação de políticas econômicas, requer políticas públicas que atendam à população, especialmente a que se encontra em situação vulnerável. A insuficiência dessas políticas está entre as causas da exclusão e da violência, que atingem milhões de brasileiros. São catalisadores de violência: a impunidade; os crescentes conflitos na cidade e no campo; o desemprego; a desigualdade social; a desconstrução dos direitos de comunidades tradicionais; a falta de reconhecimento e demarcação dos territórios indígenas e quilombolas; a degradação ambiental; a criminalização de movimentos sociais e populares; a situação deplorável do sistema carcerário. É preocupante, também, a falta de perspectivas de futuro para os jovens. Igualmente desafiador é o crime organizado, presente em diversos âmbitos da sociedade.

Nas cidades, atos de violência espalham terror, vitimam as pessoas e causam danos ao patrimônio público e privado. Ocorridos recentemente, o massacre de trabalhadores rurais no município de Colniza, no Mato Grosso, e o ataque ao povo indígena Gamela, em Viana, no Maranhão, são barbáries que vitimaram os mais pobres. Essas ocorrências exigem imediatas providências das autoridades competentes na apuração e punição dos responsáveis.

No esforço de superação do grave momento atual, são necessárias reformas, que se legitimam quando obedecem à lógica do diálogo com toda a sociedade, com vistas ao bem comum. Do Judiciário, a quem compete garantir o direito e a justiça para todos, espera-se atuação independente e autônoma, no estrito cumprimento da lei. Da Mídia espera-se que seja livre, plural e independente, para que se coloque a serviço da verdade.

Não há futuro para uma sociedade na qual se dissolve a verdadeira fraternidade. Por isso, urge a construção de um projeto viável de nação justa, solidária e fraterna. “É necessário procurar uma saída para a sufocante disputa entre a tese neoliberal e a neoestatista (…). A mera atualização de velhas categorias de pensamentos, ou o recurso a sofisticadas técnicas de decisões coletivas, não é suficiente. É necessário buscar caminhos novos inspirados na mensagem de Cristo” (Papa Francisco – Sessão Plenária da Pontifícia Academia das Ciências Sociais – 24 de abril de 2017).

O povo brasileiro tem coragem, fé e esperança. Está em suas mãos defender a dignidade e a liberdade, promover uma cultura de paz para todos, lutar pela justiça e pela causa dos oprimidos e fazer do Brasil uma nação respeitada.

A CNBB está sempre à disposição para colaborar na busca de soluções para o grave momento que vivemos e conclama os católicos e as pessoas de boa vontade a participarem, consciente e ativamente, na construção do Brasil que queremos.

No Ano Nacional Mariano, confiamos o povo brasileiro, com suas angústias, anseios e esperanças, ao coração de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Deus nos abençoe!

Aparecida – SP, 3 de maio de 2017.

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

Por CNBB 

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Aparecida: AG celebra progressos no ecumenismo

Chegamos ao 8º dia da Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Aparecida. O dia, como de costume teve início com a Santa Missa no Santuário Nacional presidida nesta quarta-feira por Dom Paulo Mendes Peixoto, Arcebispo de Uberaba.

Os trabalhos prosseguem no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida. Sobre o andamento dos trabalhos e temas discutidos nós conversamos com o Arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani Tempesta…

No final da tarde de ontem tivemos a celebração Ecumênica, recordando os 500 anos da Reforma Protestante. Sobre a importância do evento nós conversamos com Dom Reginaldo Andrietta, Bispo de Jales, SP…

Em um encontro com os jornalistas no âmbito da 55ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, o Arcebispo de Sorocaba (SP), Dom Julio Endi Akamine falou sobre Ensino Religioso e a Reforma def Base Curricular Comum na educação do Brasil.

O encontro teve início com discussões sobre a Base Nacional Curricular Comum (BNCC) que é o resultado de 12 milhões de sugestões e contribuições.

O Arcebispo explicou que a base comum curricular é um conjunto de orientações para as mais 176 mil escolas do país terem como norte na hora de formar uma base curricular, avaliar o aprendizado dos estudantes, formar os mais de 2 milhões de professores e elaborar políticas nacionais. “Uma base comum é necessária, mesmo que o estudante possa fazer alguma escolha, esses são os parâmetros para todo o Brasil”, detalha.

