Papa: o cristão reza pelo seu inimigo e o ama

“A oração mafiosa é: ‘Você me paga’. A oração cristã é: ‘Senhor, dê-lhe a sua bênção e ensine-me a amá-lo’. Pensemos num inimigo: todos temos um. Pensemos nele. Rezemos por ele. Peçamos ao Senhor a graça de amá-lo”, disse o Papa na homilia.

O perdão, a oração e o amor por que quem nos quer destruir, pelo nosso inimigo. Assim foi a homilia do Papa Francisco na missa celebrada na capela da Casa Santa Marta esta terça-feira (19/06).

Comentando o trecho proposto pela Leitura do dia, extraído do Evangelho de Mateus, o Papa admitiu a dificuldade humana em seguir o modelo do nosso Pai celeste e propôs novamente o desafio do cristão, isto é, de pedir ao Senhor a “graça” de saber “abençoar os nossos inimigos” e nos comprometer a amá-los.

Perdoar para ser perdoados

“Nós sabemos que devemos perdoar os nossos inimigos”, afirmou o Papa, nós dizemos isso todos os dias no Pai-Nosso. Pedimos perdão assim como nós perdoamos: é uma condição…”, embora não seja fácil. Assim como “rezar pelos outros”, por aqueles que nos dão problemas, que nos colocam à prova: também isto é difícil, mas o fazemos. Ou pelo menos muitas vezes conseguimos fazê-lo “:

Mas rezar por aqueles que querem me destruir, os inimigos, para que Deus os abençoe: isso é realmente difícil de entender. Pensemos no século passado, os pobres cristãos russos que somente pelo fato de serem cristãos eram enviados para a Sibéria para morrer de frio: e eles deveriam rezar pelo governante carrasco que os enviava ali? Mas como é possível? E muitos o fizeram: rezaram. Pensemos em Auschwitz e em outros campos de concentração: eles deveriam rezar por este ditador que queria a raça pura e matava sem escrúpulo, e rezar para que Deus os abençoasse! E muitos fizeram isso.

Aprender com a lógica de Jesus e dos mártires

É a difícil lógica de Jesus, que no Evangelho está contida na oração e na justificação daqueles que “o mataram” na cruz: “perdoa-os Pai, porque não sabem o que fazem”. Jesus pede perdão para eles, recordou o Papa, assim como fez como Santo Estevão no momento do martírio:

Mas quanta distância, uma infinita distância entre nós que muitas vezes não perdoamos pequenas coisas, e isso que nos pede o Senhor e de qual sempre nos deu exemplo: perdoar aqueles que tentam nos destruir. Nas famílias, às vezes, é muito difícil perdoarem-se os cônjuges depois de alguma briga, ou perdoar a sogra também: não é fácil. O filho pedir perdão ao pai é difícil. Mas perdoar os que o estão matando, que querem eliminá-lo … Não somente perdoar: rezar por eles, para que Deus os proteja! E mais: amá-los. Somente a palavra de Jesus pode explicar isso. Eu não consigo ir além.

Pedir a graça de ser perfeito como o Pai

Portanto, destacou Francisco, é a graça de pedir para entender algo deste mistério cristão e ser perfeitos como o Pai, que dá todos os seus bens aos bons e aos maus. O Papa concluiu afirmando que nos fará bem pensar nos nossos inimigos, pois todos nós temos algum:

Hoje, nos fará bem pensar num inimigo – creio que todos nós temos um -, alguém que nos fez mal ou que nos quer fazer mal ou tenta nos prejudicar: pensar nesta pessoa. A oração mafiosa é: “Você me paga”. A oração cristã é: “Senhor, dê-lhe a sua bênção e ensine-me a amá-lo”. Pensemos num inimigo: todos temos um. Pensemos nele. Rezemos por ele. Peçamos ao Senhor a graça de amá-lo.

Gabriella Ceraso – Vatican News
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Lutero, o urubu que se achava o “cisne” da suposta profecia de Huss

Há um fenômeno interessante no meio protestante: eles minimizam a importância da Sagrada Tradição, mas botam a mão no fogo por todo tipo de supostas profecias originadas em seu meio.

Uma das “prufissias” mais caras aos filhos de Lutero e Calvino é a que conta que, diante da estaca em que seria queimado na fogueira, o herege Jan Huss teria dito: “Hoje vocês assarão um ganso (o nome “Huss” significa “ganso”), mas daqui a cem anos Deus enviará um cisne que vocês não conseguirão assar”. E o tal cisne seria Martinho Lutero – um bebum roliço que em nada se assemelhava a tão graciosa criatura, nem no corpo, nem no espírito.

Lutero, na verdade, poderia muito bem ser comparado a outra ave: o urubu. Ele se alimentou da doutrina podre de seus predecessores Wiclyfe e Jan Huss, como um urubu se alimenta da carniça.

Alguns protestantes ficaram pistola com uma postagem nossa fanpage em que afirmamos que essa história não passa de MITO. Na pretensão de nos refutarem, os afoitos vieram com uma suposta “fonte primária”: uma carta de Poggio o Papista, um católico ilustre que teria sido testemunha ocular da morte de Huss.

Só tem um problema com essa “fonte primária” de Poggio: ELA É FALSA. O Dr. Matthew Spinka, historiador respeitável, em um artigo publicado no site de da Universidade de Cambridge, explica:

This delightfull story is unfortunalely a none too clever forgery.”

Tradução: “Essa história deliciosa, infelizmente, é uma falsificação não muito inteligente.”

Outra forte evidência contra a tal “prufissia” do cisne: Peter de Mladoňovice, que tinha Huss como mestre, não cita em nenhum momento esse blá blá blá de cisne. Peter foi testemunha ocular de sua morte, e a descreveu em detalhes.

O nosso leitor Thiago Cruz também descobriu que um PASTOR PRESBITERIANO do século XIX, David Schley Schaff, escreveu um livro explicando os motivos do porquê a carta de Poggius sobre a morte de Huss é uma falsificação. Esta informação está no “appendix II” do livro “John Huss: his life, teachings and death, after five hundred years”. Este livro está disponível gratuitamente na internet (veja aqui).

Para enterrar a questão de vez com uma pá de cal, apresento a seguir uma investigação brilhante e minuciosa do meu amigo Rodrigo Figueiroa (que NÃO é católico).

A “PROFECIA DE HUSS” INVESTIGADA

Por: Rodrigo Figueiroa

A história é que Poggius Bracciolini, secretário do anti-papa João XXIII, teria escrito duas cartas para seu amigo Leonhard Nikolai onde relatava os últimos dias de prisão de Jan Huss, o herege. Poggius teria ido visitar Huss na esperança de que ele se redimisse. Na segunda Carta, Poggius cita a “profecia do cisne”.

Mas acontece que essas cartas não existem no original e só aparecem numa tradução muito tardiamente – em alemão, em 1840. Eu então procurei saber de onde poderia ter surgido essa história de cisne e o que, de fato, Huss disse – se é que disse algo. E, afinal, o que Lutero sabia disso?

Lutero acreditava que a profecia do cisne se referia a ele, mas ele diz:

São John Huss profetizou sobre mim quando ele escreveu de sua prisão em Bohemia, “eles assarão um ganso agora, mas depois de cem anos ouvirão um cisne cantar, e terão que suportá-lo”. (Commentary on the Alleged Imperial Edict, 1531)

Opa… Escreveu da prisão?! Isso significa que a versão que Lutero conhecia da profecia é DIFERENTE da versão contada pelo “testemunho” do papista Poggius o Florentino, que diz que Huss profetizou durante sua execução, e não da prisão.

Isso também difere do “testemunho” de John Foxe citado muitas vezes em 1500s, que fala da profecia na execução, e também menciona um cisne. O depoimento de Foxe de que o brasão de Lutero tinha um cisne é questionável; não existe nenhuma representação contemporânea.

O fato é que Lutero nasceu em Eisleban, onde o brasão mostra um par de asas brancas. Daí a dizer que é um cisne é meio forçado. John Foxe, aliás, não é testemunha nenhuma; ele é um martirologista puritano que reuniu histórias de mártires da Reforma.

