“Amoris laetitia”: Exortação Apostólica Pós-Sinodal sobre a família do Papa Francisco será publicada em 8 de abril

Cidade do Vaticano (RV) – “Amoris laetitia” (Sobre o amor na família) é o título da Exortação Apostólica Pós-Sinodal sobre a família do Papa Francisco.

O texto será publicado na sexta-feira, 8 de abril, e estará disponível em seis línguas, entre as quais o português. A Exortação será apresentada aos jornalistas na Sala de Imprensa da Santa Sé pelo Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos, Card. Lorenzo Baldisseri, e pelo Arcebispo de Viena (Áustria), Card. Christoph Schönborn.

Também participa da coletiva um casal italiano de professores, docentes de Filosofia: Prof. Francesco Miano, que leciona na Universidade de Roma Tor Vergata e a Professora Giuseppina De Simone, da Faculdade Teológica de Nápoles.

“Amoris laetitia” 
A coletiva poderá ser acompanhada ao vivo no Vatican Player da Rádio Vaticano, onde permanecerá disponível também on demand.

A Exortação Apostólica “Amoris laetitia” será publicada quase seis meses após a conclusão do Sínodo Ordinário sobre a Família convocado pelo Papa Francisco em outubro passado. Um ano antes, em 2014, o Pontífice convocou um Sínodo Extraordinário sobre o mesmo tema.

Depois de dois anos de intenso trabalho dos bispos que participaram dos dois Sínodos, o texto do Papa Francisco é aguardado pelas dioceses do mundo inteiro por oferecer diretrizes e linhas de ação sobre temas práticos que dizem respeito à família.

Por Rádio Vaticana 

Adaptação Portal Terra de Santa Cruz 

Francisco visita Bento XVI durante a Semana Santa

Cidade do Vaticano (RV) – Uma visita estritamente particular com o intuito de levar pessoalmente suas felicitações de Páscoa ao Papa emérito. Assim Francisco foi ao mosteiro Mater Ecclesia, nos Jardins do Vaticano, onde Bento XVI vive desde a sua renúncia.

Durante a Semana Santa – cita a agência Ansa – o Papa emérito presidiu a Liturgia da Paixão e também alguns rituais pascais. Joseph Ratzinger completará 89 no próximo dia 16 de abril.

Apesar de privada, a visita marcou o reencontro entre Francisco e Bento XVI após a abertura da Porta Santa da Basílica de São Pedro, em 8 de dezembro.

Francisco abraça o Papa emérito na abertura da Porta Santa – ANSA

Encontros públicos
O primeiro – histórico – foi o encontro em Castel Gandolfo, no dia 23 de março de 2013, quando Bento XVI e Francisco rezaram juntos por alguns momentos.

Depois disso, em 5 de julho de 2013, Bento XVI apareceu novamente ao lado de Francisco durante a inauguração de um monumento a São Miguel, nos Jardins Vaticanos.

Em 22 de fevereiro de 2014, durante o consistório para a criação de novos cardeais, a Basílica Vaticana teve pela primeira vez na história a presença de dois papas.

Ratzinger voltaria a encontrar o público – e Bergoglio – em 27 de abril de 2014, quando da canonização de São João Paulo II e São João XXIII, na Praça São Pedro.

Dois meses mais tarde, em 28 de setembro, a convite de Francisco, Bento XVI voltou à Praça São Pedro, onde participou do encontro com a terceira idade. O Papa emérito aparecera bem disposto, apesar de caminhar muito devagar e com a ajuda de uma bengala.

Sempre a convite do Papa Francisco, Bento XVI esteve novamente na Praça São Pedro em 19 de outubro de 2014, quando concelebrou o rito de beatificação do Papa Paulo VI.

Em 2015, Bento XVI voltou à Basílica de São Pedro, onde participou do consistório no qual Francisco criou 20 novos cardeais em 14 de fevereiro.

No final de 2015, Bento XVI passou a Porta Santa da Misericórdia da Basílica de São Pedro, aberta pelo Papa Francisco para o Jubileu, em 8 de dezembro.

Notícias de Bento XVI

A Fundação Joseph Ratzinger mantém um site atualizado com informações acerca das atividades do Papa emérito.

A Rádio Vaticano mantém uma seção especial dedicada às notícias sobre Bento XVI. (ansa/rb)

Por Rádio Vaticana 

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

Bento XVI e a misericórdia no centro da atual história cristã

Cidade do Vaticano (RV) – Um livro com participação do Papa emérito Bento XVI, organizado pelo jesuíta Daniele Libanori, chega às bancas com o título “Per mezzo della fede. Dottrina della giustificazione ed esperienza di Dio nella predicazione della Chiesa” (Através da fé. Doutrina da justificação e experiência de Deus na evangelização da Igreja). “Para mim é um sinal dos tempos o fato que a ideia da misericórdia de Deus seja sempre mais central e dominante”, afirma Bento XVI que fala de Francisco na obra.

Francisco e Bento XVI – ANSA

http://media02.radiovaticana.va/audio/audio2/mp3/00521960.mp3

O livro traz a publicação de manifestações feitas num convênio teológico promovido em outubro de 2015 em Roma. Numa entrevista proposta na obra, o Papa emérito cita a santa polonesa Faustina Kowalska (1905-1938), que das suas visões refletem “o desejo da bondade divina que é exatamente do homem do hoje”. Bento XVI também faz referência a São João Paulo II que canonizou a sua conterrânea e publicou uma encíclica sobre o tema: “Deus, rico de misericórdia” (1980).

Papa Francisco e a misericórdia

O Papa emérito explica no livro que o seu sucessor, Papa Francisco, se encontra “de acordo com essa linha (que põe a misericórdia ao centro da mensagem cristã). A sua prática pastoral se expressa sobre o fato que ele nos fala continuamente da misericórdia de Deus”.

E Bento XVI conclui: “os homens de hoje sabem de ter necessidade da misericórdia de Deus e da sua delicadeza. Na dureza do mundo tecnicista, no qual os sentimentos não contam mais nada, aumenta a espera por um amor divino que venha doado gratuitamente. Parece-me que no tema da misericórdia divina se expresse em um modo novo aquilo que significa a justificação pela fé”.

Por Rádio Vaticana  – Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

Data de nascimento do Beato Pe. Victor torna-se feriado Municipal em Campanha/MG-12 de Abril

Sancionada lei que define 12 de abril como feriado municipal – já para este ano

 A Prefeitura sancionou a lei que define o dia 12 de abril como feriado no Município da Campanha, data em que se comemora o nascimento do campanhense Francisco de Paula Victor, o Padre Victor, beatificado no ano passado pelo Vaticano. A lei, oriunda de projeto aprovado na Câmara e de autoria da Vereadora Heloisa Helena Limoeiro Müller, passa a valer para este ano e deve incentivar o Município a comemorar o nascimento do beato conterrâneo, o que pode ser alternativa para o desenvolvimento do turismo em Campanha.

 “Há muito tempo a Câmara tem aprovado indicações sobre o tema de Padre Victor. Várias ideias foram propostas, sugerindo, por exemplo, que a Prefeitura pudesse realizar eventos permanentes na data de seu nascimento, 12 de abril. Ainda foram aprovadas indicações que sugeriram o desenvolvimento de um projeto turístico e construção de uma estátua de Padre Victor no Morro do Cruzeiro, bem como, mais recentemente, uma indicação que sugeri o estudo para a criação de um museu do beato, abrigando aqui parte da história do campanhense. Campanha há muito espera que o Poder Público valorize com maior intensidade a importância e a biografia deste ‘bom pastor segundo o coração de Cristo, humilde arauto do Evangelho e zeloso educador dos jovens’, como nos disse o Papa Francisco, por ocasião de seu processo de Beatificação. Agora, através de apelos da comunidade e também de sugestões de autoridades como o Promotor de Justiça da Comarca da Campanha Dr. Paulo Henrique Senra Carneiro Barbosa, pudemos concretizar mais uma etapa em prol do desenvolvimento do turismo e da cultura em Campanha. Acredito que foi dado mais um passo para que os campanhenses possam, neste dia, participar de eventos que possam vir a ser realizados pelo Município, em comemoração à data de nascimento do beato em Campanha MG. O feriado municipal passa a valer já para este ano, no próximo dia 12 de abril. Esperamos que o Município, caso não possa realizar eventos neste ano (pelo tempo escasso), que já programe para o ano que vem comemorações e projetos, através de parcerias com a Paróquia, por exemplo, ou exposições alusivas ao campanhense. É um grande passo para consolidarmos ações para o turismo da cidade, já que aqui nasceu o chamado ‘bem-aventurado’, reconhecido oficialmente pelo Vaticano”, salientou a autora do projeto de lei, a Vereadora Heloisa Helena Limoeiro Müller. 

Texto  http://www.camaracampanha.mg.gov.br

Reveja Chegada da Imagem do Beato em Campanha, um dia após sua beatificação, os Campanhenses receberam Pe. Victor, assim como no passado, o mesmo foi recebido quando retornou do seminário de Mariana/MG para atuar como Pároco de Campanha, com festa ele foi bem recebido.Não foi diferente após sua beatificação, muita festa foi feita para recebe-lo .  Veja o Vídeo desse dia emocionante…

 

CONHEÇA A HISTÓRIA DO BEATO

O livro que conta a história de Francisco de Paula Victor, escrito pelo teólogo italiano Gaetano Passarelli, começa com um sonho. O jovem negro, escravo, que passava seus dias na Campanha (MG) do início do século XIX, revela ao seu professor de alfaiataria que queria ser padre. Era um sonho impossível a pessoas como ele à época, mas ter fé é crer no que não é possível. E Victor venceu todos os preconceitos e barreiras sociais, se tornando o primeiro padre ex-escravo do Brasil. No dia 14 de novembro, ele será beatificado pela Igreja Católica em Três Pontas (MG).

O que se sabe de Victor está descrito nos poucos documentos que ele deixou em vida e nas dezenas de depoimentos das pessoas que o conheceram. São histórias passadas de pais para filhos que contam de sua humildade, total dedicação às pessoas, persistência ante obstáculos racistas. O que se pode perceber na vida de Padre Victor é que a fé realmente “remove montanhas”, e um sonho é capaz de mudar a realidade de uma época.

Vida no interior das Minas de outrora.
A história de Padre Victor começa em um casarão na Rua Direita da Campanha (MG) de 1827. Foi ali que ele nasceu no dia 12 de abril. O primeiro documento consta que ele foi batizado oito dias depois pelo padre Antônio Manoel Teixeira. Cidade mais antiga do Sul de Minas, àquela época a vila de Campanha da Princesa da Beira reunia fazendeiros em busca de ouro e seus escravos. CONTINUE LENDO AQUI

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Por Portal Terra de Santa Cruz 

 

Queridos padres: por favor, nos ensinem!

A maioria de nós, estudantes, não sabe nem o básico da fé. Vocês têm que começar do zero. Então, por favor, nos ensinem!

custódia refletida no olho

Queridos padres,

Eu sou uma caloura universitária e gostaria de pedir algumas coisas a vocês. Ou melhor, gostaria de suplicar a vocês uma coisa: por favor, nos ensinem!

Não parem de ler ainda, por favor. Vocês talvez estejam pensando que eu sou uma caloura sabe-tudo. Mas não sou. Admito que não tenho a menor ideia sobre os desafios que vocês enfrentam diariamente, seja na paróquia, seja no campus universitário… Mas eu sei do que é que nós, estudantes, precisamos. A maioria de nós não sabe nem o básico da fé. Vocês têm que começar do zero. Então, por favor, nos ensinem!

Vocês querem nos ensinar, mas acham que não têm tempo. A maioria dos poucos estudantes que ouvem as suas homilias no domingo só ouvem vocês ali mesmo. Os professores nos falam durante horas e horas, cinco dias por semana. Vocês só têm dez, quinze minutos, um dia por semana. É um desafio impossível, mas, por favor, nesse tempo que vocês têm para chegar até as almas, nos ensinem alguma coisa!

