“Amoris laetitia”: Exortação Apostólica Pós-Sinodal sobre a família do Papa Francisco será publicada em 8 de abril

Cidade do Vaticano (RV) – “Amoris laetitia” (Sobre o amor na família) é o título da Exortação Apostólica Pós-Sinodal sobre a família do Papa Francisco.

O texto será publicado na sexta-feira, 8 de abril, e estará disponível em seis línguas, entre as quais o português. A Exortação será apresentada aos jornalistas na Sala de Imprensa da Santa Sé pelo Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos, Card. Lorenzo Baldisseri, e pelo Arcebispo de Viena (Áustria), Card. Christoph Schönborn.

Também participa da coletiva um casal italiano de professores, docentes de Filosofia: Prof. Francesco Miano, que leciona na Universidade de Roma Tor Vergata e a Professora Giuseppina De Simone, da Faculdade Teológica de Nápoles.

“Amoris laetitia” 
A coletiva poderá ser acompanhada ao vivo no Vatican Player da Rádio Vaticano, onde permanecerá disponível também on demand.

A Exortação Apostólica “Amoris laetitia” será publicada quase seis meses após a conclusão do Sínodo Ordinário sobre a Família convocado pelo Papa Francisco em outubro passado. Um ano antes, em 2014, o Pontífice convocou um Sínodo Extraordinário sobre o mesmo tema.

Depois de dois anos de intenso trabalho dos bispos que participaram dos dois Sínodos, o texto do Papa Francisco é aguardado pelas dioceses do mundo inteiro por oferecer diretrizes e linhas de ação sobre temas práticos que dizem respeito à família.

Por Rádio Vaticana 

Adaptação Portal Terra de Santa Cruz 

Francisco visita Bento XVI durante a Semana Santa

Cidade do Vaticano (RV) – Uma visita estritamente particular com o intuito de levar pessoalmente suas felicitações de Páscoa ao Papa emérito. Assim Francisco foi ao mosteiro Mater Ecclesia, nos Jardins do Vaticano, onde Bento XVI vive desde a sua renúncia.

Durante a Semana Santa – cita a agência Ansa – o Papa emérito presidiu a Liturgia da Paixão e também alguns rituais pascais. Joseph Ratzinger completará 89 no próximo dia 16 de abril.

Apesar de privada, a visita marcou o reencontro entre Francisco e Bento XVI após a abertura da Porta Santa da Basílica de São Pedro, em 8 de dezembro.

Francisco abraça o Papa emérito na abertura da Porta Santa – ANSA

Encontros públicos
O primeiro – histórico – foi o encontro em Castel Gandolfo, no dia 23 de março de 2013, quando Bento XVI e Francisco rezaram juntos por alguns momentos.

Depois disso, em 5 de julho de 2013, Bento XVI apareceu novamente ao lado de Francisco durante a inauguração de um monumento a São Miguel, nos Jardins Vaticanos.

Em 22 de fevereiro de 2014, durante o consistório para a criação de novos cardeais, a Basílica Vaticana teve pela primeira vez na história a presença de dois papas.

Ratzinger voltaria a encontrar o público – e Bergoglio – em 27 de abril de 2014, quando da canonização de São João Paulo II e São João XXIII, na Praça São Pedro.

Dois meses mais tarde, em 28 de setembro, a convite de Francisco, Bento XVI voltou à Praça São Pedro, onde participou do encontro com a terceira idade. O Papa emérito aparecera bem disposto, apesar de caminhar muito devagar e com a ajuda de uma bengala.

Sempre a convite do Papa Francisco, Bento XVI esteve novamente na Praça São Pedro em 19 de outubro de 2014, quando concelebrou o rito de beatificação do Papa Paulo VI.

Em 2015, Bento XVI voltou à Basílica de São Pedro, onde participou do consistório no qual Francisco criou 20 novos cardeais em 14 de fevereiro.

No final de 2015, Bento XVI passou a Porta Santa da Misericórdia da Basílica de São Pedro, aberta pelo Papa Francisco para o Jubileu, em 8 de dezembro.

Notícias de Bento XVI

A Fundação Joseph Ratzinger mantém um site atualizado com informações acerca das atividades do Papa emérito.

A Rádio Vaticano mantém uma seção especial dedicada às notícias sobre Bento XVI. (ansa/rb)

Por Rádio Vaticana 

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

Bento XVI e a misericórdia no centro da atual história cristã

Cidade do Vaticano (RV) – Um livro com participação do Papa emérito Bento XVI, organizado pelo jesuíta Daniele Libanori, chega às bancas com o título “Per mezzo della fede. Dottrina della giustificazione ed esperienza di Dio nella predicazione della Chiesa” (Através da fé. Doutrina da justificação e experiência de Deus na evangelização da Igreja). “Para mim é um sinal dos tempos o fato que a ideia da misericórdia de Deus seja sempre mais central e dominante”, afirma Bento XVI que fala de Francisco na obra.

