A Assunção de Maria nas artes

A Igreja no Brasil celebra a Solenidade da Assunção de Maria neste domingo. Um tema muito caro aos artistas de todas as épocas, com diversas sensibilidades e enfoques em desenhos, pinturas e esculturas.

As Sagradas Escrituras nada nos dizem sobre a morte e a assunção de Maria ao céu. Ainda assim, o tema inspirou numerosas obras de arte em várias épocas. Quais foram as referências para os artistas?

As fontes iconográficas

É preciso voltar aos textos apócrifos do Transitus Virginis Beatae de São João Apóstolo, ou de José de Arimatéia, onde é narrado que um anjo anuncia a morte da Virgem, do sorriso ao momento da passagem, da passagem do corpo até chegar a Cristo. Também trazem detalhes iconográficos os artistas, depois  do século V, os textos patrísticos de Santo Efrém, Timóteo de Jerusalém e Epifânio, e mais tarde, na Idade Média, a  Lenda Dourada ou Legenda Áureade Jacopo da Voragine.

Dormição e Assunção, Oriente e Ocidente

A dormição é no Oriente a celebração mariana por excelência e sua representação também é adotada no Ocidente. A iconografia é a de Maria no leito de morte, cercada pelos apóstolos e Cristo que segura a sua alma, representada por uma criança em faixas.

Exemplos no Ocidente do século XII são os tímpanos marianos das catedrais francesas Di Bourges, Chartres e Notre Dame. O esboço da Assunção é, em vez disso, tirado da Ascensão de Cristo.

Entre os séculos VIII e IX, Maria, em plena figura, aparece em uma redoma, enquanto é transportada para o céu pelos anjos.

Dormitio oriental no Ocidente é despojada da hierática bizantina, funde-se com o tema da Ascensio Virginis e se enriquece com representações do túmulo vazio, cheio de flores, e de Maria que dá uma faixa a um descrente São Tomé.

Cimabue, Tiziano, Correggio: a Assunção, inspiradora para a arte de todos os tempos

Na Itália é Cimabue em Assis a colocar lado a lado Dormição e Ascensão, introduzindo na amêndoa de luz, Jesus que abraça carinhosamente a Mãe.

A combinação das cenas retorna a Roma nos mosaicos de Santa Maria Maggiore e Santa Maria in Trastevere, chegando então no século XIII  à Toscana. Em Siena, o centro da devoção mariana, Taddeo di Bartolo introduz o elemento de Jesus que segura Maria, puxando-a para fora do túmulo.

A cena Assunção alarga para o estupor e o sentimento de perda dos Apóstolos ao redor do túmulo vazio no Renascimento, como testemunha a mesa de Cortona de Luca Signorelli.

Estilo e iconografia são renovados na mais famosa obra-prima dedicada à Assunção, pintada por Ticiano para a igreja dos Frari, em Veneza. As cores vivas e o movimento ascensional da Virgem vestida de vermelho, levada sobre uma nuvem ao céu, conferem uma grande dramaticidade à composição.

Revolucionário também a cena “de baixo para cima” realizada com maestria de perspectiva por Correggio na cúpula da Catedral de Parma. Maria, Mãe de Deus, aquela que não conheceu a corrupção do sepulcro, continuou a inspirar a arte, mesmo em épocas recentes: o gênio criativo realizou assim uma síntese extraordinária entre liturgia, tradição, hagiografia e espiritualidade mariana.

Paolo Ondarza 

Vatican News 

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O clube do carimbo e o auge da degradação sexual – A resposta católica, a castidade não mata ninguém. O “clube do carimbo”, sim.

“Enquanto o Catecismo da Igreja diz que os homossexuais “devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza”, a nova moda LGBT apregoa a disseminação de um vírus mortal, em nome de um “prazer incontrolável”. “Por isso, Deus os entregou a paixões vergonhosas” (Rm 1, 26)”.

A cruel e assustadora história do “clube do carimbo”, o grupo homossexual que dissemina o HIV propositalmente em casas noturnas.

Todas as épocas de acentuado declínio social estão marcadas por uma exploração desmedida da sensualidade. A corrupção moral foi a principal responsável pela queda do Império Romano, dizem os historiadores [1]. A banalização do homem tornou os romanos insensíveis a qualquer apelo da razão, abrindo caminho para o domínio bárbaro. Isso porque o ser humano, quando abandonado às suas paixões, fica incapaz de amar, isto é, enxergar o outro como pessoa. Uma sexualidade desregrada vê nos corpos instrumentos de prazer, objetos descartáveis sempre ao alcance dos desejos mais pervertidos da imaginação. Coube à Igreja a tarefa de restituir a dignidade humana frente a uma cultura de morte instalada na medula da sociedade.