Vocês podem achar que o único jeito de fazer esses poucos jovens continuarem indo à missa é adoçando a mensagem: nada de mencionar muito as regras, as exigências, os compromissos… Posso lhes dizer o que nós realmente queremos ouvir? Digam-nos que as regras são importantes, proclamem quais são as regras e mostrem como elas nos ajudam!

Digam-nos que Deus nos ama. Digam-nos o quanto Ele nos ama!

Digam-nos que Deus quer que nos arrependamos dos nossos erros e nos ajudem a recorrer aos sacramentos.

Digam-nos que, não importa o que aconteça, Deus nunca desiste de nós.

Digam-nos que nós valemos mais do que a nota que tiramos ou que o número de amigos que temos.

Digam-nos que nós não somos dignos do amor de Deus, mas que o amor que Ele nos dá nos torna dignos do melhor!

Digam-nos que, por causa desse amor, nós valemos mais do que sequer podemos imaginar.

Digam-nos que estamos aqui por uma razão; que Deus reservou algo para nós fazermos; que Ele não comete erros e que, por isso mesmo, nós não somos um erro no mundo.

Digam-nos que a coisa que Deus mais deseja não é que nós não erremos nunca, mas que O amemos sempre.

Digam-nos para que foi feito o nosso corpo e o nosso espírito.

Digam-nos que Deus nos fez para sermos santos – e que nós podemos ser santos.

Digam-nos que os santos são fascinantes, que eles são os nossos melhores exemplos e os nossos amigos celestiais.

Ensinem-nos sobre a misericórdia divina!

Ensinem-nos sobre o céu. Falem-nos também do inferno e nos digam que ambos são reais.

Ensinem-nos por que importa aquilo que fazemos e digam-nos que importa sempre.

Ensinem-nos a imaginar a grandeza, a altura, a largura e a profundidade de Deus.

Digam-nos que Deus está sempre conosco!

Nós precisamos do básico, mas, depois, também precisamos de mais! Nenhuma criança já decidiu se especializar em matemática logo depois de aprender que 2 + 2 = 4. Vão além do básico. Digam-nos quais são os mistérios a contemplar e nos ajudem a refletir e a nos aprofundarmos neles; digam-nos como os mistérios nos ensinam a pensar, a fazer perguntas, a estudar e a amar.

Vocês estiveram no seminário durante quanto tempo? Contem-nos um pouco do que vocês aprenderam! Deem-nos o seu testemunho pessoal e sejam nossos exemplos!

Estamos só começando a descobrir que nada na terra pode nos satisfazer. Digam-nos o porquê!

Por favor, ensinem-nos tudo isso e muito mais! Eu não acho que os outros devam tentar descobrir tudo isso por conta própria. Por favor, ensinem-nos!

Atenciosamente,   Therese Anthony

* Therese Anthony é um pseudônimo de uma caloura universitária de Michigan, Estados Unidos.

Fonte: ALETEIA – Adaptação Portal Terra de Santa Cruz 

O CRISTÃO LEIGO NUMA IGREJA “EM SAÍDA”/ Por Dom Pedro Cunha Cruz

O tema central da Assembleia dos Bispos neste ano de 2016 será sobre os “Cristãos Leigos e Leigas, sujeitos na Igreja e na Sociedade. Sal da terra e luz do mundo (Mt 5, 13-14)”. O propósito do tema é aquele de retomar e aprofundar a participação dos leigos e leigas na Igreja à luz do Concílio Vaticano II que destacou a variedade de ministérios, carismas e serviços. A Igreja como Povo de Deus deve ser vista a partir do sacerdócio comum dos fiéis e do sacerdócio ministerial ou hierárquico; embora se diferenciem essencialmente e não apenas em grau, ordenam-se mutuamente um ao outro; “pois um e outro participam, a seu modo, do único sacerdócio de Cristo” (LG, n.10).

Na verdade, o que o episcopado reunido quer propor é que cada fiel tome consciência do papel ativo na Igreja e no mundo. Retomar e reafirmar o papel significativo dos fiéis leigos como Povo de Deus e sujeitos ativos da missão evangelizadora ou protagonistas de uma sociedade mais humana e justa, é o objetivo central do tema proposto. Não é por nada que Papa Francisco tem lançado um vigoroso apelo a todo Povo de Deus que saia para evangelizar. Assim, toda a Igreja é convidada a sair para levar os homens e mulheres ao encontro com o Cristo vivo, pois ela está inserida no mundo como sinal da salvação e como servidora da humanidade. Todos nós somos chamados a superar qualquer tentativa de contraposição entre Igreja e mundo. No mundo e na Igreja, o mesmo povo vive sua dignidade e exerce sua missão (Cf. ChL, n.15).

Se de um lado o legado do Concílio foi aquele de propor uma leitura da realidade a partir da fé; de outro, a consciência desta missão evangelizadora requer uma postura de diálogo com as realidades concretas em que a Igreja se encontra inserida. Tal postura exige uma autêntica e permanente conversão dos sujeitos cristãos, em cada tempo e realidade. Essa cultura do encontro e da solidariedade constitui o antídoto à cultura individualista hoje reinante (Cf. EG, n.115), além de possibilitar a evangelização. Todos são, pelo batismo, sujeitos ativos de evangelização.

Portanto, a evangelização é dever da Igreja. Não cabe mais atribuir esta missão somente aos ministros ordenados. Daí o tema proposto assinalar perspectivas que ajudem a superar o clericalismo, o individualismo ou o comunitarismo que fecha o cristão em um grupo eclesial, sem a necessária abertura ao outro ou ao mundo. A Igreja não é chamada a ser uma ilha isolada, mas uma Igreja dos seguidores de Jesus Cristo, da escuta, do diálogo e do encontro, a fim de que possa servir como testemunha de Cristo e gerar força que transforme o mundo na dinâmica do amor de Cristo (Cf. EG, n.27-33). Ela vive para evangelizar. É o cristão que se coloca na escuta do Espírito Santo para transformar o mundo na direção do Reino de Deus. Que os frutos desta assembleia episcopal possam nos ajudar na formação de muitos leigos e leigas como sujeitos eclesiais que assumam com autenticidade o seu discipulado missionário na Igreja e no mundo.

DOM PEDRO CNBB

+ Dom Pedro Cunha Cruz
Bispo Diocesano da Campanha – MG

Fonte: www.diocesedacampanha.org.br  acesse e saiba mais….

Adaptação/Foto: Portal Terra de Santa Cruz

 

O que é a doutrina social da Igreja?

Transformar a sociedade com a força do Evangelho sempre foi um desafio para os cristãos. Mas em que critérios os católicos se apoiam para aplicar e fazer ter ressonância a Boa Nova de Jesus Cristo nas questões sociais?

Doutrina Social da Igreja é o conjunto dos ensinamentos contidos na doutrina da Igreja Católica e no Magistério da Igreja Católica, constante de numerosas encíclicas e pronunciamentos dos Papas inseridos na tradição multissecular, e que tem suas origens nos primórdios do Cristianismo.

  COMPÊNDIO DISPONÍVEL ON-LINE EM PORTUGUÊS

A expressão “doutrina social da Igreja” designa o conjunto de orientações da Igreja Católica para os temas sociais. Ela reúne os pronunciamentos do magistério católico sobre tudo que implica a presença do homem na sociedade e no contexto internacional. Trata-se de uma reflexão feita à luz da fé e da tradição eclesial.

A função da doutrina social é o anúncio de uma visão global do homem e da humanidade e a denúncia do pecado de injustiça e de violência que de vários modos atravessa a sociedade.

Sendo assim, não é uma ideologia, nem se confunde com as várias doutrinas políticas construídas pelo homem. Ela poderá encontrar pontos de concordância com as diversas ideologias e doutrinas políticas quando estas buscam a verdade e a construção do bem comum, mas irá denunciá-las sempre que se afastarem destes ideais.

A doutrina social da Igreja “situa-se no cruzamento da vida e da consciência cristã com as situações do mundo e exprime-se nos esforços que indivíduos, famílias, agentes culturais e sociais, políticos e homens de Estado realizam para lhe dar forma e aplicação na história” (João Paulo II, Carta encicl. Centesimus annus, 59).

Ela busca o desenvolvimento humano integral, que é “o desenvolvimento do homem todo e de todos os homens” (Paulo VI, Carta encicl. Populorum Progressio, 42; Bento XVI, Carta encicl. Caritas in veritate, 8).

Ao anunciar o Evangelho à sociedade em seu ordenamento político, econômico, jurídico e cultural, a Igreja quer atualizar no curso da história a mensagem de Jesus Cristo. Ela busca colaborar na construção do bem comum, iluminando as relações sociais com a luz do Evangelho.

A expressão “doutrina social” remonta a Pio XI (Carta encicl. Quadragesimo anno, 1931). Designa o corpus doutrinal referente à sociedade desenvolvido na Igreja a partir da encíclica Rerum novarum (1891), de Leão XIII. Em 2004, foi publicado o Compêndio de Doutrina Social da Igreja, organizado pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz, que apresenta de forma sistemática o conteúdo da doutrina social da Igreja produzido até aquela ocasião. A partir daí, este se tornou o documento de referência obrigatório para quem deseja aprofundar-se neste campo.

Considerado o primeiro grande documento da doutrina social da Igreja, a Rerum novarum aborda a questão operária no fim do século XIX. Leão XIII denuncia a penosa situação dos trabalhadores das fábricas, afligidos pela miséria, num contexto profundamente transformado pela revolução industrial. Depois da Rerum novarum, apareceram diversas encíclicas e mensagens referentes aos problemas sociais.

Com sua doutrina social, a Igreja não quer impor-se à sociedade, mas sim fornecer critérios de discernimento para a orientação e formação das consciências. Nesta perspectiva, a doutrina social cumpre uma função de anúncio de uma visão global do homem e da humanidade, e também de denúncia do pecado de injustiça e de violência que de vários modos atravessa a sociedade (Compêndio da Doutrina Social da Igreja – CDSI –, 81). Não entra em aspectos técnicos nem se apresenta como uma terceira via para substituir sistemas políticos ou econômicos.

Seu propósito é religioso, sendo matéria do campo da teologia moral. Sua finalidade é interpretar as realidades da existência do homem, examinando a sua conformidade com as linhas do ensinamento do Evangelho. É uma doutrina dirigida em especial a cada cristão que assume responsabilidades sociais, para que atue com justiça e caridade. Ou seja, visa a orientar o comportamento cristão.

Por isso, a doutrina social implica “responsabilidades referentes à construção, à organização e ao funcionamento da sociedade: obrigações políticas, econômicas, administrativas, vale dizer, de natureza secular, que pertencem aos fiéis leigos, não aos sacerdotes e aos religiosos” (CDSI, 83).

Os direitos humanos, o bem comum, a vida social, o desenvolvimento, a justiça, a família, o trabalho, a economia, a política, a comunidade internacional, o meio ambiente, a paz. Todos esses são campos sobre os quais a Igreja dirige a sua reflexão no contexto da doutrina social.

Todo homem é um ser aberto à relação com os outros na sociedade. Para assegurar o seu bem pessoal e familiar, cada pessoa é chamada a realizar-se plenamente, promovendo o desenvolvimento e o bem da própria sociedade. Assim, a pessoa é o centro do ensinamento social católico. Qualquer conteúdo da doutrina social encontra seu fundamento na dignidade da pessoa humana. Outros princípios básicos do ensinamento social são: o bem comum, a subsidiariedade e a solidariedade.

