Sociedade: A chave para combater a indiferença

Cidade do Vaticano (RV) – No último dia 1º de janeiro, celebramos o Dia Mundial da Paz, que fora instituído pelo Papa Paulo VI em 1967 e celebrado pela primeira vez em 1968. Já naquela ocasião, o Papa Paulo VI na sua primeira mensagem desejava que a cada ano, esta celebração se repetisse, como augúrio e promessa, no início do calendário que mede e traça o caminho da vida humana no tempo, “que seja a Paz, com o seu justo e benéfico equilíbrio, a dominar o processar-se da história no futuro”.

Um mendigo pedindo esmola 

Assim, todos os anos, o Santo Padre propõe um tema específico para o Dia Mundial da Paz. Para este ano, Francisco escolheu como tema “Vence a indiferença e conquista a paz”; um convite a todos para promover uma cultura de solidariedade e misericórdia, a fim de se vencer a indiferença que ameaça a paz.

Um dos aspectos da mensagem diz respeito à “paz ameaçada pela indiferença globalizada”.

A Mensagem reafirma que a indiferença superou o âmbito individual produzindo o fenômeno que Francisco define “globalização da indiferença”. No texto delineiam-se algumas formas de indiferença, com aquela para com Deus da qual brota a indiferença para com o próximo e a criação.

Neste âmbito da indiferença, chamou-me a atenção nos dias passados uma notícia alarmante sobre a realidade na Etiópia: são mais de 10 milhões de etíopes ameaçados pela penúria, provocada por uma grave seca. 10 milhões de pessoas que na indiferença de muitos são somente números, estatística de pobreza.

A Igreja local, num comunicado chama a atenção do mundo, dos católicos e dos homens e mulheres de boa vontade para ajudar a enfrentar essa emergência, para salvar vidas humanas. Eis então o momento para romper a globalização da indiferença e olhar com mais atenção para as grandes periferias de povos deserdados que sobrevivem muitas vezes com as migalhas que caem das mesas dos afortunados.

A indiferença para com o próximo – filha da indiferença para com Deus – assume as feições da inércia e da apatia. Feições, – disse Francisco – que alimentam a persistência de situações de injustiça e grave desequilíbrio social, as quais podem, por sua vez, levar a conflitos ou de qualquer modo gerar um clima de descontentamento que ameaça desembocar, mais cedo ou mais tarde, em violências e insegurança.

Quando as populações veem negados os seus direitos elementares, como o alimento, a água, os cuidados de saúde ou o trabalho, sentem-se tentadas a obtê-los pela força.

Por isso, a indiferença e consequente desinteresse, constituem uma grave falta ao dever que cada pessoa tem de contribuir para o bem comum, especialmente para a paz, que é um dos bens mais preciosos da humanidade.

Não é somente a indiferença que está no centro da Mensagem de Francisco, mas também a esperança na capacidade do homem – com a graça de Deus – de superar o mal, de não se abandonar à resignação e à indiferença, contribuindo assim à paz com Deus, com o próximo e com a criação.

Para preservar esta esperança, o Pontífice sublinha que também nós somos chamados a fazer do amor, da compaixão e da misericórdia um verdadeiro compromisso de vida, respondendo sempre ao apelo do Senhor para “sermos misericordiosos como o nosso Pai”.

Francisco deseja sacudir as nossas consciências. Algo que tem feito desde o início do seu Pontificado. E o tema da indiferença veio já a tona nos primeiros encontros fora do Vaticano. Recordamos a sua histórica visita a Lampedusa, o “porto do Eldorado” para muitos imigrantes, onde ele levantou a sua voz para falar da “globalização da indiferença”. É evidente também a ligação com a Mensagem para a Quaresma do ano passado: “enquanto eu estou relativamente bem e cômodo, esqueço-me daqueles que não estão bem”. A verdadeira indiferença.

Esse comportamento egoísta ganhou dimensão mundial e constitui para nós que somos cristãos um problema que devemos enfrentar. A misericórdia é a verdadeira chave para combater a indiferença.

Por Silvonei José/Rádio Vaticana

Adaptação Portal Terra de Santa Cruz

 

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