Os Padres da Igreja sempre entenderam a união conjugal como uma relação em que se procura o bem do outro. O vínculo entre marido e mulher está radicado muito mais em um “empenho para com a outra pessoa”, que em um sentimento vago ou em uma atração psicofísica. É justamente o que recordava São João Paulo II ao Tribunal da Rota Romana, em um discurso de 1999:

“O simples sentimento está ligado à mutabilidade do espírito humano; só a atração recíproca, depois, muitas vezes derivante sobretudo de impulsos irracionais e às vezes aberrantes, não pode ter estabilidade e, portanto, está facilmente, se não de maneira fatal, exposta a extinguir-se.”

O matrimônio, embora também esteja ligado ao sentimento, fundamenta-se no compromisso do amor, de onde nasce a sua indissolubilidade. “A caridade jamais acabará”, lembra o apóstolo (1 Cor13, 28). E esse amor conjugalis que “tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” é a razão pela qual marido e mulher são capazes do sacrifício mútuo pela salvação da família.

A cultura hodierna, por outro lado, tende não somente a negar esse amor, como a ridicularizá-lo de todas as maneiras. Em nome de uma pseudoliberdade, a sociedade é induzida a considerar o corpo algo desprezível, “colocando-o, por assim dizer, fora do ser autêntico e da dignidade da pessoa”. “O seu pressuposto — comenta o Papa Bento XVI — é que o homem pode fazer de si o que quer: o seu corpo torna-se assim uma coisa secundária, manipulável sob o ponto de vista humano, a ser utilizado como se deseja”. Praticamente, todos os relacionamentos modernos — uniões livres, “casamentos” entre pessoas do mesmo sexo, namoros coloridos etc. — estão embasados nessa visão unilateral do “prazer sem freios”. Não se busca o bem do outro, mas a autossatisfação imediata. Trata-se de sexo, não de amor.

Ora, não é preciso muito esforço para perceber as consequências nefastas disso tudo. “A crônica quotidiana — falava João Paulo II no mesmo discurso à Rota Romana — traz, infelizmente, amplas confirmações acerca dos miseráveis frutos que essas aberrações da norma divino-natural acabam por produzir”.

Há alguns dias, um jornal de grande circulação no país comentava o caso de “homens que passam o HIV de propósito”. Segundo a reportagem, esses indivíduos se reúnem em blogs e outros sites da internet para darem dicas de como infectar o parceiro sexual propositalmente. “Não fez ainda? Faça, pois é bem provável que já tenham feito com você”, incentivava um desses sites, ensinando a furar a camisinha durante o ato sexual. A prática tem o nome de bareback, que no linguajar homossexual significa “sexo anal sem camisinha”. O termo originalmente vem do inglês e quer dizer “cavalgar em um cavalo sem cela”. Em São Paulo, diz o jornal, uma casa noturna dedicada ao sexo gay chega a reunir mais de cem homens por dia, muitos adeptos do “clube do carimbo”, como se chama o grupo dedicado a retransmitir o vírus da Aids. “Carimbar” faz referência direta à contaminação.

Um dos entrevistados da matéria justifica seu comportamento assim: “É um prazer incontrolável. Sem a camisinha o meu prazer triplica. Eu odeio a camisinha”. O rapaz é empresário, soropositivo, tem 36 anos e frequenta casas noturnas, embora nunca se relacione sem avisar o parceiro sobre sua doença, garante. De acordo com o jornal, o “clube do carimbo” deve virar uma tendência no meio LGBT em dois ou três anos. “Hoje, a gente vive o auge dessa prática da contaminação”, informa outro entrevistado. As orgias, comumente chamadas de “roleta-russa”, mexem com o fetiche e a adrenalina, explicam os participantes; por isso, têm se tornado tão comuns. Há também uma falta de perspectiva somada a um sentimento libertário. O resultado: entre 2003 e 2013, o índice de infecção por HIV no meio homossexual aumentou para 29,1%; para os héteros, a variação foi de 1,7%.