1 Dignidade da pessoa humana

A Igreja não pensa em primeiro lugar no Estado, no partido ou no grupo étnico. Pensa na pessoa como ser único e irrepetível, criado à imagem de Deus. Uma sociedade só será justa se souber respeitar a dignidade de cada pessoa. Portanto, a ordem social e o progresso devem ordenar-se segundo o bem das pessoas, pois a organização das coisas deve subordinar-se à ordem das pessoas e não o contrário (Gaudium et spes, 26).

O respeito à dignidade humana passa necessariamente por considerar o próximo como outro eu, sem excetuar ninguém. A vida do outro deve ser levada em consideração, assim como os meios necessários para mantê-la dignamente. Assim, o conteúdo da doutrina social é universal, pois considera a dignidade de cada pessoa como inalienável, única e necessária para construir o bem de todos.

2 Bem comum

O bem comum é o “conjunto das condições da vida social que permitem, tanto aos grupos como a cada membro, alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição” (GS, 26). Não se trata de simples soma dos bens particulares de cada sujeito. É um bem indivisível, porque somente juntos se pode alcançá-lo, aumenta-lo e conservá-lo (CDSI, 164).

Para se colocar autenticamente ao serviço do ser humano, a sociedade deve colocar como meta o bem comum, enquanto bem de todos os homens e do homem todo (CIC, 1912).

O bem comum refere-se, por exemplo, a serviços essenciais ao ser humano: acesso a alimentação, habitação, trabalho, educação, cultura, transporte, saúde, informação, liberdade. Implica também o empenho pela paz, a organização dos poderes do Estado, um sólido ordenamento jurídico, a proteção do meio ambiente.

3 Subsidiariedade

O princípio da subsidiariedade indica que, na sociedade, as instituições e organismos de ordem superior devem se colocar em atitude de ajuda (‘subsidium’) – e, portanto, de apoio, promoção e incremento – em relação às menores (CDSI, 186). Por nível superior se entende aquelas que são mais gerais (por exemplo, o governo federal em relação aos governos regionais e estes em relação aos municipais) e os organismos estatais em relação às organizações não-governamentais. É importante notar que o princípio da subsidiariedade inverte a lógica dos governos muito centralizadores e assistencialistas. Para estes governos, o Estado deve organizar e controlar os serviços sociais e as organizações não governamentais apenas o ajudam nesta tarefa. Pelo princípio da subsidiariedade, as pessoas, ao se organizarem, devem procurar, a partir de sua história, de seus valores e princípios, as melhores soluções para seus problemas e o Estado deve ajuda-las a viabilizar estas soluções na busca do bem comum.

O objetivo fundamental deste princípio é garantir o protagonismo da pessoa na sua vida pessoal e social. Ele protege as pessoas dos abusos das instâncias sociais superiores – por exemplo, do Estado – e solicita que as instâncias superiores ajudem os indivíduos e grupos intermediários a desempenhar suas próprias funções (CDSI, 187).

A subsidiariedade não prega formas de centralização, de burocratização, de assistencialismo, de presença injustificada e excessiva do Estado e do aparato público, pois considera que tirar a responsabilidade da sociedade provoca a perda de energias humanas e o aumento exagerado do setor estatal.

De forma positiva, indica a necessidade de se dar suporte às pessoas, famílias, associações, iniciativas privadas, promovendo “uma adequada responsabilização do cidadão no seu ‘ser parte’ ativa da realidade política e social do País” (CDSI 187).

4 Solidariedade

A solidariedade não é um simples sentimento de compaixão pelos males sofridos por tantas pessoas próximas ou distantes. É a determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem de todos e de cada um, porque “todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos” (Sollicitudo rei socialis, 38).

A solidariedade se apresenta sob dois aspectos complementares: o de princípio social – ordenador das instituições – e o de virtude moral – responsabilidade pessoal com o próximo (CDSI, 193).

A solidariedade se manifesta antes de tudo na distribuição dos bens e na remuneração do trabalho. O ensinamento social católico defende que os problemas socioeconômicos “só podem ser resolvidos com o auxílio da solidariedade: solidariedade dos pobres entre si, dos ricos e dos pobres, dos trabalhadores entre si, dos empregadores e dos empregados na empresa, solidariedade entra as nações e entre os povos” (CIC, 1940).

5 A integração entre subsidiariedade e solidariedade

Na aplicação da doutrina social da Igreja, os princípios da subsidiariedade e solidariedade sempre devem ser vistos e aplicados em conjunto, pois “o princípio de subsidiariedade há-de ser mantido estritamente ligado com o princípio de solidariedade e vice-versa, porque, se a subsidiariedade sem a solidariedade decai no particularismo social, a solidariedade sem a subsidiariedade decai no assistencialismo que humilha o sujeito necessitado” (Bento XVI, Carta encicl. Caritas in veritate, 58).

O ensinamento social católico tem o valor de um instrumento de evangelização. Anuncia e atualiza a mensagem de Jesus Cristo em campos fundamentais da vida do homem. Grandes temas da doutrina social são: a família, o trabalho, a vida econômica, a política, a comunidade internacional, a proteção do meio ambiente e a promoção da paz.

1 Família

A Igreja considera a família “como a primeira sociedade natural, titular de direitos próprios e originários, e a põe no centro da vida social”. Ela é “a célula primeira e vital da sociedade”, fundamento da vida das pessoas e base de todo ordenamento social (CDSI, 211).

A família tem o seu fundamento na livre vontade dos cônjuges de se unirem em matrimônio. Ela é um ambiente de vida, de doação recíproca do homem e da mulher, e de bem para as crianças. É comunidade natural na qual se experimenta a sociabilidade humana. Contribui “de modo único e insubstituível para o bem da sociedade” (CDSI, 213).

2 Trabalho

O trabalho humano tem uma dupla dimensão. Em sentido objetivo, é “o conjunto de atividades, recursos, instrumentos e técnicas de que o homem se serve para produzir”. Em sentido subjetivo, é “o agir do homem enquanto ser dinâmico, capaz de realizar as várias ações que pertencem ao processo do trabalho e que correspondem à sua vocação pessoal” (CDSI, 270).

O trabalho é um dever do homem. Mas nunca deve ser considerado simples mercadoria ou elemento impessoal da organização produtiva. O trabalho é expressão essencial da pessoa, sendo a própria pessoa o parâmetro da dignidade do trabalho (CDSI, 271).

3 Economia

O objeto da economia “é a formação da riqueza e o seu incremento progressivo, em termos não apenas quantitativos, mas qualitativos”. Tudo isso “é moralmente correto se orientado para o desenvolvimento global e solidário do homem e da sociedade em que ele vive e atua” (CDSI, 334).

O ensinamento social católico considera a liberdade da pessoa no campo econômico como um valor fundamental, reconhece a justa função do lucro, harmonizada com a capacidade da empresa de servir à sociedade. Defende o livre mercado, prega que o Estado assuma o princípio da subsidiariedade, valoriza a co-presença de ação pública e privada, defende a obtenção de um desenvolvimento integral e solidário para a humanidade.

4 Política

A comunidade política é “a unidade orgânica e organizadora de um verdadeiro povo”. Seu dever é perseguir o bem comum, atuando em vista de um ambiente humano em que seja oferecida aos cidadãos “a possibilidade de um real exercício dos direitos humanos e de um pleno cumprimento dos respectivos deveres” (CDSI, 385, 389).

O ensinamento social católico reconhece o valor do sistema da democracia e a validade do princípio da divisão dos poderes em um Estado. Afirma que a comunidade política é constituída para estar ao serviço da sociedade civil. Igreja e comunidade política são de natureza diversa, quer pela configuração, quer pela finalidade que buscam (CDSI, 424).

5 Comunidade internacional

A convivência entre as nações “funda-se nos mesmos valores que devem orientar a convivência entre os seres humanos: a verdade, a justiça, a solidariedade e a liberdade”. Essa convivência tem o direito como instrumento de garantia de sua ordem (CDSI 433, 434). A política internacional deve ser voltada para o objetivo da paz, do desenvolvimento e da luta contra a pobreza, mediante a adoção de medidas coordenadas.

O Magistério da Igreja defende a instituição de uma “autoridade pública universal, reconhecida por todos, que goze de poder eficiente, a fim de que sejam salvaguardadas a segurança, a observância da justiça e a garantia dos direitos” (CDSI, 441).

6 Meio ambiente

A Igreja Católica afirma que cuidar do meio ambiente é um desafio para toda a humanidade. Trata-se de um dever, comum e universal, de respeitar um bem que é coletivo e destinado a todos (CDSI, 466).

Perante os graves problemas ecológicos, o ensinamento católico defende uma mudança de mentalidade, que induza a adotar novos estilos de vida. Tais estilos devem ser inspirados na sobriedade, na temperança, na autodisciplina, no plano pessoal e social.

7 Paz

A paz é um valor e um dever universal. Ela é fruto da justiça, entendida em sentido amplo como o respeito ao equilíbrio de todas as dimensões da pessoa humana. A paz é também fruto do amor, é ato próprio e específico da caridade (CDSI, 494). A Igreja considera como parte integrante de sua missão a promoção da paz no mundo. Também convoca cada cidadão a essa tarefa.

Para a doutrina social da Igreja, o objetivo último de toda ação social é o desenvolvimento humano integral, ou seja, permitir que o desenvolvimento de todas as dimensões da pessoa (material, afetivo, social, espiritual) chegue igualmente a todos na sociedade.

Em 1967, o Papa Paulo VI publicou sua encíclica Populorum progressio, na qual apresentava o conceito de desenvolvimento humano integral. Com isto, criticava a ideia de que o progresso das nações podia ser medido apenas por seu crescimento econômico ou mesmo apenas pelo aumento do poder aquisitivo da população.

Assim Paulo VI se antecipava a reflexões críticas que se tornaram comuns nas décadas seguintes, através de ideias como a de desenvolvimento sustentável, difundida a partir de um documento de 1980 da União Internacional para a Conservação da Natureza, ou de índices de desenvolvimento humano e desenvolvimento como aumento das oportunidades sociais, da década de 1990. Em 2009, o Papa Bento XVI retomou o conceito, utilizando-o como base para a redação de sua encíclica Caritas in veritate.

O desenvolvimento humano integral implica que as possibilidades criadas pelo crescimento e desenvolvimento econômico das nações estejam igualmente ao alcance de todas as pessoas. Além disso, considera que o desenvolvimento não pode ser apenas material, mas deve incluir todas as dimensões da pessoa. Quem, por exemplo, aumentou muito seu poder aquisitivo, mas se fechou numa posição individualista e não colabora na construção do bem comum, ou não cresceu intelectualmente ou na vida espiritual, não se desenvolveu integralmente.

Num mundo cada vez mais rico, mas que permanece com suas desigualdades globais e sofre com a desumanização das relações sociais e do estilo de vida das populações com mais recursos, o conceito de desenvolvimento humano integral revela-se um instrumento para o diálogo com todas as tendências de pensamento social e político e para a denúncia da crise de sentido e das injustiças que afetam as sociedades.

Os papas e a Igreja têm trabalhado sem cessar para iluminar o vasto campo da vida social e oferecer, à luz do Evangelho, diretrizes para iluminar o caminho de um autêntico desenvolvimento do homem.

Apesar de ter marcado seu desenvolvimento de forma mais estruturada a partir do final do século XIX, a doutrina social é resultado da experiência ancestral e pastoral eclesial. “A Igreja jamais deixou de se interessar pela sociedade; não obstante, a encíclica Rerum novarum dá início a um novo caminho” (CDSI, 87).

Etapas do ensinamento social católico:

– De 1891 até hoje, a doutrina social da Igreja foi um ensinamento constante por parte de todos os papas.

– Leão XIII (1878-1903), na Rerum Novarum (1891), denunciou as condições miseráveis em que vivia a classe operária, protagonista da revolução industrial.

