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Lutero, o urubu que se achava o “cisne” da suposta profecia de Huss

Há um fenômeno interessante no meio protestante: eles minimizam a importância da Sagrada Tradição, mas botam a mão no fogo por todo tipo de supostas profecias originadas em seu meio.

Uma das “prufissias” mais caras aos filhos de Lutero e Calvino é a que conta que, diante da estaca em que seria queimado na fogueira, o herege Jan Huss teria dito: “Hoje vocês assarão um ganso (o nome “Huss” significa “ganso”), mas daqui a cem anos Deus enviará um cisne que vocês não conseguirão assar”. E o tal cisne seria Martinho Lutero – um bebum roliço que em nada se assemelhava a tão graciosa criatura, nem no corpo, nem no espírito.

Lutero, na verdade, poderia muito bem ser comparado a outra ave: o urubu. Ele se alimentou da doutrina podre de seus predecessores Wiclyfe e Jan Huss, como um urubu se alimenta da carniça.

Alguns protestantes ficaram pistola com uma postagem nossa fanpage em que afirmamos que essa história não passa de MITO. Na pretensão de nos refutarem, os afoitos vieram com uma suposta “fonte primária”: uma carta de Poggio o Papista, um católico ilustre que teria sido testemunha ocular da morte de Huss.

Só tem um problema com essa “fonte primária” de Poggio: ELA É FALSA. O Dr. Matthew Spinka, historiador respeitável, em um artigo publicado no site de da Universidade de Cambridge, explica:

This delightfull story is unfortunalely a none too clever forgery.”

Tradução: “Essa história deliciosa, infelizmente, é uma falsificação não muito inteligente.”

Outra forte evidência contra a tal “prufissia” do cisne: Peter de Mladoňovice, que tinha Huss como mestre, não cita em nenhum momento esse blá blá blá de cisne. Peter foi testemunha ocular de sua morte, e a descreveu em detalhes.

O nosso leitor Thiago Cruz também descobriu que um PASTOR PRESBITERIANO do século XIX, David Schley Schaff, escreveu um livro explicando os motivos do porquê a carta de Poggius sobre a morte de Huss é uma falsificação. Esta informação está no “appendix II” do livro “John Huss: his life, teachings and death, after five hundred years”. Este livro está disponível gratuitamente na internet (veja aqui).

Para enterrar a questão de vez com uma pá de cal, apresento a seguir uma investigação brilhante e minuciosa do meu amigo Rodrigo Figueiroa (que NÃO é católico).

A “PROFECIA DE HUSS” INVESTIGADA

Por: Rodrigo Figueiroa

A história é que Poggius Bracciolini, secretário do anti-papa João XXIII, teria escrito duas cartas para seu amigo Leonhard Nikolai onde relatava os últimos dias de prisão de Jan Huss, o herege. Poggius teria ido visitar Huss na esperança de que ele se redimisse. Na segunda Carta, Poggius cita a “profecia do cisne”.

Mas acontece que essas cartas não existem no original e só aparecem numa tradução muito tardiamente – em alemão, em 1840. Eu então procurei saber de onde poderia ter surgido essa história de cisne e o que, de fato, Huss disse – se é que disse algo. E, afinal, o que Lutero sabia disso?

Lutero acreditava que a profecia do cisne se referia a ele, mas ele diz:

São John Huss profetizou sobre mim quando ele escreveu de sua prisão em Bohemia, “eles assarão um ganso agora, mas depois de cem anos ouvirão um cisne cantar, e terão que suportá-lo”. (Commentary on the Alleged Imperial Edict, 1531)

Opa… Escreveu da prisão?! Isso significa que a versão que Lutero conhecia da profecia é DIFERENTE da versão contada pelo “testemunho” do papista Poggius o Florentino, que diz que Huss profetizou durante sua execução, e não da prisão.

Isso também difere do “testemunho” de John Foxe citado muitas vezes em 1500s, que fala da profecia na execução, e também menciona um cisne. O depoimento de Foxe de que o brasão de Lutero tinha um cisne é questionável; não existe nenhuma representação contemporânea.

O fato é que Lutero nasceu em Eisleban, onde o brasão mostra um par de asas brancas. Daí a dizer que é um cisne é meio forçado. John Foxe, aliás, não é testemunha nenhuma; ele é um martirologista puritano que reuniu histórias de mártires da Reforma.

O que temos de Huss são cartas de prisão, como Lutero diz. Nas cartas Huss realmente fazia muitas analogias a si mesmo com o trocadilho “ganso”: diz que o ganso estava preso na rede, mas que um dia “outros pássaros, que pela Palavra de Deus e por suas vidas voarão para lugares mais altos, vão despedaçar suas redes” (Carta de Huss de Outubro de 1412). Huss fala de outros futuros reformadores e os compara com pássaros, mas não um cisne especificamente.

E há uma carta escrita por um companheiro de Huss informando os fiéis sobre a situação de seu líder, que conclui o seguinte:

Escrito em Constance no sábado antes de Martinmas. O Ganso ainda não está cozido, e não tem medo de ser cozido, porque este ano a véspera de St. Martin cai no sábado, quando os gansos não são comidos! (John Cardinalis, 10 de novembro de 1414)

Isso é intrigante, porque mostra que Huss e seus amigos já estavam pensando em termos de “o ganso sendo cozido”, assim como dito mais tarde na profecia. Então essas analogias já existiam em correspondência.

O dito testemunho de fonte primária não é nada primário – a menos que alguém apresente o manuscrito original da carta de Poggius para Leonhard Nikolais em italiano ou latim. Porque a única fonte que temos destas cartas são as traduções para alemão e inglês feitas por uma suposta Beda von Berchem em 1930. Isso significa que durante a época de Lutero, a sua fonte para a profecia NÃO era o testemunho de Poggius.

Beda von Berchem usou duas cartas de Poggius e escreveu o livro “O Julgamento de Huss, por Fra. Poggius, o Papista”. Na suposta carta, Poggius diz que no momento em que a fogueira foi acesa, Huss teria dito:

Então ele cantou em verso, com uma voz exultante, como o salmista no trigésimo primeiro salmo, lendo de um papel em suas mãos:

Em ti, ó Senhor, eu ponho minha confiança,
Inclina o teu ouvido para mim.

Com essas orações cristãs, Hus chegou à fogueira, olhando sem medo. Ele subiu em cima dela, depois que dois ajudantes do carrasco rasgaram suas roupas dele e o vestiram em uma camisa encharcada de piche. (…) Os carrascos agarraram cordas umedecidas, amarraram as mãos e os pés da vítima para trás à estaca, espremeram lã encharcada de óleo entre seus membros e a estaca e esvaziaram tanto óleo sobre sua cabeça que escorreram de sua barba e ouviram sua oração: “Senhor Zebaoth! Tome este pecado deles!”.

Ludewig subiu e rezou com fervor para que Hus renunciasse, para que pudesse ser poupado de uma morte nas chamas. Mas Hus respondeu: “Hoje você vai assar um ganso magro, mas daqui a cem anos você ouvirá um cisne cantar, a quem você deixará livre e nenhuma armadilha ou rede o pegará para você.”

Bem, acontece que sabemos da boca do próprio Lutero que ele conhecia a profecia como dita através das CARTAS DE HUSS NA PRISÃO, e não do testemunho de outras pessoas. Inclusive porque essa passagem profética NÃO ESTÁ nos autos do julgamento, e não é mencionada por uma testemunha ocular da época, cujas cartas – essas sim – eram conhecidas na época de Lutero: Peter de Mladonovic:

Relatório de testemunha ocular do site do evento 
Como foi executado Jan Hus 
Peter de Mladonovic: desenrolar da paixão do mestre Jan Hus

Peter de Mladonovice (falecido em 1451), um escritor de primeira escolta de Hus Sir Jan de Chlum para Constance e lá ele aprendeu todos os detalhes do julgamento e execução de Hus. De suas primeiras notas foi logo criado a intenção de relatar todos os detalhes do amado Mestre, e assim compôs as relações em latim. Jan Hus que por seu alcance, e importância equivalente, pertence dentro da crônica. O próprio autor a chamou de “história”. No total, todo o trabalho tem cinco partes. O mais importante é a terceira e quinta parte, na qual a narração de Peter atinge um alto nível de crônica.

