Setembro Mês da Bíblia| Que a Palavra de Deus seja nossa luz e salvação!

O mês de setembro, para nós católicos do Brasil é o mês dedicado à Bíblia, isso desde 1971. Mas desde 1947, se comemora o Dia da Bíblia no ultimo domingo de setembro. O mês de setembro foi escolhido como mês da Bíblia porque no dia 30 de setembro é dia de São Jerônimo (ele nasceu em 340 e faleceu em 420 dC).

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São Jerônimo foi um grande biblista e foi ele quem traduziu a Bíblia dos originais (hebraico e grego) para o latim, que naquela época era a língua falada no mundo e usada na liturgia da Igreja. Hoje a Bíblia é o único livro que está traduzido em praticamente todas as línguas do mundo e está em quase todas as casas, talvez nem fazemos ideia, mas a Bíblia é o livro mais vendido, distribuído e impresso em toda a história da humanidade.
A Bíblia – Palavra de Deus – é o fruto da comunicação entre Deus que se revela e a pessoa que acolhe e responde à revelação. Por isso a Bíblia é formada por histórias de um povo, o Povo de Deus, que teve o dom de interpretar sua realidade à luz da presença de Deus e compreender que a vida é um projeto de amor que parte de Deus e volta para Ele.

Que possamos viver intensamente este mês que se inicia e que a Palavra de Deus seja eficaz em nossa vida, que através dela possamos ser transformados e restaurados no amor e nos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Adaptação: Equipe Portal Terra de Santa Cruz


 

Seminário Diocesano promove a Semana de Nossa Senhora da Dores, veja a programação!

Semana de Nossa Senhora das Dores, Tema: Maria, Mãe da Misericórdia

De 07 à 15 de Setembro, o Seminário Diocesano Nossa Senhora das Dores em Campanha-MG promove a Semana de Nossa Senhora das Dores sua excelsa Padroeira . Toda comunidade Campanhense e região estão convidados a participar. Cada dia um Padre convidado celebrará a santa missa meditando o Tema Maria, Mãe da Misericórdia.

Confira a Programação 

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 “Maria conhece todas as nossas necessidades, mágoas, tristezas, misérias e esperanças. Interessa-se por cada um de seus filhos, roga por cada um com tanto ardor como se não tivera outro”.

(Serva de Deus, Madre Maria José de Jesus)

Ó Mãe das Dores. Rainha dos mártires, que tanto chorastes vosso Filho, morto para me salvar, alcançai-me uma verdadeira contrição dos meus pecados e uma sincera mudança de vida.  Mãe pela dor que experimentastes quando vosso divino Filho, no meio de tantos tormentos, inclinando a cabeça expirou à vossa vista sobre a cruz, eu vos suplico que me alcanceis uma boa morte. Por piedade, ó advogada dos pecadores, não deixeis de amparar a minha alma na aflição e no combate da terrível passagem desta vida a eternidade.
E, como é possível que, neste momento, a palavra e a voz me faltem para pronunciar o vosso nome e o de Jesus, rogo-vos, desde já, a vós e a vosso divino Filho, que me socorrais nessa hora extrema e assim direi: Jesus e Maria, entrego-Vos a minha alma.

Nossa Senhora das Dores, rogai por nós. Amém.


Foto: Seminário Diocesano Nossa Senhora das Dores

Escrito por Bruno Henrique – Gestor do Portal Terra de Santa Cruz!


Encontro Diocesano de Acólitos, Inscrições abertas!

O Encontro Diocesano de Acólitos 2015, ocorrerá no dia 20 de setembro com presenças dos nosso Bispos diocesanos, Dom Frei Diamantino e Dom Pedro. As Inscrições serão feitas da seguinte maneira.

Telefones: (35) 3456-1738 / (35) 98654003 – Escritório Paroquial

E-mail: encontroacolitosdacampanha@hotmail.com

ou (35) 99154738 falar com Caíque Eduardo.

A ficha de inscrição está disponível no site da diocese www.diocesedacampanha.org.br

Você caro leitor que é acólito na sua paróquia, participe deste encontro juntamente com seu grupo, formação e aprendizado sempre é bem vindo e lhe faz servir ao senhor pelo altar com mais seriedade, postura, alegria e boa vontade
o seu ministério caro Acólito é de suma importância para as celebrações da sua paróquia e de nossa diocese. O seu SIM alegra o coração de Deus

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Participe :  Tema “Servir com Alegria”


Por Portal Terra de Santa Cruz

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Artigo|A exemplo de Jesus, não paremos na rejeição.

A exemplo de Jesus, não paremos na rejeição. Não podemos parar na rejeição, na não aceitação, pelo contrário, temos que ficar cada vez mais convictos da missão para a qual fomos chamados como batizados.

Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria” (Lucas 4, 24).

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Jesus está em Sua cidade Nazaré e entra na sinagoga, quando abre o livro do profeta Isaías assume para si essa passagem: “O Espírito do Senhor está sobre mim!” (Lucas 4, 18). O Espírito de Jesus é aquele que O unge e Lhe dá a graça para que Ele faça o Reino de Deus acontecer. E Jesus toma posse dessa verdade, toma posse dessa passagem bíblica por saber que essa Palavra é para Ele.

Então, a começar pelos Seus, age com o Espírito profético que Lhe é próprio. No entanto, a primeira coisa que Jesus encontra é a resistência dos seus, ali há parentes, vizinhos, pessoas que O viram crescer. Da parte de alguns encontra resistência, de outros a total rejeição, simplesmente não querem acolher aquilo que Jesus vem lhes falar, pregar e ensinar. E o mais duro é que querem expulsá-Lo da cidade, O levam a um alto monte daquela cidade construída com a intenção de jogá-Lo do precipício. Jesus não para, larga deles e segue Seu caminho.

Sabem, meus irmãos, nós também, muitas vezes, não seremos aceitos, não seremos bem acolhidos pelos demais, não seremos sempre amados por aquilo que fazemos, ensinamos ou pregamos [a respeito de Jesus]. Contudo, não podemos parar na rejeição e na não aceitação das pessoas; pelo contrário, temos que ficar mais convictos da missão para a qual fomos chamados como batizados.

Eu vejo quão difícil é para uma pessoa que quer viver a santidade, a seriedade, quer levar a Palavra de Deus a sério, quer viver o respeito para com o próximo. Vejo o quão difícil é para quem quer viver a pureza no seu coração; muitas vezes, essa pessoa vai ser zombada, vai ser motivo de gozação, muitas vezes, dentro da própria casa e entre os amigos não será bem aceita.

Eu digo a você: aguente firme! Este é o caminho! Nosso Senhor não foi aceito, a começar pelos Seus. Não podemos ceder, não podemos perder a autenticidade, temos que continuar firmes no que nos propusemos a viver e para o qual fomos chamados a viver por Deus!

Não está muito na moda ser santo, ser humilde, ser honesto e correto, muitas vezes, somos até rechaçados porque queremos viver o que é correto. Mas não olhe para a rejeição nem para a não aceitação dos outros. Olhos fixos em Jesus!

Que aprendamos com o Senhor, onde não somos acolhidos, e sigamos adiante sem desanimar da missão que nos é proposta pelo Pai!

Deus abençoe você! 

Texto: Padre Roger Araújo – Comunidade Canção Nova.

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz


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Artigo|Peçamos a Deus a graça de ter o coração puro.

Peçamos a Deus a graça de ter o coração puro. É preciso purificar a alma, os sentidos, a vontade e encher o coração com boa disposição, bondade, pureza e tantos outros elementos necessários para que nossa vida seja correta. 

“O que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior” (Marcos 7, 15).

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O embate de Jesus com os fariseus é porque estes se preocupam muito com a casca, com o externo e com aquilo que é visível aos olhos humanos. Eles se incomodam porque os discípulos de Jesus, a exemplo do Mestre, comem sem lavar as mãos, fato que lhes [fariseus] causa repugnância.

Isso não significa que Jesus não tivesse higiene e não lavasse as mãos [antes das refeições], mas sim que Ele quis demonstrar algo muito mais profundo ao fazer isso. Existem muitas pessoas que lavam as mãos, tomam três banhos por dia, se arrumam e limpam de forma até frenética o corpo, passam maquiagem, fazem limpeza de pele, mas não fazem o essencial: limpar o coração. Muitas se preocupam em mostrar uma face bonita para aos outros, mas não cuidam do que têm dentro de si.

O Senhor nos diz, nesta passagem bíblica, que não é o que está fora de nós que nos torna impuros, mas aquilo que sai de nós. Isso porque é dentro do nosso coração onde guardamos e acumulamos as más intenções, as injustiças, as barbaridades, a falta de juízo, a devassidão e todas aquelas coisas impuras e maldosas que os outros nem imaginam que estejam guardados dentro de nós. Isso, sim, é algo mau!

Nós até podemos chegar diante de Deus maltrapilhos, com as roupas rasgadas, pois seremos muito bem recebidos, amados e abraçados por Ele. Contudo, nós não podemos chegar para participar do banquete eterno com o coração cheio de maldades, devassidões e impurezas. Por isso o trabalho da nossa vida, meus irmãos, a vida inteira, não é para simplesmente cuidar de ter boa pele ou boa aparência. O trabalho da nossa vida deve ser cuidar do nosso coração e ter o cuidado de não sermos excessivamente voltados para um lado da vida e nos esquecer do essencial, daquilo que sai de nosso interior.

O trabalho fundamental da nossa existência humana é cuidar do que está dentro de nós. A primeira coisa, para isso acontecer, deve ser a purificação interior: purificar a alma, os sentidos e a vontade. E purificar é justamente lapidar, tirar o que está estragado, renunciar ao que não convém, não deixar acumular dentro de nós tantas coisas velhas e tranqueiras que nos deixam cada vez mais podres por dentro.

E uma vez que vamos nos limpando, nos purificando e fazendo essa renovação interior ao longo da vida, é preciso encher o coração com coisas boas, com boa disposição, bondade, vontade reta, pureza e com tantos outros elementos necessários para termos uma vida correta.

Que Deus nos dê a graça hoje de ter um coração purificado por Sua Palavra para que vivamos uma vida autêntica no meio dos homens!

Deus abençoe você!

Texto: Padre Roger Araújo, comunidade Canção Nova

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz    


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O Martírio de São João Batista

São João Batista, chamado o batizador, filho de Zacarias e de Santa Isabel, ambos de família sacerdotal, é um dos poucos santos que tem duas festas no Calendário Litúrgico da Igreja: 24 de junho – Natividade, e 29 de agosto – martírio. João significa “Deus é propício”; foi um milagre de Deus, pois sua mãe era estéril e engravidou já velha.

São João Batista 1João foi o precursor do Messias, encarnou o caráter forte de Elias, o maior dos profetas do AT. Ambos aparecem a Jesus em sua transfiguração no Tabor. A sua missão é semelhante “no espírito e no poder” à do profeta Elias, que enfrenta as centenas de falsos profetas de Baal, sem medo, na fé.

Já no ventre de sua mãe, João tem o primeiro encontro com Jesus (também no ventre de Maria), “estremecendo de alegria” no ventre de Isabel. Veio para “endireitar os caminhos do Senhor,” e foi santificado pela graça divina antes de nascer. “Eis, disse Isabel, repleta do Espírito Santo, a Maria – quando tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria em meu ventre.”

Santo Agostinho nos diz que São João Batista já era comemorado a 24 de junho na Igreja africana (século IV). Jesus disse que ele foi “o maior entre os nascidos de mulher”: é o último profeta e o primeiro apóstolo, enquanto precede o Messias e lhe dá testemunho. “É mais que um profeta, disse Jesus. É dele que está escrito: eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele preparará o teu caminho diante de ti.”

João foi como Jesus “sinal de contradição”, pregava contra a  hipocrisia e a imoralidade, por isso pagou com o martírio o rigor moral que ele não só pregava, sem ceder, também diante da ameaça de morte de Herodes Antipas, no ano décimo quinto do imperador Tibério (27-28 a.C.).  A sua palavra de fogo parece na verdade com o “espírito de Elias”. Sua figura vai desaparecendo à medida que vai surgindo “o mais forte,” Jesus. “É preciso que ele cresça e eu desapareça” (Jo 3,30). Um verdadeiro discípulo de Jesus.

