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Santo Antônio de Lisboa, “Martelo dos Hereges”,“Doutor da Igreja”, “Doutor Evangélico”, “Arca do Testamento”, “Santo de todo o mundo”

“Doutor da Igreja”, “Martelo dos Hereges”, “Doutor Evangélico”, “Arca do Testamento”, “Santo de todo o mundo”

O grande taumaturgo de Pádua embora com uma curta existência terrena, tornou-se um dos santos mais populares do mundo, sendo venerado tanto no Oriente quanto no Ocidente.

MARTELO.jpg“Alegra-te, feliz Lusitânia! Salta de júbilo, Pádua ditosa! Pois gerastes para a Terra e para o Céu um varão que bem pode comparar-se com um astro rutilante, já que brilhando, não só pela santidade da vida e gloriosa fama de milagres, mas também pelo esplendor que por todas as partes derrama a sua celestial doutrina”.

Esse foi o esplêndido elogio que fez desse santo o Papa Pio XII.(1)

“Doutor da Igreja”, “Martelo dos Hereges”, “Doutor Evangélico”, “Arca do Testamento”, “Santo de todo o mundo” –– são alguns dos títulos com que os Soberanos Pontífices honraram aquele cuja vida foi, no dizer de um de seus biógrafos, um milagre contínuo.

Natural de Lisboa onde nasceu em 1191 ou 1195, filho dos nobres Martinho de Bulhões e Teresa Taveira, o futuro santo recebeu no batismo o nome de Fernando. De boa índole, inclinado à piedade e às coisas santas, sua formação espiritual e intelectual foi confiada aos cônegos da Catedral de Lisboa por seu pai, oficial no exército de D. Afonso.

Clérigo Regular de Santo Agostinho

Segundo alguns de seus biógrafos, na adolescência Fernando foi acometido por violenta tentação contra a pureza. traçou uma cruz com os dedos, numa coluna de mármore, ficando nela impressa como em cera.

Avaliando nessa ocasião os perigos que corria, o adolescente quis entrar para o Mosteiro de São Vicente de Fora, dos Clérigos Regulares de Santo Agostinho, nos arredores da capital portuguesa, quando contava 19 anos de idade. Ali permaneceu dois anos, findos os quais, por ser muito procurado por parentes e amigos, pediu aos superiores que o transferissem para o mosteiro Santa Cruz de Coimbra, casa-mãe do Instituto. Foi ordenado sacerdote em 1220. Frei Fernando, entretanto, almejava abraçar um gênero de vida mais perfeito e mais de acordo com suas íntimas aspirações.

Transferência para a Ordem Franciscana

Quando chegaram a Coimbra os restos mortais dos cinco protomártires franciscanos, que deram sua vida pela Fé no Marrocos, Frei Fernando sentiu imenso desejo de imitá-los, vertendo também seu sangue por Cristo.

Um dia, no verão de 1220, quando dois franciscanos foram ao seu mosteiro pedir esmola, Frei Fernando perguntou-lhes se, passando ele para sua Ordem, o enviariam à terra dos mouros para lá sofrer o martírio.

Eles deram resposta afirmativa.

No dia seguinte, depois de obter, a duras penas, autorização de seu Superior, mudou-se para o eremitério franciscano, onde se tornou um filho de São Francisco de Assis.Frei Fernando mudou então seu nome para o do onomástico do eremitério, Antonio, que ele imortalizaria. Conforme o combinado, Frei Antonio foi enviado no fim desse mesmo ano à África. Entretanto não estava nos planos da Providência que ele ilustrasse a Igreja como mártir, mas com suas pregações e santa vida. Assim, chegando ao continente africano, foi atacado de terrível doença, que o reteve no leito por longo período. Os superiores decidiram que, para curar-se, Frei Antonio deveria voltar a Portugal.

