Brasil terá Ano Jubilar mariano a partir de outubro

Aumenta a expectativa pela possibilidade de o Papa Francisco retornar ao Brasil para participar das celebrações dos 300 anos do achado da imagem de Nossa Senhora Aparecida, no Santuário Nacional, em 2017.

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Jardins do Vaticano terão imagem de Nossa Senhora

Enquanto isso, sábado, 3 de setembro, será inaugurada nos Jardins do Vaticano uma imagem da santa padroeira do Brasil. Uma grande delegação virá a Roma da Arquidiocese de Aparecida, liderada pelo Cardeal-arcebispo, Dom Raymundo Damasceno Assis.

Em exclusiva à RV, Dom Raymundo reafirma que a devoção a Nossa Senhora faz parte da história do Brasil. “Maria sempre foi uma porta aberta ao conhecimento de Jesus; é o modelo de seguimento de Cristo, dos valores humanos que marcam a identidade religiosa do povo”:

Em Aparecida, o novo Campanário do Santuário Nacional, obra que foi projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, será inaugurado no próximo dia 12 de outubro, abrindo o Ano Jubilar mariano em comemoração aos 300 anos da aparição.

Ano Jubilar mariano no Brasil

“A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – revela o cardeal – vai decretar um ano Jubilar mariano a partir de outubro. Será um ano de graça, de modo especial para o Brasil: um momento de louvor e agradecimento especial a Deus por tudo aquilo que Ele tem feito por nós, por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, nossa padroeira e nossa Rainha”.

Ouça a entrevista, clicando aqui:

Por Rádio Vaticano 

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

“Ben-Hur”: O filme épico mais profundo de todas as grandes produções contemporâneas

Assista o Trailler:

O contexto histórico no qual se passa o roteiro do filme é a fusão dos mundos grego, romano, israelita (pré-cristão) e o emergente como uma síntese realizada na força motora do cristianismo, mostrando colateralmente uma sociedade religiosa nascente que tem um potencial avassalador de modificar todos os elementos nesse encontro de culturas e sociedades. É aquilo que muitos teólogos diriam ser a “plenitude dos tempos” profetizada pelas Escrituras, o que pode ser entendido em outras palavras como uma maturidade dos tempos para acolher a Boa-Nova evangélica. Nesse cenário fatídico do início de nossa era, apresentavam-se as condições fundamentais de sua contingência histórica para uma vasta, eficaz e rápida disseminação deste anúncio da mensagem de Jesus.

Em consideração desses paralelismos é que se desenvolve a trama da vida de Judá Ben-Hur, representado pelo ator Jack Huston.

É verdade que toda essa questão religiosa não parece ser fundamental ao filme. Enquanto se assiste, tem-se a impressão de ser algo periférico. Entretanto, filosoficamente esse é o pano de fundo sem o qual o filme tem um sentido meramente secular e seria mais uma historinha de lutas do circo romano que estamos cansados de ver. Saiba-se que o fator cristão no filme não é marginal, mas central.

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A realeza refém de César

Ben-Hur, membro da realeza, é herdeiro não só de um reino em Israel. Também recebeu o legado da inevitável rendição de sua nação ao Império Romano imposta pela “Pax Romana”, que servia para subjulgar os povos sob a ameaça de invasão militar caso a nação se rebelasse contra a sua ocupação. Essa rendição não era aceita pelo grupo rebelde “Zelotes”, que inflamava uma disputa militar entre Israel e Roma.

Os reis e membros da realeza desse período, que lidavam com a invasão romana, se viam na obrigação de conter as revoltas do próprio povo indignado com os impostos exarcebados de Roma e a falta de liberdade consequentes da ocupação.

O sentimento obviamente dos súditos era de que seus reis eram traidores e cúmplices do Império invasor. Contudo, de maneira proporcionalmente inversa Roma pensava que a realeza, quando não atuava de maneira eficaz e resoluta frente a uma rebelião, agia como cúmplice dos rebeldes. Imaginem o quanto era difícil estar a frente de decisões onde estava em jogo a vida do povo e da família real, de modo especial, o Rei, que sob ameaça, tinha que oficiar sabendo da implicância de suas ações na integridade de sua própria família ou de seu povo. Os reis viviam sob pressão contínua, e sem querer aqui justificar também suas atrocidades e pecados cometidos como aliados de Roma.

A família como o centro da história

A trajetória familiar de Ben-Hur é o eixo de compreensão de toda a trama. Podemos dividir o filme em “tese, a unidade familiar; antítese, a fragmentação quase total; e síntese, a resolução da história e suas lições”. Não farei aqui nenhum Spoiler. Para quem vai ver o filme ainda, vê-lo assim ajudará a dar um passo a mais em sua reflexão sobre a relação família e sociedade que está também no núcleo dessa obra.

A família de Ben-Hur sofre os reflexos das questões externas da sociedade sem perceber que sua vida é empurrada para um curso implosivo de suas relações, onde na vida adulta, ele e o irmão adotivo, Messala (Toby Kebell), passarão por dilemas que  sustentarão o cenário trágico.

Tudo acontece porque Messala é de origem romana, e na infância foi feito filho adotivo da família real de Judá Ben-Hur, contraindo uma relação de profundo afeto a estes que lhe deram a oportunidade de renascer para uma vida nova, e não morrer como um orfão a míngua no meio do mundo. Mais tarde porém as decisões dele interferirão diretamente na vida de todos criando numerosos fatos complicadores.

Ora, sem dizer antecipadamente o que se passa na história, cada um pode imaginar que Messala crescerá tendo direitos a privilégios romanos podendo reclamá-los na sua vida adulta ou não. E aí entra toda a questão. Como ser um bom romano e ao mesmo tempo ser um bom irmão da família real de Judá? Como ter uma carreira na vida militar ou no governo de Roma poderia atrapalhar a vida dessa família na sua afetividade? Qual será a escolha de um e de outro: amor ou dever? Prestígio ou honra? Misericórdia ou vingança? Deus ouvido no meio da confusão histórica das sociedades ou a consagração total ao mal?

O Alpha e o Ômega da trama

A pessoa de Jesus (Rodrigo Santoro) é envolvida radicalmente na história, embora quando ele aparece em cena dá a sensação de ser uma personagem periférica, e isto é proposital.

Na verdade, ele está na transição dos conflitos sem que a sociedade perceba a complexidade de sua importância para o fim de todas as coisas e igualmente para a vida interna, íntima, particular das famílias, de modo específico na história, da família de Ben-Hur. Essa presença fundamental de Jesus como força que transpõe o curso ao qual são levadas as consciências foi citada na obra por Pôncio Pilatos, ao dizer de passagem a Messala que Jesus era mais perigoso do que os “zelotes”, argumentando que, apesar de não usar armas, ao confortar os corações, tratar a todos com compaixão e fazer tais sinais maravilhosos, ganhava força sobre as consciências, e que isso é maior e verdadeira ameaça à Roma.

Esses dizeres de Pilatos são interessantes para entender as peripécias  (mudanças) pelas quais o filme vai passar.

Jesus passará com brevidade na vida de Ben-Hur, Messala, e dos demais familiares. E, ousando fazer uma comparação, essa passagem é como a gota da água que cai no cálice enquanto o sacerdote prepara o vinho para a consagração eucarística. A gota da água ali representa a divindade na humanidade, a qual é simbolizada pelo vinho. Porém essa “gota”, essa “brevidade da passagem”, é transformadora em todos os sentidos, muda a humanidade e seu curso.

Não devemos entender os efeitos da presença de Jesus ali no filme de maneira imediatista, pois há coisas que progressivamente são construídas no coração humano. Ele gera crises com sua lógica, abala estruturas inteiras. E apesar de tudo, ele é a unica saída da ruína imposta pelas escolhas pessoais e circunstâncias históricas. O fim pode ser outro ou continuar sendo trágico.

Somente no final do filme podemos confirmar de maneira integral a interferência da sua pessoa no destino das coisas. O veremos como o Alpha e o Ômega de uma nova trama que se inicia com o seu advento na vida das personagens. Jesus será a síntese, mas não conto o final (rs).

A desintegração

O medo, a guerra, as discórdias, a vingança, a intolerância, o carreirismo, o poder e o orgulho são os dispositivos de desintegração de todo o cenário inicial que passa por um verdadeiro desmonte até chegar a sua antítese, um verdadeiro caos pelo qual passarão as personagens.

Em todas as peripécias estão em cena os irmãos Ben-Hur e Messala. Usando imagens das Escrituras: qual será o destino destes dois? Serão irmãos unidos por dois destinos encontrados tais como na relação fraterna entre Davi e Natã? Serão como Caim e Abel tendo a morte de um ou dos dois como preço das trágicas decisões? O que prevalecerá na história? A tragédia é inevitável? Será que ela tem perdão? Se tudo falir e diante das mortes todas, como será possível reconstruir qualquer coisa? Será o nada depois? Qual a lição tiraremos de quando Jesus é ouvido sendo considerado como um mestre interior em todo seu mistério e de quando Ele é totalmente desconsiderado?

Espero num futuro breve poder aprofundar muitos mais com vocês sem ter a preocupação de fazer um verdadeiro spoiler do filme. Por enquanto, o resto da reflexão fica por conta de quem já viu e quem ainda o verá.

Só peço uma coisa, que ao ver o filme, ou se já o viu, aplique a seguinte chave de leitura ao momento adequado da trama e que são as palavras de Jesus: “Quando eu for elevado da terra, atrairei para mim todo ser” (Jo 12,32).

Um filme que vale a pena cada centavinho

É um filme para toda a família. Leve seus amigos, sua comunidade, seu grupo de espiritualidade, pessoas do seu trabalho, faculdade ou escola. Você pode ver nos grandes cinemas.

Estando na sala de cinema, percebi o quanto esse filme pode ser significativo e levar argumentos importantíssimos a interioridade das pessoas. Muitos vão vê-lo sem saber bem o que irão asssitir e tenho a impressão de que muitos saem de lá surpreendidos, pois não é comum um filme épico com esse tipo de abordagen ser colocado nos grandes cinemas da atualidade, e que favoreça ainda por cima a mensagem cristã.

Não é apenas mais um filme épico como outros. De todos desta categoria que vi nos últimos anos nos grandes cinemas é o mais filosófico em toda sua simplicidade e o mais impactante para a existência das pessoas.

