55ª Assembleia Geral da CNBB estuda temas atuais e busca qualificar a “iniciação cristã”

Episcopado brasileiro aprofunda o tema “Iniciação à Vida Cristã” na 55ª Assembleia Geral da CNBB

O Anuário Pontifício 2017 e o AnuariumStatisticumEcclesiae 2015, do Departamento Central de Estatística da Igreja do Vaticano, indica que o Brasil ocupa o primeiro lugar no conjunto de dez países do mundo com maior consistência de católicos batizados, com 172,2 milhões de católicos. Ficando à frente de países como o México, com 110,9 milhões, Filipinas com 83,6 milhões, Estados Unidos da América (72,3), entre outros. O número de católicos brasileiros representa 26,4% de católicos no continente americano.

Apesar desses dados e estatísticas que demonstram que o Brasil continua sendo o país com o maior número de católicos no mundo, bispos do Brasil se preocupam com a qualidade da atuação e com o compromisso dos cristãos ao eleger a “Iniciação à vida cristã” como tema central da 55ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que acontece de 26 de abril a 5 de maio, no Centro Padre Vitor Coelho de Almeida, em Aparecida (SP).

Conforme o documento nº 43 do CELAM: “Entende-se como iniciação à vida cristã o processo pelo qual uma pessoa é introduzida no mistério de Jesus Cristo e na vida da Igreja, através da Palavra de Deus e da mediação sacramental e litúrgica, que acompanhe as mudanças de atitudes fundamentais de ser e existir com os outros e com o mundo, em uma nova identidade como pessoa cristã que testemunha o evangelho inserido em uma comunidade eclesial viva e testemunhal.”

Uma comissão especialmente presidida pelo arcebispo de Curitiba, dom José Antônio Peruzzo, foi designada para produzir o texto que será apreciado e acrescido pelos bispos do Brasil. A proposta é que o texto, após aprovação do episcopado, seja publicado como um documento da CNBB.

Além do tema central, os bispos brasileiros também aprofundarão temas da atualidade da conjuntura política brasileira e a conjuntura eclesial após os 10 anos da Conferência de Aparecida. No sábado e no domingo, haverá o retiro dos bispos.

300 anos de Aparição

A CNBB, em comemoração aos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, nas águas do rio Paraíba do Sul, instituiu o Ano Nacional Mariano, que teve início dia 12 de outubro de 2016, concluindo-se aos 11 de outubro de 2017, para celebrar, fazer memória e agradecer.

Em sintonia com o Ano Nacional Mariano, várias atividades serão realizadas para marcar os 300 anos da imagem de Aparecida e também os 100 anos das aparições de Nossa Senhora de Fátima ao longo da 55ª Assembleia dos Bispos do Brasil.

A missa do sábado dia 29 de abril, às 7h30, será dedicada à nossa Senhora, com entronização da imagem, cantos e homilia especial. À noite, às 20h, encerrando o Retiro dos Bispos, acontece a peregrinação, procissão e celebração Mariana. Uma Sessão Mariana a ser realizada, dia 04 de abril, às 18h, encerra as comemorações durante a 55ª Assembleia dos Bispos do Brasil.

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Serviço:  55ª Assembleia dos Bispos do Brasil
Tema: Iniciação à Vida Cristã
Data: 26 de abril a 5 de maio de 2017
Local: Centro Pe. Vítor Coelho de Almeida do Santuário Nacional de Aparecida (SP)
Contato: Padre Rafael Vieira
Fone: (61) 98136-1595 e WhatsApp: (61) 99948-2772
E-mail: imprensa@cnbb.org.br 

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Dom Leomar: “a grande preocupação é formar discípulos e não adeptos do cristianismo”

A entrevista coletiva desta quinta-feira, dia 27 de abril, segundo dia da 55ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), recebeu o bispo auxiliar de Porto Alegre (RS), dom Leomar Antônio Brustolin, que falou aos jornalistas do tema central do encontro do episcopado. Para o bispo, a questão da iniciação à vida cristã é abordada porque, no fundo, está a preocupação da Igreja no Brasil com a transmissão da fé às novas gerações.

“A grande preocupação é em formar discípulos e não apenas adeptos do cristianismo”, afirmou dom Leomar Brustolin. O bispo contou que a Igreja vive em um momento muito importante que – desde a realização da V Conferência do Episcopado Latino-americano, há dez anos, aqui em Aparecida – se desenvolve a formação de “discípulos missionários”. E é da Conferência de Aparecida que surge uma parte da motivação para a reflexão dos bispos nesses dias, assim como da exortação apostólica do papa Francisco Evangelii Gaudium.

