Missa dos Santos Óleos e Unidade Diocesana em Campanha/MG

A Celebração dos Santos Óleos e Unidade Diocesana aconteceu como de costume na Catedral Diocesana de Santo Antônio de Pádua em Campanha(MG). Trata-se de uma das celebrações mais importantes que acontece na vida diocesana, dentro da Semana Santa.  Ela é presidida pelo bispo diocesano, na manhã de quinta-feira santa.  A missa celebra a unidade do bispo com o seu presbitério, ou seja, o conjunto dos padres da Diocese. Durante a celebração os padres renovam os votos sacerdotais e ouvem uma palavra amiga do bispo. 

Ainda neste dia é celebrada pela Igreja a Instituição do Sacerdócio e Eucaristia, uma atualização da Santa Ceia dada à Igreja como aliança de Cristo com seu povo, como prova de seu amor maior nos deixou até o fim dos tempos a Santa Eucaristia, o seu Corpo e Sangue.

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Presidiu a celebração, Sua Excelência Reverendíssima  Dom Pedro Cunha Cruz, bispo diocesano da Campanha. Participaram com celebrando a santa eucaristia, o bispo Emérito  da Diocese da Campanha, Dom Frei Diamantino Prata de Carvalho e  o bispo Emérito da Diocese de Sete Lagoas/MG, Dom Guilherme Porto assim como os Cônegos José Douglas Baroni, Vigário Geral da diocese da Campanha e Luzair  Coelho de Abreu, Pároco e Cura da Catedral e Chanceler do Bispado.

Juntamente com mais de 100 padres reunidos em unidade, representantes das diversas paróquias da diocese estiveram presentes assim como seminaristas, religiosos e religiosas, e lideres de pastorais e movimentos .

Na Missa da Unidade Diocesana também ocorre a bênção dos santos óleos dos enfermos, do crisma e dos catecúmenos, usados para a administração dos sacramentos em toda a diocese ao longo do ano.

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DSCF1441Dom Pedro, acolheu a todos presentes na Catedral com a aspersão da água benta nos fieis, momentos antes da celebração começar, e se dirigiu a Capela do Santíssimo para uma breve oração.

Agora você confere na integra toda a homilia proferida por Dom Pedro Cunha Cruz no vídeo e texto abaixo.

Na celebração deste dia, somos chamados a renovar nosso sacerdócio entorno do bispo, do presbitério e todo povo de Deus aqui representado. Sabemos que vivemos o nosso sacerdócio em um contexto que se faz cada vez mais crítico, mas que aponta também para a necessidade de uma profunda reforma no clima de degradação moral de nossa sociedade; falsas notícias, divisões ideológicas e políticas que, não poucas vezes, entram no próprio ambiente eclesial. Uma razão que se fecha em suas próprias medidas, com opções e posturas radicais. Talvez, neste sentido é que o Papa Francisco use, com frequência, a expressão “mundanismo” na Igreja. Na origem de tudo isso, individuamos a eliminação da presença e da realidade de Deus, na vida e na sociedade. Vivemos em um ambiente que se demonstra desinteressado por pontos de referência sólidos e ancorados em princípios que iluminam o verdadeiro sentido da vida. Uma sociedade que tende cada vez mais a se dividir, com efeitos também entre nós. Este é o contexto humano em que vivemos nosso ministério sacerdotal.

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Tudo isso, porém, suscita em nós não apenas um juízo claro de recusa, mas também um ardente ímpeto missionário. Sentimos a urgência das pessoas se reencontrarem com o anúncio de Cristo. Muitos são aqueles que ainda não fizeram uma experiência viva e autêntica Dele. Sentimos a urgência de sermos instrumentos que facilitam e tornam possível a experiência humana de Jesus. Não desanimemos; não deixemos que nos roubem a alegria do anúncio e do nosso “Sim” sacerdotal. A nossa missão é preencher os corações das pessoas que esperam este encontro vivo. Existem também muitas experiências positivas e frutos que nos alegram: a volta de muitos fiéis afastados à prática religiosa, o incremento de uma catequese que gera um discipulado missionário, a formação e o protagonismo dos nossos leigos e leigas, o dinamismo de nossas comunidades paroquiais. Mas tudo isso se deve, e chega a bom termo, na interação e comunhão de nossos leigos, com a indispensável presença, trabalho e entrega de nossos sacerdotes.

Quando pensamos no centro da nossa existência sacerdotal, nos cabe fazer uma pergunta crucial: O que identifica a nossa vida de padres? Não poucas vezes, São João Paulo II dizia que o centro da nossa vida sacerdotal é a identificação com Cristo (representatio Christi capitis), o ser sacramento de Cristo, cabeça do seu corpo. Sem esta identificação com Cristo, não somos nada. Nosso ser homens com suas exigências e fraquezas, se realiza na resposta alegre ao Senhor que nos chama. Eu sou este “Sim” Àquele que me chama. A vocação é dada pelo Pai. “Cada vocação cristã encontra o seu fundamento na eleição prévia e gratuita por parte do Pai, que nos abençoou com toda espécie de bênçãos espirituais nos céus em Cristo” (Pastores dabo vobis, n. 45). Estas palavras nos recordam a absoluta gratuidade da vocação. A vocação por parte do Pai é constitutiva do nosso ser. Sem este chamado nós não seríamos nada. É o primado da graça em nossa vocação: “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16). Nossa unção nos coloca a serviço do Povo de Deus com uma peculiar pertença e configuração a Jesus Cristo e com a autoridade de atuar no nome e na pessoa Dele, cabeça e pastor da Igreja. A vocação do Pai nos lembra, em primeiro lugar, a graça de sermos amados, mas também o fato de que somos pais dos nossos fiéis e que temos que amá-los como ama um pai. Eles estão aqui presentes para confirmarem o amor pelos sacerdotes e rezarem pela renovação do “Sim” de cada um nesta celebração.

“Portanto, os presbíteros são chamados a prolongar a presença de Cristo, atualizando seu estilo de vida e tornando-se como que a Sua transparência no meio do rebanho a eles confiados” (PDV, n. 14). “O ministério do presbítero existe em favor da Igreja; e para a promoção do exercício do sacerdócio comum de todo o povo de Deus” (PDV, n. 16). Cada um deve se colocar com admiração, com gratidão e também com o coração contrito diante desta graça.

“No desenvolvimento de nossa vida espiritual, é fundamental a consciência de que nunca falta ao sacerdote a graça do Espírito Santo, como Dom totalmente gratuito e tarefa responsabilizadora. A consciência do Dom infunde e sustenta a inabalável confiança do padre nas dificuldades, nas tentações, nas fraquezas que se encontram no seu caminho” (PDV, n. 33). Por isso, temos que lembrar hoje da nossa espiritualidade de comunhão (Missa da Unidade). O presbítero não existe fora da comunhão com o seu Bispo; não existe fora da comunhão com os seus irmãos leigos (Ano do Laicato) e padres no presbitério. Cada pessoa não existe fechada em si mesma, mas sim em relação às outras (“hierarquia de comunhão”). Isso determina um estilo que entre nós tem ainda muito que crescer. É o estilo determinado pelo horizonte da comunhão, da fraternidade sacerdotal. O horizonte da nossa vida não é a nossa pessoa individual, a nossa paróquia ou o nosso grupo, mas em primeiro lugar o bem da Igreja, a comunhão com Ela.

Para encerrar, gostaria de resgatar umas palavras do Papa Francisco em uma de suas catequeses ao tratar do testemunho: “Jesus não nos pede para conservar a sua graça em um cofre (lembremos da primeira leitura e do Evangelho de hoje: “O Espírito me consagrou para anunciar a Boa Nova aos pobres…). Jesus não nos pede isso, mas quer que usemos em benefício dos outros. Todos os bens que nós recebemos são para dá-los aos outros, e assim crescem. Qualquer ambiente, mesmo o mais distante e impraticável, pode se tornar lugar onde fazer frutificar os talentos. O testemunho que Jesus nos pede não é fechado, é aberto, depende de nós”. “Vós sois os sacerdotes do senhor, chamados ministros de Deus” (Is 61,6). Como ouvimos na oração da Coleta da Missa de hoje: “Concedei que participando de sua consagração, sejamos no mundo testemunhas da redenção que Ele nos trouxe”. Assim seja!


 

Ao final da celebração foi oferecido um lanche comunitário para as caravanas das paróquias que estiveram presente. Já é uma tradição do povo campanhense oferecer este lanche para quem vem à missa do Santos Óleos (Do Crisma) e Unidade Diocesana.