– Pio XI (1922-1939), na Quadragesimo Anno (1931), amplia a doutrina social cristã. Aborda o difícil tema do totalitarismo, encarnado nos regimes fascista, comunista, socialista e nazista.

– Pio XII (1939-1958), papa durante a guerra e o pós-guerra, focaliza a atenção nos “sinais dos tempos”. Ainda que não tenha publicado uma encíclica social, em seus numerosos discursos há uma imensa variedade de ensinamentos políticos, jurídicos, sociais e econômicos.

– João XXIII (1958-1963), na Mater et Magistra (1961) e na Pacen in Terris (1963), abre a doutrina social “a todos os homens de boa vontade” e, assim, a questão social se torna um tema universal que afeta e é responsabilidade de todos os homens e povos.

– Com a Constituição pastoral Gaudium et spes (1965), o Concílio Vaticano II sublinha o rosto de uma Igreja realmente solidária com o gênero humano e sua história. Já na declaração Dignitatis humanae (1965), o Concílio enfatiza o direito à liberdade religiosa.

– Paulo VI (1963-1978), na Populorum Progressio (1967) e na Octogesima adveniens (1971), afirma que o desenvolvimento “é o novo nome da paz” entre os povos. Ele cria o Pontifício Conselho “Justiça e Paz”.

– João Paulo II (1978-2005) compromete-se na difusão do ensinamento social em todos os continentes. Escreve três encíclicas sociais: Laborem Exercens (1981), Sollicitudo Rei Socialis (1987) e Centesimus Annum (1991). Além disso, o Compêndio da Doutrina Social da Igreja (2004) leva a sua assinatura apostólica.

– Bento XVI (2005), em sua encíclica social Caritas in veritate (2009), defende o desenvolvimento integral da pessoa pautado caridade e na verdade.

Referências:  Aleteia / revisão deste artigo ao prof. Dr. Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). 

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

Papa Francisco critica o “carreirismo eclesiástico”

Papa Francisco condena os cristãos de conveniência, que instrumentalizam a fé para se tornarem “homens de poder”, e alerta que o espírito do mundo não tolera o verdadeiro cristão que segue Jesus por amor

 

O Papa Francisco fez uma dura crítica ao “carreirismo eclesiástico”, nesta manhã, 28/05, durante a tradicional Missa que celebra na Casa Santa Marta. O Santo Padre disse na sua homilia que “quem acompanha Jesus como um ‘projeto cultural’, usa esta estrada para subir na vida… o cristão, porém, segue Jesus por amor”. Francisco ainda frisou que o seguimento de Jesus não implica poder, porque “o seu caminho é o da cruz”. Para o Papa, o anúncio cristão deve ir “aos ossos, ao coração”.

A homilia do Papa Francisco retoma um tema bastante delicado para a Igreja, ainda mais pelo prejuízo causado ao testemunho dos cristãos. Já Bento XVI condenava a busca de poder dentro da hierarquia eclesiástica. Segundo o Papa Emérito, “a soberba que é arrogância, que quer sobretudo poder… não tenciona agradar a Deus, mas agradar a si próprio”.  O predecessor de Francisco alentava os fiéis a superarem essa tentação, “que é também o núcleo do pecado original”.

Francisco também alertou os católicos que querem viver sem dificuldades. “Quando um cristão não encontra dificuldades na vida – achando que tudo está indo bem, que tudo é lindo – significa que alguma coisa está errada”, denunciou o Papa. O Santo Padre lembrou as palavras Jesus a São Pedro, quando disse que aqueles que o seguirem terão “muitas coisas boas”, mas sofrerão “perseguição”. O Papa explicou que a razão dessa perseguição é o espírito “mundano” que não tolera o testemunho.

O Papa recordou Madre Teresa de Calcutá e a sua vida de intenso apostolado. “Dizem que era uma bela mulher, que fez muito pelos outros, mas o espírito ‘mundano’ nunca disse que a Beata Teresa, todos os dias, por horas, fazia adoração”, criticou Francisco. O Santo Padre se referiu à tendência de se “reduzir a atividade cristã ao bem social, como se a existência cristã fosse um verniz, uma pátina de cristianismo”. O Papa ensinou que o testemunho cristão não é uma pátina, pois “vai aos ossos, ao coração, dentro de nós e nos transforma”. E é por isso, esclareceu Francisco, que as perseguições acontecem, pois o espírito “mundano” não tolera a verdade cristã.

Ao término de sua homilia, o Papa Francisco encorajou os fiéis a seguirem o caminho ensinado por Cristo, apesar das perseguições, e pediu a Deus a graça para que todos se mantenham firmes na fé.

Por: Equipe Christo Nihil Praeponere

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

Liturgia: Domingo da Páscoa do Senhor Contemplemos o Cristo Vivo Entre Nós.

Acenda essa chama em seu coração, contagie sua mente, sua casa e família por essa verdade maravilhosa: Cristo está vivo e no meio de nós!

De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos (João 20, 9).

Primeira Leitura (At 10, 34a. 37-43)
Leitura dos Atos dos Apóstolos:
 
Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: “Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João: como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele.
 
E nós somos testemunhas de tudo o que Jesus fez na terra dos judeus e em Jerusalém. Eles o mataram, pregando-o numa cruz.
 
Mas Deus o ressuscitou no terceiro dia, concedendo-lhe manifestar-se não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus havia escolhido: a nós, que comemos e bebemos com Jesus, depois que ressuscitou dos mortos.
 
E Jesus nos mandou pregar ao povo e testemunhar que Deus o constituiu Juiz dos vivos e dos mortos.
 
Todos os profetas dão testemunho dele: “Todo aquele que crê em Jesus recebe, em seu nome, o perdão dos pecados”.
 
– Palavra do Senhor.
 
SALMO DO DIA – SALMO 117 – Este é o dia que o Senhor fez para nós:/ alegremo-nos e nele exultemos!
 
— Este é o dia que o Senhor fez para nós:/ alegremo-nos e nele exultemos!
 
— Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! / “Eterna é a sua misericórdia!”/ A casa de Israel agora o diga:/ “Eterna é a sua misericórdia!”
 
— A mão direita do Senhor fez maravilhas,/ a mão direita do Senhor me levantou./ Não morrerei, mas ao contrário, viverei/ para contar as grandes obras do Senhor!
 
— A pedra que os pedreiros rejeitaram,/ tornou-se agora a pedra angular;/ pelo Senhor é que foi feito tudo isso!/ Que maravilhas ele fez a nossos olhos!
 
Segunda Leitura (Cl 3, 1-4)
Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses:
 
Irmãos: Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus.
 
Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória.
 
– Palavra do Senhor
 
Anúncio do Evangelho (Jo 20, 1-9)
 
— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.
 
No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido tirada do túmulo.
 
Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: “Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”.
 
Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou.
 
Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte.
 
Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou.
 
De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.
Palavra da Salvação
MEDITANDO O EVANGELHO

Hoje, contemplamos um túmulo que está vazio, porque, ali, depositaram o corpo de Jesus, mas, na manhã de domingo, quando foram buscar o corpo do Senhor para cuidá-Lo, ungi-Lo e contemplá-Lo, não estava mais lá.

Alguns disseram que os discípulos roubaram o corpo, mas como pode um corpo roubado fazer tanto bem, ressuscitar tantas vidas, levantar a vida de tantas pessoas? O fato é que esse corpo não foi roubado, mas ressurgiu, ressuscitou de forma gloriosa e única!

Cristo Jesus não permaneceu no túmulo, porque lá estava perdida toda a esperança da humanidade, tudo estava enterrado. Ele levantou-se dos mortos, ressuscitou do túmulo e trouxe vida nova a cada um de nós.

É verdade que muitos de nós ainda temos a mente e o coração fechados para compreender as Escrituras, para podermos compreender que Ele haveria de ressuscitar dos mortos e trazer a vida nova a cada um de nós.

Abramos nossa mente e coração, contemplemos o Cristo que está vivo no meio de nós! Isso não é só uma verdade histórica, mas, de fé; não é um simples dogma, é o sentido fundamental da nossa fé. Se Cristo Jesus não tivesse ressuscitado, vã seria a nossa fé, perda de tempo seria celebrar a Eucaristia e tantas outras coisas. Tudo aquilo que celebramos é para proclamar que Cristo Jesus está vivo e no meio de nós!

Acenda essa chama em seu coração, contagie sua mente, sua casa e sua família com essa verdade maravilhosa: Cristo está vivo e no meio de nós! Ele acende nossos corações para que nenhuma desesperança, desespero, desânimo, doença, tristeza e morte falem mais alto em nossos corações.

Contemplar o Cristo vivo e ressuscitado, no meio de nós, é ter a certeza de que a palavra final não é a da morte, da dor nem do sofrimento. A palavra final é a de Deus, é a da vida!

Queremos celebrar a vida no ardor da ressurreição, que acontece, todos os dias, quando deixamos morrer o homem velho para brotar em nós o Cristo vivo e ressuscitado!

Uma feliz Páscoa para você e toda a sua família!

Texto: Pe. Roger Araújo 

Portal Terra de Santa Cruz 

DOM PEDRO: O SENHOR RESSUSCITADO, NOSSA VIDA E SALVAÇÃO – Mensagem para Páscoa .

Vivemos a alegria do anúncio pascal que ressoa em toda Igreja: Cristo Ressuscitou! Não podemos deixar de celebrar e anunciar ao mundo inteiro que nós cremos no Senhor ressuscitado; Ele é nossa vida e nossa certeza de uma eternidade feliz. 

A morte foi vencida, pois o Senhor morreu, mas vivo está; e Ele é nossa salvação. A liturgia cristã canta alegremente: “Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos; porque a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular” (Sl 117).

A vitória de Cristo crucificado sobre as potências da morte o qualifica como Senhor e Messias. “Eu sou o primeiro e o último, o vivente; estive morto, mas estou vivo pelos séculos dos séculos” (Apc 1,17). Deste modo, Jesus ressuscitado transmitindo sua vida aos cristãos, ajuda-os a superar todas as adversidades e inimizade, “até o último inimigo ser vencido, isto é, a morte” (1Cor 15,26). O Aleluia Pascal que ressoa e é cantado constantemente neste tempo, exprime a alegria da nova criação, da vida nova e da recapitulação de todas as coisas em Jesus Cristo. Por isso, os cristãos participam de modo especial dos frutos da ressureição, pois a fé pautada na ressureição transforma nossa vida. Somos todos novas criaturas ao participarmos com fé no Mistério do Ressuscitado. Tal renascimento ocorre no seio da Igreja pela nossa purificação pessoal e vivência sacramental.

Dom Pedro pascoa

Caríssimos irmãos e irmãs celebremos com júbilo a festa da “Passagem”, a nossa Páscoa. O Cristo Ressuscitado nos dá a certeza de que a ressureição acontece em nossas vidas. Alegremo-nos, pois é a festa da nossa redenção e de toda a humanidade. Proclamemos nossa fé no Senhor da vida, agraciados pelo dom pascal. Que a Igreja, fiel transmissora da fé pascal, saiba anunciar com coragem e autenticidade esta mensagem de salvação e misericórdia a todos.

Uma santa páscoa a todo o rebanho desta igreja particular da Campanha

D. Pedro Cunha Cruz

Bispo diocesano da Campanha-MG

Braso_D._Pedro

www.diocesedacampanha.org.br

Foto e Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

Especial Semana Santa: Dom Pedro, celebra pela 1ª vez a Missa da Unidade Diocesana e dos Santos óleos como bispo titular da Diocese da Campanha(MG).

Dom Pedro Cunha Cruz celebrou sua primeira Missa da Unidade Diocesana e Santos óleos como bispo titular da Diocese da Campanha(MG) nesta quinta-feira santa 24 de março.