O que temos de Huss são cartas de prisão, como Lutero diz. Nas cartas Huss realmente fazia muitas analogias a si mesmo com o trocadilho “ganso”: diz que o ganso estava preso na rede, mas que um dia “outros pássaros, que pela Palavra de Deus e por suas vidas voarão para lugares mais altos, vão despedaçar suas redes” (Carta de Huss de Outubro de 1412). Huss fala de outros futuros reformadores e os compara com pássaros, mas não um cisne especificamente.

E há uma carta escrita por um companheiro de Huss informando os fiéis sobre a situação de seu líder, que conclui o seguinte:

Escrito em Constance no sábado antes de Martinmas. O Ganso ainda não está cozido, e não tem medo de ser cozido, porque este ano a véspera de St. Martin cai no sábado, quando os gansos não são comidos! (John Cardinalis, 10 de novembro de 1414)

Isso é intrigante, porque mostra que Huss e seus amigos já estavam pensando em termos de “o ganso sendo cozido”, assim como dito mais tarde na profecia. Então essas analogias já existiam em correspondência.

O dito testemunho de fonte primária não é nada primário – a menos que alguém apresente o manuscrito original da carta de Poggius para Leonhard Nikolais em italiano ou latim. Porque a única fonte que temos destas cartas são as traduções para alemão e inglês feitas por uma suposta Beda von Berchem em 1930. Isso significa que durante a época de Lutero, a sua fonte para a profecia NÃO era o testemunho de Poggius.

Beda von Berchem usou duas cartas de Poggius e escreveu o livro “O Julgamento de Huss, por Fra. Poggius, o Papista”. Na suposta carta, Poggius diz que no momento em que a fogueira foi acesa, Huss teria dito:

Então ele cantou em verso, com uma voz exultante, como o salmista no trigésimo primeiro salmo, lendo de um papel em suas mãos:

Em ti, ó Senhor, eu ponho minha confiança,
Inclina o teu ouvido para mim.

Com essas orações cristãs, Hus chegou à fogueira, olhando sem medo. Ele subiu em cima dela, depois que dois ajudantes do carrasco rasgaram suas roupas dele e o vestiram em uma camisa encharcada de piche. (…) Os carrascos agarraram cordas umedecidas, amarraram as mãos e os pés da vítima para trás à estaca, espremeram lã encharcada de óleo entre seus membros e a estaca e esvaziaram tanto óleo sobre sua cabeça que escorreram de sua barba e ouviram sua oração: “Senhor Zebaoth! Tome este pecado deles!”.

Ludewig subiu e rezou com fervor para que Hus renunciasse, para que pudesse ser poupado de uma morte nas chamas. Mas Hus respondeu: “Hoje você vai assar um ganso magro, mas daqui a cem anos você ouvirá um cisne cantar, a quem você deixará livre e nenhuma armadilha ou rede o pegará para você.”

Bem, acontece que sabemos da boca do próprio Lutero que ele conhecia a profecia como dita através das CARTAS DE HUSS NA PRISÃO, e não do testemunho de outras pessoas. Inclusive porque essa passagem profética NÃO ESTÁ nos autos do julgamento, e não é mencionada por uma testemunha ocular da época, cujas cartas – essas sim – eram conhecidas na época de Lutero: Peter de Mladonovic:

Relatório de testemunha ocular do site do evento 
Como foi executado Jan Hus 
Peter de Mladonovic: desenrolar da paixão do mestre Jan Hus

Peter de Mladonovice (falecido em 1451), um escritor de primeira escolta de Hus Sir Jan de Chlum para Constance e lá ele aprendeu todos os detalhes do julgamento e execução de Hus. De suas primeiras notas foi logo criado a intenção de relatar todos os detalhes do amado Mestre, e assim compôs as relações em latim. Jan Hus que por seu alcance, e importância equivalente, pertence dentro da crônica. O próprio autor a chamou de “história”. No total, todo o trabalho tem cinco partes. O mais importante é a terceira e quinta parte, na qual a narração de Peter atinge um alto nível de crônica.

A quinta seção tornou-se de alguma forma independente e foi usada durante o culto nas feriados de Hus como Evangelho (cartas de Hus de Constança, em seguida, substituiu a epístola), primeiro em latim, mas muito em breve em checo. A tradução dessa parte, feita também por Peter (talvez já em 1417-1420) Tornou-se amplamente difundida em cópia e depois na impressão e tornou-se para o utrakvist tcheco uma espécie de contrapartida equivalente à narração bíblica sobre a crucificação de Cristo. A amostra aqui está mostrando a última rota de Huss da catedral do bispo, onde ele foi julgado por heresia, condenado pelo conselho e queimado na fogueira, morrendo heroicamente em 6 de julho de 1415 . Ele está sendo introduzido a partir da tradução do original em latim para o inglês (NY Columbia University Library…):

. . . mas antes disso eles colocaram em sua cabeça uma coroa de papel para a difamação, dizendo-lhe entre outras coisas: “Nós entregamos a sua alma ao diabo!” E ele, unindo as mãos e levantando os olhos para o céu, disse: “E eu entrego ao mais misericordioso Senhor Jesus Cristo por causa de mim, um miserável infeliz, tem uma coroa de espinhos muito mais pesada e dura. Sendo inocente, ele foi considerado merecedor da mais vergonhosa morte.Portanto, eu, um infeliz miserável e pecador, humildemente suportarei esta coroa muito mais leve, ainda que vilificante para o Seu nome e verdade “.

A coroa de papel era redonda de quase dezoito polegadas de altura, e nela foram mostrados três diabos horríveis prestes a apoderar-se de uma alma e a rasgar entre si com garras. A inscrição na coroa descrevendo sua culpa dizia: “Este é um heresiarca”.

Então o rei disse ao duque Ludwig, o filho do falecido Clem da Baviera, que então estava diante dele em suas vestes, segurando a esfera de ouro com a cruz em suas mãos: “Vá recebê-lo!” E o filho do dito Clem recebeu o Mestre, entregando-o nas mãos dos executores para ser levado à morte.

Quando foi coroado, ele foi então conduzido da referida igreja; eles estavam queimando seus livros naquela hora no cemitério da igreja. Quando, de passagem, ele viu, sorriu a esse ato. A caminho, na verdade, ele exortou os que estavam ao redor ou seguiu-o para não acreditar que ele morreria por causa de erros falsamente atribuídos a ele e deposto pelo falso testemunho de seus principais inimigos. De fato, quase todos os habitantes daquela cidade, carregando armas, o acompanharam até a morte.

E tendo chegado ao local da execução, ele, dobrando o joelho e esticando as mãos e voltando os olhos para o céu, cantou com devoção os salmos e particularmente: “Tem piedade de mim, Deus” e “Em Ti, Senhor, Eu confiei, “repetindo o verso” em Tuas mãos, Senhor “. Seus próprios amigos, que estavam ali, ouviram-no orando alegremente e com um semblante alegre.

O local da execução era entre os jardins de um certo prado, como se fosse de Constança em direção à fortaleza de Gottlieben, entre os portões e os fossos dos subúrbios da dita cidade. Alguns dos leigos que estavam em pé disseram: “Não sabemos o que ou como ele agiu e falou anteriormente, mas agora, na verdade, vemos e ouvimos que ele ora e fala com palavras sagradas”. E outros disseram: “Certamente seria bom que ele tivesse um confessor para ser ouvido”. Mas um certo padre em um terno verde com um forro de seda vermelho, sentado em um cavalo, disse: “Ele não deve ser ouvido, nem um confessor ser dado a ele, pois ele é um herege”.

Mas o padre John, enquanto ainda estava na prisão, confessara a um certo médico, um monge, e fora gentilmente ouvido e absolvido por ele, como ele mesmo declarou em uma das cartas a seus [amigos] da prisão. Quando ele estava orando, a coroa ofensiva já mencionada, pintada com três demônios, caiu de sua cabeça. Quando ele percebeu, ele sorriu. Alguns dos soldados contratados disseram: “Coloque-o novamente para que ele possa ser queimado junto com os demônios, seus senhores, a quem ele serviu na terra”.

E levantando-se à ordem do carrasco do lugar onde ele estava orando, ele disse em voz alta e clara, para que seus [amigos] pudessem claramente ouvi-lo: “Senhor Jesus Cristo, estou disposto a suportar com paciência e humildade esta morte terrível, ignominiosa e cruel para o Teu Evangelho e para a pregação do Mundo Tímido “. Então eles decidiram levá-lo entre os espectadores. Ele insistiu e implorou a eles que não acreditassem que, de qualquer forma, ele pregasse, pregasse ou ensinasse os artigos com os quais ele foi acusado por falsas testemunhas.