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Pregação da Sexta-feira Santa do padre Raniero Cantalamessa OFM

“Se no centro do pensamento de Paulo está a obra de Jesus, o seu mistério pascal de morte e ressurreição, no centro do pensamento de João está o ser, a pessoa de Jesus. Daí todos aqueles “Eu sou” das ressonâncias eternas que abundam em seu Evangelho: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, “Eu sou a luz”, “Eu sou a porta”, “Eu sou”, e basta”, diz o religioso capuchinho.

O Papa Francisco presidiu na tarde da Sexta-feira Santa na Basílica de São Pedro a Celebração da Paixão do Senhor. O pregador da Casa Pontifícia, Frei Raniero Cantalamessa, propôs aos presentes a reflexão intitulada: “Quem viu dá testemunho”.

Confira a pregação na íntegra:

“Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água. O que foi testemunha desse fato o atesta (e o seu testemunho é digno de fé, e ele sabe que diz a verdade), a fim de que vós creiais.” (Jo 19, 33-35).

Ninguém jamais será capaz de nos convencer de que esta atestação solene não corresponda à verdade histórica, que quem afirma ter estado presente e visto, na realidade, não estava presente nem viu. Neste caso, vai depender da honestidade do autor. No Calvário, aos pés da cruz, estava a mãe de Jesus e, ao lado dela, “o discípulo a quem Jesus amava”. Nós temos uma testemunha ocular!

Ele “viu” não apenas o que acontecia sob o olhar de todos. À luz do Espírito Santo, depois da Páscoa, ele também viu o sentido do que acontecera: que naquele momento estava sendo imolado o verdadeiro Cordeiro de Deus e era realizado o sentido da Páscoa antiga; que Cristo na cruz era o novo templo de Deus, de cujo lado, como o profeta Ezequiel predisse (47, 1 ss.), jorra a água da vida; que o espírito que ele emite no momento da morte dá início à nova criação, como “o espírito de Deus”, pairando sobre as águas, tinha transformado no princípio o caos no cosmos. João entendeu o significado das últimas palavras de Jesus: “Tudo está consumado” (Jo 19, 30).

Mas por que, nos perguntamos, essa ilimitada concentração de significado sobre a cruz de Cristo? Por que essa onipresença do Crucifixo em nossas igrejas, nos altares e em todos os lugares frequentados pelos cristãos? Alguém sugeriu uma chave para a leitura do mistério cristão, dizendo que Deus se revela “sub contraria specie”, sob o contrário daquilo que ele na verdade é: revela seu poder na fraqueza, sua sabedoria na loucura, sua riqueza na pobreza …

Esta chave de leitura não se aplica à cruz. Na cruz Deus se revela como “sub propria specie”, pelo que ele é, na sua realidade mais íntima e mais verdadeira. “Deus é ágape”, escreve João (1 Jo 4,10), amor oblativo, e somente na cruz se torna manifesto quão longe vai esta infinita capacidade de autodoação de Deus. “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13, 1); “De tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu (à morte) seu filho único” (Jo 3, 16); “Me amou e se entregou (à morte) por mim” (Gl 2, 20).

***

No ano em que a Igreja celebra um sínodo sobre os jovens e quer colocá-los no centro da sua preocupação pastoral, a presença no Calvário do discípulo a quem Jesus amava contém uma mensagem especial. Temos todos os motivos para acreditar que João aderiu a Jesus quando ainda era muito jovem. Foi uma verdadeira paixão. Todo o resto deixou, de repente, de ter importância. Foi um encontro “pessoal”, existencial. Se no centro do pensamento de Paulo está a obra de Jesus, o seu mistério pascal de morte e ressurreição, no centro do pensamento de João está o ser, a pessoa de Jesus. Daí todos aqueles “Eu sou” das ressonâncias eternas que abundam em seu Evangelho: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, “Eu sou a luz”, “Eu sou a porta”, “Eu sou”, e basta.

João era quase certamente um dos dois discípulos do Batista que, ao aparecer na cena de Jesus, foi atrás dele. À pergunta deles: “Rabino, onde você mora?”, Jesus respondeu: “Venham e vejam”. “Então eles foram e naquele dia ficaram com ele; era cerca de quatro horas da tarde” (Jo 1, 35-39). Naquela hora, ele decidira de sua vida e nunca o esquecera.

Neste ano, esforçar-nos-emos justamente por descobrir com eles o que Cristo espera dos jovens, o que eles podem dar à Igreja e à sociedade. O mais importante, porém, é fazer os jovens saberem o que Jesus tem para lhes dar. João descobriu ficando com ele: “vida em abundância”, “alegria plena”. Quem mais do que Jesus tem respostas para dar aos jovens de hoje e de todos os tempos?

Façamos de tal forma que em todos os discursos sobre jovens e aos jovens ressoem de fundo o sincero convite do Santo Padre na Evangelii gaudium: “Convido todo o cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que este convite não lhe diz respeito” (EG, n º 3). Encontrar-se pessoalmente com Cristo é possível também hoje porque ele ressuscitou; é uma pessoa viva, não um personagem. Tudo é possível depois deste encontro pessoal; nada mudará realmente na vida sem isto.

* * *

Além do exemplo de sua vida, o evangelista João também deixou uma mensagem escrita aos jovens. Em sua primeira carta, lemos essas comoventes palavras de um homem idoso dirigidas aos jovens das igrejas que ele fundou:

“Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes e a palavra de Deus permanece em vós, e vencestes o Maligno. Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai.” (1 Jo 2: 14-15)

O mundo que não devemos amar e ao qual não devemos nos conformar não é, nós sabemos, o mundo criado e amado por Deus, não são os homens do mundo aos quais, na verdade, devemos sempre ir ao encontro, especialmente os pobres, os últimos. O “misturar-se” com este mundo do sofrimento e da marginalização é, paradoxalmente, a melhor maneira de “separar-se” do mundo, porque é caminhar exatamente para onde o mundo foge com todas as suas forças. É separar-se do próprio princípio que governa o mundo, que é o egoísmo.

Não, o mundo que não devemos amar é outro; é o mundo transformado sob o dominio de satanás e do pecado, “o espírito que está no ar”, o chama São Paulo (Ef 2, 1-2). A opinião pública tem um papel chave nisso, hoje também literalmente espírito “que está no ar” porque se espalha através do éter, através das infinitas possibilidades da técnica. “Se determina um espírito de grande intensidade histórica, ao qual o indivíduo dificilmente pode escapar. Deve-se seguir o espírito geral, é o óbvio. Agir ou pensar ou dizer algo contra isso é considerado insensato ou até mesmo uma injustiça ou um crime. Então já não se atreve a por-se diante das coisas e das situações e especialmente da vida de forma diferente de como tudo se apresenta[1]“.

É o que chamamos de adaptação ao espírito dos tempos, conformismo. Um grande poeta crente do século passado, T.S. Eliot, escreveu três versos que dizem mais do que livros inteiros: “Em um mundo de fugitivos, a pessoa que toma a direção oposta parecerá um desertor[2].”  Queridos jovens cristãos, se é permitido a um ancião como João dirigir-se diretamente a vocês, eu lhes exorto: sejam daqueles que tomam a direção oposta! Atrevam-se a nadar contra a corrente! A direção oposta, para nós, não é um lugar, é uma pessoa, é Jesus nosso amigo e redentor.

Uma tarefa, especialmente, lhes é confiada: salvar o amor humano da deriva trágica na qual acabou: o amor que não é mais dom de si, mas somente possessão – muitas vezes violenta e tirânica – do outro. Na cruz, Deus se revelou como ágape, o amor que se doa. Mas o ágape nunca se separou do eros, do amor de busca, do desejo e da alegria de ser amado novamente. Deus não nos faz somente a “caridade” de amar-nos; nos deseja, em toda a Bíblia se revela como o esposo apaixonado e ciumento. Também o seu é um amor “erótico”, no sentido nobre deste termo. É o que explicou Bento XVI na encíclica “Deus caritas est”.

“Eros e ágape, – amor ascendente e amor descendente – nunca se deixam separar completamente um do outro […]. A fé bíblica não constrói um mundo paralelo ou um mundo oposto ao fenômeno humano original que é o amor, mas aceita todo o homem intervindo em sua busca de amor para purificá-la, abrindo-lhes novas dimensões ao mesmo tempo “(7 -8).

Não se trata, portanto, de renunciar às alegrias do amor, da atração e do eros, mas de saber unir o ágape com o eros, o desejo do outro, a capacidade de se doar ao outro, recordando o que São Paulo comenta como uma fala de Jesus: “Há mais alegria em dar do que em receber” (At 20, 35).

É uma capacidade que não se inventa em um dia. É necessário preparar-se para fazer um dom total de si mesmo a outra criatura no matrimônio, ou a Deus na vida consagrada, começando com o doar o próprio tempo, o próprio sorriso e a própria juventude em família, na paróquia, no voluntariado. O que muitos de vocês fazem silenciosamente.

Jesus na cruz não nos deu apenas o exemplo de um amor de doação levado ao extremo; ele nos mereceu a graça de podê-lo atuar, em pequena parte, na noss vida. A água e o sangue jorrados do seu lado chegam a nós hoje nos sacramentos da Igreja, na Palavra, até só olhando com fé o Crucifixo. Uma última coisa João viu profeticamente sob a cruz: homens e mulheres de todos os tempos e de todos os lugares que olhavam para “aquele que foi transpassado” e choravam de arrependimento e consolo (ver Jo 19, 37; Zc 12,10). A eles nos unimos também nós nos gestos litúrgicos que daqui a pouco se seguirão”.

[1] H. Schlier, Demoni e spiriti maligni nel Nuovo Testamento, in Riflessioni sul Nuovo Testamento  Paideia, Brescia 1976, pp. 194 s.

[2] T. S. Eliot, Family Reunion, part II, sc. 2: “In a world of fugitives – The person taking the opposite direction – Will appear to run away”.

(Tradução Thácio Siqueira, Associação Marie de Nazareth)

 

Semana Santa 2018 – Sermão do Encontro – Por Pe. Bruno Dias Graciano – Campanha/MG

Semana Santa 2018 em Campanha – Terça-feira santa é marcada pela tradicional procissão do Encontro de Maria com Jesus a caminho do Calvário.

Proferiu o sermão da noite o pároco da paróquia São Lourenço mártir, em São Lourenço, Pe. Bruno César Dias Graciano.

Confira na integra o sermão por escrito e também nos vídeos abaixo.

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
– Em que espelho ficou perdida
a minha face?

Reverendíssimos sacerdotes,

Religiosas,

Irmãos e irmãs,

O poema de Cecília Meireles que acabamos de ouvir emoldura esta cena que agora os nossos olhos contemplam. A nossa visão parece nos trair. Nós o conhecemos das passagens belas, dos encontros transformadores, das curas, dos milagres, nós o vimos andando pelos trigais, pregando no templo, visitando a casa de amigos, nós o vimos cheio de vigor expulsando os vendedores que profanavam o templo, nós o vimos em constante movimento. Ei-Lo, agora, parado, inerte, frio… Que dizem os seus olhos? Que palavra pronunciam os seus lábios? Que expressão sua face produz?

Nele só vemos dor, sofrimento, silêncio, resignação. Nele vemos solidão… Onde estão os que foram curados por Ele? Não da nem pra contar o número dos que foram beneficiados pelo seu toque… Onde estão os que ouviram suas palavras e tiveram mudadas suas vidas? Onde estão os que foram reanimados? Onde está quem possa dar um testemunho favorável a seu respeito, a fim de libertá-lo desta dura consequência do amor e ternura que manifestou a todos indiscriminadamente? Nem uma palavra a seu favor? Onde estão os seus amigos? Amigos… Será que Jesus teve amigos? Será que eles não eram apenas usurpadores que estavam à sua volta para sugar Dele aquilo que Ele poderia lhes oferecer? Meu Deus, porque ninguém se manifesta? Um grito, um sinal, um sussurro…

Onde estão os amigos? Eles que são bálsamo que alivia as dores, porto seguro para as horas incertas, refúgio para as tribulações… Onde estão aqueles com quem Jesus partilhou os seus mistérios, os seus segredos? Aos amigos estão vedados os protocolos… Eles não precisam de regras, basta estar perto, basta um olhar e a comunicação se faz, basta a presença… Bastaria vê-los de longe… Mas, eles se foram, fugiram, deixaram o Mestre. Houve quem garantisse: mesmo que os outros se dispersem, eu não o deixarei. Palavra dura esta de Pedro, pois Jesus sabia muito bem que ele o negaria três vezes, antes que o galo por duas vezes cantasse… Eu não o conheço! Como não, Pedro? Quantas vezes os teus olhos foram surpreendidos pelo olhar Dele? Os teus ouvidos visitados pela suavidade firme de sua voz? Quantas vezes Ele o abraçou? Já te esqueceste? Tão rápido assim? Bem se vê de que barro és feito… a mesma volubilidade daqueles que acolheram Jesus na entrada de Jerusalém, com ramos e mantos, hosanas e benditos, e, depois gritaram crucifica-o, notam-se em ti. És fraco, inconstante, sem raiz, folha seca ao vento…

É, Jesus, foste traído! Que dor a traição! Quem por ela já passou sabe das suas feridas, conhece a força destrutiva! E o senhor não fora traído por alguém que conheceste ontem… O senhor foi traído por um amigo. Se fosse um inimigo que conspirasse, a dor não seria tão grande, mas um amigo… Já bem disse o salmo 55: “ Se um inimigo me insultasse, eu poderia suportar, se meu adversário se elevasse contra mim, eu me esconderia dele, mas és tu meu amigo, meu confidente, a quem me unia numa doce intimidade na casa de Deus…”

Ah, Judas! Não percebeste o olhar de Jesus durante a ceia? Se pudesses conhecerias o seu sentimento e lerias os seus pensamentos: Nós tínhamos uma doce amizade, meu amigo, meu Judas! Caminhávamos alegres… Acreditavas em mim, deixaste tantas coisas para seguir-me.

Que dor ser traído por quem está perto… Se fosse um outro… Mas és meu companheiro, meu amigo, tu me conheces, eu contei meus segredos para ti, entraste na minha intimidade, no sacrário inviolável onde não tem acesso qualquer pessoa… Uma doce amizade nos unia. Eu não podia esperar um golpe tão duro… Quem me trai, diz Jesus, é aquele que põe comigo a mão no prato, assenta comigo à mesa.

Esposos traídos… esposas traídas… pais traídos… filhos traídos. Você que foi traído assim, que esperou tudo de alguém, menos o golpe da traição e que tem uma ferida grande em seu coração, o senhor diz que tem um remédio que precisa ser tomado por você, pois não vale a pena consumir-se desta forma. Desejos de vingança, falta de perdão, ressentimentos… São o veneno que bebemos a cada dia e vamos sofrendo as consequências de bebê-lo: vamos morrendo. Quanta gente está morrendo, agonizando, tendo dentro de si verdadeiros cemitérios, em cujas sepulturas estão encerrados maridos que não foram fiéis, esposas que traíram, pais que não agiram corretamente com os filhos, filhos que decepcionaram os seus pais, amigos que desentrelaçaram as mãos… Ter sido traído fez de você uma pessoa ansiosa, insegura, parece que não consegue acreditar em ninguém. Ate adoeceu. Entrega a Deus a sua angustia, a sua ansiedade e ele vai ser o seu apoio.

Precisamos contar mais com Deus. Quanto atraso ao nos determos olhando para o que deu errado. Traiu a minha confiança, tirou-me daquele serviço, aquela pessoa nem liga para mim. É preciso fazer o exercício do perdão… o perdão começa por uma decisão, certa, consciente, firme: eu quero perdoar. Nem sempre eu tenho força, então posso pedir a Jesus que me ensine, Ele que foi capaz de passar por cima da maior de todas as traições.

Nós costumamos excluir as pessoas, quando elas não agem da maneira como gostaríamos. Colocamos na geladeira. Jesus não fez isso. Mesmo diante da possibilidade da traição, Jesus não recuou no amor. Jesus sabia o que ia acontecer, e mesmo assim ele acreditou em Judas até o ultimo momento. Não deixou de acreditar. Ah, se os esposos acreditassem nos seus matrimônios… Muitos daqueles que acabaram não teriam acabado. Jesus foi amigo do seu traidor. Pois queria salvá-lo. Você que ama tanto a pessoa que lhe traiu, que sacrifício você seria capaz de fazer. Jesus olhando para aquele que estava maquinando contra Ele, longe, com o pensamento distante, não xinga, não briga, mas demonstrou afeto: pegou o pão, molhou no vinho e deu-o a Judas. Demonstrou afeto. Quanta mãe faz isso. Mesmo quando o filho está afastado. Jesus queria tirar Judas do mal caminho, mas só tinha como via o amor, o afeto. Excluir não é a solução.