João não teve medo – como muitos de nós hoje – de reprovar publicamente o comportamento pecaminoso de Herodes Antipas e da cunhada Horodíades, o que custou-lhe a dura prisão em Maqueronte, na margem oriental do Mar Morto e depois a morte por decapitação.

A lição de João Batista, mártir da fé e da moral, não pode ser esquecida e nem escondida; muitos na Igreja foram mártires em situações semelhantes por denunciarem a imoralidade de sua época. Hoje, esta imoralidade é maior ainda, ferindo o coração de Deus, calcando aos pés o Evangelho, profanando a vida das mulheres, das crianças não nascidas, da família, da dignidade humana. Quem será o João Batista de hoje a pregar contra o sexo fora do casamento, a prática homossexual, o aborto, a eutanásia, a inseminação artificial, a pornografia deslavada, os inúmeros adultérios, da corrupção endêmica, da malversação do dinheiro público?… Certamente João não se calaria diante de tudo isso. E sofreria de novo a morte.

Será que teremos hoje a coragem de João, de enfrentar quem sabe os processos, a perseguição, o “martírio da ridicularização” de que falava Bento XVI? Ou será que seremos uma Igreja omissa, calada, amedrontada diante dos Herodes Antipas de hoje? Será que lâmpada será colocada sob a mesa, deixando o mundo nas trevas do pecado e da morte? Será que nos acostumaremos com o mal negando dois mil anos de ensinamentos da Igreja?

Que a intercessão de São João Batista nos dê força, coragem e  sabedoria para enfrentar o mal em nossos dias.

Texto: Prof. Felipe Aquino – Fonte: cleofas.com.br

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz


 

Artigo|Santo Agostinho – da esbórnia à santidade.

Hoje vamos falar de um Santo muito especial, meus amigos: o primeiro dos quatro doutores do ocidente, a luz filosófica da antiguidade cristã. Ninguém mais, ninguém menos do que Santo Agostinho!

Santo Agostinho 2Juntamente com Santo Ambrósio, São Jerônimo e São Gregório Magno, Santo Agostinho nos direciona para o cristianismo como o conhecemos. Sua influência é enorme no mundo ocidental. Se você não o conhece, não leu pelo menos “As Confissões”, você não tem a menor ideia de onde está. O papel de Santo Agostinho nos primeiros séculos depois de Cristo é comparável com o de São Paulo na Igreja primitiva.

Sua grandeza está principalmente no fato de que ele soube, como nenhum outro, relacionar a filosofia helenista (grega) e romana com os preceitos da fé cristã, caminho que mais tarde seria retomado com brilho pelo grande São Tomás de Aquino. O pensamento agostiniano faz a ponte filosófica necessária do conhecimento platônico-aristotélico para Santo Anselmo, e daí para São Tomás de Aquino.

A quantidade de títulos de Santo Agostinho, por si só, já dariam um post, “Doutor da Caridade”, “Doutor da Graça”, Doutor da Humildade”, “Doutor da Oração” e muitos outros. Viveu na fronteira de dois tempos: sua vida transcorreu no ocaso do Império Romano do Ocidente e também na ascensão do cristianismo e declínio do paganismo.

Foi um dos três homens mais inteligentes que a humanidade já conheceu. Falar de Santo Agostinho é falar de um parelho de Aristóteles e Platão. Metafísico, filósofo, psicólogo, os interesses de Santo Agostinho confundem-se com a meditação sobre o destino do homem.

FAMÍLIA

Nasceu Aurelius Augustinus em 15 de novembro de 354, na cidade de Tagaste, Numídia, uma província romana no Norte da África (atualmente o nome da cidade é Souk-Ahras, e fica na Argélia). Seu pai, chamado Patrício, era um pagão de personalidade violenta.

Sua mãe era Santa Mônica, uma mulher de bom coração, que aos poucos foi domando o caráter agressivo do marido; ao mesmo tempo, educou Agostinho e dirigiu o menino pelo caminho da cristianismo, fazendo dele catecúmeno.  Foi Santa Mônica a principal responsável por Agostinho vir a se tornar um santo.

CURTINDO A VIDA ADOIDADO

Santo Agostinho foi na juventude uma espécie de James Dean (essa referência é somente para os fortes) da sociedade decadente do Império Romano do Ocidente moribundo. Bom aluno, foi mandado para Cartago, o principal centro de estudos e a maior cidade da África, uma espécie de Los Angeles para malucos superdotados e um centro de esbórnia.

Como todo jovem sem supervisão (tinha dezessete anos) vivia na boemia. Das suas relações, digamos, “acadêmicas”, nasceu seu único filho, Adeodato. Apesar das suas maluquices juvenis, Santo Agostinho foi um grande pai e nunca abandonou o filho.

Os jovens de hoje, que se acham tão espertos, não sabem, de fato, nada. Santo Agostinho, em 371, já vivia e sentia exatamente as mesma coisas que eles, só que sem smartphone e Ipad. E como eles, Santo Agostinho sentia o vazio de uma existência sem sentido. Graças a Deus, não existia as parafernalhas de hoje, e Agostinho pôde ler sem Kindle o diálogo “Hortêncio” de Cícero, que versa sobre a possibilidade da eterna bem-aventurança. Vejamos um trecho:

“Se tudo acaba com a vida presente, não é já pequena sorte o ter ocupado a existência no estudo de assunto tão importante; se, como tudo parece indicar, nossa vida continua depois da morte, a investigação constante da verdade é o meio mais seguro para preparar-nos para esta outra existência.”

Esse tipo de conhecimento estava além da capacidade de seus mestres pagãos. Agostinho sentia falta do Salvador, do Mestre dos mestres que havia conhecido através de sua mãe. Mas para saciar sua necessidade de Jesus, ele precisava fazer um duplo sacrifício: a submissão da inteligência e a pureza da vida. Definitivamente, o jovem Agostinho ainda não estava preparado para tanto.

APÓSTOLO DO ERRO MANIQUEÍSTA

O paganismo não era um caminho aceitável para Agostinho. Voltou-se para o estudo das Sagradas Escrituras, mas quem lhe daria o entendimento dessa leitura? Como sabemos, somente a Igreja Católica é capaz da fazê-lo, por sua autoridade. Mas esse caminho é deveras difícil, por conta das crenças errôneas que confundiam a razão de Agostinho.

Contrapunha-se à Sã Doutrina a heresia maniqueísta, uma seita em que os mestres desprezavam os dogmas da fé católica e adoravam às artes e letras profanas. Era um tipo de relativismo antigo, onde o juízo pessoal era a medida fé. Sem contar que a dualidade (Deus bom em oposição a Deus mau) era suficiente para jogar a culpa do pecado na influência alheia. Seríamos eternos coitadinhos por essa ótica, sempre podendo imputar a culpa dos nossos mal feitos no Deus mau. Que lindo!

Analisando o mundo a nossa volta, podemos ver claramente que o maniqueísmo não morreu. “Sou um menino malvado, a culpa não é minha, é do Deus mau! Eu acredito no Deus bom! Ai de mim!”. Para os moleques da época isso era muito atraente, pois era a justificativa para qualquer bobagem que viessem a cometer.

Santo Agostinho abraçou o maniqueísmo com toda a vontade e tornou-se um dos seus principais apóstolos, levando para essa heresia muitos dos seus companheiros de cátedra. Chegou até a tentar converter sua mãe, mas com Santa Mônica isso demonstrou ser uma tremenda perda de tempo.

O SONHO DE SANTA MÔNICA

Por aquela época, Santa Mônica teve um sonho profético sobre seu filho rebelde. Um anjo lhe disse:

“Onde tu estás, ele também está.” 

santa_monicaO confessor a quem Santa Mônica confiava suas angústias aconselhou-a a continuar rezando por Agostinho. Graças às preces da mãe, chegaria o dia em que o filho retornaria ao caminho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Agostinho voltou para sua cidade natal e tornou-se professor de retórica. Mas o lugar era pequeno demais para suas ambições e brilhantismo. Retornou a Cartago, onde suas carreira deslanchou a ponto de buscar novos horizontes na capital do Império, Roma.

Ao partir da África, já tinha se desligado dos maniqueístas – perseverar em furada não era mesmo a dele. A princípio, não adotou uma nova fé, decidiu esperar para que a verdade se apresenta-se a ele com plena certeza.

DEUS E PLATÃO

Em Roma, abriu a Cátedra de Retórica nos mesmos moldes que havia feito em Tagaste e em Cartago. Seus primeiros alunos eram os mesmos que o acompanhavam desde Cartago, e a esses juntaram-se novos e tanto uns quantos outros que não pagavam um centavo.

Para se sustentar, Santo Agostinho arrumou um emprego na Cátedra de Milão, onde entrou em contado com a obra de Platão que tinha acabado de ser traduzida por Vitoriano do grego para o latim (observem que JÁ EXISTIA TRADUÇÕES DE PLATÃO EM LATIM NO SÉCULO IV. Quem é que precisava de árabes, bwana!!!????). Foi o velho filósofo que mostrou a Agostinho que a visão maniqueísta de um Deus basicamente materialista nada tinha a ver com a realidade de um Deus criador.

AS ORAÇÕES DE SANTA MÔNICA

Platão foi o primeiro passo da conversão de Santo Agostinho, mas ainda não era suficiente, pois este mostrava o verdadeiro Deus, mas não mostrava o caminho para o convívio dos eleitos. Essa segunda etapa só seria possível ao entregar-se nos braços de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foram as orações de sua mãe Santa Mônica que possibilitaram esta graça. Foi a santa juntar-se ao filho amado em Milão.

A primeira coisa com que ela teve que lidar foi com a união ilegítima de Santo Agostinho com a mãe de seu filho Adeodato. A mãe do menino era um mulher de bom coração, e consentiu em separar-se de Adeodato e retornar a Tagaste, onde viveu seus dias em retiro, servindo a Deus. Agostinho ainda não sentia-se pronto para entregar-se a Cristo e ainda era prisioneiro de suas paixões.

Foi por meio da mediação de Santa Mônica que Agostinho conheceu Santo Ambrósio, bispo de Milão, de quem se tornou discípulo. Santo Ambrósio que colocou Santo Agostinho na linha de uma vez por todas. Baixando a bola, ele venceu seu orgulho e voltou a ler e estudar as Escrituras, em especial as Epístolas de São Paulo, onde encontrou a cura para suas tentações do mundo (eu mesmo preciso fazer isso sempre e sempre devemos fazê-lo, para salvação de nossas almas).

Outro fato interessante e que teve forte impacto em Santo Agostinho foi a conversão de Vitorino, o filósofo que havia traduzido Platão para o latim.

ENFIM, A CONVERSÃO

Agosto de 386. Agostinho vivia em Milão com sua mãe, seu filho e alguns amigos. Entre esses amigos, havia um certo Alípio, que servia-lhe como confessor de suas angústias espirituais. Receberam um dia a visita de Ponticiano que, vendo espalhadas sobre a mesa as cartas de São Paulo, congratulou Agostinho por se ocupar daquele tipo de leitura.

Mas Ponticiano não era exatamente uma sumidade intelectual; o fato daquele humilde amigo estar mais próximo de Deus do que ele naquele momento, mesmo com toda sua inteligência, deixou Agostinho perturbado. Agostinho parecia dividido entre o chamado de Deus e o chamado do mundo, exatamente como quase todos nós.  Foi ao ler a seguinte passagem das cartas de São Paulo que se fez luz em sua alma:

“Nada de comilança, nem bebedeiras, nada de luxúria, nem de desfreamento, nada de brigas nem invejas; ao contrário, revesti-vos de Jesus Cristo, o Senhor, e não busqueis satisfazer os baixos instintos” (Romanos).

