A dificuldade de amar

Uma das queixas básicas das pessoas que se apresentam no confessionário ou na direção espiritual é a dificuldade de amar. Apesar de desejarem a santidade, não sabem como amar concretamente. Isso se dá por causa do amor desordenado que sentem por si mesmas e as impede de amar.

 O amor desordenado de si por si mesmo tem um nome: filáucia, e possui um mecanismo psicológico próprio. Não se trata de psicologismo, pois, é sabido que para amar é necessário a graça divina, ela é que torna o ser humano capaz de amar. E é justamente na natureza humana decaída que a graça de Deus deve agir. Por causa do pecado, o homem possui de si mesmo um conceito negativo que se reflete quando ele ama. Ele crê que a iniciativa de amar é sua, pensa que é o Número 1. Assim, toma a iniciativa e passa a realizar atos positivos porque deseja ser amável.

Tais atos, no entanto, permanecem exteriores, não alcançam aquele que deseja ser amado (mesmo que haja manifestação de retribuição do amor), pois o que está sendo “amado” é apenas um personagem criado através dos atos positivos para ser amado e não a pessoa real, que deseja ser amada.

Dessa mecânica nasce a chamada “carência”, pois aquele que realiza os atos positivos com a intenção de ser amado de volta, espera que isso ocorra, espera a retribuição.

Nosso Senhor Jesus Cristo lutou contra a filáucia, contra o amor desordenado ao combater o chamado farisaismo. O fariseu é aquele homem que quer ser amado pela sua obediência à lei. No fundo, o que deseja é comprar o amor obedecendo aos preceitos. Essa atitude se aplica também ao homem moderno em seu relacionamento com Deus. Ao empenhar-se em jejuns, terços, romarias, novenas, visa causar o amor Deus.

É evidente que todos esses atos são necessários à vida cristã, no entanto, é preciso analisar a motivação em realizá-los, que é o que se pretende aqui. Quando a pessoa crê que é a Número 1 do relacionamento com Deus, sem sombra de dúvida, está doente, pois tomou o lugar que é Dele. ELE é o Número 1.

A Sagrada Escritura é taxativa em afirmar que Deus é Amor. São João, em sua primeira carta, fala sobre o amor de Deus e explica como é o amor sadio. Ele diz:

Nisso consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou seu Filho como oferenda de expiação pelos nossos pecados. (1Jo 4, 10)

Portanto, a iniciativa de amar partiu de Deus. Ele amou por primeiro. O amor ordenado consiste no encontro do homem com o amor de Deus que é manifestado em Jesus Cristo na cruz. É por isso que Jesus manifesta uma rejeição total por aqueles homens aparentemente tão virtuosos, que somente desejavam obedecer à lei. Eles se esqueceram quem é o Número 1.

Se o Número 1 é Deus, ou seja, se Ele amou por primeiro, quando o homem crê que a iniciativa de amar é sua, na verdade, está se colocando no lugar de Deus. Sob essa ótica, o que se tem é a idolatria. E assim, o “amor” que brota dela só pode ser desordenado.

Nesse momento, alguns poderiam dizer: “Ah, então o homem é o Número 2!”. Não é verdade. Deus ama o homem e, porque é amado por Deus, o homem se ama. Este é o Número 2. A relação de causalidade existente entre o amor de Deus e o motivo pelo qual o homem deve se amar é também um ato de fé.

Trata-se de um ato de fé, pois implica crer que Deus não erra, portanto, se ele criou o ser humano como criou, está correto. E se o fez assim, a pessoa só pode ser boa, só pode ser um presente para os outros. No entanto, o homem desordenado acredita que Deus errou ao criá-lo como criou, revolta-se contra Deus e quer corrigi-Lo. É evidente que diante disso, toda a afetividade e sexualidade se torna desregrada.

Portanto, o primeiro passo é um ato de fé e de humildade, aceitando que Deus não erra, logo, se criou os homens como criou e os ama, os homens são bons, são amáveis. Ser bom e amável, portanto, é algo que está enraizado no ser do homem. Enquanto o amor desordenado está fixado no fazer. É preciso, pois, entender que Deus fez o homem, por isso, na raiz do ser existe algo de bom, assim, a pessoa deve se amar.