Repetir o ensinamento católico acerca disso tudo é chover no molhado. O fato, porém, expõe diante dos olhos do público qual movimento é verdadeiramente homofóbico. Enquanto o Catecismo da Igreja diz que os homossexuais “devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza”, a nova moda LGBT apregoa a disseminação de um vírus mortal, em nome de um “prazer incontrolável”. “Por isso, Deus os entregou a paixões vergonhosas” (Rm 1, 26). Os efeitos insidiosos da cultura da camisinha, do sexo livre e da libertinagem podem ser reconhecidos por qualquer pessoa de bom senso. Essa cultura de morte não procura o bem do outro, mas se desfazer dele como um lixo, como se descarta a seringa de uma droga qualquer após o uso. A Igreja, sempre na contramão das falsas ideologias, crê na sublime vocação do homem, tenha ele ou não a tendência homossexual, chamando-o a amar verdadeiramente: “Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, e, às vezes, pelo apoio duma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem aproximar-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.” A castidade não mata ninguém. O “clube do carimbo”, sim.

Não se enganem: nenhum ser humano foi feito para viver como um brinquedinho de almas pervertidas. Nenhum ser humano foi feito para servir a “surras” e “pauladas”, como sugere a mídia nestes dias cinzentos, nem para bareback, “clubes do carimbo”, “roletas-russas” ou outras práticas suicidas.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere – Padre Paulo Ricardo

Referências

Cf. Daniel-Rops. A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires. Quadrante: São Paulo, 1988


Reflexão para a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora

Celebrar a Assunção de Nossa Senhora é praticar tudo o que Jesus ensinou e ela viveu em toda sua vida. “Antes, são bem-aventurados aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a colocam em prática”, disse Jesus quando louvaram Maria por ser sua mãe.

A Bíblia e a vida nos ensinam que quando o Senhor vai realizar ações magníficas, Ele se dirige aos humildes e pede a colaboração deles. Todos os relatos bíblicos nos mostram isso e também os acontecimentos recentes, quando Ele permitiu a pastores, camponeses e crianças verem Maria Santíssima. Também a devoção à Padroeira do Brasil deve-se à tarefa de três pescadores que encontraram a imagem da Mãe de Deus e nossa no rio Paraíba do Sul.

Maria, a Virgem de Nazaré, representando todas as pessoas simples, ignoradas pelos poderosos, mas plenamente confiantes em Deus, no seu “Magnificat”, canta sua gratidão a Deus porque Ele beneficiou a ela e aos necessitados. Ela anuncia a nova sociedade, não apenas a celeste, mas também a terrestre, quando esta última seguir seu conselho de “fazer tudo o que Jesus mandar”.

Nessa nova sociedade, os que detêm poder irão usá-lo para servir os pobres, os marginalizados, os aflitos. Jesus já nos deu o exemplo lavando os pés dos apóstolos e morrendo por nós na cruz, ou seja, se entregando para que fôssemos libertados do domínio do mal. Deus é fiel, conclui Nossa Senhora ao dizer que a misericórdia prometida a Abraão e seus descendentes foi mantida e realizada.

Paulo, em sua 1ª Carta aos Coríntios, explicita esse bem querer de Deus a todos nós quando diz que a ressurreição de Jesus destruiu o destino do homem de ser-para-a-morte e lhe restituiu sua vocação eterna de ser-para-a-vida. Cristo morreu para que o homem confiasse plenamente no amor do Pai e fizesse sua entrega radical a Ele. Com isso acaba o egocentrismo e Jesus Cristo passa a ser o centro da vida do ser humano. O homem se descentraliza para que Deus possa ocupar o lugar que sempre foi Seu, o centro de tudo e de todos.

Consequentemente, acaba a pobreza, a injustiça, a opressão. Se o amor está no centro, deixarei de ser apegado ao dinheiro, ao poder, ao prazer egoísta. Serei fraterno, misericordioso, solidário. Surge, então, um mundo onde reina a Justiça e a Paz.  O Canto de Maria e a oração de São Francisco se tornarão realidade!

Celebrar a Assunção de Nossa Senhora é praticar tudo o que Jesus ensinou e ela viveu em toda sua vida. “Antes, são bem-aventurados aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a colocam em prática”, disse Jesus quando louvaram Maria por ser sua mãe.

Padre César Augusto dos Santos SJ

Vatican News 

Papa: não reduzir a religião somente à prática da Lei

“É uma tentação comum, esta, de reduzir a religião à prática das leis, projetando em nosso relacionamento com Deus a imagem da relação entre os servos e seus patrões: os servos devem executar as tarefas que o patrão designou, para ter a sua benevolência”, disse o Papa em sua alocução.

