Angelus: Converter-nos de um deus dos milagres ao milagre de Deus, Jesus Cristo

“O único privilégio aos olhos de Deus é o de não ter privilégios, de estar abandonados nas suas mãos” “Que Maria nos ajude a nos converter de um deus dos milagres ao milagre de Deus, que é Jesus Cristo”. O Papa Francisco, no Angelus deste IV Domingo do Tempo Comum, refletiu sobre a pouca fé daqueles que necessitam de milagres para acreditar e advertiu para a tentação de considerar a religião “como um investimento humano”, que leva à negociar com Deus, buscando o próprio interesse.

Inspirado na narrativa de Lucas, proposta pela Liturgia do dia, o Papa ressaltou as palavras de Jesus de que “nenhum profeta é bem recebido em sua terra”, após deparar-se com as murmurações de seus conterrâneos que queriam vê-lo realizar prodígios e milagres. Ao não fazer isto, “sentem-se ofendidos e querem jogá-lo no precipício”. “A narrativa de Lucas – explica Francisco – revela a tentação à qual o homem religioso está sempre exposto”:

Esta passagem do evangelista Lucas não é simplesmente a narrativa de uma discussão entre companheiros, como às vezes acontece também nos nossos bairros, suscitada por invejas e por ciúmes, mas revela uma tentação à qual o homem religioso está sempre exposto – todos nós estamos expostos – e da qual é necessário tomar distância com decisão: a tentação de considerar a religião como um investimento humano e, por consequência, começar a “fazer contratos” com Deus, buscando o próprio interesse”.

Pelo contrário – observa – “na verdadeira religião trata-se de acolher a revelação de um Deus que é Pai e que tem cuidado por cada uma de suas criaturas, mesmo daquela menor e insignificante aos olhos dos homens”:

“Precisamente nisto consiste o ministério profético de Jesus: em anunciar que nenhuma condição humana pode constituir motivo de exclusão – nenhuma condição humana pode ser motivo de exclusão – do coração do Pai e que o único privilégio aos olhos de Deus é o de não ter privilégios. O único privilégio aos olhos de Deus é o de não ter privilégios, de não ter padrinhos, de estar abandonados nas suas mãos”.

O Santo Padre reitera que o “hoje” do “cumprimento das Escrituras” recorda a todos a necessidade da salvação trazida por Jesus à humanidade:

“Deus vem ao encontro dos homens e das mulheres de todos os tempos e lugares, na situação concreta em que estes se encontram. Vem também ao nosso encontro. É sempre ele que dá o primeiro passo: vem visitar-nos com a sua misericórdia, levantar-nos da poeira dos nossos pecados, vem estender-nos a mão para tirar-nos do abismo em que o nosso orgulho nos fez cair, e nos convida a acolher a consoladora verdade do Evangelho e a caminhar pelo caminho do bem. Mas é sempre ele que vem nos encontrar, nos procurar”.

Ao concluir, Francisco recorda que Maria também estava na Sinagoga, e ao ver “Jesus antes admirado, depois desafiado, depois insultado, ameaçado de morte”, tem uma “pequena antecipação” daquilo que sofrerá na cruz:

“Em seu coração, pleno de fé, ela guardava cada coisa. Que ela nos ajude a nos converter de um deus dos milagres ao milagre de Deus, que é Jesus Cristo”.

Após a oração do Angelus, o Papa dedicou sua oração ao doentes de hanseníase, cujo Dia Mundial é celebrado este domingo.

Francisco, ladeado por dois adolescentes, também saudou os inúmeros jovens da Ação Católica presentes na Praça São Pedro, na sua “caravana de paz”. Uma jovenzinha leu uma mensagem agradecendo ao Papa – o “maquinista do trem” em que viajam – e contou da iniciativa da coleta realizada em favor dos migrantes jovens como eles. Ao final, foral soltos balões coloridos na praça.

Fonte: Rádio Vaticana

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz – A Serviço da Evangelização

Anúncios

ANO JUBILAR DA MISERICÓRDIA, Por Dom Pedro, Bispo da Diocese da Campanha/MG

Extraordinário da Misericórdia. Talvez possamos nos interrogar sobre o que seja este Ano Jubilar celebrado na Igreja. Há várias passagens no Antigo e Novo Testamentos que nos ajudam a entender aquilo que estamos vivendo e celebrando neste ano. Todas estas passagens sublinham um tempo de reconciliação para todos, pois recuperam a gratuidade da relação do homem com Deus, que sempre acolhe um coração contrito e humilde.