Acrisolado pela Divina Providência

A mão da Providência, no entanto, desejava-o em outro campo de luta. O navio em que estava o convalescente, levado pela tempestade, foi parar nas costas da Itália, onde o santo encontrou abrigo em Messina, na Sicília.

Lá soube que o seráfico São Francisco havia convocado um Capítulo em Assis, para maio de 1221. Antonio poderia, enfim, ver o pai e fundador dos franciscanos e contemplar sua angélica virtude.

Naquela grande assembléia o Provincial da Romênia resolveu levá-lo consigo. Frei Antonio obteve dele licença para permanecer no eremitério do Monte Paulo, a fim de entregar-se ao isolamento e à contemplação. Entretanto a mão de Deus velava sobre ele, e chegou o tempo em que aquela luz deveria brilhar para o bem do mundo inteiro.

Começa a vida apostólica como grande pregador

Foi enviado a Forli com alguns franciscanos e dominicanos que deveriam receber as ordens sacras. O Padre guardião do convento em que se hospedavam pediu que algum dos presentes dissesse algo para a glória de Deus e edificação dos demais. Um a um, foram todos escusando-se por não estarem preparados. Restava Antonio. Sem muita convicção, o Superior mandou-lhe então que falasse, à falta dos demais.

Era a primeira vez que Antonio falava em público, e então viu-se a maravilha: de sua boca saíram palavras de fogo, demonstrando profundo conhecimento teológico e das Escrituras, tudo exposto com uma lógica, clareza e concisão que conquistou a todos.

Entusiasmado, o Guardião comunicou aquele sucesso ao Provincial, que transmitiu a notícia a São Francisco. O Poverello mandou então que Frei Antonio estudasse teologia escolástica para dedicar-se à pregação. Pouco depois, em vista de seus progressos, ordenou-lhe S. Francisco que trabalhasse na salvação das almas. Era o ano 1222, e Frei Antonio contava apenas 30 ou 31 anos de idade.

Força irresistível de suas fogosas palavras

Segundo seus biógrafos, “ele tinha um exterior polido, gestos elegantes e aspecto atraente. Sua voz era forte, clara, agradável, e sua memória feliz.A essas vantagens, juntava uma ação cheia de graça”.(2)

Entretanto, “seu traço característico, o milagre constante de sua existência, é a força incontestável de sua pregação, o poder de sua voz sobre os corações e as inteligências”.(3)

“Quando ele fulminava os vícios e as heresias — das quais o mundo estava então extremamente infectado — era como uma torrente de fogo que revira tudo, e à qual ninguém pode resistir. […] Freqüentemente, se bem que falasse [durante o sermão] uma só língua, era entendido por pessoas de toda espécie de países”.(4) Daí seu sucesso extraordinário, tanto na Itália quanto na França.

Milagres como no tempo dos Apóstolos

As multidões acorriam, e até os comerciantes fechavam suas lojas para ir ouvi-lo; a cidade e toda a redondeza literalmente paravam.

Sendo pequenas as igrejas para tanta gente — às vezes chegavam a juntar-se até 30 mil pessoas num só sermão — ele falava nas praças públicas. Quando terminava, “era necessário que alguns homens valentes e robustos o levantassem e protegessem das pessoas que vinham beijar-lhe a mão e tocar-lhe o hábito”.(5) O número de sacerdotes que o acompanhavam era pequeno para depois ouvirem as confissões dos que, tocados por seu sermão, queriam emendar-se de vida.

Seus sermões eram seguidos de milagres como não se viam desde o tempo dos Apóstolos. Praticamente não havia coxo, cego ou paralítico que, depois de receber sua bênção, não ficasse são. Numa ocasião converteu 22 ladrões, que por curiosidade foram ouvi-lo. O número de hereges por ele convertidos não tem fim.