A quinta seção tornou-se de alguma forma independente e foi usada durante o culto nas feriados de Hus como Evangelho (cartas de Hus de Constança, em seguida, substituiu a epístola), primeiro em latim, mas muito em breve em checo. A tradução dessa parte, feita também por Peter (talvez já em 1417-1420) Tornou-se amplamente difundida em cópia e depois na impressão e tornou-se para o utrakvist tcheco uma espécie de contrapartida equivalente à narração bíblica sobre a crucificação de Cristo. A amostra aqui está mostrando a última rota de Huss da catedral do bispo, onde ele foi julgado por heresia, condenado pelo conselho e queimado na fogueira, morrendo heroicamente em 6 de julho de 1415 . Ele está sendo introduzido a partir da tradução do original em latim para o inglês (NY Columbia University Library…):

. . . mas antes disso eles colocaram em sua cabeça uma coroa de papel para a difamação, dizendo-lhe entre outras coisas: “Nós entregamos a sua alma ao diabo!” E ele, unindo as mãos e levantando os olhos para o céu, disse: “E eu entrego ao mais misericordioso Senhor Jesus Cristo por causa de mim, um miserável infeliz, tem uma coroa de espinhos muito mais pesada e dura. Sendo inocente, ele foi considerado merecedor da mais vergonhosa morte.Portanto, eu, um infeliz miserável e pecador, humildemente suportarei esta coroa muito mais leve, ainda que vilificante para o Seu nome e verdade “.

A coroa de papel era redonda de quase dezoito polegadas de altura, e nela foram mostrados três diabos horríveis prestes a apoderar-se de uma alma e a rasgar entre si com garras. A inscrição na coroa descrevendo sua culpa dizia: “Este é um heresiarca”.

Então o rei disse ao duque Ludwig, o filho do falecido Clem da Baviera, que então estava diante dele em suas vestes, segurando a esfera de ouro com a cruz em suas mãos: “Vá recebê-lo!” E o filho do dito Clem recebeu o Mestre, entregando-o nas mãos dos executores para ser levado à morte.

Quando foi coroado, ele foi então conduzido da referida igreja; eles estavam queimando seus livros naquela hora no cemitério da igreja. Quando, de passagem, ele viu, sorriu a esse ato. A caminho, na verdade, ele exortou os que estavam ao redor ou seguiu-o para não acreditar que ele morreria por causa de erros falsamente atribuídos a ele e deposto pelo falso testemunho de seus principais inimigos. De fato, quase todos os habitantes daquela cidade, carregando armas, o acompanharam até a morte.

E tendo chegado ao local da execução, ele, dobrando o joelho e esticando as mãos e voltando os olhos para o céu, cantou com devoção os salmos e particularmente: “Tem piedade de mim, Deus” e “Em Ti, Senhor, Eu confiei, “repetindo o verso” em Tuas mãos, Senhor “. Seus próprios amigos, que estavam ali, ouviram-no orando alegremente e com um semblante alegre.

O local da execução era entre os jardins de um certo prado, como se fosse de Constança em direção à fortaleza de Gottlieben, entre os portões e os fossos dos subúrbios da dita cidade. Alguns dos leigos que estavam em pé disseram: “Não sabemos o que ou como ele agiu e falou anteriormente, mas agora, na verdade, vemos e ouvimos que ele ora e fala com palavras sagradas”. E outros disseram: “Certamente seria bom que ele tivesse um confessor para ser ouvido”. Mas um certo padre em um terno verde com um forro de seda vermelho, sentado em um cavalo, disse: “Ele não deve ser ouvido, nem um confessor ser dado a ele, pois ele é um herege”.

Mas o padre John, enquanto ainda estava na prisão, confessara a um certo médico, um monge, e fora gentilmente ouvido e absolvido por ele, como ele mesmo declarou em uma das cartas a seus [amigos] da prisão. Quando ele estava orando, a coroa ofensiva já mencionada, pintada com três demônios, caiu de sua cabeça. Quando ele percebeu, ele sorriu. Alguns dos soldados contratados disseram: “Coloque-o novamente para que ele possa ser queimado junto com os demônios, seus senhores, a quem ele serviu na terra”.

E levantando-se à ordem do carrasco do lugar onde ele estava orando, ele disse em voz alta e clara, para que seus [amigos] pudessem claramente ouvi-lo: “Senhor Jesus Cristo, estou disposto a suportar com paciência e humildade esta morte terrível, ignominiosa e cruel para o Teu Evangelho e para a pregação do Mundo Tímido “. Então eles decidiram levá-lo entre os espectadores. Ele insistiu e implorou a eles que não acreditassem que, de qualquer forma, ele pregasse, pregasse ou ensinasse os artigos com os quais ele foi acusado por falsas testemunhas.

Depois de ter sido despojado de sua roupa, ele foi amarrado a uma estaca com cordas, as mãos amarradas às costas. E quando ele foi virado para o leste, alguns dos espectadores disseram: “que ele não fique em sintonia com o leste, porque ele é um herege; mas vire-o para o oeste”. Então isso foi feito.

Quando ele estava amarrado ao pescoço com uma corrente de fuligem, ele olhou para ele e, sorrindo, disse aos carrascos: “O Senhor Jesus Cristo, meu Redentor e Salvador, estava preso por uma corrente mais dura e pesada. E eu, um miserável desgraçado, não me envergonho de suportar ser ligado para o seu nome por este “. A estaca era como um espesso poste de meio pé de espessura, eles afiavam uma ponta dela e a fixavam no chão daquele prado. Eles colocam dois feixes de madeira sob a alimentação do Mestre. Quando amarrado a essa estaca, ele ainda estava com os sapatos e um grilhão nos pés. De fato, os ditos feixes de madeira, intercalados com palha, estavam empilhados ao redor de seu corpo, de modo que alcançassem seu queixo. Pois a madeira equivalia a dois vagões – ou cargas de carga.

Antes de ser aceso, o marechal imperial, Hoppe de Poppenheim, aproximou-se dele junto com o filho do falecido Clem, como foi dito, exortando-o a salvar sua vida por renunciar e retratar sua antiga pregação e ensino. Mas ele, olhando para o céu, respondeu em voz alta: “Deus é minha testemunha”, exclamou ele, “que as coisas que são falsamente atribuídas a mim e das quais as falsas testemunhas me acusaram, eu nunca ensinei ou preguei. Mas que a intenção principal da minha pregação e de todos os meus outros atos ou escritos era unicamente que eu poderia afastar os homens do pecado. ”E nessa verdade do Evangelho que eu escrevi, ensinei e preguei está de acordo com as declarações e exposições do doutores santos, estou disposto a morrer de bom grado hoje “.

E ouvindo isso, o dito marechal com o filho de Clem imediatamente bateu palmas e recuou.

Quando os carrascos acenderam imediatamente [o fogo], o Mestre imediatamente começou a cantar em voz alta, a princípio “Cristo, Filho do Deus, tem misericórdia de nós”, e em segundo lugar, Cristo, Tu filho do Deus, tem misericórdia de mim “, e em terceiro lugar,” Tu que és nascido de Maria, a Virgem “. E quando ele começou a cantar pela terceira vez, o vento soprou a chama em seu rosto. E assim orando dentro de si e movendo seu lábios e a cabeça, ele expirou no Senhor. Enquanto ele estava em silêncio, ele parecia se mover antes de realmente morrer por mais ou menos tempo que alguém pode rapidamente recitar “Pai Nosso” dois ou no máximo três vezes.

Quando a madeira desses feixes e cordas foi consumada, mas os restos do corpo ainda estavam nas correntes, penduradas pelo pescoço, os carrascos puxaram o corpo carbonizado junto com a estaca até o chão e os queimaram ainda mais, adicionando madeira de o terceiro vagão para o fogo. E andando por aí, eles quebraram os ossos com bastões para que eles fossem incinerados mais rapidamente.