Ele repassou números e citou que 49 milhões de estudantes estão matriculados na educação básica (Ensino Fundamental e Médio) e mais de 8 milhões na superior. “O documento contém quais são as competências gerais que o aluno deve desenvolver em todas as áreas do conhecimento e tem como finalidade dar indicações claras do que os alunos devem e têm direito a aprender. Deve também promover uma maior colaboração entre municípios, Estados e Federação”. Dom Julio, também indicou que é um instrumento para diminuir as desigualdades.

Outro assunto contemplado com os jornalistas foi o ensino religioso nas escolas. Ele frisou que a própria constituição estabelece que deve existir nas escolas, mas o desafio está em poder definir se deve ser confessional ou não.

Na opinião do Arcebispo outra questão é a de compreender que um Estado laico não é Estado ateu e sim que está aberto a todas as expressões religiosas e que reconhece que dentro da cultura brasileira está muito forte o cristianismo. “Não tem como negar as nossas raízes, então é importante ter um conceito correto do que é laicidade”.

De Aparecida,SP e Radio Vaticano – Silvonei José

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Especialista explica os conceitos “querigma” e “mistagogia” que integram o tema central da assembleia geral dos bispos do Brasil

Quando se fala em iniciação cristã, aparecem alguns termos não muito familiares a muitas pessoas. Os documentos de Aparecida, o Ritual de Iniciação Cristã de Adultos (Rica), as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil estão entre os documentos que utilizam os termos querigma e mistagogia, tão próprios do tema central da Assembleia Geral da CNBB.

O doutor em Teologia Pastoral Catequética e professor do Centro Universitário Salesiano de São Paulo (Unisal), padre Luiz Alves de Lima, explica e contextualiza o significado destas palavras.

O texto que será votado pelos bispos nesta semana, a partir de hoje, 1º de maio, durante a 55ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que acontece até o dia 5 de maio, em Aparecida (SP), apresenta a Igreja como uma comunidade querigmática e missionária, mistagógica e materna.

“A palavra querigma é uma extensão de missionário. É um aspecto essencial daquilo que a gente chama uma Igreja missionária, uma Igreja que sai, anuncia Jesus Cristo, fala, como diz o papa Francisco”, aponta padre Lima. Neste novo contexto proposto de uma Igreja em saída, pobre, como a samaritana que está “procurando a água viva que é Jesus”, o querigma é “o anuncio principal do Evangelho, aquilo que é o centro de tudo, aquilo que causa alegria, entusiasmo, as pessoas devem se encantar por Jesus”.

A mistagogia, por sua vez, tem relação e origem na palavra mistério. “Justamente este clima que se cria diante do insondável, daquilo que é maravilhoso, estupendo, que é o mistério de Deus”, explica padre Luiz Alves Lima, que foi um dos assessores da Comissão que preparou o texto do tema central. Mais no campo teológico, este termo remete à reflexão sobre a “metodologia para ter acesso ao mistério de Deus”, a qual compreende o símbolo e o rito.

“O símbolo remete a uma realidade, porque das realidades invisíveis a gente não tem como falar, tem que recorrer ao símbolo, a única realidade que não parece ser, mas é, é a eucaristia, que se transforma no corpo de Cristo, isso é o máximo do mistério de Deus e é rodeado de mistério. Outra palavra para traduzir mistagogia é celebração: celebração, oração, contemplação, leitura orante, são todos elementos que formam aquilo que na Igreja chama-se mistagogia”, enumera.

Uma comparação pode ser feita com a palavra “pedagogia”, que a partir de sua origem etimológica pode ser lida como a condução da criança para o desenvolvimento. Neste sentido, a mistagogia é a ‘pedagogia do mistério’, a condução ao mistério de Deus.

Documentos

O Documento de Aparecida fala do querigma como a maneira prática de colocar alguém em contato com Jesus Cristo e introduzi-lo no discipulado. Já as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), falam da centralidade do querigma ou primeiro anúncio na missão da Igreja e também da relação estreita entre a catequese e a liturgia, em um contexto em que “sobressai a formação litúrgica, em todos os níveis da vida eclesial, num processo mistagógico, integrando na ação ritual o sentido teológico e litúrgico nela expresso”.

O Diretório Nacional de Catequese fala do processo contido no Ritual de Iniciação Cristã de Adultos (Rica), também apresentado no Itinerário Catequético, publicado em 2014.

