Papa aos religiosos: a vida cristã é movimento

Papa na Catedral de São Lourenço, em Gênova, com os religiosos. Após o encontro com o mundo do trabalho, o Santo Padre se transferiu de automóvel para a Catedral de São Lorenço, em Gênova, onde manteve um encontro com os Bispos da região italiana da Ligúria, como também com o Clero, os Seminaristas, os Religiosos, Religiosas, colaboradores leigos engajados na Cúria e Representantes de outras Confissões Religiosas.

Antes de iniciar seu diálogo com a Igreja da Ligúria, o Papa rezou pelos cristãos coptas assassinados no Egito na manhã de sexta-feira: “Rezemos pelos coptas egípcios assassinados, porque não quiseram renegar a sua fé”, disse Francisco.

Neste encontro, o Papa também respondeu às perguntas de quatro religiosos: três sacerdotes e uma religiosa.

“Se imitarmos o estilo de Jesus, faremos bem o nosso trabalho como pastores. Este é o crédito fundamental: o estilo de Jesus.  Como foi o estilo de Jesus como pastor? Jesus estava sempre em caminho. Os Evangelhos nos fazem ver Jesus sempre em caminho, no meio das pessoas, da multidão.”

Movimento

“Jesus nunca ficou parado e como todos aqueles que caminham, Jesus era exposto à dispersão, a ser fragmentado. Não devemos ter medo do movimento e da dispersão de nosso tempo. Mas o medo maior ao qual devemos pensar, que devemos imaginar é o de uma vida estática”, disse o Papa aos religiosos.

“De uma vida de sacerdote que tem tudo bem resolvido, tudo em ordem, estruturado, tudo está no próprio lugar, com os seus horários de abrir e fechar a  secretaria. Tenho medo do sacerdote estático. Tenho medo, também quando é estático na oração, eu rezo de tal hora a tal hora. Uma vida estruturada dessa maneira não é uma vida cristã.”

Abertura

O Papa disse que Jesus sempre foi um homem que estava nas ruas, um homem que caminhava, um homem aberto às surpresas de Deus. “O sacerdote que tem tudo planificado, tudo estruturado, geralmente é fechado para as surpresas de Deus e perde aquela alegria da surpresa do encontro.”

“O Pároco não pode ter um estilo de empresário. Deve estar com as pessoas, estar com o Pai. No encontro com o Pai e o encontro com os seus fiéis, se vive esta tensão: tudo deve ser vivido nesta chave do encontro”, sublinhou.

O Santo Padre disse que os sacerdotes devem se perguntar: “Sou um homem de encontro? Sou um homem do Tabernáculo? Sou um homem da rua? Sou um homem de ouvido, que sabe escutar? Jesus tinha uma consciência clara de que a sua vida era para os outros: para o Pai e para as pessoas, não para si mesmo. Ele se doava às pessoas, se doava ao Pai na oração. Ele viveu a sua vida em chave de missão: sou enviado pelo Pai para dizer estas coisas”.

Murmurações

É preciso deixar-se “olhar pelo Senhor” quando estamos diante do Tabernáculo, sem rezar “como um papagaio”. “Sem a relação com Deus e com o próximo nada tem sentido na vida de um sacerdote. Talvez fará carreira, mas o coração permanecerá vazio.”

O Santo Padre frisou ainda que as murmurações destroem a fraternidade sacerdotal e chamou a atenção para o risco da autossuficiência de ser um sacerdote Google ou Wikipédia que pretende saber tudo.

“O maior inimigo da fraternidade sacerdotal é este: a murmuração por causa da inveja, os ciúmes. Quanto mais formos fechados em nossos interesses, mais criticaremos os outros.”

Disponibilidade

O Papa disse ainda aos religiosos que é preciso ver o carisma “encarnado nos lugares concretos” para amar as pessoas concretas. Uma concretude que requer disponibilidade:

“A disponibilidade de ir aos locais onde há mais risco, onde mais precisa, para doar o carisma e inserir-se onde mais precisa. A palavra que uso muitas vezes é periferia, mas digo todas as periferias, não somente a pobreza: todas. Até mesmo a do pensamento.”

Por fim, o Papa abordou o tema da crise vocacional. Disse que existe uma crise que afeta toda a Igreja, todas as vocações, também o matrimônio. “É preciso perguntar ao Senhor o que fazer, o que mudar: Aprender dos problemas e buscar uma resposta.” Falou também sobre o estar atento aos fenômenos graves como o “tráfico de noviças”, “um escândalo”.

Testemunho

“Para aumentar as vocações é preciso investir no testemunho, testemunho da alegria e na maneira de viver”. Testemunhar o que Jesus fez. A mundanidade, o contratestemunho provocam certas crises vocacionais.”

Segundo o Papa, “é necessária uma conversão pastoral, uma conversão missionária. Convido todos a ler os trechos da Evangelii gaudium que fala sobre isso, sobre a necessidade de conversão missionária. Este é o testemunho que atrai vocações.  O testemunho é a chave para vencer a crise vocacional. Um testemunho que não precisa de palavras, mas que através do amor saiba atrair as pessoas”.

Por Radio Vaticano

Portal Terra de Santa Cruz

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