Mas, persistindo a insistência de Judas, Jesus o libera para fazer o que queria. O filho do homem foi entregue. Um preço foi combinado: 30 moedas de prata. Dez vezes menos que o valor do perfume que Madalena havia derramado aos pés do Senhor, e o próprio Judas havia criticado severamente. Quanto vale a vida? Quanto vale a vida do Filho de Deus?

Saindo da ceia, Judas foi atrás dos que estavam ansiosos por calar Jesus. O que os movia? Jesus era uma forte ameaça. Ameaça aos poderosos, por estar ao lado dos fracos. Uma questão religiosa? Política? Não, muito mais que isso, tratava-se do cumprimento das Escrituras.

É claro que aquele momento não foi fácil para Jesus, pois a sua humanidade sofria profundamente, uma dor absurda e atroz. Se possível, livra-me Pai. Entretanto, foi para isso que eu vim. Faça-se a vossa santíssima vontade. Rezando no Jardim das Oliveiras, Jesus chegou a suar sangue, tão grande foi a angustia e o sofrimento interior. Mas o Pai não lhe faltou… Eu o glorifiquei e o glorificarei… Jesus não sofre sozinho. O pai é seu auxiliador. Como também o é para nós. Muitas vezes sentimo-nos sozinhos e chegamos a perguntar: onde está Deus?” as dores não nos deixam vê-lo, ouví-lo, senti-lo… mas Ele está ao nosso lado. Esta conosco, fiel, mesmo diante de nossas infidelidades.

É chegado o momento. O traidor se aproxima. Traz consigo soldados, armados com espadas e paus, buscam um criminoso. Ele não é preso, Ele se oferece para ser levado.

E Jesus se entrega. Ele aceitou o sofrimento e não recuou, não fugiu e não culpou ninguém, pois aquilo tudo que estava para acontecer era o grande sinal do amor, a visualização diante de cada olhar e coração. Judas traiu Jesus, pois sentiu-se traído por Ele. Judas esperava um Rei poderoso, que assumiria o poder à força em Israel, mas Jesus entra na cidade santa montado num jumentinho, animal usado para o serviço. Jesus está disposto a realizar este grande serviço em favor da humanidade: oferecer a sua vida, mesmo que muito se fechem e não queiram experimentar o dom que Ele oferece. Pois quer ser fiel ao Pai até às ultimas consequências.

Ei-Lo, agora, parado, inerte, frio… Que dizem os seus olhos? Que palavra pronunciam os seus lábios? Que expressão sua face produz? Seu silêncio é um grito de amor. Amor que é gratuito e generoso. Não escolhe a quem se dirigir, não quer saber se seus destinatários são merecedores ou não. Seus olhos nos dizem: Amei até o fim. Em sua face contemplamos a serenidade que só pode vir do amor, que leva a perdoar e compreender as razões de cada pessoa, mesmo de quem trai.

Ah, nem as torrentes das grandes águas, conseguirão apagar este amor, pois suas chamas são fogo ardente, mais do que a morte, é forte este amor. A morte nada representa diante do amor.

Após a prisão, o Senhor foi condenado a morrer crucificado… Morte vergonhosa, humilhante… maldito o que sobe no madeiro… E Ele, o Santo dos Santos por amor a nós se submete, como cordeiro que sobe para o sacrifício Ele vai… leva a cruz às costas. Caminho longo, doloroso, mas Ele o aceita. Não será fácil chegar até o Calvário, mas Jesus não recua. Manto de Rei, coroa de espinhos, quanta ironia dos que o odiavam. Cruz às costas. Ninguém podia imaginar com que amor Ele abraçava aquele sofrimento, aquela cruz.

Jesus está cercado pelos malfeitores. Todos os amigos fugiram dele. E Ele foi ao encontro de todos. Será que não há quem o queira ajudar? Será que não aparecerá ninguém para o consolar? Será que Ele não merece que a Samaritana lhe venha dar de beber, Ele que lhe deu a água da vida, preencheu seu coração e nele fez jorrar uma fonte? Será que Ele não merece que a hemorroisa ou a viúva de nain com seu filho reanimado surjam ali naquele caminho para um simples gesto de gratidão? O leproso? O cego? Os paralíticos? Os que estavam endemoninhados? Os que foram alimentados quando Ele multiplicou os pães e os peixes? Onde estão todos? Ah, o medo é maior que a gratidão! Aparecer agora pode ser uma sentença certa: morrer junto…

Mas há alguém que não tem medo de morrer com Ele. Aliás, cada passo de Jesus em direção ao Calvário acentua também o sofrimento desta mulher, a sua Mãe, Maria. No caminho doloroso, quando todos fogem, ela se aproxima. (as imagens se aproximam) Ela não vem como curiosa, não vem como mera expectadora daquele cruel e doloroso espetáculo… Em meio às barbaridades feitas pelos algozes, às palavras de escárnio e deboche, em meio às humilhações, ela rompe o que era determinado, fura a barreira daqueles bárbaros e se aproxima de Jesus. Quer retira dos seus ombros a cruz pesada, quer curar suas feridas…

Ah, Maria, quanta diferença… Lembra quando Ele era pequeno? Tinhas o senhor nos braços, podias aliviar suas dores quando caia em meio a uma brincadeira e outra… Bastava um beijinho de mãe para aliviar e fazer o filho esquecer a dor do machucado. Agora Ele é todo chaga, seu corpo está desfigurado. Como conseguiram fazer isso com Jesus? Maria, queres retirar Dele a cruz, assumir o lugar de Jesus, terminar de levar a cruz até o calvário, ser pregada com Ele, dividir com filho esta dor. Mas isso não será possível. Desejas falar com Ele… Mas isso não será possível. Basta o olhar. E o teu olhar grita para Jesus: Eu estou aqui! A mãe não precisa falar, não precisa fazer, basta estar perto. Que alento, que ânimo para Jesus. Que consolação! Num olhar, a mais bela expressão de amor que já se viu… a mãe sabe a dor do filho, pois é a sua própria dor acentuada e elevada a infinita potencia. Ninguém saberá dizer com tão grande propriedade o que Jesus sofreu, senão Maria, que com Ele padeceu. Espada dolorosa, disse Simeão! A senhora  já esperava por esse momento, mas quando chegou, viu que não se compara em nada ao esperado… a dor dilacera teu coração.

Que belo este encontro! Nosso coração se comove por contemplar esta cena… Mas a fúria de um soldado interrompe a ternura deste momento. Com violência retira Maria… E Jesus precisa continuar. De agora em diante Ele não vai mais sozinho. Ela irá com Ele. Estará com Ele até o fim. E nós que vimos tudo isto acontecer, temos duas opções: voltar para nossas casas, para nossas vidas, nossos afazeres e preocupações de cada dia, ou caminhar com Jesus e Maria até o Calvario. Se optarmos por ir com Eles, saibamos que não iniciaremos um caminho fácil. Iniciamos um caminho de dor e sofrimento, um caminho em que poderemos provar a doçura da cruz, abraçando-a com a força do amor, em que não nos faltará jamais a graça de Jesus encorajando-nos a não desistir e o olhar terno de Maria para nos consolar, a fim de, pelos caminhos do mundo, levarmos com triunfo a nossa cruz de cada.

O Domingo de Ramos da Paixão do Senhor

O Domingo de Ramos nos ensina que seguir Cristo é renunciarmos a nós mesmos. Só experimentamos a glória quando abraçamos a Cruz. A glória verdadeira só vem quando sabemos abraçar a Cruz e os crucificados que estão ao nosso lado

“Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens” (Fl 2,6-7).

 

Primeira Leitura (Is 50,4-7)

Leitura do profeta Isaías:

4O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. 5O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás.

6Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. 7Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado.

– Palavra do Senhor.  – Graças a Deus.

Responsório (Sl 21)

— Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?

— Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?

— Riem de mim todos aqueles que me veem, torcem os lábios e sacodem a cabeça: Ao Senhor se confiou, ele o liberte E agora o salve, se é verdade que ele o ama!

— Cães numerosos me rodeiam furiosos e por um bando de malvados fui cercado. Transpassaram minhas mãos e os meus pés e eu posso contar todos os meus ossos.

— Eles repartem entre si as minhas vestes e sorteiam entre si a minha túnica. Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe, ó minha força, vinde logo em meu socorro!