Foto: Maurício Sant’ana

POR CNBB

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55ª Assembleia Geral da CNBB estuda temas atuais e busca qualificar a “iniciação cristã”

Episcopado brasileiro aprofunda o tema “Iniciação à Vida Cristã” na 55ª Assembleia Geral da CNBB

O Anuário Pontifício 2017 e o AnuariumStatisticumEcclesiae 2015, do Departamento Central de Estatística da Igreja do Vaticano, indica que o Brasil ocupa o primeiro lugar no conjunto de dez países do mundo com maior consistência de católicos batizados, com 172,2 milhões de católicos. Ficando à frente de países como o México, com 110,9 milhões, Filipinas com 83,6 milhões, Estados Unidos da América (72,3), entre outros. O número de católicos brasileiros representa 26,4% de católicos no continente americano.

Apesar desses dados e estatísticas que demonstram que o Brasil continua sendo o país com o maior número de católicos no mundo, bispos do Brasil se preocupam com a qualidade da atuação e com o compromisso dos cristãos ao eleger a “Iniciação à vida cristã” como tema central da 55ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que acontece de 26 de abril a 5 de maio, no Centro Padre Vitor Coelho de Almeida, em Aparecida (SP).

Conforme o documento nº 43 do CELAM: “Entende-se como iniciação à vida cristã o processo pelo qual uma pessoa é introduzida no mistério de Jesus Cristo e na vida da Igreja, através da Palavra de Deus e da mediação sacramental e litúrgica, que acompanhe as mudanças de atitudes fundamentais de ser e existir com os outros e com o mundo, em uma nova identidade como pessoa cristã que testemunha o evangelho inserido em uma comunidade eclesial viva e testemunhal.”

Uma comissão especialmente presidida pelo arcebispo de Curitiba, dom José Antônio Peruzzo, foi designada para produzir o texto que será apreciado e acrescido pelos bispos do Brasil. A proposta é que o texto, após aprovação do episcopado, seja publicado como um documento da CNBB.

Além do tema central, os bispos brasileiros também aprofundarão temas da atualidade da conjuntura política brasileira e a conjuntura eclesial após os 10 anos da Conferência de Aparecida. No sábado e no domingo, haverá o retiro dos bispos.

300 anos de Aparição

A CNBB, em comemoração aos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, nas águas do rio Paraíba do Sul, instituiu o Ano Nacional Mariano, que teve início dia 12 de outubro de 2016, concluindo-se aos 11 de outubro de 2017, para celebrar, fazer memória e agradecer.

Em sintonia com o Ano Nacional Mariano, várias atividades serão realizadas para marcar os 300 anos da imagem de Aparecida e também os 100 anos das aparições de Nossa Senhora de Fátima ao longo da 55ª Assembleia dos Bispos do Brasil.

A missa do sábado dia 29 de abril, às 7h30, será dedicada à nossa Senhora, com entronização da imagem, cantos e homilia especial. À noite, às 20h, encerrando o Retiro dos Bispos, acontece a peregrinação, procissão e celebração Mariana. Uma Sessão Mariana a ser realizada, dia 04 de abril, às 18h, encerra as comemorações durante a 55ª Assembleia dos Bispos do Brasil.

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Serviço:  55ª Assembleia dos Bispos do Brasil
Tema: Iniciação à Vida Cristã
Data: 26 de abril a 5 de maio de 2017
Local: Centro Pe. Vítor Coelho de Almeida do Santuário Nacional de Aparecida (SP)
Contato: Padre Rafael Vieira
Fone: (61) 98136-1595 e WhatsApp: (61) 99948-2772
E-mail: imprensa@cnbb.org.br 

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Dom Leomar: “a grande preocupação é formar discípulos e não adeptos do cristianismo”

A entrevista coletiva desta quinta-feira, dia 27 de abril, segundo dia da 55ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), recebeu o bispo auxiliar de Porto Alegre (RS), dom Leomar Antônio Brustolin, que falou aos jornalistas do tema central do encontro do episcopado. Para o bispo, a questão da iniciação à vida cristã é abordada porque, no fundo, está a preocupação da Igreja no Brasil com a transmissão da fé às novas gerações.

“A grande preocupação é em formar discípulos e não apenas adeptos do cristianismo”, afirmou dom Leomar Brustolin. O bispo contou que a Igreja vive em um momento muito importante que – desde a realização da V Conferência do Episcopado Latino-americano, há dez anos, aqui em Aparecida – se desenvolve a formação de “discípulos missionários”. E é da Conferência de Aparecida que surge uma parte da motivação para a reflexão dos bispos nesses dias, assim como da exortação apostólica do papa Francisco Evangelii Gaudium.