A Celebração da Unidade Diocesana e Santos óleos  aconteceu como de costume na Catedral Diocesana de Santo Antônio de Pádua em Campanha(MG). A Missa da Unidade Diocesana é uma das celebrações mais importantes que acontece na vida diocesana. Ela é presidida pelo bispo diocesano, na manhã de quinta-feira santa.  A missa celebra a unidade do bispo com o seu presbitério, ou seja, o conjunto dos padres da Diocese. Durante a celebração os padres renovam os votos sacerdotais e ouvem uma palavra amiga do bispo.

Estiveram presente nesta solenidade, co-celebrando com Dom Pedro, o bispo Emérito da Prelazia de Coari (AM) Dom Joércio Gonçalves Pereira e o bispo Emérito da Diocese da Campanha(MG) Dom Diamantino Prata de Carvalho assim como os Padres José Douglas Baroni, Vigário Geral da diocese da Campanha e Luzair  Coelho de Abreu, Pároco e Cura da Catedral Diocesana de Santo Antônio juntamente com mais de 90 padres reunidos em uma só oração e unidade.

Dom Pedro, acolheu a todos presentes na Catedral com a aspersão da água benta nos fieis, momentos antes da celebração começar, e se dirigiu a Capela do Santíssimo para uma breve oração, acompanhado do Pároco e Cura da Catedral Pe.Luzair e do Cerimoniário Pe. Daniel Menezes.

Muitas Paróquias da diocese estiveram presentes assim como seminaristas, religiosos e religiosas, e lideres de pastorais e movimentos . Na Missa da Unidade Diocesana também ocorre a bênção dos santos óleos dos enfermos, do crisma e dos catecúmenos, usados para a administração dos sacramentos em toda a diocese ao longo do ano.

Agora você confere na integra toda a homilia proferida por Dom Pedro Cunha Cruz no vídeo abaixo. 

 

Missa encerrou-se com a benção Apostólica dada por Dom Pedro Cunha Cruz ao fiéis presentes na Igreja . Ao final todos paroquianos de outras cidade se dirigiram ao Centro Comunitário Santo Antônio para um lanche oferecido pela Paróquia Santo Antônio com a doação de pães, roscas, bolo, biscoitos, feitas pelo bom povo Campanhense que todos anos fazem esse trabalho de para bem receber as diversas caravanas entre padres e religiosos.

Veja abaixo algumas Fotos desse dia memorável para nós da Diocese da Campanha e para nosso Bispo Dom Pedro que celebrou pela primeira vez de muitas a Missa da Unidade Diocesana!

Texto: Bruno Henrique/Gestor do Portal Terra de Santa Cruz 

Fotos

 

Vejam mais Fotos em nossos álbuns no facebook

 MISSA DA UNIDADE DIOCESANA 1ªparte

 MISSA DA UNIDADE DIOCESANA 2ª parte.

Portal Terra de Santa Cruz – A Serviço da Evangelização 

 

Especial Semana Santa: Sermão da Soledade de Maria, proferido pelo Pe. José Roberto de Souza em São Lourenço-MG

A Paróquia São Lourenço Mártir – São Lourenço(MG), recebeu o Padre José Roberto de Souza, pároco da Paróquia São Sebastião (Paróquia do Mártir) Varginha-MG, para proferir o Sermão da Soledade de Maria, meditação das Dores da Virgem Santíssima. O Sermão aconteceu na Igreja Matriz de São Lourenço após a Celebração Eucarística em seguida todos caminharam em procissão com a Imagem da Virgem Dolorosa.

CONFIRA NA ÍNTEGRA O SERMÃO COM EXCLUSIVIDADE DO PORTAL TERRA DE SANTA CRUZ

Prezados irmãos e prezadas irmãs,

Seguindo a tradição dos nossos antepassados e vivendo a tão importante piedade popular, celebramos o Setenário das Dores, meditando as dores pelas quais Maria Santíssima passou, assumindo toda a sua missão maternal, associando a sua vida à de seu filho, Nosso Senhor.

Hoje, em nossa meditação, desejo responder a uma pergunta: como foi que Maria Santíssima viveu as experiências dolorosas em sua vida? Mesmo sabendo que o seu sofrimento seria atroz, seguiu firme seu caminho. Penso que muitos de nós não seríamos capazes de continuar dando firmes passos, se nos fosse antecipadamente anunciado que dores e sofrimentos nos acompanhariam. Creio que facilmente voltaríamos atrás nos propósitos feitos e compromissos assumidos. Mas sabemos que Maria, a mãe de Jesus, não abandonou sua missão, ao contrário, entregou-se cada dia melhor a ela, cumprindo o que devia cumprir. Onde buscou força para suportar e atravessar tamanhas dores?

Irmãos na fé, antes de buscarmos as respostas a essa questão – “Onde Maria Santíssima buscou força para suportar e atravessar tamanhas dores?” –, recordemos que a mais terrível dor de Maria foi experimentar a ausência de Jesus. Quando sepultaram o corpo de Jesus, o coração da Virgem Mãe foi envolvido de uma dor profunda. Foi a espada da solidão que se cravou a sua alma. Na primeira dor, ela tinha Jesus recém-nascido em seus braços diante de Simeão e Ana; na segunda dor, ela o levava consigo, talvez a pé ou num pequeno animal, até o Egito, e de lá voltara; na terceira dor, o reencontrara no Templo; na quarta dor, pode vê-lo, falar com ele, trocar olhares; na quinta dor ouviu suas palavras de misericórdia em favor dos pecadores e as preces ao Pai. Seus olhares de mãe podiam ter o reflexo da solidariedade que amenizava a dor da paixão do Filho de Deus; na sexta dor, contemplava o corpo de seu filho e o lavava com as suas lágrimas e o acariciava com amor. E agora? Agora, na sétima dor, estava ausente de si o seu filho Jesus, não o via, nem sequer seu corpo morto. Ele não estava mais com ela. “Feliz o mármore que em breve abrigará teu corpo: e em meu lugar, no piedoso seio acolherá teus membros. Ao entrares na vida, foi em minhas entranhas que doce repousaste; ao sair dela, só uma pedra é que terás por leito.” (São José de Ancheita, Poema da Virgem)

Creio que semelhante sofrimento experimentam muitas outras mães; mães que vivem a dor de não terem mais seus filhos. Num dia triste, depositaram-nos no sepulcro e voltaram sós para suas casas. Os dias passam, os meses passam, os anos findam e nunca mais podem encontrá-los. Maria experimentou esta dor nos dias que se seguiram à morte de Jesus, antes da ressurreição. “Só! E ao redor de ti, Senhora, olhaste: gemia a solidão de extremo a extremo. E o infinito silêncio interrogaste com a clemência de teu olhar supremo.” ( Setenário das Dores, Alphonsos Guimarães).

A soledade de Maria foi uma aguda dor. É por isso que me ponho diante da pergunta: “Onde Maria Santíssima buscou força para suportar e atravessar tamanhas dores?” Era necessário buscar algo que a revestisse de fortaleza. Humanamente seria impossível suportar. Era necessário que sua vida fosse envolvida por outra experiência que lhe desse uma razão superior a seu sofrimento. E é isso que agora desejo compreender. Peço a Nosso Senhor e à Nossa Senhora que me deem as graças necessárias para que minhas reflexões sejam capazes de ajudar aquelas mães – e também os pais – que não têm mais consigo seus entes queridos. Que minhas reflexões possam ajudar-nos também nas superações de tantas dores que nos vêm quando estamos a cumprir nossa missão.

Foi na Fé, na Esperança e na Caridade que Maria buscou sua paz interior e sua força. Outras coisas não poderiam lhe dar força e a paz interior para atravessar suas dores. Maria encontrou a força necessária na fé, vivida na oração silenciosa; encontrou sua força na caridade, vivida no serviço aos irmãos; Maria encontrou sua força na Esperança, vivida na confiança ao Pai.

Irmãos, não sejamos medíocres na compreensão deste mistério, pois quando lemos os Sagrados Livros do Evangelho de Jesus nos deparamos com muitas passagens a nos contar que Maria Santíssima vivera intensamente sua fé na oração e no silêncio. Os Sagrados Textos nos mostram a Mãe de Jesus atenta à caridade. Desde pequena, Maria foi educada na tradição religiosa de seus pais, Joaquim e Ana, fortalecendo na alma a certeza de um Deus misericordioso que nunca abandona o seu povo. Prezados irmãos, seriamos medíocres se pensássemos que automaticamente, de uma hora para a outra, faríamos uma experiência verdadeira de Deus. Para desenvolvermos em nós a Fé, a Caridade e a Esperança devemos inserir-nos profundamente na comunidade, como vivera Maria, certos e convictos de que é a Igreja o  lugar onde estas experiências se tornam reais.

Retornemos ao fato que se segue ao Sepultamento de Jesus. Penso que todos vocês se recordam de que, no alto da Cruz, Jesus entregou sua Mãe ao Discípulo e o Discípulo à sua Mãe. Disse ao seu Apóstolo: “Eis aí a sua Mãe”; e à Mãe: “Eis aí o seu filho”. Estas palavras de Jesus foram uma verdadeira instituição da Maternidade de Maria para a Igreja. Todos os seus irmãos, gerados pelo Sacramento que jorrou do seu lado aberto, são agora entregues como filhos à sua Mãe. Ainda nos diz o Evangelho que Maria, após a Morte de Nosso Senhor, foi acolhida pelo Discípulo Amado em sua casa. Pois bem irmãos, qual é a casa do seguidor de Jesus? Qual é o lugar primeiro onde devem viver aqueles que receberão a graça de Deus? Estou certo de que muito além de uma casa construída de pedra ou de tijolos, o discípulo acompanhou Maria, agora sua mãe, para a comunidade. Maria Santíssima não teria descido o Calvário para se entregar a um tedioso ambiente onde a crença não é vivida. Ela foi para a comunidade. Vejam, prezados irmãos, que agora se desperta ao nosso entendimento um olhar novo e se acende em nossa espiritualidade uma luz na compreensão deste mistério, pois se a Mãe de Jesus e nossa vai para a comunidade após o sepultamento de seu filho é para viver o que sempre vivera. Ela não se desesperou. Manteve-se firme na Esperança, confiando no Deus de Amor e Compaixão. Ela não se prostrou sob suas dores, entregando-se à sua solidão, lamentando a morte de Jesus. Ela se pôs a fazer o que sempre fizera enquanto acompanhava Nosso Senhor: a Caridade. E entregue à oração, refletindo sobre tudo o que tinha acontecido, num silêncio reverente, alimentava a sua fé.

Entristeço-me quando ouço as pessoas dizerem que foram buscar a solução para a sua dor na ilusão do Espiritismo. O Espiritismo não traz nada de bom às pessoas, pois as ideias de psicografia não são verdadeiras. Espírito humano nenhum se comunica com a gente. Não existe psicografia. Mergulhar nesta ilusão é abandonar o verdadeiro Deus. Entristeço-me também quando vejo alguém que repete sem cessar que perdeu um familiar e se entrega num pranto eterno, a um choro inconsolável. E não menos corta minha alma de sacerdote quando ouço que pessoas se tornaram descrentes porque Deus não fez aquilo que elas queriam, como se Deus tivesse a obrigação de nos atender os pedidos insensatos que lhe dirigimos.

Irmãos, não estou a negar a dor que transpassa a alma de nossos irmãos que perderam entes muito queridos. Não nego que a vida destes nossos irmãos enlutados estejam uma soledade tão aguda quanto aquela vivida por Maria. Os que choram a morte de um familiar ou de um amigo devem de fato chorar. Os que sentem a tremenda dor da saudade devem de fato senti-la. Mas desejo que transponham o luto na experiência da Fé; que transponham o luto na doação de si mesmos na vivência da Caridade; que transponham o luto na certeza da presença do Deus Misericordioso, no qual podemos verdadeiramente colocar a nossa Esperança.