Francisco e Bento XVI – ANSA

http://media02.radiovaticana.va/audio/audio2/mp3/00521960.mp3

O livro traz a publicação de manifestações feitas num convênio teológico promovido em outubro de 2015 em Roma. Numa entrevista proposta na obra, o Papa emérito cita a santa polonesa Faustina Kowalska (1905-1938), que das suas visões refletem “o desejo da bondade divina que é exatamente do homem do hoje”. Bento XVI também faz referência a São João Paulo II que canonizou a sua conterrânea e publicou uma encíclica sobre o tema: “Deus, rico de misericórdia” (1980).

Papa Francisco e a misericórdia

O Papa emérito explica no livro que o seu sucessor, Papa Francisco, se encontra “de acordo com essa linha (que põe a misericórdia ao centro da mensagem cristã). A sua prática pastoral se expressa sobre o fato que ele nos fala continuamente da misericórdia de Deus”.

E Bento XVI conclui: “os homens de hoje sabem de ter necessidade da misericórdia de Deus e da sua delicadeza. Na dureza do mundo tecnicista, no qual os sentimentos não contam mais nada, aumenta a espera por um amor divino que venha doado gratuitamente. Parece-me que no tema da misericórdia divina se expresse em um modo novo aquilo que significa a justificação pela fé”.

Por Rádio Vaticana  – Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

Data de nascimento do Beato Pe. Victor torna-se feriado Municipal em Campanha/MG-12 de Abril

Sancionada lei que define 12 de abril como feriado municipal – já para este ano

 A Prefeitura sancionou a lei que define o dia 12 de abril como feriado no Município da Campanha, data em que se comemora o nascimento do campanhense Francisco de Paula Victor, o Padre Victor, beatificado no ano passado pelo Vaticano. A lei, oriunda de projeto aprovado na Câmara e de autoria da Vereadora Heloisa Helena Limoeiro Müller, passa a valer para este ano e deve incentivar o Município a comemorar o nascimento do beato conterrâneo, o que pode ser alternativa para o desenvolvimento do turismo em Campanha.

 “Há muito tempo a Câmara tem aprovado indicações sobre o tema de Padre Victor. Várias ideias foram propostas, sugerindo, por exemplo, que a Prefeitura pudesse realizar eventos permanentes na data de seu nascimento, 12 de abril. Ainda foram aprovadas indicações que sugeriram o desenvolvimento de um projeto turístico e construção de uma estátua de Padre Victor no Morro do Cruzeiro, bem como, mais recentemente, uma indicação que sugeri o estudo para a criação de um museu do beato, abrigando aqui parte da história do campanhense. Campanha há muito espera que o Poder Público valorize com maior intensidade a importância e a biografia deste ‘bom pastor segundo o coração de Cristo, humilde arauto do Evangelho e zeloso educador dos jovens’, como nos disse o Papa Francisco, por ocasião de seu processo de Beatificação. Agora, através de apelos da comunidade e também de sugestões de autoridades como o Promotor de Justiça da Comarca da Campanha Dr. Paulo Henrique Senra Carneiro Barbosa, pudemos concretizar mais uma etapa em prol do desenvolvimento do turismo e da cultura em Campanha. Acredito que foi dado mais um passo para que os campanhenses possam, neste dia, participar de eventos que possam vir a ser realizados pelo Município, em comemoração à data de nascimento do beato em Campanha MG. O feriado municipal passa a valer já para este ano, no próximo dia 12 de abril. Esperamos que o Município, caso não possa realizar eventos neste ano (pelo tempo escasso), que já programe para o ano que vem comemorações e projetos, através de parcerias com a Paróquia, por exemplo, ou exposições alusivas ao campanhense. É um grande passo para consolidarmos ações para o turismo da cidade, já que aqui nasceu o chamado ‘bem-aventurado’, reconhecido oficialmente pelo Vaticano”, salientou a autora do projeto de lei, a Vereadora Heloisa Helena Limoeiro Müller. 

Texto  http://www.camaracampanha.mg.gov.br

Reveja Chegada da Imagem do Beato em Campanha, um dia após sua beatificação, os Campanhenses receberam Pe. Victor, assim como no passado, o mesmo foi recebido quando retornou do seminário de Mariana/MG para atuar como Pároco de Campanha, com festa ele foi bem recebido.Não foi diferente após sua beatificação, muita festa foi feita para recebe-lo .  Veja o Vídeo desse dia emocionante…

 

CONHEÇA A HISTÓRIA DO BEATO

O livro que conta a história de Francisco de Paula Victor, escrito pelo teólogo italiano Gaetano Passarelli, começa com um sonho. O jovem negro, escravo, que passava seus dias na Campanha (MG) do início do século XIX, revela ao seu professor de alfaiataria que queria ser padre. Era um sonho impossível a pessoas como ele à época, mas ter fé é crer no que não é possível. E Victor venceu todos os preconceitos e barreiras sociais, se tornando o primeiro padre ex-escravo do Brasil. No dia 14 de novembro, ele será beatificado pela Igreja Católica em Três Pontas (MG).