A partir da constatação de que eu amo porque sou bom, pois Deus assim me criou, é que surge o Número 3: eu amo o próximo por Deus. Fecha-se, então, o ciclo: eu me amo, amo o próximo e amo a Deus no próximo. Essa é a dinâmica ordenada, conforme diz São João:

“Se alguém disse: ‘Amo a Deus’, mas odeia o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê. E este é o mandamento que dele recebemos: quem ama a Deus, ame também seu irmão.” (1Jo 4, 20)

Deste modo é preciso derrubar o muro existente entre a vida Igreja e a vida fora dela. Da mesma forma com que nos aproximamos do sacrário para amar Jesus Eucarístico devemos nos aproximar do nosso irmão, para amar Jesus nele.

Para tanto é preciso olhar para dentro do próprio coração e observar o que existe nele que possibilite a vazão desse amor. Ora, se Deus amou a humanidade através da Cruz, que é a manifestação eterna de Deus pelos homens, o que nasce e brota do coração só pode ser a gratidão.

Para amar o outro, o pobre, é preciso que haja a configuração a Cristo, uma mortificação de si mesmo em favor do outro, que só se dá como consequência da ação da graça. São João continua dizendo que foi assim que o amor de Deus se manifestou: “Deus enviou seu Filho único para que tenhamos a vida por meio dele”(9). Somente por meio Dele é que o homem é capaz de amar.

Para algumas pessoas pode parecer muito teórico, mas a explicação é fundamental para dar passos na vida espiritual, pois muitas desordens de natureza sexual e também afetiva acontecem por causa de um amor que deveria ser ordenado, mas que na verdade é desordenado. São Paulo explica por que ocorre a desordem, na Carta aos Romanos:

De fato, desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, tais como o seu poder eterno e sua divindade, podem ser contempladas, através da inteligência, nas obras que ele realizou. Os homens, portanto, não têm desculpa. Porque, embora conhecendo a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças. Pelo contrário, perderam-se em raciocínios vazios, e sua mente ficou obscurecida. Pretendendo ser sábios, tornaram-se tolos, trocando a glória do Deus imortal por estátuas de homem mortal, de pássaros, animais e répteis. Foi por isso que Deus os entregou, conforme os desejos do coração deles, à impureza com que desonram seus próprios corpos. Eles trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em lugar do Criador, que é bem dito para sempre. Amém. Por isso, Deus entregou os homens a paixões vergonhosas: suas mulheres mudaram a relação natural em relação contra a natureza. Os homens fizeram o mesmo: deixaram a relação natural com a mulher e arderam de paixão uns com os outros, cometendo atos torpes entre si, recebendo dessa maneira em si próprios a paga pela sua aberração.Os homens desprezaram o conhecimento de Deus; por isso, Deus os abandonou ao sabor de uma mente incapaz de julgar. Desse modo, eles fazem o que não deveriam fazer;estão cheios de todo tipo de injustiça, perversidade, avidez e malícia; cheios de inveja, homicídio, rixas, fraudes e malvadezas; são difamadores, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, fanfarrões, engenhosos no mal, rebeldes para com os pais, insensatos, desleais, gente sem coração e sem misericórdia. E apesar de conhecerem o julgamento de Deus, que considera digno de morte quem pratica tais coisas, eles não só as cometem, mas também aprovam quem se comporta assim. (Rm 1, 20-31)

A capacidade de amar do homem é doente porque cada um que não se ama entra na dinâmica de criar um personagem sexual amável, capaz de grandes performances, o que leva sempre a autodestruição. O relacionamento sexual se transforma em algo vazio, destruidor psíquica e físicamente, por consequência, destrói também a sociedade. Infelizmente, Deus abandona o homem à miséria de seu coração quando Ele é retirado de seu lugar.

Santo Tomás de Aquino afirma que a caridade sempre tem um objeto formal que é Deus: eu amo Deus por causa de Deus, amor a mim mesmo por causa de Deus e amo o próximo por causa de Deus. Esta é a dinâmica correta do amor.