A reflexão do tema também revela uma preocupação com a preparação para os chamados sacramentos de iniciação cristã: o Batismo, a Primeira Eucaristia e o Crisma, quando, de acordo com dom Leomar, muitos entram na catequese, passam um período na Igreja, mas não se vinculam à comunidade. “É preciso então avaliar, analisar que caminhos precisamos retomar. E quando falamos retomar é porque se busca uma fonte muito importante: a iniciação à vida cristã como os primeiros cristãos anunciavam e preparavam aqueles que queriam seguir o caminho – assim se chamava o cristianismo nas origens”, contou.

Outra inspiração para a reflexão do tema central da Assembleia é o Ritual de Iniciação Cristã de Adultos (Rica). O Ritual de Iniciação à Vida Cristã de Adultos (Rica) é destinado à iniciação de adultos na vida cristã. O Documento da Santa Sé, publicado em 1972 a pedido do Concílio Vaticano II e reeditado no Brasil em 2001, descreve os ritos do catecumenato (processo progressivo de desenvolvimento da fé) e retoma a unidade dos sacramentos da iniciação cristã: o Batismo, a Eucaristia e a Crisma.

Dom Leomar explicou o processo de iniciação que começou a ser aprofundado a partir da publicação do Rica: “A partir de 1972, se aprofunda aquele processo que é feito de um primeiro anúncio, chamado querigma; depois do catecumenato, que é um aprofundamento; o período chamado purificação e iluminação, que é justamente conhecer um pouco mais o encontro com o mistério; e depois mistagogia, que é um período sucessivo, mais relativo a deixar-se conduzir e educar-se pelo mistério”.

Tudo isso pode soar como uma linguagem muito técnica para os catequistas no cotidiano, mas dom Leomar ressaltou que “a missão dos bispos é traduzir essa linguagem de forma muito acessível, concreta e pastoral”.

Conversão Pastoral

O uso da linguagem direta e acessível tem em vista uma mudança de prática, uma “renovação paroquial”, ressaltou dom Leomar. “Eu falo renovação paroquial porque alguém poderia pensar que o tema dessa assembleia seria apenas uma reforma da catequese. Não é! Na verdade, é uma conversão pastoral de toda a comunidade para acolher, inserir e comprometer os novos cristãos”, destacou.

Dom Leomar ainda lembrou do documento 100 da CNBB “Comunidades de comunidades: uma nova paróquia – a conversão pastoral da paróquia” deve ser retomado: “Não podemos ter uma nova iniciação, uma nova proposta catequética se nós também não renovarmos a comunidade. Porque precisamos vincular essas pessoas – crianças, jovens, adultos – neste contexto”.

O texto está estruturado em três partes: o ver, “aprender da história e da realidade”; iluminar, “discernir como Igreja” e o agir, “propondo caminhos”. Algumas sugestões são apresentadas, como nova catequese de preparação matrimonial, o reforço do bispo como o “grande mistagogo, o pedagogo do mistério” e uma reflexão para mudança na ordem dos sacramentos.

Foto: Maurício Sant’ana

Por CNBB

Portal Terra de Santa Cruz- A serviço da Evangelização

“Nós somos hoje o que vocês serão amanhã”, diz dom Luiz Soares ao episcopado brasileiro

Dom Luiz Soares Vieira fez uma declaração em nome dos bispos eméritos, ancorada na experiência de misericórdia, vivida de maneira particular no contexto dos bispos que deixaram as suas obrigações administrativas e pastorais nas dioceses, por limite de idade, conforme prevê o Código de Direito Canônico. “A misericórdia vivida ao longo do exercício do ministério episcopal ganhou mais expressão no exercício da pastoral, à qual continuam servindo sempre que solicitados”, lembrou.

Uma frase marcante ao episcopado durante sua exposição gerou uma salva de palmas ao emérito, que foi vice-presidente da CNBB entre 2007 e 2011. “Nós somos hoje o que vocês serão amanhã!”, exclamou dom Luiz.

Ao final, pediu que o episcopado ajude os bispos eméritos a superarem as limitações e mágoas, a fim de poderem gozar desta nova fase de forma serena e livre.

Os bispos eméritos ainda terão uma reunião dentro desta Assembleia da CNBB e estão com outra agendada para agosto, dentro das atividades do XVII Congresso Eucarístico Nacional, que acontecerá em Belém (PA).

Entre outras atividades a Comissão lançou o informativo “Marcas no Caminho”, publicado pelas Edições CNBB “com testemunhos de vidas consagradas a Deus, à Igreja e ao povo, de bispos que já tinham passado o governo de suas dioceses a sucessores e que irradiam a alegria do dever cumprido”.

O bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, recordou a existência de um fundo do Auxílio Fraterno, que tem sido utilizado para dar apoio aos bispos eméritos

Fonte: CNBB – Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

54ª AG: Amoris Laetitia /Por Cardeal Orani João Tempesta

Após a publicação da Exortação Apostólica do Papa Francisco, sobre o Amor na Família, o cardeal Orani João Tempesta divulgou seu artigo “Amoris Laetitia”. Confira na integra.

Acaba de ser publicada a aguardada Exortação pós-sinodal sobre a Família, do Papa Francisco, que tem por título “A alegria do amor” (Amoris Laetitia). É um documento longo que cita muito o parecer dos Padres Sinodais. Os cardeais e o casal que apresentaram o documento na sala de imprensa do Vaticano foram unânimes em falar da alegria em ler esse documento e a importância de acolhe-lo com carinho.

São 325 parágrafos distribuídos em nove partes assim discriminadas: À luz da Palavra; A realidade e os desafios da família; Olhar fixo em Jesus: A vocação da família; O amor no matrimônio; O amor que se torna fecundo; Algumas perspectivas familiares; Reforçar a educação dos filhos; Acompanhar, discernir e integrar a familiaridade e espiritualidade conjugal e familiar. Encerra-se com uma Oração à Sagrada Família.

Seu conteúdo é assim sintetizado pelo Papa: “No desenvolvimento do texto, começarei por uma abertura inspirada na Sagrada Escritura, que lhe dê o tom adequado. A partir disso, considerarei a situação atual das famílias, para manter os pés no chão. Depois lembrarei alguns elementos essenciais da doutrina da Igreja sobre o matrimônio e a família, seguindo-se os dois capítulos centrais, dedicados ao amor. Em seguida destacarei alguns caminhos pastorais que nos levem a construir famílias sólidas e fecundas segundo o plano de Deus, e dedicarei um capítulo à educação dos filhos. Depois deter-me-ei em um convite à misericórdia e ao discernimento pastoral perante situações que não correspondem plenamente ao que o Senhor nos propõe; e, finalmente, traçarei breves linhas de espiritualidade familiar” (n. 6).

O Documento tem, pois, início lembrando que, não obstante as crises pelas quais passa a família, enquanto instituição querida por Deus, o desejo de perpetuá-la permanece vivo nas novas gerações, conforme observaram os Padres Sinodais e, por isso, é preciso se debruçar sobre a família com seus valores e desafios nos nossos dias sob o prisma moral, doutrinal, espiritual e pastoral. Isto tudo, sem negar o Magistério da Igreja, dá lugar à pluralidade de interpretações de uma mesma doutrina em diversos locais diferentes à luz da Misericórdia de Deus, cujo Ano Extraordinário estamos vivendo (n. 1-8).

Passa o Papa a lembrar que a Sagrada Escritura está repleta de histórias de famílias com suas alegrias, belezas e dificuldades, sem que essa instituição esmoreça. Muito aparece também a expressão “Tu e tua esposa”, ou seja, o homem e a mulher (por exemplo, Mt 19,9 que remete a Gn 2,24 e 1,27) a terem seus filhos e filhas como brotos de oliveira ao redor de tua mesa (cf. Sl 128/127,3); as primeiras comunidades cristãs se reúnem em casas, local da convivência familiar por excelência. É, no entanto, também na família que ocorrem experiências dolorosas de brigas, doenças e mortes, mas, no fim dos tempos, Deus enxugará nossas lágrimas e não haverá mais morte ou dor (cf. Ap 21,4). Dentro da mesma família com suas dificuldades, estão também dois pontos importantes do convívio material e espiritual: o trabalho e o carinho do abraço, que é responsabilidade de todos (cf. n. 9-30).