O que se sabe de Victor está descrito nos poucos documentos que ele deixou em vida e nas dezenas de depoimentos das pessoas que o conheceram. São histórias passadas de pais para filhos que contam de sua humildade, total dedicação às pessoas, persistência ante obstáculos racistas. O que se pode perceber na vida de Padre Victor é que a fé realmente “remove montanhas”, e um sonho é capaz de mudar a realidade de uma época.

Vida no interior das Minas de outrora.
A história de Padre Victor começa em um casarão na Rua Direita da Campanha (MG) de 1827. Foi ali que ele nasceu no dia 12 de abril. O primeiro documento consta que ele foi batizado oito dias depois pelo padre Antônio Manoel Teixeira. Cidade mais antiga do Sul de Minas, àquela época a vila de Campanha da Princesa da Beira reunia fazendeiros em busca de ouro e seus escravos. CONTINUE LENDO AQUI

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Por Portal Terra de Santa Cruz 

 

Queridos padres: por favor, nos ensinem!

A maioria de nós, estudantes, não sabe nem o básico da fé. Vocês têm que começar do zero. Então, por favor, nos ensinem!

custódia refletida no olho

Queridos padres,

Eu sou uma caloura universitária e gostaria de pedir algumas coisas a vocês. Ou melhor, gostaria de suplicar a vocês uma coisa: por favor, nos ensinem!

Não parem de ler ainda, por favor. Vocês talvez estejam pensando que eu sou uma caloura sabe-tudo. Mas não sou. Admito que não tenho a menor ideia sobre os desafios que vocês enfrentam diariamente, seja na paróquia, seja no campus universitário… Mas eu sei do que é que nós, estudantes, precisamos. A maioria de nós não sabe nem o básico da fé. Vocês têm que começar do zero. Então, por favor, nos ensinem!

Vocês querem nos ensinar, mas acham que não têm tempo. A maioria dos poucos estudantes que ouvem as suas homilias no domingo só ouvem vocês ali mesmo. Os professores nos falam durante horas e horas, cinco dias por semana. Vocês só têm dez, quinze minutos, um dia por semana. É um desafio impossível, mas, por favor, nesse tempo que vocês têm para chegar até as almas, nos ensinem alguma coisa!

Vocês podem achar que o único jeito de fazer esses poucos jovens continuarem indo à missa é adoçando a mensagem: nada de mencionar muito as regras, as exigências, os compromissos… Posso lhes dizer o que nós realmente queremos ouvir? Digam-nos que as regras são importantes, proclamem quais são as regras e mostrem como elas nos ajudam!

Digam-nos que Deus nos ama. Digam-nos o quanto Ele nos ama!

Digam-nos que Deus quer que nos arrependamos dos nossos erros e nos ajudem a recorrer aos sacramentos.

Digam-nos que, não importa o que aconteça, Deus nunca desiste de nós.

Digam-nos que nós valemos mais do que a nota que tiramos ou que o número de amigos que temos.

Digam-nos que nós não somos dignos do amor de Deus, mas que o amor que Ele nos dá nos torna dignos do melhor!

Digam-nos que, por causa desse amor, nós valemos mais do que sequer podemos imaginar.

Digam-nos que estamos aqui por uma razão; que Deus reservou algo para nós fazermos; que Ele não comete erros e que, por isso mesmo, nós não somos um erro no mundo.

Digam-nos que a coisa que Deus mais deseja não é que nós não erremos nunca, mas que O amemos sempre.

Digam-nos para que foi feito o nosso corpo e o nosso espírito.

Digam-nos que Deus nos fez para sermos santos – e que nós podemos ser santos.

Digam-nos que os santos são fascinantes, que eles são os nossos melhores exemplos e os nossos amigos celestiais.

Ensinem-nos sobre a misericórdia divina!

Ensinem-nos sobre o céu. Falem-nos também do inferno e nos digam que ambos são reais.

Ensinem-nos por que importa aquilo que fazemos e digam-nos que importa sempre.

Ensinem-nos a imaginar a grandeza, a altura, a largura e a profundidade de Deus.

Digam-nos que Deus está sempre conosco!