De modo prático, todos devem meditar constantemente sobre o amor de Cristo manifestado da cruz. a partir disso, a aproximação com os irmãos, com o próximo por causa de Jesus, por gratidão ao seu sacrifício na cruz.

Por Padre Paulo Ricardo – Sacerdote da Comunidade Canção Nova


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Doenças Espirituais: O que são e como combatê-las

Veja o Vídeo onde o Padre Paulo Ricardo da Comunidade Canção Nova explica em detalhes como combater as combater as doenças espirituais que tem crescido em nosso dia a dia de forma absurda. Como detecta-las? Como são essas doenças? Qual a Origem delas e porque o ser humano está sujeito a te-las ? Veja todas as respostas agora neste vídeo….

Por Padre Paulo Ricardo – Sacerdote da Comunidade Canção Nova


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Filme: O TESTEMUNHO – A HISTÓRIA SECRETA DO PAPA JOÃO PAULO II / “Testimony: The Untold Story of Pope John Paul II”.

A HISTÓRIA SECRETA DO PAPA JOÃO PAULO II –  (Áudio em Português)

POPE JOHN PAUL II SEEN IN IMAGE RELEASED BY POSTULATION OF SAINTHOOD CAUSE

 

“O Testemunho” é um filme sobre o Papa João Paulo II baseado no livro “Uma vida com Karol”, do Cardeal Stanislaw Dziwisz, arcebispo de Cracóvia, e amigo pessoal de João Paulo II. O filme traz diversas informações que o livro não possui e mostra a humanidade de João Paulo II. Além das tentativas de assassinato, você sabia que ele gostava de se disfarçar para sair no meio das pessoas comuns sem ser reconhecido? E que ele começou sua carreira como ator e adorava cantar karaokê? Estas são apenas algumas das emocionantes revelações do filme.

 

ASSISTA


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Santo do Dia – São José Benedito Cottolengo acolhedor dos pobres doentes mentais e físicos

Hoje, lembramos São José Benedito Cottolengo que nasceu em Bra, na Itália, onde desde de pequeno demonstrou-se inclinado à caridade

São José Benetido CottolengoCom o passar do tempo e trabalho com sua vocação, tornou-se um sacerdote dos desprotegidos na diocese de Turim.

Quando teve que atender uma senhora grávida, que devido à falta de assistência social, morreu em seus braços; espantado, retirou-se em oração e nisso Deus fez desabrochar no seu coração a necessidade da criação de uma casa de abrigo que, mesmo em meio às dificuldades, foi seguida por outras. Esse grande homem de Deus acolhia pobres, doentes mentais, físicos, ou seja, todo tipo de pessoas carentes de amor, assistência material, físico e espiritual. Confiando somente nos cuidados do Pai do Céu, estas casas desde a primeira até a verdadeira cidade da caridade que surgiu, chamou-se “Pequena Casa da Divina Providência”. Diante do Santíssimo Sacramento, José Cottolengo e outros cristãos, que se uniram a ele nesta experiência de Deus, buscavam ali forças para bem servir aos necessitados, pois já dizia ele: “Se soubesses quem são os pobres, os servirias de joelhos!”.

Entrou no Céu com 56 anos.

São José Benedito Cottolengo, rogai por nós!


 

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Brasil tem novo Santuário Nacional/ Santuário de São José de Anchieta

Fachada do prédio histórico do Santuário Nacional de Anchieta .

O Santuário de São José de Anchieta, no Espírito Santo, passa a ser, ao lado de Aparecida, o segundo Santuário Nacional do país regido por um patrono da Igreja brasileira. O reconhecimento da CNBB veio um ano após o Papa ter canonizado o santo jesuíta. O pedido foi feito pelo vice-postulador da causa de canonização do “Apóstolo do Brasil”, Padre Cesar Augusto dos Santos, atualmente reitor do Santuário Nacional de São José de Anchieta.

O reitor afirmou ainda que a CNBB também conferiu ao santo o título de Padroeiro do Brasil ao lado de Nossa Senhora Aparecida. “O Brasil vai olhar para nosso Santuário com outros olhos porque ele é uma referência nacional. E ele se tornando padroeiro valoriza ainda mais o título que Anchieta tem de Apóstolo do Brasil”, declarou Padre Cesar à rádio CBN de Vitória (ES).