Por isso, exorto-os a seguirem fielmente o exemplo da Virgem Santíssima. É preciso que façamos nossa a experiência de Maria. Ela soube compreender os designíos Divinos, mantendo firme coerência mesmo na dor, no sofrimento, sendo discípula e missionária fiel.

Eu tenho certeza, prezados fiéis, que, se buscarmos em Deus nossa força, pelos caminhos traçados pela Virgem Mãe, não nos decepcionaremos, mas nos será possível fazer a mesma experiência de paz interior que fez Maria. Isso nos é tão concreto, pois temos milhares de testemunhos dos santos e santas que seguiram pelos mesmos passos de Maria. E nossa certeza se funda também na consciência de que somos acompanhados pelo Espírito Santo que nos foi entregue pelo Pai e o Filho. E na comunhão Trinitária não nos faltarão os auxílios necessários.

Quando a dor chegar a sua vida, lembre-se da Fé, da Caridade e da Esperança. Quando a dor chegar a sua vida, lembre-se da comunidade. Quando a dor chegar a sua vida, reze, seja um dom para o irmão no serviço caridoso e demore, mas demore mesmo no silêncio orante, de modo que possa ser levado à mais firme confiança em Deus.

Que Nossa Senhora da Soledade interceda por nós!

Por Padre José Roberto de Souza – Semana Santa 2016 

Foto: Mateus Costa / Paróquia São Lourenço Mártir

Portal Terra de Santa Cruz 

Especial Semana Santa: Reflexão da Prisão do Senhor – Campanha-MG – (Sermão do Depósito)

 

 

Apresentamos o Sermão proferido pelo Seminarista Vinícius Thiago Amaral na noite desta segunda-feira santa, 22/03 na Catedral Diocesana da Campanha(MG).  Vinícius está na Paróquia Santo Antônio este ano de 2016 fazendo seu estágio pastoral, natural de Ilícinia (MG) filho da Diocese da Campanha-MG.

Com exclusividade e direitos ao Portal Terra de Santa Cruz

Evangelho De Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Então Jesus lhes disse: “Ainda esta noite todos vocês me abandonarão. Pois está escrito: ‘Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersas’.

Mas, depois de ressuscitar, irei adiante de vocês para a Galiléia”.
Pedro respondeu: “Ainda que todos te abandonem, eu nunca te abandonarei! “
Respondeu Jesus: “Asseguro-lhe que ainda esta noite, antes que o galo cante, três vezes você me negará”.
Mas Pedro declarou: “Mesmo que seja preciso que eu morra contigo, nunca te negarei”. E todos os outros discípulos disseram o mesmo.
Então Jesus foi com seus discípulos para um lugar chamado Getsêmani e disse-lhes: “Sentem-se aqui enquanto vou ali orar”.
Levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se.
Disse-lhes então: “A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal. Fiquem aqui e vigiem comigo”.
Indo um pouco mais adiante, prostrou-se com o rosto em terra e orou: “Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres”.
Então, voltou aos seus discípulos e os encontrou dormindo. “Vocês não puderam vigiar comigo nem por uma hora? “, perguntou ele a Pedro.
“Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca”.
E retirou-se outra vez para orar: “Meu Pai, se não for possível afastar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade”.
Quando voltou, de novo os encontrou dormindo, porque seus olhos estavam pesados.
Então os deixou novamente e orou pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras.
Depois voltou aos discípulos e lhes disse: “Vocês ainda dormem e descansam? Chegou a hora! Eis que o Filho do homem está sendo entregue nas mãos de pecadores.
Levantem-se e vamos! Aí vem aquele que me trai! “
Enquanto ele ainda falava, chegou Judas, um dos Doze. Com ele estava uma grande multidão armada de espadas e varas, enviada pelos chefes dos sacerdotes e líderes religiosos do povo.
O traidor havia combinado um sinal com eles, dizendo-lhes: “Aquele a quem eu saudar com um beijo, é ele; prendam-no”.
Dirigindo-se imediatamente a Jesus, Judas disse: “Salve, Mestre! “, e o beijou.
Jesus perguntou: “Amigo, que é que o traz? ” Então os homens se aproximaram, agarraram Jesus e o prenderam.

Deus escolheu o que o mundo considera como fraco, para assim confundir o que é forte; Deus escolheu o que para o mundo é sem importância e desprezado, o que não tem nenhuma serventia, para assim mostrar a inutilidade do que é considerado importante,  para que ninguém possa gloriar-se diante dele. É graças a ele que vós estais em Jesus Cristo, o qual se tornou para nós, da parte de Deus: sabedoria, justiça, santificação e libertação. (I Cor. 27b-30)

Transcorreram-se 33 anos da gruta de Belém até o momento que estamos contemplando nesta noite. Uma História contada e que não fala ao passado, mas fala a cada um de nós. Quis Deus, O Uno/Bem, A verdade, O amor e A misericórdia se manifestar aos homens através do seu primogênito, Jesus Cristo. Na condição de filho, tornou-se um de nós, se igualando à pessoa Humana e tratando-a como nunca, ninguém jamais havia visto amor tão grande. O Senhor Jesus transcendeu a história e o tempo, e olhou não para o conceito particular de pessoa, de pessoa humana e não para o conceito geral de “humanidade”, olhou para a pessoa humana carregada de pecados, de depressões, de desvios, de fragilidade, mas também de amor, de sede da verdade e de liberdade. Ele assim potencializou essa sede, ofereceu todos os caminhos para chegar a fonte da felicidade, que é a sua Palavra. Entretanto, não nos aprouve acolher a Palavra Encarnada vinda ao mundo. A vaidade humana traiu mais uma vez a Deus.

A noite que nos encobre testemunha um acontecimento: Um Homem está preso, sofrendo em sua alma silenciosa e fiel, recompensando a perigosa e violenta vida dos vícios humanos. Esta cena, trata-se do prelúdio do sofrimento salvífico, da constituição de um novo gênesis, onde a Justiça e a Moral fidedigna, se entrega como flagicídio e transgressão. É o  subdesenvolvimento, a fome, a  inópia, a míngua, penúria, necessidade, pobreza,indigência, mazelas, , mendicâncias, privações , carências,escassezes,o desamparo,apego,infelicidade, adversidade, desgraça, sofrimento, é o preconceito humano que se reflete neta prisão.

Compete trazer aqui a imagem da alegoria platônica, que nos conta a cerca de três prisioneiros que passaram toda sua vida no interior de uma caverna contemplando as sombras que passavam em sua frente, um dia um destes prisioneiros conseguiu fugir. Ao sair da caverna foi ofuscado com a luz do dia, pois nunca a tinha visto nem sentido, mas aos poucos fora retomando sua visão e percebendo que aquelas imagens formadas na parede da caverna eram pessoas que carregavam imagens e objetos, que refletidos por uma fogueira, enviava para as paredes da caverna as sombras que os prisioneiros contemplavam. Este que conseguira fugir contemplou também o mundo, e feliz por sua descoberta, voltou para a caverna contando as maravilhas que havia visto e sentido, mas aqueles que estavam acomodados com as sombras refletidas na caverna, não entendiam sua mensagem e o taxaram como alucinado, louco, imbecil. E não tardaram em mata-lo, eliminando o que para eles eram uma ameaça, alucinação.

Meus queridos irmãos e minhas queridas irmãs, nós não estamos diferentes dessa realidade, assim como não estiveram os contemporâneos de Jesus. Vivemos numa grande caverna, aprisionados por nossas vontades, por nossos desejos, pelos prazeres que em sua maioria não nascem de nós, mas são frutos da mídia e do mercado capitalista e massacrador, que possuem como marketing a promessa de liberdade e felicidade, de prazer total e prosperidade. Que criam sempre mais necessidades para adaptá-las aos seus produtos e esses a nós, que forma nossas opiniões segundo um ponto de vista interesseiro, artificial e capitalista. Pessoas se matam pelo orgulho, pensando que suas verdades e ideologias são a lei, pessoas se matam em busca de falsas felicidades, de pequenos momentos de prazer que se transformam em vícios, pessoas se matam trabalhando demasiadamente em vista de vida melhor.

A diferença entre classes é sempre mais pontuada, porque ainda é imposto que ser pobre é sinônimo de vagabundagem e escolha, quando ser rico é sinônimo de trabalho e dignidade. Confirmamos e regredimos a uma antiga moral onde ser pobre e ser rico é mais que uma condição ou estado de ser, mas é uma justificativa natural. O pobre é pobre e não está pobre por alguma razão, “é menos inteligente”, “nasceu para servir”,” para ser governado”,” não pensa”, “recebe ordens”, acorda cedo e cumpre sua obrigação de servir aos grandes, direta ou indiretamente, para ganhar a gratificação de suas horas trabalhadas, não de sua força ou de sua vida perdida no trabalho. De fato, a máxima que diz: “o trabalho dignifica o homem” deveria assim ser praticada, para a dignificação e não para a servidão, prisão ou morte.

É triste perceber ainda, que nesta imensa prisão, existem vidas que são matáveis, que não fazem diferença, porque nunca acrescentaram. Neste momento inúmeras pessoas estão sendo presas com o Senhor, perseguidas e massacradas porque seus gritos não são ouvidos, são vozes mínimas, são pequenas demais diante do enorme sistema capitalista. A vida delas é óleo para que a engrenagem do sistema gire mais forte e se torne inabalável, a vida delas é matável, afinal, estão longe de nós, que razão teríamos tomarmos consciência dos milhares que morrem, por exemplo, no Iraque, na República democrática do Congo, na Síria, no Egito, na Líbia, nos Conflitos causados pelo Boko Haram na Nigéria, no Iêmen? Se fossemos estudar, pesquisas revelam que de 162 países, somente onze não estão em guerra.

E eu vos pergunto, diante disso, o que nos deixa deprimidos ou depressivos hoje? O que nos deixa desorientados e perdidos? O que nos traz indignação ou depressão é o sapato ou a roupa de marca que não conseguimos comprar, é uma palavra mal colocada de alguém, é a nossa vontade de beleza, é a nossa falta de dinheiro para futilidades, é uma bronca que não conseguimos aceitar por nossa vaidade. Onde se encontra a nossa tristeza e depressão diante disso? Essa imagem serve para nos mostrar os quão acomodados e presos estamos dentro dessa carverna. Sim, a vida matável não nos incomoda, o sofrimento do mais pobre não nos incomoda, as desgraças dos menos favorecidos terminam quando se encerra o jornal, porque estamos confortados em nosso sofá e prontos a assistimos mais um capítulo da novela. Exemplo disso é uma multidão de almas simples sendo chacinada diariamente, é a vida de crianças ceifadas pelo tráfico de órgãos, isso não se mostra ou se defende, enquanto quatro burgueses são mortos, e escrevemos em nossas redes sociais, escrevemos muitas matérias em jornais, com o título: “Je suis ….” “Nós somos eles”, se mostra, se ostenta estas mortes, mas porquê? Porque as vidas deles merecem mais atenção do que a dos outros nossos irmãos?

 O que mais dizer da caverna que vivemos? São tantos políticos que passam atrás de nós, com imagens falsas, com promessas obsoletas de melhorias e deixam seu povo morrer de fome, de sede, de progresso, engolindo para si a saúde coletiva, engolindo para si o dinheiro de cofres públicos, engolindo para si o desenvolvimento social e cultural, engolindo para si milhares de hospitais públicos que funcionam pela misericórdia do povo. Políticos que assassinam a educação de inúmeras crianças, assassinam o desempenho político através do discurso e da democracia justa e não justificado por partido A ou B, assassinam a consciência crítica de nosso povo, porque dentro de si emana um desejo ideal de riqueza insaciável, de enganar-nos a qualquer custo para nos vender e filiar-nos em tempos de pseudo-eleições à suas pseudo-bondades, pseudo-compaixões, à suas máscaras de santos quanto erguem dentro de si um castelo de demônio. Enquanto isso, 100 milhoes de brasileiro vivem sem saneamento básico, sem tratamento de esgoto, sem coleta de lixo. O que é progresso? E nós queremos sim, gritar, protestar por direito, pela execução da lei, pela verdade, pois é a nossa casa comum, casa que Deus preparou para cada um de nós. Senhores eleitos por nós, pelo povo de Campanha, de Minas e do Brasil, é o seu povo, esse não é o desenvolvimento que queremos!

