3º Domingo da Quaresma – A casa do Pai precisa ser um lugar de oração

Devemos ter zelo, respeito e cuidado pela casa do Pai – “Tirai isso daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!” (Jo 2, 13-25)

Nós estamos vendo Jesus demonstrando todo o seu amor e zelo pela casa do Pai. Talvez, a atitude de Jesus, possa causar em nós até uma certa perplexidade, porque o Jesus que nós conhecemos é um Jesus terno, amoroso, afetuoso e sempre muito calmo.

Não é que nesse trecho bíblico ele tenha perdido a calma do seu temperamento, muito pelo contrário, Ele colocou o temperamento na altura daquele acontecimento. Há momentos que nós precisamos ser mansos e tranquilos, e há momentos que nós vemos algo muito perigoso acontecer com os nossos e precisamos ter uma atitude mais vigorosa e, é o tamanho do zelo que nos dá mais vigor no trato com aquilo que seja Sagrado. Jesus não permite, de forma nenhuma, que se banalize o Sagrado e que se o trate de qualquer forma ou de qualquer jeito.

Tanto zelo pelo templo, mas usaram dele para interesses pessoais, financeiros, e faziam do templo um lugar de corrupção. O mestre Jesus jamais permitiria que fizessem isso com a casa do Pai. Ter zelo pela casa do Pai é ter zelo pelo o que é Sagrado e, há algumas coisas na vida, que são muito sagradas e precisamos ser veementes para defender, amar, cuidar e não permitir que se faça bagunça e comércio.

LITURGIA DA PALAVRA PARA UMA MELHOR REFLEXÃO DESTE 3º DOMINGO QUARESMAL

Primeira Leitura (Forma breve – Êx 20,1-3.7-8.12-17)

Leitura do Livro do Êxodo:

Naqueles dias, 1Deus pronunciou todas estas palavras:

2“Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou do Egito, da casa da escravidão. 3Não terás outros deuses além de mim.

7Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não deixará sem castigo quem pronunciar seu nome em vão.

8Lembra-te de santificar o dia de sábado.

12Honra teu pai e tua mãe, para que vivas longos anos na terra que o Senhor teu Deus te dará.

13Não matarás.

14Não cometerás adultério.

15Não furtarás.

16Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo.

17Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença”

– Palavra do Senhor. – Graças a Deus.

Responsório (Sl 18)

— Senhor, tens palavras de vida eterna.

— Senhor, tens palavras de vida eterna.

— A lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes.

— Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. O mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz.

— É puro o temor do Senhor, imutável para sempre. Os julgamentos do Senhor são corretos e justos igualmente.

— Mais desejáveis do que o ouro são eles, do que o ouro refinado. Suas palavras são mais doces que o mel, que o mel que sai dos favos.

Segunda Leitura (1Cor 1,22-25)

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:

Irmãos: 22Os judeus pedem sinais milagrosos, os gregos procuram sabedoria; 23nós, porém, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e insensatez para os pagãos.

24Mas, para os que são chamados, tanto judeus como gregos, esse Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus.

25Pois o que é dito insensatez de Deus é mais sábio do que os homens, e o que é dito fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.

– Palavra do Senhor. – Graças a Deus.

Anúncio do Evangelho (Jo 2,13-25)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós!

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.

— Glória a vós, Senhor!

13Estava próxima a Páscoa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. 14No Templo, encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas e os cambistas que estavam aí sentados. 15Fez então um chicote de cordas e expulsou todos do Templo, junto com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas e derrubou as mesas dos cambistas. 16E disse aos que vendiam pombas: “Tirai isso daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!”

17Seus discípulos lembraram-se, mais tarde, que a Escritura diz: “O zelo por tua casa me consumirá”.

18Então os judeus perguntaram a Jesus: “Que sinal nos mostras para agir assim?”

19Ele respondeu: “Destruí este Templo, e em três dias eu o levantarei”.

20Os judeus disseram: “Quarenta e seis anos foram precisos para a construção deste santuário e tu o levantarás em três dias?”

21Mas Jesus estava falando do Templo do seu corpo. 22Quando Jesus ressuscitou, os discípulos lembraram-se do que ele tinha dito e acreditaram na Escritura e na palavra dele.

23Jesus estava em Jerusalém durante a festa da Páscoa. Vendo os sinais que realizava, muitos creram no seu nome. 24Mas Jesus não lhes dava crédito, pois ele conhecia a todos; 25e não precisava do testemunho de ninguém acerca do ser humano, porque ele conhecia o homem por dentro.

— Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor.

REFLETINDO: Primeiramente, façamos referência à vida humana: quando Jesus refere-se ao templo, esse lugar é, acima de tudo, ligado ao nosso próprio corpo. O corpo e a vida de cada um de nós é, por excelência, lugar sagrado. É o lugar onde Deus mora, e não podemos comercializar e desprezar o corpo e a vida humana ou tratá-la de qualquer forma e de qualquer jeito. Não podemos zombar da vida humana e não podemos “pisotear” na vida de uma pessoa, de forma nenhuma. O zelo, o respeito e o cuidado não são só para comigo, mas devemos e temos que tê-los com toda e qualquer pessoa.

Toda e qualquer pessoa é templo, lugar da morada de Deus, porque é onde o Senhor vive e faz-se presente, pois todos nós somos imagem do Criador.