Prega aos peixes para confundir os indiferentes

Um dos milagres mais conhecidos de Santo Antonio foi sua pregação aos peixes. Em Rimini, durante seu sermão, o povo se mantinha indiferente. Abandonando seus ouvintes, foi pregar à beira-mar. Milhares de peixes de vários tipos e tamanhos puseram a cabeça fora da água para ouvir o santo, que tinha sido seguido pela população da cidade, testemunha do milagre. Santo Antonio foi cognominado “Martelo dos Hereges”, porque a heresia não teve inimigo mais formidável.  Sua mais antiga biografia, conhecida pelo nome de Assídua, relata: “Dia e noite tinha discussões com os hereges; expunha-lhes com grande clareza o dogma católico; refutava vitoriosamente os preceitos deles, revelando em tudo ciência admirável e força suave de persuasão que penetrava a alma dos seus contrários”.(6)

Um heresiarca negava a Presença Real no Santíssimo Sacramento. Para acreditar, dizia, queria um milagre. E propôs o seguinte: deixaria sua mula sem comer durante três dias. Depois disso, oferecer-lhe-ia feno e aveia, e Frei Antonio a Hóstia consagrada. Se a besta deixasse a comida para ir adorar a Hóstia, ele creria, disse. Isso foi feito diante de toda a cidade. E a mula faminta, tendo que escolher entre o alimento e o respeito à Hóstia consagrada, foi ajoelhar-se diante desta, que o santo segurava nas mãos.

Desde a mais tenra infância Antonio fora devoto de Nossa Senhora, e Ela várias vezes o socorreu. Um dia, por exemplo, em que o demônio não podia mais suportar o bem que o santo fazia, agarrou-o pelo pescoço tão violentamente, que o enforcava. Antonio mal pôde balbuciar as palavras da antífona a Nossa Senhora, “O Gloriosa Domina”. No mesmo instante o demônio fugiu apavorado. Recomposto, Antonio viu a seu lado a Rainha do Céu resplandecente de glória.

“O santo morreu! O santo morreu!”

No ano de 1231, Frei Antonio, sentindo piorar a hidropisia maligna que o perseguia havia tempos, percebeu que sua hora chegara e quis morrer em Pádua, sua cidade de adoção. Quando o povo paduano ouviu dizer que ele estava chegando, acorreu em tal quantidade, que os frades que o acompanhavam, para livrá-lo do assédio, levaram-no para a casa do capelão das freiras clarissas, onde ele faleceu com apenas 40 anos de idade. Imediatamente as crianças de Pádua saíram espontaneamente pelas ruas gritando: “O santo morreu! O santo morreu!”. Ao mesmo tempo, em Lisboa, sua cidade natal, os sinos puseram-se a repicar por si sós, e o povo saiu às ruas. Somente mais tarde é que souberam do ocorrido.

Tantos foram os milagres operados pelo santo em seu túmulo, que levaram o Papa Gregório IX a canonizá-lo apenas um ano depois de sua morte. O Processo de Canonização mais curto da História da Igreja .

SANTO ANTÔNIO, MARTELO DO HEREGES, PREGADOR DO EVANGELHO, ROGAI POR NÓS!

PORTAL TERRA DE SANTA CRUZ

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Teologia é mais do que uma coisa de clérigos

A proposta formativa da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa (UCP) para o próximo ano letivo quer destacar uma área do saber que “habilita” as pessoas para “inúmeras tarefas, em diversos âmbitos”, na Igreja e na sociedade.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, o diretor da Faculdade de Teologia da UCP realça o grau de “abrangência” dos estudos teológicos, que tocam áreas como “a comunicação, o serviço social e o ensino”, para além de serem uma ferramenta importante para “a formação pessoal”.

“Ainda hoje muita gente pensa que a teologia é uma coisa de clérigos, ou então de religiosos professos”, aponta o padre João Lourenço.

Sob o lema “Teologia para Todos”, a proposta formativa da Faculdade de Teologia da UCP para o próximo ano letivo integra soluções mais orientadas para os que os querem fazer “formação de base” ou “complementar” nesta área, com licenciaturas, mestrados e doutoramentos, mas também sugestões a pensar em “pessoas vindas de outros âmbitos profissionais”, em horário “pós-laboral”.

