Especial Semana Santa: Reflexão da Prisão do Senhor – Campanha-MG – (Sermão do Depósito)

 

 

Apresentamos o Sermão proferido pelo Seminarista Vinícius Thiago Amaral na noite desta segunda-feira santa, 22/03 na Catedral Diocesana da Campanha(MG).  Vinícius está na Paróquia Santo Antônio este ano de 2016 fazendo seu estágio pastoral, natural de Ilícinia (MG) filho da Diocese da Campanha-MG.

Com exclusividade e direitos ao Portal Terra de Santa Cruz

Evangelho De Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Então Jesus lhes disse: “Ainda esta noite todos vocês me abandonarão. Pois está escrito: ‘Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersas’.

Mas, depois de ressuscitar, irei adiante de vocês para a Galiléia”.
Pedro respondeu: “Ainda que todos te abandonem, eu nunca te abandonarei! “
Respondeu Jesus: “Asseguro-lhe que ainda esta noite, antes que o galo cante, três vezes você me negará”.
Mas Pedro declarou: “Mesmo que seja preciso que eu morra contigo, nunca te negarei”. E todos os outros discípulos disseram o mesmo.
Então Jesus foi com seus discípulos para um lugar chamado Getsêmani e disse-lhes: “Sentem-se aqui enquanto vou ali orar”.
Levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se.
Disse-lhes então: “A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal. Fiquem aqui e vigiem comigo”.
Indo um pouco mais adiante, prostrou-se com o rosto em terra e orou: “Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres”.
Então, voltou aos seus discípulos e os encontrou dormindo. “Vocês não puderam vigiar comigo nem por uma hora? “, perguntou ele a Pedro.
“Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca”.
E retirou-se outra vez para orar: “Meu Pai, se não for possível afastar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade”.
Quando voltou, de novo os encontrou dormindo, porque seus olhos estavam pesados.
Então os deixou novamente e orou pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras.
Depois voltou aos discípulos e lhes disse: “Vocês ainda dormem e descansam? Chegou a hora! Eis que o Filho do homem está sendo entregue nas mãos de pecadores.
Levantem-se e vamos! Aí vem aquele que me trai! “
Enquanto ele ainda falava, chegou Judas, um dos Doze. Com ele estava uma grande multidão armada de espadas e varas, enviada pelos chefes dos sacerdotes e líderes religiosos do povo.
O traidor havia combinado um sinal com eles, dizendo-lhes: “Aquele a quem eu saudar com um beijo, é ele; prendam-no”.
Dirigindo-se imediatamente a Jesus, Judas disse: “Salve, Mestre! “, e o beijou.
Jesus perguntou: “Amigo, que é que o traz? ” Então os homens se aproximaram, agarraram Jesus e o prenderam.

Deus escolheu o que o mundo considera como fraco, para assim confundir o que é forte; Deus escolheu o que para o mundo é sem importância e desprezado, o que não tem nenhuma serventia, para assim mostrar a inutilidade do que é considerado importante,  para que ninguém possa gloriar-se diante dele. É graças a ele que vós estais em Jesus Cristo, o qual se tornou para nós, da parte de Deus: sabedoria, justiça, santificação e libertação. (I Cor. 27b-30)

Transcorreram-se 33 anos da gruta de Belém até o momento que estamos contemplando nesta noite. Uma História contada e que não fala ao passado, mas fala a cada um de nós. Quis Deus, O Uno/Bem, A verdade, O amor e A misericórdia se manifestar aos homens através do seu primogênito, Jesus Cristo. Na condição de filho, tornou-se um de nós, se igualando à pessoa Humana e tratando-a como nunca, ninguém jamais havia visto amor tão grande. O Senhor Jesus transcendeu a história e o tempo, e olhou não para o conceito particular de pessoa, de pessoa humana e não para o conceito geral de “humanidade”, olhou para a pessoa humana carregada de pecados, de depressões, de desvios, de fragilidade, mas também de amor, de sede da verdade e de liberdade. Ele assim potencializou essa sede, ofereceu todos os caminhos para chegar a fonte da felicidade, que é a sua Palavra. Entretanto, não nos aprouve acolher a Palavra Encarnada vinda ao mundo. A vaidade humana traiu mais uma vez a Deus.