Vai a dica

Seja esperto também. Insisto: chame seus amigos. Não faça todo o spoiler sobre Jesus se ele for reticente a temáticas religiosas. Bota o peixe na rede, usa a isca certa! Lembre-se de apresentá-lo como um filme épico que conta a história de uma família dividida por forças sociais e itinerários políticos daquele tempo.

As grandes mídias seculares não tem interesse nesse filme, pois vai contra a corrente do lobby anti-cristão.

Então, se você é cristão, existe uma chamada interior, missionária, para propagar esse filme em suas mídias sociais e fazer com que o máximo possível de pessoas o vejam.

Bom filme a todos. E para os que viram, parabéns.

Autor: Padre Augusto Bezerra

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz

O Cântico das Criaturas (São Francisco de Assis)

Altíssimo, onipotente, bom Senhor

Teus são o louvor, a glória, a honra

E toda a benção.

Só a ti, Altíssimo, são devidos;

E homem algum é digno

De te mencionar

Louvado sejas, meu Senhor

Com todas as tuas criaturas,

Especialmente o senhor irmão Sol,

Que clareia o dia

E com sua luz nos alumia.

E ele é belo e radiante

Com grande esplendor:

De ti, Altíssimo, é a imagem.

Louvado sejas, meu Senhor,

Pela irmã Lua e as Estrelas,

Que no céu formaste as claras

E preciosas e belas.

Louvado sejas, meu Senhor,

Pelo irmão Vento,

Pelo ar, ou nublado

Ou sereno, e todo o tempo,

Pelo qual às tuas criaturas dás sustento.

Louvado sejas, meu Senhor

Pela irmã Água,

Que é muito útil e humilde

E preciosa e casta.

Louvado sejas, meu Senhor,

Pelo irmão Fogo

Pelo qual iluminas a noite,

E ele é belo e jucundo

E vigoroso e forte.

Louvado sejas, meu Senhor,

Por nossa irmã a mãe Terra,

Que nos sustenta e governa

E produz frutos diversos

E coloridas flores e ervas.

Louvado sejas, meu Senhor,

Pelos que perdoam por teu amor,

E suportam enfermidades e tribulações.

Bem-aventurados os que as sustentam em paz,

Que por Ti, Altíssimo, serão coroados.

Louvado sejas, meu Senhor,

Por nossa irmã a Morte corporal,

Da qual homem algum pode escapar.

Ai dos que morrerem em pecado mortal!

Felizes os que ela achar

Conformes à tua santíssima vontade,

Porque a morte segunda não lhes fará mal!

Louvai e bendizei ao meu Senhor,

E dai-lhe graças,

E servi-o com grande humildade.

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Portal Terra de Santa Cruz

Papa presidirá celebração pelo Dia de Oração pelo Cuidado da Criação

Na quinta-feira, 1º de setembro, o Papa Francisco presidirá na Basílica de São Pedro, às 17 horas, a celebração das Vésperas por ocasião do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação.

Já na Missa Solene de início de Pontificado, em 19 de março de 2013, o Papa Francisco havia pedido a todos aqueles que ocupam cargos de responsabilidade no âmbito econômico, político e social e a todos os homens e mulheres de boa vontade, para serem guardiões da criação:

“Queria pedir, por favor, a quantos ocupam cargos de responsabilidade em âmbito econômico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos «guardiões» da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo! Mas, para «guardar», devemos também cuidar de nós mesmos. Lembremo-nos de que o ódio, a inveja, o orgulho sujam a vida; então guardar quer dizer vigiar sobre os nossos sentimentos, o nosso coração, porque é dele que saem as boas intenções e as más: aquelas que edificam e as que destroem. Não devemos ter medo de bondade, ou mesmo de ternura”.

O tema pelo cuidado da criação é uma das marcas do Pontificado de Francisco, que dedicou a ele a Encíclica Laudato Si.

Por Radio Vaticano

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização

 

 

Deus nos chama a trabalhar pela unidade das famílias.

Deus nos chama a trabalhar pela unidade das famílias e pela união do casal. Deus dá jeito em situações que parecem impossíveis de ser resolvidas. Precisamos querer, confiar e acreditar n’Ele!

De modo que eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe” (Mateus 19, 6).

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 O casamento não se trata apenas de um contrato civil entre duas pessoas que resolveram morar juntas e começar uma aventura. Não, não é isso; de fato, é um compromisso. Primeiramente é um compromisso de um com relação ao outro, são duas vidas que se unem para constituir uma única vida familiar.

Nós não podemos nos esquecer desse aspecto fundamental que envolve a união do homem e da mulher. É verdade que, no matrimônio, as personalidades são diferentes e que cada um conserva sua identidade pessoal. E isso não pode ser confundido; mas é verdade também que eles constituem uma unidade e formam uma única família. A Palavra de Deus hoje nos chama a trabalhar pela unidade, a trabalhar para unir aquilo que Deus abençoou e não para separar aquilo que Ele uniu.

Todos nós sabemos que a vida a dois não é fácil, mas nenhuma vida é fácil. A vida da pessoa sozinha também não é fácil! Muitos dizem: “Ah! É melhor estar só do que mal acompanhado“. Nós entendemos que há situações em que a pessoa escolheu viver solteira, viver uma vida digna sendo solteira. Tudo bem. Mas o lugar da família é na união entre o homem e a mulher. Não vamos discorrer aqui a respeito das exceções e dos casos que não deram certo, dos problemas e dos distúrbios que podem haver. Vamos nos centrar no essencial: no plano de Deus, naquilo que Deus sonhou e quis, naquilo que está no coração do Criador.

Por causa da ignorância (por falta de conhecimento e maturidade), os antigos, quando não conseguiam mais viver juntos, se separavam. Contudo, Jesus diz, nesta passagem bíblica, que não foi isso que o Criador quis. O Criador, no princípio, quando nos criou homem e mulher disse: “O homem deixará pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe” (Mateus 19, 5-6).

Portanto, ninguém tem o direito de separar aquilo que Deus uniu. Aqui eu chamo atenção para o cuidado que precisamos ter com os meios de comunicação e com as pessoas cuja mentalidade seja materialista, mundana e a favor do “descartável”: “Não deu certo, separa! Não está indo bem, deixa!” Não, este não deve ser o primeiro pensamento a ser adotado, este não é o trabalho a ser feito! O trabalho a ser feito é o de tentar salvar e resguardar o casamento.

Eu já vi tantos casamentos que iam por água abaixo e os casais, ao buscar na força da oração, da reconciliação e da revisão de vida, resgatar o matrimônio. Por isso, eu acredito que tem jeito! Já vi Deus dando jeito em situações que pareciam impossíveis de ser resolvidas. Precisamos querer, confiar e acreditar no Senhor!

Por favor, meu irmão, minha irmã, quando você vir um relacionamento que não está indo bem, o primeiro trabalho e o primeiro conselho a ser dado não é a separação, não é tentar ver o caminho que não tem mais jeito. O conselho a ser dado é o de tentar de todas as formas [salvar o casamento], porque para Deus nada é impossível! Até um casamento e uma família que pareciam não ter mais jeito, Deus pode dar jeito neles!

Creia! Eu já vi muitas graças acontecerem e sei que ainda verei muitas outras com a graça de Deus!

Deus abençoe você!

Por Padre Roger – Canção Nova


Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização

Amar consiste na descoberta do que o outro tem de bom e ruim.

Caros(as) amigos(as),

Vamos falar do amor de Deus por nós!

Deus nos ama sabendo de nossa natureza pecadora e miserável, Deus sempre nos chama para perto d’Ele.

Podemos encontrar esse amor em nossos irmãos e irmãs que convivem dia a dia conosco. Fala-se tanto em amor, mas conhecemos o amor ao próximo quando da necessidade de dizer EU TE PERDOO. Amor é perdão.

Amar é olhar nos olhos do outro e saber que, mesmo fazendo o errado, demonstrando suas fraquezas e defeitos, ainda somos capazes de dizer EU TE AMO. Amar consiste na descoberta do que o outro tem de bom e ruim.

Por isso acredito no amor de Jesus.

Lendo as parábolas do Evangelho podemos constatar as diversas pessoas que Jesus encontrou por onde passou. Pessoas em situações de vergonha, excluídas da sociedade daquele tempo, sujas, pecadoras e indignas de qualquer honra. Por isso, Jesus escolheu os piores da sociedade para caminhar com Ele. Os doze apóstolos são exemplos dessa escolha, eram pessoas comuns; dentre os escolhidos estava um ladrão, porque Ele sabia que quando aquele ladrão começasse a conviver com Ele, o roubado seria o próprio ladrão, pois Jesus lhe roubara o coração apenas com o olhar do amor, do acolhimento e do perdão.

Quando Jesus chega até nós Ele rouba o nosso coração, e não nos resta mais nada a não ser olhar e dizer: “Senhor, embora sendo fraco, eu não consigo viver distante da tua proposta, longe do seu olhar”.

Amar é isso, descobrir nas pessoas que o olhar do outro nos tornam melhores do que somos. Amar é descobrir que, quando alguém entra em nossa vida, nos torna melhor do que quando estamos só.  Esse é o verdadeiro amor, é acreditar que se o outro não está por perto, somos apenas uma metade; não é uma dependência, e sim uma complementação; quando o outro está do nosso lado, nos sentimos mais fortes e ainda que não tenhamos forças para caminhar, o outro nos ajuda a seguir.

É nesse Deus que eu confio, o Deus que foi pregado na cruz, que é para nós, o braço que nos falta, a perna que nem sempre temos para andar, a coragem que não está em nosso coração. Ele vem ao nosso encontro e se hoje fossemos os mesmos que naquele tempo o pregaram na cruz, Ele ainda olharia para nós com amor, nos encontraria no meio da multidão e certamente diria que Ele sempre espera por nós!  E espera pelo nosso sim!

Deus é amor e espera que abramos nosso coração para Ele. O apóstolo João vai dizer em sua Primeira Carta: “Acima de tudo, ele enviou seu Filho mais querido como resgatador para nos livrar do pecado e da morte” (Jo 3,16). Quão grande é o amor Deus por nós!