Entra o documento em seu terceiro capítulo nos desafios vividos hoje pela família à luz da realidade em que estamos – com suas mudanças antropológicas e culturais – e não a partir apenas de uma discussão abstrata. Há de se oferecer como remédios à família como mero lugar de passagem e de individualismo, o convívio e a reciprocidade em todas as áreas. Também não centrar o matrimônio na procriação, mas na união (aspecto unitivo), na preparação aos jovens casais para o matrimônio sob o olhar exigente, porém, ao mesmo tempo, compassivo de Jesus, a educação para se evitar o descarte (relaciona-se e separa-se com facilidade ímpar), o medo do compromisso com o futuro parece dizer aos jovens: “viva a vida não assuma compromissos familiares”, a pornografia faz mal, pois distorce o verdadeiro amor, a queda das natalidades ameaça certos países ou povos na economia e na própria identidade, há enfraquecimento da prática religiosa, falta de habitação digna, filhos nascidos de relações transitórias, abuso sexual de crianças, famílias migrantes ou com membros deficientes, idosos ou que vivem na miséria chocam nossos tempos. Assome-se a isso a falta de educação, a dependência química, a poligamia, o menosprezo ainda existente à mulher, a ideologia de gênero a negar a identidade sexual: não haveria mais homem ou mulher, mas apenas um ser humano neutro. Apesar de tudo isso, demos graças a Deus pelas famílias que vivem no amor verdadeiro e fiel (cf. n. 31-57).

Ante todos esses desafios, não se pode deixar de lado o querigma. Neste ponto, o Papa recolhe uma síntese da doutrina da Igreja sobre o matrimônio e a família. Também cita várias contribuições prestadas pelos Padres sinodais nas suas considerações acerca da luz que a fé nos oferece. Ainda hoje, no Senhor, temos o nosso compromisso de viver e transmitir o Evangelho da família. Ele nasceu e viveu na família de Nazaré e restaurou o plano primeiro do Matrimônio, conforme sonhado por Deus para todos. Passa, a seguir, o Papa à doutrina do Concílio Ecumênico Vaticano II, de Paulo VI e de João Paulo II sobre a Família para, depois, entrar no sacramento em si: nele o próprio casal é ministro e não o sacerdote. Em meio a essa beleza dos ensinamentos bíblicos e eclesiais, não faltam os desafios, especialmente na geração e educação dos filhos. Nisso as famílias que permanecem sempre fiéis à Igreja dão grande testemunho aos demais irmãos e irmãs na fé (cf. n. 58-88).

Penetrando na essência do Matrimônio, diz-se que ele deve “aperfeiçoar o amor dos cônjuges”, para isso são apresentadas alguns pontos essenciais extraídos da Carta de Paulo aos Coríntios (13,4-7): paciência, atitude de serviço, cura da inveja, combater o orgulho e a arrogância, ser amável, desprender-se de si mesmo, não guardar violência interior, perdoar, alegrar-se com os outros; desculpar-se, confiar, esperar, suportar-se, bem como crescer na caridade conjugal tendo tudo em comum, valorizando a alegria e a beleza da vida a dois que leva a se casar por um amor que se manifesta e cresce a cada dia, dialoga, se apaixona, navega pelas fantasias lícitas, sente alegria nos filhos, vive a dimensão erótica do amor conjugal, combate a violência e a manipulação e não menospreza, ao lado do casamento santo, a vida una e indivisa da virgindade e do celibato nem deixa que o amor se transforme com o passar dos anos em que as aparências físicas não são as mesmas: o amor não cria rugas como o corpo (cf. n. 89-164).

Francisco entra, após tratar mais do aspecto unitivo, no aspecto fecundo do Matrimônio. Fala da transmissão e geração da vida. Diz o Papa: “Se uma criança chega ao mundo em circunstâncias não desejadas, os pais ou os outros membros da família devem fazer todo o possível para aceitá-la como dom de Deus e assumir a responsabilidade de acolhê-la com magnanimidade e carinho” (n.166).

A Igreja louva as famílias numerosas, mas pede responsabilidade na geração dos filhos a fim de que não se coloque no mundo uma criança que passará graves necessidades. Pede ainda a valorização da gravidez com o amor da mãe e do pai àquela criança, bem como exorta ao que se chama de “paternidade alargada”, ou seja, ser pai ou mãe não é apenas um fato biológico, mas do coração. Daí, as adoções, as ajudas à sociedade em geral, o cuidado com os abandonados e frágeis. A Eucaristia exige compromisso com o irmão. É preciso também que a família tenha um coração grande em que caibam todos: filhos, irmãos e idosos (os avós), além de se viver a família alargada, ou seja, a união entre os familiares em geral: tios, primos de vários graus, cunhados etc. (cf. n. 165-198).

