Carismas que brotaram com a renovação trazida pelo Concílio Vaticano II

Com o Concílio Vaticano II um novo sopro do Espírito Santo entrou na Igreja, o que também suscitou o surgimento de novos carismas. O Papa Paulo VI escrevia ao Congresso de Teologia pós-Conciliar (21/09/1966), logo após a conclusão do Concílio:

“A tarefa do Concílio Ecumênico não está completamente terminada com a promulgação de seus documentos. Esses, como o ensina a história dos Concílios, representam antes um ponto de partida que um alvo atingido. É preciso ainda que toda a vida da Igreja seja impregnada e renovada pelo vigor e pelo espírito do Concílio, é preciso, que as sementes de vida lançadas pelo Concílio no campo que é a Igreja cheguem à plena maturidade”.

Uma das importantes imagens, comparações utilizadas pela Lumen Gentium a respeito da Igreja é a Igreja entendida como Povo de Deus. Este entendimento por parte dos Padres Conciliares abriu caminho para um maior protagonismo dos leigos na Igreja, e aliado a isto, o surgimento de novos carismas.

E justamente “Os carismas que brotaram com a renovação trazida pelo Concílio Vaticano II”, é o tema da reflexão do Padre Gerson Schimdt para esta quarta-feira:

“O pregador da Casa Pontifícia, Raniero Cantalamessa falou exaustivamente dos diversos dons carismáticos na Igreja, que brotaram após o Concílio Vaticano II. Falou nas pregações do Advento do Jubileu de Ouro que a RCC celebrou nesse ano de 2017. Nesse embalo de recordar os frutos do Concílio, quero lembrar aqui um outro carisma importante fruto da Renovação Conciliar, que brotou também junto como Concilio Vaticano II: o caminho Neocatecumenal. O Cardeal Gerhard Müller, no Teatro Olímpico de Roma, em 25 de novembro do ano passado, fez uma lição Magistral sobre o carisma do Caminho Neocatecumenal.

Nessa declaração, Cardeal Müller lembrou que o primeiro capítulo da Lumen Gentium, que fala dos dons hierárquicos e carismáticos, está centrado sobre o mistério da Igreja como tal. Lembrou São Cipriano de Cartago que define a Igreja como “um povo reunido pela unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (De orat. Dom., 23).Lembro de suas palavras textuais:

“A iniciativa salvífica de reunir o povo da Aliança, parte do Pai e torna realidade histórica na encarnação da Palavra em Jesus Cristo, Filho do Pai. E é por isso que a Igreja de Cristo é sinal e instrumento da íntima união dos homens com Deus e da unidade de todo o gênero humano no amor divino (LG 1). Completada a obra salvífica de Deus na história, Ele enviou o Paráclito, o Espírito do Pai e do Filho, a fim de que pudesse continuamente santificar a Igreja e fazer que nós, por intermédio do Filho, tivéssemos acesso ao Pai.

A obra inteira santificante da Igreja, que se realiza no anúncio da Palavra, na celebração dos sacramentos e na guia dos fiéis por obra dos pastores instituídos por Deus, não só na sua missão dirigida ao exterior, toma força divina do Espírito Santo.

A tríplice ação da Igreja, isto é, martyria, leiturgia e diakonia, não é, portanto, mera atividade humana, em grau somente de indicar um Deus distante, mas antes expressão da cooperação entre Deus os homens, a fim de que Deus possa agir por nosso intermédio, e também nós, nas nossas atividades humanas –, isto é, na oração, no pensamento e na ação – possamos agir pelo Reino de Deus, assumindo a plena responsabilidade na nossa qualidade de colaboradores da Sua graça e verdade.

Por isso, a Igreja não é somente – para dizer com termos protestantes – criatura da Palavra de Deus, objetivo passivo do Seu agir na justificação dos pecadores ou no declará-los justos, porque isso permitiria que a distância infinita entre o Deus santo e o pecador exista para sempre.

A Igreja é antes – para dizer com termos católicos – purificada e santificada em Cristo. Sendo o Seu Corpo, a Igreja vive em eterna união com Cristo, sua Cabeça. Não obstante Cabeça e Corpo sejam duas coisas diversas, esses formam uma unidade orgânica de vida. “Ao contrário – afirma São Paulo –, vivendo segundo a verdade na caridade, buscamos crescer em cada coisa em direção a Ele, que é a Cabeça, Cristo do qual todo o Corpo, bem ajustado e unido, mediante a colaboração de toda junta e ligadura, segundo a energia própria de cada membro, recebe força para crescer de modo a edificar a si mesmo na caridade” (Ef 4, 15s).

O Cardeal Müller disse ainda que a “ Igreja não é somente objeto, mas também instrumento da obra salvífica de Deus”, “sacramento de salvação do mundo em Cristo, é verdadeira mediadora da salvação dos homens”.

E, falou do Espírito Santo na Igreja, como também foi o tema de Cantamessa no Advento, como já recordamos.  Apontou o Cardeal Lumen Gentium, número 4: “O Espírito habita na Igreja e nos corações dos fiéis como em um templo (cfr. 1 Cor 3, 16; 6,19) e nela reza e dá testemunho da sua condição de filhos de Deus por adoção (cfr. Gl 4,6; Rm 8, 15-16.26). Ele – o Espírito Santo – introduz a Igreja na plenitude da verdade (cfr. Jo 16,13), a unifica na comunhão e no ministério, a provê e dirige com diversos dons hierárquicos e carismáticos, a embeleza com seus frutos (cfr. Ef 4, 11- 12; 1 Cor 12, 4; Gl 5, 22). Com a força do Evangelho a faz rejuvenescer, continuamente a renova e a conduz à perfeita união com seu Esposo. Porque o Espírito Santo e a esposa dizem ao Senhor Jesus: Vem (cfr. Ap 22, 17)” (LG 4).

São palavras literais do Cardeal Gerhard Müller, em 25 de novembro do ano passado, quando fez uma declaração a favor dos carismas na Igreja, particularmente aqui do Caminho Neocatecumenal, cujo cinquentenário também está sendo celebrado, fruto do Concílio Vaticano II. Na próxima oportunidade, continuaremos essa abordagem dos novos carismas e dessa declaração do Cardeal Müller”.

Por Rádio Vaticano 

Portal Terra de Santa Cruz 

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