São os “chamados mestrados em Estudos da Religião”, em que os alunos “constroem o seu programa, apresentam as suas dissertações, aprofundam determinadas áreas do saber”.

“É um programa cada vez mais procurado”, realça o padre João Lourenço, que espera “poder desenvolver ainda mais” estas propostas “com a criação de um instituto em Estudos da Religião”, um projeto que “está em fase de acabamento”.

Uma mais-valia das propostas formativas da Faculdade de Teologia da UCP é a “possibilidade de fazer formação à distância”, em regime online.

Neste caso são estudos que “não concedem grau”, mas que têm como objetivo contribuir para a formação das “pessoas, de comunidades e grupos”, explica o professor Juan Ambrósio, coordenador do Gabinete de Apoio à Formação Avançada da Faculdade de Teologia da UCP.

“A Teologia não é só produto da cultura mas produtora de cultura, ela é chave para compreender a cultura, e nós queremos marcar também posição nesse caminho”, frisa o docente.

Neste campo, a Faculdade de Teologia vai lançar no mês de outubro três grandes cursos, com destaque para uma nova formação avançada sobre o “Mundo da Bíblia”, que mantém a parceria com a ECCLESIA.

“É um curso que já vai para o seu segundo ano e que tem sido uma experiência muito positiva, no âmbito dos Estudos Bíblicos”, salienta Juan Ambrósio.

Através desta experiência, os participantes ficam com “um enquadramento histórico, social e cultural” da Bíblia que lhes “permitirá depois ler os textos de uma outra maneira, mais aprofundada, tirando-lhes mais ainda o seu sumo”, sublinha ainda.

A primeira fase de candidaturas para este curso decorre até ao dia 5 de agosto.

Também em outubro, a Faculdade de Teologia vai lançar uma nova edição de um curso dedicado ao pensamento social cristão, à reflexão sobre a Doutrina Social da Igreja; também uma experiência nova, com o lançamento de um curso sobre o Concílio Vaticano II e a evolução da sua reflexão, 50 anos depois.

Já em janeiro de 2017, vai abrir uma formação na área da Saúde, destinada a todos quantos trabalham nos hospitais e que visitam os doentes.

Fonte: Agência Ecclesia

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz – Boa Nova Web Radio – A Serviço da Evangelização

CATEQUESE: A Igreja, uma mãe verdadeiramente catequizadora/ Por Vinícius T. Amaral

Existe uma grandeza no ensinamento da fé católica que se caracteriza singular e necessária em um mundo marcado por sua falta de referências éticas, morais e religiosas. A igreja é “Mater et Magistra”, Mãe e Mestra (MM, 1961), e por se caracterizar como tal sempre permitiu a nós, seus filhos, um embasamento fidedigno para a fé e a vivencia em comunidade. Por isso, a palavra eminente neste contexto é “Catequese”, algo que vem do alto (Katà) como ato de fazer ecoar (Echeò-Ekòs). A realidade é que ainda muitos católicos, permanecem ainda sem instrução e conhecimento da fé que professam, por erros durante o processo (permanente) de catequização,  isto é percebido pelo discurso vago e lacunar dos que não se abrem para o ensinamento da Igreja, assumindo uma fé insólita, buscando religiões e igrejas adequadas às suas vontades.

Os contemporâneos de Jesus puderam experimentar de uma catequese em que o “ver” se destacava pela simples e rica convivência com o Senhor e seu testemunho. O Testemunho e a palavra de Jesus possibilitavam a conversão e a aceitação da verdade revelada. Esta, sempre foi procurada pelos mais instruídos, agora, é revelada em Jesus Cristo, protagonista do projeto de amor e de felicidade plena para aqueles que “ouvem sua palavra e a colocam em prática” (Tg 1, 22). A verdade desta catequese é o fundamento da doutrina, o ensinamento da Igreja nasce das palavras do Cristo, o seu testemunho, sua vida, paixão e morte, instituem a Igreja como fiel seguidora da palavra.

É deste modo que aos poucos, tendo concretizado o mistério salvífico, surgem as primeiras comunidades cristãs, sendo por sua vez, catequizadas. Entre o século I a V(d.C), se vive a busca de uma identidade no meio de um mundo pagão, a catequese teria como objetivo despertar para o seguimento de Jesus, como processo de conversão. Os cristãos se reuniam para perceber os dramas dos mais necessitados, para viver a fraternidade, celebrar a liturgia pela partilha do pão e da palavra. Aqui, se deve notar que ser cristão é uma identidade perfeita para aqueles que querem continuar a missão de Jesus, ganhando a vida eterna e a felicidade neste seguimento.

O catecumenato, se ascende como necessário a formação dos cristãos, preparando os candidatos para a vivência em comunidade, escuta e partilha. Contudo, dever-se-ia preparar o cristão para as dificuldades do tempo vigente, para a perseguição e não aceitação da religião cristã, introduzindo-o cada vez mais na fé e no mistério de Cristo, realizando um tempo de santificação e conversão. Ganhar a vida pela morte, testemunhá-lo com a força do seu testemunho e não a física. Afinal, a tentação do cristianismo se caracterizava pela promessa de vida eterna.

No tempo da escolástica, na Idade Média (V-XVI d.C), como a religião cristã fora imposta como oficial, todos deveriam aceita-la, o que gera a “cristandade”. Das catacumbas, para os grandes templos e grandes produções literárias. A catequese se torna extremamente necessária, grandes pastores-catequistas se destacam para a defesa da doutrina contra as heresias. A sociedade é animada pela religião cristã, estabelecendo uma aliança entre o poder religioso e civil. Num contexto social cristão de arte, como escultura, pintura, arquitetura, a criança batizada experimentava em toda sua vida os ensinamentos da religião.  A catequese como educação da fé, se realiza por meio de uma simbiose.

Com o advento da Idade Moderna e o desligamento de alguns membros, surge o protestantismo, e a catequese se vê obrigada à busca da identidade católica face às críticas do desligamento. Valorizou-se mais a identidade pessoal, não tanto comunitária como outrora. Com a forte influência da imprensa e do iluminismo aumentou-se a preocupação com a clareza e exatidão das formulações doutrinais. Assim, da família e da Igreja, a catequese se instaura no ambiente escolar como ensino obrigatório. De tal modo o catecismo se torna um referencial de segurança sobre a fé, a catequese é marcada como sumamente doutrinária.

A partir do Sagrado Concílio Vaticano II, a catequese adquire uma outra perspectiva. É deste modo que, como “Mater et Magistra”, a Igreja procura apontar os caminhos para a verdade da fé que é Jesus Cristo, mudam-se os meios, os veículos, mas permanece a identidade e o núcleo de um ensinamento íntegro: o seguimento fiel a pessoa de Cristo, o conhecimento da verdade, tendo como consequência a felicidade total daqueles que a conhecem. “A Catequese está intimamente ligada a toda a vida da Igreja. Dependem essencialmente dela não só a expansão geográfica e o crescimento numérico mas também, e muito mais ainda, o crescimento interior da Igreja e a sua conformidade com o desígnio de Deus”.(CT 13). Um novo rosto é dado aos meios de formação da Igreja adequado aos nossos tempos. Segundo o documento “Catequese Renovada” (1983) o ensinamento catequético deve se pautar em um “ (…) processo de educação comunitária, permanente, progressiva, ordenada, orgânica, sistemática da fé. Sua finalidade é a naturalidade da fé, num compromisso pessoal e comunitário de libertação integral, que deve acontecer já aqui e culminar no reino definitivo” (CR, 318).