Depois de ter sido despojado de sua roupa, ele foi amarrado a uma estaca com cordas, as mãos amarradas às costas. E quando ele foi virado para o leste, alguns dos espectadores disseram: “que ele não fique em sintonia com o leste, porque ele é um herege; mas vire-o para o oeste”. Então isso foi feito.

Quando ele estava amarrado ao pescoço com uma corrente de fuligem, ele olhou para ele e, sorrindo, disse aos carrascos: “O Senhor Jesus Cristo, meu Redentor e Salvador, estava preso por uma corrente mais dura e pesada. E eu, um miserável desgraçado, não me envergonho de suportar ser ligado para o seu nome por este “. A estaca era como um espesso poste de meio pé de espessura, eles afiavam uma ponta dela e a fixavam no chão daquele prado. Eles colocam dois feixes de madeira sob a alimentação do Mestre. Quando amarrado a essa estaca, ele ainda estava com os sapatos e um grilhão nos pés. De fato, os ditos feixes de madeira, intercalados com palha, estavam empilhados ao redor de seu corpo, de modo que alcançassem seu queixo. Pois a madeira equivalia a dois vagões – ou cargas de carga.

Antes de ser aceso, o marechal imperial, Hoppe de Poppenheim, aproximou-se dele junto com o filho do falecido Clem, como foi dito, exortando-o a salvar sua vida por renunciar e retratar sua antiga pregação e ensino. Mas ele, olhando para o céu, respondeu em voz alta: “Deus é minha testemunha”, exclamou ele, “que as coisas que são falsamente atribuídas a mim e das quais as falsas testemunhas me acusaram, eu nunca ensinei ou preguei. Mas que a intenção principal da minha pregação e de todos os meus outros atos ou escritos era unicamente que eu poderia afastar os homens do pecado. ”E nessa verdade do Evangelho que eu escrevi, ensinei e preguei está de acordo com as declarações e exposições do doutores santos, estou disposto a morrer de bom grado hoje “.

E ouvindo isso, o dito marechal com o filho de Clem imediatamente bateu palmas e recuou.

Quando os carrascos acenderam imediatamente [o fogo], o Mestre imediatamente começou a cantar em voz alta, a princípio “Cristo, Filho do Deus, tem misericórdia de nós”, e em segundo lugar, Cristo, Tu filho do Deus, tem misericórdia de mim “, e em terceiro lugar,” Tu que és nascido de Maria, a Virgem “. E quando ele começou a cantar pela terceira vez, o vento soprou a chama em seu rosto. E assim orando dentro de si e movendo seu lábios e a cabeça, ele expirou no Senhor. Enquanto ele estava em silêncio, ele parecia se mover antes de realmente morrer por mais ou menos tempo que alguém pode rapidamente recitar “Pai Nosso” dois ou no máximo três vezes.

Quando a madeira desses feixes e cordas foi consumada, mas os restos do corpo ainda estavam nas correntes, penduradas pelo pescoço, os carrascos puxaram o corpo carbonizado junto com a estaca até o chão e os queimaram ainda mais, adicionando madeira de o terceiro vagão para o fogo. E andando por aí, eles quebraram os ossos com bastões para que eles fossem incinerados mais rapidamente.

E encontrando a cabeça, eles a partiram em pedaços com os porretes e novamente a jogaram no fogo. E quando eles encontraram seu coração entre os intestinos, eles afiaram um porrete como um espeto, e, empalando-o em sua extremidade, eles tomaram um cuidado especial para assá-lo e consumi-lo, perfurando-o com lanças até que finalmente toda a massa se transformou em cinzas.

E, por ordem do dito Clem e seu marechal, os carrascos jogaram a roupa no fogo junto com os sapatos, dizendo “Para que os tchecos não a considerassem como relíquias; nós lhe pagaremos por isso”. O que eles fizeram. Então eles carregaram todas as cinzas em uma carroça e jogaram no rio Reno fluindo nas proximidades.”

– Peter de Mladonovic, Paixão de Mestre Jan Huss, 1415 (Poslany sboru kostnickemu proti upaleni mistra Jana Husa)

Peter de Mladonovic, um fiel seguidor de Huss, descreve em detalhes a execução de seu mestre, e no mesmo momento citado por Poggius, quando o príncipe Ludowig se aproxima da fogueira e pede que Huss se arrependa. O discípulo anota as palavras do mestre, mas veja: NÃO CITA NENHUMA PROFECIA.

Por que os autos do julgamento e um seguidor empenhado em posterizar as últimas palavras de seu mestre não citam a profecia, e um funcionário católico de Roma cita quase um panegírico cheio de elogios em relação a um herege?

Por que ninguem usa a carta de Poggius como testemunho antes de sua tardia publicação em ingles e alemão?

Por que Lutero não sabe nada da profecia na execução, e sim a cita tendo origem em cartas de prisão?

Tudo indica forja e interpolação tardia. Do contrário, Peter de Mladonovic teria citado a profecia, a parte mais importante da execução, um fechamento épico! Mas não cita. Apenas essa tal Beda Von Berchem, que traduziu as cartas em 1930 para on inglês, cita tal coisa. E procurando sobre ela, vi que seus únicos trabalhos são papéis em 1936 sobre “A Reabilitação do Exército Sérvio em 1916”.

Não é por causa de Poggius que Lutero acreditou na profecia, nem por causa dele que vemos Lutero associado com cisnes. Foi o Historiador John Foxe, o mesmo que fez a associação do Brasão de Lutero com um cisne, que também relatou que Huss teria profetizado um cisne:

Quando as lápides foram empilhadas até o pescoço, o duque da Baviera foi tão discreto a ponto de desejar que ele fosse abjurado. “Não, (disse Huss;) eu nunca preguei nenhuma doutrina de tendência maligna; e o que ensinei com os meus lábios agora selo com o meu sangue. Ele então disse ao carrasco:“ Agora você vai queimar um ganso, (Huss significando ganso na língua boêmia 🙂 mas em um século você terá um Cisne que você não pode assar nem ferver.”

Foxe NÃO FOI testemunha do evento. O que temos aqui é que alguém, tardiamente, transformou Poggius em uma testemunha A PARTIR da descrição de Foxe; outra testemunha do evento, muito mais interessada e revelada anteriormente, não menciona profecia nenhuma!

Sem as cartas originais de Poggius, é bem possível supor que ele tenha sido mesmo testemunha dos eventos, mas as evidências de uma interpolação são muito grandes, não apenas por ser uma tradução tardia como destoa dos testemunhos anteriores, e se harmoniza com os de um historiador lutherano que não presenciou os eventos.

O que temos de fato sobre Huss e “profecias de pássaros”, são suas cartas da prisão, mas ele não cita nenhum pássaro em específico, tanto que a profecia citada por Lutero aparece sob outras formas, com outros tipos de ave.

O que fez Lutero se associar com Huss e suas profecias foi, na realidade, um sonho na noite anterior a 31 de outubro de 1517: o eleitor Frederico da Saxônia teve um sonho que foi registrado por seu irmão, o duque João. O sonho, em suma, é sobre um monge que escreveu na porta da igreja de Wittenberg com uma pena tão grande que chegava a Roma. Quanto mais as autoridades tentavam quebrar a pena, mais forte ela se tornava. Quando perguntado sobre como a pena ficava tão forte, o monge respondeu: “A pena pertencia a um velho ganso da Boêmia, com cem anos de idade.” Na mesma manhã, ele compartilhou seu sonho, e Martin Luther estava postando suas teses.

Lutero já se considerava um “seguidor” de Huss, e por isso nada de extraordinário que as pessoas tenham sonhado esta associação, prevendo que naquele dia o monge faria suas teses públicas. Mas a parte do “cisne” vem totalmente do próprio Lutero, que se coloca entre as muitas aves citadas nas cartas de Huss.

Por que Lutero se via como um cisne? Minha opinião é que isso tenha a ver sim com o famoso “sonho de Sócrates” e o cisne de Platão, um tema poético e bem conhecido. Mas fora minha opinião, vemos que Foxe já fazia a associação com as asas brancas no brasão de Lutero, apesar das asas não serem especificamente de um cisne, e foi Foxe quem colocou um cisne na boca de Huss.

