Festa da Divina Misericórdia e sua essência

No ano de 1931, pela primeira vez Nosso Senhor falou sobre a instituição da Festa da
Misericórdia à Santa Faustina – na mesma ocasião em que pediu que fosse pintada a
Imagem da Misericórdia: “Eu desejo que haja a Festa da Misericórdia. Quero que essa imagem, que pintarás com o pincel, seja abençoada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa, e esse Domingo deve ser a Festa da Misericórdia” (Diário de Santa Faustina, 49).

Por que no domingo após a Páscoa?

Entre todas as formas de Devoção à Divina Misericórdia, reveladas por Jesus à Santa Faustina, a Festa da Misericórdia merece uma observação mais atenta da nossa parte. No Diário da santa o tema aparece em 37 números.

A escolha do primeiro domingo depois da Páscoa para se celebrar a Festa da Misericórdia tem um amplo sentido teológico. Mostra a estreita união que existe entre o mistério Pascal da Redenção e o mistério da Misericórdia de Deus. Esta união é ainda sublinhada pela Novena à Divina Misericórdia, com o Terço da Misericórdia, começando na sexta-feira santa.

A instituição da Festa em toda a Igreja

No dia 30 de abril de 2000, na Praça de São Pedro, em Roma, o Papa João Paulo II canonizou Santa Faustina Kowaslka e instituiu solenemente a Festa da Misericórdia em toda a Igreja. Na homilia daquela celebração, à qual acorreram milhares de pessoas, o Papa declarou: “É importante, então, que acolhamos inteiramente a mensagem que nos vem da palavra de Deus neste segundo domingo de Páscoa, que de agora em diante, na Igreja inteira, tomará o nome de domingo da Divina Misericórdia. Nas diversas leituras, a liturgia parece traçar o caminho da misericórdia que, enquanto reconstrói a relação de cada um com Deus, suscita também entre os homens novas relações de solidariedade fraterna”. E disse, ainda: “Quantas almas já foram consoladas pela invocação Jesus, eu confio em Vós, que a providência sugeriu através da Irmã Faustina! Este simples ato de abandono a Jesus dissipa as nuvens mais densas e faz chegar um raio de luz à vida de cada um”.

São João Paulo II, portanto, recebeu de Deus a graça de ter sido escolhido como instrumento para a realização do desejo profundo de Jesus, a instituição da Festa da Misericórdia. Hoje, quando celebramos aqui na terra a solenidade da Misericórdia Divina, juntamos nossas vozes à voz de Santa Faustina e de Karol Wojtyla, já participantes da glória eterna, para proclamar: “Misericórdia Divina, eu confio em Vós”.

Uma Festa de todos os dias

A Festa da Misericórdia não se resume apenas àquele dia (primeiro domingo após a Páscoa) para, de modo especial, louvar a Deus no mistério da Misericórdia. Esta Festa constitui um tempo de graça para toda a humanidade. “Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores” (Diário, 699). “As almas se perdem, apesar da minha amarga Paixão. Estou lhes dando a última tábua de salvação, isto é, a Festa da minha misericórdia. Se não venerarem a minha misericórdia, perecerão por toda a eternidade” (Diário, 965).

A grandeza dessa Festa só pode ser avaliada pelas extraordinárias promessas que Nosso Senhor atribuiu a ela: “…alcançará perdão total das faltas e dos castigos aquele que, nesse dia, se aproximar da Fonte da Vida” (Diário, 300). “Neste dia, estão abertas as entranhas da minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da minha misericórdia. (…) Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate” (Diário, 699).

Como alcançar as promessas de Jesus?

Para aproveitar destes grandes dons, que Jesus promete com a celebração da Festa da Misericórdia, é preciso cumprir as condições da devoção à Misericórdia Divina: confiança na bondade de Deus, o amor ativo para com o próximo e encontrar-se em estado de graça santificante (após a confissão) dignamente recebendo a Sagrada Comunhão.

“Nenhuma alma terá justificação — esclareceu Nosso Senhor — enquanto não se dirigir, com confiança, à minha misericórdia. (…) Nesse dia, os sacerdotes devem falar às almas desta minha grande e insondável misericórdia” (Diário, 570).

Por: Pe. Ednilson de Jesus, MIC

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização

Tiremos de nosso coração os sentimentos injustos

Não podemos permitir que cresça em nós sentimentos injustos e de vingança, ressentimentos contra a pessoa do outro.