Nós precisamos do básico, mas, depois, também precisamos de mais! Nenhuma criança já decidiu se especializar em matemática logo depois de aprender que 2 + 2 = 4. Vão além do básico. Digam-nos quais são os mistérios a contemplar e nos ajudem a refletir e a nos aprofundarmos neles; digam-nos como os mistérios nos ensinam a pensar, a fazer perguntas, a estudar e a amar.

Vocês estiveram no seminário durante quanto tempo? Contem-nos um pouco do que vocês aprenderam! Deem-nos o seu testemunho pessoal e sejam nossos exemplos!

Estamos só começando a descobrir que nada na terra pode nos satisfazer. Digam-nos o porquê!

Por favor, ensinem-nos tudo isso e muito mais! Eu não acho que os outros devam tentar descobrir tudo isso por conta própria. Por favor, ensinem-nos!

Atenciosamente,   Therese Anthony

* Therese Anthony é um pseudônimo de uma caloura universitária de Michigan, Estados Unidos.

Fonte: ALETEIA – Adaptação Portal Terra de Santa Cruz 

O CRISTÃO LEIGO NUMA IGREJA “EM SAÍDA”/ Por Dom Pedro Cunha Cruz

O tema central da Assembleia dos Bispos neste ano de 2016 será sobre os “Cristãos Leigos e Leigas, sujeitos na Igreja e na Sociedade. Sal da terra e luz do mundo (Mt 5, 13-14)”. O propósito do tema é aquele de retomar e aprofundar a participação dos leigos e leigas na Igreja à luz do Concílio Vaticano II que destacou a variedade de ministérios, carismas e serviços. A Igreja como Povo de Deus deve ser vista a partir do sacerdócio comum dos fiéis e do sacerdócio ministerial ou hierárquico; embora se diferenciem essencialmente e não apenas em grau, ordenam-se mutuamente um ao outro; “pois um e outro participam, a seu modo, do único sacerdócio de Cristo” (LG, n.10).

Na verdade, o que o episcopado reunido quer propor é que cada fiel tome consciência do papel ativo na Igreja e no mundo. Retomar e reafirmar o papel significativo dos fiéis leigos como Povo de Deus e sujeitos ativos da missão evangelizadora ou protagonistas de uma sociedade mais humana e justa, é o objetivo central do tema proposto. Não é por nada que Papa Francisco tem lançado um vigoroso apelo a todo Povo de Deus que saia para evangelizar. Assim, toda a Igreja é convidada a sair para levar os homens e mulheres ao encontro com o Cristo vivo, pois ela está inserida no mundo como sinal da salvação e como servidora da humanidade. Todos nós somos chamados a superar qualquer tentativa de contraposição entre Igreja e mundo. No mundo e na Igreja, o mesmo povo vive sua dignidade e exerce sua missão (Cf. ChL, n.15).

Se de um lado o legado do Concílio foi aquele de propor uma leitura da realidade a partir da fé; de outro, a consciência desta missão evangelizadora requer uma postura de diálogo com as realidades concretas em que a Igreja se encontra inserida. Tal postura exige uma autêntica e permanente conversão dos sujeitos cristãos, em cada tempo e realidade. Essa cultura do encontro e da solidariedade constitui o antídoto à cultura individualista hoje reinante (Cf. EG, n.115), além de possibilitar a evangelização. Todos são, pelo batismo, sujeitos ativos de evangelização.

Portanto, a evangelização é dever da Igreja. Não cabe mais atribuir esta missão somente aos ministros ordenados. Daí o tema proposto assinalar perspectivas que ajudem a superar o clericalismo, o individualismo ou o comunitarismo que fecha o cristão em um grupo eclesial, sem a necessária abertura ao outro ou ao mundo. A Igreja não é chamada a ser uma ilha isolada, mas uma Igreja dos seguidores de Jesus Cristo, da escuta, do diálogo e do encontro, a fim de que possa servir como testemunha de Cristo e gerar força que transforme o mundo na dinâmica do amor de Cristo (Cf. EG, n.27-33). Ela vive para evangelizar. É o cristão que se coloca na escuta do Espírito Santo para transformar o mundo na direção do Reino de Deus. Que os frutos desta assembleia episcopal possam nos ajudar na formação de muitos leigos e leigas como sujeitos eclesiais que assumam com autenticidade o seu discipulado missionário na Igreja e no mundo.

DOM PEDRO CNBB

+ Dom Pedro Cunha Cruz
Bispo Diocesano da Campanha – MG

Fonte: www.diocesedacampanha.org.br  acesse e saiba mais….

Adaptação/Foto: Portal Terra de Santa Cruz

 

O que é a doutrina social da Igreja?

Transformar a sociedade com a força do Evangelho sempre foi um desafio para os cristãos. Mas em que critérios os católicos se apoiam para aplicar e fazer ter ressonância a Boa Nova de Jesus Cristo nas questões sociais?