E encontrando a cabeça, eles a partiram em pedaços com os porretes e novamente a jogaram no fogo. E quando eles encontraram seu coração entre os intestinos, eles afiaram um porrete como um espeto, e, empalando-o em sua extremidade, eles tomaram um cuidado especial para assá-lo e consumi-lo, perfurando-o com lanças até que finalmente toda a massa se transformou em cinzas.

E, por ordem do dito Clem e seu marechal, os carrascos jogaram a roupa no fogo junto com os sapatos, dizendo “Para que os tchecos não a considerassem como relíquias; nós lhe pagaremos por isso”. O que eles fizeram. Então eles carregaram todas as cinzas em uma carroça e jogaram no rio Reno fluindo nas proximidades.”

– Peter de Mladonovic, Paixão de Mestre Jan Huss, 1415 (Poslany sboru kostnickemu proti upaleni mistra Jana Husa)

Peter de Mladonovic, um fiel seguidor de Huss, descreve em detalhes a execução de seu mestre, e no mesmo momento citado por Poggius, quando o príncipe Ludowig se aproxima da fogueira e pede que Huss se arrependa. O discípulo anota as palavras do mestre, mas veja: NÃO CITA NENHUMA PROFECIA.

Por que os autos do julgamento e um seguidor empenhado em posterizar as últimas palavras de seu mestre não citam a profecia, e um funcionário católico de Roma cita quase um panegírico cheio de elogios em relação a um herege?

Por que ninguem usa a carta de Poggius como testemunho antes de sua tardia publicação em ingles e alemão?

Por que Lutero não sabe nada da profecia na execução, e sim a cita tendo origem em cartas de prisão?

Tudo indica forja e interpolação tardia. Do contrário, Peter de Mladonovic teria citado a profecia, a parte mais importante da execução, um fechamento épico! Mas não cita. Apenas essa tal Beda Von Berchem, que traduziu as cartas em 1930 para on inglês, cita tal coisa. E procurando sobre ela, vi que seus únicos trabalhos são papéis em 1936 sobre “A Reabilitação do Exército Sérvio em 1916”.

Não é por causa de Poggius que Lutero acreditou na profecia, nem por causa dele que vemos Lutero associado com cisnes. Foi o Historiador John Foxe, o mesmo que fez a associação do Brasão de Lutero com um cisne, que também relatou que Huss teria profetizado um cisne:

Quando as lápides foram empilhadas até o pescoço, o duque da Baviera foi tão discreto a ponto de desejar que ele fosse abjurado. “Não, (disse Huss;) eu nunca preguei nenhuma doutrina de tendência maligna; e o que ensinei com os meus lábios agora selo com o meu sangue. Ele então disse ao carrasco:“ Agora você vai queimar um ganso, (Huss significando ganso na língua boêmia 🙂 mas em um século você terá um Cisne que você não pode assar nem ferver.”

Foxe NÃO FOI testemunha do evento. O que temos aqui é que alguém, tardiamente, transformou Poggius em uma testemunha A PARTIR da descrição de Foxe; outra testemunha do evento, muito mais interessada e revelada anteriormente, não menciona profecia nenhuma!

Sem as cartas originais de Poggius, é bem possível supor que ele tenha sido mesmo testemunha dos eventos, mas as evidências de uma interpolação são muito grandes, não apenas por ser uma tradução tardia como destoa dos testemunhos anteriores, e se harmoniza com os de um historiador lutherano que não presenciou os eventos.

O que temos de fato sobre Huss e “profecias de pássaros”, são suas cartas da prisão, mas ele não cita nenhum pássaro em específico, tanto que a profecia citada por Lutero aparece sob outras formas, com outros tipos de ave.

O que fez Lutero se associar com Huss e suas profecias foi, na realidade, um sonho na noite anterior a 31 de outubro de 1517: o eleitor Frederico da Saxônia teve um sonho que foi registrado por seu irmão, o duque João. O sonho, em suma, é sobre um monge que escreveu na porta da igreja de Wittenberg com uma pena tão grande que chegava a Roma. Quanto mais as autoridades tentavam quebrar a pena, mais forte ela se tornava. Quando perguntado sobre como a pena ficava tão forte, o monge respondeu: “A pena pertencia a um velho ganso da Boêmia, com cem anos de idade.” Na mesma manhã, ele compartilhou seu sonho, e Martin Luther estava postando suas teses.

Lutero já se considerava um “seguidor” de Huss, e por isso nada de extraordinário que as pessoas tenham sonhado esta associação, prevendo que naquele dia o monge faria suas teses públicas. Mas a parte do “cisne” vem totalmente do próprio Lutero, que se coloca entre as muitas aves citadas nas cartas de Huss.

Por que Lutero se via como um cisne? Minha opinião é que isso tenha a ver sim com o famoso “sonho de Sócrates” e o cisne de Platão, um tema poético e bem conhecido. Mas fora minha opinião, vemos que Foxe já fazia a associação com as asas brancas no brasão de Lutero, apesar das asas não serem especificamente de um cisne, e foi Foxe quem colocou um cisne na boca de Huss.

Por incentivo do próprio Lutero, que se dizia o cisne profetizado de Huss, muitas imagens de Lutero ao lado de um cisne começaram a ser feitas.

Então eu mantenho: NÃO TEMOS TESTEMUNHOS PRIMÁRIOS QUE AFIRMEM QUE HUSS PROFETIZOU UM CISNE. O que temos é uma publicação tardia que DIZ ser um testemunho contemporâneo. Aqui temos todas as cartas de Jan Huss na prisão, e apesar dele fazer analogias com gansos e futuras aves não especificadas como mencionei acima, ele não cita nenhum cisne. Este site tcheco (veja aqui) mostra as cartas. Deve-se notar que nenhuma das cartas de Hus sobreviveu no original; são apenas descrições ou descrições de cópias que datam do século XVI.

Outra fonte que foi misturada às cartas de Huss e deram corpo à “profecia” de Foxe foi que numa carta datada de 5 de março de 1415, que Huss escreveu a John de Chlum, ele quer interpretar esse sonho:

Eu pensei que eles queriam destruir todas as pinturas de Cristo em Belém e de fato as destruíram. Eu me levantei no dia seguinte e vi muitos pintores, que faziam as fotos mais bonitas e maiores, e eu olhei para eles com alegria e os pintores disseram ao povo abundante: “Que os bispos e sacerdotes venham e os destruam!” Quando aconteceu, muitas pessoas se alegraram em Belém e eu com elas, e acordei imaginando que estava sorrindo.

Na carta seguinte a Peter de Mladoňovice, Huss menciona a interpretação do sonho acima mencionado, que ele recebeu de seus amigos quando ele escreve:

… a vida de Cristo, que eu atraí em Belém por sua palavra no coração dos homens, e que destruiriam em Belém, , para que não apareça nas capelas e Belém (proibição do Papa Alexandre de 20 de dezembro de 1409 ) , então que Belém deve ser comparada com a terra (decreto sobre a destruição da capela de 1412) que a vida de Cristo retratará melhor muitos pregadores melhores do que eu , para a alegria de um povo que ama a vida de Cristo – e eu me regozijarei nela … quando crescer, isto é, quando ressuscitar dos mortos ” . (Uma Mensagem do Mestre Jan Hus em Constança por Petra de Mladoňovice, publicado pela Charles University em 1965)

Ou seja, não tem nenhuma profecia. O tempo todo nas cartas ele fica falando que novos pregadores melhores que ele viriam.

E de onde Foxe tirou o cisne que quis tanto associar com Lutero, para dar suporte ao próprio Lutero se associando com o cisne de Huss? Jan Agricola, o precursor dos restauradores do mestre John Hus, foi em 1525 leu o manuscrito em latim sobre a execução de Huss por Peter de Mladoňovice que já vimos, na biblioteca do médico Paul Rockenbach. Ele então escreveu nos versos da tragédia Jan Hus. Um verso, em seguida, lê:

Você inocentemente cometeu uma peça traiçoeira, 
quando você assou os pobres gansos. 
Seu grito era repugnante para você. 
Eu te digo outros dias: 
De dia e de dia, 
Digo-te a voz dos profetas. 
O cisne branco será novamente ouvido 
uma música que o mundo todo ouvirá.