O reitor declarou que, com os reconhecimentos, a devoção ao santo poderá alcançar proporções internacionais. “O Santuário de Aparecida é conhecido internacionalmente e, agora, Anchieta se destaca como referência e ícone da evangelização, principalmente para a América Latina”, disse.

O Santuário Nacional vai celebrar o primeiro ano da canonização de São José de Anchieta com uma missa especial no domingo (03/05). (RB)

Radio Vaticana

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Santa do Dia – Santa Catarina de Sena, Doutora da Igreja e exemplo de Santidade.

A Vida de Santa Catrina de Sena, fiel Doutora da Igreja, exemplo de Santidade.sta-catarina-sena

 Nascimento e primeiros anos

Catarina Benincasa nasceu na aldeia de Fontebranda (Sena-Itália), a 25 de Março de 1347. Era filha de Giácomo Benincasa e de Mona Lapa. Este casal teve 25 filhos, sendo a nossa Santa o 23 ou 24 (nasceram duas gémeas). Entre todos os seus irmãos, Catarina, foi a única dos filhos que sua mãe pôde amamentar com o leite materno. Seu pai, que exercia a procissão de tintureiro, embora não fosse rico, gozava dum modesto rendimento, era muito trabalhador e dedicado à família.

Filha duma família cristã, principiou, desde tenra idade, a sentir grande tendência para a vida de piedade. Aos 5 anos, subia as escadas de joelhos, rezando a cada degrau, uma Ave-maria. Aos 6 anos, o Senhor quis mimoseá-Ia com a sua primeira manifestação sensí­vel: Cristo aparece-lhe sentado num trono, revestido com resplandecentes ornamentos pontificais, tendo a cabeça cingida com uma tiara papal, abençoando-a com a mão direita. Aos 7 anos, fez voto de virgindade, e aos 12, segundo o costume do país e da época, apesar de ser muito criança, seus pais pensaram em casá-la, mas recusou energicamente o matrimónio. No entanto, levada pelos falsos conselhos duma irmã, começou por se deixar mundanizar.

Este período parece ter sido curto. Tratava-se apenas de imperfeições de criança; chorou-o arrependida, durante vários anos. Depois, intensificando as suas penitências, fixou-se numa espécie de vida religiosa, fazendo, mais tarde, os três votos religiosos, que viveu intensamente, apesar de sempre ter vivido no mundo. Durante muitio tempo não tomou outro alimento, excepto pão e ervas cruas.

É recebida na Ordem Terceira ou Laicado de S. Domingos

Enquanto pensava na vida religiosa das grandes Ordens, S. Domingos apareceu-lhe e prometeu-lhe, que, mais tarde ia ser recebida na sua grande família espiritual. Na cidade de Sena havia um numeroso grupo de Terceiras dominicanas, as quais, embora usassem o hábito da Ordem, (chamavam-se Mantellate), viviam em suas próprias casas. Aos 16 anos, depois de muitas instâncias, Catarina foi recebida na Ordem Terceira de S. Domingos, indo-se juntar ao grupo das Mantellate.

As aspirações da nossa Santa foram assim realizadas em plena conformidade com o género de vida que já se havia proposto. Doravante, passou a encerrar-se num pequeno quarto, que lhe fora designado, vivendo aí como eremita, unicamente ocupada das coisas de Deus, saindo apenas à igreja e ainda para orar. Empregava a noite e o dia em colóquios divinos para orar o mais tempo possível. Chegou a dormir apenas meia hora em cada noite.

Catarina era estimulada, no meio deste ambiente, por graças sobrenaturais, sendo visitada pelo próprio Cristo, e também pelos conselhos e exortações dos dominicanos.

 Sua vida apostólica

Aos 20 anos, o Senhor ordenou-lhe se dedicasse ao apostolado e daí em diante levasse uma vida mais activa, sem afrouxar a sua intensa vida de oração. Desde então multiplica as suas obras de caridade. Socorre os pobres, cuida dos doentes, manifestando, sobretudo, uma acrisolada abnegação durante o tempo em que a peste invadiu a Itália. Exorta os ímpios à emenda de vida, extingue vinganças e ódios, etc., etc.