Assim, a Igreja é chamada, neste tempo de mudança de época, a oferecer vigorosamente os sinais da presença, da abertura e proximidade de Deus. É um tempo que nos convida a estarmos vigilantes e atentos à sua graça misericordiosa. É também tempo da Igreja reencontrar o sentido da missão que o senhor Jesus entregou a Ela desde o dia de seu retorno ao pai, no mistério da Páscoa e ascensão aos céus.

O Ano santo deve provocar em nós um sentimento de intensa alegria por termos sido reencontrados por Jesus, o bom e misericordioso Pastor. Um ano de verdadeira experiência com a sua misericórdia; de tratarmos das feridas do pecado com o remédio e o óleo da misericórdia, oferecendo a nós e aos irmãos e irmãs o caminho do perdão e da reconciliação, o bálsamo da misericórdia. Ninguém se exclua da experiência deste amor.

Feliz e abençoado ano jubilar da graça e do amor a todos.

asafe_image

Servo de Cristo

Dom Pedro Cunha Cruz

Bispo Diocesano da Campanha – MG

Fonte: www.diocesedacampanha.org.br

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz – A Serviço da Evangelização

Mais de 100 Bispos do Brasil participam de Curso no Rio de Janeiro

Desde o dia 25 de janeiro acontece o “25º Curso para Bispos” promovido  pela Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro . O evento teve início no governo diocesano de Dom Eugênio Sales. O encontro é coordenado por Dom Romer Karl, suíço, Bispo auxiliar, na época, hoje emérito.

curso bispos RJ
Na abertura o Cardeal Dom Orani, Dom Romer e o Núncio Apostólico do Brasil, Dom Giovane D’Aniello, acolheram os Bispos e passaram as instruções do retiro. Dom José Antônio Peruzzo, arcebispo metropolitano de Curitiba, também participa do curso.

20160128091726

Ao todo participam do encontro mais de 100 Bispos de todo o Brasil, e segundo informações da assessoria de imprensa da Arquidiocese do Rio, o curso tem duração de cinco dias. Durante este período, os Bispos farão reflexões e haverá debates sobre os temas estabelecidos. É também o momento de descanso, para que os Bispos possam começar o ano pastoral mais empenhados.

HomenagemIMG-20160127-WA0032

No dia 26 de janeiro, prosseguiu o Curso dos Bispos 2016, evento promovido pela Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, que está acontecendo na casa de retiro do Sumaré.
No encontro, os palestrantes Dom João Carlos Petrini, Bispo de Camaçari (BA), e Monsenhor Juan José Pérez Soba, doutor em Teologia pela Universidade São Damásio, fizeram reflexões sobre o tema central do encontro, “A família”, que também foi pauta do último Sínodo Ordinário do Episcopado.
No fim da tarde, o Núncio Apostólico do Brasil, Dom Giovanni D’Aniello, entregou a medalha São Gregório Magno, concedida pelo Papa Francisco, ao Cônsul Geral da Itália no Rio de Janeiro, Ricardo Batisti.

Visita

Bispos_no_Museu_do_Amanh_3_27012016190245

Na manhã de quarta-feira, 27 de janeiro, os participantes da 25ª edição do encontro realizaram um passeio pela cidade do Rio de Janeiro e visitaram o Museu do Amanhã, na Praça Mauá, Zona Portuária da cidade.

Novo ícone da Região Portuária, o Museu do Amanhã conjuga o rigor da ciência e a linguagem expressiva da arte, tendo a tecnologia como suporte, em ambientes imersivos, instalações audiovisuais e jogos, criados a partir de estudos científicos desenvolvidos por especialistas e dados divulgados por instituições do mundo inteiro. Traz à cidade, pela primeira vez, o conceito de museu experiencial, no qual o conteúdo é apresentado de forma sensorial, interativa e conduzido por uma narrativa. O espaço examina o passado, apresenta tendências do presente e explora cenários possíveis para os próximos 50 anos a partir das perspectivas da sustentabilidade e da convivência.

“Este Museu do Amanhã é uma grande obra e um grande benefício também para a cidade do Rio de Janeiro, tendo em vista toda esta revitalização da Praça Mauá. Agradeço pela possibilidade de viver este momento e conhecer esta magnífica obra que a todo o momento interage com os seus visitantes”, pontuou o bispo da Diocese de Duque de Caxias, Dom Tarcísio Nascentes dos Santos.

Esta é a 25º edição, que será encerrada na próxima sexta, 29/01.