“Armemos ciladas ao justo, porque sua presença nos incomoda: ele se opõe ao nosso modo de agir, repreende em nós as transgressões da lei e nos reprova as faltas contra a nossa disciplina” (Sb 2, 12).

A leitura do Livro da Sabedoria é para nós uma aplicação daquilo que está acontecendo com Jesus no contexto do Evangelho de hoje. Os ímpios estão dizendo em raciocínios falsos e malditos: “Armemos ciladas ao justo!”.

O grande, verdadeiro e único justo da humanidade é Jesus! Ele é justo, porque nenhuma injustiça entrou n’Ele, a injustiça do pecado não fez parte da sua vida, mas, nos dias de Sua vida terrestre, os injustos, os ímpios tramaram contra Ele, contra Sua vida. Eles tramaram tirar a vida de Jesus por inveja, por ciúmes, por se oporem a quem faz o bem.

Deixe-me dizer: são sentimentos terríveis, mortais, carnais, diabólicos, os quais, muitas vezes, tomam conta do coração de cada um de nós.

Quantas vezes, sem perceber ou até percebendo, desejamos mal, falamos mal ou queremos mal ao outro, porque todo querer mal ao outro é injusto. “Mas foi o outro quem me fez algo de errado!”. Isso não justifica tramarmos contra ninguém, não justifica deixarmos os nossos pensamentos correrem soltos, desejando que algo de mau, que algo de trágico aconteça, que o outro pague por aquilo que cometeu.

Jesus já pagou por todos aqueles que cometeram ou não cometeram mal. O justo já sofreu por todos os injustos, já sofreu para que fosse reparada toda injustiça da humanidade.

Não podemos permitir que cresça em nós sentimentos injustos, sentimentos de vingança, de ressentimentos e mágoa, sentimentos maus contra a pessoa do outro. O que eles faziam, muitas vezes, eram tramoias, armar situações, porque queriam pegar Jesus.

Desarmemos o nosso coração, tiremos de nós todos aqueles sentimentos que alimentamos. “Eu ainda vou me acertar com ele! Eu ainda vou pegá-lo na hora certa e dizer um monte de coisa a ele!”. Isso é veneno, isso é mal para a nossa mentalidade e para o nosso próprio caráter. Foram os homens que alimentaram esses sentimentos, armaram contra o justo Jesus, para levá-Lo à morte.

Não levemos ninguém à morte, não levemos a nossa própria alma à morte; não alimentemos em nós os sentimentos injustos, insanos, depravados ou maldosos contra quem quer que seja.

Se quisermos nos purificar do mal, se quisermos que a nossa penitência seja agradável a Deus, permitamos que Ele purifique o nosso coração da maldade, do sentimento do desejo de querer mal seja lá a quem for.

Deus abençoe você!

Por Padre Roger – Canção Nova

Reprodução: Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização

Papa Francisco: “Como Abraão, esperar contra toda esperança”

A catequese proferida pelo Papa na audiência geral desta quarta-feira (29/03) foi inspirada no episódio narrado por Paulo na Carta aos Romanos. Segundo Francisco, este trecho é um ‘grande dom’, porque mostra Abraão como ‘pai da esperança’ e preanuncia a Ressurreição: a vida nova que vence o mal e até a morte.

“Abraão não vacilou na fé, apesar de ver o seu físico desvigorado por sua idade e considerando o útero de Sara já incapaz de conceber”, diz o trecho lido em várias línguas aos 13 mil fiéis presentes na Praça São Pedro.

O Apóstolo nos ensina que somos chamados a viver esta experiência, a ‘esperar contra toda esperança’; a acreditar no Deus que salva, que chama à vida e nos tira do desespero e da morte. “Que aquele hino a Deus, que liberta e regenera, se torne profecia para nós”, disse o Papa, prosseguindo:

“Deus ‘ressuscitou dos mortos a Jesus’ para que nós também possamos passar Nele da morte à vida. Pode-se bem dizer que Abraão  se tornou ‘pai de muitos povos’, porque resplandece como o anúncio de uma nova humanidade, resgatada por Cristo do pecado e conduzida para sempre ao abraço do amor de Deus”.

 

A esperança cristã vai além da esperança humana

Paulo nos ajuda a compreender a íntima relação entre fé e esperança. A esperança cristã não se baseia em raciocínios, previsões e garantias humanas; ela se manifesta quando não há mais nada em que esperar, exatamente como o fez Abraão ante sua morte iminente e a esterilidade de Sara, sua esposa. Era o fim para eles… não podiam ter filhos… mas Abraão acreditou, teve esperança”.