Depois de ter obtido a perfeição na fé, pede ao Senhor a perfeição na caridade. Desde então, quantos dela se aproximavam, sem excepção de ninguém, notavam que os acontecimentos exteriores, contradições e sofrimentos, de maneira alguma perturbavam a sua alma. Amava a todos, com um coração verdadeiramente maternal.

 Seu entranhável amor à Igreja

Uma das principais características que manifestou em sua vida foi o seu amor e fidelidade à Igreja. Naquele tempo, em que a terrível peste corporal assolava por toda a parte e uma outra peste espiritual, não menos deplorável, provocavam uma enorme decadência no seio da Igreja, Catarina sentiu-se impelida a usar de entranhas maternais para com todos e especialmente para com os doentes fisicamente e também a servir-se da sua intervenção diplomática e política a favor do maior bem da Igreja e da paz entre os Estados. Esta grande actividade foi desenvolvida por Santa Catarina, sob a influência do seu confessor, Beato Raimundo de Cápua, O. P., a partir de 1375 ou 1376. O Papa Gregório XI, à semelhança dos seus predecessores, desde 1309, passara a residir, desterrado, na cidade francesa de Avinhão. As questões da Igreja interessavam intensamente a Catarina. Chegou mesmo a pedir uma cruzada ao Papa Gregório XI, que a decretou (1373), e cuja promulgação, em Itália, foi confiada ao Beato Raimundo. Infelizmente, a guerra entre a República de Florença e a Santa Sé, tornaram esta cruzada pacífica impossível. Este Papa tinha tal confiança na nossa Santa, que a fazia muitas vezes falar em pleno consistório dos cardeais.

Foi a Avinhão, junto de Gregório XI, acompanhada de 22 de seus discípulos (homens e mulheres), convencer o velho Papa a voltar para Roma. As suas súplicas e rogos foram ouvidos: Gregório XI abandonou Avinhão dirigindo-se para Roma, a 13 de Setembro de 1377. E isto, apesar das suas repugnâncias pessoais, da agitação política na Itália e da sua avançada idade. Todos estes pretextos foram vencidos, graças às instâncias de Catarina. Desde que regressou a Roma, a sua acção requerida pelo mesmo Papa, como mensageira da paz e do bem da Igreja, continuou a manifestar-se.

Morto este Papa em 19 de Março de 1378, sucede-lhe Urbano VI. Santa Catarina, que já o conhecia, quando era arcebispo de Arenza, principia a contactar com ele que, apesar do seu áspero temperamento e embora se tratasse duma mulher com fama de santidade, solicita a sua ajuda para bem da Igreja. A 20 de Setembro de 1378, principiava o grande Cisma do Ocidente que ela profetizara. O anti-papa Clemente VII instalava-se em Avinhão. Estes tristes acontecimentos, cujas consequências para a Igreja e para o mundo foram graves, faziam-na sofrer imenso. Trabalhou quanto pôde para evitar o Cisma, mantendo-se sempre fiel ao legítimo Vigário; de Cristo. Doravante Catarina transpôs contra Clemente VII toda a sua mística cruzada, mas nada conseguiu.

 Seus fenómenos místicos extraordinários

Os fenómenos místicos tornaram-se cada vez mais maravilhosos na vida da Santa senense: visões, êxtases, comunhão milagrosa, etc.

O seu jejum de 55 dias contínuos, na Quaresma de 1371, durou desde o Domingo da Paixão até à festa da Ascensão. Neste período de tempo, foi-lhe impossível tomar qualquer género de alimento, excepto a Sagrada Eucaristia, mantendo-se sempre alegre e com perfeita saúde. Aprendeu milagrosamente a ler.

Um dia, suplicando ao Senhor para lhe tirar o seu coração, Cristo apareceu-lhe e Catarina sente que Ele lho havia tirado e lho leva; dois dias depois, o Senhor volta, trazendo-lhe um coração vermelho e brilhante.

Aproximando-se dela e abrindo-lhe o peito, diz-lhe: «Minha filha, há dias, tirei-te o teu coração; agora dou-te o Meu, que doravante te vai servir em vez do teu». Ela, que antes costumava dizer: «Senhor, dou-vos o meu coração», desde então passou a dizer: «Meu Deus, dou-vos o Vosso coração».