Doutrina Social da Igreja é o conjunto dos ensinamentos contidos na doutrina da Igreja Católica e no Magistério da Igreja Católica, constante de numerosas encíclicas e pronunciamentos dos Papas inseridos na tradição multissecular, e que tem suas origens nos primórdios do Cristianismo.

  COMPÊNDIO DISPONÍVEL ON-LINE EM PORTUGUÊS

A expressão “doutrina social da Igreja” designa o conjunto de orientações da Igreja Católica para os temas sociais. Ela reúne os pronunciamentos do magistério católico sobre tudo que implica a presença do homem na sociedade e no contexto internacional. Trata-se de uma reflexão feita à luz da fé e da tradição eclesial.

A função da doutrina social é o anúncio de uma visão global do homem e da humanidade e a denúncia do pecado de injustiça e de violência que de vários modos atravessa a sociedade.

Sendo assim, não é uma ideologia, nem se confunde com as várias doutrinas políticas construídas pelo homem. Ela poderá encontrar pontos de concordância com as diversas ideologias e doutrinas políticas quando estas buscam a verdade e a construção do bem comum, mas irá denunciá-las sempre que se afastarem destes ideais.

A doutrina social da Igreja “situa-se no cruzamento da vida e da consciência cristã com as situações do mundo e exprime-se nos esforços que indivíduos, famílias, agentes culturais e sociais, políticos e homens de Estado realizam para lhe dar forma e aplicação na história” (João Paulo II, Carta encicl. Centesimus annus, 59).

Ela busca o desenvolvimento humano integral, que é “o desenvolvimento do homem todo e de todos os homens” (Paulo VI, Carta encicl. Populorum Progressio, 42; Bento XVI, Carta encicl. Caritas in veritate, 8).

Ao anunciar o Evangelho à sociedade em seu ordenamento político, econômico, jurídico e cultural, a Igreja quer atualizar no curso da história a mensagem de Jesus Cristo. Ela busca colaborar na construção do bem comum, iluminando as relações sociais com a luz do Evangelho.

A expressão “doutrina social” remonta a Pio XI (Carta encicl. Quadragesimo anno, 1931). Designa o corpus doutrinal referente à sociedade desenvolvido na Igreja a partir da encíclica Rerum novarum (1891), de Leão XIII. Em 2004, foi publicado o Compêndio de Doutrina Social da Igreja, organizado pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz, que apresenta de forma sistemática o conteúdo da doutrina social da Igreja produzido até aquela ocasião. A partir daí, este se tornou o documento de referência obrigatório para quem deseja aprofundar-se neste campo.

Considerado o primeiro grande documento da doutrina social da Igreja, a Rerum novarum aborda a questão operária no fim do século XIX. Leão XIII denuncia a penosa situação dos trabalhadores das fábricas, afligidos pela miséria, num contexto profundamente transformado pela revolução industrial. Depois da Rerum novarum, apareceram diversas encíclicas e mensagens referentes aos problemas sociais.

Com sua doutrina social, a Igreja não quer impor-se à sociedade, mas sim fornecer critérios de discernimento para a orientação e formação das consciências. Nesta perspectiva, a doutrina social cumpre uma função de anúncio de uma visão global do homem e da humanidade, e também de denúncia do pecado de injustiça e de violência que de vários modos atravessa a sociedade (Compêndio da Doutrina Social da Igreja – CDSI –, 81). Não entra em aspectos técnicos nem se apresenta como uma terceira via para substituir sistemas políticos ou econômicos.

Seu propósito é religioso, sendo matéria do campo da teologia moral. Sua finalidade é interpretar as realidades da existência do homem, examinando a sua conformidade com as linhas do ensinamento do Evangelho. É uma doutrina dirigida em especial a cada cristão que assume responsabilidades sociais, para que atue com justiça e caridade. Ou seja, visa a orientar o comportamento cristão.

Por isso, a doutrina social implica “responsabilidades referentes à construção, à organização e ao funcionamento da sociedade: obrigações políticas, econômicas, administrativas, vale dizer, de natureza secular, que pertencem aos fiéis leigos, não aos sacerdotes e aos religiosos” (CDSI, 83).

Os direitos humanos, o bem comum, a vida social, o desenvolvimento, a justiça, a família, o trabalho, a economia, a política, a comunidade internacional, o meio ambiente, a paz. Todos esses são campos sobre os quais a Igreja dirige a sua reflexão no contexto da doutrina social.

Todo homem é um ser aberto à relação com os outros na sociedade. Para assegurar o seu bem pessoal e familiar, cada pessoa é chamada a realizar-se plenamente, promovendo o desenvolvimento e o bem da própria sociedade. Assim, a pessoa é o centro do ensinamento social católico. Qualquer conteúdo da doutrina social encontra seu fundamento na dignidade da pessoa humana. Outros princípios básicos do ensinamento social são: o bem comum, a subsidiariedade e a solidariedade.