O batismo de Santo Agostinho foi realizado por Santo Ambrósio, em Milão. Eles compuseram juntos na ocasião o cântico “Te Deum laudanus”, que se tornou o hino litúrgico de ação de graças de toda Igreja Católica. Um momento de enorme dor seguiu-se: pouco tempos depois, Adeodato, o filho de Santo Agostinho, morreu.

Convertido, Agostinho retornou à África, tendo junto consigo Santa Mônica. Durante a longa viagem, fizeram uma parada em Óstia, e aí sua mãe veio a adoecer e faleceu, cinco dias depois.

O APOSTOLADO DE SANTO AGOSTINHO

Depois de prantear sua mãe, Santo Agostinho iniciou seu projeto de vida religiosa. O então bispo de Hipona, Valério, conferiu-lhe o sacerdócio em 391. A partir daí, Santo Agostinho instituiu uma ordem religiosa (que subsiste até hoje e segue a mesma regra) que unia o apostolado com os exercícios de claustro. Fundou também um convento, do qual sua irmã mais velha tornou-se a primeira superiora.

Foi após a morte de Valério que Santo Agostinho se tornou Bispo de Hipona. Suas principais atividades como bispo foram: direção de monastérios, instrução dos fiéis e defesa da Igreja a contra as heresias. Foi o mais severo demolidor dos hereges arianos, maniqueístas, pelagianos e donatistas. Por jogar por terra as ideias de todos esses manés, ficou conhecido como “Martelo dos hereges”. Acabou com o cisma dos donatistas, que destruíram o Norte da África. Defenestrou com o pelagianismo, heresia que dizia que a graça de Deus não era necessária para a salvação, o que lhe valeu um outro famoso título “Doutor da Graça”.

Fonte: ocatequista.com.br 

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 


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A consciência e a vida correta. |Por Joseph Ratzinger

Seguir a consciência significa realizar todos os nossos gostos? O conceito de autoridade exclui o conceito de liberdade? O então Cardeal Ratzinger fala sobre essas e outras questões nesse conjunto de reflexões tirado do posfácio do livro Joseph Ratzinger: uma biografia.

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A unidade do homem tem um órgão: a consciência. Foi uma ousadia de São Paulo afirmar que todos os homens têm a capacidade de escutar a sua consciência, separando assim a questão da salvação da questão do conhecimento e da observância da Torah e situando-a no terreno da comum exigência da consciência em que o Deus único fala e diz a cada um o que é verdadeiramente essencial na Torah: Quando os gentios, que não têm lei, cumprem naturalmente as prescrições da lei, sem ter lei são lei para si mesmos, demonstrando que têm a realidade dessa lei escrita no seu coração, segundo o testemunho da sua consciência… (Rom 2, 14 e segs.). Paulo não diz: “Se os gentios se mantiverem firmes na sua religião, isso é bom diante do juízo de Deus”. Pelo contrário, ele condena grande parte das práticas religiosas daquele tempo. Remete para outra fonte, para aquela que todos trazem escrita no coração, ao único bemdo único Deus.

Seja como for, aqui se enfrentam hoje dois conceitos contrários de consciência, que na maioria das vezes simplesmente se intrometem um no outro. Para Paulo, a consciência é o órgão da transparência do único Deus em todos os homens, que são um homem. Em contrapartida, atualmente a consciência aparece como expressão do caráter absoluto do sujeito, acima do qual não pode haver, no campo moral, nenhuma instância superior. O bem como tal não seria cognoscível. O Deus único não seria cognoscível. No que diz respeito à moral e à religião, a última instância seria o sujeito.

Isto seria lógico, se a verdade como tal fosse inacessível. Assim, o conceito moderno da consciência equivale à canonização do relativismo, da impossibilidade de haver normas morais e religiosas comuns, ao passo que, pelo contrário, para Paulo e para a tradição cristã, a consciência sempre foi a garantia da unidade do ser humano e da cognoscibilidade de Deus, e assim da obrigatoriedade comum de um mesmo e único bem. O fato de que em todos os tempos houve e há santos pagãos baseia-se em que em todos os lugares e em todos os tempos – embora muitas vezes com grande esforço e apenas parcialmente – a voz do coração era perceptível; a Torah de Deus se nos fazia perceptível como obrigação dentro de nós mesmos, no nosso ser criatural, e assim tornava possível que superássemos a mera subjetividade na relação de uns com os outros e na relação com Deus. E isto é a salvação (1).

CONSCIÊNCIA E VERDADE


A vida e a obra do Cardeal Newman poderia ser realmente definida como um extraordinário e extenso comentário ao problema da consciência <…>. Quem não se recorda <…> da famosa frase acerca da consciência na carta que dirigiu ao duque de Norfolk? Diz assim: “Se tivesse de brindar pela religião, o que é altamente improvável, fá-lo-ia pelo Papa. Mas em primeiro lugar pela consciência. Só depois o faria pelo Papa” (2). Newman queria que a sua resposta fosse uma adesão clara ao Papado em face da contestação de Gladstone, mas também queria que fosse, em face das formas errôneas do “ultramontanismo”, uma interpretação do Papado que só pode ser concebido adequadamente quando visto de forma conjunta com o primado da consciência, não como oposto a ela, mas como algo que a funda e lhe dá garantia. É difícil para o homem moderno, que pensa sempre na subjetividade como oposta à autoridade, entender esse problema. Para ele, a consciência está do lado da subjetividade e é expressão da liberdade do sujeito, enquanto a autoridade aparece como sua limitação e, inclusive, como sua ameaça e negação. É preciso aprofundar mais em tudo isso para entender de novo a perspectiva em que tal oposição não é válida.

O conceito central de que Newman se serve para unir autoridade e subjetividade é a verdade. Não tenho reparos em dizer que a verdade é a idéia central da sua luta espiritual. A consciência ocupa para ele um lugar central porque a verdade está no centro. Dito de outra maneira: em Newman, a importância do conceito de consciência está unida à excelência do conceito de verdade e deve ser entendida exclusivamente a partir dele. A presença constante da idéia de consciência não significa a defesa, no século XIX e em contraposição à neo-escolástica “objetivista”, de uma filosofia ou uma teologia da subjetividade. O sujeito merece, a seu ver, uma atenção como não havia despertado talvez desde Santo Agostinho. Mas é uma atenção na linha de Santo Agostinho, não na da filosofia subjetivista da modernidade. Ao ser elevado ao cardinalato, Newman confessou que toda a sua vida tinha sido uma luta contra o liberalismo. Poderíamos acrescentar: e também contra o subjetivismo cristão tal como o encontrou no movimento evangélico do seu tempo, e que constituiu o primeiro degrau de um caminho de conversão que duraria toda a sua vida.

A consciência não significa para Newman a norma do sujeito frente às demandas da autoridade num mundo sem verdade, que vive entre as exigências do sujeito e da ordem social, mas, antes, a presencia clara e imperiosa da voz da verdade no sujeito. A consciência é a anulação da mera subjetividade no ponto em que se tangenciam a intimidade do homem e a verdade de Deus. São significativos os versos que escreveu na Sicília em 1833: “Eu amava o meu próprio caminho. Agora Te peço, ilumina-me para Te seguir” (3). A conversão ao catolicismo não foi para ele uma questão de gosto pessoal ou de uma necessidade anímica subjetiva. Já em 1844, no umbral de sua conversão, falava sobre isso com estas palavras: “Ninguém pode ter uma opinião mais desfavorável que eu da situação atual dos católicos” (4). Mas a Newman importava mais obedecer à verdade, inclusive contra o seu próprio sentir, que seguir o seu gosto, os vínculos de amizade e os caminhos trilhados.

Parece-me muito significativo que ele tenha sublinhado a prioridade da verdade sobre o bem na série das virtudes, ou, expresso de forma mais compreensível para nós, a sua primazia em face do consenso e dos pactos de grupo. Eu diria que essas atitudes são comuns quando falamos de um homem de consciência. Homem de consciência é aquele que não compra tolerância, bem-estar, êxito, reputação e aprovação públicas renunciando à verdade. Nisso Newman coincide com outra grande testemunha britânica da consciência, com Thomas More, para quem a consciência nunca foi expressão da sua vontade de obstinação nem de heroísmo caprichoso. Thomas More contava-se a si mesmo entre os mártires temerosos que só depois de muitos atrasos e inumeráveis questionamentos conseguiu levar a alma a obedecer à consciência: a obediência à verdade, que deve estar acima das instâncias sociais e dos gostos pessoais. Aparecem então dois critérios para distinguir a presença de uma verdadeira voz da consciência: que não coincida com os desejos e gostos próprios nem com o que é mais benéfico para a sociedade, o consenso do grupo ou as exigências do poder político ou social.

Chegados a este ponto, parece natural lançar um olhar aos problemas da nossa época. O indivíduo não deve trair a verdade reconhecida para comprar o progresso e o bem-estar. A humanidade não o permite. Com isto, tocamos o ponto verdadeiramente crítico da modernidade: o conceito de verdade foi praticamente abandonado e substituído pelo de progresso. O progresso “é” a verdade. Mas com essa aparente elevação desmente-se e anula a si próprio, pois quando não há direção, o mesmo movimento pode ser tanto progressivo como retrógrado. É assim que a teoria da relatividade formulada por Einstein vê o cosmos físico. Mas penso que também descreve com acerto a situação do cosmos espiritual do nosso tempo. A teoria da relatividade estabelece que não há nenhum sistema de referência fixo; cabe a nós considerar um ponto qualquer como referência e a partir dele tentar medir a totalidade, pois apenas assim poderemos obter resultados; da mesma maneira que escolhemos um, poderíamos ter escolhido qualquer outro.

O que se diz a respeito do cosmos físico reflete também o segundo giro “copernicano” que se deu na nossa relação fundamental com a realidade: a verdade, o absoluto, o ponto de referência do pensamento deixou de ser evidente. Por isso, já não há – tampouco do ponto de vista espiritual – nem norte nem sul. Não há direção num mundo sem pontos de medida fixos. O que consideramos direção não assenta numa medida verdadeira, mas numa decisão nossa e, em última análise, no ponto de vista da utilidade. Num tal contexto “relativista”, a ética teleológica ou conseqüencialista converte-se numa ética niilista, mesmo quando não se percebe. O que numa cosmovisão como essa se chama “consciência” é, considerada em profundidade, um modo de dissimular que não há autêntica consciência, isto é, unidade de conhecimento e verdade. Cada um cria os seus próprios critérios, e, na situação de relatividade geral, ninguém pode ajudar os outros, e menos ainda dar-lhes instruções.

Agora se percebe a enorme radicalidade do debate ético atual, cujo centro é a consciência. Penso que o paralelismo mais aproximado na história das idéias é a controvérsia entre Sócrates e Platão, por um lado, e os sofistas, por outro, na qual se põe à prova a resolução originária de duas atitudes fundamentais: a confiança na capacidade humana de verdade e uma visão do mundo na qual o homem cria os seus próprios critério.

O motivo pelo qual Sócrates, um pagão, se converteu em certo sentido num profeta de Jesus Cristo é, a meu ver, essa questão primordial: a sua disposição de acolher a verdade foi o que permitiu ao modo de fazer filosofia inspirado na sua figura o privilégio de ser de algum modo um elemento da História Sagrada, e o que fez dele um recipiente idôneo do Logos cristão, cuja finalidade é a libertação pela verdade e para a verdade. Se separarmos a luta de Sócrates das contingências históricas do momento, perceberemos rapidamente com que intensidade intervém – com outros argumentos e nomes – nos assuntos da polêmica do presente. <…>

em muitos lugares já não se pergunta o quê um homem qualquer pensa. Basta-nos dispor de uma idéia sobre o seu modo de pensar para incluí-lo na categoria formal conveniente: conservador, reacionário, fundamentalista, progressista ou revolucionário. A inclusão num esquema formal torna desnecessária qualquer explicação do seu pensamento. Algo parecido, mas reforçado, se observa na arte. O que expressa é indiferente: pode glorificar Deus ou o diabo. O único critério é que seja formalmente conhecido.