Por incentivo do próprio Lutero, que se dizia o cisne profetizado de Huss, muitas imagens de Lutero ao lado de um cisne começaram a ser feitas.

Então eu mantenho: NÃO TEMOS TESTEMUNHOS PRIMÁRIOS QUE AFIRMEM QUE HUSS PROFETIZOU UM CISNE. O que temos é uma publicação tardia que DIZ ser um testemunho contemporâneo. Aqui temos todas as cartas de Jan Huss na prisão, e apesar dele fazer analogias com gansos e futuras aves não especificadas como mencionei acima, ele não cita nenhum cisne. Este site tcheco (veja aqui) mostra as cartas. Deve-se notar que nenhuma das cartas de Hus sobreviveu no original; são apenas descrições ou descrições de cópias que datam do século XVI.

Outra fonte que foi misturada às cartas de Huss e deram corpo à “profecia” de Foxe foi que numa carta datada de 5 de março de 1415, que Huss escreveu a John de Chlum, ele quer interpretar esse sonho:

Eu pensei que eles queriam destruir todas as pinturas de Cristo em Belém e de fato as destruíram. Eu me levantei no dia seguinte e vi muitos pintores, que faziam as fotos mais bonitas e maiores, e eu olhei para eles com alegria e os pintores disseram ao povo abundante: “Que os bispos e sacerdotes venham e os destruam!” Quando aconteceu, muitas pessoas se alegraram em Belém e eu com elas, e acordei imaginando que estava sorrindo.

Na carta seguinte a Peter de Mladoňovice, Huss menciona a interpretação do sonho acima mencionado, que ele recebeu de seus amigos quando ele escreve:

… a vida de Cristo, que eu atraí em Belém por sua palavra no coração dos homens, e que destruiriam em Belém, , para que não apareça nas capelas e Belém (proibição do Papa Alexandre de 20 de dezembro de 1409 ) , então que Belém deve ser comparada com a terra (decreto sobre a destruição da capela de 1412) que a vida de Cristo retratará melhor muitos pregadores melhores do que eu , para a alegria de um povo que ama a vida de Cristo – e eu me regozijarei nela … quando crescer, isto é, quando ressuscitar dos mortos ” . (Uma Mensagem do Mestre Jan Hus em Constança por Petra de Mladoňovice, publicado pela Charles University em 1965)

Ou seja, não tem nenhuma profecia. O tempo todo nas cartas ele fica falando que novos pregadores melhores que ele viriam.

E de onde Foxe tirou o cisne que quis tanto associar com Lutero, para dar suporte ao próprio Lutero se associando com o cisne de Huss? Jan Agricola, o precursor dos restauradores do mestre John Hus, foi em 1525 leu o manuscrito em latim sobre a execução de Huss por Peter de Mladoňovice que já vimos, na biblioteca do médico Paul Rockenbach. Ele então escreveu nos versos da tragédia Jan Hus. Um verso, em seguida, lê:

Você inocentemente cometeu uma peça traiçoeira, 
quando você assou os pobres gansos. 
Seu grito era repugnante para você. 
Eu te digo outros dias: 
De dia e de dia, 
Digo-te a voz dos profetas. 
O cisne branco será novamente ouvido 
uma música que o mundo todo ouvirá.

Lutero se achava um cisne e se colocou entre as muitas “aves” que Huss cita em suas cartas na prisão, que são a única fonte da qual Lutero conhece qualquer “profecia” de Huss. Variadas aves eram imaginadas – Ogden Kraut em “95 teses” (Genola, UT: Pioneer Publishers, 1975) menciona uma ÁGUIA. Foxe pegou a “profecia poema” de Jan Agrícola e colocou na boca de Huss, porque citava o Cisne de Lutero. Séculos depois, alguém publicando as cartas de Poggius o Florentino coloca a mesma profecia de Foxe na boca de um testemunho de um inimigo de Huss. O problema é que o mais leal seguidor de Huss, que registrou fielmente seus dizeres, não menciona nada a respeito. Porém esse testemunho, que é o mais importante e revelado mais antecipadamente, é ignorado. Isso mais do que prova que não teve profecia nenhuma.

E mais: um documento postado no site de Cambridge, da American Society Church History, diz que as Cartas de Poggius sobre a morte de Huss, traduzidas por Beda von Berchem, são falsas:

Uma forja não muito esperta. Consiste de duas cartas, supostamente escritas pelo humanista Poggio Bracciolini, um dos secretários da Cúria Romana no Concílio de Constancia, a um amigo. Elas realmente são um romanceamento histórico, uma diabrete contra o Papado. A verdadeira intenção de enganar está no titulo: o livro afirma ser a primeira tradução em ingles do original alemão publicado em 1523 e duas vezes reimpresso. A autenticidade desta obra é questionável desde que a primeira edição em Alemã é de fato de 1840.

Poggius Bracciolini, um prolífico escritor de cartas e colecionador de livros, tem muitas cartas sobreviventes no original, mas – adivinha! -, essa não se pode encontrar em lugar nenhum.

A dita profecia é uma montagem em cima de “disse que disse” não corroborado pela testemunha mais legítima, o hussita Peter de Mladoňovice; e o dito “testemunho de Poggius” é altamente suspeito, sem validade, em um texto que o autor começa a mentir já no título!

Artigo retirado do excelente e credenciado site O CATEQUISTA  O Catequista

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Reflexão para o XI Domingo do Tempo Comum

A liturgia deste domingo explora essa uma imagem muito bonita que compara a Igreja a uma grande árvore, alta e copada. Em seus galhos se aninham todo tipo de pássaros, pois nela se sentem seguros.

 

Existe uma imagem muito bonita que compara a Igreja a uma grande árvore, alta e copada. Em seus galhos se aninham todo tipo de pássaros, pois nela se sentem seguros.

A liturgia deste domingo explora essa imagem, começando por Ezequiel profetizando sobre um cedro que terá seu broto mais alto transplantado para uma alta montanha e se tornará uma árvore majestosa. No Evangelho, Marcos nos fala da mostarda como a maior das hortaliças e originada pela menor das sementes.

Ouça e compartilhe!

A profecia de Ezequiel quer amenizar a dor do povo, após uma gravíssima derrota em que o rei foi deportado, dizendo que o Senhor suscitará um herdeiro no estrangeiro que irá restaurar a monarquia em Israel com grandiosidade jamais vista. Acontece que os anos passam e essa restauração não acontece logo. Na verdade, nem Ezequiel tinha noção total do que profetizava. Ele falava de Jesus Cristo, a restauração do homem total através de sua ressurreição. Evidentemente, falava também de seu Corpo Místico, falava da Igreja!

O Evangelho de Marcos nos recorda a verdade de que a semente cresce sozinha, no silêncio e no escondimento e vira uma grande árvore. Também a Palavra de Deus semeada em nossa vida cresce silenciosamente e só perceberemos isso com a transformação de uma vida estéril ou mesmo mediana, em uma vida fecunda, plena de frutos que atraem e saciam todos.

Na Parábola, Jesus dá um recado: a semente do Reino cresce por si só. Não importa o tamanho da semente, do que foi semeado, importa a qualidade da semente, se ela aceita morrer e brotar como uma planta nova, proporcionando mais vida.

A Carta de São Paulo aos Coríntios nos ajuda a concluir a reflexão deste domingo. Ele nos fala de quando seremos transplantados para o céu, para morarmos juntos com o Senhor. “Caminhamos na fé e não na visão clara”, lemos em 2Cor 5,7. Enquanto não somos transplantados, deveremos trabalhar para que nossa vida seja bela e propensa a se tornar maravilhosa quando formos morar na glória do Pai. Naquele momento, poderemos dizer ao Senhor: “Você me deu a vida e, com a Redenção de Seu Filho, com a Sua Graça, pude vivê-la bem, mesmo nos sofrimentos e perseguições, e trazê-la alegremente como sinal de Sua Presença em meu caminhar”.

Assim, uma vida vivida na terra em união a Cristo só poderá ter um desfecho feliz ao ser transplantada para a Vida plena no seio da Trindade.