Que possamos sair sim às ruas e lutar para ver o “direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am, 5,24). Gritar e fazer valer a democracia instituída, não podemos ser mais prisioneiros das vontades dos grandes,  não podemos mais aceitar o descaso com a nossa saúde, com a educação de nossas crianças e jovens. Como nos lembra Papa Francisco Não há esforço de pacificação duradouro com uma sociedade que abandona parte de si mesma.”Aos senhores Servidores Públicos eleitos pelo povo de Campanha e do Estado, queremos lembrar-vos de vossos compromissos com a vida social digna, que volteis o vosso olhar para a terra que nasceram , sutentaram e elegeram, para seus irmãos que estão morrendo físico e moralmente, frutos de ganâncias.  Pois Aquele que é justo, justiça fará por cada um de nós.

O que dizer da caverna que vivemos, em que tantos falsos profetas passam atrás do nosso povo, fazendo-os acreditar numa fé insólita,  numa fé que traz prosperidade, carros, mansões, fazendas, empresas, roupas de marca? O que dizer desses falsos profetas que vomitam em nosso povo a vontade do Ter e os prende à ambição de poder, que fazem nosso povo pagarem e justificarem seus dízimos altíssimos para o seu deus estranho a nossos olhos na perspectiva espiritual, mas na verdade, estão construindo um verdadeiro império para si, um feudo que cria sempre mais vassalos submissos. Se tornam coronéis de hoje e o povo simples se transforma mais uma vez inconscientemente, em escravos, trabalhando, vivendo e desgastando-se para seus pastores-coroneis.

O que dizer também de líderes religiosos tão inteligentes e probos, eruditos e instruídos, que se envolvem em escândalos e esquecem de sua responsabilidade de pastor, de seu ministério “segundo o coração de Cristo”, enviados a curar, perdoar, e amar, quando cometem crimes contra à vida plena que o Senhor nos deseja. Seja a pedofilia, a relativização das leis de Deus, ou tratando o povo de Deus simples, com grosserias e brutalidades, com menosprezo e ridicularização, depositando no povo sua vontade reprimida. Ninguém, mas absolutamente ninguém deve descontar no outro o que necessita enfrentar em si e consigo mesmo. Ninguém, mas absolutamente ninguém é culpado por seus pecados a não ser você mesmo, indivíduo particular, pois o Senhor olha em ti, pessoa, e não o condena, mas como fez com Maria Madalena, chama à vida mais perto d’Ele, para o arrependimento, conversão, vida plena, mas clama: Não peques mais

É o Senhor Jesus quem nos lembra a cerca dos falsos pastores:  3Por isso, vocês devem fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imitem suas ações, pois eles falam e não praticam. 4 Amarram pesados fardos e os colocam no ombro dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo. 5 Fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros. Contudo, meus queridos irmãos, Jesus ainda nos lembra, e nos mostra também nesta noite, olhando para sua imagem aprisionada, que: “o Meu fardo é leve”.

E não podemos esquecer de inúmeros pastores e sacerdotes, religiosos e religiosas que como o Senhor se encurvam diante de nossas necessidades, procuram curar nossas feridas, faz-nos mais santos, permitem-nos beber da fonte que também bebem, que é água pura, água de sabedoria e de amor, água de misericórdia, que é o Senhor Jesus. Tantos “homens e mulheres de Deus” que deixaram se aprisionar e se consumir por este projeto amor, tantos mártires, tantos santos que ainda vivem e dão testemunho com suas próprias vidas que o Senhor é conosco!

Somos também tentados a prender o Senhor em nossas doutrinas. Prende-lo em conceitos, na história, nos livros, na ciência. Prendê-lo ora ourificando-o, limitando-o à pompa, ao ouro, aos grandes e belíssimos templos, ora fechando as portas das Igrejas, deixando-o de lado, à margem, e colocando nossos interesses no centro, ou a verdade de teologias que não são sinceras à veracidade da pessoa de Deus. Defende-se o uso de Muito ouro, glória, fausto, ostentação, ritos e rubricas ao pé da letra, ou ainda, muitos absurdos, prendendo-o no pecado, na pobreza moral, na intolerância. Mas se esquece que as ações de julgamento, são contrárias ao reino de Deus. De fato, se pode afirmar, que o senhor não é conhecido por faustas vestes nem por chapéus de palha, mas pelo seu justo equilíbrio, por sua sensatez, por seu amor. Não o mandamos manifestar em ninguém, o espirito santo não é exclusividade nossa, a oração simples e a erudita possuem o mesmo valor. Somente veremos Deus nestes elementos, se vivermos como ele viveu, se amarmos como ele amou.

Sentados, nessa imensa caverna, acomodados pela realidade que nos cerca, aquele que conseguiu escapar sem experimentar do pecado, que veio a nos contar sobre uma felicidade alcançada através da verdade, da simplicidade, do amor austero e oblativo, está aqui, está preso novamente, nós o prendemos, é a realidade dos nossos dias. Nós não admitimos o diferente, exemplo disso são as inúmeras pessoas que morrem nas fronteiras tentando uma vida melhor, os inúmeros migrantes que migram de suas terras para tentarem uma vida mais digna, e se deparam com nações descendentes de Hitler, com pessoas com sangue nazista, essa realidade não está muito distante de nós. Pensamos que nossa “raça” é a pura, que nossa cidade não tem vez para estrangeiros, que nossa família é melhor do que as outras, que a cor de nossa pele ostenta nosso carácter e dignidade, quando aquele que estamos seguindo nos mostra que existe uma única raça que é a humana, uma única família, que é a de Deus. O diferente nos incomoda, ronda-nos uma falsa liberdade religiosa, quantos mártires de hoje, estão sendo mortos no estado islâmico, quantas barbáries realizadas em nome de deus? Meus irmãos esse deus nós não o conhecemos, ele não existe, esse deus que quer a conversão a custo de morte, que admite a barbárie, o assassinato de opiniões, que não acolhe a prece de outras crenças não existe, esse deus está morto! O Deus verdadeiro, se mostra em Jesus, e está vivo, nos concede a graça da liberdade, da opção, nos faz perceber o outro independente de sua religião, de sua raça, condição financeira ou sexual.

E quantos jovens são discriminados por nós, cristãos católicos, “raça pura”, que vamos à missa e participam de novenas e procissões, que fazem barulho para pedir “impeachment”, mudança, as vezes sem até mesmo saber a causa do protesto, mas não fazemos barulho para tantas mortes de jovens gays, para tantas mortes de jovens drogados, para tantas mortes de jovens envolvidos na prostituição, mas pelo contrário, nós ajudamos a matar, e sabem como? Com nossa língua, nossos comentários assassinos! A mudança sempre começa de cada um de nós, afinal, não somos totalmente santos, e se fossemos, não conheço santo que fora canonizado por julgar o outro, ser do outro juiz. Já está na hora de mudarmos essa realidade, de sermos filhos completos de Deus, porque ninguém da testemunho da ressureição e do amor de Deus se é escravo de sua própria língua e de seu preconceito.

Eu gostaria de sugerir nesse momento que você apertasse a mão do seu irmão, ou desse nele um abraço caloroso, como sinal de nossa irmandade e desejo de mudança. Nossa cidade precisa disso, nosso mundo precisa disso, de olhar para o outro, de perceber o outro, e acolhe-lo como irmão, e igual a mim.

Jovens, vejam o nosso Deus, aqui, em Jesus aprisionado, suas mãos estão atadas, mas em seu coração permanece o desejo fidedigno de nossa felicidade, de nosso encontro com Ele, esse desejo não morre, porque ninguém se encontra com Ele e permanece a mesma pessoa, ninguém olha nos olhos do Senhor e não é tocado por essa bondade e esse amor. Jovens, Jesus não olha sua condição, não o julga por isso, não o julga por seus questionamentos ou falta de fé. Seguir Jesus não é um mico, não é motivo de vergonha ir à missa, participar de uma pastoral ou ministério, confessar-se, mas pelo contrário, trata-se de ser para nós, uma honra, estar próximos de Jesus, caminhar com Ele, seguir com ele aonde quer que ele vá, e leva-lo aonde quer que nós o vamos.

Mas pode ser que agora, nesta noite, percebendo que estamos dentro de uma caverna, aprisionados pelo medo, pela tristeza, pelas ideologias, pela politicagem e falsidade, contemplando o Senhor preso, sem poder nada fazer por sua própria vontade,   contemplando um homem, humilhado, traído por quem amava, um homem confundido como criminoso que vai à cela e a julgamento. “Onde está o sábio? Onde está o homem culto? Onde está o argumentador deste mundo? “ (I Cor. 20) Ele está aqui, aprisionado. “Acaso Deus não tornou louca a sabedoria deste mundo? (I Cor. Cor. 20b) Podemos questionar em nosso íntimo: esse não parece ser o nosso Deus! Ele é um mais um enganador… Porque não se solta e mostra para os que o odeiam que de fato é o Enviado de Deus? Contudo, a linguagem da prisão e da cruz é loucura oara aqueles que se perdem. Mas para aqueles que se salvam, para nós, é poder e glória, é poder de Deus (1 Cor. 18). A verdade é que ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores. Ele foi ferido, entregue, por causa de nossos crimes, a punição a ele imposta era o preço da nossa paz e suas feridas, o preço da nossa cura.

Charles Brown cantou:

“Fico sem saber pra onde vou
Quando vejo a situação do mundo em que estou
Destilar meu ódio ou só falar de amor
Sabe-se lá a diferença entre os olhos que enxergam
E os que não querem enxergar
Mas se eu berrar no microfone
Que onde não existe a paz, não existe o amor
A subida é longa e a selva é de pedra
Onde os valores apodrecem na miseria
Um mundo que se move nem sempre a seu favor
Você precisa ter coragem pra provar o seu valor
E a vida é o que é e só ha um caminho,
Quem não poi fé em si e em Deus esta sozinho.
A gente tem que provar todos os dias quem a gente é.”

Irmãos, e de fato, este que vemos aprisionado provou-nos quem ele é, está se entregando por cada um de nós, por uma vida digna, sem ódio, sem guerra, sem inveja. Olhai para este homem e percebei vossas fraquezas, vossas misérias, percebei o mundo,  caverna em que estamos, e diferente dele, nossa escolha deve ser nos soltar, quebrar as correntes que nos prendem ao ódio do outro, à falta de perdão, aos vícios, à riqueza, é um bem que faremos a nós e aos outros, à nossa Casa Comum. Quebrar as algemas que nos prendem, é por fé no mundo, é lutar ativamente em favor de políticas públicas que melhorem nossa qualidade de vida, é provar para nós mesmos, que nosso Deus deixou ser entregue e lutou para melhorar a nossa vida, para nos dar decência.

O senhor nos pede, não deixeis para depois. Somos protagonistas da realidade que existe aos nossos olhos, somos libertos para constituirmos a verdade ou apoiarmo-mos na mentira. Somos libertos pela prisão deste homem, somos curados, ele é a honestidade, o amor e a verdade materializada.

Que ao voltarmos para nossas casas não esqueçamos de relembrar este momento, esta reflexão. Que os Pais, abracem  os filhos, e digam a eles que os ama, isso quebrará qualquer corrente, e que vocês filhos abraçem os vossos pais, e provem a eles o amor de vocês pelo respeito. Pois nenhum pai quer ver o filho preso nos vícios, ou morto por eles, e nenhum filho quer ver os pais como inimigos, presos nos vícios, na falta de diálogo, de carinho e afeto.