Com isto, chegamos ao verdadeiro núcleo do nosso assunto. Quando os conteúdos não contam e a pura fraseologia assume o comando, o poder converte-se em critério supremo, isto é, transforma-se em categoria – revolucionária ou reacionária – dona de tudo. Esta é a forma perversa de semelhança com Deus de que fala o relato do pecado original. O caminho do mero poder e da pura força é a imitação de um ídolo, não a realização da imagem de Deus. O traço essencial do homem enquanto homem não é perguntar pelo poder, mas pelo dever, e abrir-se à voz da verdade e suas exigências. Esta é, a meu ver, a trama definitiva da luta de Sócrates. Também é o argumento mais profundo do testemunho dos mártires: os mártires manifestam a capacidade de verdade do homem como limite de qualquer poder e como garantia da sua semelhança com Deus. É assim que os mártires se constituem nas grandes testemunhas da consciência, da capacidade outorgada ao homem para perceber o dever acima do poder e começar o progresso verdadeiro e a ascensão efetiva (5).

A CONSCIÊNCIA “INFALÍVEL”

A consciência é apresentada como o baluarte da liberdade em face das constrições da existência causadas pela autoridade. <…> Desse modo, a moral da consciência e a moral da autoridade parecem enfrentar-se como duas morais contrapostas em luta recíproca. A liberdade do cristão ficaria a salvo graças ao postulado original da tradição moral: a consciência é a norma suprema que o homem deve seguir sempre, mesmo quando vai contra a autoridade. Quando a autoridade, nesse caso o Magistério da Igreja, falasse sobre problemas de moral, estaria submetendo um material à consciência, que reservaria sempre para si mesma a última palavra <…>. Essa concepção da consciência como última instância é recolhida por alguns autores na fórmula “a consciência é infalível”. <…>

Por um lado, é inquestionável que devemos sempre seguir o veredito evidente da consciência, ou pelo menos não o infringir com as nossas ações. Mas é muito diferente sustentar a convicção de que o ditame da consciência, ou o que consideramos como tal, sempre estaria certo, sempre seria infalível. Semelhante afirmação significaria o mesmo que dizer que não há verdade alguma, ao menos em matéria de moral e religião, isto é, justamente no âmbito que é o fundamento constitutivo da nossa existência. Como os juízos da consciência se contradizem uns aos outros, só haveria uma “verdade do sujeito” <…>.

A pergunta pela consciência nos transporta, na prática, para o domínio essencial do problema moral e a interrogação acerca da existência do homem. Não gostaria de pôr esses problemas em forma de considerações estritamente conceituais e, por conseguinte, completamente abstratas, mas preferiria avançar de modo narrativo.

Primeiramente, contarei a história da minha relação pessoal com esse problema. Ele pôs-se pela primeira vez com toda a sua urgência no começo da minha atividade acadêmica. Um meu colega mais velho <…>, expressou durante uma disputa a opinião de que devíamos dar graças a Deus por conceder a muitos homens a possibilidade de fazer-se não-crentes seguindo a sua consciência; se lhes abríssemos os olhos e eles se fizessem crentes, não seriam capazes de suportar neste nosso mundo o peso da fé e das suas obrigações morais. Mas, como todos seguiram de boa-fé um caminho diferente, poderiam alcançar a salvação.

O que mais me chocava nessa afirmação não era a idéia de uma consciência equivocada concedida pelo próprio Deus para poder salvar os homens mediante esse estratagema, isto é, a idéia de uma ofuscação enviada por Deus para a salvação de alguns. O que me perturbava era a idéia de que a fé fosse uma carga insuportável que só naturezas fortes poderiam suportar, quase um castigo ou, em todo o caso, uma exigência difícil de cumprir. A fé não facilitaria a salvação, antes a dificultaria. Livre seria aquele que não carregasse com a necessidade de crer e de dobrar-se ao jugo da moral que decorre da fé da Igreja Católica. A consciência errônea, que permitiria uma vida mais leve e mostraria um caminho mais humano, seria a verdadeira graça, o caminho normal da salvação. A falsidade e o afastamento da verdade seriam melhores para o homem do que a verdade. O homem não seria libertado pela verdade, mas deveria ser libertado dela. A morada do homem seria mais a obscuridade do que a luz, e a fé não seria um dom benéfico do bom Deus, mas uma fatalidade.

Porém, se as coisas fossem assim, como poderia surgir a alegria da fé? Como poderia surgir a coragem de transmiti-la aos demais? Não seria melhor deixá-los em paz e mantê-los distantes dela? Foram idéias como essa que paralisaram, com cada vez mais força, a tarefa evangelizadora. Quem encara a fé como uma carga pesada ou como uma exigência moral excessiva não pode convidar outras pessoas a abraçá-la. Prefere deixá-los na suposta liberdade da sua boa consciência.

<…> O que inicialmente me estarreceu no argumento mencionado era, sobretudo, a caricatura de fé que me pareceu haver nele. Mas, numa segunda consideração, pareceu-me igualmente falso o conceito de consciência que pressupunha. A consciência errônea protege o homem das exigências da verdade e o salva: assim soava o argumento. A consciência não aparecia nele como uma janela que abre para o homem o panorama da verdade comum que sustenta a cada um e a todos, tornando possível que sejamos uma comunidade de vontade e de responsabilidade apoiada na comunidade do conhecimento. Nesse argumento, a consciência também não é a abertura do homem ao fundamento que o sustenta nem a força que lhe permite perceber o supremo e essencial. Trata-se antes de uma espécie de invólucro protetor da subjetividade <…> que não dá acesso à estrada salvadora da verdade, que ou não existe ou é exigente demais; e converte-se assim em justificação da subjetividade, que não se quer ver questionada, e do conformismo social, que deve possibilitar a convivência como valor médio entre as diversas subjetividades. Desaparecem assim o dever de buscar a verdade e as dúvidas quanto às atitudes e costumes dominantes: bastariam o conhecimento adquirido individualmente e a adaptação aos outros. O homem é reduzido às convicções mais superficiais, e quanto menor a sua profundidade, melhor para ele. <…>.

Pouco depois, numa disputa entre um grupo de colegas sobre a força justificadora da consciência errônea, alguém objetou contra essa tese que, se fosse universalmente válida, estariam justificados – e deveríamos procurá-los no céu – os membros das SS que cometeram os seus crimes com um conhecimento fanatizado e plena segurança de consciência. <…> Não haveria a menor dúvida de que Hitler e os seus cúmplices, que estavam profundamente convencidos do que faziam, não podiam ter agido de outra forma. Apesar do horror objetivo das suas ações, teriam agido moralmente do ponto de vista subjetivo. Como seguiam a sua consciência, embora esta os tivesse guiado erroneamente, deveríamos reconhecer que as suas ações eram morais para eles; não poderíamos duvidar, em suma, da salvação eterna das suas almas.

A partir dessa conversa, sei com segurança absoluta que há algum erro na teoria sobre a força justificadora da consciência subjetiva; em outras palavras, que um conceito de consciência que conduz a semelhantes resultados é falso. A firme convicção subjetiva e a segurança e falta de escrúpulos que dela derivam não tiram a culpa do homem. Quase trinta anos depois, lendo o psicólogo Albert Görres, descobri resumida em poucas palavras a idéia que então tentava penosamente reduzir a conceitos e cujo desenvolvimento forma o núcleo das nossas reflexões. Görres indica que o sentimento de culpabilidade, a capacidade de sentir culpa, pertence de forma essencial ao patrimônio anímico do homem. O sentimento de culpa, que rompe a falsa tranqüilidade da consciência <…>, é um sinal tão necessário para o homem como a dor corporal, que permite conhecer a alteração das funções vitais normais. Quem não é capaz de sentir culpa está espiritualmente doente, é um “cadáver vivente, uma máscara do caráter”, como diz Görres (6). “Os animais e os monstros, entre outros, não têm sentimento de culpa. Talvez Hitler, Himmler ou Stalin também não o tenham tido. Com certeza, os chefões da máfia também carecem dele. Mas, na verdade, é bem possível que os seus cadáveres estejam ocultos no sótão, junto com os sentimentos de culpa rejeitados… Todos os homens necessitam de um sentimento de culpa” (7).

Além do mais, uma rápida olhada na Sagrada Escritura poderia ter evitado esses diagnósticos e as teorias da justificação pela consciência errônea. No Salmo 19, 13 encontramos uma proposição eternamente digna de reflexão: “Quem será capaz de reconhecer os seus deslizes? / Limpa-me <, Senhor,> dos que me são ocultos”. Isso não é um “objetivismo veterotestamentário”, mas profunda sabedoria humana:negar-se a ver a culpa ou fazer emudecer a consciência em tantos assuntos é umadoença da alma mais perigosa que a culpa reconhecida como culpa. Aquele que é incapaz de perceber que matar é pecado cai mais baixo do que aquele que reconhece a ignomínia da sua ação, pois está muito mais distante da verdade e da conversão. Não é em vão que, diante de Jesus, o orgulhoso aparece como alguém verdadeiramente perdido. O fato de o publicano, com todos os seus pecados indiscutíveis, parecer mais justo diante de Deus que o fariseu, com todas as suas obras verdadeiramente boas (Lc 18, 9-14), não significa que os pecados do publicano não sejam pecados nem que não sejam boas as obras boas. <…> O fundamento desse juízo paradoxal de Deus revela-se precisamente a partir do nosso problema: o fariseu não sabe que também tem pecados. Está inteiramente quite com a sua consciência. Mas o silêncio da consciência torna-o impermeável a Deus e aos homens, ao passo que o grito da consciência que aflora no publicano torna-o capaz da verdade e amor. Jesus pode atuar nos pecadores porque eles não se fazem inacessíveis às mudanças que Deus espera deles – de nós – escondendo-se atrás do biombo da sua consciência errônea. Mas não pode atuar nos “justos”, que não sentem necessidade nem de perdão nem de conversão; a sua consciência, que os exculpa, não acolhe nem o perdão nem a conversão.

Voltamos a encontrar a mesma idéia, ainda que exposta de outro modo, em Paulo, que nos diz que os gentios, quando guiados pela razão natural, sem Lei, cumprem os preceitos da Lei (Rom 2, 1-16). Toda a teoria da salvação pela ignorância fracassa diante desses versículos: no homem, existe a presença inegável da verdade, da verdade do Criador, que se oferece também por escrito na revelação da História Sagrada. O homem pode ver a verdade de Deus no fundo do seu ser criatural. É culpado se não a vê. Só se deixa de vê-la quando não se quer vê-la, ou seja, porque não se quer vê-la. Essa vontade negativa que impede o conhecimento é culpa. Que o farol não brilhe é conseqüência de um afastamento voluntário do olhar daquilo que não queremos ver.

A estas alturas das nossas reflexões, é possível tirar as primeiras conseqüências para responder à pergunta sobre o que é a consciência. Agora já podemos dizer:não é possível identificar a consciência humana com a autoconsciência do eu, com a certeza subjetiva de si e do seu comportamento moral. Essa consciência pode ser às vezes um mero reflexo do meio social e das opiniões nele difundidas. Outras vezes, pode estar relacionada com uma pobreza autocrítica, com não ouvir suficientemente a profundidade da alma. O que se deu no Leste Europeu após a derrocada dos sistemas marxistas confirma este diagnóstico. Os espíritos mais claros e despertos dos povos libertados falam de um imenso abandono moral, produzido por muitos anos de degradação espiritual, e de um embotamento do sentido moral, cuja perda e os perigos que acarreta pesariam ainda mais que os danos econômicos que produziu. O novo patriarca de Moscou pôs energicamente em evidência esse aspecto, no começo da sua atividade, no verão de 1990: as faculdades perceptivas dos homens que vivem num sistema de engano turvam-se inevitavelmente. A sociedade perde a capacidade de misericórdia e os sentimentos humanos desaparecem. <…> “Temos de conduzir de novo a humanidade aos valores morais eternos”, isto é, desenvolver de novo o ouvido quase extinto para escutar o conselho de Deus no coração do homem. O erro, a consciência errônea, só são cômodos num primeiro momento. Depois, o emudecimento da consciência converte-se em desumanização do mundo e em perigo mortal, se não reagimos contra eles.