Padre César Augusto dos Santos

MENSAGEM DOS BISPOS DO REGIONAL LESTE 2 DA CNBB SOBRE AS ELEIÇÕES DE 2018

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Diplomação dos novos Cônegos da Catedral da Campanha/MG

O dia 13 de junho é marcado por expressões de grande piedade popular em Campanha. Santo Antônio é o titular da Catedral e os campanhenses sempre demonstram sua fé em um dos mais populares santos católicos. Os festejos tiveram início logo pela manhã e encerraram à tarde, na grande missa solene com bênção e distribuição dos pãezinhos de Santo Antônio.

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Às 10h, a missa foi presidida pelo bispo diocesano D. Pedro Cunha Cruz e concelebrada por um número significativo de padres de nossa diocese. Durante a celebração foram diplomados os novos cônegos do cabido diocesano. Muitas caravanas das diversas comunidades de nossa paróquia, sobretudo aquelas onde os cônegos atuam se fizeram presentes.

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Para a ocasião, Dom Pedro selecionou as leituras da missa do comum dos Doutores, que ressaltam a importância da sabedoria para a pregação do Evangelho de Cristo. Em sua homilia, o bispo iniciou ressaltando a devoção popular a Santo Antônio. “Em junho nós celebramos os santos mais populares da Piedade do Povo de Deus. Entre eles está Santo Antônio, que me traz à memória, tanto enquanto o padre e Bispo do Rio de Janeiro, a grande expressão de devoção do nosso povo. O santo tem um grande apelo popular não só no Brasil, mas também no mundo inteiro, talvez pela própria adequação da palavra de Deus em vida, com testemunho que ele deu para a história dos homens e da Igreja. Tendo sido este Santo mal interpretado, e muitas vezes foi até expulso da cidade por algumas pessoas que não compreendiam o significado da palavra de Deus. […] Santo Antônio foi o homem que teve uma sensibilidade para além do seu tempo.”

“O santo exortava continuamente a combater a cobiça e a praticar as virtudes da pobreza e da generosidade. Por isso quando nós falamos em Santo Antônio, pelo menos para mim, o que vem à minha mente é um homem de Deus, da caridade. Nós podemos ser homens de Deus, mas nem sempre temos a sensibilidade para sermos homens da caridade. Por isso ele recebe em muitos lugares o título de Santo Antônio dos Pobres, onde nós observamos a sua imagem com um pedaço de pão na mão, dando aos necessitados. Nós sabemos que ele nunca dava apenas o pão físico, associado a ele vinha a pregação da Palavra.”

Uma das principais características da vida de santo Antônio foi ressaltada por Dom Pedro durante a homilia: a sua pregação. “Santo Antônio é exemplo de um religioso santo que cumpre com solicitude o Ministério do anúncio e, ao mesmo tempo, a atualização da palavra de Deus no meio do seu povo. Aí nós temos a famosa língua de Santo Antônio, que é o que mais chama atenção dos devotos que vão a Pádua. Inclusive é uma disputa entre portugueses e italianos: é Santo Antônio de Lisboa ou Santo Antônio de Pádua? Mas independente disso é a língua que mais marca a vida do sacerdote consagrado. É o que ele fala, é o que ele prega. Nós vamos observar nos sermões de Santo Antônio que ele pede adequação entre a pregação e o próprio testemunho da vida.”

Ao final, Dom Pedro fez questão de dirigir uma palavra aos novos padres cônegos. “Gostaria de chamar atenção agora, a partir da beleza da solenidade, como Santo Antônio diz muito para o nosso ministério sacerdotal! Nós estamos agora para diplomar esses novos cônegos e não me cabe aqui, agora, rebuscar quantos cônegos marcaram nossa diocese da Campanha pelos trabalhos evangelizadores e, sobretudo, sociais nos diversos municípios. Deus mesmo coloca esses homens como instrumentos! Isso é muito bonito de ver dentro da nossa diocese: tantos padres que marcaram a vida do povo, da sua comunidade, seja na pregação da palavra, seja no testemunho do reino. É por isso que eu queria chamar atenção de nossos Cônegos: que eles entrassem um pouco nessa linha! Todo cargo, todo ministério, tudo é graça, tudo é dom de Deus! Cargos e títulos servem para nos colocarmos ainda mais a serviço. Muitos padres me perguntam: ‘como é a sua vida de bispo em relação à vida de um padre’? Eu sempre respondo: ‘é serviço! É mais serviço!” Esses cônegos vão ser colaboradores do bispo (…) Mas também eu peço que inspirados nesta solenidade local de Santo Antônio, nosso padroeiro, que ajudem não somente o Bispo, mas também os sacerdotes. Sobretudo os sacerdotes mais necessitados! […] Eu quero que eles façam uma coisa a mais: que eles ajudem os sacerdotes! Já é uma tarefa que eu vou dar a eles: eu quero que eles ajudem a organizar o Estatuto de nossa diocese junto com os dois padres que são coordenadores da pastoral presbiteral. Esse documento deve pensar no futuro: para que o padre possa ser assistido material e espiritualmente. Muitas vezes nossos irmãos sacerdotes se sentem um pouco na solidão, esquecidos. Gostaria de pedir muito isso! Pedido esse feito em público para que fique registrado na mente de todos que estão aqui participando! Cabido é cabide; é onde o Bispo pode se apoiar. Cabido significa isso: aquele que pode ser um amparo não só para o Bispo, mas para o irmão que necessita.”

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Logo após a homilia procedeu-se a diplomação dos novos cônegos. São eles: Pe. Bruno César Dias Graciano, pároco da paróquia São Lourenço Mártir (São Lourenço); Pe. Marcos Antônio Menezes Thomaz, pároco da paróquia N. Sra. da Saúde (Lambari); Pe. Sérgio Roberto Monteiro, reitor da Comunidade Teológica N. Sra. do Carmo (Pouso Alegre) e administrador paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Conceição (Itanhandu) e Pe. Wanderlei Procópio do Nascimento, pároco da paróquia de São José (Itamonte).

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Para a diplomação, os cônegos proclamaram publicamente sua fé, utilizando o símbolo Niceno-Constantinopolitano e fizeram o juramento de fidelidade. Dom Pedro concedeu indulgência plenária aos padres do cabido e, por fim, fez a imposição do barrete e bênção do anel dos novos cônegos.

O cabido ficou assim constituído: Arcediago – Côn. José Douglas Baroni; Arcipreste – Côn. Luzair Coelho de Abreu; Chantre – Côn. Marcos Antônio Menezes Thomaz e Tesoureiro-mor – Côn. Bruno César Dias Graciano.

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A parte musical da celebração ficou a cargo do magnífico reitor do seminário filosófico N. Sra. das Dores, Pe. Edson Pereira de Oliveira, que ensaiou e regeu o coral composto pelos seminaristas das duas casas de formação de Campanha (Propedêutico e Filosofia).

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Ao final da celebração, seguindo a tradição para o dia de Santo Antônio, D. Pedro abençoou os pães que os fiéis levaram e concedeu bênção solene com a relíquia do padroeiro da catedral.

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Texto: Flávio Maia

Fotos: Bruno Henrique

PasCom Paróquia Santo Antônio – Campanha/MG

 

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Papa: permanecer confiantes quando a esperança parece naufragar

“Hoje o Senhor nos exorta a uma atitude de fé que supera nossos projetos, os nossos cálculos, as nossas previsões. É um convite para nos abrirmos com mais generosidade aos planos de Deus, tanto a nível pessoal como comunitário”, disse o Papa Francisco em sua reflexão.

No Angelus deste XI Domingo do Tempo Comum, o Papa Francisco nos exortou à confiança e esperança:

“No Evangelho de hoje, Jesus fala à multidão do Reino de Deus e da dinâmica do seu crescimento, e faz isso contando duas breves parábolas.

Na primeira parábola o Reino de Deus é comparado ao crescimento misterioso da semente, que é jogada no chão e em seguida germina, cresce e produz a espiga, independentemente do cuidado do agricultor, que após a maturação, faz a colheita.

A mensagem que esta parábola nos dá é esta: por meio da pregação e a ação de Jesus, o Reino de Deus é anunciado, irrompe no campo do mundo e, como a semente, cresce e se desenvolve por si só, por força própria e segundo critérios humanamente não decifráveis.

Ele, em seu crescimento e brotação na história, não depende tanto da obra do homem, mas é acima de tudo expressão do poder e da bondade de Deus, da força do Espírito Santo que leva em frente a vida cristã no Povo de Deus.