A noite que nos encobre testemunha um acontecimento: Um Homem está preso, sofrendo em sua alma silenciosa e fiel, recompensando a perigosa e violenta vida dos vícios humanos. Esta cena, trata-se do prelúdio do sofrimento salvífico, da constituição de um novo gênesis, onde a Justiça e a Moral fidedigna, se entrega como flagicídio e transgressão. É o  subdesenvolvimento, a fome, a  inópia, a míngua, penúria, necessidade, pobreza,indigência, mazelas, , mendicâncias, privações , carências,escassezes,o desamparo,apego,infelicidade, adversidade, desgraça, sofrimento, é o preconceito humano que se reflete neta prisão.

Compete trazer aqui a imagem da alegoria platônica, que nos conta a cerca de três prisioneiros que passaram toda sua vida no interior de uma caverna contemplando as sombras que passavam em sua frente, um dia um destes prisioneiros conseguiu fugir. Ao sair da caverna foi ofuscado com a luz do dia, pois nunca a tinha visto nem sentido, mas aos poucos fora retomando sua visão e percebendo que aquelas imagens formadas na parede da caverna eram pessoas que carregavam imagens e objetos, que refletidos por uma fogueira, enviava para as paredes da caverna as sombras que os prisioneiros contemplavam. Este que conseguira fugir contemplou também o mundo, e feliz por sua descoberta, voltou para a caverna contando as maravilhas que havia visto e sentido, mas aqueles que estavam acomodados com as sombras refletidas na caverna, não entendiam sua mensagem e o taxaram como alucinado, louco, imbecil. E não tardaram em mata-lo, eliminando o que para eles eram uma ameaça, alucinação.

Meus queridos irmãos e minhas queridas irmãs, nós não estamos diferentes dessa realidade, assim como não estiveram os contemporâneos de Jesus. Vivemos numa grande caverna, aprisionados por nossas vontades, por nossos desejos, pelos prazeres que em sua maioria não nascem de nós, mas são frutos da mídia e do mercado capitalista e massacrador, que possuem como marketing a promessa de liberdade e felicidade, de prazer total e prosperidade. Que criam sempre mais necessidades para adaptá-las aos seus produtos e esses a nós, que forma nossas opiniões segundo um ponto de vista interesseiro, artificial e capitalista. Pessoas se matam pelo orgulho, pensando que suas verdades e ideologias são a lei, pessoas se matam em busca de falsas felicidades, de pequenos momentos de prazer que se transformam em vícios, pessoas se matam trabalhando demasiadamente em vista de vida melhor.

A diferença entre classes é sempre mais pontuada, porque ainda é imposto que ser pobre é sinônimo de vagabundagem e escolha, quando ser rico é sinônimo de trabalho e dignidade. Confirmamos e regredimos a uma antiga moral onde ser pobre e ser rico é mais que uma condição ou estado de ser, mas é uma justificativa natural. O pobre é pobre e não está pobre por alguma razão, “é menos inteligente”, “nasceu para servir”,” para ser governado”,” não pensa”, “recebe ordens”, acorda cedo e cumpre sua obrigação de servir aos grandes, direta ou indiretamente, para ganhar a gratificação de suas horas trabalhadas, não de sua força ou de sua vida perdida no trabalho. De fato, a máxima que diz: “o trabalho dignifica o homem” deveria assim ser praticada, para a dignificação e não para a servidão, prisão ou morte.