Resistir à tentação de “reduzir a religião somente à prática das leis, projetando em nossa relação com Deus a imagem da relação entre os servos e seus patrões”.

No Angelus deste XVIII Domingo do Tempo Comum, falando aos milhares de fiéis e turistas presentes na Praça São Pedro a uma temperatura de 30ºC, o Papa exortou a “cultivar nossa relação” com Jesus, “fortalecer nossa fé n’Ele, que é o “pão da vida”.

Inspirado no Evangelho de João proposto pela liturgia deste domingo, o Papa recorda que “a Jesus não basta que as pessoas o procurem, ele quer que as pessoas o conheçam; quer que a busca por Ele e o encontro com Ele ultrapasse a satisfação imediata das necessidades materiais”:

Jesus veio para nos trazer algo mais, a abrir a nossa existência a um horizonte mais amplo em relação às preocupações cotidianas do alimentar-se, vestir-se, da carreira e assim por diante. Por isso, voltando-se a multidão, exclama: «Me buscais não porque vistes sinais, mas porque comestes daqueles pães e vos saciastes»”.

Desta forma,  “estimula as pessoas a darem um passo em frente, a interrogarem-se sobre o significado do milagre e não apenas para tirar proveito dele”.

O milagre da multiplicação dos pães e dos peixes – explicou Francisco – “é sinal do grande dom que o Pai deu à humanidade, que é o próprio Jesus!”:

Ele, verdadeiro “pão da vida”, quer saciar não apenas os corpos, mas também as almas, dando o alimento espiritual que pode satisfazer a fome mais profunda. Por isso convida a multidão a procurar não a comida que não dura, mas aquela que permanece para a vida eterna. Trata-se de um alimento que Jesus nos dá todos os dias: sua Palavra, seu Corpo, seu Sangue”.

Também nós – como a multidão na época – ouvimos o convite de Jesus, mas não entendemos seu significado. As pessoas pensam que Jesus pede a elas “para observarem os preceitos para obter outros milagres, como a multiplicação dos pães”:

É uma tentação comum, esta, de reduzir a religião somente à prática das leis, projetando em nossa relação com Deus a imagem da relação entre os servos e seus patrões: os servos devem executar as tarefas que o patrão determinou, para ter a sua benevolência. Isto o sabemos todos”.

À multidão que quer saber de Jesus que ações deve fazer para agradar a Deus, Jesus dá uma resposta inesperada: “A obra de Deus é que vocês acreditem naquele que ele enviou”:

Essas palavras são dirigidas também a nós hoje: a obra de Deus não consiste tanto no “fazer” coisas, mas em “crer” n’Aquele que Ele enviou. Isto significa que a fé em Jesus nos permite realizar as obras de Deus. Se nos deixarmos envolver nesta relação de amor e confiança com Jesus, poderemos fazer boas obras que perfumam de Evangelho, pelo bem e às necessidades dos irmãos”.

E se é importante preocupar-nos com o pão – disse o Papa – mais importante ainda “é cultivar nossa relação com Ele, fortalecer nossa fé n’Ele, que é o “pão da vida”, vindo para saciar a nossa fome de verdade, a nossa fome de justiça, a nossa fome de amor”.

“Que a Virgem Maria – disse ao concluir –  no dia em que recordamos a dedicação da Basílica de Santa Maria Maior – a Salus populi romani –  em Roma, nos sustente em nosso caminho de fé e nos ajude a nos abandonarmos com alegria ao plano de Deus para nossas vidas”.

Jackson Erpen – Vatican News 

Reflexão para o XVIII Domingo do Tempo Comum

“Deveremos diariamente, possibilitar o crescimento do homem novo, renovando nossa fé em Jesus, buscando o alimento que não perece, confiando sempre em sua Providência”.

Quando, no deserto, o povo judeu começou a sentir fome e sede, pôs-se a lamentar-se, lembrando o passado recente, no Egito, quando, apesar da escravidão, estava sempre bem alimentado com muito pão e muita panela cheia de carne.

Deus os ouviu e como Pai providente, saciou-os com maná e codornas. Afinal fora Ele quem providenciara a libertação do senhorio egípcio, do mesmo modo que havia, séculos atrás, providenciado a ida e a ascensão de José, filho de Jacó, ao posto de vice-rei daquela terra dos faraós.