Em outras palavras: a identificação da consciência com o conhecimento superficial e a redução do homem à subjetividade não libertam, mas escravizam. Fazem-nos completamente dependentes das opiniões dominantes e reduzem dia após dia o nível dessas mesmas opiniões dominantes. Aquele que iguala a consciência à convicção superficial identifica-a com uma segurança aparentemente racional, tecida de fatuidade, conformismo e negligência. A consciência degrada-se à condição de mecanismo exculpatório, em vez de representar a transparência do sujeito para refletir o divino, e, como conseqüência, degrada-se também a dignidade e a grandeza do homem. A redução da consciência à segurança subjetiva significa a supressão da verdade. Quando o salmista, antecipando a visão de Isaías sobre o pecado e a justiça, pede para libertar-se dos pecados que se nos ocultam, chama a atenção para o seguinte fato: deve-se, sem dúvida, seguir a consciência errônea, mas a supressão da verdade que a precede, e que agora se vinga, é a verdadeira culpa, que adormece o homem numa falsa segurança e por fim o deixa só num deserto inóspito (8).

FORMAR A CONSCIÊNCIA

Certamente a fé cristã vai além daquilo que a pura razão é capaz de reconhecer, mas faz parte das suas convicções fundamentais que Cristo é o Logos, quer dizer, a razão criadora de Deus da qual procede o mundo e que se reflete na nossa racionalidade. O apóstolo Paulo, que falou com tanta ênfase da novidade e da unicidade do cristianismo, destacou ao mesmo tempo que o preceito moral registrado na Sagrada Escritura coincide com aquele que “está inscrito nos nossos corações, segundo o testemunho da nossa consciência” (Rom 2, 15). É verdade que, com freqüência, esta voz do nosso coração, a consciência, é sufocada pelos ruídos secundários da nossa vida. A consciência pode, por assim dizer, tornar-se cega. Precisamos assistir às “aulas de recuperação” da fé, que volta a despertá-la, e assim torna novamente perceptível a voz do Criador em nós, suas criaturas (9).

O RESPEITO HUMANO, TRAIÇÃO DA PRÓPRIA CONSCIÊNCIA

O Juiz do mundo, que um dia voltará para nos julgar a todos nós, está ali, aniquilado, insultado e inerme diante do juiz terreno. Pilatos não é um monstro de maldade. Sabe que esse condenado é inocente, e procura um modo de libertá-lo. Mas o seu coração está dividido. E, por fim, faz prevalecer a sua posição, a si mesmo, acima do direito. Também os homens que gritam e pedem a morte de Jesus não são monstros de maldade. Muitos deles, no dia de Pentecostes, sentir-se-ãoemocionados até ao fundo do coração (At 2, 37) quando Pedro lhes disser: a Jesus do Nazaré, homem acreditado por Deus junto de vós, <…>, vós o matastes, cravando-o na cruz pela mão de gente perversa (At 2, 22-23). Naquele momento, porém, sofrem a influência da multidão. Gritam porque os outros gritam e tal como os outros gritam. E assim a justiça é espezinhada pela covardia, pela pusilanimidade, pelo medo do diktat da mentalidade predominante. A voz sutil da consciência fica sufocada pelos gritos da multidão. A indecisão, o respeito humano dão força ao mal (10).

FALSAS PROMESSAS

Cristo diz: Guardai-vos dos falsos profetas que vêm a vós sob disfarce de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes. Pelos seus frutos os conhecereis. Parece uma advertência contra as seitas e heresias.

É uma interpretação possível. Mas também é uma advertência contra qualquer regra fácil. Jesus nos previne contra os “curandeiros do espírito”. Diz que a nossa norma deve ser perguntarmo-nos: “Como vive essa pessoa? Quem é na realidade? Que frutos produzem ele e o seu círculo? Analise isso e verá a que conduz”.

Essa norma prática, ditada por Cristo à vista do momento em que viveu, projeta-se sobre a História. Pensemos nos pregadores da salvação do século passado, quer se trate de Hitler ou dos pregadores marxistas; todos vieram e disseram: “Trazemos a justiça para vós”. No princípio, pareciam mansas ovelhas, mas acabaram sendo grandes destruidores. Mas também diz respeito aos numerosos pequenos pregadores que nos dizem: “Eu tenho a chave, age assim e em pouco tempo conseguirás a felicidade, a riqueza, o êxito”.

William Shakespeare, evidentemente um católico, viveu com intensidade a roda da existência. Como bom pedagogo, no fim ofereceu uma recomendação, algo assim como a essência do seu conhecimento mundano: “Compra tempo divino, vende horas do triste tempo terrenal”. São palavras sábias, como as que se esperam de um grande homem. O tempo mais bem aproveitado é o que se transforma em algo duradouro: é o tempo que recebemos de Deus e a Ele devolvemos. O tempo que é pura transição desmorona e se transforma em mera caducidade (11).

A REGRA DE OURO

O Sermão da Montanha não corresponde necessariamente às idéias tradicionais. Opõe-se até às nossas definições de sorte, grandeza, poder, êxito ou justiça. E, no seu final, oferece ao seu público um resumo, quase que uma lei das leis, a “regra de ouro” da vida. Diz assim: “Portanto, tudo o que quiserdes que os homens vos façam, fazei-o também vós a eles; porque esta é a Lei e os Profetas”.

A regra de ouro já existia antes de Cristo, embora formulada de maneira negativa: “Não faças a ninguém o que não queres que te façam”. Jesus a supera com uma formulação positiva que, como é lógico, é muito mais exigente.

Na minha opinião, o que é grandioso é que já não se volta a comparar quem fez o que, quando, como, a quem; que a pessoa já não se perde em diferenciações, mas compreende a missão essencial que nos foi confiada: abrir bem os olhos, abrir o coração e encontrar as possibilidades criativas do bem. Já não se trata de perguntar que é o que eu quero, mas de trasladar para os outros o meu desejo. E esta entrega autêntica, com toda a sua fantasia criativa, com todas as possibilidades que abre diante de nós, está recolhida numa regra muito prática, para que não fique reduzida a um sonho idealista qualquer (12).

VIVER AS VIRTUDES

Creio que todo o mundo gostaria de saber como levar uma vida correta, <…>, como levá-la ao cume sentindo-se à vontade consigo mesmo. Antes de morrer, o grande ator Cary Grant deixou à sua filha Jennifer uma carta de despedida comovente. Quis dar-lhe nela algumas recomendações adicionais para o caminho. “Queridíssima Jennifer”, escreveu, “viva a sua vida plenamente, sem egoísmo. Seja comedida, respeite o esforço dos outros. Esforce-se para conseguir o melhor e o bom gosto. Mantenha puro o juízo e limpa a conduta”. E prosseguia: “Dê graças a Deus pelos rostos das pessoas boas e pelo doce amor que há por trás dos seus olhos… Pelas flores que ondulam ao vento… Um breve sono e despertarei para a eternidade. Se não despertar como nós o entendemos, então continuarei a viver em você, filha queridíssima”.

De certa forma, soa a católico. Seja como for, é uma carta belíssima. Se era católico ou não, não sei, mas certamente é a expressão de uma pessoa que se tornou sábia e compreendeu o significado do bem, e tenta transmiti-lo, além disso, com uma assombrosa amabilidade (13).


NOTAS:

(1) Fe, verdad y cultura. Reflexiones a propósito de la encíclica Fides et ratio, Primeiro Congresso Internacional da Faculdade San Dámaso de Teologia, Madrid, 16.02.00.
(2) Letter to Norfolk, pág. 261.
(3) Do conhecido poema Lead, kindly light.
(4) Correspondence of J. H. Newman with J. KebleOthers, págs. 351 e 364.
(5) Verdad, valores, poder, págs. 56-64.
(6) A. Görres, “Schuld und Schuldgefühle”, em Internationale katolische Zeitschrift “Communio”, 13 (1948), pág. 434.
(7) Ibid., pág. 142.
(8) “Se quiseres a paz, respeita a consciência de cada um (Consciência e verdade)”, em Wahrheit, Werte, Macht. Prüfsteine der pluralistischen Gesellschaft, Herder, Friburgo, 1993; trad. esp. Verdad, valores, poder. Piedras de toque de la sociedad pluralista, Rialp, Madrid, 2000, págs. 40-55.
(9) Entrevista a Jaime Antúnez Aldunate.
(10) Via-sacra no Coliseu, Primeira estação: meditação, Departamento para as Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice, Roma, 14.04.05.
(11) La fe, de tejas abajo.
(12) La fe, de tejas abajo.
(13) La fe, de tejas abajo.

Fonte:  Joseph Ratzinger – uma biografia.   Tradução: Emérico da Gama

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz 


 

Prefeitura e Igreja de Três Pontas -MG anuncia local de beatificação de Padre Victor.

A Diocese de Campanha (MG) anunciou o local onde irá acontecer a missa de beatificação de Padre Victor no dia 14 de novembro em Três Pontas (MG). A cerimônia vai acontecer no Campo de Aviação, em Três Pontas. Segundo a prefeitura, a área tem capacidade para 100 mil pessoas.

A beatificação será presidida pelo cardeal Ângelo Amato, responsável pela congressão da causa dos santos. A prefeitura de Três Pontas também decretou ponto facultativo para as repartições públicas nesse dia.

A data de beatificação foi marcada depois que o Vaticano reconheceu em julho deste ano um milagre atribuído à intercessão do Venerável. O pedido foi feito pela professora Maria Isabel de Figueiredo, que não podia engravidar. Foram dois anos de tratamentos e muitas desilusões, até que ela pediu ajuda a Padre Victor durante uma novena em 2009. Um ano depois, a professora conseguiu engravidar de uma menina, contrariando todas as previsões médicas.

Com a celebração, Padre Victor será o segundo beato do Sul de Minas. Em maio de 2013, Francisca de Paula de Jesus, a Nhá Chica, foi beatificada em Baependi (MG), onde passou a vida.

Desacreditada pela medicina, professora de Três Pontas pediu a Padre Victor para ser mãe (Foto: Reprodução EPTV)Desacreditada pela medicina, professora pediu a Padre Victor para ser mãe (Foto: Reprodução EPTV)

Padre Victor
Francisco de Paula Victor nasceu em Campanha (MG), no dia 12 de abril de 1827, e foi batizado em 20 de abril do mesmo ano pelo padre Antônio Manoel Teixeira. Era filho da escrava Lourença Maria de Jesus.

Pe Victor

Dom Antônio Ferreira Viçoso, bispo de Mariana (MG), visitou Campanha em 1848. Victor, então alfaiate, procurou dom Viçoso e disse que tinha o desejo de ser padre. Com isso, ele entrou para o seminário de Mariana, onde foi aceito em 05 de junho de 1849.

Mudou-se para Três Pontas em 14 de junho de 1852, como vigário encomendado e paroquiou na cidade por 53 anos. Era conhecido por sempre visitar doentes, amparar os inválidos e atender a população em suas necessidades. Além disso, fundou a escola “Sagrada Família”.

Victor faleceu no dia 23 de setembro de 1905. A notícia abalou a cidade e toda a região, que já o venerava. Após sua morte, ele ficou insepulto por três dias e o corpo do padre exalava perfume, segundo relatam. Ele foi enterrado na Igreja Matriz da cidade, que também foi construída por Padre Victor. Desde então, muitas pessoas declaram que o religioso intercedeu para que alcançassem seus pedidos e graças.

O memorial do Padre Victor, em Três Pontas, chega a receber até 10 mil visitas durante os dias de novena do religioso, comemorado em 23 de setembro. No local, é possível encontrar vestes litúrgicas usadas pelo padre, objetos de devoção ou utilizados no oficio de sacerdócio pelo religioso, além de uma imagem de Padre Victor.

Também no local há a Sala dos Milagres, onde vários objetos são deixados por fiéis simbolizando as graças alcançadas por intercessão do padre e um livro com os relatos delas pelos fiéis.