A grande esperança se fundamenta na fé e precisamente por isso é capaz de ir além de qualquer esperança. Não se baseia em nossa palavra, mas na Palavra de Deus, explicou Francisco à multidão.

“E é neste sentido que somos chamados a seguir o exemplo de Abraão, que mesmo diante da evidencia de uma realidade que o levaria à morte, confia em Deus, plenamente convencido de que Ele tem poder para cumprir o que prometeu”.

Improvisando, a pergunta aos fiéis

Dirigindo-se à Praça, o Papa perguntou aos fiéis: “Estamos convencidos realmente de que Deus nos quer bem? Que ele pode cumprir o que prometeu? Qual seria o seu preço? Abrir o coração! A força de Deus ensinará o que é a esperança. Este é o único preço: abrir o coração á fé… e Ele fará o resto!”.

“Eis, portanto, o paradoxo e ao mesmo tempo, o elemento mais forte, mais elevado, da nossa esperança! Ela é fundada em uma promessa que do ponto de vista humano parece ser incerta e imprevisível, mas que se manifesta até mesmo diante da morte, quando quem a promete é o Deus da Ressurreição e da vida”.

Firmes na esperança

“Queridos irmãos e irmãs, peçamos ao Senhor a graça de permanecer firmes não apenas em nossas seguranças, em nossas capacidades, mas na esperança que brota da promessa de Deus. Assim, a nossa vida terá uma nova luz, na certeza de que Aquele que ressuscitou o seu Filho ressuscitará a nós também, tornando-nos uma só coisa com Ele, junto de todos os nossos irmãos na fé”.

O Papa encerrou o encontro concedendo a bênção aos fiéis

Por radio vaticano

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da evangelização 

Quaresma e Campanha da Fraternidade por Dom Pedro Cunha Cruz – Bispo da Campanha/MG

          O tempo da quaresma como renovação da vida cristã, nos convida a reencontrar o nosso verdadeiro rosto cristão através da oração e caridade, a fim de modelarmos nossa imagem de Cristo; deste modo é que poderemos viver uma comunhão, mas profunda nos seus mistérios d morte e ressurreição. É tempo de nós percorrermos o itinerário batismal da penitência e conversão. Tempo liturgicamente forte de mudança de vida, que nos insere ainda mais nos Mistérios de Cristo. Por isso, este tempo é de alegria, pois iniciamos nossa caminhada rumo à páscoa de nosso salvador Jesus Cristo. Os quarenta dias que percorreremos é um tempo de graça e de bênção, marcado pela escuta da palavra de Deus; da reconciliação com Deus e com os irmãos. Tempo de oração, jejum, partilha e gestos solidários, de direcionamentos a misericórdia de Deus aos mais necessitados.

             A campanha da fraternidade se insere exatamente neste tempo quaresmal, pois visa gerar para os fiéis e a sociedade uma conversão pessoal, comunitária e social. A campanha da fraternidade deste ano de 2017 tem como tema: “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”. “E como lema: Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15). Entendemos que a conversão quaresmal é , ao mesmo tempo, um voltar-se para Deus, para o próximo e para a vida da criação que nos cerca. A conversão e a adesão à vida de fé em Jesus Cristo implicam uma nova postura diante da realidade em que se encontra a vida nos diversos biomas brasileiros. Neste sentido, a igreja com esta proposta quer conscientizar a todos no cuidado da criação. Ela tem consciência que sua missão de evangelizar inclui e prioriza a defesa da vida como Dom de Deus.

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        Um bioma é um conjunto de vida (animal e vegetal). É formado por todos os seres vivos de uma determinada região 9cf. (Texto-base da CF2017, p.14). São espaços de vida que geram mais vida. A qualidade da vida humana depende, sobretudo, destes biomas. A destruição dele é também a destruição da vida humana. Evangelizar é também priorizar a defesa e a promoção da vida como dom de Deus; e esta será sempre a missão da igreja no mundo. Ela quer que tomemos consciência de sua existência e da necessidade de preservá-lo; que contemplamos a obra da criação e cuidemos da beleza e riqueza de nossa casa comum.