Agora, ao ouvir este novo clamor de seu querido povo, o Senhor fez coincidir as migrações daqueles pássaros com a fome dos judeus, como também fez coincidir o gotejamento de um arbusto típico do deserto sinaítico com a passagem do mesmo povo. Portanto, as aves e os pingos açucarados, ou seja, o maná, atividade normal da natureza naquele período, foram vistos e acolhidos pelos judeus como milagre.

Deus não respondeu ao povo com recriminações e castigos, mas ao contrário, dando-lhe alimento em abundância.

Por outro lado, Deus, como pedagogo, trabalhou o ponto frágil do povo que era a confiança em Sua Providência. Os israelitas deviam, a cada dia, esperar o alimento das mãos de Deus. As aves deveriam ser abatidas; não era possível criá-las e o maná, por sua vez, não podia ser armazenado, pois se estragava. A cada dia dispunham de alimento físico e também espiritual, isto é alimentar-se de fé na Providência.

No Evangelho, Jesus proporcionou ao povo alimento em abundância. Apenas viu frustrado seu objetivo, quando alimentou o povo com peixes e pão. O Senhor desejava, com esse sinal, mostrar o valor da partilha de todos os bens, isto é, alimentá-los com o dom de serem generosos, de partilharem seus bens, mas o povo queria apenas o alimento perecível.

Jesus, então, alertou o povo dizendo: “Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará.” O Senhor sabe que os alimentos comuns – comida, viagens, estudos – nada nos satisfaz, mas apenas sua Palavra, que é Palavra de Vida. “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim, não terá mais fome; e quem crê em mim nunca mais terá sede.”

A segunda leitura se refere à nossa inconstância, apesar do compromisso radical feito no Batismo. Deveremos diariamente, possibilitar o crescimento do homem novo, renovando nossa fé em Jesus, buscando o alimento que não perece, confiando sempre em sua Providência.

Se algo nos falta ou aos nossos irmãos, saibamos que de há muito Deus providenciou, mas alguém o subtraiu, não partilhando. A carência material de alguns denuncia a pobreza espiritual de outros.

Padre César Augusto dos Santos SJ – Cidade do Vaticano

Reflexão litúrgica para o XVI Domingo do Tempo Comum – B

“No final das nossas atividades apostólicas, devemos ouvir, na oração e na reflexão, o parecer do Senhor, da comunidade e da família.”

A primeira leitura deste XVI Domingo do Tempo Comum fala da repreensão que Deus, através do Profeta Jeremias, fez aos últimos Reis de Israel daquele tempo, Joaquim e Sedecias, por não terem cuidado do povo, levado como escravo para a Babilônia.

Desde o Livro do Gênesis, Deus nunca se deixa derrotar pelas más ações humanas, mas seu amor sempre vence. Imediatamente, após chamar a atenção do povo e anunciar o castigo, o Senhor anuncia a vinda de verdadeiros pastores, que deveriam zelar pelo rebanho. Porém, vai mais além, suscitando um rei, entre os descendentes de Davi. Este rei “faria valer a justiça e a retidão na terra”.

Foi o que aconteceu com a vinda de Jesus Cristo, que não trouxe de volta o esplendor de Salomão, mas a mudança dos corações. Eis a diferença entre os novos pastores: não davam primazia ao que poderia corromper os seres humanos, que passam, mas ao que os tornaria filhos de Deus e irmãos de todos.

Também nós deveríamos fazer um exame de consciência para ver se não traímos a confiança depositada em nós por Deus, pela família, pelos amigos, ao sermos infiéis aos nossos propósitos.

Para saber se estamos no bom caminho ou se a autoridade, seja ela qual for, tem a aprovação divina ou não, deveríamos examinar o que foi feito, em favor da justiça e do direito, e se a liderança foi usada para servir, apesar de perder os privilégios.

No Evangelho, São Marcos nos dá uma grande lição: a necessidade de fazermos uma avaliação do nosso trabalho sob a luz divina. Era isto que os discípulos faziam ao voltar realizados de suas atividades missionárias; eles relatavam a Jesus o que acontecia durante o dia.

Por isso, o agente pastoral e o leigo cristão jamais devem sucumbir por ativismo. Pelo contrário, o que fizerem seja fruto da oração e da escuta de Deus. Não basta uma simples reflexão humana, mas devemos rezar, dialogar com o Senhor e ouvir o que ele nos diz, em nossa mente e em nosso coração, sobre as nossas atividades. É preciso também ouvir, na oração, a nossa comunidade e a nossa família.