Em princípios de 1375, quando pregava uma mística cruzada na cidade de Pisa, intensificava-se no seu íntimo uma profunda devoção à Paixão do Senhor e uma viva aspiração pelo martírio. No 4º Domingo; da Quaresma desse ano, dia 1 de Abril, após o seu confessor ter celebrado missa na Igreja de Santa Cristina daquela cidade, e ter-lhe dado a comunhão, a nossa Santa, como de costume, ficou em profundo êxtase. Voltando a si, chamou o Beato Raimundo, e diz-lhe em voz baixa: «Sabei, Padre que pela misericórdia do Senhor Jesus, possuo em meu corpo as suas chagas».

De facto, havia recebido os estigmas dolorosos da Paixão, mas, segundo a sua narração e a seu pedido, ao ser atingida por cinco raios de sangue, que saíam das chagas do Crucificado, suplicou-lhe que não ficassem visíveis em seu corpo, pois bastava que as trouxesse invisivelmente impressas em sua carne. Então os cinco raios de sangue mudaram-se subitamente em cinco raios brilhantes, atingindo-lhe as mãos, os pés, e o lado. Confessou que sentia uma dor intensíssima, permanecendo vários dias como agonizante. Já anteriormente havia recebido uma chaga (também invisível) na mão direita.

Cristo tinha prometido desposá-la na fé. Este matrimónio místico realizou-se na terça-feira de Carnaval, 2 de Março de 1376. O Senhor dirigiu-lhe estas palavras: «Já que por Meu amor renunciaste a todos os prazeres do mundo e só em Mim te queres regozijar, resolvi desposar-te na fé e celebrar solenemente contigo as minhas bodas…». E colocou um anel de ouro no dedo da sua esposa. 

 MESTRA DE VIDA ESPIRITUAL

Na família dos Benincasa não houve tempo para aprender a ler. Mas Nosso Senhor, que a levava por caminhos extraordinários, ensinou-a, como já ficou dito, a ler e a escrever. Isto teve lugar durante o curto espaço de um êxtase. Afirmou-o uma testemunha do processo de Canonização, a qual diz que Catarina, ao sair do êxtase, redigiu algumas linhas dirigidas a D. Estêvão de Sena: «Saibas, meu querido filho, que esta carta é a primeira que escrevo em toda a minha vida».

O Senhor ia-a dotando de graças extraordinárias que iriam permitir cumprisse perfeitamente a sua missão para bem da Igreja «Corpo Místico de Cristo» cujos sofrimentos a dilaceravam. Para Catarina «a Igreja era o próprio Cristo», a Igreja não tinha a Paz interna e externa.

Assim lho dissera Jesus: «Minha filha bem-amada, dei-te uma vida nova. A minha graça transbordando, para o teu corpo, comunicar-lhe-á um modo de existência extraordinário e obrarás prodígios maravilhosos… A tua linguagem será outra, o teu espírito esclarecido. Viajarás; viverás entre a multidão; alguns enviar-tos-ei a tioutros enviar-te-ei a eles. Levarás o meu nome aos nobres e aos clérigos e aos Pontífices. Governarás o povo cristão a fim de que a tua fraqueza confunda os orgulhosos. Por ti salvarei muitas almas. Não temas nada, eu estou contigo». Em parte já o vimos quando falámos da paz que estabeleceu entre cidades em guerra, da influência que exerceu para que o Papa deixasse Avinhão e viesse para Roma, sede da Cristandade. «Voltai-vos todos para Roma… É Cristo que o quer! Assim virá a verdadeira paz…». Santa Catarina pouco escreveu pelo seu próprio punho; não lhe era possível pela maneira extraordinária de escrever.

 Cartas

Com efeito ditava as suas numerosas e variadas cartas, simultaneamente a dois ou três secretários. Ditava sem interrupção e sobre assuntos diferentes e a pessoas também diferentes: ao Papa, a Cardeais, a eclesiásticos e a leigos de ambos os sexos. Totalizam mais de 400 (5 volumes), sem investigar e sem que frase alguma seja inútil. Terminava-as com esta fórmula: «Permanecei na santa e doce dilecção de Deus. Doce Jesus, Jesus amor». Através delas foi uma insigne diretora de almas a quem os seus dirigidos chamavam a santa a dolcíssima Mama.