— Anunciarei o vosso nome a meus irmãos e no meio da assembleia hei de louvar-vos! Vós, que temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores, glorificai-o, descendentes de Jacó, e respeitai-o, toda a raça de Israel!

Segunda Leitura (Fl 2,6-11)

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses:

6Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, 7mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, 8humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz.

9Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. 10Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, 11e toda língua proclame: “Jesus Cristo é o Senhor”, para a glória de Deus Pai.

– Palavra do Senhor. – Graças a Deus.

Anúncio do Evangelho (Mc 15,1-39 – Forma breve)

Narrador 1: Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo segundo Marcos:

1Logo pela manhã, os sumos sacerdotes, com os anciãos, os mestres da Lei e todo o Sinédrio, reuniram-se e tomaram uma decisão. Levaram Jesus amarrado e o entregaram a Pilatos. 2E Pilatos o interrogou:

Leitor 1: “Tu és o rei dos judeus?”

Narrador 1: Jesus respondeu:

— “Tu o dizes”.

Narrador 1: 3E os sumos sacerdotes faziam muitas acusações contra Jesus. 4Pilatos o interrogou novamente:

Leitor 1: “Nada tens a responder? Vê de quanta coisa te acusam!”

Narrador 1: 5Mas Jesus não respondeu mais nada, de modo que Pilatos ficou admirado. 6Por ocasião da Páscoa, Pilatos soltava o prisioneiro que eles pedissem. 7Havia então um preso, chamado Barrabás, entre os bandidos, que, numa revolta, tinha cometido um assassinato. 8A multidão subiu a Pilatos e começou a pedir que ele fizesse como era costume. 9Pilatos perguntou:

Leitor 1: “Vós quereis que eu solte o rei dos judeus?”

Narrador 2: 10Ele bem sabia que os sumos sacerdotes haviam entregado Jesus por inveja. 11Porém, os sumos sacerdotes instigaram a multidão para que Pilatos lhes soltasse Barrabás. 12Pilatos perguntou de novo:

Leitor 1: “Que quereis então que eu faça com o rei dos judeus?”

Narrador 2: 13Mas eles tornaram a gritar:

— Crucifica-o!

Narrador 2: 14Pilatos perguntou:

Leitor 1: “Mas, que mal ele fez?”

Narrador 2: Eles, porém, gritaram com mais força:

— Crucifica-o!

Narrador 2: 15Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus e o entregou para ser crucificado. 16Então os soldados o levaram para dentro do palácio, isto é, o pretório, e convocaram toda a tropa. 17Vestiram Jesus com um manto vermelho, teceram uma coroa de espinhos e a puseram em sua cabeça. 18E começaram a saudá-lo:

— “Salve, rei dos judeus!”

Narrador 1: 19Batiam-lhe na cabeça com uma vara. Cuspiam nele e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante dele. 20Depois de zombarem de Jesus, tiraram-lhe o manto vermelho, vestiram-no de novo com suas próprias roupas e o levaram para fora, a fim de crucificá-lo.

Narrador 2: 21Os soldados obrigaram um certo Simão de Cirene, pai de Alexandre e Rufo, que voltava do campo, a carregar a cruz. 22Levaram Jesus para o lugar chamado Gólgota, que quer dizer “Calvário”. 23Deram-lhe vinho misturado com mirra, mas ele não o tomou. 24Então o crucificaram e repartiram as suas roupas, tirando a sorte, para ver que parte caberia a cada um.

Narrador 1: 25Eram nove horas da manhã quando o crucificaram. 26E ali estava uma inscrição com o motivo de sua condenação: “O Rei dos Judeus”. 27Com Jesus foram crucificados dois ladrões, um à direita e outro à esquerda.(28) 29Os que por ali passavam o insultavam, balançando a cabeça e dizendo:

— “Ah! Tu, que destróis o Templo e o reconstróis em três dias, 30salva-te a ti mesmo, descendo da cruz!”

Narrador 1: 31Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, com os mestres da Lei, zombavam entre si, dizendo:

— “A outros salvou, a si mesmo não pode salvar!” 32O Messias, o rei de Israel… que desça agora da cruz, para que vejamos e acreditemos!”

Narrador 2: Os que foram crucificados com ele também o insultavam. 33Quando chegou o meio-dia, houve escuridão sobre toda a terra, até as três horas da tarde. 34Pelas três da tarde, Jesus gritou com voz forte:

— “Eloi, Eloi, lamá sabactâni?”

Narrador 2: Que quer dizer:

— “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”

Narrador 2: 35Alguns dos que estavam ali perto, ouvindo-o, disseram:

— “Vejam, ele está chamando Elias!”

Narrador 2: 36Alguém correu e embebeu uma esponja em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara e lhe deu de beber, dizendo:

— “Deixai! Vamos ver se Elias vem tirá-lo da cruz”.

Narrador 1: 37Então Jesus deu um forte grito e expirou. (Todos se ajoelham um instante) 38Nesse momento, a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes. 39Quando o oficial do exército, que estava bem em frente dele, viu como Jesus havia expirado, disse:

— “Na verdade, este homem era o Filho de Deus!”

— Palavra da Salvação.  — Glória a vós, Senhor.

Hoje, celebramos o Domingo de Ramos e da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Estamos acostumados a lembrar da Paixão do Senhor na Sexta-feira da Paixão de Cristo, mas, neste domingo a Igreja já celebra o Cristo que sofre a Sua Paixão, para entendermos que Ele entra glorioso em Israel.

Entenda que esse “glorioso” é porque o povo em Jerusalém exclamava: “Hosana! Bendito Aquele que vem em nome do Senhor!”. Essa foi a única vez que Cristo permitiu ser exaltado e glorificado pelos homens. Por que Ele permitiu? Porque o Cristo exaltado é o Cristo Crucificado, é o Cristo humilhado, pisoteado, julgado e condenado. Cristo que eleva-se na Cruz como nosso Salvador.

Quem está sendo exaltado é o servo sofredor, é o triunfo do servo de Deus que experimenta a rejeição e o sofrimento. Estamos exaltando o sofrimento? Não! Estamos transformando o sofrimento e a rejeição que os homens impõem a Deus em salvação para nós. Por isso, o Cristo Crucificado é nosso Deus amado, glorificado e exaltado. Colocamo-nos ao lado de Cristo Crucificado e não O rejeitamos e nem O abandonamos.

Exaltamos o Senhor quando Ele entra glorioso em Jerusalém, dessa forma, fiquemos junto com Ele na Sua morte, na Sua redenção, porque Cristo não se usurpou da Sua condição divina. Pelo contrário, Deus se fez homem e, à medida que, era reconhecido como homem, Ele humilhava-se mais ainda. Tornou-se escravo e obediente até a morte de Cruz. O Cristo que celebramos hoje, é o Cristo que vamos celebrar glorioso e ressuscitado para sempre.

Não chegamos à glória sem abraçarmos a Cruz, os sofrimentos, as dores da vida. O Cristo que celebramos está conosco em nossas vitórias, nos êxitos que temos na vida. É o Cristo que está presente quando uma criança nasce; é o Cristo que está nas vitórias que cada um experimenta na vida, porém, é também, o mesmo Cristo que está conosco nas doenças, nas enfermidades, nos sofrimentos, na morte. O mesmo Cristo que encontramos numa vida nascente, é o mesmo Cristo que está com o doente, enfrentando uma enfermidade longa.

(…) O Cristo que está em cima do jumentinho é o mesmo Cristo que está de braços abertos na Cruz.

Amamos o Cristo que nasceu em Belém como menino, a quem beijamos; amamos o Cristo que foi pregado na Cruz como o pior dos homens, por isso, a vida não é feita só de glória. A glória verdadeira só vem quando sabemos abraçar a Cruz e os crucificados que estão ao nosso lado.

Deus abençoe você!

Pe. Roger – canção Nova 

Portal Terra de Santa Cruz

5º Domingo da Quaresma – Ver Jesus, encontrar Jesus são atos libertadores, atos de vida.

“QUEREMOS VER JESUS.” Este era o desejo dos discípulos gregos de João Batista ao se dirigirem a Filipe e, certamente também nosso. Quando Filipe e André levaram esse desejo ao Senhor, escutaram a seguinte declaração: “Quem se apega à sua vida, perde-a; Se alguém me quer servir, siga-me.”