Pe. Cesar Augusto dos Santos 

Papa no Angelus: distantes de Jesus e de seu amor, nos perdemos

“Com Jesus ao lado se pode prosseguir com segurança, se podem superar as provações, se progride no amor a Deus e aos próximo. Jesus se fez dom para os outros, tornando-se assim modelo de amor e de serviço para cada um de nós”, disse Francisco.

“Sem a verdade, que é Cristo mesmo, não é possível encontrar a justa orientação da vida. Quando nos distanciamos de Jesus e de seu amor, nos perdemos e a existência se transforma em desilusão e insatisfação.” Foi o que disse o Papa Francisco na alocução que precedeu a oração do Angelus, ao meio-dia deste domingo (22/07), na qual se deteve sobre à página do Evangelho proposta para a liturgia do dia.

Ouça a reportagem com a voz do Papa Francisco!

O Evangelho de hoje (Mc 6,30-34), disse o Papa, nos conta que os apóstolos, após a primeira missão, voltam a Jesus e lhe falam “tudo aquilo que tinham feito e ensinado”. Após a experiência da missão, certamente entusiasmante, mas também cansativa, frisou Francisco, eles precisam de repouso.

O Pontífice ressaltou que Jesus se preocupou em assegurar-lhes um pouco de alívio, convidando-os a um lugar deserto onde pudessem recobrar as forças, mas que a multidão, tendo intuído para onde iam, correu chegando ao lugar antes deles, mudando assim o programa.

Flexibilidade e disponibilidade às necessidades dos outros

“O mesmo pode acontecer também hoje. Por vezes não conseguimos realizar nossos projetos, porque se dá um imprevisto urgente que acaba com nossos programas e requer flexibilidade e disponibilidade às necessidades dos outros.”

Nessas circunstâncias, exortou o Papa, “somos chamados a imitar aquilo que fez Jesus: ‘Tendo descido da barca, ele viu uma grande multidão, teve compaixão dela, porque eram como ovelhas sem pastor, e se colocou a ensinar-lhes muitas coisas’”.

Francisco destacou que o evangelista nos oferece aí um flash de singular intensidade, fotografando os olhos do Divino Mestre e seu ensinamento. “Observamos os três verbos deste fotograma: ver, ter compaixão, ensinar. Podemos chamá-los os verbos do Pastor.”

“O olhar de Jesus não é um olhar neutro ou, pior, frio e distanciado, porque Jesus olha sempre com os olhos do coração. E seu coração é tão tenro e repleto de compaixão, que sabe colher inclusive as necessidades mais escondidas das pessoas.”

Jesus Cristo, realização da solicitude e cuidados de Deus para com seu povo

Francisco frisou ainda que Cristo mostra com isso a atitude e a predisposição de Deus para com o homem e a sua história. “Jesus se apresenta como a realização da solicitude e cuidado de Deus para com o seu povo”, acrescentou.

O Papa quis evidenciar que o primeiro pão que o Messias oferece à multidão faminta e cansada é o pão da Palavra. “Todos nós precisamos da palavra da verdade, que nos guie e ilumine nosso caminho”, prosseguiu.

“Com Jesus ao lado se pode prosseguir com segurança, se podem superar as provações, se progride no amor a Deus e ao próximo. Jesus se fez dom para os outros, tornando-se assim modelo de amor e de serviço para cada um de nós.”

Francisco concluiu fazendo votos de que Maria Santíssima nos ajude a assumir os problemas, sofrimentos e dificuldades de nosso próximo, mediante uma atitude de partilha e de serviço.

Saudação a fiéis e peregrinos brasileiros

Dirigindo-se aos vários grupos de fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro, o Papa fez uma saudação particular aos fiéis da Diocese de Rio do Sul – SC, e aos jovens da Diocese de Sevilha, na Espanha, além de grupos paroquiais e associações.

Raimundo de Lima – Vatican News 

Presidente Português destaca “papel crucial das Misericórdias”

Marcelo Rebelo de Sousa presidiu à sessão solene comemorativa dos 500 anos da Santa Casa da Misericórdia de Bragança

O Presidente da República reafirmou em Bragança “o papel na história de Portugal das misericórdias e, mais recentemente, das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS)”.