Tenhamos zelo pelas coisas de Deus, pelo Sagrado, pelo templo, pelas Igrejas, pelas Capelas e não permitamos que nossas Igrejas virem lugares comerciais e feiras; não permitamos que o lugar em que prestamos culto a Deus, faça-se qualquer coisa menos rezar. Não permitamos que as pessoas que lá se encontrarem, façam algazarra, por vezes, nosso lugar de culto ao Senhor, torna-se um local de desfile e um festival de vaidade.

Quando enche-se a Igreja de “tantas coisas”, perde-se a essência desse lugar sagrado, e não podemos perder a noção do lugar sagrado para que ali, não vire um lugar de desfile, comércio ou de qualquer coisa parecida.

Sejamos consumidos pelo zelo do que é sagrado!

Deus abençoe você! Por Padre Roger Araújo – Canção Nova

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Acolhida do Brasil aos migrantes será apresentada no Vaticano

Comissão Internacional Católica para as Migrações se reúne esta semana no Vaticano. Ir. Rosita Milesi representará a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

“Restaurar a dignidade, inspirar a mudança”: este é o tema da Plenária da Comissão Internacional Católica para as Migrações (Icmc).

O evento se realiza de 6 a 8 de março em Roma, com a participação dos cardeais Pietro Parolin, Secretário de Estado, e Peter Turkson, Prefeito do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral.

Na quinta-feira, 8 de março, está prevista a audiência com o Papa Francisco.

Participação brasileira

O Brasil estará representado através da Ir. Rosita Milesi, que na sessão da quinta-feira abordará o tema “A Igreja Católica no Brasil abre suas portas para os novos migrantes e refugiados”. Também a rede das consagradas contra o tráfico humano, Talitha Kum, participa com a coordenadora Ir. Gabriella Bottani. Ir Gabriella, com longa experiência no Brasil, falará sobre a resposta das religiosas e cooperação intereclesial.

Pacto Global para as Migrações

Trata-se de uma Plenária eletiva, mas que também inclui argumentos como o “Pacto Global para as Migrações” (Global Compact on Migration), um documento inédito a ser debatido e adotado este ano pelos Estados-membros da Organização das Nações Unidas. O acordo visa estabelecer um quadro para cooperação internacional sobre migrantes e mobilidade humana e conta com o pleno engajamento da Santa Sé.
De fato, o Papa Francisco acompanha a elaboração do documento através dos co-secretários do Dicastério Padre Michael Czerny e Pe. Fabio Baggio.

 

Papa Francisco: Viver a Quaresma sem idolatrias,sem fazer da alma um comércio

Na oração mariana deste domingo, o Papa Francisco repetiu as palavras de Jesus no templo: Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio! “Não fazer da nossa alma e da casa de Deus um comércio”: foi a advertência que o Papa Francisco fez antes de rezar com os fiéis e peregrinos na Praça S. Pedro a oração mariana do Angelus (04/03).

Neste III domingo da Quaresma, o Pontífice comentou o episódio do Evangelho de João em que Jesus expulsa os mercantes do templo de Jerusalém. Um gesto feito com firmeza, com a ajuda de um chicote de cordas para derrubar as mesas. Nesta atitude aparentemente violenta, Jesus diz: « Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!

Abusos e excessos

A ação de Cristo foi interpretada como típica dos profetas, explicou o Papa, os quais com frequência denunciavam, em nome de Deus, abusos e excessos. A questão que se colocou foi a da autoridade. De fato, os judeus perguntaram a Ele: Que sinal nos mostras para agir assim?.

Os seus discípulos, por sua vez, se serviram de um texto bíblico extraído do Salmo 69 para interpretar esta atitude: «O zelo por tua casa me consumirá». “O zelo pelo Pai e por sua casa levará Jesus até a cruz: o seu é o zelo do amor que leva ao sacrifício de si, não aquele falso que pensa de servir Deus mediante a violência”, disse Francisco.

De fato, o “sinal” que Jesus dará como prova da sua autoridade será justamente a sua morte e ressurreição: «Destruí este templo – diz – e em três dias eu o levantarei ». Com a Páscoa de Jesus, acrescentou o Papa, “tem início um novo culto, o culto do amor, e um novo templo que é Ele próprio”.

Para Francisco, a atitude de Jesus nos exorta a viver a nossa vida não em busca de vantagens e interesses, mas pela glória de Deus .

“ Somos chamados a ter sempre presentes aquelas palavras fortes de Jesus « Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio!» É muito feio quando a Igreja escorrega nesta atitude de fazer da casa de Deus um mercado. Essas palavras nos ajudam a refutar o perigo de fazer da nossa alma, que é morada de Deus, um lugar de comércio, vivendo na busca contínua da nossa recompensa. ”

O Pontífice recorda que este ensinamento de Jesus é sempre atual, não somente para as comunidades eclesiais, mas também para os indivíduos, para as comunidades civis e para toda a sociedade.

Não instrumentalizar Deus

De fato, disse ainda o Papa, é comum a tentação de aproveitar de atividades benéficas, às vezes obrigatórias, para cultivar interesses privados, quando não até mesmo ilícitos “É um grave perigo, especialmente quando instrumentaliza o próprio Deus e o culto a Ele devido ou o serviço ao homem”, afirmou Francisco, que concluiu:

“Que a Virgem Maria nos ampare no esforço de fazer da Quaresma uma boa ocasião para reconhecer Deus como único Senhor da nossa vida, tirando de nosso coração e de nossas obras toda forma de idolatria.”