Homilia de Dom Pedro Cunha Cruz – Romaria Diocesana da Campanha ao Santuário Nacional de Aparecida/SP

Fiéis da Diocese da Campanha se reuniram no Santuário Nacional de Aparecida/SP neste sábado 14/08 para celebrarem na casa da Mãe Aparecida, a tradicional Romaria Diocesana que acontece todos os anos no mês de agosto, mês em que rezamos pelas santas Vocações . A missa com a presença do clero diocesano da Campanha presidida por Dom Pedro Cunha Cruz, deu-se início às 09h da manhã com transmissão ao vivo  pela Tv Aparecida e pelo Portal A12.com. Estiveram presentes, os romeiros da Diocese de Mogi das Cruzes juntamente com seu Bispo Dom Pedro Luiz Stringhini que concelebrou a santa eucaristia com os demais sacerdotes, diáconos que compunham o altar.

Confira na  integra a Homilia de Dom Pedro Cunha Cruz no Santuário Nacional

Caríssimo Dom Pedro Luiz Stringhini, Sacerdotes, Irmãos e Irmãs em Cristo Jesus. Hoje temos a alegria, ao encerrar o curso desta semana, de  estarmos sendo condecorados e alimentados pela liturgia da palavra, dita através do profeta Ezequiel que muito nos ensina sobre o tema da fidelidade a Deus, para prosseguirmos bem na vivência da nossa fé no curso da história.