Fonte: G1.com/minas   –   Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz


 

Santo do Dia|Santo Agostinho, grande Doutor da Santa Igreja | Vida e Obra

Vida e Obra

SANTO AGOSTINHO

Santo Agostinho nasceu em Tagaste, norte da África, no dia 13 de novembro do ano 354. Filho de Patrício, pagão e voltado para o materialismo da época, e de Mônica, profundamente cristã, que depois se tornaria santa. A influência dos pais foi muito grande, primeiro a de Patrício, depois a de Santa Mônica.

  • Estudante e Professor

Agostinho realiza os primeiros estudos em Tagaste, indo depois a Madaura.

Aos 17 anos vai a Cartago, onde Romaniano, amigo do pai, o ajuda e se torna seu protetor; durante três anos se dedica ao estudo e à leitura de livros, entre os quais destaca-se o “Hortênsio” de Cícero, que o impressiona profundamente.
Aos 20 anos volta a Tagaste como professor, com uma mulher e um filho, Adeodato, retornando pouco depois para Cartago também como professor. Depois torna-se professor em Roma e, a seguir, vai para Milão, onde ganha a cátedra de retórica da casa imperial e desenvolver também a atividade de professor de retórica.
Agostinho sentia, apesar de tudo, seu coração vazio, inquieto. Não era feliz. Procurou a felicidade em muitos lugares, mas não a encontrava. Seu coração inquieto não achava a verdade e a paz que desejava. Sua mãe encontra-o em Milão e anima-o a freqüentar as pregações de Santo Ambrósio.

  • Conversão

Foi uma longa caminhada e luta para transformar seu coração, mas no mês de agosto de 386, meditando no jardim, ouve uma voz de criança que diz “Tolle et lege” (Toma e lê) e tomando as Cartas de São Paulo lê: “Não é nos prazeres da vida, mas em seguir a Cristo que se encontra a felicidade”. As dúvidas se dissipam e é neste momento que culmina todo o processo de sua conversão. Encontrando Deus no seu coração achou a felicidade, a paz e a verdade que procurava. No ano seguinte, na Vigília da Páscoa é batizado.

  • Vida em Comunidade e Tarefa de Bispo

Agostinho decide voltar a Tagaste, para morar com seus amigos, e entregar-se inteiramente ao serviço de Deus por meio da oração e o estudo. Mas no ano 391, de visita na cidade de Hipona, é proclamado sacerdote pelo povo e ordenado padre pelo bispo Valério. Quatro anos depois é consagrado Bispo da cidade, daí o nome de Agostinho de Hipona.

Ele vive em comunidade, tentando seguir o ideal das primeiras comunidades cristãs, na pobreza e na partilha. A comunidade eclesial de Hipona estava formada em sua grande maioria por pobres. Agostinho se fazia a voz destes pobres, falando por eles na Igreja, indo até as autoridades para interceder por eles e ajudando-os naquilo que podia. Entre as funções que o bispo tinha estava a de administrar os bens da Igreja e repartir o seu benefício entre os pobres, também a de acolher os peregrinos, ser protetor dos órfãos e viúvas… Agostinho realiza todas elas como um serviço aos pobres e à Igreja. Também tinha o bispo que exercer a função de juiz, tarefa que desagradava em extremo a Agostinho, mas que também exerceu com objetividade, justiça e caridade.

  • Escritos

Santo Agostinho 3Agradava muito mais a Agostinho a prática da oração, o estudo e escrever. Agostinho escreveu um enorme número de obras: um total de 113, sem contar as cartas -das quais se conservam mais de 200- e os Sermões. A maior parte das obras de Santo Agostinho surgiram por causa dos problemas ou das preocupações que atormentavam a Igreja do seu tempo; é por isso que em suas obras estão presentes as polêmicas em que ele mesmo esteve envolvido, principalmente contra os maniqueos (seita da qual ele mesmo fez parte antes da conversão e que defendia um confuso dualismo cósmico – o bem contra o mal sempre em conflito um com o outro- e desvalorizavam de forma perversa tudo o criado), os donatistas (que atribuíam a eficácia dos sacramentos unicamente ao ministro, negando sua ação, como sinal eficaz da graça e ainda se consideravam a “Igreja dos santos”) e os pelagianos (que defendiam que o homem se salva por suas próprias forças, sem precisar da graça de Deus). Além destas obras destinadas a combater os adversários e inimigos da Igreja, Agostinho escreveu outras de diverso conteúdo: no campo exegético (principalmente os Comentários ao Gênesis, São João e os Salmos), no dogmático (“Sobre a Trindade”), no Pastoral (“Sobre a Catequese dos simples”). Mas, dentre todas as obras, destacam dois pela genialidade: “A Cidade de Deus”, que representa a primeira tentativa de fazer uma interpretação cristã da história, e “As Confissões”, onde Agostinho manifesta sua fraqueza, que gera o mal, e a Deus, fonte de todo bem e Verdade absoluta; as “Confissões” são um louvor à Graça de Deus. A obra e o pensamento de Agostinho ultrapassam os limites de sua época e exercem uma grande influência na Idade Média e também na nossa época. A influência de Agostinho acontece nos diversos campos do pensamento, da cultura e da vida religiosa. Agostinho morreu no dia 28 de agosto do ano 430 e seus restos, depois de longa peregrinação descansam na cidade de Pavia, no norte da Itália.

Abaixo segue tabela com as obras com as quais Agostinho presentou a humanidade.

DATAS TÍTULO ORIGINAL (EM LATIN) ASSUNTO DA OBRA
386 Contra academicos Contra os céticos
386 De beata vita A vida feliz
386 De ordine A ordem
386/387 Soliloquia Solilóquios
386/387 De immortalitate animae A imortalidade da alma
387/391 De immortalitate animae A imortalidade da alma
387/391 De musica A musica
387/389 De moribus ecclesiae catholicae et de moribus Manichaeorum Costumes da Igreja católica e dos maniqueus
387/388 De quantitate animae A grandeza da alma
388-395 De libero arbitrio O livre arbítrio
389 De magistro O mestre (O professor)
389/391 De vera religione A verdadeira religião
391 De utilitate credendi Utilidade de crer
392/393 De duabus animabus contra Manichaeos Sobre as duas almas (contra os maniqueus)
393 De fide et symbolo A fé e o símbolo
393/394 De sermone Domini in monte O sermão da montanha
395 De continentia Sobre a continência
395 De mendacio Sobre a mentira
396 De agone christiano A luta (esforço, empenho) do cristão
396-426 De doctrina christiana A doutrina cristã
396-420 Enarrationes in Psalmos Comentários sobre os salmos
397-401 Confessiones Confissões
397-398 Contra Faustum Manichaeum Contra Fausto, o maniqueu
399 De natura boni Sobre a natureza do bem
399 Contra Secundinum Manichaeum Contra Secundino, o maniqueu
99-419 De trinitate A Trindade
400 De fide rerum quae non videntur A fé nas coisas invisíveis
400 De consensu evangelistarum O consenso dos Evangelistas
400 De opere monachorum O trabalho dos monges
400 De catechizandis rudibus Instrução dos catecúmenos
400/401 De baptismo contra partem Donati Sobre o Batismo, contra os donatistas
400 De opere monachorum O trabalho dos monges
401 De bono coniugale O bem do casamento
401 De sancta virginate A santa virgindade
401-415 De Genesi ad litteram Sobre a interpretação literal do Gênesis
406-430 In evangelium Ioannis tractatus Tratado do evangelho de João
410 De urbis Romae excidio A destruição da cidade de Roma
412 De peccatorum meritis et remissione et de baptismo parvulorum O merecimento e perdão dos pecadores e o batismo das crianças
412/413 De fide et operibus A fé e as obras
412 De spiritu et littera O espírito e a letra
413-427 De civitate Dei A cidade de Deus
414/415 De natura et gratia A natureza e a graça
415/416 De perfectione iustitiae A perfeição da justicia
417 De gestis Pelagii Os procedimentos de Pelagio
418 De gratia Christi et de peccato originali A graça de Cristo e o pecado original
418 De patientia A paciência
419-421 De anima et eius origine A alma e suas origens
420 Contra mendacium Contra a mentira
420-422 De cura pro mortuis gerenda Os cuidados para com os mortos
421 Contra Iulianum Contra Juliano
426/427 Retractationes Retratações
428 Contra Maximinum Contra Maximino
428/429 De praedestinatione sanctorum A predestinação dos santos
428/429 De dono perseverantiae O dom da perseverança
386-429 Epistulae Cartas (270 cartas)
393-430 Sermones Sermões (390 sermões)

Fonte: www.agostinianos.org.br  Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz


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A filosofia de Santo Agostinho!

A filosofia de Santo Agostinho

Uma das maiores personalidades da história universal, Santo Agostinho foi um grande retórico, um grande filósofo e um grande santo da Igreja. Sua obra, ao mesmo tempo vasta e profunda, exerceu e exerce muita influência em toda a cultura ocidental.

A sua vida, muito conhecida, torna-o inteligível também para muitos não-cristãos. Retórico, homem do mundo, carnal, fez um longo esforço para encontrar a chave da inquietação que o devorava. Primeiro maniqueu, depois platônico, finalmente convertido, num célebre momento que ele mesmo contou com um gênio inimitável.

Santo AgostinhoDepois da conversão, e sem pretendê-lo, é ordenado sacerdote. Chega ao episcopado da mesma maneira. E desde esse momento, no meio de muitas vicissitudes críticas, carrega sobre si grande parte da responsabilidade da Igreja; assim, por exemplo, no auge da heresia de Pelágio ouem face do cisma dos donatistas. No momento da sua morte, é todo um símbolo. Morre em Hipona quando os vândalos sitiavam a cidade. Com ele, morre a cultura antiga e nasce outra nova. Porque Santo Agostinho foi um homem do seu tempo. Versado em todas as artes clássicas, foi sempre um retórico de grande habilidade, jogando com as palavras num malabarismo que conseguia sempre escapar à superficialidade. Diríamos que o seu pensamento é tão profundo que supera as habilidades do retórico.

Inicialmente, escreve filosofia, porém mais tarde dedica as suas forças à pregação, sem descuidar uma enorme correspondência. Escreve também muitos tratados teológicos, de exegese bíblica, etc.

Não citaremos aqui as obras teológicas; limitar-nos-emos às de caráter filosófico: Contra Acadêmicos, crítica do ceticismo; De beata vita, sobre a felicidade; De ordine, sobre a origem do mal: os Coliloquia, um apaixonado diálogo consigo mesmo sobre a imortalidade da alma; De immortalitate animae; De quantitate animae, sobre a mesma questão; De magistro, sobre a educação com um enfoque psicológico.

Santo Agostinho não construiu um sistema filosófico completo, ainda que as idéias básicas se mantenham constantes e acusem um claro predomínio platônico. Ele mesmo nos conta que começou a ler uma obra de Aristóteles e não pôde prosseguir. Talvez o tenha afastado o estilo entrecortado, desencarnado, a falta dessa alma que Santo Agostinho buscava em tudo. Santo Agostinho não parece feito para encerrar a realidade em categorias. A sua reflexão parte sempre da vida: das coisas que se passam ao seu redor, das idéias dominantes, dos ataques contra a fé, da interioridade da sua alma.

A BUSCA DA VERDADE

A filosofia agostiniana é uma constante busca da verdade, que culmina na Verdade, em Cristo. É um movimento incessante, uma paixão, e, precisamente, a paixão principal: o amor. “Amor meus, pondus meum”, o amor é o peso que dá sentido à minha vida. Verdade e Amor.“Fizeste-nos, Senhor, para Ti e o nosso coração estará inquieto enquanto não descansar em Ti”, diz nas Confissões.

Essa “passionalidade” da filosofia agostiniana não é em nenhum momento irracionalismo ou voluntarismo. Se incita a ter fé para entender, também anima a entender para crer melhor. Nada nos pode fazer duvidar da possibilidade de chegar à verdade. Nada valem os argumentos céticos. Si fallor, sum: se me engano, é uma prova de que sou, diz, antecipando-se, num contexto muito diferente, a Descartes. E com mais clareza: “Sabes que pensas? Sei. Ergo verum est cogitare te, logo é verdade que pensas”.