A reflexão do tema também revela uma preocupação com a preparação para os chamados sacramentos de iniciação cristã: o Batismo, a Primeira Eucaristia e o Crisma, quando, de acordo com dom Leomar, muitos entram na catequese, passam um período na Igreja, mas não se vinculam à comunidade. “É preciso então avaliar, analisar que caminhos precisamos retomar. E quando falamos retomar é porque se busca uma fonte muito importante: a iniciação à vida cristã como os primeiros cristãos anunciavam e preparavam aqueles que queriam seguir o caminho – assim se chamava o cristianismo nas origens”, contou.

Outra inspiração para a reflexão do tema central da Assembleia é o Ritual de Iniciação Cristã de Adultos (Rica). O Ritual de Iniciação à Vida Cristã de Adultos (Rica) é destinado à iniciação de adultos na vida cristã. O Documento da Santa Sé, publicado em 1972 a pedido do Concílio Vaticano II e reeditado no Brasil em 2001, descreve os ritos do catecumenato (processo progressivo de desenvolvimento da fé) e retoma a unidade dos sacramentos da iniciação cristã: o Batismo, a Eucaristia e a Crisma.

Dom Leomar explicou o processo de iniciação que começou a ser aprofundado a partir da publicação do Rica: “A partir de 1972, se aprofunda aquele processo que é feito de um primeiro anúncio, chamado querigma; depois do catecumenato, que é um aprofundamento; o período chamado purificação e iluminação, que é justamente conhecer um pouco mais o encontro com o mistério; e depois mistagogia, que é um período sucessivo, mais relativo a deixar-se conduzir e educar-se pelo mistério”.

Tudo isso pode soar como uma linguagem muito técnica para os catequistas no cotidiano, mas dom Leomar ressaltou que “a missão dos bispos é traduzir essa linguagem de forma muito acessível, concreta e pastoral”.

Conversão Pastoral

O uso da linguagem direta e acessível tem em vista uma mudança de prática, uma “renovação paroquial”, ressaltou dom Leomar. “Eu falo renovação paroquial porque alguém poderia pensar que o tema dessa assembleia seria apenas uma reforma da catequese. Não é! Na verdade, é uma conversão pastoral de toda a comunidade para acolher, inserir e comprometer os novos cristãos”, destacou.

Dom Leomar ainda lembrou do documento 100 da CNBB “Comunidades de comunidades: uma nova paróquia – a conversão pastoral da paróquia” deve ser retomado: “Não podemos ter uma nova iniciação, uma nova proposta catequética se nós também não renovarmos a comunidade. Porque precisamos vincular essas pessoas – crianças, jovens, adultos – neste contexto”.

O texto está estruturado em três partes: o ver, “aprender da história e da realidade”; iluminar, “discernir como Igreja” e o agir, “propondo caminhos”. Algumas sugestões são apresentadas, como nova catequese de preparação matrimonial, o reforço do bispo como o “grande mistagogo, o pedagogo do mistério” e uma reflexão para mudança na ordem dos sacramentos.

Foto: Maurício Sant’ana

Por CNBB

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Papa em viagem. Confira o programa do primeiro dia no Egito

O Papa Francisco deixou o Vaticano na manhã desta sexta-feira (28/04) e, do aeroporto romano de Fiumicino, partiu para a cidade do Cairo “como peregrino da paz ao Egito da paz“, segundo afirma no Twitter.

Ao sair do Vaticano, encontrou para uma breve saudação 9 migrantes egípcios, acompanhados pelo Esmoleiro de Sua Santidade, o Arcebispo polonês Konrad Krajevskj. Ainda na noite de quinta-feira dirigiu-se à Basílica Santa Maria Maior, centro de Roma, onde confiou sua viagem a “Salus Popoli Romani”.

 Depois de 3’15’’ de voo, durante o qual saúda brevemente os jornalistas e a delegação, o Pontífice chegará ao destino, começando assim a sua 18ª viagem apostólica fora da Itália. Em uma estadia de apenas 27 horas, Francisco, segundo Papa a ir ao Egito 17 anos depois da visita de João Paulo II, deve fazer cinco discursos.
Direto do aeroporto, em carro fechado, o Papa se dirige ao Palácio Presidencial em Heliópolis, bairro na zona nordeste da capital construído numa área aonde até o início do século XX havia um deserto. Fora do Palácio, está prevista uma cerimônia com piquetes de honra e a execução dos hinos do Egito e da Santa Sé. O Presidente da República Abdel-Fattah Al-sisi, 63, eleito em 2014, recebe o Pontífice e o acompanha à Sala de Honra para um rápido encontro e troca de presentes. Não há discursos públicos.

Na sequência, ainda em carro fechado, o Papa e sua comitiva se dirigem ao Complexo de Al-Azhar. É a chamada “Esplêndida”, a mais conceituada instituição teológica e de instrução religiosa do Islã sunita no mundo e a mais antiga universidade islâmica, tendo sido construída em 969. Desde a década de ’60, o ateneu também oferece cursos não religiosos, como pedagogia, letras, ciências, medicina, economia, engenharia, etc. As mulheres têm acesso aos estudos, mas em sedes separadas. Hoje, quase 300 mil alunos de todos os países islâmicos estão matriculados na Universidade, que possui um próprio canal Youtube, denominado “Al-Azhar TV”.

