Graças demos à Senhora, Virgem por Deus escolhida Para ser Mãe de Cristo, a Senhora Aparecida”

Escrito por: Thiago Augusto da Silva.

Ao refletir sobre a Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Mãe, Rainha e Padroeira do Brasil, sou levado pelas minhas lembranças às rezas dos terços que ocorriam na rua da minha casa, quando eu tinha por volta de seis anos.

Lembro-me que levávamos à Imagem de Nossa Senhora Aparecida de casa em casa, rezando o terço, pedindo pela saúde dos moradores que recebiam a imagem, pelas famílias, por toda paróquia. Foi nesses terços que aprendi a amar Maria de Nazaré.

Filipe Pedroso, Domingos Garcia e João Alves, não podiam imaginar que ao lançar sua rede nas águas do Rio Paraíba, trariam para o barco, naquele 12 de outubro de 1717, um dos maiores símbolos de fé e devoção do povo brasileiro, a Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

A devoção a Nossa Senhora Aparecida, que começou  na casa dos pescadores em um simples oratório, onde a pequena comunidade se reunia para rezar o santo terço, contemplando os mistérios da vida de Jesus, hoje espalhada por todo o Brasil e partes do mundo.

Na Jornada Mundial da Juventude de 2016, muitos jovens brasileiros presentearam as famílias polonesas, onde ficaram hospedados, com uma imagem da santa, um dos símbolos mais representativo da religiosidade do Brasil, a imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Neste ano de 2016, às vésperas do tricentenário do encontro de imagem milagrosa, no dia 3 de setembro, foi inaugurado no Vaticano o Momumento a Nossa Senhora Aparecida, Sua Santidade Papa Francisco. Diante destes fatos marcantes, somos levados a refletir o valor simbólico, cultural e espiritual que carrega aquela que é Mãe, Rainha e Padroeira do Brasil.

Como não se emocionar diante da diminuta imagem negra, como nossa gente, que fora escravizada, excluída, abandonada a sua própria sorte. Pois, sendo verdadeiramente Nossa Mãe, assumiu as nossas feições em um período tão difícil na História da Nação. Segundo Padre Omar Cavaca:
“[…] a cor enegrecida da imagem foi interpretada, num tempo de escravatura, como força que testemunha o amor de Deus para com os pobres e os humildes; de uma  imagem enegrecida, Ele se serve para comunicar aos homens e mulheres negros, pobres ou pecadores de todos os tempos que sua descida os eleva à dignidade de plena e realizada imago Dei”.

Maria, a Imaculada Conceição, é aquela que anuncia em seu belo canto do Magnificat, o Deus que  “exalta os humildes” (cf. Lc 1, 52b). É aquela que anuncia o Verbo Eterno, Cristo Jesus, que se fez carne em seu ventre, assumiu as nossas dores, os nossos pecados, a nossa pequenez, para a redenção de toda a humanidade.

Assim diz essa autora: “Maria é a imagem da Filha predileta do Pai porque vive no Verbo a máxima realização da existência humana em seu modo de ser feminino. Esta realização se cumpre em ser interlocutora do Pai em seu Projeto de enviar seu Verbo ao mundo e ela, com sua fé, chega a ser o primeiro membro da comunidade dos crentes em Cristo, que se legitima com sua presença, junto com outras mulheres seguidoras de Jesus (cf. At 1, 12 – 14)”. (Boff, Lina, 2016, pag. 27).

Na imensidão desta “Terra de Santa Cruz”, chamada Brasil, Nossa Senhora é o exemplo de Discípula, pois seguiu os passos de seu Filho, sendo testemunha de todo Evangelho de Sua vida – da manjedoura, passando pela Cruz até a Ascensão de Jesus aos Céus; e de Missionária que vai de casa em casa anunciando Jesus, Caminho, Verdade e Vida.

A imagem da Virgem Maria, sob o título de Conceição Aparecida, está presente na Catedral, nas  capelas a ela dedicadas na zona urbana e rural, em muitas outras capelas dedicadas a outros padroeiros e nas milhares de casas esparramadas pelo município da Campanha, qual estrelas no azul do manto da Mãe de Deus.

Podemos dizer como o poeta: “Dá-me aquela ponta do céu como está agora banhada com as luzes da madrugada.  Não seria um belo manto para a Mãe Santíssima a quem chamamos, com tanto acerto, de Estrela da Manhã?

(Servo de Deus Dom Helder Camara, 1981, p. 48).

Estrela da Manhã, Mãe da Igreja, Cheia de Graça, Nossa Senhora da Conceição Aparecida, viemos hoje, celebrar as maravilhas que o Altíssimo fez por ti. Veneramos sua imagem, ó Mãe de nossa pátria, pedindo que rogueis a Deus por nós, em todas as nossas necessidades espirituais e temporais. Dai-nos a graça de seguir fielmente seu Divino Filho, Jesus Cristo, testemunhando Seu Amor e Sua Infinita Misericórdia a toda criatura humana.

São quase três séculos de uma fé, nascida no meio do povo e, assumida por toda Igreja do Brasil, o pequeno oratório particular, deu lugar ao belíssimo Santuário Nacional. Como outrora faziamos na rua da minha casa, ó Mãe querida, elevamos a ti nosso canto de gratidão, por nos acompanhar em nossa caminhada rumo à Jerusalém Celeste.

“Graças demos à Senhora, Virgem por Deus escolhida
Para ser Mãe de Cristo, a Senhora Aparecida”.


Referências bibliográficas

– CAMARA, Dom Helder, Nossa Senhora no meu caminho. São Paulo: Paulus, 1981.
– Iconografia de Aparecida: Teologia da Imagem. Pe. Valdivino Guimarães (Org.). São Paulo: Paulus; 2016.
– Liturgia das Horas Segundo o Rito Romano, Vol. IV: Tempo Comum, 18°- 34° Semana. São Paulo: Editora Vozes; Paulinas; Paulus; Editora Ave Maria, 1999.
– PENNA, Lucy, Aparecida do Brasil: A Madona negra da abundância. São Paulo: Paulus, 2009.

Graças demos à Senhora!
Em romaria chegaremos aos 300 anos de fé e devoção a Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

Escrito por: Thiago Augusto da Silva – Colaborador do Portal Terra de Santa Cruz 

PORTAL TERRA DE SANTA CRUZ – A SERVIÇO DA EVANGELIZAÇÃO

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