          Sem sombra de dúvida, a campanha da fraternidade deste ano se insere na encíclica do papa Francisco “Laudato Si”, onde sobressai a proposta ecológica integral do Papa ao entrelaçar todas as dimensões do ser humano com a natureza. Cabe ainda dizer que a natureza criada nos fala de Deus, é um dom de Deus, da qual nós seres humanos somos parte integrante, mas também seus zeladores e cultivadores. Promovendo o cuidado com a natureza para que todas as pessoas tenham mais vida, o Papa propõe a conversão ecológica ao dizer: “A crise ecológica é um apelo a uma profunda conversão interior… uma conversão ecológica, que comporta deixar emergir, nas relações com o mundo que nos rodeiam, todas as consequências do encontro com Jesus” (LS 217).

        Por fim, o objetivo da igreja com o referido tema da Campanha da Fraternidade é o de chamar a atenção para os desafios e problemas ecológicos, suas causas e possíveis caminhos de superação, sempre à luz da fé. Afinal a criação e os biomas brasileiros são dons de Deus dados a nós que ocupamos o centro de sua obra criada. Ter consciência da riqueza da biodiversidade que abrange nosso território brasileiro não nos basta; é importante empenharmos todos os seguimentos cristãos e os homens de boa vontade na preservação e defesa das riquezas naturais para o bem-estar de nosso estimado povo brasileiro.

Uma santa Quaresma a todos

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Dom Pedro Cunha Cruz – Bispo Diocesano da Campanha-MG

Por Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização 

Assembleia Diocesana de Pastoral 2017 – Diocese da Campanha/MG

Assembleia Diocesana de Pastoral 2017

O clero diocesano da Campanha, lideranças de pastorais e movimentos, seminaristas e membros de conselhos diocesanos estiveram presente na Assembleia Diocesana de Pastoral 2017 em Campanha/MG

As assembleias diocesanas são cada vez mais comuns e necessárias em nossos tempos de igreja. Quase toda a diocese do Brasil realiza ao menos uma vez ao ano este encontro geral diocesano para debater, partilhar e acolher novas propostas visando dar continuidade à obra evangelizadora de Jesus.

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As prioridades continuam sendo a Formação de leigos, mundo da fé e política, mundo da Família e Pastoral de Conjunto, entra nessas prioridades o reforço da catequese, comunicação e juventude conforme foi partilhado e debatido nesta assembleia que ocorreu neste último sábado 25 de março no ginásio poliesportivo da congregação dos Irmãos do Sagrado Coração situado em Campanha/MG, sede diocesana.

As assembleias valem não apenas pelo plano de pastoral que delas resulta, mas pela sua própria dinâmica, pois possibilita o encontro de leigos, religiosos, seminaristas, padres e bispos que ouvem, discutem e decidem conjuntamente. Uma verdadeira construção participativa (p.f. 8 p 10 IV Plano Diocesano de Pastoral de Conjunto).

As atividades do encontro começaram com a oração do Ofício Divino das comunidades, em seguida a divisão de grupos por fornias e regiões para debates, partilhas e decisões. Prosseguiu o dia com a apresentação de cada grupo e suas dúvidas e propostas como a palavra central do assessor diocesano de Pastoral o Reverendíssimo Padre Jean Poul Hansen e dos coordenadores das prioridades decididas na ultima assembleia apresentando os trabalhos realizados em cada uma até o presente momento. Caminhando para o final foi feita a leitura da ata, realizada pelo Reverendíssimo Cônego Luzair Coelho de Abreu, chanceler do bispado, pároco e cura da Catedral diocesana de Santo Antônio. Sua Excelência Reverendíssima Dom Pedro Cunha Cruz bispo da Campanha encerrou a assembleia com sua explanação e bênção há todos os presentes.

“Desejo que cada fiel, consagrados e consagradas desta igreja particular da Campanha, assumam seu papel significativo como sujeitos ativos da missão evangelizadora e protagonistas de uma sociedade mais humana e mais justa”. Evangelizar é dever da igreja. Nesta ação ela escuta, dialoga e encontra afim de que possa servir como testemunha de Cristo (E.G.; 27-33). Que o Espírito Santo nos transforme e nos conduza na direção do Reino de Deus. (p.f. 4 p.8 IV Plano Diocesano de Pastoral de Conjunto – Voz do pastor – Dom Pedro Cunha Cruz)

Por Bruno Henrique Santos / Gestor do Portal Terra de Santa Cruz  

CNBB: Reforma da Previdência “escolhe o caminho da exclusão social”

Entidade se manifesta após reunião do Conselho Permanente, realizada em Brasília, entre os dias 21 e 23 de março

A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou, nesta quinta-feira, dia 23 de março, uma nota sobre a Reforma da Previdência. No texto, aprovado pelo Conselho Permanente da entidade, os bispos elencam alguns pontos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, considerando que a mesma “escolhe o caminho da exclusão social” e convocam os cristãos e pessoas de boa vontade “a se mobilizarem para buscar o melhor para o povo brasileiro, principalmente os mais fragilizados”.

