Brasil pode ganhar em breve 30 novos santos de uma só vez

O arcebispo de Natal, d. Jaime Vieira Rocha, pediu ao papa que canonize dois padres e 28 fiéis que foram massacrados em 1645

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Os massacres foram executados por índios tapuias e potiguares e tropas holandesas, sob o comando de Jacob Rabbi, um alemão violento e sanguinário contratado pela Companhia das Índias Ocidentais Holandesas. Os mártires de Cunhaú foram mortos num domingo durante a missa celebrada pelo padre Ambrósio Ferro. Após a consagração da hóstia e do vinho, os soldados holandeses trancaram as portas da igreja e, a um sinal de Rabbi, os índios tapuias chacinaram os fiéis.

Com a notícia das atrocidades em Cunhaú, o medo se espalhou pelo território do Rio Grande do Norte e capitanias vizinhas. Com razão, porque outra vez sob as ordens de Jacob Rabbi um grupo calculado em 80 pessoas, entre as quais padre André de Soveral, foi massacrado. Emissários do governo holandês enviados para investigar os massacres constataram a prática de violência, atrocidade e crueldade.

A história dos massacres foi pesquisada na Torre do Tombo, em Portugal, e no Museu de Ajax, na Holanda. “Segundo documentos sobre o episódio, os holandeses sob o comando de Jacob Rabbi ofereceram aos católicos a opção de salvar a vida, se eles se convertessem aos calvinismo, mas eles se recusaram”, disse o padre Júlio César Souza Cavalcante, da Arquidiocese de Natal.

Os relatos são contraditórios e parciais, o que dificultou a apuração da história para a  beatificação e canonização. O martírio dos católicos coincidiu com uma de revolta de brasileiros e portugueses contra as ocupação holandesa. O papa recomendou que a Congregação para as Causas dos Santos dê andamento ao processo para depois ele assinar o decreto que vai declarar santos os 30 mártires do Rio Grande do Norte.

D. Jaime levanta a hipótese de a canonização ser feita em outubro de 2017, quando Francisco pretende vir ao Brasil por ocasião da comemoração dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do Rio Paraíba. Se o papa não puder ir ao Rio Grande do Norte, como seria desejável, a cerimônia poderia ser feita no Vaticano, em outra data.

Por José Maria Mayrink – O Estado de S. Paulo (O Estadão)

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

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