Lutero se achava um cisne e se colocou entre as muitas “aves” que Huss cita em suas cartas na prisão, que são a única fonte da qual Lutero conhece qualquer “profecia” de Huss. Variadas aves eram imaginadas – Ogden Kraut em “95 teses” (Genola, UT: Pioneer Publishers, 1975) menciona uma ÁGUIA. Foxe pegou a “profecia poema” de Jan Agrícola e colocou na boca de Huss, porque citava o Cisne de Lutero. Séculos depois, alguém publicando as cartas de Poggius o Florentino coloca a mesma profecia de Foxe na boca de um testemunho de um inimigo de Huss. O problema é que o mais leal seguidor de Huss, que registrou fielmente seus dizeres, não menciona nada a respeito. Porém esse testemunho, que é o mais importante e revelado mais antecipadamente, é ignorado. Isso mais do que prova que não teve profecia nenhuma.

E mais: um documento postado no site de Cambridge, da American Society Church History, diz que as Cartas de Poggius sobre a morte de Huss, traduzidas por Beda von Berchem, são falsas:

Uma forja não muito esperta. Consiste de duas cartas, supostamente escritas pelo humanista Poggio Bracciolini, um dos secretários da Cúria Romana no Concílio de Constancia, a um amigo. Elas realmente são um romanceamento histórico, uma diabrete contra o Papado. A verdadeira intenção de enganar está no titulo: o livro afirma ser a primeira tradução em ingles do original alemão publicado em 1523 e duas vezes reimpresso. A autenticidade desta obra é questionável desde que a primeira edição em Alemã é de fato de 1840.

Poggius Bracciolini, um prolífico escritor de cartas e colecionador de livros, tem muitas cartas sobreviventes no original, mas – adivinha! -, essa não se pode encontrar em lugar nenhum.

A dita profecia é uma montagem em cima de “disse que disse” não corroborado pela testemunha mais legítima, o hussita Peter de Mladoňovice; e o dito “testemunho de Poggius” é altamente suspeito, sem validade, em um texto que o autor começa a mentir já no título!

Artigo retirado do excelente e credenciado site O CATEQUISTA  O Catequista

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Santo Antônio, doutor da Igreja, martelo dos hereges.

Santo Antônio, doutor da Igreja, martelo dos hereges, arca do testamento, o santo de todo o mundo.

Santo Antônio levou uma vida itinerante na santa pobreza

Neste dia, celebramos a memória do popular santo – doutor da Igreja – que nasceu em Lisboa, no ano de 1195, e morreu nas vizinhanças da cidade de Pádua, na Itália, em 1231, por isso é conhecido como Santo Antônio de Lisboa ou de Pádua. O nome de batismo dele era Fernando de Bulhões y Taveira de Azevedo.

Ainda jovem pertenceu à Ordem dos Cônegos Regulares, tanto que pôde estudar Filosofia e Teologia, em Coimbra, até ser ordenado sacerdote. Não encontrou dificuldade nos estudos, porque era de inteligência e memória formidáveis, acompanhadas por grande zelo apostólico e santidade. Aconteceu que em Portugal, onde estava, Antônio conheceu a família dos Franciscanos, que não só o encantou pelo testemunho dos mártires em Marrocos, como também o arrastou para a vida itinerante na santa pobreza, uma vez que também queria testemunhar Jesus com todas as forças.

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Ao ir para Marrocos, Antônio ficou tão doente que teve de voltar, mas providencialmente foi ao encontro do “Pobre de Assis”, o qual lhe autorizou a ensinar aos frades as ciências que não atrapalhassem os irmãos de viverem o Santo Evangelho. Neste sentido, Santo Antônio não fez muito, pois seu maior destaque foi na vivência e pregação do Evangelho, o que era confirmado por muitos milagres, além de auxiliar no combate à Seita dos Cátaros e Albigenses, os quais isoladamente viviam uma falsa doutrina e pobreza. Santo Antônio serviu sua família franciscana através da ocupação de altos cargos de serviço na Ordem, isto até morrer com 36 anos para esta vida e entrar para a Vida Eterna.

Santo Antônio, rogai por nós!

O dia que me disseram que Senhor dos Anéis era do capeta

Eram os velhos tempos de Orkut. Não lembro se a comunidade era sobre Tolkien, Senhor dos Anéis, cristianismo ou literatura.

Na época, eu com meus doze anos, li em uma discussão algo mais ou menos assim: “Mas Senhor dos Anéis e Crônicas de Nárnia são coisas ocultistas! TEM MAGIA! Bruxaria!”

Foi o suficiente para deixar o coração do menino, que ia à missa todo domingo, bastante aflito. “Caramba, eu gosto de coisa do capeta?”

E lá fui eu pesquisar no Google. Que foi outra burrice. A internet é um perigo.

Devo ter jogado algo como “Senhor dos anéis é do diabo?”, e lá pelas tantas estava lendo um texto que dava as definições dos seres da Terra-Média, do tipo: “anão: ser da mitologia nórdica que vive embaixo da terra, demônio”; “elfo: ser da mitologia celta que vivem bosques e pratica travessuras com os transeuntes, demônio da floresta”.

Provavelmente era um site ligado à Universal, mas menino de doze anos confere as fontes?

Pessoal, não vamos cair nesse erro. Tem que ser muito tapado para ver qualquer coisa anticristã nessas obras.

As Crônicas de Nárnia são profundamente alegóricas: Aslam é Jesus em forma de leão (morre para salvar um traidor e ressuscita). Ele literalmente DIZ ISSO, quando fala para as crianças: “no seu mundo tenho outro nome”. A coisa era tão na cara que Tolkien, autor de Senhor dos Anéis, brigou com C.S. Lewis, autor de Nárnia, alegando que ele forçava muito a barra.

É a obra de um dos maiores apologetas cristãos do século XX. Lewis escreveu mais defesa da fé cristã do que ficção (leiam Cristianismo Puro e Simples, Os Quatro Amores, A Abolição do Homem…). Só bobeou por ser anglicano (mas eu creio que hoje é católico, no Céu).

E o autor do Senhor dos Anéis não é para menos. Tolkien, de fato, não era um apologeta do cristianismo. Não ficava escrevendo sobre a defesa da fé cristã. Mas o homem viveu seu catolicismo. Foi a amizade dele que trouxe C.S. Lewis para o cristianismo, para início de conversa.

Tolkien foi criado por um sacerdote oratoriano, Padre Francis Morgan, pois perdeu os pais cedo. Teve quatro filhos, um deles sacerdote. Catolicíssimo, suas cartas valem a leitura para qualquer cristão, e se não foi beatificado, sua vida é no mínimo muito exemplar.

O Senhor dos Anéis não se propõe a ser alegórico. Tolkien só quis contar uma história. Mas, assim como já vimos com Flannery O’Connor, tudo o que saía da sua mente era reflexo de uma vida católica e a partir de uma perspectiva católica.

Por isso vemos, em Aragorn, a figura de um rei aguardado, que retorna para restaurar um reino (e que cura pelas mãos; e que é desprezado no início; e cuja vinda era aguardada… tá bom, a coisa beirava o alegórico). Vemos em Frodo uma figura que está disposta a dar a vida pela salvação de muitos. Vemos até mesmo, na data que Tolkien escolheu para a derrota de Sauron, um forte sinal – 25 de março, quando lembramos a Encarnação do Verbo no seio de Maria.

Então, não vamos cair em puritanismo (que aliás, é heresia). Há magia em histórias fantásticas. Mas antes de jogar na fogueira (esse hábito de países puritanos, alheio ao catolicismo) se pergunte o que é a magia ali? Onde está o bem? Onde está o mal?