1 Dignidade da pessoa humana

A Igreja não pensa em primeiro lugar no Estado, no partido ou no grupo étnico. Pensa na pessoa como ser único e irrepetível, criado à imagem de Deus. Uma sociedade só será justa se souber respeitar a dignidade de cada pessoa. Portanto, a ordem social e o progresso devem ordenar-se segundo o bem das pessoas, pois a organização das coisas deve subordinar-se à ordem das pessoas e não o contrário (Gaudium et spes, 26).

O respeito à dignidade humana passa necessariamente por considerar o próximo como outro eu, sem excetuar ninguém. A vida do outro deve ser levada em consideração, assim como os meios necessários para mantê-la dignamente. Assim, o conteúdo da doutrina social é universal, pois considera a dignidade de cada pessoa como inalienável, única e necessária para construir o bem de todos.

2 Bem comum

O bem comum é o “conjunto das condições da vida social que permitem, tanto aos grupos como a cada membro, alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição” (GS, 26). Não se trata de simples soma dos bens particulares de cada sujeito. É um bem indivisível, porque somente juntos se pode alcançá-lo, aumenta-lo e conservá-lo (CDSI, 164).

Para se colocar autenticamente ao serviço do ser humano, a sociedade deve colocar como meta o bem comum, enquanto bem de todos os homens e do homem todo (CIC, 1912).

O bem comum refere-se, por exemplo, a serviços essenciais ao ser humano: acesso a alimentação, habitação, trabalho, educação, cultura, transporte, saúde, informação, liberdade. Implica também o empenho pela paz, a organização dos poderes do Estado, um sólido ordenamento jurídico, a proteção do meio ambiente.

3 Subsidiariedade

O princípio da subsidiariedade indica que, na sociedade, as instituições e organismos de ordem superior devem se colocar em atitude de ajuda (‘subsidium’) – e, portanto, de apoio, promoção e incremento – em relação às menores (CDSI, 186). Por nível superior se entende aquelas que são mais gerais (por exemplo, o governo federal em relação aos governos regionais e estes em relação aos municipais) e os organismos estatais em relação às organizações não-governamentais. É importante notar que o princípio da subsidiariedade inverte a lógica dos governos muito centralizadores e assistencialistas. Para estes governos, o Estado deve organizar e controlar os serviços sociais e as organizações não governamentais apenas o ajudam nesta tarefa. Pelo princípio da subsidiariedade, as pessoas, ao se organizarem, devem procurar, a partir de sua história, de seus valores e princípios, as melhores soluções para seus problemas e o Estado deve ajuda-las a viabilizar estas soluções na busca do bem comum.

O objetivo fundamental deste princípio é garantir o protagonismo da pessoa na sua vida pessoal e social. Ele protege as pessoas dos abusos das instâncias sociais superiores – por exemplo, do Estado – e solicita que as instâncias superiores ajudem os indivíduos e grupos intermediários a desempenhar suas próprias funções (CDSI, 187).

A subsidiariedade não prega formas de centralização, de burocratização, de assistencialismo, de presença injustificada e excessiva do Estado e do aparato público, pois considera que tirar a responsabilidade da sociedade provoca a perda de energias humanas e o aumento exagerado do setor estatal.

De forma positiva, indica a necessidade de se dar suporte às pessoas, famílias, associações, iniciativas privadas, promovendo “uma adequada responsabilização do cidadão no seu ‘ser parte’ ativa da realidade política e social do País” (CDSI 187).

4 Solidariedade

A solidariedade não é um simples sentimento de compaixão pelos males sofridos por tantas pessoas próximas ou distantes. É a determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem de todos e de cada um, porque “todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos” (Sollicitudo rei socialis, 38).

A solidariedade se apresenta sob dois aspectos complementares: o de princípio social – ordenador das instituições – e o de virtude moral – responsabilidade pessoal com o próximo (CDSI, 193).

A solidariedade se manifesta antes de tudo na distribuição dos bens e na remuneração do trabalho. O ensinamento social católico defende que os problemas socioeconômicos “só podem ser resolvidos com o auxílio da solidariedade: solidariedade dos pobres entre si, dos ricos e dos pobres, dos trabalhadores entre si, dos empregadores e dos empregados na empresa, solidariedade entra as nações e entre os povos” (CIC, 1940).