O chefe de Estado Português falava na cerimônia comemorativa dos 500 anos da Santa Casa da Misericórdia de Bragança que decorreu no passado dia 8 de julho naquela cidade do nordeste transmontano.

Uma sessão que contou com a participação do bispo de Bragança-Miranda, D. José Cordeiro; do presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel de Lemos; e do presidente da Câmara Municipal de Bragança, Hernâni Dias.

“É preciso conhecer essa história para compreender quão precária é a ilusão de se poder dispensar instituições, que são seculares, que têm passado, mas têm também presente e futuro. E, algumas vezes, a falta de conhecimento histórico de um ou outro responsável levou a que se concebesse a sociedade portuguesa sem conhecer a história das misericórdias”, alertou Marcelo Rebelo de Sousa.

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou o papel das misericórdias e das IPSS nos tempos de crise e questionou: “se não tivessem existido as instituições da chamada economia social quais teriam sido as consequências?”.

Explicar o papel das misericórdias e das IPSS é uma das lutas que o chefe de Estado entende necessária travar associada a outra, que é conseguir que os vários “portugais” sejam menos diferentes entre si”.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, “as misericórdias cumprem aí uma missão fundamental”, assim como as IPSS, contribuindo, na rede que estabelecem, “para esta sensibilidade nacional”.

Teologia da prosperidade: perigos de um cristianismo sem cruz

La Civiltà Cattolica: os perigos de um Evangelho que coloca Deus a nosso serviço .
Os jesuítas Antonio Spadaro e Marcelo Figueroa ilustram o fenômeno – sobre o qual o Papa Francisco se pronunciou reiteradas vezes indicando seus perigos – na prestigiosa revista da Companhia de Jesus “La Civiltà Cattolica”, em sua edição do próximo sábado, 21 de julho.

Corrente neopentecostal evangélica, a “teologia da prosperidade” difundiu-se nos EUA onde nasceu, mas também nos outros continentes, e funda suas raízes na convicção de que “Deus quer que seus fiéis tenham uma vida próspera, isto é, que sejam ricos do ponto de vista econômico, sadios do ponto de vista físico e individualmente felizes”.

Os jesuítas Antonio Spadaro e Marcelo Figueroa ilustram o fenômeno – sobre o qual o Papa Francisco se pronunciou reiteradas vezes indicando seus perigos – na prestigiosa revista da Companhia de Jesus “La Civiltà Cattolica”, em sua edição do próximo sábado, 21 de julho.

“Esse tipo de cristianismo coloca o bem-estar do crente no centro da oração, e faz de seu Criador aquele que realiza os pensamentos e desejos do fiel”, observam os religiosos jesuítas.

Perigo de transformar Deus num poder a nosso serviço

Trata-se de um “antropocentrismo religioso” que corre o risco de “transformar Deus num poder a nosso serviço” e faz referência “ao chamado American dream” (sonho americano), identificando-se com uma sua interpretação redutiva. Neste quadro não há lugar para a solidariedade: a pobreza é sinal de falta de fé e, em todo caso, “culpa” do fiel.

Visão de fé várias vezes advertida pelo Papa Francisco

Além disso, a visão da fé proposta pela “teologia da prosperidade” coloca-se “em clara contradição com a concepção de uma humanidade marcada pelo pecado e com a expectativa de uma salvação escatológica, ligada a Jesus Cristo” encarnando “uma forma peculiar de pelagianismo várias vezes advertida pelo Papa Francisco” e expressa “também a outra heresia do nosso tempo, ou seja, o gnosticismo”.

Desde o início de seu Pontificado, escrevem os dois jesuítas, Francisco esteve atento a esse “Evangelho diferente” e “criticando-o, aplicou a clássica doutrina social da Igreja. Reiteradas vezes o evocou para evidenciar seus perigos”.

Advertência do Papa em discurso aos bispos do Celam

A primeira vez deu-se no Brasil, em 28 de julho de 2013, dirigindo-se aos bispos do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), posteriormente, falando aos bispos da Coreia, nas homilias na Casa Santa Marta, no Vaticano, até as advertências sobre o pelagianismo e gnosticismo contidas na Exortação apostólica “Gaudete et exsultate” (Alegrai-vos e exultai) sobre o chamado à santidade no mundo contemporâneo.

Vatican News

Pesar do Papa Francisco pela morte do cardeal Jean-Louis Tauran

O cardeal Jean-Louis Tauran era Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo inter-religioso e Camerlengo da Santa Igreja Romana. Anunciou ao mundo a eleição de Francisco. Tinha 75 anos.