O próprio Tolkien reconhece que a fantasia pode ser usada para o mal, em seu ensaio “Sobre Histórias de Fadas”:

“É claro que a Fantasia pode ser levada ao excesso. Pode ser malfeita. Pode ser empregada para maus usos. Pode até mesmo iludir as mentes das quais surgiu. Mas de que coisa humana neste mundo decaído isso não é verdade?”

Pode ser usado para propagar ocultismo? Claro que pode. Mas isso até as novelas podem (e o espiritismo cresceu muito no Brasil graças a elas).

Mas, como disse Chesterton, que muito influenciou Tolkien: “o bebê conhece intimamente o dragão desde que começa a imaginar. O que o conto lhe dá é um São Jorge para matá-lo”. Magia, fantasia, e mesmo a ficção mais trevosa e hardcore podem ser usados para nos levar ao heroísmo, à virtude, e a conhecer um pouco de Deus, o maior dos autores.

Longe de nós, puritanismo! Examinai tudo e ficai com o que é bom (e voltai aqui para mais dicas e recomendações).

Artigo retirado do excelente e credenciado site O CATEQUISTA  O Catequista

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Economia, instrumento de serviço

O que mais de um século atrás foi tristemente previsto, tornou-se realidade hoje: o lucro do capital coloca fortemente em risco, e corre o risco de suplantar, a renda do trabalho.

Muitos o definiram um verdadeiro Vademecum para a finança ética o documento realizado com a aprovação do Santo Padre pela Congregação para a Doutrina da Fé em colaboração com o Dicastério que se ocupa do Desenvolvimento Humano Integral publicado nesta semana.

Com o título “Oeconomicae pecuniariae quaestiones. Considerações para um discernimento ético sobre alguns aspectos do atual sistema econômico-financeiro”, o Vaticano sai em campo na tentativa de propor e restituir ética à economia e à finança. O documento, como está escrito, pretende dar uma contribuição ao diálogo.

O que mais de um século atrás foi tristemente previsto, tornou-se realidade hoje: o lucro do capital coloca fortemente em risco, e corre o risco de suplantar, a renda do trabalho, comumente confinada às margens dos principais interesses do sistema econômico. Isto proporciona o fato de que o trabalho, – lê-se no documento – com a sua dignidade, não somente se torne uma realidade sempre mais em risco, mas perca também a sua qualidade de “bem” para o homem, transformando-se em um mero meio de troca ao interno de relações sociais tornadas assimétricas.

Os excluídos são “sobras”

Exatamente nesta inversão de ordem entre os meios e os fins, em que o trabalho se torna de um bem em “instrumento” e em que o dinheiro se torna de um meio em um “fim”, encontra um fértil terreno aquela inconsciente e amoral “cultura do descarto” que excluiu grandes massas da população, privando-as de um trabalho digno e tornando-as “sem perspectivas e sem vias de saída”: “não se trata mais simplesmente do fenômeno de exploração e opressão, mas de uma realidade nova”: com a exclusão, fere-se, na própria raiz, a pertença à sociedade onde se vive, pois quem vive nas favelas, na periferia ou sem poder já não está nela, mas fora. Os excluídos não são “explorados”, mas resíduos, “sobras”.

O bem-estar não é só questão de PIB, Produto Interno Bruto, destaca o documento. Nenhum lucro é legítimo quando falta o horizonte da promoção integral do pessoa humana, do destino universal dos bens e da opção preferencial pelos pobres. Todo progresso do sistema econômico – lê-se no texto – não pode se
considerar tal, se medido apenas com parâmetros de quantidade e quantidade e de eficácia na produção de lucro, mas também deve basear-se na qualidade de vida que produz e da extensão social do bem-estar que espalha. Um bem-estar que não pode ser limitado ao aspecto material.

O bem-estar deve ser avaliado com critérios mais amplos da produção interna bruta de um país (PIB), tendo em conta, em vez disso, também outros parâmetros, como a segurança, a saúde, o crescimento do ‘capital humano’, a qualidade da vida social e do trabalho”.

Parâmetros humanizadores

“O lucro deve sempre ser perseguido, mas nunca” a qualquer custo, nem como o referente totalizante da ação econômica, destaca o documento. Daí a importância de “parâmetros humanizadores” capazes de estabelecer um círculo virtuoso entre lucro e solidariedade que, graças ao livre agir do homem, pode desencadear todas as potencialidades positivas do mercados.

O documento também analisa a história recente do tecido econômico mundial. “A recente crise financeira – é enfatizado -, poderia ser uma oportunidade para desenvolver uma nova economia mais atenta aos princípios éticos e para uma nova regulamentação da atividade financeira, neutralizando os aspectos predatórios e especulativos e valorizando os serviços à economia real”. Apesar dos esforços positivos em vários níveis, não houve “uma reação que tenha levado a repensar os critérios obsoletos que continuam a governar o mundo”.

Um fenômeno inaceitável “é lucrar explorando a própria posição dominante com a injusta desvantagem de outras pessoas ou enriquecer-se gerando danos ou perturbações ao bem-estar coletivo”. E esta prática é particularmente deplorável, do ponto de vista moral, quando a mera intenção de ganhar por parte de poucos através do risco de uma especulação visando provocar reduções artificiais nos preços dos títulos da dívida pública, e não se preocupa em afetar negativamente ou agravar a situação econômica de países inteiros.

O dinheiro deve servir

Em um contexto marcado por profundas desigualdades é necessário repensar os modelos econômicos. É tempo de seguir com uma recuperação do que é autenticamente humano, “ampliar os horizontes da mente e do coração, para reconhecer com lealdade o que vem das exigências da verdade e do bem”. Está cada vez mais claro que “o egoísmo no final não paga e faz com que todos paguem um preço alto demais”. A economia não deve ser vista como um instrumento de poder, mas de serviço: “o dinheiro deve servir e não governar”.

Silvonei José – Cidade do Vaticano

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Cinderela X Merida – A força feminina que reside na humildade, não na rebeldia

Reparem no modelo de mulher que vem dominando os comerciais de TV: insolente, impaciente, grossa, sempre quer ficar por cima da carne seca e, acima de tudo, não perde a oportunidade de ridicularizar e o seu marido/namorado como um completo idiota. Acham que tô exagerando? Então deem uma olhada nesses dois breves vídeos abaixo.

O fato desse tipo de propaganda não causar asco e rejeição da maioria da sociedade sinaliza que achamos esse comportamento feminino, no mínimo, aceitável. E assim, às vezes sem perceber, as meninas e mulheres cristãs absorvem e imitam esse modelo promovido pela mídia. E deixam de cultivar a delicadeza, a humildade e a capacidade de silenciar e de se resignar, como se essas fossem coisas de mulher derrotada e fraca, que não luta pela sua felicidade.

Não creio que seja obrigatório ser doce e gentil o tempo todo – rodar a baiana de vez em quando pode ser necessário. Porém, é desolador ver uma geração de jovens incapazes de cultivar a virtude da mansidão, da qual Jesus e Nossa Senhora nos deram tão grande exemplo.

A mansidão é vista como fraqueza pelas mulheres de hoje. Paradoxalmente, foi com mansidão que a Virgem Maria convenceu Seu Filho salvar as Bodas de Caná de um ruidoso fracasso, pela falta de vinho. Sua força estava na doçura.

“Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra!” (Mateus 5,5)

No cenário atual, “Cinderela”, o novo filme da Disney, é tão fantástico que chega ao ponto de chocar – e muito positivamente. Antes de falecer, a mãe de Cinderela adverte a filha de que, na vida, ela deverá passar por provações. Então, é muito superficial dizer que os contos de fadas prometem uma vida para sempre feliz e perfeita: na verdade, a cruz está sempre lá.

A mãe reforça que a força da menina está em sua BONDADE. Na bondade reside grande PODER. E assim, a ela deveria sempre manter a CORAGEM e a GENTILEZA. Cinderela foi sempre obediente a esses conselhos maternos, mesmo diante das injustiças de sua madrasta e de suas “irmãs”.

Os menos atentos dirão que Cinderela é submissa demais. Na verdade, ela é humilde na medida certa, e está bem longe de ser burra ou manipulável. Na hora crucial, Cinderela soube dizer “não” aos abusos da madrasta. Também teve ousadia para contestar o modo de agir e pensar do príncipe, e o levou a ter uma nova visão sobre a vida.

Por falar no príncipe, este se opõe a seu pai, que deseja para ele um vantajoso casamento arranjado. Porém, o príncipe em momento algum falta ao respeito por seu pai. Bem diferente disso, pondera que seu pai sempre deseja o melhor para ele. É interessante comparar o modo como o príncipe de Cinderela enfrenta esse dilema com a reação da princesa de outro filme da Disney – Merida:

– Você é um monstro, isso é o que você é! Nunca serei como você. Eu prefiro morrer a ser como você! – diz Merida à mãe, recusando-se a casar com um dos pretendentes dos diversos clãs aliados.

“Valente” é o nome do filme da princesa Merida. De fato, ela atira flechas muito bem, é uma ágil e intrépida alpinista… e só. Porém, que valentia há em dar piti diante das contrariedades, ignorar completamente o seu papel na sociedade (como se não fizesse parte de um “todo”) e, de quebra, ainda se meter com bruxaria e fazer uma macumba para a própria mãe?

Valente ou menina tola? Merida é incapaz de deter seus instintos, não refreia a língua, coloca sua vontade acima de tudo e de todos, é irresponsável, imprudente e arrogante. Pra piorar, seguindo a mesma ideia dos comerciais que mostramos, o filme “Valente” mostra os homens como um bando de retardados. O trecho abaixo resume esse espírito:

Sim, Merida aprendeu algumas lições. Aprendeu a valorizar a tradição de sua família e se arrependeu de ter feito mandinga pra sua pobre mãe. Mas seus graves erros saíram muito, muito barato. O filme passa a mensagem que vale a pena sair chutando o balde quando o mundo é injusto, e as pessoas não te compreendem. Se as coisas não estão legais pra você, rebele-se, pise em todo o mundo. No fim, tudo dá certo! Eis a lição de “Valente”.

Já Cinderela mostra uma moça verdadeiramente “valente”, que não se destrambelha diante dos sofrimentos injustos, sabe calar, sabe perdoar, é capaz de se sacrificar. É claro que existem meninas e mulheres de todos os jeitos e temperamentos, e isso é muito bom. Não se trata se seguir uma determinada etiqueta, e sim refletir sobre a força feminina que brota da doçura. Cinderela é certamente uma personagem inspiradora, nesse sentido.

Ficamos devendo um post sobre o filme em si. Vale muito a pena… em tempos de tanto destrambelhamento, chega a ser emocionante ver um filme que conserva os valores tradicionais.

Artigo retirado do excelente e credenciado site O CATEQUISTA  O Catequista

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Catelivros – E se a sua vocação fosse escrever?

Você! Você mesmo!

Você conhece Flannery O’Connor? Ela venceu muitos obstáculos e se tornou uma escritora incrível. E um dos fatores do seu sucesso foi encarar o dom de escrever como uma verdadeira vocação. E você? Já pensou que esse pode ser o seu chamado também?

É impressionante a quantidade de gente que trabalha ou estuda sem fazer o que gosta, querendo apenas “ganhar dinheiro” (e isso é bem discutível, porque hoje nada dá dinheiro…). Muitos além de não encherem o porquinho de dinheiro, acabam enchendo a gaveta com montes de contos autorais. Mas encaram a escrita como hobby, não como trabalho ou vocação…

Se você é um desses, talvez não entenda como “Jogos Vorazes” vendeu tanto e “Dragões de Éter” ganhou uma nova edição. E mais! Talvez esteja certo de que as trinta páginas que você conseguiu escrever poderiam ser um livro muito melhor do que esses.

Se você é assim ou conhece alguém assim, dê uma olhada nesse trecho da carta que São João Paulo II escreveu aos artistas:

“Quem tiver notado em si mesmo esta espécie de centelha divina que é a vocação artística — de poeta, escritor, pintor, escultor, arquiteto, músico, ator… —, adverte ao mesmo tempo a obrigação de não desperdiçar este talento, mas de o desenvolver para colocá-lo ao serviço do próximo e de toda a humanidade”.

Olhe bem o que esse Papa santo coloca como uma obrigação: não desperdiçar esse talento! Você lembra como Nosso Senhor disse que seria tratado o servo que enterrasse o talento? Pois é. Nada legal. Escritor católico, se você tem vocação, trate ela com seriedade!

E como o exemplo arrasta mais do que as palavras, eu vou contar uma história. A história de uma católica que encarou a escrita como vocação.

Era uma vez uma jovem norte-americana que, com muito esforço e dedicação, deixou sua casa na zona rural para se dedicar ao seu sonho: escrever.

Ela foi aprovada em uma escola literária de prestígio, após concluir um mestrado em belas artes, e foi para NY. Lá, conviveu com os grandes escritores da época, em um ambiente de efervescência cultural, e foi tratada como uma igual.

Além disso, revisava seu primeiro romance, com vistas à publicação. Que alegria!

Mas tudo isso mudou quando ela passou mal e foi diagnosticada com lúpus. A doença incurável que matou seu pai, dez anos antes.

De uma hora para outra, tudo desabou.

Por muito menos, não poucos jogam tudo para o alto e se revoltam ou se entregam à depressão. Seria razoável supor que a jovem abandonou sua carreira.

Mas essa é a história de Flannery O’Connor, uma das maiores escritoras do século XX. E ela era profundamente católica.

Flannery abraçou sua cruz e seguiu o Cristo. Retornou a fazenda de sua mãe (e seus 44 pavões. Sim, bastante exótico) e, naquele retiro interiorano, longe das grandes mentes da cidade, viveu uma rotina de religiosa. Mas de religiosa escritora.

Começava seus dias cedo, com a missa. Depois de um café da manhã simples, escrevia sem parar por três horas, diariamente. Após o almoço, recebia visitantes, respondia correspondência, lia (e um escritor deve sempre estar lendo alguma coisa), e… alimentava os pavões (todo mundo precisa contribuir com a fazenda da família). Após a janta, ela lia um pouco mais, fazia suas orações da noite e meditava questões da Suma Teológica (sim, a de Santo Tomás!), até às 21h.

E no outro dia, tudo de novo. Foi sua rotina ao longo dos 14 anos em que combateu o lúpus. Morreu cedo, aos 39, e muitos dizem que só não ficou entre os grandes nomes da literatura universal por ter nos deixado em tão pouco tempo.

Nesse tempo, levou a sério as palavras de São João Paulo II:

“A vocação diferente de cada artista, ao mesmo tempo que determina o âmbito do seu serviço, indica também as tarefas que deve assumir, o trabalho duro a que tem de sujeitar-se, a responsabilidade que deve enfrentar”.

Vendo a vida de uma escritora piedosa, você até pode até ter se animado para continuar aquele livro que você enrola há 5 anos para dar continuidade, mas talvez esteja pensando: “Daniel, eu não sei escrever histórias bíblicas e vidas de santos. Só gosto de falar de dragão, vampiro e cabeça decepada. Não seria um bom escritor católico”.

Primeiramente: tamo junto!

Em segundo lugar: o exemplo de Flannery O’Connor é ótimo justamente por isso. Ela, como Tolkien, Chesterton e tantos outros escritores católicos, estava interessada em ser uma boa escritora, e não em escrever contos piedosos (o que é justo e necessário, mas não era a vocação dela).

Ela queria escrever boas histórias que atingissem ao público, e seus dois romances e mais de 80 contos ficaram famosos pelo uso do grotesco e do violento. E não há nada de errado nisso, pois são histórias que, indiretamente (e por vezes, explicitamente) mostram um mundo marcado pelo pecado que necessita da misericórdia divina.

Se você alimenta sua alma com a Palavra e os sacramentos, medita os mistérios da fé e busca dar testemunho, necessariamente sua arte vai refletir isso. Ainda que fale de apocalipse zumbi, máfia ou impérios intergalácticos.

Uma vez perguntaram a Flannery porque ela escrevia. Sua resposta? “Porque sou boa nisso”.