5 A integração entre subsidiariedade e solidariedade

Na aplicação da doutrina social da Igreja, os princípios da subsidiariedade e solidariedade sempre devem ser vistos e aplicados em conjunto, pois “o princípio de subsidiariedade há-de ser mantido estritamente ligado com o princípio de solidariedade e vice-versa, porque, se a subsidiariedade sem a solidariedade decai no particularismo social, a solidariedade sem a subsidiariedade decai no assistencialismo que humilha o sujeito necessitado” (Bento XVI, Carta encicl. Caritas in veritate, 58).

O ensinamento social católico tem o valor de um instrumento de evangelização. Anuncia e atualiza a mensagem de Jesus Cristo em campos fundamentais da vida do homem. Grandes temas da doutrina social são: a família, o trabalho, a vida econômica, a política, a comunidade internacional, a proteção do meio ambiente e a promoção da paz.

1 Família

A Igreja considera a família “como a primeira sociedade natural, titular de direitos próprios e originários, e a põe no centro da vida social”. Ela é “a célula primeira e vital da sociedade”, fundamento da vida das pessoas e base de todo ordenamento social (CDSI, 211).

A família tem o seu fundamento na livre vontade dos cônjuges de se unirem em matrimônio. Ela é um ambiente de vida, de doação recíproca do homem e da mulher, e de bem para as crianças. É comunidade natural na qual se experimenta a sociabilidade humana. Contribui “de modo único e insubstituível para o bem da sociedade” (CDSI, 213).

2 Trabalho

O trabalho humano tem uma dupla dimensão. Em sentido objetivo, é “o conjunto de atividades, recursos, instrumentos e técnicas de que o homem se serve para produzir”. Em sentido subjetivo, é “o agir do homem enquanto ser dinâmico, capaz de realizar as várias ações que pertencem ao processo do trabalho e que correspondem à sua vocação pessoal” (CDSI, 270).

O trabalho é um dever do homem. Mas nunca deve ser considerado simples mercadoria ou elemento impessoal da organização produtiva. O trabalho é expressão essencial da pessoa, sendo a própria pessoa o parâmetro da dignidade do trabalho (CDSI, 271).

3 Economia

O objeto da economia “é a formação da riqueza e o seu incremento progressivo, em termos não apenas quantitativos, mas qualitativos”. Tudo isso “é moralmente correto se orientado para o desenvolvimento global e solidário do homem e da sociedade em que ele vive e atua” (CDSI, 334).

O ensinamento social católico considera a liberdade da pessoa no campo econômico como um valor fundamental, reconhece a justa função do lucro, harmonizada com a capacidade da empresa de servir à sociedade. Defende o livre mercado, prega que o Estado assuma o princípio da subsidiariedade, valoriza a co-presença de ação pública e privada, defende a obtenção de um desenvolvimento integral e solidário para a humanidade.

4 Política

A comunidade política é “a unidade orgânica e organizadora de um verdadeiro povo”. Seu dever é perseguir o bem comum, atuando em vista de um ambiente humano em que seja oferecida aos cidadãos “a possibilidade de um real exercício dos direitos humanos e de um pleno cumprimento dos respectivos deveres” (CDSI, 385, 389).

O ensinamento social católico reconhece o valor do sistema da democracia e a validade do princípio da divisão dos poderes em um Estado. Afirma que a comunidade política é constituída para estar ao serviço da sociedade civil. Igreja e comunidade política são de natureza diversa, quer pela configuração, quer pela finalidade que buscam (CDSI, 424).

5 Comunidade internacional

A convivência entre as nações “funda-se nos mesmos valores que devem orientar a convivência entre os seres humanos: a verdade, a justiça, a solidariedade e a liberdade”. Essa convivência tem o direito como instrumento de garantia de sua ordem (CDSI 433, 434). A política internacional deve ser voltada para o objetivo da paz, do desenvolvimento e da luta contra a pobreza, mediante a adoção de medidas coordenadas.

O Magistério da Igreja defende a instituição de uma “autoridade pública universal, reconhecida por todos, que goze de poder eficiente, a fim de que sejam salvaguardadas a segurança, a observância da justiça e a garantia dos direitos” (CDSI, 441).

6 Meio ambiente

A Igreja Católica afirma que cuidar do meio ambiente é um desafio para toda a humanidade. Trata-se de um dever, comum e universal, de respeitar um bem que é coletivo e destinado a todos (CDSI, 466).

Perante os graves problemas ecológicos, o ensinamento católico defende uma mudança de mentalidade, que induza a adotar novos estilos de vida. Tais estilos devem ser inspirados na sobriedade, na temperança, na autodisciplina, no plano pessoal e social.

7 Paz

A paz é um valor e um dever universal. Ela é fruto da justiça, entendida em sentido amplo como o respeito ao equilíbrio de todas as dimensões da pessoa humana. A paz é também fruto do amor, é ato próprio e específico da caridade (CDSI, 494). A Igreja considera como parte integrante de sua missão a promoção da paz no mundo. Também convoca cada cidadão a essa tarefa.