Às vezes, a história, com seus acontecimentos e os seus protagonistas, parece ir na direção oposta ao plano do Pai celeste, que deseja para todos os seus filhos a justiça, a fraternidade, a paz. Mas nós somos chamados a viver esses períodos como estações de provação, de esperança e de espera vigilante da colheita.

De fato, ontem como hoje, o Reino de Deus cresce no mundo de maneira misteriosa, de maneira surpreendente, revelando o poder escondido da pequena semente, sua vitalidade vitoriosa. Dentro dos mistérios de acontecimentos pessoais e sociais que, por vezes, parecem marcar o naufrágio de esperança, devemos permanecer confiantes no agir humilde mas poderoso de Deus.

Por isto, nos momentos de escuridão e de dificuldades, nós não devemos nos abater, mas permanecer ancorados à fidelidade de Deus, em sua presença, que sempre salva. Recordem disto: Deus sempre salva, é o salvador.

Na segunda parábola (veja os versículos 30-32), Jesus compara o Reino de Deus a um grãozinho de mostarda. É uma semente muito pequena, mas se desenvolve tanto que se torna a maior de todas as plantas do jardim: um crescimento surpreendente e imprevisível. Não é fácil para nós entrar nesta lógica da imprevisibilidade de Deus e aceitá-la em nossas vidas.

Mas hoje o Senhor nos exorta a uma atitude de fé que supera nossos projetos, os nossos cálculos, as nossas previsões. Deus é sempre o Deus das surpresas. O Senhor sempre nos surpreende. É um convite para nos abrirmos com mais generosidade aos planos de Deus, tanto a nível pessoal como comunitário. Em nossas comunidades é preciso dar atenção às pequenas e grandes oportunidades de bem que o Senhor nos dá, deixando-nos envolver em sua dinâmica de amor, de acolhida e de misericórdia para com todos.

A autenticidade da missão da Igreja não é dada pelo sucesso ou pela gratificação dos resultados, mas pelo ir em frente com a coragem da confiança e o humilde abandono em Deus. Ir em frente na confissão de Jesus e com a força do Espírito Santo. É a consciência de ser instrumentos pequenos e fracos, que nas mãos de Deus e com a sua graça podem realizar grandes obras, fazendo progredir o seu Reino que é “justiça, paz e alegria no Espírito Santo”.

Que a Virgem Maria nos ajude a ser simples, a ser atentos, para colaborar com a nossa fé e com o nosso trabalho no crescimento do Reino de Deus nos corações e na história”.

Vatican News

Portal Terra de Santa Cruz 

Santo Antônio, doutor da Igreja, martelo dos hereges.

Santo Antônio, doutor da Igreja, martelo dos hereges, arca do testamento, o santo de todo o mundo.

Santo Antônio levou uma vida itinerante na santa pobreza

Neste dia, celebramos a memória do popular santo – doutor da Igreja – que nasceu em Lisboa, no ano de 1195, e morreu nas vizinhanças da cidade de Pádua, na Itália, em 1231, por isso é conhecido como Santo Antônio de Lisboa ou de Pádua. O nome de batismo dele era Fernando de Bulhões y Taveira de Azevedo.

Ainda jovem pertenceu à Ordem dos Cônegos Regulares, tanto que pôde estudar Filosofia e Teologia, em Coimbra, até ser ordenado sacerdote. Não encontrou dificuldade nos estudos, porque era de inteligência e memória formidáveis, acompanhadas por grande zelo apostólico e santidade. Aconteceu que em Portugal, onde estava, Antônio conheceu a família dos Franciscanos, que não só o encantou pelo testemunho dos mártires em Marrocos, como também o arrastou para a vida itinerante na santa pobreza, uma vez que também queria testemunhar Jesus com todas as forças.

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Ao ir para Marrocos, Antônio ficou tão doente que teve de voltar, mas providencialmente foi ao encontro do “Pobre de Assis”, o qual lhe autorizou a ensinar aos frades as ciências que não atrapalhassem os irmãos de viverem o Santo Evangelho. Neste sentido, Santo Antônio não fez muito, pois seu maior destaque foi na vivência e pregação do Evangelho, o que era confirmado por muitos milagres, além de auxiliar no combate à Seita dos Cátaros e Albigenses, os quais isoladamente viviam uma falsa doutrina e pobreza. Santo Antônio serviu sua família franciscana através da ocupação de altos cargos de serviço na Ordem, isto até morrer com 36 anos para esta vida e entrar para a Vida Eterna.

Santo Antônio, rogai por nós!

Sagrado Coração: hoje é a festa do amor de Deus, diz o Papa

No dia em que a Igreja celebra a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, o Papa Francisco iniciou a sua homilia na Casa Santa Marta afirmando que se poderia dizer que hoje é a festa do amor de Deus.

“Não somos nós que amamos Deus, mas é Ele que “nos amou por primeiro, Ele é o primeiro a amar”, disse o Papa. Uma verdade que os profetas explicavam com o símbolo da flor de amêndoa, o primeiro a florescer na primavera. “Deus é assim: sempre por primeiro. Ele nos espera por primeiro, nos ama por primeiro, nos ajuda por primeiro”.

Mas não é fácil entender o amor de Deus. De fato, Paulo, na segunda Leitura do dia, fala de ‘impenetráveis riquezas de Cristo’, de um mistério escondido.

É um amor que não se pode entender. O amor de Cristo que supera todo conhecimento. Supera tudo. Tão grande é o amor de Deus. E um poeta dizia que era como “o mar, sem margens, sem fundo …”: mas um mar sem limites. E este é o amor que nós devemos entender, o amor que nós recebemos.

Na história da salvação, o Senhor nos revelou o seu amor, “foi um grande pedagogo”, disse o Papa e, relendo as palavras do profeta Oséias, explica que não o revelou através da potência: “Não. Vamos ouvir: ‘Eu ensinei meu povo a dar os primeiros passos, tomei-o em meus braços, eu cuidava dele’. Tomar nos braços, próximo: como um pai”.

Como Deus manifesta o amor? Com as grandes coisas? Não: se rebaixa, se rebaixa, se rebaixa com esses gestos de ternura, de bondade. Faz-se pequeno. Aproxima-Se. E com esta proximidade, com este rebaixamento, Ele nos faz entender a grandeza do amor. O grande deve ser entendido por meio do pequeno.

Por último, Deus envia o seu Filho, mas “o envia em carne” e o Filho “humilhou a si mesmo” até a morte. Este é o mistério do amor de Deus: a grandeza maior expressa na menor das pequenezas. Para Francisco, assim se pode entender também o percurso cristão.

Quando Jesus nos quer ensinar como deve ser a atitude cristã, nos diz poucas coisas, nos faz ver aquele famoso protocolo sobre o qual todos nós seremos julgados (Mateus 25). E o que diz? Não diz: “Eu creio que Deus seja assim. Entendi o amor de Deus”. Não, não… Eu fiz o amor de Deus em pequenas coisas. Dei de comer ao faminto, dei de beber ao sedento, visitei o doente, o detento. As obras de misericórdia são justamente a estrada do amor que Jesus nos ensina em continuidade com este amor de Deus, grande! Com este amor sem limites, que se aniquilou, se humilhou em Jesus Cristo; e nós devemos expressá-lo assim.

Portanto, concluiu o Papa, não são necessários grandes discursos sobre o amor, mas homens e mulheres “que saibam fazer essas pequenas coisas por Jesus, para o Pai”. As obras de misericórdia “são a continuidade deste amor, que se rebaixa, chega a nós e nós o levamos avante”.

Adriana Masotti – Vatican News 

Tempo Comum: o domingo, dia do Senhor e alegria dos cristãos.

Não tenhais medo de dar vosso tempo a Cristo!» Este conselho de São João Paulo II se refere principalmente ao domingo, dia de descanso em família e dia de adorar a Deus. Novo editorial da série sobre o ano litúrgico.

O domingo é um dia especial da semana. Tira-nos da rotina do dia a dia, que, às vezes, faz com que as jornadas se apresentem bem parecidas. Durante o domingo podemos realizar atividades muito diferentes. No entanto, há algo decisivo neste dia. Ele é um dom de Deus para que possamos relacionar-nos com Ele, para celebrar com Ele o acontecimento que nos introduziu numa nova vida: a Sua ressurreição.

São João Paulo II nos convidou a redescobrir o domingo como um tempo especial para Deus: «Não tenhais medo de dar vosso tempo a Cristo! Sim, abramos nosso tempo a Cristo para que Ele possa iluminá-lo e dirigi-lo. É Ele quem conhece o segredo do tempo e o segredo da eternidade, e nos entrega “seu dia” como um dom sempre novo de seu amor.

Com razão, este dia pode ser chamado de «Páscoa da semana. Sua celebração dá relevo aos outros seis dias. O domingo é o fundamento e o núcleo de todo o ano litúrgico.
Por isso, os Romanos Pontífices sempre insistiram na importância de cuidar sua celebração: «todos os domingos vamos à Missa, porque é precisamente o dia da ressurreição do Senhor. Por isso o domingo é tão importante para nós.

Santificado pela Eucaristia

Desde o início do cristianismo, o domingo recebe um significado especial: «A Igreja, por uma tradição apostólica, que tem sua origem no mesmo dia da Ressurreição de Cristo, celebra o mistério pascal a cada oito dias, no dia que é chamado com razão o “dia do Senhor” ou domingo.

É um dia em que o Senhor fala especialmente a seu Povo: «num domingo, fui arrebatado em êxtase, e ouvi, por trás de mim, uma voz forte como de trombeta, diz o vidente do Apocalipse. É um dia em que os cristãos se reúnem «para a fração do pão, segundo recolhe o livro dos Atos dos Apóstolos, referindo-se à comunidade de Trôade. Celebrando juntos a Eucaristia, os fieis se uniam à Paixão salvadora de Cristo e cumpriam aquele mandato de conservar este memorial, que entregariam às sucessivas gerações de cristãos como um precioso tesouro: «Ego enim accepi a Domino, quod et tradidi vobis… Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: na noite em que ia ser entregue, o Senhor Jesus tomou o pão», dizia São Paulo aos de Corinto: «de fato, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que ele venha.

A carta apologética de São Justino mártir ao imperador romano, a meados do século II, nos mostra a perspectiva ampla que o domingo foi adquirindo nas consciências: «reunimo-nos todos no dia do Sol, não só porque foi o primeiro dia em que Deus, transformando as trevas e a matéria, criou o mundo, mas também porque neste mesmo dia Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos. Estas duas maravilhosas obras divinas formam como um único retábulo em que Cristo ressuscitado ocupa o lugar central, pois Ele é o princípio da renovação de todas as coisas. Por isso, a Igreja pede a Deus na Vigília Pascal que «o mundo todo veja e reconheça que se levanta o que estava caído, que o velho se torna novo e tudo volta à integridade primitiva por aquele que é princípio de todas as coisas, Cristo, nosso Senhor.

A celebração do domingo tem um tom festivo, porque Jesus Cristo venceu o pecado, e quer vencer o pecado em nós, quebrar as correntes que nos afastam Dele, que nos encerram no egoísmo e na solidão. Desta forma, unimo-nos à exclamação jubilosa que a Igreja propõe para este dia na Liturgia das horas: «Hæc est dies, quam fecit Dominus: exsultemus et lætemur in ea Este é o dia que o Senhor fez. Exultemo-nos e alegremo-nos Nele!Experimentamos o júbilo de saber que, pelo batismo, somos membros de Cristo que, na sua glorificação, nos une ao Pai, apresentando-lhe nossas petições e desejos de melhora.

Esta alegria do encontro com o Senhor que nos salva não é individualista: celebramo-la sempre unidos a toda a Igreja. Durante a Missa do domingo reforçamos a unidade com os outros membros da nossa comunidade cristã, e nos tornamos «um só corpo e um só Espírito como uma só é a esperança da vocação a que fostes chamados. Um Senhor, uma fé, um batismo. Um Deus, Pai de todos, que atua acima de todos, por todos e em todos. Por isso, «a assembleia dominical é um lugar privilegiado de unidade, de modo especial para as famílias, que «vivem uma das manifestações mais qualificadas de sua identidade e de seu “ministério” de “igrejas domésticas”, quando os pais participam com seus filhos na única mesa da Palavra e do Pão da Vida. Que maravilhoso quadro contemplamos a cada domingo, quando nas paróquias e diferentes lugares de culto reúnem-se as famílias cristãs – pai, mãe, filhos, inclusive os avós – para adorar juntos ao Senhor e crescer na fé acompanhados!

Ser mais ricos nas palavras de Deus

O caráter festivo da celebração dominical reflete-se em alguns elementos litúrgicos, como a segunda leitura antes do Evangelho, a homilia, a profissão de fé, e – exceto nos domingos de Advento e Quaresma – o Glória. Como é óbvio, nesta Missa se aconselha de modo particular o canto, que reflete o júbilo da Igreja diante da ressurreição de Jesus. A Liturgia da Palavra possui uma grande riqueza. Nela, a proclamação do Evangelho é central. Assim, durante o tempo comum e ao longo de três ciclos anuais, a Igreja nos propõe uma seleção ordenada de passagens evangélicas, na que percorremos a vida do Senhor. Antes, recordamos a história de nossos irmãos mais velhos na fé com a primeira leitura do Antigo Testamento durante o tempo comum, que está relacionada com o Evangelho, «para assim manifestar a unidade dos dois Testamentos. A segunda leitura, também ao longo de três anos, percorre as cartas de São Paulo e de São Tiago e nos faz compreender, como os primeiros cristãos viviam a novidade que Jesus veio nos trazer.

Em conjunto, a Igreja nos oferece como boa Mãe um abundante alimento espiritual da Palavra de Deus, que solicita de cada pessoa uma resposta de oração durante a Missa, e, depois, a acolhida serena na vida. «Penso que todos podemos melhorar um pouco neste aspecto, diz o Papa: converter-nos todos em melhores ouvintes da Palavra de Deus, para ser menos ricos de nossas palavras e mais ricos de Suas Palavras. Para ajudar-nos a assimilar este alimento, cada domingo o sacerdote pronuncia uma homilia em que explica, à luz do mistério pascal, o significado das leituras do dia, especialmente do Evangelho: uma cena da vida de Jesus, seu diálogo com os homens, seus ensinamentos redentores. Deste modo, a homilia leva-nos a participar com intensidade na Liturgia Eucarística, e a compreender que o que celebramos se projeta além do final da Missa, para transformar a nossa vida diária: o trabalho, o estudo, a família…

Mais do que um preceito: uma necessidade cristã

A Santa Missa é uma necessidade para o cristão. Como poderíamos prescindir dela, se, como ensina o Concílio Vaticano II, «todas as vezes que se renova sobre o altar o sacrifício da cruz em que “Cristo nossa Páscoa, foi imolado” (1 Cor 5, 7), efetiva-se a obra da nossa redenção? Quoties sacrificium crucis, quo “Pascha nostrum immolatus est Christus” in altari celebratur, opus nostrae redemptionis exercetur»: a eficácia santificadora da Missa não se limita ao tempo que dura a sua celebração, mas se estende a todos os nossos pensamentos, palavras ou ações, de maneira que é «o centro e raiz da vida espiritual do cristão. São Jose maria também comenta: Talvez nos tenhamos perguntado algumas vezes como podemos corresponder a tanto amor de Deus; talvez nesses momentos tenhamos desejado ver claramente exposto um programa de vida cristã. A solução é fácil e está ao alcance de todos os fiéis: participar amorosamente da Santa Missa, aprender na Missa a ganhar intimidade com Deus, porque neste Sacrifício se encerra tudo o que o Senhor quer de nós.

«Sine Dominico non possumus: não podemos viver sem a ceia do Senhor», diziam os antigos mártires de Abitíni. A Igreja concretizou esta necessidade no preceito de participar da Missa aos domingos e outras festas de preceito. Desta forma, vivemos o mandamento incluído no Decálogo: “Lembra-te do sábado para santificá-lo. Durante seis dias trabalharás e cumprirás todas as tuas tarefas; porém o sétimo é dia de descanso em honra do Senhor, teu Deus. Os cristãos levam esse preceito à plenitude ao celebrar o domingo, dia da ressurreição de Jesus.

O repouso dos domingos

O domingo é um dia para ser santificado em honra a Deus. Dirigimos o olhar a nosso Criador, repousando do trabalho habitual, como nos ensina a Bíblia: «Pois em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles existe, mas no sétimo dia descansou. Portanto, o Senhor abençoou o sétimo dia e o santificou».

Ainda que, o fato de se ter um dia livre na semana possa ser justificado por razões meramente humanas, como um bem para a pessoa, a família e toda a sociedade, não podemos esquecer que o mandamento divino chega mais longe: «O repouso divino do sétimo dia não alude a um Deus inativo, mas sublinha a plenitude do que fora realizado, como que a exprimir a paragem de Deus diante da obra «muito boa» (Gen 1,31) saída das suas mãos, para lançar sobre ela um olhar repleto de jubilosa complacência.

A própria revelação no Antigo Testamente acrescenta outro motivo da santificação do sétimo dia: «Lembra-te de que foste escravo no Egito e que o Senhor, o teu Deus, te tirou de lá com mão poderosa e com braço forte. Por isso o Senhor, o teu Deus, te ordenou que guardes o dia de sábado.

A ressurreição gloriosa de Cristo é o cumprimento perfeito das promessas do Antigo Testamento. Com ela, a história da salvação, iniciada com os começos do gênero humano, chegou ao seu ponto culminante. Os primeiros cristãos passaram a celebrar o dia da semana em que Jesus Cristo ressuscitou como o dia de festa semanal santificado em honra do Senhor.

A libertação prodigiosa dos israelitas é uma figura do que Jesus Cristo faz com sua Igreja por meio do mistério pascal: livra-nos do pecado, ajuda-nos a vencer nossas más inclinações. Por isso, podemos dizer que o domingo é um dia especial para viver a liberdade dos filhos de Deus: uma liberdade que nos leva a adorar o Pai e a viver a fraternidade cristã começando por aqueles que estão mais próximos de nós.

«Graças ao descanso dominical, as preocupações e afazeres quotidianos podem reencontrar a sua justa dimensão: as coisas materiais, pelas quais nos afadigamos, dão lugar aos valores do espírito; as pessoas com quem vivemos, recuperam, no encontro e diálogo mais tranquilo, a sua verdadeira fisionomia.Não se trata de não fazer nada ou somente atividades sem utilidade, ao contrário: «A instituição do Dia do Senhor contribui para que todos gozem do tempo de descanso e lazer suficiente, que lhes permita cultivar a vida familiar, cultural, social e religiosa. É um dia para dedicar especialmente à família o tempo e a atenção que talvez não consigamos prestar-lhes suficientemente nos outros dias da semana.

Em síntese, o domingo não é um dia reservado para si mesmo, para concentrar-se nos próprios gostos e interesses. «Da Missa dominical parte uma onda de caridade destinada a estender-se a toda a vida dos fiéis, começando por animar o próprio modo de viver o resto do domingo. Se este é dia de alegria, é preciso que o cristão mostre, com as suas atitudes concretas, que não se pode ser feliz “sozinho”. Ele olha ao seu redor, para individuar as pessoas que possam ter necessidade da sua solidariedade».A Missa dos domingos é uma força que nos move a sair de nós mesmos, porque a Eucaristia é o sacramento da caridade, do amor de Deus e do próximo por Deus. Entende-se assim como no primeiro dia da semana São Josemaria experimentava uma particular vibração trinitária: “No domingo – dizia – é bom louvar a Trindade: glória ao Pai, glória ao Filho, glória ao Espírito Santo. Eu costumo acrescentar: e glória a Santa Maria. E… é uma coisa infantil, mas não me importa nada: também a São José».

Carlos Ayxelà

São João Paulo II, Carta Apostólica Dies Domini, 31-V-1998, n. 7.

São João Paulo II, Carta Apostólica Novo millenio ineunte, 6-I-2001, n. 35.

Concílio Vaticano II, Constituição Sacrosanctum Concilium, n. 106.

Francisco, Audiência, 5 de fevereiro de 2014.

Sacrosanctum Concilium, n. 106.

Apoc. 1, 10.

At. 20,7

1 Cor 11,23.27.

 Apologia I, 67,7.

Missal Romano, Vigília Pascal, oração depois da 7a leitura.

Salmo 117 (118), 24.

Ef 4, 4-6

Dies Domini, 36.

 Ibidem.

 Introdução ao Lecionário da Missa, n. 106.

Francisco, Discurso, 4-X-2013.

Concílio Vaticano II, Constituição dogmática, Lumen gentium n. 3.

São Josemaria, É Cristo que passa, n. 87.

É Cristo que passa, n. 88.

Cfr. Dies Domini, 46.

Cfr. Código de Direito Canônico, can. 1247.

 Ex 20, 8-10.

Ex 20, 11.

Dies Domini, 11.

Deut. 5,15.

Dies Domini, n.67

Catecismo da Igreja Católica, 2184

Dies Domini, n.72.

São Josemaria, Anotações de uma reunião familiar, 29-V-1974.

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Liturgia IX Domingo do T. Comum: “Guardar e santificar dia do Senhor”

Domingo é dia do Senhor. É o dia em que o ser humano se revigora em suas forças físicas e espirituais. É dia de descanso, um direito que é expressão de justiça social, que possibilita a convivência com a família e com a comunidade.

Na Liturgia deste IX Domingo do Tempo Comum, vemos, na primeira leitura, que o autor bíblico do Deuteronômio focaliza o terceiro mandamento da lei do Senhor, que fala do dia de sábado, como proibição de explorar o trabalho do irmão, tornando-o escravo.

Todo homem tem direito ao dia de descanso para se retomar suas forças e tomar consciência da sua vida. Este mandamento leva as pessoas a reconhecer que dependem do Criador e que o trabalho humano é relativo.

Nós, cristãos, celebramos o domingo porque, neste dia, Jesus venceu a morte para a nossa salvação.

Na segunda leitura, o apóstolo Paulo acentua os grandes contrastes entre a missão e os instrumentos escolhidos por Deus para realizá-la. Na fraqueza, na tribulação, na perseguição e no martírio, o cristão anuncia o mistério da morte de Cristo e, ao mesmo tempo, anuncia que a força de Deus e a vida de Cristo agem nele. A cruz de Cristo manifesta seu mistério de loucura e sabedoria, não só como recordação histórica, mas na vida do cristão.

No Evangelho, São Marcos diz que, para os fariseus, os discípulos de Jesus cometeram duas infrações: apropriaram-se do que não lhes pertencia e o fizeram em dia de sábado.

Então, Jesus recorre às Escrituras e a um maior esclarecimento do sentido do sábado, mostrando que, diante da fome, tudo se torna secundário.

A vida humana está acima de qualquer lei ou estrutura. Jesus reage com indignação e tristeza diante dos que resistem ao seu ensinamento e à sua prática. Por isso, mostra até onde vai a exigência de a lei do sábado estar a serviço da vida.

Por outro lado, ao colocar o doente ao centro e curá-lo, Ele indica, mais uma vez, sua opção pelos desprezados.

Hoje, nós cristãos, celebramos o Dia do Senhor no domingo, o dia em que Cristo venceu todas as forças do mal e ressuscitou. Por isso, os primeiros cristãos mudaram o sagrado costume judaico de santificar o dia de sábado.

A santificação do sétimo dia, para o povo judeu, prescrita no Antigo Testamento, passou, por disposição dos Apóstolos, a ser praticada no primeiro dia da semana, o domingo, dia santificado dos cristãos.

Ao longo de vinte séculos de história, a Igreja Católica, juntamente com as outras igrejas cristãs, sempre reconheceu o sentido sagrado deste dia, vendo nele a Páscoa da semana, que torna presente a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte.

Domingo é dia do Senhor, que nos quer todos reunidos para participar da Eucaristia, ouvir sua Palavra e celebrar a ação de graças. É o dia em que as famílias e as comunidades se encontram, para reforçar os laços de comunhão e amizade. É o dia em que o ser humano se revigora em suas forças físicas e espirituais. É dia de descanso, um direito que é expressão de justiça social, que possibilita a convivência com a família e com a comunidade.

O domingo, enfim, é o dia da vida, da festa, da alegria; não é apenas um feriado, mas um dia santificado: “Guardar e santificar o dia do Senhor”.

(Presbíteros – Roteiros Homiléticos)

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