O Senhor se entrega mais uma vez, vai a prisão para nos mostrar que é possível e necessário sairmos da caverna,  que é hora de não termos medo dos  grandes, de questionar, de debater e lutar, é hora de abraçarmos uns aos outros e sermos sensíveis aos dramas do outro, é hora de lutar contra o mal da depressão, contra o mal do acúmulo e do desperdício.É hora de mostrarmos que nós não o abandonaremos mais uma vez, que queremos cumprir seu projeto de amor. É hora de defendermos a nossa igreja, nossa religião, mas também sermos sensível e percebermos as coisas boas que existem também nas outras.   Saíamos da caverna que nos prende às ideologias, a partidos políticos, a leis estranhas a nossa qualidade de vida. Saímos da prisão de ideologias e pontos de vista e de doutrinas que nos fazem preconceituosos, racistas, homofóbicos, nativistas e tantos outros, que nos acorrenta cada vez mais. Saíamos das nossas verdades, das nossas belezas, dos nossos perfumes, procuremos ouvir o outro, ver o outro, aceitar o outro.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Para sempre seja louvado!

Por 

Campanha, março de 2016 – Ano da Misericórdia

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

Especial Semana Santa:Dom Pedro celebra abertura da Semana Santa 2016 em Campanha-MG

Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor.

Dom Pedro Cunha Cruz, bispo da Santa Sé Episcopal da Campanha-MG celebrou a missa Pontifical de abertura da Semana Santa 2016 em Campanha-MG pela primeira vez como bispo titular do rebanho Campanhense.

Pela manhã deste domingo 20 de março, fiéis se reunirão na Igreja Nossa Senhora das Dores para a bênção de ramos, em seguida todos seguiram em procissão conduzida solenemente pela Banda Marcial Irmão Paulo que abrilhantou a caminhada onde atualizamos a entrada de Jesus em Jerusalém aclamado pelo povo com gritos de “Hosana ao filho de Davi, bendito quem vem em nome Senhor, hosana nas alturas”.

Ao chegar na Catedral Diocesana de Santo Antônio, Dom Pedro se aproximou da porta principal da Igreja e com a Cruz a tocou por 3 vezes e disse “Levantai, ó portas, os vossos frontões; abram-se, ó antigos portais, para que entre o Rei da Glória!”. Ao abrir da porta os fiéis adentraram ao templo. Deu-se início a entrada triunfante de Jesus em Jerusalém .

Dom Pedro Conduziu a cruz até o altar, dando continuidade na celebração iniciada com a benção de ramos e procissão. A Catedral estava linda de se ver, completamente lotada, são os fiéis campanhenses que se unem em oração na fé, tradição, cultura e religiosidade que a Semana Santa no proporciona e acima de tudo, nos leva a uma intimidade maior com Deus.

Muitos passaram pela “Porta Santa da Misericórdia” situada na Catedral Diocesana de Santo Antônio da Campanha-MG. Abaixo você confere a Homilia Completa da Celebração Pontifical de Ramos.

Co-celebrou a missa, o Vigário Paroquial e reitor do Seminário Propedêutico São Pio X, Pe. Edson Pereira Oliveira. Tudo muito bem organizado uma celebração impecável  memorável que marca o início da Semana Santa . Confira algumas fotos abaixo…

Vejam mais fotos em nosso perfil no facebook, Domingo de Ramos 

Por  Portal Terra de Santa Cruz 

Domingo de Ramos: Bendito que vem em nome do Senhor! Liturgia

Primeira Leitura (Is 50,4-7) Leitura do Livro do Profeta Isaías:

4O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. 5O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. 6Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. 7Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado. – Palavra do Senhor.

Responsório (Sl 21)

Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?
Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?

Riem de mim todos aqueles que me veem, torcem os lábios e sacodem a cabeça: ‘Ao Senhor se confiou, ele o liberte e agora o salve, se é verdade que ele o ama!’.

Cães numerosos me rodeiam furiosos, e por um bando de malvados fui cercado.Transpassaram minhas mãos e os meus pés e eu posso contar todos os meus ossos. Eis que me olham e, ao ver-me, se deleitam!

Eles repartem entre si as minhas vestes e sorteiam entre si a minha túnica.Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe, ó minha força, vinde logo em meu socorro!

Anunciarei o vosso nome a meus irmãos e no meio da assembleia hei de louvar-vos! Vós que temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores, glorificai-o, descendentes de Jacó, e respeitai-o toda a raça de Israel!

Segunda Leitura (Fl 2,6-11) Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses:

6Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, 7mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, 8humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. 9Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. 10Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, 11e toda língua proclame : ‘Jesus Cristo é o Senhor’, para a glória de Deus Pai. – Palavra do Senhor.

Anúncio do Evangelho (Lucas 23,1-49)

Narrador 1: Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo + segundo Lucas.

Naquele tempo, 1toda a multidão se levantou e levou Jesus a Pilatos. 2Começaram então a acusá-lo, dizendo:

Ass.: “Achamos este homem fazendo subversão entre o nosso povo, proibindo pagar impostos a César e afirmando ser ele mesmo Cristo, o Rei”.

Narrador: 3Pilatos o interrogou:

Leitor 1: “Tu és o rei dos judeus?”

Narrador: Jesus respondeu, declarando:

Pres.: “Tu o dizes!”

Narrador: 4Então Pilatos disse aos sumos sacerdotes e à multidão:

Leitor 1: “Não encontro neste homem nenhum crime”.

Narrador: 5Eles, porém, insistiam:

Ass.: “Ele agita o povo, ensinando por toda a Judeia, desde a Galileia, onde começou, até aqui”.

Narrador: 6Quando ouviu isto, Pilatos perguntou:

Leitor 1: “Este homem é galileu?”

Narrador: 7Ao saber que Jesus estava sob a autoridade de Herodes, Pilatos enviou-o a este, pois também Herodes estava em Jerusalém naqueles dias. 8Herodes ficou muito contente ao ver Jesus, pois havia muito tempo desejava vê-lo. Já ouvira falar a seu respeito e esperava vê-lo fazer algum milagre. 9Ele interrogou-o com muitas perguntas. Jesus, porém, nada lhe respondeu.

10Os sumos sacerdotes e os mestres da Lei estavam presentes e o acusavam com insistência. 11Herodes, com seus soldados, tratou Jesus com desprezo, zombou dele, vestiu-o com uma roupa vistosa e mandou-o de volta a Pilatos. 12Naquele dia Herodes e Pilatos ficaram amigos um do outro, pois antes eram inimigos.

13Então Pilatos convocou os sumos sacerdotes, os chefes e o povo, e lhes disse:

Leitor 1: 14“Vós me trouxestes este homem como se fosse um agitador do povo. Pois bem! Já o interroguei diante de vós e não encontrei nele nenhum dos crimes de que o acusais; 15nem Herodes, pois o mandou de volta para nós. Como podeis ver, ele nada fez para merecer a morte. 16Portanto, vou castigá-lo e o soltarei”.

Narrador: 18Toda a multidão começou a gritar:

Ass.: “Fora com ele! Solta-nos Barrabás!”

Narrador: 18Barrabás tinha sido preso por causa de uma revolta na cidade e por homicídio.20Pilatos falou outra vez à multidão, pois queria libertar Jesus. 21Mas eles gritaram:

Ass.: “Crucifica-o! Crucifica-o!”

Narrador: 22E Pilatos falou pela terceira vez:

Leitor 1: “Que mal fez este homem? Não encontrei nele nenhum crime que mereça a morte. Portanto, vou castigá-lo e o soltarei”.

Narrador: 23Eles, porém, continuaram a gritar com toda a força, pedindo que fosse crucificado. E a gritaria deles aumentava sempre mais. 24Então Pilatos decidiu que fosse feito o que eles pediam. 25Soltou o homem que eles queriam — aquele que fora preso por revolta e homicídio — e entregou Jesus à vontade deles.

26Enquanto levavam Jesus, pegaram um certo Simão, de Cirene, que voltava do campo, e impuseram-lhe a cruz para carregá-la atrás de Jesus. 27Seguia-o uma grande multidão do povo e de mulheres que batiam no peito e choravam por ele. 28Jesus, porém, voltou-se e disse:

Pres.: “Filhas de Jerusalém, não choreis por mim! Chorai por vós mesmas e por vossos filhos! 29Porque dias virão em que se dirá: ‘Felizes as mulheres que nunca tiveram filhos, os ventres que nunca deram à luz e os seios que nunca amamentaram’. 30Então começarão a pedir às montanhas: ‘Cai sobre nós! e às colinas: ‘Escondei-nos!’ 31Porque, se fazem assim com a árvore verde, o que não farão com a árvore seca?”

Narrador: 32Levavam também outros dois malfeitores para serem mortos junto com Jesus.33Quando chegaram ao lugar chamado “Calvário”, ali crucificaram Jesus e os malfeitores: um à sua direita e outro à sua esquerda. 34Jesus dizia:

Pres.: “Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!”

Narrador: Depois fizeram um sorteio, repartindo entre si as roupas de Jesus. 35O povo permanecia lá, olhando. E até os chefes zombavam, dizendo:

Ass.: “A outros ele salvou. Salve-se a si mesmo, se, de fato, é o Cristo de Deus, o Escolhido!”

Narrador: 36Os soldados também caçoavam dele; aproximavam-se, ofereciam-lhe vinagre,37e diziam:

Ass.: “Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!”

Narrador: 38Acima dele havia um letreiro:

Leitor 2: “Este é o Rei dos Judeus”.

Narrador: 39Um dos malfeitores crucificados o insultava, dizendo:

Leitor 2: “Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!”

Narrador: 40 Mas o outro o repreendeu, dizendo:

Leitor 1: “Nem sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma condenação? 41Para nós, é justo, porque estamos recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal”.

Narrador: 42E acrescentou:

Leitor 1: “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado”.

Narrador: 43Jesus lhe respondeu:

Pres.: “Em verdade eu te digo: ainda hoje estarás comigo no Paraíso”.

Narrador: 44Já era mais ou menos meio-dia e uma escuridão cobriu toda a terra até as três horas da tarde,45pois o sol parou de brilhar. A cortina do santuário rasgou-se pelo meio,46e Jesus deu um forte grito:

Pres.: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”.

Narrador: Dizendo isso, expirou.

(Aqui todos se ajoelham e faz-se uma pausa.)

Narrador: 47O oficial do exército romano viu o que acontecera e glorificou a Deus, dizendo:

Leitor 1: “De fato! Este homem era justo!”

Narrador: 48E as multidões, que tinham acorrido para assistir, viram o que havia acontecido e voltaram para casa, batendo no peito. 49Todos os conhecidos de Jesus, bem como as mulheres que o acompanhavam desde a Galileia, ficaram a distância, olhando essas coisas.

REFLETINDO COM PADRE PAULO RICARDO

 

Em Jerusalém, Jesus testemunha, mais do que nunca, a obra de Deus em Sua vida.

O Domingo de Ramos é  o domingo da Paixão de Cristo, onde contemplamos o Cristo que entra glorioso, mas sofre a Paixão na cruz por nossos pecados, para nos redimir e nos salvar de todos os eles.

Neste domingo, colocamos na cruz do Senhor o sofrimento de toda a humanidade e os crucificados da história. Colocamos aos Seus pés a esperança em nossa páscoa definitiva. Sabendo lidar com as paixões que sofremos diariamente na vida, os dramas que enfrentamos, as negações e traições que passamos, viveremos, no mistério da Paixão de Cristo, a redenção de nossa humanidade!

TENHAM TODOS UMA SANTA E ABENÇOADA SEMANA MAIOR.

Portal Terra de Santa Cruz