Antes de participar da Conferência Internacional sobre a Paz, em andamento no Complexo, Francisco faz uma visita de cortesia ao Reitor da Universidade, que é também o Grão-Imame da Mesquita anexa, Shaykh Ahmad Al-Tayeb. É o segundo encontro entre os dois, depois da visita do Imame ao Vaticano, em 2016.

Em seguida, o programa prevê uma reunião com representantes do governo egípcio e um encontro com Tawadros II de Alexandria (papa da Igreja Copta Ortodoxa) na sede do Patriarcado. O bairro cristão do Cairo foi alvo de um grave atentado terrorista em dezembro de 2016, quando uma bomba explodiu na capela de São Pedro, a pouca distância do escritório de Tawadros II, e deixou 29 mortos. Ali, Francisco, o Patriarca e outros líderes de confissões cristãs farão uma oração ecumênica pelas vítimas daquele e dos recentes atentados contra cristãos no Egito.

O primeiro dia da viagem se encerra às 18h40, horário local, com a chegada do Pontífice à Nunciatura, onde será acolhido por um grupo de crianças da Escola Comboniana do Cairo.

Por radio vaticano

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Papa: não à teologia do ‘pode e não pode’; deixar-se guiar pelo Espírito

O Papa Francisco celebrou a missa, nesta segunda-feira (24/04), na Casa Santa Marta, primeira missa matutina após a pausa das festividades pascais.

O Conselho dos Nove Cardeais (C9), que se reúne com o Santo Padre, no Vaticano, a partir desta segunda-feira até a próxima quarta-feira, 26, também participou da celebração eucarística na Casa Santa Marta.

O encontro de Nicodemos com Jesus e o testemunho de Pedro e João depois da cura de um homem coxo de nascença foram o centro da homilia do Papa Francisco.

“Jesus explica a Nicodemos, com amor e paciência, que é preciso nascer do alto, nascer do Espírito. Portanto, mudar de mentalidade.” Para entender melhor isso, o Papa refletiu sobre a Primeira Leitura da liturgia do dia, extraída do Livro dos Atos dos Apóstolos. “Pedro e João curaram um homem coxo de nascença, e os doutores da lei não sabiam como fazer, como esconder este fato público.”

No interrogatório, Pedro e João “respondem com simplicidade” e quando são intimados a não falar mais sobre o assunto, Pedro responde: “Não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido. Continuaremos assim.”

“Eis a concretude de um fato, a concretude da fé” em relação aos doutores da lei que “querem negociar para alcançar um acordo”: “Pedro e João têm coragem, franqueza, a franqueza do Espírito que significa falar abertamente, com coragem, a verdade, sem nenhum pacto. Este é o ponto, a fé concreta”:

“Às vezes, esquecemo-nos de que a nossa fé é concreta: o Verbo se fez carne, não se fez ideia: tornou-se carne. Quando rezamos o Credo dizemos coisas concretas: Creio em Deus Pai que fez o céu e a terra, creio em Jesus Cristo que nasceu, que morreu…’. São coisas concretas. O Credo não diz: Creio que devo fazer isso, que devo fazer aquilo ou que as coisas são para isso…’ Não! São coisas concretas. A concretude da fé que leva à franqueza, ao testemunho até o martírio, não faz pactos ou idealização da fé.”

“Para os doutores da lei, o Verbo não se fez carne, mas lei. É preciso fazer isso só até aqui. Deve ser feito isso e não aquilo”:

“E assim, se engaiolaram nesta mentalidade racionalista que não terminou com eles, hein? Na História da Igreja muitas vezes, a própria Igreja que condenou o racionalismo, o Iluminismo, caiu nesta teologia do ‘pode e não pode’, do ‘até aqui e até lá’, e se esqueceu da força, da liberdade do Espírito, do renascer do Espírito que nos dá a liberdade, a franqueza da pregação e de anunciar que Jesus Cristo é o Senhor.” 

“Peçamos ao Senhor esta experiência do Espírito que vai e vem e nos leva adiante, do Espírito que nos dá a unção da fé, a unção da concretude da fé”:

”O vento sopra onde quer e ouve-se a sua voz, mas não se sabe de onde vem e nem para onde vai. Assim é todo aquele que nasce do Espírito: ouve a voz, segue o vento, segue a voz do Espírito sem saber aonde terminará, pois optou pela fé concreta e pelo renascimento no Espírito. Que o Senhor dê a todos nós este Espírito pascal a fim de caminhar nas estradas do Espírito sem acordos, sem rigidez, mas com a liberdade de anunciar Jesus Cristo assim como Ele veio: em carne.”

Por Radio Vaticana

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