Isso posto, o Papa entra em alguns pontos pastorais sem anular as realidades locais nas quais essas pastorais ocorrerão. Dentre os pontos estão: o anúncio do Evangelho da família, como célula-mãe da sociedade, a formação seminarística e laical com vistas ao apreço familiar em suas alegrias e agruras, a valorização pelas Igrejas locais dos “Cursos de preparação para o Matrimônio”, bem como a digna organização da celebração do Sacramento com leituras bíblicas próprias e insistência de que aquele é um compromisso a durar a vida inteira e não apenas naquele momento de tensão e luzes, filmagens, convidados etc.

Importa ainda uma pastoral específica para acompanhar os casais jovens em seus desafios e alegrias a fim de perceberem que a Igreja se interessa por eles e por suas famílias, especialmente o estar juntos para rezar e conviver, inclusive com outras famílias próximas do mesmo bairro, prédio ou condomínio. Fortalecida por essas “vitaminas”, as famílias conseguem resistir melhor aos problemas inerentes à natureza humana e ao próprio compromisso assumido a gerar feridas que perduram por muitos anos e podem levar ao fim de um casamento. A Igreja, contudo, não deve deixar de acompanhar aquele casal, mesmo após o divórcio, não importando por quais circunstâncias ele tenha ocorrido, fazendo-o sentir que não está excomungado e incentivando-o a reatar o relacionamento ou a averiguar junto às instâncias competentes se seu matrimônio não foi nulo, embora nunca devam deixar de pensar nos filhos a serem educados. Chama a atenção os denominados matrimônios mistos e com disparidade de culto, bem como entre pessoas não batizadas ou famílias monoparentais (geralmente a mãe cuida do filho). Todos os casos devem ser bem avaliados por seus bispos, ainda que a união entre pessoas do mesmo sexo não possa ser, jamais, equiparada a casamento, não obstante as pressões internacionais. Ofereça ainda a Igreja sua presença às famílias enlutadas, ajudando-as a superarem este momento difícil, mas que é inerente à vida (cf. n. 199-258).

Entra o Documento na Educação dos Filhos reforçando que os pais devem acompanhá-los, especialmente com base ética para toda a vida dentro da liberdade que cabe a cada ser humano, embora com sanções quando necessário e um realismo autêntico no modo de se viver em família com sadio equilíbrio, favorecendo o bom desenvolvimento da criança ou adolescente, inclusive com uma educação sexual cristã que não seja mera informação biológica ou a defesa única do chamado “sexo seguro”, mas, sim, formação ética com escala de valores humanos. A educação para a fé é também um dos grandes compromissos familiares a começar, evidentemente, em casa e completar-se na comunidade (cf. n. 259-290).

Chega-se ao acompanhamento das fragilidades das famílias e aqui o Papa lembra que “Os Padres sinodais afirmaram que, embora a Igreja reconheça que toda a ruptura do vínculo matrimonial ‘é contra a vontade de Deus, está consciente também da fragilidade de muitos dos seus filhos’” (n. 291). Há, portanto, como em um hospital de campanha, lugar para atender a todos dentro da gradualidade pastoral. Assim, uma união civil já não é mera convivência, a escolha da união civil, às vezes apenas se dá não por resistência à doutrina, mas por razões ocasionais ou locais, outros optam pela mera convivência por medo do futuro incerto (desemprego, salário não fixo etc.). Todos devem ser acolhidos misericordiosamente pela Igreja e nela podem ensinar pontos da doutrina aos demais, salvo se ostentam publicamente algo contrário aos seus ensinamentos (cf. n. 297).

Devem, então, ser recatequisadas e atuar em outras tarefas pastorais que não seja a catequese. Aos divorciados, em vários graus e casos – há os que têm certeza de que seu primeiro matrimônio foi nulo e está no segundo, há os que têm no segundo casamento filhos para cuidar e há também aqueles que, há pouco se divorciaram e já estão em nova união. Cada caso requer sabedoria dos Pastores no discernimento ponto a ponto. Via de regra, todos hão de ser integrados à Igreja, sem que haja uma norma geral do Sínodo para isso, pois cada caso é um caso. No entanto, os padres, sem deixar a fidelidade à Igreja, devem ser dóceis à voz do Espírito Santo ante esses casais com suas realidades diversas.

Ao mesmo tempo em que importa às consciências se adaptarem às normas da Igreja, é preciso notar que nem todas as consciências são objetivamente culpadas pelo modo de vida que levam destoante da Igreja. Importa se guiar por normas gerais sem se esquecer dos casos particulares, mas não fazer também dos casos particulares junções semelhantes para daí tirar regras. Cairíamos numa casuística sem fim (n. 304). Deve-se aplicar a caridade pastoral, capaz de não abandonar a doutrina da Teologia Moral, mas também não se esquecer da misericórdia gratuita do Senhor para com cada um de nós (n. 310-311). Doutrina e misericórdia, portanto, não se opõem, mas se completam (cf. n. 291-312).