Em entrevista coletiva à imprensa, também foram apresentadas outras duas notas. Uma sobre o foro privilegiado e outra em defesa da isenção das instituições filantrópicas. Na ocasião, a Presidência da CNBB falou das atividades e temas de discussão durante a reunião do Conselho Permanente, que teve início na terça-feira, dia 21 e terminou no fim da manhã desta quinta, 23.

Apreensão

Na nota sobre a PEC 287, a CNBB manifesta apreensão com relação ao projeto do Poder Executivo em tramitação no Congresso Nacional. “A previdência não é uma concessão governamental ou um privilégio. Os direitos Sociais no Brasil foram conquistados com intensa participação democrática; qualquer ameaça a eles merece imediato repúdio”, salientam os bispos.

O Governo Federal argumenta que há um déficit previdenciário, justificativa questionada por entidades, parlamentares e até contestadas levando em consideração informações divulgadas por outros governamentais. Neste sentido, os bispos afirmam não ser possível “encaminhar solução de assunto tão complexo com informações inseguras, desencontradas e contraditórias”.

A entidade valorizou iniciativas que visam conhecer a real situação do sistema previdenciário brasileiro com envolvimento da sociedade.

Leia na íntegra:

NOTA DA CNBB SOBRE A PEC 287/16 – “REFORMA DA PREVIDÊNCIA”

“Ai dos que fazem do direito uma amargura e a justiça jogam no chão”
 (Amós 5,7)

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília-DF, dos dias 21 a 23 de março de 2017, em comunhão e solidariedade pastoral com o povo brasileiro, manifesta apreensão com relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, de iniciativa do Poder Executivo, que tramita no Congresso Nacional.

O Art. 6º. da Constituição Federal de 1988 estabeleceu que a Previdência seja um Direito Social dos brasileiros e brasileiras. Não é uma concessão governamental ou um privilégio. Os Direitos Sociais no Brasil foram conquistados com intensa participação democrática; qualquer ameaça a eles merece imediato repúdio.

Abrangendo atualmente mais de 2/3 da população economicamente ativa, diante de um aumento da sua faixa etária e da diminuição do ingresso no mercado de trabalho, pode-se dizer que o sistema da Previdência precisa ser avaliado e, se necessário, posteriormente adequado à Seguridade Social.

Os números do Governo Federal que apresentam um déficit previdenciário são diversos dos números apresentados por outras instituições, inclusive ligadas ao próprio governo. Não é possível encaminhar solução de assunto tão complexo com informações inseguras, desencontradas e contraditórias. É preciso conhecer a real situação da Previdência Social no Brasil. Iniciativas que visem ao conhecimento dessa realidade devem ser valorizadas e adotadas, particularmente pelo Congresso Nacional, com o total envolvimento da sociedade.

O sistema da Previdência Social possui uma intrínseca matriz ética. Ele é criado para a proteção social de pessoas que, por vários motivos, ficam expostas à vulnerabilidade social (idade, enfermidades, acidentes, maternidade…), particularmente as mais pobres. Nenhuma solução para equilibrar um possível déficit pode prescindir de valores éticos-sociais e solidários. Na justificativa da PEC 287/2016 não existe nenhuma referência a esses valores, reduzindo a Previdência a uma questão econômica.

Buscando diminuir gastos previdenciários, a PEC 287/2016 “soluciona o problema”, excluindo da proteção social os que têm direito a benefícios. Ao propor uma idade única de 65 anos para homens e mulheres, do campo ou da cidade; ao acabar com a aposentadoria especial para trabalhadores rurais; ao comprometer a assistência aos segurados especiais (indígenas, quilombolas, pescadores…); ao reduzir o valor da pensão para viúvas ou viúvos; ao desvincular o salário mínimo como referência para o pagamento do Benefício de Prestação Continuada (BPC), a PEC 287/2016 escolhe o caminho da exclusão social.

A opção inclusiva que preserva direitos não é considerada na PEC. Faz-se necessário auditar a dívida pública, taxar rendimentos das instituições financeiras, rever a desoneração de exportação de commodities, identificar e cobrar os devedores da Previdência. Essas opções ajudariam a tornar realidade o Fundo de Reserva do Regime da Previdência Social – Emenda Constitucional 20/1998, que poderia provisionar recursos exclusivos para a Previdência.