 Diálogo

Porém, a obra mais extraordinária é o Diálogo, inteiramente ditado em êxtase e contém o que o eterno Pai se dignou camunicar-lhe nesses momentos.

Foi composto no espaço de 5 dias e calcula-se que tenha levado uma média de 5 horas de ditado cada dia. Começou-o num sábado, 9 de Outubro de 1378, e provavelmente estava terminado no dia 13 desse mês.

Santa Catarina não deu, em rigor; um título à sua obra. Os contemporâneos chamaram-lhe: Tratado da Divina Providência ou Livro da Misericórdia e deram-lhe o subtítulo de: Livro da Doutrina Divina.

O assunto são quatro pedidos que ela dirige a Deus Pai:

1) – Para si: Adquirir o conhecimento da verdade;

2) – Para o mundo: Que Deus fizesse misericórdia ao mundo;

3) – Para a Santa Igreja: a) – Que Deus viesse em auxílio da Igreja; b) – Que a sua Providência se estenda a todas as coisas;

Com o andar dos tempos o Diálogo teve numerosíssimas edições e traduções, mesmo em português, assim como as Orações e as Cartas, pelo menos em parte. A sua doutrina não foi adquirida, mas infusa; ela foi mais mestra do que discípula.

 SANTA MORTE

Morreu em Roma, em 1380, a 29 de Abril, estando presentes a sua mãe, e muitos dos seus discípulos, homens e mulheres. Foi sepultada na Igreja de Santa Maria da Minerva. O Papa Pio II, a 29 de Junho de 1461, elevou-a às honras dos altares e Paulo VI, a 4 de Outubro de 1970, proclamou-a «Doutora da Igreja», que iluminou e ilumina com sua vida santa e sua doutrina toda do céu. No ano 2000 o Papa João Paulo II proclamou Santa Catarina de Sena co-padroeira da Europa juntamente com Santa Teresa Benedita da Cruz e Santa Brígida da Suécia. Jamais homem algum falou assim; – diziam os Cardeais – não é uma mulher que fala; é o Espírito Santo que fala pela sua boca. No cumprimento da missão que Deus lhe confiara, – disse o P. Monléon, O. P. – manifestou-se como redentora do Pontificado e defensora da Igreja; pacificadora de povos, e unificadora de antagonismos; promotora de cruzadas e condutora de multidões; diretora de almas e mestra de santidade; restauradora da moral pública, da justiça social e da piedade familiar; doutora do estudo teológico, da vida mística, do gosto literário e do renascimento das artes….

Morreu no ano de 1380, repetindo: “Se morrer, sabeis que morro de paixão pela Igreja”.

Santa Catarina de SenaSanta Catarina de Sena,rogai por nós!


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10 coisas que um músico não deve fazer na liturgia do dia.

10 coisas que um músico não deve fazer na liturgia

1)       Vestir-se inadequadamente

Palco é palco, altar é altar. É comum que um artista faça do seu próprio corpo uma extensão da sua expressão; no entanto, a liturgia não é um lugar de expressar sua individualidade a ponto de roubar a atenção do principal: o mistério que está sendo celebrado no altar. Atualmente as equipes de música vêm ocupando lugares no templo bastante destacados (ao contrário de quando escondiam-se nos “coros”), muitas vezes ao lado do altar. A preparação, portanto, deve começar quando você abre o seu armário e escolhe a sua roupa. Sobriedade e discrição são a norma.

2)       Chegar em cima da hora

Tocar e cantar numa missa são responsabilidades muito grandes e muita coisa pode dar errado: um cabo que resolve chiar assim que se liga, uma bateria do violão que precisa ser trocada, uma extensão de força que não está no armário como deveria estar (“quem foi que usou por último, hein??”). Sendo assim, os músicos devem chegar a tempo suficiente de deixar tudo perfeitamente preparado para quando a missa começar, para não ter que cometer o abuso de afinar o violão somente durante a primeira leitura.