Por fim, o Papa chega a um importante capítulo dedicado à Espiritualidade conjugal e familiar. Destaca Francisco, à luz do Concílio Vaticano II, que a Santíssima Trindade habita não só em cada pessoa, mas também na família, de modo que a vida familiar bem vivida é caminho de santificação (n. 316), na oração comum e diária, ainda que breve, entre os cônjuges e com os filhos à luz do Cristo Ressuscitado a fim de que na própria realidade familiar resplandeça a luz pascal. Esse ponto alto da oração na vida matrimonial é a Eucaristia, a nova e eterna aliança a lembrar ao casal o compromisso de vida de um para com o outro até que a morte os separe. Desse modo, uma testemunha Deus ao outro e são como que pastores da fé a seus filhos e filhas. Todos colocados sob a proteção da Sagrada Família de Nazaré (cf. n. 313-325).

Por Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

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Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

“A Igreja não pode permanecer indiferente às dores de seu povo”, afirma dom Itamar Vian

 

A missa foi concelebrada pelo arcebispo emérito de Manaus (AM), dom Luiz Soares Vieira, e pelo bispo emérito de Palmares (PE), dom Genival Saraiva.  A celebração é parte da programação da 54ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que ocorre em Aparecida, de 6 a 15 de abril.

Ao comentar o Evangelho de João, sobre a multiplicação dos pães,  dom Itamar disse que “Jesus, acolhendo e alimentando as multidões, revela o rosto misericordioso do Pai”.  Porém, ao citar o exemplo de Felipe, que sugeriu dispersar o povo e que cada um procurasse arranjar comida nos povoados vizinhas, lembrou que a mentalidade dos discípulos ainda se perpetua nos tempos atuais. “Diante de tanta dor e sofrimento, de tanta corrupção e falta de ética, da fome e da injustiça social, podemos nos sentir impotente para encontrar as soluções necessárias”, afirmou ao lembrar que no mundo há cerca de um bilhão de pessoas que passam fome.

Ao abordar os Atos dos Apóstolos, recordou que os discípulos sofriam perseguições dos judeus por causa do nome de Jesus. “Isso era motivo de alegria para eles. As injúrias sofridas eram a certeza da autenticidade da Palavra anunciada, mesmo que contrariasse o interesse dos poderosos. Gamaliel, mestre da lei, intercede por eles e deixa um ensinamento que ainda hoje nos dá a certeza da confirmação da obra de Deus na vida da nossa Igreja: se este projeto é de origem humana será destruído. Mas, se vem de Deus, vós não conseguireis eliminá-lo”, alertou.

Conforme dom Itamar, “a Igreja, comprovadamente, ‘vem de Deus” e continua sendo por Ele assistida”. Recordou que hoje, como no passado, ainda há muitas perseguições. “Sofremos pela nossa opção preferencial pelos pobres, na defesa da vida e dignidade para nosso povo, por exigir saneamento básico, por defender um mundo que seja uma Casa Comum para todos. Diante dos sofrimentos e perseguições, façamos como os discípulos: não cessavam de ensinar e anunciar o evangelho de Jesus Cristo”, exortou.

Bispos eméritos

Ao final da sua homilia, dom Itamar explicou o significado do ‘ser’ bispo emérito. Segundo ele, o bispo emérito, ao deixar a administração ou o governo pastoral, ingressa na condição de “avô” da diocese. “Ser bispo emérito é ingressar na tranquilidade da vida. Sua função é mais livre, sem a responsabilidade de resolver problemas administrativos e disciplinares”, disse. Porém ressaltou que isto não significa viver na ociosidade, dado que os bispos eméritos continuam atuando de muitas maneiras como nas paróquias, no atendimento às confissões, proferindo palestras, visitando os doentes, orientando retiros e tantas outras atividades compatíveis com a idade do bispo.

“Nós, bispos eméritos, alimentamos os fiéis com o pão de que necessitam, de esperança em sua caminhada, de escuta em sua solidão, de conforto em sua angústia, de solidariedade em seu abandono, de justiça em sua exploração, de alegria em seu êxito, de formação em sua carência, de graça sacramental em sua espiritualidade”, acrescentou.

A Missa foi dedicada aos bispos eméritos .

Com informações de http://www.cnbb.org.br/

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

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