Ela não estava se exibindo. Estava mostrando um catolicismo consciente que reconhece que todos os dons vêm de Deus. Precisamos usar isso para a maior glória Dele.

Não enterremos nossos talentos.

Artigo retirado do excelente e credenciado site O CATEQUISTA  O Catequista

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Se a pessoa não controla a sua língua, a religião é inútil.

Nas nossas paróquias, pastorais e comunidades de fé, muita gente manifesta o dom das línguas… das línguas cheias de maledicência, de intriga e de difamação.

É comum a gente imaginar o ato da fofoca como um pecadinho de pouca importância, e assim não nos esforçamos para corrigir este vício odioso. É preciso que nos ajudemos a amadurecer a consciência de que, na maior parte das vezes, falar mal dos outros produz grandes estragos e mancha gravemente a alma do linguarudo.

Quem já não perdeu bons amigos por causa de uma calúnia? Quem já não foi prejudicado no colégio, na universidade, na família ou no trabalho? Quem já não confiou um segredo a alguém e acabou “na boca de Matilde”? Quem já não foi tentado a deixar a Igreja em razão de fofocas? E, afinal… quem nunca fez ou deu ouvidos a uma fofoca?

“A chicotada produz um ferimento, porém uma língua má quebra os ossos. Muitos homens morreram pelo fio da espada, mas não tantos quanto os que pereceram por sua própria língua.” (Eclo 28,21-22)

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“…faze uma balança para (pesar) as tuas palavras, e para a tua boca, um freio bem ajustado. Tem cuidado para não pecar pela língua, para não caíres na presença dos inimigos que te espreitam, e para que não venha o teu pecado a ser incurável e mortal.” (Eclo 28,29-30)

No Antigo Testamento há diversas passagens advertindo sobre o problema das “línguas de fogo” que queimam a reputação e a paz alheias. A extensão deste mal é tão nefasta que, segundo São Tiago, se uma pessoa se diz fiel a Deus e não controla a sua língua, a sua religião é vã (Tiago 1,26). Por outro lado, quem procura ser sensato em tudo o que diz está no caminho da perfeição:

“Se alguém não cair por palavra, este é um homem perfeito, capaz de refrear todo o seu corpo. Quando pomos o freio na boca dos cavalos, para que nos obedeçam, governamos também todo o seu corpo. (…)
Considerai como uma pequena chama pode incendiar uma grande floresta! Também a língua é um fogo, um mundo de iniquidade. A língua está entre os nossos membros e contamina todo o corpo; e sendo inflamada pelo inferno, incendeia o curso da nossa vida.

Todas as espécies de feras selvagens, de aves, de répteis e de peixes do mar se domam e têm sido domadas pela espécie humana. A língua, porém, nenhum homem a pode domar. É um mal irrequieto, cheia de veneno mortífero.

Com ela bendizemos o Senhor, nosso Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procede a bênção e a maldição. Não convém, meus irmãos, que seja assim.” (Tiago 3,2-9)

“Mas eu só estou dizendo a verdade!” – é assim que os fofoqueiros se justificam.Entretanto, pecar com a língua não se restringe somente a divulgar mentiras ou informações temerárias, mas também revelar a outros os defeitos ou pecados do próximo, ainda que isso seja verídico.

Falar mal de alguém só é justificável quando se procura evitar algum mal com isso. Exemplo: uma amiga sua está interessada em um carinha, que se aproximou dela omitindo o fato de estar noivo. Sabendo disso, você a adverte.

Mas, cá pra nós, esses casos “filantrópicos” são minoria: quase sempre, quando comentamos os podres de alguém, é pelo puro prazer de destilar veneno.

E não é só o falador que peca: quem dá trela a pessoas maledicentes também colabora com o mal. Por isso, se alguém vier com esses papos pro seu lado, trate logo de se esquivar. A Bíblia diz que não devemos nos juntar com pessoas faladoras (Prov 20,19) e, se ainda assim chegar aos nossos ouvidos uma fofoca, a dica é: abafa o caso!

“Ouviste uma palavra contra o teu próximo? Abafa-a dentro de ti; fica seguro de que ela não te fará morrer.” (Eclo 19,10)
“Protege teus ouvidos com uma sebe de espinhos; não dês ouvidos à língua maldosa, e põe em tua boca uma porta com ferrolhos.” (Eclo 28,28)

Bem, se mesmo depois de muita oração e boa-vontade você ainda não conseguir se livrar da mardita mania de falar mal dos outros, considere a possibilidade de passar cola Super Bonder nas beiças. É melhor entrar no Paraíso com o bico lacrado do que ser lançado no fogo do inferno com a língua solta!

Reprodução: Portal Terra de Santa Cruz

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Artigo retirado do excelente e credenciado site O CATEQUISTA  O Catequista

Nota Oficial do Santuário Nacional- “Nossa bandeira é o Brasil” em resposta à heresia de Gleise Roffmann.

Diante da manifestação pública da Senadora Gleise Roffmann sobre o desejo de organizar uma Romaria ao Santuário Nacional de Aparecida no próximo dia 20 de maio, o Santuário oficialmente informa que:

– O Santuário Nacional de Aparecida é um espaço sagrado que acolhe todos os filhos e filhas de Nossa Senhora Aparecida, sem distinção;

– Da mesma forma, também é uma Casa que se coloca contra toda e qualquer utilização do seu espaço para fins políticos ou ideológicos;

– Com base nos valores éticos e cristãos, o Santuário Nacional entende que o momento atual é propicio de reflexão e protagonismo do cidadão ao que tange às escolhas eleitorais, por isso, sob qualquer hipótese se posiciona ou se posicionará em favor de quaisquer líderes políticos, refutando toda e qualquer iniciativa que queira utilizar-se do Altar da Eucaristia para fins de promoção individual ou partidária;

– A cada domingo cerca de 200 romarias passam pelo Santuário Nacional, casa da Mãe Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, e, como cristãos, as portas da Igreja devem estar abertas para os devotos quem venham a Aparecida com o objetivo de realmente encontrarem neste espaço uma experiência profunda de fé,

– O Santuário não está organizando ou convidando pessoas para se mobilizarem em favor deste ou daquele político, reafirmando seu compromisso com o projeto “Eu sou o Brasil ético”, lançado no início deste ano, com o objetivo de estimular a reflexão crítica dos fiéis;

– Por fim, o Santuário informa que nenhuma celebração deste ou em qualquer outro dia na rotina deste Santuário Mariano é realizado com fim específico que não o de evangelização dos milhares de peregrinos que por aqui passam todos os dias.

Nossa bandeira é o Brasil. Nossa representante é Aparecida, Nossa Padroeira.

Vamos rezar pelo Brasil. Nós temos essa obrigação!

Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida

OPINIÃO PORTAL: A casa da mãe Aparecida não é lugar de politicagem e muito menos palanque, caminhão ou trio elétrico para fazer defesa de bandido condenado pela justiça em todas as estancias possíveis e cabíveis. Ninguém está acima da Lei. A única coisa que pode ser feita na condição de cristãos e é rezar por este meliante, que se arrependa e se converta. O mesmo para a senhora senadora Gleisi que, demostra-se desequilibrada e desesperada. O real papel dela como senadora não está sendo cumprido que é sair em busca de recursos para o estado que a elegeu senadora, ficar no senado lutando por coisas que de fato são boas para o povo brasileiro e fiscalizando o governo. Estamos pagando uma senadora que passa maior parte do seu tempo defendendo “direitos” de um corrupto condenado a 12 anos de prisão.

Acreditamos e temos absoluta convicção de que o Santuário Nacional de Aparecida tomou decisão correta e mais clara, sem desmerecer  nenhum cristão.