Nada de euforia! Pelo contrário, muita lucidez e autêntica seleção. Jesus veio para todos nós e deseja ser acolhido por todos, mas seu seguimento está no abandono, na entrega, na doação como vimos no domingo passado.    Por outro lado, o Senhor diz: “Quem faz pouco de sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna.

Acompanhe conosco a Liturgia para este 5º Domingo da Quaresma 

Primeira Leitura (Jr 31,31-34)

Leitura do Livro do profeta Jeremias:

31Eis que virão dias, diz o Senhor, em que concluirei com a casa de Israel e a casa de Judá uma nova aliança; 32não como a aliança que fiz com seus pais, quando os tomei pela mão, para retirá-los da terra do Egito, e que eles violaram, mas eu fiz valer a força sobre eles, diz o Senhor.

33“Esta será a aliança que concluirei com a casa de Israel, depois desses dias, — diz o Senhor: — imprimirei minha lei em suas entranhas, e hei de escrevê-la em seu coração; serei seu Deus e eles serão meu povo. 34Não será mais necessário ensinar seu próximo ou seu irmão, dizendo: ‘Conhece o Senhor!’ Todos me reconhecerão, do menor ao maior deles, diz o Senhor, pois perdoarei sua maldade, e não mais lembrarei o seu pecado”.

– Palavra do Senhor. – Graças a Deus.

Responsório (Sl 50)

— Criai em mim um coração que seja puro!

— Criai em mim um coração que seja puro!

— Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão de vosso amor, purificai-me! Lavai-me todo inteiro do pecado, e apagai completamente a minha culpa!

— Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido. Ó Senhor, não me afasteis de vossa face nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!

— Dai-me de novo a alegria de ser salvo e confirmai-me com espírito generoso! Ensinarei vosso caminho aos pecadores, e para vós se voltarão os transviados.

Segunda Leitura (Hb 5,7-9)

Leitura da Carta aos Hebreus:

7Cristo, nos dias de sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas, àquele que era capaz de salvá-lo da morte. E foi atendido por causa de sua entrega a Deus.

8Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus por aquilo que ele sofreu. 9Mas, na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem.

– Palavra do Senhor. – Graças a Deus.

Anúncio do Evangelho (Jo 12,20-33)

— O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós!

— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.

— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 20havia alguns gregos entre os que tinham subido a Jerusalém, para adorar durante a festa. 21Aproximaram-se de Filipe, que era de Betsaida da Galileia, e disseram: “Senhor, gostaríamos de ver Jesus”.

22Filipe combinou com André, e os dois foram falar com Jesus. 23Jesus respondeu-lhes: “Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado. 24Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas, se morre, então produz muito fruto. 25Quem se apega à sua vida, perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna. 26Se alguém me quer seguir, siga-me, e onde eu estou estará também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará. 27Agora sinto-me angustiado. E que direi? ‘Pai, livra-me desta hora?’ Mas foi precisamente para esta hora que eu vim. 28Pai, glorifica o teu nome!” Então, veio uma voz do céu: “Eu o glorifiquei e o glorificarei de novo!”

29A multidão, que aí estava e ouviu, dizia que tinha sido um trovão. Outros afirmavam: “Foi um anjo que falou com ele”.

30Jesus respondeu e disse: “Essa voz que ouvistes não foi por causa de mim, mas por causa de vós. 31É agora o julgamento deste mundo. Agora o chefe deste mundo vai ser expulso, 32e eu, quando for elevado da terra, atrairei todos a mim”. 33Jesus falava assim para indicar de que morte iria morrer.

— Palavra da Salvação. — Glória a vós, Senhor.

REFLETINDO 

   Nossa natureza rejeita tudo aquilo que é dor, que é desagradável, que é morte. Mas por que essa fuga? Vamos ficar fugindo a vida toda sabendo que a morte terá a última palavra? Chegará um momento em que nada adiantará e morreremos. É isso que Deus quer? Foi isso que Ele planejou para nós?

   Certamente não. Se fosse assim seríamos pessoas conformadas com a morte, com o destino de caminhar neste vale de lágrimas e morrer dolorosamente.

   Mas não é assim. Queremos a vida e a queremos plenamente, com saúde, carinho, amor, eternamente feliz. Tudo isso porque essa é a nossa marca registrada. Fomos feitos pela vida e para a vida. Deus, Vida, nos fez para Ele, a VIDA. Por isso, tudo aquilo que traz sinais de morte, nós rejeitamos.

     Contudo, frequentemente, nos enganamos. Quantas e quantas vezes escolhemos o caminho da morte como se fosse o da vida! O egoísmo, o “não” dito apelo da caridade, o gesto de amor e de perdão, o “sim” ao pecado, tudo isso são enganos e envenenamento para nossa vida feliz e para o encontro com o sofrimento e a morte.

   Quando os gregos pediram para ver Jesus, estavam pedindo para ver a Vida e a Vida se apresentou a eles como serviço, entrega, doação.

    A vida diz que ela não se coaduna com a morte e nem com seus sinais, ou seja, egocentrismo, personalismo, e seus familiares.

   E nós, queridos leitores? Também nós queremos ver Jesus, mas como analgésico para nossos males, ou como saúde, como Vida?

    Aceitamos suportar sofrimentos por causa de nossa fé em Jesus? Aceitamos renúncias, abnegações para que a vida do outro seja mais saudável e feliz?

   Como é nossa relação conjugal, familiar e de amizade? É relação libertadora, de doação, de crescimento ou nós a privatizamos e subordinamos o outro às nossas necessidades e caprichos, ou nós aos dele?

   Ver Jesus, encontrar Jesus são atos libertadores, atos de vida.

   Do mesmo modo que Moisés foi convidado a tirar suas sandálias porque estava em terra sagrada, o que devo tirar de meu coração para que, de fato, possa ver Jesus e permanecer com ele?

   A 1ª leitura fala da lei da Aliança impressa pelo Pai em nossas entranhas, e a 2ª, da obediência de Jesus que se tornou salvação para todos nós. Aliança e obediência são provocadoras de vida, aliás, já são a própria Vida.

    Que cada dia, o desejo de ver Jesus, renove em nós a obediência que nos une ao Pai e nos torna produtores generosos de bons frutos. Só produz frutos quem está com Jesus.

O exemplo de Cristo não é só para ser admirado, pelo contrário, é para ser seguido. Ele nos trouxe vida em plenitude e em abundância, porém, só temos vida em plenitude e em abundância, se soubermos morrer. Quem sabe morrer, sabe viver.

Um toque do amor eterno nas feridas mais dolorosas do homem

As feridas humanas encontram ressonância no coração de Deus

A Cruz é o modo mais profundo da divindade debruçar-se sobre a humanidade, especialmente nos momentos difíceis e dolorosos. A Cruz é como que um toque do amor eterno nas feridas mais dolorosas da existência terrena do homem. É, também, o cumprir-se cabalmente do programa messiânico, que Cristo um dia tinha formulado na sinagoga de Nazaré (84) e que repetiu depois diante dos enviados de João Batista (85).

Cristo, precisamente como Crucificado, é o Verbo que não passa (92). É o que está à porta e bate ao coração de cada homem (93), sem restringir a sua liberdade. Cristo procura fazer irromper dessa mesma liberdade o amor. Amor que é não apenas ato de solidariedade para com o Filho do homem que sofre, mas também, em certo modo, uma forma de – misericórdia. Porventura, em todo o programa messiânico de Cristo, em toda a revelação da misericórdia pela Cruz, poderia ser mais respeitada e elevada a dignidade do homem, já que o homem, se é objeto da misericórdia, é também, em certo sentido, aquele que ao mesmo tempo exerce a misericórdia?

O mistério da Paixão e Morte de Jesus enquanto caminho para a ressurreição

O mistério pascal é Cristo na cúpula da revelação do imperscrutável mistério de Deus. É precisamente então, que se verificam plenamente as palavras pronunciadas no Cenáculo: “Quem me vê, vê o Pai” (96). De fato, Cristo a quem o Pai “não poupou” (97) em favor do homem e que, na sua Paixão, assim como no suplício da Cruz não encontrou misericórdia humana, na sua ressurreição revelou a plenitude daquele amor que o Pai nutre para com Ele e, n’Ele para com todos os homens. Esse Pai não é Deus de mortos, mas de vivos (98).