O que Ele disse em relação ao povo de Israel que tinha ouvidos e não ouviam, olhos para enxergar e não enxergavam, serve ainda para o curso de nossa vida e nossa história porque em primeiro lugar ele revela que esse Deus, é um Deus de puro amor e misericórdia que não quer a morte do pecador, mas quer sempre a vida; na sua paciente misericórdia aposta na possibilidade do homem refazer sua vida e sua história, pois Deus é justo e fiel ao seu próprio ser e à palavra que ele prometera a esse povo;  mas, Israel que expressa também um pouco de nós, não quis saber de sua palavra, não quis saber desse Deus; divide seu coração em relação a outros deuses, mesmo tendo consciência  de que não poderiam conseguir, senão desse Deus único e verdadeiro, aquilo que somente Ele poderia dar. É um pouco o coração despedaçado do homem que se distância de Deus, tira-O do centro de sua vida e quer então modelar  sua existência e sua história, sem a participação de Deus.
É o que nós muitas vezes fazemos, dizendo um sim à vida e um não a Deus. Mas esse Deus é o Autor da vida, então quando este mesmo povo se distancia de Seu coração e viola este ato da aliança e da fé, Deus se revela através da fala de profetas, como Ezequiel, sempre pronto a acolher o pedido de perdão. Ele é misericórdia, Ele é compaixão, Ele não quer a morte do pecador, mas que o mesmo viva. Essa vida supõe sempre um ato contínuo de conversão, escolhendo a vida e não a morte; se converterdes, viverás.
Temos que pedir sempre, continuamente, um coração transformado, renovado. Deus vai nos peneirar no ato da misericórdia, quando tomarmos consciência dos males cometidos. O profeta Ezequiel, decifra o que vai ser a trajetória histórica deste povo, que não tem mais Deus como sujeito da sua própria história. Mas, foi esse mesmo Deus que formou este povo, que os chamou e se colocou fiel, em seu caminho e está sempre presente na história da cada um.  Não podemos esquecer que o homem tem que curvar sua cabeça, num gesto de humildade. Sempre buscar e rebuscar esse Deus, para voltar à aliança de amor e comunhão com Ele.
No exílio da Babilônia o povo de Israel entra em estado de insegurança e por sua rebeldia, fecha-se à palavra de Deus. Ezequiel, na perspectiva de reconstrução deste mesmo povo, apela para a responsabilidade individual, frente à história desse povo.  Erraram sim, mas há a possibilidade de cada pessoa, individualmente considerada, tornar a viver essa unidade com Deus. O profeta recorda uma verdade antiga segundo a qual cada pessoa encontra a vida ou a morte o que só depende das suas ações; lembremo-nos de que Deus é a fonte primeira da vida e não da morte; portanto, para Ezequiel a responsabilidade é de cada pessoa pelas consequências de suas ações, pois cada qual tem a possibilidade de escolher entre o bem e mal. Este apelo do profeta torna-se cada vez mais atual em nosso tempo; é um apelo à conversão, para mudarmos nossos corações endurecidos, rochosos, em um coração de carne, um coração misericordioso. Por isso cantamos “fundi em nós Senhor um espírito renovado para que assim possamos renovar e continuar a nossa vida em comunhão contigo”; por isso o Salmo da liturgia de hoje também invoca o perdão e a renovação total de nossos  pecados; uma radical mudança de vida, retornando ao Senhor que tem sua face voltada para nós. Deus nunca volta sua face contra nós, mesmo quando nós agimos contra Ele.
O salmista pede em nosso nome que o Senhor nos conceda um coração puro, um espirito generoso e santo. Todos nós batizados somos chamados a ter esse coração, na busca da santidade; não existe a possibilidade de outro coração, não existe outro caminho. Por isso o Senhor na sua misericórdia revela o coração que ele tem e, se nos chamou à santidade de vida, nos quer com um coração semelhante ao dele.
Para isto o evangelista Matheus sublinha um aspecto fundamental na vida e no ministério de Jesus, ou seja, para entender a mensagem do reino e participar dele é necessário ter um espirito puro e despojado como aquele das crianças que é o que nós chamamos: “ser crianças para o reino de Deus”. Nesta mesma linha recordamos aqui Santa Terezinha que bem nos ensinou sobre este nosso “ser pequenos”, humildes e crianças ao dizer: “Perto de ti Maria, gosto de permanecer pequena”Quanto mais perto estivermos de Maria Santíssima mais aceitaremos nossa pequenez. Com Maria nós compreendemos tão bem a bondade de Deus, que somos capazes de aceitar a nossa pequenez. O amor maternal de Maria nos ajuda a reconhecer e aceitar pacificamente nossas limitações e fraquezas; esse é o maior dom de Maria para nós, neste dia  em que  viemos buscar e louvar neste Santuário Nacional da Mãe de Deus no Brasil, a Senhora Aparecida. Santa Terezinha ainda diz: “Quanto mais você amar a sua pequenez e a sua pobreza, mais graças Jesus lhe dará”, precisamos ser pequenos e humildes para herdarmos esse reino prometido por Jesus no santo evangelho de hoje.
Peçamos então a Maria que nos dê este dom da humildade que ela tão bem cantou no Magnificat, um canto dos humildes, da misericórdia e da esperança.  Se quisermos alcançar a misericórdia temos que ter alma de criança e o coração cheio de misericórdia; para isso Maria nos dá um belo dom o seu coração de mãe, o seu coração de misericórdia. Na continuidade deste ano da misericórdia, vamos pedir a graça de acolher Maria em nosso coração, assim ela vai nos amparar e auxiliar a ter um coração como o de seu filho Jesus, obediente, humilde e misericordioso.
Entregues a Maria poderemos viver com abundância as graças desse ano. Compreendamos melhor a misericórdia de Deus e peçamos a intercessão de Nossa Senhora Aparecida pelo crescimento espiritual e pastoral de nossa Diocese da Campanha que hoje acorre a este santuário como filhos e filhas obedientes com o propósito de acolher no caminho da santidade o que ela nos indica ao dizer: Fazei tudo o que Ele vos disser.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Após a Santa Missa os fiéis romeiros participaram da reza do terço junto com os sacerdotes e nosso bispo Dom Pedro.

Vejam fotos

Transcrição da Homilia: Bruno Henrique/ Portal Terra de Santa Cruz 

Fotos: Maria Aparecida Andrade Anésio/ Paróquia da Cotia-Três Corações

Portal Terra de Santa Cruz – Boa Nova Web Radio – A serviço da Evangelização

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