É triste perceber ainda, que nesta imensa prisão, existem vidas que são matáveis, que não fazem diferença, porque nunca acrescentaram. Neste momento inúmeras pessoas estão sendo presas com o Senhor, perseguidas e massacradas porque seus gritos não são ouvidos, são vozes mínimas, são pequenas demais diante do enorme sistema capitalista. A vida delas é óleo para que a engrenagem do sistema gire mais forte e se torne inabalável, a vida delas é matável, afinal, estão longe de nós, que razão teríamos tomarmos consciência dos milhares que morrem, por exemplo, no Iraque, na República democrática do Congo, na Síria, no Egito, na Líbia, nos Conflitos causados pelo Boko Haram na Nigéria, no Iêmen? Se fossemos estudar, pesquisas revelam que de 162 países, somente onze não estão em guerra.

E eu vos pergunto, diante disso, o que nos deixa deprimidos ou depressivos hoje? O que nos deixa desorientados e perdidos? O que nos traz indignação ou depressão é o sapato ou a roupa de marca que não conseguimos comprar, é uma palavra mal colocada de alguém, é a nossa vontade de beleza, é a nossa falta de dinheiro para futilidades, é uma bronca que não conseguimos aceitar por nossa vaidade. Onde se encontra a nossa tristeza e depressão diante disso? Essa imagem serve para nos mostrar os quão acomodados e presos estamos dentro dessa carverna. Sim, a vida matável não nos incomoda, o sofrimento do mais pobre não nos incomoda, as desgraças dos menos favorecidos terminam quando se encerra o jornal, porque estamos confortados em nosso sofá e prontos a assistimos mais um capítulo da novela. Exemplo disso é uma multidão de almas simples sendo chacinada diariamente, é a vida de crianças ceifadas pelo tráfico de órgãos, isso não se mostra ou se defende, enquanto quatro burgueses são mortos, e escrevemos em nossas redes sociais, escrevemos muitas matérias em jornais, com o título: “Je suis ….” “Nós somos eles”, se mostra, se ostenta estas mortes, mas porquê? Porque as vidas deles merecem mais atenção do que a dos outros nossos irmãos?

 O que mais dizer da caverna que vivemos? São tantos políticos que passam atrás de nós, com imagens falsas, com promessas obsoletas de melhorias e deixam seu povo morrer de fome, de sede, de progresso, engolindo para si a saúde coletiva, engolindo para si o dinheiro de cofres públicos, engolindo para si o desenvolvimento social e cultural, engolindo para si milhares de hospitais públicos que funcionam pela misericórdia do povo. Políticos que assassinam a educação de inúmeras crianças, assassinam o desempenho político através do discurso e da democracia justa e não justificado por partido A ou B, assassinam a consciência crítica de nosso povo, porque dentro de si emana um desejo ideal de riqueza insaciável, de enganar-nos a qualquer custo para nos vender e filiar-nos em tempos de pseudo-eleições à suas pseudo-bondades, pseudo-compaixões, à suas máscaras de santos quanto erguem dentro de si um castelo de demônio. Enquanto isso, 100 milhoes de brasileiro vivem sem saneamento básico, sem tratamento de esgoto, sem coleta de lixo. O que é progresso? E nós queremos sim, gritar, protestar por direito, pela execução da lei, pela verdade, pois é a nossa casa comum, casa que Deus preparou para cada um de nós. Senhores eleitos por nós, pelo povo de Campanha, de Minas e do Brasil, é o seu povo, esse não é o desenvolvimento que queremos!

Que possamos sair sim às ruas e lutar para ver o “direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am, 5,24). Gritar e fazer valer a democracia instituída, não podemos ser mais prisioneiros das vontades dos grandes,  não podemos mais aceitar o descaso com a nossa saúde, com a educação de nossas crianças e jovens. Como nos lembra Papa Francisco Não há esforço de pacificação duradouro com uma sociedade que abandona parte de si mesma.”Aos senhores Servidores Públicos eleitos pelo povo de Campanha e do Estado, queremos lembrar-vos de vossos compromissos com a vida social digna, que volteis o vosso olhar para a terra que nasceram , sutentaram e elegeram, para seus irmãos que estão morrendo físico e moralmente, frutos de ganâncias.  Pois Aquele que é justo, justiça fará por cada um de nós.

O que dizer da caverna que vivemos, em que tantos falsos profetas passam atrás do nosso povo, fazendo-os acreditar numa fé insólita,  numa fé que traz prosperidade, carros, mansões, fazendas, empresas, roupas de marca? O que dizer desses falsos profetas que vomitam em nosso povo a vontade do Ter e os prende à ambição de poder, que fazem nosso povo pagarem e justificarem seus dízimos altíssimos para o seu deus estranho a nossos olhos na perspectiva espiritual, mas na verdade, estão construindo um verdadeiro império para si, um feudo que cria sempre mais vassalos submissos. Se tornam coronéis de hoje e o povo simples se transforma mais uma vez inconscientemente, em escravos, trabalhando, vivendo e desgastando-se para seus pastores-coroneis.

O que dizer também de líderes religiosos tão inteligentes e probos, eruditos e instruídos, que se envolvem em escândalos e esquecem de sua responsabilidade de pastor, de seu ministério “segundo o coração de Cristo”, enviados a curar, perdoar, e amar, quando cometem crimes contra à vida plena que o Senhor nos deseja. Seja a pedofilia, a relativização das leis de Deus, ou tratando o povo de Deus simples, com grosserias e brutalidades, com menosprezo e ridicularização, depositando no povo sua vontade reprimida. Ninguém, mas absolutamente ninguém deve descontar no outro o que necessita enfrentar em si e consigo mesmo. Ninguém, mas absolutamente ninguém é culpado por seus pecados a não ser você mesmo, indivíduo particular, pois o Senhor olha em ti, pessoa, e não o condena, mas como fez com Maria Madalena, chama à vida mais perto d’Ele, para o arrependimento, conversão, vida plena, mas clama: Não peques mais

É o Senhor Jesus quem nos lembra a cerca dos falsos pastores:  3Por isso, vocês devem fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imitem suas ações, pois eles falam e não praticam. 4 Amarram pesados fardos e os colocam no ombro dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo. 5 Fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros. Contudo, meus queridos irmãos, Jesus ainda nos lembra, e nos mostra também nesta noite, olhando para sua imagem aprisionada, que: “o Meu fardo é leve”.

E não podemos esquecer de inúmeros pastores e sacerdotes, religiosos e religiosas que como o Senhor se encurvam diante de nossas necessidades, procuram curar nossas feridas, faz-nos mais santos, permitem-nos beber da fonte que também bebem, que é água pura, água de sabedoria e de amor, água de misericórdia, que é o Senhor Jesus. Tantos “homens e mulheres de Deus” que deixaram se aprisionar e se consumir por este projeto amor, tantos mártires, tantos santos que ainda vivem e dão testemunho com suas próprias vidas que o Senhor é conosco!

Somos também tentados a prender o Senhor em nossas doutrinas. Prende-lo em conceitos, na história, nos livros, na ciência. Prendê-lo ora ourificando-o, limitando-o à pompa, ao ouro, aos grandes e belíssimos templos, ora fechando as portas das Igrejas, deixando-o de lado, à margem, e colocando nossos interesses no centro, ou a verdade de teologias que não são sinceras à veracidade da pessoa de Deus. Defende-se o uso de Muito ouro, glória, fausto, ostentação, ritos e rubricas ao pé da letra, ou ainda, muitos absurdos, prendendo-o no pecado, na pobreza moral, na intolerância. Mas se esquece que as ações de julgamento, são contrárias ao reino de Deus. De fato, se pode afirmar, que o senhor não é conhecido por faustas vestes nem por chapéus de palha, mas pelo seu justo equilíbrio, por sua sensatez, por seu amor. Não o mandamos manifestar em ninguém, o espirito santo não é exclusividade nossa, a oração simples e a erudita possuem o mesmo valor. Somente veremos Deus nestes elementos, se vivermos como ele viveu, se amarmos como ele amou.

Sentados, nessa imensa caverna, acomodados pela realidade que nos cerca, aquele que conseguiu escapar sem experimentar do pecado, que veio a nos contar sobre uma felicidade alcançada através da verdade, da simplicidade, do amor austero e oblativo, está aqui, está preso novamente, nós o prendemos, é a realidade dos nossos dias. Nós não admitimos o diferente, exemplo disso são as inúmeras pessoas que morrem nas fronteiras tentando uma vida melhor, os inúmeros migrantes que migram de suas terras para tentarem uma vida mais digna, e se deparam com nações descendentes de Hitler, com pessoas com sangue nazista, essa realidade não está muito distante de nós. Pensamos que nossa “raça” é a pura, que nossa cidade não tem vez para estrangeiros, que nossa família é melhor do que as outras, que a cor de nossa pele ostenta nosso carácter e dignidade, quando aquele que estamos seguindo nos mostra que existe uma única raça que é a humana, uma única família, que é a de Deus. O diferente nos incomoda, ronda-nos uma falsa liberdade religiosa, quantos mártires de hoje, estão sendo mortos no estado islâmico, quantas barbáries realizadas em nome de deus? Meus irmãos esse deus nós não o conhecemos, ele não existe, esse deus que quer a conversão a custo de morte, que admite a barbárie, o assassinato de opiniões, que não acolhe a prece de outras crenças não existe, esse deus está morto! O Deus verdadeiro, se mostra em Jesus, e está vivo, nos concede a graça da liberdade, da opção, nos faz perceber o outro independente de sua religião, de sua raça, condição financeira ou sexual.

E quantos jovens são discriminados por nós, cristãos católicos, “raça pura”, que vamos à missa e participam de novenas e procissões, que fazem barulho para pedir “impeachment”, mudança, as vezes sem até mesmo saber a causa do protesto, mas não fazemos barulho para tantas mortes de jovens gays, para tantas mortes de jovens drogados, para tantas mortes de jovens envolvidos na prostituição, mas pelo contrário, nós ajudamos a matar, e sabem como? Com nossa língua, nossos comentários assassinos! A mudança sempre começa de cada um de nós, afinal, não somos totalmente santos, e se fossemos, não conheço santo que fora canonizado por julgar o outro, ser do outro juiz. Já está na hora de mudarmos essa realidade, de sermos filhos completos de Deus, porque ninguém da testemunho da ressureição e do amor de Deus se é escravo de sua própria língua e de seu preconceito.

Eu gostaria de sugerir nesse momento que você apertasse a mão do seu irmão, ou desse nele um abraço caloroso, como sinal de nossa irmandade e desejo de mudança. Nossa cidade precisa disso, nosso mundo precisa disso, de olhar para o outro, de perceber o outro, e acolhe-lo como irmão, e igual a mim.

Jovens, vejam o nosso Deus, aqui, em Jesus aprisionado, suas mãos estão atadas, mas em seu coração permanece o desejo fidedigno de nossa felicidade, de nosso encontro com Ele, esse desejo não morre, porque ninguém se encontra com Ele e permanece a mesma pessoa, ninguém olha nos olhos do Senhor e não é tocado por essa bondade e esse amor. Jovens, Jesus não olha sua condição, não o julga por isso, não o julga por seus questionamentos ou falta de fé. Seguir Jesus não é um mico, não é motivo de vergonha ir à missa, participar de uma pastoral ou ministério, confessar-se, mas pelo contrário, trata-se de ser para nós, uma honra, estar próximos de Jesus, caminhar com Ele, seguir com ele aonde quer que ele vá, e leva-lo aonde quer que nós o vamos.

Mas pode ser que agora, nesta noite, percebendo que estamos dentro de uma caverna, aprisionados pelo medo, pela tristeza, pelas ideologias, pela politicagem e falsidade, contemplando o Senhor preso, sem poder nada fazer por sua própria vontade,   contemplando um homem, humilhado, traído por quem amava, um homem confundido como criminoso que vai à cela e a julgamento. “Onde está o sábio? Onde está o homem culto? Onde está o argumentador deste mundo? “ (I Cor. 20) Ele está aqui, aprisionado. “Acaso Deus não tornou louca a sabedoria deste mundo? (I Cor. Cor. 20b) Podemos questionar em nosso íntimo: esse não parece ser o nosso Deus! Ele é um mais um enganador… Porque não se solta e mostra para os que o odeiam que de fato é o Enviado de Deus? Contudo, a linguagem da prisão e da cruz é loucura oara aqueles que se perdem. Mas para aqueles que se salvam, para nós, é poder e glória, é poder de Deus (1 Cor. 18). A verdade é que ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores. Ele foi ferido, entregue, por causa de nossos crimes, a punição a ele imposta era o preço da nossa paz e suas feridas, o preço da nossa cura.

Charles Brown cantou:

“Fico sem saber pra onde vou
Quando vejo a situação do mundo em que estou
Destilar meu ódio ou só falar de amor
Sabe-se lá a diferença entre os olhos que enxergam
E os que não querem enxergar
Mas se eu berrar no microfone
Que onde não existe a paz, não existe o amor
A subida é longa e a selva é de pedra
Onde os valores apodrecem na miseria
Um mundo que se move nem sempre a seu favor
Você precisa ter coragem pra provar o seu valor
E a vida é o que é e só ha um caminho,
Quem não poi fé em si e em Deus esta sozinho.
A gente tem que provar todos os dias quem a gente é.”

Irmãos, e de fato, este que vemos aprisionado provou-nos quem ele é, está se entregando por cada um de nós, por uma vida digna, sem ódio, sem guerra, sem inveja. Olhai para este homem e percebei vossas fraquezas, vossas misérias, percebei o mundo,  caverna em que estamos, e diferente dele, nossa escolha deve ser nos soltar, quebrar as correntes que nos prendem ao ódio do outro, à falta de perdão, aos vícios, à riqueza, é um bem que faremos a nós e aos outros, à nossa Casa Comum. Quebrar as algemas que nos prendem, é por fé no mundo, é lutar ativamente em favor de políticas públicas que melhorem nossa qualidade de vida, é provar para nós mesmos, que nosso Deus deixou ser entregue e lutou para melhorar a nossa vida, para nos dar decência.

O senhor nos pede, não deixeis para depois. Somos protagonistas da realidade que existe aos nossos olhos, somos libertos para constituirmos a verdade ou apoiarmo-mos na mentira. Somos libertos pela prisão deste homem, somos curados, ele é a honestidade, o amor e a verdade materializada.

Que ao voltarmos para nossas casas não esqueçamos de relembrar este momento, esta reflexão. Que os Pais, abracem  os filhos, e digam a eles que os ama, isso quebrará qualquer corrente, e que vocês filhos abraçem os vossos pais, e provem a eles o amor de vocês pelo respeito. Pois nenhum pai quer ver o filho preso nos vícios, ou morto por eles, e nenhum filho quer ver os pais como inimigos, presos nos vícios, na falta de diálogo, de carinho e afeto.

O Senhor se entrega mais uma vez, vai a prisão para nos mostrar que é possível e necessário sairmos da caverna,  que é hora de não termos medo dos  grandes, de questionar, de debater e lutar, é hora de abraçarmos uns aos outros e sermos sensíveis aos dramas do outro, é hora de lutar contra o mal da depressão, contra o mal do acúmulo e do desperdício.É hora de mostrarmos que nós não o abandonaremos mais uma vez, que queremos cumprir seu projeto de amor. É hora de defendermos a nossa igreja, nossa religião, mas também sermos sensível e percebermos as coisas boas que existem também nas outras.   Saíamos da caverna que nos prende às ideologias, a partidos políticos, a leis estranhas a nossa qualidade de vida. Saímos da prisão de ideologias e pontos de vista e de doutrinas que nos fazem preconceituosos, racistas, homofóbicos, nativistas e tantos outros, que nos acorrenta cada vez mais. Saíamos das nossas verdades, das nossas belezas, dos nossos perfumes, procuremos ouvir o outro, ver o outro, aceitar o outro.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Para sempre seja louvado!

Por 

Campanha, março de 2016 – Ano da Misericórdia

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

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