            “O amor de Deus” — fico a me perguntar o que João tinha em mente quando escreveu essas palavras… “Deus é amor, o amor vem de Deus, Ele nos amou primeiro, quem permanece no amor, permanece em Deus, e Deus permanece nele”.  Essa expressão se refere ao amor de Deus por nós, mas também ao nosso amor por Ele. Que possamos entender que embora tenhamos nascidos pecadores, por meio de seu filho Jesus, Ele nos abriu o caminho para que pudéssemos ganhar a perfeição que Adão e Eva perderam e assim alcançarmos a vida eterna, como está escrito em Mt 20,28: “Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos”. Por amor a nós, o sacrifício aconteceu para que fossemos resgatados. Deus deu seu Filho muito amado para morrer numa cruz, tudo exclusivamente por amor a nós.

Isso toca nosso coração! O amor não é um sentimento simples; envolve mais que meras palavras. O verdadeiro amor a Deus vai além de apenas dizer “eu amo a Deus”.

Quando o amor do Pai se torna forte em nosso coração, nos sentimos motivados a viver de modo que agrada o seu coração. Temos sede d’Ele, desejamos sua presença no meio de nós, queremos ser cada vez mais íntimos do Senhor, queremos adorá-lo e render graças por tamanho amor a nós. Esse privilégio de sentir Deus, recebê-lo e adorá-lo em nosso coração, e principalmente ficar em sua presença, experimentamos através da Santa Eucaristia.

Como é lindo o nosso Deus, como é grande seu amor para conosco, Ele se fez pequeno para habitar em nós e faz do nosso coração a sua nova Jerusalém… Tornou-se para nós o alimento único que nos sustenta e dá forças.

Deus vai dizer em Pv 8,17: “Amo os que me amam, e quem me procura me encontra”. Queira, deseje, anseie encontrar-se com Deus, tenha a plena convicção de que Ele vos ama e se vos ama te quer sempre por perto.

Enfim, o amor de Deus é perfeito, mas de nada adiantará dizermos que amamos se não perdoamos nossos irmãos e irmãs, se não os amamos, pois quem ama, conhece a Deus, como está escrito em Jo 4,19-20: “Nós amamos a ele porque ele nos amou primeiro. Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame também a seu irmão”. O mais belo da vida é isso, saber que Deus nos ama e está ao nosso lado e que habita no irmão, na irmã que está do nosso lado como verdadeira imagem e semelhança d’Ele.

Que a possamos conhecer e provar da fonte do amor que emana do coração de Jesus, que é misericórdia. Dêem graças ao Senhor, porque ele é bom, é fiel, é amigo, é compassivo e é eterno em nosso meio.

Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8,38-39)

Deus abençoe a todos !

Escrito por Bruno Henrique /Gestor do Portal Terra de Santa Cruz

Referências: Sagrada Escritura (tradução da CNBB)

XVII Congresso Eucarístico Nacional

A Arquidiocese de Belém promoverá de 15 a 21 de agosto de 2016 o XVII Congresso Eucarístico Nacional, cujo tema é: “Eles o reconheceram no partir do Pão”. No mesmo ano será comemorado o quarto centenário do início da evangelização da Amazônia e o aniversário de 400 anos de fundação da cidade de Belém.

SOBRE O EVENTO

O Congresso Eucarístico quer ser a convergência de todas as pessoas que professam a fé católica na realidade da Santíssima Eucaristia, e desejam dar um testemunho público de sua fé na presença real do Senhor Jesus.

O primeiro Congresso Eucarístico foi celebrado em 1881 em Lille (França), por iniciativa de um grupo de fiéis leigos, apoiados por São Pedro Julião Eymard. Foi uma celebração solene, de que participaram fiéis e bispos de vários países da Europa. De lá para cá, outros países quiseram repetir a bela iniciativa.

Deste modo reafirmamos nossa certeza de vida eterna, para além dos horizontes de nossa história! A partir dessa profissão explícita de nossa fé na Eucaristia, o Congresso Eucarístico busca as consequências práticas, o compromisso desse gesto tão sublime de adoração! Adorareis o Senhor em Espírito e Verdade (Cf. Jo 4, 24).

No Brasil já foram realizados dezesseis Congressos Eucarísticos Nacionais. O primeiro foi realizado em 1933, em Salvador – BA; o XVI Congresso Eucarístico Nacional, em Brasília, de 13 a 16 de Maio de 2010, tendo como Tema: Eucaristia, Pão da Unidade dos Discípulos Missionários, inspirado na V Conferência do Episcopado da América Latina e do Caribe, que aconteceu em Aparecida em maio de 2007. Em Aparecida, apresentou-se a riqueza da existência cristã a partir do binômio “discípulo missionário”. O discípulo missionário de Jesus Cristo se alimenta do Pão eucarístico, para que possa fortalecer-se na fé, na esperança e na caridade e não desfaleça por causa as dificuldades do caminho. A Eucaristia gera a unidade da Igreja: Jesus Cristo, pelo Sacramento do seu Corpo e Sangue, cria a comunhão da sua Igreja, seu Corpo Místico.

PROGRAMAÇÃO PARA 2016
DATA HORA ATIVIDADE LOCAL
15/08 18h Missa de Abertura do XVII Congresso Eucarístico Nacional Estádio do Mangueirão
16/08 8h Missa – Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer (Movimentos Eclesiais e Associações) Catedral Metropolitana de Belém
9h Missa em Diversos Ritos Paróquia da Santíssima Trindade
Dia inteiro Jornadas Pastorais Nas Seis Regiões Episcopais e Basílica de Nazaré
17/08 8h Missa – Cardeal Dom Orani João Tempesta (Vida Religiosa e Colégios Católicos) Catedral Metropolitana de Belém
8h Abertura da Exposição de Arte Sacra e Artesanato Hangar Convenções & Feiras da Amazônia
9h Workshops (Novas Comunidades e Movimentos Pastorais) Hangar Convenções & Feiras da Amazônia
Missa em Diversos Ritos Paróquia da Santíssima Trindade
15h Missa e caminhada para o Portal da Amazônia (nas igrejas do entorno) Portal da Amazônia
17h30 Chegada da Procissão Fluvial
18h Bênção com Santíssimo Sacramento
18h Show Padre Reginaldo Mazotti + Apresentação de Orquestra/Coral
18/08 8h Missa – Núncio Apostólico Dom Giovanni D’Aniello (Ministério Ordenado) Catedral Metropolitana de Belém
9h Missa em Diversos Ritos Paróquia da Santíssima Trindade
9h Simpósio Teológico Hangar Convenções & Feiras da Amazônia
18h Missa com a Primeira Comunhão das Crianças da Arquidiocese Estádio do Mangueirão
19/08 8h Missa – Cardeal Dom Cláudio Hummes (Amazônia) Catedral Metropolitana de Belém
9h Simpósio Teológico Hangar Convenções & Feiras da Amazônia
9h Missa em Diversos Ritos Paróquia da Santíssima Trindade
18h Missa com a juventude Estádio do Mangueirão
20/08 8h Legado Pontifício Catedral Metropolitana de Belém
8h Jornada do Ano Santo da Misericórdia Confissões nas Paróquias – exceto Catedral
17h Missa Solene presidida pelo Legado Pontifício Estádio do Mangueirão
21/08 8h Missa – Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis Catedral Metropolitana de Belém
9h Missas nas Paróquias Celebradas pelos Bispos Paróquias da Arquidiocese de Belém
15h Missa Solene de encerramento do CEN2016 Basílica de Nazaré – CAN – Com procissão Eucarística para a Catedral

SITE OFICIAL

Para saber mais sobre o evento, acessar a Oração Oficial do CEN2016, o Hino, artigos, matérias, novidades e muito mais, acesse o site oficial por meio do endereço eletrônico: www.cen2016.com.br

Portal Terra de Santa Cruz- Serviço da Evangelização 

Papa: Assunção de Maria, mistério que diz respeito a todos

O Papa Francisco voltou à janela do Palácio Apostólico nesta segunda-feira (15/08), feriado no Vaticano por ocasião da Solenidade da Assunção de Maria.

Aos milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro, o Papa disse que Maria nos precede na “estrada dos batizados”, recordou as vítimas inocentes que “não têm peso sobre a opinião mundial” e todas as mulheres que vivem situações dramáticas:

“Que a elas possa chegar o quanto antes o início de uma cidade de paz, de justiça, de amor, à espera do dia em que finalmente se sentirão seguradas por mãos que não humilham, mas que com ternura as reerguem e as conduzem até o céu”, pediu o Pontífice.

Abaixo, a íntegra da alocução na tradução da redação brasileira:

O Evangelho da Solenidade da Assunção de Maria descreve o encontro entre Maria e a prima Elisabete, destacando que “Maria levantou-se e com pressa foi até a região montanhosa, em uma cidade de Judá”.

Naqueles dias, Maria corria em direção a uma pequena cidade próximo a Jerusalém para encontrar Elisabete. Hoje a contemplamos na sua estrada em direção à Jerusalém celeste, para encontrar finalmente o rosto do Pai e rever o rosto do seu Filho Jesus. Muitas vezes na sua vida terrena havia percorrido áreas montanhosas, até a última dolorosa estação do Calvário, associada ao mistério da paixão de Cristo.

Agora, a vemos chegar à montanha de Deus, “vestida como o sol, com a lua sob seus pés e, na cabeça, uma coroa de doze estrelas” e atravessar os limites da pátria celeste.

Ela foi a primeira a acreditar no Filho de Deus, e é a primeira a subir aos céus em corpo e alma. Inicialmente, acolheu e tomou conta de Jesus quando ainda era criança, e é a primeira a ser acolhida pelos braços de seu Filho para ser levada ao Reino eterno do Pai.

Maria, moça humilde e simples de uma vila perdida na periferia do império, justamente porque acolheu e viveu o Evangelho, foi admitida por Deus para estar pela eternidade ao lado do trono do Filho. É assim que o Senhor tira os potentes dos tronos e eleva os humildes.

 

A Assunção de Maria é um grande mistério que diz respeito a todos nós, sobre o nosso futuro. Maria nos precede na estrada para a qual são encaminhados aqueles que, diante do Batismo, ligaram a sua vida a Jesus, como Maria entrelaçou a Ele a sua própria vida.

A festa de hoje preanuncia os “novos céus e a nova terra”, com a vitória de Cristo ressuscitado sobre a morte e a derrota definitiva do mal. Para tanto, a exaltação da humilde moça da Galileia, expressada no canto do Magnificat, se torna canto de toda a humanidade, que se compraz no ver o Senhor que se inclina sobre todos os homens e todas as mulheres, humildes criaturas, e assume com Ele todos no céu.

Pensemos, em particular, às mulheres cansadas do fardo da vida e do drama da violência, às mulheres escravas da prepotência dos potentes, às meninas obrigadas a realizar trabalhos desumanos, às mulheres obrigadas  a renderem-se no corpo e no espírito à cobiça dos homens.

Que a elas possa chegar o quanto antes o início de uma vida de paz, de justiça, de amor, à espera do dia em que finalmente se sentirão seguradas por mãos que não humilham, mas que com ternura as reerguem e as conduzem pela estrada da vida até o céu.

E agora, nos voltemos com confiança a Maria, doce Rainha do céu, e a peçamos: “Doai-nos dias de paz, vigia o nosso caminho, faz que vejamos o teu Filho, cheios da alegria do Céu”.

Vítimas inocentes

Quero confiar mais uma vez à Rainha da Paz, que hoje contemplamos na glória celeste, as ansiedades e as dores das populações que em tantas partes do mundo são vítimas inocentes de persistentes conflitos.

O meu pensamento vai aos habitantes do Kivu do Norte, na República Democrática do Congo, que recentemente foram vítimas de novos massacres, que há muito são perpetrados no silêncio vergonhoso sem sequer chamar a nossa atenção. Fazem parte, infelizmente, de tantos inocentes que não têm peso sobre a opinião mundial.

Obtenha Maria por todos sentimentos de compreensão e desejo de concórdia.

Por Radio Vaticano

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da Evangelização 

Homilia de Dom Pedro Cunha Cruz – Romaria Diocesana da Campanha ao Santuário Nacional de Aparecida/SP

Fiéis da Diocese da Campanha se reuniram no Santuário Nacional de Aparecida/SP neste sábado 14/08 para celebrarem na casa da Mãe Aparecida, a tradicional Romaria Diocesana que acontece todos os anos no mês de agosto, mês em que rezamos pelas santas Vocações . A missa com a presença do clero diocesano da Campanha presidida por Dom Pedro Cunha Cruz, deu-se início às 09h da manhã com transmissão ao vivo  pela Tv Aparecida e pelo Portal A12.com. Estiveram presentes, os romeiros da Diocese de Mogi das Cruzes juntamente com seu Bispo Dom Pedro Luiz Stringhini que concelebrou a santa eucaristia com os demais sacerdotes, diáconos que compunham o altar.

Confira na  integra a Homilia de Dom Pedro Cunha Cruz no Santuário Nacional

Caríssimo Dom Pedro Luiz Stringhini, Sacerdotes, Irmãos e Irmãs em Cristo Jesus. Hoje temos a alegria, ao encerrar o curso desta semana, de  estarmos sendo condecorados e alimentados pela liturgia da palavra, dita através do profeta Ezequiel que muito nos ensina sobre o tema da fidelidade a Deus, para prosseguirmos bem na vivência da nossa fé no curso da história.

O que Ele disse em relação ao povo de Israel que tinha ouvidos e não ouviam, olhos para enxergar e não enxergavam, serve ainda para o curso de nossa vida e nossa história porque em primeiro lugar ele revela que esse Deus, é um Deus de puro amor e misericórdia que não quer a morte do pecador, mas quer sempre a vida; na sua paciente misericórdia aposta na possibilidade do homem refazer sua vida e sua história, pois Deus é justo e fiel ao seu próprio ser e à palavra que ele prometera a esse povo;  mas, Israel que expressa também um pouco de nós, não quis saber de sua palavra, não quis saber desse Deus; divide seu coração em relação a outros deuses, mesmo tendo consciência  de que não poderiam conseguir, senão desse Deus único e verdadeiro, aquilo que somente Ele poderia dar. É um pouco o coração despedaçado do homem que se distância de Deus, tira-O do centro de sua vida e quer então modelar  sua existência e sua história, sem a participação de Deus.
É o que nós muitas vezes fazemos, dizendo um sim à vida e um não a Deus. Mas esse Deus é o Autor da vida, então quando este mesmo povo se distancia de Seu coração e viola este ato da aliança e da fé, Deus se revela através da fala de profetas, como Ezequiel, sempre pronto a acolher o pedido de perdão. Ele é misericórdia, Ele é compaixão, Ele não quer a morte do pecador, mas que o mesmo viva. Essa vida supõe sempre um ato contínuo de conversão, escolhendo a vida e não a morte; se converterdes, viverás.
Temos que pedir sempre, continuamente, um coração transformado, renovado. Deus vai nos peneirar no ato da misericórdia, quando tomarmos consciência dos males cometidos. O profeta Ezequiel, decifra o que vai ser a trajetória histórica deste povo, que não tem mais Deus como sujeito da sua própria história. Mas, foi esse mesmo Deus que formou este povo, que os chamou e se colocou fiel, em seu caminho e está sempre presente na história da cada um.  Não podemos esquecer que o homem tem que curvar sua cabeça, num gesto de humildade. Sempre buscar e rebuscar esse Deus, para voltar à aliança de amor e comunhão com Ele.
No exílio da Babilônia o povo de Israel entra em estado de insegurança e por sua rebeldia, fecha-se à palavra de Deus. Ezequiel, na perspectiva de reconstrução deste mesmo povo, apela para a responsabilidade individual, frente à história desse povo.  Erraram sim, mas há a possibilidade de cada pessoa, individualmente considerada, tornar a viver essa unidade com Deus. O profeta recorda uma verdade antiga segundo a qual cada pessoa encontra a vida ou a morte o que só depende das suas ações; lembremo-nos de que Deus é a fonte primeira da vida e não da morte; portanto, para Ezequiel a responsabilidade é de cada pessoa pelas consequências de suas ações, pois cada qual tem a possibilidade de escolher entre o bem e mal. Este apelo do profeta torna-se cada vez mais atual em nosso tempo; é um apelo à conversão, para mudarmos nossos corações endurecidos, rochosos, em um coração de carne, um coração misericordioso. Por isso cantamos “fundi em nós Senhor um espírito renovado para que assim possamos renovar e continuar a nossa vida em comunhão contigo”; por isso o Salmo da liturgia de hoje também invoca o perdão e a renovação total de nossos  pecados; uma radical mudança de vida, retornando ao Senhor que tem sua face voltada para nós. Deus nunca volta sua face contra nós, mesmo quando nós agimos contra Ele.
O salmista pede em nosso nome que o Senhor nos conceda um coração puro, um espirito generoso e santo. Todos nós batizados somos chamados a ter esse coração, na busca da santidade; não existe a possibilidade de outro coração, não existe outro caminho. Por isso o Senhor na sua misericórdia revela o coração que ele tem e, se nos chamou à santidade de vida, nos quer com um coração semelhante ao dele.
Para isto o evangelista Matheus sublinha um aspecto fundamental na vida e no ministério de Jesus, ou seja, para entender a mensagem do reino e participar dele é necessário ter um espirito puro e despojado como aquele das crianças que é o que nós chamamos: “ser crianças para o reino de Deus”. Nesta mesma linha recordamos aqui Santa Terezinha que bem nos ensinou sobre este nosso “ser pequenos”, humildes e crianças ao dizer: “Perto de ti Maria, gosto de permanecer pequena”Quanto mais perto estivermos de Maria Santíssima mais aceitaremos nossa pequenez. Com Maria nós compreendemos tão bem a bondade de Deus, que somos capazes de aceitar a nossa pequenez. O amor maternal de Maria nos ajuda a reconhecer e aceitar pacificamente nossas limitações e fraquezas; esse é o maior dom de Maria para nós, neste dia  em que  viemos buscar e louvar neste Santuário Nacional da Mãe de Deus no Brasil, a Senhora Aparecida. Santa Terezinha ainda diz: “Quanto mais você amar a sua pequenez e a sua pobreza, mais graças Jesus lhe dará”, precisamos ser pequenos e humildes para herdarmos esse reino prometido por Jesus no santo evangelho de hoje.
Peçamos então a Maria que nos dê este dom da humildade que ela tão bem cantou no Magnificat, um canto dos humildes, da misericórdia e da esperança.  Se quisermos alcançar a misericórdia temos que ter alma de criança e o coração cheio de misericórdia; para isso Maria nos dá um belo dom o seu coração de mãe, o seu coração de misericórdia. Na continuidade deste ano da misericórdia, vamos pedir a graça de acolher Maria em nosso coração, assim ela vai nos amparar e auxiliar a ter um coração como o de seu filho Jesus, obediente, humilde e misericordioso.
Entregues a Maria poderemos viver com abundância as graças desse ano. Compreendamos melhor a misericórdia de Deus e peçamos a intercessão de Nossa Senhora Aparecida pelo crescimento espiritual e pastoral de nossa Diocese da Campanha que hoje acorre a este santuário como filhos e filhas obedientes com o propósito de acolher no caminho da santidade o que ela nos indica ao dizer: Fazei tudo o que Ele vos disser.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Após a Santa Missa os fiéis romeiros participaram da reza do terço junto com os sacerdotes e nosso bispo Dom Pedro.

Vejam fotos

Transcrição da Homilia: Bruno Henrique/ Portal Terra de Santa Cruz 

Fotos: Maria Aparecida Andrade Anésio/ Paróquia da Cotia-Três Corações

Portal Terra de Santa Cruz – Boa Nova Web Radio – A serviço da Evangelização

Papa: Sem o fogo do Espírito Santo a Igreja torna-se fria

“Se a Igreja não recebe o fogo do Espírito Santo ou não o deixa entrar em si, torna-se uma Igreja fria ou somente morna, incapaz de dar vida, porque é feita de cristãos frios e mornos”.

Inspirado nas palavras de Jesus narradas em Lucas: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso”, o Papa Francisco dedicou a sua alocução – que precede a oração mariana do Angelus – à ação do Espírito Santo na vida da Igreja e em nossa vida: “um fogo que começa no coração, e não na mente”, frisou.

O fogo do qual fala Jesus no Evangelho – explica o Papa – é o fogo do Espírito Santo, “presença viva e atuante em nós desde o dia do Batismo. Ele – o fogo – é uma força criadora que purifica e renova, queima toda humana miséria, todo egoísmo, todo pecado, nos transforma a partir de dentro, nos regenera e nos torna capazes de amar”:

“Jesus deseja que o Espírito Santo irrompa como fogo no nosso coração, porque somente partindo do coração, que o incêndio do amor divino poderá propagar-se e fazer progredir o Reino de Deus. Não parte da cabeça, parte do coração. E por isto Jesus quer que o fogo entre em nosso coração. Se nos abrirmos completamente à ação deste fogo que é o Espírito Santo, Ele nos dará a audácia e o fervor para anunciar a todos Jesus e a sua consoladora mensagem de misericórdia e de salvação, navegando em mar aberto, sem medo. Mas o fogo começa no coração”.

O Papa recorda, que para cumprir a sua missão no mundo, “a Igreja tem necessidade da ajuda do Espírito Santo, para não deixar-se frear pelo medo e pelo cálculo, para não habituar-se a caminhar dentro de fronteiras seguras”. Francisco adverte que “estes dois comportamentos, levam a Igreja a ser uma Igreja funcional, que não arrisca nunca”:

“Pelo contrário, a coragem apostólica que o Espírito Santo acende em nós como um fogo, nos ajuda a superar os muros e as barreiras, nos faz criativos e nos impele a colocarmo-nos em movimento para caminhar também por caminhos inexplorados ou desconfortáveis, oferecendo esperança a quantos encontramos”.

Precisamente com este fogo do Espírito Santo – disse o Santo Padre –  “somos chamados a nos tornar sempre mais comunidade de pessoas guiadas e transformadas, cheias de compreensão, pessoas de coração dilatado e de rosto alegre”. E acrescenta:

“Mais do que nunca existe a necessidade, mais do que nunca hoje existe a necessidade de sacerdotes, de consagrados e de fiéis leigos, com o olhar atento do apóstolo, para mover-se e parar diante das dificuldades e das pobrezas materiais e espirituais, caracterizando assim o caminho da evangelização e da missão com o ritmo curador da proximidade. Há precisamente o fogo do Espírito Santo que nos leva a nos fazer “próximos” dos outros: das pessoas que sofrem, dos necessitados; de tantas misérias humanas, de tantos problemas; dos refugiados, daqueles que sofrem. Aquele fogo que vem do coração. Fogo”.

Francisco recordou então dos “numerosos sacerdotes e religiosos que, em todo o mundo, se dedicam ao anúncio do Evangelho com grande amor e fidelidade, não raro a custo da própria vida”, e advertiu que se a Igreja não se abre ao fogo do Espírito, torna-se fria:

“O exemplar testemunho deles nos recorda que a Igreja não tem necessidade de burocratas e de diligentes funcionários, mas de missionários apaixonados, imbuídos pelo ardor de levar a todos a consoladora palavra de Jesus e a sua graça. Este é o fogo do Espírito Santo. Se a Igreja não recebe este fogo ou não o deixa entrar em si, torna-se uma Igreja fria ou somente morna, incapaz de dar vida, porque é feita de cristãos frios e mornos. Nos fará bem hoje, tomar cinco minutos e nos perguntar: “Mas, como está o meu coração? É frio? É morno? É capaz de receber este fogo?”. Tomemos cinco minutos para isto. Nos fará bem a todos.

Ao final de sua alocução, o Santo Padre recordou o exemplo “de São Maximiliano Kolbe, mártir da caridade, cuja festa recorre hoje: que ele nos ensine a viver o fogo do amor de Deus e pelo próximo”. (JE)

 

Eis a alocução do Santo Padre na íntegra:

“O Evangelho deste domingo faz parte dos ensinamentos de Jesus dirigidos aos discípulos durante a sua subida à Jerusalém, onde lhe espera a morte na cruz. Para indicar o objetivo de sua missão, Ele se serve de três imagens: o fogo, o batismo e a divisão. Hoje quero falar da primeira imagem: o fogo.

Jesus a expressa com estas palavras: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso”. O fogo do qual Jesus fala é o fogo do Espírito Santo, presença viva e atuante em nós desde o dia do Batismo. Ele – o fogo – é uma força criadora que purifica e renova, queima toda humana miséria, todo egoísmo, todo pecado, nos transforma a partir de dentro, nos regenera e nos torna capazes de amar. Jesus deseja que o Espírito Santo irrompa como fogo no nosso coração, porque somente partindo do coração que o incêndio do amor divino poderá propagar-se e fazer progredir o Reino de Deus. Não parte da cabeça, parte do coração. E por isto Jesus quer que o fogo entre em nosso coração. Se nos abrirmos completamente à ação deste fogo que é o Espírito Santo, Ele nos dará a audácia e o fervor para anunciar a todos Jesus e a sua consoladora mensagem de misericórdia e de salvação, navegando em mar aberto, sem medo. Mas o fogo começa no coração.

No cumprimento de sua missão no mundo, a Igreja – isto é, todos nós Igreja – tem necessidade de ajuda do Espírito Santo para não deixar-se frear pelo medo e pelo cálculo, para não habituar-se a caminhar dentro de fronteiras seguras. Estes dois comportamentos levam a Igreja a ser uma Igreja funcional, que não arrisca nunca. Pelo contrário, a coragem apostólica que o Espírito Santo acende em nós como um fogo nos ajuda a superar os muros e as barreiras, nos faz criativos e nos impele a colocarmo-nos em movimento para caminhar também por caminhos inexplorados ou desconfortáveis, oferecendo esperança a quantos encontramos. Com este fogo do Espírito Santo somos chamados a nos tornar sempre mais comunidade de pessoas guiadas e transformadas, cheias de compreensão, pessoas de coração dilatado e de rosto alegre. Mais do que nunca existe a necessidade, mais do que nunca existe a necessidade de sacerdotes, de consagrados e de fieis leigos, com o olhar atento do apostolado, para mover-se e parar diante das dificuldades e das pobrezas materiais e espirituais, caracterizando assim o caminho da evangelização e da missão com o ritmo curador da proximidade.Há precisamente o fogo do Espírito Santo que nos leva a nos fazer “próximos” dos outros: das pessoas que sofrem, dos necessitados; de tantas misérias humanas, de tantos problemas; dos refugiados, daqueles que sofrem. Aquele fogo que vem do coração. Fogo.

Neste momento, penso também com admiração sobretudo aos numerosos sacerdotes e religiosos que, em todo o mundo, se dedicam ao anúncio do Evangelho com grande amor e fidelidade, não raro a custo da própria vida. O exemplar testemunho deles nos recorda que a Igreja não tem necessidade de burocratas e de diligentes funcionários, mas de missionários apaixonados, imbuídos pelo ardor de levar a todos a consoladora palavra de Jesus e a sua graça.Este é o fogo do Espírito Santo. Se a Igreja não recebe este fogo ou não o deixa entrar em si, torna-se uma Igreja fria ou somente morna, incapaz de dar vida, porque é feita de cristãos frios e mornos. Nos fará bem hoje, tomar cinco minutos e nos perguntar: “Mas, como está o meu coração? É frio? É morno? É capaz de receber este fogo?”. Tomemos cinco minutos para isto. Nos fará bem a todos.

E peçamos a Virgem Maria para rezar conosco e por nós ao Pai celeste, para que derrame sobre todos os fieis o Espírito Santo, fogo divino que aquece os corações e nos ajude a ser solidários com as alegrias e os sofrimentos dos nossos irmãos. Nos sustente no nosso caminho o exemplo de São Maximiliano Kolbe, mártir da caridade, cuja festa recorre hoje: que ele nos ensine a viver o fogo do amor de Deus e pelo próximo”.

Por Rádio Vaticano 

Portal Terra de Santa Cruz – A serviço da evangelização

20º Domingo do Tempo Comum- Deixe-se acender pelo fogo da graça de Deus

“Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso!” (Lucas 12, 49)

Quando escutamos o Evangelho de hoje, podemos ficar um pouco confusos, porque Jesus está dizendo duas coisas que talvez não sejam tão comuns. Primeiro, ele diz que Jesus veio trazer fogo. O fogo é aquilo que incendeia, e quando incendeia alguma coisa, ficamos preocupamos, porque vai queimar tudo e será uma tragédia!

O fogo a que Jesus se refere é o “fogo da graça”, sobretudo, o fogo do Seu Espírito, que chega para queimar e incendiar, para levantar o ar da graça. Primeiro, para queimar os nossos pecados, aquilo que, dentro de nós, é o fermento velho e o trigo velho, é o joio, aquilo que só destrói a nossa condição humana.


LITURGIA
1ª Leitura – Jr 38,4-6.8-10
Leitura do Livro do Profeta Jeremias 38,4-6.8-10
Naqueles dias: 4 Disseram os príncipes ao rei: ‘Pedimos que seja morto este homem; ele anda com habilidade lançando o desânimo entre os combatentes que restaram na cidade e sobre todo o povo, dizendo semelhantes palavras; este homem, portanto, não se propõe o bem-estar do povo, mas sim a desgraça.’
5 Disse o rei Sedecias: ‘Ele está em vossas mãos; o rei nada vos poderá negar.’ 6 Agarraram então Jeremias e lançaram-no na cisterna de Melquias, filho do rei, que havia no pátio da guarda, fazendo-o descer por meio de cordas. Na cisterna não havia água, somente lama; e assim ia-se Jeremias afundando na lama.
8 Ebed-Melec saiu da casa do rei e veio ter com ele, e falou-lhe:
9 ‘Ó rei, meu senhor, muito mal procederam esses homens em tudo o que fizeram contra o profeta Jeremias, lançando-o na cisterna para aí morrer de fome; não há mais pão na cidade.’ 10 O rei deu, então, esta ordem ao etíope Ebed-Melec : ‘Leva contigo trinta homens e tira da cisterna o profeta Jeremias, antes que morra.’
Palavra do Senhor.
Salmo – Sl 39,2.3.4.18 (R.14b
R.Socorrei-me, ó Senhor, vinde logo em meu auxílio!
2 Esperando, esperei no Senhor,* e inclinando-se, ouviu meu clamor. R.
3 Retirou-me da cova da morte* e de um charco de lodo e de lama. Colocou os meus pés sobre a rocha,* devolveu a firmeza a meus passos. R.
4 Canto novo ele pôs em meus lábios,* um poema em louvor ao Senhor. Muitos vejam, respeitem, adorem* e esperem em Deus, confiantes. R.
18 Eu sou pobre, infeliz, desvalido, porém, guarda o Senhor minha vida,* e por mim se desdobra em carinho. Vós me sois salvação e auxílio:* vinde logo, Senhor, não tardeis! R.
2ª Leitura – Hb 12,1-4
Leitura da Carta aos Hebreus 12,1-4 Irmãos:
1 Rodeados como estamos por tamanha multidão de testemunhas, deixemos de lado o que nos pesa e o pecado que nos envolve.
Empenhemo-nos com perseverança no combate que nos é proposto, 2 com os olhos fixos em Jesus, que em nós começa e completa a obra da fé.
Em vista da alegria que lhe foi proposta, suportou a cruz, não se importando com a infâmia, e assentou-se à direita do trono de Deus.
3 Pensai pois naquele que enfrentou uma tal oposição por parte dos pecadores, para que não vos deixeis abater pelo desânimo.
4 Vós ainda não resististes até ao sangue na vossa luta contra o pecado.
Palavra do Senhor.
Evangelho – Lc 12,49-53
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 12,49-53
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 49 Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! 50 Devo receber um batismo, e como estou ansioso até que isto se cumpra! 51 Vós pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer divisão.
52 Pois, daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas e duas contra três; 53 ficarão divididos: o pai contra o filho e o filho contra o pai; a mãe contra a filha e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora e a nora contra a sogra.’
Palavra da Salvação.
REFLETINDO O EVANGELHO 

Precisamos incendiar nossa casa, nossa família e trabalho, onde quer que estejamos, com o fogo da graça de Deus

 

Esse fogo nos incendeia por dentro, incendeia a nossa frieza e indiferença, o nosso pouco caso e a falta de gosto e apetite pelas coisas de Deus. O fogo se acende dentro de nós, alastra-se e passa. Se estou pegando fogo aqui e eu trisco em você, pegará fogo em você também e incendiará outros que estiverem ao seu lado.

Precisamos passar esse fogo para os outros; precisamos incendiar nossa casa, nossa família e trabalho, onde quer que estejamos com o fogo da graça de Deus!

Não seja aquele “foguinho morninho”, que o primeiro vento apaga. Estamos, muitas vezes, com essa labareda tão fraquinha, que não dá nem para esquentar uma água. Deus nos quer realmente pegando fogo, quer que nossa mente, nosso coração e todo o nosso ser sejam incendiados pelo fogo da graça de Deus.

Jesus diz: “Vocês imaginam que eu vim trazer paz sobre a terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer divisão(Lucas 12, 51). Muitos podem pensar: “Deus veio trazer a divisão?”. Sim, veio dividir o que é d’Ele do que não é, dividir aquilo que faz bem para o homem do que não faz bem; veio para dividir o que é bom do que é ruim, o bem daquilo que é mal. Na verdade, é a separação das águas.

Deus nos dá o discernimento, o fogo do Seu Espírito, para que, realmente, usemos fogo onde quer que estejamos, para que possamos discernir o que é de Deus daquilo que não é, o que faz bem para a nossa casa, para a nossa família, daquilo que não vai edificar, que não vai construir, com aquilo que não vai fazer bem.

Meus irmãos, deixemo-nos incendiar por essa Palavra de Deus, que pode até começar devagarinho, porém, na medida em que nos apossamos dela, vamos queimando por dentro, vamos ardendo aqui e ali e, de repente, toma conta do nosso ser.

Se um dia esse fogo acendeu sem você, se está fraco, está quase apagando ou já apagou, deixe-se acender pelo ar da graça de Deus, que faz nova todas as coisas!

Deus abençoe você!

Reflexão: Por Padre Roger Araújo – Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Portal Terra de Santa Cruz – A Serviço da Evangelização 

Papa Francisco: sacerdotes sejam simples e misericordiosos

O Papa Francisco reforçou, a necessidade de sacerdotes buscarem um diálogo constante com a Palavra de Deus e fez uma advertência àqueles que se contentam com uma vida “normal”. Em seu discurso à comunidade do Pontifício Seminário Lombardo de Roma, o Santo Padre também lembrou da importância do contato e da aproximação como bispo na atividade sacerdotal diocesana.

Para Francisco, o sacerdote que escolhe o caminho da normalidade se tornará um “sacerdote medíocre, ou pior”. “Então, este sacerdote começa a se contentar com um pouco da atenção recebida, julga o ministério com base em suas realizações e se contenta em buscar aquilo que lhe agrada, tornando-se morno e sem nenhum interesse real pelos outros”, destacou.https://youtu.be/H-4qdp7S9oc

 

Contato com o bispo

Em relação à comunhão com o bispo diocesano, o Papa lembrou que a característica do sacerdote diocesano é “precisamente a ‘diocesaneidade’, e a ‘diocesaneidade’ tem a sua pedra angular na relação frequente com o bispo, no diálogo e no discernimento com ele”.

“Um sacerdote que não tem um relacionamento assíduo com o seu bispo – relatou o pontífice – lentamente se isola do corpo diocesano e a sua fecundidade diminui, principalmente porque não exercita o diálogo com o Pai da Diocese.”

Olhar para com os pobres

O Papa recordou o modelo de vida de São Carlos Borromeu que, de acordo com ele, como Servo de Deus se preocupava principalmente com os pobres. “Mas – é sempre bom lembrar – só pode proclamar as palavras de vida apenas quem faz da própria vida um diálogo constante com a Palavra de Deus, ou melhor, com Deus que nos fala.”

O Pontífice pontuou ainda que “não convém uma formação segregada” e que “a oração, a cultura e o trabalho pastoral são pedras fundamentais de um único edifício”. Ao concluir, o Papa refletiu sobre a importância da união porque “os sacerdotes de hoje e de amanhã são homens espirituais e pastores misericordiosos, interiormente unificados pelo amor do Senhor e capacitados a difundir a alegria do Evangelho na simplicidade da vida”.

“ A evangelização, hoje, – disse o Papa Francisco – necessita voltar ao caminho da simplicidade. Simplicidade de vida, a fim de evitar todas as formas de duplicidade e mundanismo, o que é suficiente para a comunhão verdadeira com o Senhor e com os outros; simplicidade da linguagem: nem pregadores de doutrinas complexas, mas anunciadores de Cristo, morto e ressuscitado por nós.”

Por Rádio Vaticano

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

Papa Fracisco: Jesus, verdadeira Porta que nos leva à salvação

 O Papa encontrou milhares de peregrinos e fiéis, provenientes de diversas parte da Itália e do mundo, para a tradicional Audiência semanal nesta quarta-feira (10/08), na Sala Paulo VI.

Em sua catequese, Francisco partiu da passagem evangélica da “ressurreição de um jovem”. Trata-se de um milagre realmente grandioso. Porém, o ponto central desta narração não é o “milagre”, mas a ternura de Jesus com a mãe do jovem.

A misericórdia – disse o Papa – se apresenta aqui como uma grande compaixão de Jesus pela mulher, que havia perdido seu marido e, agora, acompanhava seu único filho ao cemitério. Esta grande dor de uma mãe comoveu Jesus, a ponto de realizar o milagre da ressurreição de seu filho.

Ao iniciar este episódio, recorda Francisco, o evangelista Lucas descreve alguns particulares: à porta da cidadezinha de Naim encontram-se dois grupos numerosos, que provêm de direções opostas e não têm nada em comum.

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Dor

Por sua vez, Jesus, acompanhado dos seus discípulos e de uma grande multidão, está para entrar na cidadezinha e se depara com o enterro de um jovem, com uma mãe viúva e muita gente. Ao ver a mulher, Jesus sentiu uma grande compaixão e, com uma grande misericórdia, tocou o caixão e enfrentou a morte. E o Papa ponderou:

“Durante este Jubileu seria bom que, ao passar pela Porta Santa, a ‘Porta da Misericórdia’, os peregrinos se recordassem deste episódio do Evangelho. Quando Jesus viu aquela mulher em lágrimas, ele entrou em seu coração. Ao passar pela Porta Santa cada uma leva a própria vida, com suas alegrias e sofrimentos, projetos e falências, dúvidas e temores, para apresentá-la à misericórdia divina”.

Além do sofrimento

Devemos estar cientes, acrescentou o Pontífice, que na Porta Santa o Senhor se aproxima de cada um de nós para oferecer a sua poderosa palavra consoladora: “Não chore”:

“Esta é a Porta do encontro entre a dor da humanidade e a compaixão de Deus. Ao passar pela Porta Santa realizamos a nossa peregrinação no âmbito da misericórdia de Deus, que hoje repete a nós, como fez com o jovem defunto: ‘Levante-se’. A palavra poderosa de Jesus realiza em nós a passagem da morte para a vida, nos faz reviver, nos dá esperança, fortalece os corações e nos leva para além do sofrimento e da morte”.

Porta

Em relação ao episódio, Jesus restitui o filho à sua mãe. Assim, ela se torna mãe pela segunda vez. Mãe e filho experimentam a misericórdia concreta do Senhor. Ele vai ao encontro do seu povo, a humanidade. Ele é a verdadeira Porta que nos conduz à salvação e nos restitui à vida nova. A sua Misericórdia nos conduz às obras de misericórdia.

Ao término da sua catequese semanal, o Papa passou a cumprimentar os diversos grupos de peregrinos em algumas línguas. Eis a saudação que fez em português:

Saudação em português

“Dirijo uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, em particular aos fiéis de Portugal e do Brasil. Queridos amigos, a experiência da compaixão misericordiosa de Deus nos deve impelir a levar os outros ao encontro com Jesus, que espera cada homem e cada mulher nas diversas Portas da Misericórdia espalhadas por todas as Igrejas particulares do mundo. Que Deus os abençoe!”

Antes de conceder a sua Bênção Apostólica, Francisco dirigiu uma saudação particular a algumas Religiosas, que estão realizando seus Capítulos Gerais, e à Ordem dos Padres Pregadores ou Dominicanos pelo oitavo centenário de sua fundação por São Domingos de Gusmão.

Por fim, o Santo Padre concedeu a todos a sua Bênção Apostólica!

Fonte: Vatican Radio

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz

JMJ: UMA JORNADA DE UNIDADE E PAZ/Por Dom Pedro Cunha Cruz

Sem sombra de dúvida, um dos maiores eventos no mundo que reúne um número expressivo de jovens é a Jornada Mundial da Juventude. É uma expressão de fé e unidade da Igreja, através da juventude de diversas partes do mundo, sinalizando a catolicidade da Igreja. É uma oportunidade de os jovens renovarem sua amizade com Cristo, indagar e escutar sua resposta que dá sentido e esperança aos ideais mais elevados. Aqui está o verdadeiro sentido existencial desta jornada juvenil.

JMJDOMPEDRO

A tomada de decisão de cada jovem pelo Cristo, como ação opção fundamental de sua vida, supõe uma relação pessoal de cada um com Ele, ou seja, uma adesão total e incondicional à sua pessoa e ao seu chamado a segui-lo livremente. Neste sentido, na missa conclusiva da JMJ papa Francisco Encorajou cada jovem ao dizer: “Não tenhais medo de lhe dizer ‘sim’ com todo entusiasmo do coração; de Lhe responder generosamente, de O seguir. Não desanimeis! Com o vosso e os nossos braços abertos, pregais esperança e sois uma benção para a única família humana, que aqui tão bem representais. ”

Mesmo sendo um evento organizado pela igreja, a Jornada Mundial da Juventude tornou-se uma imagem de unidade na diversidade de raças e nações, e um sinal de “contradição” no horizonte de conflitos e guerra em que o mundo tem vivido. Por isso, Papa Francisco pediu aos jovens um momento de silêncio e oração pela nossa história, ainda marcada pela guerra, sofrimento e intolerância. Nesta vertente, sua fala no sábado de virgília ainda ecoa em nossos ouvidos e consciência: “Não queremos vencer o ódio com o ódio, vencer a violência, vencer o terror com terror. A Nossa resposta a este mundo em guerra tem um nome: chama-se Comunhão, chama-se Família”.

Com estas palavras, Francisco ratifica seu apostolado marcado pela Misericórdia, a cultura do encontro e da paz; além de impulsionar nossos jovens e assumirem o protagonismo dinâmico e transformado na Igreja e por, por ela, no mundo. A aceitação deste apelo papal aos jovens foi abrilhantado pelo belo gesto dos jovens de países e culturas tão diversas, mas unidos pela fé, de apertarem as mãos uns dos outros.

Enfim, dentre tantas experiências positivas que este evento católico traz na sua pluralidade, ele lembra a cada um que somos todos membros de uma só família humana, que se expressa e se confirma em momento como este.

Dom Pedro Cunha Cruz – Bispo diocesano da Campanha-MG

Acesse: www.diocesedacampanha.org.br 

Adaptação/Foto: Portal terra de Santa Cruz – Boa Nova Web rádio – A serviço da Evangelização

São João Maria Vianney patrono dos Presbíteros-04 de agosto Dia do Padre!

“Por onde passam os Santos, Deus com eles passa”. Foi no ano de 1772, que um santo mendigo, Bento José Labre, passando por Dardilly, se hospedou na humilde casa dos Vianney.

A benção de Deus entrou com ele naquela mansão; pois poucos anos depois, nasceu lá aquele que no mundo inteiro é conhecido por João Vianney – o santo Cura d’Ars. Que eficácia maravilhosa da esmola! Deus dá a pobres camponeses um filho, que vem a ser um dos seus grandes servidores, recompensando assim uma obra de caridade, que dispensaram a um pobre mendigo.

João Batista Maria Vianney nasceu e foi batizado em 8 de maio de 1786. Desde a infância, manifestava uma forte inclinação à oração e um grande amor ao recolhimento. Muitas vezes era encontrado num canto da casa, jardim ou no estábulo, rezando, de joelhos, as orações que lhe tinham ensinado: o Padre-Nosso, a Ave-Maria, etc. Os pais, principalmente a piedosa mãe, Maria Belusa, cultivavam no filho esse espírito de religião e de piedade.

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Foto:Bruno Henrique/Imagem de São João Maria Vianney situada na Catedral de Santo Antônio em Campanha/MG

A França achava-se agitadíssima com os horrores da revolução e como os sacerdotes estivessem exilados ou encarcerados, não foi possível a João Vianney encontrar um mestre, que lhe desse algumas instruções sobre as ciências elementares. Era natural, pois, que passasse a mocidade entregue aos trabalhos do campo. Entretanto João continuava as práticas de piedade com todo fervor e o pecado era para ele coisa conhecida só de nome. Fez a primeira Comunhão numa granja, sendo que a perseguição religiosa não permitia o culto público nas igrejas.

Amainado o temporal da revolução, Vianney achou um grande amigo e protetor, na pessoa do Padre M. Balley, vigário de Ecully, que descobrira na alma de João qualidades superiores, que deviam ser aproveitadas e cultivadas, para a maior glória de Deus. Se era grande o fervor, admirável a virtude do jovem Vianney, se melhor mestre não podia haver do que o Padre Balley, tudo parecia desfazer-se diante de uma barreira, que se levantava insuportável: a falta de inteligência do estudante. Não fora a persistência imperturbável do santo sacerdote, Vianney teria desanimado, diante das dificuldades, que se lhe afiguravam invencíveis. Com as orações e a caridade redobrada que dispensava aos pobres, Vianney alcançou a graça de poder continuar os estudos com algum proveito. Quando estava prestes a ser recebido no seminário, veio-lhe ordem de apresentar-se à autoridade militar de Bayonne. Foram baldados os esforços do Padre Balley para obter isenção do serviço militar, para o protegido e pareciam aniquiladas de vez todas as esperanças. Vianney, caiu doente e passou quatorze meses nos hospitais de Lyon e de Roanne.

Passado esse tempo, ninguém mais se lembrou dele para o serviço militar e só assim pode matricular-se no pequeno Seminário de Verrières e mais tarde no grande Seminário de Santo Irineu. Mestres e alunos eram unânimes em conceder a Vianney a palma quanto à virtude e santidade entre os condiscípulos. O preparo intelectual do jovem, porém, era tão deficiente, que os mestres não se viram com coragem de apresentá-lo para a ordenação.

O vigário geral do Cardeal Fesch, Mons. Courbon, que em última instância devia decidir a questão, deu consentimento para que Vianney fosse admitido ao sacerdócio e o jovem, teólogo recebeu as santas Ordens a 9 de agosto de 1815. Vianney, contava já 29 anos.

Os primeiros três anos do sacerdócio passou-os na companhia e sob a direção do primeiro mestre e amigo, Padre Balley. Este faleceu e a Cúria episcopal nomeou Vianney Cura d’Ars. O novo campo de ação era o mais ingrato possível. Ars era um lugar sem religião. A Igreja deserta, os sacramentos não eram freqüentados, o trabalho no domingo, a freqüência de bailes e cabarés estavam na ordem do dia. Vianney, vendo o estado das coisas, teve ímpetos de abandonar tudo. “Que vou fazer aqui?” – exclamou. – Neste meio nada farei e tenho medo até de perder-me”. Mas logo o seu zelo se lhe reanimou. Fixou residência na matriz e sua primeira ocupação era rezar pela conversão dos paroquianos. Desde a manhã à noite, com pequenas interrupções, ficava de joelhos diante do altar do Santíssimo Sacramento. As frugalíssimas refeições ele mesmo as preparava.

Depois começou a procurar as famílias. Nas visitas lhes falava de Deus, dos Santos, das coisas da religião. Se bem que a maior parte não lhe ligasse importância, um ou outro reparava na batina rota e velha, na modéstia e piedade, no aspecto austero e mortificado do vigário. Pouco a pouco o povo ficou conhecendo o pároco, cujas orações e mais ainda o exemplo, acabaram por franquear-lhe o caminho aos corações de todos. Alguns começaram a freqüentar a santa Missa.

O número daqueles que acompanhavam o piedoso Cura na recitação do rosário, todas as tardes, crescia de dia para dia e depois de algum tempo, o Santíssimo não ficava nenhuma hora durante o dia, sem adorador. A Comunhão freqüente foi pelo Santo Cura introduzida na paróquia, com muita felicidade. Para as senhoras se fundou a Confraria do Rosário e para os homens a Irmandade do Santíssimo Sacramento.

Tendo assim elevado a certa altura a vida religiosa na paróquia, Vianney passou a combater os abusos. O zelo de pastor dirigiu-se principalmente contra os cabarés, as danças e a profanação do domingo. Sem recorrer a meios rigorosos e ameaças, fazendo, pelo contrário, prevalecer a caridade, Vianney conseguiu que um cabaré após outro, se fechasse. Quanto à dança, os espíritos se dividiram em duas correntes: uma a favor da campanha do vigário e outra contra. Veio a festa de São Sixto, padroeiro do lugar. O baile fazia parte integrante do programa dos festejos profanos. Fizeram-se os convites do costume. Mas a decepção dos moços foi grande, quando à hora do baile, nenhuma moça lá apareceu. E o baile não se realizou.

Restava ainda restabelecer o domingo, em toda a sua dignidade. Tão freqüentes, tão insistentes e persuasivas eram as exortações do vigário, a respeito do trabalho no domingo, que determinaram mudança completa no pensamento do povo, que em seguida, passou a observar, com todo o rigor, o descanso dominical.

Ars estava renovada. Os vícios já não existiam. Abusos foram extirpados. Todos queriam ser bons cristãos. Respeito humano era coisa desconhecida em Ars. Incorreria na censura pública quem não quisesse praticar a religião. Não se ouvia mais nenhuma blasfêmia; não existia inimizade alguma em Ars. Ao toque do Ângelus os homens se descobriam e interrompiam o trabalho, para rezar as Ave-Marias. O confessionário se via assediado, até altas horas da noite. Aos domingos a igreja estava sempre repleta, por ocasião das missas, das vésperas, do catecismo e do terço. Foi preciso o vigário alargar a matriz e construir novas capelas, como as de São João Batista, de Santa Filomena, de Ecce Homo e a dos Santos Anjos.

Conhecendo a grande miséria das almas e os perigos em que se achavam as pobres órfãs, Vianney fundou na paróquia um asilo, a que deu o nome de “Providência”. Para as asiladas era um pai que sacrifícios não media, para que nada lhes faltasse. Essa fundação, em si tão útil e boa, foi para Vianney uma fonte de desgostos. Mais de uma vez lhe sobreveio o desânimo e profundamente desgostoso, exclamava: “Ah ! se tivesse sabido o que quer se dizer ser sacerdote, eu teria procurado a minha salvação na Cartuxa ou na Trappa”. Por duas vezes tentou fugir de Ars para ver-se livre do pesado fardo do ministério pastoral.

O segredo dos grandes resultados espirituais, na paróquia de Ars, estava unicamente na santidade do Cura. Vianney era homem da oração e da penitência. A um colega que o visitou e dolorosamente se queixou do triste estado em que se achava, perguntou: “Rezastes entre lágrimas? Não é bastante. Jejuastes já? Deitastes-vos sobre o chão duro e tomastes a disciplina? Se ainda não o fizestes, não penseis ter feito tudo”. O que a outros aconselhava ele o praticava. Levava vida de extrema pobreza. Dos pobres da paróquia era Vianney o mais pobre. Possuía uma só batina e esta cheia de remendos. O estado do chapéu era tal, que provocava o riso dos colegas. Vianney não possuía nada e nada guardava. E quanto bem não fez às órfãs, e aos pobres! A vida austeridade, em nada difere da vida Cura d’Ars, com a dos grandes eremitas do deserto do Egito. Quando muito, tomava três refeições cheias por semana, e que refeições! O “cardápio” não constava senão dumas ervas cruas, pão seco e água. O sono era um repouso de duas horas apenas. Quando se tratava da conversão dum pecador, mais apertava o jejum, e a cama trocada pelo chão. A saúde de Vianney era fraquíssima.

O Santo sofria cruciantes dores nos intestinos, dores de cabeça violentas. Vinte vezes esteve doente e vinte vezes se curou subitamente, fato que grande admiração causou aos médicos. Houve quem lhe dissesse que suas penitências excediam os limites do lícito e Vianney respondeu-lhe: “O Senhor não sabe que meus pecados exigem um tratamento como este”. Além destas práticas comuns de penitência, Vianney usava ainda outras como: a flagelação, o cilício, etc.

Se com aquela santa vida agradava a Deus, tanto mais provocava as iras do inimigo, que o perseguia com toda a sorte de malefícios, chegando a ponto de fisicamente o maltratar. As influências diabólicas devem ser atribuídas também às calúnias, de que Vianney foi vítima. Tudo isso, porém, não conseguia roubar-lhe o contentamento íntimo e a alegria da alma.

Nos últimos anos o organismo lhe denunciava um estado de fraqueza extraordinário. Quando rezava o terço na igreja, sua voz era quase imperceptível. No mês de maio de 1843 lhe sobreveio uma forte pneumonia, que lhe pôs em grande perigo a vida. Vianney pediu que lhe administrassem os santos Sacramentos do Viático e da extrema Unção. Aprovado pela expectativa da morte, o Santo invocou uma grande Padroeira Santa Filomena pedindo que o curasse, ainda que fosse necessário um milagre. Santa Filomena, curou-o e consolou-o com sua aparição.

Vianney possuía um grande amor ao Santíssimo Sacramento. Este amor, este fogo se manifestava nas visitas que fazia a Jesus na Eucaristia, nas alocuções e principalmente na Santa Missa. Quem o via celebrar, tinha a impressão do celebrante ver o próprio Nosso Senhor. Deste amor lhe brotava o culto aos grandes amigos de Deus: a São João Batista, a São José, a Santa Filomena, sua padroeira por excelência e à Santíssima Virgem. Daí também o zelo infatigável pela conversão dos pecadores.

Vianney não era só pastor das almas de Ars. Deus quis que o pobre Cura fosse o Apóstolo universal do século. A santidade do pobre Vianney atraía as almas, que nas suas necessidades o procuravam, para a ele se confessar e dele receber conselhos e conforto. Esta afluência durou trinta anos e só por uma intervenção sobrenatural pode ser explicada. As peregrinações a Ars começaram em1826.

De 1835 em diante, o número anual de peregrinos que procuravam o Cura d’Ars, excedia a 80.000. Eram leigos e sacerdotes, bispos e cardeais, sábios e ignorantes, que vinham ajoelhar-se-lhes aos pés. Em 1843 recebeu um coadjutor e os missionários diocesanos vinham de vez em quando lhe prestar serviços também. Inúmeros eram os milagres que se operaram na humilde casa do Cura d’Ars. Tão numerosas eram as curas, devidas à intervenção de Vianney, que alguém um dia lhe disse: “Senhor Cura, basta que digais apenas: quero que estejas curado e a cura está feita”. Vianney ouvia os doentes em confissão e dirigia-os à capela de Santa Filomena. Era lá que os milagres se efetuavam. Só Deus sabe quantas conversões se realizaram em Ars, quantas almas lá encontraram a paz desejada.

Vianney morreu a 4 de agosto de 1859, mas a sua memória ainda está viva e glorioso se lhe tornou o túmulo. Declarado “venerável” por Pio IX, em 1925 lhe foi conferida a honra dos altares, pela solene canonização proferida pelo Papa Pio XI.

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Reflexões

E’ o imortal merecimento do Pe. Balley, ter descoberto e cultivado a vocação sacerdotal de seu pequeno paroquial João Batista Vianney. Não fossem o zelo e o interesse verdadeiramente paternais desse sacerdote, a Igreja não teria talvez o grande Santo d’Ars, padroeiro dos párocos. A bibliografia conta-nos as dificuldades insuperáveis quase com que o estudante Vianney tinha que lutar, para chegar ao sacerdócio. A boa vontade, o trabalho esforçado, a oração, tiveram como recompensa o apoio da divina graça, que fez do pobre menino de Dardilly um grande Santo, glória da sua terra e da Igreja de Deus.

Conta-se Ainda que ao aproximar-se a sua ordenação, o vigário geral reunido com alguns padres, ponderaram a inconveniência em lhe conceder o sacramento da Ordem, porque João Batista “era muito burro”, conforme comentaram entre si num momento de reunião, não com maldade, mas com a sinceridade de quem estava convencido da incapacidade intelectual de quem iria assumir tão elevado cargo. Nesse momento, João Batista estava chegando e ouviu ainda na ante-sala o constrangedor comentário. Ali ele aguardou a saída dos padres, e foi ter com o vigário. Antes de iniciar a conversação, o santo lhe pediu licença e disse: “Padre, se com uma atiradeira feita da mandíbula de um burro, Davi conseguiu derrubar Golias, imagine o que o senhor poderá fazer tendo nas mãos um burro inteiro!” Estas palavras foram suficientes para revogar a intenção do vigário que, logo em seguida, o enviaria à comunidade de Ars.

De fato, mais que Davi diante de Golias, nosso santo assumiu a paróquia com número ínfimo de católicos, sendo o restante do povo, pagão e completamente entregue aos divertimentos profanos e toda espécie de imundícies e vícios. Na fraqueza do santo, Deus manifestou a força, na limitação intelectual, sabedoria. A pregação, o apostolado, os milagres resultaram em sucessivas conversões. As árvores secas esverdearam e belos frutos de santidade multiplicaram extraordinariamente no campo do Senhor. Pouco antes de morrer, o Cura D’Ars pôde contemplar o resultado: Praticamente toda a cidade convertida.

Boas vocações vem do céu; é Deus que as dá. “Grande é a messe, diz Nosso Senhor, e poucos são os operários; pedi, pois ao Senhor da messe, para que mande operários para a sua messe”. Grande é a messe do Senhor e poucos são os Padres. São as famílias que devem fornecer as vocações; é das famílias que Deus, o Senhor da messe quer escolher seus operários. Trabalhemos, pois, cada um no lugar que Deus lhe determinou na sociedade, pela santificação da família, pela compreensão da sublimidade do sacerdócio; rezemos, para que o reino de Cristo se firme cada vez mais nas famílias; o reino de Cristo com seu espírito de sacrifício e de oração; rezemos pela santificação dos pais, das mães; pais santos, mães santas, que não deixam a Igreja sem sacerdotes. Da árvore do matrimônio virá o fruto santo do sacerdócio.

De São João Batista Vianney são as seguintes considerações, apropriadas aos nossos tempos:

1. “Devemos trabalhar para tornar-nos merecedores de receber a Santíssima Eucaristia todos os dias. Se não nos é possível comungar diariamente substituamos a Comunhão real pela espiritual, que pode ser feita a cada instante; e nós devemos ter o desejo ardente de receber Deus Nosso Senhor.

A Comunhão é para a alma o que o sopro é para o fogo, que está para apagar-se. – Ide à Comunhão, ide a Jesus! Ide viver dele para viver com Ele. Não digais que tendes muito que fazer. Não disse Nosso Senhor: Vinde a mim: vós que trabalhais e vos achais sobrecarregados? Não digais que não sois dignos. Tendes razão, mas é verdade também que d’Ele precisais. Se Nosso Senhor tivesse tido em vista a vossa dignidade, jamais teria instituído o belo sacramento do amor. Não digais que sois tão miseráveis. Gostaria mais de vos ouvir dizer que estais muito doentes e por isso deixais de chamar o médico. – Todos os seres necessitam do alimento para viver.

O alimento da alma é Deus. A alma só de Deus pode viver e nada mais a satisfaz, senão Deus”.

2. Sobre as danças dizia Vianney: “Vede meus irmãos, as pessoas que vão ao baile, deixam o Anjo da Guarda na porta e é um demônio que lhe toma o lugar, de modo que há no salão tantos demônios, quantos são os dançarinos”.- Se no tempo de Vianney assim já era, o que diria ele, se visse determinadas danças de hoje, que são a vergonha do nosso século? Especialmente em bailes onde a impureza jorra, a pancadaria impera, a violência produz desgraça? Isto bem conhecemos pela imprensa que, diariamente noticia consumo de drogas, brigas intensas, assassinatos fúteis em boates movidas por músicas frenéticas, embalos alucinantes e letras escandalosamente malignas.

3. A respeito da santidade do domingo, ouviu-se Vianney muitas vezes dizer: “Vós trabalhais, mas o ganho arruína o vosso corpo e a vossa alma. Se perguntasse àqueles que no domingo trabalham: Que estais a fazer? Eles poderiam responder: Estou vendendo a minha alma ao demônio; Estou crucificando Nosso Senhor; estou renegando o meu batismo!… Oh! Como se engana aquele que aproveita do domingo, pensando que ganha mais dinheiro! Vós tendes a convicção de que tudo depende do vosso trabalho; é engano. Ora vem uma doença, um acidente… é preciso tão pouca coisa… uma tempestade, uma chuva… Deus tem tudo na mão; ele pode vingar-se quando e como quer… Conheço dois meios para empobrecer: “Trabalhar no domingo e roubar bens alheios”.

Fonte: Página Oriente

Foto/Reprodução: Portal Terra de Santa Cruz