3)       Cantar e tocar sem ensaio

Se com ensaio a quantidade de erros que vemos numa celebração já é enorme quanto mais sem ensaiar… É bom que todo grupo de música tenha um repertório básico ensaiado para qualquer situação e que ensaie uma ou outra música específica para aquela celebração, seja por uma solicitação do celebrante, seja por uma exigência litúrgica.

4)       Substituir os cantos do ordinário por outras músicas quaisquer

Momentos específicos da liturgia como o Ato Penitencial (Kyrie), Gloria, Santo (Sanctus) e o Cordeiro (Agnus Dei) são parte integrante da celebração. Da mesma forma que o padre não pode substituir a Oração Eucarística por uma outra oração qualquer, se esses momentos da missa forem cantados, a letra deve respeitar as fórmulas prescritas pela Instrução Geral do Missal Romano. Essa inclusive é uma ótima oportunidade para estimular os compositores da paróquia a fazerem novas melodias para esses momentos.

5)       Escolher as músicas sem ler as leituras do dia

A liturgia não é uma audição onde você escolhe as músicas que melhor se adequam à sua voz ou a que o guitarrista tirou o solo “igualzinho ao do CD”. As músicas devem ser escolhidas de acordo com o que está sendo celebrado naquele dia, levando-se em conta as leituras do dia e o tempo litúrgico. Ao preparar-se para a liturgia, faça uma lectio divina com as passagens que serão lidas e somente a partir daí escolha as músicas do dia.

6)       Fazer firulas vocais e instrumentais excessivas

Sim, você sabe cantar. Sim, as pessoas sabem disso. Sim, você não precisa sambar na cara da sociedade quando cantar aquela música que parece que foi feita para você. Você está lá para ajudar as pessoas a cantar, não para cantar no lugar delas. Há cantores que atrapalham mais do que ajudam quando cantam, usando divisões rítmicas diferentes, tons inadequados para a assembleia e que quando acabam só falta o povo levantar e aplaudir. Menos, queridos, menos.

7)       Conversar durante a celebração

Na verdade, essa recomendação não se restringe somente aos músicos, mas a qualquer membro da assembleia e é uma questão de educação. No entanto, faço questão de colocá-la aqui porque há músicos que passam a missa inteira discutindo sobre o CD novo do artista X e o clip novo da cantora Y e não dão a mínima para a celebração. Isso quando não resolvem sair para bater papo durante a homilia… Sem comentários.

8)       Fazer introduções e solos intermináveis

Não existe nada mais irritante na música litúrgica quando a música leva mais de um minuto para começar a cantar. Você NÃO PRECISA tocar exatamente igual ao que está no CD. Os arranjos de um CD são feitos com outras finalidades, nem sempre adequadas à liturgia. Portanto, ao iniciar uma música, pode mandar dois compassos no tom e na levada corretos e meta bronca!

9)       Músicas desconhecidas

“Pô a banda X tem uma música linda que tem tudo a ver com o evangelho de hoje…” Sim, querido, mas eles vão cantá-la? Então sinto muito. Se você tiver tempo para ensinar as pessoas a cantarem a música antes da celebração, ótimo, se não, deixe-a para ouvir em casa na sua oração pessoal. As pessoas precisam participar da missa e não assistir a um espetáculo seu.

10)  Não conhecer liturgia

Toda pessoa que se presta a qualquer serviço precisa ter um mínimo de formação na área. Se você não sabe fazer um lá menor no violão, você vai querer pegar para tocar na missa? Então por que você acha que pode tocar numa missa sem sequer saber do que se trata o que está acontecendo ali? Procure livros sobre o assunto, sites confiáveis, documentos da Igreja. Ao assumir um serviço para Deus você tem a obrigação de fazer bem feito e isso inclui conhecer em profundidade o mistério que está sendo celebrado e ao qual você diz servir.

Luis Felipe Barbedo

Luís Felipe Barbedo é cantor, compositor com formação em Teoria e Percepção musical, Harmonia Funcional e Produção Fonográfica. É formado em Psicologia e Letras e trabalha também como professor de Língua Portuguesa. www.luisfelipebarbedo.com


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