Faleceu, na tarde desta quinta-feira (05/7), em Connecticut, EUA, com a idade de 75 anos, o Cardeal Jean-Louis Tauran, Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo inter-religioso e Camerlengo da Santa Igreja Romana, acometido por muito tempo pela doença de Parkinson.

Em 13 de março de 2013, o Cardeal Tauran, Protodiácono da Santa Igreja, anunciou ao mundo a eleição do Papa Francisco, com a célebre frase “Habemus Papam”.

Num telegrama enviado, nesta sexta-feira (06/07), à irmã do cardeal Tauran, senhora Geneviève Dubert, o Papa Francisco manifesta seu pesar pela morte do purpurado, recordando a sua fidelidade e o amor pela Igreja.

“O cardeal Jean-Louis Tauran, que confio à misericórdia de Deus, marcou profundamente a vida da Igreja universal. Entrou no serviço diplomático da Santa Sé e exerceu com competência, entre outros, o cargo de secretário das Relações com os Estados. Nomeado pelo Papa Bento XVI presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, foi um conselheiro ouvido e apreciado, de modo particular, graças às relações de confiança e estima que soube estabelecer com o mundo muçulmano”, destaca Francisco no texto.

“Por causa de seu espírito de serviço e seu amor pela Igreja eu o nomeei Camerlengo da Santa Igreja Romana. Mantenho uma lembrança comovente deste homem de profunda fé que corajosamente serviu a Igreja de Cristo até o fim, não obstante o peso da doença. Que o Senhor acolha o seu servo na paz e na alegria que nunca terminam”!

O Papa conclui o telegrama, abençoando toda a família do cardeal Tauran, o Colégio Cardinalício, todas as pessoas próximas ao purpurado falecido, os pastores e fiéis da Arquidiocese de Bordeaux, e todas as pessoas que participarão de suas exéquias.

Biografia

Jean-Louis Tauran nasceu em Bordeaux em 5 de abril de 1943. Estudou na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, no Instituto Católico de Toulouse e na Pontifícia Academia Eclesiástica de Roma.

Foi ordenado sacerdote em 20 de setembro de 1969, em Bordeaux, onde foi pároco. Prestou serviço diplomático junto à Santa Sé em 1975; foi Secretário da Nunciatura na República Dominicana (1975-1978), Secretário da Nunciatura no Líbano (1979-1983); participou de missões especiais no Haiti (1984) e em Beirute e Damasco (1986); foi membro da delegação da Santa Sé na Conferência sobre Segurança e Cooperação Europeia, na Conferência sobre o Desarmamento, em Estocolmo, Suécia, e no Fórum Cultural em Budapeste, Hungria.

Ao ser nomeado arcebispo foi Secretário da Secretaria de Estado para as Relações com os Estados (1990) e Secretário da Congregação para os Bispos.

O Cardeal Tauran foi criado Cardeal no Consistório de 2003; Arquivista e Bibliotecário da Santa Igreja Romana (2003- 2007); participou, como representante do Papa, na inauguração do novo Museu do Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém, em 2005.

O Cardeal Jean-Louis Tauran tomou parte da X Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (2005), e da XII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (2008).

Foi Enviado especial do Papa na conclusão do Ano Paulino (2009), na Turquia; participou da II Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos (2009), e da II Assembleia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos (2010); recebeu o Doutorado honoris causa no Instituto Católico de Paris.

Confirmado pelo Papa Bento XVI como Cardeal protodiácono no Consistório de 2011 e confirmado, por cinco anos, como Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso.

Como Cardeal-protodiácono, anunciou ao mundo a eleição do novo Papa, Jorge Maria Bergoglio, após o Conclave de 2013; impôs o pálio sagrado sobre o Papa Francisco, no início do seu ministério petrino, em 19 de março de 2013.

Em junho de 2013, o Santo Padre o nomeou membro da Pontifícia Comissão do Instituto para as Obras de Religião (Banco do Vaticano) e confirmado como membro da Congregação para os Bispos em 16 de dezembro de 2013.

Em 20 de dezembro de 2014, o Papa Francisco confirmou o Cardeal Jean-Louis Tauran como Camerlengo da Santa Igreja Romana.

Com a morte do Cardeal Jean-Louis Tauran o Colégio Cardinalício fica composto de 225 Cardeais, dos quais 124 eleitores (em un eventual Conclave) e 101 não eleitores.

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