Especial Pe.Victor – Cardeal Amato: Pe. Victor, modelo extraordinário de sacerdote e pároco.

Cardeal Amato: Pe. Victor, modelo extraordinário de sacerdote e pároco/ Beatificação em 14 de Novembro 2015

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Foto: Paróquia Nossa Senhora D’Ajuda-Três Pontas – MG

Cidade do Vaticano (RV) – Será beatificado no próximo sábado (14/11), em Três Pontas (MG), Francisco de Paula Victor, sacerdote diocesano que viveu entre 1827 e 1905.

A Rádio Vaticano entrevistou o Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, sobre o futuro beato.

Eminência, o senhor pode dizer alguma coisa sobre Francisco de Paula Victor, sacerdote brasileiro e origem africana que a Igreja beatificará em 14 de novembro?

Cardeal Amato: “Trata-se de um pároco que viveu no século IXX. O Papa Francisco o chama de ‘bom pastor segundo o coração de Cristo, humilde arauto do Evangelho e zeloso educador dos jovens’.”

Se eu não me engano, esta é a segunda beatificação que se realiza na Diocese de Campanha, depois da beatificação de Francisca de Paula de Jesus, Nha’ Chica, realizada em 14 de maio de 2013, em Baependi.

Cardeal Amato: “É verdade. A comunidade cristã de Campanha se apresenta aos olhos da Igreja e do mundo como uma terra de santos, testemunhas críveis da misericórdia de Deus em nosso meio. Deve ser ainda conhecida a bonita história do novo beato. Desde pequeno, com a ajuda concreta da senhora Mariana Barbara Ferreira, ao invés de ser endereçado aos trabalhos agrícolas, foi direcionado ao estudo para se tornar alfaiate. Mas a sua vocação era outra: queria se tornar sacerdote. Superando obstáculos de todo tipo, perseverou neste seu propósito entrando para o seminário. Esta foi uma decisão extraordinária e incomum por causa da discriminação social da época. Mas Francisco, que então tinha vinte e dois anos, merecia o privilégio. Um seu colega de seminário o descreve como um jovem do coração de ouro.”

Onde e como se realizou o seu apostolado?

Cardeal Amato: “Aos vinte e quatro anos foi ordenado sacerdote pelo seu bispo, o Servo de Deus Antônio Ferreira Viçoso. A ordenação foi um verdadeiro milagre, porque tinha vencido os preconceitos raciais de seu tempo. Foi enviado ao ministério para a igreja principal de Campanha (1851-1852) e depois a Três Pontas, onde permaneceu até a morte, ocorrida em 1905.”

Quais são as características de sua santidade?

Cardeal Amato: “Pe. Victor foi um pároco generoso e dinâmico. Garantia sempre a santa missa, celebrada no domingo com grande solenidade e com a participação de pregadores conhecidos. Era muito ativo na catequese e na administração dos sacramentos. Introduziu o mês em homenagem a Nossa Senhora e percorria a cavalo as áreas rurais para levar conforto espiritual aos mais distantes. De 1852 a 1905, ano de sua morte, batizou 8.790 recém-nascidos filhos de brancos e 383 filhos de escravos. Incentivou a educação dos jovens, especialmente os pobres. Por isso, fundou em sua paróquia uma escola gratuita. Dava aos pobres as ofertas que recebia. Beneficiava também aqueles que no início o desprezaram. Os seus paroquianos, cerca de vinte anos depois de sua morte, colocaram uma placa em sua homenagem com a inscrição: “A sua vida foi um Evangelho”.

Quer sublinhar as virtudes do novo beato?

Cardeal Amato: “Gostaria de sublinhar a sua humildade e simplicidade. A este propósito se conta o seguinte episódio. Um dia Pe. Victor voltava de trem de Campanha a Três Pontas. Foi acolhido pelo povo com uma banda de música. No trem havia um general. Pensando que o acolhimento fosse para ele, pediu a Pe. Victor para carregar a sua mala, pois o confundiu com um carregador de bagagens. Com simplicidade o santo sacerdote carregou a mala do general. Quando o povo viu o seu pároco foi ao encontro dele com alegria. Então o general perguntou quem era aquele homem. Alguém lhe respondeu: É Pe. Victor e nós estamos aqui para acolhê-lo.”

Por humildade o sacerdote não revelou a sua identidade.

Cardeal Amato: “O seu funeral foi um triunfo. Mais de três mil pessoas o acompanharam ao cemitério entre lágrimas e homenagens de gratidão. Morreu pobre. Nasceu para o Evangelho e viveu para o povo. Os seus objetos pessoais foram logo considerados relíquias preciosas e conservados com zelo. É um modelo extraordinário de sacerdote e pároco.” (MJ)

Por Rádio Vaticana

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 

 

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