Não se trata de esquecer o catecismo, mas pelo contrário, de afirma-lo de modo a fazer da doutrina partícipe do cotidiano pessoal e genuíno do cristão católico. A riqueza que a Mãe Igreja propõe aos seus filhos durante a história, não deve ser motivo de condenação ou revolta, mas carece de ser desfrutada de modo a nos tornar pessoas melhores, indivíduos inseridos no corpo social que se caracterizam “sal da terra e luz do mundo” (Mt 5, 13-14), católicos autênticos formados pela verdade do Evangelho ensinado através da Igreja.

A catequese destes tempos, adota por sua vez, o “ver, julgar e agir”, palavras que possuem um significado particular na vida não só do catequista e catequizando, mas do cristão. Perceber a realidade que nos cerca, julgá-la com os olhos do Senhor, e agir de forma a promover o crescimento comum. A formação catequética atual deve libertar a mente do medo de testemunhar e viver como Cristo viveu, deve transformar-nos como filhos. Só assim, poderemos participar de uma sociedade laica e não laicista, olha-la com a perspectiva clínica da fé, e realizar nosso compromisso de sermos profetas. Deste modo, não esqueça que  “No coração da Catequese, encontramos essencialmente uma pessoa : a de Jesus de Nazaré, Filho Único do Pai(…), que sofreu e morreu por nós e que agora, ressuscitado, vive conosco para sempre. (…) Catequizar (…)é revelar, na pessoa de Cristo, todo o desígnio eterno de Deus. É procurar compreender o significado dos gestos e das palavras de Cristo e dos sinais por Ele realizados”. (São João Paulo II,CT 5). 

Em uma realidade pontuada pela falta de referências ou por múltiplas pseudo – referências, onde não se forma a pessoa e sim instrui o sujeito manipulando-o, sejamos protagonistas da verdade evangélica, ousados no anúncio da palavra, crentes na doutrina que professamos. Verdadeiros e coerentes em nossos discursos, formadores de opiniões e não defensores do absolutismo de nossas crenças.  Inteligentes por sermos formados por uma mãe que é mestra naquilo que cremos: a pessoa de Jesus.

Campanha-MG, abril de 2016, Ano da Misericórdia.

Por Vinícius T. Amaral, graduado em Filosofia pela Academia Vicentina do Paraná (FAVI)

Professor Juan Manuel Miñarro faz Crucificado segundo os dados do Santo Sudário.

O escultor espanhol e catedrático da Universidade de Sevilha, Juan Manuel Miñarro estudou durante dez anos o Santo Sudário de Turim.

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Prof. Juan Manuel Miñarro explica seu trabalho

Como resultado esculpiu um Crucificado que, segundo o artista, seria uma reprodução científica do estado físico de Nosso Senhor Jesus Cristo depois de sua morte.

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Jesus Crucificado segundo o Santo Sudário: estreita concordância com as imagens tradicionais

O autor não visava provar a existência de Jesus de Nazaré, mas destacar os impressionantes acertos anatômicos constatados no estudo científico do Santo Sudário.
O professor Miñarro disse à BBC Brasil que, embora tenha privilegiado a “exatidão matemática”, “essa imagem só pode ser compreendida com olhos de quem tem fé”.

“A princípio, ela pode chocar pelo realismo, mas ela reproduz com fidelidade a cena do Calvário”, completou. Miñarro levou mais de dois anos para concluir sua obra.

O escultor não trabalhou só. Ele presidiu o trabalho de um grupo de cientistas que levaram adiante uma investigação multidisciplinar do Sudário de Turim.

O crucificado é o único “sindônico” no mundo, pois reflete até nos mais mínimos detalhes os múltiplos traumatismos do corpo estampado no Santo Sudário.  A imagem representa um corpo de 1,80 metros de altura, de acordo com os estudos no Sudário feitos pelas Universidades de Bolonha e Pavia. Os braços e a Cruz formam um ângulo de 65 graus.

A Coroa de Espinhos tinha forma de casco, cobrindo toda a cabeça, e foi feita com jujuba “ziziphus jujuba”, uma espécie de espinheiro cujas agulhas não se dobram.

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Coroa de espinhos segundo o Santo Sudário

A pele apresenta exatamente o aspecto de uma pessoa morta há uma hora. O ventre aparece inchado por causa da crucifixão.

O braço direito aparece desconjuntado pelo fato do crucificado se apoiar nele à procura de ar durante a asfixia sofrida na Cruz. O polegar das mãos está virado para dentro, reação do nervo quando um objeto atravessa a munheca.

A escultura reflete também a presença de dois tipos de sangue: o vertido antes da morte e o derramado post mortem. Também aparece o plasma da ferida do costado, de que fala o Evangelho.
A elaboração destes pormenores foi supervisionada por hematologistas. A pele dos joelhos está aberta pelas quedas e pelas torturas.

Há grãos de terra incrustados na carne que foram trazidos de Jerusalém.
As feridas são típicas das produzidas pelos látegos romanos, que incluíam bolas de metal com pontas recurvadas para rasgar a carne.

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Foram necessários 10 anos de estudo

Não há zonas vitais do corpo atingidas pelos látegos porque os verdugos poupavam essas partes para que o réu não morresse na tortura.
A maçã do rosto do lado direito está inchada e avermelhada pela ruptura do osso malar.
A língua e os dedos do pé apresentam um tom azulado, característicos da parada cardíaca.
Por fim, embaixo da frase em hebraico “Jesus Nazareno, rei dos judeus”, a tradução em grego e em latim está escrita da direita para a esquerda, erro habitual naquela época e naquela região. A escultura esteve exposta na igreja de São Pedro de Alcântara, Córdoba, Espanha, e saiu em procissão pelas ruas da cidade durante a Semana Santa.
Com os mesmos critérios e técnicas, Miñarro está criando outras imagens que representam a Nosso Senhor em diferentes momentos de sua dolorosa Paixão.


Isaías 53

Cristo de Juan Manuel Miñarro 01
Cristo de Miñarro venerado em igreja, São Pedro de Alcântara, Córdoba, Espanha

“Ele subirá como o arbusto diante dele, e como raiz que sai de uma terra sequiosa; ele não tem beleza, nem formosura; vimo-lo, e não tinha aparência do que era, e por isso não tivemos caso dele.

“Ele era desprezado, o último dos homens, um homem de dores; experimentado nos sofrimentos; o seu rosto estava encoberto; era desprezado, e por isso nenhum caso fizeram dele.

“Verdadeiramente ele foi o que tomou sobre si as nossas fraquezas, e ele mesmo carregou com as nossas dores; nós o reputamos como um leproso, como um homem ferido por Deus e humilhado.

“Mas foi ferido por causa das nossas iniqüidades, foi despedaçado por causa dos nossos crimes; o castigo que nos devia trazer a paz, caiu sobre ele, e nós fomos sarados com as suas pisaduras.” (53, 2-5).

SEVILLA. 08/03/10. NUEVO CRUCIFICADO DE MIÑARRO. FOTOS: ROCIO RUZ. ARCHSEV
SEVILLA. 08/03/10. NUEVO CRUCIFICADO DE MIÑARRO. FOTOS: ROCIO RUZ. ARCHSEV
SEVILLA. 08/03/10. NUEVO CRUCIFICADO DE MIÑARRO. FOTOS: ROCIO RUZ. ARCHSEV
SEVILLA. 08/03/10. NUEVO CRUCIFICADO DE MIÑARRO. FOTOS: ROCIO RUZ. ARCHSEV

Por: Luis Dufaur/http://cienciaconfirmaigreja.blogspot.com.br

Adaptação Portal Terra de Santa Cruz


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