A verdade está no interior do homem. “Não queiras sair para fora; é no interior do homem que habita a verdade”. E há verdades constantes, inalteráveis, para sempre. Dois mais dois serão sempre quatro. Santo Agostinho tenta esclarecer de onde pode vir essa verdade. Não das sensações, diz, porque essas são e não são, são mutáveis, efêmeras. Tampouco do espírito humano, que, por profundo que seja, é limitado. Essas verdades eternas só podem ter por autor Aquele que é eterno: Deus. São reflexos da verdade eterna, que nos ilumina e nos permite ver. Nisso consiste o que depois ficou conhecido como “doutrina da iluminação”; porém, desde já é preciso dizer que Santo Agostinho não a apresenta nunca como uma “teoria”, mas como uma comprovação. Já no final da sua vida, diz nas Retractationes que o homem tem em si, enquanto é capaz, “a luz da razão eterna, na qual vê as verdades imutáveis”.

Como em Platão, conhecer verdadeiramente é estar em contato com o mundo inteligível. Porém, Santo Agostinho nunca dirá que vemos as verdades em Deus, mas que participamos da luz da razão eterna. Não se deve ignorar, por outro lado, que essa solução para o tema do conhecimento corre o risco de não distinguir de forma adequada o conhecimento natural do conhecimento sobrenatural. Mas essa é uma questão que só será levantada mais tarde, na Idade Média.

A BUSCA DE DEUS

Em Santo Agostinho, não existem provas formais para demonstrar a existência de Deus. Ainda que toda a sua obra seja uma espécie de itinerário em direção a Deus. Tudo fala de Deus; basta abrir os olhos. Ele é intimior intimo meo, mais íntimo ao homem que a própria intimidade humana. As coisas falam-nos todo o tempo de Deus. Perguntamos-lhes: “Sois Deus?” E respondem: “Não, fomos feitas. Continua a buscar”. De forma retórica – retórica de grande qualidade –, encontramos aí a prova da existência de Deus pela contingência das realidades humanas. A mutabilidáde exige o imutável; os graus de perfeição exigem o Ser perfeito. Em Santo Agostinho, como em outros filósofos de inspiração platônica, está claramente formulado o que será a quarta via de São Tomás de Aquino.

Qual é o melhor nome para Deus? O que se lê no Êxodo: “Aquele que é”. “Non aliquo modo est, sed est est” (Confissões). Santo Agostinho dará com freqüência a Deus o nome de Bem, de Amor, porém não desconhece que antes de tudo Ele é; e porque é o que é, é Amor, Bem, Infinito. São Tomás de Aquino não precisará modificar nada de substancial nesta metafísica agostiniana. Como exemplo das dezenas de textos agostinianos, temos este, das Confissões: “Eis que o céu e a terra são; e dizem-nos em altos brados que foram feitos, pois modificam-se e variam. Porque, naquilo que é sem ter sido feito, não há coisa alguma agora que antes não houvesse: que isso é modificar-se e variar. O céu e a terra clamam também que não se fizeram a si mesmos: somos porque fomos feitos; não éramos antes que fôssemos, de modo a termos podido ser por nós mesmos. Basta olhar para as coisas para ouvi-las dizer isso. Tu, Senhor, fizeste essas coisas. Porque és belo, elas são belas; porque és bom, são boas; porque tu és, elas são.”

Esta última afirmação (quia est: sunt enim) significava a definitiva superação por parte de Santo Agostinho do essencialismo platônico. Deus é causa do ser das coisas, porque é o Ser por essência. Se a fórmula de Santo Agostinho não é essa, a idéia é.

O MUNDO, CRIAÇÃO DE DEUS

Santo Agostinho 3Outro texto das Confissões situa de forma inequívoca a metafísica da criação: “Que eu ouça e entenda como no princípio fizeste o céu e a terra. Moisés escreveu isso; escreveu-o e ausentou-se. Daqui, onde estava contigo, passou a estar contigo, e por isso não o podem ver meus olhos. Se estivesse aqui presente, eu o agarraria, lhe rogaria e, por Ti, lhe suplicaria que me explicasse essas coisas […]. Porém, como saberia que estava a dizer-me a verdade? A própria verdade, que está no interior da minha alma, e que não é grega, nem latina, nem bárbara, nem necessita dos órgãos da boca ou da língua, nem do ruído de sílabas, me diria: Moisés diz a verdade, e eu, no mesmo instante, com toda a segurança lhe diria: Verdade é o que me dizes”.

Voltemos à questão anterior. Deus é Aquele que é; as coisas são criadas. Deus é quem lhes deu o ser. Por quê? Por pura bondade. “Porque Deus é bom, somos.” A razão da criação é a bondade de Deus. Deus não pode ter, no seu querer, outro fim que não o seu próprio ser. Só em relação a si mesmo pode querer mais. A criação é gratuita. Não há nada preexistente. Santo Agostinho acaba com as dúvidas de Orígenes e com o universo grego, eterno.

Deus cria todas as coisas do nada. E todo o criado é composto de matéria. Santo Agostinho, que durante tanto tempo não conseguiu conceber uma substância espiritual, não deixa de atribuir uma certa materialidade mesmo às criaturas espirituais, aos anjos. A absoluta imaterialidade só cabe a Deus. Em Deus estão as idéias exemplares de todas as coisas, que são as formas. Ao criar, essas idéias ficam limitadas pela matéria, mas, ao mesmo tempo, nessa matéria já estão os germes de tudo o que será: as rationes seminales.

Santo Agostinho retoma aqui uma doutrina de origem estóica e, ao mesmo tempo, faz uma concessão ao “materialismo” que professou durante anos, embora talvez seja melhor empregar o termo de “corporeismo”.

O ENIGMA DO HOMEM

“O homem que se espanta é ele mesmo grande maravilha”. “E dirigi-me a mim mesmo e disse: Tu quem és? E respondi-me: Homem. E eis que tenho à mão o corpo e a alma, um exterior e o outro interior. Porém, melhor é o interior”. “O homem é um ser intermediário entre os animais e os anjos”. “Nada encontramos no homem além de corpo e alma; isso é todo o homem: espírito e carne”. Essas são apenas algumas das numerosas referências que poderíamos dar sobre esta questão crucial. São os dois grandes temas agostinianos: “Deus e o homem”. “Que te conheça a ti e que me conheça a mim mesmo”. É o famoso princípio dos Soliloquia: “Quero conhecer Deus e a alma. Nada mais? Absolutamente nada mais”.

Também nesta questão Santo Agostinho trai a influência do platonismo. O homem é uma alma que usa um corpo; ou, uma alma racional, que se serve de um corpo terrestre e mortal; ou, “uma alma racional que tem um corpo”. Tudo indica que, para Santo Agostinho, o homem é a alma. E, contudo, há textos que parecem fugir ao platonismo: “Porque o homem não é só corpo ou apenas alma, mas o que é constituído de alma e de corpo. Esta é a verdade: a alma não é todo o homem, mas é a melhor parte do homem; nem todo o homem é o corpo, mas a porção inferior do homem; quando as duas estão juntas, temos o homem” (A Cidade de Deus). A questão ainda está sujeita a discussão, mas exagerou-se demais o platonismo de Santo Agostinho neste particular. De qualquer forma, Santo Agostinho supera a desvalorização do corporal, tão essencial no platonismo e no neoplatonismo. O corpo é matéria, criação de Deus, e por isso, bom. Não é o cárcere nem o túmulo da alma: “Não é o corpo o teu cárcere, mas a corrupção do teu corpo. O teu corpo, Deus o fez bom, porque Ele é bom”. Também aqui poderíamos multiplicar os textos: “Todo aquele que quer eliminar o corpo da natureza humana desvaira”. E de forma inequívoca, numa obra tardia, o Sermão 267: “Perversa e humana filosofia é a dos que negam a ressurreição do corpo. Alardeiam serem grandes depreciadores do corpo, porque crêem que nele estão encarceradas as suas almas, por delitos cometidos em outro lugar. Porém, o nosso Deus fez o corpo e o espírito; de ambos é o criador; de ambos o recriador”.

Examinemos uma dificuldade classicamente agostiniana. Deus é o criador da alma, mas como a criou? Com os nascimentos surgem constantemente homens, isto é, corpo e alma. Será que as almas estão nas “razões seminais”, na matéria, e são transmitidas pelos pais, na geração? Santo Agostinho assim o pensou por certo tempo, mas depois recusou que algo espiritual pudesse surgir da matéria. Pensou na criação imediata por Deus de cada alma, mas esse início no tempo de algo espiritual não combinava com o que ainda restava de platonismo nele. Acabou confessando que não sabia o que dizer. Era mais um elemento desse enigma que é o homem.

Fica claro que a alma é imortal, porque conhece as verdades imortais e eternas. Que conheçamos o que seja a verdade e que nunca deixará de sê-lo é, para Santo Agostinho, evidente. Como pode morrer ou desaparecer o que é a sede do indestrutível?

A alma será sempre um mistério. Muitas outras realidades sobre as quais pensamos também o são. O tempo. É famoso o dito agostiniano: “Se ninguém mo pergunta, sei; mas se quero explicá-lo a quem mo pergunta, não o sei”. Depois de uma análise do passado, do presente e do futuro – até hoje não superada –, Santo Agostinho concluí: “Não se diz com propriedade «três são os tempos: passado, presente e futuro»; talvez fosse mais apropriado dizer: «presente das coisas futuras, presente das coisas passadas, presente das coisas presentes». Porque essas três presenças têm algum ser na minha alma, e é somente nela que as vejo. O presente das coisas passadas é a memória; o presente das coisas presentes é a contemplação; o presente das coisas futuras é a expectação” (Confissões). O tempo é, assim, distensio animi, “uma espécie de extensão da nossa alma”. É preciso ler ao menos esse livro XI das Confissões para captar o tom da filosofia agostiniana: incerta às vezes, nada dogmática, em diálogo constante com Deus.

A COMPLEXIDADE DA HISTÓRIA

A Cidade de Deus é mais uma das grandes obras universais que Santo Agostinho legou à humanidade. Mas poucos escritos têm sido tão mal lidos, tão mal interpretados. A oposição entre Cidade de Deus e Cidade terrena foi vista como oposição entre Igreja e Estado. Nada mais falso. O texto célebre não deixa lugar a dúvidas. Dois amores criaram duas cidades: o amor próprio, que leva ao desprezo de Deus, a terrena; o amor de Deus, que leva ao desprezo de si mesmo, a celestial. Ou: “Dividi a Humanidade em dois grandes grupos. Um é o daqueles que vivem segundo o homem; o outro, o dos que vivem segundo Deus. Damos misticamente a esses dois grupos o nome de cidades, que quer dizer sociedades de homens”.

A prova fundamental de que essa divisão não é equivalente à divisão Igreja-Estado é a afirmação taxativa de que na Igreja podem existir homens que, na realidade, pertencem à cidade terrena; e, inversamente, entre as pessoas que ainda estão fora da Igreja podem-se encontrar predestinados à cidade celestial. Por outro lado, essas duas “cidades” acham-se misturadas, imbricadas. A “peneira” será feita só no final de cada história pessoal e no final da história de todo o gênero humano. Enquanto transcorre o tempo, com as suas variações, “porque não em vão são tempos”, a história é complexa. Não existe uma “lei da história”, não conhecemos o futuro. Só Deus conhece o final; o homem move-se às apalpadelas no campo da história. A história forma como que um belo poema, no qual intervêm Deus e o homem. O final só será conhecido quando soar a última nota.

Em uma palavra: a concepção de história é, em Santo Agostinho, uma concepção aberta. O seu “providencialismo” não é uma afirmação de “teocracia”. Não se pode extrair da filosofia-teologia da história de Santo Agostinho argumentos para o césaro-papismo ou para qualquer outra confusão do religioso com o político. A importância desta filosofia-teologia da história ressalta mais quando se tem em conta que em toda a história da filosofia será preciso esperar Hegel para encontrar outra concepção igualmente global e completa (embora em Hegel ela tenha um sentido panteísta).