Por João Dias com informações de Paulo Ubaldino (ArqRio)
Fotos: Gustavo de Oliveira (ArqRio) 

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz

A penitência: desejada pelo Céu e odiada pelo mundo.

Se há um conceito radicalmente oposto à mentalidade moderna é o da penitência. O termo e a noção de penitência evocam a ideia de um sofrimento que infligimos a nós mesmos para expiar os nossos pecados ou os de outras pessoas e nos unirmos aos méritos da Paixão redentora de Nosso Senhor Jesus Cristo. O mundo moderno rejeita o conceito de penitência por estar imerso no hedonismo e professar o relativismo, que é a negação de qualquer bem pelo qual vale a pena sacrificar-se, exceto a busca do prazer. Só isso pode explicar episódios como o furibundo ataque midiático em curso contra os Franciscanos da Imaculada, cujos mosteiros são descritos como locais de tortura, só porque neles se pratica uma vida de austeridade e penitência. Usar o cilício ou gravar o monograma do nome de Jesus no peito é considerado uma barbárie, enquanto praticar o sadomasoquismo ou tatuar indelevelmente o próprio corpo é considerado hoje um direito inalienável da pessoa.

Com toda a força de que os meios de comunicação são capazes, os inimigos da Igreja repetem as acusações anticlericais de sempre. O que é novo é a atitude das autoridades eclesiásticas, que em vez de defender as freiras difamadas, as abandonam ao carrasco midiático com secreto comprazimento, fruto da incompatibilidade entre as regras tradicionais que essas religiosas estão decididas a observar e os novos padrões impostos pelo “catolicismo adulto”.

Mesmo que o espírito de penitência tenha pertencido desde o início à Igreja Católica – como o recordam as figuras de São João Batista e de Santa Maria Madalena – qualquer incitamento às práticas ascéticas antigas é considerado hoje intolerável até por muitos eclesiásticos. No entanto, não há doutrina mais razoável do que aquela que fundamenta a necessidade de mortificação da carne. Se o corpo está em revolta contra o espírito (Gl 5, 16-25), não é razoável e prudente reprimi-lo? Nenhum homem está livre do pecado, nem mesmo os “cristãos adultos”. Não age portanto segundo um princípio lógico e salutar quem expia seus pecados mediante a penitência?

As penitências mortificam o “eu”, dobram a natureza rebelde, reparam e expiam os próprios pecados e os dos outros. Se, pois, considerarmos as almas que amam a Deus, que buscam a semelhança com o Crucificado, então a penitência se torna uma exigência do amor. São famosas páginas de De Laude flagellorum de São Pedro Damião, o grande reformador do século XI, cujo mosteiro de Fonte Avellana se caracterizava por uma extrema austeridade nas regras. Escrevia ele: “Quero sofrer o martírio por Cristo, mas não tenho ocasião; submetendo-me às flagelações, pelo menos manifesto a vontade de minha alma ardente” (Epístola VI, 27, 416 c.).

Toda reforma na história da Igreja foi feita com a intenção de reparar os males do tempo por meio da austeridade e da penitência. Nos séculos XVI e XVII, os Mínimos de São Francisco de Paula praticaram (e o fizeram até 1975) um voto de via quaresmal que lhes impõe a abstenção perpétua não só de carne, mas de ovos, de leite e de todos os seus derivados; os Recoletos consomem a própria refeição no chão, misturam cinza nos alimentos, prosternam-se diante da porta do refeitório sob os pés dos religiosos que entram; os Irmãos hospitalares de São João de Deus estabelecem na sua constituição “comer no chão, oscular os pés dos irmãos, sofrer repreensões públicas e acusar-se publicamente”. Análogas são as regras dos Barnabitas, dos Escolápios, do Oratório de São Felipe Neri, dos Teatinos. Não há instituto religioso, como documenta Lukas Holste, que não inclua em sua constituição a prática do capítulo de culpas, a disciplina várias vezes por semana, os jejuns, a diminuição das horas de sono e de repouso (Codex regularum monasticarum et canonicarum, (1759) Akademische Druck und Verlaganstalt, Graz 1958).

A essas penitências “de regra” os religiosos mais fervorosos juntavam as chamadas penitências “superrogatórias”, deixadas a critério de cada um. Santo Alberto de Jerusalém, por exemplo, na Regra escrita para os Carmelitas e confirmada pelo Papa Honório III em 1226, depois de descrever o gênero de vida da Ordem e as respectivas penitências a praticar, conclui: “Se alguém no entanto quiser dar mais, o próprio Senhor em seu retorno o recompensará”.