Na Sua ressurreição Cristo revelou o Deus de amor misericordioso, precisamente porque aceitou a Cruz como caminho para a ressurreição. É por isso que, quando lembramos a Cruz de Cristo, a Sua Paixão e morte, a nossa fé e a nossa esperança concentram-se n’Ele ressuscitado naquele mesmo Cristo, aliás, “na tarde desse dia, que era o primeiro de semana (…) se pôs no meio deles – no Cenáculo – onde se achavam juntos os discípulos (…) soprou sobre eles e lhes disse: ‘Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos’” (99).

Este é o Filho de Deus que, na sua ressurreição, experimentou em si de modo radical a Misericórdia. Experimentou o amor do Pai que é mais forte do que a morte. Ele é, também, o mesmo Cristo Filho de Deus. Cristo Pascal é a encarnação definitiva da misericórdia, o seu sinal vivo: histórico-salvífico e, simultaneamente, escatológico. Neste mesmo espírito, a Liturgia do tempo Pascal põe nos nossos lábios as palavras do Salmo: Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor (…) (100).

Características maternais e paternais do Amor

Como os profetas, apelamos para o amor que tem características maternais. Semelhante ao amor de mãe, vai acompanhando cada um dos seus filhos, cada ovelha desgarrada, ainda que houvessem milhões de extraviados.

Recorramos, pois, a tal amor, que permanece amor paterno, como nos foi revelado por Cristo na sua missão messiânica. Amor que atingiu o ponto culminante na sua Cruz, Morte e Ressurreição! Recorramos a Deus por meio de Cristo, lembrados das palavras do Magnificat de Maria, que proclamam a misericórdia “de geração em geração”. Imploremos a misericórdia divina para a geração contemporânea! Que a Igreja, que procura, a exemplo de Maria ser em Deus, mãe dos homens, exprima nesta oração a sua solicitude maternal e o seu amor confiante, donde nasce a mais ardente necessidade da oração.

Elevemos as nossas súplicas, guiados pela fé, pela esperança e pela caridade, que Cristo implantou nos nossos corações. Essa atitude é, ao mesmo tempo, amor para com Deus, que o homem contemporâneo, por vezes, afastou tanto de si. Esse homem passou a considera-Lo um estranho e de várias maneiras, O proclama “supérfluo”. É, ainda, amor para com Deus, em relação ao Qual sentimos profundamente quanto o homem contemporâneo O ofende e O rejeita; e por isso estamos prontos para clamar com Cristo na Cruz: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (137).

Deus ama o homem sem qualquer discriminação

(…) Tal atitude é, também, amor para com os homens, para com todos os homens, sem exceção e sem qualquer discriminação. Sem diferenças de raça, de cultura, de língua, de concepção do mundo e sem distinção entre amigos e inimigos. Tal é o amor para com todos os homens, que deseja todo o bem verdadeiro a cada um deles. Se estende também a toda comunidade humana, a cada família, nação, grupo social. Aos jovens, aos adultos, aos pais, anciãos e doentes, enfim, amor para com todos sem exceção. Tal é o amor, esta viva solicitude para garantir a cada um, todo o bem autêntico, afastar e esconjurar todo o mal (…).

Trecho da Encíclica “Dives in Misericordia

Papa São João Paulo II

Fonte: Blog Canção Nova 

Você conhece a Doutrina da Igreja Católica ?

A doutrina católica, fundamentalmente, baseia-se no Texto-Sagrado que contém a Palavra de Deus, a verdade revelada, sendo também formada pela sagrada tradição do magistério infalível da Santa Igreja .

A Tradição e as Sagradas Escrituras formam uma unidade para os católicos; possuem a mesma origem, comungam os mesmos objetivos e integram o mesmo depósito da fé. A Igreja Católica lança mão, portanto, dessas duas dimensões da verdade revelada: a autoridade da Bíblia e a autoridade do magistério dos apóstolos e de seus sucessores, sob a proteção e a orientação do Espírito Santo. O Catecismo da Igreja (1992) cita a Constituição Dogmática Dei Verbum, que ensina :

(95) “A Tradição, a Escritura, e o Magistério da Igreja, segundo o plano prudente de Deus, estão unidos e ligados, de modo que nenhum deles pode subsistir sem os outros; os três, cada um segundo seu caráter, e sob a ação do único Espírito Santo, contribuem eficazmente para a salvação das almas” (10,3).”

A Verdade é oferecida por Deus através das Escrituras e interpretada pelo magistério à luz da Tradição. O magistério eclesiástico conserva e difunde a Revelação, decidindo em nome da Igreja, por determinação e sob a assistência de Cristo , na Pessoa do Espírito Santo Paráclito.

O sagrado magistério expressa-se, fundamentalmente, nos documentos dos concílios ecumênicos e nas decisões e pronunciamentos papais.

A doutrina católica consiste, pois, dos dogmas de fé, da condenação das heresias e da missão de ensinar e de santificar da Igreja, para a salvação das almas e para a maior glória de Deus.

São elementos fundamentais da doutrina católica: o Credo Niceno-Constantinopolitano (325-381), o governo da Igreja, sua hierarquia, a instituição do papado, o colégio episcopal, seus tribunais, seus concílios, as conferências episcopais, bem como a doutrina sobre os santíssimos sacramentos (do batismo, da penitência, da eucaristia, da crisma, da ordem, do matrimônio e da unção dos enfermos ), que transmitem a graça divina necessária para a santificação dos homens e do mundo ; mediante os quais a Igreja realiza a sua missão .

As fontes documentais mais relevantes da doutrina católica são, pois: o Catecismo , o Código de Direito Canônico ,os documentos papais ( Encíclicas, Constituições Apostólicas, Constituições Dogmáticas, Decretos, Bulas e Exortações Apostólicas), os documentos conciliares, os documentos das autoridades eclesiásticas, e os textos dos santos e doutores da Igreja, devidamente aprovados .

A Doutrina da Igreja Católica, em síntese, é o conjunto de verdades reveladas por Deus e confirmadas pelo magistério solene da Igreja, bem como o conjunto de definições não dogmáticas. São verdades sobre a ordem natural, sobre o homem, sobre a Igreja e sobre Deus, que devem ser reverenciadas pelos fiéis como expressão de respeito pela sagrada hierarquia, tanto em seu magistério solene quanto em seu magistério ordinário.

A Igreja reconhece como absolutamente legítimo, o direito e o dever, o poder, enfim, do magistério eclesiástico de enriquecer a doutrina em seu conjunto, sempre de forma coerente, sem qualquer negação dos dogmas afirmados pelo Papa em pronunciamentos ” ex-cathedra ” ou pelo Colégio Episcopal em reuniões do seu magistério solene , sob a assistência permanente do Espírito Santo ; o Espírito de Verdade , que orienta e conduz a Igreja.

A doutrina da Igreja pode ser enriquecida em matérias dogmáticas e não dogmáticas (Cfr. Encíclica Mirari Vos , Papa Gregório XVI ). No caso das matérias dogmáticas , cabe menção aos fatos ligados a dogmas , mas que ainda não receberam essa definição formal. A Igreja não cria dogmas, os dogmas são revelados por Deus e confirmados pela Igreja ; os dogmas existem objetivamente . Contudo , alguns dogmas podem não estar , plenamente, identificados pelo entendimento humano, até um determinado momento do processo de desenvolvimento da doutrina, por isso a necessidade de alguma elaboração filosófica por parte do magistério eclesiástico.

A Revelação cristã fechou-se com a ascensão de Cristo ; não haverá, portanto, nenhuma nova revelação até a Parusia. Diz o Catecismo: “Cristo, o Filho de Deus feito homem, é a Palavra única, perfeita e insuperável do Pai. Nele o Pai disse tudo, e não haverá outra palavra senão esta” (CIC 65). Por essa razão “já não há que esperar nenhuma nova revelação pública antes da gloriosa manifestação” de Cristo no final dos tempos (cf. Dei Verbum 4).

A doutrina católica possui subdivisões que são aplicações da doutrina a aspectos diferentes e complexos da realidade que envolve a vida do homem no mundo. A doutrina moral, a doutrina social, a doutrina sobre os sacramentos, a doutrina missionária formam dimensões especificas da doutrina da Santa Igreja, em harmonia e coerência, com o todo .

Tratamos, pois , em nosso apostolado , de questões eclesiásticas, teológicas , questões afetas à liturgia , ao estudo das Sagradas Escrituras, ao diálogo ecumênico e aos males sociais do nosso tempo, que também afetam a Igreja .

Nosso Senhor Jesus Cristo disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai, a não ser por mim” ( Jo14,6 ); conhecer a doutrina da Igreja é conhecer as verdades de Cristo, e, assim, amá-lo mais perfeita e intensamente .

Para igualmente exercermos a nossa missão de levar a Palavra de Deus aos mais distantes povos, em conformidade com as palavras do Mestre: “Ide… e ensinai a todas as nações” (Mt 28, 19), necessitamos conhecer sempre mais e melhor a doutrina da Igreja .

Trata-se de uma obrigação exigida de todos os cristãos: conhecer a mensagem evangélica, para que possamos pregar a Palavra que redime e salva, a todos os homens. Insere-se, portanto , plenamente , nos desígnios de Cristo para os seus discípulos e para todos os membros da sua Igreja , o estudo e o ensino sistemático da doutrina católica , em seu conjunto .

Cada batizado possui um sacerdócio e o exerce pelo engrandecimento da Igreja, pelo crescimento na justiça, na graça e na caridade, de toda a comunhão de almas santas que a constituem.

Proclamou o Concílio Vaticano II: “A única Igreja de Cristo(…) é aquela que nosso Salvador, depois da sua Ressurreição, entregou a Pedro para apascentar (Jo 21,17) e confiou a ele e aos demais apóstolos para propagá-la e regê-la (Mt 28,l8ss), levantando-a para sempre como coluna da verdade (1Tm 3,15). Esta Igreja(…) subsiste na Igreja Católica governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele” (Lumen Gentium 8).

Fonte: A FÉ EXPLICA

São Longuinho, o soldado que perfurou o lado de Jesus – Festa litúrgica em 15 de março.

 “Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus”, esta é a profissão de fé feita pelo soldado romano que, após a crucificação, furou o lado de Jesus com uma lança e se converteu, o qual foi identificado como São Longuinho, cuja festa é celebrada neste dia 15 de março.

Longuinho viveu nos primeiros séculos, era o centurião que, por ordens de Pilatos, esteve com outros soldados ao pé da cruz de Jesus Cristo.

O Evangelho de São João relata quando os soldados foram quebrar as pernas dos dois homens que estavam crucificados ao lado de Jesus, mas quando chegaram diante de Cristo, “como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água” (Jo 19,33-34).

Este soldado que perfurou o lado de Jesus foi identificado com o nome Longuinho, derivado do grego que significa “uma lança”.

Foi ele quem, ao ver as poderosas manifestações da natureza após a morte de Cristo, disse a famosa frase que o fez o primeiro convertido à fé cristã: “Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus”.

Diz-se que Longuinho estava ficando cego e, quando perfurou o Senhor com a lança, uma gota do sangue do Salvador caiu em seus olhos e, imediatamente, ele ficou curado. Tocado, converteu-se e abandonou para sempre o exército.

Instruído pelos apóstolos, Longuinho se tornou monge em Cesareia, na Capadócia, onde ganhou muitas almas para Cristo por meio da palavra e do testemunho.

Entretanto, o governador da Cesareia descobriu sua identidade e o entregou a Pôncio Pilatos. Foi acusado de desertor e condenado à morte, a não ser que renunciasse à sua fé em Cristo.

Longuinho se manteve firme e, por isso, foi torturado, teve seus dentes arrancados e a língua cortada. Depois, foi decapitado.

Quase mil anos depois, em 999, São Longuinho foi canonizado pelo Papa Silvestre II. Conforme se relata, o processo de canonização já havia avançado bastante, porém os documentos ficaram perdidos por muitos anos.

Então, o Papa pediu a intercessão de Longuinho para ajudá-lo a encontrar esses papéis. Pouco tempo depois, os documentos foram achados e aconteceu a canonização.

Ainda hoje, São Longuinho é invocado pelos fiéis para pedir ajuda a fim de encontrar algum objeto perdido. Diz-se que ele era um homem baixinho e que, servindo na corte de Roma, vivia nas festas dos romanos.

Nesses ambientes, por sua pequena estatura, conseguia ver o que se passava por baixo das mesas e sempre encontrava pertences de pessoas. Os objetos achados eram devolvidos aos seus donos. Daí teria surgido o costume de pedir-lhe ajuda para encontrar o que se perdeu.

Em agradecimento, segundo a tradição, são oferecidos três pulinhos e uma oração. Diz-se que essa forma de agradecer seria pelo fato de o soldado ser manco, mas outra explicação afirma que os pulinhos se remetem à Santíssima Trindade.

Por que Jesus usava as parábolas para ensinar?

Jesus usava muito as parábolas para ensinar, que são história ou alegorias que contém uma verdade religiosa profunda. Algumas pessoas perguntam: por que Jesus não dava um ensinamento mais objetivo e direto?

Confira neste vídeo uma explicação do Prof. Felipe Aquino sobre isso:

 

Fonte:Blog Canção Nova

Portal Terra de Santa Cruz 

Cinco anos da eleição de Jorge Mario Bergoglio – 266º Papa da Igreja Católica.

Há exatos cinco anos, no segundo dia do Conclave, Jorge Mario Bergoglio era eleito como 266º Papa da Igreja Católica.

Após sua eleição o novo Pontífice apareceu na sacada central da Basílica de São Pedro por volta das 20 horas e 30 minutos (horário italiano). Vestindo apenas a batina papal branca, acompanhou a execução da Marcha Pontifícia e saudou a multidão com estas palavras:

“Irmãos e irmãs, boa noite!
Vocês sabem que o dever do Conclave era dar um Bispo a Roma. Parece que os meus irmãos Cardeais tenham ido buscá-lo quase ao fim do mundo… Eis-me aqui! Agradeço-vos o acolhimento: a comunidade diocesana de Roma tem o seu Bispo. Obrigado! E, antes de mais nada, quero fazer uma oração pelo nosso Bispo Emérito Bento XVI. Rezemos todos juntos por ele, para que o Senhor o abençoe e Nossa Senhora o guarde.”

O Papa rezou as orações do Pai Nosso, Ave Maria e Glória ao Pai, dedicando-os ao Papa emérito, e continuou:

“E agora iniciamos este caminho, Bispo e povo… este caminho da Igreja de Roma, que é aquela que preside a todas as Igrejas na caridade. Um caminho de fraternidade, de amor, de confiança entre nós. Rezemos sempre uns pelos outros. Rezemos por todo o mundo, para que haja uma grande fraternidade. Espero que este caminho de Igreja, que hoje começamos e no qual me ajudará o meu Cardeal Vigário, aqui presente, seja frutuoso para a evangelização desta cidade tão bela!

E agora quero dar a bênção, mas antes… antes, peço-vos um favor: antes de o Bispo abençoar o povo, peço-vos que rezeis ao Senhor para que me abençoe a mim; é a oração do povo, pedindo a Bênção para o seu Bispo. Façamos em silêncio esta oração vossa por mim.”

O Papa inclinou a cabeça e toda a praça ficou em silêncio em oração por um momento.

Após, concedeu sua primeira bênção Urbi et Orbi, e despediu-se da multidão dizendo “Boa noite, e bom descanso!”.

Vida longo ao pontificado de Papa Francisco, rezemos sempre pelo Santo Padre o Papa.

Uma prece tradicional nas versões em português e latim

  • Em português:

℣. Oremos pelo nosso Pontífice (Francisco)

℟. Que o Senhor o conserve, e lhe dê vida, e o faça santo na terra, e não o entregue à vontade de seus inimigos.

℣. Tu és Pedro,

℟. E sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.

Oremos.

Deus, pastor e guia de todos os fiéis, olhai cheio de bondade para o vosso servo, o Papa (Nome), a quem quisestes colocar à frente da vossa Igreja como pastor. Concedei-lhe, Vos pedimos, a graça de fazer, por suas palavras e por seu exemplo, com que progridam na virtude aqueles de quem é chefe, e chegue, com o rebanho que lhe foi confiado, à vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

Foto: Antoine Mekary | ALETEIA
  • Em latim:

℣. Oremus pro Pontifice nostro (Francisco)

℟. Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in animam inimicorum eius.

℣. Tu es Petrus,

℟. Et super hanc petram aedificabo Ecclesiam meam.

Oremus.

Deus, ómnium fidélium pastor et rector, fámulum tuum N.N., quem pastórem Ecclésiae tuae praeésse voluísti, propítius réspice: da ei, quaésumus, verbo et exémplo, quibus praeest, profícere; ut ad vitam, una cum grege sibi crédito, pervéniat sempitérnam. Per Dominum nostrum Jesum Christum. Ámen.

 

Foto: Antoine Mekary | ALETEIA