O debate sobre a Previdência não pode ficar restrito a uma disputa ideológico-partidária, sujeito a influências de grupos dos mais diversos interesses. Quando isso acontece, quem perde sempre é a verdade. O diálogo sincero e fundamentado entre governo e sociedade deve ser buscado até à exaustão.

Às senhoras e aos senhores parlamentares, fazemos nossas as palavras do Papa Francisco: “A vossa difícil tarefa é contribuir a fim de que não faltem as subvenções indispensáveis para a subsistência dos trabalhadores desempregados e das suas famílias. Não falte entre as vossas prioridades uma atenção privilegiada para com o trabalho feminino, assim como a assistência à maternidade que sempre deve tutelar a vida que nasce e quem a serve quotidianamente. Tutelai as mulheres, o trabalho das mulheres! Nunca falte a garantia para a velhice, a enfermidade, os acidentes relacionados com o trabalho. Não falte o direito à aposentadoria, e sublinho: o direito — a aposentadoria é um direito! — porque disto é que se trata.”

Convocamos os cristãos e pessoas de boa vontade, particularmente nossas comunidades, a se mobilizarem ao redor da atual Reforma da Previdência, a fim de buscar o melhor para o nosso povo, principalmente os mais fragilizados.

Na celebração do Ano Mariano Nacional, confiamos o povo brasileiro à intercessão de Nossa Senhora Aparecida. Deus nos abençoe!

Brasília, 23 de março de 2017.

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner, OFM
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

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(Site autorizado das edições CNBB) 

Novos Santos: os pastorinhos de Fátima (Francisco e Jacinta) e os protomártires de Natal

O Papa Francisco recebeu em audiência nesta quinta-feira, 23 de março, o Cardeal Angelo Amato, S.D.B., Prefeito da Congregação das Causas dos Santos. Durante o encontro o Santo Padre aprovou os votos favoráveis da Sessão Ordinária dos Cardeais e Bispos Membros da Congregação sobre a canonização dos seguintes Beatos:

– André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro, sacerdotes diocesanos, e Mateus Moreira, Leigo, como também de 27 Companheiros, Mártires, assassinados por ódio à Fé no Brasil em 16 de julho de 1645 e 03 de outubro de 1645.Durante a Audiência, o Santo Padre autorizou a Congregação das Causas dos Santos a promulgar os Decretos referentes:

– ao milagre atribuído à intercessão do Beato Angelo de Acri (de nome: Luca Antonio Falcone), sacerdote professo da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos; nascido em 19 de outubro de 1669 e falecido em 30 de outubro de 1739;

– ao milagre atribuído à intercessão do Beato Francisco Marto, nascido em 11 de junho, de 1908 e falecido em 4 de abril de 1919, e da Beata Jacinta Marto, nascida em 11 de março, 1910 e falecida em 20 de fevereiro de 1920, as crianças de Fátima;

– ao martírio dos Servos de Deus José Maria Fernández Sánchez e 32 Companheiros, Sacerdotes e Irmãos Coadjutores da Congregação da Missão, bem como 6 Leigos, da Associação da Medalha Milagrosa da Beata Virgem Maria, assassinados por ódio à fé em 1936 durante a guerra civil espanhola;

– ao martírio da Serva de Deus Regina Maria Vattalil (de nome: Maria), religiosa professa da Congregação das Irmãs Clarissas Franciscanas; assassinada por ódio à Fé, em 25 de fevereiro de 1995;

– às virtudes heroicas do Servo de Deus e Daniel da Samarate (de nome: Felice Rossini), sacerdote professo da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos; nascido em 15 de junho de 1876 e falecido em 19 de maio de 1924;

– às virtudes heroicas da Serva de Deus Macrina Raparelli (de nome: Elena), Fundadora da Congregação das Irmãs Basilianas Filhas de Santa Macrina; nascida em 02 de abril de 1893 e falecida em 26 de fevereiro de 1970;

– às virtudes heroicas da Serva de Deus Daniela Zanetta, Leiga; nascida em 15 de dezembro de 1962 e falecida em 14 de abril de 1986.

O Santo Padre também aprovou os votos favoráveis da Sessão Ordinária dos Cardeais e Bispos Membros da Congregação sobre a canonização dos seguintes Beatos:

– Cristoforo, Antônio e Giovanni, adolescentes, Mártires, assassinados por ódio à fé no México, em 1529.

Por Radio Vtaicano

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