Bento XIV, que era um Papa meigo e equilibrado, confiou a preparação do Jubileu de 1750 a dois grandes penitentes, São Leonardo de Porto Maurício e São Paulo da Cruz. Frei Diego de Florença deixou um diário da missão realizada por São Leonardo de Porto Maurício na Praça Navona, em Roma, de 13 a 25 julho 1759. Com uma pesada corrente em volta do pescoço e uma coroa de espinhos na cabeça, o santo se flagelava diante da multidão, gritando: “Ou penitência ou inferno” (São Leonardo de Porto Maurício, Obras Completas. Diário de Fra Diego, Veneza, 1868, vol. V, p. 249). São Paulo da Cruz terminava sua pregação infligindo-se golpes tão violentos, que com frequência algum fiel não resistia mais ao espetáculo e saltava no palco, com o risco de ser atingido, para deter-lhe o braço (Os processos de beatificação e de canonização de São Paulo Cruz, Postulação geral dos Padres Passionistas I, Roma 1969, p. 493).

A penitência foi praticada ininterruptamente durante dois mil anos pelos santos, canonizados ou não, que com suas vidas têm ajudado a escrever a história da Igreja; por Santa Joana de Chantal e Santa Veronica Giuliana, que gravaram com um ferro quente o cristograma no peito, e por Santa Teresinha do Menino Jesus, que escreveu oCredo com o seu sangue, no final do livrinho dos Santos Evangelhos que trazia sempre sobre o coração.

Contudo, essa generosidade não caracteriza somente as monjas contemplativas. No século XX, dois santos diplomatas iluminaram a Cúria Romana: o cardeal Merry del Val (1865-1930), Secretário de Estado de São Pio X, e o Servo de Deus Mons. José Canovai (1904-1942), representante da Santa Sé na Argentina e no Chile. O primeiro usava sob a púrpura cardinalícia uma camisa de crina trançada com pequenos ganchos de ferro. Do segundo, autor de uma oração escrita com sangue, o cardeal Siri escreve: “As correntes, os cilícios, as flagelações horríveis com lâminas de barbear, as feridas, as cicatrizes aumentadas pelas sucessivas lesões, não são o ponto de partida, mas de chegada de um fogo interior; não a causa, mas a eloquente e reveladora explosão desse fogo. Tratava-se da clareza com a qual ele via em si e em cada coisa um meio para amar a Deus, e com a qual, no lancinante sacrifício do sangue, via garantida a sinceridade das demais renúncias interiores” (Memorial para a Positio de beatificação de 23 de Março 1951).

Foi nos anos cinquenta do século XX que as práticas espirituais e ascéticas da Igreja começaram a declinar. O padre João Batista Janssens, Geral da Companhia de Jesus (1946-1964), interveio mais de uma vez para chamar os próprios irmãos a retornar ao espírito de Santo Inácio. Em 1952 ele lhes enviou uma carta sobre a “mortificação contínua”, na qual se opunha às posições da nouvelle théologie, tendentes a excluir as penitências reparadoras e impetratórias, e escrevia que jejuns, flagelação, cilícios e outros rigores deviam permanecer escondidos dos homens, segundo a norma de Cristo (Mt 6, 16-18), mas deviam ser ensinados e inculcados nos jovens jesuítas até o segundo noviciado, chamado de terceiro ano de aprovação (Dizionario degli Istituti di Perfezione, vol. VII, col. 472). Ao longo dos séculos, as formas de penitência podem mudar, mas não o espírito, que é sempre oposto ao do mundo.

Prevendo a apostasia espiritual do século XX, Nossa Senhora em pessoa recordou em Fátima a necessidade da penitência. Penitência não é senão a recusa das falácias do mundo, a luta contra os poderes das trevas, que disputam com as forças angélicas o domínio das almas, e a mortificação contínua da sensualidade e do orgulho, enraizados no mais profundo do nosso ser. Somente aceitando essa luta contra o mundo, o demônio e a carne (Ef6, 10-12), podemos compreender o significado da visão cujo centésimo aniversário celebraremos dentro de um ano. Os pastorinhos de Fátima viram “ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fogo na mão esquerda; ao cintilar, despedia chamas que parecia iam incendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência!” !

Por Roberto de Mattei – Corrispondenza Romana 

Tradução: Hélio Dias Viana –FratresInUnum.com

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz – A Serviço da Evangelização.