Para a doutrina social da Igreja, o objetivo último de toda ação social é o desenvolvimento humano integral, ou seja, permitir que o desenvolvimento de todas as dimensões da pessoa (material, afetivo, social, espiritual) chegue igualmente a todos na sociedade.

Em 1967, o Papa Paulo VI publicou sua encíclica Populorum progressio, na qual apresentava o conceito de desenvolvimento humano integral. Com isto, criticava a ideia de que o progresso das nações podia ser medido apenas por seu crescimento econômico ou mesmo apenas pelo aumento do poder aquisitivo da população.

Assim Paulo VI se antecipava a reflexões críticas que se tornaram comuns nas décadas seguintes, através de ideias como a de desenvolvimento sustentável, difundida a partir de um documento de 1980 da União Internacional para a Conservação da Natureza, ou de índices de desenvolvimento humano e desenvolvimento como aumento das oportunidades sociais, da década de 1990. Em 2009, o Papa Bento XVI retomou o conceito, utilizando-o como base para a redação de sua encíclica Caritas in veritate.

O desenvolvimento humano integral implica que as possibilidades criadas pelo crescimento e desenvolvimento econômico das nações estejam igualmente ao alcance de todas as pessoas. Além disso, considera que o desenvolvimento não pode ser apenas material, mas deve incluir todas as dimensões da pessoa. Quem, por exemplo, aumentou muito seu poder aquisitivo, mas se fechou numa posição individualista e não colabora na construção do bem comum, ou não cresceu intelectualmente ou na vida espiritual, não se desenvolveu integralmente.

Num mundo cada vez mais rico, mas que permanece com suas desigualdades globais e sofre com a desumanização das relações sociais e do estilo de vida das populações com mais recursos, o conceito de desenvolvimento humano integral revela-se um instrumento para o diálogo com todas as tendências de pensamento social e político e para a denúncia da crise de sentido e das injustiças que afetam as sociedades.

Os papas e a Igreja têm trabalhado sem cessar para iluminar o vasto campo da vida social e oferecer, à luz do Evangelho, diretrizes para iluminar o caminho de um autêntico desenvolvimento do homem.

Apesar de ter marcado seu desenvolvimento de forma mais estruturada a partir do final do século XIX, a doutrina social é resultado da experiência ancestral e pastoral eclesial. “A Igreja jamais deixou de se interessar pela sociedade; não obstante, a encíclica Rerum novarum dá início a um novo caminho” (CDSI, 87).

Etapas do ensinamento social católico:

– De 1891 até hoje, a doutrina social da Igreja foi um ensinamento constante por parte de todos os papas.

– Leão XIII (1878-1903), na Rerum Novarum (1891), denunciou as condições miseráveis em que vivia a classe operária, protagonista da revolução industrial.

– Pio XI (1922-1939), na Quadragesimo Anno (1931), amplia a doutrina social cristã. Aborda o difícil tema do totalitarismo, encarnado nos regimes fascista, comunista, socialista e nazista.

– Pio XII (1939-1958), papa durante a guerra e o pós-guerra, focaliza a atenção nos “sinais dos tempos”. Ainda que não tenha publicado uma encíclica social, em seus numerosos discursos há uma imensa variedade de ensinamentos políticos, jurídicos, sociais e econômicos.

– João XXIII (1958-1963), na Mater et Magistra (1961) e na Pacen in Terris (1963), abre a doutrina social “a todos os homens de boa vontade” e, assim, a questão social se torna um tema universal que afeta e é responsabilidade de todos os homens e povos.

– Com a Constituição pastoral Gaudium et spes (1965), o Concílio Vaticano II sublinha o rosto de uma Igreja realmente solidária com o gênero humano e sua história. Já na declaração Dignitatis humanae (1965), o Concílio enfatiza o direito à liberdade religiosa.

– Paulo VI (1963-1978), na Populorum Progressio (1967) e na Octogesima adveniens (1971), afirma que o desenvolvimento “é o novo nome da paz” entre os povos. Ele cria o Pontifício Conselho “Justiça e Paz”.

– João Paulo II (1978-2005) compromete-se na difusão do ensinamento social em todos os continentes. Escreve três encíclicas sociais: Laborem Exercens (1981), Sollicitudo Rei Socialis (1987) e Centesimus Annum (1991). Além disso, o Compêndio da Doutrina Social da Igreja (2004) leva a sua assinatura apostólica.

– Bento XVI (2005), em sua encíclica social Caritas in veritate (2009), defende o desenvolvimento integral da pessoa pautado caridade e na verdade.

Referências:  Aleteia / revisão deste artigo ao prof. Dr. Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). 

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz