Primaz da Polônia: Francisco foi um grande presente

A Polônia está agradecida ao Papa Francisco. Esta é a mensagem singela que brota do coração da Igreja local, tocada pela estima e pelas palavras que o Papa dirigiu aos sacerdotes, consagrados e leigos. Desta gratidão se faz intérprete o Arcebispo Metropolita de Gnienzo e Primaz da Polônia, Dom Wojcieh Polak, entrevistado pela Rádio Vaticano:

“Penso que todos os poloneses – também nós – sentimos uma abertura grande pelo nosso povo e também uma grande estima que o Papa Francisco nos demonstrou, dando também um belíssimo ensinamento, muito profundo, muito espiritual: nos delineou um pouco as diretrizes para o nosso povo e também para a Igreja na Polônia. Sobretudo pedindo-nos para sermos claros com a nossa identidade cristã, com a proximidade de Cristo e também com a proximidade com os outros. Durante o seu discurso em Jasna Gora ele nos deu uma belíssima direção, dizendo que as coisas mais importantes são as menores, aquelas que estão muito próximas à nossa vida, e aquelas que são concretas, isto é, não abstratas, não ideológicas, mas precisamente “de vida”. E também quando no Santuário de São João Paulo II falou diante dos sacerdotes, à vida consagrada, às pessoas consagradas, aos futuros sacerdotes, também, sobre estas diretrizes da nossa vida, da nossa identidade sacerdotal, da identidade das pessoas consagradas, dizia que devemos ter presente fortemente a nossa consagração a Cristo e à Igreja”.

RV: Mais uma vez vimos o amor do povo polonês pelo Sucessor de Pedro: claramente, Karol Wojtyla estará para sempre no coração dos poloneses, mas também o foi assim com Bento XVI e agora com o Papa Francisco se viu um entusiasmo até mesmo comovente…

“Penso que seja uma linha constante na vida de nosso povo; talvez antes de João Paulo II estávamos – o sabemos – atrás do Muro: esta “Cortina de Ferro” nos dividia muito, também pela mídia, também por estes contatos, que eram realmente raros. Nós queríamos, há 50 anos, que o Papa Paulo VI pudesse ter estado em meio a nós, mas o regime comunista não permitiu que ele viesse. (No seu lugar) havia um lugar vazio com um ramalhete de flores. Enquanto que com João Paulo II nós nos aproximamos, não somente à pessoa do Papa, mas sobretudo ao Vigário de Cristo na terra. Nos aproximamos: penso que tantas pessoas tenham se aproximado interiormente precisamente da Sé Apostólica. Para nós é algo muito importante, também para as pessoas, que devemos acolher com coração aberto a cada Sucessor de Pedro”.

RV: O que representa para a Polônia, para a Igreja, mas não somente, esta JMJ em terras polonesas? Uma JMJ em um momento tão particular também para a Europa…. O Papa Francisco disse mais vezes: “Não somente a Igreja, mas o mundo olha para vocês”….

“Para nós é um grande dom. Não me canso de repetir que para nós o Papa Francisco deu um grande presente, um grande dom, uma grande graça de vir com as pessoas, com os jovens, precisamente a Cracóvia, dando este sinal visível que permanecerá no coração dos poloneses. E esperamos para a nossa Igreja, para o nosso povo, que também nós possamos ser estes sinais visíveis, quer para os outros crentes, mas também para o mundo: esta será também a nossa missão aqui, na Terra, de dar sinais de esperança, de proximidade, de sentimento de Deus às pessoas”.

Por Rádio Vaticano 

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz – A Serviço da Evangelização 

A Jornada Mundial da Juventude retorna à América! Papa Francisco fez o anúncio oficial na oração do Ângelus

A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) será realizada pela quinta vez em sua história no continente americano, anunciou o Papa Francisco nesta manhã, no Campus Misericordia de Cracóvia, Polônia. O país escolhido é o Panamá.

Homilia da Missa conclusiva da JMJ – Texto integral

Na manhã de domingo (31/07) o Papa Francisco presidiu no Campus Misericordiae a Missa conclusiva da Jornada Mundial da Juventude 2016 em Cracóvia. Eis o texto na íntegra:

“Queridos jovens, vocês vieram a Cracóvia para encontrar Jesus. E o Evangelho de hoje fala-nos precisamente do encontro entre Jesus e um homem, Zaqueu, em Jericó (cf. Lc 19, 1-10). Aqui, Jesus não Se limita a pregar ou a saudar alguém, mas quer – diz o Evangelista – atravessar a cidade (cf. v. 1). Em outras palavras, Jesus deseja aproximar-Se da vida de cada um, percorrer o nosso caminho até ao fim, para que a sua vida e a nossa se encontrem verdadeiramente.

 E assim acontece o encontro mais surpreendente, o encontro com Zaqueu, o chefe dos «publicanos», isto é, dos cobradores de impostos. Zaqueu era um rico colaborador dos odiados ocupantes romanos; era um explorador do seu povo, alguém que, pela sua má reputação, não podia sequer aproximar-se do Mestre. Mas o encontro com Jesus muda a sua vida, como sucedeu ou pode sucede a cada dia com cada um de nós. Entretanto Zaqueu teve de enfrentar alguns obstáculos para encontrar Jesus: pelo menos três, que podem dizer algo também a nós.
O primeiro é a baixa estatura: Zaqueu não conseguia ver o Mestre, porque era pequeno. Também hoje podemos correr o risco de ficarmos distantes de Jesus, porque não nos sentimos à altura, porque temos uma opinião negativa de nós mesmos. Esta é uma grande tentação, que não tem a ver apenas com a autoestima, mas diz respeito também a fé. Porque a fé nos diz que somos «filhos de Deus; e, realmente, o somos» (1 Jo 3, 1): fomos criados à sua imagem; Jesus assumiu a nossa humanidade, e o seu coração não se afastará jamais de nós; o Espírito Santo deseja habitar em nós; somos chamados à alegria eterna com Deus. Esta é a nossa «estatura», esta é a nossa identidade espiritual: somos os filhos amados de Deus, sempre. Compreendeis então que não aceitar-se, viver descontentes e pensar de modo negativo significa não reconhecer a nossa identidade mais verdadeira? É como voltar-se para o outro lado enquanto Deus quer colocar o seu olhar sobre mim, é querer apagar o sonho que Ele tem para mim. Deus ama-nos assim como somos, e nenhum pecado, defeito ou erro o fará mudar de ideia. Para Jesus – assim mostra o Evangelho –, ninguém é inferior e distante, ninguém é insignificante, mas todos somos prediletos e importantes: tu és importante! E Deus conta contigo por aquilo que és, não pelo que tens: a seus olhos, não vale nada a roupa que vestes ou o celular que usas; não importa a Ele se andas na moda ou não, o que lhe importa é você. A seus olhos, você vale; o valor de você é inestimável.

Quando acontece na vida diminuirmo-nos em vez de nos ensoberbarmos, pode ajudar-nos esta grande verdade: Deus é fiel em amar-nos, até mesmo obstinado. Ajudar-nos-á pensar que Ele nos ama mais do que nos amamos nós mesmos, que crê em nós mais de quanto acreditamos nós mesmos, que sempre nos apoia como o mais irredutível dos nossos fãs. Sempre nos aguarda com esperança, mesmo quando nos fechamos nas nossas tristezas e dores, remoendo continuamente as injustiças recebidas e o passado. Mas, afeiçoar-nos à tristeza, não é digno da nossa estatura espiritual. Antes pelo contrário; é um vírus que infecta e bloqueia tudo, que fecha todas as portas, que impede de reiniciar a vida, de recomeçar. Deus, por seu lado, é obstinadamente esperançoso: sempre acredita que podemos levantar-nos e não Se resigna a ver-nos apagados e sem alegria. Porque somos sempre os seus filhos amados. Lembremo-nos disto, no início de cada dia. Far-nos-á bem dizê-lo na oração, todas as manhãs: «Senhor, agradeço-Vos porque me amais; fazei-me enamorar da minha vida». Não dos meus defeitos, que hão de ser corrigidos, mas da vida, que é um grande dom: é o tempo para amar e ser amado.

Zaqueu tinha um segundo obstáculo no caminho do encontro com Jesus: a vergonha paralisadora. Podemos imaginar o que se passou no coração de Zaqueu antes de subir àquele sicômoro: teria havido  uma grande luta; por um lado, uma curiosidade boa, a de conhecer Jesus; por outro, o risco de fazer um papelão. Zaqueu era uma figura pública; sabia que, tentando subir na árvore, faria papel de ridículo aos olhos de todos: ele, um líder, um homem de poder. Mas superou a vergonha, porque a atração de Jesus era mais forte. Teria experimentado o que acontece quando uma pessoa experimenta quando alguém lhe parece tão fascinante, a ponto de enamorar-se: então pode acontecer que fazemos voluntariamente coisas que de outro modo nunca teríamos feito. Algo semelhante aconteceu no coração de Zaqueu, quando sentiu que Jesus era tão importante que, por Ele, estava pronto a tudo, porque Ele era o único que poderia retirá-lo das areias movediças do pecado e da infelicidade. E assim a vergonha que paralisa não levou a melhor: Zaqueu – diz o Evangelho – «correndo à frente, subiu» e depois, quando Jesus o chamou, «desceu imediatamente» (vv 4.6). Arriscou e colocou-se em jogo. Aqui está também para nós o segredo da alegria: não apagar a boa curiosidade, mas colocar-se em jogo, porque a vida não se deve fechar numa gaveta. Perante Jesus, não se pode ficar sentado à espera de braços cruzados; a Ele que nos dá a vida, não se pode responder com um pensamento ou com uma simples «mensagem».

Queridos jovens, não vos envergonheis de entregar tudo a ele, especialmente as fraquezas, as fadigas e os pecados na Confissão: Ele saberá surpreender-vos com o seu perdão e a sua paz. Não tenhais medo de dizer «sim» a Ele com todo o entusiasmo do coração, de responder a Ele generosamente, de segui-lo. Não vos deixeis anestesiar a alma, mas apostai no amor formoso, que requer também a renúncia, e um «não» forte à facilidade do sucesso a todo o custo e à droga de pensar só em si mesmo e nas próprias comodidades.

Depois da baixa estatura e da vergonha paralisante, houve um terceiro obstáculo que Zaqueu teve de enfrentar, não dentro de si mesmo, mas ao seu redor. É a multidão murmuradora, que primeiro o bloqueou e depois criticou-o: Jesus não devia entrar na casa dele, na casa dum pecador. Como é difícil acolher verdadeiramente Jesus! Como é árduo aceitar um «Deus, rico em misericórdia» (Ef 2, 4)! Poderão obstaculizar-vos, procurando fazer-vos crer que Deus é distante, rígido e pouco sensível, bom com os bons e mau com os maus. Ao contrário, o nosso Pai «faz com que o Sol se levante sobre os bons e os maus» (Mt 5, 45) e convida-nos a uma verdadeira coragem: ser mais fortes do que o mal amando a todos, incluindo os inimigos. Poderão rir-se de vós, porque acreditais na força mansa e humilde da misericórdia. Não tenhais medo, mas pense nas palavras destes dias: «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mt 5, 7). Poderão considerar-vos sonhadores, porque acreditais numa humanidade nova, que não aceita o ódio entre os povos, não vê as fronteiras dos países como barreiras e guarda as suas próprias tradições, sem egoísmos nem ressentimentos. Não desanimeis! Com o vosso sorriso e os vossos braços abertos, pregais esperança e sois uma bênção para a única família humana, que aqui tão bem representais.

Naquele dia, a multidão julgou Zaqueu, mediu-o de cima a baixo; mas Jesus fez o contrário: levantou o olhar para ele (v. 5). O olhar de Jesus ultrapassa os defeitos e vê a pessoa; não se detém no mal do passado, mas entrevê o bem no futuro; não se resigna perante os fechamentos, mas procura o caminho da unidade e da comunhão; único no meio de todos, não se detém nas aparências, mas vê o coração. Com este olhar de Jesus, vós podeis fazer crescer outra humanidade, sem esperar louvores, mas buscando o bem por si mesmo, felizes por conservar o coração limpo e lutar pacificamente pela honestidade e a justiça. Não vos detenhais à superfície das coisas e desconfiai das liturgias mundanas do aparecer, da maquilhagem da alma para parecer melhor. Em vez disso, instalai bem a conexão mais estável: a de um coração que vê e transmite o bem sem se cansar. E aquela alegria que gratuitamente recebestes de Deus, gratuitamente dai-a (cf. Mt 10, 8), porque muitos esperam por ela.

Ouçamos, por fim, as palavras de Jesus a Zaqueu, que parecem ditas de propósito para nós hoje: «Desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa» (v. 5). Jesus dirige-te o mesmo convite: «Hoje tenho de ficar em tua casa». A JMJ – poderíamos dizer – começa hoje e continua amanhã, em casa, porque é lá que Jesus te quer encontrar a partir de agora. O Senhor não quer ficar apenas nesta bela cidade ou em belas recordações, mas deseja ir a tua casa, habitar a tua vida de cada dia: o estudo e os primeiros anos de trabalho, as amizades e os afetos, os projetos e os sonhos. Como Lhe agrada que tudo isto seja levado a Ele na oração! Como espera que, entre todos os contactos e os chat de cada dia, esteja em primeiro lugar o fio de ouro da oração! Como deseja que a sua Palavra fale a cada uma das tuas jornadas, que o seu Evangelho se torne teu e seja o teu «navegador» nas estradas da vida!

Ao pedir para ir a tua casa, Jesus – como fez com Zaqueu – chama-te por nome. O teu nome é precioso para Ele. O nome de Zaqueu evocava, na linguagem da época, a recordação de Deus. Fiai-vos na recordação de Deus: a sua memória não é um «disco rígido» que grava e armazena todos os nossos dados, mas um coração terno e rico de compaixão, que se alegra em eliminar definitivamente todos os nossos vestígios de mal. Tentemos, também nós agora, imitar a memória fiel de Deus e guardar o bem que recebemos nestes dias. Em silêncio, façamos memória deste encontro, guardemos a recordação da presença de Deus e da sua Palavra, reavivemos em nós a voz de Jesus que nos chama por nome. Assim rezemos em silêncio, fazendo memória, agradecendo ao Senhor que aqui nos quis e encontrou”.

Por Radio Vaticano 

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

ESPECIAL JMJ: Missa conclusiva da JMJ,criem uma nova humanidade, diz Papa Francisco.

Quinto e último dia da XV Viagem Apostólica do Santo Padre que o levou à Polônia.O Papa deixou a sede do arcebispado de Cracóvia, na manhã deste domingo (31/7) e se dirigiu, novamente, ao “Campus Misericordiae”, a 12 km., para presidir à solene Santa Missa de encerramento da XXXI JMJ.

“Jesus assumiu a nossa humanidade e o seu coração nunca se afastará de nós; o Espírito Santo quer habitar em nós; somos chamados à alegria eterna com Deus”

Ao chegar à localidade, o Pontífice abençoou uma das duas Casas que, depois da JMJ, será dedicada à Assistência de idosos em dificuldade e pobres; a outra servirá como sede da Caritas local.

Depois de aspergir, com a água benta, as pessoas presentes, o ambiente e a imagem de Nossa Senhora de Loreto, tomou o papamóvel e deu uma volta entre os milhares de jovens que se encontravam no “Campus Misericordiae”, muitos dos quais passaram a noite ali em oração e meditação diante do SS. Sacramento exposto sobre o altar.

A seguir dirigiu-se à sacristia para se paramentar e dar início ao grande evento do dia: a celebração Eucarística conclusiva da JMJ. Concelebraram cerca de 1.200 bispos e arcebispos e mais de 15 mil sacerdotes.

Em Cracóvia para encontrar Jesus

No início da Santa Missa, o Cardeal-arcebispo de Cracóvia, Dom Stanislaw Dziwisz, fez uma saudação ao Papa e numerosos presentes. Depois, ao pronunciar sua homilia, Francisco recordou inicialmente que os jovens se encontram em Cracóvia para encontrar Jesus, com base no Evangelho de hoje que fala do encontro, Jericó, entre Jesus e um homem, chamado Zaqueu:

“Jesus não se limita a pregar ou a saudar alguém, mas atravessa a cidade. Em outras palavras, Jesus quer se aproximar da vida de cada um, percorrer o nosso caminho até ao fim, para que a sua vida e a nossa se encontrem concretamente”.

Assim dá-se o encontro tão surpreendente com Zaqueu, o chefe dos Publicanos, isto é, dos cobradores de impostos. Zaqueu era um rico, colaborador dos odiados romanos; era um explorador do povo, uma pessoa que, pela sua má reputação, nem devia sequer aproximar-se do Mestre. Porém, disse o Santo Padre, este encontro com Jesus mudou a sua vida, como poderia acontecer com cada um de nós:

Baixa estatura, vergonha paralisante, multidão murmurante

“Zaqueu, porém, teve que enfrentar alguns obstáculos para encontrar Jesus: pelo menos três, que podem servir de exemplo também para nós: baixa estatura, vergonha paralisante, multidão murmurante”.

Começando pelo primeiro obstáculo, a sua “baixa estatura”, o Papa disse que Zaqueu não conseguia ver o Mestre, porque era baixinho. Também hoje – explicou – podemos correr o risco de ficar distante de Jesus, porque não nos sentimos à altura, porque temos uma baixa estima de nós mesmos. Esta é uma grande tentação, que não tem a ver apenas com a autoestima, mas com a fé:

“Jesus assumiu a nossa humanidade e o seu coração nunca se afastará de nós; o Espírito Santo quer habitar em nós; somos chamados à alegria eterna com Deus. Eis a nossa estatura, a nossa identidade espiritual: não aceitar-nos e viver descontentes e de modo negativo significa não reconhecer a nossa verdadeira identidade. Deus nos ama como somos e nenhum pecado, defeito ou erro lhe fará mudar de ideia”.

Para Jesus, ninguém é insignificante

Para Jesus, ninguém é inferior e distante, ninguém é insignificante. Pelo contrário, todos somos prediletos e importantes! Deus conta conosco pelo que somos, não pelo que temos; ele nos aguarda com esperança, acredita em nós e nos ama! Aqui, Francisco passou a explicar o segundo obstáculo que Zaqueu tinha para encontrar Jesus: uma “vergonha paralisante”:

“Podemos imaginar o que aconteceu no coração de Zaqueu, antes de subir ao sicômoro: deve ter havido uma grande luta; por um lado, uma curiosidade boa: conhecer Jesus; por outro, o risco de fazer um papelão”.

Zaqueu era um personagem público, um líder, um homem de poder e sabia que, ao subir à árvore, faria um papel ridículo; ele, porém, venceu a vergonha, porque a atração por Jesus era mais forte. Ele estava pronto a tudo, porque Jesus era o único que poderia livrá-lo do pecado e da infelicidade. Quando ele o chamou, desceu imediatamente e colocou-se em jogo. E o Pontífice exortou:

Apostem no amor

“Queridos jovens, não tenham vergonha de apresentar-lhe tudo na Confissão: fraquezas, cansaço, pecados, pois Ele os surpreenderá com o seu perdão e a sua paz. Não tenham medo de dizer-lhe ‘sim’ com todo o entusiasmo do coração, de responder-lhe com generosidade, de segui-lo. Apostem no belo amor, que requer renúncia ao sucesso forçado e à droga de pensar só em si e nas próprias comodidades”.

Por fim, depois da “baixa estatura” e da “vergonha paralisante”, o Santo Padre explicou terceiro obstáculo que Zaqueu teve que enfrentar: a “multidão murmurante”, que o bloqueou e o criticou, dizendo que Jesus não devia entrar na casa dele, por era um pecador. Como é difícil acolher Jesus e aceitar um Deus “rico em misericórdia”! Mas, ele nos convida a ter coragem, a ser mais fortes que o mal. Os outros poderão rir de nós por acreditarmos na força da misericórdia. E dirigindo-se de modo particular aos jovens da JMJ, Francisco deixou seu recado:

Nova humanidade

“Não tenham medo, mas pensem nas palavras destes dias: ‘Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia’. Vocês poderão parecer sonhadores em acreditar numa humanidade nova, que rejeita o ódio entre os povos e as barreiras dos países, que mantém suas tradições, sem egoísmos ou ressentimentos. Não desanimem! Com seu sorriso e braços abertos transmitam esperança, pois vocês são uma bênção para a família humana”.

Em suma, enquanto a multidão criticava e julgava Zaqueu, Jesus levantou seu olhar para ele, um olhar que vai além dos defeitos e pecados. Assim, ele entrevê o bem futuro, não se resigna perante a obstinação, mas busca o caminho da unidade e da comunhão; Jesus não se detém nas aparências das pessoas, mas olha seu coração. E o Papa ponderou:

“Com este olhar de Jesus, vocês podem criar uma nova humanidade, sem esperar recompensa, mas buscando o bem, felizes de ter um coração puro e lutando, de modo pacífico, pela honestidade e a justiça. Não sejam superficiais, desconfiem das aparências mundanas. Mas, tenham um coração que vê e transmite o bem, sem cessar. Contagiem o mundo com a alegria que receberam gratuitamente de Deus.

Hoje, disse por fim Francisco, Jesus nos diz, como fez com Zaqueu: “Desça depressa, pois hoje vou ficar na sua casa”. Logo, a JMJ, poderíamos dizer, começa hoje e continua em suas casas, porque é lá que Jesus vai encontrá-los, a partir de agora. O Senhor não quer ficar apenas nesta bela cidade ou nas belas recordações, mas agir em suas vidas: no estudo, no trabalho, nas amizades, nos afetos, nos projetos e nos sonhos.

Tudo, porém, recomendou o Papa, deve realizar-se na oração, na Palavra de Deus, no Evangelho! Respondamos a Jesus que nos chama por nome. Façamos memória, agradecidos, do que vimos e ouvimos aqui.

Por Radio Vaticano 

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

 

ESPECIAL JMJ: Uma noite no Campus Misericordiae da JMJ

Milhares de jovens permaneceram no Campus Misericórdia durante a noite de domingo para acompanhar o encerramento da Jornada Mundial a Juventude.

Perguntamos alguns brasileiros como foi essa experiência.

João Vitor de Albarquete, Niterói (RJ): “Foi uma experiência muito boa, dormir com todas essas pessoas que você não conhece, que não falam sua língua, mas que vieram aqui pelo mesmo motivo e compartilhar o mesmo sentimento com elas é muito bom”.

Ir. Sebastião Lopes Pereira, Lasalista: “A noite foi de reflexão também, quando a gente se dá conta que podemos viver em simplicidade e comunhão. O mais bacana de tudo é que essa experiência de comunhão se dá no respeito entre as pessoas”.

Heloísa Pochezzato de Souza, do Rio Grande do Sul. “Estou de pés descalços. Desisti dos sapatos, mas a essas alturas nem faz mais diferença. É difícil e sempre vai ser: frio, sereno. Mas quando estamos aqui por um propósito comum não é tão difícil”.

Ana Paula Lopes dos Santos, de São Paulo: “Foi difícil mas foi muito bom”.

Wesley Moura Andreotti, de São Paulo: “O ciático dói de manhã, mas só de estar aqui no encontro com Pedro é maravilhoso”.

Por Rafael Belincanta, Radio Vaticano 

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

ESPECIAL JMJ: Jovens e as lições de Auschwitz hoje o perdão e misericórdia

A visita do Papa aos campos de concentração de Auschwitz e Birkenau foi assunto entre os jovens na manhã desta sexta-feira, (29/07).

Muitos aproveitaram a ocasião para recordar a visita no centro do Holocausto, assim como o bispo que conduziu a catequese, e os sacerdotes presentes.

Dom Dino Marchió, bispo de Caruaru (PE): “O Papa sempre nos fala também com gestos e sua santidade pessoal. Este gesto de hoje toca toda a humanidade, para que o mundo perceba a gravidade destes eventos como em Auschwitz”.

Lucas Araújo de Silva e Silva: “Lá a gente vivencia a melancolia que foi vivida lá. Um passeio triste mas que não deve deixar de ser feito”.

Luara Bezerra da Rocha: “É importante visitar e conhecer por mais que as memórias sejam tristes, porque é importante para que os jovens tenham sempre a certeza e faça um compromisso com a próximas gerações para que a história de horror não venha a se repetir. Cabe a nós”.

Gabriel Bastos Nardino: “É uma visita fantástica e triste, ao mesmo tempo. É uma verdadeira lição de misericórdia. É uma visita mais de cunho cultural do que religioso. Mas tem a lição da misericórdia. Se em 1945 precisa, hoje precisamos muito mais”.

Padre Gregório Paderewsky: “Acho que são duas principais mensagens: Deus em primeiro lugar. Porque quem tem Deus no coração não vai conseguir fazer essas coisas. Outra coisa é o perdão; porque todas estas pessoas que lá sofreram, e as famílias com a perda de tantos entes queridos, somente era possível continuar a vida dando e pedindo perdão. Então, acho que são essas duas mensagens principais que temos que divulgar para que todos tenham isso no coração”.

De Cracóvia para a Rádio Vaticano, Rafael Belincanta.

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

ESPECIAL JMJ: O Papa escolheu a melhor forma de falar: o silêncio em Aushwitz-Birkenau.

O Papa Francisco, ao visitar os Campos de Concentração de Aushwitz-Birkenau, ficou em silêncio e recolhimento profundo diante dos sinais palpáveis do horror e da crueldade a que pode chegar o ser humano. O Diretor de Programas da Rádio Vaticano, Padre Andrzej Majewski, fez uma avaliação da visita do Santo Padre aos Campos de Extermínio:

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“Parece que para a sua visita aos Campos de Concentração construídos na Polônia pelos nazistas alemães durante a II Guerra Mundial, o Papa escolheu o melhor modo de falar, isto é, o silêncio. O Papa falou com o silêncio. Mas o silêncio, para ser compreendido, requer tempo. Por isto esta manhã o Papa dedicou muito tempo à sua primeira primeira visita a estes locais. O fez para atravessar lentamente, e sozinho, o portão, que no alto tem a famosa inscrição: “Arbeit macht frei”, o trabalho liberta. Depois, para deter-se na Praça do Apelo, local onde no verão e no inverno centenas de prisioneiros eram mantidos por horas em silêncio. O Papa dedicou tempo também para saudar um grupo de sobreviventes de Aushwitz, um a um: entre eles, também uma senhora de 101 anos. E deixou uma vela acesa diante do muro, onde foram fuziladas milhares de pessoas. Por fim, o Papa Francisco, sempre em silêncio, deteve-se longamente na cela onde morreu São Maximiliano Kolbe”.

“Também a visita à Birkenau, o Campo pensado pelos nazistas como fábrica de morte, foi feita em silêncio. A bordo de um pequeno carro elétrico, o Papa percorreu o caminho que liga a rampa ferroviária, onde chegavam os trens cheios, sobretudo de judeus, para o seu último destino, os fornos crematórios, destruídos com a retirada dos nazistas para não deixar vestígios da sua obra diabólica. Em silêncio, o Papa passou diante das lápides que recordavam as vítimas de diversas nacionalidades. Por fim, sempre em silêncio, ouviu com os presentes as palavras do Salmo “De profundis”, cantada em hebraico e lida em polonês. Deixando Auschwitz, o Papa escreveu no Livro do Museu: “Senhor, tenha piedade de teu povo! Senhor, perdoa tanta crueldade”!.

Por Rádio Vaticano 

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz