Papa: não reduzir a religião somente à prática da Lei

“É uma tentação comum, esta, de reduzir a religião à prática das leis, projetando em nosso relacionamento com Deus a imagem da relação entre os servos e seus patrões: os servos devem executar as tarefas que o patrão designou, para ter a sua benevolência”, disse o Papa em sua alocução.

Resistir à tentação de “reduzir a religião somente à prática das leis, projetando em nossa relação com Deus a imagem da relação entre os servos e seus patrões”.

No Angelus deste XVIII Domingo do Tempo Comum, falando aos milhares de fiéis e turistas presentes na Praça São Pedro a uma temperatura de 30ºC, o Papa exortou a “cultivar nossa relação” com Jesus, “fortalecer nossa fé n’Ele, que é o “pão da vida”.

Inspirado no Evangelho de João proposto pela liturgia deste domingo, o Papa recorda que “a Jesus não basta que as pessoas o procurem, ele quer que as pessoas o conheçam; quer que a busca por Ele e o encontro com Ele ultrapasse a satisfação imediata das necessidades materiais”:

Jesus veio para nos trazer algo mais, a abrir a nossa existência a um horizonte mais amplo em relação às preocupações cotidianas do alimentar-se, vestir-se, da carreira e assim por diante. Por isso, voltando-se a multidão, exclama: «Me buscais não porque vistes sinais, mas porque comestes daqueles pães e vos saciastes»”.

Desta forma,  “estimula as pessoas a darem um passo em frente, a interrogarem-se sobre o significado do milagre e não apenas para tirar proveito dele”.

O milagre da multiplicação dos pães e dos peixes – explicou Francisco – “é sinal do grande dom que o Pai deu à humanidade, que é o próprio Jesus!”:

Ele, verdadeiro “pão da vida”, quer saciar não apenas os corpos, mas também as almas, dando o alimento espiritual que pode satisfazer a fome mais profunda. Por isso convida a multidão a procurar não a comida que não dura, mas aquela que permanece para a vida eterna. Trata-se de um alimento que Jesus nos dá todos os dias: sua Palavra, seu Corpo, seu Sangue”.

Também nós – como a multidão na época – ouvimos o convite de Jesus, mas não entendemos seu significado. As pessoas pensam que Jesus pede a elas “para observarem os preceitos para obter outros milagres, como a multiplicação dos pães”:

É uma tentação comum, esta, de reduzir a religião somente à prática das leis, projetando em nossa relação com Deus a imagem da relação entre os servos e seus patrões: os servos devem executar as tarefas que o patrão determinou, para ter a sua benevolência. Isto o sabemos todos”.

À multidão que quer saber de Jesus que ações deve fazer para agradar a Deus, Jesus dá uma resposta inesperada: “A obra de Deus é que vocês acreditem naquele que ele enviou”:

Essas palavras são dirigidas também a nós hoje: a obra de Deus não consiste tanto no “fazer” coisas, mas em “crer” n’Aquele que Ele enviou. Isto significa que a fé em Jesus nos permite realizar as obras de Deus. Se nos deixarmos envolver nesta relação de amor e confiança com Jesus, poderemos fazer boas obras que perfumam de Evangelho, pelo bem e às necessidades dos irmãos”.

E se é importante preocupar-nos com o pão – disse o Papa – mais importante ainda “é cultivar nossa relação com Ele, fortalecer nossa fé n’Ele, que é o “pão da vida”, vindo para saciar a nossa fome de verdade, a nossa fome de justiça, a nossa fome de amor”.

“Que a Virgem Maria – disse ao concluir –  no dia em que recordamos a dedicação da Basílica de Santa Maria Maior – a Salus populi romani –  em Roma, nos sustente em nosso caminho de fé e nos ajude a nos abandonarmos com alegria ao plano de Deus para nossas vidas”.

Jackson Erpen – Vatican News 

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Reflexão para o XVIII Domingo do Tempo Comum

“Deveremos diariamente, possibilitar o crescimento do homem novo, renovando nossa fé em Jesus, buscando o alimento que não perece, confiando sempre em sua Providência”.

Quando, no deserto, o povo judeu começou a sentir fome e sede, pôs-se a lamentar-se, lembrando o passado recente, no Egito, quando, apesar da escravidão, estava sempre bem alimentado com muito pão e muita panela cheia de carne.

Deus os ouviu e como Pai providente, saciou-os com maná e codornas. Afinal fora Ele quem providenciara a libertação do senhorio egípcio, do mesmo modo que havia, séculos atrás, providenciado a ida e a ascensão de José, filho de Jacó, ao posto de vice-rei daquela terra dos faraós.

Agora, ao ouvir este novo clamor de seu querido povo, o Senhor fez coincidir as migrações daqueles pássaros com a fome dos judeus, como também fez coincidir o gotejamento de um arbusto típico do deserto sinaítico com a passagem do mesmo povo. Portanto, as aves e os pingos açucarados, ou seja, o maná, atividade normal da natureza naquele período, foram vistos e acolhidos pelos judeus como milagre.

Deus não respondeu ao povo com recriminações e castigos, mas ao contrário, dando-lhe alimento em abundância.

Por outro lado, Deus, como pedagogo, trabalhou o ponto frágil do povo que era a confiança em Sua Providência. Os israelitas deviam, a cada dia, esperar o alimento das mãos de Deus. As aves deveriam ser abatidas; não era possível criá-las e o maná, por sua vez, não podia ser armazenado, pois se estragava. A cada dia dispunham de alimento físico e também espiritual, isto é alimentar-se de fé na Providência.

No Evangelho, Jesus proporcionou ao povo alimento em abundância. Apenas viu frustrado seu objetivo, quando alimentou o povo com peixes e pão. O Senhor desejava, com esse sinal, mostrar o valor da partilha de todos os bens, isto é, alimentá-los com o dom de serem generosos, de partilharem seus bens, mas o povo queria apenas o alimento perecível.

Jesus, então, alertou o povo dizendo: “Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará.” O Senhor sabe que os alimentos comuns – comida, viagens, estudos – nada nos satisfaz, mas apenas sua Palavra, que é Palavra de Vida. “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim, não terá mais fome; e quem crê em mim nunca mais terá sede.”

A segunda leitura se refere à nossa inconstância, apesar do compromisso radical feito no Batismo. Deveremos diariamente, possibilitar o crescimento do homem novo, renovando nossa fé em Jesus, buscando o alimento que não perece, confiando sempre em sua Providência.

Se algo nos falta ou aos nossos irmãos, saibamos que de há muito Deus providenciou, mas alguém o subtraiu, não partilhando. A carência material de alguns denuncia a pobreza espiritual de outros.

Padre César Augusto dos Santos SJ – Cidade do Vaticano

Reflexão litúrgica para o XVI Domingo do Tempo Comum – B

“No final das nossas atividades apostólicas, devemos ouvir, na oração e na reflexão, o parecer do Senhor, da comunidade e da família.”

A primeira leitura deste XVI Domingo do Tempo Comum fala da repreensão que Deus, através do Profeta Jeremias, fez aos últimos Reis de Israel daquele tempo, Joaquim e Sedecias, por não terem cuidado do povo, levado como escravo para a Babilônia.

Desde o Livro do Gênesis, Deus nunca se deixa derrotar pelas más ações humanas, mas seu amor sempre vence. Imediatamente, após chamar a atenção do povo e anunciar o castigo, o Senhor anuncia a vinda de verdadeiros pastores, que deveriam zelar pelo rebanho. Porém, vai mais além, suscitando um rei, entre os descendentes de Davi. Este rei “faria valer a justiça e a retidão na terra”.

Foi o que aconteceu com a vinda de Jesus Cristo, que não trouxe de volta o esplendor de Salomão, mas a mudança dos corações. Eis a diferença entre os novos pastores: não davam primazia ao que poderia corromper os seres humanos, que passam, mas ao que os tornaria filhos de Deus e irmãos de todos.

Também nós deveríamos fazer um exame de consciência para ver se não traímos a confiança depositada em nós por Deus, pela família, pelos amigos, ao sermos infiéis aos nossos propósitos.

Para saber se estamos no bom caminho ou se a autoridade, seja ela qual for, tem a aprovação divina ou não, deveríamos examinar o que foi feito, em favor da justiça e do direito, e se a liderança foi usada para servir, apesar de perder os privilégios.

No Evangelho, São Marcos nos dá uma grande lição: a necessidade de fazermos uma avaliação do nosso trabalho sob a luz divina. Era isto que os discípulos faziam ao voltar realizados de suas atividades missionárias; eles relatavam a Jesus o que acontecia durante o dia.

Por isso, o agente pastoral e o leigo cristão jamais devem sucumbir por ativismo. Pelo contrário, o que fizerem seja fruto da oração e da escuta de Deus. Não basta uma simples reflexão humana, mas devemos rezar, dialogar com o Senhor e ouvir o que ele nos diz, em nossa mente e em nosso coração, sobre as nossas atividades. É preciso também ouvir, na oração, a nossa comunidade e a nossa família.

Pe. Cesar Augusto dos Santos 

Papa no Angelus: distantes de Jesus e de seu amor, nos perdemos

“Com Jesus ao lado se pode prosseguir com segurança, se podem superar as provações, se progride no amor a Deus e aos próximo. Jesus se fez dom para os outros, tornando-se assim modelo de amor e de serviço para cada um de nós”, disse Francisco.

“Sem a verdade, que é Cristo mesmo, não é possível encontrar a justa orientação da vida. Quando nos distanciamos de Jesus e de seu amor, nos perdemos e a existência se transforma em desilusão e insatisfação.” Foi o que disse o Papa Francisco na alocução que precedeu a oração do Angelus, ao meio-dia deste domingo (22/07), na qual se deteve sobre à página do Evangelho proposta para a liturgia do dia.

Ouça a reportagem com a voz do Papa Francisco!

O Evangelho de hoje (Mc 6,30-34), disse o Papa, nos conta que os apóstolos, após a primeira missão, voltam a Jesus e lhe falam “tudo aquilo que tinham feito e ensinado”. Após a experiência da missão, certamente entusiasmante, mas também cansativa, frisou Francisco, eles precisam de repouso.

O Pontífice ressaltou que Jesus se preocupou em assegurar-lhes um pouco de alívio, convidando-os a um lugar deserto onde pudessem recobrar as forças, mas que a multidão, tendo intuído para onde iam, correu chegando ao lugar antes deles, mudando assim o programa.

Flexibilidade e disponibilidade às necessidades dos outros

“O mesmo pode acontecer também hoje. Por vezes não conseguimos realizar nossos projetos, porque se dá um imprevisto urgente que acaba com nossos programas e requer flexibilidade e disponibilidade às necessidades dos outros.”

Nessas circunstâncias, exortou o Papa, “somos chamados a imitar aquilo que fez Jesus: ‘Tendo descido da barca, ele viu uma grande multidão, teve compaixão dela, porque eram como ovelhas sem pastor, e se colocou a ensinar-lhes muitas coisas’”.

Francisco destacou que o evangelista nos oferece aí um flash de singular intensidade, fotografando os olhos do Divino Mestre e seu ensinamento. “Observamos os três verbos deste fotograma: ver, ter compaixão, ensinar. Podemos chamá-los os verbos do Pastor.”

“O olhar de Jesus não é um olhar neutro ou, pior, frio e distanciado, porque Jesus olha sempre com os olhos do coração. E seu coração é tão tenro e repleto de compaixão, que sabe colher inclusive as necessidades mais escondidas das pessoas.”

Jesus Cristo, realização da solicitude e cuidados de Deus para com seu povo

Francisco frisou ainda que Cristo mostra com isso a atitude e a predisposição de Deus para com o homem e a sua história. “Jesus se apresenta como a realização da solicitude e cuidado de Deus para com o seu povo”, acrescentou.

O Papa quis evidenciar que o primeiro pão que o Messias oferece à multidão faminta e cansada é o pão da Palavra. “Todos nós precisamos da palavra da verdade, que nos guie e ilumine nosso caminho”, prosseguiu.

“Com Jesus ao lado se pode prosseguir com segurança, se podem superar as provações, se progride no amor a Deus e ao próximo. Jesus se fez dom para os outros, tornando-se assim modelo de amor e de serviço para cada um de nós.”

Francisco concluiu fazendo votos de que Maria Santíssima nos ajude a assumir os problemas, sofrimentos e dificuldades de nosso próximo, mediante uma atitude de partilha e de serviço.

Saudação a fiéis e peregrinos brasileiros

Dirigindo-se aos vários grupos de fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro, o Papa fez uma saudação particular aos fiéis da Diocese de Rio do Sul – SC, e aos jovens da Diocese de Sevilha, na Espanha, além de grupos paroquiais e associações.

Raimundo de Lima – Vatican News 

Presidente Português destaca “papel crucial das Misericórdias”

Marcelo Rebelo de Sousa presidiu à sessão solene comemorativa dos 500 anos da Santa Casa da Misericórdia de Bragança

O Presidente da República reafirmou em Bragança “o papel na história de Portugal das misericórdias e, mais recentemente, das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS)”.

O chefe de Estado Português falava na cerimônia comemorativa dos 500 anos da Santa Casa da Misericórdia de Bragança que decorreu no passado dia 8 de julho naquela cidade do nordeste transmontano.

Uma sessão que contou com a participação do bispo de Bragança-Miranda, D. José Cordeiro; do presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel de Lemos; e do presidente da Câmara Municipal de Bragança, Hernâni Dias.

“É preciso conhecer essa história para compreender quão precária é a ilusão de se poder dispensar instituições, que são seculares, que têm passado, mas têm também presente e futuro. E, algumas vezes, a falta de conhecimento histórico de um ou outro responsável levou a que se concebesse a sociedade portuguesa sem conhecer a história das misericórdias”, alertou Marcelo Rebelo de Sousa.

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou o papel das misericórdias e das IPSS nos tempos de crise e questionou: “se não tivessem existido as instituições da chamada economia social quais teriam sido as consequências?”.

Explicar o papel das misericórdias e das IPSS é uma das lutas que o chefe de Estado entende necessária travar associada a outra, que é conseguir que os vários “portugais” sejam menos diferentes entre si”.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, “as misericórdias cumprem aí uma missão fundamental”, assim como as IPSS, contribuindo, na rede que estabelecem, “para esta sensibilidade nacional”.

Teologia da prosperidade: perigos de um cristianismo sem cruz

La Civiltà Cattolica: os perigos de um Evangelho que coloca Deus a nosso serviço .
Os jesuítas Antonio Spadaro e Marcelo Figueroa ilustram o fenômeno – sobre o qual o Papa Francisco se pronunciou reiteradas vezes indicando seus perigos – na prestigiosa revista da Companhia de Jesus “La Civiltà Cattolica”, em sua edição do próximo sábado, 21 de julho.

Corrente neopentecostal evangélica, a “teologia da prosperidade” difundiu-se nos EUA onde nasceu, mas também nos outros continentes, e funda suas raízes na convicção de que “Deus quer que seus fiéis tenham uma vida próspera, isto é, que sejam ricos do ponto de vista econômico, sadios do ponto de vista físico e individualmente felizes”.

Os jesuítas Antonio Spadaro e Marcelo Figueroa ilustram o fenômeno – sobre o qual o Papa Francisco se pronunciou reiteradas vezes indicando seus perigos – na prestigiosa revista da Companhia de Jesus “La Civiltà Cattolica”, em sua edição do próximo sábado, 21 de julho.

“Esse tipo de cristianismo coloca o bem-estar do crente no centro da oração, e faz de seu Criador aquele que realiza os pensamentos e desejos do fiel”, observam os religiosos jesuítas.

Perigo de transformar Deus num poder a nosso serviço

Trata-se de um “antropocentrismo religioso” que corre o risco de “transformar Deus num poder a nosso serviço” e faz referência “ao chamado American dream” (sonho americano), identificando-se com uma sua interpretação redutiva. Neste quadro não há lugar para a solidariedade: a pobreza é sinal de falta de fé e, em todo caso, “culpa” do fiel.

Visão de fé várias vezes advertida pelo Papa Francisco

Além disso, a visão da fé proposta pela “teologia da prosperidade” coloca-se “em clara contradição com a concepção de uma humanidade marcada pelo pecado e com a expectativa de uma salvação escatológica, ligada a Jesus Cristo” encarnando “uma forma peculiar de pelagianismo várias vezes advertida pelo Papa Francisco” e expressa “também a outra heresia do nosso tempo, ou seja, o gnosticismo”.

Desde o início de seu Pontificado, escrevem os dois jesuítas, Francisco esteve atento a esse “Evangelho diferente” e “criticando-o, aplicou a clássica doutrina social da Igreja. Reiteradas vezes o evocou para evidenciar seus perigos”.

Advertência do Papa em discurso aos bispos do Celam

A primeira vez deu-se no Brasil, em 28 de julho de 2013, dirigindo-se aos bispos do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), posteriormente, falando aos bispos da Coreia, nas homilias na Casa Santa Marta, no Vaticano, até as advertências sobre o pelagianismo e gnosticismo contidas na Exortação apostólica “Gaudete et exsultate” (Alegrai-vos e exultai) sobre o chamado à santidade no mundo contemporâneo.

Vatican News

Pesar do Papa Francisco pela morte do cardeal Jean-Louis Tauran

O cardeal Jean-Louis Tauran era Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo inter-religioso e Camerlengo da Santa Igreja Romana. Anunciou ao mundo a eleição de Francisco. Tinha 75 anos.

Faleceu, na tarde desta quinta-feira (05/7), em Connecticut, EUA, com a idade de 75 anos, o Cardeal Jean-Louis Tauran, Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo inter-religioso e Camerlengo da Santa Igreja Romana, acometido por muito tempo pela doença de Parkinson.

Em 13 de março de 2013, o Cardeal Tauran, Protodiácono da Santa Igreja, anunciou ao mundo a eleição do Papa Francisco, com a célebre frase “Habemus Papam”.

Num telegrama enviado, nesta sexta-feira (06/07), à irmã do cardeal Tauran, senhora Geneviève Dubert, o Papa Francisco manifesta seu pesar pela morte do purpurado, recordando a sua fidelidade e o amor pela Igreja.

“O cardeal Jean-Louis Tauran, que confio à misericórdia de Deus, marcou profundamente a vida da Igreja universal. Entrou no serviço diplomático da Santa Sé e exerceu com competência, entre outros, o cargo de secretário das Relações com os Estados. Nomeado pelo Papa Bento XVI presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, foi um conselheiro ouvido e apreciado, de modo particular, graças às relações de confiança e estima que soube estabelecer com o mundo muçulmano”, destaca Francisco no texto.

“Por causa de seu espírito de serviço e seu amor pela Igreja eu o nomeei Camerlengo da Santa Igreja Romana. Mantenho uma lembrança comovente deste homem de profunda fé que corajosamente serviu a Igreja de Cristo até o fim, não obstante o peso da doença. Que o Senhor acolha o seu servo na paz e na alegria que nunca terminam”!

O Papa conclui o telegrama, abençoando toda a família do cardeal Tauran, o Colégio Cardinalício, todas as pessoas próximas ao purpurado falecido, os pastores e fiéis da Arquidiocese de Bordeaux, e todas as pessoas que participarão de suas exéquias.

Biografia

Jean-Louis Tauran nasceu em Bordeaux em 5 de abril de 1943. Estudou na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, no Instituto Católico de Toulouse e na Pontifícia Academia Eclesiástica de Roma.

Foi ordenado sacerdote em 20 de setembro de 1969, em Bordeaux, onde foi pároco. Prestou serviço diplomático junto à Santa Sé em 1975; foi Secretário da Nunciatura na República Dominicana (1975-1978), Secretário da Nunciatura no Líbano (1979-1983); participou de missões especiais no Haiti (1984) e em Beirute e Damasco (1986); foi membro da delegação da Santa Sé na Conferência sobre Segurança e Cooperação Europeia, na Conferência sobre o Desarmamento, em Estocolmo, Suécia, e no Fórum Cultural em Budapeste, Hungria.

Ao ser nomeado arcebispo foi Secretário da Secretaria de Estado para as Relações com os Estados (1990) e Secretário da Congregação para os Bispos.

O Cardeal Tauran foi criado Cardeal no Consistório de 2003; Arquivista e Bibliotecário da Santa Igreja Romana (2003- 2007); participou, como representante do Papa, na inauguração do novo Museu do Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém, em 2005.

O Cardeal Jean-Louis Tauran tomou parte da X Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (2005), e da XII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (2008).

Foi Enviado especial do Papa na conclusão do Ano Paulino (2009), na Turquia; participou da II Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos (2009), e da II Assembleia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos (2010); recebeu o Doutorado honoris causa no Instituto Católico de Paris.

Confirmado pelo Papa Bento XVI como Cardeal protodiácono no Consistório de 2011 e confirmado, por cinco anos, como Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso.

Como Cardeal-protodiácono, anunciou ao mundo a eleição do novo Papa, Jorge Maria Bergoglio, após o Conclave de 2013; impôs o pálio sagrado sobre o Papa Francisco, no início do seu ministério petrino, em 19 de março de 2013.

Em junho de 2013, o Santo Padre o nomeou membro da Pontifícia Comissão do Instituto para as Obras de Religião (Banco do Vaticano) e confirmado como membro da Congregação para os Bispos em 16 de dezembro de 2013.

Em 20 de dezembro de 2014, o Papa Francisco confirmou o Cardeal Jean-Louis Tauran como Camerlengo da Santa Igreja Romana.

Com a morte do Cardeal Jean-Louis Tauran o Colégio Cardinalício fica composto de 225 Cardeais, dos quais 124 eleitores (em un eventual Conclave) e 101 não eleitores.

A dignidade do trabalho

Francisco sempre coloca sua voz em defesa dos trabalhadores e de sua dignidade. No nosso mundo globalizado tudo está sendo redefinido, começando pelo conceito de trabalho.

No último dia 29 de junho, Solenidade de São Pedro e São Paulo, o Papa Francisco, durante a sua homilia na Santa Missa celebrada na Praça São Pedro com os novos cardeais (14) criados no dia anterior e com 30 arcebispos que receberam o Pálio Sagrado, advertiu todos nós, membros da Igreja, para a tentação de mantermos sempre “uma distância” do sofrimento dos outros.

“Não são poucas as vezes que sentimos a tentação de sermos cristãos mantendo distância prudente das chagas do Senhor. Jesus toca a miséria humana, convidando-nos a estar com ele a tocar a carne sofredora dos outros”, disse.

Francisco assinalou que “confessar a fé com nossos lábios e com nossos corações requer identificar os segredos do maligno” no mundo. Mas também “aprender a discernir e descobrir aqueles abrigos pessoais ou comunitários que nos mantêm distantes do nó da tempestade humana” e que impedem “entrar em contato com a existência concreta dos outros”.

O Evangelho é a inspiração de Francisco

A verdadeira inspiração de Francisco é o Evangelho e é a partir desta perspectiva que Francisco olha para os problemas sociais de hoje, para as vítimas da cultura do desperdício, como os jovens e os idosos, os migrantes, os desempregados.

E sobre esse último tema – desemprego – nos dias passados foi a apresentado o livro “O trabalho é dignidade”, publicado pela Editora italiana Ediesse e realizado por Giacomo Costa e Paolo Foglizzo. Um livro onde os dois autores fazem uma coletânea e comentam os pronunciamentos mais significativos do Papa Francisco sobre o tema do trabalho.

Voltando à homilia de Francisco na Solenidade dos Santos Pedro e Paulo onde ele toca a tecla de sentirmos a tentação, como cristãos, de manter distância prudente das feridas de Cristo, de tocar a miséria humana,  nos aproximamos do grande tema que está no coração do Papa, a dignidade do trabalho, que há muitos homens e mulheres causa sofrimento.

A voz de quem não tem voz

Francisco sempre coloca sua voz em defesa dos trabalhadores e de sua dignidade. No nosso mundo globalizado tudo está sendo redefinido, começando pelo conceito de trabalho, que para o Papa, precisamente, é um fator de dignidade.

Muitas vezes o trabalho é interpretado unicamente como uma necessidade econômica, portanto, como uma ferramenta para obter uma renda que então permita consumir. Francisco lembra que o trabalho é muito mais. O trabalho é, acima de tudo, um âmbito em que a pessoa pode se tornar mais pessoa. A pessoa experimenta a sua criatividade, experimenta os laços que a unem aos outros. É por isso que o trabalho é uma experiência humana fundamental e é por isso que o Papa diz: “atenção, não podemos imaginar resolver o problema simplesmente garantindo uma renda também àqueles que não trabalham, porque faltaria a eles uma parte fundamental da experiência humana”.

A falta de trabalho é um nó na existência do homem e da mulher. O mal das nossas sociedades é tanto a exploração dos recursos quanto a exploração das pessoas. É a “cultura do desperdício” sobre a qual o Papa insiste, propondo, em oposição a ela, a globalização da solidariedade.

Diálogo, conceito essencial

Segundo um dos autores do livro sobre o Papa e o trabalho, “estamos no mundo da indústria 4.0, estamos no mundo da globalização: precisamos entender novamente o que significa justiça, bem-estar, trabalho digno”. Para fazer isso, e esta é a lição do Papa,  precisamos que todos digam como as coisas são vistas do seu ponto de vista, precisamos do ponto de vista de todos.

Francisco quando fala do trabalho fala com os trabalhadores, mas também com empresários e proprietários de empresas. Não teme o confronto porque pensa que, assumindo as responsabilidades, é possível alcançar um bem maior. Neste universo o fio condutor para buscar uma solução aos dilemas é o diálogo. Para Francisco o diálogo é um conceito essencial.

Silvonei José – Vatican News

Angelus: a falta de fé é um obstáculo à graça de Deus

Na alocução que precedeu a oração mariana do Angelus no domingo, 08 de julho, o Papa Francisco falou do “escândalo da encarnação”.

Devemos nos esforçar para abrir o coração e a mente, para acolher a realidade divina que vem ao nosso encontro: este foi o convite que o Papa Francisco fez este domingo (08/07) ao rezar com os fiéis e peregrinos na Praça S. Pedro a oração do Angelus.

Um profeta só não é estimado em sua pátria

Em sua alocução, o Pontífice comentou o Evangelho do dia, em que Jesus volta a Nazaré e começa a ensinar na sinagoga.

Desde que havia ido embora e iniciado a pregar nos povoados e nos vilarejos das redondezas, não tinha mais regressado à sua pátria. Portanto, toda a cidadezinha se reuniu para ouvir Jesus.

Mas aquilo que se anunciava um sucesso, se transformou numa “clamorosa rejeição”, a ponto que Jesus não pôde realizar nenhum milagre, mas somente curar alguns doentes.

Jesus utiliza uma expressão que se tornou proverbial: “Um profeta só não é estimado em sua pátria”.

Escândalo da encarnação

O Papa explica essa transformação dos habitantes de Nazaré porque eles fazem uma comparação entre a humilde origem de Jesus e as suas capacidades atuais: de um carpinteiro semestudos, se torna um pregador melhor que os escribas. E ao invés de se abrirem à realidade, se escandalizam.

“ É o escândalo da encarnação: o evento desconcertante de um Deus feito carne, que pensa com a mente de um homem, trabalha e atua com as mãos de um homem, ama com coração de homem, um Deus que fadiga, come e dorme como um de nós. ”

O Filho de Deus, prosseguiu o Papa, inverte todo esquema humano: não são os discípulos que lavam os pés ao Senhor, mas é o Senhor que lava os pés aos discípulos. “Este é um motivo de escândalo e de incredulidade em todas as épocas, inclusive hoje.”

Ter fé

A inversão provocada por Jesus implica aos seus discípulos de ontem e de hoje analisar a vida pessoal e comunitária. O Senhor nos convida a assumir uma atitude de escuta humilde e de espera dócil, porque a graça de Deus com frequência se apresenta a nós de maneira surpreendente, que não corresponde às nossas expectativas. E citou como exemplo Madre Teresa de Calcutá, que “revolucionou a caridade na Igreja”.

“ Deus não se conforma aos preconceitos. Devemos nos esforçar para abrir o coração e a mente, para acolher a realidade divina que vem ao nosso encontro. Trata-se de ter fé: a falta de fé é um obstáculo à graça de Deus. ”

Muitos batizados, afirma Francisco, vivem como se Cristo não existisse: repetem-se os gestos e os sinais da fé, mas a eles não corresponde uma real adesão à pessoa de Jesus e ao seu Evangelho.

Vida coerente

Ao invés, todo cristão é chamado a aprofundar esta pertença fundamental, buscando testemunhá-la com uma conduta de vida coerente, cujo fio condutor é a caridade.

“Peçamos ao Senhor, por intercessão da Virgem Maria, que dissolva a dureza dos corações e a limitação da mente, para que estejamos abertos à sua graça, à sua verdade e à sua missão de bondade e de misericórdia, que é endereçada a todos, sem qualquer exclusão.”

Bianca Fraccalvieri – Vatican News 

Papa: o cristão reza pelo seu inimigo e o ama

“A oração mafiosa é: ‘Você me paga’. A oração cristã é: ‘Senhor, dê-lhe a sua bênção e ensine-me a amá-lo’. Pensemos num inimigo: todos temos um. Pensemos nele. Rezemos por ele. Peçamos ao Senhor a graça de amá-lo”, disse o Papa na homilia.

O perdão, a oração e o amor por que quem nos quer destruir, pelo nosso inimigo. Assim foi a homilia do Papa Francisco na missa celebrada na capela da Casa Santa Marta esta terça-feira (19/06).

Comentando o trecho proposto pela Leitura do dia, extraído do Evangelho de Mateus, o Papa admitiu a dificuldade humana em seguir o modelo do nosso Pai celeste e propôs novamente o desafio do cristão, isto é, de pedir ao Senhor a “graça” de saber “abençoar os nossos inimigos” e nos comprometer a amá-los.

Perdoar para ser perdoados

“Nós sabemos que devemos perdoar os nossos inimigos”, afirmou o Papa, nós dizemos isso todos os dias no Pai-Nosso. Pedimos perdão assim como nós perdoamos: é uma condição…”, embora não seja fácil. Assim como “rezar pelos outros”, por aqueles que nos dão problemas, que nos colocam à prova: também isto é difícil, mas o fazemos. Ou pelo menos muitas vezes conseguimos fazê-lo “:

Mas rezar por aqueles que querem me destruir, os inimigos, para que Deus os abençoe: isso é realmente difícil de entender. Pensemos no século passado, os pobres cristãos russos que somente pelo fato de serem cristãos eram enviados para a Sibéria para morrer de frio: e eles deveriam rezar pelo governante carrasco que os enviava ali? Mas como é possível? E muitos o fizeram: rezaram. Pensemos em Auschwitz e em outros campos de concentração: eles deveriam rezar por este ditador que queria a raça pura e matava sem escrúpulo, e rezar para que Deus os abençoasse! E muitos fizeram isso.

Aprender com a lógica de Jesus e dos mártires

É a difícil lógica de Jesus, que no Evangelho está contida na oração e na justificação daqueles que “o mataram” na cruz: “perdoa-os Pai, porque não sabem o que fazem”. Jesus pede perdão para eles, recordou o Papa, assim como fez como Santo Estevão no momento do martírio:

Mas quanta distância, uma infinita distância entre nós que muitas vezes não perdoamos pequenas coisas, e isso que nos pede o Senhor e de qual sempre nos deu exemplo: perdoar aqueles que tentam nos destruir. Nas famílias, às vezes, é muito difícil perdoarem-se os cônjuges depois de alguma briga, ou perdoar a sogra também: não é fácil. O filho pedir perdão ao pai é difícil. Mas perdoar os que o estão matando, que querem eliminá-lo … Não somente perdoar: rezar por eles, para que Deus os proteja! E mais: amá-los. Somente a palavra de Jesus pode explicar isso. Eu não consigo ir além.

Pedir a graça de ser perfeito como o Pai

Portanto, destacou Francisco, é a graça de pedir para entender algo deste mistério cristão e ser perfeitos como o Pai, que dá todos os seus bens aos bons e aos maus. O Papa concluiu afirmando que nos fará bem pensar nos nossos inimigos, pois todos nós temos algum:

Hoje, nos fará bem pensar num inimigo – creio que todos nós temos um -, alguém que nos fez mal ou que nos quer fazer mal ou tenta nos prejudicar: pensar nesta pessoa. A oração mafiosa é: “Você me paga”. A oração cristã é: “Senhor, dê-lhe a sua bênção e ensine-me a amá-lo”. Pensemos num inimigo: todos temos um. Pensemos nele. Rezemos por ele. Peçamos ao Senhor a graça de amá-lo.

Gabriella Ceraso – Vatican News

A informação em primeiro lugar! Evangelizar é preciso!

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