Fonte: “História básica da filosofia”, Editora Nerman, São Paulo, 1988, págs. 70-74. 

Tradução: Peter Pelbart

Texto: Rafael Gómez Perez  –   Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz e equipe.


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Notícias|Papa “candidata” as famílias ao Prêmio Nobel

O Papa concedeu na manhã desta quarta-feira (26/8), a sua centésima audiência geral no Vaticano. A primeira do Pontificado de Francisco foi no dia 27 de março de 2013, duas semanas após a sua eleição.

Desde 10 de dezembro de 2014, Francisco está desenvolvendo catequeses sobre a Família, que será o tema do próximo Sínodo, em outubro. Neste mês de agosto, já dissertou sobre duas dimensões do ritmo de vida familiar: a festa e o trabalho. Hoje foi a vez do tempo da oração.

Ouvimos continuamente dizer que “o tempo é pouco; nunca chega para tudo… deveria rezar mais…, gostaria, mas não tenho tempo”, lamentam muitos cristãos, com sinceridade. Quem tem uma família, aprende a resolver uma equação que nem os grandes matemáticos conseguem: dentro das vinte e quatro horas do dia, fazem entrar o dobro. Há pais e mães que merecem o Prêmio Nobel por isso! O segredo está no carinho que têm por seus queridos”.

Papa-Francisco_-Angelus-2014O Papa questionou os fiéis sobre o amor que sentem pelo Senhor: “Conseguimos pensar em Deus como uma carícia que nos dá e mantém a vida, uma carícia da qual nem a morte nos pode separar? Ou pensamos Nele apenas como num grande Ser todo-poderoso, num Juiz que tudo vê e controla nossas atitudes? Quando o afeto por Deus não acende o fogo, o espírito da oração não aquece o tempo; mas se o coração for habitado por Deus, até um pensamento sem palavras ou um beijo mandado por uma criança a Jesus se transformam em oração”.

Inserindo este conceito no âmbito da catequese nas famílias, o Pontífice acrescentou que “é belo ver as mães ensinando aos filhos pequenos a mandar um beijo a Jesus ou a Nossa Senhora. Este é o espírito da oração, que nos leva a encontrar tempo para Deus, fazendo-nos sair da obsessão de uma vida onde sempre falta tempo, para encontrar a paz das coisas necessárias”.

A este ponto, o Papa citou o episódio narrado no Evangelho de Lucas que fala da visita de Jesus às irmãs Maria e Marta, quando esta aprendeu que oferecer a hospitalidade, apesar de importante, não era tudo. Escutar o Senhor, como fazia Maria, era a coisa realmente essencial, a “parte melhor” do tempo.
“Na oração da família, em seus momentos mais fortes e nas vicissitudes mais difíceis, nos entregamos uns aos outros, para que todos sejamos protegidos pelo amor de Deus”, disse Francisco, concluindo com as seguintes palavras:

“O Evangelho, lido e meditado na Família, é como um pão bom que nutre o coração de todos de manhã até a noite. Quando formos para a mesa, aprendamos a rezar juntos, com simplicidade: é Jesus que vem à nós. Uma coisa que levo no coração e que vi nas cidades: muitas crianças ainda não aprenderam a fazer o sinal da Cruz. Mães, pais, ensinem suas crianças a rezar e a fazer o sinal da Cruz; é um dever muito bonito dos pais!”.

Depois de ser longamente aplaudido por suas palavras e gestos, o Papa saudou os presentes que lotaram a Praça e leitores traduziram sua catequese em várias línguas. Em português, os novos alunos do Colégio Pio Brasileiro de Roma mereceram uma saudação especial.

Por Radio Vaticano.


 

 

Maria quer te ajudar a acreditar na Santa Eucaristia diante das tentações.

Certo sacerdote vivia muito atormentado por graves tentações contra a fé. Sofria dúvidas, principalmente sobre a presença real de Jesus no Santíssimo Sacramento.

Tornaram-se tão graves e tão insistentes, que quase perdeu a coragem de celebrar a Santa Missa. Dirigiu-se então, aflitíssimo à Maria Santíssima suplicando que a ele fosse devolvida, a paz da alma, e afastasse tais tentações. A Virgem Mãe atendeu às orações deste pobre sacerdote.

Certo dia, celebrando ele a Santa missa, aconteceu que, depois do “Pai-Nosso”, desapareceu a Santa Hóstia!

EUCARISTIA+Maria

Procurou-a muito aflito, mas, sem resultado, vendo neste incidente inexplicável, um castigo às suas dúvidas. Mas, eis que teve uma visão de Nossa Senhora, bela e sorridente, trazendo nos braços o Menino Jesus todo amável e carinhoso e diz:

“Vê aqui em meus braços o Menino Jesus, a quem eu dei a luz em Belém, vê o Menino que eu alimentei e carreguei nos meus braços. É este mesmo! O meu Filho a quem consagras na Santa Missa, a quem tomas em tuas mãos e mostras ao povo para adorá-lo. É o mesmo a quem recebes na Santa Comunhão e cujo sangue, bebes. Deito-O, novamente em tuas mãos para que O recebas com fé e amor.”

Ditas estas palavras, Maria Santíssima entregou a ele, o Menino Jesus, que se transformou, imediatamente na figura do pão.

O sacerdote continuou a Santa Missa com indescritível alegria e piedade. Tomou a Santa Comunhão com tanta fé e gratidão, como jamais o fizera em toda a sua vida.

Nossa Senhora devolveu a paz ao pobre sacerdote!

Fonte: Aleteia

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz – Diocese da Campanha-MG


 

27/08 – Celebramos Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho | Santo do Dia

Santa Mônica
Santa Mônica, rogai a Deus por nós!

Hoje celebramos Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho, Padroeira dos pais, mulher de fé, confiou e rezou por 30 anos pela conversão de Agostinho, persistiu, orou, confiou e alcançou a graça tão esperada.

História de Santa Mônica

Infância- Monica nasceu no ano de 332, na cidade de Tegaste, na Argélia, que fica no norte da África. Filha de família abastada, foi criada por uma escrava que criava os filhos dos senhores. Os manuscritos que recolheram a tradição oral sobre Santa Mônica dizem que desde criança ela era muito religiosa e disciplinada. Sempre que podia, Mônica ajudava os mais pobres e demonstrava muita paciência e mansidão.

Esposa- Mônica casou-se com um nobre chamado Patricio. Ele era um decurião, (membro do conselho de Tegaste). Possuía terras, escravos e uma boa posição social. Patrício, porém, era homem rude e violento. Por isso, foi motivo de muito sofrimento e orações de Santa Mônica.

Mãe – Mônica teve 3 filhos: Agostinho, Navigio e Perpétua, que se tornou religiosa. Agostinho era o mais velho e lhe causou muitas tristezas. A dificuldade com Agostinho chegou a tal ponto que, para ensiná-lo que nossas ações neste mundo tem consequências, Mônica o proibiu de entrar  em casa. Mas ela nunca deixou de rezar pela conversão do filho. Rezava também pela conversão do marido e de Navigio, sempre com muita perseverança e paciência, nunca desistiu de sua fé cristã.

Perseverança- Santa Mônica rezou anos a fio pela conversão de seu marido e seus 2 filhos. Sua perseverança foi compensada com a felicidade de ver todos convertidos para Deus. Sua perseverança foi tão marcante que ela rezou durante trinta anos pela conversão de Agostinho sem desanimar. E suas orações foram ouvidas: seu filho mais velho tornou-se o famoso “Santo Agostinho”, o santo que influenciou todo o Ocidente cristão e influencia até hoje. Quando escreveu sobre sua mãe, entre outras coisas, ele disse: “ela foi o meu alicerce espiritual, que me conduziu em direção da fé verdadeira. Minha mãe foi a intermediária entre mim e Deus.”

Sabedoria e mensagem- Santa Mônica deixou para todas as mães o ensinamento de que além de educar os filhos para viverem em sociedade, é preciso também educa-los para Deus, desenvolvendo neles a vida espiritual. Santa Mônica ensina que mães e pais devem se preocupar com a salvação e santificação de seus filhos.

Falecimento – Santa Mônica faleceu no ano 387, aos 56 anos. Santo Agostinho no seu famoso livro autobiográfico intitulado “Confissões” fez um monumento indelével à memória de Santa Mônica. O corpo de Santa Mônica foi descoberto em 1430. O Papa Martinho V transportou-o para Roma e depositou-o na igreja de Santo Agostinho.

Canonização – Santa Mônica foi canonizada pelo Papa Alexandre lll, por ter sido a responsável pela conversão de Santo Agostinho, ensinado a fé cristã, a moral e a mansidão.

Santa Monica 1

Foi declarada Padroeira das Associações das Mães Cristãs. Sua festa é comemorada no dia 27 de agosto.

Oração

Nobilíssima Santa Mônica, rogai por todas as mães, principalmente por aquelas mães que se esquecem que ser mãe é sacrificar-se.

Rogai, virtuosa Santa Mônica, para que abram-se as almas de todas as mães, para que elas enxerguem a beleza da vocação materna, a beleza do sacrifício materno.

Rogai, Santa Mônica, para que todas as mães saibam abraçar com Fé o sofrimento e a dor, assumam seus filhos com coragem, como instrumento de santificação para as famílias, e para sua própria santificação. Amém.

Por Portal Terra de Santa Cruz – Diocese da Campanha-MG


Qual é o pecado favorito do demônio? Quem responde é o exorcista dominicano Juan José Gallego

Um exorcista tem medo? Qual é o pecado predileto do demônio? Estes foram alguns dos temas de uma recente entrevista do sacerdote dominicano Juan José Gallego, exorcista da arquidiocese de Barcelona, a um jornal espanhol.

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Há nove anos o Pe. Gallego foi designado exorcista, e afirmou que, na sua opinião, o demônio é um ser “totalmente amargurado”. Através de uma entrevista, realizada pelo jornal espanhol ‘El Mundo’, o sacerdote assegurou que “a soberba” é o pecado de que o demônio mais gosta.

“Sentiu medo alguma vez? ”, perguntou o entrevistador ao sacerdote. “Este é um ofício bastante desagradável”, respondeu o Pe. Gallego. “No começo tinha muito medo. Olhava muito para atrás e via demônios em todo lugar… Veja só, no outro dia estava fazendo um exorcismo. ‘Te mando! ’, ‘Te ordeno! ’… E o Maligno, com uma voz tremenda, gritou: ‘Galleeeego, estás exageraaaaando!’. Então tremi”.

Entretanto, o padre sabe que o demônio não é mais poderoso que Deus. O exorcista recordou que “quando me nomearam, um parente me disse: ‘Ai, Juan José, estou toda assustada, porque no filme ‘O exorcista’ um morreu e o outro pulou pela janela’. Eu ri e lhe respondi: ‘Mulher, não se esqueça que o demônio é criatura de Deus’”.

Quando as pessoas estão possuídas, relatou, “perdem o conhecimento, falam línguas estranhas, têm uma força exagerada, mal-estar profundo, vemos senhoras educadíssimas vomitando, blasfemando”.

“Um jovem durante a noite era tentado pelo demônio, queimava sua camisa, entre outras coisas, e me disse que os demônios lhe propuseram: ‘Se fizer um pacto conosco, isso nunca mais acontecerá com você’”.

O Pe. Gallego também advertiu que práticas da “nova era” como por exemplo, o reiki e a ioga, podem ser portas de entrada para o demônio. “Ele pode meter-se um pouco por aí”, assinalou.

O sacerdote espanhol lamentou que a crise econômica que açoita a Espanha há alguns anos “nos traz os demônios. Os vícios: a droga, o álcool… No fundo eles são uma possessão”.

“Com a crise as pessoas sofrem mais. Estão desesperadas. Há pessoas convencidas de que o demônio está dentro delas”, concluiu o Pe. Gallego.

Adaptação: Portal Terra de Santa Cruz


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