Aprendemos a rezar com Maria o Magnificat. ” Derruba dos tronos os poderosos e eleva os humildes. Aos famintos enche de bens e despede os ricos de mãos vazias” (Lc 1, 52-53)

Cristão ou marxista? 9 citações mostram que um é incompatível com o outro

Não, não é possível ser cristão e marxista ao mesmo tempo

Folha de Londrina publicou um texto do colunista Paulo Briguet composto apenas de citações. O conjunto delas deixa bem claro que um cristão não pode ser marxista, já que marxismo e cristianismo (ou qualquer outra religião) são mutuamente excludentes. Confira:

A religião é o ópio do povo. A abolição da religião como felicidade ilusória é o que falta para sua verdadeira felicidade.” (Karl Marx, 1844)

Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista.” (Pio XI, encíclica “Quadragesimo Anno”)

A religião é o ópio do povo. Esta máxima de Marx constitui a pedra angular de toda a concepção marxista na questão religiosa. O marxismo considera sempre que todas as religiões e igrejas modernas, todas e cada uma das organizações religiosas, são órgãos da reação burguesa chamados a defender a exploração e embrutecer a classe operária.” (Vladimir Lênin, 1909)

Os principais autores desta intriga tão abominável não se propõem outra coisa senão impelir os povos, agitados já por toda classe de ventos de perversidade, ao transtorno absoluto de toda a ordem humana das coisas, e entregá-los aos criminosos sistemas do novo socialismo e comunismo.” (Pio IX, encíclica “Noscitis et Nobiscum”)

Devemos lutar contra a religião. Isto é o abc de todo materialismo e, portanto, do marxismo.” (Vladimir Lênin, 1909)

O erro fundamental do socialismo é de caráter antropológico. De fato, ele considera cada homem simplesmente como um elemento e uma molécula do organismo social, de tal modo que o bem do indivíduo aparece totalmente subordinado ao funcionamento do mecanismo econômico-social, enquanto, por outro lado, defende que esse mesmo bem se pode realizar prescindindo da livre opção, da sua única e exclusiva decisão responsável em face do bem e do mal.” (João Paulo II, encíclica “Centesimus Annus”)

A multiplicação dos pães, na verdade, é o Fome Zero de Jesus.” (Frei Betto, 2018)

O cristianismo não tinha trazido uma mensagem sócio-revolucionária semelhante à de Espártaco que tinha fracassado após lutas cruentas. Jesus não era Espártaco, não era um guerreiro em luta por uma libertação política, como Barrabás ou Bar-Kochba. Aquilo que Jesus — Ele mesmo morto na cruz — tinha trazido era algo de totalmente distinto: o encontro com o Senhor de todos os senhores, o encontro com o Deus vivo e, deste modo, o encontro com uma esperança que era mais forte do que os sofrimentos da escravatura e, por isso mesmo, transformava a partir de dentro a vida e o mundo.” (Bento XVI, encíclica “Spe Salvi”)

Não sou Cristo, nem filantropo, velha, sou totalmente o oposto de um Cristo. Luto pelas coisas em que acredito, com todas as armas de que disponho, e tento deixar o outro homem morto de modo que eu não seja pregado numa cruz ou em algum outro lugar.” (Che Guevara, em carta à sua mãe, 1956)

Paulo Briguet, em Folha de Londrina, 6 de fevereiro de 2018

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Um toque do amor eterno nas feridas mais dolorosas do homem

As feridas humanas encontram ressonância no coração de Deus

A Cruz é o modo mais profundo da divindade debruçar-se sobre a humanidade, especialmente nos momentos difíceis e dolorosos. A Cruz é como que um toque do amor eterno nas feridas mais dolorosas da existência terrena do homem. É, também, o cumprir-se cabalmente do programa messiânico, que Cristo um dia tinha formulado na sinagoga de Nazaré (84) e que repetiu depois diante dos enviados de João Batista (85).

Cristo, precisamente como Crucificado, é o Verbo que não passa (92). É o que está à porta e bate ao coração de cada homem (93), sem restringir a sua liberdade. Cristo procura fazer irromper dessa mesma liberdade o amor. Amor que é não apenas ato de solidariedade para com o Filho do homem que sofre, mas também, em certo modo, uma forma de – misericórdia. Porventura, em todo o programa messiânico de Cristo, em toda a revelação da misericórdia pela Cruz, poderia ser mais respeitada e elevada a dignidade do homem, já que o homem, se é objeto da misericórdia, é também, em certo sentido, aquele que ao mesmo tempo exerce a misericórdia?

O mistério da Paixão e Morte de Jesus enquanto caminho para a ressurreição

O mistério pascal é Cristo na cúpula da revelação do imperscrutável mistério de Deus. É precisamente então, que se verificam plenamente as palavras pronunciadas no Cenáculo: “Quem me vê, vê o Pai” (96). De fato, Cristo a quem o Pai “não poupou” (97) em favor do homem e que, na sua Paixão, assim como no suplício da Cruz não encontrou misericórdia humana, na sua ressurreição revelou a plenitude daquele amor que o Pai nutre para com Ele e, n’Ele para com todos os homens. Esse Pai não é Deus de mortos, mas de vivos (98).

Na Sua ressurreição Cristo revelou o Deus de amor misericordioso, precisamente porque aceitou a Cruz como caminho para a ressurreição. É por isso que, quando lembramos a Cruz de Cristo, a Sua Paixão e morte, a nossa fé e a nossa esperança concentram-se n’Ele ressuscitado naquele mesmo Cristo, aliás, “na tarde desse dia, que era o primeiro de semana (…) se pôs no meio deles – no Cenáculo – onde se achavam juntos os discípulos (…) soprou sobre eles e lhes disse: ‘Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos’” (99).

Este é o Filho de Deus que, na sua ressurreição, experimentou em si de modo radical a Misericórdia. Experimentou o amor do Pai que é mais forte do que a morte. Ele é, também, o mesmo Cristo Filho de Deus. Cristo Pascal é a encarnação definitiva da misericórdia, o seu sinal vivo: histórico-salvífico e, simultaneamente, escatológico. Neste mesmo espírito, a Liturgia do tempo Pascal põe nos nossos lábios as palavras do Salmo: Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor (…) (100).

Características maternais e paternais do Amor

Como os profetas, apelamos para o amor que tem características maternais. Semelhante ao amor de mãe, vai acompanhando cada um dos seus filhos, cada ovelha desgarrada, ainda que houvessem milhões de extraviados.

Recorramos, pois, a tal amor, que permanece amor paterno, como nos foi revelado por Cristo na sua missão messiânica. Amor que atingiu o ponto culminante na sua Cruz, Morte e Ressurreição! Recorramos a Deus por meio de Cristo, lembrados das palavras do Magnificat de Maria, que proclamam a misericórdia “de geração em geração”. Imploremos a misericórdia divina para a geração contemporânea! Que a Igreja, que procura, a exemplo de Maria ser em Deus, mãe dos homens, exprima nesta oração a sua solicitude maternal e o seu amor confiante, donde nasce a mais ardente necessidade da oração.

Elevemos as nossas súplicas, guiados pela fé, pela esperança e pela caridade, que Cristo implantou nos nossos corações. Essa atitude é, ao mesmo tempo, amor para com Deus, que o homem contemporâneo, por vezes, afastou tanto de si. Esse homem passou a considera-Lo um estranho e de várias maneiras, O proclama “supérfluo”. É, ainda, amor para com Deus, em relação ao Qual sentimos profundamente quanto o homem contemporâneo O ofende e O rejeita; e por isso estamos prontos para clamar com Cristo na Cruz: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (137).

Deus ama o homem sem qualquer discriminação

(…) Tal atitude é, também, amor para com os homens, para com todos os homens, sem exceção e sem qualquer discriminação. Sem diferenças de raça, de cultura, de língua, de concepção do mundo e sem distinção entre amigos e inimigos. Tal é o amor para com todos os homens, que deseja todo o bem verdadeiro a cada um deles. Se estende também a toda comunidade humana, a cada família, nação, grupo social. Aos jovens, aos adultos, aos pais, anciãos e doentes, enfim, amor para com todos sem exceção. Tal é o amor, esta viva solicitude para garantir a cada um, todo o bem autêntico, afastar e esconjurar todo o mal (…).

Trecho da Encíclica “Dives in Misericordia

Papa São João Paulo II

Fonte: Blog Canção Nova