BANHADOS EM CRISTO: BATISMO E MISSÃO. Por Dom Pedro Cunha Cruz

No início deste “Ano Nacional do Laicato” e com a festa do Batismo do Senhor, no encerramento do Tempo do Natal, é oportuna uma reflexão sobre o sacramento do Batismo, que nos abre à missão na Igreja e no mundo como “Sal e Luz” (Mt5, 13-14). Neste sentido, o batismo de Jesus é a prefiguração do nosso batismo, pois Jesus ao ser batizado nas águas do Jordão, embora  não tivesse pecado, dá  início à sua vida  pública e antecipa o  “batismo” de sua morte. Nele  o Pai  proclama o seu “Filho amado”  (Mt 3,17) e com a descida do Espírito Santo, será assistido em toda sua missão de inaugurar e manifestar o Reino de Deus a todos.

Por isso, como bem descreve o Catecismo da Igreja Católica, “os fiéis, incorporados a Cristo Jesus mediante o batismo, são constituídos membros do Povo de Deus. Tendo-se tornado participantes, segundo a própria condição da função sacerdotal, profética e régia de Cristo, são chamados a exercer a missão confiada por Deus à Igreja” (CIC, 871-872). Banhados em Cristo, com as águas da santificação e purificação, recebemos a graça que aperfeiçoa o nosso ser e destrói o espírito da perversidade. O Espírito da verdade derramado em nossos corações nos faz membros do corpo de Cristo e nos impulsiona a abraçar, na liberdade e na alegria, a missão de estender no hoje da história, o Reino inaugurado por Jesus. Deste modo, o batismo produz em nós não apenas a incorporação do cristão em Cristo, mas também a sua união com os outros cristãos como membros do corpo único de Cristo (cf. GI 3,27).

O batismo nos incorpora em Cristo e nos faz ser Igreja. A Igreja é o Povo de Deus  que se organiza  para a missão na vinha do Senhor. Pertencer à Igreja é pertencer a uma comunidade em missão, que tem sua razão de ser na busca do Reino de Deus nas condições concretas em que vivemos. Contudo, é um desafio necessário compreender o mundo em que vivemos; é uma tarefa educativa da fé que nos faz viver de forma consciente e ativa. Não cabe mais hoje entender o nosso batismo no indiferentismo ou desvinculado da consciência do discipulado missionário. Isto implica também aceitar o protagonismo na Igreja e no mundo.

O leigo, sujeito na Igreja e no mundo, é o cristão maduro na fé, que fez o encontro pessoal com Jesus Cristo e se dispôs a segui-lo com todas as consequências dessa escolha; é o cristão que se coloca na escuta do Espírito, que nos envia à edificação da comunidade e à transformação do mundo em direção do Reino de Deus. Cabe ainda dizer, que o sujeito cristão ativo se realiza como pessoa no seio da comunidade cristã. Ele é uma unidade de consciência e de relação, cujo modelo é a própria pessoa de Jesus Cristo (cf. Estudos da CNBB 107, n.49; 51).

Por fim, viver a dignidade do batismo significa assumir um modo exigente de vida que supõe engajamento e responsabilidade no contexto em que vivemos, como sujeitos ativos de evangelização. Que todos os leigos e leigas se sintam animados e conscientes de sua atuação como sujeitos eclesiais, isto é, conscientes de sua pertença eclesial e de sua missão na Igreja e no mundo. Um frutuoso ano do laicato a todos.

Por Dom Pedro Cunha Cruz  –  Bispo da Diocese da Campanha/MG

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